sexta-feira, julho 31, 2009

GENTE, GENTE... TUDO PASSARIM!

GENTE, GENTE... TUDO PASSARIM!
(Atrás da Pedra Tem Estrelas)

Tem gente que parece de pedra.
Mas é gente!
E tem coração.

Ó, Senhor!
Tenha piedade dessa gente.
E lhe dê um grande amor.

Transforme a pedra dessa gente... Em flores.
Não parece, mas eles também têm coração!
Atrás da pedra tem estrelas...

Então, Senhor, inspire-os a ver o céu.
Eles são gente, gente...
E dentro da pedra tem música.

Ah, Senhor!
Faça-os cantar.
Essa gente, que também veio do céu...

Que também sonha com as estrelas, mesmo sem saber...
Essa galera que parece de pedra, mas que é gente, como a gente!
E tem coração!

Ah, Senhor!
Abençoe essa gente.
Pois eles também sonham com as flores e a música...

Então, Senhor, inspire-os a ver o céu.
Eles são gente, gente...
E dentro da pedra tem amor.

Ah, Senhor!
Faça-os cantar.
Dentro da pedra tem música.

Ah, essa gente, gente...
Parece de pedra, mas é passarim.
Igual a gente mesmo, também sonham em voar.

Então, Senhor, por favor, faça-os voar...
Para além da pedra.
Porque atrás tem estrelas...

Ah, essa gente, gente...
Igual a gente, eles também querem ser felizes.
Então, Senhor, por favor, abençoe-os.

Ah, essa gente, gente...
Parece de pedra, mas tem coração.
É tudo passarim, passarim...

P.S.:
O Papai do Céu sabe:
Passarim gosta de voar.
Mas, primeiro precisa aprender a amar.
Para com o amor voar...
E ir bem lá em cima, para saudar o sol.
E, depois, dar a volta e beijar a lua.
Com as estrelas de testemunha.
Passarim, passarim...
É tudo gente de Deus.
E o Papai do Céu sabe quem é quem.
Porque Ele vê dentro do coração da gente.
Gente, gente...
É tudo passarim de Deus.
E o vôo verdadeiro é dentro do coração.

Um beijo para os leitores.
(Voem. Voem, voem... Com amor.)

(Dedicado aos músicos brasileiros que ainda se atrevem a verter música de qualidade, pois eles são embaixadores do som e honram o Brasil com sua arte; e aos companheiros que se atrevem a voar para além da pedra...)

- Companhia do Amor* –
A Turma dos Poetas em Flor**.

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 09 de julho de 2009.)

- Notas:
* A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver os livros "Companhia do Amor - A Turma dos Poetas em Flor – Volumes 1 e 2" - Edição independente - Wagner Borges, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site): www.ippb.org.br.
** Enquanto eu digitava essas linhas, lembrei-me de uma linda canção de Tom Jobim, um dos gênios da música brasileira de todos os tempos. Para enriquecer esses escritos, deixo a letra da mesma na sequência.



PASSARIM

Tom Jobim
(Composição: Antonio Carlos Jobim / Paulo Jobim)

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu, mas não pegou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que eu também não fui feliz?
Me diz, o que eu faço da paixão?
Que me devora o coração...
Que me devora o coração...
Que me maltrata o coração...
Que me maltrata o coração...

E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo? A água apagou
E cadê a água? O boi bebeu
Cadê o amor? O gato comeu
E a cinza se espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou?
(Passarim quis pousar, não deu, voou)

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu, mas não matou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração...
Que me alegrava o coração...
Que iluminava o coração...
Que iluminava a escuridão...

Cadê meu caminho? A água levou
Cadê meu rastro? A chuva apagou
E a minha casa? O rio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu, mas não matou
Passarinho, me conta, então, me diz:
Por que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração...
Que me alegrava o coração...
Que iluminava o coração...
Que iluminava a escuridão...

E a luz da manhã? O dia queimou
Cadê o dia? Envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua, então, brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou

FELIPE E BARRICHELLO: O OUTRO LADO DA CRÔNICA

Depois da minha mensagem sobre o Felipe Massa ontem, recebi um e-mail do meu amigo Lázaro, lembrando o outro lado da crônica:

" ... pra quem quiser dar uma força para o Rubinho, que está até pensando em parar, o endereço dele é o http://twitter.com/rubarrichello; mas aviso: Ele é gente boa pacas, responde a quase todos, e DETESTA que façam as (inevitáveis) piadas...
Nem pensem em escrever dizendo que ele é ruim ou perdedor, rs. Vão ouvir ele lembrar que, falem o que quiser, ninguém pode acusá-lo de não ser batalhador, de não ter chegado longe, e de dar a sangue pelo Brasil... (como poucos famosos dão)."


Felipe Massa, como qualquer brasileiro, ao conversar com o Rubinho ao telefone, não perdeu a piada. O ferrarista brincou e reclamou da mola que saiu do carro do piloto da Brawn e o atingiu na cabeça.

"Pô, mas você tinha de jogar as coisas logo na minha cabeça?", teria dito Massa a Barrichello, segundo a assessoria do piloto.

Barrichello, que está nos Estados Unidos e ficou surpreso com a ligação, comemorou a evolução do quadro clínico de Felipe Massa. "Ele merece o melhor, impressionante a recuperação", comentou.

Isso é um pouco do Brasil: bom humor, camaradagem, surpresas e muita vontade de continuar apesar das dificuldades e da "falta de sorte".

Segui o conselho do Lázaro e deixei um recado para o Rubinho no Twitter e depois de uma rápida pesquisa no orkut e google, descobri que há pessoas que levam mesmo a sério essa profissão de torcer contra o Barrichello, indo além da piada para o mal gosto, com agressões e argumentos superficiais sobre esse outro brasileiro que tanto fez pelo Brasil.

Muitos já teriam desistido, Barrichelo persistiu. Talvez, nenhum outro atleta tenha mais a cara do Brasil.

Em uma dessas comunidades do orkut que reúne depreciadores do corredor, um participante "anônimo" tentou defender o Rubinho e postou uma canção de Arlindo Cruz e Sombrinha:

Moleque Atrevido

"...Respeite quem pode chegar
Onde a gente chegou...

...Não se discute talento
Mas seu argumento, me faça o favor
Respeite quem pode chegar
onde a gente chegou
E a gente chegou muito bem
Sem a desmerecer a ninguém
Enfrentando no peito um certo preconceito
e muito desdém...

...Por isso vê lá onde pisa
Respeite a camisa que a gente suou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
E quando pisar no terreiro
Procure primeiro saber quem eu sou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou..."


O sujeito deve ter sido expulso, mas ao ler as letras do samba, pensei que mesmo sem falar o nome do Rubinho, essa canção é realmente uma grande crônica sobre esse corredor que começou a carreira na Fórmula 1 em 1993, e é considerado um dos pilotos mais experientes da prova.

Rubens Barrichelo chegou ao Grande Prêmio da Europa de 2009 sendo o piloto com maior participação em grandes prêmios: 281, com 277 largadas (contra 256 de Patrese).

Outros números do piloto:
* 185 provas concluídas na zona de pontuação (perdendo apenas para Michael Schumacher, que pontuou em 197 corridas);
* 66 pódios (sendo o quarto piloto a subir mais vezes ao pódio da Fórmula 1);
* 574 pontos conquistados (sendo o 4º maior pontuador).

Tudo o que poderia ser dito sobre o Rubinho, enfim, pode ser definido na própria definição que ele faz de si mesmo:

" Sou Brasileiro
Sou feliz
e sou guerreiro"

V. A MISSÃO COLETIVA

... Preste atenção: se for amor, não existirá apego - disse o Anjo - Se for outra coisa, revestida de amor, cobrará sempre um preço do outro.




V. A MISSÃO COLETIVA

O Auto da Piedade Parte III
Sete Atos de Reencenar



- O que ocorrerá comigo?

- Você provavelmente esquecerá essa nossa conversa e tudo o que já lembrou, pois terá que entrar na “Era do Silêncio” e ser revestido de esquecimento. Será exatamente igual a todos os demais, sem privilégios; a não ser essa sua força em despertar aqui, que é mais útil que mil memórias. Esse seu despertar, essa sua habilidade desenvolvida em ficar lúcido será a semente que florescerá em intuição, para depois ser a sua bússola.

Mesmo sem saber o porquê, você vai procurar pelo amor, terá curiosidade sobre a origem do mundo, da sua alma e o destino de tudo. Será mais um peregrino de Deus, e perceberá que mesmo sem a menor certeza de que Ele é real; você não conseguirá calar a busca; a vontade de encontrá-Lo. Sofrerá muito por isso, pois a sua lucidez buscará a lógica da Terra e perceberá que nela, tudo aquilo que se passa em sua alma é negado, o que é natural, na dualidade da tua missão.

- Não há mesmo como perceber Deus ou vocês quando eu estiver por lá?

- Sim, em oração ou meditação, você poderá sentir os laços que unem o seu espírito aos dois planos e poderá até mesmo nos ouvir, mas como você estará na Terra usando a linguagem de lá, com os órgãos de comunicação básicos do plano denso; não escutará palavras, pois como você sabe, não usamos a linguagem da Terra aqui e sim símbolos, imagens, formas geométricas, tudo o que a sua mente puder decodificar em significado para você reter no plano físico.

- E de olhos abertos? Quero dizer, tudo o que eu disser aos outros sobre o que vi em sonhos ou em experiências místicas pode ser considerado uma “viagem minha”. No entanto, se eu pudesse provar que há algo a mais, no meu dia a dia, seria diferente, não?

- Provar para quem?

- Para a minha família, amigos, sei lá. Não quero ser internado de novo.

- Essa é uma missão coletiva, mas cada um deve fazer a sua parte, o que significa que cada um deve lembrar do seu próprio jeito e aprender a amar por conta própria. O desejo de poder e o atraso dessa missão nasceram da vontade de controlar o caminho dos outros ou querer que o outro pule etapas, caminhando no SEU caminho. Por favor, não faça mais isso, caminhe por você.

Não se preocupe com a estrada do seu próximo. Ele também é um Ser Divino em sua busca por amor. Não o atrapalhe com as suas “provas” e nem forneça a ele as suas crenças. Parte do plano da dualidade é o fato que todos desacreditarão daquilo que é pura certeza para você, pois cada pessoa terá a sua forma única de se religar. Isso vai causar muita confusão, dúvida, pois mesmo se duas pessoas estiverem juntas num voo noturno, quando acordarem, não se lembrarão da mesma coisa.

Se temos sempre pontos de vista diferentes sobre tudo em Beta, por que seria diferente em Alfa ou em outros estágios de consciência?
Que cada um encontre as suas certezas. Cada vez que você tentar convencer o outro sobre o que experimentou, mais fraca ficará a certeza do que foi experimentado.

- Compreendi, mas será que ainda conseguirei ver claramente as pistas que indicam que estou no caminho certo?

- Sim, mas para isso, você terá que deixar todos os conceitos da realidade da dualidade de lado e ENTENDER, ao invés de COMPREENDER que as outras realidades possuem parâmetros diferentes de manifestação; assim como cada cultura na Terra possui idioma, crença e cultura diferenciada mesmo estando a uma ponte de distância.

Levando isso em consideração, olhe para o sol e para a lua com outro olhar, não como estrela e satélite, mas como símbolos do masculino e feminino, do Pai e da Mãe Divina, Ying and Yang, que se uniram para que você se manifestasse na Terra, formando junto com eles uma trindade.

Se você mantiver essa seta mental brilhando, se lembrará que a noite e o dia, o homem e a mulher, tudo mais em seu plano que representa as polaridades são setas fortalecendo a sua crença sobre a sua origem divinal e o seu destino de amor. Daí, não precisará dos templos dos homens para se recordar, nem fechar os olhos em oração, pois bastará apenas perceber esses símbolos da natureza terrena que representam o Plano Divino para se lembrar da sua missão.

Se você não for persuadido pela lógica terrena que diz que só o que é real é aquilo que pode ser visto, ouvido, sentido ou percebido pelo homem e por seus instrumentos ainda muito rudimentares, você não só encontrará o amor que deve experimentar, como também O assimilará, tornando-O parte do seu ser de tal forma, que não precisará desencarnar para se tornar um Ser Espiritual novamente na Terra.


...continua.

quinta-feira, julho 30, 2009

UM ABRAÇO EM FELIPE



Sonhei que o Brasil voava até a Hungria para dar um beijo em Felipe de boa noite. O menino das pistas sorria e agradecia o carinho, dizendo: amo vocês também.

E o Brasil acordava feliz, abraçado, sabendo que ainda temos os nossos heróis. Pessoas que representam a alegria do nosso povo e a coragem em continuar; em vencer e perseverar.

Felipe é um menino do Brasil, que corre o mundo, balançando a nossa bandeira. Não sou muito fã da Fórmula Um, mas sou sempre aliado dos nossos esportistas e atletas que correm ao redor do planeta, às vezes, usando apenas um par de chinelas, pois o dinheiro é contado, o orçamento apertado e ao invés da champagne da comemoração, ficam apenas com a garrafa d'água, pois é o que o dinheiro consegue pagar.

Sim, enquanto viajava pelo mundo, cruzei com vários desses atletas pelos aeroportos dos quatro cantos da Terra, vestidos de Brasil, imigrando a nossa raça de conquistar medalhas, taças, prêmios e abraços, mesmo sem o devido investimento, mesmo sem a merecida condição.

Porém, é justamente nos solos que todos juram que nada pode ser plantado e colhido que florescem heróis, como os meninos do Volley, as gurias da ginástica olímpica, o garoto que recebe ajoelhado sua medalha de prata conquistado à nado e Felipe, sim, um dos meninos do Brasil, que ri à toa, que tem jeitinho brasileiro na fala, no sorriso e na força em vencer esse duelo com a morte, para continuar representando em vida, as cores do nosso Brasil.

Como diriam as baianas:

- Esse Felipe é mesmo "Massa"!

IV. AMÉM

... Percebi que os contatos extraterrenos não poderiam ser mais feitos e os Anjos e seres divinos se tornariam mitos, arquétipos, contos de fada nas nossas lembranças cada vez mais apagadas.

Pela última vez vi a imagem de Anupadaka e ela foi desaparecendo. Sua voz ressoando em minha mente e dizendo:

- Ficará mais difícil de sentir que eu estou aqui, mas sempre estarei.
Ficará cada vez mais difícil de ter certeza que há algo a mais,
Mais se lembre: eu estarei sempre te guiando.

Então, ele foi ficando cada vez mais distante
Mais difícil de ver
De crer

E a realidade espiritual foi
Ficando
Cada vez menos
Vez menos
Menos
-
.


O Auto da Piedade
Sete Atos para Reencenar

IV. AMÉM



- Então eu vou voltar mesmo?

- Sim, como todas as outras vezes.

- Por que não lembro das outras vezes?

- Porque estava dormindo.

- Hum...Faz sentido.

- Que bom te ver acordado, mesmo tendo morrido.

- Isso foi uma piada?

- Anjos não fazem piadas!

- Certo!

- Mas para que voltar? Quero dizer, não posso fazer o meu trabalho por aqui?

- Não, você já sabe o que precisa fazer por lá: amar!

- Mas eu posso amar daqui!

- Não da forma como se ama por lá. O amor de lá é só de lá. É isso que você vai buscar e tentar trazer pra cá, o amor que só se sente lá.

- Mas o que é o amor de lá perto desses sentimentos tão sutis e nobres daqui? Sentimentos que eu nem consigo expressar com palavras que se usa lá.

- É um amor que complementa, constrói e fortalecerá a Obra Divina não só aqui, como em todos os outros planos de existência. É o Fohat, o Vishnu montado na Vaca Sagrada mantendo o que foi construído e renovando o que foi destruído. Pois o amor físico é ao mesmo tempo espiritual e material e é somente por ele que vocês conseguirão romper a barreira do tridimensional e da dualidade.

- Eu não quero jogar água fria na sua paixão em descrever esse amor, mas o “amor” que sentimos lá pode ser explicado, afinal não passa de uma ferramenta da evolução, da vida na Terra, que flui em todos os bichos, mas que nos humanos virou uma artimanha biológica para nos fazer continuar - sabe como é, o bicho humano inventou algo também chamado arma e depressão - mas reação química explica tudo.

- Reação química não explica você aqui!

Qualquer estado do ser depende de uma reação química, afinal, vocês estão no plano fisíco. Natural que tudo o que vocês sentirem tenha que passar pelo filtro da mente e deva ser provocado por reações químicas. Contudo, mesmo usando um corpo, isso não significa que você é apenas um corpo. O amor necessita do corpo para surgir, mas não para continuar; pois sendo o amor verdadeiro, ele transcende a mente e flui para a alma.


Não se engane com a paixão vestida de "amor passageiro". Esse “amor” é apego revestido de sentimento; é interesse no que se recebe em retorno, daí ser uma ferramenta do desejo de continuar; mas veja: mesmo esse tipo de apego não é totalmente oposto a sua caminhada, pois no plano da dualidade, o negativo é também aliado e não inimigo. Contudo, o amor que você deve experimentar é diferente; ele contraria a lei da sobrevivência, da evolução; pois em nome desse amor, somos capazes de abrir mão da nossa própria vida terrena.

Você vai saber se sente algo desse amor, quando sua companheira deitar a cabeça em seu peito e você sentir que o amor que vocês dois estão criando e trocando flui para além do peito, dos corpos, do quarto e parece se expandir e tocar nas paredes do mundo inteiro.

Você vai saber se sente algo desse amor, quando seu filho pequeno pedir para brincar com você e mesmo tendo que interromper um trabalho que precisa ser terminado com urgência; você o faz, pois o amor de pai em você é mais forte que prazos e obrigações que podem esperar meia hora a mais.

Você vai saber se sente algo desse amor, quando cuidar dos seus pais doentes e velhinhos e sentir que isso não é apenas um dever, uma obrigação; mas uma troca natural do amor que flui em todas as direções e precisa cuidar de quem necessita ser cuidado.


Você vai saber se sente algo desse amor, quando perceber que todas as pessoas na Terra são a sua alma-gêmea e não será possível fazer outra coisa senão respeitá-las e considerá-las tão importantes quanto vocês. Esse é o significado de "Namastê" e a evolução natural do "Eu amo você".

Preste atenção: se for amor, não existirá apego. Se for outra coisa, revestida de amor, cobrará sempre um preço do outro.

...continua.

quarta-feira, julho 29, 2009

Uma Crônica de Guiné-Bissau


De acordo com o site Notícias Lusófonas:
"Os guineenses ficam hoje a saber quem é o futuro Presidente da República da Guiné-Bissau com o anúncio dos resultados provisórios pela Comissão Nacional de Eleições do país, que serão feitos numa unidade hoteleira de Bissau."

Guiné-Bissau?
Bissau?
Onde fica Guiné? Na África?
Que língua eles falam?
É mesmo português?

Crioulo?
Eles conhecem o Lula por lá?
Choraram por Michael Jackson?



Voei por Guiné-Bissau! Fui recebido por Cabral, não o navegador, mas o poeta que recitou:

« Ah meu grito de revolta que percorreu o mundo
que não transpôs o mundo
o Mundo que sou eu !

Ah ! meu grito de revolta que feneceu lá longe
Muito longe
Na minha garganta !

Na garganta mundo de todos os Homens »


O mundo somos nós, na nossa garganta está o grito de toda a gente, até daqueles que não conhecemos, pois vivem distante dos olhos; ausentes do campo de visão de nosso coração.

Daí encontrei outro poeta chamado Agnelo Regalla, que perguntou-me:

- O que trazes tu do Brazil?

- Meu espiríto, poeta - respondi, e ele me respondeu:

- Mas o que veio buscar, não há nada aqui pra ti, estrangeiro. Provavelmente deseja nos ofertar a tua música ou a tuas letras.

" Fui levado
a conhecer a nona sinfonia
Beethoven e Mozart
na música
Dante, Petrarca e Bocácio
na literatura

… Mas de ti mãe África ?
Que conheço eu de ti ?
a não ser o que me impingiram
o tribalismo, o subdesenvolvimento
e a fome e a miséria como complementos…"


- Vim buscar as tuas palavras, poeta - respondi e continuei voando, até que ouvi uma poeta fazendo poesia em português e em crioulo:

"Em que língua escrever
Na kal lingu ke n na skribi

As declarações de amor?
Ña diklarasons di amor?

Em que língua cantar
Na kal ingu ke n na kanta

As histórias que ouvi contar?
Storias ke n contado?

Falarei em crioulo?
Pa n kontal na kriol?

Falarei em crioulo! "

Seu nome era Odete Semedo e por mim, ficaria ouvindo seu canto por toda a noite, mas precisava voar e fui voando pelas terras de Guiné-Bissau, pelas terras altas do nordeste, pelo litoral, pelos mangais do arquipélago dos Bijagós, tentando pegar cajus por todo o sul.

E enquanto voava sob as margens do rio Gêba, desci e troquei umas prosas com Domingas Sami, Abdulai Silá, Carlos Lopes, Filinto Barros e Carlos Edmilson Vieira e recolhi contos, lendas e costumes populares. Eles me contaram sobre as suas letras que são a própria recordação de brincadeiras da juventude e as vicissitudes sociais e políticas da sociedade guineense.

Por último, agradeci a todos e voltei para o Atlântico. Precisava voltar pra casa, mas antes de deixar a amada África, agradeci a Filomena Embaló que comigo estava por todo o vôo pelas letras guineenses.

III. TUDO TEM UM COMEÇO


... A linguagem dos sonhos são os símbolos e cada símbolo, como você já sabe, fala não só uma palavra, ou frase, mais carrega todo um bloco de conhecimento que rende múltiplas leituras e interpretações.

- Mas nem sempre lembramos dos sonhos...

- Treine a sua observação e você verá que esquecer é falta de treino de lembrar. O segredo está no sonhar.


O Auto da Piedade - Parte III
Sete Atos para Reencenar

III. TUDO TEM UM COMEÇO


- Se esse trabalho de estar na Terra é algo que aceitei fazer antes, isso significa que já fui igual a você, já fui um anjo.

- Você é igual a mim – respondeu o Anjo.

- Você entendeu o que eu quis dizer, não me venha com esse papo de somos todos iguais e blá, blá, blá. Quem está guardando quem aqui?

- Você está sendo tridimensional de novo. Está baseando a sua opinião nos termos da Terra que se divide em ser uma coisa ou ser outra.

No começo dos tempos, só o que foi dividido foi a nossa missão em seres que ficariam aqui orientando e seres que experimentariam por lá. Ainda assim, foi uma divisão parcial.

Você já ouviu dizer que “Os Anjo invejam os homens, pois eles não podem sentir”. É verdade! Nós não podemos sentir o que vocês experimentam na Terra, assim como vocês não conseguem perceber o que vemos daqui de lá. Por isso é que vocês foram buscar essa sensação. É claro que “inveja” é um termo um tanto pesado para representar o respeito que temos por vocês e por sua missão na Terra.

- Peraí, você quer dizer o quê? Que nós somos desbravadores, pioneiros desse plano tridimensional?

- Sim, todos nós temos a mesma origem. Somos criaturas dEli. Ajudando a expandir o seu trabalho por todas as esferas da sua eterna criação.

- Como se Deus precisasse de uma mãozinha humana...

- Ele precisa de todas as mãos, pois cada uma delas é a Sua Mão. Você não percebe isso, pois parte do plano original era esquecer.

- “Parte”?

- Sim, já houve uma época em que todos os encarnados lembravam do plano espiritual, pois havia uma comunicação direta conosco. Nessa época vocês viviam, o tempo todo, com as suas ondas mentais em Alfa, sem temer a luz, sem duvidar.

Olhavam para o céu e viam mais que estrelas, enxergavam todas as dimensões, planos e realidades que se iniciam no Criador e retornam para Ele.

Caminhávamos, lado a lado, Vivos e Anjos, sem distinção, sem separação. Até que percebemos que o amor que queríamos experimentar e trazer para todos os planos não poderia ser sentido se todos vocês fossem iguais.

No plano tridimensional onde impera a lei da dualidade, como poderiam sentir o amor, se não houvesse o seu oposto?

- O ódio?

- Não. A solidão!

Era preciso que vocês, os encarnados, sentissem a solidão. Sentissem que tudo o que havia era o que podiam enxergar no plano físico. Então, decidiram esquecer e para isso, precisavam “morrer” e “retornar” cada vez mais esquecidos da sua origem divinal; além disso, ao voltarem, só poderiam acessar a realidade de Alfa ao caírem no sono. Começava nesse momento, o mundo experimentado em Beta.

Tendo vocês experimentado toda a imensidão da criação, uma “saudade” estranha seria tudo o que restaria da lembrança sobre o que realmente há, mas ao mesmo tempo essa saudade seria a passagem de volta para a nossa dimensão e uma espécie de seta indicando a direção certa no caminho da Terra, pois uma vez esquecidos de quem eram e da sua missão, seria bem fácil se perderem no plano dos desejos.

- Não ocorreu como planejado, não é?

- Não, porque subestimamos o encanto do esquecimento e a fome de poder que nasceu como oposto do nada mais ter.

- Sim, eu me lembro – eu disse e comecei a lembrar de um tempo na Terra, em que estávamos todos vivendo junto.

Era possível ver os seres no céu e ao nosso lado, seres que não estavam encarnados ou no planeta; seres que conviviam conosco no plano físico e nos orientavam diretamente, mas pouco a pouco, essa interação foi diminuindo. As imagens, as vozes foram se afastando e ficando cada vez mais fracas.

Percebi que os contatos extraterrenos não poderiam ser mais feitos e os Anjos e seres divinos se tornariam mitos, arquétipos, contos de fada nas nossas lembranças cada vez mais apagadas.

Pela última vez vi a imagem de Anupadaka e ela foi desaparecendo. Sua voz ressoando em minha mente e dizendo:

- Ficará mais difícil de sentir que eu estou aqui, mas sempre estarei.
Ficará cada vez mais difícil de ter certeza que há algo a mais,
Mais se lembre: eu estarei sempre te guiando.

Então, ele foi ficando cada vez mais distante
Mais difícil de ver
De crer

E a realidade espiritual foi
Ficando
Cada vez menos
Vez menos
Menos
-
.

...continua.

terça-feira, julho 28, 2009

II. TUDO É VOLTA


Auto da Piedade Parte III
Sete Atos para Reencenar


II. TUDO É VOLTA

- E o meu nome original? Quero dizer, imagina você entrando no bar cheio de pessoas e tendo que me chamar, pois tá sem grana e é claro, o velho eu aqui pode te pagar uma biritas...

- Você é Nephesh! - disse o Anjo.

- Né o quê?

- Quando voltar para Terra, estude Cabala e você terá mais surpresas ainda.

- Eu vou voltar?

- Sim – disse ele – Você tem a sua missão para cumprir por lá.

- Uma missão especial?

- Sim, a missão é especial justamente por ser coletiva, pois todos na Terra fazem e tem a sua parte nela. Todos que estão lá ou entre mundos, como você está agora, precisam concluir o trabalho que se propuseram a realizar no principio.

- Trabalho? Principio? Não me lembro!

- Claro que não! A lembrança está bem guardada dentro de você, revestida por camadas de lembranças, experiências, idéias e desejos que você acumulou durante todas as suas passagens pelo plano tridimensional.

É natural que você não se lembre agora, muito menos na Terra; por isso, quando estiver dormindo por lá, você sonhará.

Só é possível resgatar a lembrança original, quando encarnados, se vocês calarem os seus sentidos e o processo cognitivo humano e mergulharem no inconsciente, o lugar onde estão guardadas as sementes do verdadeiro ser. A linguagem dos sonhos carregam os símbolos dessas sementes e cada símbolo, como você já sabe, fala não só uma palavra, ou frase, mais carrega todo um bloco de conhecimento que rende múltiplas leituras e interpretações.

- Mas nem sempre lembramos dos sonhos...

- Treine a sua observação e você verá que esquecer é falta de treino de lembrar.
O segredo está no sonhar.

...continua.

segunda-feira, julho 27, 2009

I. FOHAT


O Auto da Piedade Parte III
Sete Atos para Reencenar

I. Fohat


Raul é um bom instrutor. Após três aulas eu já estou tocando alguns acordes no violão.

- Será que já consigo tocar “Maluco Beleza”, Raul? – eu digo brincando, ele sorri, e é aí que repousa o perigo. Anjos são criaturas estranhas, não seguem uma lógica terrena, por isso, nunca se sabe o que se esperar deles.

- Talvez, mas para um “Stairway to Heaven”, vai demorar um pouco mais.

- Falando sério, Raul! Qual é o seu verdadeiro nome? Eu posso ser um recém-descascado, mas não sou bobo, você disse que seu nome era Raul, só porque ficaria mais fácil para eu me lembrar, não é?

- De certa forma, sim!

- Diz ai? Deve ser um desses nomes estranhos, que eu vou precisar dar uns estalos na boca e acrobacia na língua para pronunciar, não é?

- Nem tanto! Eu sou Anupadaka.

- Diferente, parece meio indígena, sei lá.

- Quando voltar para Terra, estude sânscrito e você terá belas surpresas.

- E o meu nome original? Quero dizer, imagina você entrando no bar cheio de pessoas e tendo que me chamar, pois tá sem grana e é claro, o velho eu aqui pode te pagar uma biritas...


- Você é Nephesh!

- Né o quê?

- Quando voltar para Terra, estude Cabala e você terá mais surpresas ainda.


...continua.

domingo, julho 26, 2009

BALLAD OF LHASA


Você que me olha pela tela da TV e não me conhece, pensa que sabe sobre mim ou sobre o que é viver sem liberdade.

A liberdade para você é apenas um conceito, uma palavra com significado que você leu no dicionário ou num verbete da internet.

Você já viveu em Lhasa ou na Palestina?

Algumas pessoas passaram por lá, com passaportes e vistos para sair e acharam que poderiam escrever livros sobre o que é viver sem poder ser.

Elas não sabem de nada, nem você; por isso não me venha falar em China ou da Coréia do Norte; não escreva sobre as mulheres nas Arábias ou a fome do nordeste, se não tiver sofrido na pele, o que é ser um retirante com a barriga batendo no osso; não escreva canções sobre o Dalai Lama, se não tiver cruzado o Himalaia com os pés descalços.

Você não sabe de nada, escritor com pena!

Você não sabe nada, telespectador tapado de piedade!

Por isso, te recomendo: escreva uma crônica calada sobre as pessoas que não sabem nada sobre o que é viver sem liberdade.

E para você que está em frente a TV, desligue o noticiário e vá assistir a novela das oito.

* Ballad of Lhasa - canção da cantora Dadawa

sábado, julho 25, 2009

FUI PRA ESCÓCIA DE ENYA


Certa vez viajei para a Escócia ao som da Enya.

Nem precisei de passagem, nem de gorro, nem de pounds; apenas de ouvido, fui a Escócia de ouvido.

Ouvindo Enya, uma fada dentro de mim despertou em curiosidade para um mundo que eu tinha esquecido. Era o Divino usando a Enya para me lembrar que havia algo a mais do que isso que chamamos isso.

A Enya me levou a Escócia e ao Divino pelo preço de um CD. Nunca foi tão barato e fácil chegar a dois destinos: Viva a Enya e Viva o Ouvido!

Mais tarde, um amigo criticou. Dizendo que eu deveria ouvir outras coisas, que essas musas new ages eram qualquer coisa, menos música. Ele não viajou para a Escócia ouvindo Enya; nem foi ao Divino; ele percorreu a estrada dos "estraga-gosto".

Estraga-gosto é todo aquele que fala mal daquilo que você gosta. Nem perguntamos a opinião do sujeito e o sujeito vai logo dizendo que o nosso gosto é uma bosta.

O que fede é a opinião dele. Papel higiênico em sua boca, descarga na opinião de terceiros sobre o que gostamos.

Somos livres para gostar de Enya ou Susan Boyle.

Não precisamos pagar a taxa dos "estraga-gosto" para o que nos toca a alma; não precisamos da permissão de ninguém para ir a Escócia ou a Diadema com o ouvido.

Eu gosto da Enya e você não tem nada a ver com isso.


Imagem: a família Oliveira nas Highlands

Susan Boyle Boyle

Susan Boyle
Boyle Susan
Susan bóia
Bóia Susan

Boy
Boi
Bole
Buli

Buliram a Susan
Susan Bulindo
Estou "bóiando"
Enquanto a
Boyle bóia o tempo todo

Susan Boyle é mais pop
Que o Obama
Boyle acabou com o Barack
Durante um programa
Bush nela
Esconda a Susan atrás do Bush
Ela já não me ilude
Mas ainda está na tela, sempre na dela

Susan Boyle Boyle é a nova Severina Chique Chique
É pop assistir a Boyle
É chique xeretar a Susan
Cadê Genival
Lacerda a Susan, Genival, lacerda!

Susan Susan
Boyle, Boyle
Buli
Boli
Bolir
Abolir a Susan
Libertem a Boyle
Das garras da medusa
Da mídia
dos seus olhos

CAINDO DO MUNDO


A Terra balançou, balançou e eu cai em outro mundo.

Era tão real, tão real quanto este; e pareceu que eu vivi nele todo uma vida, até que dormi e acordei num outro mundo, igual e diferente ao que estava antes.

Só podia estar sonhando, mas definitivamente tinha acordardo para valer; olhei pra minha esposa e falei:

- Sonhei que caia em outro mundo!

- Que bom que você acordou nesse! - ela respondeu e eu respirei fundo, mas caí de novo
E
dessa vez, eu acordara de vez.
Estava num ônibus, indo trabalhar e cochilara.

Que coisa mais estranha, pensei, essa coisa de queda em muitos mundos. Acho que estou vendo Lost demais, que bom que despertei...ops, dá última vez que falei isso, eu

c
a
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e
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o
u
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r
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o
...

VII: Passando a Terra a Branco


O AUTO DA PIEDADE
Sete Atos de Consciência


Ato VII: Passando a Terra a Branco


Volto ao mundo branco, mas já sei que estou também no "hospital espírita" onde me guarda o Anjo Raul, que não era Seixas. Eu estava também presente em alguma lembrança ou outra das muitas leituras que você fez do que eu vivi na Terra e talvez eu seja apenas fruto dos escritos de um cronista maluco.

Se eu, mesmo sendo apenas letras que entram na sua cabeça, sou real, imagina o Anjo? Na dúvida, ele que me guardasse.

Não quero criar polêmica, mas é melhor você repensar sobre a sua idéia de pós-morte e compreender que todos os livros que contam experiências além da vida são livros escritos por gente que está aí, ou gente que diz que gente que está aqui disse pra ele que era assim ou assado.

De certa forma, eles estão dizendo a verdade, a vida além da Terra é exatamente como eles pensaram e escreveram, só se esqueceram de mencionar que assim como todo mundo possui uma identidade e vive uma vida terrena diferenciada, por mais que pareça igual; o desencarne vai desembocar em uma via de visão única, ou seja, o céu ( ou o inferno) é aquilo que você espera que seja.

A vida além da morte é um mundo branco que você pinta com as cores do seu pré conceito. Leia direito! Leia direito! Leia uma vez mais, devagar e direito!

Quanto mais aberto para o novo você estiver, quanto menos comprar os planos de céu dos outros, menos você sofrerá por aqui.


Você sabe aquela da loira que desencarnou e perguntou ao seu mentor:


- Posso na próxima reencarnação, nascer com mais peito. Esse negócio de silicone é uma caída só!

O mentor respondeu:

- Hellooo!!! Nem todo mundo reencarna, filha!


Não entendeu a piada? Volte três parágrafos. Sacou a graça, avance uma linha!

Sim, se a vida na Terra não é sempre justa, você acha que aqui seria diferente? Que basta morrer e chegar aqui querendo lugar VIP ao lado do Senhor? Que não pensando sobre o assunto, vai tornar a passagem mais vaselina?

Menos ego e mais eu, né gente!

Voltando ao seu mundo, posso afirmar que a vida na terra também é um mundo branco.


Você pode usar as tintas do seu coração e pintar uma vida melhor agora mesmo, basta estancar a ferida no peito da arrogância e viver o melhor que puder. Não se preocupe com os seus erros, se concentre no acertar.

Se achar que está ficando louco, relaxe: o louco não sabe que é louco, nem vê a loucura ao seu redor. E ainda assim, mesmo sendo louco, podemos ser felizes, se tivermos plantado flores no jardim coletivo; se tivermos cultivado amores, família, amigos e a fé. Sim, na falta da certeza de que há algo além, cultive a fé, acredite que se nascemos com essa curiosidade de sabermos se somos a causa de algo que veio antes, pode crer que há algo depois, sempre há.

A verdade, como dizia um amiga, é que nem a bunda da gente, cada um tem a sua. A minha verdade, caro leitor, é a sua leitura. Eu existo por ela, ela que é a razão do meu mundo branco. A sua leitura é o alazão negro da minha loucura e a vontade de te mostrar o que há pelo estranhamento é o meu mundo branco, onde as palavras são flores bonitas pintadas na parede da sua imaginação.

Vou deixá-lo agora, amigo leitor.


O meu Anjo da Guarda, quer me ensinar violão. Será que ele ficará bravo se eu pedir pra ele tocar Raul?

sexta-feira, julho 24, 2009

Amanheceu Nevando


Hoje amanheceu nevando e deu uma vontade de ficar em casa e não ir trabalhar, daí liguei pro chefe e usei a primeira desculpa que veio a mente:

- Desconfio que estou com a gripe suína!

O fato de morar em Uruguaiana ajudou a convencer o patrão, que disse que eu não me preocupasse com nada, pois o mais importante era que eu me recuperasse, sem saber que eu sabia, que ele queria mesmo era distância do funcionário infectado.

Fiquei um pouco com remorso de usar a desculpa da gripe, mas aquele não era um dia comum, aquela neve que caia, aquele quintal branquinho, convidava ao ócio e a reflexão - Cada um usa a desculpa que pode. Como eu não podia matar a mãe ou o pai, afinal, todos sabiam que eu era orfão, só restou a desculpa do vírus.

Porém, algo estranho começou a ocorrer: passei a sentir meu corpo quente, coloquei o termômetro e quase caí da cama, a febre estava acima de 39ºC. Faltava apetite, sentia dores musculares e muita tosse. Para piorar começou o catarro, uma dor na garganta, vontade vomitar e uma diarreia bem forte.

Consutei o Dr Google e ele me dizia que tudo o que eu estava sentindo tinha cara de gripe suína. Daí enlouqueci, não sabia se o surto também era sintoma, mas saí de casa em direção ao hospital, rezando a Deus para tudo aquilo ser apenas um susto, um efeito placebo ao contrário da minha insensatez em usar aquela desculpa para matar o trabalho.

A fila no posto era de dar pena, ou seja, eu tive que voar dali e ir para outro lugar, que também tinha uma fila gigantesca. O pior é que nevava lá fora, e eu nem conseguia aproveitar aquele dia único, pois passei todo o resto do dia de hospital em hospital, até que fui atendido e internado imediatamente.

No leito do hospital, com a máscara na cara, olhei a neve caindo do lado de fora da janela e tudo o que mais desejei foi estar no escritório trabalhando, qualquer lugar, longe daquele mundo branco.
Dormi, quando acordei, estava de volta em casa, na minha cama. O alarme tocou me lembrando que tudo tinha sido apenas um sonho frio de uma noite de inverno.

Lá fora a neve caia, como nevara no sonho, mas não pensei duas vezes, tomei um banho, vesti minhas roupas, coloquei o casaco e saí pelas ruas, feliz por mais um dia de trampo.

VI: Devas de Mim


O AUTO DA PIEDADE
Sete Atos de Consciência


Ato VI: Devas de Mim

Cada um tem o céu que merece, ou que acredita.

Graças a Deus, não nasci tibetano ou hindú, onde a vida depois da morte é meio assim "oriental" demais pra mim. Se bem que sempre achei interessante a vida no céu do mundo islâmico, aquele papo das "virgens"...hum...anyway, aqui estou, estou aqui nesse mundo novo e tão velho pra mim e depois de descobrir que poderia brincar de criador naquele mundo branco, estou meio que consciente em outro lugar. Parece uma casa de campo, mas até agora só conheci bem o meu quarto e o banheiro.

Sim, toma-se banho no astral. Você pensava o quê? Que a gente desencarna e vem parar num céu francês? O banho é tão delicioso quanto o da Terra e sim, me banhei com água, passei sabonete e me limpei, mas por favor, leitor, suba a vista para o chuveiro e tire os olhos das minhas partes íntimas!

Terminei o banho, enxuguei-me e vesti uma roupa branca que parecia com essas vestimentas brancas de terreiro de Umbanda e do lado de fora do banheiro, havia alguém me esperando. Nunca tinha visto o sujeito antes, mas senti que sempre o conheci, sabia até o nome dele: Raul!

Não era o Seixas, mas ele disse que se eu quisesse, ele poderia assumir a forma do cantor, desde que eu ficasse confortável. Disse pra ele que fingiria que todo aquele sentimento pós-vida-na-Terra era simples de entender e que já estava acostumado com tanta coisa nova que parecia antiga; ele riu e comentou que se eu quisesse, ele fingiria também que não sabia que eu achava que virara personagem de romance psicografado e prometeu que assim que eu dominasse o mundo branco, eu entenderia melhor a minha nova situação.

- Vou voltar para o mundo branco? - perguntei, temendo a resposta

- Você já está nele! - ele respondeu e eu fingi que entendi a resposta.

Perguntei por que tinha essa sensação que o conhecia, mesmo sabendo que nunca o tinha visto; daí ele falou:

- É simples: você está se recordando que já esteve aqui antes. Quanto a mim, eu sou o seu Anjo da Guarda. Sempre estive contigo, te protegendo, te guiando, te conduzindo por toda a sua vida na Terra.

Comecei a rir, ele também achou graça.

- Fala sério! – eu disse – Você não espera que eu acredite nessa bobagem, quero dizer, não me leve a mal, mas eu nunca acreditei em“ Anjo da Guarda”? C’mon!!!!

Ele sorria, como se antecipasse cada palavra que eu diria.

- Eu não preciso da sua crença para existir. Tudo o que a mente humana cria e que parece absurdo, desconfie: tem um fundo de verdade.

- Ok, vamos supor, que existe Anjo da Guarda, onde você estava quando enlouqueci?

- Guiando a mão que te deu aquela cafezinho na padaria, por exemplo, ou em outros momentos, aqueles instantes de estranhamento, que te fez lembrar que existia algo maior que o seu ego!

...

- Olha não quero te desrespeitar, afinal, se você é Anjo mesmo, deve ser um bocadinho mais chegado de Deus, mas nunca engoli bem essa bronca que as religiões tem com o ego. Não faz o menor sentido! Caímos na Terra e de certa forma, somos conduzidos a criar uma identidade, formatar um eu, um ego, alguém que pense: " quero um carro, logo eu existo", daí vem as religiões orientais com essa ladainha de "liberte-se do seu desejo e mate o ego!". Eles que matem o ego deles e deixem o meu em paz.

- Vou citar as palavras de Paul Arden, um grande filósofo de porta de banheiro, que te ajudará a refletir melhor sobre isso - disse o Anjo.

- Você não deveria citar algum salmo ou passagem da Bíblia?

- Você não deveria ficar calado e me escutar? - disse o Anjo sorrindo. Como nunca vi un Anjo nervoso e nem quero, decidi ficar mesmo quietinho e escutá-lo.

- Diz Paul Arden:

" É moda entre as pessoas conscientes tentar se libertar do seu ego.

Ora, elas deviam pensar um pouco mais nisso.

Presumivelmente foram equipadas de ego por uma razão.

Grandes pessoas possuem grandes egos; talvez seja isso que as torna grandes.

Por isso vamos fazer bom uso do ego, antes de tentar negá-lo.

De qualquer maneira, toda a vida gira ao "meu" redor."

Toda a vida gira ao seu redor, mas tá aí a graça da existência na Terra, ela também gira ao redor dos outros. O truque é se dar conta, que se ter um ego é inevitável, que o seu ego faça do seu mundo e do mundo dos outros, algo grande, algo que valha a pena. A armadilha é você se apaixonar pelo espelho e se esquecer do ego dos outros
.

...

- Posso fazer só mais uma pergunta? - arrisquei.

- Claro! - respondeu o Anjo que pelo sorriso lembrava o Capitão Branquinho, o personagem daquele desenho antigo " A Corrida Maluca".

- Cadê as suas asas?

- Estão lavadas - disse ele - Deixei no varal secando.

Calei o ego, afinal cada um tem o anjo que merece.

quinta-feira, julho 23, 2009

Prevenção Gripe Suína

Prevenção contra gripe A


1.- Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?
Até 10 horas.

2. - Quão útil é o álcool em gel para limpar-se as mãos?
Torna o vírus inativo e o mata.

3.- Qual é a forma de contágio mais eficiente deste vírus?
A via aérea não é a mais efetiva para a transmissão do vírus, o fator mais importante para que se instale o vírus é a umidade, (mucosa do nariz, boca e olhos) o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distancia.

4.- É fácil contagiar-se em aviões?
Não, é um meio pouco propício para ser contagiado.

5.- Como posso evitar contagiar-me?
Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.

6.- Qual é o período de incubação do vírus?
Em média de 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase imediatamente.

7.- Quando se deve começar a tomar o remédio?
Dentro das 72 horas os prognósticos são muito bons, a melhora é de 100%

8.- De que forma o vírus entra no corpo?
Por contato ao dar a mão ou beijar-se no rosto e pelo nariz, boca e olhos.

9.- O vírus é mortal?
Não, o que ocasiona a morte é a complicação da doença causada pelo vírus, que é a pneumonia.

10.- Que riscos têm os familiares de pessoas que faleceram?
Podem ser portadores e formar uma rede de transmissão.

11.- A água de tanques ou caixas de água transmite o vírus?
Não porque contém químicos e está clorada

12.- O que faz o vírus quando provoca a morte?
Uma série de reações como deficiência respiratória, a pneumonia severa é o que ocasiona a morte.

13.- Quando se inicia o contagio, antes dos sintomas ou até que se apresentem?
Desde que se tem o vírus, antes dos sintomas.

14.- Qual é a probabilidade de recair com a mesma doença?
De 0%, porque fica-se imune ao vírus suíno.

15.- Onde encontra-se o vírus no ambiente?
Quando uma pessoa portadora espirra ou tosse, o virus pode ficar nas superfícies lisas como maçanetas, dinheiro, papel, documentos, sempre que houver umidade. Já que não será esterilizado o ambiente se recomenda extremar a higiene das mãos.

17.- O vírus ataca mais às pessoas asmáticas?
Sim, são pacientes mais suscetíveis, mas ao tratar-se de um novo germe todos somos igualmente suscetíveis.

18.- Qual é a população que está atacando este vírus?
De 20 a 50 anos de idade.

19.- É útil a máscara para cobrir a boca?
Existem alguns de maior qualidade que outros, mas se você não está doente é pior, porque os vírus pelo seu tamanho o atravessam como se este não existisse e ao usar a máscara, cria-se na zona entre o nariz e a boca um microclima úmido próprio ao desenvolvimento viral: mas se você já está infectado use-o para não infectar aos demais, apesar de que é relativamente eficaz.

20.- Posso fazer exercício ao ar livre?
Sim, o vírus não anda no ar nem tem asas.

21.- Serve para algo tomar Vitamina C?
Não serve para nada para prevenir o contagio deste vírus, mas ajuda a resistir seu ataque.

22.- Quem está a salvo desta doença ou quem é menos suscetível?
A salvo não esta ninguém, o que ajuda é a higiene dentro de lar, escritórios, utensílios e não ir a lugares públicos.

23.- O virus se move?
Não, o vírus não tem nem patas nem asas, a pessoa é quem o coloca dentro do organismo.

24.- Os mascotes contagiam o vírus?
Este vírus não, provavelmente contagiem outro tipo de vírus.

25.- Se vou ao velório de alguém que morreu desse vírus posso me contagiar?
Não.

26.- Qual é o risco das mulheres grávidas com este vírus?
As mulheres grávidas têm o mesmo risco mas por dois, podem tomar os antivirais mas em caso de de contagio e com estrito controle médico.

27.- O feto pode ter lesões se uma mulher grávida se contagia com este vírus?
Não sabemos que estragos possa fazer no processo, já que é um vírus novo.

28.- Posso tomar acido acetilsalicílico (aspirina)?
Não é recomendável, pode ocasionar outras doenças, a menos que você tenha prescrição por problemas coronários, nesse caso siga tomado.

29.- Serve para algo tomar antivirales antes dos síntomas?
Não serve para nada.

30.- As pessoas com AIDS, diabetes, câncer, etc., podem ter maiores complicações que uma pessoa sadia se contagiam com o vírus?
SIM.

31.- Uma gripe convencional forte pode se converter em influenza?
NAO.

32.- O que mata o vírus?
O sol, mais de 5 dias no meio ambiente, o sabão, os antivirais, álcool em gel.

33.- O que fazem nos hospitais para evitar contágios a outros doentes que não têm o vírus?
O isolamento.

34.- O álcool em gel é efetivo?
SIM, muito efetivo.

35.- Se estou vacinado contra a influenza estacional sou inócuo a este vírus?
Não serve para nada, ainda não existe vacina para este vírus.

36.- Este vírus está sob controle?
Não totalmente, mas estão tomando medidas agressivas de contenção.

37.- O que significa passar de alerta 4 a alerta 5?
A fase 4 não faz as coisas diferentes da fase 5, significa que o vírus se propagou de Pessoa a Pessoa em mais de 2 países; e fase 6 é que se propagou em mais de 3 países.

38.- Aquele que se infectou deste vírus e se curou, fica imune?
SIM.

39.- As crianças com tosse e gripe têm influenza?
É pouco provável, pois as crianças são pouco afetadas.

40.- Medidas que as pessoas que trabalham devam tomar?
Lavar-se as mãos muitas vezes ao dia.

41.- Posso me contagiar ao ar livre?
Se há pessoas infectadas e que tosam e/ou espirre perto pode acontecer, mas a via aérea é um meio de pouco contágio.

42.- Pode-se comer carne de porco?
SIM pode e não há nenhum risco de contágio.

43.- Qual é o fator determinante para saber que o vírus já está controlado?
Ainda que se controle a epidemia agora, no inverno boreal (hemisfério norte) pode voltar e ainda não haverá uma vacina.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

Fruta Madura

Enquanto o brasileiro Gabriel Buchman continua desaparecido em uma montanha do Malauí e um eclipse solar fascina a Ásia, decidi escrever essa crônica sobre dois assuntos: a tragédia e as maravilhas da natureza.

Muitas vezes as tragédias e as maravilhas da Terra explodem lado a lado, outras vezes, percorrem rios separados, mas as duas possuem esse poder de causar um "estranhamento" nas pessoas; e uma "pessoa estranhada" presta mais atenção nas coisas. Percebe que há algo além desse vai-e-vem da ilusão de cada dia; e em meio a tristeza da tragédia ou ao "uau" de um eclipse, ela pode ter uma epifania.

O que é um epifania?

De acordo com a wikipédia, a epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. Na minha experiência posso dizer que a epifania é um tapa na cara da nossa ignorância.

Sim, somos ignorantes do amor que há ao nosso redor, da nossa origem divinal, das multiplas realidades, dimensões, contatos e insights que ocorrem nesse mesmo momento em algum lugar da nossa alma pois estamos focados nos nossos desejos e emoções.

Então, ocorre uma tragédia:
" Terremoto mata 500 no Irã"

Ou uma quase-tragédia:
" Novo Tsunami na Nova Zelãndia. Dessa vez, os humanos seguiram o conselho dos animais e fugiram para os lugares mais altos, evitando a tragédia"

E somos provocados a refletir, a pensar o quanto é delicada a vida na Terra e o quanto é valioso vivermos bem o tempo que o relógio diz que nos resta.

Outras vezes, trocamos a tragédia pela visão de um eclipse:

" Eclipse solar gera onda de entusiasmo na Ásia"

E uma onda de "estranhamento" nos abate e lembramos que há uma razão para cada coisa que ocorre na Terra e paramos a nossa vidinha, para lembrar de uma Vida Maior que já está ao nosso redor. Lembramos, por alguns instantes, que somos algo a mais. Que embora, o mundo diga que só pode ser coisa da nossa imaginação: sempre existimos e sempre viveremos, pois somos eternamente vida fluindo; e a vida tem muito mais caras que a gente imagina.

Daí, a tragédia passa, o fenômeno acaba e voltamos a ser frutas verdes, nos pés da inércia consciencial. Esquecidos do nosso potencial, esquecidos que podemos florescer e nos tornarmos frutas maduras; sem precisar da tragédia, do fenômeno. Que podemos florescer, apenas percebendo o amor que flui na direção de quem está ao nosso lado, no vôo do pássaro, na alegria das nossas crianças que também vieram do "nada" e não se preocupam se são reais ou apenas conceitos mentais.

Temos uma idéia muito limitada de realidade para nos apressarmos a comprar e vender os pacotes prontos das nossas crenças, idéias fechadas, pré e pós conceitos. Sim, ainda precisamos das tragédias e dos fenômenos, porque somos frutas verdes, esperando o tempo de amadurecer. E acredito, boa parte de nós, ainda precisa de uma sacudida, uma ajuda da natureza para entender o que somos mesmo se não quisermos crer.

Que chova mais epifanias sob as nossas cabeças e a mente aberta esqueça o guarda-chuva em casa!

Frank Oliveira


*****====*****

Abaixo a canção Fruta Madura, do cantor Nei Zigma que foi a trilha sonora desses escritos acima:

Fruta Madura
Nei Zigma
http://www.reverbnation.com/tunepak/song_2259774

O dia nasce atrás da linha
Que circunda a nossa casa
É o sol que nos acorda
Na hora clara da luz contente

Eu vim florescer
Eu vim florescer
Eu vim florescer
Tua juventude
Eu vim florescer
Eu vim florescer
Eu vim florescer
Tua plenitude
Eu vim florescer
Eu vim florescer
Eu vim florescer
Fruta Madura

Nas mais idades
Pra que tu cresças
Pra que tu vejas
Tua real idade
E o dia corre
No infinito
Com a luz do palco
Do meio dia
E o dia corre
No infinito
Criando a pausa
Do sol a pino

Eu vim ascender
Eu vim ascender
Eu vim ascender
A tua alma
Eu vim ascender
Eu vim ascender
Eu vim ascender
A tua calma
Eu vim ascender
Eu vim ascender
Eu vim ascender
Fruta madura
Tua procura
Na claridade
Nos segue os olhos
Da real idade

E o dia roda
Discorre o tempo
Em cada instante
Do teu segundo

E o futuro
Se faz passado
Se faz presente
Reciclando tudo

Para anoitecer
Anoitecer
Anoitecer
Tudo ao seu tempo
Para anoitecer
Anoitecer
Anoitecer
Bem longe do medo
Para anoitecer
Anoitecer
Anoitecer
Tua luz pura

Em teu momento
Fruta madura
Prepara a alma
Lá vem a lua

Lá vem a lua
Lá vem a lua
Lá vem a lua
No teu momento
Lá vem a lua
No firmamento
Clareia o facho de esquecimento

Para florescer
Para florescer
Para florescer
Tua juventude
Para florescer
Para florescer
Para florescer
Tua plenitude
Para florescer
Para florescer
Para florescer
Fruta madura

Pra que tu nasças
Pra que tu cresças
Pra que tu sejas
Tua nova idade

Notas sobre o autor da canção:
O cantor e compositor Nei Zigma se apresenta na cidade de São Paulo desde 1999. Seu repertório é fruto da união da poesia e da música popular brasileira, que costura com a sonoridade singular da sua voz a simplicidade dos versos e trovas. Revelando sua brasilidade como herança dos cantos populares, Nei Zigma acompanha-se ao violão composições de sua autoria, canções de Domínio Público, MPB, jazz e trilhas para dança e teatro. Atualmente integra o elenco da Cia. Scripti de Teatro.
Mais canções do compositor Nei Zigma:
http://www.reverbnation.com/neizigma

AMAR DE GRAÇA

Ela disse:

" Eu te amo de graça.

Te amo assim, naturalmente,
Sem esperar nada que retorne

E sempre esperamos algo em troca

Mesmo quando pensamos que não queremos nada

De volta.

Mas isso não ocorre quando amamos de graça...


Te amo assim de graça

Porque a graça de amar é amar de graça

Na graça de quem ama

Na graça de quem sente

A própria graça no amor


Por isso te amo de graça

Pois o amor é por si só, a própria graça.
"

V: Multi-leitura


O AUTO DA PIEDADE
Sete Atos de Consciência


Ato V: Multi-leitura

É óbvio que você continuará depois da morte, pois você já está em dois lugares nesse momento. Não acredita? Morra pra ver!

Estou de volta ao mundo branco, mas já não estou confuso, estou até meio animado. Nesse mundo de possibilidades, posso me tornar tudo. O branco me possibilita um big bang bang big de tinta, aonde minha pena escreve um mundo, dois mundos, multi-mundos, mil leituras.

Eu morri, lembra?

Mas antes estava louco, vivendo de pena e implorando a tua piedade, na carência da minha enfermidade?

Abandonado por teus olhos, escorraçado pelo teu preconceito, catando restos da sua leitura, até que fui trancado, calado e por fim, libertado, para poder criar as minhas flores.

O meu jardim é esse mundo branco.
As minhas flores são essas palavras.
A minha morte é a tua vida.

Precisei morrer para ser recriado pelos teus olhos, pela sua mente, para existir apenas dentro da sua imaginação.

Vivo agora por aqui, mas dependo e ao mesmo tempo não dependo exclusivamente da sua vontade, pois posso a qualquer momento me transformar na vontade de outro que não você. Sim, existo também nos olhos dos outros, fluo por outras visões de mundo. Sou multi-leitura.

Você não é o único par de olhos que há. Há muitos outros.

Pode ir se quiser, você é livre, pode parar de ler se desejar. Pois o mundo que criarei agora, pode não ser aquele que você deseja ler...

Quer arriscar?

Daqui pra frente, você pode ler algo que não combine com a sua verdade, com a sua leitura de mundo, mas se ainda assim, você desejar continuar, é bem-vindo, afinal, se ainda está aqui é porque você talvez já seja o outro olhar, aquele para qual essa crônica surreal está sendo escrita, aquele que dirá: essa é a minha visão do além vida.

Por isso, confia na minha escrita!

Vem?

Continua lendo, vai observando os escritos, penetra comigo nesse mundo branco, onde nada existe e ao mesmo tempo cabe tudo. Mergulha comigo no silêncio, no vazio e veja o que eu vejo, sinta o que eu sinto.

Respira fundo, que eu também farei isso, embora eu não tenha mais pulmões, nem precise de ar, sou um bom fingidor, posso ainda me lembrar o que era respirar.

Ahhhh o ar!

O ar!

Faltou-me ar. Lembro agora como desencarnei. Dor no peito, tento respirar, gritar, o ar não vem, o pulmão grita: aaaarrrrrrrr!!!!

Sinto que estou sendo esmagado, compressado, amassado, reduzido e sendo cuspido, jogado, expulso, parido, feito neném de novo. Mãos gigantes puxam a minha alma para um mundo muito claro que dói a alma, que me faz gritar de dor. Saio por um buraco, sendo tragado para fora da vagina da vida.

Desculpe o palavriado! Mas com o corpo, rompeu-se o cordão de prata e o contrato assinado com você, onde as cláusulas diziam que eu precisava medir bem o que expressava, para viver bem socialmente e em harmonia. Estou além da vida, além do nosso contrato social da sua simpatia.

Aqui desse lado, não usamos a linguagem, a fala ou qualquer coisa parecida com um idioma para nos comunicar.

Comunicação instantânea! Está me entendendo?

Tipo assim, meu: eu penso, você saca, falou?

Tudo é muito estranho. Nada é aquilo que disseram que há! Estou até agora procurando Cristo e não vi sinal algum do que possa parecer com os portões onde trabalharia o São Pedro como porteiro. Não vi o Buda, nem o Shiva, nem mesmo o Padim Ciço! Estou começando a desconfiar que todos esses nomes eram apenas arquétipos do plano terrestre para nos religar ao plano espiritual. Eles devem existir somente por aí, ou estão aqui em algum lugar que eu ainda não vi passar.

Quando eu acordei do lado de cá, foi como se despertasse de um sonho e já vivesse por muito tempo com corpo e tudo por aqui.

Se você me pedisse para explicar como dois corpos podem habitar a mesma alma em lugares diferentes, eu precisaria usar algum símbolo, uma imagem que pareceria para você linguagem de sonho e seria mesmo, por isso eu te aviso: desconfie dos sonhos... desconfie do estranhamento.

E lembre-se que há milhares de outras formas de comunicação além das palavras. Os sonhos usam imagens para falar contigo, o astral usa a sincronicidade, Deus usa os milagres e eu, essa crônica, para te lembrar de que há algo dentro de você que foi esquecido.

Eu havia esquecido disso também, até que nasci desse lado.

Você dirá: é fácil quando se esta no astral!

E eu te direi: depois que me limparam e cuidaram do que eu era além do corpo, me dei conta que eu devia ter lembrado disso por aí, afinal se há uma razão para encarnamos, é para lembrarmos que somos estrelas, mesmo quando estamos dentro da terra.

Sim, entre um branco e outro, comecei a lembrar, que depois de cuspido pela vida, fui parar em um lugar e nesse lugar, eu fui cuidado.

Um lugar bonito, com flores na janela, cantos de pássaro, uma luz dourada bem bonita e diante daquele despertar tão suave, agradeci aos meus mentores, por ter lido tanto livro espírita.

.................

quarta-feira, julho 22, 2009

A Lenda da Cabocla Jurema

O sol girou uma vez mais ao redor da Terra e quando os raios da manhã tocaram a sua testa, a cabocla gritou:

- Sou Jurema!!!

E pulou
do
galho
mais alto da árvore gigante e pareceu voar por entre os pássaros e outros seres alados da floresta; mergulhando no rio profundo, de onde emergiu, nadando com os botos que entendiam o seu canto:

"Cabocla
Seu penacho é verde
Seu penacho é verde
É da cor do mar

É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
Jurema"

Cabocla, filha valente de Tupinambá. Adotada pelo mundo, foi encontrada aos pés do arbusto da planta encantada que lhe deu o nome, e cresceu forte, bonita, com a formosura da noite e a firmeza do dia. Corajosa, a cabocla tornou-se a primeira guerreira mulher da tribo, pois a sua força e agilidade no manejo das armas e na ciência da mata, se tornara uma lenda por todo o continente; onde contadores de estórias, aos pés da fogueira, falavam da índia da pena dourada, que era a própria Mãe Divina encarnada.

Nada causava medo na cabocla, até o dia em que ela encontrou o seu maior adversário: o amor. Jurema se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga chamada Filhos do Sol, e que fora preso numa batalha.

Os dias se passaram e o amor aumentava, pois o pior de amar não é amar sozinho e sim ser amado em retorno, pois exige do amado, uma ação em prol do amor.

Pelo olhar, o caboclo Huascar dizia:

"Oh doce Cabocla
meu doce de cambucá
minha flor cheirosa de alfazema
tem pena deste caboclo
o que eu te peço é tão pouco
minha linda cabocla Jurema
tem pena desse sofredor
que o mal destino condenou
me liberta dessa algema
me tira desse dilema
minha linda cabocla Jurema"


Jurema que aprendera a resistir ao canto do boto, ao veneno da cascavel e da armadeira, já resistira bravamente a centenas de emboscadas e que sentia o cheiro à distância de ciladas, não conseguiu resistir ao amor que fluia do seu peito por aquele guerreiro. Observando o caboclo preso, ela viu nos olhos dele, as mil vidas que eles passaram juntos, viu seus filhos, o amor que os unia além da carne e percebeu que não foi por acaso, que ele fora o único caboclo capturado vivo, e decidiu libertá-lo, mesmo sabendo que seria expulsa da sua tribo.

Na fuga, seu próprio povo a perseguiu, e em meio a chuva de flechas voando na direção do caboclo fugitivo, foi Jurema que caiu, salvando o seu amado e recebendo a ponta da morte que era pra ele, no seu próprio peito.

Conta a lenda, que o caboclo Huascar voltou a Terra do Sol e fundou um império nas montanhas andinas e mandou erguer um templo chamado Matchu Pitchu em homenagem a Jurema, onde, só as mulheres da tribo habitariam e lá aprenderiam a ser guerreiras como a mulher que salvara a sua vida. E no lugar onde a Jurema caiu, nasceu uma planta robusta e muito resistente que dá flor o ano inteiro, cujo formato exótico e o tom amarelo-alaranjado intenso chamou atenção de todas as tribos, pois tudo dessa planta poderia ser utilizado, desde as sementes, até as flores e o caule; e porque as flores dessa planta estão sempre viradas para o astro maior; ela ficou conhecida como girassol.




" Moça bonita é a

Cabocla Jurema

Ela vem com um girassol

e a coroa dela é

como um girassol

Ela é a luz do amanhecer

Tem os seus lindos sonhos de arrebó

e a coroa da Jurema é

como um girassol

é como um girassol

é como um girassol

é como um girassol "

IV: O Espaço entre as Linhas


O AUTO DA PIEDADE
Sete Atos de Consciência


Ato IV: O Espaço entre as Linhas



Ainda existo.

Mesmo quando você, leitor, estava fora da leitura desse texto; eu fiquei aqui e ainda existo. Existo como um conceito, como uma vontade que você possui em continuar lendo o que escrevo.

Como pode ser?

É, apenas é.

E por isso que eu existo!

Eu sou o que sou, existindo dentro do mistério que é estar vivo dentro do meu mundo e ao mesmo tempo interagindo contigo, no seu. Sendo o principal personagem do meu conto de vida e ao mesmo tempo, sendo coadjuvante na sua prosa.

Sou ego, sou ísta, sou qualquer coisa que possa ser definida, que possa se compreender como coisa existida.

A Divina Inteligência criou essa mágica difícil de ser explicada, chamada vida, que não é possível ser compreendida, pois só pode ser vivida. Eu surfo em cima dessa força da vida, força essa que se move também na barata, no rato, no macaco, no Maluf e no pássaro, e se move também dentro de você, em suas mais infinitas possibilidades.

Você leu tudo o que escrevi, mas se eu pedir para você me dizer o que se recorda das últimas linhas, sem lê-las de novo; provavelmente vai só lembrar que falei “Maluf”, e eu te pergunto por quê você só lembra disso?

Você é malufista ou apenas achou que havia um símbolo estranho ao contexto do texto?

Sim, desculpe, mas eu quis que você estranhasse o que havia lido, pois desconfio que é pelo estranhamento que você conseguirá ler além das entrelinhas do meu texto.

Será que há dentro de nós, uma atração para o estranhamento, para aquilo que fuja do ordinário? E isso ocorre porque somos mais do que aparentamos, mais do que o que parece óbvio?

Sim, esse estranhamento me trouxe para esse espaço branco, onde não tenho qualquer referência além da sua referência. Nesse mundo branco, sinto que estou a qualquer passo de qualquer lugar que você imaginar, em algum lugar entre o começo e o fim do seu pensamento.

Existo no vazio de mim mesmo e no que é preenchido por você. Quando eu chegar ao ponto final do seu desejo de me ler, ainda existirei por aqui.

Mas como posso existir sem um corpo?
Como posso me perceber no silêncio absoluto?
E se o branco for algo mais profundo?
E se esse mundo branco for o príncipio da criação de todos os mundos?
O que você acha de tudo isso?

E se houver outra forma de ser? Talvez em outra dimensão em que a vida seja tão ou mais real que a vida que você leva na Terra? Você já parou pra pensar que a vida também se move nos bichos que não possuem um corpo e aparentemente são invisíveis aos seus olhos vestidos de Tomé?

Vou te deixar meditando sobre isso um pouco, pois preciso compreender melhor esse mundo em que vim parar. Sim, só há uma forma de combater um estranhamento, é tornando-o familiar. Deixando de lado todos os símbolos negativos que a minha ansiedade estava jogando na minha cara; percebo que há até uma certa graça nisso tudo. Estar mergulhado no branco é como voltar ao útero. Sinto paz, serenidade e sou embalado por esse branco, no ritmo da leveza do infinito. Percebo que é do branco que todas as cores surgem, que todas as formas são criadas.

Posso me mover e BIG BANG dou um salto para o abismo branco e rasgo as paredes; e para a minha surpresa, ela sangra cores, vermelho, laranja e com os dedos enxarcados com essas cores, desenho mil sóis amarelos na parede, planto o verde no chão e ergo árvores, assovio e ouço cantos de pássaros, abro fios de água nesse mesmo chão que se tornam rio cheio de peixes, mergulho com eles e despenco com um boto numa cachoeira dourada e caio no azul do mar, mergulhando na profundeza do espaço, onde as estrelas brilham sem parar. Sou um viajante cósmico, montado em cometas, dando voltas nos anéis de Saturno e lá de longe, vejo a Terra brilhando e me atraindo. Dou um pulo em Marte e outro na Lua e caio dentro da sua cabeça.
Sou seus neurônios explodindo em mil reações químicas. Sou o OM da sua espiritualidade, o ar que bombeia os teus pulmões. Saio de você em espiral, dando piruetas em seus chacras, voltas em sua aura, até que retorno para a tela do computador, tornando a ser letras na mensagem que você lê e você vai se dando conta, que apesar de ter estado comigo nessa viagem psicodoidinha de palavras, só agora você se recorda que tudo isso não passou de uma leitura na sua tela.

Como é possível que você tenha estado em dois lugares ao mesmo tempo?

Leitor, você é o que há entre as linhas.

III: O que é meu? O que é dos outros?



O Auto da Piedade
Sete Atos de Consciência

Ato III: O que é meu? O que é dos outros?

Estou na cama do hospital de novo. Olho para o teto branco, choro de alívio. Tudo não passou de um pesadelo. Se eu bem me recordo, eu estava no mundo branco, meio surtando, e você apareceu me lendo e lembrando-me como rezar:

" Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto viverá"

Yes, valeu Jesus, viva a fé!

Sim, a fé! O que seríamos sem a fé? A certeza é perigosa, é vivedouro de bicho-fanático; esses bichos que se auto-explodem ou tentam nos converter a força para a luz que só ele enxerga.

Estou no hospital, jamais pensei que estaria tão feliz em estar naquele lugar. Agradeço ao Deus de todos, oro uma Ave Maria Santa Ave e daí percebo que não estou mais amarrado. Levanto da cama e observo o quarto: não há quadros na parede, apenas a cama, uma janela com grades e uma porta aberta.

Levanto e saio do quarto, não há ninguém por perto. Ando pelo corredor e vejo dezenas de portas que dão acesso aos outros quartos, onde estão os outros pacientes e eles estão dormindo. Enfim, percebo alguém, é um enfermeiro. Fico tão feliz em vê-lo que corro ao seu encontro e grito: OLÁ!
Ele não me vê, não me ouve.

Não preciso ser um Einstein, para perceber que estou morto e virei uma espécie de fantasma, vagando pelo lugar que foi a minha última morada.

Como tudo é relativo, e pode ser que o enfermeiro é que seja o fantasma; faço o teste final e a minha mão atravessa a parede do corredor.

Sim, eu sou! Onde está a Demi Moore?

Poderia ser pior, ao menos eu saí daquele mundo branco e sei que daqui a pouco, aparecerá a famosa luz que me transportará desse lugar.

Basta esperar...

Enquanto isso, vamos bater um papo?

Sim, vamos conversar! Como assim, não é possível você conversar comigo? Você pensa o quê? Que sou apenas um monte de letrinhas na sua telinha? Eu tenho vida, ok? Posso não ter mais um corpo, mas continuo! Duvida? Olha pra trás!

Ah, pegadinha do ghost!!!

Ok, vamos discutir a nossa relação! Eu letrinhas, você leitor...

O que você quer saber?
Por que quis ler essa mensagem?
O que acha que vai encontrar dentro desses escritos?
Você acredita mesmo que continuamos a viver depois da morte?
De onde você tirou essa idéia?
É uma idéia nova ou você pegou emprestada?
E se eu continuar além da morte e você não?
E se o além for diferente para cada um?

Veja bem, não quero te provocar, estou apenas puxando papo, afinal, sobre o que mais poderíamos falar?

Acredite, estou tão confuso quanto você!

Vamos fazer o seguinte: eu atravesso o tal do túnel de luz e depois retorno para te contar o que ocorreu. Combinado?

Sim, está dando certo, estou vendo uma luz saindo do teto com todas as cores do arco-íris; e essa luz está descendo em espiral e vindo na minha direção. Consigo notar além do túnel de luz, alguns vultos de parentes que morreram há tempos e sinto um grande amor me envolvendo. Vou atravessar esse portal e cruzar para o lado de lá.

Adeus Terra! Adeus, você! Obrigado por ler até aqui...

Fecho os meus olhos, e espero ser levado.

Um, dois, três e nada!

Já vou ser levitado...calma! É só esperar um pouco mais...

Um, dois, três, três e meio...três e quarenta e cinco... e nada!

MAS O QUÊ?

O QUÊ ESTÁ ACONTENCENDO?


Por que não está funcionando? Por que nada acontece?

Estava no livro! Ouvi na palestra!

Então, abro os olhos e tudo está claro de novo. Voltei ao mundo branco.

Por que não fui levado? Por que não aconteceu comigo o que supostamente ocorre com todo mundo?

Virei alma penada? Vou precisar pagar o pedágio da alma e viver um tempinho nessa escuridão clara?

C´mon! Não é justo, eu sou do bem!!! Não é legal me deixar aqui cego novamente, sem ver nada além desse espaço infinito sem referência, sem cor.

Tenha piedade!!!!

Bem, pensando bem, aquela experiência no hospital não era muito a minha praia; e começo a desconfiar que ela não era uma vivência minha, e sim, a sua, leitor.

Sim, você influenciou as minhas letras, conduziu-me para a sua crença de pós-morte. Afinal, eu sou o que você lê. Uma página em branco na sua leitura de mundo, na sua crença de imortalidade e espiritualidade. Uma tela branca que você vai preenchendo com os seus símbolos, as suas verdades.

É estranho, mas eu apenas existo dentro da sua cabeça, assim como qualquer outra coisa.

terça-feira, julho 21, 2009

A Gripe


Espirro:
Atchimmmmmmm!!!!!

As pessoas que passam na rua
Olham
Me
Como se eu fosse um leproso.

Os tempos são outros
Antigamente,
Elas responderiam:
Saúde!!!

II: Reconstruído do Nada

O AUTO DA PIEDADE
Sete Atos de Consciência



Ato II: Reconstruído do Nada


Silêncio!

Branco! Mundo branco!

Isso é morrer?

Cadê você?

Eu continuo
ou a qualquer momento
deixarei de ser?

Sinto que não sou mais aquele corpo na clinica.
Sou eu novamente,
mas também sou qualquer coisa que nunca achei que seria,
e sempre fui assim.

Silêncio.

Grito: tem alguém ai?

Você não responde.

Fico com medo de passar toda a eternidade sozinho,
mas ainda insisto e grito:
EI VOCÊ! Fala comigo!
Alguém fala comigo, por favor!
Preciso de atenção, estou tão sozinho.
EI VOCÊ, POR QUE NÃO ME OUVE?
Você não me lê?
Responde!
Pisca o olho!
PISCA!
PISCA!
Dá um sinal que você está comigo, que não estou sozinho nesse mundo branco.

Preciso me controlar, mas me responda:
você já teve medo de ficar sozinho?
De ser apenas um pensamento dentro da cabeça de um escritor louco
ou
ser apenas letras lidas por olhos curiosos
que percorrem um texto qualquer na tela de um computador?

Por favor,
antes de passar para a próxima linha,
antes de chegar ao próximo parágrafo,
diga que eu existo,
diga que há algo além desse branco total.

Aprisionado nesse espaço sem qualquer referência,
não consigo nem ao menos enxergar o meu corpo,
apesar de sentir que ainda o possuo.
Queria ter um pote de tinta,
para pintar as paredes desse mundo branco com qualquer cor
que não seja a solidão.
Ou ao menos,
uma caneta para pichar o muro desse sonho maluco.
Sim, estou sonhando,
e a qualquer momento eu vou acordar
e isso será apenas um texto maluco.

Lembro uma vez,
quando percorria uma trilha no Norte da Espanha,
perdi-me na floresta da noite escura.
Achei que tinha ficado cego,
até que percebi que se prestarmos atenção e
acalmarmos os nervos que nos induzem ao pânico,
podemos enxergar mesmo na escuridão.

Talvez se eu me concentrar
e focar a minha percepção em algo
além desse medo de ficar eternamente sozinho,
eu consiga distinguir qualquer coisa além dessa brancura.

Não consigo!

Você pode me ajudar?
Sim, você que me lê,
se estivesse na minha situação,
O que faria?
Rezaria?

Oh Meu Deus!
Oh Minha Mãe Maria Santíssima!
Acorda-me desse pesadelo!

...

segunda-feira, julho 20, 2009

Mais Que Nada (Crônica de Um Amigo)


"Amizade, um pequeno passo para o homem e um salto gigantesco para a humanidade" - disse o primeiro homem primitivo que ao invés de amarretar a cabeça do outro homem por causa de um pedaço de brontosauro, sacou que poderia dividir a carne com o outro sujeito; e se os dois unissem esforços, quem sabe, poderiam caçar juntos os próximos animais, discutir futebol e falar das técnicas de puxadas de rabos-de-cavalo das moças das cavernas.

Nesse dia nascia a primeira amizade e a partir daí, o homem nunca mais caminharia sozinho, com excessão de um louco ou outro, que milênios depois, ainda insistiria em buscar Deus nos Himalayas e não no seu vizinho.

A amizade é isso, um mais que nada, pois representa o infinito. A amizade verdadeira é tão difícil de encontrar quanto pisarmos em Marte. Exige recursos de paciência, maturidade e um senso de perigo, afinal, sempre podemos encontrar um amigo que seja corintiano.

Mas quando saímos da órbita da Terra da segurança e confiamos em alguém para tecer uma amizade, ocorre um milagre, pois voltamos a confiar na humanidade; retornamos ao sentido original de fraternidade que nos uniu em comunidades, vilas, cidades e nos fez quem somos.

Tem gente que desconfia que o homem nunca pisou na lua, outros dizem que amizade de verdade nunca existiu também. Apesar de concordar que a viagem da Apólo XI foi truque de um cineasta principiante conhecido como Steven Spielberg; tenho provas que os meus amigos são reais, mesmo que boa parte deles, esqueça disso vez ou sempre; e venha com a desculpa: "rapaz, desculpe a ausência, sabe como é, estava tão ocupado."

Sim, tinhamos mais tempo para amizades no tempo dos brontosauros. Hoje em dia, mal ligamos para os nossos amigos, no lugar recebemos, quando lembrados, um e-mail corrente... ou mil powerpoints com mensagens brilhantes e bestas que lotam as nossas caixa-postais, disfarçadas de mensagens de amizade.

De qualquer forma, comemore o dia dos amigos, mesmo que seja apenas com o Totó ou com o Félix, ou lendo essa mensagem comigo.

Sim, também não resisti, e por ser hoje um dia especial para celebrar a amizade, deu vontade de te mandar um e-mail com essa mensagem...desculpa aí se fizer você pensar em ligar para um amigo.


Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com/
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