terça-feira, março 31, 2009

VALOR


Arruma essa casa, menino; poê brilho no olho; para quê tanta preguiça ao deitar?

Medita um pouquinho, sai do piloto automático.

Tanta gente querendo experimentar e você não dá o devido valor ao seu voar.


Ah, do que vale descobrir os mistérios do antigo Egito, os yogas da India ou o tesouro enterrado embaixo das muralhas da China, se eu não conheço o pontencial da minha mente; se desconheço o brilho da minha alma?

Ah, do que vale saber de coração o que dizem as sagradas escrituras, gritar Axé ou Aleluia, se não conheço o alcance da minha vista; se desconheço o poder da minha voz?

Ah, do que vale os estudos de espiritualidade, os cântigos de Salomão ou a poesia do Baghavita Gita, se eu não pratico a sabedoria em minhas ações, se não sou firme em minha luta?

Ah, vale nada tudo isso; pois muito carrego na cabeça e pouco no umbigo.

Ah, vale nada tanta teoria, pois muito falo e nada digo.

Chega de tanto disso e nada do que realmente preciso. O Divino não está apenas no templo, está principalmente no sorriso amigo e na vida real que começa quando acordo, abro a porta e me manisfesto no mundo.

segunda-feira, março 30, 2009

E AGORA???

Ícaro morreu e voou para dentro de si mesmo.

O coitado não entendeu nada, acreditava que iria pro céu, ou na pior das crenças, desceria a fogueira do capeta. Nunca achou que o que buscava fora, estava dentro.

Foi reclamar no "Gente Morta Custumer Service", e depois de navegar por diversas opções na Ura do Senhor, foi atendido por uma voz angelical que lhe falou:

- Boa Morte, Senhor Ícaro. Como posso estar lhe ajudando?

- Onde está Jesus? - perguntou irritado - Onde estão os anjos?

- Um momento, por favor, Senhor Ícaro, que eu vou estar verificando.

Depois de alguns minutos, a operadora voltou a falar:

- Falei com o meu supervisor, Senhor, e ele mandou estar lhe avisando, que todas essas crenças só fazem sentido mesmo lá na Terra, aqui tudo é o que há.

- Com quem eu posso reclamar? - disse já gritando - Passei toda a vida acreditando no que me disseram, no que estava escrito; e você está afirmando que o que há não era nada daquilo!!!! E agora????

- Sinto muito, Senhor! Se o Senhor desejar, posso estar lhe transferindo para o Departamento das Experiências, que cuidam dos desencarnados que não aprenderam a lei da mente aberta.


Moral do conto: o telemarketing já chegou ao céu.

SEM SONHOS

Lavou suas roupas na fonte de água da praça pública e ficou esperando secar ao vento que subia das grades por onde passava o metrô.

Então ela parou e olhou para o mundo que passava e ficou a imaginar.

Não tinha para onde ir, nem para quem voltar.


O mundo passava e as vezes, tentava agredi-la, mas ela não escutava as injúrias dos homens que gritavam de seus carros: "sua vagabunda!". Nem das mulheres que passavam em seus saltos, resmungando: "sua imunda!"

Ela não era nem uma coisa nem outra.

Não tinha lar, "mas era limpinha", como dizia a frase dos ricos que riam dos miseráveis que podiam até viver na ruas, mas não precisavam ser fedorentos, nem vestir trapos.

Havia loucos na rua, sujeitos detestáveis, maníacos de toda sorte, mas havia também pessoas como ela, sem teto, mas com honra. Sim, honra, para não trocar os poucos trocados por drogas ou vender o corpo por migalhas. Sim, a prostituição seria uma saída, e mesmo com a sua magreza e seus seios pequenos, havia quem a procurasse, havia quem desejasse possuir o corpo que movia aquele rosto de olhar profundo e cansado de tanto sofrimento; havia quem quisesse pagar para possuir por alguns reais aquela face de nariz torto, de boca miúda, mas cuja vaidade ainda permitia uma tiara vermelha no cabelo e um brilho em volta dos olhos; olhos sedutores que já atrairam amores e que podiam quem sabe, ainda um dia, trazer um homem, um verdadeiro amor, que viesse lhe resgatar e a levar para algum lugar onde ela pudesse recomeçar.

Mas ela poderia recomeçar a qualquer momento, bastava tentar, não precisava esperar que outra pessoa viesse lhe ajudar.

Por um momento ela pensou que teria forças para recomeçar com suas próprias mãos, caminhar com seus próprio pés, mas daí se confundiu toda e esqueceu o que estava pensando e voltou a olhar para o povo passando e olhando ela lavar roupas e as secar, com aquele jeito de quem não tinha mais sonhos para realizar.

sábado, março 28, 2009

A Magia do Esquecimento

E se você pudesse ver a cara da sua alma? Que aparência ela teria? Usaria alguma das suas idades? Usaria alguma das máscaras que você usou em alguma das suas vidas?

Viveka acordou com um olhar diferente aquela manhã. Foi ao banheiro lavar o rosto e se viu diferente no espelho.

- Eu lembro! - disse ele a si mesmo. Havia despertado de um longo sono, e se recordava de tudo, de todos os segredos que havia esquecido. Sabia quem era, o que fazia ali vestido de gente, pois o reflexo no espelho mostrava quem Viveka era, além do corpo e mostrava a fisionomia da sua alma.

Foi preciso trinta e três anos da sua vida, para que o seu corpo se tornasse uma fotografia do espiríto. Ele não estava louco, nem havia bebido.

Esse era um desses insights que caem do céu e viram discernimento na Terra, e ninguém sabe ao certo como ocorre e por que acontece, mas se tece alguma opinião a repeito, pois não há outro jeito de ser humano se não tentarmos descrever de qualquer jeito, essas coisas do Divino que não podem ser escritas, nem descritas, mas acontece assim mesmo, e mesmo sem sabermos de onde esses insights vem e nem para onde vão, a nossa mente vira um poste de luz, a medida que o véu da ilusão cai e percebemos que não somos apenas um corpo, mas algo mais.

E como um Narciso que se apaixona por seu próprio reflexo nas margens do rio, ficamos assim com cara e boca de quem descobriu um Amor Maior que une tudo e faz parte de nós, ainda mais quando vemos que o brilho da alma faz parte do brilho de todas as estrelas explodindo e criando planetas, que criam vida, que evoluem e se tornam bicho, pássaro, homem e anjos que um dia despertam em frente a um espelho em um dia qualquer da semana, sem fazer uma oração, sem se preparar para isso, e está ali ao alcance dos nossos olhos, a Grande Verdade do Universo, o Grande Segredo da Criação, e por termos um idioma limitado, uma expressão humana ainda primata, só conseguimos dizer:

-Uau!!!!

Então, o celular toca e o alarme nos tira da cabeça a lembrança do que acabamos de sentir. Daí, ocorre algo engraçado, o que parecia ser uma grande certeza se evapora, o que parecia que lembraríamos para sempre, se esvai feito água pelo ralo, para algum lugar no porão do esquecimento da mente.

E só há uma explicação para isso: A Magia do Esquecimento aprontou mais uma das suas.

Reclamações com o 0800 do Criador.

RISO SAGRADO NO SOLO

Os Voadores desceram do céu e marcaram um encontro na terra. Quando se encontraram, um olhou para o outro e deu risada, dizendo: "eu achava que você era mais gordo!"

As menidas voadoras, vaidosas, não gostaram do comentário, mas como estavam em Solo Sagrado, acharam melhor ignorar aqueles pássaros bobos que fazia piada sobre todas as aves que não estavam por lá.

Havia voador Xamã, que ninguém nunca pensou que o veria acompanhado por um monte de passarinho; voador careca mostrando com orgulho que um dia já foi cabeludo, voadora pousando de modelo para as lentes do esposo e até voadora fugindo de ex-marido que, surprise, caiu do ninho, bem no meio do Solo Divino. Havia também voador folgado comendo de tudo, mas que não trouxe nada para o pic nic e voador querendo vender camiseta de preto-velho e dizendo que não existia mais camisa como aquela, só pros outros voadores ficarem mais interessados ainda. Voadora com medo da chuva revelar como são os seus cabelos sem chapinha e voadora defendendo o voador companheiro que não parava de dizer que "amava estudar na faculdade onde todos adoram o verbo dar".

Encontro alado é assim mesmo, quando ocorre é risada na certa, ainda mais as custas de quem não foi e quem rí por último é voador de gaiola.

sexta-feira, março 27, 2009

ÁRVORE FUJONA

No Parque do Trianon, há uma árvore rebelde com fome de correr pela Avenida.

Todas as árvores crescem para o céu, a árvore rebelde cresce para o lado, com galhos vagamundos que querem sair pela vida.

Esses dias, passei pela Paulista, e olhei pra ela; e ela disse para mim:

"Escritor, quero sair daqui!"

Queria poder ajudá-la, mas havia grades prendendo o seu tronco e uma cabine policial ao lado; e eu, com medo de ficar encrencado, pedi perdão a árvore que queria fugir e disse:

" Desculpa, árvore fujona, mas não quero problema com a lei por te ajudar a fugir; mas te prometo uma crônica dessas bem estranha, que só quem for te ver, vai entender o que vi."

O ENCONTRO

"Eu vou morrer", ela pensou diante do diagnóstico que o médico mostrou. Câncer, doença estranha, que surge de repente e pega a vida da gente de calça curta.

"Eu vou morrer" já não era um pensamento enrustido, motivo de conversa de bate-papo filosófico com os amigos numa mesa de bar, onde depois da morte discutida, a vida vinha lembrar: amanhã é segunda.

"Eu vou morrer" passava a ser encontro marcado, com hora, data, itinerário; que ela não podia atrasar.

- Eu vou morrer, e agora, doutor? - ela perguntou, mas o médico não tinha resposta, ninguém tinha; afinal a morte é o que sempre acontece com os outros até o dia em que ela encontra você.

quinta-feira, março 26, 2009

Filosofia de Quem Pega Condução


Os dias passam,

Mas a gente acha que um dia dura para sempre;

Daí um dia, a gente acorda

E descobre

Que o dia já passou

Rapidamente...


Tudo passa pela gente

Até os dias,

Até a dor,

Até o amor

Pois tudo na gente é passageiro

Menos o motorista e o cobrador

quarta-feira, março 25, 2009

POR VOAR

Sim, sou o Caminho da Dor.

Dor que machuca e faz chorar; dor que arranha e faz coçar; dor que sangra e faz sofrer... mas faz mudar.

Dor que desconforta e faz gritar; dor que não tem hora para vim e nem de ir embora... mas faz você optar.

Optastes por mim,
Pois estás inquieto;
Entorpecido pelo caminho das flores,
Estás inerte,
Feito Narciso apaixonado pelo teu próprio brilho.

Fogem de mim, como o diabo foge da luz
E quando me encontram, maldizem o Criador, por permitir que exista a cruz,
Mas é sob o meu comando, que todos são obrigados a olhar;
A ver o que houve e o que há;
A resolver o problema na lousa do teu corpo;
E arrancar a raiz que causou todo esse alvoroço
Que embora não te deixe em paz, te obriga a transcender
E perceber que há muito mais
Do que eu e você.

Não sou tormento, sou apenas a outra trilha,
Existo,
Pois é o meu caminho que permite que tu olhes direto em teus medos
E perceba que sou em ti o desejo
Escondido
De arrancar as tuas penas com teu próprio bico,
Em nome do voar.

POR TRÁS DA MÁGICA

Moleque curioso que eu sou, quis investigar a cartola do mágico, quis saber o truque da magia, como funcionava os ponteiros do tempo, como surgia as ondas que batiam chuá na areia da alma.

Daí desisti, pois entendi que o melhor da mágica é não saber como é.

Deixei estar, deixei ser e voltei a ser menino deslumbrado com o que há e o que há se mostrou de novo, sem que ao menos eu pedisse para olhar.

O que há: pura mágica!

Como há?

Não sei e por favor, nem venha me contar.

terça-feira, março 24, 2009

O PALHACINHO DE OGUM

Todos os médiuns se reuniram para dar as boas vindas ao novo irmão de gira que no terreiro engressaria e tremenda foi a surpresa de toda a gente quando viu esse sujeito, que ao invés do branco e das guias, surgiu no salão vestindo um macacão vermelho e amarelo, um nariz vermelho e a cara pintada de todas as cores, e que com uma voz esquiniçada falou:

- Venho saudar esse terreiro. Sou o Palhacinho de Ogum, o Grande Guerreiro.

Alguns acharam que era zombaria, outros riam sem parar, nunca na história daquele templo de Umbanda algo assim havia ocorrido, contudo quando todos achavam que aquilo tudo era ridículo, o Palhacinho de Ogum começou a falar a língua de Aruanda; e cada palavra abriu um portal na mente dos médiuns, mostrando que a alegria também pode ajudar.

- Venho saudar esse terreiro com a alegria da linha dos palhaços que trabalham para Ogum Megê - disse o Palhacinho - Saúde e harmonia para todos, para mim e para você.

E todos os médiuns começaram a incorporar os caboclos de Ogum, numa grande festa de música e poesia saudando cada Orixá.

- Agora vou embora, fiquem todos vocês na paz das ondas de Ogum Beira-Mar.

E o Palhaçinho de Ogum foi embora, ninguém sabe muito bem para onde, mas toda vez que a hora do atabaque chega e se inicia mais um trabalho, no fundo, cada médium deseja que ele volte novamente trazendo alegria a cada um deles, pois cantar e celebrar a energia dos Orixás é sempre motivo para festa.

segunda-feira, março 23, 2009

SEM SOM


SILÊNCIO

Lá no fundo do silêncio, onde palavra nenhuma é dita, mora a sabedoria.

A sabedoria é calada, não pode ser descrita, nem teorizada, talvez cantada, talvez poetizada, nunca discutida.

Lá no silêncio da alma cantam pássaros que não voam por aqui, pois são feitos de vazio.

Lá no silêncio da alma há poemas com palavras de nenhuma língua daqui, pois a comunicação é imediata e não possui fio.

E mesmo sendo daqui, conseguimos cantarolar essa melodia e ensaiar uma poesia que lembre levemente o que foi sentido, mesmo que não posssa ser totalmente compreendido.



EU DISSE: SILÊNCIO!


Quando mergulhei no silêncio desse mar, não sabia nadar, porém, atirei-me assim mesmo.

Queria ver o que há.

Queria o nada.

Queria ver onde iria dar.

Perdi-me. E não havia ninguém para me procurar.


Queria chamar a minha mãe, mas não lembrava como falar "mamãe".

Queria chamar a minha esposa, mas ainda não sabia dizer "mulher".

Balbuciei alguns sons.

Que sons?

Todos os sons que eu podia me lembrar, mas não expressava nada, daí pus-me a chorar.

E eu chorei, querendo ajuda para falar, querendo manifestar a minha expressão, querendo contar, querendo voltar a dizer qualquer nome em qualquer língua, mas eu ainda não recordava o ABC, nem o B A Bá!

Daí a moça de "olhos bondosos" veio me ajudar e me ensinou novamente a falar e foi pouco a pouco me trazendo de volta para o lugar onde vocês todos moram e eu voltei a viver; e eu sabia não mais poderia me afogar, pois peixe em áquario nada.

Moça dos Olhos Bondosos que veio me salvar, obrigado! Já consigo cronicar...

domingo, março 22, 2009

O POSTE E A CRUZ

Um homem religioso viu um louco conversando com um poste como se falasse com Deus e aproximou-se, na tentativa de ajudá-lo a compreender que o poste não era o Senhor:

- Meu amigo, o que você está fazendo? - perguntou o homem religioso.

- Psiu! - o louco pediu silêncio - Estou escutando Deus.

- Mas você está conversando com um poste...

O louco olhou para o religioso e disse:

- Você usa uma estátua de Jesus numa cruz, eu uso o poste. Cada um sabe onde encontrar a sua luz.

quinta-feira, março 19, 2009

Crônicas de Jericó


NÃO OLHE PARA TRÁS

Sodoma disse para Gamorra:

Haja o que houver: Não olhe para trás!

Resista!

Olhe para a frente!

Para a frente!!!!

Olha para a FRENTE!

Não Olha para t:..



PACIENTE FENOMENAL

Em um universo paralelo, depois de sido tentado, testado, flagelado, Jó olhou para os céus e disse:

- Senhor, agora Tu, Ó Todo Poderoso, passou dos limites! Compreendo que a minha fé estava sendo testada: Perdi minha família, minha mulher, meus filhos, amigos, casa, tudo o que tinha, não disse nada e, nome da minha fé no Senhor; mas paciência tem limite: Até tú Milorde! Escutar o senhor e o diabo falando sobre o Ronaldo é a gota d'água pra mim, não dá!

Eu desisto! Vou morar na baleia com o Jonas, tchau!!!!


NABU NADA, NÉ?

Nabucodonosor, o Grande Rei da Babilônia, acordou um dia com as imagens de um sonho na sua cabeça que o pertubou profundamente. Como, naquela epóca não havia livrinho de interpretação dos sonhos, o rei reuniu todos os sábios para que alguém interpretasse as imagens que ele não conseguia esquecer: ele tinha visto em sonhos, um ser, que ele não sabia ao certo se era mulher ou se era um homem, vestindo roupas de um cor de rosa exorbitante, com um corte de cabelo um tanto estranho, que olhava para uma luz e dizia " Nabu, querido, olha para a lente da verdade e veja, querido, estou prestes a voar!"

Quem era aquela pessoa? Um Deus, um santo, uma borboleta?

Nenhum sábio soube explicar o sonho ou interpretar as imagens que o Rei contava, porém, um jovem escravo, chamado Daniel, que fazia a limpeza da sala real, ouviu a conversa, e como ele era meio Nostradamus, disse que sabia do que se tratava o sonho do rei:

" Senhor Rei, eu tive o mesmo sonho que o senhor teve e vi que depois que o senhor se for desse mundo, haverá muitos reinos, outros tantos impérios tão ricos e maravilhosos quanto a Babilônia, e foi em um desses reinos do futuro, uma nação chamada Brasil, que eu vi essa pessoa brilhando e conversando com o senhor."

" E essa pessoa era um homem ou uma mulher? - perguntou o Rei curioso - Não consegui identificar direito!"

" Difícil saber, senhor, tentei prestar atenção e ver quem era, mas essa pessoa simplesmente virou purpurina"

quarta-feira, março 18, 2009

Quarta Crônica



O DECOTE E O REDEMOINHO

Talvez tenha sido a tempestade de ontem, mas hoje pela manhã, fiquei preso num redemoinho de pensamentos conflitantes tão grande, que sujou toda a roupa branca da minha alma.

Passei horas rodando e navegando na sujeira mental, até que dei uma de Netuno e gritei para o redemoinho: "já chega de bobagem!" , mas nada do mar de ondas mentais rebeldes me obedecer, daí ví uma sereia e chuáaa; o mar acalmou e tudo ficou em ordem.

Salve sereia do mar e a força do seu decote!

Ser homem tem dessas coisas...

PATRICIO

Ontem foi Dia de Saint Patrick, a Nossa Senhora Aparecida dos irlandeses; e como todo brasileiro adora incorporar santos dos outros e tradições alheias, os pubs e bares de São Paulo lotaram de devotos para homenagear o santo estrangeiro.

Por isso gosto tanto do nosso povo: somos solidários com todos e aceitamos todas as crenças, principalmente aquelas que tiverem bebida no meio e na mesa.

CHUVAS CAEM

Mais uma tarde de chuva em Sampa, mais caos na vida de quem em São Paulo vive: alagamento, ruas virando ilhas, carros virando barcos e uma criancinha no ônibus dizendo ao seu pai que ia jogar lixo pela janela: "papai, deixa EU jogar o lixo pela janela, deixa!"

VIVENDO?

Ele chegou em casa e reclamou para a mulher:

- Morri mais um pouquinho hoje. Não consegui ver nada no mundo que me arrancasse um sorriso.

Ela respondeu:

- Esse mundo realmente está perdido!

Ele concluiu:

- O problema não é o mundo, mulher, sou eu!

terça-feira, março 17, 2009

SEM DOR

" Quando Eve estava para nascer, eu avisei aos médicos que não queria cesária; queria que fosse parto normal e que eles não me dessem nenhum remédio, pois minha filha nasceria sem dor - disse Caasi, embalando a pequena Eve em seus braços.

Todos achavam que seria impossível, mas não se atreveram a me contrariar: incrível, como todos morrem de medo de um ataque de nervos de um mulher no pré-parto. Porém, se eles estavam nervosos, eu estava calma, afinal, era o dia mais feliz da minha vida e tudo o que eu queria era provar para mim mesmo que eu conseguiria "esculpir" minha pequena filha com alegria ao invés de trazê-la para esse mundo ouvindo como primeiro som, os meus gritos de dor.

Quando chegou o momento de Eve chegar, senti as contrações, mas talvez por estar envolvida em uma graça tão Divina por ter a capacidade de dar a luz a vida; meu bebê nasceu suavemente; chorando, pois essa é a linguagem dos bebês até aprenderem a sorrir; mas ela não ouviu um grito de dor da sua mãe, apenas deve ter percebido as lágrimas que caiam do meu rosto, e ela deve saber, lá no fundo, onde a sua alminha que sabe tudo se confunde com sua nova roupagem para esse mundo, que sua mãe chorava de felicidade.

No hebraico, a expressão "com dor" possui o mesmo significado de "esculpir"; eu sou o a prova viva, mulheres, é possivel dar a luz sem dor! "

segunda-feira, março 16, 2009

Ressaca

É possível acordar com ressaca de felicidade?

Sim, das ressacas, a da felicidade é a mais gostosa de sentir.

Acordamos assim meio dolorido de tanto sorrir, meio com a cabeça doendo de tanto bem estar; a voz está rouca por tanto cantar e as pernas bambas, querem mesmo é continuar a dançar esse baile de estar vivo.

Eeeeita coisa boa é ressaca de amor e de alegria, dá uma vontade de ficar preso no ontem, não querer acordar, mas já nasceu um novo dia...

Aí bate uma tristezinha, pois sabemos que não terá tanta coisa boa acontecendo e uma pequena lamentação ameaça surgir; mas a mente que já é bem mais madura sabe que a vida continua a esconder mil surpresas se estivermos prontos para perceber; e a felicidade explode num riso quando observamos o mundo por cima do nosso egoísmo e começamos a notar a riqueza das coisas ao nosso redor; e parece que a gente tá bêbado ou doido, achamos graça tanto do magro quanto do gordo; e tudo a nossa volta parece brilhar e querer nos contar:

" Veja o quanto é maravilhoso estar vivo; e notar o som do roçar de pernas do grilo, se deixar guiar pelo brilho do vaga-lumear; voar com as asas do beija-flor ou dar rasante com as asas do condor. Olha como a vida mesmo na cidade é bela, toma banho de sol enquanto o dourado de fim do dia cobre o cinza das janelas da metropóle; e sinta que esse povo dessa São Paulo tão sofrida, mesmo com todos os motivos para estarem P. da vida, sorriem e te desejam: bom dia!"

Sim, voz do universo que fala para a minha alma; linguagem do mundo que conversa com o meu corpo: a felicidade continua nos grandes momentos e nas pequenas coisas e mesmo com tanto motivo para querer parar o tempo e viver para sempre meu ontem; eu continuo a fluir pelos meu hoje, contente e desperto, por saber que a felicidade mora cada vez mais perto, desde que eu saiba enxergá-la em todas as coisas que foram criadas pelo Grande Arquiteto.

E se isso é ressaca de felicidade bebida, eu quero é mais sentir isso todos os dias para estar sempre com esse sorriso de quem acordou de bem com a vida.

domingo, março 15, 2009

CANTOS E CONTOS

O dia me acordou com estrelas, café da manhã na cama e uma moça de olhos cintilantes cantando parabéns. Ela trazia nas mãos um berimbau, coisas de quem sabe que o companheiro começou a se interessar por capoeira e estava pensando em aprender a tocar.

Música, nunca houve tanta melodia no ar. Horas depois, ao invés de uma feira e da compra das frutas, estavámos no meio de uma roda de capoeira ( o trabalho lindo do Mestre Oliveira e suas crianças aprendizes na região Oeste de São Paulo). Para a minha surpresa ( e eu nem esperava a capoeira); eles descobriram que eu estava completando anos e começaram a cantar para mim " Feliz Aniversário".

Que surpresa! E quem vai acreditar que tudo foi uma coincidência e não houve nada ensaiado. O fato é que já tive "votos de aniversários" cantados antes, mas nunca em forma de canção de capoeira.

Saímos da roda, e deixamos a feira e algumas lágrimas minhas no chão; e fomos ao Embu das Artes atrás de um tambor que eu estou também de namorido já faz alguns meses.

Depois de uma longa procura, surge um tamborzinho, do meu tamanho, mas com um som descomunal. Saio do Embu, tocando tambor no carro e ao som da voz da minha musa, transformando o carro numa escola de samba.

Estou feliz, como nunca estive antes.

Engraçado! Sempre estamos mais felizes do que antes. Vai ver, porque a felicidade é como a vida: sempre é diferente e sempre vem com uma surpresa para que a gente não se esqueça do quanto viver é maravilhoso.

Acabamos o dia e começamos a noite na Casa da Graça com mais um Luau de canções, agora com tambor e berimbau; e meu sobrinho Guilherme, um dos grandes capoeiristas do amanhã.

Amanhã???

Eu nem quero saber do amanhã, eu quero é viver hoje forever!

sábado, março 14, 2009

UM ELEFANTE AJUDA MUITA GENTE

GANA

GANA ISHA

GANA PADHI

Removedor das barreiras, protetor das casas, guarda a minha fortaleza, SARANAN GANESHA!

Deus dos Escritores, Padrinho das letras, remove tudo aquilo que me afasta da minha arte e faz explodir em palavras a luz do meu amor verdadeiro.

Mestre da inspiração, escreve com o seu marfim a epopéia da minha alma, a odisséia da minha mente, a jornada do meu corpo.

Dai-me lucidez para que eu sempre possa escrever inspirado pela sutileza da sua compaixão.

Senhor dos lugares brilhantes do meu espirito, filho do Deus da transformação e da Deusa da Boa Aventurança, espalha a graça Divina com a sua dança, para que a minha pena sempre tenha a força do seu coração.

ON NAMAH GANESHAYA
ON NAMO BHAGHAVARE
GHANA NAJA NAMAH!

Senhor da Escrita Dourada, aquele que possui a força do Elefante, abençoe para todo o sempre a minha vontade do mundo escrever.

sexta-feira, março 13, 2009

SEMENTES DE RAPADURA

Entreguei as sementes de rapadura ao Seu Antônio, meu porteiro, que sorrindo me respondeu:

- Seu Francisco, acho que dá engenho!

Deu! Ou mais ou menos!

Ele me trouxe dias depois um pedaço da batida que tinha nascido das sementes que eu havia lhe dado. Batida é uma rapadura mais molinha, parece doce de leite, coisa de Paraíba dos Sumpaulos que já não tem dente para quebrar a rapa.

- Como é que essa batida nasceu, Seu Antônio? - perguntei curioso.

- Ora essa! E lá nasce rapadura nessa terra, o máximo que suas sementes produziram foram essa batida de cana.

Seu Antônio tinha razão. Nessas terras do sul, sementes de rapadura que dão batida já tá de bom tamanho.

PARTO

Ei, você???

RESPEITA A DOR QUE A SUA MÃE TEVE AO TE TER!!!!!

Para de fazer BESTEIRA!!!

Uma célula se divide, lá vem duas; duas células se dividem, vem o quatro, quatro oito, oito dezoito, dezoito bilhões, e outros tantos “ões” para você se tornar você.

Você, um organismo perfeito, milagrosamente manifestado na Terra, pleno de sua consciência e com tanta potencial para fazer coisa bonita e você paga tudo isso com tanta besteira.

Dor descomunal; fez chorar, fez gritar, modificou o corpo; fez explodir mil nervos e todos sabem até os homens, não há maior dor do que a dor do parto e é assim que você honra o sacrifício da sua mãe, fazendo tanta besteira.

Todos os dias uma dança espetacular acontece: a Terra gira em torno do sol que retribui a dança com a sua luz que nos permite aqui viver e faz florescer tanta beleza e maravilha em tantos frutos que alimentam a alma e o corpo e você faz tanta best....

Pelamordedeus!!!

Errar feio, todo mundo erra, mas pelo menos uma vez na vida: ACERTA BONITO!

ASAS

Minhas asas estão cada vez mais fortes;

Agéis, elas me levam a todos os ares;


Para lugares mais altos; para lugares mais baixos, para todos os lugares;

Lugares, onde eu posso ver o mundo;

E lá de cima, compreendo:

Somos todos um só!

O problema é o galho onde eu pouso;

Não sou pássaro gordo, mas não consigo encontrar um galho que se adapte ao meu peso;

Vai ver, preciso fazer dieta de Ego.

CASA

Casa;
Esta é a sua casa, casa de quem acordou do corpo e despertou pra alma e está voando por algum lugar nas projeções da madrugada.

Noite;
Noite dourada do vôo da sintonia. Para onde foi a alma minha?
Foi pra onde estive durante todo o dia.

O que pensei, o que senti e fiz da vida é a minha fotografia, o espelho que reflete a minha sintonia.

Não tem jeito, o vôo da alma não permite engano: “a casa mal preparada sempre é mal-sintonizada”; por isso não posso reclamar por onde voa a minha alma.

Minha alma;
Minha verdadeira casa.

Preciso cuidar da minha casa!

quinta-feira, março 12, 2009

O PEDINTE

O pedinte entrou no ônibus exibindo o seu ganha-pão.

Alguns ganham o pão com as mãos; outros ganham exibindo uma ferida.

Não quis olhar para ele ou para a ferida, impressiono-me fácil.

Não sei tão pouco diferenciar tinta vermelha de sangue coagulado, e além disso não trazia comigo trocados; mas ele não queria apenas o meu dinheiro, queria também a minha pena.

Desculpa, amigo pedinte; sou pássaro, mas não sou galinha.

Cruzou por Mim - Alváro de Campos


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E' estar ao lado da escala social,
E' não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma razão exterior a ela?

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.

Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.

Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão.

Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!

Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.

Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
M erda! Sou lúcido

quarta-feira, março 11, 2009

A RAZÃO DAS MINHAS SOMBRAS

Por que fiz?

Foi por causa de um grito! Um grito que ouço desde que eu era pequeno e nos últimos anos ele tem ficado mais tempo comigo. Um grito que não consigo deixar de ouvir, que não consigo parar de escutar. Daí quando percebo, eu passei a ser o próprio grito.

Tenho foco, não sou um louco sem condições de controlar os meus atos, se você quiser uma explicação para o que eu fiz, anote aí: sou um doente da alma.

Doente de alma, cuja doença ataca em certos momentos em que estou diante daquilo que mais me atrai e onde menos controle tenho sobre os meus atos.

Tenho foco, não sou um possuído pelo mal, sem controle de suas vibrações e ações, fui apenas carregado pela cavalaria dos meus próprios demônios.

Bastou uma pequena brecha na porta, uma fresta na janela, para a escuridão entrar e dominar a minha casa. Bastou uma leve caída e a sintonia com as baixas vibrações acordaram os demônios que moravam na minha alma.

Esses demônios eram máscaras que eu já usei quando elas eram necessárias, mas que por um motivo ou outro, não foram destruídas e permaneceram intactas em meu estoque de proteção, na minha dispensa de “talvez um dia”.

A escuridão é uma força, não é mais poderosa que a luz, nem mais fraca, pois as duas se complementam nessa manifestação de dualidade que mantém esse plano inteiro. Assim como a luz desperta anjos em nossos corações; a escuridão trás a tona, o pior que nós somos e o que de pior podemos oferecer. O perigo de baixar a guarda é que só percebemos o inimigo, quando ele já está infiltrado, foi assim com as minhas sombras; quando percebi já estava atuando sob o seu comando.

Faltou força, faltou firmeza para resistir, acabei tornando-me agente das tragédias que tinha que ocorrer. Acabei saciando-me nas mais tenebrosas emoções em busca das sensações passageiras.

Paguei o mais alto preço que um homem poderia pagar por um pecado: reneguei a minha existência, o meu legado, todo o meu trabalho. A minha arte que trouxe luz e alegria para tanta gente, tornou-se um trabalho deturpado de um hipócrita que cantava o amor e incorporou em sua vida privada o horror.

Compreendam que as minhas palavras não são pedidos de perdão, nem poderiam, elas são apenas exemplos, lições, para aqueles que buscam a luz e desejam adquirir a ciência de entender as sombras alheias sem o apontar do dedo, afinal, nenhum homem está livre dos seus demônios.

Agora checou a minha hora de Judas, vou ser exposto em praça pública, serei apedrejado, julgado, pois agora sou o arquétipo do mal, o exemplo a não ser seguido, e acalmarei a sede de circo e pão que acomete a todos, incluindo aqueles que também possuem esqueletos em seus armários.

As pessoas olharão para mim, saberão de cor sobre o meu caso, apontarão o dedo e dirão: “ sem vergonha, bem de vida, culto, um músico espiritualizado e na vida diária é capaz dessas barbáries”.

Acontece que espiritualidade não são palavras nem canções, são nossos passos. Muitos acham que depois de terem visto Deus, se tornarão santos, mas basta a primeira oportunidade, para que o homem batizado em águas santas se suje na sua própria lama.

Não tive forças para combater meus instintos mais primitivos. Todos os dias corremos esse risco, algo nos afeta, algo tenta alterar a nossa ação, desequilibrar a nossa jornada; eu não fui firme o suficiente para dizer não.

Nenhum homem poderá me dar absolvição. Nem Deus pode me dar a redenção, pois a doença das trevas não se cura com promessas ou orações; cura-se com experiência e tentação. A vida, talvez nessa existência ou em outra, me colocará novamente em comunhão com as minhas sombras e será o resultado desse confronto que guiará meus passos para a frente em direção a cura ou ao abismo.

terça-feira, março 10, 2009

FARWELL DOWNTOWN

Muito já foi dito sobre o Pantanal ou as montanhas deitando na costa da Cidade Maravilhosa; mas se quem ama o feio, bonito lhe parece, para mim não há lugar mais bonito que o centro de São Paulo.

Em nenhum outro lugar a vida surge tão diversa: vejo pombos de penas arrancadas, pardal de vôos tortos; gatos em cio engolindo linha embaixo dos carros, e os cachorros vadios; esses nem são dignos de nota. Os seres humanos são um show a parte, na mais bizarra coleção de malucos: a mulher que tampa os próprios ouvidos quando grita; o evangélico que dá passe pensando que é espiríta; a velha que conversa com a estátua na Praça João Mendes; os meninos que fazem das fontes da Sé, piscina olimpica.

E a culinária do centro; a Índia perde na quantidade de odores e paladares: o cheiro de assado dos sanduiches “Jesus Me Chama”; o crocante mastigar dos churrasquinhos de gato; o fritar de pastéis amanhecidos das lanchonetes coreanas; as tias que vendem bolos fresquinhos e café requentado de canto e canto.

Porém, nada disso é mais emocionante que a música que ecoa pelo ar:os gritos de “pega ladrão” da Rua Direita; as buzinas dos carros estressados mirando pedestres do largo São Bento; a algazarra musical dos camêlos que somem de vista ao menor sinal do “rapa”; avisados pelos apitos miados dos espiões da 25 de Março.

Morar no centro é uma festa; e olha que nem vou descrever as segunda-feiras da Barão de Itapetininga; os travestis desfilando na Amaral Gurgel.

Morar no centro sempre foi fundamental, desde que eu me conheço por pagante de aluguel; mas chegou a hora do centro deixar e crescer em outro lugar.

Farwell, downtown! So long, citycentre da capital!

Vou sentir falta e carregarei boas lembranças comigo onde quer que eu descanse a minha pena, poois em nenhum outro lugar as crônicas saem mais a gosto do surreal que nas ruas de Sampa.

LUZ

LUZ I

O meu ego é do tamanho desse prédio. Minha lista de reparos: interminável. Mesmo assim eu trabalho para a luz.

Assinado: Eletricista da Light – Cia de Energia do Rio de Janeiro


LUZ II

Se correr a luz te pega, se ficar a luz te toma; pois a luz é bicho grande que nos encontra por mais que ainda brinquemos de esconde-esconde.

Não importa o tamanho da tua sombra; não importa a largura das suas trevas; não há como escapar da luz, pois ela te persegue até mesmo em seus sonhos.

Não briga com a luz, deixa ela te levar; deixe que ela torne tudo em você brilhante.

segunda-feira, março 09, 2009

CAMINHOS DE SÃO PAULO

Passo a passo, canto a canto, estou peregrinando.

Da mata verde a cidade, uma chuva de estrelas guiam minha alma e vou seguindo a rota, que por vezes desaparece em meio ao cinza dos ceús.

Não busco mais Santiago de Compustella, busco a São Paulo de tantas mazelas, mas que é o meu lar.

Ironia, percorri quase todos os caminhos sagrados, caminhei por todas as cidades santas, de Varanasi ao Rio Tâmisa, só para descobrir que o meu tesouro está em Sampa.

sábado, março 07, 2009

A Mulher e a Flor

Ela está sentada no metrô com uma flor em uma mão e um livro na outra.

As veias são como cicatrizes na pele, que enrrugada os anos tecem, mostrando a idade que o batom enternece.

Os olhos cansados se escondem atrás das lentes que formam os óculos que possibilitam a leitura de um livro qualquer que dialoga com ela.

O cabelo é pouco, fios de prata caindo feito cascata, cuidadosamente penteados e seguros por uma tiara da mesma cor dos seus brincos de esmeralda.

Ela é uma mulher, como tantas outras: mãe de alguém, avó de alguma pessoa; filha e esposa, uma senhora que se vê por aí todos os dias, mas ali, sentada no metrô, representava, para mim, todas as mulheres, todas as Marias, senhora que já foi uma moça e quando moça sonhava em se tornar mulher, só para conquistar o homem dos seus sonhos e junto com ele, trazerar ao mundo a sua família, o seu diamante, a sua herança, que hoje brilha na terra, só por causa dela.

De todas as mil combinações possíveis, Deus criou a flor e criou a mulher. A flor para sempre lembrarmos que há um Criador e a mulher para lembrarmos sempre que toda criação começa e termina com ela.

TRÊS MARIAS


Há três Marias no céu e três Marias na terra.

Cada uma é uma estrela guia, cada uma brilha e me ilumina.

As três Marias do céu guiam a minha alma nos vôos da noite.

As três Marias da terra guiam o meu corpo pelos caminhos do dia.

São muitas as Marias em minha vida e cada uma delas mariamente me guia.

Viva as três Marias do céu!

Viva as três Marias da terra: viva a Maria das Graças, a Maria Claudia Cristina e a minha amada Auri, filha de outra Maria.

Nova Era

Somos todos um, mas cada um com seu cada qual. É somente a união das nossas diferenças que fará um mundo mais justo e menos desigual.

Somos todos um só, mas tenha dó, respeite se eu não tomo leite; afinal, eu não critico o seu café. Sonho com um mundo onde todos nós tenhamos direito ao que queremos ser; nada mais nada menos para cada homem ou mulher.

Somos todos uma só vibração coletiva de amor, mas sempre com a nossa identidade, as vezes precisamos de condução externa, as vezes precisamos de um pouco de solidariedade; mas já não é mais hora de brincar de boiada; vamos todos seguir por essas estradas com as nossas próprias pernas: essa é a nova era!

sexta-feira, março 06, 2009

A LUA E O POETA

Escrevo para a minha lua, versos que me enchem de felicidade, pois mais um ciclo se foi, e ela surge cada vez mais bonita.

Eu, poeta da terra, tento em vão dizer a ela, que diante da sua majestade, sou apenas um grão de areia no deserto, mas ela me lembra que um grão de areia, pode também virar uma peróla.

Somos todos astros, querida lua, cada um brilhando do seu jeito, mas confesso, adoro o seu manejo, a maneira como você, mesmo diante das nuvens carregadas, ainda assim, consegue rasgar as trevas e mostrar um sorriso.


Posso jurar, lua, que enquanto te observo, você está cantando uma bela canção. Uma doce melodia que fala sobre nós, lua e poeta, poeta e lua, eternamente a dançar num sonho, numa praia, numa rua.

quinta-feira, março 05, 2009

PAREDE

Quando a sua intenção de mudar a minha opinião para a sua versão de mundo vier, que eu seja para você uma parede.

Ninguém deseja converter uma parede. Ninguém se importa se uma parede decide ser budista ou comunista. Ninguém pensa na parede e nem se importa com o rumo que ela tomará, então que eu seja uma parede para você, pois os meus passos são apenas os meus; as minhas decisões são apenas as minhas; nada tem a ver com você ou com as soluções que você acha que servem para mim.

Quando você decidir me atacar por eu me recusar a acreditar no que você me dirá para crer, que eu seja essa parede, pois não carregamos a parede conosco para a igreja dos “escolhidos”.

Por isso, amigo, fique com os seus “ismos”, que eu fico cá, parede sem precisar concordar contigo.

quarta-feira, março 04, 2009

Prato Principal: Só Sei que Nada Sei

1. Deposite a sua certeza íntima num recipiente vazio de mente aberta;
2. Adicione novas experiências;
3. Uma dose de outros pontos de vista;
4. Uma pitada de humildade;

E você terá o prato perfeito para a alimentação da sua alma: o só sei que nada sei.

Experimente o exotismo do “só sei que nada sei” e perceba o sabor único do gosto de um novo universo de entendimento se abrindo, ao mesmo tempo que você vai digerindo o novo conhecimento mente adentro.

Quando degustamos esse prato, sentimos cada ingrediente que forma as tantas faces da vida. Pois ao esmagarmos as nossas certezas, sem medo de criar novos pratos de compreensão desse mundo, percebemos novas janelas sendo abertas e em cada uma delas, outras mil possibilidades de perceber o que está acontecendo conosco nesse lado da existência.

Bom apetite!

terça-feira, março 03, 2009

AH MAR!!!

Ah Mar...

O que há no dia seguinte que nos faz continuar? Para quê insistir em nadar nessas águas infestadas de caos, crimes, corrupção, sangue derramado e tanta injustiça? Será que somos todos masoquistas, bois sorridentes caminhando calmamente para o abatedouro? Peixes ignorantes mordendo a isca da dor? O que há para valer a pena continuar?

Ah Mar...

Mar infinito da vida que nos faz seguir. Oceano de amor que guia nossos passos rumo ao mundo dos outros. Como te navegar com inteligência? Como devemos guiar o nosso barco por esse mundo tão intenso que parece nos testar a cada passo, nos colocar a prova a cada dia?

Ah Mar...

Mar de divina sabedoria. Oceano de compaixão que nos banha mesmo quando não tratamos o nosso irmão com a devida atenção. Como manter a alegria nessa jornada da dualidade? Como manter o sorriso com esse mundo que às vezes parece só querer nos fazer chorar?

Ah Mar...

Qual será a resposta? Qual será a resposta?

Ah Mar...

segunda-feira, março 02, 2009

DIRIJIDOR

Vram, vrammmm, paraaaa!!!!
Não Parou!

Mais um ônibus lotado que passa sem parar.

Onde é que o outro está? Vou-me atrasar. Se ao menos eu tivesse acordado mais cedo, mas chega de brincar de “Se”, pois não foi, não é. Ufa! Lá vem, olha lá o busão, dou sinal pra ele parar.

Vram, vrammmm, paraaaa!!!!!
Parou!

Entrei, mas fico na porta. É tanta gente que não vejo o cobrador, o motorista quer voar, pensa que é piloto, e o povo ainda nem entrou.

Oh que calor! É ping, ping na testa, nas costas, em todo lugar, suando camisa e ainda nem comecei a trabalhar. Onde errei? Tenho 34 e ainda não tenho carro, carro vai, carro vem pela janela que eu vejo e nada ainda do cobrador. Que calor! Que calor!

Vai, não vai! Vou não vou. É gente demais. Que horror! Ai, meu Senhor, faz alguém levantar, não vai dar para agüentar, quero sentar! Ai, minha Mãe Divina, faz aquela moça abrir a janela, quero ar... seguraaaaa, caio, não caio, o ônibus virou a mil na curva da esquina.

Enfim, a moça abre a janela e o vento bate, eu consigo respirar: hummm...que delicia! Esse decote dessa menina...ahhhh não é o decote mais não, agora é o ar. Vá se catar, ela diz e eu mudo a vista de direção, olho pro povão que começar a andar, já consigo ver a catraca e o cobrador que troca, troca, cobra e rola a catraca, e todos vão, eu não vou, quanto velhinho: “pega ônibus em outro horário, vovô!”; agora é a vovó que levanta e me acerta com um guarda-chuva gigante de ponta fina afiada e lá fora não há nuvem alguma. Ai, meu Pai, é gente demais, faz esse ônibus esvaziar. Ninguém desce, mas o busão vai parando em todo ponto, é pinga-pinga, é mais gente subindo e empurrando. Ai, minha Mãe faz com que esse moço ao menos se ofereça para segurar a minha mochila, se fosse eu... chega de brincar de “Se”, não foi, não é. É mais um Zé, uma Maria que nunca mais verei na vida, e que pega ônibus todo dia, assim como eu, e quer saber, quero ver se eu vou conseguir descer. Vou não vou; vai, vai, vai, vamos, vaaaaaaammmmoossss, é mais gente entrando, mas ao menos a porta do fundo tá chegando, ta chegando, olha o meu ponto, é bémmmm, é bémmmm, aperto a campainha e o motorista não parou, parou de ponto em ponto e justamente no meu, ele...

- Seu dirijidor filho de uma p*&%@!!!!

domingo, março 01, 2009

Sonhos e Realidade

Ela voava para casa, eu dirigia por ela. Ela trazia o seu tesouro de Harpa e eu exibia a minha espada firmeza.

Enquanto ela passava sete dias em Londres em busca da sua harpa; eu tinha uma semana para aprender a guiar o meu carro. O meu plano era audacioso: iria buscar a minha menina e a sua harpa.

Eu tinha carta desde muito tempo, mas sempre tive medo de dirigir; ela sempre sonhou com uma harpa, mas seu sonho sempre era muito caro e distante. Eu nunca havia dirigido um carro para valer antes; ela criou coragem e foi buscar a sua música voando.

Impossível só não sonhar, todo o resto se forma sonhando e realizando e foi pensando assim que ela juntou todos os centavos e escolheu a sua harpa; foi fazendo assim, que paguei as aulas nas auto-escolas, implorei a minha irmã que tivesse coragem para me instruir nas Estradas das Lágrimas e consegui guiar o meu sonho de direção.

Enquanto do outro lado do mundo, Auri, a sua harpa escolhia; eu aqui dirigia.

Então, enfim, chegou a hora: ela comprou seu sonho de harpa, empacotou o seu tesouro musical e voou de volta para o Brasil, e enquanto ela atravessa o Atlântico; eu dirigia por um oceano de carros, rumo as fronteiras de Cumbica, acelerando o tempo, trocando as marchas do espaço, vendo o homem que fui ficando pra trás pelo retrovisor, junto a paisagem e vendo o motorista em que eu estava me tornando, no horizonte, no nascer de um novo dia, na melodia que horas mais tardes eu ouviria vindo da harpa da minha menina que sonhando fez seu desejo se manifestar.

Fotografia: Não comigo!!!!

Não gosto de tirar fotos. Sou meio índio. Acredito que ao tirarem a minha foto, roubam à alma do meu momento. Exagero? É o que você pensa, meu amigo!

A fotografia é uma invenção do homem para congelar o tempo. O bicho homem, já sabendo, que a felicidade não é cobrador, nem muito menos motorista, inventou esse negócio de tirar fotos para congelar o tempo, tentando segurar o que já passou.

Sim, a fotografia é uma das mais belas artes desse plano, mas nem todo mundo consegue manifestá-la. Já fui a shows onde as pessoas pagaram um tíquete milionário para assistir o seu ídolo favorito se apresentando e passaram boa parte do tempo calibrando as suas lentes, fotografando e olhando as fotos tiradas ao invés de curtir o show. O mesmo ocorre o tempo todo em festas e aniversários, onde temos que interromper uma conversa animada ou engolir uma risada de uma bela piada contada, porque a fotográfa penetra da festa quer registrar para sempre o momento que ela acabou de estragar.

Tirar fotos não é apenas registrar uma imagem com um grupo de pessoas forçadamente rindo e juntas; tirar fotografias é a captação do movimento, do olhar além da lente, da conversa no ar, do sorriso que não deixou de ser para posar. Quem fotografa precisa saber o que faz, pois desde que inventaram a máquina digital e o celular que bate fotos, nossas festas se tornaram um pesadelo, cheia de paparazzis de meia tigela que mal sabem o que estão fazendo.

O que mais vale a pena? Curtir o momento com amigos e familiares ou embalsamar a alegria de um momento gostoso numa fotografia mal tirada?

Por isso não gosto de ser fotografado quando estou plenamente imerso na felicidade de um momento especial. Recuso-me a ser obrigado a fazer pose para uma fotografia que nunca reproduzirá as batidas do meu coração, o ângulo certo do meu sorriso, a emoção em cada músculo quando estamos vivendo um momento único.
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