segunda-feira, abril 28, 2014

Onde foi Parar Aquele Menino?

" Há um Menino!
Há um Moleque!
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem prá me dar a mão..."
(Milton escreveu e o 14 Bis imortalizou em melodia)

Muitas são as ocasiões em que a vida do adulto que eu me tornei se transforma numa obrigação tão grande que o auto-boicote se aproxima com as belas praias do enfarte ou as 72 virgens do sumir no mundo e deixar tudo para trás. Nessas horas, procuro o guri que eu fui e ele sempre me faz ver a Poliana num mundo tão
Nesferatu.

Chamo o moleque pois sei que ele é mais forte que eu e sabe como lidar com esses eternos momentos de crises que parecem querer ficar para sempre. Ele, quando o acho, vem com esse olhar de primeira vez, enxergando a mágica que já não consigo ver e só exige um pagamento: brincar!

" Para Freud era ser senhor de si,
Para Winnicott Separar-se,
Para Lacan Simbolizar,
Para Klein,Tudo!
Para Bion, sonhar
Para Ferenczi, contar
Para Macunaíma, transar
Para mim...
Não sei o que é, mas vou brincar"
Celso Gutfreund

Dai, deixo o menino brincar; fazer piada de tudo o que é " tão sério"; correr pela casa e tirar tudo do lugar. Com isso, ele me ajuda a desconstruir esse mundo tão cheio de importâncias vazias que se espalham pela nossa agenda como se fossem vitais. Não são!

Vital é o que é necessário a vida, o que nos tira o sono é antítese disso.

Quando eu reacendo a fogueira da criança em mim no meu coração, não estou alimentando a infantilização do meu ser adulto; estou apenas lembrando a mim mesmo, que é na simplicidade, no amor e na alegria que reside o segredo de viver bem a vida.

" Bebe
 da alegria da existência,
O amor é sua resistência
Às neblinas da ilusão"

A Primeira Lição
Gê Marques - Reino do Sol

sexta-feira, abril 25, 2014

Palavras e Ouvido

Odlavir, sujeito controlado, sempre planejava cada ação. Sabia que se tudo fosse perfeitamente organizado, alcançaria seu objetivo mais rapidamente e teria menos chance de perder essas oportunidades, que dizem as línguas fracassadas, só ocorrem uma vez na vida. 

Odiava deixar as coisas para serem finalizadas pelo acaso. Não acreditava em coincidência; cria em uma visão de mundo pragmática, onde as coisas certas acontecem somente para as pessoas definitivamente preparadas. Ele apenas se esqueceu, que suas regras se aplicavam para boa parte das "coisas" da vida, mas não para aquelas outras "coisas" que incluem o coringa do amor.

Ele se apaixonou. Maria era uma menina discreta e sincera, naquela idade nem tão nova, nem tão avançada, dos 25. Era direta, ainda fruto da meninice de quem fala o que lhe dá na telha, e ao mesmo tempo madura, sabia onde queria ir e como chegar lá. Aquela mistura de menina e mulher confundiu completamente a cabeça de Odlavir, que precisava distinguir menina de mulher e mulher de menina; talvez tenha sido essa confusão, que tocou, com o perdão da rima, o seu coração.

Não havia planos numéricos para o coração. Nenhum algarismo conseguia dar a soma da sedução correta ou a fórmula ao quadrado dos lábios de Maria; nada que ele planejava, conseguia surtir efeito. Uma amizade sincera havia surgido; aqui ou acolá um toque carinhoso e um sorriso, que ele achou que era, até um pouco convidativo; mas não havia como se enganar, embora ele não conseguisse evitar o desejo por aquela bela moça-mulher; ela apenas nutria um carinho platônico, um desejo de estar junto que não envolvia corpos embaixo de cobertores; apenas palavras e ouvido. 

Odlavir queria mais que isso e prático como ele era, na impossibilidade desse amor se concretizar, arquitetou um plano para esquecê-la; que exigia certa distância e silêncio.

Os dias em que ele não a escutava duravam meses; As horas que tinha que esperar até que pudesse vê-la duravam anos. O que mais lhe cortava o peito, era que por mais distante que ele estava ou por mais tempo que passasse sem a vê-la; Maria permanecia a mesma. Quando o via, era como se tivesse acabado de vê-lo; quando o escutava, era como se a voz do moço estivesse á tempos sendo ouvida. O que parece óbvio para o leitor, não era para o pobre homem apaixonado, enquanto Odlavir se retorcia em saudade, Maria aparentava sequer conhecer o significado da palavra, ela era totalmente estrangeira aos desejos e anseios dele. Por meio disso, foi que ele descobriu que o seu plano para distanciar-se era na verdade uma artimanha do seu coração (um terapeuta diria subconsciente) para que ela sentisse a sua falta ou ao menos demonstrasse que a sua presença lhe fazia falta.

Infelizmente, a estória de Odlavir não tem sinal feliz. Ele aprendeu da pior maneira, que nem sempre é possível calcular tudo na vida. Os números eram mágicos quando se tratavam de coisas concretas; em relação ao coração, o que conta é o abstrato e lógica alguma consegue explicar o mecanismo que leva certas pessoas a se atraírem e outras não. 

quinta-feira, abril 24, 2014

Travessuras da Alma

Livre, livre pra voar novamente. Estou Livre!

Solto, flutuo pelo quarto, por todo lugar, noto minhas mãos, meu corpo; sim, eu estou livre de novo. Sou bebe nascendo para lucidez, criança brincando de ter consciência. Estou vivo, mesmo não estando no corpo.

Oba, a vida continua depois da morte! Uau, eles estão certos, há mesmo algo lá fora, há vida, vida, vida por todo lugar.

Então deixa eu voar...

Deixa eu brincar de fantasma, deixa eu atravessar paredes, deixa eu olhar minhas mãos; deixa eu voar.

Olha como o céu de sampa esta lindo, olha como para cada ponto de escuridão, há uma luz brilhando e mostrando o caminho das asas; da vida que se estende alem do corpo nas travessuras noturnas da alma, nas asas do espírito; que livre voa pela noite por um instante que demora uma eternidade.

Deixa eu voar, mas deixa eu lembrar...

Deixa eu lembrar para contar a todos que nem que seja por um instante, todos voam como pássaros; todos se saciam do doce sabor do céu, todos lembram que fazem parte do todo.

Oh, eu não quero acordar agora. Vou achar que tudo foi fantasia, coisa de quem lê listas; eu não quero acordar...

To voltando, to esquecendo...
Estou de volta ao corpo, mas ainda sinto o gosto das estrelas, o sabor do céu. Estive por lá, consegui voar e lembrar.

Todos podem voar, voar, voar.

Mas se tudo tiver sido um sonho?

Que sonho lindo! 

quarta-feira, abril 23, 2014

Uma Disciplina sem Disciplina !


Há dois tipos de disciplina: disciplina que se aprende e disciplina que se força. Dentro das duas, cabe todas as interpretações que associamos a essa palavra tão fundamental e tão confusa ao mesmo tempo. 

A maioria dos meus alunos não estuda por conta própria. Não adianta eu chorar, fazer birra e querer desistir da minha carreira; já tentei de tudo: das técnicas neurolinguisticas à rezas espiritualistas; nada parece funcionar. Cheguei a conclusão que era algo cultural até conversar com um amigo educador britânico que diz que ele possui o mesmo problema lá na Inglaterra: alunos adultos se recusam a fazer as suas lições de casa. 

De acordo com ele, professor universitário com anos de experiência, a maioria dos adultos se recusam a fazer suas atividades extra-curriculares ou inventam as mais tolas desculpas, porque o professor assume o papel dos pais e se rebelar contra as " ordens" do instrutor, reforça a identidade do adulto e lhe dá o prazer de ter poder ( reencenação da adolescência) . Freud talvez seja indispensável mesmo para a educação. 

Leciono uma segunda língua e devido a complexidade natural desse tipo de disciplina*, sei que os alunos não aprendem na escola a falar o segundo idioma,  pois eles aprendem sim, por conta própria, seguindo as instruções ( se forem realmente necessárias - e são!)  do seu professor. Sei também que devido as milhares de propagandas de cursos relâmpagos prometendo inglês fluente, meu aluno realmente acha que eu ensinarei alguma técnica mágica que o fará acordar falando um segundo idioma, sem esforço algum. É claro que nunca conseguirá, e quando não consegue o que quer, rompe a relação e "fica de mau".  Paixão e desilusão, psicologia e pedagogia são geralmente siamesas. 

Conversando com outro educador, um amigo instrutor de Kung Fu; ele me disse que precisamos ensinar o nosso aluno a ter disciplina** de qualquer jeito; ele explica que assim como uma criança, os adultos também precisam que os limites sejam impostos ( no caso do adulto, o limite da preguiça e do desleixo), pois a sua tendência é se rebelar contra qualquer coisa que os remeta a impotência da infância. Quem diria que o Kung Fu pudesse lembrar tanto Melaine Klain. 

Ficam os dilemas: ter disciplina para obter a disciplina é o único caminho?  Impor disciplina à disciplina ou deixar o aluno encontrar seu rumo eventualmente? 

Um pouquinho de etimologia ajuda - a palavra disciplina vem do Latim discipulus, "aquele que aprende", do verbo discere, "aprender". De discipulus veio disciplina, "instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada". Com o tempo, se agregou gradualmente um novo significado, o de "manutenção da ordem", que é necessária para fornecer instrução, pois disciplina tem a ver com aprender algo para obter alguma coisa. 

Contudo, se há tanta divergências entre os pensadores e educadores, talvez seja porque exista diferentes tipos de alunos e obviamente, o bom educador sabe que há diferentes tipos de aprendizado. 

O sonho de qualquer professor é que seu aluno possa alcançar o seu objetivo de aprendizado e qualquer educador sabe que reside no aluno, o segredo do tempo que ele vai levar para obter isso ( boa vontade, gostar do que estuda e combate a procrastinação é só os primeiros requisitos). Contudo, impor ao aluno, um regime de ordem para que ele tenha disciplina é algo bem complexo e só funcionará com aquele tipo de aluno que aprende assim. Mesmo que o educador consiga convencer o aluno (que deixa tudo para depois) a ter esse regime, essa " disciplina" se ocorrer, vai durar por pouco tempo ( cedo ou tarde, o aluno vai " transferir" suas frustrações e traumas para o curso). A " disciplina" nesses moldes - mais Kung Fu - só funcionará para esses alunos se houver um consenso mútuo e o educador despertar nesse aluno, uma vontade genuína de buscar nessa " disciplina/ordem" uma chave a mais para a sua disciplina real ( o conhecimento). 

Se isso não ocorrer, cabe ao educador, colocar em prática a primeira lição que todo professor deveria saber de cor: não somos a fonte da disciplina que ensinamos, somos uma ponte " criativa" apenas.

terça-feira, abril 22, 2014

Varinha...
















Perdi a minha varinha de condão, como vou fazer minha mágica?

A magia estava na varinha ou nas minhas mãos?

Muleta, precisamos todos de muletas, pois não acreditamos que podemos andar.

Precisamos de asas religiosas, pois perdemos a fé em nós mesmos para voar.

Daí, a necessidade de portais, de datas exatas, de mantras e orações, peregrinações, ou as mais estranhas oferendas; precisamos delas, pois nos esquecemos de que dentro de cada um há "aquele que sabe".

Continuamos buscando e buscando... Porque não queremos acreditar que tudo o que precisamos sempre esteve dentro de nós.

Falta disciplina para meditar, para prestar atenção; falta querer se limpar; falta vontade de ser digno e ter uma consciência clara e lúcida.

É mais fácil viver domesticado pelo ponto de vista dos outros. É mais fácil ser guiado...

Em que momento ficamos tão tolos assim?

Por que nos esquecemos do potencial ilimitado que herdamos das estrelas?

Em que momento perdemos a força para cuidar da nossa própria luz?

Em que momento transmitimos para o outro, a responsabilidade de crescer?

Perdi a minha varinha...

domingo, abril 20, 2014

Jesus Coelho

Postado por Camilla
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- Papai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa!

- Igual Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Marta, vem cá!

- Sim ?

- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?

- Mais ou menos ....... .Mamãe, Jesus era um coelho?

- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu ! Nem parece que esse menino foi batizado ! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã ! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Ave Maria!

- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Minas Gerais?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?

- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas quando você for no catecismo a professora explica tudinho!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa ?

- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.

- Coelho bota ovo?

- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então urubu.

- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois.

- Não, três dias.

- Então morreu na quarta-feira.

- Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!

- Como?

- Pergunte à sua professora de catecismo!

- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.

- Alô, quem fala?

- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?

- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau. Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!!!

quinta-feira, abril 17, 2014

Escreveu, não leu...perdeu os dentes


- Você viu os denti do Zé?

- Na verdadi, eu não vi, né muié? Caiu tudo, não?

- Da noiti pro dia. ValamiDeus! Acho que foi macumba!

- Chuta isso daqui, muié. De macumba numa quero nem prosa; se você quisé mesmo conversá sobre os denti do Zé, vamos prosear mais com ciência e menos cum crença, diz aí, já ouviu falá em carma?

- Carma assim de ficá mais tranquilo.

- Oxi... Não! Essi é outro "carma". to falando di palavra estrangeira, dessas qui só dotô usa. Eu tava issis dias tentando pescá umas coisa nova no rádio e piguei essa emissora di Sumpaulo que falava de coisa isotérica, pelo nome já percebi que era programa cientifico; dai havia esse povo todo ligando pra essi profissor que falô que tudo qui ocorri com nóis é Carma.

- O qui é isso?

- É o qui nos chama aqui de " escreveu num leu, o pau comeu" ou "quem faz aqui, paga aqui", " quem cedo madruga, Deus ajuda"; essas coisa.

- Ahhh, agora entendi.

- Então, qual é o apilido do Zé?

- Bafo dionça!

- Ou seja, se o Zé iscovasse os denti...

- Os denti num tinha caído...

- Entendeu? Carma!

- Mas nós já sabemo disso. Só num tinha nomi.

- Eu sei, muié, mas na boca dos dotô é ciência!

quarta-feira, abril 16, 2014

A Projeção da Conjução


Noite passada quando fui fechar a janela do quarto, tomei um susto. No lugar das nuvens poluídas e do céu cinza de São Paulo, vi um mar de estrelas e notei que enxergava também todos os planetas do nosso sistema solar. 

Diante da visão dos anéis de Saturno e do tamanho de Júpiter, não tive dúvidas que estava sonhando, daí desconfiado que se desse uma de esperto, eu poderia acordar daquele lindo devaneio onírico, fingi que era normal ver Marte e Urano antes de dormir e fechei a janela. 

O Senhor dos Sonhos deve ter engolido a minha trapaça, pois continuei no mesmo sonho e podia jurar que se continuasse quetinho, dali a pouquinho, poderia abrir a janela novamente e enxergar, quem sabe, até o depressivo e rebaixado Plutão. Porém, quando abri a janela de novo, tudo o que vi foi o sol nascendo e acabei me contentando em saber que seja acordado ou dormindo, o sol sempre me lembrará que da mágica que é viver consciente que somos parte de algo maior que se manifesta tanto em galáxias e planetas quanto nas estrelas que brilham dentro de cada olhar que observa daqui da Terra.

terça-feira, abril 15, 2014

Deus Dançarino


Nietszche

"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão...

Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arrancam lágrimas e canções.

Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar.

E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.
Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas.

Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!

Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr.

Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.

Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo, agora um Deus dança em mim!"

segunda-feira, abril 14, 2014

Do Quê Somos Feitos


De que material o seu corpo é feito? 

Barro, vontade, realização ou desejo?

Quem é humilde, sabe do que é feito e conhece a verdade que nunca pode ser revelada; sabe que o corpo que habitamos é uma garça branca, transporte do avatar que somos para e do mundo da matéria de volta para as estrelas, lugar origem de todos humanos que se apegam ao barro, mesmo sendo feito de cometa. 

quinta-feira, abril 10, 2014

ENSINO NÃO


Não existe ensino,
só existe aprendizado.
Quem quer aprender, corre atrás!
Quem não quer aprender,
se ilude com livros,
professores
e escolas
que segundo eles,
possuem a chave
para o que eles deveriam descobrir por conta própria!!!

Aprende melhor quem está em busca; quem não está não tem incentivo suficiente para clarear a sua massa escura!!!

quarta-feira, abril 09, 2014

Teríamos uma incrível força


"Se nós pudéssemos não ser conquistados com um elogio ou derrotados pela crítica, teríamos uma incrível força. Seríamos extraordinariamente livres, não haveria mais esperanças e medos desnecessários, suor e sangue e reações emocionais. Nós finalmente estaríamos prontos para praticar o "eu não dou a mínima". Livres de perseguir e evitar a aceitação e a rejeição das outras pessoas, finalmente seríamos capazes de apreciar o que temos no momento presente." - Dzongsar Khyentse Rinpoche


Tradução livre do texto original:

"If we could not be bought by praise or defeated by criticism, we would have incredible strength. We would be extraordinarily free, there would be no more unnecessary hopes and fears, sweat and blood and emotional reactions. We would finally be able to practice “I don’t give a damn.” Free from chasing after, and avoiding other people’s acceptance and rejection, we would be able to appreciate what we have in the present moment." - Dzongsar Khyentse Rinpoche

terça-feira, abril 08, 2014

Quando Chega...


Quando chega, chega assim uma alegria, como se todas as crianças do mundo cantassem ao mesmo tempo essas canções divertidas que fazem cócegas em nossa alma. 

Quando chega, essa energia revela tudo aquilo que é velado e todas as perguntas ganham respostas, pois compreendemos que tudo está conectado. Tudo ganha sentido pois a energia mostra que sabíamos de tudo o tempo todo, mas essa certeza única não se manifesta no plano da dualidade em que vivemos, pois aqui tudo é dois: fé e dúvida.

Quando chega, vejo claramente os Orixás, esses deuses dançarinos; vejo as asas da Grande Ave que culturas cristãs chamam de Espírito Santo; vejo os flocos das partículas divinas que o nosso povo chama de prana, Chi, Ki ou Maná.

Quando chega, ouço todos os 72 nomes e outros 72 que eu não conhecia e os nomes se multiplicam de acordo com o número de pessoas, pois cada um chama essa energia de um jeito, eu a chamo de papaizinho.

Papaizinho, pois diante dessa força, só me resta ficar quietinho para escutar e bem moleque para sentir. E o que eu escuto é a canção das estrelas que ecoa em meu corpo e vira teoria na mente e o que eu sinto...ahhh...o que eu sinto só faz sentido para mim, por isso, deixo você assim sem te explicar tim tim por tim tim o que é perceber o Deus que habita em você se revelar em mim.

quinta-feira, abril 03, 2014

Instruções que apontam


Às vezes colocamos nossos óculos no bolso ou na cabeça e mais tarde perguntamos: “onde estão meus óculos?”. Isso é muito comum. Procuramos em todos os outros lugares sem encontrar os óculos.

É por isso que precisamos do guru, que pode nos dizer: “Aí estão seus óculos”. Isso é tudo que os mestres de Mahamudra e Dzogchen fazem: simplesmente apontam. O que eles estão apontando é algo que você já tem. Não é algo que eles dão a você. Eles não te dão óculos novos. Eles não podem te dar óculos novos, mas podem apontar onde você encontrará seus próprios óculos.

Quando recebemos as instruções que apontam de nosso lama-raiz, estamos sendo introduzidos de maneira direta e nua à realidade da natureza da mente. Essas instruções se tornam muito efetivas se tivermos nos preparado para recebê-las.

[...] Apontar é como indicar no céu, quando há muitas nuvens, e dizer a alguém: “ali está o céu azul”. A pessoa vai olhar e responder: “onde?”. Você responderia: “Ali, atrás das nuvens”. A pessoa para quem você está apontando o céu azul não vai ver de primeira. Contudo, se só uma pequena porção do céu aparecer, então você pode dizer: “Veja. O céu azul é daquele jeito”.

A pessoa então tem uma experiência direta. Ele ou ela sabe por experiência que há céu azul, que estará totalmente visível quando as nuvens se forem.

Dzogchen Ponlop Rinpoche (Índia, 1965 ~)
“Mind Beyond Death”
(Dharma Quote of The Week – Snow Lion, 29/04/2010)

quarta-feira, abril 02, 2014

Vida Depois?


Não há vida depois da morte,
há outra coisa que ninguém sabe.

Os que insistem em explicar
o que não pode ser explicado
só se limitam em bobagens;
os que observam
são como as folhas
deixando o vento do inevitável
as carregarem.

terça-feira, abril 01, 2014

A Gaiola das Palavras


"Ahh... a palavra ou liberta ou vulgariza o despertar. Há pessoas que encantam as outras com palavras e há outras que aprisionam."

Canção Indígena


A Gaiola das Palavras

Sossega as asas passarinho, fecha o bico gavião; para entrar nesse reino é preciso olhos de coruja e pernas finas de flamingo, pois é preciso pisar devagarinho e calar a opinião ao treinar o observar dos tantos caminhos que nos levam as outras dimensões.

Há outras sensações, por isso deixe aflorar os seus sentidos e você vai perceber, passarinho, que começam a surgir outros caminhos para ampliar a sua percepção.

Dai a importância, Gavião, em domar o seu bico para não tentar aprisionar com ganância, essas novas velhas sensações na gaiola das suas palavras cheias de lógica e razões. Sim, novas velhas sensações, pois junto com os outros sentidos, você sentirá também, uma certa familiaridade típica de quem volta ao ninho depois de muito bater asas por outros mundos e junto a tudo isso, há um reencontro com aves antigas e muito amigas que sempre torceram pelo seu retorno.

Nessa festa de retorno, a alegria será tanta que você sentirá uma ânsia de ficar por lá, porém, se você lembrar do tamanho das suas pernas, Flamingo, entenderá que é preciso bater asas e voltar pelo caminho que o trouxe até ali; e se der uma vontade de carregar algo de lá para cá, Coruja, lembra que a licença para
testemunhar só incluía o seu observar.

Contudo, cara Coruja-Flamingo, se você tiver contido a ansiedade do seu passarinho e o tagarelar do seu gavião, vai perceber que ao retornar, voará do seu coração, um beija-flor querendo compartilhar todas as belas sensações do despertar, sensações eternizadas no carinho das outras dimensões que as palavras não conseguem aprisionar.
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