quinta-feira, março 31, 2011

Neguinho


Acordei no meio da noite com alguém gritando:

- Neguinho! Neguinho!

Neguinho era o meu apelido, quando eu era menino. Nunca gostei, mas o povo me chamava assim mesmo. O povo era toda a minha família. Se me perguntassem quando eu era moleque, o que eu seria quando crescesse, meu eu-guri provavelmente responderia: “ Eu não quero ser Neguinho!”.

Não sei em que momento, um apelido pega; tem gente que diz que a melhor estratégia para evitar apelidos é não ligar e ignorar. Eu não podia ignorar, nasci Neguinho. E eu odiava ser chamado desse jeito.

Contam as lendas, que foi meu pai que me chamou assim pela primeira vez. Depois todo mundo continuou a usar esse apelido; daí, passei quase toda a minha vida, tentando mudar isso.

Primeiramente, pedia as pessoas que me chamassem pelo meu nome do meio “ Rivaldo”, o que não era, convenhamos, um bom nome para um menino ser chamado. Depois, optei por me chamarem pelo primeiro nome “Francisco”; o que não resultou em coisa boa, uma vez que passei a ser alvo de chacota dos rapazes que viviam dizendo que a minha cor preferida era a vermelha e que eu vivia entre as mulheres. A ficha só caiu, meses depois, quando pela primeira vez aprendi o que era menstruação...

Cresci mais um pouco ( só mais um pouco) e passei a me auto-chamar “ Frank”, que era um nome forte, criativo e que tinha muito a ver com a língua que comecei a estudar naquela época; o inglês. Para a minha sorte, o apelido pegou! É claro, que nada foi perfeito, eu tive que aprender à administrar as brincadeiras com Sinatras, Aguiar e Stein; porém, pela primeira vez na minha vida, eu sentia que estava sendo respeitado; inclusive com a minha família, minha mãe, minhas tias, primas e irmãos, que passaram a me chamar pelo meu apelido. Tudo muito perfeito, até minha avó chegar do Nordeste e me chamar:

“ Neguinho! Neguinho!”

Pelejei com a Dona Geralda. Foi uma briga árdua, corrigia, relembrava, mas nada, absolutamente nada, fazia ela parar de me chamar de “Neguinho”. Desisti! Aceitei que com ela, o apelido ficaria, ficou! Até depois que ela desencarnou...

Ontem no meio da noite, acordei com alguém gritando:

- Neguinho! Neguinho!

A voz aumentava e abaixava, mas era dela, era a minha avó. Eu não sou médium profissional, não costumo ouvir "a gente do lado de lá", mas tem vez, que a coisa dispara, e vejo, sinto e ouço coisas que nem dá para explicar, e , depois de me beliscar várias vezes, percebi que eu não estava dormindo, e a voz continuava:

- Neguinho! Neguinho! Diz para eles que estou bem! Que parem de chorar o tempo todo! Estou bem!

- Vó? É mesmo a senhora ou sou eu imaginando coisas? – perguntei, ainda confuso.

- É claro que sou eu, menino! - ela respondeu- Se fosse você imaginando, eu não estaria te chamando de Neguinho!

quarta-feira, março 30, 2011

TRAVESSURAS DA ALMA

Livre, livre para voar novamente. Estou Livre!

Solto, flutuo pelo quarto, por todo lugar, noto minhas mãos, meu corpo; sim, eu estou livre de novo. Sou bebê nascendo para a lucidez, uma criança brincando de ter consciência. Estou vivo, mesmo não estando no corpo...

Oba, a vida continua depois da morte! Uau! Eles estão certos, há mesmo algo lá fora, há vida, vida, vida por todo lugar...

Então, deixe-me voar...
Deixe-me brincar de fantasma, deixe-me atravessar paredes, deixe-me olhar minhas mãos; deixe-me voar.

Olha como o céu da cidade está lindo, olha como para cada ponto de escuridão há uma luz brilhando e mostrando o caminho das asas; da vida que se estende para além do corpo nas travessuras noturnas da alma, nas asas do espírito, que livre voa pela noite, por um instante, que demora uma eternidade...

Deixe-me voar, mas deixe-me lembrar...

Deixe-me lembrar, para contar a todos que, nem que seja apenas por um instante, todos voam como pássaros; todos se saciam do doce sabor do céu, todos lembram que fazem parte do TODO.

Oh, eu não quero acordar agora. Vou achar que tudo foi fantasia, coisa de quem lê sobre o assunto e participa de listas sobre o tema na Internet; eu não quero acordar...

Estou voltando, estou esquecendo...

Estou de volta ao corpo, mas ainda sinto o gosto das estrelas, o sabor do céu.Estive por lá, consegui voar e lembrar.

Todos podem voar, voar, voar...

Mas, e se tudo tiver sido um sonho?

Que sonho lindo!

terça-feira, março 29, 2011

A DIFÍCIL TAREFA DE FAZER UM BUDA DAR RISADAS



As bandeirinhas coloridas contrastam com o céu azul da praça do "Buda que tudo vê". Depois de vinte minutos de caminhada do centro de Katmandu até ali, Auri (minha esposa) e eu chegamos no topo do monte, onde o famoso templo dos olhos do Buda que tudo vê observa a cidade lá embaixo, todos os peregrinos, devotos e turistas que vão até ali orar ou apenas tirar umas fotos do templo do mestre da paz.
Algumas pessoas cantam mantras perto das estátuas dos mil e um bodhisattvas (1), e eu escolhi um deles para lhe contar uma piada.

Não estou sendo sarcástico nem brincando com coisa séria, é que o olhar sereno da estátua me deu tanta paz e calma, que decidi lhe retribuir o favor e fazê-lo dar risada. Troca justa, afinal não é sempre que você chega num lugar e é envolvido por uma aura de tranqüilidade que lhe dá uma clareza mental tão intensa que você começa a lembrar-se até da data em que se casou.

Não sou budista, mas é inegável que ali sinto uma sensação tão boa que parece que posso abraçar o mundo e tocar cada coração.

O templo famoso e cartão postal do Nepal parece tocar o céu azul, e os olhos do Buda que tudo vê olham de um jeito que você precisa passar a mão no corpo para ter certeza de que não está pelado ali na praça cheia de monges, turistas e macacos.

Fiquei muito contente de poder estar ali e experimentar algo tão bom, e como não sei os rituais de agradecimento budista, escolhi um bodhisattva e tentei retribuir o que senti.

Dirigi-me a ele com alegria:

"Amigo Budinha. Não sei como lhe agradecer, e como sei que você deve estar aí há séculos sem nenhum momento de lazer, vou contar-lhe uma piada."

Então, comecei a minha jornada em busca da risada do Buda. Tentei contar a do papagaio, a da loira, a do português, e confesso envergonhado que até contei algumas piadas bem sacanas e pesadas; mas nada do Buda reagir, pelo contrário, ele permanecia ali inalterado, com aquele meio-sorriso de quem está morrendo de vontade de rir, mas fica sério, ainda mais com tanta gente passando por ali e encostando a cabeça nos seus pés e jogando arroz na sua cara.

Quando pensei em lhe contar a piada infalível do gaguinho e do pássaro graúna, pérola memorável que o meu amigo Cláudio me contou aos 10 anos, e até hoje não consigo evitar o riso ao relembrá-la, passa um grupo de monges-criancinhas que saúdam o Buda e trocam murmúrios entre si, provavelmente tentando entender o que aquele marmanjo está fazendo ali rindo sozinho das suas próprias piadas em frente do Mestre. Então, percebo o ridículo do que estou fazendo e imagino que o Bodhisattva já deve estar perdendo a paciência e explodindo em mil pedaços, sem querer mais ajudar a humanidade. Peço desculpas ao meu amigo, olho fixo em seus olhos e lhe digo:

"Obrigado, amigão, por não desistir da gente. Desculpa aí as piadas, não sou muito bom nisso. Mas não leva a mal não, mas será que posso lhe pedir um favor?"

Não houve resposta, mas depois de tanto tempo ao seu lado, senti que já éramos íntimos o suficiente para uma conversa franca, e quem sabe pedir uma ajudinha.

Disse-lhe novamente:

"Não tem como você da uma ajudinha? Não tem nenhum jeito de ir mais rápido? Quero dizer, estou meditando há anos, faço mantras todos os dias, e até agora nenhum mini-samadhinho (2); não tem por aí um expresso Nirvana? (3)"

Ele continuou imóvel, mas senti que sua fisionomia tinha mudado um pouco, o olhar sereno tinha mudado para um tipo de olhar que só posso traduzir como o olhar de quem faz forca para não dar risada. Mas não teve jeito, e a estátua era mais resistente do que eu pensava, acabei desistindo e decidi ir embora antes que aquelas nuvens que tapavam o céu azul virasse uma enxurrada na cabeça. Porém antes de ir embora, dei uma ultima olhadinha para o meu amigo, e "o Buda que tudo vê" não me deixa mentir, mas posso jurar que enquanto eu olhava para o céu o bodhisattva deu risada.

Não tenho com provar, mas aquele sorriso tinha mudado com certeza. Não era mais meio-sorriso, e sim o sorriso franco de quem deu uma boa gargalhada.

Se algum dia desses eu voltar por aqui, não vou me surpreender se no lugar do Buda do meio-sorriso encontrar o Buda da eterna risada.

SOMOS TODOS UM SÓ!

- Frank -
Nepal, 12 de agosto de 2003.


– Notas do sânscrito:
1. Bodhisattvas: São aqueles seres bondosos que estão perto de tornarem-se Budas (Iluminados). Para facilitar a explicação, podemos dizer que eles são canais espirituais (avatares) conscientes do amor de todos os Budas.
2. Samadhi: Expansão da consciência, Consciência cósmica.
3. Nirvana: No contexto budista é o estado de bem-aventurança daquele que alcançou a iluminação e mergulhou na consciência cósmica, fundindo-se ao Todo.

segunda-feira, março 28, 2011

Uma borboleta chamada alegria!



Por Diogenes





Que se fizera da lagarta tão peluda e esquisita? Uma pequena e passageira tumba e lá se vai a metamorfoseada figura voando pelos ares, brilhando no infinito. O destino da lagarta é a borboleta, o destino da alma é o Espirito. Com uma tumba no meio a metamorfose não tardará a revelar a gloriosa majestade do SER ilimitado, e voaremos espalhando a beleza reluzida no infinito.

Mais além seremos vaga-luzes de cores variadas indo ao encontro da origem da luz que dá a cor, mas enquanto aqui estamos, vamos aprendendo o que é a vida, com cada extraordinária oportunidade de revelação e autoconhecimento. Aprendendo com cada dança e cada tropicão.

E nestas andanças e quedas penso que já nos graduamos como mestres do sofrimento, esta lição já sabemos de cor, de coração. Sabemos que não é possível desfrutar de vida abundante respirando pouco, respiração plena é vida plena, respiração curta, fraquinha não poderá dar-nos alegria de viver. Já sabemos que os outros não corresponderão às nossas expectativas, já sabemos que as pessoas não estão aqui para nos fazer felizes, que devemos assumir a responsabilidade pela nossa felicidade. E que também não estamos aqui para atender as expectativas de ninguém.

Já sabemos que mentira tem perna curta, e que a pior mentira é aquela que contamos para nós mesmos. Já aprendemos que a vocação garantirá que nosso trabalho seja leve, gracioso e prazeroso, quem não faz aquilo que ama terá dificuldades em amar aquilo que faz, mas onde quer que coloquemos amor ali haverá verdadeira realização.

Já sabemos que dormir demais da dor nas costas que dormir de menos nos deixa com cara de caju velho, que falar demais gasta energia, mas que é importante falar aquilo que é a nossa verdade mais profunda, calar quando nada podemos acrescentar e abrir a boca para decretar a justiça, a paz e o amor.

Aprendemos que comemos mais do que precisamos, e que precisamos de menos para viver mais, pois vida simples sem ostentações proporciona paz de espirito e economia nos analgésicos às nossas dores de cabeça mensais. Que limpar os intestinos proporciona prazer e alegria e estando eles cheios, ficamos enfezados com tudo e todos.

Aprendemos que desejar é bom, mas saber desejar é melhor, pois se não escolhemos bem nossos desejos acabaremos semeando e colhendo dores ao invés de verdadeira satisfação. Aprendemos que poucas coisas na vida tem valor, mas que com absoluta certeza entre os tesouros que a vida oferta está a amizade e o desejo de servir aos demais. Já sabemos que as aparências enganam, e que a gente se deixa enganar por aquelas do tipo Brad Pitt ou Angelina Jolie. Sabemos que a beleza interior é a mais importante, mas que nem por isto devemos ser desleixados com nossa aparência, o conteúdo é mais importante do que a embalagem, mas eu não compro produtos com o prazo de validade vencido.

Aprendemos que não é saudável apenas doar, mas também é doentio querer só receber, que a vida é feita de trocas, perfeitamente simbolizada pelo ar que entra e sai. Já sabemos que recebemos de volta aquilo que damos, e que esta lei cedo ou tarde se revelará infalível. Que a gratidão é um portal aonde nos chega a abundancia divina e material, e que o pessimismo é um parasita a sugar-nos a energia vital.

Aprendemos que ninguém é tão pobre que nada possa doar, nem tão rico que de nada careça. E que um sorriso pode ser um tesouro incomensurável e o consolo ideal para os momentos titubeantes de duvida e amargura.

Aprendemos que não precisamos ser perfeitos, precisamos ser quem somos – um tanto desajeitados, um tanto graciosos, sempre imaculados. Abandonamos a ideia de ser um alguém diferente para simplesmente SER. Sabemos que o Amor não exige, não possui, não controla, não mente, não julga, não condena. Enfim que o amor liberta e é liberdade. Que esta é a principal lição a qual viemos aprender e realizar.

. Outros aprendizados mais a vida já nos deu.

Então, depois de tantas lições aprendidas e vividas, porque ainda não somos mestres da bem-aventurança? Será que esta lagarta esta com medo de converter-se em borboleta? Este enfrentamento do desconhecido é exigente e um tanto funesto, a lagarta sente um chamado, depois de uma longa estadia comendo folhas por ai, bebendo a luz no vitral do orvalho matutino, de repente é hora de construir o próprio caixão. De dizer bye-bye para o conhecido, para a vida da maneira como ela sempre conheceu e aceitar, profunda e inquestionável entrega, que é chegada a hora de morrer para o passado.

Ela se mumifica e ali morre como lagarta. Ela precisa fechar-se ao mundo externo, ficar paradinha, e ela não precisa de ninguém, ela faz isso por si mesma, ela se concentra nela mesma, no lado de dentro ela consegue encontrar o ponto de mutação, meditando como pupa. Silencio aterrador reina, movimentos estranhos, a natureza mutante ditando as regras, o rasgar do hímen da vida e por fim a força desesperada de abrir as coloridas asas, desdobrando aos pouquinhos para então completar a transição, do rastejar ao voar.

Nasce à borboleta, restou algo da lagarta? Será que a borboleta sente falta de ser lagarta? A nova condição matou o passado? Só as borboletas podem dizer, mas o importante é que lagartas não planejam, não estudam, não teorizam sobre o metamorfosear-se como borboleta. Não existem livros sagrados das lagartas d o tipo: “como virar borboleta” ou “ o evangelho da pupa” elas simplesmente fluem com a vida, e a própria vida trata de fazer delas borboletas.

Na natureza não existem “dogmas e doutrinas” sobre a vida, a vida acontece e ninguém pode impedir seu curso natural. Então é natural que todos despertem para a verdadeira natureza, todo mestre lagartão do sofrimento se converterá em Búdica borboleta da alegria, isto é inevitável, leve o tempo que for – e a mãe natura não tem pressa mesmo.

Ela tem todo o tempo do mundo, o tempo é por si só um agente transformador. Se não oferecermos resistência e simplesmente nos entregarmos, então a vida trará a dor abençoada resultante de se ver à vida tal como ela é. Esta é uma dor real, uma dor de desilusão, ou seja, quando a ilusão é desfeita. Dói, mas repito: é uma dor abençoada.

Celebramos e acolhemos esta dor e a lagarta se converte em borboleta. Rastejamos em busca das folhinhas baixas e não chegamos às alturas gloriosas das flores perfumosas. Para chegar às flores e beber de seu doce néctar, teremos de passar por uma mutação radical, então sim voar ao infinito para colher a Rosa mística do Amor transcendental.

Ainda que belo e poético seja, o que raios queremos dizer com tudo isto?
Que apenas a honestidade em se enfrentar em todo o nosso ridículo, em toda a nossa carência, em todo o nosso vazio existencial e amedrontador, apenas este olhar despido sobre si, é que poderá fazer morrer o velho para renascermos sem uma falsa imagem própria. Nem um Deus grego belo e poderoso nem o corcunda de Notre Dame. Enxergarmo-nos do jeito que somos é a única possibilidade de promover transformação real.

Se eu continuo mantendo qualquer papel “de mim” que não sou eu, como poderei transformar-me de fato? Se seguir nutrindo o fantasma de “mim mesmo”, esta entidade fictícia não poderá realizar outra coisa senão ficção. E continuo na novela da vidinha fantasiosa onde eu estou como personagem principal sonhando com as cenas do próximo capítulo.

A transformação vem quando mergulhamos em nós mesmos, observando cada sensação, cada movimento, cada pensamento, cada sentimento, cada gesto, cada palavra, cada motivação oculta. Uma observação viva e interessada, sem julgamentos, sem rotular ou qualificar o que surge, sem fragmentar-se, apenas contemplação direta e intensa de si no ato de viver, abundante em energia, ela deve carecer de escolhas e preferencias, um olhar inocente de criança que acaba de nascer e esta a descobrir o mundo.

Se isto for aplicado, então a própria observação proporcionará a metamorfose sem nenhum esforço, e sem uma meta pré-determinada, pois o ato de observar é um fim em si mesmo. Amor em termos práticos - aplicáveis à vida cotidiana - é atenção, e nisto se resume toda a ciência espiritual de todos os grandes seres que por aqui passaram.

A liberdade na meditação é a borboleta, a palavra psique, em Grego, quer dizer ao mesmo tempo respiração, espírito e borboleta. E a vida é a flor perfumada de tão rara beleza e tão poderosa fragilidade. Voa borboleta, vai ao encontro da Rosa, pois o destino da lagarta é a borboleta, e o da borboleta é a flor, assim como o destino daquele que sofre é a compreensão, e da compreensão a alegria. O mais puro êxtase nada vale sem compreensão!

E a compreensão nos doará a naturalidade perdida.

Meditemos no Ser radiante, ele doa a si mesmo com amor!

Meditemos no Ser radiante, ele é o Amor!

Vida plena!

sábado, março 26, 2011

Opa!!!


VI Palhaceata Paulista

Um Cortejo de Palhaços em Rede Nacional!



O dia 27 de Março comemora o Dia Mundial do Teatro e o Dia Nacional do Circo. Neste ano, a sexta edição da PALHACEATA PAULISTA, o cortejo de palhaços e simpatizantes idealizado em 2006 pela dramaturga Ana Vitória Vieira Monteiro, pela atriz Leona Cavalli e pela atriz e palhaça Ciléia Biaggioli, expande-se em rede, agregando palhaços de Manaus (AM), de Fortaleza (CE) e de Lavras (MG) e, ampliando essa comemoração, dá um salto importante no sentido de propiciar, por meio desta energia tão positiva, um momento de ruptura no cotidiano destas cidades (objetivo maior desta ação da OPA, a Organização de Palhaços A...migos!).

A caminhada que por vários anos ocupou o Centro Velho de São Paulo agora retorna ao berço: a Avenida Paulista. E, para engrossar esse Cordão da Alegria, está todo mundo mais uma vez convidado para se juntar aos palhaços, atores, malabaristas, pernas de pau, músicos e curiosos, que irão do MASP ao Conjunto Nacional e, dali, retornarão ao ponto de partida, cantando, fazendo piadas e “gritos de paz”, nossa forma original de brindar ao Teatro e ao Circo... Participe!

Traga seus amigos, sua família, sua fantasia, seus sonhos, sua música e sua Alegria! Vamos juntos dar nossos parabéns ao Teatro e ao Circo!


Domingo, 27 de Março de 2011 –
Concentração: 9h00, ao lado do MASP, na Av. Paulista

Idealização: Ana Vitória Vieira Monteiro, Leona Cavalli e Ciléia Biaggioli

Realização: OPA Organização de Palhaços A...migos!

TROVAS DO ALÉM

1.Adoro a Terra, entretanto,
Vale mais no meu arquivo
Ser vivo depois de morto,
Que ser morto sendo vivo.

- Martins Coelho -

2.Boneca que sempre riste
De alma gelada e insincera,
Ah, Boneca, como é triste,
A solidão que te espera!

- Vivita Cartier -

3.O mundo aplaude a coroa
A quem vence a batalha a esmo;
Mas, no Além, o vencedor
É quem venceu a si mesmo.

- Antonio Azevedo -

4.Não há júbilo, a rigor,
Que se possa comparar
Ao do amor que encontra o amor,
Depois de muito esperar.

- Maciel Monteiro –

5.Há muita paixão que arrasa,
Qual fogueira bela e vã.
Hoje, brilho, chama e brasa;
E muita cinza amanhã.

- Marcelo Gama -

6.Rio morto, árvore peca,
De tudo vi no sertão.
No entanto, pior é a seca
Que lavra no coração.

- Virgílio Brandão -

7.Depois da morte é que a gente
Tem o amor que nos aperfeiçoa,
Amando quem nos esquece,
Nos braços de outra pessoa.

- Jovino Guedes -

8.Ateu, enfermo que sonha
Na ilusão em que persiste...
Um filho que tem vergonha
De dizer que o Pai existe.

- Alberto Ferreira -

9.Amor... Uma frase apenas...
Olhar terno que se afasta...
Um bilhetinho... Uma flor...
Para quem ama isso basta.

- Teotônio Freire -

10.Para quem serve e trabalha,
No esforço em quem se aprimora,
Calúnia não atrapalha,
Elogio não melhora.

- Lopes Filho -

11.Depois da morte é que vi
Quanto luxo, quanta guerra,
Que a vida guarda com jeito,
Em sete palmos de terra!

- José Albano -

12.Vai o berço, vem a cova:
Sai o prazer, surge a dor...
O tempo a tudo renova,
Mas amor é sempre amor...

- José Bartolota -

13.Matrimônios, se forçados –
Castelos de cinza e fumo;
Os braços entrelaçados,
Os corações noutro rumo...

- Roberto Correia -

14.No meu túmulo, reli:
"Meu amor, descansa em paz!"
No entanto, é junto de ti,
Que sempre me encontrarás.

- Lauro Pinheiro -

15.Depois da morte, a saudade
É um muro não sei de quê;
De um lado a pessoa enxerga,
Do outro ninguém vê.

- Da Costa e Silva -

16.Amor puro, além da morte,
Chama que não esmorece;
Largado, não abandona,
Esquecido, não esquece.

- Targélia Barreto -

17.Dia dos mortos? Balela!
Finados? Tontos assuntos!...
Nem flor, nem cinza, nem vela,
Nós todos estamos juntos.

- Cornélio Pires -

18.Não existe reconforto,
Que valha o ameno transporte,
De rever um amigo morto,
No instante de nossa morte...

- Colombina -

19.Assembleias, multidões!...
Não te iludas a caminho...
Na alcova do coração,
Cada um vive sozinho.

- Jônatas Batista -

20.Muitas paixões desregradas,
Que atormentam vida afora,
Começam com "não te esqueço",
E acabam com "vai-te embora".

- Anísio de Abreu -

21.Na Terra, amores violentos
São leiras de desenganos;
Sorrisos de alguns momentos,
Suplícios de muitos anos.

- Eugênio Savard -

22.“Que fazes de ouvidos moucos?”
- Perguntei à campa em trevas.
E ela disse: "Como, aos poucos,
O que ajuntaste e não levas."

- Juvenal Galeno -

(Essas trovas foram extraídas do livro "Trovadores do Além" (edição da FEB), passadas mediunicamente, por vários espíritos, através dos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier, em princípios da década de 1960).

sexta-feira, março 25, 2011

quinta-feira, março 24, 2011

A SENHORA DOS CABELOS DE PRATA

Vovó Geralda se foi no começo da noite, não se despediu de ninguém; quis sair à francesa, discreta; viu a janela aberta e voou, para onde, eu não vou ser bobo de tentar descrever, mas ela se foi. Porém, eu não me preocupo, pois há tempos, eu soube: a vovó é voadora!!!

VovÓ Geralda deixou uma família unida, grande, bonita de se ver e falar a respeito. E a história dela vai ser contada por seus netos e bisnetos; e não pode deixar de ser crônica, por isso, compartilho com vocês, amigos leitores, que tem uma nuvem triste no meu céu, mas ela não tampa o meu sol, nem a vontade que eu tenho de firmar o meu pensamento em letra e orar com as minhas palavras escritas, bem do jeito que ela sabia que eu faço.

Vovó Geralda foi uma segunda mãe, aguentou a minha infância e nunca se desesperou mesmo quando eu fazia das minhas loucuras. E eram tantas. Vai ver, que no fundo ela sabia que eu precisava me multiplicar em todas aquelas experiências para me tornar quem eu sou.

Sim, Vovó Geralda é culpada por ajuda a criar quem eu me tornei e por essa razão, eu abro as portas do meu templo das crônicas para fazer esse "Ode a Geralda" e dizer que jamais vou te esquecer, vovózinha!

Obrigado por tudo e quando a minha filha nascer, vou contar para ela com todo orgulho sobre a " Senhora dos Cabelos de Prata", cuja risada ainda ecoa no meu sorriso e cujo olhar escondia mistérios que nunca serão descobertos, mas que deixou pegadas de missão cumprida nessa terra, onde ela esteve por mais de 77 anos, plantando e semeando amor.

((((())))
Notas:
Segue abaixo texto que escrevi o ano passado sobre essa mulher maravilhosa:

((((())))

VÓ GERALDA

Ontem foi Dia da Vovó, esqueci de lembrar da minha, você lembrou da sua? Espero que sim, até anotei na minha agenda, mas a mídia dessa vez não me ajudou, não senti vontade de comprar uma linha de tricô, nem um celular, nem qualquer desses presentes de revista que nos ajudam a comprar qualquer coisa menos aquilo que deveríamos presentear de verdade, por isso, mesmo atrasado, ofereço a minha lembrança de amor e a melhor coisa que eu posso te dar, minha Vó, são as minhas letras.

O problema é que Vovó Geralda não consegue ler, devido a um pequeno probleminha de falta de entendimento de letras, porém, ela consegue interpretar coração como ninguém e tenho certeza que ela vai compreender cada uma das minhas letras e saberá que o seu netinho se tornou uma pessoa muito feliz na vida, em parte, por causa dela. Vovó Geralda foi, e é, e sempre será minha segunda mãe, e muito embora, isso possa parecer clichê, repeteco bobo, tenho que dizer que essa é a melhor definição de uma vovó, afinal, ela veio primeiro.

Para que essa crônica se torne prosa e não apenas uma homenagem com letras à toa, tenho que compartilhar com vocês esse pedaço do meu passado: quando morava com a minha vó, eu era um moleque de 12 anos, revoltado e rebelde, danado e louco para provocar todos a minha volta, por pura carência de ter mãe por perto ( minha mãe estava em Sunpaulo, eu no internato da Paraíba); daí, um dia sai de casa, prometendo que fugiria dali, fugi...pelo menos até a fome apertar, daí voltei com a cara suja e as roupas ainda lavadas numa trouxa. Quando cheguei em casa, minha vó só observou a cena, serviu o jantar, não disse nada, mas deu uma risada que jamais vou esquecer, risada que parecia dizer:

"menino, tenha calma, pois um dia você vai fugir de casa para valer, mas dessa vez será para crescer."

RIO DAS PALAVRAS AFOGADAS



Há crônicas que não deveriam ser escritas; idéias bastardas, cujo destino deveria ser o rio das palavras afogadas; mas estas crônicas tem vontade própria e essa, tão triste, toma conta da minha vontade nesse fim de tarde e me obriga a escrever para te dizer que alguém muito querido a mim está morrendo.

Talvez até o fim dessa leitura, essa pessoa tão amada já tenha cruzado para a outra margem do lago, talvez não; pois de acordo com os médicos, há ainda 5% de chances dela se salvar do AVC que a levou até aquele matadouro chamado Hospital Heliópolis; e a gente que é família e que se importa, se apega a essa mísera porcentagem como um naufrágo se agarra a um pedaço de tábua; esperando salvação e aguardando ser resgatado dessa situação surreal que parece um pesadelo, onde a qualquer momento, vamos acordar.

Não acordamos!

E nessas horas em que tudo foge do controle da gente e a nossa Terra parece estar fora do eixo, tentamos resgatar qualquer pedaço da teoria da nossa espiritualidade que nos faça ser mais fortes, que nos dê firmeza para enfrentar essa prova; mas por mais que se tente, por mais que a gente agüente, ou queira seguir confiante! Lágrimas rebeldes invadem as represas da nossa vontade.

Sem lágrimas!

Respiramos profundamente! Não choramos, afinal, sabemos que o nosso lamento em momento tão delicado de passagem, pode prejudicar o nosso amado em sua viagem. Mas o que fazer com esse nó na garganta? Como engolir esse soluço preso no peito, que dói, dói e exige expressão? Por quanto tempo vou conseguir manter essa minha máscara de espiritualidade avançada e continuar repetindo para os outros: “A vida continua, vamos ficar na luz gente!”

Sim, não tenho duvida que a vida segue o seu curso e que, mesmo sem corpo, o espírito prossegue eterno, mas é melhor manter essa falsa firmeza ou aceitar que, as vezes, é melhor deixar o corpo chorar?

Nunca!!!

Afinal homens não choram e espiritualistas não sofrem com a morte de seus amados.

Fim de crônica!!!

quarta-feira, março 23, 2011

ESQUECIMENTO


Por ousar me aprofundar no estudo do xamanismo e, consequentemente na minha própria espiritualidade, tive que aceitar o fato de que as plantas e os animais são muito mais inteligentes que os "seres racionais", quando o assunto é a relação de cada um deles com a natureza e com o todo. Por nos acharmos numa posição "dominante", tomamos como nosso, um reino que nunca será dominado por nós. Daí, tanta tragédia; daí tanto choro.

Não faz sentido humano declarar que qualquer tragédia ocorre por alguma deficiência em nossa estrutura espiritual ou fisíca, nem é de muito bom tom, usar o velho argumento espiritualista de que todo carma é resgatado; ou repetir o velho jargão cristão de que há castigo para todos os pecados. Porém, precisamos estar alertas para o fato de que nos esquecemos rapidamente das lições da natureza, quando suas repercussões ocorrem além do mar e não, em nossas portas.

Há uma mensagem do mundo nos dizendo repetidamente que nossos pequenos atos repercutem em todo mundo; e se, não podemos deter tsunamis ou parar terremotos, acredito que temos ao menos, de colocar em prática a nossa cidadania; e ser solidário com o próximo. Por isso, por favor, cuide bem da sua cidade, do seu bairro, ou ao menos, da sua casa! Tome para si a responsabilidade de se lembrar que tudo é interligado, e a conexão deve começar com a sua atitude em se tornar melhor, não somente dentro do seu lar, mas principalmente com essa gente que você acredita erroneamente que nunca mais verá na sua vida.

terça-feira, março 22, 2011

SÓ PÓR HOJE


" Toda a minha existência se justifica por este momento, e vice-versa. No dia de hj, como em muitos outros dias, já fiz o suficiente p/ justificar minha existência e transformação no mundo. Não deixei o planeta ao fim do dia do mesmo jeito que o peguei ao acordar. Portanto, não preciso "evoluir", pq já fiz NO HOJE o projeto de minha existência... p/ hoje."
Lazaro Freire

SÓ POR HOJE

Eu sei o quanto é importante que você me salve, me oriente e me leve para o caminho do bem, garantindo assim, que eu não me perca nesse mundo de ilusões, cheio de armadilhas da matéria e calabouços da vaidade; porém, antes que você começe a falar de Jesus ou prometa as 72 virgens maometistas, deixa eu te contar uma coisa:

- Eu estou cuidando da minha vida!!! E você? Por que não cuida da sua?

Com que direito você invade a nossa amizade com esse discurso evangelista? Você mal sabe como está a minha vida na Terra, quem te contou, que a minha alma anda tão mal assim, que é preciso a sua intervenção?

Não preciso da sua versão de Deus, pois tenho cá, a minha versão do Meu; por isso, pergunta de mim, se interessa por quem eu sou, vamos sentar à mesa de um bar ou de um café, e falar das coisas daqui, de como está o meu ali, de como foi bom o nosso histórico de acolás. Seja o meu amigo, não meu pastor! Faz muito tempo que não brinco de ovelha, nem sigo como gado desgarrado. Você percebeu que estou feliz? Você já reparou que tenho uma vida plena? Posso não ser rico, nem ter um milhão de amigos no facebook, mas estou contribuindo para o coletivo, pois amo o que faço como trabalho, e não estou por aí, reclamando ou tentando converter todos que conheço com esses argumentos de religiosos entalados numa fé de que estão cumprindo algum tipo de missão.

Não se preocupe, pois se o mundo acabar amanhã; vou em paz, sabendo que fiz o melhor que pude fazer HOJE.


Notas: texto baseado em mensagem postada originalmente por Lázaro Freire, na Lista Voadores.
Para ler mais textos do Lázaro Freire, acesse o link abaixo:
www.voadores.com.br/lazaro

segunda-feira, março 21, 2011

*Discernimento e Tsunamis Emocionais*



*Discernimento e Tsunamis Emocionais*
Publicado em: 04 de setembro de 2006

Passado o tsunami físico na Ásia, precisamos estar acima do pior: o tsunami emocional. Eventos desta proporção, explorados pela mídia e alavancando um pensamento coletivo de impotência e tragédia que nos "magnetiza", criam uma forma diferente de interação emocional, nada saudável, a qual NÃO PODEMOS confundir com a comoção que teríamos em um evento menor.

Se não tomamos cuidado, medindo com discernimento e imparcialidade assistencialista ("postura de amparador") a justa preocupação, podemos, sem querer, talvez sem sequer notarmos, sermos "capturados" pela grande onda densa geradas pelas formas-pensamento de bilhões de telespectadores da tragédia.

A catástrofe, se permitirmos, pode ser maior: esta massa de pensamentos cinzentos, encobrindo o planeta, pode propiciar um maior índice de "acidentes" aqui, discussões acolá, assédios espirituais mais adiante, e por aí vai. Tsunamis emotivo conscienciais.

Como no tsunami físico, não há como tentar vencer a força das marés. Estamos falando de eventos grandiosos demais. Não dá para pegar jacaré, não dá para achar que vamos enfrentar as ondas com "boa intenção". Para ajudarmos MESMO, é preciso estarmos FORA do alcance desta onda psíquica. E a melhor forma ainda é estando nas alturas da boa sintonia.

É hora de buscarmos a união com o que tivermos de elevado - prece, meditação, evangelho no lar, amparador, Buda, Jesus, não importa - para, pairando acima do arrastão psíquico, termos a isenção suficiente para compreendermos como (ou "se") podemos ajudar. E a QUEM, e ONDE, pois as consequências deste transe emotivo pode estar fazendo vítimas bem mais perto de nós que imaginamos.

È necessário ter, agora, o que chamamos de "postura de amparador": olhar de cima, como evento evolutivo. O que certamente parecerá "frio" a quem foi arrastado pelo vagalhão emocional, e lhe cobrará estar nas "ondas" emotivas com ele também - o que não ajudaria.

É claro, entretanto, que devemos ter comoção, e enviarmos nosso melhor. Inclusive trabalho assistencialista, e boas vibrações.

É claro que preces e sintonia são apropriadas. Todos os dias, aliás, ocorram ou não catástrofes.

É claro que não temos como falar da dor de cada um dos 150.000 dramas humanos ali, e que é fácil ser isento quando não estamos envolvidos. Embora ficar desesperado por "solidariedade" não ajude ninguém.

Ainda assim, por maior que seja a tragédia, é verdade TAMBÉM que ninguém morreu, ali. Que água pode afogar o espírito? Que fogo pode queimá-lo?

Onde vai parar nosso espiritualismo quando há uma "tragédia" televisionada? E se o planeta explodisse, seria uma grande tragédia? Não deveríamos continuar existindo de algum modo?

Raciocine: Em um grande evento planetário, arrasador, há duas possibilidades: Você foi atingido, ou não foi.

Se não foi, desesperar-se não ajuda. Colocar-se voluntariamente como uma das vítimas, sofrendo aqui, impotente, é suicídio consciencial. Causa DANOS, e atrai assédios. Provavelmente nem os espíritos das vítimas, pelo menos as mais espiritualizadas, estejam "nessa" tanto tempo depois.

Não deixa de ser irônico: o desencarnado, amplamente assistido em eventos assim, encontra-se provavelmente longe dali, enquanto ocidentais "espiritualistas" lançam-se psiquicamente aos seus cadáveres empilhados, como urubus melodramáticos via satélite, buscando qualquer migalha de emotividade desnecessária, como se já não bastasse as que fazem em nome do "amor".

E na outra possibilidade? Se você foi atingido, será que teve tempo para este drama todo? Só se ficou por aqui! Mas aliás, senhor espiritualista, uma semana depois, já é hora de caminhar! Com certeza, ateus, desavisados e mal-informados tiveram assistência divina e acompanhamento em um momento assim. Não é de esperar que justamente o espiritualista e assistencialista vá ficar encrencado e apegado ao físico, sem amparo, tanto tempo depois. Precisaríamos ser muito ruins de serviço! E por pior que estivéssemos, a própria assistência que propagamos nos traria, karmicamente, assistência em momentos assim.

Não faz sentido, de todo modo. Até porque, quem está com drama AQUI não foi atingido LÁ.

No fundo, o que sobra mesmo é um grande MEDO DE MORRER (do espiritualista que está aqui). O que acontece de fato é uma impotência diante das "leis divinas", que talvez tenham sido apenas as naturais do planeta.

Mas se somos espiritualistas mesmo, não devíamos, a esta altura, sabermos que viemos de uma estrela, estamos em uma "estrela" (astro), e vamos para uma estrela? Que não somos daqui, e que uma hora TEMOS que partir?

O medo é de morrer "de uma vez"? Sem comprender de onde a morte chegou? Que diferença faz, então, morrer de ataque cardíaco num apartamento solitário da metrópole, ou num acidente de carro com mais 3, ou numa queda de avião com mais 100, ou num atentado terrorista ao prédio onde trabalha com mais 3000, ou num terremoto com mais 10.000, ou num maremoto com mais 150.000, ou numa bomba atômica com mais 250.000, ou num bombardeio americano ao Cambodja com mais 3.000.000, ou mesmo se o planeta explodisse com mais 6.000.000.000 ?

Só há duas possibilidades, você continua a existir de algum modo, ou não continua. E em todas as duas, não há novidade no fato de todos terem que morrer. Mas há uma certa incoerência quando quem sempre diz "que a vida continua" se desespera diante de tragédias assim.

Aliás, será que uma mãe solteira, com câncer e vários filhos, não sofre mais do que quem morreu repentinamente num tsunami?

Aliás, contam com tanta comoção os espíritos "mortos" em poucos minutos, mas não seria mais grave SOBREVIVER, ali? Se é para se comover, então que pelo menos conte, como tragédia, a centenas de milhares de sobre-viventes (hífen intencional), que terão que subviver no que sobrou.

Entendo, portanto, a comoção de quem está lá. De quem escapou por pouco. De quem tem parentes perdidos. De quem terá que reconstruir, sem as pessoas que mais amava, sem apoio, sem interesse turístico, sem dinheiro. O que não entendo é quem fica mal aqui, dias e dias depois, acompanhando tudo de forma mórbida pela CNN, com destaque para as ondas nos grandes hotéis.

E depois, as teorias de limpeza divina, de castigo, de resgate planetário, de migração de almas, de Apocalipse - dentre outras "pérolas" que circulam nos meios ditos, er, "espiritualistas". Como se Jeová, Alah, Ashtar Sheran, Shiva, Tupã, INRI Cristo e Elvis Presley houvessem se reunido para nos castigar.

Que ego o nosso que, mesmo diante de um evento que deveria nos mostrar nosso real tamanho e "importância" no planeta que nos HOSPEDA, preferimos ainda imaginar que TUDO ocorre por NOSSA causa.

Pelo que tenho lido, parece que o Criador, após ter feito todo o universo com suas leis, forças e movimentos; veio com seu Dedão Divino ao terceiro planetinha em volta de uma estrelinha de quinta grandeza num bracinho externo da via láctea (uma dentre milhões de galáxias), só pra dar uma mexidinha extra numa placa tectônica, porque Ele julgou que UMA DAS milhares de espécies do planeta, o tal "homo sapiens" (sapiens???), andou se comportando "mal", e precisa ficar ser sobremesa. Que ego o nosso, não?

Pois é: vi muitas pessoas buscando explicação, em geral divina, para o ocorrido; esquecendo-se de que nós, humanos, TAMBÉM somos animaizinhos pequenos vivendo NATURALMENTE num planeta que tem sim terremotos e marés.

Há pelo menos um GRANDE tsunami, terremoto ou erupção vulcânica a cada 100 anos (nada impedindo de haver mais que alguns). Sempre "ocorre" uma Cracatoa aqui, ou um Vesúvio acolá.

Não seria apenas a característica do planeta, assim como noite e dia, neve e tempestade, vulcões e furacões, desertos e marés?

Quantos milhões de formigas morreram quando NÓS fizemos o lago de Itaipu?

Quem chorou pelo fim dos dinossauros, aliás?

É duro dizer isso, mas 200.000 os EUA mataram apenas com UMA bomba atômica. E pior que isso, 3.000.000 de civis dizimados no Cambodja,na década de 50, queimando as metrópoles da Ásia com seus B52. Não justifica, mas me parece mais tragédia do que, naturalmente, 150.000 bichinhos humanos, que viviam a beira mar, serem afogados numa elevação oceânica.

Discirna: Todas as décadas, ocorrem GRANDES terremotos em terra firme. A maior parte do planeta é de água. Em terremotos debaixo dágua as ondas podem ir da Indonésia até a Índia, até encontrar terra firme, destruindo num raio de 5000 km (!) do epicentro.

Logo, não foi "azar". Este tsunami mostrou é que estamos com muita sorte, com tantas cidades costeiras. Confiamos DEMAIS na estabilidade do solo oceânico. E depois achamos "mito" uma tal de Atlântida desaparecer. Devem ter sido várias!

O pior de tudo é o tsnunami emocional. Sâo BILHÕES de pessoas gerando formas-pensamento de tragédia, densas, unidas, AQUI, agora, diante da TV. Uma briguinha aqui, um acidente de carro acolá, um assalto mais adiante, uma depressão incentivada aqui e ali, e ninguém nem sabendo ao certo como foi que tudo começou. E todos voltando, sem nem questionar porque, para a frente da TV, revendo as mesmas imagens, hipnotizadas e vampirizadas pelo tsunami emocional que as joga contra nossos piores detritos e medos.

E como estamos todos levando "caixote", nem pensamos mais em reagir. Já achamos que a vida é assim, que milhares "morreram", que é tudo uma "tragédia divina", que discernimento é "frieza", e que devemos nos solidarizar sofrendo também, exclamando "isso é terrível", repetidas vezes, diante da TV.

Isso sim, faz mal.

Lázaro Freire

http://www.voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=4&id=105

sábado, março 19, 2011

Malícia


Não foi por mal, escapuliu, escorregou e quando vi; você já tinha ouvido, e eu já tinha dito esse maldizer, mal dição, má lição, malícia!
O outro não estava lá para se defender, mas comentei assim mesmo. Todo mundo faz, não dá para evitar, quando a gente vê, já falou, na rua ou no elevador:
- Soube de fulano?
Não há nenhum mal em conversar, comentar; afinal, desde o tempo das cavernas, papear foi o que nos fez avançar estágios e criar a nossa sociedade, desde a roda em volta das fogueiras às ondas da internet. A questão de maldade, é a intenção em provocar no outro um mudar de opinião a respeito de um outrem; e quando se viu, o outro já escutou, se convenceu, foi convertido, contagiado por esse veneno que todos nós, conversa e meia, jogamos no outro:
- Ninguém é santo!
Mas não precisa ser demônio!!!

quinta-feira, março 17, 2011

SER FEITO E SER DEIXADO

No centro do meu mundo inteiro, percebo o planeta se mexendo; mas não temo, pois não tenho medo, sei que minha casa tem vida, tudo se move, tudo se finda; só a alma permanece viva, envolvida na minha conciência ativa, que se fortalece, se renova e segue.

A minha consciência não depende da matéria dessa dimensão, mas se nesse momento, ela se reveste com essa terra, é para que eu possa aprender algo com ela. Já que não sei o que dizer, nem interpretar o que estou escutando, respiro e sinto, pois apesar de ser pequeno e vulnerável, apesar de possuir um corpo sensível, delicado e fácil de ser destruído,levado; sei que quem eu sou é feito de uma matéria muito mais resistente, que é o próprio amor latente do Criador Universal.

Mesmo assim, mesmo tendo consciência de quem sou; em meio as ondas que varrem tudo, sinto no peito o impacto do temor que contagia quem se precipita em afirmar que nada há. Se precepita, pois se a terra treme e o vulcão explode e leva daqui toda essa gente (e isso nos comove, é verdade); esses acontecimentos servem também de alerta, pois toda vez que a tragédia se manifesta, a explicação que todos querem em vão, não reside em quem vai, e sim, em quem fica e continua destruindo, ao invés de seguir reconstruindo um novo tempo que se inicia.

Quem se vai, vai; seja qual for os motivos, seja qual for a razão; mas quem fica, não pode ficar catando grão de explicação, afinal, é preciso erguer as mangas da camisa da teoria e pôr em prática toda aquela espiritualidade que não serve para nada além da ação.

"Quer luz, seja luz", já diziam os sábios. Por isso, em meio ao vício de continuar assistindo as cenas da desgraça alheia se repetindo; continua a tua vida, mais alerta, mais atendo com o planeta que nos recebeu, que nada mais é do que também um ser vivendo...


((((((((((((((((())))))))))))))))))))))

Escrevendo essas palavras, lembrei-me dessa canção do Chandra Lacombe e gostaria de compartilhar com vocês:

Crisântemos

Onde quer que eu vá
qualquer lugar
Você vai estar

Seja na beira do mar
no cume das montanhas
ou bem dentro aqui
Você se faz sentir

Mesmo que eu feche meus olhos
mesmo assim
a luz se faz intensa

Mesmo que eu tampe meus ouvidos
nem mesmo assim
deixo de ouvir tão doce melodia

Deus para mim são crisântemos
bailando ao vento

Deus para mim é mergulhar
no Infinito desse Mar de Devoção

Já não há mais Coração
que possa brilhar
tanto Amor

A Terra tremendo


Estamos, essa semana, soterrados de acontecimentos bombásticos. Tremores, Tsunamis, Explosões Nucleares... Ontem a noite , por volta de 19:40, mais um terremoto. Com tremor de magnitude 5,3, o Chile mais uma vez foi palco de momentos tensos. O epicentro localizou-se no continente, a 72 km da cidade portuária de Valparaiso e a 135 km da capital, e a uma profundidade de 24,7 km. Nada que perto do terremoto japonês de 9,0 de magnitude, ocorrido há menos de uma semana. Tão pouco se compara aos imponentes 8,8 do último terremoto no Chile. Desta vez, um calmo terremoto .... que não aponta para danos ou vítmas... apenas põe a recordar um país recém destruído, com sua economia e infraestrutura que espelham a fragilidade emocional dos seus 16 milhões de habitantes...

Estamos passando pelo olho do furacão.
É hora de estar no centro, firmando nossos lugares na Terra.


quarta-feira, março 16, 2011

CARA ROL

Nas ondas do casco de um caracol, reside o mistério de Carol,
Carolina encaracolando um eterno sorriso maior que o sol,
Ó Carol! Carol do Canto Coral! Cara rol!!!
Carol do mar, Carol da terra,
Carol do rio;
Sorrio e te digo:
Amiga da cara colada no riso,
Palhacinha da alegria, enlaçada no amor;
Você faz diferença no meu mundo;
NO meu dia,
Ó Carol, eu bem queria descrever o que vejo nos seus olhos
Que refletem o futuro;
Futuro brilhante de gente que vai longe;
Vá longe, Carol! Cara colando no sucesso; seguindo sempre adiante!
)))))


Carolina Bagnara é atriz e percusionista, além de ser minha grande amiga e companheira de jornada. Para conhecer os textos e idéias da querida Carol, acesse:
http://fundodeplano.blogspot.com/

terça-feira, março 15, 2011

Niver (WEDNESDAY)

Comemoro o meu aniversário celebrando a vida. Sim, ela é bonita, é bonita, é bonita.

É bonita, pois há tempos parei de teimar com as forças que são mais fortes que o meu entendimento. Luto, mas aceito quando é preciso mudar o rumo, pois mudou a direção do vento.

Aprendi que é preciso prestar atenção ao que se apresenta e o que se apresentou foi a certeza de que se tenho saúde mental e física, o espírito se expande além da vida, vira letra que consegue dizer tudo o que quero e tudo o que quero dizer, nesse momento da minha vida, é :

"parabéns também para você, meu amigo, meu leitor, que sempre me acompanha, nas palavras e nas crônicas! "

A lenda do povo que virou barro.



Era uma vez um menino, que nasceu meio cometa, meio rebelde; e quis correr o mundo, para descobrir o que havia de verdade, além da lenda, além do mito, além do que estava
escrito; e deixou o seu povo para tráz, mas prometeu voltar, e voltou.

Quando voltou, descobriu que o seu povo falava mais devagar que ele; não conseguiam acompanhar o seu racíocinio; nem compreender o que ele havia visto. E por mais que ele tentasse descrever, menos ainda, seu povo conseguia entender.

Passado algum tempo, ele viajou de novo. Queria descobrir uma maneira de contar ao seu povo, sobre as maravilhas do conhecimento, a arte da estrada, a sabedoria por trás dos montes; e quando pensou ter encontrado a resposta, voltou voando, para o seu norte, terra do seu povo que tanto lhe fazia falta.

Porém, ao chegar, percebeu que o seu povo estava muito mais devagar; suas vozes eram tão pausadas e lentas, que a cada palavra que eles diziam, ele poderia contar e recontar dez frases inteiras.

O menino entrou em pânico, pois percebeu que quanto mais aprendia, mais longe ficava do seu povo, e da sua cultura. Até que ele decidiu, não mais viajar, não mais conhecer o novo, e para sempre permanecer com o seu povo.

E ao ficar, ele foi voltando a falar devagar, e foi esquecendo dos tantos conhecimentos que decidiu procurar; até se esquecer completamente que um dia partiu e descobriu que aquele povo feito de barro, tinha asas e podia voar...

segunda-feira, março 14, 2011

Na casa dos outros, silêncio é ouro.

Estou aprendendo a me calar. Tarefa difícil, ainda mais quando se é professor. Porém, assim como estou aprendendo que ser professor é mais do que corrigir, também, estou estudando o calar.

É difícil ficar calado, quando vemos algo errado ou sendo feito de um jeito equivocado, talvez por despreparo,falta de informação ou ignorância mesmo; mas quando somos convidados a ouvir, silêncio é ouro na casa dos outros.

Há muita sabedoria na frase "em Roma, faça como os romanos", pois quando participamos de qualquer festa, evento, ritual ou palestra, precisamos calar o nosso "falador" que deseja corrigir a todos o tempo inteiro.

É quase impossível conter o nosso ego controlador, mas se fizermos isso, conseguiremos compreender a linguagem além da linguagem, e conseguiremos sair desse local, levando conosco algo além da nossa arrogância em querer mostrar que o outro não sabe do que fala, nem o que faz.

domingo, março 13, 2011

Dever de casa: Lembrar!



Estamos aqui para lembrar,é isso!

Lembrar na carne, ter coragem de afastar as cortinas da ilusão em plena realidade e espiar as maravilhas da criação sendo manifestadas em nós mesmos, aqui e agora, para todo o sempre, amém. Despertar para lembrar é dever de casa, lição da Terra. Duvida? Não tem problema, cada um no seu ritmo, no seu lema, fica aí, que eu já vou!

Eu tenho amigo que não quer lembrar, ele diz que se tivéssemos mesmo que recordar algo, teríamos nascido já com essa lembrança. De certa forma, ele tem razão, só fica sem ela, quando o lembro que se seguirmos mesmo com essa lógica, poderíamos também dizer que se tivéssemos que ter dinheiro, teríamos também nascidos ricos. No pain, no gain, my dear! Sem esforço, sem bolo! Pois para ter lembrança plena de quem somos ou ao menos, do nosso potencial na carne é preciso recordar o nosso potencial original.

É claro, temos todo o direito de continuarmos com o lema : ignorância é benção; mas chega um tempo em que essa relutância em perceber o que se descortina passa da ignorância para a covardia. Trato disso com conhecimento de causa, já fui covarde da verdade, hoje busco me desfazer das mentiras que inventei para mim mesmo, por isso, busco coragem e força para continuar essa jornada de conhecimento de mim mesmo, e o faço, não para ganha o céu, mas para ter uma vida consciente na Terra, afinal, harmonia e equilíbrio são frutos que colhemos quando plantamos conhecimento e afastamos o medo de crescermos e nos tornarmos mais atuantes nesse processo de co-criadores desse tempo chamado existência.

sábado, março 12, 2011

Regras para ser humano


por Twyla Nitsch

1. Você receberá um corpo.
Pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante essa rodada.

2. Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal, de período integral, chamada vida. A cada dia, nessa escola, você terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar das lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas.

3. Não existem erros, apenas lições. O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação.
As experiências que não dão certo fazem parte do processo, assim como as bem sucedidas.

4. Cada lição será repetida até que seja aprendida.
Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha aprendido. Quando isso ocorrer, você poderá passar para a seguinte.
O aprendizado nunca termina.

5. Não existe nenhuma parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições para aprender.

6. “Lá” não é melhor do que “aqui”. Quando o seu “lá” se tornar em “aqui”, você simplesmente encontrará outro “lá” que parecerá novamente melhor do que o “aqui”.

7. Os outros são apenas seus espelhos. Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.

8. O que fizer de sua vida é responsabilidade sua.
Você tem todos os recursos de que necessita. O que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.

9. As respostas estão dentro de você.
Tudo o que tem a fazer é analisar, ouvir e acreditar.

10. Você se esquecerá de tudo isto!




(Twyla Nitsch, Anciã da tribo Seneca)

sexta-feira, março 11, 2011

.

Nesse momento, enquanto você olha para a tela do seu computador, forças do astral circulam a sua volta, ondas das mais diferentes passam através da sua sintonia, querendo ser captadas, percebidas, sintonizadas - cuidado com a rádio da sua alma! - ondas que esperam uma passagem para entrar por seus portais.

Não se assuste!

Sempre foi assim e sempre será.

Não acredita, então ouse investigar a sua mente, e separe o que é seu, o que veio de outra gente, ou você pensa que cada pensamento diferente é mesmo coisa da sua cabeça?

Não se assuste!

Olhe com o canto do olho e repita o mantra da LUCIDEZ e da CIÊNCIA e perceba se o armário continua armário ou mudou de signo; escute as vozes dos seus amados ou colegas de trabalho, e me diga: elas são sons ao vento ou possuem um certo significado para você? Olhe pela janela, o mundo todo parece fluir diretamente para você ou você teve apenas um ataque de ego?

Não se assuste!

Eu estava apenas brincando...

Não há nada a sua volta, nem há outra coisa além do que você pensa haver.

quinta-feira, março 10, 2011

Serenidade Sempre



















- Por Joanna de Ângelis -

Todo homem sábio é sereno.
A serenidade é conquista que se consegue com esforço pessoal e passo a passo. Pequenos desafios que são superados; irritação que se faz controlada; desafios emocionais corrigidos; vontade bem direcionada; ambição freada, são experiências para a aquisição da serenidade.
Um Espírito sereno já se encontrou consigo próprio, sabendo exatamente o que deseja da vida.
A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de forma agradável para os circunstantes. Inspira confiança, acalma e propõe afeição.
O homem sereno já venceu grande parte da luta.
Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação, ao desequilíbrio.
Mantém-te sereno em todas as realizações.
A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar fora por motivos irrelevantes.
Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a pessoa.
Tua serenidade, tua gema preciosa.
Diante de quem te enganou, traindo a tua confiança, o teu ideal, ou envolvendo-te em malquerença, mantém-te sereno.
O enganador é quem deve estar inquieto, e não a sua vítima.
Nunca te permitas demonstrar que foste atingido pelo petardo da maldade alheia. No teu círculo familiar ou social sempre defrontarás com pessoas perturbadoras, confusas e agressivas.
Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam. Constituem teste à tua paciência e serenidade. Assim exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo evolutivo, sempre, porém, com serenidade.

(Texto recebido espiritualmente pelo médium Divaldo Pereira Franco – Extraído do livro “Dimensões da Verdade” – Editora LEAL).

- Nota de Wagner Borges: Joanna de Ângelis é uma mentora espiritual que passa textos conscienciais pela mediunidade sadia de Divaldo Pereira Franco, o excelente médium baiano. Os seus textos se revestem de forte cunho psicológico, levando o leitor a mergulhos conscienciais profundos e a reflexões salutares. Vale a pena mergulhar em seus escritos, pois são de alto nível e revelam muito do que rola dentro dos seres humanos e no universo de seus pensamentos, sentimentos e energias. Para ler outros excelentes textos dessa sábia amparadora extrafísica, basta entrar na seção de busca por palavras do site e clicar o seu nome. Daí, surgirão diversos textos dela postados em várias ocasiões pelo nosso site.

Fonte: www.ippb.org.br

quarta-feira, março 09, 2011

Prosperidade e Bagunça




Você me chamou, eu vim! Porém, é assim que me recebe? Como espera que eu circule livremente?

Sou força livre, preciso de espaço; não entro nas casas fechadas, dessarrumadas, quebradas. As minhas energias são bloqueadas por janelas tortas, pelo amontoado de tralhas, tranqueiras jogadas, caixas, lixo acumulado que se guarda para usar algum dia.

Meu nome é prosperidade, mas só entro e permaneço na residência de quem se acerta, se limpa e cura a si mesmo. Água vaza em jarro rachado, prosperidade não flui no caos. Não basta me chamar, é preciso estar preparado para me receber, para suportar as minhas demandas, que é uma só: casa limpa!

Seja mais esperto, pare de sofrer com os bloqueios que você mesmo causa em você. Renove-se. Jogue fora o que não serve. Mude, antes que a vida mude você!

E não perca o seu tempo me evocando enquanto você não aprender a lição mais básica de quem deseja ser prospéro: trabalhe!

terça-feira, março 08, 2011

SAVITRI

Fim de tarde. Enquanto muitos pulavam carnaval nos clubes da vida, eu seguia em direção a locadora para entregar os filmes que tinha assistido com a esposa no fim de semana. Nada contra a festa brasileira ou as escolas de samba desfilando na avenida, mas curtir um bom filminho com pipoca e refri, vale mais a pena, na minha opinião.

Entre o próximo passo e o papel que voava sendo levado pelo vento, vi numa tela de TV à minha frente: uma mulher semi-nua exibindo o seu lindo corpo na avenida.

Entre o pensamento "gostosa" alterando as vibrações da minha líbido e a sensação de ridículo de estar ali parado olhando a peladona; percebi um raio de sol de fim de tarde tocando a minha testa e eu comecei a sentir uma energia diferente me envolvendo, mais sutil, mas éterea.

Era uma sensação de feminilidade. Não sei explicar, mais naquele momento uma parte minha, até então esquecida em algum lugar da minha consciência foi ativada e despertou uma energia mais terna, delicada e ao mesmo tempo firme.


Eu não era mais apenas homem, mas parte também daquela energia feminina que transmitia amor e parecia estar em todo lugar.

Percebi que essa energia sempre esteve dentro de mim e senti uma vergonha enorme em ser homem e estar sendo guiado apenas pelo tesão despertado por uma imagem numa tele de TV.

Senti o quanto a imagem da mulher era vergonhosamente explorada por nós homens e que mesmo em tempos modernos, por mais que aceitavámos a independência e igualdade da mulher, no fundo todos nós, homens, tinhamos ainda a semente machista cultural de olhar uma mulher só com os olhos do desejo e do interesse.

Passamos toda a vida sem sequer nos darmos conta do quanto a energia feminina equilibra esse mundo tão (yang) masculino.

Desde criança fui ensinado que deveríamos admirar uma mulher pelo seu traseiro e pelo tamanho dos seios, que a mulher antes de casar era apenas para transar e depois de casada nada seria a mais que a "empregada do lar"; nunca me ensinaram a perceber a beleza do feminino no brilho do olhar, na habilidade de fazer muitas coisas e ainda assim a cada coisa brilho único dar.

No fundo do meu peito, tive vergonha do ser "um homem" e da forma como a mulher era tratada no ocidente através da sexualidade, e no oriente, pela submissão. Entre a moça nua do carnaval e a muçulmana vestida da cabeça aos pés, com uma túnica preta em algum lugar do algum país que termina com "kstão", senti o quanto tratamos mal a imagem e a energia feminina em nosso mundo.

Pensei em minha mãe, na minha mulher, na minha irmã e na minha futura filha. Pensei em todas as mulheres que eu conhecia e no quanto significavam pra mim. Pensei em quantas mulheres faltei com respeito e tratei com desprezo. Senti vergonha da minha criação machista, das tantas vezes em que repeti pra mim mesmo que certos trabalhos eram coisa de mulher e indigno para um homem, senti vergonha das conversas de bar de minha juventude em que repetia aos amigos como seduzira e "comera" aquela menininha que nem me lembro mais o nome. E chorei, chorei por ser esse homem incapaz de reconhecer a energia feminina em mim.

Compreendi que a lei da reencarnação é sábia ao reencarnar o machão num corpo delicado de uma menina. E que a separação de sexo na verdade não existia, pois éramos todos luz, consciência e partes de um grande Deus que também era Deusa.

Eu não deveria ser mais um homem e sim o homem. E esse homem precisava entender que existe a diferença entre apreciar a beleza de uma mulher e desrespeitá-la.

Foi então que no fundo do meu coração, senti que havia um leve sussurrar e eu parecia ouvir baixinho no ritmo das batidas do coração um mantra: Savitri *! Savitri!

Repeti o mantra e mergulhei na face feminina de Deus. Imagens vieram em minha cabeça e percebi que Deus em sua infinita sabedoria deixava-se manifestar mulher tanto quanto homem, para que seus filhos queridos pudessem entender que não há diferença entre sexos, pois Ele é tão Deus quanto Deusa, desde os tempos mais remotos quando o ser humano passou a compreender que havia algo além do mundo fisíco: do culto antigo Celta a Grande Mãe, nas personificações das deusas hindus Saraswatti, Lakshimi e Parvati; na compaixão de Kwan-yn na China, na sabedoria e mistério de Isis no antigo Egito; nas crenças católicas das muitas faces de Maria, na bruxaria e nos cultos ao feminino espalhado por todo o planeta. Não importava o local ou a época, sempre haveria a manifestação divina na forma feminina para provar aos homens, que o culto e a crença não deveria ser voltado apenas para a forma de homem barbudo e sisudo que tanta religião pinta.

Então ouvi uma voz:

" Não sinta vergonha de ser homem e agir da maneira que age. É assim que se deve ser, até você entender o significado das palavras desejo e respeito.

Entenda que sentir desejo é natural, mas respeitar e conter a libido desenfreada é um passo evolutivo.

A admiração por um corpo feminino é natural, mas a obsessão por sexo é doentia.

Desejar é natural, mas entender o desejo e não ser consumido por ele é um passo evolutivo.

Você é um homem, yang, sol em toda a sua intensidade e força, mas equilibrar-se com a energia terra, Yin, lua em todo o seu mistério é um passo evolutivo.

Homem e mulher se completam na mais perfeita combinação energética e espiritual, onde a soma dos dois, resulta numa única energia equilibrada e iluminada.

O perfeito equilíbrio entre essas energias é o objetivo do homem e da mulher no seu plano de existência, mas negar essa energia ou exagerá-la é desvio do seu real caminho.

Não seja moralista com as suas idéias e anseios, porém, jamais deixe que o seu ser masculino apague a lembrança que o feminino está em você como a bela que doma a fera, como a leoa que protege a cria. Um homem é muito mais homem se emocionando com os chutes do bebê na barriga da mãe do que brigando no trânsito.

Manifesto-me em você pelas suas lágrimas;

Manifesto-me em você pelo brilho em seus olhos;

Manifesto-me em você pelo sorriso;

Manifesto-me em você pela sua sensibilidade;

Manifesto-me em você pela compaixão;

Eu sou todas e não sou nenhuma. Eu sou a Maria da rua e a dondoca chique da alta sociedade. Eu sou a mãe, a amante e a filha. Sou a executiva, a dona de casa e a prostituta. Eu sou a Deusa, sou Nossa Senhora, sou Kwan-yn, sou Isis, mas no fundo sou apenas SAVITRI.

Eu vou te segurar pelas mãos toda vez que você fraquejar.

Eu vou confortar o seu coração quando sentir solidão.

Eu vou te carregar nos braços quando você cair e se machucar.

Pois eu sou a mãe, o amor e a vida "

Então, o brilho cessou, e a imagem da TV continuava lá, com a moça e suas sinuosas curvas, mas meus olhos se encheram d'água. Eu não sabia o que tinha ocorrido, mas sentia que havia um estranho brilho nos meus olhos e no meu coração e esse brilho se chamava SAVITRI. E por alguns segundos pude sentir essa energia que cria a vida beijar a minha face.

Uma velhinha com um carrinho de compras passa ao meu lado e resmunga com a cara de indignada pra mim: “Seu tarado!".

Eu rio.

O papel continua sendo levado pelo vento, as pessoas continuam pulando carnaval no clube, mas ali na Liberdade, aquele sujeito com as fitas de vídeo na mão, em plena terça de carnaval, descobrira que em sua essência, ele não era homem, nem mulher, mas apenas luz. Que não havia nada de errado no tesão, na sacanagem; desde que houvesse respeito por esse ser que no homem desperta ao mesmo tempo tanto desejo quanto o amor que multiplica a vida.

Definitivamente, sentir a energia da mulher com SAVITRI no olhar é neti, neti**.


Frank


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* SAVITRI: Lenda indiana sobre uma princesa que tinha um brilho no olhar tão forte que colocava medo na morte. O nome significa algo como "Força do Sol" ou brilho cintilante. Também é nome de um poema de Sri Aurobindo:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=4590

** Neti-neti : Muitos traduzem como nem isso, nem aquilo. Algo que é difícil de ser explicado, principalmente quando tentamos descrever Deus, Brahman, O TAO, e os tantos nomes que colocamos para a mesma Força de Amor que nos dá vida.

segunda-feira, março 07, 2011

Ego - O Falso Centro

Por OSHO

O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.

Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.

Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu. Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.

Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma. Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.

Por meio da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.

E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.

Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.

O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.

O verdadeiro só pode ser conhecido por meio do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido por meio da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Por meio desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.

O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.

Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.

Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...

Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.

A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível. E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.

Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.

O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção. Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta. É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.

Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Por meio do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo.

Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.

Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.

Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...

Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.

Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.

E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.

Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.

Precisamos ser ousados, corajosos.

Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limites ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é o que voçê verdadeiramente é.

Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.

É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...

O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?

O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa?

E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...

E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.

Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.
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