terça-feira, janeiro 31, 2012

A Iluminação e a Preguiça


Basta um tempinho para fechar os olhos e limpar minha tela mental. Um bija-mantra aqui, outra visualização ali e os lagos de cada chacra se interligam pelo riacho da energia correndo de baixo pra cima e expandindo a minha consciência para alem da matéria. Simples assim. Simples? Que nada! Sabe qual foi a última vez em que eu fiz isso? O ano passado.

Eu tenho uma boa desculpa, aliás, tenho várias. Quero dizer, desculpas é o que não me falta: filha, trabalho, cansaço, falta tempo, falta coragem para admitir que fui tomado pelo monstro da preguiça.

Sim, meu grande obsessor espiritual se tornou a preguiça em manter a minha disciplina de exercícios. O pior é que eu sei o quanto essas práticas espirituais são importantes para minha saúde mental e física, ainda assim, boicoto meus exercícios.

Invento cada desculpa descarada. O mais engraçado é me observar fazendo esse boicote dos exercícios. Sempre aparece um motivo para não praticar a minha meditação. O resultado é que vou dormir e não descanso direito, pois a minha cabeça está tão entupida de nuvens de preocupações diárias que devo ocupar toda a noite sonhando com elas.

Certa vez, um amigo me disse que dormir pensando nos problemas faz bem, pois quando dormimos com esses pensamentos em mente, nossa mente vai passar a noite toda tentando resolvê-los e no dia seguinte, a solução vem naturalmente. Só se for para ele! Até onde eu sei, só conseguimos mesmo trabalhar na solução de um problema, durante o nosso sono, se estivermos com corpo descansado e com a mente serena. Quanto mais agitada estiver a nossa mente, pior será a qualidade do sono, e a recuperação de lembranças, seja do sonho ou de alguma " projeção", só virá se dormimos bem.

Antes de dormirmos, uma prática meditativa funciona tão bem para a mente quanto um banho morno funciona para o corpo. A disciplina em mantermos essas práticas torna o exercício cada vez mais eficaz e efetivo. Sou prova disso, pois quando fazia as práticas, o resultado era bem visível no dia seguinte: mais entusiasmo, menos fadiga.

Contudo, prometi a mim mesmo que vou lutar bravamente contra a preguiça e retornar as minhas práticas, mas somente amanhã, pois essa noite, estou ocupado escrevendo essa crônica sobre esse assunto...

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Jureminha e o Bicho-Preguiça


É domingo, dia de acordar tarde, de curtir meu lado bicho-preguiça. Certo? Errado! Jureminha acorda cedo todo dia, ainda não aprendeu que domingo é dia de missa, de pão na padaria e curtir a preguicinha merecida.NGOso domingo às 6:30, sem atraso, ela desperta resmungando, tentando chamar atenção e vai aumentando o som dos seus resmungos, e se não formos até ela, Jureminha parte para o último recurso: choro à mil decibéis. Porém, nesse último domingo, ela não despertou às 6:30. Alegriiiaaaaa!!!

Alegria???

Nada disso! Como ela não meu acordou às 6:30, eu despertei condicionamente às 6:31, confuso e me perguntando: Ju???

6:40: nada!

7:00: nada!

Enfim, às 7:05 levantei e fui até o quarto dela, checar se estava tudo certo e para a minha surpresa, ela estava ainda na terra dos sonhos. Só acordou às 8:30.

Eu, por outro lado, não consegui dormir mais, pois fiquei me perguntando: será que preguiça passa de pai pra filha?


sexta-feira, janeiro 27, 2012

Dormindo ou Acordado?


Quando a morte vem buscar,

não há espaço pro coitado.


Só os valentes sabem como

morrer acordado,

os coitados preferem

morrer dormindo.


Você prefere partir

Dormindo ou acordado?

quinta-feira, janeiro 26, 2012

OXEU


Jesus olha pra mim,
com cara de velhinho
e diz assim:
- Oxalá, Frank!

E eu respondo:
- Oxalá, Jesus!

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Salve São Paulo

Eu te amo São Paulo - Tom Zé



Tom Zé
São, São Paulo quanta dor
São, São Paulo meu amor

São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São, São Paulo quanta dor
São, São Paulo meu amor

Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo centro da cidade
Armadas de rouge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
Um palavrão reprimido
Um pregador que condena
Uma bomba por quinzena
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São, São Paulo quanta dor
São, São Paulo meu amor

Santo Antonio foi demitido
Dos Ministros de cupido
Armados da eletrônica
Casam pela TV
Crescem flores de concreto
Céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
Aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São, São Paulo quanta dor
São, São Paulo meu amor

São, São Paulo quanta dor
São, São Paulo meu amor

São, São Paulo meu amor

terça-feira, janeiro 24, 2012

Caverna das Memórias Sombreadas



"Só fica com medo e perdido, quem não aprendeu nada" - por Auri Oliveira.


Ah esse olhar de aprendiz, procurando suporte e segurança nas palavras do mestre.

Não é fácil reaprender a dança; eu sei! É sempre complicado recomeçar a jornada e como é complexo o processo de relembrar as ferramentas, caçar dentro de si, as lições apropriadas. Porém, só fica com medo e perdido, quem não aprendeu nada e tenho certeza que dentro de ti, aprendiz, mora todas as respostas. Tudo o que você precisa é ter paciência para reaprender a buscá-las. Para isso serve o Mestre, ajudá-lo nessa empreitada.

O Mestre serve para te motivar a mergulhar em suas sombras projetadas e ler as escrituras e pinturas que você mesmo escreveu e desenhou nas paredes da caverna escura que se tornou a sua alma, e te ajudar a iluminá-la com a sua consciência despertada e ler essas palavras guias da floresta da memória esquecida, palavras essas que você mesmo deixou gravadas para te ajudar a lembrar o que você já soube um dia.

O mestre serve para te ajudar a articular o que não se faz dito, te ajudando a se esforçar para recuperar o tempo perdido e alcançar o externo com o que se faz eterno dentro!!!

Cabe a você, o desafio maior do aprendiz: tomar riscos, se expor, buscando o conforto de um trabalho bem feito em prol do sabor de relembrar aqui o conhecimento tão necessário para que você se mova adiante sem precisar esquecer jamais o que já aprendeu antes.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Começou...


Jureminha observa a mãe dela dançando.

A mãe dela baila e gira; gira e baila a canção da Mãe e da Filha; a mãe dela gira e baila, baila e gira, a canção de Gaya.

E Jureminha não tira os olhos, atenção total.

Concentração real de bebê que observa algo que lhe interessa e lhe interessa o movimento da mãe dela, a melodia dos sentidos: cheiro, visão e tato, audição e sexto sentido, tudo devidamente ativado para captar os passos da mãe bailarina, sem fechar os olhos, sem se distrair daquilo que lhe dá alegria.

Distração é tratar a ação do mundo sem a devida importância.

Adulto é só distração; bebê se concentra na ação até a ação se esvair e a canção terminar, e ela entre Bu Bu e Bá Bá parecer dizer: acabou?

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Regras e Disciplina


Quem não obedece regras, desconhece, que isso já é uma regra, o que invalida a rebeldia em não seguir disciplina alguma, o que já em si, já se faz disciplina.

Disciplina não é enrijecimento; disciplina é fortalecimento da vontade sob o rio revoltoso da vaidade.

As regras não amordaçam a liberdade, as regras somente ajudam a atingirmos uma matura idade. A vaidade exacerbada, por outro lado, encanta e aprisiona a nossa vontade.

Maturidade é deixar-se ser regrado e disciplinado pelo tempo certo, por pura, livre e sóbria vontade.

Disciplinar-se é a chave do gerenciamento das nossas vontades que precisam das regras impostas pelo aprendiz que não quer ser prisioneiro dos desejos daninhos que se disfarçam de prazer, mas seguem destruindo.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

ALABÊ DE JERUSALEM

By Dener Giovanini

Ano passado tive a honra de ser recebido por Altay Veloso em sua casa, no Rio de Janeiro.

Foram horas de um imenso aprendizado com esse que é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores compositores da cultura brasileira. A obra de Altay é vasta e rica. Suas canções foram gravadas por inúmeros artistas, como Roberto Carlos, Fagner e Zizi Posse.

Mas a maior obra de Altay, infelizmente, ainda é desconhecida pela grande maioria da população brasileira: a Ópera Alabê de Jerusalém.

Sim, leitor. Uma ópera.

Uma ópera completa, linda e que conta uma história envolvente, passada a dois mil anos atrás.

Alabê de Jerusalém foi encenada poucas vezes no Brasil. Mesmo reunindo nomes de peso da MPB, como Elba Ramalho, Fafá de Belém, Alcione, Lenine, Bibi Ferreira, Jorge Aragão e Ivan Lins, entre outros, Altay não consegue patrocínio para levá-la novamente a público.

Fafá de Belém disse que se Altay tivesse nascido norte-americano, sua ópera seria um dos maiores sucessos da Broadway. E ele estaria rico, muito rico. Como não é o caso, Altay luta diariamente para conseguir o seu sustento e continua na batalha para levar de volta aos palcos a sua grande obra.

Mas, deve estar se perguntando o nobre leitor: o que uma ópera está fazendo num blog ambiental?

Respondo com um trechinho da ópera de Altay:

" Ah, meu Deus! Assisto com muita tristeza a pena da aspereza dilacerando a beleza de uma linda sinfonia. A aguarrás de juizes, ciumentos inflexíveis, descolorindo as matizes de uma linda pintura, só porque não gostam da assinatura”
E vai com uma bailarina, com a inocência de menina, dançando em volta do sol, a Grande Mãe Terra. Enquanto muitas nações, governos, religiões ensaiam a dança da guerra.
Na verdade a bola azul quase nunca foi amada; é sempre penalizada. Tem um trabalho enorme, dedicação e talento para preparar a mistura, juntar os seus elementos para dar forma às criaturas, e elas, depois de paridas, desconhecem a matriarca e dizem, mal agradecidas: que a carne é fraca.
Olha, eu vou dizer na minha simples observação: dia após dia, me perdoem a liberdade, mas religião de verdade, mais parecida com a que Jesus queria, talvez seja sentimento de ecologia. Para esse sentimento não tem fronteiras e só reza um mandamento: preservação das espécies com urgência, sem adiamento.
Hoje, ela pensa nas plantas, nos rios, no mar, nos bichos. Amanhã, com certeza, com a mesma dedicação e capricho, pensará com muito cuidado nos meninos abandonados.
Ah, se ela tivesse mais força para sustentar sua zanga, evitaria, com certeza a fome cruel de Ruanda. Ainda era uma menina, quando a impertinência sangrou, com a bola de fogo, a pobre Hiroshima. Mas ela cresce, se instala como uma prece no coração das crianças. Tenho muitas esperanças…
Eu tenho toda a certeza que nosso planeta um dia, mesmo cansado, exausto, terá toda a garantia e guardado por uma geração vigia, nunca mais verá a espada fria no Holocausto..."

Alabê é uma exaltação a conservação da natureza e uma tremenda lição de respeito a vida. Só por sua riqueza cultural já merecia estar entre os materiais didáticos distribuídos pelo MEC às escolas. A sua mensagem ambiental, importantíssima, só reforça o seu valor.

Mas como quase tudo que presta nesse país, é relegada ao esquecimento.

Enquanto isso sobram recursos para sindicatos promoverem shows grandiosos no Dia do Trabalhador ou para peças teatrais que contem com a participação de alguma neta de Lula.

Deixo aqui também um vídeo sobre os bastidores da gravação da ópera em estúdio. É impressionante como os artistas, sensíveis que são, se emocionam ao interpretar as canções de Altay Veloso. Gostaria muito que os leitores do blog ajudassem a divulgar essa que é uma das maiores obras da nossa cultura e que, com certeza, nos orgulha como brasileiros.

Source: http://blogs.estadao.com.br/dener-giovanini/alabe-de-jerusalem/

Dener Giovanini é ambientalista e documentarista cinematográfico. É membro do Conselho Global contra o Comércio Ilegal Mundial, mantido pelo G20 e ONU. Produz séries e documentários para cinema e TV. www.denergiovanini.com.br

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OS INTOLERANTES



"Ah, meu Deus! Assisto com muita tristeza a pena da aspereza dilacerando a beleza de uma linda sinfonia. A aguarrás de juizes, ciumentos inflexíveis, descolorindo as matizes de uma linda pintura, só porque não gostam da assinatura?"

"E vai com uma bailarina, com a inocência de menina, dançando em volta do sol, a Grande Mãe Terra. Enquanto muitas nações, governos, religiões ensaiam a dança da guerra."

"Na verdade a bola azul quase nunca foi amada; é sempre penalizada. Tem um trabalho enorme, dedicação e talento para preparar a mistura, juntar os seus elementos para dar forma às criaturas, e elas, depois de paridas, desconhecem a matriarca e dizem, mal agradecidas: que a carne é fraca."

"E quando o planeta gera um Avatá, um iluminado assim como o Nazareno, tem logo quem se apresenta com conhecimento profundo e diz logo: não é desse mundo, só pode ser extraterreno."

"Ah, é difícil entender porque é que o homem, até hoje, cospe no prato que come. Algumas religiões, não sei por qual motivo, dizem que a Terra é um território com vocação pra purgatório, não passa de sanatório... E que nós só seremos felizes longe dela, bem distante, lá onde os delirantes chamam de paraíso."

"Olha, eu vou dizer de coração. Na minha simples, dia após dia, me perdoem a liberdade, mas religião de verdade, mais parecida com a que Jesus queria, talvez seja sentimento de ecologia. Para esse sentimento não tem fronteiras e só reza um mandamento: preservação das espécies com urgência, sem adiamento."

"Hoje, ela pensa nas plantas, nos rios, no mar, nos bichos. Amanhã, com certeza, com a mesma dedicação e capricho, pensará com muito cuidado nos meninos abandonados."

"Ah, se ela tivesse mais força para sustentar sua zanga, evitaria, com certeza a fome cruel de Ruanda. Não tinha maturidade, ainda era uma menina, quando a impertinência sangrou, com a bola de fogo, a pobre Hiroshima. Mas ela cresce, se instala como uma prece no coração das crianças. Tenho muitas esperanças..."

"Eu tenho toda a certeza que nosso planeta um dia, mesmo cansado, exausto, terá toda a garantia e guardado por uma geração vigia, nunca mais verá a espada fria no Holocausto."

"A intolerância, repito, é a mais triste das doenças. Não tem dó, não tem clemência. Deixa tantas cicatrizes nas pessoas, nos países, até as religiões, guardiãs da Luz Celeste, abandonam seus archotes para empunhar cassetete. E o que, na verdade, refresca o rosto de Deus, é um leque, que tem uma haste de Calvino e outra de Alan Kardec."

"Na outra haste, as brisas, que vêm das terras de Shivas, são uma, dos franciscanos, e outra, dos beduínos. Não precisa ir muito longe... Jesus nasce entre os rabinos."
"Às vezes corações que crêem em Deus, são mais duros que os ateus. E jogam pedra sobre as catedrais dos meus deuses Yorubás. Não sabem que a nossa terra é uma casa na aldeia, religiões na Terra são archotes que clareiam."

DE ALTAY VELOSO

quarta-feira, janeiro 18, 2012

I am not a Superman


Uma coisa é ajudar alguém quando necessário; outra bem diferente é comprar a briga dos outros. Se ajudar o outro é ser humano; caminhar pelo outro é ser burro.

Talvez por ignorância, talvez por imaturidade, acreditamos que um pouco de teoria pode ser usado para um tanto de realidade. O inferno não está só cheio de gente com boas intenções, está cheio também de pessoas que tentaram curar os outros sem ter se curado primeiro.

Curar-se primeiro é compreender que não somos supermen. Não podemos sair por aí, brincando de ser herói para os outros, quando nos acovardamos com a nossa própria sombra.

Como diz um amigo meu : "bonzinhos, não sejam bobinhos".

terça-feira, janeiro 17, 2012

O Erro e o Choro


A criança chora, a mãe se irrita e grita: para de chorar!!! A criança chora mais ainda, berra; a mãe, cada vez mais irritada, ameaça: ou você cala ou terá motivo para chorar pra valer!

O aluno erra, o professor se irrita e fala ( quase grita): está errado! O aluno erra mais ainda, o professor cada vez mais irritado ( já ensinou aquilo dezenas de vezes), ameaça: ou você estuda ou não passará de ano!

A criança não tem controle das palavras, então se comunica pelo choro. O seu choro carrega o significado que sua voz ainda não domina. O pai habilidoso compreende que o choro comunica, e escuta...

O aluno não tem controle sobre o que é acerto, então se comunica com o erro. O erro carrega o significado para guiá-lo em direção ao aprendizado. O professor habilidoso adora os erros, pois cada um deles é uma tentativa de acerto.

A mãe irritada tenta calar a boca da criança, abafando o choro com ameaças e sacolejo.

O professor irritado tenta calar a boca do erro, castrando as tentativas de acerto, tentando ensinar o seu jeito ao invés de aprender que cada aluno tem seu meio.

Choro e erro!

Erro e choro!

Duas ferramentas de aprendizado que quase ninguém sabe o que é direito.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Avançando Para Trás


Jureminha está engatinhando...ou quase. Ela começou a ensaiar um se mover sozinha, um “minhocar”, pois ela ainda não consegue erguer os joelhos, porém, ela já atinge certa velocidade... Só que para trás.

- É para frente, filha! – incentivo, mostrando brinquedos, o DVD da galinha pintadinha ou qualquer outra coisa que a faça de esforçar para pegar, mas em vão, lá vai Jureminha indo para debaixo do sofá.

De acordo com os pediatras, o engatinhar é um processo bem complexo e muitas crianças desenvolvem esse movimento de muitas maneiras, há crianças que até pulam esse processo completamente e saem logo andando. Cabe aos pais, conter a ansiedade e continuar incentivando o bebê a seguir o seu ritmo de aprendizado.

É engraçado como os pequenos movimentos dos nossos filhos nos dão tanta alegria. Como professor, acompanhar os avanços da minha pequena tem me ajudado muito em relação aos meus estudos sobre aprendizagem e ritmo. Acho que ser professor ajuda a conter em mim, a ansiedade natural de ver minha pequena crescer rapidamente.

Pular etapas é coisa de adulto, a criança não liga a mínima se queremos que ela vá para frente ou para trás. Para a criança, qualquer movimento é crescimento; logo, é para frente!!!!

A maioria dos bebês aprende a engatinhar entre os 6 e os 10 meses. Esse ato fortalece os músculos do bebê para que depois ele seja capaz de andar. Mas o que interessa é o sair do lugar, não importa como ou quanto tempo leve.

- Para frente, Jureminha! – continuo dizendo, incentivando, enquanto ela me olha como se eu fosse um alienígena; em seus olhos, ela parece dizer:

- Eu estou indo para frente, papai! – diz ela – Quem ainda está indo para trás é você.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Guia de Combate ao Seu Monstro


Nota: essas dicas foram encontradas em manuscritos perdidos durante séculos nas cavernas ao lado do Mar Vivo. As instruções aqui inseridas devem ser usadas com cautela, se possível, sob a orientação de um guia, terapeuta, mestre espiritual ou alguma tia que você desconfie que tenha parte com bruxaria.

1. Reconheça que todos nós temos monstros vivendo dentro da gente ( que possuem outros nomes de acordo com a cultura do local: sombra para os psicosotéricos ou capeta pela Pastor Zezinho);

2. Esse monstro já foi um aliado ( anjinho) antes de ter sido deturpado pelo poder que você deu a ele de controlar você;

3. Após o reconhecimento da existência dele, observe-o e o estude;

4. Não tente controlar e nem leve pro Pastor Zezinho exorcizar; água benta só multiplica e fortalece esses monstrinhos ( também chamados de Gremlins em Hollywood);

5. Uma vez que você o liberte, gerencie o contato com ele, observando como ele reage e quer controlar você; não dialogue com ele, deixe-o cansar de esperar pelo seu confronto;

6. Sim, ele adora as suas tentativas de vencê-lo. Como ele é mais forte que você, saboreia te ver perder- afinal ele sabe mais sobre você do que você sobre ele - pelo menos até agora;

6. Pacientemente, comece a enxergar os benefícios que ele tem - afinal tudo é positivo e negativo ao mesmo tempo - e quando ele fizer algo bom por você, reconheça que ele fez um ótimo trabalho e diga isso a ele - e ele para agradecer de volta, vai apertar o botão de "dopamina" do seu cérebro - a química do prazer- e você e ele vão se encher da sensação de recompensa;

6. Se ao fazer algo estranho ou negativo, você o ignorar ( com carinho) e recompensar quando ele fizer algo bom, você estará adestrando o seu monstrinho a virar ferramenta ao invés de continuar a ser um eterno entrave;

7. Se você não achou simples essas dicas ou não compreendeu bulhufas de nada, procure um guia ou vá ler romance espírita!

quinta-feira, janeiro 12, 2012

A Fuga


" Liberdade é prender-se por própria vontade para alcançar o que é de nossa idade"

Deixar algo pela metade é um tiro no pé. É água fria em sonho quente; é no meio da felicidade, querer estar descontente. É a fuga desesperada de alguém que não agüenta perder e quer se convencer que não terminar algo é a melhor forma de lidar com o desconforto de assumir um compromisso.

Essa fuga é um achatamento do ser, é desrespeitar as forças e as pessoas que entraram em movimento ao redor dela para seu desejo cumprir.

Fugir assim é começar um ciclo de jornadas incompletas e sonhos desconstruidos que repercutem em tudo mais que se quer realizar e quando todo o resto não dá certo, ainda culpamos o inimigo por pura ignorância de não termos coragem de investigar o nosso próprio umbigo.

O que é uma pena, pois a alma vai ficando pequena pela preguiça mental de não querer se fadigar com o preço a pagar por se melhorar.

E o pior é que ainda encontraremos uma desculpa para nos convencer que o melhor foi fazer o nosso pior.


quarta-feira, janeiro 11, 2012

Carol Inda


Nos seus olhos fundos guarda tanto brilho, sonhos e realizações para mudar esse mundo

Não importa quantos tentarem lhe explicar, que não vai dar, que seus sonhos não vão nada ajudar
Ela não ouvirá, pois já está a dançar, pois aprendeu como aproveitar

Nos seus olhos, uma rosa nasceu, um samba pro mundo criou e uma estrela nasceu
E ela esta sorrindo, pela janela da alma, ah que lindo

E Carolina é seu nome...

Carolina, dos olhos brilhantes, estudante dos que querem fazer um mundo melhor, emancipando o olhar no valor que dá a amizade, na fé que todos merecem a mesma porção de amor

Não importa se alguém lhe avisar que o mundo vai acabar, se acabar, acabará com ela lutando, se movimentando para conseguir realizar o brilho dos seus sonhos

Mil versos, Chico cantou pra lhe agradar, agora não sei como explicar porque eu estou tentando versar em cima dos versos dele

Vai ver é que por que lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, um barco partiu, mas você continuou.


Notas: essa é uma croniqueta baseada nos versos de Chico Buarque. Um Ode a minha amiga Carolina Bagnara

terça-feira, janeiro 10, 2012

Pontinhos da Alma


Há vida depois da morte. Contudo, teremos força para manter a nossa consciência durante essa nova jornada? Se já é difícil nos mantermos intactos durante uma vida, imagina o que pode ocorrer com as consciências que desencarnam fragmentadas?

Tenho aqui com os meus botões um desconfiamento que estamos nessa dimensão para nos manter coesos tanto na carne quanto no éter.

Sinto que cada vez que me conecto realmente com a consciência que habita o outro, ocorre um fortalecimento das estruturas da minha alma - acho que deve ser sobre isso que os crentes em Cristo se referem ao dizer que ao fazermos o bem, ganhamos pontinhos no céu.

Não posso ter certeza de nada que corre na cachoeira da minha mente, mas confio no que ocorre abaixo do sol dos meus olhos e do rio da minha língua; confio nisso pois reside dentro de mim, todas essas sensações que não podem ser descritas ou compartilhadas. Se tento ainda assim dividi-las com você, é muito mais como um lembrete para mim do que de um convencimento de mais uma verdade para você.

Só posso testemunhar a certeza do que ocorre em mim, pois é na residência do balanço das minhas experiências que o Deus Vivo se manifesta e Sua Presença me conforta e me desafia.

Conforta por eu saber que posso engatinhar nesse mundo tendo meu Pai a me olhar e proteger; e desafia, pois a vida e a consciência Dela que Ele me deu, impulsionam meu movimento para a frente e para adquirir a fortaleza da imortalidade de viver no próximo quer seja pelos meus atos, quer seja pelas minhas letras.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

O Rosto da Jureminha


Que bebê vai mudando a cada dia ninguém tem dúvidas, mas ontem ao olhar para o rosto da minha filha, ela parecia outra pessoa. Algo mudou ou mudaram os meus olhos?

Sim, ela está cada vez mais bonita, esperta e sorridente, mas me refiro a esse algo que muda no rosto da gente à medida que crescemos e não nos damos conta. Talvez por ser pai ( ou mesmo por ser professor), noto qualquer diferença na minha filha, desde o seu comportamento à qualquer carocinho por causa do calor, daí, o meu espanto quando notei que seu rosto tinha mudado um tanto comparado à última vez em que eu tinha observado.

Acho que só quem tem filho compreende do que estou falando, mas a razão dessa crônica e de discutir esse assunto é que minha filha vai pouco a pouco se tornando a menininha que, de alguma forma, eu sempre soube que seria a minha filha.

domingo, janeiro 08, 2012

Parabéns, majestade

Por Luciane Mediato
Publicado no Diário do Grande ABC


No dia 8 de janeiro de 1935, em East Tupelo, Mississippi, nos Estados Unidos, nascia Elvis Aron Presley, aquele que seria coroado como Rei do Rock. Se fosse vivo, o ícone da música celebraria hoje 77 anos. Para comemorar essa data, chega ao Brasil o livro 'Os Arquivos de Elvis' (Madras Editora, 160 páginas, R$ 84,90 em média). O título foi escrito por Todd Slaughter, presidente do fã-clube britânico, e Anne E. Nixon, expert internacional em Elvis. A obra contém duas características importantes. A primeira é que ela conta a história completa da vida do cantor. Este aspecto permitirá que as futuras gerações entendam quem era Elvis Presley, por que ele conquistou tantos corações e como ele se tornou rei. Outra parte importante do título é que ele contém grande número de fotografias raras e inéditas do astro.

Se o livro chega para as celebrações de aniversário, a exposição 'The Elvis Experience' vem direto de Graceland - como ficou conhecida sua mansão - para marcar os 35 anos de saudades que o rei do rock & roll deixou após sua morte em 1977.

A mostra tem abertura programada para 18 de setembro, mas ainda não tem lugar definido. Entre os itens que virão para o Brasil, estão telefone folheado a ouro do quarto de Elvis, seu figurino branco usado em um especial na TV de 1968 e até o carro vermelho do filme 'Feitiço Havaiano - Blue Hawaii', de 1961.

No dia 2 de outubro, os fãs brasileiros poderão acompanhar show em homenagem ao Rei do Rock: o 'Elvis Presley in Concert'. A experiência trará apresentação do cantor projetada em um telão, enquanto músicos e cantores que trabalharam com o ícone acompanharão as canções do vídeo ao vivo.

Mais informações como detalhes dos itens que serão enviados para o Brasil, locais da exposição e do show, datas e preços serão divulgados nesta semana.

TRAJETÓRIA

Elvis Presley foi a primeira estrela real do rock'n'roll, para não mencionar uma das forças mais importantes na história cultural, símbolo de libertação para os Estados Unidos da década de 1950. Ele uniu negros e brancos com sua música. Além de utilizar sexualidade natural que fez dele ídolo 'teen' e modelo para as gerações de rebeldes cool.

O astro foi repetidamente julgado como vulgar, incompetente e má influência, mas o poder de sua música e imagem não foi tarefa simples de merchandising. Mais de três décadas depois de sua morte, a figura de Elvis permanece inalterada. Ele já vendeu mais de 1 bilhão de discos e mais de uma centena de suas canções entrou na classificação dos 100 melhores títulos dos Estados Unidos em diferentes épocas.

Astro é referência para cover andreense

A paixão pelo ídolo muitas vezes não fica só nas músicas e filmes. Muitos dos fãs de Elvis Presley transformam a admiração em carreira. No mundo, existem por volta de 85 mil imitadores de Elvis, de acordo com as estimativas da Presley CKX Inc., empresa que administra Graceland.

Em meio a esses milhares de covers, um dos mais semelhantes e reconhecidos no Brasil é Álvaro Martins Alonço Neto, 32 anos , de Santo André, mais conhecido como Elvinho. "Se eu pudesse fazer um pedido a Deus, seria para voltar ao passado, porque eu amo Elvis Presley". A declaração traduz a paixão que o cantor desperta.

Alvaro é cover profissional de Elvis há 12 anos, mas começou a gostar do ídolo aos 8, quando assistiu a um dos filmes do astro. "Vi o Elvis dançando. Aquela energia me conquistou. Depois disso, ele se tornou minha referência.

sábado, janeiro 07, 2012

Reflexões Sobre o Dia do Leitor

O Dia do Leitor cai em janeiro, no mês que as crianças estão de férias.
Sou só eu, ou alguém mais acha surreal essa data?

Genial seria se a " Presidenta" criasse um Ministério da Leitura.
Com tanto ministério sendo criado para dar cargos a aliados, por que não a criação de um Ministério que incentivasse a leitura?

Gosto de ir à Livraria Cultura do Conjunto Nacional em Sao Paulo.
Tpda vez que vou lá, tenho a impressão que entrei num Brasil de algum universo paralelo onde a leitura faz parte da nossa rotina e pode ser um entretenimento tão fantástico quanto ir ao cinema ou assistir uma partida de futebol...ok, ok, ok, forcei a barra agora, né?

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Em busca de uma síntese integradora: os três reis magos

Por Leornardo Boff

05/01/2012


Na Bíblia do Novo Testamento, há duas versões do nascimento de Jesus. Uma do evangelho de Lucas que culmina com a adoração dos pastores. A outra, do evangelho de Mateus, que se concentra na adoração dos três reis magos. A lição é: judeus e não-judeus (antigamente se dizia pagãos), cada um a seu modo, tem acesso a Jesus e participam da alta significação que ele encarna. Tentemos captar o sentido dos reis magos, festa que as Igrejas celebram no dia 6 de Janeiro, hoje quase esquecida.
As Escrituras judaico-cristãs deixam claro que Deus não se revelou apenas aos judeus. Antes de surgir o povo de Israel com Abraão, revelou-se a Enoque, a Noé, a Melquisedeque, depois a Balaão e a um não judeu, o rei Ciro a quem, pela primeira vez na Bíblia, se atribui o título de Messias. E nunca deixou de se revelar aos seres humanos, de muitas formas diferentes, pois todos são seus filhos e filhas e ouvintes da Palavra. Os reis magos estão entre eles. Quem eram? Diz-se que eram astrólogos vindos provavelmente da Babilônia.

Naquele tempo astronomia e astrologia caminhavam juntas. Certo dia, estes sábios descobriram uma estranha conjunção de Júpiter com Saturno que se aproximaram de tal forma que pareciam uma única grande estrela, na constelação de Peixes. O grande astrônomo Kepler (+1630) fez cálculos astronômicos e mostrou efetivamente que no ano 6 antes de Cristo (data do nascimento de Cristo pelo calendário corrigido) ocorreu tal conjunção.

Para os sábios, este fato possuia grande signficação. Júpiter, na leitura astronômica da época, era o símbolo do Senhor do mundo. Saturno era a estrela do povo judeu. E a constelação de Peixes era o sinal do fim dos tempos. Os sábios babilônicos assim interpretaram: no povo judeu (Saturno) nascerá o Senhor do mundo (Júpiter) sinalizando o fim dos tempos (Peixes). Então se puseram a caminho para prestar-lhe homenagem.

Sempre houve na história dos povos, pessoas simples ou sábias que se puseram a caminho em busca de salvação, quer dizer, de uma totalidade integradora que superasse as rupturas da existência humana. Deus veio ao encontro desta busca entrando nos modos de ser e de pensar das respectivas pessoas.

Mas por que foram encontrar Jesus? Porque, segundo a compreensão dos evangelistas, Jesus é um princípio de ordem e de criação de uma grande síntese humana, divina e cósmica. Quando dão a ele o título de Cristo (ungido em grego) querem expressar esta convicção. Cristo não é um nome de pessoa, mas uma qualidade conferida a alguém para cumprir uma missão que, no caso, é concretizar uma síntese integradora (salvação).Jesus operou tal síntese; por isso o chamaram de Cristo. Pessoa e missão se identificaram de tal forma que Jesus Cristo se transformou num nome. Mais correto seria dizer, Jesus, o Cristo. Esta síntese é buscada e realizada em outras religiões e caminhos espirituais, embora sob outros nomes: Sabedoria, Logos, Iluminacão, Buda, Tao, Shiva etc. Estes são “ungidos e consagrados”(significado de Cristo) para serem um centro atrator e unificador de tudo o que há no céu e na terra. Mudam os nomes, mas o sentido é sempre o mesmo.

Nossa realidade, entretanto, é contraditória. É feita de elementos sim-bólicos e dia-bólicos, de verdade e de falsidade, de luz e de sombras. Como criar uma ordem superior que ultrapasse essas contradições? Sentimos a urgência de um Centro ordenador e animador de uma síntese pessoal, social e também cósmica.

Os evangelistas usaram o fenômeno astronômico do aparecimento de uma estrela para apresentar Jesus como aquele Senhor do Universo que vem sob a forma de uma frágil criança para unificar tudo. Essa Energia é divina mas não é exclusiva de Jesus. Ela se expressa sob muitas formas históricas e em muitas figuras religiosas, justas ou sábias e, no fundo, em cada pessoa. Em Jesus, o Cristo, ganhou uma concretização tal que mobilizou outras culturas com seus sábios vindos do Oriente, os Magos.

Todos os caminhos levam a Deus e Deus visita os seus em suas próprias histórias. Todos estão em busca daquela Energia unificadora que se esconde no signficado da palavra Cristo. Esse encontro com a Estrela que guiou os magos, produz hoje, como produziu ontem, alegria e sentimento de integração.

Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com mente pura e sempre atenta aos sinais dos tempos como o fizeram os reis magos.

Publicado originalmente em:
http://leonardoboff.wordpress.com/2012/01/05/em-busca-de-uma-sintese-integradora-os-tres-reis-magos/

VERDADE?

Tu procuras a verdade,
Mas a verdade não te procura;
Porque a verdade sabe
Onde acaba a tua busca;

A verdade que tu procuras,
Sempre esteve a tua frente;
Não está fora a tua busca,
Pois ela é a própria Vida dentro da gente!

quinta-feira, janeiro 05, 2012

A Dançarina

Move-se a bailarina, preenchendo o ar com a sua dança.

Dança tão suave, tão linda, como se tivesse nascido bailando, bailando não nasceu, nasceu chorando, negando o que lhe traria alegria.Foi funcionária pública, foi demitida, foi para a rua da renúncia e fez da queda, uma dança.

Quis dançar, não teve apoio da família, mas lutou, encontrou tempo e coragem, e voou, enfrentando até o preconceito de quem dizia que ela era muito velha para ser bailarina, mas ela sabia, ahhh...ela sabia, que a dança sempre esteve lá, esperando que ela desse o primeiro passo, esperando que ela se manifestasse e ela se manifestou...

Daí, dançou e dançou e percebeu, que não doeu tanto assim se arriscar e abraçar o que lhe dava alegria; o sofrimento estava em tudo o que ela não fazia com amor; sabendo disso, se libertou e sua dança, ahhh...sua dança voou como o voo de uma pássaro raro e único, sua dança é flor rara desabrochando no palco, cada passo são dedos tocando os nossos olhos, mãos percorrendo o nosso corpo, carinho em nosso coração.

E pensar que essa dança ficaria perdida, se ela não tivesse lutado para seguir o que lhe dava alegria.

E ela dança e dança por ela, por mim, por você e por todos aqueles que não dançam pois não seguem a grande aventurança de ser conscientes em vida e trabalhar com o que lhes dá alegria, todos aqueles que inventam desculpas para continuarem assim, com desculpas...

quarta-feira, janeiro 04, 2012

BAILE DE MÁSCARAS

By Lya Luft

Uma vida inteira descobrindo as próprias máscaras e tentando retirar algumas (outras são indispensáveis). Certa vez escrevi que a cada manhã afivelo a máscara do dia, um rosto cômodo que me permite conviver melhor. O perigo é que alguma vez essa máscara se apegue de tal jeito à minha pele que eu não a consiga mais tirar, ou saber qual destes rostos é o meu: o que espreita o mundo ou o que olha para dentro e me vai construindo enquanto pessoa?Não falo de cretinice, hipocrisia, mas talvez de autopreservação. Ninguém deveria botar a cara na janela sem consciência de que pode levar um tapa ou uma cusparada. Nós que nos expomos escrevendo, seja em jornais, revistas ou livros, sabemos disso muito bem – como atores e atrizes, ou modelos, ou outros, que se tornam “celebridade”. Mas no caso deles, os de palco ou holofote, é um pouco diferente: seu narciso é “para fora”. O de quem escreve em geral é “para dentro”: não somos de palco, e o olhar pessoal pode nos intimidar. A mim me deixa um pouco fóbica, porém em geral as pessoas são simpáticas e afetuosas, então devo aceitar com bom humor.

Mas quando mexem com meus textos não acho graça alguma. Muitos de nós escritores temos contos, poemas, artigos circulando na internet, e não são nossos. Um profissional do assunto logo vê: isso não é Veríssimo, Clarice, Saramago (espero que alguns digam: “Isso não é Lya”). O que digo aqui é repetido, mas há anos gira na internet um artiguinho cretino que não escrevi nem escreveria, mas lá está com meu nome embaixo, e fala de um público de mulheres e, depois de dizer “coisa inteligentes” durante um bom tempo sem reação, “revelei a minha idade, e um ‘aaahhhhh’ de espanto perpassou o auditório”.

“A VIDA É EM PARTE UM BAILE DE MÁSCARAS
COM AS QUAIS NOS SEDUZIMOS
UNS AOS OUTROS, E NOS ENGANAMOS
DIANTE DO ESPELHO”

A coisa é patética, pois nem minha idade jamais foi mistério nem eu teria uma atitude tão tola. Não é grave. Apresenta-me como uma idiota, mas não é grave. Porém me incomoda. Amigos, recebendo a preciosidade, acham graça e ligam: “Logo vi que não é teu”. Mas me incomoda, como a todos os atingidos por algo igual. Como nos defenderemos? Não tem jeito, a saída é levar na graça e esquecer. Mas, passam-se meses, lá vem de novo o tal artigo de uma Lya com uma máscara ridícula: nada a fazer. Somos muitos, já disse o demônio encarnado em algum pobre que Cristo libertou. Somos muitos em casa, no trabalho, na postura da vida. Tema para sociólogos, psicólogos, antropólogos, filósofos? Está aqui, na vida cotidiana. Os americanos aturdidos pela crise, talvez beirando uma recessão braba, saíram comprando feito loucos na chamada sexta-feira negra, depois do Dia de Ação de Graças, e na segunda-feira, dia de comprar pela internet, também se esbaldaram. Ou a crise não é tão séria, ou estamos todos delirando, ou também existe uma máscara com cartão de crédito estampado.

Aqui, onde segundo dizem a recessão não passará nem longe e os problemas são dos outros, começam as compras de Natal, bandos de pessoas com montanhas de sacolas repletas. Nunca se fizeram e venderam tantos carros. Não há edifícios suficientes para nossa fúria de compra de apartamentos. Todos temos direito a uma casa, uma televisão, um carro. Saúde, escola, higiene, dignidade, horizontes positivos. Mas a máscara do consumismo junto com a do ufanismo me assusta um pouco, como a de um palhaço mau: onde vamos acabar? Como vamos pagar? A quem estamos enganando? Isso me lembra a sensação desconfortável de ver nos computadores um texto meu que não é meu, ou o de um colega que também não é dele: que estranho rosto é esse, que voz falseada, que cartão de crédito onipotente que logo adiante estará furado, que entusiasmo juvenil que nos pode levar à boca do poço?

Que a vida é em parte um baile de máscaras com as quais nos seduzimos uns aos outros, e nos enganamos diante do espelho, é sabido. O perigo reside na hora em que a última das máscaras cair, e tivermos de ver, nos grandes espelhos, um rosto preso ao nosso corpo, mas que parece não ter nada a ver conosco.
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* É escritora. Tradutora.
Fonte: Revista VEJA impressa, Ed. 2246, nº 49, pg.26 – 07 de dezembro de 2011

terça-feira, janeiro 03, 2012

Lugar Fantástico


Só por hoje, resolvi me esconder nesse lugar fantástico aonde ninguém vai me encontrar. Resolvi me esconder, pois quero ficar calado, quero observar, por isso, não me leve a mal, se eu não quiser falar, responder suas mensagens ou atender as suas ligações. Acho que tenho todo o direito de ficar calado.

Quando quero ficar calado, vou para esse lugar, pois há tempos percebi que precisamos parar o nosso mundo para observar o que há. Nesse lugar, vejo o fluxo de pensamentos fluindo como um rio apressado e quanto mais calmo fico, mais tranquilo o rio fica. Ás vezes o rio vira mar, daí me assusto, mas basta me concentrar e o mar fica calmo com gaivotas no ar.

Alguns chamam isso de meditação, eu chamo de brincar de esconde-esconde de você, dentro de mim.

Nesse lugar fantástico, eu reaprendo a respirar, a respeitar o ritmo do meu corpo e das coisas, basta apenas silenciar.

Por isso, deixa eu ficar calado, e não se preocupe, pois prometo que vou voltar.

Se esconder não é fugir.

Só quero ficar comigo mesmo para reaprender a ficar com você e com o mundo...

Imagem: http://godconsciousness.com/visionaryart.php

((())))

Notas: esse texto foi escrito ao som da canção "Fantastic Place" da banda Marillion. Ouça a canção abaixo:


segunda-feira, janeiro 02, 2012

12 Motivos Para Eu Aproveitar 2012 Muito Mais

Ok, chegamos lá.

Finalmente, estamos encarando o "famoso" 2012, com todas as promessas e temores que o número já simbolizou. Eu, aqui com as minhas crônicas, tenho já algumas expectativas e resoluções em relação a esse número no meu calendário e gostaria de compartilhar com vocês:
1. Assisitir a minha filha crescendo
Não existe expectativa mais rica para um pai do que está presente e participando do crescimento de seus filhos. Indenpendentemente do ano que se foi e do ano que começa, passei a contar o meu tempo por sorrisos crescentes da minha filha. Ela já alcançou sete meses de sorrisos, imagina quanto riso me espera:)

2. Estudar para Ensinar Melhor
Quero continuar estudando mais e mais. Para ajudar meus "learners", preciso melhorar cada vez mais a minha didática em classe e a minha capacidade de perceber em que momento preciso indicar os passos a seguir e em que momento preciso mesmo intervir. Para isso, preciso esvaziar o meu copo de certezas para beber da água da dúvida, assim, farei os questionamentos necessários para eu crescer como educador.

3. Ler, Ler e Ler
Tenho dezenas de livros em casa esperando a minha atenção. Todos eles prometem revelar segredos que me ajudarão a melhorar minha cognição, minha percepção de mundo e minha relação com as pessoas a minha volta. Ler sempre foi minha principal fonte de conhecimento e é fantástico o fato que quanto mais aprendo, mais livros bacanas aparecem para continuar o meu aprendizado.

4. Apoiar a Minha Esposa
Esse ano comemoramos 13 anos de casamento e apoiar a carreira da minha esposa e dar todo o suporte necessário é o mínimo que posso fazer por aguém que sempre me apoiou em tudo o que fiz.

5. Cuidar da Minha Saúde
Com tanta coisa boa ocorrendo em miha vida, tudo o que menos quero é perder um minuto dessa jornada, seja com uma desses gripes "eternas" ou com alguma mazela provocada pela minha falta de cuidado com o corpo que uso. Sim, cuidar do nosso templo-corpo é fudamental, e não ter consciência que temos essa responsabilidade pode ser um preço muito caro que definitivamente não quero pagar.

6. Espiritualidade
Nunca estive mais longe e ao mesmo tempo mais próximo do Divino do que nos últimos tempos em que decidi que tinha que mergulhar em minha vida, nas coisas do meu cotidiano e no cenário que construí para erguer os meus sonhos. Como fui "devidamente ensinado", desperdicei um bom tempo da minha estrada, tentando olhar para o alto em busca de Deus, quando Ele se apresentava o tempo todo no chão que eu pisava. Irônico é buscar fora o que há dentro ou achar que só depois da morte, teremos o Reino do Céu, daí descobrir que o Céu ou que o inferno era aqui mesmo...

7. Música
Quero descobrir mais melodias, experimentar novos ritmos. Incrível como a música sempre teve papel tão fudamental em minha vida e em meus insights. Quanto mais amplio meu conhecimento musical, mais rápido e leve, meu racíocinio se torna.

8. Filmes
Estu super ansioso pelos filmes desse ano que aumentarão minha visão de mundo. Assim como a música, bons filmes tem essa capacidade de nos transportar para o universo de um autor e explorar suas idéias. Há ótimos filmes prometidos para esse ano.

9. Meus Amigos,Familiares, Leitores e Alunos
De acordo com os estudiosos, não conseguimos manter um relaciomanento real com mais de 50 pessoas. Acho que vou ter que discordar dos "donos da verdade". Tenho mais de 120 estudantes, e mantenho um relacionamento bacana com, pelo menos, metade deles. Sem contar leitores queridos e constantes, amigos distantes e meus parentes. Acho que, dentro do possível, manter essas relações nos torna mais receptivo ao outro, ao que é estranho e ao que é alheio. Nunca foi tão importante viver bem em sociedade e respeitar os outros. Ter relacionamentos sadios e bacanas é um ótimo treino para sempre fazermos isso.

10. Manter a Prosperidade
Já pensei seriamente em criar uma versão nova para a aquela canção de ano novo, a famosa " Adeus Ano Velho", e no lugar desse verso: " muito dinheiro no bolso", pensei em escrever "muita prosperidade na cabeça". Explico: dinheiro no bolso é uma consequência de como utilizamos bem na prática, as idéias concebidas. Prosperidade flui em abundância quando nos permitimos mudar para melhorar o nosso pensar. Prosperidade para mim sempre foi ter uma mente sadia para pensar em formas diferentes de trabalhar a minha energia, seja mental, espiritual ou a fisíca.

11. Afastar o Dragão do "Mais do Mesmo"
Somos bichos humanos e como qualquer bicho que se preze e queira se manter vivo, precisamos preservar o que construímos e lutar para manter seguro os nossos muros; porém, além de sermos animais, a nossa consciência de ser e fazer, nos obriga a evoluir, crescer e expandir as nossas fronteiras; e como podemos realizar tudo isso, se ficamos tão presos em nossas zonas de conforto?

12. Escrever, Escrever e Escrever
Manter dois blogs atualizados, terminar meu terceiro livro, escrever para meus leitores, preparar as minhas aulas ( cada aula é como uma crônica a ser escrita para mim), etc. Ufa! Nunca escrevi tanto e nunca senti tanta vontade de continuar escrevendo cada vez mais. Escrever é como respirar para mim, daí, essa necessidade de continuar compartilhando o que sinto e descubro. O resultado é o feedback que recebo de todos vocês. Muito Obrigado!!!!
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