segunda-feira, junho 30, 2008

A DANÇA DOS ORIXÁS

Preto de cor, velho de alma; eu observo as estrelas e tento imaginar onde viverá nosso grande pai Oxalá. Caçador das letras, tento expressar em palavras, essa nossa busca que parece não ter fim, e ouço ao longe, o vento me chamar: “Peregrino, você quer dançar, quer participar da festa dos Orixás?”

Que festa? Pergunta o homem que visto, preso na senzala do corpo, amarrado no tronco da ignorância. O vento responde: deixe que eu te guie um pouco, até que você compreenda o convite e tenha força para voar com as suas próprias asas, dançar com suas próprias pernas.

Erê de coração, aceito o convite e vôo com o vento como se sentisse no rosto os primeiros raios da manhã. Curioso, pergunto ao vento o seu nome, e ouço um riso feminino, e o vento responde: “sou Iansã”. E a deusa do vento vira nuvem, e me entrega em forma de chuva na mata; feito gota, pouso na folha e escorro para a terra. Da água viro barro e do barro me formo; sou caboclo caçando na trilha, sou índio correndo no mato. Sou Oxossi de arco e flecha, desenhando no chão com a pemba, protegido pela Jurema; sou Oxossi seguindo de mata em mata, em busca da minha trilha. Caço conhecimento, busco a sabedoria das montanhas. Aprendo a sorrir com cada perigo, mas respeito meu adversário, aceito cada desafio. Cada passo, uma experiência; cada giro, um novo ciclo e finalmente, avisto a montanha do amor e grito: Kaô Xangô!!!

Xangô me recebe vestido de montanha e aos seus pés deixo meu conhecimento. Ele recebe minha oferenda e a molda no fogo, transformando-a em pedra. Com o seu martelo, Xangô bate na pedra, e feito trovão, o som do faiscar do conhecimento na rocha, é ouvido nos quatro cantos da terra; e a luz da faísca reflete na lua, de onde Ogum a recebe e a transforma em espada e diz: “meu caro guerreiro, seu conhecimento é a sua arma. Use essa espada para contribuir com o todo, respeite e honre o seu dom. Contudo, não se preocupe com a gratidão, quem trabalha para o mundo é sutil e sabe que trabalho bem feito é recompensado com outros dons”.

Agradeço o presente e me despeço do Cavaleiro da Lua no raiar do dia à beira-mar. Viro maré e gentilmente, sou entregue a praia. Olho novamente para as águas e vejo o azul se levantar, o sol nascente virar sorriso e enquanto meus olhos se enchem d’água, surge Iemanjá e eu a agradeço com um grito: - Iêee Rainha do mar! Obrigado minha mãe –a senhora das ondas se despede enviado um beijo com gosto de brisa de mar.

Sinto que vou despertando para o corpo, mas antes que acorde, percebo que além da praia, há uma cachoeira que vira rio. As margens das águas, há uma mulher a chorar. Aproximo-me e é Oxum que vejo, que ainda chorando, sorri; e me convida para sentar ao seu lado.

– Por que chora, guerreira das águas doces? – pergunto, encantado com a sua beleza.

– Choro pelos homens, meu peregrino das estrelas. Mas não se engane, não há tristeza em meu choro, pelo contrário, choro alegria. Choro como quem faz uma saudação, minhas lágrimas são oferendas, e todo homem que mata a sua sede em meu leito, desperta pouco a pouco, cada um no seu ritmo, cada um do seu jeito, até se transformar em um Orixá.

- Será possível tamanho milagre? Será possível que o barro vire estrela?

- Peregrino, se um dia o barro foi estrela, será tão difícil de acreditar que o barro volte a estrelar? – ela pergunta e continua a falar - Querido filho, reflita sobre essas palavras: O homem olha para cima em busca de Orixás, sem perceber que o maior dos deuses habita dentro dele. E eu te pergunto agora: onde você pensava que era a morada do nosso pai Oxalá?

Frank Oliveira

sexta-feira, junho 27, 2008

AMIZADE, LETRAS E MÚSICA

Para L.F

Algumas pessoas exigem da amizade com a outra, uma aliança perpétua. Outras, exigem dos amigos, nada mais que um receptor, um par de ouvidos. Eu nada mais quero de meus amigos do que carinho genuíno; e coleciono atos, em que esses meus poucos amigos, imperfeitos e imprecisos, manifestam essa amizade em pequenos gestos que são para mim, presentes eternos.

Exigimos muito de quem gostamos: telefonemas, atenção constante, pacto de exclusividade. Pior que amor ciumento, é ciúme de amizade.

Contribuímos pouco a quem amamos e pedimos muito; e os transformamos em funcionários: queda de produção e aumento de faltas, serão punidos com “tô de mal”, demissão sumária ou não olho mais na cara.

Agradecimento, então, é evento raro, e se dizemos obrigado, é sempre por algo solicitado; e nunca agradecemos nossos amigos pelo conjunto da obra. Baseado nisso que escrevi essa mensagem, pois é mais do que a hora certa para, por meios dessas linhas tortas, agradecer a você meu amigo, por comigo, compartilhar a tua estória.

Obrigado por me ensinar a voar e por mesmo, ausente, tanto bem me influenciar.

Obrigado por cuidar de mim, nos encontros, cafés, bares, chá, enfim, estou muito agradecido por você ter me ensinano essa grande verdade profunda: só o que precisamos na vida é amor, sorriso ( para mim, as letras) e para você, a música.

Frank Oliveira

quarta-feira, junho 25, 2008

DONA RUTH MORREU!!!

Dona Ruth morreu. Fechem as cortinas, coloquem o preto oficial, o país deve declarar luto, pois uma grande alma se foi, alguém especial. Uma grande mulher nos deixou para fazer parte da história.

Dona Maria morreu ontem na fila do hospital. Fechem as cortinas, coloquem o preto oficial, o país deve declarar luto, pois uma grande alma se foi, alguém especial. Uma grande mulher nos deixou para fazer parte da história.

Dona Joana morreu em um acidente de carro na Via Dutra, vítima de um motorista embriagado. Fechem as cortinas, coloquem o preto oficial, o país deve declarar luto, pois uma grande alma se foi, alguém especial. Uma grande mulher nos deixou para fazer parte da história.

Dona Amélia morreu numa chacina no Morro dos Mortos em Vão, no Rio. Ela estava passando pelo local, quando ela foi atingida por duas balas perdidas. Fechem as cortinas, coloquem o preto oficial, o país deve declarar luto, pois uma grande alma se foi, alguém especial. Uma grande mulher nos deixou para fazer parte da história.

Dona...

PÉTALA POR PÉTALA

Toda vez que penso em você, aparece um botão dentro do meu peito; uma rosa se abrindo, pétala por pétala, feito menino sorrindo sem jeito ao pensar nela. Sinto que ao repetir o seu nome, meu peito vira redemoinho e o coração vai bombeando devagarzinho, segredos e verdades que não ouso te dizer, pois palavras não podem descrever certas crônicas da alma que se propagam pelo ar, mas mesmo com um pouco de receio de mexer em vespeiro, salto e me jogo por inteiro nessa jornada que é te amar.

Já amei tanto errado, mas me diga quem certo há de amar? Amor é tentar, e mesmo ao errar, continuar amando. Amar é mergulhar sem medo, é pássaro que acorda cedo só para a vida cantar. Toda vez que faço esse mergulho, confesso que tenho medo de me afogar. Sou pisciano que não sabe nadar, sou marinheiro com medo do mar. Tenho medo do seu canto de sereia, sei lá onde vai dar; por isso quando a jóia do peito abre e o verde esmeralda começa a pulsar, viro moleque e me jogo no barro, na areia; sem ter medo de me sujar, pois sei que é tarde demais, já estou dentro desse amor que é demais para não compartilhar.

Cada vez que estou aqui dentro e olho essa imensidão, mas me surpreendo com o que cabe no coração; por isso escrevo essa prosa, numa tentativa surreal de descrever essa rosa que abre e fecha quando penso em ti. É amor sem jeito de controlar, por isso pega um pouquinho nesse meu versar e medita um tantinho naquilo que tento, tento, mas não consigo explicar. Essa rosa que habita no peito não precisa de jardineiro para desabrochar. Não necessita de canteiro. Essa rosa é assim, exige de você, de mim, o contribuir, o compartilhar, o sintonizar com o que há de mais belo na vida: amar.

terça-feira, junho 24, 2008

5 SEGUNDOS

Preciso de 5 minutos para lhe falar. Sei que tem pressa, mas você precisa me escutar. Há tanta coisa a dizer e agora só me resta 4 , por isso confia em mim, larga as malas, vem aqui no quarto.

Sei que muita pouca coisa se faz em 3 minutos, vou tentar ser breve, pois agora só me resta 2 e meio para pedir perdão e 2 e 15 para explicar a razão pela qual ferimos sempre quem mais amamos. 2 minutos escorrem por nossas mãos, por isso, mais uma vez te pergunto: você ainda me ama?

Não! Não precisa responder, nem preciso de 1 minuto para perceber que não posso amar por mim e por você; e você precisa ir e eu esperar para ver, se a liberdade é a maior prova de amor que um casal deve receber.

30 segundos de abraço nesse tão curto se despedir, 15 segundos para olhar nos seus olhos e 10 segundos para te ver sorrir e só me resta agora 5 segundos para te dizer uma última vez: EU AMO VOCÊ!

O FUGITIVO DA MANIPURA

As grades se abriram: revolta na prisão. Tenho que sair daqui, eu preciso escapar. O Zé caiu no chão, morte, destruição, irmão contra irmão, não há qualquer distinção, todos são Caim e Abel, é o que grita o Pastor Sebastião, gritos em vão, o caos toma conta da prisão. Valei-me Anjo Gabriel!

Ouço tiros, explosão. Cachorros soltos que não param de latir. Preciso sair, mas o barulho é grande e não consigo me concentrar. Onde está a saída? Não consigo localizar, preciso de ajuda. Continuo correndo, pulando poças vermelhas, subindo em grades amarelas, vejo nas paredes um símbolo me contando que estou no Manipura; mas não sei o que isso significa, não tenho a menor idéia de onde estou, ou onde vou parar. Corro, corro e acabo voltando pro mesmo lugar, percebo que nem saí do lugar. Estranho, muito estranho...

Sento no chão, fecho os olhos, tento me concentrar. Respiro lentamente e ouço um som: Yaaaammmm!!!! O barulho continua grande, sinto o calor das explosões, mas já não temo, sorrio, percebi um furo no roteiro e começo a meditar nesse som Yaaammmm. Quanto mais me concentro, mas distante a prisão vai ficando.

Sinto que minha consciência se destaca do corpo e ao mesmo tempo fico nele e de repente, percebo, não estou naquela prisão, apesar dela habitar dentro de mim. Abro os olhos, estou no meu quarto e me dou conta que estava meditando com os meus chakras e não passei do umbilical. Estive preso no manipura, por quanto tempo não sei, mas que surpresa é descobrir que carregamos uma prisão domiciliar.

segunda-feira, junho 23, 2008

MAR DE GENTE

O mar segue cheio de fúria; as ondas avançam e açoitam a terra. Sentado na praia de Swadhistana, olho a água em guerra e finalmente aceito mudar. A mudança vem a duras penas, quem eu pensava que era quer se revoltar, faz convites sedutores e ameaças plenas, sabe que já não consegue me dominar.

Quando fui dado luz, virgem de mundo nasci; com a cultura e a crença de um povo me revesti. Aprendi a andar, como caminha os outros, aprendi a ver somente o aparente, nunca a alma, só o rosto. Recebi de presente, um pacote da língua local, fui instruído a virar anjo, mesmo mal sabendo ser um animal. Pegadas segui, caminhos percorri, mestres descobri e quando já me achava, pleno de mim, a verdade veio a tona: eu não era assim!

Cortei os cabelos, rasguei as roupas; lavei-me das certezas e da fé fiz sopa; digeri tudo o que aprendi a ser e o que ficou foi o que sempre havia, mesmo antes de nascer: muita vontade de aprender.

Já não há mais fúria, acabou essa guerra; a paz avança astuta nessa luta eterna. Já não luto contra, respeito a morada do eu; prazer vira criatividade, essa casa já não me afronta, faz parte de mim, um presente meu.

Finalmente sei quem sou, apenas mais uma gota d’ água velha. Ancião do mundo; do mar, apenas uma perna, e nesse oceano eu entro e saio, e o que vejo: teoria e prática. Opostos que só conseguimos experimentar verdadeiramente, quando caímos do céu e brincamos de gente.

Frank Oliveira

A MULA E O BÁSICO

Comecei o caminho com uma mochila do tamanho do Everest. Fui pouco a pouco me despindo, foi-se o peso, foi-se o desnecessário e enfim, quando não havia mais vestes, percebi que da vida realmente precisamos do básico, tudo mais é puro resto.

Nem sempre foi assim, quando arrumei a mochila, quis carregar o mundo. Tudo me pareceu imprencidível, queria levar tudo. Feito mula ignorei os conselhos do guia Duba, que dizia: menino não carregue o mundo nas costas, ou cai o mundo ou cai as costas.

Quando as costas começaram a cair, percebi que precisava deixar para trás muita coisa. O que jogaria fora primeiro, era a dúvida. E se precisasse disso ou necessitasse daquilo, era tanta coisa: Capa para chuva, remédio para dor de estomâgo, tênis extra para noites frias, sete camisetas para os dias quentes, uvas passas para quando precisasse de açúcar, tinha até tabletes para prisão de ventre.
Joguei tudo fora, fiquei apenas com a escova e com a pasta de dente, e algumas roupas, afinal, vou preso, se não estiver decente. Depois dessa limpeza toda, agora consigo caminhar.

Com pouco peso, sinto meus pés em ligação com o barro vermelho. Por vezes esse chão fica quente, outras vezes o calor vem sútil e só ouço o zumbido: laaammmm pra cá, laaaammm pracolá e o calor sobe pelas plantas dos pés, toma conta das pernas, sobe pela espinha, é uma coisa louca; mas a terra é minha companheira, quando dá essa
canseira, paro e penso na Aline, minha companheira oculta e peço que ela aguarde o tempo certo e só acorde quando eu passar pelas outras seis estradas e tiver descoberto que é com equilíbrio que vou vencer e despertar.

Frank Oliveira

A seis estradas de chegar em casa

domingo, junho 22, 2008

A SALA DO BEDUÍNO

Encontrei-a no dia dos namorados. Ela não era minha namorada, nem muito menos amada e amante. Ela era um convite aberto, uma floresta, um universo a ser descoberto, descobrido, revelado. Não se excite, caro leitor, pois não havia naquele momento segundas intenções, nem tão pouco promessas de amizade. Eu não desejava levá-la para a cama, nem ela exigia apenas ombros, ouvidos e fidelidade.

Era uma conversa dessas que vale a pena ver. Conversa que a gente atravessa mares, só pela alegria de receber palavras e palavras ter. Ela queria descobrir quem eu era e eu queria que ela deixasse de ser estranha e virasse você.
Que doce foi ouvir as suas palavras e escutar seus sonhos. Que bom foi falar e ser ouvido, que ela não achasse meu papo enfadonho.

Éramos diferentes: eu tomava café e ela comia "McDonalds". Éramos bichos estranhos: eu era um peixe virando escorpião e ela, um escorpião virando peixe. Contudo, compartilhamos o mesmo brilho da estrada, a mesma alegria do Beduíno. Nossa casa era uma sala, nossa sala, um convite ao destino. Os dois eram viajantes d'água, da mata e do mundo.

Muito foi conversado e mais ainda há o que descobrir. Um novo convite ficou no ar, novas conversas nos farão descobrir, as maravilhas e mistérios desses encontros furtivos, reencontros de destinos, onde velhas almas se redescobrem em novos rostos, e estradas voltam a se cruzar.

sexta-feira, junho 20, 2008

Diálogo Entre Macunaíma e seu Criador Mário de Andrade

Publicado por ManoMelo em 23/2/2007


Macunaima encontra uma escrivaninha e, sobre ela, os manuscritos e anotações de Mário de Andrade para Macunaima. Folheia com atenção, se reconhecendo mno que lê. Pressente uma presença na sala. É o espírito de Mário de Andrade, seu autor, uma figura na penumbra:

MÁRIO -Olá, Macunaima, eu estava lhe esperando. Sabia que um dia você apareceria por aqui.

MACUNAÍMA - Ôxente, aparição, vem me dar susto não. Tu parece um lobisôme. Como é que tu sabe o meu nome?

MÁRIO -Sei tudo sobre você, meu neto. Nada teu me é secreto. Eu sou o criador, você é a criatura

MACUNAÍMA - Mas será o Deus da Silva? Tá com mania de grandeza? Tu
lá é Deus pra criar o que é meu?

MÁRIO - Eu sou o teu autor. E te criar foi um trabalho de amor.

MACUNAÍMA - Não conheço pai nem mãe
Nem nestas terras parentes
Sou filho das pobres ervas
Neto das águas correntes

MÁRIO - Para que os brasileiros não esquecessem o seu herói, fui te buscar na fala do povo, nas festas de rua, no colorido das praças. Com bastante meiguice de sentimento, paciência no entusiasmo, força na peitaria e capricho na expresão da poesia.

MACUNAÍMA - Pois não tô satisfeito com o meu destino. Formiga não tem Caroço, cearense não tem pescoço e banananeira não tem no. Ter autor é muito bão, mas barriga cheia é mió.

MÁRIO – Mas qual é o problema, ó herói de nossa gente?

MACUNAÍMA – É que você podia me fazer diferente.
Nem tão doce nem amargo
Nem tão frio nem tão quente.
Não quero que Ci, minha amada Ci,
Vá pro céu,
Nem que roubem o que é meu.

MÁRIO – Mas herói, você não está curtindo o maior barato?

MACUNAÍMA – Exijo modificações no última ato.

MÁRIO – Então não vale a pena, Piá?
E o cheirinho de açucena do cangote das morenas?
O canto dos passarinhos,
O amor de Sofará?
E as pacas, e as cutias, e os preás?
E as águas dos rios pra se banhar?
E toda esta poesia que eu fiz
Transbordando de teu olhar
Pra te fazer feliz?

MACUNAÍMA – E porque fez tanto carrapato
Pra me sugar pelo mato?
E os boi-tatás,
Os perfumes de gambá,
Os abraços de tamanduá,
As varizes da varina?
Tá pensando que aluá
É refresco de urina?

MÁRIO – São dois lados da mesma moeda,
Macunaíma,
Duas metades do mesmo tacho,
Às vezes tá por cima,
Às vezes tá por baixo.
Um trem não corre sem seus trilhos,
Nem galinha vive sem comer milho.

MACUNAÍMA – Pois tô afim de começar tudo de novo.

MÁRIO – Você será sempre novo,
Porque você ganhou a boca do povo.

MACUNAÍMA- Me diz uma coisa, como que é teu nome, Amizade?

MÁRIO – Mário. Mário de Andrade.

MACUNAÍMA – Então tá bom, Seu Mário.
Agora me arresponda se você pode:
Quais são as três coisas mais ruins que o mundo fez,
Coitadinhas delas três?

MÁRIO – Promessa de crítico? Promessa de político? Piada de português?

MACUNAÍMA – Não acertou nenhuma vez, seu freguês.
É cachorro que pega bode,
Mulher de bigode
E gente que não fode
Que nem o diabo pode.

MÁRIO - Macunaima, você pertence ao acervo da cultura popular,

Porisso contei tua saga de antes e de depois.
Mais importante é o mito.
O criador não manda na criatura.
Ele só escreve o que já está escrito

Mano Melo
http://www.pierdeipanema.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=8


Frank Oliveira http://cronicasdofrank.blogspot.com

quinta-feira, junho 19, 2008

A TAPIOCA

Hoje à tarde, eu comi uma tapioca. Que coisa mais gostosa é o sabor e o som: ta pi o ca! O quê? Você não gosta? Chamem o capitão, atire esse homem ao mar! Joguem essa mulher que não gosta de tapioca aos tubarões e o menino que torce o nariz, o deixe sem brincar. Onde já se viu que desrespeito! Tapioca tem gosto de Brasil, cheiro de terra, quem nunca provou de uma tapioca, não sabe o que lhe espera.

Adoro parar nessas barraquinhas e observar, a farinha e água numa bacia se misturar, enquanto a frigideira pacientemente fica a esperar. Então a artesã da tapioca vai jogando a massa e moldando-a como se fosse uma panqueca. Tudo é muito rápido, massa vira tapioca, como se tivesse pressa, de receber o recheio de leite condensado, goiabada, doce de coco, chocolate, manteiga ou nata. Doce ou salgada, a tapioca chega à boca como se fosse um “beiju”. Que goma mais linda, que refeição dos deuses. Comer tapioca é tão mágico quanto um Déjà vu.

Sempre como tapioca como se fosse a minha ultima refeição. Como um detento a um passo da sua execução, saboreio a tapioca, pedaço por pedaço, com apreciação. Comer tapioca é pura meditação: tapioca dissolvendo na boca, consciência em expansão; eu sou cada pedaço, sou o próprio sabor, cada sensação eu caço, cada mordida, uma explosão, uma cor. Eu amo tapioca como quem ama o próprio amor.

Quando chego ao fim, surge o desafio: a tentação de pedir um pedaço a mais, mas resisto, calo a gula e vou me embora sempre querendo mais; e como Deus é tão bom, sei que sempre haverá essas barraquinhas de tapioca por onde eu for nesse Brasil do meu coração. Agora me diga a verdade: deu vontade de comer ou não?

Frank

quarta-feira, junho 18, 2008

COMER, COMER - PARTE FINAL

Eu sei que você se recorda, não preciso repetir, mas não custa lembrar que essa não é uma crônica vegetariana. Parei de comer carne vermelha, mas ainda como coxinha de frango e paella. O motivo pelo qual, deixei de saborear um churrasquinho de lombo, foi a visita de um fantasma chamado Prático, que eu ajudei a matar em 1980.

Prometo que essa é a última crônica sobre esse assunto. Se toda essa narração lhe deu sono, peço desculpas, sou ainda um escritor enfadonho; agora se você sentiu fome: vá comer, caro leitor! Pois, o que você estará prestes a ler, vai lhe tirar todo o apetite.

Para comemorar o nascimento da minha irmã, meu pai preparou um banquete e trouxe um convidado, que em pouquíssimo tempo ganhou meu carinho. Prático era o nome que dei a esse porco com cara de nervoso que lembrava um dos três porquinhos. Contudo, não importava o tamanho do meu afeto, Prático estava condenado a morte, afinal, ele seria o prato principal.

Estávamos nesse terreno entre o Cruzeiro Velho e o Novo, longe dos olhares dos curiosos. Prático gritava, gruinha como se adivinhasse o que estaria por vir. Meu pai amolava um facão, enquanto Eugênio, nosso vizinho, retirava uma marreta da caminhonete, e por ele não ser Thor, o Deus do trovão, mal conseguia segurá-la; outros dois homens amarraram e seguravam o porco gigante. Já assistira Tom e Jerry o suficiente para adivinhar que algo sinistro iria ocorrer.

Quando Eugênio deu a primeira marretada, meus olhos se encheram de lágrimas, enquanto a testa de Prático foi amassada e sua cabeça virou uma fonte de sangue. Jatos vermelhos jorravam pelo ar, manchando o verde do mato, a camisa branca dos homens e o cinza da terra. Prático era forte e permaneceu gritando; o que exigiu uma segunda marretada, houve sangue e choro, mas o bravo suíno não caiu e continuou firme por algum tempo, até que já sem tanta força para resistir, o animal praticamente ofereceu o pescoço para o facão do meu pai, que o cortou, como se tivesse feito aquilo a vida inteira. O pobre animal, enfim, despencou como se fosse uma manga madura aos pés dos homens.

Eu já não conseguia chorar. Meus olhos permaneciam abertos em choque, sem piscar, enquanto observava aqueles homens desmembrando o bicho infeliz e pouco a pouco, o transformando em carne de açougue. Engraçado ou trágico, mas eu não me lembrava mais disso – trauma de infância, talvez – até que num certo domingo, Prático veio me visitar. Se foi sonho ou pesadelo, devaneio ou lembrança, não sei te explicar; mas vi o porco elefante na minha frente. Não houve ruído, grunhido, nem ele falou comigo – vai ver ele não nasceu mesmo para ser um porco falante – ele apenas me olhou por alguns segundos; o suficiente para que eu recordasse o crime; o suficiente para que eu lembrasse que esquecera um dos momentos mais terríveis da minha vida.

O fantasma do porco se foi e com ele, a minha vontade de comer carne vermelha. Se hoje evito a salsicha e a calabresa, não é porque tenho pena de todos os pobres suínos do mundo que são sacrificados para a nossa alimentação (somos o topo da cadeia alimentar e cada um com o seu prato). Se não consigo mais comer carne vermelha e porque algo ocorreu comigo, uma mutação, uma peia, sei não, mas não consigo deixar de associar a carne vermelha à lembrança de Prático e talvez essa foi a maneira que meu corpo escolheu e minha alma decidiu para reparar o assassinato que assisti e somente agora, consigo escrever a respeito e revelar.

Agora, desculpem-me, mas preciso interromper a sua leitura, estou com fome, preciso comer algo.


Frank Oliveira

terça-feira, junho 17, 2008

COMER, COMER PARTE II

Como expliquei na ultima crônica, não consigo mais comer carne vermelha. Respeito quem o faça, tenho até inveja de quem come tudo o que lhe é posto a mesa, mas exclui a carne vermelha do meu menu e a decisão foi tomada graças a visita de um fantasma, que não era meu pai, ou o Rei da Dinamarca; e sim o fantasma do meu porco de estimação.

Fui criança de prédio, quando morei em Brasília. Cresci sem quintal e sem horta, mas meu pai, nordestino arretado, não ligava para o espaço apertado em que vivíamos – quarto, banheiro e cozinha na zeladoria dos prédios em que morávamos - e transformava os arredores do prédio em extensão da nossa casa. O espaço entre dois prédios virava terreno para festa junina e palco de aniversários. Havia entre os zeladores, uma amizade e um companheirismo que resultava em grandes celebrações. O nascimento da minha irmã, então, foi um grande evento que reuniu todos os zeladores, suas famílias e também centenas de moradores do Cruzeiro Novo. Meu pai quis fazer um grande banquete e naquela manhã de 16 de abril de 1980, Prático foi entregue em casa.

Não era um porco com cara de amigo, nem lembrava o Baby, o porquinho falante; pelo contrário, ele era gordo, grande e fazia um barulho que assustava até os cachorros que queriam se aproximar. Talvez porque eu nunca tive um animal de estimação para enfeitar minhas memórias de infância, eu adotava todos os animais que vinha a ter contado e com Prático não foi diferente, até porque a sua cara de pouco humorado lembrava um dos porquinhos do conto do lobo mau. Ficamos pouco tempo juntos: ele chegou ás 09:00, foi amarrado no portão do prédio ( para espanto dos moradores que não estavam acostumados a animal que não fosse gato, passarinho e cão) e ás 11:00, meu pai, seu amigo Eugênio e mais dois outros conhecidos, colocaram Prático dentro de uma caminhonete. A tarefa levou quase uma hora – eu avisei: Prático era um porco elefante – e quando enfim, o porco estava dentro do veículo, entrei também junto e seguimos para um destino desconhecido. O que iriam fazer com o porco era um mistério para mim.

Algum tempo depois, a caminhonete parou em um terreno rodeado de mato e pequenas árvores, na fronteira entre o Cruzeiro Velho e o Cruzeiro Novo. Todos saíram do carro, incluindo Prático.

Eu tinha apenas 06 anos e morando na cidade, não entendia certas coisas do mundo: carne para mim era comprada em açougue e na certa caia do céu, como os peixinhos, que caiam quando chovia. Eu não sabia por que meu pai havia me levado (talvez fosse o fato que minha mãe ainda estava no hospital se recuperando do parto e não houvesse mais ninguém com quem ele pudesse me deixar), mas eu não só estava prestes a testemunhar um assassinato, como carregaria por toda a minha vida, a culpa da cumplicidade.

Continua...

Frank Oliveira

segunda-feira, junho 16, 2008

COMER, COMER ...Parte I

Não consigo mais comer carne vermelha. Não caio em tentação, não salivo mais quando penso em feijoada, picanha no alho e pastel de feira; foi-se o apetite, perdi a vontade. Esses dias até tentei devorar uma almôndega, mas foi como mascar chiclete sem sabor, tinha gosto de borracha e até pensei que era culpa da cozinheira, mas meu parceiro em crime, sentado ao meu lado no restaurante, repetia que jamais havia comido almôndegas tão deliciosas na vida.

Por favor, não fujam da leitura, pois essa não é uma crônica vegetariana, afinal se há algo que aprendi a não discutir em hipótese alguma é política, religião, futebol, Banda Calipso e gosto por comida, além disso, posso não ser mais uma amante de picadinho, mas não fujo de um espeto de frango e adoro uma boa pescada. Se insisto no assunto, é por puro desejo de compartilhar a experiência. Sim, tenho notado que desde que parei de comer carne vermelha, meu corpo anda mais leve, minha mente mais lúcida e límpida, contudo, precisei pagar o preço, minha vida social está em ruínas: não consigo explicar para minha mãe que não posso mais comer aquele “cozido de carne,batata e cenoura” que ela faz com tanta dedicação para mim; estou evitando churrascarias e já recusei quatro convites para churrascos dominicais com os amigos.

Outra mudança alimentar ocorreu para colaborar com esse novo eu que agora anda pelas ruas: não leio mais quando estou comendo, nem assisto TV ou faço qualquer outra coisa, que não seja apenas comer. Parece simples, mas não é. Não sei quanto a vocês, mas nunca dediquei o devido tempo e atenção ao ato de comer. Sempre engoli o alimento goela abaixo, sem ter tempo para saborear o tempero no arroz ou do caldo do feijão. Minhas refeições agora são pura meditação. Mastigo a alface e o tomate, como se estivesse vendo cada verdura, cada fruta sendo semeada, colhida e entregue a mesa; misturo o arroz com o sabor da batata e minha mente voa pelas plantações de arroz do mundo inteiro, grão por grão, semeadura por semeadura; vejo as batatas sendo arrancadas da terra, ensacadas, lavadas e enviadas para as nossas saladas ou fritas e purê. Saboreio o peixe com a mesma alegria com que o menino o pescou quando passou toda a tarde com o pai lhe ensinando os segredos da pescaria. Enfim, cada refeição tem sido uma viagem e por dar mais tempo a alimentação, já não consigo comer demais ou comer de menos. Ponho para dentro, somente aquilo que eu preciso. O corpo agradece, a mente permanece sã. Só lamento, ter muito tarde, despertado para isso e não só pensando nisso, mas praticando essa meditação em cada refeição, percebo o quanto é maravilhoso comer bem e saudavelmente. Não há nada de errado com o lombo do porco ou com a alcatra, mas certos alimentos já não me fazem tão bem. Talvez seja a idade ou talvez tenha sido os efeitos da visita de Prático, um porquinho de estimação, que tive quando era moleque e reapareceu há duas semanas para me assombrar.

Continua...

Frank Oliveira

sexta-feira, junho 13, 2008

A PIRATA

- DVD hoje? - Pergunta a moça. Mochila nas costas, uma coleção de filmes piratas nas mãos: Indiana Jones, Homem de Ferro, Speed Racer e outros mais que não consigo identificar. Ela é bonita. Sua beleza me chama mais a atenção que os filmes que ela oferece. Quero dizer não para ela– nada contra ou a favor da pirataria – mas estou curioso e lanço perguntas no ar, enquanto a observo, vendendo seus produtos naquele balcão de padaria:

- Quem é ela? Como chegou a conclusão que venderia mais DVDs se largasse a barraca, fosse para a rua e se tornasse uma real ambulante? Terá sido o “rapa”? Será a necessidade?

Ela é bonita e seus olhos fortes contam algo a mais que batom, perfume, chapinha e conjuntinho preto; eles dizem que ela tem filho carente ou mãe doente; alguém assim, que a empurre para a rua, para o ramo do Barba Azul, do Jack Sparrow, do Willy Caolho, mas não vejo caveira e espadas em sua bandeira, apenas um moça precisando de dinheiro.

- Tenho os últimos lançamentos – insiste e até baixa o preço. Possui uma voz suave e ao mesmo tempo firme. Deve vender muitos filmes, ou do contrário, não estaria na rua, de bar em bar, padaria em padaria, oferecendo diversão de qualidade duvidosa e apelo certeiro: ela sabe que a sua beleza auxilia as vendas. Na padaria, ela só aborda os homens. Vai ver mulher não compra DVD pirata.

- Obrigado, mas hoje não – respondo. Ela sorri, vai embora, fingindo que acredita que eu comprarei seus filmes num outro dia e eu finjo que acredito que aquele cara que acabou de comprar um dos seus DVDs, o fez, por qualquer outro motivo do que não por sua beleza.

Frank Oliveira

quinta-feira, junho 12, 2008

DIA DOS AMIGOS ENAMORADOS

Cara amiga,

Desculpe invadir assim o seu espaço, nesse dia dos namorados, mas tenho uma mensagem que foi escrita diretamente para você e se puder (sei o quanto você é ocupada), não deixe de ler.

Não sei se você sabe, mas hoje é dia dos namorados somente no Brasil. Em outras tantas partes do mundo, o dia de São Valentim vem depois de janeiro e antes de abril (precisamente em 14 de fevereiro), e nesse dia presenteamos e trocamos cartões não somente com namorados, mas principalmente entre amigos ( até com aqueles que ignoramos o ano inteiro). Perdoe esse pobre escritor que adora versar, mas mesmo correndo o risco de te confundir com isso tudo que quero te dizer, não há dia mais bonito para te lembrar, o quanto sou grato por te conhecer.

Obrigado por me ouvir, mesmo quando não tenho tempo para te escutar. Sou grato por você sempre me lembrar que nada lhe devo, mesmo sendo você, o lado que sempre me ajudou e sempre quer ajudar. Que bom que cada um de nós tem a sua forma de gostar, por isso, obrigado por ousar; por não ter medo de me enamorar* e sempre atravessar mares, montanhas, bairros para me ver, encontrar e comigo estar.

Você nunca me cobrou atenção, mesmo quando passo semanas sem telefonar. Sua amizade por mim é coisa rara, pois não é condicional a meus atos e eu nem preciso estar sempre presente para ser especial, afinal, você me ensinou que a distância nunca altera a consideração e a confiança dos verdadeiros amigos. Sim, você me ensinou que ser amigo não exige aliança, compromisso, apenas respeito, coração e atenção.

Feliz dia dos amigos enamorados, e obrigado por cuidar tão bem desse seu amigão e por ter sempre tempo para mim, mesmo quando a sua vida parece um furacão. Obrigado por me fazer ver, que a amizade é algo para valer e não precisa de provas, apenas que os dois amigos façam por merecer.

12 de Junho 2008
Frank Oliveira
Ps: desejo que você ganhe um monte de presente em forma de carinho do seu namorado.


Nota do Autor: * Enamorar: (en+amor+ar) encantar, enlevar, inflamar-se de amor, ter afeto por outra pessoa.

quarta-feira, junho 11, 2008

CONTENDA

Sou o último dos meus. Não haverá mais deles. Olho por olho, bala por bala, sangue por sangue. Nem sei como fui parar ali, mas estou eu, aqui, com a espingarda na mão, pontaria na testa do maldito que matou meu pai, meu irmão.

Tudo começou com João. Briga de bar por causa de rabo de saia, bebida demais, juízo de menos. Um tiro no peito o fez defunto; outro tiro do meu pai começou a contenda.

Nunca fui de dar tiros, sempre carreguei livros embaixo de braço. Se peguei em arma de fogo, foi para espantar onça e cobra que ameaçava meu povo, tentando roubar os anjinhos. Se estou armado é porque não tenho escolha: ou eu mato ou morro.

Por isso troquei as letras pela pólvora quando Fonseca matou meu pai. Meu irmão caçula, Sebastião, matou Messinho, pois errou Fonseca que não errou meu irmão. Bastião morto com um tiro covarde pelas costas; eu escapei por pouco, Fonseca quis matar dois coelhos com uma só bala, sabia que eu era o último e não queria sofrer emboscada.

Na minha terra, só ficou viúva chorando, minha mulher já veste preto. Eu sou um morto vivo, um moribundo, por isso, Fonseca precisa morrer, preciso recuperar meu mundo, meu eixo.

Enfim, crio coragem e atiro, enfio dois tiros no maldito, mas ele não cai. Terei errado o tiro? Atiro uma vez mais e ele não morre, virou invencível. Acerto mais um nas suas costas, dou um tiro bem no olho do ouvido e o desgraçado continua vivo. Será o Benedito? Será que minhas balas são de fumaça? Por que não consigo transformar o bandido em finado?

O que está ocorrendo?

Contenda!

Sou o último dos meus. Não haverá mais deles. Olho por olho, bala por bala, sangue por sangue. Nem sei como fui parar ali...


Imagem: Abril Despedaçado de Walter Salles

terça-feira, junho 10, 2008

INCOMUNICÁVEL

Ane estava pálida. Seus olhos buscavam alguma explicação no rosto de Odlavir. Ela queria entender,aceitar e compreender o que estava ouvindo, porém, tudo era muito estranho. A impressão que ela tinha era que ele falava outra língua.

- Σε αγαπάω, S' agapo, M' agapas?- explicava Odlavir, não conseguindo por em palavras o que queria expressar. Se não conseguisse, ele perderia Ane para sempre.

- Não Faz sentido! – ela dizia. Cabeça balançando em negação, olhos de tristeza. Sentia que perdia todo o respeito e consideração que tinha por seu amigo.

- Люблю тебя всем сердцем, Ya tebyA lyublyU , LyublyU tebyA vsem sErtsem, vsEy dushOyu, Люблю тебя всем сердцем, всей душою.

Ela não aceitava o que Odlavir tentava dizer. Aquilo não tinha o menor sentido. Nada do que ele dissera correspondia ao formato do mundo: não era quadrado, redondo, não possuía uma forma conhecida, não funcionava na realidade.

- Ngo oiy ney a, Aishiteru, Sarang Heyo – continuava Odlavir, insistindo em perseguir as palavras certas, a frase mais bem dita, que pudesse fazê-la entender os motivos da sua ação. Não conseguia! Era melhor desistir e pagar o preço por ter tentado explicar a linguagem do seu mundo para Ane. Deveria ter mentido, usado palavras do mundo dela. Agora era tarde demais.

- Te ubesc, Ti amo, Je t'aime, Je t'adore, Taim i' ngra leat – disse ele, tentando uma última vez explicar - If you love somebody, set them free. Se eu te amo e tu me amas, e um amor a dois profana, se esse amor ficar entre nós dois vai ser tão pobre, vai se gastar... pois amor só dura em liberdade. Sofro, mas eu vou te libertar.

Então, ela começou a compreender. O que ele dizia começava a fazer sentido. Era tão simples e pela ausência do complexo, era difícil de aceitar que ele dizia a verdade. Ela já acreditara em verdades mentirosas antes e já havia engolido muita mentira revestida de verdade em nome do amor, mas aquilo que Odlavir dizia era coerente, fazia sentido. Seu amigo estava sendo honesto, por mais que o que ele dissesse soasse surreal e absurdo.

- Eu compreendi o que você está querendo dizer – disse ela por fim. Ele sorriu, conseguira expressar o incomunicável.

segunda-feira, junho 09, 2008

VIRGO

Mãe, seja virgem! Traga a luz para o mundo, não manifeste as trevas. Seja imaculada. Durante a gravidez, reflita: você é o portal da própria vida.

Mãe, seja Maria! Ajude o mundo trazendo um novo menino Jesus. Concentre-se no Divino que há em ti e traga para a terra, outra estrela de luz. Não manifeste em seu filho, a soma do coletivo. Seja céu e deixe o sol brilhar. Seja lua e que o brilho que do seu corpo sair, inspire poetas, cative o mundo e contribua com todos.

Mãe, seja seletiva! Não absorva a poeira do mundo, a fumaça e a venenosa bebida. Não exponha essa semente que você carrega no ventre a essa sujeira imunda que corrói a mente e suja tudo. Seja filtro: pois tudo o que você absorve, reflete em seu filho. Seja ar e deixe tudo o que não é importante passar: mágoa, raiva, mau humor e esse doce lamentar.

Seja feliz! É tempo de festa, seu filho está para nascer. Não é todo dia que Deus lhe dá presente tão bonito, por isso: cuida desse divino ser! E lembre-se que o bebê quando nasce é tábua rasa – tudo de bom e ruim que o bebê vier a aprender na vida e colocar em prática, mais que o mundo, é a mãe que ensina.

Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

sábado, junho 07, 2008

EGO - TEXTO DE MARCELO BRASIL

Quem sou realmente?

Essa é uma velha pergunta. Aquela que as igrejas costumam afirmar ter a resposta. Colocam a divindade a qual cultuam no centro e respondem que somos simples criaturas. Olhamos para esse todo despersonalizado, ligado ao que podemos chamar de sociedade, ou um "Eu" coletivo, que se curva perante a moral, a ética, a estética, aos costumes coletivos. Todos seguindo um rumo geral, lutando para se integrarem e tomarem uma posição de destaque nesse mundo que nos foi legado. E que passaremos a
frente, via a sempre sagrada família, para nossos descendentes.

Mas... Quem sou realmente no meio disso? Não existe resposta nesse esquema que nos é imposto. Não há como saber quem se é pela vida que levamos. Não há como saber quem se é aceitando essa vida que nos leva a um freqüente desequilíbrio.

Quem sou realmente?

Não é fácil saber. A resposta é individual. Precisa ser buscada individualmente. Lá no nosso íntimo. Em figuras que encontramos apenas em movimentos místicos, em religiões e cultos exóticos, em um mundo que é qualificado como escapismo, ou fuga de responsabilidades, como um ideal inatingível, como um mito tóxico.

Quem sou realmente?

Essa questão está cifrada em textos confusos, em filosofias orientais, nas palavras de gurus, de mestres de coisas estranhas, escritas de formas complicadas, quase indecifráveis, de uma forma que é sempre difícil de compreender. E o que devo fazer para encontrar a resposta de quem sou realmente? Existe algum roteiro? Alguma fórmula? Algum curso? Seminário?

Quem sou não é quem o outro é. Não há como descobrir a si mesmo, apenas olhando o caminho daqueles que encontraram o próprio. Temos apenas linhas gerais do que conseguiram. A narrativa de um estado. O estado que conquistaram ao encontrarem o caminho.

O princípio inicial é aquele em que deixamos de viver apenas para o mundo. Existe uma necessidade espiritual para uma busca. Uma busca que parece sem sentido. Entramos na busca sem saber onde iremos chegar. Até o momento em que a pergunta surge:

Quem sou realmente?

Andando por esse mundo complexo, de procura de si mesmo, vemos que as respostas dadas são insuficientes. Cada um passa por processos individuais, na busca e na procura por quem realmente se é. Perder-se nesses domínios é fácil. Dar voltas e não chegar a local nenhum, também.

Como encontrar a si mesmo? Apenas dentro de si mesmo.

Estudar ajuda. Conhecer o que dizem as diversas escolas, também. Falar com quem superou esse processo, igualmente. Pode ser essencial ou não,dependendo de cada um. Pois somos únicos.

Temos figuras separadas, sempre mal compreendidas, interessantes de serem percebidas em sua integridade. Existe o Self, ou Si Mesmo, o Eu Superior, o Segredo, nosso conteúdo "divino". O Eu, ou o Puer, a Criança Divina e Solar. O Ego, senhor das Máscaras e da Persona. E a Mente.

É assim que viemos ao mundo.

Quem sou realmente?

Jung dizia que o primeiro passo é a dissolução da Persona. Daí começa o processo de encontro do Si Mesmo. Abandona-se o coletivo, tudo que não é nosso vem para a adequação ao mundo e a sociedade. O Ego impede a manifestação do Si Mesmo. Confunde-se achando que é tudo que existe dentro de nós. Crê ser real. Necessita de atenção para manifestar-se. Atenção tanto exterior, quanto interior. Coloca-se no centro dos
caminhos internos. Atrapalha o correto funcionamento da mente. Entope nossas vias com pensamentos inúteis e repetitivos. Perde-se no eterno diálogo interior. Necessita interagir com as pessoas. Não compreende o silêncio, a si mesmo, ou o que existe fora. Não consegue compreender os outros, por não saber quem exatamente é. Olha para tudo como se fosse uma expressão de si. Onde vê, tudo espelha. É incapaz de ver o outro como esse o é, pois não consegue perceber nada a não ser a si
mesmo. Não percebe o mundo, a mentira da sociedade, os jogos de poder, a necessidade de ser para os outros.

A grande falácia do mundo é construída por ser dominado por aqueles que não dominam a si mesmos. O ego e todas as personalidades existentes dentro de nós criam um estado de confusão eterna. Um estado de necessidade eterna de expressão, de dramas, de carências, de instabilidades infindas. Todos são apenas projeções. São aquilo que o mundo dos egos projeta. Como tudo que projetam na sociedade, que crêem
ser, que lutam para construir. Constroem sempre em nome de algo. Mas esse algo nada mais é do que a própria confusão interna, o mundo sem controle do ego. Aquele vazio estranho, que gera angustia, depressões, medos, inseguranças. O mundo complexo e infantil egóico. Complexidade essa que é apenas aparente.

O ego não foi feito para comandar. É apenas parte e não o todo. E uma parte pequena, apenas uma ferramenta.

Quando o ego se torna o controlador, impõe um reino tirânico que não se mantém. Uma negação do Eu real. Ao mesmo tempo, uma caricatura desse mesmo Eu. Finge ser quem é, em nome de controle. Mas não é realmente. Quando as posturas do ego, normalmente falsas e errôneas, são postas sob pressão, ou questionadas de forma cortante, esse
simplesmente reage de forma descontrolada, com o intuito de se preservar. Assim, o ego manipula qualquer forma de auto-conhecimento real. Distorce, absorve, imita, tenta ser. Não o consegue realmente. Cria personalidades de cristal, belas e quebradiças. Inexistentes realmente. Impossíveis de se sustentar, quando o golpe é preciso.

O ego não resiste a análise. O ego demanda toda a atenção. Gosta de ser analisado. Gosta de saber sobre ele. Molda-se para ser aquilo que dizem que ele possa ser. Imita e mimetiza. Faz de conta. Diz que vai melhorar. Diz que vai colaborar. Até o tenta. O ego sempre quer evoluir, melhorar, conhecer mais. Tudo em nome de se manter no controle.. Controle que foi cedido. Mas pode não ser eterno.

Quem sou realmente?



Não, não sou essa imagem refletida no espelho. Não sou aquilo que sempre julguei ser. Não sou isso que estou vendo. Lá no fundo dos meus olhos, vejo outra pessoa. Uma pessoa que por vezes aparece em algumas fotos. Pode ser que admire essa pessoa, pode ser que a tema. Não consigo ser indiferente a ela. Em algum local, existe um outro Eu. Em algum local perdido dentro de mim.

Quando aparece essa reflexão, o ego reage. Volta-se contra si. Teme perder o controle, faz tudo para se manter dominando. A parte controla o todo. É a luta do Si Mesmo. O real dentro de si, aquele que é bestial e instintivo, contra aquele que se diz humano, cheio de valores.

E os valores começam a ser quebrados. A moral torna-se um fardo, uma ilusão, algo irreal, criado por irreais. Coletiva, inexistente, uma forma de controle. Algo que o controlador usa para se manter no poder. Moral que cria leis, que rege a sociedade dos vencidos pela parte, vivendo em nome de mentiras, surrealidades, ilusões.

O mundo de ilusões do ego. O mundo irreal coletivo. A prisão real.

Conhecer a si mesmo, é manifestar a si mesmo. É conviver consigo mesmo. Não existe fórmula lógica. Não existe explicação. É ser. Apenas e tão somente. Quem se é, não se expressa. Apenas se é.

Ali no fundo, sentado em uma sala escura, apenas observando, esperando para tomar o verdadeiro controle. Ali está quem se é.

Em volta, o controle de quem não controla. De quem não é. De quem finge ser.

O Puer, a Criança Solar, aquela que realmente conhece o Si Mesmo. Onde o Si Mesmo se manifesta. O fenômeno do Si Mesmo. O fenômeno do Eu Mesmo. Sem crises, traumas, jogos, impossibilidades.

Encontrar ao Eu corresponde a penetrar em um oceano de possibilidades.Algo mais que Quântico. Algo incontável. Descobrir tudo que se é. Tudo que realmente se gosta. Tudo que realmente dá prazer, força, beleza.

Quem sou realmente?

Apenas seja.

(Marcelo Brasil / Lista Hecate)

sexta-feira, junho 06, 2008

BANHO DE CHUVEIRO

" Segundo relatório da Unesco, órgão da ONU para a educação e responsável pelo Programa Mundial de Avaliação Hídrica, mais de um sexto da população mundial, ou o equivalente a 1,1 bilhão de pessoas, não tem acesso ao fornecimento de água doce."


- Que besteirada! - ela pensou, enquanto recordava o artigo que lera no jornal - Eu trabalho, pago meus impostos, minhas contas e o mínimo que eu mereço é ter uma vida digna com meus pequenos prazeres.

Prazer maior para ela, era chegar a casa, ligar o som e ir para o chuveiro: eram 30 minutos de ducha quente e relaxante. Não havia nada mais gostoso que sentir a água quente massageando sua pele, seus poros, descendo pelo seu cabelo, escorrendo por seu corpo inteiro e se dissolvendo em seus pés.


" Dos exíguos 2,5% de água doce existentes no mundo, porém, apenas 0,4% estão disponíveis em rios, lagos e aqüíferos subterrâneos – a Terra possui cerca de 1,39 bilhões de km 3 de água, distribuídos em mares, lagos, rios aqüíferos, gelo, neve e vapor."


Que maravilha era sentir esse banho levando embora todo o estresse; lavando toda a sujeira que se impregnava na sua pele, cabelo, mente e alma. Não havia nada melhor para uma vida saudável que um longo banho. Sentir o jato d'água limpando e renovando a beleza, a auto-estima e a própria vida.


" A situação tende a piorar, com o desmatamento, a poluição ambiental e as alterações climáticas dela decorrente: estima-se que será reduzido em um terço o total de água doce disponível no mundo. Enquanto isso, ações que poderiam reduzir o desperdício desse líquido cada vez mais raro e, portanto, precioso, demoram a ser tomadas pelas diferentes esferas governamentais."


- Que droga! - ela disse em voz alta - Não consigo esquecer esse maldito artigo.

Ela não conseguia deixar de pensar sobre as milhares de pessoas que não tinham água encanada, saneamento básico ou acesso a níveis saudáveis de higiene. Era como se ela pudesse ver centenas de famílias andando milhas para conseguir água; mães cozinhando para seus filhos com água suja; pessoas morrendo de sede, enquanto a água doce, tão abundante no Brasil e em sua casa, descia continuamente por seus cabelos e era desperdiçada.

- Eu não tenho nada a ver com isso. Quem tem que se preocupar com isso é o governo! - dizia para si mesma, tentando acreditar em algo que ela sabia que não era verdade. O governo tinha sua função a desempenhar, mas cada cidadão deveria fazer a sua parte.

Ela sabia disso, por isso desligou o chuveiro, enrolou-se na toalha e respirou fundo; sabendo que não conseguiria mais passar tanto tempo no chuveiro. - Maldito artigo! Odeio ter que mudar...

Junho de 2008
Frank Oliveira

Nota do autor: Ontem foi o Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de Junho), tudo é muito bonitinho no papel. A melhor forma de preservar o Meio Ambiente começa na torneira da nossa casa.
Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diameioambiente.html

quinta-feira, junho 05, 2008

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO DESCOBRIR O QUE SEMPRE FOI

Odlavir estava desenhando no chão da sala, quando seu pai chegou do serviço e lhe perguntou:

- O que você quer ser quando crescer?

Era difícil responder, Odlavir poderia se tornar qualquer coisa: astronauta, jogador de futebol, frentista, cantor de rock ou advogado.

- Quero ser médico! - respondeu, pensando nas vidas que seriam salvas.

- Ótima decisão. - confirmou o pai, pensando nos reais que seriam ganhos e no prestígio que ganharia com seus amigos:" Meu filho faz medicina!".

Odlavir tentou estudar medicina e para desgosto do pai, desistiu no segundo ano. Tentou entrar para a Nasa, jogar no juvenil do Santos, montar uma banda e aprender o livro das leis humanas, e acabou frentista.

E foi no posto de gasolina, entre um carro e outro, que ele lembrou de algo, que parecia estar perdido:

- Não preciso me tornar o que sempre fui. Eu sou!

Largou o emprego, brigou novamente com o pai, juntou todas as economias e matriculou-se num curso de desenho artístico. Começou como cartunista e sob as críticas do pai que dizia que ninguém nesse mundo pagava suas contas com desenho, seguiu em frente, fazendo o que gostava. Foi melhorando seu lápis, evoluindo seus traços, aperfeiçoando as formas e quando menos esperava, surgiu um convite para fazer uma animação para o cinema. O curta foi um sucesso, convites surgiram e ele acabou indo para Hollywood, onde sua mais nova animação, já rendeu mais de 114 milhões de dólares.

Esses dias ao conceder uma entrevista a um famoso talk show, quando perguntado, se ele imaginava que ganharia tanto dinheiro desenhando, ele respondeu:

- Eu não fiz pelo dinheiro, só tentei ser melhor naquilo que eu fazia. Antes de eu descobrir o que sempre fui, tentei ser tudo aquilo que queriam que eu me tornasse, até o dia em que percebi, que o que vim fazer dessa vida, já estava claro, desde que eu era moleque: desenhar. Eu sempre fui um desenhista, antes mesmo de aprender a mexer com as cores. O dinheiro, como já disse, é apenas uma consequência; surpresa mesmo foi descobrir que mesmo desenhando, podemos contribuir para um mundo melhor. Ao ver tantas crianças, junto com seus pais, se divertindo com meus filmes, percebi que não importa o que você faça na vida, se você fizer bem, é só uma questão de tempo para que todo o mundo se beneficie daquilo que você faz.

Frank Oliveira

Notas do autor: esse texto é dedicado ao brasileiro Carlos Saldanha, o animador brasileiro que ganhou destaque nos Estados Unidos. Saldanha cursou Mestrado em Artes e se especializou em animação por computação gráfica na School of Visual Arts, em NY. Carlos dirigiu vários filmes de animação, entre eles, os filmes da série Era do Gelo.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Saldanha

A estória de Odlavir, contudo, é ficcional, mais qualquer semelhança com a minha vida é puramente proposital (com excessão dos milhões de dólares).

Desenho: José Allan - grande desenhista e amigo.

quarta-feira, junho 04, 2008

CINCO MINUTOS

Cinco minutos! Só cinco minutos e eu estarei pronto, vestido, calçado. Só preciso de mais cinco minutinhos.

Juro que desperto. Prometo que lutarei com todas as forças contra esse sono "canto de sereia"; esse sono que desnorteia, que entorpece, que me deita. Só preciso dormir um pouquinho mais. Nada mais que cinco minutos, não vai haver um sexto, um sétimo - você acredita em mim?

Não! Pode acreditar. Isso não é promessa de político, não é resolução de ano novo. Não estou prometendo parar de fumar na segunda e de beber na terça. Não é voto de casamento, apenas preciso dormir mais cinco minutos.

Agora me deixa dormir. Hum...que soninho bom: cobertor quente, travesseiro macio, inércia, segurança e sono. Como é bom não pensar...

terça-feira, junho 03, 2008

20% DOS PAULISTANOS DIRIGEM EMBRIAGADOS

Ele disse que dirigia melhor embriagado.

- Quando não bebo, estou sempre tenso no trânsito. Basta algumas doses e dirijo suavemente pelas ruas de São Paulo.

- Mas é perigoso! - respondi.

- Que nada. Boa parte dos acidentes são causados por pessoas sem um pingo de alcóol no corpo. Eu sei bem o que estou fazendo. Não sou louco. Você acha que se eu não tivesse controle sobre a bebida, dirigiria assim? Eu sou o mestre da bebida e não o contrário. Fica tranquilo, eu sei o que estou fazendo.

E se foi, dirigindo seu carro com uma lata de cerveja na mão. Foi a última vez que falei com ele, antes do acidente: Ele bateu o carro em um ponto de ônibus em Santana e atropelou 5 pessoas.

segunda-feira, junho 02, 2008

AS SETES BATIDAS DAS ASAS

Na calada da noite, ao som das sete badidas das asas dos anjos, tua alma se levanta, além do corpo, alem do sono.

Pra onde tu vais?

Só quem sabe é a tua vontade, tua sintonia, teu trabalho, tua energia; mas não se altere, nem tão pouco tema, pois a alma vai e volta; muito mais serena, para o corpo das lições de um novo dia.

Quem disse?

As estrelas são testemunhas e o céu acima assina, que até mesmo voando por céus cheios de aves de rapina, tua alma volta, repleta de experiência para que teu corpo transforme tudo em sabedoria.

Portanto, antes de depositar o seu veiculo na pista, limpe bem suas asas, pois o que tu carregas nas penas, calibra a tua energia; afinal tudo é sintonia, tanto aqui quanto lá em cima.

Bons vôos e pouse suave

Frank
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