quarta-feira, julho 31, 2013

ACHO QUE NÃO VI UM GATINHO

Ela pediu um gatinho - "Para treinar a ter filhos” - argumentou - "Bons pais começam como bons donos de bichos".

Moramos num "apertamento" no centro e ficamos o dia todo fora. Gato não é tão carente quanto cachorro, mas precisa de atenção, cuidado e tempo. Como recusar o pedido dela? Como convencê-la que não é uma boa idéia?

Entenda, eu nunca tive um bichinho de estimação, mas sem prequis um. Fui criança incompleta, sem gato para brincar, sem cachorro para correr. Nunca quis ter passarinho, sendo voador precoce, sempre fui militante do movimento "Liberte o Ninho", afinal, canto de passarinho livre é jazz, canto do preso é blues. O mais próximo que tive de um pet foi um porquinho-da-índia, nome pomposo para o preá que acabou mordendo o dedo do meu pai e foi punido com morte, fogo e prato. Vai ver meu pai achou que o preá era mesmo porquinho.

Nunca tive nem aquário, imagina iguana. O mundo animal sempre foi National Geographic para mim, com exceção de um casal de serpentes que moraram comigo em Londres e que sumiram misteriosamente - esquecidos, vai ver cobra não tem mente - não lembraram de deixar o dinheiro do aluguel e do telefone.

Contudo, sempre quis ter a amizade de um cachorrinho ou o mistério do olhar de um gato. Queria experimentar esse tal amor por esses bichanos, que dizem por aí, se não é igual, é tão intenso quando o amor que sentimos por nossos filhos. É o que dizem, nunca tive nenhum, nem outro; por isso estou indeciso, ansioso. Cedo ou não cedo?
Não é tão simples, amigos. Assim como ter um filho, criar um cãozinho ou um gato, requer comprometimento e responsabilidade. Se todos pensassem bem antes de escolher ser dono de um bicho, não teríamos tanto cachorro e gato soltos por aí, perdidos, abandonados, presos, desenganados e mortos.

Quero que ela tenha um gato ou um cachorro, mas não agora. O animalzinho, assim como o filho, terá que esperar mais um pouco.

terça-feira, julho 30, 2013

A Primeira Estrela



Não tenho luneta, mas me considero um caçador de estrelas. Adoro procurá-las, mesmo que o céu nublado e poluído da cidade grande, muitas vezes não permita. Vibro com as novas descobertas; conto as que consigo ver sem medo da ameaça das verrugas nas pontas dos dedos e com um pouco de conhecimento de astronomia, meus olhos viajam pelas imagens das constelações com os nomes de heróis e seres da antiguidade. Tento imaginar em qual constelação, essas poucas estrelas que vejo pertence e nessa brincadeira noturna, vou dormir com a imagem de um Frank virando um Surfista Prateado, deslizando pelo espaço. Nesses devaneios, termino sentindo uma saudade de casa, da verdadeira casa, o lugar de onde eu vim e para onde retornarei, afinal somos todos feitos de poeira estelar.

Esses dias tive a oportunidade de passar três dias em Itatiaia no estado do Rio de Janeiro. O Parque e o famoso pico das Agulhas Negras dispensam explicações e é um destino obrigatório para qualquer um andarilho da terra ou das estrelas. Fui para lá para descansar por um fim de semana, e apesar de mal poder esperar pelas caminhadas, cachoeiras e pelo descanso merecido, confesso que estava ainda mais ansioso pelas estrelas. O dia ensolarado e o céu sem nuvens ,prometiam uma noite tapeada de estrelas.

A tarde passou correndo e a noite ameaçava chegar. Deitado na varanda da pousada em que estava, fiquei olhando as cores do horizonte mudarem rapidamente de azul claro para laranja e vermelho e o sol se esconder por trás das montanhas que tinham o formato de uma índia. Não pensava em nada, apenas observava o dia se misturando com a noite e de repente, surgiu a primeira estrela. Era a primeira vez em que observava o surgimento das estrelas no céu. Nunca tive tempo para isso, apenas sigo correndo para o trabalho durante o dia e voltando pra casa durante a noite. Ali, eu tinha todo o tempo do mundo, não havia pressa de chegar ou partir, apenas estar presente.

Mas estar presente não é nada fácil. Nunca estamos 100 % num momento. Não sei quanto a vocês, mas tenho um terrível problema de aproveitar totalmente o meu aqui e agora. Perco momentos maravilhosos em minhas horas livres, pensando senão estou desperdiçando o meu tempo ou se consegui fazer tudo aquilo que planejei fazer nessas “horas livres” que na teoria eu deveria usar para fazer nada. Às vezes, precisamos apenas fazer nada para curtir tudo por completo; se ao menos não estivéssemos tão preocupados em fazer algo...

Naquele momento nada mais importava para mim do que caçar as minhas estrelas. Vi a primeira, contei a segunda, fui pego de surpresa pela terceira e quando a décima apareceu, eu já estava além da terra e meus olhos viraram cometas pelo céu que apresentava o seu show estelar.

De acordo com um artigo* que eu estava lendo, o céu estrelado foi a primeira grande atividade especulativa do homem (inscrições e construções em pedra datam de até 30.000 anos atrás). Naquela época, o céu era observado com espanto, admiração e respeito, provocando profundo sentimento de idolatria, daí os nomes das constelações terem sido nomeados com seus deuses, heróis e mitos. Os astros eram divinos e o céu sagrado servia de morada aos deuses. 

Contemplando o céu em noites extremamente límpidas e sem iluminação artificial, os homens inventaram as constelações: figuras imaginárias de seres mitológicos, animais e objetos nos alinhamentos estelares. Cada povo ou tribo tinha as suas próprias constelações e, para memorizá-las criavam mitos.

Vivendo da caça, da pesca e da agricultura, precisavam conhecer detalhadamente o clima, épocas de plantio e de colheita e o céu constelado ajudava imensamente neste sentido. Além de servir como calendário, lembrando épocas do ano, explicava fenômenos naturais.

Atualmente as constelações não possuem a expressiva significação que tinham na antiguidade. São utilizadas pela Astronomia para indicar direções do Universo e facilitam o reconhecimento do céu.

Para o homem comum da cidade grande, tendo toda a informação impressa e a disposição, poucos param para observar o céu ou mesmo admirar as estrelas. O mesmo não ocorre no interior, onde o homem do campo ainda se baseia no céu para muitas coisas que faz.

Lembro que meu avô costumava confiar mais na posição do sol no céu do que em seu relógio quando o assunto era saber as horas: “ O relógio pode estar atrasado ou adiantado, o sol não!”, dizia ele quando eu era pequeno e morávamos no interior da Paraíba.

Foi nessa época que me apaixonei totalmente pelas estrelas e pelos desenhos dos deuses que os livros diziam que as estrelas formavam no céu. Foi sob o céu estrelado que comecei a contar minhas primeiras estórias e elas eram muitas vezes baseadas  em Órion o gigante guerreiro, que vivia sob nossas cabeças ou nas aventuras em que eu fingia ser Perseu e montava em Pégaso, o cavalo alado, e lutava contra o monstro marinho Cetus, para salvar minha amada Andrômeda.

Em Itatiaia, naquela noite em que caçava as estrelas, tornei a ser menino e continuaria a noite toda ali, se não tivesse um jantar a minha espera e alguém me aguardando, afinal, eu não podia perder a chance de cumprir todas as mil coisas planejadas.

Frank


*Nota do autor: parte do texto que se refere a história das constelações foi baseada no artigo "As Constelações" da autora Edna Maria Esteves da Silva. Coordenadora do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina.Maio/1999

segunda-feira, julho 29, 2013

A Menina e a Lua

Para Rutth

A princezinha Rutth estava doente. O rei, seu pai, promete:”Filhinha, dou o que você quiser, se ficar boa”. E a menina: respondeu “ Eu quero a lua!”.

O rei convocou os sábios da corte, matemáticos, mágicos, cavaleiros com experiência de países distantes, músicos e até feiticeiros. Masa lógica e a matemática tem limiteis; feitiçaria e fórmulas não conseguiam fazer essa mágica; mas o bobo da corte – que chamavam de palhaço e não foi consultado por ser bobo – assegurou ao rei que atenderia ao pedido da menina. Orei fingiu que ele não era bobo, e deu licença.

- Princesinha, qual é o mesmo o tamanho da lua?

- Assim, do tamanho duma medalha.

- De que é feita?

- Ela é toda de prata.

- Agora ela está muito alto no céu. Quando chegar à altura daquela arvore, eu subo lá e pego a lua para você. Durma sossegada, que ela demora a descer.

Enquanto a lua descia atrás das arvores, o palhaço vai aos tesouros do rei, escolhe uma linda medalha, branca e redondinha como a lua. Prende-a num cordão de ouro e aguarda o sol chegar.

A corte inteira quis presenciar o espetáculo. O palhaço com as mãos nas costas, olhou para a princesinha e disse:

- Querida princesinha, que acaba de acordar com um beijo do sol bem na ponta do nariz, adivinha o que eu tenho escondido aqui?

- A lua! Gritou a menina

- A lua! Respondeu o bobo

- A lua! Gritou o rei

- A lua! Todos gritaram por todo o palácio.

E o bobo da corte pendurou a lua no pescoço da menina. E a menina sarou completamente.

No dia seguinte, a menina e o bobo olhavam pela janela. E lá apareceu de novo a lua no céu. Mas o palhaço explicou:

- Veja princesinha, como Deus é bom. Roubei a lua lá de cima, e ele pôs outra no lugar.

James Thurber

quinta-feira, julho 25, 2013

A Magia do Papel em Branco



Época de eleição, verdade, mentira e muito papel no chão. Era moleque; não entendia quem ia ganhar, ou o que eles tinham para oferecer; mas o que não faltava era papel e para quem não tinha onde escrever, era só aproveitar o parte branca do panfleto.

Na falta de um caderno para escrever meus contos, minhas histórias, os panfletos eram perfeitos. Quanto maior o panfleto do político, mais espaço eu tinha para escrever, para desenhar, para rabiscar as idéias que formariam o homem que sou. Para a minha sorte, naquela época ninguém havia pensado em colocar a foto do político na frente e no verso do panfleto.

Sim, era um tempo difícil, mas não menos divertido. Minha mãe só tinha dinheiro para comprar os cadernos da escola, os quais ela vistoriava constantemente. Era repressão na certa quando ela percebia qualquer espaço usado para escrever algo que não fosse matéria da escola. – Para quê você escreve tanta bobagem, menino? – dizia ela. Eu não tinha resposta, só sabia que havia uma história para contar.

O problema era que eu não parava de escrever, minha cabeça estava cheia de idéias, cheia de sagas dos meus heróis, personagens que gritavam, imploravam para se tornarem vivos no movimento das letras, no desenho das palavras.

Eu vivia escrevendo em papel de saco de pão, em guardanapo roubado das lanchonetes onde nunca comi uma refeição. Para um garoto pobre com fome de papel, panfletos caindo do céu, dos caminhões e carros, era como se chocolates caíssem dos prédios em dia de São Cosme e São Damião.

Nos dias de hoje, não aguardo mais a época das eleições com tanto entusiasmo, porém, toda vez que vejo panfletos de políticos no chão e entupindo bueiros, lembro desse moleque e fico desejando que houvesse outros garotos escritores por ai, reciclando panfletos e colocando no papel sua visão de mundo, afinal um bom conto, uma história não tem o poder de mudar os rumos de um país, mas se bem narrada, pode fazer todo um povo sorrir e sonhar.

quarta-feira, julho 24, 2013

SILÊNCIO



Essa semana tentei trabalhar com o silêncio, mas tudo o que consegui foi gritar, fazer um dos barulhos mais terríveis que já produzi, com isso, feri ouvidos, abalei amigos por não saber respeitar que a melhor solução para certas situações é mesmo o silêncio.

Descobri com isso que é muito difícil calar a mente, silenciar o ego gritante que tenta a todo momento ser ouvido. Percebi que o silêncio é uma força bem mais forte que o som e por não ser verbalizado, produz um efeito muito melhor que mil discursos, que milhares de parábolas ou defesas desenfreadas, onde se cospe palavras e acabamos não falando nada.

Enquanto o som corre o risco de ser mal interpretado ou ser equivocadamente ouvido; o silêncio faz pensar, cultiva a dúvida, flui em correntes de reflexão, cai feito a mais fina chuva, e acalma a necessidade de uma resposta imediata a uma provocação.

O silêncio é a melhor resposta para certas perguntas e a melhor explicação para as grandes questões da vida: de onde viemos, quem somos e para onde vamos, só podem ser explicadas com o silêncio.

Sábio é o homem que escuta e só fala, como diz o escritor Rubens Alves, quando o silêncio pode ser substituído por algo maior e melhor.

terça-feira, julho 23, 2013

A GREVE DO LIXO


( ou a fantástica estória da mulher que transformou lixo em dinheiro)

 Sofia nunca havia se interessado por reciclagem antes, achava uma perda de tempo. Toda essa estória de preservação do meio ambiente, para ela, não passava de uma grande bobagem. Pagava os seus impostos e era mais que justo que gastasse a água quente que quisesse em seus banhos, deixasse a torneira aberta enquanto escovava seus dentes ou lavava os seus pratos e talheres. Separar o lixo que ela produzia, era um luxo para alguém que corria contra o tempo; alta executiva de uma empresa financeira, Sofia estava sempre em eterna correria; por isso nem empregada tinha, pois não queria se preocupar com nada a mais que o seu trabalho. Além disso, acreditava que era justamente o lixo que ela criava que dava emprego a tantos garis e pessoas empregadas nessas centenas de empresas de coleta de lixo em São Paulo.

Porém, certo dia, os lixeiros não vieram e os sacos começaram a se acumular á sua porta. Uma semana depois, para piorar a situação, o rádio anunciou que a greve das empresas de coleta continuaria. Ela entrou em pânico: onde jogaria tanto lixo que estava empilhado em sacos na cozinha? Ela não separava os restos de comida das latas, os plásticos dos jornais velhos e revistas folheadas; tudo ia para o mesmo saco de lixo. Para ela, era obrigação dos lixeiros cuidarem do resto.

Com o odor ficando cada vez mais insuportável, Sofia pensou até em pagar alguém para remover aqueles sacos, mas na mesma semana da greve do lixo, ela foi mandada embora do banco em que trabalhava.

Deprimida pelo desemprego, pelas dividas que chegavam e incomodada com tanto lixo parado; ela começou a perceber que se tivesse separado a comida do vidro, o papel do plástico, não teria tanto lixo acumulado; afinal, volta e meia, passava um catador de papelão e latinhas pela porta da sua residência.

Entre a busca de um emprego e outro; ela começou a pesquisar sobre reciclagem. Em principio por não ter mais nada a fazer, depois com uma crescente curiosidade; e percebeu que isso poderia ser uma boa fonte de negócios. Aprendeu que vidros poderiam ser transformados em potes de alimento, garrafas; que os papéis poderiam ser reutilizados para a impressão de novos jornais, revistas, caixas de papelão, embalagens; que o metal poderia ser usa dopara latas, tubos de pastas; e o uso para o plástico era quase infinito: potes, garrafas, sacos, embalagens, sacolas, entre outros tantos utensílios. Até o lixo perecível poderia ser reutilizado e virar adubo.

Para Sofia foi a descoberta do segredo da vida. Com os olhos de alguém que sempre busca oportunidade de negócios, ela enxergou que a reciclagem poderia transformá-la em uma alquimista do lixo, ensinando empresas a transformar desperdício em negócios. Bastou uma rápida pesquisa, para ela descobrir que as grandes empresas poderiam economizar muito dinheiro se ensinasse seus funcionários a reciclar.

Reciclar era o novo filão no mundo empresarial, que ainda não tinha tido a devida atenção no Brasil, mas ela agora estava disposta a mudar essa situação.

- Vocês sabiam que 50 quilos de papel reciclado evitam que se corte uma árvore? – perguntou ela, em sua primeira palestra em uma empresa em São Paulo – E que 76% do lixo no Brasil é lançado a céu aberto? E que a sua empresa pode economizar milhões, se cada funcionário, dos altos executivos ao porteiro, souber reciclar?

Entre outros dados alarmantes, Sofia leva atualmente suas idéias de reciclagem para várias empresas, contando a estória da mulher que passou de plantadora de lixo á semeadora de reciclagem.

segunda-feira, julho 22, 2013

Fugindo de Casa



O plano era audacioso: Cruzaríamos a fronteira sem permissão e sobreviveríamos ao perigo mortal de morrermos sufocados pelo tédio que se espalhava por toda a cidade.

Refizemos os nossos planos, estudamos os mapas e todos os planos B,C e W O. Contamos o nosso mantimento e ao raiar do dia, começamos a nossa jornada para uma nova vida. Robson e eu sabíamos dos riscos; havíamos calculado cuidadosamente tudo o que poderia dar errado e saímos de nossas casas com a confiança que todo menino de 13 anos possui: Éramos invencíveis, indomáveis e fugiríamos de casa pela primeira vez.

Não sofríamos maus tratos; nem buscávamos pais ausentes que sumiram misteriosamente quando foram comprar cigarros. O que nos empurrava para fora de Cajazeiras era a vontade de escapar daquele gás misterioso do tédio que transformava todos em zumbi. Os habitantes da cidade andavam de um lado para o outro como se fossem mortos-vivos. Não havia mais brilho em seus olhares, apenas o vazio de quem não via nada no horizonte além do dia seguinte. Eles não viviam, apenas vagavam pelos cantos da cidade em busca de seus cérebros que foram perdidos em algum momento durante o marasmo em que suas vidas se tornaram.

Robson era tão lúcido quanto eu, mas ele quase tinha sido pego pelo gás. Certa vez o encontrei vegetando em frente à TV assistindo o Chaves. Por pouco, consegui resgatá-lo e depois desse perigo, decidimos que fugiríamos para alguma cidade em que o time de futebol atuasse em algo mais profissional que a 13º divisão. Nosso plano era sair da cidade pegando carona e chegarmos até Souza, a  30 kms dali e de lá, ganharíamos o mundo.

Sair da cidade foi relativamente fácil. Ninguém desconfiou daqueles dois meninos com mochilas nas costas, nem mesmo o camburão da policia que passou e acenou para nós. O problema era que não conseguíamos carona. Ninguém parecia entender o olhar daqueles dois meninos que imploravam: “por favor nos levem daqui e nos salvem da maldição dos zumbis”.

As horas foram passando, o sol esquentando e após a 5º hora de caminhada, fugir já não era mais tão divertido. Robson começou a se queixar de dores nas costas, nas pernas e que perderia o episódio do Chaves daquela tarde. Eu comecei a perceber que uma idéia idiota fica mais imbecil ainda quando colocada em prática a dois e prometi a mim mesmo, que se tivesse outra idéia estúpida, não envolveria mais ninguém. Então num desses momentos cruciais de nossas vidas em que desistimos de um sonho por não termos condições ainda de realizá-lo, demos meia volta e começamos a marchar de volta para casa.

5 horas depois, pisamos em Cajazeiras. Esgotados, famintos, e profundamente humilhados, passamos novamente pelos policiais no camburão, que pareciam rir da nossa cara, mas estamos felizes de termos voltado. Bastou algumas horas longe da cidade para percebermos que Cajazeiras, afinal, não era tão ruim assim. Afinal, o problema não era o local e sim a maneira como as pessoas viviam ali e fizemos um pacto de não deixarmos o tédio nos dominar. Bastava permanecer acordados e lúcidos que havia algo a mais além de dormir ,acordar, comer, estudar, comer, fazer dever de casa e dormir. Havia sempre alguma coisa que poderíamos fazer para não virarmos zumbis, mesmo que houvesse algumas recaídas...

- Que horas começa mesmo o Chaves?

sexta-feira, julho 19, 2013

Encosto



Números que se repetem misteriosamente; coincidências que desafiam a lógica; a sincronicidade é uma realidade na vida de todos nós – e contam os místicos que quanto mais lúcidos estamos que somos borboletas sonhando que somos sábios chineses, mais percebemos esses acontecimentos se repetindo e aparentemente não há  uma explicação. Por isso eu sabia que algo muito estranho estava ocorrendo comigo quando aquela mulher sentou no banco ao meu lado no trem.

Ela embarcou na Estação Santo Amaro e de todos os bancos vazios do vagão, ela decidiu sentar ao meu lado. Não a notei a principio, só percebi que quando ela sentou do meu lado, fui esmagadoramente imprensado contra a barra de ferro, próxima a porta. Não liguei, isso ocorre nas melhores linhas de transporte urbano público do mundo, mas quando ela começou a cochilar e se inclinar para o meu lado, comecei a evocar todos os orixás para que eu tivesse a paciência de Oxossi para não acordá-la com uma cotovelada.

Contive a minha fúria, e apesar de continuar esmagado até a Estação Osasco, onde eu iria descer, nada de extraordinário parecia ter acontecido. Era ela me esmagando ou nadar contra um mar de sovacos até a estação final.

No dia seguinte, fiz o mesmo trajeto e em Santo Amaro, adivinhem quem entrou no vagão e sentou do meu lado. Minha tolerância foi zero, cada vez que ela se inclinava, levava uma cotovelada, mas ela parecia estar num estado alterado de consciência, pois quanto mais porrada eu dava, mas pesado ficava seu sono e consequentemente seu corpo me esmagando. Fiz minha prece a Maomé, bendito seja o seu nome, mas nem me virando para Meca, eu conseguia ficar confortável com aquela mulher em cima de mim.

No terceiro dia, mudei de vagão e quando as portas da Estação Santo Amaro se abriram e ela não entrou, respirei aliviado. Minha tática funcionara! Fechei os olhos e agradeci a São Judas, santo de todas as causas impossíveis pelo milagre; mas quando abri os olhos novamente, a vi correndo pela plataforma enquanto a campainha de fechar as portas tocava. Torci para que não desse tempo, fiz promessas a todos os santos milagreiros para que a porta fechasse, mas ela entrou no vagão e para o meu desespero, o único banco vazio estava...ao meu lado.

- Nãaaaaoooooo!!!!! – gritei, mas já era tarde.

Em momentos como esse, sempre me pergunto: o que preciso aprender com isso?

Nada contra pessoas que estão um pouco acima do peso. Tenho vários amigos “gordinhos” e já sai com meninas fofinhas. Nada contra esses nossos trabalhadores que acordam antes do galo cantar, para as suas duplas ou triplas jornadas; mas entendam, era o terceiro dia em que isso acontecia comigo, naquela altura do campeonato, eu já estava xingando a mãe do Juiz e queria que o jogo acabasse.

Talvez eu tenha sido um travesseiro numa outra encarnação e tudo isso seja apenas o pagamento de uma ação equivocada do passado, mas karma à parte, como não tenho a escolha de usar o carro e sobreviver ao trânsito da hora do rush na marginal, vou continuar usando o trem para chegar até a escola que dou aulas de inglês em Osasco, mas decidi vou enfrentar o rio das axilas mal cheirosas de agora em diante e seja o que Krisha quiser.  Lição? Acho que não aprendi nada com isso, mas quer saber, ela que faça de travesseiro, o ombro de outra pessoa.

quinta-feira, julho 18, 2013

O Menino Monstro



Todo adulto guarda na memória, uma estória de terror. Um daqueles casos inexplicáveis que aumenta mais em detalhes macabros, toda vez que é recontado. Esse caso ocorreu comigo no Natal de 1985 e toda vez que todos começam a enfeitar as suas casas com as cores de natal, inevitavelmente lembrodo dia em que vi o Menino Monstro.

Eu tinha 12 anos, quando mudei para Cajazeiras, na Paraíba. Nessa idade, fazer parte de um grupo é uma questão de vida ou morte; ainda mais para um garoto que acabara de mudar para uma nova cidade e precisava ganhar a confiança dos “novos amigos”. Para ganhar o reconhecimento da turma, eu precisaria passar num teste de bravura e coragem. Se aceitasse, seria aceito por todos; se desistisse, o limbo juvenil me esperava.

O desafio era aterrorizador: eu teria que enfrentar o Menino Monstro.

Na rua da padaria do Janduí, havia uma casa que despertava a atenção de todos que passavam por lá. Em um dos quartos, havia grade na janela e de dentro do quarto, ouviam-se grunhidos e gritos terríveis que assustavam todo o bairro. Todas as pessoas que conhecia, evitavam passar por aquela rua; e os boatos corriam por todo o bairro que uma beata, devota de Frei Damião, tinh avisto no menino as marcas do coisa ruim e ela mesmo havia declarado a todos – “Esse menino só pode ser obra do cão!”

Eu só havia visto a casa uma vez e ainda lembrava dos gritos, por isso quando os meninos disseram que eu teria que entrar naquela casa; pensei seriamente em arrumar as minhas malas e voltar para a Brasília, onde o maior desafio que tinha enfrentado fora um campeonato de futebol de tampinha de garrafa. Ter uma vida social não valia o sacrifício, mas como a Eliana, a menina mais bonita do bairro, fazia parte do grupo e eu já não conseguia imaginar viver minha adolescência sem ela, aceitei o desafio.

Era noite, meus amigos ficaram vigiando a casa, até perceberem que os pais do Monstro haviam saído para a igreja. Por favor, levem em consideração que não éramos delinqüentes; a verdade é que escalar muros e invadir quintais eram uma arte a ser dominada quando se mora numa cidade do interior com quintais cheios de mangueiras, goiabeiras e pés tortos que miram no gol e acertam o quintal alheio. Pular o muro não foi sequer uma missão difícil, mas quando entrei na casa, confesso, que comecei a tremer sem parar. De acordo com os meninos, não bastava entrar na casa, eu precisava trazer uma prova que estivera cara-a-cara com o Menino Monstro e apesar de não ter a mais vaga idéia do que poderia ser utilizado como prova, invadi a casa pela porta do quintal ( por carência de ladrões, todos os habitantes da cidade, deixavam sempre abertas as portas e janelas de seus quintais)..

Um medo descomunal tomava conta de mim, á medida que eu entrava na casa. O suor caia da minha testa como se fosse as quedas do Iguaçu; a respiração estava ofegante e meu coração batia tão rapidamente, que senti que  aqualquer momento ele sairia da minha boca e pularia o muro do quintal. Eu queria sair dali. Queria estar em casa, me preparando para  a ceia de Natal e não naquele lugar enfrentando a morte. Queria fugir, mas havia Eliana e eu precisava continuar, não só por mim, mas por todos os adolescentes do mundo que passavam por aquele tipo de situação.

Então, ouvi a respiração do monstro bem perto de mim. Antes mesmo que eu pudesse pensar em fugir, notei uma sombra avançando sobre mim e me derrubando no chão.

- Deus me ajuda!!! – Gritei e fechei os olhos, esperando o pior. Nem tinha 13 anos ainda, queria tanto estar vivo para casar com a Eliana e para descobrir o que ocorreria com o Homem Aranha no seu próximo gibi. Imaginei cenas de filme de terror, as piores dores possíveis, mas nada ocorreu. Cauteloso, abri os olhos e vi á minha frente, apenas um menino um pouco maiorque eu, que tinha Síndrome de Down. Ele tinha um dos olhares mais doces que já tinha visto na vida e aos invés de palavras distorcidas  de filme de Exorcista, ouvi sua voz meiga dizendo – Você veio brincar comigo?



Em Brasília, era comum ver os meninos com Down nas ruas, tendo vidas saudáveis e até jogando bola com o resto da meninada na rua, mas aparentemente em Cajazeiras, as famílias escondiam seus “meninos especiais” do resto da sociedade como se eles fossem realmente monstros.

A verdade é que não havia nada de monstruoso com aquele menino e se havia algum horror; algo fora do normal, era a maneira como ele era tratado não só por toda a vizinhança, mas também por seus pais.

Enquanto eu encarava a minha própria ignorância; ele me foi trazendo carros sem rodas, bolas murchas e outros tantos brinquedos quebrados que ele costumava brincar e repetia sem parar “que bom que você veio brincar comigo”.

Não fiquei brincando com ele, até gostaria, pois fiquei sensibilizado até o nível máximo que uma criança de 12 anos consegue atingir; mas meus amigos e Eliana estavam lá fora e eu ainda tinha que os impressionar com a fantástica história de como lutei com todas as minhas forças com o Menino Monstro e sobrevivi para contar. Aquele carrinho sem rodas era a prova que eu precisava para me tornar o herói mais covarde que já surgiu nos contos de fada do sertão.

Na noite de Natal de 1985, eu consegui amigos, fama e a admiração da menina mais linda da rua, mas antes mesmo da missa do galo, olhei-me no espelho e me dei conta que no final era eu, o Menino Monstro.

terça-feira, julho 16, 2013

A Canção Que Ainda Não Foi Escrita

Ela cantava o tempo todo.

Carregava consigo uma mochila cheia de canções de amor; melodias que falavam do brilho no olhar, despertado pelo toque do amado; versos de paixão e rimas de união; como se uma nuvem musical pairasse sob a sua cabeça; como se sua mente captasse ondas de FM e suas cordas vocais transmitissem a rádio do coração.

- Não vivo sem música! – ela me disse - Há sempre uma canção tocando dentro de mim.

Verdade! Do lugar de onde ela vem, há sempre música no ar.

Passei algum tempo ao seu lado e foram horas de versos e canções; como se estivéssemos em um “Musical“ e no lugar de diálogos, nos puséssemos a cantar e dançar.

Ela se foi, mas a sua lembrança, como se fosse uma canção, não para de tocar pelos lugares onde passo. Por vezes, me pego cantarolando as mesmas canções que ela cantava; outras vezes, quase consigo lembrar de uma canção que nunca foi escrita; uma melodia que nunca foi composta, mas que descreve em notas musicais o quanto importante ela foi, é e sempre será para mim.

segunda-feira, julho 15, 2013

A Balada de Radha

Bati na porta ao chegar em casa
Quem a abriu? Era Auri ou Radha?
Sândalo, melodia e som de flauta
E ela dizendo: “Bem vindo, Gopala!”

Deixei de ser adulto cansado
Tornei-me um menino azul
Na mesa um belo prato preparado
Era oferenda para mim ou Vishnu?

Auri caminhava, Radha sorria
O amor em pura devoção
Estávamos no Brasil ou na Índia?
Ou era outro lugar? Sei dizer não!

Mas nesse lugar se sente
Que o amor reflete o infinito
Bebe-se o agora e o sempre
Não há lugar mais bonito

E foi assim numa noite qualquer
Que Radha transformou-me em Krishna
Pois há entre todo o homem e mulher
Um quê de Gopi, um quê de Govinda

sexta-feira, julho 12, 2013

SILENCIE A VOZ QUE TENTA DERRUBAR VOCÊ

Há muitas razões para você ter medo de tentar, muitas razões para falhar, muitas razões para desistir, muitas razões para voltar à sua concha e esperar a vida se esgotar. Aos poucos. Jogando fora um dia de cada vez.

Sim. Há muitas razões para acreditar naquela voz dentro da sua cabeça que tenta anular você, corromper seu potencial e convencê-lo de que é um desperdício tentar dar o próximo passo. Essa voz diz: ‘Para que escrever a própria história? Assista tevê, e viva a história de outros, coma mais e não se exercite, para destruir sua principal máquina de mudar seu mundo; esqueça o amor, anule-se’. Essas são as mensagens que tentam derrubar você.

Há muitas razões para desistir. Todas, absolutamente todas, falsas. Os limites estão em você, não em regras criadas por outros. Nossa sociedade é dominada pela absurda ‘lei das médias’. Se a maioria não consegue, tentam fazer com que você acredite que jamais conseguirá. Aleijadinho não acreditava na voz interior que dizia, com toda a lógica do mundo, que ‘Aleijados não podem ser escultores’. Era lógico, mas era falso. Santos Dumont não acreditou nos compatriotas que insistiam em dizer ‘Que o homem não poderia voar com um veículo mais pesado que o ar’. Era lógico, mas era falso. Há muitas coisas nas quais você acredita, com lógica, mas que são absolutamente falsas.

É fácil inventar uma razão, um motivo aparentemente lógico, para qualquer coisa. Mas sua vida pode ser muito mais do que um amontoado de desculpas lógicas. Sua vida é muito mais do que qualquer razão para desistir de um sonho. Sua vida é muito mais do que seu passado ruim, suas experiências de dor e seus medos ancestrais. Sua vida é tudo o que ainda virá. Não importam os limites do seu passado, eles não existem mais. Seu futuro pode ser tudo o que você desejar. Escolha os companheiros de viagem... e vá.

Por isso, toda vez que escutar uma voz dentro de você dizendo ‘Você não é um pintor, então pinte sem parar, de todos os modos possíveis, e aquela voz será silenciada’, como afirmou Van Gogh, um dos maiores pintores da história. Substitua a palavra ‘pintor’ por engenheiro, jornalista, arquiteto, policial, mãe, professor, motorista, cantor, ator, escritor... ou o que você desejar.  E acredite nisto: sua mente e seu corpo são obrigados a seguirem as suas decisões, suas ações e suas crenças.

Silencie a voz que tenta derrubar você!

(autor desconhecido)

quinta-feira, julho 11, 2013

REFLEXÃO: O VENDEDOR DE PALAVRAS

por: Fábio Reynol



Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$0,50!".

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?

- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

- O senhor sabe o significado de histriônico?

- Não.

- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.

- O senhor tem dicionário em casa?

- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.

- O senhor estava indo à biblioteca?

- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.

- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!

- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?

- Se o senhor não comer a alface, ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.

- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?

- O senhor conhece Nélida Piñon?

- Não.

- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.

- E por que o senhor não vende livros?

- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.

- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.

- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela cara de dona-de-casa ninguém jamais desconfiaria. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.

- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...

- Jactância.

- Pegar um livro velho...

- Alfarrábio.

- O senhor me interrompe!

- Profaço.

- Está me enrolando, não é?

- Tergiversando.

- Quanta lenga-lenga...

- Ambages.

- Ambages?

- Pode ser também evasivas.

- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!

- Pusilânime.

- O senhor é engraçadinho, não?

- Finalmente chegamos: histriônico!

- Adeus.

- Ei! Vai embora sem pagar?

- Tome seus cinqüenta centavos.

- São três reais e cinqüenta.

- Como é?

- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.

- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?

- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?

- Tem troco para cinco?

FONTE:

quarta-feira, julho 10, 2013

UM POUCO DE SABER



Livro: Cia. do Amor A Turma dos Poetas em Flor - Wagner Borges 

Conhecer não é saber.
Saber é algo mais do que isso.
É transcender o que se é
para vislumbrar aquilo que pode ser.
É levantar a consciência acima do intelecto
e deixar a intuição fundir-se na informação.
Saber é capturar a atmosfera daquilo que se quer saber
para dentro daquilo que se é.
É romper as amarras do ego e vencer a si mesmo.
Alguns acham que sabem tudo.
Outros acham que não sabem nada.
Na verdade, não há ninguém, exceto o Criador,
que saiba tudo.
E não há ninguém que não saiba nada.
Todos nós sabemos alguma coisa
e não sabemos muito mais coisas.
Por isso, conhecer não é saber,
pois aquilo que se conhece é bem pouco
perante aquilo que não se conhece ainda.
Saber mesmo é ter a noção correta 
daquilo que se conhece
e daquilo que pode vir a conhecer.
Em outras palavras,
saber é saber que não se sabe,
mas que pode saber um dia,
o que é o verdadeiro saber.
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