quarta-feira, janeiro 28, 2009

MUITA LUZ PARA POUCO VAGA-LUME

Era tudo muito lindo para esse pobre Vagamundo, muita luz para esse pobre Vagalume carregar. Daí, sai correndo e perdi o grande espetáculo da floresta.

Eu vagava por essas matas do Rei Oxossi, quando escutei o Beija-flor me chamar. Agradeci o convite, mas disse que deveria estar em outro lugar, ele deu risada e disse:

- Nós sempre estamos onde deveríamos estar, outro lugar não existe, só existe esse lugar.

Senti que ele tinha razão e decidi ficar por lá mesmo e participar da festa, mas uma vontade que não era minha de estar em outro lugar parecia ser mais forte que eu, tentei lutar, não queria em outro lugar ir, não queria estar em outro lugar que não lá, mas fui sendo levado assim mesmo, tão rápido que a mente foi e o corpo ficou, mas no meio da fuga, o Beija-flor me chamou e para trazer a minha mente de volta, arremessou em minha direção milhares de pétalas de rosas, que de tão bonitas me feria, que de tão brilhantes me cegava.

O corpo chorou. Chorou lágrimas de quem se arrepende ao desperdiçar com a mente, o que o presente nos entrega com flores e luzes oferecidas. O corpo chorou, pois com a mente ausente, ele não tinha forças para dançar e celebrar a festa da floresta, nem o canto do Beija-flor. O corpo chorou, pois é só com a união da mente e do corpo, que o espiríto consegue voar pelo ceú do coração Divino e voltar com presentes tão lindos que se manifestam em textos maravilhosos que esse Vagamundo distribui por ai, como os vagalumes distribuem luzes cintilantes aos caminhantes na mata escura.

Envergonhado por desperdiçar a minha atenção em outras coisas que não aquela festa tão divina, pedi desculpas ao Beija-flor que novamente me falou:

- Não há o que se desculpar, só o que aprender. Quando aceitar novamente participar da festa na floresta não venha com a mente ausente, não desperdice o seu presente, ficando em outro lugar. Ou aqui ou lá!

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