sexta-feira, janeiro 30, 2009

O SONHO DE EVA

Eva acordou um dia no paraíso, com tudo lá junto, contido; e viu que havia algo novo no Jardim do Éden, uma árvore havia surgido; e essa árvore tinha um fruto vermelho tão lindo e chamativo; que ao notar fruto tão bonito, sentiu no seu corpo surgindo; algo que ela nunca tinha sentido: fome.

Eva, então, tomado por um impulso, não esperou por Adão; correu para a árvore e arrancou o fruto vermelho, mordendo-o com tanto gosto, sentindo os pedaços da fruta, formando sulco em sua boca, ao mesmo tempo, que uma sensação de satisfação foi percorrendo todo o seu corpo, fazendo-a fechar os olhos; e ao abrir, Eva estava em outro lugar...

Vestida em trajes formais pela Avenida Paulista, Marie entrou no prédio onde trabalha; com o celular tocando sem parar. Enquanto dá ordens a sua secretária, responde mais um email em seu blackberry.

Marie chega no andar em que trabalha e entra na sala de reunião, onde outros executivos a esperam. Ela é uma diretora de uma multinacional e é responsável diretamente por centenas de pessoas que trabalham para a sua empresa. Também é mãe de duas crianças, esposa, filha querida, e ao mesmo tempo uma mulher bem sucedida, admirada e querida, odiada e invejada.

Por vezes, Marie, toma certas atitudes que ela não se orgulha; para exercer a sua autoridade; outras vezes, parece uma menina, com saudade de uma família, de uma terra que ela sente ser parte dela, porém não se recorda quando esteve por lá, mas basta fechar os olhos e ela se imagina num jardim encantador, com árvores, plantas, um jardim cheio de flores, onde ela não precisa mais ser a executiva, nem tão pouco a mãe e a mulher que todos esperam dedicação por toda a vida. Ás vezes, ela sente, mesmo sem ser religiosa, que de certa forma, é Eva, a mulher primeira, o ser feminino original em manifestação, então, respira fundo e ela volta a ser a mulher que todos esperam que ela seja.

- Eva, que piada! - pensa ela - Que lenda mais tola. Preciso mesmo de férias.

E pensando nas férias, onde poderá enfim, fugir da cidade grande para algum paraíso; ela fecha os olhos uma vez e quando abre; ela é Eva.

Que sonho mais estranho, pensou Eva, enquanto guardava o último pedaço daquela fruta deliciosa para compartilhar com Adão. Eva havia sentido, pela primeira vez, o doce sabor da fruta da ilusão e enquanto corria para dizer a Adão, o que havia sentido, uma serpente que estava escondida naquela árvore de frutas vermelhas, foi deslizando suavemente pelos galhos e em seus olhos havia refletido um mundo que existia além daquele jardim que para o primeiro casal deixaria de ser a única realidade.

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