quarta-feira, agosto 31, 2011

Melancholia, de Lars von Trier


No início do filme, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que cobravam de Justine (Kirsten Dunst) a felicidade. Cada uma, do seu jeito, buscava agir para deixá-la feliz. E lhe perguntavam se ela se sentia assim.

Coisa chata isso, né? A sociedade atual parece que não permite que ninguém seja infeliz. Ou melhor, não seja feliz como se espera que uma pessoa DEVA ser feliz.

O objetivo dessa cobrança, tal qual Justine sofreu, deve ser porque não ver o outro feliz pode representar um perigo. Sua infelicidade pode contagiar. Na verdade, apenas espelhará a sua própria infelicidade.

Como o próprio filme mostrou, os outros personagens são infelizes pra caramba. A diferença é que Justine não buscava uma muleta, um paliativo, enfim, fingir ser feliz. Cada um, do seu jeito, escondia sua infelicidade sob a carapaça de determinada fuga, seja por meio do trabalho (como o patrão da protagonista), pela imagem de bonzinho e compreensivo (como o noivo de Justine), pelo conhecimento (como o cunhado dela), etc.

Mas quando o paliativo, o mundo ilusório de cada um desabava e não se mostrava eficiente diante do contato com a nua e crua realidade, cada um surtou ao seu modo. E Justine, sábia, não entrou no jogo de nenhum desses personagens. Não fez nada para agradar. Ela apenas vivia a realidade, com suas belezas e rudezas. Não deixava de sentir medo, angústia, alegria, mágica, contemplação e... melancolia.

Viver é isso. É sentir as várias tonalidades da existência. Tentar escolher exclusivamente a felicidade é ter a infelicidade como companheira. O preço é muito alto: surtos dos mais variados tipos e imaturidade frente ao que a Vida lhe apresenta.

Justine era tão feliz ao vivencar também a infelicidade que sabia ler não somente a alma de cada um, mas da vida como um todo. Tinha o dom da profecia. Nada nem ninguém lhe engava. Ela via de forma lúcida cada um e a existência. E lidava com isso. Era tremendamente realista.

Sua mãe chegou perto desse estado. Era a que mais se aproximou desse sábio estado realista do viver. A mãe de Justine via a realidade, mas com aspereza, com profunda melancolia. Seu pai também via a realidade. Mas dava um jeito de escapar da mesma, justamente por não querer viver sob o peso dessa visão. Preferia enxergar tudo como sendo "Beth".

O fim do mundo (a morte) está aí. Quanto mais aceitarmos essa realidade, mais viveremos os momentos belos e sofridos com a mesma dignidade e sabedoria de Justine. A escolha é sua.

Obs.: Meu cunhado André também escreveu sobre o filme. Eis o link para o belíssimo blog dele: http://ostrainfeliz.zip.net/

Beijãozão nocês...
Yub

Fonte: http://yub-universosimbolico.blogspot.com

terça-feira, agosto 30, 2011

Tribo do Vento


Eu sou de uma tribo
Que cresceu como um vegetal,
Correu como um animal,
Voou como o vento.

Daí, eu morri e renasci...

E fui de uma tribo
Que queimou o vegetal,
Comeu o animal,
E tentou aprisionar o vento.

Daí, eu morri e renasci...

E faço parte de uma tribo
Que tenta se lembrar
Da importância do vegetal,
Do respeito ao animal,
e mudar o pensamento com o vento,
Espero que ainda haja tempo...

segunda-feira, agosto 29, 2011

Paieiro de Primeira Viagem

Vão dizer por aí que isso é coisa de "pai fresco" ou "paieiro de primeira viagem", mas protejo mesmo a minha filha contra beijoqueiros desavisados que atacam recén-nascidos com suas salivas sabe-lá-o-que-carregam.

Como assim, meu povo? Será que essa gente não percebe que não se beija rosto de bebê ou se fica pedindo: deixa eu carregar? Deixa eu carregar?

Nesses três meses de vida da minha pequena, já vi de tudo:

Gente que se acha no direito de beijar no rosto do nenén e gente que vem visitar o bebê e quer levar a chupeta ou um par de sapatinho usado como souvenir.

Gente que eu mal conheço e quer segurar o nenén, gente que vem nos visitar em horários e dias que não se visita nem seu melhor amigo.

Porém, já vi também, tantos amigos queridos que compreendendo como é a vida de um recén-nascido, respeita o tempo dos pais e do bebê. Se vem, faz uma visita rápida, se não vem, manda dizer que assim que a onda de visitas em massa acabar, eles dão uma passadinha.

Se há momentos irritantes de visitantes sem noção, há outros tantos tão singelos, como o casal de amigos que veio no fim da tarde de um domingo, depois de esperar o nosso tempo para vir nos visitar ou a amiga que atravessou toda a cidade, e mesmo se perdendo quatro vezes para em nossa casa chegar, nos ligou e disse que nada no mundo, nem mesmo o seu GPS errado, a faria desistir de vir saudar o nosso bebê.

É claro, sei da importãnicia das visitas, mas reclamo é dos excessos. Sei que, por ser visitado, sou querido; sei que todos torcem e querem o melhor para a minha filha e família, mas isso não quer dizer que eu precise ficar calado quando vejo aquele par de mãos sujas vindo lá da rua das coisas imundas, querendo pegar o bebê:

- Potinho de gel está ali - aponto e digo - Só pega no bebê se lavar as mãos!

quinta-feira, agosto 25, 2011

A Palavra Mais Poderosa


Meu Deus,
minha Nossa Senhora,
Dai-me força
para ter a coragem
e a oportunidade certa
para aprender
a dizer: NÃO!!!

APAGOU A VELA ?


“Acender vela não adianta
E até pode ser pecado
Se agente reza na doutrina
E em casa faz tudo errado”

Recado por Allancardino



Ela acendeu uma vela em cima do armário.... ele ao lado da cama.

Vela para o Santo, luz para o Orixá, mas Santo tem luz própria, Orixá reluz, então, para quê vela acesa?

Ritual? Magia? Começo de algo, término de tudo o que foi emanado. Desde que o tempo é tempo e os rituais foram criados, acendem-se vela para isso ou para aquilo, porém, os tempos são outros, os cuidados requerem uma consciência ampliada que é preciso ensinar os outros que, ao invés da vela acesa no canto, mas vale a vela acesa no coração.

Vela é para lembrar, vela é para revelar que todos nós temos uma chama eterna que não se apaga, que dura mais que sete dias, que é todas as cores e não queima, não incendeia; só brilha!

Porém, se a vela é inevitável para o seu ritual, vele a vela!

Tome cuidado, proteja a sua vida, a vida alheia, a vida dos seus amados...uma faísca solta vira rio de fogo...

Ela acendeu uma vela em cima do armário sem o devido cuidado, ele foi dormir com a vela acesa em cima de um prato ao seu lado;
não notaram o incêndio,
nem o fogo se espalhando por todo lado,
pois
morreram queimados!!!

quarta-feira, agosto 24, 2011

A Árvore da Vida e alguns frutos

Por Mávio dos Anjos

Novo filme de Terrence Malick e vencedor da Palma de Ouro em Cannes, A Árvore da Vida é uma obra imensa, que testa cada uma das mais fundas convicções.

Acompanha-se a formação da consciência de um menino (Hunter McCracken, prestes a fazer história) numa família dos anos 1950. Ele é criado entre um pai severo (Brad Pitt), que por amor lhe impõe a lei natural do mais forte, e por uma mãe (Jessica Chastain), que por amor lhe ensina bondades e belezas de fundo religioso. Essas duas forças - natureza e graça - são igualmente golpeadas, sem distinção, pela morte precoce de um de seus irmãos.

Enquanto uma personalidade se cria, Malick recorda outras questões, a consciência humana sobre o universo e seu papel nele, até o momento em que ambas as evoluções - a do menino e a do planeta - se confundem numa só. O menino se tornará Sean Penn, num mundo corporativo, instalado em arquiteturas arrojadas, e a sensação que se tem é a de que a evolução não nos tirou do caos. Sai-se do Big Bang para chegar à depressão - e ainda vive-se o peso de ser a espécie condenada a indagar se Deus é o criador ou se é só uma alegoria gasta, que a ciência ainda há de negar por completo.

Ao justapor o criacionismo do livro de Jó (38:4,7) a imagens darwinistas, Malick propõe que o curso da evolução do Universo prossegue no interior do homem. O menino é a evolução de sua família; é quem deve equacionar as lições impostas e pavimentar seu futuro. A evolução da humanidade depende dessas decisões pessoais, surgidas do confronto entre a natureza, que nos quer animais, e a graça, que nos inspira a ser bons. Um combate desigual, mas inesgotável, cheio de belas perguntas.

Como é artista, Malick não oferece uma resposta categórica; sua visão ambiciosa é um sumário das belezas sacras (na música que seleciona e nas imagens de epifanias e redenções) e das científicas (exatas, biológicas e até humanas).

Sob o denominador comum de Malick, a ciência objetiva explicar os "métodos de Deus", enquanto a espiritualidade oferece paz e paciência diante do ainda não esclarecido e incentiva a minimizar as injustiças naturais. Juntas, contribuem para o mesmo fim utópico: decifrar a nós mesmos, o como e os porquês.

Source: http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,106603

terça-feira, agosto 23, 2011

A Um Palmo do Nariz ( Ou A Entrega)




Descendo a rua da Consolação, ouço alguém gritando: " O fim do mundo está chegando, se arrependa! Não sou eu, é Cristo falando!".


Penso, no que faria se o mundo acabasse agora, resposta: sorriria! Agradeceria a Providência ou ao acaso por ter tido a vida que eu tive, pela minha esposa, minha filha, minha família, meus alunos e amigos.


Sorriria, pois sei que o mundo acaba a cada dia, e nem assim, entramos todos nós em pânico, em fuga inútil, nem desistimos de tudo; pelo contrário, parece haver uma fé velada na vida, na natureza, de que o ontem sempre precederá o amanhã, conosco presente no meio; por isso, nos entregamos ao sono noturno, com uma certeza inabalável que tudo ficará bem, e tudo fica bem.


O mundo acaba todo dia, nesse ciclo lindo de morte e renascimento que está tão a um palmo do nariz que não vemos, mas, acredito, que em algum lugar dentro da gente, parece haver uma chama que nos empurra para frente apesar da nossa teimosia em achar que tudo que é possível é somente aquilo que podemos provar.


Esses dias ao observar a minha filha, notei o quanto entregue ela está para o mundo, para mim e para a minha esposa, nessa arte de criar, de desenvolvê-la para ela se tornar quem quer que ela venha a se tornar. Percebi maravilhado que há uma entrega em seu olhar, na maneira como ela sorri, entrega total e confiança tanta que me deixa um pouco desconcertado, pois confesso, gostaria de ter a mesma entrega em meu caminho espiritual, mas tenho medo.


Medo de ser desapontado, de estar crescendo sozinho, de não ter ninguém lá do outro lado, medo de tudo aquilo que a mente é capaz de aprontar para nos enganar. Taí a razão das minhas barreiras, das armadilhas e das travas que impedem o meu crescimento espiritual.


Sei desses entraves, e ainda assim reclamo que ainda não foi me revelado o que venho tanto buscando.


Sei que preciso me entregar e acreditar mais com o coração, e menos com a mente.


Sei disso tudo, mas também sei que estou tentando; e foi lembrando da minha filha, esse serzinho tão vulnerável, que uma epifania tomou de conta da minha razão e me diluí em coração transbordando um "sei lá o quê" de contato espiritual e por alguns segundos consegui me entregar, sentindo uma espécie de comunhão com tudo ao meu redor em plena Praça Ramos, no centro de São Paulo.


Enquanto a mente alertava ao perigo de ter uma expansão da consciência no meio do centro da cidade, outro lado meu, mais consciente e eterno, dizia para mim: "Não tema! Apenas se entregue!". E o fiz!


Por alguns minutos, percebi que tudo ao meu redor contava uma história, e o mundo de lá, todo o tempo, estava se comunicando com a gente, de uma maneira tão clara e simples, que quase ninguém percebe que esta ocorrendo. E tudo o que eu precisava para continuar a perceber isso, era praticar a "entrega".


Tudo tão claro, tudo tão óbvio, mas é muito simples, é muito na cara para ser verdadeiro, o lógico é duvidar!


Então, a mente triunfou e calei o coração. Tinha que tomar prumo e seguir a minha direção; centro da cidade não é lugar para uma experiência mística de percepção; mas contudo, sentei nas escadas do Teatro Municipal, abri o meu caderninho e comecei a escrever tudinho o que tinha experimentado, incluindo essas últimas palavras, quando...


"Quando... uma velhinha se aproximou pedindoo esmolas. Por inpulso, me desviei e disse que eu não tinha nada. Ela insistiu, e mais por querer me livrar dela, do que por caridade, abri a carteira e entreguei todas as moedas que carregava a ela, que sorriu agradecendo:


- Obrigada por esse entrega, meu filho! Ninguém mais abre a carteira e entrega todas as suas moedas. Que Deus lhe entregue também tudo aquilo que você tenha pedido."

segunda-feira, agosto 22, 2011

.

Por Lázaro Freire


Quando eu era jovem e inexperiente, entendi pela mente que Deus era um só, além dos rótulos e ritos, e por isso não me dobrava a religião alguma. Hoje, mais experiente e não tão velho, percebi pelo coração que Deus é um só, além de rótulos e ritos, e por isso mesmo me dobro a todas as religiões.

Não importa o seu simbolismo ou igreja em particular: Deus está lá. E por isso mesmo às vezes é mais fácil encontrá-lo e celebrá-lo na igreja de seu bairro do que precisar viajar para o Himalaia só para descobrir que ele sempre esteve com você, além dos ritos e lugares. E se conselho valesse alguma coisa a quem não passou pela experiência, eu diria para que nunca deixem que mente lhes roube aquilo que já sentiam no coração. Quem de fato ouviu Deus, sorriu em silêncio... e se calou, sem precisar converter ninguém. ;-)




Para ler mais textos do autor, acesse:


sexta-feira, agosto 19, 2011

Fora!



Dê o fora da minha vida;
e leve tudo aquilo que não acrescentou!

Não me telefone,
esqueça o meu nome,
Suma!

E assuma
que não foi você que me deixou;
Eu é que, sim, finalmente descobri o meu valor!

quinta-feira, agosto 18, 2011

A Lenda da Cabocla Jurema


O sol girou uma vez mais ao redor da Terra e quando os raios da manhã tocaram a sua testa, a cabocla gritou:

- Sou Jurema!!!

E pulou
do
galho
mais alto da árvore gigante e pareceu voar por entre os pássaros e outros seres alados da floresta; mergulhando no rio profundo, de onde emergiu, nadando com os botos que entendiam o seu canto:

"Cabocla
Seu penacho é verde
Seu penacho é verde
É da cor do mar

É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
Jurema"

Cabocla, filha valente de Tupinambá. Adotada pelo mundo, foi encontrada aos pés do arbusto da planta encantada que lhe deu o nome, e cresceu forte, bonita, com a formosura da noite e a firmeza do dia. Corajosa, a cabocla tornou-se a primeira guerreira mulher da tribo, pois a sua força e agilidade no manejo das armas e na ciência da mata, se tornara uma lenda por todo o continente; onde contadores de estórias, aos pés da fogueira, falavam da índia da pena dourada, que era a própria Mãe Divina encarnada.

Nada causava medo na cabocla, até o dia em que ela encontrou o seu maior adversário: o amor. Jurema se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga chamada Filhos do Sol, e que fora preso numa batalha.

Os dias se passaram e o amor aumentava, pois o pior de amar não é amar sozinho e sim ser amado em retorno, pois exige do amado, uma ação em prol do amor.

Pelo olhar, o caboclo Huascar dizia:

"Oh doce Cabocla
meu doce de cambucá
minha flor cheirosa de alfazema
tem pena deste caboclo
o que eu te peço é tão pouco
minha linda cabocla Jurema
tem pena desse sofredor
que o mal destino condenou
me liberta dessa algema
me tira desse dilema
minha linda cabocla Jurema"

Jurema que aprendera a resistir ao canto do boto, ao veneno da cascavel e da armadeira, já resistira bravamente a centenas de emboscadas e que sentia o cheiro à distância de ciladas, não conseguiu resistir ao amor que fluia do seu peito por aquele guerreiro. Observando o caboclo preso, ela viu nos olhos dele, as mil vidas que eles passaram juntos, viu seus filhos, o amor que os unia além da carne e percebeu que não foi por acaso, que ele fora o único caboclo capturado vivo, e decidiu libertá-lo, mesmo sabendo que seria expulsa da sua tribo.

Na fuga, seu próprio povo a perseguiu, e em meio a chuva de flechas voando na direção do caboclo fugitivo, foi Jurema que caiu, salvando o seu amado e recebendo a ponta da morte que era pra ele, no seu próprio peito.

Conta a lenda, que o caboclo Huascar voltou a Terra do Sol e fundou um império nas montanhas andinas e mandou erguer um templo chamado Matchu Pitchu em homenagem a Jurema, onde, só as mulheres da tribo habitariam e lá aprenderiam a ser guerreiras como a mulher que salvara a sua vida. E no lugar onde a Jurema caiu, nasceu uma planta robusta e muito resistente que dá flor o ano inteiro, cujo formato exótico e o tom amarelo-alaranjado intenso chamou atenção de todas as tribos, pois tudo dessa planta poderia ser utilizado, desde as sementes, até as flores e o caule; e porque as flores dessa planta estão sempre viradas para o astro maior; ela ficou conhecida como girassol.

" Moça bonita é a
Cabocla Jurema
Ela vem com um girassol
e a coroa dela é
como um girassol
Ela é a luz do amanhecer
Tem os seus lindos sonhos de arrebó
e a coroa da Jurema é
como um girassol
é como um girassol
é como um girassol
é como um girassol "

quarta-feira, agosto 17, 2011

ORIENTE MENTE


No fundo de algum lugar de mim,
onde
nasce
ou
morre
cada sentido,
reside um eu-contido dentro da observação desse mundo
:

Esse eu, que muitos chamam de alma, observa as coisas desse plano,
e coordena o rio de conhecimento que flui de fora para dentro;
e talvez faça isso,
como um experimento de algo maior,
que a minha consciência limitada da vigília
não consegue compreender,
nem tento!

Porém, de vez em nunca, quando quero fundir a cuca, entro nesses estados meditativos de contemplar o fluxo de pensamentos, e lá no fundo do mar de todos o conhecimento que acumulo, percebo um ponto.

.

Esse . tão distante, começa a parecer perto e familiar e GRANDE, e à medida que vou o . observando, ele parece ter reticências ... e ao segui-la, assombrado, volto correndo a vigília, com a lembrança torta que dentro de mim, habita uma consciência eterna que virei a ser um dia, e só de pensar nisso, dá vontade de dizer: já fui!

terça-feira, agosto 16, 2011

TOQUES ETÉREOS NO CORAÇÃO – II*


Aquilo que dá no coração,
É como uma linda canção:
Não tem idade!

É o que se sente...
E que ninguém explica
Apenas é.

Aquilo que faz a gente viajar...
Nas trilhas das estrelas,
É amor.

Porque, às vezes, nós voamos...
Pelo céu do coração,
E é voo do espírito.

Aquilo que os olhos não veem,
E que só é visível à inteligência,
É o Inefável**.

É o que não se agarra com as mãos,
E nem com apelos místicos,
E que é só Espírito Puro.

Aquilo que é real – além do que imaginamos,
E que nos motiva, em Espírito e Verdade,
É o Supremo.

E não há palavras que definam isso.
O que se sente... Um toque sutil,
Que só o coração é que sabe.

Aquilo que está além da vigília e do sono,
E também além dos sonhos,
É Consciência Cósmica!***

A Luz que respiramos – é a vida.
O sopro vital do eterno – é Brahman!****.
Tudo é Ele, tudo é Ele, tudo é Ele...

Aquilo que dá no coração,
E que faz a gente escrever,
Disso eu não entendo, não.

Porque, quem sabe isso é só o Supremo.
E Ele só conta ao coração, na linguagem do espírito.
E quem pode descrever isso?

Ah, aquilo que dá no coração... Brahman!

(Dedicado a Paramahamsa Ramakrishna*****.)

Paz e Luz.

- Wagner Borges -
São Paulo, 13 de julho de 2011.

- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB –
www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10225:toques\
-etereos-no-coracao&catid=138:ultimos-textos-postados&Itemid=271
** O Inefável – O Todo; O Supremo; O Absoluto; Deus.
Obs.: Trecho da sabedoria hermética clássica: “O Inefável é invisível aos
olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”
*** No contexto dos Upanishads - a parte final dos Vedas -, que contêm a
sabedoria dos rishis (sábios espirituais) da antiga Índia, os estados de
consciência do homem são divididos em três: vigília, sono e sono sem sonhos.
Então, quando alguém transcende esses níveis convencionais e alcança uma
elevação de consciência (um estado de superconsciência, ou de expansão da
consciência, chamado em sânscrito de “samadhi”), diz-se que a pessoa entrou
no “quarto estado”, que em sânscrito é chamado de Turiya. Ou seja, a pessoa
mergulha num estado transcendental de consciência cósmica.
Sobre isso, nada melhor do que as palavras de Paramahamsa Ramakrihsna (que
voltava de uma experiência transcendente dessas):
“As ondas do Divino Amor estão se quebrando no meu corpo.
A maré crescente do Mar do Amor produz a queda da injustiça.
Sim, inunda todo o universo...
Eu pensava submergir-me até o fundo do mar, porém, o crocodilo do êxtase me
tragou.
Quem terá compaixão de mim e, tomando-me pela mão, me tirará da água?”
**** Brahman – do sânscrito - O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo;
Deus; O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou
mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz
chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
***** Paramahamsa Ramakrishna – mestre iogue que viveu na Índia do século
XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos
na terra do Ganges. Para se ter uma ideia de sua influência espiritual,
posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com
muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa
Yogananda e Rabindranath Tagore.

www.ippb.org.br

segunda-feira, agosto 15, 2011

CONTO INTERROMPIDO


Apaixonados, nos abraçamos e nos beijamos como na primeira vez.

Acaricio o seu rosto e vejo a mulher com que eu me casei há doze anos, e percebo que, a cada ano, cresce mais em nosso peito, aquele amor maduro e o respeito de quem se aceita companheiro em caminhada nessa terra; e também junto, o desejo sexual que, bem alimentado, continua presente na vida de qualquer casal, mesmo depois de tanto tempo de relacionamento.

Ela me envolve, eu a conduzo, e quando estamos um no outro, amor fluindo na pele na dança alquímica da união dos corpos; no momento em que estamos para gritar: somos um! Somos mesmo é interrompidos por um choro:

- Buáaaaaa!!!! Buáaaaaa!!!! - o bebê chora.

Auri dá risada e sussurra um "já volto", eu fico olhando para o teto e pensando em tudo que vem no pacote quando você se torna pai. Mas mudo de pensamento, e procuro não pensar muito sobre isso, nem filosofar sobre pais e filhos, ainda mais quando Auri volta para o quarto, bonita e sedutora e diz falando "onde paramos?"

Continuamos!

Sinto o perfume da sua pele, ela sussurra que sempre será minha. A dança recomeça, retomada no carinho eterno que nutrimos um pelo outro. Ela, gentilmente, dessa vez, é quem conduz, e sigo-a até o infinito, e quando estamos prestes a alcançar novamente a tão esperada luz:

- Buáaaaaa!!!! Buáaaaaa!!!! - Chora o bebê.

Sou eu, que dessa vez levanta, Auri fica na cama dando gargalhadas. Vou até o berço e vejo aquela intrusa, roubando meu precioso tempo com a minha esposa, e percebo que é tarde demais, estou também por ela apaixonado. Daí, a seguro nos braços, o choro pausa, e ela ensaia um sorriso. Com os olhos bem abertos e cara de muleka querendo brincar, percebo que não tenho outra escolha e me rendo!

Brincamos um pouco, ela ri, canto uma canção de ninar, ela nina, nina e vai dormir. Daí, volto para a cama, e agora quem dorme é a Auri.

Volto para a sala, ligo a TV e todo mundo me diz : "Feliz Dia dos Pais!"; e me dou conta que chegou o fim dessa crônica!

sexta-feira, agosto 12, 2011

Convite !



Você é bem-vindo.

Mas não deixe o que é seu;

Nem leve o que é meu!!!

quinta-feira, agosto 11, 2011

SAFADEZA


Entre as grades de uma sentença, duas vezes preso, ele aguarda o julgamento do seu coração. Preso pelos homens por roubar galinha, preso por si mesmo na safadeza da ilusão de possuir o que é do outro, e de saber que tudo que começa torto, termina com choro, não apenas dos outros; mas principalmente de quem amor lhe tinha!

Ó Criança, vê se aprende a se libertar! Anda na linha!

Te ví ainda guri, brincando de se esconder de mim e sorrindo diante da vida; agora brinca com a vida alheia e poê a perder o corpo que tua mãe lhe deu.
Você sabe sobre o esforço para trazer alguém para esse mundo?
Você conhece o quanto é doloroso, carregar alguém dentro do corpo para depois ver essa parte sua dentro de um presídio, vivendo como um vivo-morto?

Ó Criança, vê se aprende a ter somente aquilo que vem de você! Chegou a hora de crescer!

Seja racional e perceba que nada que você pegou do outro, vingou fortuna; pelo contrário, o que é roubado não é perdido, e quem "perdeu" não é relaxado!

Seja egoísta e pensa somente nos seus amados, na fama de ser o único ladrão da família, aquele que todos apontam, aquele que todos tem vergonha, aquele que ninguém confia por perto, aquele que seria melhor, muitas vezes, que nem existisse.

Seja orgulhoso e ao invés da luta contra o outro, mostre a si mesmo, que você é capaz de sair desse mundo de safadeza e trazer para a sua mesa, um pão que seja, mais que ele se multiplique, pois é somente com o suor do rosto que trazemos para nós, a abundância.

Ó Criança, volta para gente e pare com essa ganância!

Você é bem-vindo na nossa casa, mas entre com os pés limpos e saia ainda mais querido, pois quero voltar a te chamar de meu irmão, meu amigo!

quarta-feira, agosto 10, 2011

DEIXE VOAR


Se apareceu e você se viciou,
Deixe voar!!!

Lembre que foi nú
que você nasceu;

E mesmo se te enterrarem vestido,
Os vermes
Preferem você
pelado!

terça-feira, agosto 09, 2011

Respeita Que É Umbanda


Uma voz que ecoa com os pés no chão;
o sujo e o mal-lavado que se junta, no mesmo salão,
com outros calados para se transformar;

A ancestralidade emanando radiações de amor,
unindo corpo e espírito,
presente e passado,
incorporando a cura na mente
para recebero passe da luz universal do Criador.

Tome a benção dos Pretos,
brinque com as crianças!
Respeite o ritual do Deuses Dançarinos!
Respeite esses "dervixes de aruanda";
Respeite que é Divino!
Respeita que é Umbanda!

Umbanda que é lapidação da nossa encarnação,
Na união que vai harmonizar nossas correntes!
Dê passagem a voz da rua, ao ritmo do fundo de quintal;
É Umbanda, é coisa da gente!
É humano, é animal e vegetal.
É grito que ecoa da mata, é canto da beira do rio;
se encante com as caboclinhas do mar,
mas não se perca no rito,
Eparrei, seu eu transcedental!

Umbanda é liberdade, mediunizando as correntes que pomba giram no seu coração.
É trancar a rua do seu corpo para que lá habite a compaixão
de ajudar o meu Povo a se curar do Teatro da Ilusão.

Umbanda é compreender que religião é "Estudo do Divino";
não apenas fenômeno e contemplação.

É entendimento que esquerda não é oposto da direita,
é percepção que tudo são bandas,
claro e escuro são escolhas dessa dança,
onde todos somos um,
um com tudo,
uma única banda:
Defumem os julgamentos
e SALVE A UMBANDA!!!

segunda-feira, agosto 08, 2011

Soraya de Assis


Ela mudou para uma casa grande por causa dos seus oito cachorros.

- Oito? - eu pergunto.

- O que eu posso fazer, Frank? - ela diz - Não consigo ver esses cachorrinhos abandonados. Quero dar colo, quero dar cuidado!

Soraya não sai por aí catando cachorros; eles se apresentam para ela: abandonados, sujos, doentes e maltratados; ela não consegue deixá-los de lado.

Não são apenas vira-latas, há muito cão de raça abandonado por seus donos na beira da estrada, nas marginais e muitos deles acabam atropelados e mortos; poucos são salvos por " Anjos do Chiquinho de Assis", essa gente, que imitando o santo, considera bicho tão importante quanto gente.

- Sei que não posso salvar todos - diz ela, depois de contar que o mais recém resgatado foi um Pit-Bull gigante e muito ferido - mas para esse que eu salvei, sei que faço a diferença.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Aviso


Às vezes, você não é bem-vindo!
Vai compreender isso?
Ou vai ficar magoadinho?

quinta-feira, agosto 04, 2011

Chuta que não é Macumba

Ignorância é benção, informação liberta, mas sempre tem que vê, e finge que não enxerga! Mediunidade não é fuga, incorporação é visão ampliada.

Quem incorpora quem? E antes que você responda, me diga

E se o guia for apenas você expandido?

E se o preto-velho, a cigana, o baiano e o mestre de Aruanda for apenas recordações de você, de um tempo até foi talvez?

E se tudo for você? Isso diminui o trabalho espiritual? Isso torna a cura menos milagrosa?

Para quê manter a cachaça e a fumaça nesse teatro de peça a ser acreditada? Não seria mais eficiente ensinar amor e paz na caminhada?

Para quê bater no peito e falar línguas do Oriente africano, se dentro do seu coração bate uma vontade constante de ajudar o outro, e essa vontade não precisa de entidade, nem de " guia"?

Sim, eu sei! Sem incorporação não tem show! Falar a verdade não dá ibope!

Sem teatro não tem graça! Ninguém acredita na força humana, basta uma "psicografia" e toda letra fica iluminada.

A mistificação da mediunidade continuará, infelizmente, e com a pinga, o cigarro e o charuto, continuará esse Povo da Umbanda, cada vez mais perdido e dependente do fenômeno, sem acreditar no poder do homem.

quarta-feira, agosto 03, 2011

E Agora?


Apareceu, o que fazer?
Se apresentou, como manter?
E se... Ao invés de querer possuir, você deixasse fluir?
Mas cuidado!!! Tudo vira vício, e se viciados ficamos, passamos a ser escravos daquilo que se apresentou.

terça-feira, agosto 02, 2011

Gentileza


Esse gesto gratuito, um carinho sem retorno, coisa bonita de se ver, algo difícil de encontrar; força maravilhosa, irmã da compaixão, que torna as pessoas mais bondosas e faz bem ao coração; sim , rasgo o verbo à la apaixonado, para compartilhar com vocês, a presença dessa força em minha vida, na semana que passou.

Eu que já vinha desacreditado dessa raça humana, fui pego de surpresa, quando um estranho cedeu a sua cadeira à mesa num restaurante lotado , quando eu tentava achar um lugar para almoçar. Outros tantos, continuavam a ocupar duas cadeiras, uma com suas mochilas ou pastas, outra com suas cabeças; esse que descrevo, não! Com um sorriso, ele acenou para mim e disse: " amigo, senta aqui comigo! ". Sentei e o resto é crônica!

Dali em diante, foi com alegria, que deram lugar para mim no ônibus, só porque sacolas de fraudas eu tinha. E na rua? Na rua, amigos leitores, que epifania! Carros parando para que eu atravessasse em zebras sem semáforo, quanta educação, que deveria ser recorrente, não exceção!

Então fui anotando: um sorriso aqui, outro bom dia ali, todos com intenção; e a moça da livraria? Não posso esquecer dela, procurando um livro difícil e, mesmo com a minha ameaça de " deixar para lá"; ela pediu para eu esperar e achou o livro. Profissionalismo? Que nada! Dedicação!

Segui coletando essas e outras até perceber que essas gentilezas sempre ocorreram ao meu redor, eu é que não conseguia ver; e agora que eu consigo, espero manter essa gentileza nos meus olhos e também em minhas mãos, para que elas sejam gentis o suficiente para fazer os outros também perceberem o que não viram até então.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Carta Psicografada da Amy Winehouse


No, no, no! Não fui para o inferno e nem passei pelo purgatório. Que mané Umbral? Se liga, nem sei o que é " espírita"! Cheguei no céu rapidinho e quem abriu o portão foi a Janis gritando: summmmeerrrtimmme!!!!

Nem precisei voltar a usar preto, aqui no paraíso, todos vestem branquinho, como dizia as santas escrituras do Torá, não que eu tivesse tempo para leitura, mas meu pai tinha e vivia tentando me levar pra reabilitação; se liga, papi! Nem aqui, eles conseguem: no! No! No!

A razão dessa carta por um médium brasileiro é que como dei um show meia-boca aí, quero deixar uma boa impressão, sei o quanto vocês adoram ídolo pop dos outros países que partem assim, como eu, e se esquecem dos seus: aqui no heaven, encontrei só " sangue bom" , conheci o Jobin e um tal de Poetinha, fugindo de um cara chamado Chacrinha, como eu fugia da reabilitação.

Eu prefiro as baladas com o Kurt e com o Jimmy, mas By George, ninguém dá festa aqui mais animada que uma tal de Eliz!!! A mina é genial no vocal, e quando eu reencarnar, quero cantar que nem ela, o Morrison também é mó paga pau dela.

Muitos ainda estão tentando descobrir como eu morri, My Gosh! Eles deveriam investigar como eu vivi!

E sei que vocês devem estranhar o fato que estou escrevendo tantas experiências, mesmo tendo morrido a pouco tempo, mas explico: aqui o tempo é diferente, só é um pouquinho quente, mas já reclamei com o cara do ar condicionado, um chifrudo de rabo e tridente, que me liberou para falar com vocês pelo Frank!

Preciso ir agora, mas fala para aquele brasileiro " o invasor " que entrou de penetra no meu enterro, que eu vou fazer uma visitinha na casa dele, depois que eu passar na cela do Blake, afinal, ele prometeu ficar comigo na saúde e na doença, e já que continuo viva, ninguém morreu, ele ainda é meu marido e o cara do ar condicionado já disse, tem lugar aqui para ele e quem vai buscá-lo, sou eu!

Concluindo, queridos bons ouvintes da música: se vocês querem babar ovo de algum músico que já morreu, e não levar em consideração como foi a passagem deles, olhem para o seu próprio quintal! Não entendeu, né? Nem eu! No, no, no!

Ps: continuem comprando os discos, incluindo as porcarias de gravações que nem eu conseguia ouvir, mas que vão vender como material inédito, assim que alguém permitir.
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