segunda-feira, março 31, 2008

A FLOR, O CRIADOR E O FOCO

De todas as possibilidades possíveis, Ele criou a flor.

Como conseguiu se concentrar?

Como conseguiu formar a flor, tendo a disposição milhares de outras idéias?

Como conseguiu dedicar tanto carinho e perfeição para a flor, e também para
aquela estrela, que Ele acabou de fazer nascer?

Ele é o cara!

Porque entre a criação de uma estrela e a formação da flor, Ele ainda olha e
sorri para mim.

O Rei da concentração e da criação.

Entre tudo aquilo que Ele tem para fazer, ainda arruma tempo para falar
comigo.

Não diz nada e fala tudo.

Sorriso! Existe comunicação mais exata?

Se o sorriso fosse um número, seria infinito...

Queria ter escrito algo quando O vi, mas, no momento em que mais precisei,
não havia caneta nem papel comigo.

Por que será que nos momentos mais belos das nossas vidas, não carregamos
com a gente uma máquina fotográfica, um gravador ou uma caneta? Piada
divina!

Ele realmente é o cara!

E, quem sou eu?

De todas as possibilidades, escolhi criar quem eu sou.

Como consegui me concentrar?

Como consegui formar meu caráter, tendo a disposição milhares de outros
personagens?

Da mesma forma que Deus criou a flor: Foco!

Contudo, entre trancos, vidas e barrancos - todos sabem -, é difícil manter
o foco.

Impossível se concentrar. Será?

Temos todas as possibilidades de nos tornarmos quem quisermos...

Ou fazer se tornar realidade todos os sonhos possíveis.

Mas por que demoramos tanto?

Ou por que, às vezes, temos a impressão que nunca chegaremos lá?

Falta de foco! Por isso não somos o cara!

Não dedicamos carinho aos nossos projetos. Falta amor e dedicação.

Por isso nossas vidas são imperfeitas.

Não estamos trabalhando com aquilo que viemos aqui para fazer, pois perdemos
o foco.

E se, em lugar de todo aquele tempo gasto com picuinhas, tivéssemos nos
dedicado totalmente ao grande projeto das nossas vidas?

Onde estaríamos agora?

Será que já não teríamos criado a nossa flor?

quarta-feira, março 26, 2008

MUSICALIDADE AZUL

By Tom Lobo Vermelho

Séculos e milênios se passam; porém, Seu Amor continua a crescer dentro de mim e sinto que sou apenas uma nota de Sua Sinfonia Cósmica.

Suaves e Delicadas são Suas Mãos que tocam a teclas de minha alma de criança. E sou tocado melodicamente, transportando-me para um país por onde o Senhor passou. E a desconfiança se esvaneceu, pois confirmei: Cada pedaço físico ou extrafísico desse país que recebeu tantos Mestres maravilhosos, tem o Azul emanado de Seus passos.

Vejo milhares, vejo milhões, seguindo-O, adorando-O, estudando seu Ensinos Imortais. E fico muito contente vendo-me entre seus seguidores. Uma coisa falo: não há homem ou mulher na face da Terra que não rompa em lágrimas apenas pelo fato de ver o Senhor em pessoa. E como é bonito também presenciar o Senhor, invisivelmente, socorrer os mendigos e as crianças de rua, após uma chuva forte de São Paulo. E eles nem conhecem o mantra Hare Krisna...

Chegando aqui, todos em lágrimas de agradecimento pela Sua Presença, damos as mãos e emanamos um onda de Amor e Amizade e que é projetado em favor dos que sofrem. Para nosso espanto, o Senhor decidiu ir junto com ela. Que Presente elas receberão...

O Trabalho acabou.

Ficou Seu Amor e as Pegadinhas Azuis no Salão!

Valeu, Mestre Amado!


Tom Lobo Vermelho - fevereiro de 2008.

terça-feira, março 25, 2008

Dungeons, Dragons e Daime

Sempre fui fã de atalhos. Se havia um caminho curto, porquê insistir no mais demorado? Eric Concordava; só pedia que eu não abaixasse o escudo. Experiente em caminhos curtos, ele avisava: atalhos sempre vêm junto com pedradas. Então fomos, Eric e eu, várias vezes por esses caminhos, mas por mais perto que esses atalhos nos levassem até o portal que nos levaria para casa, mas distante éramos jogados de volta e lá ficamos nós, presos na caverna, novamente sob a sombra do dragão.

Hank aconselhava “meninos, não façam bobagem, consultem o Mestre dos Magos”, mas eu já estava cheio de depender do Mestre para tudo e decidi encontrar o caminho para casa com as minhas próprias pernas; o que gerava criticas das meninas:

- Você é pior que o Eric - diziam Sheila e Diane - Até a Uni é mais inteligente.

Então, foi numa conversa com Presto que desabafei:

- Presto, todos têm poderes especiais, menos eu. Faz uma mágica, tira do seu chapéu algo que possa me ajudar.

- Ok, Frank, Deixa eu ver... zala, zazalaska, que eu tire do chapéu, algo que ajude meu amigo Frank a sair dessa enrascada!

E o Presto tirou do seu chapéu, uma planta que ele chamou de Ayhuasca.

- Merlin me contou que essa planta vem lá das terras da tribo do Saint Daime, mas tenha cuidado, ela pode te dar o poder mágico que você espera ... ou não; como diria o sábio das terras do Nordeste.

- Sai fora, Presto, você está ficando igualzinho ao Mestre. – eu disse, segurando a planta, maravilhado com o poder que ela poderia me trazer; mas quando me preparei para usá-la, senti que era observado. Poderia ser o Mestre dos Magos, mas pelo arrepio na espinha, senti que era o Vingador que me vigiava. Se o Vingador fora atraído, isso significava que ou ele também estava interessado nos poderes da planta mágica, ou havia um Vingador dentro de mim e ele seria a primeira coisa que eu encontraria, antes de ver o portal.

Comecei a ter dúvidas sobre a planta, mas decidi continuar a experiência assim mesmo, pois eu queria ver o portal e não iria esperar outras tantas jornadas e desafios para encontrar o caminho de casa. Eu não sabia se tudo aquilo era uma jogada do Mestre dos Magos para me ensinar algo; mas notei o Bobby com o seu Tacape se aproximando e ele sentou perto de mim.

- Você sabia que eu fiquei com medo, quando recebi o Tacape. – disse ele, olhando nos meus olhos. Quis mandar o moleque ir catar comida para o unicórnio-pônei dele, mas também senti que precisava ouvi-lo e o fiz – Eu percebi que teria que ter cuidado, pois tinha nas mãos uma arma muito poderosa, e se fosse mal utilizada, eu poderia destruir não só uma montanha, mas também a mim mesmo. Foi quando entendi que precisava treinar e entender melhor o potencial do Tacape, antes de utilizá-lo. Eu sei que você não precisa ouvir conselho, ainda mais de um moleque, mas eu acho que você deveria entender melhor o que essa planta mágica pode fazer, antes de usá-la.

Quis matar o moleque. Não por causa do seu atrevimento, mas porque ele tinha razão. Eu não sabia ao certo, se ao utilizar a planta mágica, eu seria levado para o portal; ou se no lugar, eu seria levado direto para as garras de Tiamat. Era um risco e eu não estava disposto a pagar. Já bastava um imbecil na turma (nada pessoal, Eric). De uma forma ou de outra; seja qual for o caminho que a planta mágica me levasse, era melhor estar preparado.

- Obrigado, Bobby, onde está mesmo o Presto? Presto? Presto? – gritei pelo mágico do Paraguai e o encontrei lendo seus livros – Eu quero saber mais sobre a tribo do Saint Daime. É verdade que essa planta veio da Amazônia?

A CASE OF YOU

Junho de 2006

Estou escrevendo palavras ao vento. Chove lá fora e minha mente divaga sobre coisas que poderiam ter ocorrido, se eu tivesse tomado alguma atitude.

Sozinho, respiro pela primeira vez os ares da liberdade e me sinto estranho. Eles se foram, mas ao invès da paz, sinto um vazio. Preciso preencher com algo, por isso me dedico aos meus escritos e é quase 11 da noite, quando num programa de música New Age, ouço uma canção que mudaria minha vida.

" Just before our love got lost you said
"I am as constant as a northern star"
And I said, "Constant in the darkness
Where's that at?

Vocal feminino, arranjos maravilhosos e meu peito se enche de alegria e inspiração. Quem é essa cantora? E ela continua:

" Oh you are in my blood like holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet"

Quando dou por mim, já estou longe; numa terra distante e cheia de possibilidades. Um futuro? Talvez, mas me vejo viajando pelo mundo e há alguém do meu lado. Quase vejo o seu rosto, quase toco os seus cabelos e sinto que ela está em meu sangue como vinho sagrado.

A canção acaba e tive o que depois descobriria ser uma visão de um possível futuro. Resta apenas ter paciência, o que vi vai ocorrer, um dia ou outro, até lá...como consigo essa canção?


Frank Oliveira

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A Case of You ( Album Spirit)
Letras de Joni Mitchell / Versão Caroline Lavelle

Just before our love got lost you said
"I am as constant as a northern star"
And I said, "Constant in the darkness
Where's that at?
If you want me I'll be in the bar"
On the back of a cartoon coaster
In the blue TV screen light
I drew a map of Canada
Oh Canada
And I sketched your face on it twice
Oh you are in my blood like holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet

Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I'm frightened by the devil
And I'm drawn to those ones that ain't afraid
I remember that time that you told me, you said
"Love is touching souls"
Surely you touched mine
"Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Oh you are in my blood like holy wine
And you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet

I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
Color "Go to him, stay with him if you can
Oh but be prepared to bleed"
Oh but you are in my blood you're my holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet

Caroline Lavelle
http://www.carolinelavelle.com/

segunda-feira, março 24, 2008

PSICOPATA

Nos dicionários impressos e da web, Psicopata significa doente mental ( enfermo da psique) e geralmente, associa-se a essa palavra, toda espécie de perversidade que não conseguimos explicar ou sequer discutir a respeito. Todos os dias, surge na mídia, historias de pessoas comuns, que aparentemente levavam uma vida regular, até que foi encontrado em seus armários, o pior que a espécie humana conseguiria produzir em termos de crueldade e a pergunta fica no ar: como essa pessoa conseguiu fazer isso?

Convivi há tempos atrás com uma pessoa desequilibrada; que parecia “normal” a principio, e depois mostrou que tinha um quê de monstro, e outro tanto de psicopata; alguém que para conseguir o que queria, faria qualquer coisa, e fez; e mesmo acuada com a verdade, não demonstrou nenhum remorso e deixou claro que faria tudo de novo, se assim a oportunidade permitisse. Nem todo psicopata comete violência física, uma boa parte trabalha com um tipo de agressão mais meticulosa, que visa destruir a alma de alguém que surgiu e está atrapalhando o seu caminho e na visão distorcida dessa pessoa, merece sofrer para que aprenda alguma lição.

Nem sempre conseguimos nos relacionar perfeitamente com alguém. Seja no amor ou na amizade, há sempre falhas de ambas as partes que pode resultar em desentendimentos, brigas e separações. Já disse certa vez, que a imaturidade, para resolver diferenças por meio da conversa, é o verdadeiro inimigo que separa amigos. Outras vezes, é a manipulação doentia, os atos sórdidos que destroem vidas, relacionamentos e amizades. Em 2003, perdi um grande amigo numa trama forjada por essa pessoa psicopata, que parecia enredo de novela mexicana, se não fosse pela maneira trágica como tudo ocorreu.

Há ainda um grito entalado na minha garganta por toda a trapaça e violência psíquica que essa pessoa deixou tatuada em minha vida, e por vezes, ainda me pego, planejando uma vingança ou qualquer forma de fazê-la sofrer tanto quanto ela me fez; mas felizmente, esses sentimentos só duram alguns segundos, reconheço que embora, seja humano e como qualquer homem, posso criar as coisas mais belas ou realizar as piores maldades, optei há tempos pelo caminho da compaixão. Reconheço que o que sofri foi fruto de uma mente desequilibrada e paguei o preço por ter cruzado em seu caminho.

Para essas pessoas enfermas, não adiante sentir qualquer sentimento daninho ou até mesmo, gastar tempo refletindo a respeito; por isso decidi seguir minha estrada e deixar o rio seguir o seu fluxo.

Gostaria de ter dito a última palavra, adoraria confortar o meu ego, com a imagem da derrota dessa pessoa que escapou impunemente do seu crime, mas quando a justiça dos homens falha, fica a certeza que certas coisas fogem mesmo ao nosso entendimento. Poderia carregar esse peso o resto da minha vida, mas pouco a pouco estou limpando o meu coração de qualquer vestígio de raiva e embora seja até difícil desejar isso, espero que essa pessoa, onde quer que esteja, tenha melhorado, seja uma pessoa mais controlada e que tenha encontrado a felicidade, pois quem sabe assim, a sua doença não prejudique outras pessoas.

Frank Oliveira


Saiu nos jornais e revistas do país, a trágica história da menina que era torturada constantemente pela madastra. Leia mais em:
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2700809-EI5030,00.html

Foto: A menina de 12 anos libertada na segunda-feira pela polícia de uma casa onde era mantida em cárcere privado e torturada, em Goiânia, encontrou hoje o pai biológico. Lourenço Rodrigues Ferreira, 33 anos, e a adolescente se abraçaram.
http://www.cidadeverde.com/manchetes_txt.php?id=13763

sexta-feira, março 21, 2008

PALAVRAS E OUVIDO

Odlavir, sujeito controlado, sempre planejava cada ação. Sabia que se tudo fosse perfeitamente organizado, alcançaria seu objetivo mais rapidamente e teria menos chance de perder essas oportunidades, que dizem as línguas fracassadas, só ocorrem uma vez na vida.

Odiava deixar as coisas para serem finalizadas pelo acaso. Não acreditava em coincidência; cria em uma visão de mundo pragmática, onde as coisas certas acontecem somente para as pessoas definitivamente preparadas. Ele apenas se esqueceu, que suas regras se aplicavam para boa parte das "coisas" da vida, mas não para aquelas outras "coisas" que incluem o coringa do amor.

Ele se apaixonou. Maria era uma menina discreta e sincera, naquela idade nem tão nova, nem tão avançada, dos 25. Era direta, ainda fruto da meninice de quem fala o que lhe dá na telha, e ao mesmo tempo madura, sabia onde queria ir e como chegar lá. Aquela mistura de menina e mulher confundiu completamente a cabeça de Odlavir, que precisava distinguir menina de mulher e mulher de menina; talvez tenha sido essa confusão, que tocou, com o perdão da rima, o seu coração.

Não havia planos numéricos para o coração. Nenhum algarismo conseguia dar a soma da sedução correta ou a fórmula ao quadrado dos lábios de Maria; nada que ele planejava, conseguia surtir efeito. Uma amizade sincera havia surgido; aqui ou acolá um toque carinhoso e um sorriso, que ele achou que era, até um pouco convidativo; mas não havia como se enganar, embora ele não conseguisse evitar o desejo por aquela bela moça-mulher; ela apenas nutria um carinho platônico, um desejo de estar junto que não envolvia corpos embaixo de cobertores; apenas palavras e ouvido.

Odlavir queria mais que isso e prático como ele era, na impossibilidade desse amor se concretizar, arquitetou um plano para esquecê-la; que exigia certa distância e silêncio.

Os dias em que ele não a escutava duravam meses; As horas que tinha que esperar até que pudesse vê-la duravam anos. O que mais lhe cortava o peito, era que por mais distante que ele estava ou por mais tempo que passasse sem a vê-la; Maria permanecia a mesma. Quando o via, era como se tivesse acabado de vê-lo; quando o escutava, era como se a voz do moço estivesse á tempos sendo ouvida. O que parece óbvio para o leitor, não era para o pobre homem apaixonado, enquanto Odlavir se retorcia em saudade, Maria aparentava sequer conhecer o significado da palavra, ela era totalmente estrangeira aos desejos e anseios dele. Por meio disso, foi que ele descobriu que o seu plano para distanciar-se era na verdade uma artimanha do seu coração (um terapeuta diria subconsciente) para que ela sentisse a sua falta ou ao menos demonstrasse que a sua presença lhe fazia falta.

Infelizmente, a estória de Odlavir não tem sinal feliz. Ele aprendeu da pior maneira, que nem sempre é possível calcular tudo na vida. Os números eram mágicos quando se tratavam de coisas concretas; em relação ao coração, o que conta é o abstrato e lógica alguma consegue explicar o mecanismo que leva certas pessoas a se atraírem e outras não.


Frank Oliveira

quinta-feira, março 20, 2008

ALINE E O ASHRAM DA ALEGRIA


- Meu sonho é me tornar uma paraplégica! - diz ela. Sorriso eterno nos lábios, olhos brilhantes e humor lapidado. Essa é Aline que todos amam e que me inspira tanto.

- O quê? - pergunto automaticamente.

- Vejo na TV ou na rua, os paraplégicos se virando, fazendo coisas, tendo liberdade e se movimentando. Bate uma inveja, mas inveja boa - diz sorrindo - se ao menos eu pudesse ficar paraplégica, isso me deixaria muito feliz.

Aline tem 22 anos, há quase 02 anos, não consegue mover músculo algum abaixo do seu pescoço. Uma operação mal sucedida, um tumor benigno indo para o lado negro e tirando a sua força, tornou-a tetraplégica. Desenganada por muitos médicos, ela luta ,desde então, contra a maré do pessimismo externo - que ela faz questão de deixar do lado de fora da porta - e por meio de muito bom humor e força de vontade, conquista todos os dias pequenas vitórias.

A sua casa é um templo da alegria, difícil é ir visitá-la e não deslocar o maxilar de tanto dar risada. Contudo, ela é um caso á parte, conta com uma família maravilhosa, amigos presentes e mesmo com pouco dinheiro, têm uma estrutura montada em casa, que lhe possibilita certo conforto. – Há outros tantos tetraplégicos por aí, que não possuem a mesma chance que eu - ela diz - Vou para a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) no carro da minha mãe, mas há tantas outras pessoas chegando de ônibus, muitos nem possuem cadeira de rodas.

Há milhares de tetraplégicos no Brasil e não temos a menor idéia do que essa população de "eficientes físicos" passa até que um deles esteja vivendo perto da gente. No caso da Aline, morando na porta ao lado. Acompanho sua luta e seu progresso desde 2006 e ainda me surpreendo com a sua energia e perseverança. Talvez, o que me surpreenda mais, seja o fato, que eu não teria a mesma força; só de pensar na impossibilidade de não conseguir escrever, já me parte o coração, imagina...

- Quero muito fazer algo, Fran - ela diz - Sei que se eu me esforçar, estudar e conseguir ter acesso a bons tratamentos, conseguirei recuperar alguns movimentos no meu corpo - Verdade, antes mesmo que conseguisse entrar na AACD, contrariando as previsões, ela recuperou o movimento da sua mão esquerda - Sinto que é hora de me movimentar e parar de esperar que uma cura milagrosa caia do céu – diz e permanece em silêncio por alguns segundos, até que conclui: Acho que estou um pouco ansiosa.

- Ansiosa? Ficou louca, menina! É a primeira vez que te vejo assim depois de 02 anos. Isso é normal, quero dizer, anormal - respondo rindo - Você sempre foi paciente e tranqüila, por isso está tão bem. Eu no seu lugar, estaria arrancando os cabelos na primeira semana.

Ela dá risada, compreende o absurdo que eu acabara de falar. Para um tetraplégico, arrancar os cabelos, ou qualquer outro movimento, está tão distante quanto ir a nado ao Japão.

(Foto: Aline e sua mamãe heroína: Ivanilde)

Aline é bem consciente do que pode ou não voltar a fazer. Sabe que no seu caso, existe somente uma pequena chance que consiga voltar a se movimentar, mas ela se agarra a essa possibilidade dia e noite.

Gostaria de poder fazer algo, mas até o momento, ela faz mais por mim do que eu por ela. Cada visita no seu Ashram* da alegria é uma lição de vida e isso não se dá pela comparação absurda que todos fazemos quando estamos diante de alguém com problemas físicos – ver alguém incapacitado, infelizmente, faz com que sintamos o quanto temos sorte na vida por estarmos saudável - Aline é uma mulher extraordinária, capaz de rir dos seus infortúnios e fazer com que você engula o seu sentimento de “pena” e o transforme em algo produtivo na sua vida.

Antes, incluía somente ela em minhas preces quando conversava com Deus; egoísta que sou, né Aline? Obrigado pela lição, agora incluo você e todos os TETRAPLÉGICOS do mundo em minhas orações.


Frank Oliveira


* Ashram: Segundo Jaya Lakshmi, jornalista, apresentadora e criadora do Programa Repórter Eco da TV Cultura, Ashram, na Índia, é um local onde pessoas que buscam uma vida saudável vivem segundo a filosofia Yogui. Orientados por um Guru que serve como ponte de religação com as forças da natureza, esses estudiosos recebem visitantes que queiram entrar em contato com energias positivas e aprender ensinamentos para a vida. É um lugar onde as pessoas vão buscar desenvolver o seu lado espiritual por meio de cursos sobre diversos temas que abordam conhecimentos sobre viver em equilíbrio.

quarta-feira, março 19, 2008

Falácia

Direto da central Voadores:
www.voadores.com.br


Várias discussões na Voadores tentam ser sustentadas através do uso de argumentos inválidos, geralmente involuntários, conhecidos como "falácias". Seu uso é bastante frequente em defesa de posturas contrárias aos propósitos da lista, tais como flames, spams, fundamentalismos, ceticismo pseudo-científico; bem como nas constantes propagandas de idelogias, religiões ou uso de alucinógenos (ou, vá lá, "enteógenos", como prefere a falácia do eufemismo).Para ajudar a identificá-las - e combatê-las - segue um pequeno "guia do discernimento" lógico.

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Falácia
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Uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, inválido, ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica ou emotiva, mas não validade lógica.

É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.


*** Tipologia das falácias - com exemplos
(Alguns dos nomes usados estão em latim, com a tradução ao lado.)


* Argumentum ad antiquitatem (Argumento de antiguidade ou tradição):

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou "sempre foi assim".

Ex: "Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, deve ser verdade."
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* Argumentum ad hominem (Ataque ao argumentador):

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.

Ex: "Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo".
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* Argumentum ad ignorantiam (Argumento da Ignorância):

Ocorre quando algo é considerado verdadeiro simplesmente porque não foi provado que é falso (ou provar que algo é falso por não haver provas de que seja verdade). Note que é diferente do princípio científico de se considerar falso até que seja provado que é verdadeiro.

Ex: "Existe vida em outro planeta, pois nunca provaram o contrário"
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* Non sequitur (Não segue):

Tipo de falácia na qual a conclusão não se sustenta nas premissas. Há uma violação da coerência textual.

Ex: "Que nome complicado tem este futebolista. Deve jogar muita bola!"
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* Argumentum ad Baculum (Apelo à Força):

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex: "Acredite em Deus, senão queimará eternamente no Inferno."
"Acredite no que eu digo; não se esqueça de quem é que paga o seu salário"
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* Argumentum ad populum (Apelo ao Povo):

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex: "A maioria das pessoas acredita em alienígenas, portanto eles existem."
"Inúmeras pessoas usam essa marca de roupa; portanto, ela possui um tecido de melhor qualidade."
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* Argumentum ad Verecundiam (Apelo à autoridade):

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a
premissa.

Ex: "Se Aristóteles disse isto, então é verdade."
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* Dicto Simpliciter' (Regra geral):

Ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada.

Ex: "Se você matou alguém, deve ir para a cadeia." (não se aplica a certos casos
de profissionais de segurança)
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* Generalização Apressada (Falsa indução):

É o oposto do Dicto Simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico.

Ex: "Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição."
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* Falácia de Composição (Tomar o todo pela parte):

É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.

Ex: "Este caminhão é composto apenas por componentes leves, logo ele é leve também."
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* Falácia da Divisão (Tomar a parte pelo todo):

Oposto da falácia de composição. Assume que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Ex: "Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos."
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* Falácia do homem de palha:

Consiste em criar idéias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Ex: "Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é a favor do comunismo
radical, e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com
pessoas que você não conhece."
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* Cum hoc ergo propter hoc : (falsa causa)

Afirma que apenas porque dois eventos ocorreram juntos eles estão relacionados.

Ex: "O Guarani vai ganhar o jogo de hoje porque hoje é quinta-feira e até agora ele ganhou em todas as quintas-feiras em que jogou."
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* Post hoc ergo propter hoc :

Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o
outro, eles têm uma relação de causa e efeito.

Ex: "O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos
EUA. Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares."
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* Petitio Principii :

Ocorre quando as premissas são tão questionáveis quanto a conclusão alcançada.

Ex: "Sócrates tentou corromper a juventude da Grécia, logo foi justo condená-lo
à morte."
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* Circulus in Demonstrando :

Ocorre quando alguém assume como premissa a conclusão a que se quer chegar.

Ex: "Sabemos que Joãozinho diz a verdade pois muitas pessoas dizem isso. E sabemos que Joãozinho diz a verdade pois nós o conhecemos."
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* Falácia da Pressuposição :

Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida
como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.

Ex: "Você já parou de bater na sua esposa?"
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* Ignoratio Elenchi (Conclusão sofismática):

Ou "Falácia da Conclusão Irrelevante". Consiste em utilizar argumentos válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex: "Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes
aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentar boas
condições físicas. Logo, foi um processo natural os EUA ganharem a corrida espacial contra a União Soviética pois o povo americano é superior ao povo russo."
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* Anfibologia ou Ambigüidade:

Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração gramatical.

Ex: "Venceu o Brasil a Argentina."
"Ele levou o pai ao médico em seu carro."
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* Acentuação :

É uma forma de falácia devido à mudança de significado pela entonação. O significado é mudado dependendo da ênfase das palavras.

Ex: compare: "Não devemos falar MAL dos nossos amigos." com: "Não devemos falar
mal dos nossos AMIGOS".
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* Falácias tipo "A" baseado em "B" (Outro tipo de Conclusão Sofismática):

Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex: "O Islamismo é baseado na fé."
"O Cristianismo é baseado na fé."
"Logo o islamismo é similar ao cristianismo."
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* Falácia da afirmação do consequente :

Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não
está nem do Modus ponens (afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do conseqüente). A sua forma categórica é:

Se A então B.
B
Então A.

Ex: "Se há carros então há poluição. Há poluição. Logo, há carros."
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* Falácia da negação do antecedente :

Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não
está nem do Modus ponens (afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A então B.
Não A
Então não B.

Ex: "Se há carros então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição."
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* Falsa dicotomia (bifurcação):

Também conhecida como "falácia do branco e preto". Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Ex: "Se você não está a favor de de mim então está contra mim."
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* Argumentum ad Crumenam :

Esta falácia é a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex: "O Barão é um homem vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser."
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* Argumentum ad Lazarum :

Oposto ao "ad Crumenam". Esta é a falácia de assumir que apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Ex: "Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma cilada, eu acredito."
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* Argumentum ad Nauseam :

É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex: "Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é."
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* Plurium Interrogationum :

Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex: "O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?"
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* Red Herring :

Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex: "Será que o palhaço é o assassino? No ano passado um palhaço matou uma criança."
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* Retificação :

Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como coisa concreta.

Ex: "A tristeza de Joãozinho é a culpada por tudo."
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* Tu Quoque (Você Também):

Falácia do "mas você também". Ocorre quando uma ação se torna aceitável pois outra pessoa também a cometeu.

Ex: "Você está sendo abusivo."
"E daí? Você também está."
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* Inversão do Ônus da Prova :

Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento.

Ex: "A Fada-do-Dente deve existir, pois ninguém nunca conseguiu provar que ela não existe."

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Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre

terça-feira, março 18, 2008

O Mundo Precisa de Mãe

O mundo precisa de ti, minha mãe.

Mãe que embale esse mundão nos braços e cante uma canção de ninar esperança aos homens de bons ouvidos.

Mãe que eduque, nas palavras ou no puxão de orelha, essas crianças que tocam fogo na própria cama.

Será por isso que existe tanta mãe?

Mãe divina, mãe solteira;
Mãe que perdoa, mãe que odeia;
Mãe que se enfurece, mãe que esclarece;
Mãe que cuida, mãe que não se esquece.

Por isso te peço:

Ó mãe divina!
Ó mãe da terra, mãe das crianças-adultas que brincam com o mundo;
cuida do nosso planeta e não deixa que a gente esqueça
que somos todos parte de uma só família e que tu,
seja que nome tenha, é sempre tu, mãe querida.

Mãe que sempre espera pacientemente que essas criancinhas briguentas se tornem homens de amor e de paz.


Frank
Madre Tereza Memorial
Calcutá, Índia
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Notas: escrevi esse texto no memorial da Madre Tereza em Calcutá, um dos lugares em que mais me emocionei em minha viagem pela Índia. Desnecessário falar muito sobre
a vida dessa fantástica alma que cuidou tanto dos pobres e famintos de carinho das ruas indianas, e como o seu trabalho e legado se espalhou por todo o mundo, mas a
presença de carinho de mãe toca a todos no memorial, e tudo o que você consegue pensar é em como o mundo precisa de mãe, às vezes Kali, às vezes Tereza, que
ponha esses meninos homens no caminho certo.

segunda-feira, março 17, 2008

O Mosquito e o Mistério da Vida

Havia um mosquito que me torturava quando eu tentava dormir. Como chegou ao meu apartamento no oitavo andar, Baygon nenhum conseguia explicar, mas ele fazia-se presente á noite, antes do sono, com o seu zumbido à 100 decibéis que “PSIU” nenhum poderia silenciar.

Já estávamos travando essa batalha há dois dias - ele lutava pelo meu sangue, eu por uma noite de paz – quando o flagrei distraído entre a cozinha e a sala. Não pensei duas vezes e usei a primeira coisa que me veio ás mãos, um copo de vidro, e o aprisionei entre o espaço do copo e a mesa de madeira. Entusiasmo, gritei de júbilo, conseguira capturar o mosquito maldito, que agora voava de um canto para o outro, para cima e para baixo, sem conseguir escapar da prisão de vidro.

Comecei a pensar em como deveria exterminá-lo: deixá-lo perpetuamente dentro do copo? Levar o copo até a pia da cozinha e afogá-lo com á água da torneira? Espalhar o veneno mata-mosquito pela beirada do copo e observá-lo definhar? Qualquer que fosse a forma que eu escolhesse, esse mosquito jamais me picaria ou atormentaria novamente.

- Você escolheu o humano errado, Mosquito!!! – gritei, prestes a executá-lo.

Então, o moleque vingativo e imaturo começou a dar lugar ao velhinho Zen que também mora dentro de mim e comecei a me dar conta que estava feliz com o infortúnio do mosquito. Eu estava realmente contente com a idéia de eliminar aquele “inseto” da face da terra, o velhinho não. Compreendam que o velho Zen não tinha remorso pelas milhares de formigas que já pisoteara ou os outros mil insetos que tiveram o azar de bater no pára-brisa da sua vida; ele sabia que era virtualmente impossível, viver sem machucar esses seres, mas ele tentou explicar ao moleque que aquele combate já estava resolvido e o mosquito era o vencedor.

- Vencedor? Ficou louco, velho – disse o menino – A vida desse mosquito está na palma da minha mão.

- Você já sabe, garoto, que nunca conseguirá matar o mosquito, apenas a imagem dele; pois a vida não pode ser morta e a mesma vida que há no mosquito, habita em você. A mesma faísca de vida que te movimenta, move o mosquito. A imagem do mosquito poderia até desaparecer entre as palmas da suas mãos, mas não tenha prazer com isso. Libertar ou matar não está em questão; o que peço é que reflita sobre o que você está sentindo, diante da opção de matar ou não o mosquito.

Coisa medonha essa coisa de anjo e demônio, moleque e velhinho que sempre travam combate dentro da nossa mente. Há momentos onde precisamos deixar o diabinho tomar as rédeas, mas há outros que os anjos velhinhos precisam intervir e apertar o botão da sabedoria.

Se é impossível evitar pisotear as formigas na rua; dá ao menos para, vez ou outra, treinar a compaixão e deixar viver aquele bicho, inseto, animal ou até mesmo um rosa que poderia permanecer mais tempo viva no jardim, do que no vaso da sua casa.

Além do conto espírita da alma com RG; o velhinho vive dizendo que depois da morte, não há nada senão vida.

Há somente vida, pura e livre, se manifestando aqui e agora, ontem e amanhã, ou em qualquer espaço e tempo que ela quiser estar. Vida que entra e sai de mosquito e se torna girafa e então menino; pois não há Deus ou Deusa, se eles não habitarem em tudo e todos.

No passado, só enxergávamos o homem, como ser divino na terra; hoje, sabemos que todos os seres vivos são partes de um mesmo organismo: extermine uma espécie e todas as outras sofrerão. Imagina, amanhã, quando descobrirmos que o muito que sabemos hoje, não passa de mundo quadrado, esperando um Colombo, que com a analogia da forma de um ovo, virá nos explicar que o mundo sempre foi redondo.

O velhinho me ensina essas coisas com o seu conhecimento de vidas; e o menino com as suas travessuras e dedos na tomada, que através da prática, formam a base da minha fé nas coisas, meu ponto de vista e meu amor pela vida.

Que ironia é viver em tempos, onde enxergamos espiritualidade até mesmo em mosquito. Exagero ou não, todas as formas de vida são sagradas e apesar de não aconselhar ninguém a se deixar ser mordido por mosquito, vale a pena, meditar nisso: o que será essa faísca de vida que move o mosquito e qual é a sua relação conosco?

Quanto ao mosquito, o deixei partir. Sortudo, ganhou mais algumas horas de vida; mas a mesma sorte que o libertou, pode se ausentar a noite, quando o velhinho estiver dormindo e o moleque acordar irritado, com o zumbido no ouvido e usar a sandália do silêncio para o mosquito calar.


Frank Oliveira

domingo, março 16, 2008

Lhasa Livre

Em 2003 estive em Dharamsala, no estado indiano de Himachal Pradesh, onde fica a Administração central do Tibete no exílio e onde vive o Dalai Laima,líder espiritual do Tibete. Não sou Budista, mas nutro uma simpatia especial por esse povo que teve a sua terra invadida pela China nos anos 50. Calcula-se que a Índia tenha recebido cerca de 130.000 tibetanos desde 1959 e todos os dias, mais refugiados chegam até a cidade, em busca de refúgio e liberdade.

Conheci Kaila, no restaurante do hostel em que estava hospedado. Falando um inglês fragmentado, era engraçado ouvi-lo falar. Não pela sua dificuldade de pronunciar certas palavras, mas por ele utilizar constantemente expressões e gírias típicas de filmes americanos.

- Aprendi inglês, assistindo filmes contrabandeados em Lhasa - explicava ele - por isso consigo mais entender que falar. Agora é a vez de vocês, punks, façam valer o meu dia!

E ele perguntava sobre tudo, rodeado por vários viajantes, ele queria saber tudo sobre os lugares de onde vinhamos, enquanto, nós tentavámos saber ainda mais do lugar de onde ele veio. Descobrimos que ele atravessara os Himalaias a pé e que ficara quase 04 dias sem comer nada, pois o seu mantimento tinha acabado. A esperança de chegar a Índia lhe dava forças e o sonho de ver com seus próprios olhos o Dalai Lama, saciava a sua fome e sede.

- A falta de comida e água não me incomodava, apenas a vontade de chegar ocupava meus pensamentos. Então, todos jogam futebol no Brasil?

Queríamos saber mais: como era a vida de um jovem no Tibet; como conseguira fugir; como os chineses tratavam o povo de verdade; mas o jovem Kaila não parava de perguntar sobre as luzes de Las Vegas, as lutas dos gladiadores em Roma; que fim levou o Napoleão depois da derrota da França e por qual razão o idioma dos brasileiros era português, se não estavámos em Portugal. Perguntas inocentes, até de certa forma, tolas; mas que refletia a busca de conhecimento que o jovem Kaila desejava e que no ocidente, qualquer criança de 08 anos têm ao alcance de um mouse pelo Google.

O Tibete faz parte de um outro mundo. Um mundo que lemos e pensavámos ter existido a séculos atrás, mas ainda é parte do cotidiano de milhares de tibetanos. Um mundo de opressão religiosa, de cassação de direitos civis, ausência de liberdade e falta de oportunidades. Um mundo que obriga jovens a fugir em busca de um ar não censurado e atravessar Himalaias em busca de expressão.

O estranho é que apesar de todo o sofrimento que passara, Kaila mantinha um eterno sorriso no rosto; sorriso que reflete uma paz interior que está tatuado na face de cada tibetano que ainda luta por autonomia e liberdade num mundo em que nenhuma nação e nem mesmo a ONU ousam sequer discutir uma solução com a toda poderosa China por medo de retaliação política.


Frank Oliveira


Saiu na Uol.com.br
Dalai Lama denuncia que o Tibete está sofrendo um "genocídio cultural"

O Dalai Lama, disse hoje que essa região está sofrendo "um tipo de genocídio cultural" e que as autoridades chinesas pretendem alcançar a paz através do uso da força.

Leia mais em:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2008/03/16/ult1808u114927.jhtm

sábado, março 15, 2008

QUINZE

Essa semana, eu brinquei com meus amigos e sendo a semana do meu aniversário, falei que faria 15. O pessoal brincou, tirou barato, riu, mas esqueci de dizer ao pessoal que era verdade. Eu faria 15, mais um dia 15 na minha vida.

Sempre gostei do dia 15. Nenhuma relação com a data do meu nascimento (ou todas, Freud explica...). Gosto do meio do mês, por causa da sensação de já ter alcançado ao menos metade dos meus objetivos ou na pior das hipóteses, ter ainda meio mês para alcançá-los.

Compreendam! Não sou do tipo que planeja cada passo – já aprendi que John Lennon, entre outros versos, estava certo quando disse “a vida é o que ocorre com você, quando você está ocupando fazendo planos”. Sim, sei que a vida adora mudar nossos planos, mas adoro observar o motor da vida em funcionamento quando fazemos um desejo e perceber que tudo aquilo que pedimos – até as coisas não tão boas – correm o risco de se manifestar ao nosso redor, basta um pouquinho de mentalização com uma pitada de atitude (nem é preciso ler O Segredo para descobrir isso – a vida ensina).

Dia 15 é um dia ideal, pelo menos para mim; o dia da transição, onde percebo que as coisas que eu preciso estão prontas para nascer e as coisas que quero, terão que esperar um pouco mais.

Já fui uma dessas pessoas que queria demais e se esforçava de menos; já passei por uma daquelas fases “Zen” de viver bem com o que não era nem suficiente. Hoje, sei o que eu preciso e para conseguir isso, só dependo de uma pessoa: myself! Por isso nesse dia 15, fico olhando as engrenagens do universo girando e as rodas da vida em movimento e sei que algo está prestes a acontecer. O quê? Não sei ao certo; mas o que quer que seja que pedi diretamente ou inconsciente, se for algo que realmente preciso, está a um passo de se realizar; tanto faz que seja um pirulito; um cadillac ou um daqueles textos inspirados sob medida pelas estrelas, para fazer outra pessoa sorrir e tornar o seu dia melhor.

sexta-feira, março 14, 2008

ESPIRITUALIDADE SEM RELIGIÃO

Conheço Jonas há anos, ele me chama de crente e eu o chamo de ateu.

Ele acompanhou toda a minha fase de "esquisoterismo": quando eu meditava em ônibus e entoava o bija mantra OM até em fila de banco. Teve paciência para não me mandar para aquele lugar, quando tentei convertê-lo a acreditar nas minhas verdades absolutas e se manteve amigo, mesmo quando eu disse que o fato dele não acreditar em Deus era obra de assédio de algum obsessor de vidas passadas.

Estranho é que por mais que eu tentasse convencê-lo das minhas descobertas espirituais ou que os Et´s realmente faziam contato o tempo todo; ele nunca tentou me convencer com as suas (des) crenças. Ele sempre diz, que para ser feliz e fazer outras pessoas felizes, não era preciso ter uma religião ou acreditar em um Deus. De fato, nunca vi alguém tão bom e tão integro quanto o Jonas. Ele está sempre disposto a ajudar os amigos e familiares; sabe dizer não, mas está sempre disposto a dar uma mão quando precisamos.

Pensando sobre isso, me dou conta que o Jonas é o cara mais espiritualizado que conheço. Mesmo sem acreditar em nada do que tanto "tenho certeza"; ele é a prova viva que o divino está presente em todos os aspectos da vida, não só naqueles que fazem parte de algum ritual religioso. Ás vezes, achamos que para estar perto de Deus, é preciso falar sobre Ele ou estar presente em um templo, ou fazer meditação ou alguma técnica antiga que te permita abrir a terceira visão. Esquecemos que estamos perto de Deus o tempo todo, ainda mais nas coisas cotidianas, das quais extraimos as melhores lições: brincar com os nossos filhos; varrer o chão de casa enquanto ouvimos música alta; andar de bicicleta no parque; trabalhar 12 horas e estar feliz por estar empregado e fazendo algo que te dá prazer e em tantas outras atividades que estão ocorrendo o tempo todo na nossa vida, mas ainda não conseguimos enxergar a sua beleza.

Esse meu amigo Ateu é um dos caras mais bem humorados que conheço e também é um grande lembrete para mim, pois todas as vezes que exagero na dose e volto de uma experiência espiritual, totalmente do lado de lá; ele me lembra que só estou aprendendo todo esse A a Z de espiritualidade para usar aqui mesmo, na terra; lugar onde Jonas já pratica toda essa teoria que ainda estou tentando assimilar.

Frank Oliveira

quinta-feira, março 13, 2008

ROCK E BALADAS - O RESGATE DA MAGIA SONORA


(Quando o Coração Escuta o Chamado da Canção de Outros Reinos)

- Por Wagner Borges -

Meus dedos deslizam pelo teclado e eu me lembro de um tempo cheio de magia sonora, onde outros reinos ganhavam forma na música. O limite era o infinito...
E era permitido sonhar e voar nos solos viajantes.
Olho para a velha guitarra vermelha e penso no quanto ela me fez viajar pelo céu
azul e pela vastidão de minha imaginação.
O baixo e a bateria estão num cantinho da garagem. Mas o poder deles era a cozinha sonora, por onde viajavam a guitarra e o teclado.
Olho para os instrumentos, que são parte de minha alma, e penso no quanto o mundo atual perdeu da magia da música. O infinito e os solos se foram e eu me deixei levar pelo tempo de inércia e de climas cinzentos.
O som ficou rasteiro como a grama poluída e meus cabelos embranqueceram junto com meus sonhos. Como tantos outros, finalmente, capitulei e perdi o brilho dos olhos. Deixei a onda cinzenta me levar para longe do meu som.
Mas ainda há uma fagulha do velho rock brilhando em algum canto secreto de meu
ser. Sim, eu sei, eu sinto o chamado dos outros reinos.
Ainda há magia sonora no ar, só esperando para atravessar as dimensões e novamente tornar-se arte no mundo dos homens. A viagem não terminou e os sonhos jamais morrerão.
Olho para a guitarra vermelha e penso no azul do céu. Acaricio os teclados e sonho novamente. Vejo o baixo e a bateria e penso no som do trovão.
E começo a sentir uma canção chegando... Ela fala de amor e de viagens sonoras.
Ela pede passagem em meu coração...
Penso em quantas músicas embalaram momentos de minha vida - baladas e viagens
sonoras incríveis. Elas fazem parte de mim.
Sim, elas são minhas companheiras de viagem pela vida e, no momento final, vão
me acompanhar para outros reinos, além dos sonhos, rumo ao infinito...
A música não tem idade nem fronteira. Só o coração é que sabe...

Dedicado aos músicos que ainda fazem boa música, mesmo com muitas dificuldades,
e a todos aqueles que gostam e ainda se permitem viajar no bom e velho rock e
nas baladas que encantam os corações*).

P.S.: Obrigado, Yes, Pink Floyd, Beatles, Genesis, Camel, Jethro Tull, Led Zepellin, Deep Purple, Tangerine Dream, Eloy, Marillion, IQ, Pendragon, The Who, The Moody Blues, Barclay James Harvest, Journey, Emerson Lake and Palmer, Cat Stevens, James Taylor, Spock's Beard, Elton John, Renaissance, Glass Hammer, Premiata Forneria Marconi, Le Orme, Banco, Celeste, Focus, Kayak, Tempus Fugit,Dogma, Terço, Gandalf, Free, Bad Company, Queen, David Bowie, Jadis, e tantas outras bandas e músicos que vêm embalando meu coração viajante há 46 anos...

Paz e Luz.

São Paulo, 28 de janeiro de 2008.

- Nota:
* Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de uma velha balada do começo da década de 1970, que até hoje encanta os corações sensíveis a climas melhores na existência. É um clássico do pop mundial, cantado pelo bom e tímido James Taylor - letra da Carole King, grande compositora e cantora americana. Segue-se a tradução da letra da canção logo abaixo, acompanhada da letra original - em inglês.
Obs.: Há um vídeo dessa canção postado no site do YouTube, no seguinte endereço
específico: http://www.youtube.com/watch?v=aUzgToWoA-U&eurl=d+sold+over+37+


VOCÊ TEM UM AMIGO

- Por Carole King e James Taylor -

Quando você estiver abatida e preocupada
E precisar de uma ajuda
E nada, nada estiver dando certo,
Feche seus olhos e pense em mim
E logo eu estarei lá
Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.

Apenas chame alto meu nome
E você sabe, onde quer que eu esteja,
Eu virei correndo, oh sim, querida,
Para te encontrar novamente.
Inverno, primavera, verão ou outono,
Tudo que você tem de fazer é chamar.
E eu estarei lá, sim, sim, sim,
Você tem um amigo.

Se o céu acima de você
Tornar-se escuro e cheio de nuvens
E aquele antigo vento norte começar a soprar,
Mantenha sua cabeça sã e chame meu nome em voz alta
E logo eu estarei batendo na sua porta.
Apenas chame meu nome
E você sabe, onde quer que eu esteja
Eu virei correndo para te encontrar novamente.
Inverno, primavera, verão ou outono,
Tudo que você tem de fazer é chamar
E eu estarei lá, sim, sim, sim.

Ei, não é bom saber que você tem um amigo?
As pessoas podem ser tão indiferentes,
Elas vão magoá-la e abandoná-la
E então vão tomar sua alma se você deixar.
Oh, sim, mas não deixe.

Apenas chame alto meu nome
E você sabe, onde quer que eu esteja
Eu virei correndo para te encontrar novamente.
Babe, você não entende que
Inverno, primavera, verão ou outono,
Ei, agora tudo que você tem a fazer é chamar?
Senhor, eu estarei lá, sim eu estarei,
Você tem um amigo,
Você tem um amigo.
Não é bom saber? Você tem um amigo...
Não é bom saber? Você tem um amigo...
Você tem um amigo...


YOU'VE GOT A FRIEND

- Por Carole King e James Taylor -

When you're down and troubled
and you need a helping hand
and nothing, ooh, nothing is going right.
Close your eyes and think of me
and soon I will be there
to brighten up even your darkest nights.

You just call out my name,
and you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
to see you again.
Winter, spring, summer or fall,
all you have to do is call
and I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.

If the sky above you
should turn dark and full of clouds
and that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud
and soon I will be knocking upon your door.
You just call out my name
and you know where ever I am
I'll come running to see you again.
Winter, spring, summer or fall
all you got to do is call
and I'll be there, yeah, yeah, yeah.

Hey, ain't it good to know that you've got a friend?
People can be so cold.
They'll hurt you and desert you.
Well they'll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don't you let them.

You just call out my name
and you know wherever I am
I'll come running to see you again.
Oh babe, don't you know that,
Winter spring summer or fall,
Hey now, all you've got to do is call.
Lord, I'll be there, yes I will.
You've got a friend.
You've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
You've got a friend.

Canção de Quem Não Voltará

Na minha terra tem palmeiras
Mas onde foi parar o Sabiá?
A laranjeira já não tem mais fruta
Alguém roubou o pomar

Tenho saudade do país do futuro
Que nunca chegou para me presentear
Nem em memórias da minha infância
Há coisa boa que valha a pena lembrar

Já fui exilado por conta própria
Pensei que os pássarinhos que voavam por lá
Eram diferentes dos que voam por cá

Talvez seja culpa de São Paulo
Que nunca chegou a me encantar
Afinal, não há mesmo diferença
Entre a manga de lá e o cranberry de cá

Mas não há árvore que resista
Ao preço do plantar
Nem pássarinho que escape
Das arapucas na mata

Voltar????
Lá???
Ah tá!!!!
Nem pensar!!!

Não vou voltar!!!

Não quero mais ouvir o Sabiá
Nem sentar sob a sombra da Palmeira
Nem da Laranjeira quero os gomos provar

Não vou voltar
Não fiz tantos planos
Para apenas voltar
Não vou me deixar enganar

Qualquer lugar é meu lar
Cante o Pássaro Preto ou o Sabiá
Qualquer lugar é minha casa
Pois para ouvir a canção, tanto faz estar lá como cá

quarta-feira, março 12, 2008

"Enfim"

Ontem, revi minha grande amiga Roberta Andrade. Como acontece sempre em nossas conversas, saímos os dois mais tranquilos e prontos para esse mundo que exige que dois poetas trabalhem para o sistema. Como diria o Poeta Segurança: se ao menos nossos versos pagassem nossas contas...mas chega de "if" e sigamos todos nós poetas com os nossos personagens!!!

Segue abaixo o poema que ela escreveu ontem:


"Enfim"

Porco espinho; afiado
Me passei enfadado
Além mar desconhecido
A quietudade me intriga
Me abala, me faz agitar

A montanha; escalada
Na descida um tombo
Na garganta seca, o grito
Soco, acerto
Sufoco, devaneio
Atiro e vejo a morte respingada na parede
Crio em mim um novo personagem



Roberta Andrade

Ausência de Chão

Falta chão - disse ela - enquanto o afastava. Era beijo demais para uma noite. Era desejo demais para a primeira vez.

Era a primeira vez que beijava um estranho, com todos os clichês de um encontro não programado. E acontecia durante o trabalho, ou melhor, após ter batido o cartão; mas bem próximo, muito próximo das pessoas. Quem eram essas pessoas? Ele quis saber, ela respondeu: todas aquelas que não tem nada a ver com isso.

Sim, ninguém tinha nada a ver ou falar com o fato que ela resolveu aceitar um beijo na calada da noite e não tinha palavras para descrever o que sentia, só sabia que lhe faltava o chão.

O chão seguro dos sentimentos controlados.

O chão certo da ausência da delícia do pecado.

Pecado? Como poderiam condená-la por sentir algo tão maravilhoso, tão itenso e tão verdadeiro. Não há pecado onde há desejo expresso de matar uma vontade. Melhor mil beijos que lhe façam perder o chão do que a vontade reprimida que se perderia no deserto de todas as coisas loucas que sempre quis fazer, mas sempre teve medo de tentar, muitas vezes por causa desses "outros".

Faltou chão, mas lhe sobrou o céu, com poucas estrelas, mas brilhantes o suficiente para que ela jamais esquecesse aquela noite, em que ela desejou um homem e esse homem a desejou. Encontro perfeito, desejo consumado num beijo que ela ainda sentia nos lábios e que ficou congelado no tempo, em algum lugar daquele parque, entre ás arvores, entre o sim e o não, a entrega e a recusa, a presença e a ausência do chão.

Frank Oliveira

terça-feira, março 11, 2008

Alcançando as Estrelas


Onde foi parar a Fran?

Lá do outro lado do mundo, nas águas da Austrália; colecionando sonhos realizados e novas experiências.

Corre, Fran!!! Não deixa as estrelas cairem sem você as segurar!!!

Onde foi parar a Fran?

Lá dentro do meu coração, no lugar reservado para as grandes pessoas que conheci na vida. Pessoas que somaram, pessoas que ensinaram algo, pessoas que sempre lembrarei com um sorriso nos lábios e outro no peito.

A Fran foi o primeiro rosto que vi quando iniciei um trabalho numa certa empresa. Ela foi o primeiro contato e a primeira pessoa a dar-me boas vindas. Nunca tinhamos tempo para colocar a conversa em dia; mas todas as vezes que nos viamos, era uma grande festa:

- Fran!!! - Eu dizia.

- Frankieeeeee!!!! - ela respondia.

Ela era a Fran e eu o Fran para todos, menos para ela, que insistia que só poderia existir uma pessoa chamada "Fran" por lá e como ela chegara primeiro, o direito era dela. Xáras à parte, compartilhamos também certas dores de amor, muitas conversas sobre a vida, sonhos e caminhos. Seu maior sonho era viver por uns tempos na Austrália; e o meu, era vê-la realizando isso.

Onde foi parar a Fran?

Dentro do seu sonho, e aqui do outro lado do mundo, trocamos estrelas pelo ar, que atravessam o mundo e caem dentro do peito de amigos que se tornaram irmãos.

segunda-feira, março 10, 2008

ÁGUA E BOLACHA

Houve um furto na montagem do evento: uma caixa de ferramenta. Considerável para a confiança em todos; desprezível do ponto de vista financeiro. Contudo, um furto é um furto; não importa se foi um colar de diamante ou uma maçã na feira; por isso os seguranças estavam alerta para as ordens de redobrar a atenção e olhos abertos aos detalhes. A coordenação queria ser informada de qualquer suspeita ou movimento estranho próximo às maletas.

O evento envolvia peças caras e equipamentos raríssimos, que eram guardados em maletas trancadas e vigiadas o tempo inteiro. Como sumira uma caixa de ferramenta, ninguém sabia explicar; o que um segurança velhinho fazia abrindo uma dessas maletas, enquanto a ordem era manter distância; era óbvio para o coordenador que entrou no depósito de surpresa e encontrou o homem no flagra.

- Velhinho ladrão! – ele gritou mentalmente. Acusação certeira! Testemunha e juiz do julgamento sumário, ele decretou: afastem o velhinho e substitua-o imediatamente!

- Judas! – os seguranças gritavam – O ladrão estava entre nós.

O velhinho, que ficou claro, só trabalhava por lá, porque o dono da empresa lhe dera uma chance, foi afastado, enquanto dizia: olhem a maleta! Nada quis roubar!

Consciência tranqüila no perigo afastado. Confiança em todos estabelecida, até a maleta ser aberta e junto às peças caríssimas, ser encontrado um pacote de bolacha e uma garrafa de água.



Frank Oliveira

O Segurança Poeta

A primeira impressão realmente não é a verdadeira.

Por duas semanas, estive organizando um evento na Bienal do Parque do Ibirapuera. Dá um trabalhão danado coordenar dezenas de fornecedores e centenas de colaboradores. O stress em nível altissímo, não deixa que eu consiga observar as pessoas, conhecer novos universos. Preciso bancar o "boss" e pagar o preço para ter tudo organizado.

Queria estar escrevendo, penso a cada momento que percebo o preço que pago para liquidar as minhas contas, mas as letras podem esperar, tem um segurança, anotando algum telefone ou coisa parecida num pedaço de papel. Quem ele pensa que é? Deveria estar trabalhando e não anotando bilhetinhos...

- Você não deveria estar em ronda? - penso, antes de falar, mas alguém me chama e perco a chance de chamar a atenção do cara. Outra hora falo com ele!

Lá pelas tantas com o incidente esquecido, ele vêm em minha direção e revela, entre um "boa noite" e um "como vai": Frank, meu nome é Sérgio e eu sou um poeta.

- Nada profissional, diz ele, apenas escrevo onde e como consigo, essas palavrinhas e versos que ficam rodando na minha cabeça.

Será que ele sabia que eu também era escritor? Não sabia, mas continuei a ouvir.

Carioca, que morava á pouco em São Paulo, ele era segurança há tempos e sempre que podia, ao invés da arma, sacava a caneta e impedia que as frases feitas e rimadas fugissem do seu controle.

- Quando escrevo, estou 100% satisfeito. Se ao menos eu pudesse ganhar um centavo por cada palavra que escrevo, mas minhas rimas não possuem o poder de pagar o aluguel, por isso sou segurança por fora e poeta por dentro.


Frank Oliveira

domingo, março 02, 2008

SOL DE AMOR - NAS MÃOS, NOS OLHOS E NO CORAÇÃO

- Por Wagner Borges -



É noite, amigo.

Mas não está escuro.

Há um sol aqui!

Bem no coração.



O poeta compreende.

Ele também é viajante...

Voa nas asas do amor.

E pega os versos no infinito.



Dá para ver longe...

Lá em cima, no Cruzeiro do Sul,

O rastro dos seus versos.

E um pedacinho do seu coração.



Mas, quem vê, é outro coração.

Aceso na noite, na forja do amor.

Como um sol secreto no meio do peito.

Que ilumina, mas não ofusca.



Ah, meu amigo, quem sente essa luz?

É noite, e está tudo tão claro!

Dá até para ver a tapeçaria sideral,

Dentro do próprio coração.



Sei que você compreende...

Pois essa luz também iluminou suas noites.

E fez você voar até o Cruzeiro do Sul,

Para pegar a elegia que vem de longe.



Sabe, eu sei o que você sentiu.

A luz me mostrou. Aqui mesmo.

Bem dentro do coração.

Onde o amor faz ver estrelas.



É noite, mas está tudo claro.

Por isso, escrevo. E você sabe por que.

Talvez o amor viaje junto com esses escritos...

E outros compreendam sua atmosfera sutil.



Sim, talvez outros voem até o Cruzeiro do Sul.

Certamente, em espírito. Deslizando na luz suave...

E, talvez vejam você e Pablo Neruda conversando,

Sobre a elegia que vem de longe...



Meu amigo, tudo está claro e sereno por aqui.

É noite, mas raiou a aurora dentro do meu coração.

E é amor demais para segurar a onda.

Por isso escrevo: para dar vazão a esse amor.



E você conhece muito bem essa praia.

Então, me lembrei de você, para grafar essas linhas.

Escrevo com você nas mãos, nos olhos e no coração.

E pensando no Cruzeiro do Sul.



O amor que um dia mergulhou em seu coração,

Também mergulhou em mim.

E, agora está tudo tão claro e calmo,

Nessa noite - que é manhã dentro do peito.



Com carinho e admiração, poetinha.



(Essas linhas são dedicadas a Vinicius de Moraes).



Paz e Luz.



São Paulo, 01 de março de 2008.

Oi!!!!!!

Olá amigos

Desculpem o sumiço, mas estou off em um evento e não estou tendo tempo de postar as novas crônicas, mas prometo que semana que vem, volto a postar.

Um grande abraço a todos!!!

Frank OLiveira
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