domingo, outubro 31, 2010

Trick or Treat?

Sou professor de inglês, daí, nada mais comum do que escrever sobre o Dia das Bruxas, o tal do Halloween; se eu fosse professor de espanhol faria provavelmente uma crônica sobre a Festa de São Firmino e da importância do "Touro" para a cultura espanhola; o que não me salvaria de ouvir críticas sobre o festival, o que não impede também, ao dar uma aula em que o tema é o Halloween, ouvir coisas do tipo: e o "Dia do Saci", onde fica? Aula errada! Classe de folclore brasileiro, na segunda.

O que muita gente até "bem informada" ignora é que a maioria das nossas festas tradicionais são cópias de outras festas que já existiam antes mesmo que Cabral tivesse nascido. Ignorância natural, afinal, temos um senso patriótico um tanto esquisito, aturamos os corruptos do congresso em Brasília ( e até votamos novamente neles), mas precisamos dizer ao mundo todo, do orgulho que temos das nossas coisas, e que os sabiás que cantam por lá, não cantam tão bem quanto os de cá. Sim, há cantos, por aqui, que são muito mais bonitos, porém, a diferença é que eles estudam e conhecem as suas tradições, nós não! A nossa Festa Junina, por exemplo, teve sua origem nos rituais Celtas, na Europa; o mesmo povo que deixou, de certa forma, o Halloween como herança. Sendo assim, quem aprende sobre o Halloween numa aula de inglês, aprende não só o idioma, mas também um pouco sobre outras culturas, o que ajuda a espantar a ignorância e abre um pouco mais a mente para que tenhamos um entendimento maior que não existe cultura isolada, ainda mais num mundo tão globalizado. Para não dizer que não sou patriota, vou concordar com a minha estudante que disse: " nóis não copiamos, nós fazemos melhor".

Fazer melhor é o tipo de coisa que esperamos nesse Dia das Bruxas, onde dois candidatos que nos provocam arrepios na espinha da alma estão disputando a Eleição para Presidente. Talvez, quando você tenha lido essa crônica já saiba quem vai gerenciar a nossa nação nos próximos quatro anos. Alguns vão celebrar, outros vão chorar; porém, uma boa parte de eleitores vão esperar o "Halloween Eleitoral" passar para ver como as coisas vão ficar, quando as máscaras cairem, e os candidatos se despirem de suas fantasias para mostrar, de verdade, quem são e o que vão fazer: trick or treat? É pagar para ver!!!

sexta-feira, outubro 29, 2010

Pensamentos concretos sobre o aborto

Por Contardo Calligaris

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Em matéria de aborto, não sou nem a favor nem contra. Muito pelo contrário. Mas muito mesmo
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1) Às vezes, para descobrir o que pensamos, é útil pôr de lado nossos princípios. Pois, em matéria de costumes, os preceitos gerais servem sobretudo para evitar dilemas concretos nos quais nosso pensamento iria revelar-se muito mais complexo do que os princípios que bradamos.

2) Numa situação em que o aborto seja necessário para salvar a mãe, mesmo nos meses finais da gravidez, quase todos dirão que a vida da mãe deve ser preservada (aqui, a lei brasileira, como é normal que aconteça, sanciona o sentimento da maioria).

Agora, imagine que, cinco minutos depois do corte do cordão umbilical, apareça uma condição médica na qual a mãe morrerá sem falta se não receber o transplante de um órgão que só o recém-nascido pode lhe oferecer -sendo que o bebê perderá a vida ao ser privado desse órgão. Para qualquer um de nós, esse transplante mortífero seria uma abominação.

Imagine ainda que, no meio de um parto difícil, a mulher esteja inconsciente e o médico pergunte ao pai: "Devo salvar a mãe ou a criança?". O pai que decidisse salvar a criança (e sacrificar a mãe) seria, aos nossos olhos, acredito, um simples uxoricida.

Parece, em suma, que o direito do feto à vida está subordinado ao da mãe e é inferior ao da criança que já nasceu.

Mas consideremos o caso de alguém que matou uma mulher grávida e, abrindo seu corpo, esfaqueou o feto. No meu foro íntimo, ele é culpado de dois assassinatos.

Da mesma forma, o canalha que, voltando bêbado para casa, produziu o aborto de sua mulher a pontapés e agulha de tricotar enfiada à força no útero, no meu foro íntimo, é um assassino de fato e de direito, não "só" um espancador de mulher.
De repente, a vida do feto parece adquirir uma dignidade comparável à dos adultos.

3) Aceitamos que o aborto seja praticado para preservar a vida da mãe. Mas é curioso que "vida", nesse caso, signifique apenas simples sobrevivência. Viver é muito mais do que prolongar a existência, e o bem-estar não é só o bom funcionamento dos órgãos. Quer comprovar? Tente "consolar" um enlutado com a falsa sabedoria de que "saúde é o que interessa, o resto não tem pressa". Corrijo-me: não tente.

Se a vida não é só sobrevivência abstrata, o que pode significar aceitar o aborto para preservar a vida concreta da mãe?

4) A oposição não é entre os que privilegiam a vida do feto e os que privilegiam a escolha livre da mulher, mas entre abstrato e concreto.

Vamos privilegiar a vida do feto? Ótimo, mas que seja a vida concreta. Para exigir de uma jovem que ela leve a termo uma gravidez involuntária, é preciso oferecer-lhe a garantia de que ela poderá abandonar a criança com dignidade e de que a criança abandonada não ficará para sempre num orfanato. Ou seja, é preciso proteger a vida concreta do nascituro.

Vamos privilegiar a escolha? Nos anos 1970, na Suíça, havia imigrantes italianos que eram autorizados a trabalhar por períodos de 11 meses. Ao fim de cada período, eles tinham que voltar para seu país e lá ficar durante um mês. Era um artifício para que eles não se tornassem residentes e não pudessem levar consigo mulheres e filhos.

Um pouco para compensar a longa frustração, um pouco para que as mulheres, lá na Itália, tivessem de que se ocupar durante a longa ausência do marido, a regra era engravidar a esposa a cada volta para casa. Uma dessas esposas, num vilarejo da Campanha, tinha 30 anos e 11 filhos. Ela tentou abortar o 12º do jeito que dava. Perdeu a vida. Nessa história, onde está a escolha livre?

5) Uma menina de 13 anos transa pela primeira vez com um menino de 17. Ela ouviu dizer que é prudente usar camisinha. Ele explica que a camisinha foi proibida pelo papa. Passei um mês cruzando os dedos e funcionou: a menina não engravidou. É possível criminalizar o aborto e, ao mesmo tempo, desaprovar a contracepção?

6) No corredor de um pronto-socorro lotado, um médico (?) diz a uma enfermeira: "Não se preocupe. Ela abortou, deixe sangrar". Há os que querem criminalizar o aborto para punir a mulher: "Transou? Agora encare as consequências".

Alguém, a esta altura, perguntará: "Afinal, você é contra ou a favor da descriminalização do aborto?". Não sou nem a favor nem contra. Muito pelo contrário. Mas muito mesmo.

“QUEM SOMO NÓIS???

Por Elisabeth Oliveira, em homenagem ao UMAPAZ

Óia seu moço e sua moça
Taí uma pergunta difícil!
Tomano por base a minha vivença,
Vô relatá aqui a minha experiença.
As veis drumo um sono sossegado...
O sono é tão gostoso, que parece até que
Viajei num carrosel dourado.
Notro dia, nem drumo!
Me remexo, saculejo, parece até que
Dei foi um abraço num danado de precevejo.
Me óio no espeio, me sinto linda, linda!
Sorriso brejero, covinha no rosto,
Bochecha rosada,
Como princesa abençoada.
Notro dia, tudo vira dos avesso
Pulo da cama arretada e o espeio me dá um bruta susto
E no lugá da princesa
Oque vejo é uma bruxa espevitada.
E assim toco a vida
Sendo uma mil, mil em uma.
E pra resolvê essa peleja,
Resolvo dançá!
Proque dizem que quem dança os male espanta.
Entro pra UMAPAZ,
Pra fazê Danças Sagrada
Querendo mandá embora de veis,
Esse monte de nhaca atravessada...
No círculo danço, no círculo rio
No círculo choro.
Movimentos graciosos
Hora pra esquerda, hora pra direita.
Livre como vento,
Brilho como vagalume ao relento!
E nesse movimento,
Danço, canto,
Viajano pelos oceano, me encanto.
Ouço os canto dos pássaro,
Molho os pé em águas cristalina
O coração bate no ritmo de tambô
E como num sonho fantástico,
Vou de Sampa pra Gana, do
Tibet pra Xingu
Num instante mágico
Da Escócia pro Peru.
E quando volto pra casa,
Me óio de novo no espeio
E continua tudo igual:
Hora bruxa, hora fada
Hora moça linda,
Notra, feia desdentada
E o que muda afinal?
Continuo sendo uma em mil,
Mil em uma!!!
Depois dessa vivença, toda essa experiença,
Sorrio alegre pro espeio!
Num importa quando óio, quem é que vejo.
O importante é sabê,
Que tudo é sagrado
Do carrossel ao precevejo
E assim, vô dançando na vida:
Leveza nas mão,
Sorriso nos lábio
Firmeza nos pé
E muita gratidão e amô no coração.”


Para saber mais sobre o UMAPAZ, acesse:
http://www.blogumapaz.blogspot.com/

quinta-feira, outubro 28, 2010

Um Dia Na Vida de Um Teacher

Ela pagou-me para ensiná-la, mas ela não tinha paciência em aprender. Nunca tinha tempo para as aulas, desmarcava, mudava, tudo era importante, menos o seu tempo de prática da língua que queria aprender. Quando finalmente, conseguimos ter uma aula, ela disse que não estava aprendendo nada comigo. Desistiu de mim, mas já havia desistido, faz um tempo, de aprender.

Ela queria ter aulas comigo, mas falava um inglês tão perfeito que eu não tinha exatamente certeza como poderia ajudá-la. Eu disse isso a ela, ela sorriu e agradeceu a minha honestidade, mas respondeu: " Eu só preciso de prática, e todo mundo fala de você, tenho certeza que aprenderei bastante." Ela aprendeu, mais aprendi eu!!!

Ela falava tudo comigo, mas com os outros travava. Reclamava, dizia que nunca aprenderia a falar, pois já tinha até raiva da língua, pois nunca falava, somente comigo, que confiança lhe dava. O que fazer? Na próxima aula, sou professor palhacinho, vou de máscara! Criatividade para ajudá-la não me falta.

Ela não aprendia nada. Assim eu pensava, assim eu pensava! Tentei de tudo, mas ela mal saia da primeira página. Tentei outros truques, mas ela nada! Pensei em desistir, quis que ela cancelasse o curso, arrumasse outro professor que a pudesse ajudar, eu não conseguia, eu não tinha o que ela precisava; até que tentei outra coisa: não desistir! E ao não desistir dela, continuo tentando, e ela já está na terceira página.

Especialista em ensinar meus estudantes individualmente, duvidei que conseguiria fazer o mesmo trabalho com um grupo de alunas. Eram muitas, diversos níveis, diferentes expectativas. Disseram para eu desistir, persisti e consegui provar que é possível ensinar o coletivo sem perder o olhar no indivíduo.

Atravessei a cidade para ensiná-lo, peguei três conduções, quase uma inundação, mas consegui chegar a tempo, só para descobrir que ele deixara um aviso na recepção que não poderia fazer a aula.

Ele consegue falar. Feito pai, meu sorriso de orgulho vai de ponta a outra. Ela conseguiu responder. Eles conseguiram entender. Oba! Estou no caminho certo, cada aluno passivo esta se tornando estudante ativo do novo idioma. Estou conseguindo e assim, segue a minha rotina do meu dia.

A cada aula, um desafio. Cada estudante, um universo em potencial. Há momentos em que penso se realmente nasci para isso, mas toda noite quando durmo, reafirmo: Ensinar é o meu caminho e o meu destino.

Não posso e não quero fazer outra coisa além disso.

quarta-feira, outubro 27, 2010

:)

Felicidade! Ah...eu não teimo em escrever sobre felicidade, pois, assim como o amor, não dá para escrever sobre felicidade, descrever, explicar ou tentar colocar em termos, palavras, fala ou qualquer outra forma de comunicação esse sentimento tão arrebatador; porém, vocês sabem, sou escritor teimoso e preciso transformar essa teimosia em caldo de poesia, por isso, te ofereço uma colher. Quer?

Felicidade não é gargalhada, vulcões explodindo, fogos de artifício; felicidade é um meio sorriso, quase escondido sobre algo muito bom que ocorreu em seu íntimo que te dá uma certeza absoluta que tudo faz sentido.

Felicidade é um estado de espírito tão verdadeiro e intenso que mesmo se você acordasse sem roupa dentro daquele sonho esquisito, ainda assim você acharia graça de tudo isso.

Felicidade é um vento que molda a alma, feito água batendo em rocha que em príncipio, parece que não muda nada, daí, vai pacientemente abrindo caminho, transformando, artificando o que parecia ser definitivo.

Sim, vou concordar com quem disse que felicidade não traz riqueza, pois ela, em si, já é toda a riqueza que a gente precisa.

Se ser feliz para você é manter em mãos um punhado de notas, ter posses, pode ser que a felicidade que você busque seja aquela que vem em números, que depende da sorte; porém, se para você, riqueza for oportunidade de crescimento, crescimento real que rompe os apelos da vaidade e se torna aprendizado de verdade: parabéns, você já descobriu que a felicidade nada mais é que o nome que damos para aquela transformação que ocorre dentro da nossa alma que por ser tão gigante transborda em sorriso pelo corpo todo e temos a impressão que nada nesse mundo é mais importante e valioso que a alegria de acordarmos e percebermos que ser feliz é apenas sermos nós mesmos de novo.

terça-feira, outubro 26, 2010

Vamos Mudar de Assunto?

"Bati num carro parado, ao sair do estacionamento; não o vi ao lado, quase encostado ao meu; culpa dele, não minha; juro que até pensei em procurar o guardinha e deixar com ele o meu cartão para que o outro motorista me localizasse e eu pagasse; mas não tinha ninguém me olhando para dizer quem era o culpado. Quer saber, ele mereceu e nessa altura, se ainda não esqueceu, eu já nem lembro que isso ocorreu."

João da Silva Qualquer
((()))

"Esses dias, meu filho atropelou uma pessoa e fugiu sem prestar socorros; coitado do meu menino, ficou todo assustado, esta traumatizado, faz terapia todo dia e nem quer mais pegar no carro. Culpa desse povo que nem olha quando atravessa a pista, tem uns jornalistas por ai, dizendo que meu filho avançou com o sinal vermelho e estava em alta velocidade, até mesmo embriagado; intriga! Não há testemunhas, e o policial, amigo meu, que esta cuidando do caso, disse que nada, nem ninguém vai prejudicar o tadinho do meu menino. O atropelado? Bem... sei lá...fatalidade, né? Vamos mudar de assunto..."

José Ninguém da Vida
((()))

"Sou totalmente contra quem compra filme pirata. E o artista? Como fica? É por isso que a indústria artística desse país não vai pra frente. Esse povo deveria pagar para ir ao cinema e não comprar mercadoria de camelô, alimentando esse mercado do crime. Eu, por outro lado, nunca assisti um filme pirata; só baixo de vez em quando, a minha série americana favorita, pois não tenho paciência de esperar até assisti-la dublada na TV paga."

Jack of All Trades
((()))

"Foi só uma tapinha, ela nem sentiu; só deu queixa pois estava nervosa, fora de controle, coitadinha, mulher é tudo assim mesmo, fazem as coisas na loucura do momento e não se dão conta que em briga de marido e mulher, nem mesmo a polícia poê a colher. Não ficou marcas, não! Exagero dela! É claro que não bato nela. Foi so um tapinha, afinal, quem nunca encostou a mão numa mulher?"

Mané Metralha Perdido


Lei de Gerson, jeitinho, cultura popular...onde vamos parar para justificar as coisas que fazemos todos os dias para ganhar vantagem, para nos livrar das bobagens, babacagens que fazemos?

Educação é a chave para uma consciência que aceite ouvir não!


Nota do autor I:
Abaixo o famoso comercial que originou o termo " Lei do Gerson":



Nota do autor II:

Artigo da Super Interessante, mostrando um outro lado da Lei de Gerson. Leiam e reflitam com um outro ponto de vista:


Viva a lei de Gérson!


O meio-campista Gérson ficou célebre não apenas por ter sido uma das maiores estrelas do tricampeonato brasileiro em 1970, mas por ter formulado, na propaganda do cigarro Vila Rica veiculada anos depois, aquela que viria a ser conhecida como lei de Gérson: "O importante é levar vantagem em tudo, certo?" - frase dita num carregado sotaque carioca, forçando os erres até o palato ficar encharcado. Gérson tentou por muito tempo se desvencilhar da fama de patrocinador dos espertalhões, patrono dos corruptos e propagandista dos canalhas, mas não teve jeito. A lei de Gérson pegou. Sociólogos, antropólogos e a nata da intelectualidade brasileira já gastaram horas e mais horas, tinta e mais tinta, neurônios e mais neurônios para condenar nossa brasileira condição gersoniana. Somos mesmo uma nação de egoístas, corruptos e sacanas, que só pensam em si e só querem saber de levar vantagem. Certo?

Errado. No fundo, Gérson deveria ter é orgulho. Só a lei de Gérson nos salva nesta era politicamente correta, em que anão virou "verticalmente prejudicado", pobre virou "excluído social", débil mental virou "diferentemente capacitado" e em que nem propaganda de cigarro é mais possível fazer sem pedir desculpas em letras garrafais. O enunciado da lei de Gérson põe a nu a essência do nosso caráter sem pudor: somos um povo que gosta de levar vantagem. E daí? Alguém aí teria orgulho de fazer parte de uma nação de trouxas e otários?

Ninguém aqui vai defender um comportamento antiético ou ilegal com base no enunciado da lei de Gérson. Se ela existe, é em primeiro lugar reflexo da nossa realidade. Veja o caso das nossas empresas. Na hora de dar entrevista e aparecer na mídia, todas querem loas a sua responsabilidade social corporativa e boa cidadania. Na hora de declarar imposto, de desempatar alguma pendenga judicial ou de conseguir autorização para obras, estão todas atrás do primeiro Rocha Mattos de plantão para livrar-lhes a cara, já que, em meio à nossa barafunda legal, a propina é questão de sobrevivência e só ela faz a economia andar.

Parece que o povo brasileiro vive uma tensão entre duas forças. Por fora, a força da imagem. Em público, todos têm de ser como que sacerdotes, com comportamento impecável, retidão moral absoluta, espinha dorsal inflexível. Os políticos corruptos são condenados com virulência, qualquer deslize de executivos tem de ser punido de forma exemplar, damos a nossos filhos a impressão de que a ira divina se abaterá sobre suas menores falhas. Esse sentimento faz a fortuna e a desgraça de prefeitos, governadores e presidentes. Por dentro, porém, irrompe a força de Gérson. Ninguém agüenta essa pressão hipócrita. Todos querem o melhor para si - e que mal há de haver nisso? De posse da menor fímbria de poder, de uma tênue nesga de oportunidade, não raro transgredimos as mesmíssimas regras cuja transgressão acabamos de condenar nos outros. Julgamos, condenamos, enforcamos e esquartejamos Gérson. Mas Gérson somos nós. Eis nosso dilema.

Para que tanta hipocrisia? Nada disso precisa ser assim. A lei de Gérson muito deveria nos honrar. Basta despi-la da hipocrisia para perceber que é a esperteza nacional que faz o Brasil se destacar em meio à mediocridade reinante no planeta politicamente correto, em que tudo tem de ser igual e insosso, em que todos acham que têm direito a tudo, em que a criatividade - e a verdadeira diferença - foram banidas. Na América Latina, os argentinos choram suas tristezas frustradas num tango melancólico, enquanto nós brasileiros damos risadas de nossas sacanagens num alegre sambinha. Qual o problema se podemos ser espertos e felizes? Quem disse que ser esperto é ruim ou necessariamente antiético? Por que ter vergonha disso em vez de usar a esperteza a nosso favor?

O empreendedorismo e a criatividade do brasileiro nada mais são que expressões dessa faceta mais nobre da lei de Gérson. Afinal, empreender não é saber aproveitar oportunidades? Criar não é violar regras estabelecidas e preconcebidas? Tudo isso não é, no fundo, saber levar vantagem? Vamos largar a mão de ser bestas e incorporar com orgulho nosso lado Macunaíma. Vamos dar um basta à histeria politicamente correta que infesta a humanidade e usar nosso próprio antídoto: a boa e velha lei de Gérson. Viva Macunaíma! Viva Gérson! Ziriguidum. Telecoteco. Balacobaco, esquindô, esquindô.

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2004

segunda-feira, outubro 25, 2010

OS ÚLTIMOS HOMENS DECENTES

Depois que escrevi a crônica " Homens Que Preferem Mulheres Burras*", minha caixa postal lotou de mensagens de mulheres que se dizem "vingadas" pela minhas palavras; porém, também recebi outros tantos e-mails de homens que se dizem injustiçados pelo que eu escrevi, provavelmente, eles não leram a crônica até o final; as meninas, por outro lado, repetiam cada frase como se fosse um manifesto feminista e não apenas um ponto de vista de um Cronista Paraíba Maluco.

A razão dessa crônica não é discorrer sobre a atitude de muitas das "vingadas" que depois de provar o gosto da catarse das letras, aproveitou a oportunidade para vociferar suas mágoas e sentimentos oprimidos. O motivo pelo qual resolvi escrever essas outras linhas, é para mostrar o outro lado, o ponto de vista dos rapazes que se sentiram "injustiçados".

Um dos rapazes que me escreveu, afirmou que ele era um dos últimos homens decentes; pois não só tinha uma companheira inteligentíssima , como ele também não se importava com o fato dela sustentar a casa, afinal, ele esta desempregado há tempos, e é ela que banca até os livros da sua universidade. Acho que ele confundiu o significado de se homem bom e ser um gigôlo.

Outro, conta com orgulho, que se tornou " dono de casa", e enquanto a mulher trabalha até final de semana, é ele quem cuida da casa, das crianças, além de lavar, passar a roupa e preparar a comida. Diz ele, que não deseja outra vida nem voltar para a sua profissão; e eu fico aqui em letras pensando, que relação maravilhosa ele teria, se ele trabalhasse também e não confundisse ajudar a cuidar da casa com ser vagabundo.

Uma coisa é acreditar na igualdade entre sexos e ver a esposa como uma companheira e vice-versa; outra, bem distinta, é a perda da identidade masculina e feminina em prol de uma competição inútil, onde um tenta provar que o outro é superior, quanto claramente, só o que é inferior é essa competividade infantil.

Tenho aqui minhas opiniões, e longe de criar polêmica, acho que cada um, homem e mulher, tem as suas responsabilidades, e suas lutas contra as influências da sociedade, nessa jornada que todos nós, homens e mulheres, estamos; jornada esta que vai além da nossa sexualidade, num desempenhar de funções que precisam superar essa visão que nos diferencia em raça, credo e sexo.

Antes de sermos homens e mulheres, somos seres humanos; e mesmo antes de sermos seres humanos, acredito eu com os meus botões, somos aprendizes de anjo, precisando deixar de ser bichos repletos de preconceitos, ódio e mágoa; guardando no peito todas essas brigas milenares entre credo e sexo.

Na amizade ou em qualquer relacionamento, ganha mais quem se respeita; quem reconhece que o outro, mulher ou homem, é um ser apenas, com todas as suas imperfeições.

Não sou lá, um bom exemplo, ainda sou meio machista em muitas das coisas que eu penso; porém, em minha atitudes, procuro sempre ponderar e me tornar o melhor marido que eu puder, um filho respeitoso e um irmão decente. Não faço isso para provar nenhum ponto de vista ou para parecer "moderno"; o faço, pois o contrário me soa burro pra caramba.

Não sei cozinhar, nem acho que um dia aprenderei a gostar; mas sei que o minímo que posso fazer, após receber aquele jantar cinco estrelas preparado com carinho por ela, é arregaçar as mangas, e lavar e secar todos os pratos, panelas, janelas, e tudo aquilo que juntos, possamos compartilhar, dividir e criar.

Gosto da idéia de ver minha esposa se desenvolvendo, aprendendo, buscando seja lá o que ela deseja para a sua carreira, para a sua estrada; e sou feliz, apenas pelo fato, de que ela me escolheu para compartilhar, ao seu lado, essa Viagem pela Terra. Apoiamos os sonhos um do outro, pois cada um deles, mesmo os mais doidos, nos ajudaram a manter o nosso relacionamento sempre renovado, flexível e honrado. Se ela estiver bem, fico eu; se eu tiver sucesso, tem ela!

E espero manter essa mesma atitude, se amanhã, por um acaso, ela decidir não ser mais a minha consorte; pois liberdade, respeito e igualdade não são apenas ferramentas que mantém um casamento, essas virtudes são essenciais para mantermos, entre homens e mulheres, primeiro do que tudo, a chama da amizade.

* acesse o link da crônica abaixo:
http://cronicasdofrank.blogspot.com/2010/10/homens-que-preferem-mulheres-burras.html

domingo, outubro 24, 2010

O Voto Envergonhado

Por Tuty Vasques

Afora os sem-vergonha que declaram voto errado só pelo prazer de contrariar as enquetes de boca de urna, os institutos de pesquisa prevêem uma dificuldade extra de prognósticos nesta reta final da campanha presidencial: estima-se que o surgimento de eleitores envergonhados da própria escolha possa comprometer de vez a credibilidade de todo e qualquer método de aferição da opinião pública. Tem gente por aí, dizem os entendidos na coisa, escondendo candidato no armário.

Quem já escolheu presidenciável, mas não se sente seguro para defendê-lo nem depois do terceiro chope, estaria preferindo dissimular seu voto até em roda de amigos. Nas atuais circunstâncias do debate eleitoral, convenhamos, só o voto nulo é bem aceito por todos. Alguém na mesa do bar diz “eu te entendo” e, dessa forma, o eleitor que não ousa dizer o nome de seu candidato se livra da pergunta que não quer calar em toda discussão política neste segundo turno: “Como é que você tem coragem de votar em alguém assim?!”

A boa notícia é que faltam só 10 dias para o País mudar de assunto. Política não é, decerto, o forte do brasileiro.


Fonte: http://blogs.estadao.com.br/tutty/page/2/

sábado, outubro 23, 2010

CLARA, CLARINHA... ESTRELINHA DOS ORIXÁS

Por Wagner Borges

(Uma Homenagem a Clara Nunes, Guerreira da Luz)

Clara, Clarinha...
Que desceu nas terras do Brasil,
Para cantar a Fé e a Luz.

Que cantou com a bênção dos Orixás...
Porque o seu coração era d’Eles.
Ah, linda mineira, de alma africana.

Linda estrela, de voz maravilhosa,
Que cantava a glória das três raças.
Ah, dançarina dos Orixás!

Clara, Clarinha...
Que voltou para casa, lá em cima,
Porque não era do mundo, era estrelinha.

Que voz! Que ginga! Que Axé!
Quem cantava, era você mesma?
Ou eram os Orixás, em você?

Ah, menina dos deuses!
Você deve estar cantando no Céu...
Mas deixou saudades aqui na Terra.

E, hoje, eu acordei lembrando-me de uma canção.
Uma das suas – ou dos Orixás?
E senti uma saudade doce, como um rio dentro de mim.

Sim, uma saudade com sabor de estrela.
E a visão de alguém cantando e dançando no Céu.
Uma saudade de você, Clarinha.

Sabe?... Quando você cantava aqui, eu era criança.
Mas o meu pai adorava a sua música - e se encantava...
E ele tinha você em alta conta – como mulher de fibra.

E, hoje, lembrando-me de você, eu também me lembro dele.
Que está bem velhinho, mas ainda apaixonado pela música.
E escrevo sobre você, não só pelo que senti, mas também por ele.

E não questiono o que senti, porque sempre escuto meu coração.
Assim como você fazia em nome dos Orixás.
E, hoje, além do meu pai, eu também me encanto com o seu canto.

Porque era canto de dor e alegria, bem humano e brejeiro.
Canto de alma, vindo do coração; ou, melhor dizendo, dos Orixás.
Sim, canto de fé! Das três raças num só país.

Clara, Clarinha...
Algum Poder Maior me despertou no meio da madrugada.
Para escrever algo sobre você – e alegrar o meu pai.

E eu sei de muitos outros que apreciam sua música e sua fé.
Gente que você inspirou com sua fibra de guerreira de Iansã.
E eu acho que você inspirava até mesmo os Orixás.

Sabe?... Eu fecho os olhos e ainda vejo você dançando em meio às estrelas.
E sinto um perfume espiritual descendo aqui, bem no meu coração.
E sei que é uma bênção dos Orixás – e eu agradeço ao Céu por isso.

Ah, Clarinha de Meu Deus – e dos deuses no Astral do Brasil!
A Força Espiritual que você passava em suas canções está aqui, agora.
E é como um perfume sutil que viaja por essas linhas...

Sim, como uma bênção secreta levando alegria a outros corações...
E, talvez, levando uma doce saudade aos seus fãs, e aos seus irmãos de Fé.
E, assim, talvez eles orem aos Orixás, pelo bem de todos os seres.

E eu não sei por que fui escolhido para escrever sobre você.
Eu, que gosto de rock e não sigo doutrina alguma, seja ocidental ou oriental.
Mas, quem disse que os Orixás ligam para isso? Eles veem o Amor no coração.

Esse Amor que você cantou tão bem... Como guerreira da Luz.
Que também está aqui, me fazendo escrever essas linhas.
Que me acordou, no meio da madrugada, por obra de um Poder Maior.

Ah, Clara, Clarinha...
Que hoje canta e dança no Céu, encantando até mesmo os Orixás.
Obrigado, querida. Por sua música. Pela sua Fé. Pela sua fibra.

Axé!*

(Dedicado a Clara Nunes** – e aos seus fãs e irmãos de fé.)
PS.:
Daqui a pouco irá amanhecer...
E eu fico aqui pensando nos desígnios celestes.
E no quanto todos nós somos guiados invisivelmente.
E, também me pergunto sobre algo mais:
“Como pode um pequeno coração aguentar um Grande Amor?”
Talvez, cantando e dançando. Ou, escrevendo e deixando ir...
E, assim, compartilhando bênçãos secretas e invisíveis.
Ah, quanto mais eu vejo o infinito, menor eu me sinto.
E, diante de tal grandeza, eu me encanto, agradeço, e oro.
E, enquanto a Clarinha canta e dança no Céu, eu escrevo, aqui embaixo.
E os Orixás continuam abençoando todos, no silêncio de um Grande Amor...
Porque, no Céu ou na Terra, é só o Amor que nos leva...***

Paz e Luz.

- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, espiritualista consciente, 49 anos de “encadernação”, pai da Helena e da Maria Luz, mestre de nada e discípulo de coisa alguma, sempre na Fé e na Luz...

São Paulo, 17 de outubro de 2010.

- Notas:
* Axé - mantra afro-brasileiro, muito usado no Candomblé e em algumas linhas de Umbanda. Significa “vibração positiva”.
** Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes (Paraopeba, 12 de agosto de 1943 — Rio de Janeiro, 02 de abril de 1983), foi uma cantora brasileira, considerada uma das maiores intérpretes do país. Pesquisadora da música popular brasileira, de seus ritmos e de seu folclore, Clara também viajou várias vezes para a África, representando o Brasil. Conhecedora das danças e das tradições afro-brasileiras, ela se converteu à umbanda. Clara Nunes seria uma das cantoras que mais gravaria canções dos compositores da Portela, sua escola do coração. Também foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias, derrubando um tabu segundo o qual mulheres não vendiam disco.
(Trecho de biografia extraída do site do Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clara_Nunes).
*** Seguem-se abaixo três links do Youtube para vídeos da Clara Nunes

http://www.youtube.com/watch?v=T8rJUaO3Spc&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=lBqJfSqQMY0

http://www.youtube.com/watch?v=qrrHEFKC3p4&feature=related

Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um texto do meu amigo Frank, que complementará esses escritos de hoje de forma magistral. Segue-se o mesmo logo abaixo.

SINCRETISMO

- Por Frank -


- Ou o senhor é uma coisa ou outra.

- Não posso ser todas?

- Não! É preciso manter uma linha. Ou o senhor come a hóstia ou toma chá.

- Eu não ganharia mais em sabedoria e tolerância se ouvisse o pastor e o pai de santo?

- Não! O senhor, por um acaso, conhece algum flamenguista-tricolor ou um corintiano- palmeirense? Não, senhor. Precisamos ser firmes com o que acreditamos, ainda mais com o sagrado. Não se brinca com isso.

- É que gosto do Pai Nosso e de cantar Hare Krishna...

- Sacrilégio! Se o senhor tivesse mesmo uma fé, já teria escolhido um lado. Não pode ficar assim na ponte, não, senhor. Não pode misturar.

- É que eu pensava que tudo que é misturado é mais bonito. Olha essa cor morena, tão brasileira e tão bonita. Fruto da mistura.

- Essa mistura pode. Mistura em religião não pode, não.

- Mas o Catolicismo não nasceu da mistura do Judaísmo e das lições de Jesus?

- Sim, mas é diferente.

- Sim, isso mesmo. Diferentes credos originando um ao outro. Olha o Islamismo, eles até reconhecem Jesus e Abraão.

- Por isso não pode misturar, senhor. Daqui a pouco o senhor vai dizer que tem mais muçulmano no mundo que cristão.

- E tem mesmo! Além de hindus, budistas, umbandistas, e uma série de "istas", até aqueles que se dizem espiritualistas e pregam o sincretismo, a união de todas as religiões, como se fosse uma só.

- Espiritismo é outra coisa.

- Eu disse espiritualismo.

- A mesma coisa. Não dá para falar aleluia e axé ao mesmo tempo, senhor. É uma coisa ou outra.

- Vou seguir o seu conselho. Chega de mistura. Vai que eu perco o juízo com tanta religião. Já pensou se eu chamo por Jesus e me aparece o Buda?

- Isso mesmo, eu sabia que o senhor tinha juízo.

- Mas ouvir rock e samba, pode?*



São Paulo, 13 de abril de 2008.

- Nota do autor:

* Segue-se abaixo um samba do Martinho da Vila, que complementa o texto acima. O que seria do meu gosto musical, se eu só gostasse de rock e não aproveitasse o melhor que há no samba?

SINCRETISMO RELIGIOSO

(Letra de Martinho da Vila)

Saravá, rapaziada! Saravá!

Axé pra mulherada brasileira! - Axé!

Êta, povo brasileiro! Miscigenado,

Ecumênico e religiosamente sincretizado.

Ave, ó, ecumenismo! Ave!

Então vamos fazer uma saudação ecumênica.

Vamos? Vamos!

Aleluia, aleluia!

Shalom, shalom!

Al Salam Alaikum! Alaikum Al Salam!

Mucuiu nu Zambi! Mucuiu!

Ê, ô, todos os povos são filhos do Senhor!

Deus está em todo lugar. Nas mãos que criam, nas bocas que cantam,

Nos corpos que dançam, nas relações amorosas, no lazer sadio,

No trabalho honesto.

Onde está Deus? Em todo lugar!

Olorum, Jeová, Oxalá, Alah, N`Zambi. . . Jesus!

E o Espírito Santo? É Deus!

Salve, sincretismo religioso! Salve!

Quem é Omulu, gente? São Lázaro!

Iansã? Santa Bárbara!

Ogum? São Jorge!

Xangô? São Jerônimo!

Oxossi? São Sebastião!

Aioká, Inaê, Kianda! Iemanjá!

Viva a Nossa Senhora Aparecida! Padroeira do Brasil!

Iemanjá, Iemanjá, Iemanjá, Iemanjá...

São Cosme, Damião, Doum, Crispim, Crispiniano, Radiema. . .

É tudo Erê. Ibeijada.

Salve as crianças! Salve!

Axé pra todo mundo, axé!

Muito axé, muito axé!

Muito axé, pra todo mundo, axé!

Muito axé, muito axé!

Muito axé, pra todo mundo axé...

Energia, Saravá, Aleluia, Shalom,

Amandla, caninambo! Banzai!

Na fé de Zambi. Na paz do Senhor, Amém!

sexta-feira, outubro 22, 2010

MILAGRE DE BABEL

Milagre! - ela grita, dali a dois dias, se esquecerá completamente que o Céu e Terra se aliaram para lhe dar um presente. Má-agradecida? Nada disso! Transformar milagre em coisa comum faz parte de estar aqui nesse plano, onde nunca teremos certeza, enquanto vivos, que há algo além.

É assim que tudo é feito, é assim que o segredo é guardado, e por mais que você o queira revelado; ele mudará de forma, até que você nem mais se lembre que estava procurando descobrir, no começo, do que ele é feito.

Todos os dias, todas as noites, ventos do astral tocam a gente na Terra. Eles sopram e se manifestam em forma de coincidências, de palavras exatas na hora certa. São pequenos toques, ajudas, curas que nunca poderão ser provadas por mente cientista nenhuma, pois o encanto que nos permite viver nesse plano, é mais esperto que qualquer Einstein.

Para cada coisa revelada sobre o além, outros duas são cobertas. Num jogo de gato e rato, de esconde-esconde, onde temos sempre que ir além do que o nosso raciocínio alcança para perceber esses pequenos nuances que são como digitais de que há algo a mais adiante. O problema é que essas provas são feitas de tinta que se apaga rapidamente, por isso, só conseguimos fotografá-las com a nossa mente, e daí, quando tentamos expressar o que ocorreu com a gente, ocorre o Fenômeno de Babel: não conseguimos pôr em palavras o que ocorreu, e quanto mais tentamos, mais a experiência vai diminuindo de tamanho, a ponto de, no final, nem a gente mais acreditar que ela foi tão intensa e verdadeira.

Ao tentar explicar o inexplicável, perdermos a oportunidade de cultivar mais um milagre calado dentro do nosso coração; no silêncio de quem sabe que milagres ocorrem todos os momentos, para toda a gente que vive aqui dentro, por mais que ninguém se dê conta, e quem se dá, não conta, pois sabe que essas coisas são podem ser versadas pela poesia de uma crônica ou compreendidas num meio sorriso de comparsa que damos a nos mesmos, quando percebemos que Deus fez de novo, outra das Suas Coisas com a gente, e o Cara é tão esperto que vai transformar esse milagre em mais uma Coisa da Gente.

quinta-feira, outubro 21, 2010

HOMENS QUE PREFEREM MULHERES BURRAS

A maioria dos meus amigos homens preferem mulheres burras, ou ao menos, escolhem mulheres que fingem que eles são mais inteligentes que elas.

É um lance masculino, e pra ser bem sincero, meio idiota; mas no mundo dos homens, essa verdade pouco importa, desde que o status quo do macho alfa não seja alterado, afinal, desde moleque, fomos ensinados que homem que é homem precisa mostrar a que veio, e feito pavão, abrir o leque e apresentar as cores da sua inteligência e força; ele precisa ser capaz de ganhar o pão e o leite das crianças; ao mesmo tempo que toma algumas com o Zé e os caras no bar. Por isso, esse negócio de ter um relacionamento com mulheres que ganham mais do que eles, só pode não dar certo! Afinal, que tipo de homem é ele, que não ganha o suficiente? É claro, que esse "suficiente" é bem relativo, mesmo ganhando pouco, ele precisa ganhar SEMPRE mais do que o que ganha a sua companheira ( é óbvio, que não entra nessa crônica aqueles Zés Manés que nem deixam a "mulhé trabaiá").

Se você perguntar a algum dos meus amigos, provavelmente, todos negarão, dirão que as coisas mudaram e eles preferem mulheres emancipadas, que muitas são chefes de família e yada, yada e yada; mas na prática, o buraco é mais no ...ego. Eles preferem mulheres mais frágeis que possam depender deles e assim, o seu papel de macho ser reafirmado.

O mesmo se aplica para a inteligência delas.

Se a princesa souber explicar, por exemplo, o impedimento do gol do Ronaldo ou tiver mais argumentos do que ele para explicar porque razão o carro não esta funcionando, ela terá decretado o fim do relacionamento, pois, mulher inteligente não cruza esses mares proibidos do conhecimento masculino sobre futebol e carro.

Mulher inteligente e bem resolvida profissionalmente assusta! Todo cara sabe disso, apesar de só uns poucos cronistas paraíbas malucos admitirem; daí, a conclusão de que quando o assunto é manter um relacionamento duradouro com um homem, mulher inteligente é aquela que finge que a sua capacidade de racíocinio é bem menor que a mentalidade de Shrek do seu companheiro.

Contudo, entretanto e há tempos, aprendi o oposto.

Depois de 13 anos de relacionamento, compreendi que muito melhor do que carregar alguém nas costas, é ter alguém ao lado, uma companheira independente que possa ter os seus próprios gostos, carreira, pensamentos e rosto. Mulher da gente não é cópia ou sombra da nossa masculinidade, nem tampouco alimento de ego para reforçar a nossa segurança.

Se um homem é seguro do seu próprio potencial e um pouquinho maduro, ele não se abalará se a sua mulher ganhar tanto ou se souber um pouco mais sobre os assuntos que ele não conhece. Se ele for um pouquinho mais esperto que a maioria dos caras, vai compreender que mulher inteligente e bem sucedida é muito mais interessante que as mil Mariazinhas que vieram antes e não acrescentaram coisa alguma a sua vida.


quarta-feira, outubro 20, 2010

MULHERES QUE ATRAEM CANALHAS

Minha amiga Mariana só namora homens canalhas. Vive reclamando que só atrai gente safada, que não existe homem decente, que cavalherismo com romantismo é artigo extinto, que não compreende os homens, por isso, há por aí tanta sapata. Ela não admite que o problema pode ser ela, não aceita que há uma total de falta de paciência dela em esperar um cara bacana.

- Não sei ficar sozinha - se defende ela - Sou do grupo do " Melhor Mal Acompanhado do que Sozinho".

Ouço as suas reclamações, mas já cansei de dizer pra ela, que enquanto ela não mudar o homem que procura e pega, as coisas ainda estarão longe de um final feliz para essa Cinderela.

Difícil, ela me disse, é resistir ao charme de um Bad Boy; afinal, segundo ela, caras legais só casados e homossexuais, sendo assim, só lhe resta conseguir mudar um canalha pelas forças redentoras do amor.

Além da choradeira e da mesma ladainha de que vai morrer sozinha, pois canalha tem a duração de um "pegada"; já percebi que minha amiga gosta da vida que leva, dos homens que com ela sai. Ela mesmo admite não ter " saco" para buscar e selecionar homens com um melhor background.

É uma pena, pois, se a minha amiga decidisse ficar mesmo um tempo sozinha, ela compreenderia que solidão é outro nome que damos quando estamos em processo de seleção de um companheiro que fique outra estação além da faísca do verão.

IDADES – IV*

Por Wagner Borges

A idade de cada um não está evidenciada no rosto, mas no brilho do olhar.
Porque, aquilo que está no coração, é o que a pessoa é.
Os seus sentimentos e aspirações podem tornar o seu peito num verdadeiro sol.
Ou, num poço de trevas. Tudo depende do que a pessoa aspira, e respira.
E quem aspira ao Amor, também respira o melhor da Luz.
É por isso que, na antiga Índia, os mestres hindus ensinavam que, quem ama, respira o Eterno. Ou seja, respira Deus!
E isso se reflete no olhar da pessoa, e o seu rosto fica resplandecente.
E, independente da idade física, sua expressão facial se torna jovial.
Apesar das rugas, há Luz e Vida emanando do rosto.
Então, fica sempre uma pergunta no ar: qual é a idade real de alguém?
A do seu corpo? Ou aquela que a Luz do coração projeta em seu rosto?
Aliás, o Amor tem idade? E a vontade de viver, aprender e se expressar, também tem tempo de validade?
E, agora, eu pergunto diretamente a você, ouvinte do programa:
“Os seus pensamentos tem vivacidade e frescor? Ou são bolorentos e desgastados?
Você respira e agradece o dom da Vida? Você está aí reclamando do frio?
Ou apreciando a beleza de mais um dia na serra gaúcha?
Você está velho mesmo? Ou é só a sua autoestima que está baixa?”
Então, por favor, renove sua mente e seu coração.
Aprenda algo novo. Motive-se!
Vá aprender a pintar. Ou a nadar.
Leia uma linda poesia e escute música.
E trate de sentir-se jovial e consciente.
Porque, se o seu corpo tem uma idade, saiba que sua alma é sempre fresca, pois o que você pensa e sente não tem idade.
Ah, é o Amor que brota do seu coração que diz qual é a sua condição consciencial.
E hoje é mais um dia para você perceber isso, e respirar o Eterno.
E, assim, respirar Deus, para aspirar a Luz... E ser feliz.
E isso não tem tempo algum! É consciência.

P.S.:
Esses escritos foram feitos dentro dos estúdios da Rádio Caxias, na serra gaúcha, onde, mais uma vez, eu estava sendo entrevistado no programa “Persona Singular”, apresentado pela Lizete Oselame. Num dos intervalos, enquanto rolava o bloco das notícias, eu escrevia essas linhas ali mesmo, de impulso. E, depois, a apresentadora gentilmente permitiu que eu lesse o texto para os ouvintes. Posteriormente, já em São Paulo, eu também li o mesmo no meu programa “Viagem Espiritual”**. E, agora, estou disponibilizando-o em aberto para todos.

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
Caxias do Sul, 05 de agosto de 2010.

- Notas:
* As três partes anteriores desse texto podem ser acessadas no site do IPPB – www.ippb.org.br -, nos seguintes endereços específicos:
Parte I - http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=189&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte II - http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7384&catid=31:periodicos&Itemid=57
Parte III - http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10091:idades-iii&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
** O programa “Viagem Espiritual” está no ar desde 1999 e é apresentado aos domingos, de 12h30min às 13h, na Rádio Mundial de São Paulo – 95.7 FM.

terça-feira, outubro 19, 2010

Horário de Verão: Odeio

Sei que é uma palavra muito forte, mas eu odeio o horário de verão! Ommm...que nada, já sou uma pessoa calma, não maldigo por qualquer bobagem, mas experimenta perguntar para quem precisa acordar cedo e dormir tarde, se o horário de verão é uma boa idéia, e ele, provavelmente, vai te responder com quatro pedras: NÃO!!!!

Ok, vamos economizar energia, os brasileiros terão uma ilusão bacana que o dia ficou longo e podem aproveitar mais a vida. Porém, esqueceram de contar para os passarinhos, para os galos e para esse menino que começou esse horário dos infernos, e agora até fevereiro, vou dormir mal e passar todo o dia com sono. Não há cafeína que dê jeito, mas talvez, haja uma solução: ignorar o horário de verão!

Meu avô sempre fez isso. Para ele há o horário novo e o horário antigo. Posso fazer o mesmo. No meu caso, basta considerar que o mundo resolveu acordar mais cedo, talvez, para escapar do trafégo ( muita gente já faz isso) ou para ter mais tempo para si mesmo. Vou fingir que todos os meus estudantes me pediram para a aula começar antes e vou comemorar o fato de que vou chegar em casa há tempo de ver a novela ou o jogo do cruzeiro.

Sei que dá na mesma, sei que é apenas uma auto-enganação, mas quem sabe assim, eu tenha a ilusão que sou o dono do meu próprio tempo e não tenho que me submeter a uma decisão coletiva para seguir os ponteiros da minha vida.


segunda-feira, outubro 18, 2010

HEY MA DURGA: EPARREI!

Outra gripe! Sou esponja de vírus. Desde que tomei a vacina contra a gripe suína, vou pegando tudo que é gripe sãopaulina. Resisto, luto; sei que o melhor remédio é vitamina C e... mantra.

Queria a cama, mas Auri insistiu: " vamos nesse espaço que inaugurou faz alguns meses. Eles terão um evento com dança e mantras para as Mães Divinas. Vamos?"

Fomos!

O corpo doia, a voz estava quase sumindo, mas bastou entrar naquele lugar para eu começar a me sentir melhor. O Espaço Luzeiro fica numa casa no bairro da Aclimação, em Sampa, ao lado do Parque de mesmo nome, não tão longe de casa; o cheiro do incenso e a atmosfera de paz do lugar acalmou os meus nervos e foi pouco a pouco diminuindo minha vontade de em casa estar.
O evento começou e fomos embalados pelo som da música indiana e pela dança das meninas, que deixavam bem claro, nem precisa ir pra India ; já fui! E posso dizer que já ví muito mais coisa bonita representando a cultura indiana por aqui mesmo. Então, logo depois, começaram os mantras para as Mães Divinas:

Sarasvati, a deusa hindu da sabedoria, das artes e da música;
Lakshmi, a deusa da beleza, da fartura e da prosperidade;
Parvati, a deusa do contentamento, do prazer, da alegria, do amor, e da disciplina interior; que também é representada em outras duas faces: Durga ( a guerreira protetora de lei e da ordem - o Dharma - e a destruidora do mal) e Kali (a temida).

Em meio ao canto devocional para Parvati e sua forma mais guerreira, Durga, fechei os olhos e ví essa mulher em cima de um tigre, com seus quatro braços e símbolos tipicamente indiano, e sai do protocolo, alterei a linha, e vi a imagem da deusa Hindú ir se transformando pouco a pouco em Iansã, a guerreira africana, cultuada pelo Candomblé e pela Umbanda. Ao ver a imagem das duas deusas se misturando, eu já não sabia se cantava para Durga ou se cantava para Iansã, e em meio ao "Hey Ma Durga" e o "Eparrei, Iansã!", a imagem novamente se transformou e vi Joana D'Arc na França; Hatshepsut, a primeira Faraó do Egito; a Rainha de Sabá do Oriente Médio e outras tantas mulheres na história, que mesmo em tempos de guerra e cólera, mostraram suas espadas e lutaram por suas causas. Vi também minha esposa, minha mãe e a minha irmã, e outros tantas mulheres fortes que passaram pela minha vida. E quando o mantra acabou, percebi que ficou no ar, um sentimento do mais profundo agradecimento a essas mulheres.

Tudo aquilo parecia uma grande viagem, um delírio, talvez fosse, não duvido; porém, dei-me conta que ao cantar para Durga, estava também cantando para todas essas mulheres guerreiras, que não vivem à sombra dos homens, nem por isso, são menos femininas.

Mulheres de mil faces, de mil qualidades que todos os homens deveriam aprender a respeitar.Para saber mais sobre o espaço Luzeiro:
(11) 5599 3496

domingo, outubro 17, 2010

TEACHERS DON´T CRY

- Excelência! - disse ela - Eu só posso pensar nessa palavra para descrever a maneira como o senhor ensina.

Professores não choram! Professores não choram!

Outro sábado, mais uma aula. Poderia estar dormindo, descansando, mas essas meninas valem a pena, o esforço...que esforço? Nenhuma pena! Amo o que eu faço, adoro a idéia de poder contribuir para o conhecimento dessas pessoas. Cada sábado é uma festa.

Enquanto sigo explicando as novas palavras, mostrando como a gramática servirá para a construção da comunicação em seus trabalhos, chamando a atenção para a importância de aprender uma segunda língua; percebo os olhos de cada uma delas brilhando.

É cedo, eu sei, elas estão ainda imersas em sono, eu tenho ciência; mas pouco a pouco, elas vão se interessando, ouvindo, processando, anotando, aprendendo e gostando. Trinta minutos depois, ninguém mais se lembra que é sábado, o que é sono, só o que é ensino.

Uma delas, muito querida, certa vez, confessou-me no final de uma aula:

" Teacher, devo admitir o quanto aprender essa língua é difícil para mim, porém, queria te dizer que já aprendi algo bem importante com o senhor: aprendi a gostar de estudar inglês."

Professores não choram! Professores não choram!

A aula de sábado continua. Em certos momentos, muitas delas se mostram confusas, balançam a cabeça dizendo que entenderam sim, mas seus olhares dizem que entenderam não; explico de novo, explicaria mil vezes, um milhão; até ter certeza que elas compreendem, que assimilaram, que não voltarão para casa do mesmo jeito que na classe chegaram. E quase sempre, percebo, no final da aula, que elas estão diferentes, mais confiantes, crentes que conseguirão falar inglês, talvez não tão cedo quanto a ansiedade delas deseja, talvez não tão tarde quanto as tentativas frustradas de outrora as fizeram acreditar; no tempo certo, no ritmo adequado, o aprendizado será afetivado, naturalmente, como qualquer outra habilidade aprendida.

Mônica levanta a mão direita, quer falar, pede licença, e diz que tem algo a dizer que não pode esperar:

" Algo aconteceu aqui na classe, e eu vou pedir para a Rô falar a respeito."

Alco ocorreu? A Rô vai falar? Como assim?

" Acho que me escolheram porque quase nunca falo - disse ela - e sou tímida e calada, mas vou tentar mesmo assim, meio que de improviso, meio que sem saber ao certo como colocar isso em um discurso, mas teacher, se eu pudesse escolher uma palavra para representar a sua maneira de ensinar, ela seria: Excelência! Eu só posso pensar nessa palavra para descrever a maneira como o senhor ensina."

Professores não choram! Professores não choram!

Elas me entregam, então, seus presentes, cartão, sorrisos, olhares de admiração, e tento agradecer, mas o que dizer? O que dizer? Eu que sou sempre cheio de palavras, fico mudo, diante daquela cena; e a homenagem não para ali, elas me conduzem da classe para outra sala, onde duas outras surpresas me esperam: a primeira, a festa! Sala toda enfeitada, no telão, passa um clipe da canção " To Sir, with love" da Lulu, do filme de mesmo nome de 67 com Sindney Potier, bolo gigante, refrigerante, suco, salgadinhos e "what a surprise" piscando em minha testa; e a segunda supresa, alguém anuncia:

" Todas nós sabemos, que por trás de um grande homem, sempre tem uma ..."

A porta se abre, surge Auri, minha esposa e musa, recebida com palmas, passa por mim sorrindo, com um poema na mão e recita:

"AO QUERIDO MESTRE

Menino Viajante,
Que vigia as letras da alma!
Alma repleta de pureza e alegria
Donte passa sua energia espalha;

Menino de música presente no ar
Donte vai, leva harmonia nas palavras,
Cada frase é dita com sabedoria,
É Guerreiro munido com a sua espada;

Menino das Letras e do Ensino,
Com dedicação sempre contou,
Fez da sua arte o seu caminho,
Esse era mesmo o seu destino
Mestre, amigo, professor
!"


Professores não choravam, agora choram...

Glee version of the song " To Sir with love"



Original version by Lulu


The lyrics:
To Sir With Love

Those school girl days
of telling tales
and biting nails are gone
But in my mind
I know they will still live on and on
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfume
It isn't easy, but I'll try


If you wanted the sky
I'd write across the sky
in letters that would soar
a thousand feet high
To Sir, with love


The time has come
for closing books
and long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong
that's a lot to learn
What, what can I give you in return?


If you wanted the moon I'd try to make a stars
but I would rather you let me give my heart
To Sir, with love



Ao Mestre Com Carinho


Aqueles dias de estudante
De contar mentiras,
e roer unhas se foram
Mas, em minha mente
Sei que sempre, sobreviverão
Mas como agradecer alguém
Que te fez "crescer como gente"
Não é fácil mas vou tentar


Se você quisesse o céu eu escreveria nele com as estrelas
A mil pés de altura
Ao mestre, com carinho


Chegou a hora
De fechar os livros...
enquanto longos e últimos olhares permanecerem
E enquanto eu os deixo
Eu saberei que estou deixando meu melhor amigo
Um amigo, que me mostrou o certo e o errado
O fraco e o forte
Isso é tão difícil de aprender
O que? o que posso eu lhe dar em troca?


Se você quisesse a lua eu tentaria fazer um começo
Mas eu, dou toda a segurança do meu coração
Ao Mestre, com carinho

sábado, outubro 16, 2010

Iluminação Neuronal

por Ulrich Kraft


Meditação é muito mais que um exercício de relaxamento. Neurocientistas constatam que exercícios mentais regulares modificam nossas células cinzentas - e, portanto, também nosso modo de pensar e sentir.


Vermelho, amarelo, verde. Diante das diferentes cores nas imagens de ressonância magnética funcional, Richard Davidson identifica as regiões do cérebro de seu voluntário que apresentam atividade significativa enquanto este tenta conduzir a própria mente ao estado conhecido como "compaixão incondicional". O tubo estreito do barulhento tomógrafo de ressonância magnética está, com certeza, entre os locais mais estranhos nos quais Matthieu Ricard já praticou essa forma de meditação, central na doutrina budista, nos seus mais de 30 anos de experiência.

Para o francês, o papel de cobaia no laboratório de Davidson, na Universidade de Wisconsin, em Madison, é também uma viagem ao passado - a seu passado como cientista. Em 1972, aos 26 anos, Ricard obteve seu doutorado em biologia molecular no renomado Instituto Pasteur, de Paris. Pesquisador iniciante, com futuro promissor pela frente, decidiu-se pela "ciência contemplativa". Viajou, então, para o Himalaia e passou a dedicar a vida ao budismo tibetano. Hoje, é monge do mosteiro Schechen, em Katmandu, escritor, fotógrafo e, na condição de tradutor, integrante do círculo mais próximo ao Dalai Lama. Ricard, no entanto, retornou à "ciência racional" porque Davidson queria saber que vestígios a meditação deixa no cérebro.

Sem o Dalai Lama, é provável que a insólita colaboração entre o neuropsicólogo e o monge jamais tivesse acontecido. Há cinco anos, ao lado de outros pesquisadores, Davidson visitou o chefe espiritual do budismo tibetano em Dharmsala, local de seu exílio na Índia. Lá, discutiram animadamente as descobertas neurocientíficas mais recentes e, em particular, como surgem as emoções negativas no cérebro. Raiva, irritação, ódio, inveja, ciúme - para muitos budistas praticantes, essas são palavras desconhecidas. Eles enfrentam com serenidade e satisfação até mesmo o lado ruim da vida. "A meta suprema da meditação consiste em cultivar as qualidades humanas positivas. Então, vimos isso como algo que precisaríamos investigar com o auxílio das ferramentas modernas da ciência", conta Davidson.

Ele foi pioneiro nessa área, mas nomes importantes da pesquisa cerebral seguiram seus passos. Com auxílio da medição das ondas cerebrais e dos procedimentos de diagnóstico por imagem, os cientistas buscam descobrir o que nosso órgão do pensamento faz enquanto mergulhamos em contemplação interior. E os esforços já deram frutos. Os resultados dessa pesquisa high-tech, no entanto, dificilmente surpreenderiam o Dalai Lama, uma vez que não fazem senão comprovar o que os budistas praticantes vêm dizendo há 2.500 anos: a meditação e a disciplina mental conduzem a modificações fundamentais na sede do nosso espírito.
No início da década de 90, seria muito difícil que algum pesquisador sério ousasse fazer tal afirmação publicamente. Afinal, uma das leis fundamentais das neurociências dizia que as conexões entre as células nervosas do cérebro estabelecem-se na infância e mantêm-se inalteradas até o fim da vida. Hoje se sabe que tanto a estrutura quanto o funcionamento de nossa massa cinzenta podem se modificar até a idade avançada. Quando alguém se exercita ao piano, além do fortalecimento dos circuitos neuronais envolvidos, novas conexões são criadas, aumentando a destreza dos dedos. O efeito produzido pelo treinamento é algo que devemos à chamada plasticidade cerebral. Em sua curta história, essa plasticidade já foi examinada sobretudo no contexto dos exercícios físicos e dos sinais provenientes do exterior, como os ruídos, por exemplo.

Campeões da mente
Pesquisador das emoções, porém, Davidson queria saber se atividades puramente mentais também poderiam modificar o cérebro e, em caso afirmativo, de que forma isso atuaria sobre o estado de espírito e a vida emocional de uma pessoa. Os budistas vêem sua doutrina como uma "ciência da mente", e a meditação, como meio de treinar a mente. Para Davidson, era natural buscar respostas com esses "campeões olímpicos do trabalho mental".

Seu primeiro voluntário, um abade de um mosteiro indiano, trazia na bagagem mais de 10 mil horas de meditação e, uma vez no laboratório, logo causou surpresa. Seu córtex frontal esquerdo - porção do córtex cerebral localizada atrás da testa - revelou-se muito mais ativo que o de outras 150 pessoas sem experiência de meditação, estudadas a título de comparação. Como já havia constatado, tal padrão de excitabilidade sinaliza bom estado de espírito - um "estilo emocional positivo", nas palavras de Davidson. Decisiva é aí a relação entre a atividade nos lobos frontais esquerdo e direito.

Nas pessoas mais infelizes e pessimistas, o predomínio é do lado direito - em casos extremos, elas sofrem de depressão. Tipos otimistas, ao contrário, que atravessam a vida com um sorriso nos lábios, têm o córtex frontal esquerdo mais ativo. Experimentos mostraram que essas pessoas superam com mais rapidez emoções negativas, como as que necessariamente resultam, por exemplo, da contemplação das fotos de uma catástrofe. Fica evidente que essa região cerebral mantém sob controle os sentimentos "ruins" e, dessa forma, talvez responda também pelo equilíbrio mais feliz e pela paz de espírito que caracteriza tantos budistas.
A fim de comprovar essa suposição, Davidson continuou testando mais monges e, dentre eles, Matthieu Ricard. Com todos, o resultado foi o mesmo. "A felicidade é uma habilidade que se pode aprender, tanto quanto um esporte ou um instrumento musical", concluiu o pesquisador. "Quem pratica fica cada vez melhor."

De imediato, choveram críticas: como podia ele saber, afinal, se aqueles mestres da meditação já não possuíam cérebro "feliz" antes mesmo de pisar num mosteiro? A objeção não poderia ser descartada assim, sem mais. Por isso mesmo, seu grupo lançou-se a novos estudos. Os pesquisadores recrutaram voluntários entre funcionários de uma empresa de biotecnologia, dividindo-os em dois grupos aleatórios. Metade formou um grupo de controle, enquanto os 23 restantes receberam treinamento em meditação ministrado por Jon Kabat-Zinn, um dos mais conhecidos mestres americanos da chamada mindfulness meditation. Nesse exercício mental, trata-se de contemplar de forma imparcial e isenta de juízo os pensamentos que passam pela cabeça, como se assumíssemos o ponto de vista de outra pessoa. As aulas ocuparam de duas a três horas semanais, complementadas por uma hora diária de treino em casa.

Como se supunha, o treinamento mental deixou vestígios. De acordo com as medições efetuadas por eletroen-cefalograma (EEG), a atividade no lobo frontal daqueles que participaram do curso de meditação deslocou-se da direita para a esquerda. Isso refletiu em seu bem-estar: os voluntários relataram diminuição dos medos e um estado de espírito mais positivo.

Entre os que não meditaram, nenhum deslocamento se verificou no padrão das ondas cerebrais. Dessa vez, porém, Davidson conteve-se na avaliação de seu estudo, que não autorizaria conclusões definitivas. Mas é provável que, em segredo, tenha se alegrado com a perfeição com que os novos resultados corroboravam sua hipótese inicial: a meditação é capaz de modificar de forma duradoura a atividade cerebral. E, ao que parece, isso funciona não apenas para os mestres da reflexão espiritual, mas também para leigos.

Emoções básicas
Nesse meio tempo, Paul Ekman, uma das estrelas da cena neurocientífica, interessou-se também pela figura do monge. Na verdade, o psicólogo da Universidade da Califórnia, em São Francisco, ocupa-se das emoções básicas, ou seja, daquelas reações emocionais fundamentais que nos são inatas - o susto que nos faz tremer as pernas, por exemplo, quando um rojão explode inesperadamente perto de nós. Respondemos de forma automática a esses ruídos súbitos, graças ao startle reflex, o reflexo de susto. Dois décimos de segundo após a explosão, sempre os mesmos cinco músculos da face se contraem e, passados outros três décimos de segundo, nossa expressão facial se descontrai. Essa reação de susto é sempre idêntica em todas as pessoas, e isso porque, simplificando, assim é o "cabeamento" do cérebro. Como todos os reflexos comandados pelo tronco encefálico, também essa reação escapa ao controle da consciência, isto é, não se deixa reprimir intencionalmente. É, pelo menos, o que reza o estágio atual do nosso conhecimento.

Que, no entanto, nem todos se assustem com a mesma intensidade era uma questão que interessava Ekman havia algum tempo. O motivo é que a intensidade individual da contração muscular permite inferir o estado de espírito de uma pessoa. Quem sente emoções negativas com freqüência - em especial, medo, raiva, pesar e nojo - apresenta um startle reflex bem mais pronunciado que pessoas tranqüilas.

Por essa razão, Ekman estava autorizado a esperar uma reação de susto abaixo da média ao testar um lama budista e solicitar-lhe que buscasse ocultar ao máximo a inevitável contração muscular. Ainda assim, o resultado o deixou perplexo, uma vez que praticamente nada se moveu no rosto do monge. "Quando ele tentou reprimir o susto, a reação quase desapareceu", relatou Ekman, incrédulo. "Nenhum pesquisador jamais encontrou alguém capaz de fazer isso." Nem mesmo um som tão alto como um tiro de revólver assustou o lama. O motivo, na explicação do próprio monge: meditação. "Enquanto eu rumava para o estado aberto, a explosão me pareceu mais suave, como se eu estivesse bem longe." Bastante espantoso, do ponto de vista neurocientífico, é que o monge obviamente conseguiu, por força da vontade, modificar uma reação do cérebro que, na verdade, é automática.

Ao que parece, o órgão do pensamento dos budistas em meditação funciona de modo diferente da massa cinzenta do homem comum - mas como? Em busca de respostas, Olivia Carter e Jack Pettigrew acabaram indo parar na parte indiana do Himalaia, em direção a Zanskar, onde se encontram mosteiros budistas muito antigos. Lá, os pesquisadores da Universidade de Queensland, Austrália, investigaram um fenômeno de que a ciência vem se ocupando desde o século XVI: a chamada rivalidade binocular ou perceptiva.
Em geral, não constitui problema para o cérebro fundir numa única imagem a informação visual recebida pelos olhos. Os "instantâneos" percebidos pelos olhos direito e esquerdo encaixam-se à perfeição, porque ambos os lados contemplam a mesma cena. Mas o que acontece quando, por meio de um aparelho apropriado, cada olho vê uma imagem diferente - digamos, o esquerdo, listras azuis horizontais, e o direito, listras azuis verticais? Não podemos ver as duas coisas ao mesmo tempo, razão pela qual o cérebro resolve a disputa de forma diplomática: primeiro, decide-se por uma das imagens para, então, passados alguns poucos segundos, mudar para a outra. E sai pulando daqui para lá e de lá para cá: nossa percepção consciente alterna sem cessar as imagens percebidas por um olho e pelo outro.

Decerto, se concentrarmos toda a nossa atenção numa das imagens, ela se manterá por mais tempo diante do nosso olho interior, mas essa forma de balizamento é bastante limitada. Algumas características das imagens modulam a rivalidade binocular. Se confrontados a um só tempo com um estímulo visual fraco (finas linhas verticais, por exemplo) e outro forte (um grosso traço horizontal), voluntários vêem o último por mais tempo. Em virtude desses dois efeitos, o fenômeno suscita muita discussão neurocientífica, já que, no fundo, trata-se de como o cérebro regula a percepção visual. A modalidade do estímulo, ou seja, as imagens apresentadas aos olhos, determina para que lado penderá a disputa - ou seria isso algo controlável de forma deliberada?

O controle deliberado é a resposta certa - é o que afirma a descoberta, surpreendente até para especialistas - que o grupo de Olivia Carter trouxe de sua expedição investigativa ao Himalaia. Ao menos, essa é a conclusão que se aplica ao objeto específico de estudo da pesquisadora: 76 monges budistas com intensa prática de meditação, com idade entre 5 e 54 anos.

"Na meditação, pessoas experimentadas são capazes de alterar de forma mensurável as flutuações normais do estado de consciência a que a rivalidade binocular induz." Assim resumem os cientistas os resultados obtidos, publicados em junho na revista Current Biology.

Carter solicitou a seus voluntários que praticassem a chamada meditação focada em um só ponto. Eles concentraram-se por inteiro num único objeto ou pensamento. Durante essa prática, ou pouco depois dela, os monges, dotados de óculos especiais, foram obrigados a contemplar ao mesmo tempo dois padrões diferentes - um para cada olho. Com o auxílio do mergulho meditativo, mais da metade conseguiu prolongar nitidamente cada fase das comutações típicas da rivalidade binocular. Alguns foram capazes até mesmo de reter uma imagem por mais de cinco minutos - façanha impensável para os voluntários sem experiência meditativa empregados para comparação, que, em média, limitaram-se a reter cada imagem por 2,6 segundos. O feito, no entanto, revelou-se dependente da técnica de meditação utilizada. Quando, em vez da meditação focada em um só ponto, os monges empregaram outro método - voltado antes a um mergulho interior mais genérico que a um objeto concreto -, a alternância constante das imagens manteve-se a habitual. Decisivo, pois, para a estabilização da percepção visual é não apenas a meditação em si, mas o modo como ela é praticada.
Concentração é tudo
Além da rivalidade binocular, outro fenômeno interessava aos pesquisadores australianos: a "cegueira induzida por movimento". Também ela escapa ao controle consciente - ou, pelo menos, assim se pensava. Nesse tipo de experimento, o voluntário contempla uma grande quantidade de pontos que disparam por uma tela. Entre eles, porém, vêem-se alguns pontos fixos, em geral de outra cor. A requerida concentração nos exemplares em ágil movimento faz com que os imóveis pareçam sumir, como se o cérebro os apagasse. Mas não por muito tempo: volta e meia, eles tornam a se imiscuir por um instante na percepção, e o participante não tem como impedir que o façam.

Um dos monges, no entanto, não teve dificuldade alguma com isso. O eremita, que se dedicava havia décadas e em total solidão ao mergulho interior, pôde perfeitamente eliminar os pontos fixos que em geral afloram cintilantes à consciência. Mais de 12 minutos se passaram até que ele anunciasse o reaparecimento de um deles. A partir das alterações nas funções visuais observadas, a equipe deduziu que, na mente desses mestres da meditação, algumas coisas transcorrem de modo não usual. "Diferentes modalidades de meditação e tempos de treinamento diversos conduzem a modificações de curto e longo prazo no plano neuronal", concluíram os pesquisadores.

Seu colega Richard Davidson vai gostar de ouvir isso, sobretudo porque, em 2004, também ele encontrou outras comprovações dessa tese, graças à ajuda de Matthieu Ricard e de mais sete monges enviados pelo Dalai Lama ao laboratório em Madison. Eram todos mestres da contemplação mental, trazendo na biografia algo entre 10 mil e 50 mil horas de meditação - objetos de estudo ideais para as neurociências, como crê o ex-cientista Ricard: "A fim de verificar que porções do cérebro se ativam em diversos estados emocionais e mentais, são necessárias pessoas capazes de atingir esses estados e permanecer neles com lucidez e intensidade".

No caso dos monges de Davidson, a forma de meditação solicitada foi aquela conhecida como compaixão incondicional: amor e compaixão penetram na mente, fazendo com que o praticante se disponha a ajudar os outros sem qualquer reserva. Os monges deveriam se manter nesse estado por um curto período de tempo e, em seguida, deixá-lo. Enquanto isso, Davidson registraria suas ondas cerebrais com auxílio de 256 sensores distribuídos por toda a cabeça. A comparação com um grupo de novatos na prática da meditação revelou diferenças gritantes. Durante a meditação, a chamada atividade gama sofreu forte aumento no cérebro dos monges, ao passo que mal se alterou nos voluntários inexperientes.
Além disso, essas ondas cerebrais velozes e de alta freqüência esparramaram-se por todo o cérebro dos lamas. Trata-se de um resultado bastante interessante. Em geral, ondas gama só aparecem no cérebro por um breve período de tempo, limitadas não apenas do ponto de vista temporal, mas também em termos espaciais.

Que significado elas têm, os neurocientistas ainda não sabem dizer. Essas ondas cerebrais ritmadas, com freqüên-cias em torno de 40 hz, parecem acompanhar grandes desempenhos cognitivos - momentos de concentração mais intensa, por exemplo. Talvez representem o estado de alerta extremo, descrito por tantos praticantes da meditação, especulam alguns. Portanto, por mais relaxado que um monge budista possa parecer, seu cérebro não se desliga de modo algum enquanto ele medita. Ao contrário: durante o mergulho espiritual, fica evidente que está, na verdade, a toda. "Os valores medidos em Ricard estão de fato acima do bem e do mal", relata o psicobiólogo Ulrich Ott com audível espanto. Mas o que fascina ainda mais o pesquisador é o fato de as estimulações terem atravessado de forma tão coordenada todo o cérebro dos lamas. E a razão do fascínio é que há ainda uma segunda hipótese a respeito do significado e do propósito das ondas gama, hipótese que, aliás, envolve um dos maiores mistérios da pesquisa cerebral: a questão de como surgem os conteúdos da consciência.

Quando tomamos um cafezinho, o que percebemos conscientemente é a impressão geral - os componentes isolados são processados pelo cérebro em diversas regiões. Uma reconhece a cor preta, outra identifica o aroma típico, uma terceira, a forma da xícara e assim por diante. Mas não se descobriu até hoje que área cerebral junta todas as peças desse quebra-cabeça. Por isso, os estudiosos da consciência supõem que os neurônios envolvidos se comuniquem por intermédio de uma espécie de código identificador; - a freqüência gama. Quando as células nervosas para "preto", "aroma" e "xícara" vibram juntas a uma freqüência de 40 hz, o cafezinho surge diante do nosso olho interior. De acordo com essa tese - e diversos experimentos parecem confirmá-la -, as ondas gama constituiriam, portanto, um tipo de freqüência superior de controle que sincronizaria e reuniria regiões diversas, espalhadas por diferentes partes do cérebro.

Isso explicaria por que a meditação é tida como um caminho para alcançar outros estados de consciência. Em condições normais, as oscilações gama extremamente coordenadas que Davidson observou nos monges jamais ocorreriam, acredita Ott. "Se todos os neurônios vibram em sincronia, tudo se unifica, já não se distingue nem sujeito nem objeto. E essa é precisamente a característica central da experiência espiritual."

Mesmo antes da meditação, a atividade gama no cérebro dos monges era visivelmente mais intensa que no restante dos voluntários, em especial sobre o córtex frontal esquerdo, tão decisivo para o equilíbrio emocional.

Na opinião de Davidson, essa é mais uma prova de que, pela via da meditação - ou seja, do trabalho puramente mental -, é possível modificar aspectos específicos da consciência e, portanto, da personalidade como um todo. "As conexões no cérebro não são fixas. Isso quer dizer que ninguém precisa ser para sempre o que é hoje." Disso, Ricard não tinha dúvida nenhuma, mesmo antes de sua visita a Madison: "Meditação não significa sentar-se embaixo de uma mangueira e curtir o momento. Ela envolve profundas modificações no ser. A longo prazo, nos tornamos outra pessoa".

-Tradução de Sergio Tellaroli

Para conhecer mais
O monge e o filósofo: o budismo hoje. Jean-François Revel e Matthieu Ricard. Mandarim, 1998.

Studying the well-trained mind. M. Barinaga, em Science, 302 (5642), págs. 44-46, 2003.

Meditation alters perceptual rivalry in tibetan buddhist monks. O. Carter et al., em Current Biology, 15 (11), págs. R412-413, 2005.

Alterations in brain and immune function produced by mindful meditation. R. Davidson et al., em Psychosomatic Medicine, 65, págs. 564-570, 2003.

Long-term meditators selfinduce high-amplitude gamma synchronity during mental practice. A. Lutz et al., em Proceedings of the National Academy of Sciences, 101 (46), págs. 16369-16373, 2004
Ulrich Kraft é médico e jornalista científico.


© Duetto Editorial. Todos os direitos reservados.




Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/iluminacao_neuronal_imprimir.html

sexta-feira, outubro 15, 2010

ENSINANDO E APRENDENDO

Tati está aprendendo... So is Neide, Cris, Mônica, Gerson e tantas outras, outros, que me deram a honra de poder ensiná-los.

Que dádiva maravilhosa é comemorar o Dia do Professor ... ensinando!!!

Ensino e aprendo.

Assim é a mágica do professar, essa carreira que eu nasci sendo.

Obrigado a todos os meus alunos, vocês são a razão pela qual eu continuarei sempre aprendendo.


Ps: agradeço de coração ao Professor Amaury que tanto me incentivou a me tornar quem eu sou; ao Professor Wagner Borges que acreditou no escritor que eu sempre fui, e a Professora Terezinha que ensinou-me a ler, escrever e interpretar o mundo pelas letras.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Tô Com Saudade

Um amigo ligou e disse:

- Tô com saudade!

Quem é que te liga no meio da tarde para dizer que tem saudade nesses dias? Quem te contata sem segunda intenção, só para dar um recado que o seu coração sente a sua falta?

Coisas da amizade. Seja ela vestida em qualquer roupagem...

Não lembro da última vez em que eu liguei para alguém só para dizer: sinto a sua falta!

Acho que sempre estive ocupado demais ou demenos. Vai ver havia qualquer coisa, algum contratempo que ficou a favor do afastamento.

Quantas ligações recebi que começava com um "oi, como você esta" e continuava no " ei, eu tô precisando..."? Já perdi o cálculo, não importa, não conta! O que é importante é quando um amigo liga no meio da tarde só para dizer oi de verdade e você fica com aquele gosto de "uau!" quando a ligação acaba...e vontade de fazer o mesmo com outros tantas pessoas.

Amigos, vou ligar para vocês, não quero nada! Só quero dizer : tava com saudade!!!

PRECE PARA IEMANJÁ*

Por Wagner Borges

Iemanjá, Rainha das águas!
Que, nas ondas do Amor,...
Beija as praias secretas do coração.

Oh, Mãezinha Querida!
Que, silenciosamente, abraça todos os filhos.
Mesmo aqueles que se perderam...

Luz da Estrela Azul, a todos compreende.
E, por onde a Senhora segue, as mágoas se dissolvem.
E as coisas das trevas são transformadas em Luz.

Ah, Doce Mãezinha, limpe o coração da gente.
E não nos deixe cair nas garras do orgulho.
E nos fortaleça na Fé – e no discernimento das coisas.

Mentora Preciosa, não permita que nos distanciemos do seu Amor.
Principalmente nos momentos difíceis.
E, quando errarmos, por favor, nos direcione de volta para a Luz.

Amiga do Céu, que carrega as estrelas em seu ventre...
Ajude-nos na cura das emoções estranhas e dos pensamentos ruins.
Para que nossas ações sejam sadias.

Senhora dos corações, abençoe nossas viagens espirituais...
E, também, a grande viagem da Vida.
Que, dentro ou fora do corpo, nós sejamos dignos da Luz.

Ah, Linda Mãezinha das Águas, não permita que o mal entre em nós.
E ajude-nos a acender a fogueira do discernimento em nossos corações...
Para queimarmos as nossas tolices e ilusões.

Iemanjá, Rainha das Águas, e nossa Mãezinha Querida.
Obrigado, obrigado, obrigado...
Por tudo.

Paz e Luz

- Wagner Borges –
São Paulo, 10 de julho de 2010.

- Nota:
* Iemanjá: No Brasil, Iemanjá está associada ao mar, embora na África esteja mais vinculada à desembocadura dos rios. Nas lendas africanas ela é tida como filha de Olokum, deusa do mar, Mãe que criou muitos Orixás.
Na Bahia, as festas se realizam no dia 02 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, com repercussão nacional.
Seus instrumentos são o abebé cor de prata e uma espada. Sua saudação espiritual é “Odoiyá!”

Para saber mais sobre o Professor Wagner Borges, ler outros textos e o os cursos do IPPB, acesse:

www.ippb.org.br

quarta-feira, outubro 13, 2010

Morar em condomínio


Publicado em Leitura Diária.com.br


Morar em condomínio

Também tem suas desvantagens, ah se tem!

Primeiramente, cabe ressaltar a definição e condomínio:

Condomínio
s. m.,
domínio comum;
autoridade igual e simultânea exercida por poderes diferentes;
conjunto das partes comuns de um edifício, pela manutenção das quais os condôminos pagam uma determinada quantia.

É justamente na DEFINIÇÃO de Condomínio que começa TODO o problema!
Senão, vejamos:

Domínio comum = Terra de ninguém.

Autoridade Igual e Simultânea exercida por poderes diferentes = Baderna

Conjunto das partes comuns de um edifício, pela manutenção das quais os condôminos pagam uma determinada quantia = Fica com a conta aí.

Pode parecer brincadeira, mas é a realidade. Você paga por um apartamento, casa, escritório a sua vida inteira, e é dono só no papel. A taxa condominial sempre aumenta e, cada vez que aumenta, resulta em inadimplência.

Some-se a inadimplência ao seu vizinho chato e multiplique pelo síndico e sua mania de se achar o DONO do condomínio.

Mas isso não é nada, se comparado à sua vizinha do andar e baixo, que, no final de semana, resolve fazer uma RAVE entre sexta/sábado/domingo. Ah, não esqueça da sua vizinha de porta, que tem a terrível mania de acordar às 7 da manhã pra lavar roupas, esqueça a máquina de lavar roupas dela, não parece um tanque de guerra dando tiros de canhão.

As crianças, coitadas, não tem uma quadra para brincar, jogam bola dentro do apartamento mesmo, e você não pode reclamar, afinal, o Estatuto do condomínio díz que: “silêncio após às 22:00 horas”.

O elevador. Relaxe, ele NUNCA dá problema (quando, diga-se de passagem, você não está dentro dele).

Seus vizinhos também possuem como animais de estimação cachorros? Que insistem em andar no Elevador, no colo do seu vizinho, baforando na tua cara, latindo na tua orelha?

Primeiramente, esqueça. Aquilo não é um cachorro, é o filho(a) do(a) vizinho(a), e não se espante se chamarem o pobre animal, digo, filho(a) dele(a) pelo teu nome, afinal, aquele pobre animal é tratado como gente.

Relato de um morador de condomínio(“EU“).

((((()))

Esse texto foi publicado em: http://leituradiaria.com.br

VIADUTO DO RIO VERMELHO

A inspiração atacou-me no meio do Viaduto do Chá, quando eu vinha indo, com pressa de não parar; veio caindo em gotas de insights, pedindo que eu abrisse meu caderninho e a deixasse se manifestar; mas quem é louco para parar no meio do Viaduto do Chá para dar pena à inspiração?

Tem Frank pra tudo!

Tentei seguir o meu caminho, tirar o Frank disso, afinal, quem já viu escritor de caderninho aberto no centro de São Paulo escrevendo os seus insights? Francamente, quis enviar a inspiração para algum lugar distante, mas dei-me conta que se não desse passagem a ela, poderia perder a chance de escrever um best-seller, ou ao menos, uma dessas crônica que já vem pronta da fábrica só para o leitor degustar.

Então, engolindo o senso do ridículo, abri o caderninho e dei mente e coração para a Musa falar e começou a brotar na minha cabeça um texto tão clarinho quanto o céu de Dezembro, tão profundo como o Rio Danúbio, e em meio a essa corrente de palavras bem contadas, a mensagem que me vi escrevendo transformou-se em poesia musicada, e a dancei feito valsa com a Musa da Criatividade, numa melodia que lembrava Viena e parecia Budapeste, que lembrava Strauss, mas parecia Bartok; e ao final da dança, preparei a minha pena vermelha e ao primeiro pingo de tinta em palavras, a caneta explodiu em vermelho, poluindo as folhas do meu caderninho, matando a minha crônica tão musical, tão bonita; e ao invés das águas cristalinas da fonte da inspiração, tudo vermelhou, e o sangue jorrou, fazendo com que eu escrevesse essa crônica meio crítica, que só saberá do que eu estou falando, quem conseguir ler nas entrelinhas... Sobre o desastre da Hungria:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/811624-vazamento-toxico-e-um-desastre-sem-precedentes-na-hungria-diz-premie.shtml

terça-feira, outubro 12, 2010

LETRAS DE MOLEQUE

Perguntem aos meus sobrinhos
o típico presente
do Tio Frank
para o Dia das Crianças,
e eles responderão
em uníssono:
livro!!!

((()))

Perguntei a minha irmã:
- Que tipo de livros, os professores
da escola dos meus sobrinhos
Pedem para eles lerem?

Ela respondeu:
- Livros?

((()))

Quando eu era criança,
Ao invés de cueca,
Brinquedo ou cinto,
Eu pedia gibi,
E traziam doce de amendoin!!!

((()))

Sempre gostei de ler,
Acho que nasci lendo,
Só assim para explicar
Porque estou fazendo
Vocês lerem
O que estou escrevendo...

segunda-feira, outubro 11, 2010

A Lenda dos Guardiões

Para quem gosta de passarinho:

A Lenda dos Guardiões

Uma grande dica para um programa bacana para Pais e Crianças nesse Dia dos Moleques: leve o pequenuxo para assistir essa animação encantandora que mostra a saga de uma pequena coruja em busca de ajuda para salvar sua família e outras tantas corujas-filhotes da escravidão e dominação por um grupo de corujas do mal.

Veja o clipe abaixo e se deixe encantar pela saga de voar da pequena coruja:




A Lenda dos Guardiões - Trailer Original




A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians)
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Elenco: Vocês de: Emily Barclay, Abbie Cornish, Emilie de Ravin, Ryan Kwanten, Jay Laga aia, Helen Mirren, Sam Neill, Richard Roxburgh, Geoffrey Rush, Jim Sturgess, Hugo Weaving, David Wenham.

Direção: Zack Snyder
Gênero: Aventura/Animação
Duração: 90 min.
Distribuidora: Warner Bros.
Estreia: 08 de Outubro de 2010
Sinopse: 'Lenda dos Guardiões' segue Soren, uma jovem coruja fascinada pelas histórias épicas contadas pelo seu pai sobre os Guardiões de GaHoole, um bando mítico de guerreiros alados que lutaram em uma grande batalha para salvar todas as corujas dos maldosos Puros.

Enquanto Soren sonha em algum dia unir-se aos seus heróis, seu irmão mais velho, Kludd, zomba da ideia, e prefere caçar, voar e tirar a predileção de seu pai pelo irmão mais novo. Mas a inveja de Kludd tem consequências terríveis — fazendo com que ambas as corujinhas caiam de sua casa no topo da árvore direto para as garras dos Puros. Agora depende de Soren realizar uma fuga audaciosa com a ajuda de outras jovens corujas. Juntas elas voam cruzando o oceano e a bruma para encontrar a Grande Árvore, lar dos lendários Guardiões de GaHoole — a única esperança de Soren para derrotar os Puros e salvar os reinos das corujas.

O longa é baseado nos três primeiros livros de Kathryn Lasky, dos 15 publicados.


Fonte: http://www.cinepop.com.br/filmes/lendaguardioes.php
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