quinta-feira, setembro 30, 2010

Qual o Segredo da Secretária?

Além do sorriso, da voz suave e do jeito delicado, esconde-se um segredo tão bem guardado, que não há sete chaves que revele de onde vem essa energia em fazer tanta coisa na correria, e ainda manter a calma, a alegria, o profissionalismo e a graça. Como eu gostaria de saber o que se passa na alma das Secretárias.

Se eu soubesse o segredo, ao menos, eu daria à elas, o que é de direito: respeito! Pois elas não são assistentes, nem auxiliares; serviços administrativos não são nem um terço da metade das coisas que elas fazem, portanto, se eu soubesse descrever a importância das suas atividades, ao menos, eu teria argumento, base, para enviar aos quatro cantos com a ajuda do vento, essa mensagem: cuidem de suas Secretárias. Elas são vitais para os seus negócios. Sem elas, o escritório é água parada.

Uma empresa moderna e com uma visão de sucesso é a empresa que reconhece a importância das suas Secretárias nesse processo; que percebe que elas não são pagas apenas para servir café, atender telefonema ou fazer pauta; a Secretária é aquela profissional que o executivo, o CEO ou o presidente sabe, nesse momento, esta cuidando do alicerce da empresa, desde a agenda da semana até o material da mesa; alguém que tem consciência plena da sua importância para uma organização; que a sua função é uma ferramenta fudamental para as tomadas de decisão que uma empresa precisa tomar; alguém cuja organização distrava nós, desmancha barreiras, limpa o caminho para que todos os funcionários possam cumprir a missão e os objetivos que foram propostos e serão cobrados.

Embora as atividades e a função possam variar de empresa à empresa, nunca soube de uma compania que alcançou o sucesso que pretendia, sem a colaboração de uma Secretária.

E se ninguém fala sobre isso, nem escreve, se deve ao tal segredo da Secretária, que além de ser a profissional-faz-tudo, ainda consegue, em meio a tantos rostos e vozes, ser eficente, mas sempre discreta!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Percepções e Lembranças

Abri a porta do quarto das percepções perdidas,
E notei as lembranças esquecidas,
De tantos momentos de experiências vividas,
Que passaram desapercebidas,
Pois a minha atenção
Estava contida
Em outro lugar qualquer da minha vida;

Entre a gota d'água que evaporava e subia
E a lágrima chorada que caia,
A lembrança recuperada dizia,
Que tudo aquilo que eu perdia,
Seria recuperado um dia,
Quando eu meditasse no meu coração,
E percebesse que lá dentro cabia,
Todas as lembranças queridas
Que eu não tinha maturidade
Para enxergar enquanto as vivia.

PALAVRA CANTADA: EU

terça-feira, setembro 28, 2010

A ILHA

Postado Originalmente no site: Pequena Infante

À título de uma literatura reflexiva sobre o ideal-real e outros assuntos interessantes, indico "A Ilha", de Aldous Huxley.

A Ilha de Pala é a descrição de uma nova sociedade segundo a perspectiva de Aldous Huxley, um paraíso natural no Pacífico onde a Utopia é uma realidade. É contada do ponto de vista do jornalista Will Farnaby, que naufraga na ilha e, com duas motivações diferentes, pede e recebe permissão para permanecer um mês. Sua primeira motivação é uma curiosidade real para entender e verificar a realidade da utopia e, através disso, compreender a si mesmo. A segunda é tentar um acordo entre o governo palanês e uma companhia petrolífera, para cujo dono ele trabalha, interessada em explorar os recursos da ilha. Ao longo da estório, Farnaby, se sente culpado por sua hipocrisia, mas justifica-se com o pensamento de que se ele não o fizer, alguém mais o fará.

A esperança é a essência permanente por todo o livro; Farnaby tipifica o próprio Huxley na busca de um entendimento pessoal, tentando acreditar na possibilidade de que a espécie humana seja capaz de alcançar a maturidade mental e espiritual.

Assim, há a demonstração da união do melhor dos mundos já realizados dentro das várias culturas e os de potencialidades ainda não realizadas:

(i) a medicina conjuga todos os conhecimentos sobre a anatomia, a bioquímica, a psicologia, e o espírito e a sua ligação à fonte de vida, resultando numa resposta completa das causas e efeitos das doenças e dos acidentes, nos seus lados físico e psicológico;

(ii) a sexualidade é vista como "um meio psicofísico de alcançar um fim transcendente", e é ensinada na escola sob a forma do maituna, ou seja, o ioga do amor. Toda a educação é uma exposição bastante concreta de problemas como a ecologia, as relações interpessoais e a gestão das próprias emoções;

(iii) o trabalho faz também parte da educação e é incentivada a variedade de profissões para que toda a gente aprenda "acerca das coisas, das técnicas e das organizações, acerca de todos os tipos de pessoas e da sua maneira de pensar";

(iv) a religião é encarada como uma forma de auto conhecimento, na qual os deuses perdem o carácter omnipotente. "Os deuses são todos forjados pelo Homem e somos nós quem lhes puxa os cordelinhos e lhes confere, com esse acto, o direito de puxarem pelos nossos" - Há, por isso, um sentido de espiritualidade antes ligado à natureza e à força do próprio eu. "Se as preces são ouvidas é porque, neste nosso singularíssimo mundo psicofísico, as ideias, quando nelas concentramos o nosso espírito, possuem uma tendência para a concretização";

(v) a pintura, essencialmente paisagística, não é subordinada a alguns artistas conceituados, mas sim a expressão de todos os que queiram partilhar uma experiência mais elevada que se converte em meditação para os que a contemplam.

Os habitantes desta ilha maravilhosa são constantemente despertados pelos minas, os pássaros que repetem frases como "atenção" e "aqui e neste momento", lembrando a importância de agir no momento presente.

Os problemas que impedem a concentração e a compenetração completa do ser são trabalhados através de uma psicologia bastante particular: os assuntos perturbantes são relatados e repetidos diversas vezes até que o "paciente" consiga perceber a insignificância desse episódio em todo o contexto da sua vida, e todas as pessoas que impliquem sentimentos negativos, são distorcidas num jogo mental até adquirirem um aspecto cômico e serem 'espezinhadas' na "dança de rakshasi".

Este romance é uma antevisão, algo utópico, do que poderia atingir a humanidade, se guiada pelo estado nascente proposto neste trabalho. Daqui surgiu a ideia da sua adaptação, reforçando a ideia de um teatro que estabelecesse a relação do público com a sociedade, servindo como despertador espiritual.

Observa-se a consequente transformação das personagens: Will, muda porque aprende a conhecer-se melhor e a ultrapassar os conflitos com o seu passado; Susila, porque aprende que, apesar de todos os conselhos sábios que aprendem na ilha, o passado nunca se poderá alterar e é sempre difícil lidar com ele.

Will representa a sociedade atual, o progresso e a subsequente desumanização das relações interpessoais; Susila representa a possibilidade de uma cura para essa situação, sabendo, no entanto, que apesar de grande parte do nosso sofrimento ser inflingido por nós próprios e apesar de termos algum controlo sobre as nossas vidas, há circunstâncias sobre as quais não podemos agir, sendo, por isso, fundamental viver no presente, para menos termos de lamentar no futuro.

Um fato curioso é o de o autor ter chamado Will à personagem principal do romance. Will significa desejo, determinação, vontade, energia e entusiasmo - em um sentido lato representa poder de escolha, ou ação ou intenção deliberadas que resultam do exercício desse poder. Não queria Huxley dizer que o futuro apenas depende daquilo que estivermos dispostos a fazer por ele?

Fonte: http://www.pequenainfante.info/2010/08/ilha.html

DOIS CAPETAS

Um casal tinha dois filhos que eram uns capetas.

Os pais sabiam que se houvesse alguma travessura onde moravam, eles com certeza estariam envolvidos.

A mãe dos garotos ficou sabendo que o novo padre da cidade tinha tido bastante sucesso em disciplinar crianças. Então ela pediu a ele, que falasse com os meninos.
O padre concordou, mas pediu para vê-los separadamente. A mãe mandou o filho mais novo.

O padre, um homem alto com uma voz de trovão, sentou o garoto e perguntou-lhe austeramente:
- Onde está Deus?

O garoto abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som. Ficou sentado, com a boca aberta e os olhos arregalados.

Então, o padre repetiu a pergunta num tom ainda mais severo: o garoto não conseguia emitir nenhuma resposta.

O padre levantou ainda mais a voz, e com o dedo no rosto do garoto berrou:
- ONDE ESTÁ DEUS ?????????

O garoto saiu correndo da igreja direto pra casa e trancou-se no quarto. Quando o irmão mais velho o encontrou, perguntou:

- O que aconteceu?

O irmão mais novo, ainda tentando recuperar o fôlego, respondeu:

- Cara, desta vez tamo fu_di_do. DEUS sumiu, e acham que foi a gente !!!!!

The New Man in Charge - Lost - Episódio Perdido

"The new man in change" é um epilógo de 11 minutos que conta alguns fatos não revelados durante a série, principalmente a jornade de Hurley como guardião da ilha. É um bonus dos DVDs da 6 temporada que serão lançado no dia 24 de agosto no EUA e que vasou na net.





Assista o episódio em:
http://www.megaupload.com/?d=8UJ1SZA3

segunda-feira, setembro 27, 2010

DIA DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

Havia crianças que esperavam o Natal, outras tantas o próprio aniversário; para o mim guri, eu ansiava mesmo o Dia dos Doces, e não era o dia das crianças, era o dia de São Cosme e São Damião, quando chocolates caiam dos prédios no Cruzeiro Novo, doces eram entregues em saquinhos com os dois santinhos meninos desenhados, balas das mais diversas, marias-mole e pés-de-moleque, pirulito que bate-bate, e outros tantos confeites, confetes, bolos, doces, etc, salve e salve.

Quando era domingo, eu acordava bem cedo para correr atrás dos meus doces; quando era na semana, a meninada saia da escola alucinada, já com a sacola aberta, com a mochila vazia, e corríamos por toda a cidade, por todos os bairros, vilas, buscando aquilo que nos dava tanta alegria.

Brasília só podia ser o paraíso para tantos meninos que cresceram livres nos anos 80. E era, pois, naquela época eramos todos inocentes e mesmo vivendo num fim de ditadura, ainda não havia as gangues de colarinho branco no Senado ( não que se sabia), ou perigo de pedofilia (não que se falasse). Podíamos ficar nas ruas até bem tarde, até a que a última estrela aparecesse e a gente, enfim, se cansasse de liberdade e fosse correndo pra cama, só para acordar no dia seguinte e continuar a jornada de ser criança.

Viva São Cosme, Viva São Damião, e viva todos aqueles que ainda continuam distribuindo doces e eternizando essa tradição.

Salve os Erês: Viva a Ibejada!!!

"O que os Filhos das Trevas fazem, qualquer criança desfaz...Salve os Erês: Viva a Ibejada!!!"

Por Mãe Mônica Caraccio

As Entidades Espirituais que incorporam em nossos terreiros de Umbanda com o arquétipo infantil e que formam a Linhas das Crianças, Erês ou Ibejada são representantes da alegria, da sinceridade, da inocência e de tudo que é puro, no entanto, essa Linha, e toda sua potência, é pouco conhecida pelos próprios umbandistas que, na maioria das vezes, só as veem como crianças peraltas ou submissas. Consequentemente os trabalhos religiosos com essa Linha ficam cada vez mais distantes dos terreiros ou ainda ligadas somente ao sentido da festa, das guloseimas, da bagunça e da extravagância em todos os sentidos.

Na realidade essas Entidades são Seres Espirituais mestres nos conceitos do Bem e do Puro e muito ajudam para evolução moral dos médiuns ensinando que a única forma de se levar vantagem é sendo puro, como é a criança, também não admitem a mentira nem a maldade. Os filhos de Ogum, como também são conhecidos, têm a presença mais alegre da Umbanda, trazendo sempre renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas pelo ar inocente que traz na face do médium.

Saiba que é brincando e rindo que efetuam maravilhosos trabalhos de descarga fluídica, aliás, é no sacudir dos braços e pernas que atiram seus fluidos naturais afastando, assim, espíritos de baixa vibração que estejam prejudicando as pessoas. Com esses movimentos também desagregam energias densas enraizadas no corpo astral e áurico que proporcionam doenças no corpo e na alma.

A fala com as "Crianças" é sempre cheia de brincadeiras e de ingenuidade, no entanto são profundas, sábias e altamente reveladoras, mesmo porque o que mais estimulam em nós é o autoconhecimento. Além disso, uma das suas maiores capacidades é nos fazer rir e é nesse riso contagiante que eles curam nossas amarguras.

As Crianças gostam de sentar no chão, junto à terra, fonte de energia transmutadora e curadora, suas preces são cantadas em melodias alegres fazendo referência a Papai e Mamãe do Céu e em mantos sagrados. Seus pontos riscados são curtos e bastante cruzados pela Flecha, Coração, Chave e Raiz são verdadeiros Magos Naturais. Quem já não ouviu a frase: O que os Filhos das Trevas fazem, qualquer criança desfaz. O que a criança faz (no sentido do Bem, é claro) ninguém desfaz ou interfere.

A festa das Crianças na Umbanda, conhecida como Festa de São Cosme, Damião e Doun, tem duração de um mês, iniciando em 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando em 25 de outubro (Crispim e Crispiniano).

Aproveite o dia, a energia, a vibração e todo o entusiasmo dessas maravilhosas Entidades, de uma pausa para pensar, abrir o coração e entenda, embora de forma simples e pura, as profundas e sábias mensagens desses verdadeiros SÁBIOS “ Senhores da Pureza Cósmica. Aproveite também e determine algo especial para você. Determine que seu lado infantil e puro sempre influencie suas decisões e seus relacionamentos.

E, se for à uma festa de Cosme e Damião em um Terreiro de Umbanda, aproveite ao maximo a oportunidade e todos os ensinamentos e leve para casa, além dos doces e bolos, o exemplo de alegria dessa encantadora falange de Yori!

Salve as Crianças! Salve os Erês!
Salve Cosme e Damião!
Salve Oni beijada!


YORI: um dos raros termos sagrados que se manteve sem nenhuma alteração. Esse termo, assim como Yorimá, era de pleno conhecimento da pura Raça Vermelha, só se apagando do mental do Ser humano após a catástrofe da Atlântida. Ele ressurgiu através do Movimento Umbandista, em sua mais alta pureza e expressão. Traduzindo este vocábulo através do alfabeto Adâmico, temos: A Potência Divina Manifestando-se; A Potência dos Puros.

BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJIS

IBEJI : (ib: nascer; eji: dois) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.

DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; os santos Cosme e Damião; o Orixá africano IBEJI e a falange das crianças na Umbanda.

ERÊ: Vem do yorubá iré que significa brincadeira, divertimento. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou Entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.

Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Retirado do site: http://www.minhaumbanda.com.br/


Maria Bethania-Oração a São Cosme e São Damião


domingo, setembro 26, 2010

BACKROOM

Havia o backroom, um lugar onde a gente costumava se encontrar, não pensem vocês, que a gente fazia essas coisas proibidas, porque muita gente entrava, muita gente saia, e justamente por isso, a gente só fazia coisa bonita, que era prosar, falar de música, de filme, da vida, nunca dos outros, sempre da gente.

Foi no backroom que a encontrei e por muita tempo a gente foi amigo parente, esse tipo de amigo que dura para sempre, que não some, só soma, e somando, ela fez diferença em minha vida, me via sempre no salão da frente, bem, dizia que eu seria grande, que eu faria o mundo melhor; eu, claro, não acreditava e achava que ela dizia aquilo só para ficar no backroom comigo, mas ela me via, por mais que eu não conseguisse enxergá-la.

O tempo passou e o backroom se foi, sai de lá, fui promovido ao caminho do middle, o room do meio, onde as coisas ainda não são vistas por inteiro, mas a gente acha que já vê muito, não via, mas quando lá estive, ela quis continuar amiga de mim, mas eu a afastei da minha vida, achando que de nada adiantaria ter comigo alguém que me lembrasse de onde eu vim, pois, não queria mais nada que me ligasse aos backroom da vida. Afastei-a da pior forma possível: fiz com que ela me odiasse, visse o monstro que havia em mim.

Outros anos se passaram, e quis a vida que eu continuasse a minha caminhada, avancei para o room da frente, aquele mesmo lugar que ela disse que eu estaria, um dia, e eu estava finalmente; e em mente, e coração, lembrei da minha amiga do backroom e já não tive medo de lembrar do que sentíamos, do que senti, do que ela sentiu por mim, e tentei localizá-la, conversar, reatar qualquer coisa que ainda houvesse, e para minha surpresa, muito ainda havia, passado o vale das mágoas, percebemos os dois que eramos amigos da alma, amantes do carinho que sempre sentimos um pelo outro. Passado era passado, o que importava era a nossa relação que tinha sobrevivido a todos os rooms que atravassei e ela sempre esteve comigo. Nossa relação era dourada porque ambos dela retiravam coisas boas. Eu estava enganado.

Nesses dias desses, nos encontramos de novo, no mar de águas claras, de onde se enxerga os reflexos da alma e percebi na imagem que se mostrava, que embora só o bem ela tivesse feito para e por mim; eu lhe havia faltado, e de certa forma, eu tinha estragado, boa parte dos rooms que ela passara, pois ela sempre carregara consigo, a lembrança torta de um amor não correspondido, e projetava nos outros tudo aquilo que ela não tinha vivido comigo. Ela, então, olhando profundamente em meus olhos, diante das margens da água do mundo, disse para mim: "por favor, some da minha vida! Você sempre me fez mais mal que bem, e eu preciso seguir sem você em meus rooms para que eu possa,enfim, ser feliz, sem esperar que seja com você. Toda vez que você me procura, deixa em mim, um pedaço de loucura, e eu penso erroneamente que há a gente, mas não há, nunca houve, e nem haverá"

Foi então que eu percebi que certas relações podem ser luzes na nossa vida, pois ela sempre foi uma estrela para mim, porém, outras, podem ser manchas escuras nos vidros do nosso coração, escuridão que não nos permite ver com atenção o que se passa na gente e pela gente, todas essas oportunidades de amor que se apresentam e são desperdiçadas, pois alguém do backroom do passado ainda mora com a gente e nos prende nos calabouços dos amores acorrentados.

Ouvindo tudo isso, não me senti ofendido, apenas beijei minha amiga na testa e com isso, foi-se o encanto, ela virou princesa novamente e eu tornei a ser sapo, quebrando o que era laço para mim, mas que para ela, sempre foi uma corrente.

sábado, setembro 25, 2010

FELICIDADE É CONSCIÊNCIA!*

Por Wagner Borges

Não dependa dos outros para você ser feliz.
Pois felicidade é um estado de consciência.
E ser feliz é responsabilidade de todo ser.
Porque a vida é uma bênção!
Logo, jamais deixe que as atitudes alheias roubem sua luz.
A Vida é maior que você – e do que eu também.
Na verdade, a Vida é maior do que tudo.
E você está vivo. E todos também estão, na Terra, e além...
Então, seja feliz, só por você existir.
Para compartilhar sua luz com os outros, que também existem.
Porém, sem depender de ninguém.
Encarnados e desencarnados, todos nós existimos.
E, se somos felizes, ou não, isso só depende de nós mesmos.
Já temos o suficiente: nós existimos.
Então, que tal sermos felizes, só por isso?
A existência é a mesma, seja na Terra ou no Astral.
Aqui, ou Lá, a verdade é uma só: felicidade é um estado de consciência.
E quem reconhece isso, é feliz, sim, só por existir.

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
Curitiba, 04 de junho de 2010.

- Notas:
* Esses escritos foram feitos durante o Fórum Espírita Nacional – 5ª edição -, realizado na cidade de Curitiba. Enquanto eu esperava o momento de iniciar uma prática de visualização criativa com o público presente, escrevi essas linhas de impulso, ali mesmo, no próprio auditório do evento. E depois, li o texto para o pessoal – e muitos gostaram e me pediram uma cópia. Então, aqui está o mesmo, postado em aberto para todos.

APENAS UM ESPÍRITO ESPIRITUALISTA

Sou apenas um espírito, pedacinho do Cosmo em evolução, vivendo e trabalhando para crescer.
Basicamente, sou energia pura.
Mas, no momento, tenho cara de gente e passo as agruras da experiência terrestre.
Sofro na própria pele os temores da inexperiência.
E, assim como todos, erro bastante.
Porém, de erro em erro, eu acabo acertando.
Não me apego a nenhuma ortodoxia de pensamento, pois sou livre para pensar e crescer questionando.
A Evolução me deu o livre-arbítrio e cada experiência só tende a aumentá-lo.
De experiência em experiência, vou me firmando no contexto da vida.
As barreiras aparecem a cada passo, porém sou grato a elas.
Fazem-me querer ser mais forte para superá-las.
E, no final das contas, elas são apenas barreiras e eu sou um espírito imortal, cheio de energia e disposto a crescer para desvendar os caminhos que a Evolução oferece.
Sou apenas um espírito espiritualista buscando minha própria natureza.
Não acredito na imortalidade do espírito: tenho certeza absoluta, não é questão de crença.
Sei que a morte só pode apanhar meu corpo físico, como já fez várias outras vezes, e como fará pelas próximas vidas desta roda reencarnatória que me submete no momento.
Estarei vivo sempre e isso é só alegria.
Quando a morte um dia aparecer, com sua foice rompedora de cordão de prata*, estarei sorrindo muito e é bem capaz que eu lhe conte uma piada de morte.
Hoje estou aniversariando e, naturalmente que, ficando velho, a morte fica mais próxima.
Entretanto, estou cheio de vida interna.
Pulsa em mim o fogo da alma, que não pode ser apagado nunca.
Ele foi aceso várias vidas atrás, quando fui iniciado no caminho espiritual por antigos mestres extrafísicos.
Quando a morte bater o gongo do último assalto da minha luta espiritualista na Terra, ela vai requerer meu corpo físico e vai tirar minhas poucas posses físicas: meus livros espiritualistas e meus discos do Yes, Tangerine Dream e outros.
Obviamente que, nesse dia “mortal”, ficarei invisível para meus familiares e amigos físicos.
Mas nem isso me atrapalhará, já que, durante a noite, poderei encontrá-los projetados fora de seus corpos humanos, aproveitando seu sono comum de todo dia**.
Assim, quando a morte me chamar, ela levará várias coisas para longe de mim.
Ou, melhor dizendo, eu é que vou estar em outro lugar.
Porém, mesmo assim, restará a melhor coisa comigo.
Ficará a experiência de ter vivido como espiritualista.
E, quando a morte seccionar meu cordão de prata, sorrirei para ela e direi com toda a satisfação: “Tenho cara de gente e muitos defeitos, mas, felizmente, sou energia pura e imortal, porque sei que sou um espírito e, também, porque sou espiritualista.
Muito obrigado. E, até a próxima vida...”

P.S.:
Escrevi essas linhas no ano de 1992, quando completei 31 anos de “encadernação física”. E hoje, quando completo 49 anos, com grande alegria ratifico tudo o que escrevi naquela ocasião. Então, só quero acrescentar o quanto sou grato ao Grande Arquiteto Do Universo, por tudo. Por ter me dado à chance de descer a Terra com a chama espiritual acesa e com o coração forte, para aguentar a Luz e o Amor viajando em meu Ser.
E também agradeço às consciências extrafísicas que, nesses anos todos, com muita paciência e carinho, tem me orientado na senda espiritual e humana.
E não posso me esquecer dos meus amigos encarnados, que, em muitas ocasiões, me ajudaram – e continuam ajudando com sua amizade. E não quero citar nenhum em particular, pois são muitos, graças a Deus.
E também agradeço aos meus pais – por terem me recebido como filho -, e às minhas filhas – por terem me aceitado como pai nessa “encadernação”; e aos meus irmãos, por terem aceitado reencarnar junto comigo – e eu me lembro de muitas brincadeiras do tempo de criança...
Ah, e não posso esquecer-me de agradecer a Rama, meu cãozinho, que tanto alegra meu coração. Esse parceiro que o Céu me presenteou, por um tempo de vida...
Aos 49 anos de “encadernação”, eu reafirmo, aqui e agora, à Luz do Espírito, o quanto eu sou grato pela jornada espiritual guiar minha vida, aqui e além...***
Ah, hoje, mais do que nunca, o meu mantra é a palavra “GRATIDÃO”.

Paz e Luz!

- Wagner Borges – pequena folha espiritual ao sabor do Vento do Supremo...
São Paulo, 23 de setembro de 2010.

- Notas:
* Cordão de prata – conduto energético que liga o corpo espiritual ao corpo físico; cordão astral, cordão fluídico; cabo astral, cordão de luz; laço vital; fio de prata; cordão perispirítico.
** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
Obs.: Enquanto eu digitava essas linhas, lembrei-me de um texto antigo, que poderá enriquecer esses apontamentos de hoje. Segue-se o mesmo na sequência.


PALAVRAS DO TEMPO

Deslizando pelas areias do Tempo, ao longo de trilhões de experiências, dentro da ampulheta do universo, descobri que o Tempo odeia nosso ego.
Ele soterra nossas ilusões sob o peso de toneladas de realidades relativas.
O TEMPO É O GRANDE IRMÃO!
Ele rasga nossos enganos e diz:
"Entre na jangada do crescimento e siga..."
Olho o passado e o futuro, e só vejo Ele.
Então, percebo-O no presente, chamando-me para a vivência do eterno agora da vida...
Deslizo por suas trilhas... Sabendo que Ele não espera, mas transmuta tudo.
TUDO PASSA!
Teoricamente, Ele é relativo, mas, na prática, as rugas estão surgindo e as coisas passando e renovando-se...
Dizem que Ele não existe, mas estamos viajando com Ele, por um tempo (não resisti ao trocadilho, mas isso também passa).
ELE ODEIA O EGO!
Por isso, as rugas e experiências que decepam nossa arrogância e tonteira.
Não O conhecemos direito, mas Ele nos conhece profundamente, há muito tempo.
Ele diz: "Nada é fixo, tudo é movimento. A principal característica da existência terrestre é a impermanência das coisas e seres".
TUDO SEGUE!
O cadáver vira pó, o espírito volta para casa, só por um tempo, entre vidas.
No entanto, a Terra formará um novo corpo, à frente, e chamará o espírito novamente, por um tempo, entre períodos extrafísicos.
Ao longo do Tempo, entre entradas e saídas de corpos, o espírito perceberá o óbvio: é um viajante da Eternidade!
Daí, o Tempo lhe dirá: "Pois é, leva tempo para aprender isso!"
HAJA TEMPO!
Certa vez, ele disse a um peregrino espiritual:
"Continue andando, mas sorria mais.
Enquanto você caminha, Eu vou ensinando-lhe algumas coisas.
Uma delas, é que as flores desabrochando são mais espontâneas e sagradas do que os livros que você lê. A Natureza ensina mais do que os gurus, pastores e sábios do mundo.
Você já notou o sorriso de uma plantinha à luz do sol?
Já percebeu a alegria da mamãe-urso vendo seu filhote todo lambuzado de mel pela primeira vez?
Já conversou com o suave brilho da lua em noites de poesia nos momentos mágicos de amor?
O rugido do tigre, as ondas do mar, seu coração e todos os seres, de raças, religiões e países diferentes, são irmãos planetários.
Em sua caminhada e em seus estudos espirituais, você percebe a UNIÃO?
Seja simples e sorria mais!"
Essas foram às palavras do tempo, O GRANDE IRMÃO.
No devido tempo, entenderemos...*

(Este texto é dedicado a todos os meus amigos, físicos e extrafísicos, companheiros de viagem no tempo das experiências e parceiros de evolução, seja nas ondas da música, no trabalho, em casa, no boliche, nas brincadeiras, nos livros, nas piadas, no amor, no discernimento, nos estudos espirituais e na arte de viver simplesmente.)

- Wagner Borges -
São Paulo, 16 de julho de 1999.

- Nota:
* Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o lindo CD. “The Dolphin Song”, belo trabalho new age da flautista australiana Christa Michell - em conjunto com o violinista americano Stuart Gordon. Importado – Lançamento da gravadora holandesa Oreade Music - 1998.

sexta-feira, setembro 24, 2010

PORQUE EU POSSO

Não havia motivo, nem razão, fiz porque pude, faço porque posso.

É a situação, é a oportunidade, tanto faz a idade, se elas derem bola, se ignorarem a aliança em minha mão, por que não? Se elas querem, não sou eu que direi não; faço porque posso, quem não faria o mesmo na minha situação?

Se uso os recursos da minha empresa, mesmo quando não preciso, quem é que não os usaria se os tivesse em mãos?

Se uso a impressora da empresa para meus documentos pessoais ou levo para casa o material de escritório que está sobrando, quem nunca o fez que atire o primeiro clipe; quem me acusa terá 100 anos de perdão.

Não fiz por mal, mal seria não fazer, se maltratei o motorista, se humilhei a empregada, fiz porque podia; não aponte o dedo, você os trataria do mesmo jeito, se já não os tratou.

Se joguei o lixo pela janela do carro, se a bituca saltou da minha mão, fiz porque eu podia e também para ajudar o pobre Guari, que sem a gente como eu, não estaria varrendo o chão.

Se coloquei meu irmão no gabinete, se na folha de pagamento consta minha sogra, meu cunhado e minha filha, fiz porque podia, afinal, estou aqui em nome do poder de escolha de uma eleição.

Tenho um trabalho a fazer, se você estivesse usando a minha gravata, não faria o mesmo? Não se cercaria com os seus? Quem não colocaria a família para trabalhar consigo? Batatas para quem crítica, repolho para quem me acusa de nepotismo.

Tenho certeza que vocês fariam esse mesmo "isso" que vocês tanto criticam; se pudessem, se tivessem as mesmas oportunidades, não seriam diferentes de mim, dos outros, dos que proliferam nos partidos políticos, nas esquinas, nas empresas ou na sua casa.

Fizemos todos porque podíamos, e fazemos todos porque podemos...


Frank Oliveira



(((())))

Cargos de Desconfiança
Por Stephen Kanitz

Daqui a três meses os governadores eleitos terão de enfrentar um dos maiores pesadelos de um político. Como preencher as centenas de cargos de confiança que compõem um governo.

O número exato de cargos varia de Estado para Estado. Para o governo federal eu já ouvi estimativas que variavam de 2.000 a 20.000 cargos a ser preenchidos.

A problema é que a maioria dos políticos não conhece um número suficiente de pessoas em quem realmente possa confiar. Ao contrário dos grandes executivos e profissionais que desenvolvem listas de colaboradores ao longo de suas carreiras, os políticos normalmente acumulam listas de pessoas em quem não se deve confiar, pelo menos politicamente. Poucos convivem, no dia a dia da batalha por votos, com administradores profissionais, orçamentistas empresariais, gerentes de RH e planejadores, profissionais necessários para um bom governo.

Por isso, as primeiras pessoas convidadas são normalmente amigos e parentes de irrestrita confiança. O desespero é tal que até genros, normalmente vistos com certa suspeita na escala familiar, são convidados para participar da equipe de governo. Não que amigos e parentes não possam ser pessoas competentes, mas a base de escolha é muito pequena para que a média seja qualificada. Imaginem criar uma seleção de futebol dessa maneira. Você apostaria no seu sucesso ? O mesmo ocorre com nossas equipes de governo. Você apostaria no sucesso de um governo assim constitúido ?

A primeira decepção de cada novo governo e a primeira crítica que a imprensa lhe faz ocorrem por ocasião do anúncio da equipe e dos parentes contratados. Insinua-se em alguns relatos, que parentes foram contratados para que todos se tornem ricos, o que pelos salários atuais do setor público é praticamente impossível.

O erro que a maioria dos políticos eleitos comete é desconhecer uma das leis básicas da administração: Todo cargo, seja público, seja privado, é de total e irrestrita desconfiança. Infelizmente, todo colaborador, por mais amigo que seja, precisa ser tratado com certa dose de desconfiança.

Os maiores desfalques em empresas familiares são cometidos por parentes, em que não escapa nem filhos, muito menos genros. Bons amigos então, nem se fala. De onde surgiu este mito de que amigo do peito e parente não roubam ?

Essa prática não é exclusiva de nossos políticos. A maioria de nossas empresas contrata diretores da mesma maneira, tanto que são chamadas de empresas ‘familiares’.

A saída para esse dilema é outra. Em vez de contratar um amigo do peito, selecione o melhor e mais qualificado profissional possível para o cargo, independente de conhecê-lo ou não. Em seguida, cerque o contratado de controles gerenciais, fiscalização interna , auditoria externa, o que for necessário para manter o pessoal na linha.

As multinacionais não trazem mais um presidente de confiança do exterior como faziam antigamente. Contratam brasileiros, sejam eles amigos dos acionistas ou não. Dois brasileiros, Alain Belda Fernandez e Henrique de Campos Meirelles, são presidentes da matriz americana das multinacionais em que trabalham, o equivalente a contratar um americano para cuidar de nossa dívida externa. No Brasil, o melhor administrador financeiro do país tem poucas chances de ser Ministro da Fazenda, se já não for amigo do presidente bem antes de sua eleição.

Cargo de confiança é simplesmente um conceito anacrônico, algo do passado pré-gerencial. Num mundo competitivo, todos os cargos, incluindo os do governo, precisam ser de total e irrestrita competência, e não de confiança.

A rigor, num mundo globalizado, onde temos de dominar alguns segmentos da economia mundial deveríamos estar contratando os melhores do mundo. Pelo menos algum dia vamos começar timidamente desde o início, contratando os melhores brasileiros.

PS – Se você, amigo ou parente de político, for convidado para um cargo de confiança nos próximos três meses sem ter pelo menos vinte anos de experiência na área, a nação encarecidamente implora : recuse delicadamente.

Publicado na Revista Veja, Editora Abril, na edição 1560, nº 33, de 19 de agosto de 1998, página 22

http://www.kanitz.com.br/

LOCUTOR DE AÇOUGUE

Era artista, nasceu com o dom da comunicação, após a adolescência, ficou presente aquela voz que conquistava as moças, que atraia a atenção e que lhe garantiu o primeiro emprego como operador de telemarketing, porém, como artista que ele era, não bastava dizer " estarei enviando", ele queria dizer algo mais elaborado e poético e de tanto repetir que a sua voz era tanto " promoção quanto pramocinha" conseguiu um vaga como locutor de porta de açougue, atraindo as donas de casa e os churrasqueiros de plantão.

Ele tinha um timbre tão alto e agudo que quase não usava o microfone, mas aquele emprego, assim como o trabalho na Telengodo, não satisfazia a sua fome de arte, e ele conseguiu em fim, uma chance melhor, e passou a ser locutor de porta de boutique, atraindo jovens e sacoleiros na Vinte e Cinco de Março.

Ainda assim, aquilo não era o que ele esperava, daí, saiu do trabalho para gravar um CD e montou uma barraca de camelô para vender o seu trabalho, uma vez, que as gravadoras só queriam saber de grupos jovens emocoloridos, e como, segundo ele, usar roupinha florida não era coisa de macho, foi tentar ser produtor da própria arte. Porém, no primeiro dia, sua barraca foi levada pela polícia e ele perdeu todos os seus cds que havia em estoque, e foi-se também a sua vontade de ganhar a vida com a sua voz.

Ser artista no Brasil era mesmo algo impossível. Era melhor arrumar um emprego qualquer que lhe garantisse uma graninha e era só.

Foi trabalhar de faxineiro numa igreja evangélica, e não demorou muito para o pastor do lugar notar que aquele faxineiro com aquela voz daria um bom evangelizador. Ele pensou, pensou e acabou sendo convencido e virou um Artista do Senhor. Com a sua voz e seu dom para a arte, ele atraiu gente de toda parte para o seu culto, gravou até outro CD, apareceu na TV, mas ainda assim, nada daquilo apagou da sua alma, o desejo de usar a sua voz verdadeiramente para a arte, foi quando surgiu um convite de um ex-pastor que agora era padre, para que ele trabalhasse em Brasília.

Resultado: ele esta tentando ser deputado.

quinta-feira, setembro 23, 2010

BIRDS






A partir de uma foto de Paulo Pinto publicada no jornal `O Estado de S. Paulo´, o publicitário e músico Jarbas Agnelli musicou a imagem em que pássaros aparecem nos fios de alta-tensão.

O vídeo foi selecionado para a semifinal do "YouTube Play. Bienal de vídeo criativo", um concurso organizado pelo museu Guggenheim e pelo YouTube. As 20 vagas na final serão disputadas por 125 produções, entre as quais outras quatro da América Latina. O vídeo brasileiro selecionado, "Birds on Wires", foi realizado por Jarbas Agnelli, da AD Studio.

A escolha dos finalistas ficará a cargo de um júri que será presidido por Nancy Spector, subdiretora da Fundação Solomon R. Guggenheim.

O grupo formado para a seleção conta com músicos, diretores de cinema, desenhistas gráficos e a banda de música contemporânea "Animal Collective".

Recado de Primavera

"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.
Cecília Meireles”"

Recado de Primavera
Por Zuenir Ventura

Jornal do Brasil, 28/9/96

Meu caro Rubem Braga:

Escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a primavera chegou. Na véspera da chegada, não sei se lhe contaram, você virou placa de bronze, que pregaram na entrada do seu prédio. O próximo a ser homeageado é seu amigo Vinicius de Moraes, e é essa lembrança que me faz parodiar o “Recado de primavera”, que você mandou ao poeta quando ele se tornou nome de rua.

Sua crônica foi lida na inauguração da placa, durante uma cerimônia rápida e simples, para você não ficar irritado. A idéia foi da Confraria do Copo Furado, um alegre clube de degustadores de cachaça que não existia no seu tempo. Antes que alguém dissesse “mas como, se Rubem só tomava uísque!”, o presidente da confraria, Marcelo Câmara, se apressou em lembrar que Paulo Mendes Campos uma vez revelou que o maior “orgasmo gustativo” do velho Braga, na verdade, foi bebendo uma boa pinga num boteco do Acre. Paulinho, que deve estar aí a seu lado, só faltou dizer que você sempre foi um cachaceiro enrustido.

Temendo uma bronca sua, Roberto, seu filho, fez tudo na moita: não avisou a imprensa e não comunicou nada a nenhuma autoridade ou político. De gente famosa mesmo só havia Carlinhos Lyra e Tônia Carreiro. Aliás, sua eterna musa declamou aquele soneto que você ficou todo prosa quando Manuel Bandeira incluiu numa antologia, lembra-se?

Tônia se esforçou para não se emocionar, e quase conseguiu. Mas quando aquela luz do meio-dia que você tanto conhece bateu nos olhos dela, misturando as cores de tal maneira que não se sabia mais se eram verdes ou azuis, viu-se que estavam ligeiramente molhados, mas todo mundo fingiu que não viu.

Depois da homenagem, subimos até a cobertura. Não sei se você sabe, mas Roberto levou uns quatro meses reformando o terraço. Agora pode chover à vontade que não inunda mais. O resto está igual: as paredes cobertas de quadros e livros, o sol entrando, a vista do mar. Quando chegamos à varanda, achamos que você estava deitado na rede.

O pomar, mesmo ainda sem grama, está um brinco e continua absolutamente inverossímil. “Como é que ele conseguiu plantar tudo isso aqui em cima?”, a gente repetia, fazendo aquela pergunta que você ouviu a vida toda.

Os dois coqueiros que lhe venderam como “anões” já estão com mais de três metros de altura. As duas mangueiras, depois da poda, ficaram frondosas e enormes, uma beleza. Vi frutinhas brotando nos cajueiros, nas pitangueiras e nas jabuticabeiras, pressenti promessas de romãs surgindo e esbarrei em pés de araçá e carambola. Agora, há até um jabuti.

As palmeiras que ficam no canto, se lembra?, estão igualmente viçosas. Roberto jura que não é forçação retórica e que de madrugada vem um sabiá laranjeira cantar ali, diariamente, acordando os galos que deram nome ao morro que fica atrás. Assim, sua cobertura é a única que tem palmeiras onde canta o sabiá. (Roberto faz questão de dizer “a” sabiá, em homenagem ao Tom).

Há um outro mistério. Maria do Carmo, sua nora, conta que o pastor alemão Netuno, de sobrenome Braga, que você nem conheceu, pegou todas as suas manias: toma sol no lugar onde você gostava de ler jornal de manhã, resmunga e passa horas sentado, com as duas patas pra frente, apreciando o mar. A diferença é que dessa contemplação ainda não surgiu nenhuma crônica genial.

Mas muita coisa mudou, cronista, nesses 16 anos. As “violências primaveris” de que você falava na sua carta a Vinicius não são mais o “mar virado”, a “lestada muito forte” ou o “sudoeste com chuva e frio”. Não são mais licenças poéticas, são violências mesmo.

Para você ter uma idéia, a primavera desse ano foi como que anunciada por um cerrado tiroteio bem por cima de sua cobertura: os traficantes do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho voltaram a guerrear. Você deve ter visto aí de cima os tiros riscando a noite, luminosos, como na guerra do Golfo. Estamos vivendo sob fogo cruzado. Ainda bem que nenhuma bala perdida atingiu seu apartamento. Por milagre, aquela parede de trás ainda está incólume.

O tempo vai passando, cronista. Chega a primavera nesta Ipanema, toda cheia de lembranças dos versos de Vinicius, da música de Tom e de sua doce e poética melancolia. Eu ainda vou ficando um pouco por aqui - a vigiar, em seu nome, as ondas, os tico-ticos e as moças em flor. E temendo, como todo mundo, as balas perdidas. Adeus.

Este texto também está no livro Crônicas de um fim de século.


Sol de Primavera
Beto Guedes



Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez...

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar...

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer...

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Aprender...

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha trazer...

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cór
Só nos resta aprender
Aprender...

quarta-feira, setembro 22, 2010

IMAGEM E SEMELHANÇA

Homem que olha
Os animais com desdén,
As plantas com descaso,
Toda a natureza idem;

Perceba:

Que a mesma vida que corre
Dentro das suas veias,
Corre dentro
Desses seres também;
A mesma Força que te criou,
Também criou as plantas e
Os animais;

E que surpresa terá
Ó homem que olha,
Quando acordar da tua
Ignorância,
E perceber
Que "feito à imagem
e semelhança"

É a criação sendo
Algo a mais
Que o teu reflexo de criança.

terça-feira, setembro 21, 2010

Gente do Sonho

Acordo. Estou de volta a vigília.

Ainda lembro de algo, não sei ao certo o quê, mais sei que era tão bonito e tão perfeito que me fazia sorrir só por assistir esse algo se manifestar.

Que pena perceber que tudo o que eu senti se esvai como água escorrendo pelos dedos. Que chato que as coisas que tinham tanta importância durante o sono, já não me dizem nada; o que era imprescindível se tornou banal; todo o tesouro dourado virou ouro de tolo; já não tenho mais nada do que eu carregava no sonho dourado onde eu era mais do que aparento e tudo tinha um significado, até mesmo viver nesse mundo onde nada parece ter sentido.

De tudo o que vi, quase nada me lembro, mas ainda carrego em mim, a semente desse menino maravilhado, que olha para as estrelas que enxerga na vigília e diz para si mesmo: sou parte de algo maior e espero conseguir entender um bocado para não mais me esquecer do que fala a Gente do Sonho, do que diz o Povo do Outro Lado.

Sei que preciso mesmo esquecer dali para manter uma firmeza nas coisas que preciso fazer aqui e nas lições que ainda preciso aprender; sei que há sapiência no plano do Construtor da Raça Humana, que permitiu que a nossa consciência só consiga perceber, quando acordada, uma fração daquilo que ela absorve nos caminhos do dormindo. Por isso, mesmo triste por perder a lembrança da poesia das outras esferas, posso ainda, olhar para as coisas que me
arrodeiam e me maravilhar, afinal, o Divino se manifesta em toda forma de beleza, tanto no que há lá quanto no que há cá.

segunda-feira, setembro 20, 2010

A LÍNGUA DE DEUS

Deitei em minha cama, ergui meus pensamentos, pensei em meus guias, meus santos, amparadores e anjos, qualquer estrela que pudesse levantar-me da areia e colocar-me nas alturas de uma sintonia segura com o lugar de onde o Amor vem e a Vida é a única matéria que habita. Firmo a minha intenção, mas a atenção se torna desejo:

"Sem ofensa, amigos do Outro Lado, mas como eu gostaria de falar diretamente com meu Pai, com a minha Mãe, com a Força Criadora, sem precisar de vocês, como intermediários. Como eu gostaria de fazer isso, sem ponte, sem telefone, sem mensageiro."

Pensando nisso, me perdi, e em meio ao meu devaneio, percebi primeiro, que diante de algo tão Maior que eu, minha mente formiguinha se escondia, se atrapalhava, buscava referências diversas, mas falhava na missão de, ao menos, manter a atenção na intenção de se sintonizar com esse Amor que é a Causa maior da minha existência.

Com um esforço bem grande, consegui firmar meu pensamento e novamente busquei a conexão, tentando começar uma conversa, um bate-papo; porém, a pergunta "Como se começa uma conversação com Deus?" absorveu uma vez mais a minha atenção:

" Podemos falar "oi" ou " olá"?

Ou posso ir chegando assim, como se ele fosse um amigão (sem plumas ou frescuras, afinal, sou da família)?

Que língua é melhor usar? Português ou Inglês? Sânscrito ou Latin?

É melhor fazer uma reverência, como se faz com o Papa ou com o Dalai Lama?

E qual é a melhor forma para chamá-lo? Ou chamá-la? Jeová? Allah? Brahman? Jáh? Ellohim? Iavé? Yehoshua? Quais dos 72 nomes devo usar?

Já pensou que coisa mais desagradável, finalmente encontrar Quem te criou, daí, Ele olha para você todo lembrança e diz assim:
- E ai Frank?
E você, com jeito de quem faltou na aula de hebraico, fica com uma cara de Cabala mal entendida e tenta desesperadamente lembrar se o nome do Todo Poderoso termina com "EL" ou com "On" e o máximo que consegue dizer é:
- Tudo beleza?... hum...Emanuel, certo?"

Sim, caros leitores, percebam que ao pensar nesse mico, lá fui eu de novo, me perdendo nos entretantos e esquecendo o foco, e dali a pouco já seria dia e eu nada de sintonia...

E em meio a todas essas dúvidas, dei me conta do motivo pelo qual tanta gente busca ajuda, quer encontra mestres, padrinhos e professores: caminhar sozinho por essa jornada do Divino é mesmo muito trabalhoso.

Essa jornada exige um custo muito alto do andarilho, pois requer discernimento e atenção constante; coisas bem distantes do caminhante moderno, que reza com o filho chorando e os amigos criticando o seu credo.

Bem mais fácil é ter sempre a disposição alguém que faça o trabalho pela gente, que se comunique na língua que for com o Senhor; pois, basta procurar esse mensageiro para fazer um pedido, chorar alguns probleminhas e continuar com a ladainha da ovelha perdida pecadora que faz tudo errado porque a culpa é sempre de uma outra pessoa, do governo, da família, da sociedade e da falta de oportunidade que passou mais uma vez na nossa porta, mas estamos muito mais preocupados em pedir esmolas.

Fácil...mas será certo pedir a outra pessoa que caminhe por nós? Uma coisa é pedir ajuda quando realmente precisamos de uma orientação, outra coisa, é ficar dependente de um mestre, professor, dos signos, do oráculo, das cartas do baralho, do médium ou seja lá que meio for, quando precisarmos decidir qualquer coisa, ou tomar uma simples escolha.

Sim, é preciso estudar para saber viver, e é obrigatório pensar e caminhar por conta própria.

Do contrário, isso significa passar adiante o serviço, fugir da responsabilidade e deixar com outro a chave da porta da nossa casa, pois a conexão com o Criador é uma porta que se abre para um entendimento maior dos motivos pelos quais estamos vivendo aqui nesse plano. Não se esforçar para estudar significa pedir a outro que vá até aquele lugar que é a nossa Verdadeira Morada por nós, por não sabemos ler o Guia do Nosso Próprio Coração. Será que não conseguimos fazer isso sozinhos?

Por quanto tempo seremos Analfabetos da Alma? Afinal, não basta aprender a ler os livros sagrados, saber de cor os hinos, pois qualquer analfabeto funcional do Divino consegue isso.

Não seria a obrigação do aluno se tornar um estudante de verdade da sua própria jornada?

No caso De pedirmos ajuda, não seria obrigatório esse "professor" nos ensinar a caminhar com as nossas próprias asas?

É seguro deixar a nossa cabeça nas mãos da interpretação alheia?

Deve ser! Só assim para explicar tanta igreja; só assim para explicar tanta gente nas mãos de falsos "intermediários".

Deve ser. Só pode! Afinal, Deus esta sempre comigo e nunca deixaria alguém falar em Seu nome, ou me guiar, se essa pessoa não fosse mesmo especial, um "escolhido", alguém melhor que eu...

Humm...

Melhor que nós só Deus, no resto somos todos iguais, todos UM só, se não for isso, qualquer outro aquilo é um nó, que nem quero pensar em desatar.

Vai ver tem algo errado comigo, pois sou ovelha, mas não sou cordeiro desgarrado chamando cachorro de lobo; e não gosto de deixar a minha cabeça a prêmio nas mãos de guru ou intercessor, por isso, a minha necessidade em aprender a me comunicar com o Criador.

Daí, também, meu leitor, a minha dificuldade, e finalmente, lá pelas três da madrugada, retornei ao foco e orei:

"Meu Deus, manda uma luz, dai me uma idéia para que eu compreenda que isso é possível, que falar Contigo não é apenas uma ideía maluca de uma paraíba vagamundo perdido num mundo sem qualquer lenço ou crônica que possa servir-me de alento;

Envia me uma direção, qualquer pista que há algo aí e que posso sentir esse algo aqui também em algum lugar dentro de mim;

Ensina-me, Meu Pai, Tua língua, para que a nossa comunicação seja clara ao meu grilo falante que acha que ele é a única coisa que existe só porque é feito de matéria e Tu parece que não É;

Sombreai sobre mim, minha Mãe, o Teu conhecimento para que essa crônica de mim mesmo possa também iluminar um terceiro que a leia e lê o que eu escrevo, pois tem também a mesma busca e as mesmas dúvidas, mas está, como eu, com o coração aberto para acreditar numa Luz Maior que nos norteia.

Ajudai-me, Ô Grande Amo...
O quê?
Cala a b...!
O que a Senhora disse?
Boca???
Senhor?
Para eu calar o quê???
Cala a minha boca!???
Ein?"


...

...

...

Será possível?

...

Será possível haver uma outra forma de comunicação que não precise da fala, nem das palavras, nem dos pensamentos; e ainda assim a comunicação seja feita, absorvida, entendida, compreendida, processada e retida e ,mesmo ainda, fazer todo o sentido?

Será possível haver uma língua que não faça Babel das minhas intenções? Será que além do TUM TUM TUM do peito, há mesmo um Coração que bate AMEM AMEM AMEM na Alma?

Sim, há o Coração dos corações, batendo no peito de cada um de nós, que vai além da razão, pois ultrapassa dimensões e se comunica por linguagem não dita, por comunicação não-escrita, nem pensada; só sentida.

Esse Coração dos corações se comunica em linguagem de pura luz que só tem significado para quem cala a mente, segura a fala, e escuta atentamente o que se sente.

Sim, eu escuto esse Coração batendo AMEM AMEM AMEM e, pela primeira vez compreendo o que sempre soube: para se comunicar com o Senhor, basta falar AMOR!

AMEM! AMEM! AMEM!

domingo, setembro 19, 2010

À deriva

Por Dora Kramer

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

É o que dá o Congresso despir-se de suas prerrogativas, a oposição não funcionar, a sociedade se alienar, a universidade se calar, a cultura se acovardar, o Ministério Público se intimidar e a Justiça demorar a decidir: perde-se a referência do que seja certo ou errado.

Chega-se ao ponto de uma testemunha dizer com todos os efes e erres que uma quadrilha de traficantes de influência funciona a partir da Casa Civil da Presidência da República e que a segunda pessoa na hierarquia, substituta da ministra hoje candidata a presidente do Brasil, intermediava contatos mediante o pagamento de R$ 40 mil mensais.

Foi essa quantia que o consultor Rubnei Quícoli disse ao jornal Folha de S. Paulo que o filho e o afilhado da ministra cobraram dele para "apressar" a liberação de recursos do BNDES.

Antes disso, a revista Veja já apresentara outro caso - menos contundente até - de venda de influência na Casa Civil, com a mesma família da mesma Erenice Guerra, até ontem ministra e, na época da transação denunciada agora, secretária executiva e braço direito de Dilma Rousseff.

Se Dilma não sabia quem era Erenice, trabalhando com ela desde o Ministério de Minas e Energia, e se Erenice não sabia o que faziam seus parentes é ainda pior. Duas ineptas a quem se pode enganar facilmente, sendo que uma delas se dispõe a dirigir a República, a fazer escolhas estratégicas e a se responsabilizar por milhares de contratações.

Quando se trata de escândalos é arriscado falar em superlativos. Sempre pode haver um maior e um mais grave no dia seguinte. Mas o governo habitualmente dá um jeito de encerrar o assunto, jogar a sujeira para debaixo do tapete de maneira a tornar tudo banal e absolutamente sem importância diante dos benefícios que recebem os mais pobres, o crédito dos remediados e as benesses dos mais ricos.

Será udenismo, farisaísmo, tucanismo, direitismo ou golpismo considerar grave a Casa Civil - o gabinete mais importante da República depois do presidencial - ser o centro de três escândalos, um pior que o outro, no período de seis anos?

No primeiro, em 2004, descobriu-se que o braço direito do ministro era dado à prática da extorsão; foi filmado pedindo propina a um bicheiro. Waldomiro Diniz foi demitido "a pedido" e nada mais aconteceu.

No segundo, em 2007, descobriu-se que fora produzido na Casa Civil um dossiê com os gastos de Fernando Henrique e Ruth Cardoso para chantagear a oposição na investigação sobre gastos da atual Presidência. Um funcionário de baixo escalão foi devolvido ao "órgão de origem".

Na época, a desfaçatez chegou ao ponto de a então ministra Dilma Rousseff dizer que telefonara para se desculpar com a ex-primeira-dama e que fora uma boa conversa. Ruth, falecida pouco depois, não desmentiu Dilma em público, mas nem houve pedido de desculpas nem a conversa foi cordial.

No terceiro, em 2010, é o que se vê e ouve. Erenice Guerra, era mais do que evidente, precisava sair para preservar a candidatura de Dilma e acalmar a grita. Não fosse a proximidade da eleição, a amiga Erenice continuaria sendo defendida como foi até horas antes de aparecer uma testemunha da tentativa de extorsão e enterrar os argumentos sobre golpes, factoides e armações.

Mesmo que seja verdadeira a inverossímil versão de que ela redigiu uma nota de resposta sem consultar nenhum capa preta do palácio, Erenice apenas seguiu o exemplo que vem de cima e carregou nas tintas eleitorais como tem mandado o figurino.

O governo fez uma conta de custo benefício e, pelo jeito, achou que sairia mais barato afastá-la. De fato, por pior que seja a repercussão e por mais que a demissão evidencie o fundamento das denúncias, a manutenção da acusada no cargo seria injustificável. Haveria três problemas: rebater as acusações, defender a ministra e explicar o que ela ainda estava fazendo na chefia da Casa Civil.

A respeito do impacto eleitoral, assim como no caso das quebras de sigilo na Receita Federal, este é o aspecto menos relevante, embora seja de espantar a indiferença geral. É que a eleição passa, o Brasil continua e toda conta um dia é cobrada

sexta-feira, setembro 17, 2010

DESCULPA

Não sei quem teve a idéia, mas reuniram num salão de festa, todos os meus desafetos; todas aquelas pessoas que passaram pelo meu caminho e que por algum motivo ou outro, faltei-lhes com a minha luz ou a luz deles me faltou; pessoas que ficaram com uma parte de mim que não era amor, nem amizade, nem qualquer outro sentimento que leva a saudade ou alegria; pessoas que tampouco deixaram em mim sementes de amizade, carinho ou harmonia. Acomodados em suas mesas, todos eles esperavam ansiosamente por minha chegada e por minhas mais sinceras desculpas; daí, fui orientado a subir num palco que havia em frente aquela gente toda e aproveitar aquela chance para pedir perdão a todas elas.

Alguém, então, ligou o microfone e me preparei para dizer a todos eles o quanto eu sentia muito por tê-los desapontado em algum canto da minha vida. Contudo, olhando para eles, duas coisas passaram pela minha cabeça:

A primeira: havia muita gente que eu tinha magoado ou que me magoara. Logo eu, que sempre me orgulhei de nunca ter tido inimigos, carregava todos aqueles desafetos comigo;

A segunda: Passei toda a minha vida pedindo desculpas. Muitas vezes, desculpas desnecessárias que só aumentaram o vale de separação que se criou entre o que eu fiz e o que isso se tornou. Eu fui aquele que corria atrás de cada uma dessas pessoas para reatar uma relação que tinha se rompido por erros de mão dupla, onde a nossa imaturidade de não saber reconhecer as diferenças um do outro foi mais forte que a amizade. Sempre fui aquele que tentou encontrá-los e nenhuma daquelas pessoas veio atrás de mim, mesmo quando havia motivos para que eu recebesse as desculpas.

Todos nós cometemos erros, e pedir desculpas é nobre desde que isso não se torne algo repetitivo, que usamos por qualquer motivo. Além disso, muitos são os casos, em que fomos nós, as vitímas de algo, e por algum motivo, nos tornamos os agressores e fomos obrigados a pedir desculpas "in private" ou em público, quando deveria ter ocorrido o contrário.

Ali, diante dos meus desafetos, percebi que estava repetindo o mesmo ciclo de novo. Então, naquele momento, olhando todas aquelas pessoas que eu magoei e que me magoaram, fiz o oposto que o Frank faria: segurei o microfone com a mão esquerda e com a direita, ergui o punho para cima e com o dedo médio levantado, eu disse a todos:

- Vão se fuder todo mundo!

Daí, acordei sorrindo, com aquele sorriso maroto nos lábios de quem teve um sonho bom e com uma leveza gigante pois deixei no sonho todo o peso que carreguei sempre comigo, ficando apenas nas costas, as asas e a satisfação de saber que nem sempre pedir desculpas nos liberta da escravidão da culpa, porém, um sincero "foda-se" sempre basta.

quinta-feira, setembro 16, 2010

SÓ NO CORAÇÃO...

(Na Luz de um Grande Amor)

Por Wagner Borges

Amor.
Sem palavras.
Só coração...

O que se sente.
E não se explica.
Por via alguma...

O que vale a pena.
Que faz a Luz acontecer.
E a música também...

A coisa mais linda de todas...
Que faz o lótus florescer,
Só no coração...

Amor perene,
Que não tem começo ou fim,
E que faz brotar estrelas no olhar...

O beijo do Eterno,
Sem palavras,
Só Luz rosada...

Canção das esferas siderais,
Que viaja pelo éter, e se escuta
Só no coração...

O que se sente...
Como um fogo doce e encantador,
Que queima sem abrasar...

A sarça ardente,
Que faz tudo acontecer,
No templo do Ser...

Amor...
Essência de tudo,
Só no coração...

Que enternece,
Que agradece,
Por tudo...

Só no coração...

P.S.:
Às vezes, eu escrevo sabendo das coisas.
Outras vezes, escrevo e nem sei os motivos reais disso.
E quando desce uma luz rosada aqui, eu nem sei de mais nada...
Porque o Amor só fala ao espírito, de formas secretas e admiráveis.
E isso é só no coração...
(E quem ama, de alguma forma, compreende*).

(Dedicado a Sry Aurobindo, Osho Rajneesh, Ramana Maharishi e Ramatís).

Gratidão.
Paz e Luz.

- Wagner Borges – mais espiritualista do que nunca...
São Paulo, 30 de agosto de 2010.

- Nota:
Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o belo CD “Live At the Torubadour” (importado – U.S.A.), o mais recente trabalho do vocalista americano James Taylor – acompanhado ao piano e nos vocais pela vocalista americana Carole King. Trata-se de uma excelente gravação ao vivo, com uma seleção do melhor da carreira dos dois artistas, e com aquelas baladas suaves que falam direto ao coração.
Destaque para as músicas “Blossom”, “Fire and Rain”, e “Carolina In My Mind” (faixas 1, 3, e 10).


FALANDO SOBRE ERROS E LIÇÕES, NA LATA – II*

Ô, moleque, vê se toma um banho. Relaxe!
Você está com muita raiva acumulada no seu fígado.
E isso prejudica seriamente o livre fluxo das energias pelo seu corpo.
Porque a raiva forma fortes bloqueios na área hepática e deixa o metabolismo lento demais. E, de tabela, todo o organismo sofre as repercussões disso. E as pobrezinhas das células se danam para compensar o desajuste energético.
Aqui do Astral, vendo o seu caso, eu tomo a liberdade de lhe perguntar algo: “Porque é que você se irrita tanto?”
Às vezes, basta um pequeno contratempo para você explodir facilmente. Por acaso, você é feito de nitroglicerina?
E o seu fígado é a bucha de seus desmandos emocionais?
Moleque, sai dessa! Toma jeito logo.
Você ainda não se tocou que o seu tempo de vida na Terra é curto e que brigar tanto desgasta suas energias?
Quem o olha por fora, até pensa que você é homem. Mas quem o vê por dentro, sabe que o seu destempero emotivo o torna um moleque mesmo – não na acepção boa da palavra.
E eu vou dizer-lhe mais, direto, na lata: “Você se considera um injustiçado, não é mesmo?”
Mas, não é mesmo. Injustiçado é o seu pobre fígado, que paga o preço dos seus desmandos psíquicos. E também os seus funcionários, com os quais você grita tanto – e até os humilha, covardemente.
Aliás, você veste boas roupas e come em restaurantes razoáveis.
Então, de que injustiça você está falando?
Quer saber?... Você mesmo é que se detona. E ninguém tem culpa disso, só você mesmo.
Injustiçado é quem está passando necessidades, que, aliás, você nunca passou. Você sempre teve de tudo, e sequer agradeceu a sua família pelos recursos que eles sempre lhe deram.
Injustiçado?... Coisa nenhuma!
Você é um moleque ingrato e cheio de manha.
E só quando o seu fígado berrar, é que você entenderá os toques que estou lhe dando aqui.
Contudo, você ainda pode melhorar as coisas, se quiser. E não há receita para isso, não. É questão de quebrar sua arrogância e querer melhorar.
Pare de encrencar tanto. Flexibilize suas emoções. Releve mais as coisas. Não seja tão duro com as pessoas – e nem consigo mesmo.
E converse com seu fígado e lhe peça desculpas, por todas as lambanças emocionais jogadas nele. E vê se aprende a rir...
Então, depois de ler essas linhas, que é uma forma do plano espiritual alertá-lo, por favor, vá tomar um banho! Relaxe, para deixar de ser moleque.
E só quando você fizer as pazes com seu fígado e parar de ser reclamão, é que poderá dizer que é homem de verdade, com H maiúsculo.
O remédio que a Companhia do Amor receita para você é o mesmo receitado para todos: DOSES CAVALARES DE DISCERNIMENTO, NA VEIA!
Por favor, vá ler um livro ou escutar música boa. Compre flores, para você mesmo. E abra o seu coração e se dê uma chance de apaixonar-se de verdade por alguém.
Concluindo: Cresça! Para ser homem de verdade.

(Esse é um recado da Companhia do Amor para você, direto, sem circunlóquios, como de hábito. E foi pedido pelo seu fígado, que não aguenta mais suas confusões. Vê se aproveita os toques e passe a tocar a bola direito nos campos da vida...)

Sem mais delongas, a Companhia do Amor vai nessa!

- Companhia do Amor** –
A Turma dos Poetas em Flor.
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Caxias do Sul, 04 de agosto de 2010.)

- Nota de Wagner Borges: Muito embora esse recado dos espíritos da Companhia do Amor esteja direcionado para uma pessoa da cidade de Caxias do Sul, na serra gaúcha, penso que o mesmo poderá ser útil para reflexão de outras pessoas – inclusive, eu mesmo. Então, estou disponibilizando-o em aberto para todos.

- Notas do Texto:
* A primeira parte desse texto pode ser acessada no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9691:falando-sobre-erros-e-licoes-na-lata&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
Obs.: Também sugiro ao leitor que leia o texto “Pequeno Recado do Fígado”, postado no seguinte endereço específico do site:
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1998:pequeno-recado-do-figado&catid=78:cia-do-amor&Itemid=109
** A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver os livros "Companhia do Amor - A Turma dos Poetas em Flor – Volumes 1 e 2" - Edição independente - Wagner Borges, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site): www.ippb.org.br.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Fases (Ensaio sobre a noite escura)

By Fernando Golfar

Notei que você andava cheia,
Talvez por tudo que estamos vivendo
Talvez por tudo que você tem visto
Mas a humanidade é assim mesmo...

Daí do seu pedestal, onde te encontras
Deve ser complicado observar tudo o
Que se passa, sem poder fazer nada
Você está cheia de que? De mim?
Do mundo? Do que vê? Do que sente?

Eu te olho e questiono. Você sequer responde.
Pelo contrário,você some, desaparece.
Algo que fiz? Do que não gostou?
Posso dizer que quando você se foi,
Minhas noites ficaram mais escuras.

Depois do seu sumiço, você foi aos poucos aparecendo
Tímida, como se não quisesse ser notada.
Refletiu sobre tudo que aconteceu?
Notou que sou imperfeito? Nunca disse ser perfeito.
Isso talvez foi você quem imaginou.
Aliás, raros são da sua visão os perfeitos.

E hoje você chega sorrindo,
Como se nada tivesse acontecido
Eu te olho, e você sorri. Sorriso largo e brilhante.
Será que o desapontamento passou?
Será que você esqueceu de tudo e perdoou?

Só sei que a cada novo encontro
Você parece cada vez mais forte,
Mais senhora de si, sem rancor...segura.

E o sorriso vai te transformando totalmente
O que era minguante, hoje é crescente
E novamente te encontro nova, brilhante,
Numa nova fase de existência,
Compartilhando tudo isso aqui, comigo,
Noite após noite, dia após dia.

Hoje, cheia de si, novamente ilumina meus caminhos
Cheia de mim? Cheia de todos?
Não ! Cheia de vida !
Fonte interminável de inspiração

Hoje minha noite brilha mais
E meus caminhos estão mais luminosos
Graças ao reflexo da luz que comigo compartilha
Só você, Lua, poderá um dia dizer o porque
Pois aí de cima, atenta a tudo
Registra o que se passa no coração daqueles que,
Como eu, te admiram e amam sob a sua imagem.

Fernando Golfar – 01/09/2010

terça-feira, setembro 14, 2010

AS PEQUENAS CORRUPÇÕES DO DIA-A-DIA

Os escândalos de nossos representantes em Brasília ou no Amapá são muito feios, pois ocorre com o povo de lá, o povo alheio, porém, o que todo mundo esquece é que o download de uma canção, um pão a mais no saco, a nota de dez na mão que facilita a entrada ou a saída de uma confusão, alguém segurando a fila do supermercado enquanto a outra pessoa enche o carrinho, o CD pirata nas mãos das crianças, tudo farinha no mesmo saco das corrupções do dia-a-dia que fazem bem ao corpo, ao bolso, mas deixam cicatrizes na alma.

O passaporte europeu comprado, o visto manipulado, Tijuana, Porto da França, estreito do Gibraltar, o coyote e o cerrado, brasileiro em busca de um sonho de dinheiro – com muito trabalho e um tanto de documento falso – tanto energia e esforço empregados – e o sonho de uma vida termina num massacre mal explicado num metrô em Londres, no meio do mato mexicano, sonhos tantos fuzilados em nome de um dinheiro “suado” que já começou errado.

Começou errado, mas ainda há tempo de fazer direito. Sempre temos a escolha de viver pelo certeiro, e desprovar o que ficou errado. Sempre teremos a escolha de viver pelo que é de bem, e vencer com suor, com o trabalho, essa herança maldita cultural de sempre dar um jeito, de sempre sair ganhando, como se não tivéssemos oportunidade de fazer de outro jeito.


Cada um com a sua cruz, sofrimento nunca é desculpa para desonestidade, nunca foi desculpa para fugir da luz; ser um ser humano decente é o mínimo que deveríamos almejar na vida, que sim, é uma soma de tristezas e alegrias, mas é bonita, é bonita, canta Gonzaguinha: é bonita!


Pobres são os políticos crucificados, que não passam de reflexo do que há de melhor e pior no nosso povo; representantes miseráveis da nossa gente que justifica os caixas-dois e três da mesma forma como justificamos as nossas corrupções do dia-a-dia, nessa onda coletiva do mar do todo mundo faz e só otário deixa passar a oportunidade do sempre um pouco mais; e assim caminha a humanidade, cada vez mais perdida na insanidade de comer eternamente o fruto proibido da ignorância de quem somos de verdade.

segunda-feira, setembro 13, 2010

O QUE IMPORTA É A MENSAGEM???

Frank foi ao cinema com a sua esposa para assistir a um filme com tema espiritual. Por meses, ele esperou com ansiedade a estréia da produção, comprou o ingresso com antecendência e com alegria, esperava na fila, a chance de ter o prazer de assistir aquela obra tão ímpar que, na certa, mudaria para sempre a história do cinema nacional.

O filme começa.

Efeitos maravilhosos, trilha de primeira, imagens bem produzidas e fotografadas, atuação...well...

"Continua assistindo", Frank pensou, tentando ignorar também alguns buracos feios no roteiro, e tentando prestar atenção no que interessava mais: a energia da obra, como ela iria ajudar as pessoas a prestarem mais atenção ao que fazem um com o outro, etc. À certa altura do filme, Frank olhou para o lado, e notou que a sua esposa estava emocionada, e ele por tabela, por empatia, quis se emocionar também, afinal era a história de um grande livro que estava sendo contada, e pensando nisso, ele continuou repetindo mentalmente: " continua assistindo".

E o filme continuou, mas acabou para ele; pois Frank já não conseguia fechar os olhos para os cortes mal feitos das cenas e ver todo aquele povo no cinema ignorando algumas regras básicas de cinema. "O que importa é a mensagem", ele lembrou a si mesmo. E quando finalmente as luzes se acenderam, sua mulher olhou para ele e perguntou:

- Lindo, não? Você gostou?

- Well...

- Foi maravilhoso, não foi?

- Bem... - e diante da alegria da esposa, ele concordou: Claro! Maravilhoso!

Ao chegar em casa, ele, como sempre faz, abriu o seu caderno de notas e quis fazer uma crônica sobre como, apesar das falhas, certas coisas valem pelo resultado final. Se fizer bem, que mal tem?

Ele escreveu um texto bem bacana, comentando sobre a imperfeição sendo uma ponte para algo melhor, porém, em meio a crônica que se escrevia, ele percebeu que estava, na verdade, fazendo um Ode a mediocracia. Se continuasse com isso, ele estaria seguindo ao pé da letra as regras do Manual da Mediocridade, que dita que o que é bom, mesmo que feito de qualquer jeito, só pode ser MUITO bom; e por ter uma motivação nobre não pode ser discutido, nem muito menos criticado.

Pensando nisso, ele percebeu ter duas opções: ficar calado!

" Se não pode dizer algo bom, silêncio é o melhor remédio", já dizia a sua vó.

Ou ele poderia escrever uma crítica ao filme. O problema era que aquele não era um filme qualquer, e sendo um filme religioso, ele não saíria ileso, se tentasse dizer o que ele achava sobre a obra. Se postasse essa crônica somente em seu blog, ele não correria o risco de "perder leitores", mas se postasse isso em outros veículos e espaços virtuais, correria um risco muito grande de ... fazer sucesso.

" Preciso pagar para ver" - ele disse a si mesmo e então, decidiu prosseguir, já tendo em mente, que mexeria num ninho de marimbondos.

Como escritor, ele sabe que alguns temas podem alterar emoções para o bem ou para o, vamos dizer, "não-tão-bem". Ele, como um cronista da alegria e do amor, sempre trabalhou bem com os temas positivos, e sempre fugiu dos temas "negativos", mesmo sabendo que são esses temas que mais atraem leitores. Sim, aquela crônica era uma bela oportunidade para ele descobrir, na prática, os efeitos de um texto como aquele. Ele sabia que mesmo se concentrasse na crítica ao filme, os leitores que não estavam acostumados a ler com atenção, achariam, que ele estava criticando a religião.

Preparado para as ferruadas, ele finalizou a crônica, cujo tom era: " o que importa é a mensagem? Ô caramba! Vamos fazer direito!".

Postou, então, a crônica em seu blog e na Voadores ( lista de bate-papo que o cronista posta seus textos desde 2001), com os devidos links no twitter e no facebook, Frank contou os minutos...1, 2, 3, 4

5 m depois: a primeira marimbondada

" Seu sem religião! Vai arder no Umbral"

6 m: veio a segunda

" O importante é mensagem. Vai tomar um passe, seu desgraçado!"

E começou a chover pedradas: a terceira, a quarta... a centésima... e continuou...

Resultado: a crônica tornara-se um sucesso de público! Mais de 100 leitores escreveram, entraram em contato, exigiram que Frank os xingassem de volta. Isso num único dia! Nada mal!

Frank, então, abriu uma "Sidra" e começou a pensar seriamente em começar a provocar mais, manipular melhor as palavras e escrever sempre sobre temas polêmicos, afinal, temas relacionados a sexo, futebol, religião sempre atraiam a massa. Com uma experiência de mais de 10 anos de escrita na internet, ele sabia de cor, os passos para se tornar um escritor de massa e atrair uma multidão ao seu blog:

1. Atrair o público em algum site público e com muitos assinantes, usando algum tema polêmico, manipulando o tema para causar no público uma resposta de negação ou ataque;
2. Para não ficar com uma imagem ruím, bastava sair pela esquerda, com um discurso de estar sendo perseguido pelo povo, dizendo que ninguém estava compreendendo bem o que se estava sendo discutido;
3. Depois de algum tempo, o público se sentiria culpado e o perdoaria; mas o seu nome já estaria ligado a temas de interesse e, mesmo se não concordassem com ele, o público leria os seus escritos, só para ter algum argumento contrário ao dele;
4. Daí, a próxima polêmica reiniciaria o ciclo de atração, manipulação, saída de cena e retorno.

Sim, havia riscos: a cada ciclo, alguns leitores poderiam ser perdidos, porém, outros tantos chegariam e se tornariam parte do fã-clube.

"Bela tentação", ele pensou, daí, repensou de novo e disse para si mesmo: "humm, não!". Fazer aquilo era o oposto do que ele acreditava ser a sua função como escritor. Frank sempre escrevera para a alma, para tocar os corações, e não as emoções agressivas ou outras tantas que causavam desarmonia e revolta. Sim, uma coisa era dizer a sua opinião sobre algo, outra coisa, era provocar o vento no olho do furacão.

Todo escritor quer ser lido, e verdade fosse dita, seus textos e crônicas quase sempre não recebiam a mesma atenção e repercussão, mas ele sabia que apesar de não ser lido por muitos, os poucos que o acompanhavam, eram leitores cativos, assíduos, que liam além das entrelinhas, que meditavam sobre o que estava sendo dito. Esses leitores sabiam compreender bem uma crítica, a grande massa, não! Era melhor ter poucos leitores, mas leitores ativos, do que leitores do coletivo, das grandes emoções, mas sem juízo; passivos no discernimento, que preferem ser ditos, mesmo que de "qualque jeito", serem guiados, não importando os meios. No final, todos vão para o mesmo lugar. Beleza! Mas a que preço?

A crônica sobre aquele fime continuou alastrando brigas, desentendimentos, flames, agressões, mas ao mesmo tempo, aquela experiência de escrita, lhe havia ensinado muitas lições e reforçara muitos pontos que ele sempre desconfiara:

a) escrever sobre os tabus da sociedade brasileira SEMPRE gera discussões e flames. Pedradas doem, mas são poderosas ferramentas de marketing pessoal;
b) discutir qualquer assunto relacionado a religião, mesmo quando não se tem razão, gera SEMPRE uma repercussão tão grande, que o escritor acaba sendo convidado para palestras, cursos, viagens e seminários pagos;
c) ser do contra, garante trocado na conta, por isso há os Manardis da vida, que fazem tanto sucesso;
e) há uma relação bem confortável no Brasil do "jeitinho" em aceitar tudo aquilo que for feito de "qualquer maneira", desde que ajudem as pessoas e faça o bem no final;
f) há leitores-moscas que se atraem por qualquer polêmica e espalham suas larvas de ódio e ignorância, e há leitores-abelhas, que voam ao redor de uma assunto interessante SEMPRE meditando, discernindo, aprendendo, ensinando e compartilhando o seu ponto de vista.

Enfim, Frank decidiu escrever uma outra crônica, contando, dessa vez, os bastidores da sua experiência como escritor de um tema polêmico e as suas repercussões, no intuíto de mostrar ao leitor que o acompanha que, sim, ele prefere se manter nos temas elevados, e rechear as suas letras com muita poesia, porém, isso não quer dizer que ele vai se calar diante do mal gosto e das coisas mal feitas em nome de algo maior, contudo, uma coisa é postar uma opinião nesse blog de leitores amigos, outra coisa é postar uma mensagem para o grande público apontando o que pode ser melhorado.

Escrever para a grande massa é assumir uma grande responsabilidade pelos temas que estão sendo discutidos, e mora aí, o perigo tanto da manipulação da informação, quanto dos trabalhos mal feitos, que atraem muita gente por levarem uma mensagem bonitinha, mas carregam em suas entrelinhas, o velho modelo da mediocridade, de fazer as coisas de qualquer jeito em nome do bem, da arte ou da salvação de nossas almas.

MOSCA DA LUZ


Ele queria despertar,
Mas não estava preparado
Para Buthisatwar,
Mesmo assim,
Atingiu o Nirvana,
E ficou para sempre por lá,
Sem contribuir,
Sem somar,
Ao invés de Buda se tornar.

domingo, setembro 12, 2010

BLUES - CAETANO VELOSO




Tem muito azul em torno dele
Azul no céu, azul no mar
Azul no sangue à flor da pele
Os pés de lótus de Krishna
Tem muito azul em torno dela
Azul no céu, azul no mar
Azul no sangue à flor da pele
As mãos de rosa de Iemanjá
O pé na Índia
A mão na África
O pé no céu
A mão no mar.

sábado, setembro 11, 2010

TERRORISTA NÃO É O MESMO QUE MUÇULMANO

Onde você estava em 11 de Setembro de 2001? Eu estava raspando o bigode, deixando o meu cabelo meio punk-moicano e mascando chiclete, para parecer menos árabe, para não se confundido com um muçulmano e ser espancado por um holligan extremista.

Adoramos uma data, aniversariar alguma coisa, quer seja coisa boa ou tragédia, estamos sempre lembrando, recordando e tentando reler, reinterpretar o que houve, com outro olhar, com um diferente ponto de vista. Porém, assim como a vida segue, nem tudo se modifica, o preconceito e o medo daquilo que é diferente ainda queima livro, ainda toca fogo em bandeira. Não foi diferente naquele 11 de Setembro, quando, as ruas de Londres ficaram um pandemônio, pois espalhou-se um pânico à la PCC, que a Inglaterra seria o próximo alvo dos "muçulmanos terroristas". Se em todo boato urbano há um tanto de verdade, há outro caminhão de mentira: Londres não foi atacada naquela data, porém, um ódio burro e louco tomou conta do bom senso, e nas ruas da cidade, vários muçulmanos, ou qualquer pessoa que se asemelhasse a um deles, estava sendo perseguida, xingada e em alguns casos, apedrejadas.

Os casos de violência se multiplicavam e, nas empresas e universidades, as pessoas eram avisadas para evitar ao máximo, sair as ruas. O mundo tinha parado, e eu só queria voltar para casa inteiro, ainda mais depois de ter descoberto naquele dia, que eu tinha a fisionomia de um árabe. Os amigos no trabalho avisaram:

- Frank, pôe uma camisa do Brasil ou os caras vão te pegar!

Os caras eram um bando de ingleses skinheads que estava do lado de fora do prédio onde eu estava. Só restava imitar o Roberto de Niro em Taxi Driver, e com um barbeador cego arranquei, pela primeira vez na minha vida, o meu bigode; com sobras de sabonete, transformei o meu topete rockabilly num moicano punk da frequesia de Westminster, e mascando uma bala que eu fingi que era chiclete, saí do prédio em direção ao ponto de ônibus, caminhando e enfrentando aquela horda de holligans sanguinários, e graças a Allah - louvado seja o seu nome - e Nossa Senhora de Portobello, cheguei em casa são e salvo para escrever essa crônica, que estranhamente, ficou guardada num velho caderno de notas, e só hoje, resolvi compartilhar com vocês, na esperança que vocês compreendam que nem todo terrorista é muçulmano, e nem todo mundo que parece árabe é muçulmano ou mesmo amigo dos "manos", às vezes, o cara que parece ter nascido lá nos orientes médios da vida, é só um paraíbano, na hora errada e no local equivocado, e escapou por pouco, de ter levado na cara, o peso do preconceito e da ignorância.
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