quarta-feira, janeiro 21, 2009

O Vazio e o Espaço Preenchido

Estou em uma das praias de São Paulo. Vejo carros cruzando as avenidas deixando um rastro de som; as pessoas falam alto; os bares atraem clientes com os mais variados ritmos; procuro,tento, mas não consigo ouvir o mar.

A praia está lotada, no lugar da areia, os guarda-sóis. Todos os espaços estão preenchidos, não insisto, vou em busca do vazio, estou precisando de uma dose disso, do silêncio, da quietude, do descanso merecido.

Por um momento, penso que estou ficando mesmo velho: tenho tolerância zero para o barulho; evito nadar no mar de pessoas das ruas de São Paulo ou qualquer outro lugar; mas a questão não é idade e sim seleção. Tenho selecionado melhor os lugares que me dão prazer, as pessoas com quem converso e aprendo; tenho filtrado melhor o que absorvo dos outros, do mundo.

Sou observador, adoro estar entre a nossa gente, ouvindo as suas estórias, aprendendo com a vida de cada um; mas ao me tornar mais seletivo, percebi que eu era meio que um "João vai com os outros". Nesse processo coletivo que é viver nesse mundo, muitas foram as vezes, em que estive ocupando todos os espaços vazios da minha praia com guarda-sóis, quarda-tranqueiras, guarda-coisas que não valem mais nada. Na minha jukebox tocava canções melosas que atraiam emoções estranhas e já experenciadas, na rádio da minha alma, tocava músicas distorcidas e eu as tocava no volume mais alto; na tentativa de expulsar o silêncio, me livrar do vazio, combater a quietude; sem perceber que é no espaço entre duas palavras, no vazio entre dois sons, que eu estou pleno.

EU SOU no espaço vazio entre o que penso e faço. EU SOU na quietude da alma que tudo vê e tudo sabe.

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