terça-feira, julho 31, 2012

O Sagrado e O Profano


Quero provar o que quero, sou teimoso, sei que erro, mas também sei que acerto.

Quero sentir o que há para sentir, sem vergonha, sem receio, pois não tenho medo de coração partido; sei que para achar a tampa da minha panela, vou sofrer, vou ser ferido; mas também sei que além do espinho, há a beleza da flor e o doce sabor das pétalas se abrindo, em cada toque, em cada carinho, nessa jornada de não estar no mundo sozinho.

Meu coração é a bússola, mas deixo o barco navegar. Na Ilha do Amor hei de chegar, mas até lá deixo meu corpo me guiar pelo mar das atrações e sintonias, tentando perceber quem não se encaixa e quem esta na minha, ao mesmo tempo que conheço cada vez mais quem eu sou e o que me fascina.


Sei que na busca do amor nada é pecado e tudo é sagrado; sei também que quem aponta o dedo, morre de vontade de provar daquilo que diz ser errado, por isso entrego-me nessa busca com todo o meu ânimo, pois desconfio que o anjo desce a terra de vez em quando, para provar do que é profano.

Com ou sem alguém vou seguindo meu caminho, com o coração aberto a quem pintar no meu caminho e me convide para a dança do “vir pra ficar”, mas se isso não rolar, pelo menos terei provado o que é, entre os seres humanos, o momento mais sagrado:
a beleza de amar e ser amado.

segunda-feira, julho 30, 2012

A Primeira Viagem da Jureminha




Jureminha foi para o Maranhão com a mãe dela; não pude ir. Adivinhem o por quê?

No aeroporto, Auri me diz:
" Olha o lado positivo: você vai ter sossego, vai dormir a noite inteira, blá, blá, blá..." - disse ela, enumerando os benefícios de ter a casa só para mim.

Dai a pouco, nos despedimos e vi minha filha acenando goodbye. Tentei não pensar muito nisso e fui embora.

Depois do trabalho, volto para a casa e descubro algo muito estranho: sinto falta da bagunça e do barulho da minha filha.

A casa silenciosa, o quarto dela vazio me deixa nervoso.

Ligo a TV, nada assisto. Vou meditar, só vejo Jureminhas acenando adeus.

Rolo na cama. O silêncio é ensurdecedor.

Não consigo dormir e dou voltas pela casa.

Ligo a TV e me vejo assistindo o Discovery Kid. I wonder why.

Não acordo, pois nem cheguei a dormir. Penso em ligar para elas, mas ainda é seis da manhã.

Acabo de completar 24 horas sem ver a minha filha. Ainda faltam 13 dias. Acho que vou pesquisar as passagens para o Maranhão...


sexta-feira, julho 27, 2012

O Bom Combate






Que demore o tempo que for, mas que seja construído com amor, carinho e dedicação.

Nada feito às pressas me interessa, já interessou, hoje sei que o que me entregam à mão é ouro de sonho, é em vão.

Por isso quero trabalhar por cada tijolo que eu precisar para construir meu castelo; quero honrar cada laço de afeto no meu casamento e deixar como legado para os meus filhos nada mais do que os valores baseados num bom trabalho, o tal do bom combate que se inicia com a nossa vontade e termina conosco sendo.


quinta-feira, julho 26, 2012

A Partícula de Deus

 
 
 
Como posso provar que Jesus existe para você se eu nunca o vi? Como posso provar a existência do que eu acredito se ela é partícula sub-atômica que muda de lugar e de nome toda vez que a agarro e tento mostrar para você?

Não posso.

Cada um percebe o Todo se manifestando em suas vidas por uma maneira especifica, para cada um há uma linha e para cada observador, essa linha faz seu riscado. Para mim, a espiritualidade é um risco em circulo, para você é um quadrado, para ela é uma linha em ziguezague e para ele deve ser uma linha que sobe.
 

Que essas linhas são distintas todos nós sabemos, mas o que não conseguimos explicar é a bobagem que sempre temos em tentar demostrar ao outro sobre a nossa linhagem. Ou essa linha se altera quando a mostramos para o outro ou o olhar do outro a altera.
 

Já perdi as vezes em que sonhei que segurava um tesouro e acordei abraçado ao vento. Deus não se prova, se experiência.
 

Nossa Espiritualidade nos olhos dos outros é uma foto sem vida, reflexão distorcida do lugar aonde sempre visitamos. Por isso, só nos resta cuidar bem dela para que ela se mantenha conosco, guiando e nos ajudando, mesmo sem revelar sua origem, o truque da magia que reside no mistério de sermos ao mesmo tempo quem procura e quem precisa ser achado.


 

Crazy

 

Quando olhamos o nosso mundo de cima, não há fronteiras, não há diferenças entre raças. Tudo é grão de areia, tudo farinha do mesmo saco. Lá de cima, as manipulações por amor, dinheiro ou poder perdem a importância. De cima, a terra cabe na palma da mão e as encrencas viram poeira no espaço.


Todos deveriam olhar o mundo de cima, principalmente quando nos atolamos em dramas e ficamos presos na areia movediça do ego. Ao olhar de cima, os desentendimentos entre amigos e amantes viram brigas de criança. Os motivos que nos levam a fazermos besteira se tornam simplesmente uma grande besteira. O que não nos deixa dormir em paz, vira apenas uma vaga lembrança.


Mas nem todo mundo quer olhar de cima, como diria Seal em sua canção” Crazy”: Em um mundo cheio de gente, somente algumas pessoas querem voar, isso não é loucura? Sim, é uma loucura, pois mesmo embora não sejamos pássaros, podemos voar e tentar enxergar as coisas de cima, basta deixar as mágoas de lado e o “ego ofendido” para perceber que todos somos culpados e inocentes e não precisamos culpar um Judas para arrumarmos o nosso quintal. Basta voar um pouquinho além do nosso orgulho ferido e das nuvens, e olhar para baixo para ver como o que era gigante tornou-se formiga.


Como formiguinhas, juntamos um gigante de melecas emocionais e transformamos nossas vidas em enredo de novela só pelo prazer de perder, ganhar e tornar a perder e ganhar. Isso não é loucura? Fácil falar, dirão os “ realistas”, mas garanto que isso também é fácil de fazer, basta abrir mão de sempre querer ganhar e perceber que não há vitória quando o outro perde, que não há sucesso enquanto outro definha, que não há motivo para usar os outros como escada para escalar as nossas montanhas. Difícil é não desejar sempre estar certo; complicado é não querer sempre ter a última palavra sobre algo.


Olhar o nosso mundo de cima, é perceber que a nossa consciência vai além dos limites do nosso corpo. A nossa consciência faz parte do corpo do outro e vai muito além do nosso quintal, expandindo-se para o lado, para o alto e para o infinito. Essa expansão da alma ocorre quando percebemos que nossos olhos podem enxergar além do nosso ponto de vista, para vermos o mundo como um palco onde o ator pode, por vezes, parar de atuar e acreditar no drama, para ver as coisas como elas são realmente; afinal ele é maior que a personagem.


Reduzindo o alcance do ego, a alma tem o tamanho do universo.



quarta-feira, julho 25, 2012

Uma Questão de Percepção



Os cientistas não sabem onde mora a consciência, eu sei: aqui dentro de mim! Ela brinca de esconde-esconde, tem vários nomes. Algumas vezes, eu a chamo de alma, outras vezes a chamo mesmo de cabeça-dura. Quanto mais vou ficando consciente dela, maior fica a minha certeza que nesse mundo estranho e lindo que vivemos, tudo é uma questão de percepção.

Se a consciência é Deus brincando de se esconder dentro da gente; a percepção é a Deusa, revelando-se e refletindo a si mesma, de fora para dentro. Acredito que os dois se enamoram, Deus aqui dentro, a Deusa lá fora, e eu no meio, observando tudo, segurando a vela da minha existência na Terra.

Existência é pouco para quem mora nesse globo, experiência é o que nos espera quando nos arriscamos além do quintal do medo de mudar o mais do mesmo. Vivo querendo mudar o mais do mesmo e muitas vezes me esqueço onde comecei essa jornada, daí as letras me ajudam e fico cronicando frases soltas que se lidas juntas provocam apenas mais perguntas.

Perguntas, gosto de saber que só vou saber mesmo a resposta quando eu morrer e o mais engraçado é que você nem vai saber que fim levei eu, pois talvez acredite que a gente kabum e kabou, e nem desconfie que o que é morte para a lagarta, para a borboleta é vôo.


terça-feira, julho 24, 2012

Ver Sem Enxergar


"- Que céu estrelado você tem aqui, moço! - disse ao homem que vive no interior.

- Céu Estrelado? - perguntou ele como se não estivesse sabendo do que eu falava - Ah, é tão comum que a gente nem nota que tái! "

Algumas idéias cruzam a órbita da nossa consciência com promessas de vir a ser manifestada, mas acabam indo embora, desaparecendo sem rastros, como se nunca houvesse existido. Eu não sou homem de se lamentar por experiências que nunca ocorreram ou chorar por pessoas que nunca conheci, porém, como bom observador, tenho percebido que as oportunidades de crescimento são como essas idéias que passam pela nossa cabeça e por uma espécie de cegueira proposital ou qualquer outro motivo, deixamos de aproveitá-las.

A vida, o universo, Deus ou seja lá qual for o nome que você der para essa providência que trabalha por trás das cortinas da coincidência e da sincronicidade, aparentemente trabalha de uma forma muito sintonizada com as nossas necessidades de aprendizado, ou seja, na hora certa surge a oportunidade adequada para trabalharmos o que precisamos aprender e construir. Contudo, é justamente nessa hora que todos os nossos escudos e armaduras são colocados para proteger a nossa zona da preguiça mental e deixamos a oportunidade passar como se ela nem tivesse ocorrido.




Vemos mas não enxergamos.

Meu receio é que as oportunidades não abraçadas, assim como essas idéias não-aproveitadas, possam começar a desaparecer; não por terem sumido, mas porque desconfio que podemos chegar ao ponto onde por tamanha vontade de manter a ignorância ou por não darmos a devida importância, passaremos a perder a percepção de notá-las.

E haja vidas e ciclos destrutivos para treinar essa percepção novamente e voltar a enxergar o que se apresenta a um palmo da nossa ação.

segunda-feira, julho 23, 2012

Comendo Areia



Jureminha foi para a praia pela primeira vez. Na verdade, a segunda, mas aquela primeira vez com chuva não conta.

Dessa vez, apesar de uma fina camada de frio vindo da Argentina, o sol que veio soprado da Paraíba reinou e minha filha pôde, enfim, provar a grande experiência de ir a praia pela primeira vez: comer terra!

Para desespero da mãe que tentou impedir o inevitável, Jureminha se esbaldou na areia. Nada mais natural para um bebê que ainda experimenta tudo pela boca.

Após o ataque de pânico dos pais, ela passou a construir castelos, bonecos e esculturas de areia e tudo aquilo que esperávamos que ela fizesse. Do jeito dela, of course!

 

sexta-feira, julho 20, 2012

A Verdade sobre o Casamento



Perguntaram hoje para mim, no horário do almoço, como consegui ficar tanto tempo casado. É uma pergunta bem comum nas rodas de amigos, quando conto que estou casado a quase oito anos. Estranho como essa pergunta vem acompanhada de um certo preconceito ou mesmo indignação, afinal, como eu ouso estar a tanto tempo casado, num mundo de casamentos relâmpagos e divórcios trovões. Sempre respondo com bom humor, dizendo que o meu casamento é eterno porque não vai durar pra sempre. Eles se assustam, mas é difícil mesmo explicar que casamento não tem obrigação de durar...

Um casamento não é feito de sociedade, de papel passado ou de alianças. Um casamento não é feito de promessas hipócritas de fidelidade eterna ou de lealdade prisão. Um casamento não é uma fuga da casa dos pais ou da casa do medo de passar a vida inteira sozinho. Um casamento não é uma união fútil em nome da religião, do “bucho” não esperado ou do interesse. Quem é casado de verdade, não precisa de anel, seus corações fazem a ponte para o sempre, ligando-o sem nome da manifestação do amor.

Casamento é uma parceria, um contrato espiritual entre duas pessoas, que independe de sexo, raça, crença e aparência. Contrato espiritual, pois o laço que une um casal não pode ser descrito por idioma algum, só expresso pela linguagem dos corpos, pela expressão no olhar, pela comunicação entre ouvidos quando se troca sussurros de amor. Contrato que nenhum padre, pastor ou guru possa sacramentar, pois o amor por si só é sagrado, dado incondicionalmente no encontro do olhar, na amizade profunda que não mais satisfeita em abraçar, quer estar dentro, fora, num eterno se encontrar e compartilhar.



Qual o segredo para que um casamento dure mais que um dia, um mês, um ano? Não há segredos, pois pessoas casadas de verdade estão tatuadas de liberdade. São almas livres que sabem que nada dura para sempre e ainda, cada segundo ao lado um do outro é eterno; pois se vive o presente, sem perder tempo com amanhã. Liberdade nascida do respeito, da amizade e da consideração que ambos carregam e permeiam na sua união. Liberdade de compreender que os dois possuem visto para o país do Voltar a Ficar Sozinho, se for esse o destino que um deles optar. Liberdade para compreender que se é tempo de partir, pior seria ficar por pena, lealdade ou em nome da história do casal.

O casamento não é perfeito, pois nada nesse mundo está livre da “dualidade”. Há momentos bons e outros momentos não tão bons assim. Há arranca rabo, há brigas infantis onde se fica de mal e de bem no cair de um amanhecer. Há quebra pratos, arranha Cds e há também greve de carinho, de sexo e de sorriso; mas o casal sabe que embora isso ocorra vez ou outra, estar junto é bom demais para brigar ou para se viciar em jogos de gato e rato. Desentendimento ocorre, desrespeito é intolerável.

Casamento não permite possessão, ciúme doentio, nem tão pouco libertinagem, pois liberdade exige respeito, consideração pelo parceiro (a), e acima de tudo, respeito por si próprio, pois somente dando o devido valor a si mesmo, conseguimos valorizar algo tão precioso como a união entre duas pessoas.

Casamento deriva da palavra casa e isso nada tem a ver com teto, tijolo e garagem. Quando encontramos alguém que valha a pena dividir a nossa casa (corpo, mente e espírito) encontramos um lar; lar que carregamos conosco onde quer que formos.

Por fim, esses casamentos (e são raros) sustentam-se por tanto tempo, pois há uma preocupação constante em renovar-se; em surpreender quem acha que já viu e sabe todos os truques; em arrumar-se; embelezar-se, pois cada dia ao lado de quem se ama é uma festa, uma celebração em que precisamos vestir a melhor roupa, arrumar a casa e não se esquecer nunca de reconquistar e namorar..




quinta-feira, julho 19, 2012

Três Letrinhas



Como é difícil dizer não, escapar do que não queremos fazer, pode ser fácil para você, mas para mim não é.


Não consigo me soltar dessa teia que eu mesmo teci, prendendo meus braços e pernas, meu ser; tapando a minha boca num grito mudo de não conseguir dizer: não!



Não! Três letrinhas, um poder gigante. Talvez tenha sido a primeira palavra que aprendi, meus pais dizem que não. Tudo o que eu sei é que ao dizer não somos revestidos de super-poderes: ganhamos a habilidade de não engolir em seco, a rapidez de fazer as coisas direito, o peito de aço do próprio-respeito e vôo do amor a nós mesmos.


Dizer sim para os outros o tempo inteiro é kriptonita drenando o nosso direito de ir e vir e dizer na cara do sujeito: não! Porém, continuamos dizendo sim em detrimento a nossa vontade, a nossa verdade, a nossa lealdade para felicidade de quem nos manipula com o veneno da falsa ternura e na primeira oportunidade nos dirá sem remorso: NÃO!!!!




quarta-feira, julho 18, 2012

Tempo de Validade



Ela estava ao meu lado, quando acordei essa manhã. Como todas as manhãs em 07 anos de casamento, olhei pro seu rosto, toquei o seu cabelo, fiquei observando ela dormindo e agradeci aos céus por ela estar ali. Não queria acordá-la, tinha um plano secreto de ir até a padaria, comprar pão, preparar o café e levar na cama. Adoro fazer isso. Fico tão feliz quando ela acorda e vê a bandeja com o desjejum e sente o cheiro do café. Talvez por ser uma desastre na cozinha e mal  conseguir fritar um ovo, que empenho todas as minhas forças para que o café seja perfeito. Eu a amo, mas sei que mesmo com todo o meu esforço, não há garantia que ela sempre esteja ali.



Na semana, corremos como ratos em busca do nosso queijo: café na padaria, beijos trocados em ônibus lotados e abraços de despedidas dentro do vagão do metrô. Durante o fim de semana, as manhãs de Sábado e Domingo são sagradas, e o café na cama faz parte do ritual de parar o tempo e fingir que somos dois planetas girando na órbita do nosso sol amor. Sim, sou romântico, até onde consigo ser; acredito que todo o homem tem a obrigação de tratar sua mulher como uma rainha, afinal se ela não merece ser tratada como tal, porque diabos, ficar ao lado dela?

Nem sempre pensei assim, mas agora acredito que se você tem um amigo, uma namorada, uma mãe, uma família, nesse mundo tão descrente em amor, você tem toda a riqueza que um homem precisa durante a vida para estar realizado. Aprendi isso com a vida, pois amar é aprender na prática, afinal, o amor não vem com manual.

Na escola, não aprendemos a amar e respeitar a nossa família; são as brigas, as picuinhas e ainda assim o suporte mesmo quando estamos errados, que nos ensinam o quanto é eterno o laço que nos une. Na rua, não aprendemos a amar uma mulher; são os relacionamentos destruídos por ciúme, insegurança e imaturidade, que nos molda pouco a pouco para que percebamos, que estar ao lado de alguém é uma dádiva, um presente, uma chance de moldarmos a realidade e ser felizes com algo que não seja descrito em cifrões.

Amar é cuidar, é sentir vontade de sorrir quando quem é amado por nós está feliz. Amar é ser amado em retorno. Amar é sentir que vale a pena continuar a acreditar que esse amor irá durar pra sempre. O problema é que nem sempre dura...

Sim, há chance de uma hora o mundo separar até mesmo os casais que parecem estar mais apaixonados. São muitos os motivos: outra pessoa, um novo caminho em que exige apenas dois pés e não mais quatro, mas seja qual for a razão, embora o fim de um relacionamento seja, assim como a morte, inevitável; há em nossas mãos, sempre uma chance de transformar outono em primavera.

Aceitar que alguém tem o direito de partir, não significa permanecer o tempo inteiro à espera que isso aconteça; pelo contrário, é reconhecer que as pessoas mudam e se o casal souber mudar junto, renovar-se e mantiver o relacionamento sempre baseado no respeito e na amizade, esse amor, que aparentemente tinha prazo para acabar, voltará a se revitalizar e irá durar outros tantos ciclos e cafés na cama aos domingos.

O amor não nos dá garantia de quanto tempo irá durar; mas a maneira como tratamos quem está do nosso lado especifica se o nosso amor já passou da data de validade.





terça-feira, julho 17, 2012

Dona Maria: Cheia de Graça




Segue abaixo texto que minha irmã escreveu e que diz tudo sobre minha mother:

Hoje é Aniversário da Minha Mãe!

A Mulher mais Guerreira que Conheci na Vida!

A Mulher que me inspira a Superar Obstáculos!

A Mulher que me inspira a Mudar de idéias!

A Mulher que me Inspira a Crescer!

A Mulher que me Mostra na Prática o que é Vencer!

Dona Graça é uma Graça em Minha Vida e em todas as que possa lhe Conhecer!

Dona Graça é minha Dádiva, Presente direto do Criador!

Papai e Mamãe do Céu, Gratidão Pela Melhor Mãe que poderia receber nesta Terra Abençoada por Deus!

Mãe que seus Dias sejam Longos em Alegrias, que a Saúde lhe envolva diariamente,que o Amor te Cubra em Carinhos e seus Sonhos ainda não realizados sejam-lhe entregues com Maestria na hora Oportuna determinada pelo Criador!

Mas eu como filha desejo que seja o quanto antes também,rsrsrs

TE AMOOOOOOOO DE TODO MEU CORAÇÃO!!!!


By Cláudia Cristina



Herança Aborígine


Ao cair da noite, o chamado ecoa pelo ar. O ancião aborígine no alto da pedra vermelha gira um instrumento que ao entrar em contato com o ar emite um som que lembra o bater de asas de um pássaro gigante.

A celebração da Terra esta prestes a começar.

A fogueira ilumina o lugar, as sombras brincam nos rostos de cada homem que vai chegando e tomando sua posição no círculo ao redor do fogo. Com a pele tingida de branco e lanças torneadas com fitas vermelhas, os aborígines começam adançar e a cantar. O ritmo é mantido pelas batidas dos pés, pelo digerido o (um instrumento de sopro) e pelo canto que ora lembra o som das batidas do coração, ora parece ser a própria noite gritando: Estou chegando!


Não demora muito e todos parecem ter entrado numa espécie de transe. O ancião fala alguma prece em meio a música, deixando todos que estão assistindo a apresentação com uma estranha sensação que só pode ser descrita por: Uau!!!

- É tão místico, né meu bem? - Fala uma mulher do meu lado para o seu marido.

- Místico? - penso comigo – Não tem nada de místico não, dona. É só outra cultura que temos aqui nesse planeta, com uma história única, recheada de significado, sabedoria e poesia, de um povo, que por uma razão ou outra, decidiu viver de uma maneira diferente da que escolhemos.

A cultura aborígine é uma das mais ricas e antigas do mundo e vivem por milênios na região, que hoje é conhecida como Austrália. Durante boa parte da sua convivência com os “descobridores”, eles foram massacrados, roubados e quase tiveram a sua cultura e fé destruída pela boa intenção “branca” de modernizar o primitivo, mas apesar de tudo, sua cultura ainda permanece forte e bela. Essa apresentação, junto com o lançamento de um filme, exposição fotográfica e palestras, tentam levar ao mundo um pouquinho da cultura e luta desse povo para permanecer na terra dos seus ancestrais.

O espetáculo continua, e a dança da terra termina de forma brusca dando lugar a uma fumaça que representa o mundo do sono. A Dança dos Sonhos esta prestes a começar. Eles dançam e na tela por detrás dos dançarinos, surgem imagens de pinturas lindíssimas que representam os sonhos e seus significados.

Para o aborígine, sonhar é uma oportunidade preciosa de conhecer sobre a própria vida e o papel de cada um no mundo; além de ser inspiração para poesias, músicas e todo tipo de arte. Desde criança, eles são educados a prestar atenção e tentar lembrar dos seus sonhos, por que ao sonhar, eles acreditam que o espírito de cada pessoa entra em outro mundo e pode conversar com seus antepassados.


No final da apresentação, as palavras do ancião foram traduzidas para todos:

“Para o nosso povo, a Terra é a base de nossa existência. Desde cedo,aprendemos que ninguém possui a terra, é ela quem nos possui. Há terra para todos, terra o bastante para vivermos em paz cultivando e cuidando dela, mas parece que todos os outros povos estão mais preocupados em possuir a terra dos outros do que cuidar da sua.

O sagrado não se encontra na crença que precisamos cuidar bem da terra e um do outro, mas sim na própria ação.

Nosso povo há séculos vem passando de pai para filho a tradição do bem cuidar do nosso lar. Essa tradição que é a nossa herança. Essa herança não é só para os nossos filhos, mas pra todos aqueles que se interessem pela nossa cultura.

Ao cuidar da terra ou um do outro o efeito é como o vôo de um bumerangue, pode demorar, mas ele sempre volta para você.”

Todos se levantam e aplaudem com entusiasmo. O ancião sorri junto com os dançarinos. Nos seus olhos um brilho de quem sabe que apesar da maioria das pessoas estarem ali só pelo exótico de observar uma apresentação como aquela, outra boa parte conseguiu enxergar a beleza e sabedoria por trás do diferente. O recado estava dado.


segunda-feira, julho 16, 2012

ABRE!!!!













Como qualquer educador observo com atenção a aquisição e uso de novas palavras pela minha filha. Com uma lista de palavras na mão que supostamente deveria ser fácil para a Jureminha aprender, tento em vão fazê-la repetir palavras tais como bola, casa, carro e gato; contudo, como é de praxe com criancinhas que desde cedo já desafiam seus pais, Jureminha passou a aprender palavras que jamais cheguei a tentar ensinar; uma delas tem me feito repensar minhas teorias de aquisição de língua por bebês: “abre”!

Basta acordar, engatinhar um pouco pela casa, para ela apontar para a porta e dizer: “abre”!

Talvez vocês achem que eu esteja exagerando, mas de acordo com 9 entre 10 especialistas da fala, a aquisição de palavras com consoantes mudas por bebês é bem raro. Ela poderia dizer: “abe”, mas a pronúncia do “br” é bem forte e articulada: aBRe!

Eu acho que minha filha vai ser um gênio da fala, minha mulher que é mais realista acredita que a razão pela qual a Jureminha aprendeu tão bem a palavra “abre” é por que a pequena, nos últimos tempos, não consegue ficar quieta em casa e só quer ir para rua. Basta aBRir a porta para ela gritar de alegria.

Será esse o mistério da palavra adquirida?

sexta-feira, julho 13, 2012

Começo, Meio, Fim...


Ele parecia comigo, uma versão mais velha e sábia. Alguém que eu poderia vir a ser, por isso o mundo arranjou aquele encontro. Ele tinha uma história para contar e eu, uma lição para ouvir.

- Perdi a mulher que amava para a vida, mas essa é uma história de amor com final feliz. – disse ele, tomando seu café.

- Como pode ser uma história com final feliz se vocês não estão mais juntos? – perguntei.

- Por ter conseguido aceitar que ela precisava ir...

Quando ela foi embora, alguma coisa quebrou dentro de mim – poderia dizer que foi o meu coração – mas descobri que o que quebrou foi um jarro de vidro repleto de apego. Sim, o apego é um jarro que vai se enchendo à medida que nos apaixonamos.

Quanto mais apaixonados estamos, mais cheio fica o jarro e a cada briga, cada ameaça de separação, o corpo aciona o alarme, mandando os nervos carregarem a mensagem: perigo!

Perigo porque quando o jarro se quebra, estilhaços de apego envenenam o sangue da razão, deixando o castelo aberto para a invasão do exército das emoções que aterrorizam o pobre apaixonado com ameaças de solidão.

Acontece que a solidão só assusta quem tem medo de ficar sozinho. Oxalá, todos vivessem bem sozinho, assim na ocasião de uma separação, não haveria tanta amargura, tanta briga, tanto apego e sim apenas um bye bye, so long, well well. Não haveria um buraco tão profundo e escuro esperando quem foi deixado. Eu nunca soube viver sozinho e paguei o preço.

Quando ela disse adeus, cai nesse buraco e percebi que perdi o controle das lágrimas. Tomei um banho de choro e essa chuva não lavou minha alma, porque era água do jarro que quebrara e quem chora por apego, chora por si mesmo e não pela pessoa amada.

O amor deixa ir, o apego exige ficar.
O amor é oculto, o apego é presente.
O amor não espera retorno, o apego é carente.
O amor é ouvir, o apego é falar.
O amor é respirar, o apego é sufocar.
O amor é atemporal, o apego faz aniversário.
O amor deixa ser, o apego é estar.
O amor é aprender, o apego é só querer ensinar.

Foi isso que aprendi, pois quando ela me deixou, liberou a força do meu amor que estava sufocado no peito, tentando respirar. Esse amor agora exige que eu continue a viver, viver bem comigo mesmo. Esse amor é o amor por si próprio que todos deveriam sentir. Coisa que nunca fiz, mas já está na hora de aprender e começar. Por isso te disse que essa história tem final feliz. Quem não aprende a viver sozinho, passa toda a vida apegado a idéia de ter alguém para nunca estar só.

quinta-feira, julho 12, 2012

Um Leitor


Já pensei em desistir de escrever, mas não gosto de ponto final. Sonho em me tornar um escritor, sonho com o dia em que receberei por palavras escritas (não precisava ser muito), sonho que meus manuscritos se transformam em livros expostos nas vitrines das livrarias do meu ego; sonho e sonho, mas continuo escrevendo por prazer, por que quando escrevo, percebo que estou lá por inteiro, mesmo que eu não receba dinheiro.
Não consigo parar, nem mesmo quando recebo de volta a carta que enviei com o manuscrito que jurava que se tornaria um novo best seller. Não consigo parar, nem quando recebo o e-mail de um leitor furioso criticando cada linha e me acusando de ser assassino da língua portuguesa.

Não consigo parar, porque as frases jorram naturalmente e exigem manifestação. Sou um médium da criação, psicografando meu coração que não cala, e diz que não tenho opção a não ser escrever, descrever e narrar.

Escrevo por que adoro a festa do texto terminado, da crônica perfeita, da poesia simetricamente montada, da sopinha de palavras que vira picanha declarada.

Escrevo por que há uma força maior guiando meus dedos, minhas mãos na busca do titulo certo que abre o show da banda das palavras. Força maior que se chama inspiração, mas poderia se chamar apenas prazer de escrever.



Escrevo por que se houver ao menos um leitor, minha missão estará cumprida, a tarefa das palavras terminada. Se houver ao menos um leitor, minha função como escritor estará realizada.

quarta-feira, julho 11, 2012

O Equilibrista Zen do Metrô Lotado


 
O Equilibrista avança pela multidão. Com passos firmes, porém cautelosos, ele segue pela corda bamba , nas linhas do metrô...

Todos os dias brinco de equilibrista nos vagões do metrô. Há tempos parei de me irritar com as pessoas empurrando umas as outras para entrar no trem lotado, com as porradas do time do “sem querer”, com os idosos e mulheres grávidas sendo espremidos, com a falta de organização e paciência tanto dos usuários quanto do sistema metroviário com suas operações tartarugas em horários de pico. Não me irrito mais, pois criei a meditação Zen do Metrô lotado.

Essa meditação consiste em adaptar meu corpo e minha mente ao espaço que tenho entre as pessoas no vagão e o tempo que passo dentro do trem, de forma que eu permaneça sereno e em paz até descer na minha estação; em outras palavras, cuidado extra para não pisar no pé de alguém, cuidado redobrado para não dar uma cotevalada na senhora sentada, no rapaz com a mochila gigante que ocupa espaço para três e extrema calma para não mandar a merda o sujeito que insiste em ler meu livro mais rápido que eu e fica irritado quando não viro a página.

Nessa experiência de ensardinhamento humano que passo toda manhã para ir trabalhar, uso essa técnica, que inclui também controle respiratório, para evitar os odores provindos dos sovacos alheios e demais fedores de pessoas que na falta d´água, tomam banho de perfume ou tiveram a idéia ridícula de comer batatinha frita com cheiro de óleo vencido dentro do metrô. Além de romper a barreira da física e ocupar um espaço com outras três pessoas, que não caberia uma.
Com essa técnica já aprendi também o ritmo corporal certo para evitar encoxar ou ser encoxado; e (o que é mais importante) já não faço esforço algum para descer na estação certa, basta me deixar levar pela massa quando as portas do trem abrem.

Interessante é que antes do advento do bilhete único, esse problema era restrito as horas de pico, nos dias de hoje, qualquer horário do dia ou mesmo nos fins de semana enfrentamos estações abarrotadas, atrasos e a eventual necessidade da meditação Zen para enfrentar os vagões formigueiros. Não tenho nada contra o bilhete único em São Paulo, e nada mais natural, ocorrer um aumento de usuários, mas tenho todas as razões para reclamar do serviço prestado. Isso se ao menos eu conseguisse ser ouvido ou lido, pois o telefone de atendimento ao cliente está sempre ocupado e as dezenas de cartas de reclamação que enviei, jamais foram respondidas, se é que foram lidas algum dia.

Segundo a assessoria de impressa do Metrô de São Paulo: “tudo está perfeitamente bem. Não há justificativa para aumentar a rota”. Eles possuem toda a razão para acreditar nisso, afinal, o fluxo da grana dos passageiros não para de aumentar e para quê gastar e melhorar os serviços, se o número de novos usuários não para de crescer?

Como não tenho muita escolha (utilizar ônibus é uma jornada pelo inferno de Dante e dirigir em São Paulo é um risco constante), continuo utilizando minha técnica Zen no metrô e não perco a esperança que o serviço melhore um dia para que eu possa não só deixar de ser equilibrista, como também deixar de ser palhaço.

terça-feira, julho 10, 2012

O Dançarino da Chuva


Visto de cima, as ruas de São Paulo pareciam os canais de Veneza, mas ao invés de gôndolas, carros, que lutavam contra a correnteza dos rios transbordados e dos bueiros entupidos. As pessoas que se aventuravam em meio à tempestade, lembravam salmões, nadando contra a corrente, com seus guarda-chuvas que não guardavam o vento.



Queria pegar algum vaporeto (NR: Barco-ônibus veneziano de passageiros), mas nenhum passava perto do porto em que eu estava; porto ironia, um restaurante de frutos do mar. Sou um Pisciano que não come peixe (solidariedade, talvez) e fui parar naquele lugar, por pura falta de opção, pois já era 3 da tarde e eu precisava me alimentar pelo menos com a salada que eles serviam por lá.


Depois que paguei, esperei na porta que o tempo bom fosse servido como sobremesa e junto com outros tantos fiéis da Igreja da Chuva que Cai, rezamos a São Pedro, a Netuno e a Oxumaré que dessem uma trégua, que parasse a chuva, só para que voltássemos aos nossos escritórios, mas os deuses tinham outros planos e a chuva continuou desafiando que a enfrentássemos.


Não me arrisquei, os outros que estavam ao meu lado, também não; mas um mendigo parecia brincar de Gene Kelly dançando na chuva. Ele fazia isso, provavelmente, porque não tinha que trabalhar, mas confesso, senti inveja do homem, pois o menino que há em mim, também queria brincar.
Cresci no deserto nordestino e a época de chuvas era uma festa nas ruas. Um musical ao som do ritmo da chuva, em que meninos arriscavam passos nas poças. Eu fui um desses meninos gotas que sem medo de raio ou trovão, não paravam de dançar. Agora vestindo a roupa adulta, pareço ter medo da chuva ou ao menos medo de me molhar.


A verdade é que eu não estava mais no sertão nordestino e era até meio ridículo, ver aquele mendigo, sem nada mais o que fazer, dançando para a platéia de chuvafóbicos, mas antes que eu retornasse para dentro do restaurante, percebi que todas as pessoas na porta também não desgrudavam o olho do mendigo que parecia despertar meninos no olhar de cada um.


O transe durou até que a chuva parou por alguns segundos e corremos todos de volta para os nossos escritórios, sem olhar para trás, sem olhar para o mendigo que continuava brincando de se molhar.

Professor Frank Oliveira

segunda-feira, julho 09, 2012

Como ensinar linguagem de sinais ao seu bebê


Por Fatima Calado

   

Muitos pais já ouviram falar de linguagem de sinais para bebês, mas podem não saber por que é que a sinalização desses bebês é uma coisa positiva. Além disso, eles podem não saber como começar a sinalizar com o seu filho. Neste artigo vamos ver para os benefícios da sinalização com bebês e como ensinar o seu próprio bebê como sinalizar.

 

A principal razão pela qual sinalizar com os bebês é tão benéfico é porque reduz a frustração. Bebês são capazes de fazer simples sinais muito antes de terem a capacidade de falar. Muitas vezes vemos bebês acenando tchau ou colocando os braços no ar, quando eles querem ser carregados; estes são simples gestos, ou sinais, que os bebês são capazes de fazer numa idade precoce. Então, é lógico que eles poderiam usar as ações para dizer muito mais. Sinalizar com o seu bebê lhes dá as ferramentas que eles precisam para comunicar suas necessidades para você antes que eles possam conversar.

 

Eu quero compartilhar com vocês uma história da minha filha. Quando ela tinha dez meses de idade, minha filha sabia quase uma dúzia de sinais, principalmente sinais de alimentos. Um dia ela estava comendo Cheerios e sinalizou 'mais'. Eu dava mais e ela atirava no chão e sinalizava "mais" outra vez. Eu disse-lhe: "Então você não quer mais... o que é que você quer?" Ela olhou para mim e sinalizou "mais queijo '. Fiquei espantado por duas razões:

 

1. Ela colocou duas palavras juntas uma frase aos dez meses.

 

2. Não havia queijo à vista. Eu não tinha oferecido queijo durante esse lanche e ela ainda era capaz de comunicar-me claramente o que ela queria.

  
Eu posso imaginar como teria sido frustrante para ela se ela não tivesse sido capaz de me dizer o que ela queria.


Uma das razões que a sinalização funciona tão bem com os bebês é porque eles tendem a ser aprendizes visuais. Eles são capazes de aprender e reter mais informações quando as vêem, em oposição à mera audição delas. Com linguagem gestual, eles são realmente expostos a três modos de aprendizagem:


1. Visual - eles vêem o sinal sendo feito.

 

2. Auditivo - eles ouvem o sinal sendo feito.

 

3. Cinestesia - Eles sentem o sinal sendo feito.



 

 Além disso, nós entendemos a linguagem, no lado esquerdo do nosso cérebro como um som e nós entendemos a língua gestual, no lado direito do nosso cérebro como uma imagem. Isto nos dá dois lugares para recordar uma palavra. Neuro-cientistas agora dizem que quanto mais cedo pudermos ligar os dois hemisférios do nosso cérebro, mais "poder cerebral" iremos usar. Tem havido estudos em animais que mostram que bebês que sabem sinais usam mais o seu cérebro do que os bebês que não sabem. Sem que bebês que sabem sinais são expostos a mais linguagem do que bebês que não sabem bebês porque os pais tendem a jogar a linguagem neles assim que eles começam a fazer sinais. Os pais, outros adultos e crianças mais velhas ao redor da criança tendem a querer ver que outros sinais o bebê pode fazer, e por isso ele é exposto a mais estímulos de linguagem.


Alguns pais temem que os sinais podem atrasar a fala, mas isto não tem qualquer fundamento na realidade. Não existe uma ciência que demonstra que a linguagem gestual irá impedir o seu filho de falar quando ele ou ela está pronto. De fato, houve vários estudos que têm demonstrado que os sinais promovem a fala. Muitos pais relatam que as primeiras palavras do seu filho, muitas vezes são as palavras que eles já conhecem os sinais.


Saiba que você não precisa ter nenhum conhecimento prévio de linguagem gestual, a fim de sinalizar com o seu bebê. Como você está ensinando seu filho um sinal específico para uma palavra específica e não toda a gramática e a sintaxe da linguagem, será muito fácil aprender com o seu bebê.

 

1. Escolhendo LIBRA vs sinais inventados. Alguns pais se perguntam se eles devem usar a linguagem brasileira de sinais (Libra) ou inventar os seus próprios sinais. Eu sempre incentivo os pais a utilização a linguagem correta de sinais por uma série de razões. Por uma coisa, você está ensinando seu filho uma verdadeira linguagem que eles poderiam potencialmente utilizar no futuro. Um estudo recente mostrou que, na verdade, os bebês têm uma preferência a linguagens reais do que linguagens não reais. Porque a linguagem já existe, você não precisa se preocupar em 'inventar' um sinal e, em seguida, lembrar o que você fez. Se você esquecer o sinal de 'mamãe', você pode facilmente procurar o sinal Libra. Isso ajuda a manter a coerência enquanto você ensina. Há quem se preocupe que os sinais Libra são muito difíceis para os bebês, mas eu sempre digo, não subestimem o seu bebê. Quando a minha filha era um, ela adorava kiwi, mas o sinal de kiwi é soletrar KIWI com os dedos. Eu decidi ensinar a ela os inal correto e ela foi realmente capaz de mover as mãos de uma maneira que parecesse como kiwi (ela não estava realmente soletrando a palavra, mas ela tentava). Você pode vê-la fazendo este sinal neste vídeo do YouTube. Creio também que existe um valor real em ensinar o alfabeto manual ao seu filho. Minha filha foi capaz de sinalizar o alfabeto quando ela tinha apenas 15 meses de idade, portanto, está dentro da capacidade do seu filho. Também foi provado para que ajuda os estudantes com as suas habilidades de soletrar quando eles envelhecem. Muitos pais colocam os seus filhos no francês ou espanhol, em uma idade precoce; isto não é diferente. A Libra é uma linguagem verdadeira - uma das línguas mais utilizadas na América.

   

2. Como começar? Eu recomendo que os pais comecem com 2 a 5 sinais. Isto não é para o bem do bebê, mas sim, para os pais. Porque a linguagem de sinais não acontece naturalmente para a maioria das pessoas, ela pode ser um desafio para manter a prática, principalmente se for preciso algum tempo para seu filho sinalizar devolta para você. Você pode sinalizar quantos sinais quiser, mas certifique-se de sempre sinalizar os seus 2 a 5 sinais escolhidos cada vez que você diz a palavra. Por exemplo, se um dos seus sinais é "leite", então toda vez que você dê ao seu bebê leite, sinalize-o também. Isso ajudará o seu bebê a perceber que suas ações têm algum significado. Os sinais que eu recomendo são os seguintes:

 

·Leite

 

·Mamãe

 

·Papai

 

·Mais

 

·Comer / alimentar

 

·Acabou

 

·Ajuda

 

·Machucado

 

·Qualquer sinal de comida.

 

  3. Como introduzir os sinais na sua rotina diária. Um dos sinais que todos os pais usam é"leite". Toda vez que você oferecer um pouco para o seu bebê, certifique-se perguntar: "Você quer um pouco de leite?" enquanto fazo sinal para o leite. É importante dizer sempre a palavra quando você faz osinal. Lembre-se, é uma maneira para o seu bebê se comunicar com você e não para você se comunicar com ele / ela. Enquanto seu bebê está bebendo, você pode pegar suavemente a mão dele e apertá-la para mostrar como se sente ao fazer o sinal e dizer: "Esse é o sinal para o leite". Se você esquecer defazer o sinal um dia, não se preocupe, basta fazê-lo na próxima vez. No entanto, quanto mais coerente você for, mais rápido o seu bebê irá aprender. Para ajudar a reforçar os sinais de 'mamãe' e 'papai', você pode jogar um divertido jogo de esconder. Faça o pai segurar o bebê e a mãe sair de vista. Faça o pai perguntar ao bebê, "Onde está a mamãe?" utilizando uma voz muito animada enquanto faz o sinal de 'mamãe'. Pergunte algumas vezes e então a mãe deve entrar na sala e dizer: "Aqui está a mamãe!" enquanto faz o sinal de 'mamãe'. O pai também pode mover a mão do bebê para fazer o sinal mamãe. Troque os papéis e, em seguida, a mãe segura o bebê e perguntar: "Onde está o papai?" enquanto faz o sinal.

   

4. Tente ser coerente. Quanto mais consistente você for, mais rápido o seu bebê vai aprender o sinal. Se você fizer o sinal toda vez que você dizer a palavra, então o seu bebê vai logo perceber que o sinal e a palavra falada são a mesma coisa. Depois que seu bebê percebe que um sinal pode ajudá-lo buscar o que ele quer, então será muito mais fácil ensinar-lhe novos sinais. Depois que minha filha entendeu que tudo tem um sinal, nós só tínhamos que fazer um novo sinal uma veze ela aprendia. No entanto, se você não está com vontade de sinalizar um dia, tudo bem - não seja muito duro com você mesmo.

   

5. Procure por sinais motivacionais. Depois que seu bebê aprendeu alguns sinais e você deseja introduzir novas palavras, sugiro à procura de sinais "motivacionais” ou coisas emque seu bebê está interessado. Se o seu bebê adora bananas, então ensine-o osinal para bananas; ele será motivado a aprender esse sinal. Se ele detesta ervilhas, então não vale a pena tentar ensinar um sinal que ele nunca vai usar. Alimentos, brinquedos e animais tendem a ser grandes sinais motivadores para os bebês.

 

6. Torne divertido e procure por momentos “ensináveis”. Se não for divertido, o seu bebê não vai estar interessado em aprender e vai ser uma tarefa difícil para você. Você pode jogar jogos de sinais com seu bebê. Porexemplo, se seu bebê gosta de livros, você pode mostrar-lhe os sinais para asimagens do livro. Este tipo de aprendizagem é "ativa", ao invés de uma aprendizagem "passiva". Quando você pede ao seu filho para mostrar-lhe o sinal para o que está no livro, ele está participando ativamente da história ao invés de apenas sentar e ouvir. Ao ensinar os sinais ao seu filho durante a leitura, você vai descobrir que eles estão mais empenhados na lição.Torna-se um jogo e as crianças adoram ser interrogadas

   

7. Não desista! Este é provavelmente a dica mais importante! Alguns pais desistem muito cedo. Eles ficam frustrados porque os seus bebês não devolta para eles imediatamente. Lembre-se de que quanto mais consistente você for, mais rápido eles vão aprender os sinais. Nunca vi um bebê não conseguir aprender quando seus pais foram consistentes para ensiná-los. Seja paciente e fique apenas com alguns sinais até que o seu bebê aprenda.


Fonte: http://www.comofazertudo.com.br/fam%C3%ADlia-e-relacionamento/como-ensinar-linguagem-de-sinais-ao-seu-beb%C3%AA



sexta-feira, julho 06, 2012

Força Verde


Desligou a moto-serra por um momento e olhou pra árvore. Ela era gigantesca e parecia quase tocar o céu. Tinha uma beleza singular e ele teve a impressão que a árvore realmente era viva como diziam esses “doutores” do sul do país que volta e meia surgiam pelas redondezas para protestar ou tentar ensinar o povo daquela região como viver. O que eles sabiam sobre a vida dos ribeirinhos? O que eles, tendo crescido com todo o conforto da cidade grande, sabiam sobre alimentar dez bocas e sobreviver numa terra de ninguém?

Talvez soubessem uma coisa e outra sobre as árvores, mas não tinham direito de aparecer ali para atrapalhar a vida de quem tentava sobreviver no Amazonas. As coisas não estavam tão bem, alias, nunca estiveram; mas a seca tinha matado os peixes, a falta de chuva destruiu a lavoura e só restava o trabalho com a moto serra. A empresa do sul do país pagava mais por uma árvore caída que toda a pescaria de um mês.

Mas havia algo errado com ele, por que não conseguia ligar a moto serra? Era como se ele estivesse prestes a matar um bicho. Havia certa hesitação e havia tanto trabalho a ser feito, mas ele não parava de olhar para aquela árvore; era como se ela o tivesse enfeitiçado.

Por um breve instante, sua mente expandiu para além do seu corpo, era como se ele voasse além do tempo e do espaço, sentindo que o verde o envolvia por completo. Viu a floresta por cima e viu as árvores sendo arrancadas do solo, uma por uma.



Como se avançasse no tempo, não viu mais a floresta, mas um cerrado no lugar, com árvores rasteiras e arbustos. O Rio Amazonas tinham dado lugar a um córrego pequeno que esperava ansioso pelas chuvas que agora só caiam no inverno. De alguma forma, ele sabia que cada árvore derrubada influenciara na transformação da floresta em cerrado.

Lágrimas caiam do seu rosto ao compreender finalmente o papel do povo ribeirinho. Eles estavam ali para mostrar o mundo que era possível viver na floresta sem destruí-la. Era possível viver em harmonia com a natureza. Para viver na terra, os seres humanos precisavam compreender que destruir o meio ambiente era assinar sua própria carta de extinção. Ele tinha visto isso no cerrado deserto ocupando o lugar da floresta recheada de vida.

A sensação de pertencer a tudo se foi quando ele ouviu o grito do supervisor da empresa de madeira gritando seu nome:

- Acorda, Sebastião! Temos trabalho a fazer!

Tendo despertado do transe, ele olhou uma vez mais a árvore; mas em seguida ligou a moto serra e começou seu trabalho. Toda aquela "viagem" devia ter sido causada pelo calor, ele pensou, afinal algumas árvores não fariam diferença naquele oceano verde que era o Amazonas; alem disso, dez bocas o esperavam aquela noite e ele não as desapontariam.

quinta-feira, julho 05, 2012

Ser e Deixar Por vir


A verdade do universo é tão simples quanto um mais um; o problema é que esquecemos como somar.
Não há mistérios, nem fórmulas complexas para descobrirmos porque estamos aqui; o problema é que ignoramos as lições das flôres e não sabemos apenas ser e deixar o depois por vir.
Poderíamos alcançar a jóia sem precisar esticar o braço; mas preferimos usar bússolas, mapas, guias para chegarmos onde os olhos não podem ver, onde a razão não pode entrar.
Somos uma mistura bem interessante de bicho; temos asas que nos remetem as alturas e rabos que nos deixam presos na terra; mas o Criador foi tão inteligente que criou um paraíso que existe tanto em cima quanto em baixo; burros somos nós que apontamos pra cima, o que na verdade é portátil.
Eu queria ver a tua cara quando você descobrir que sempre esteve onde desejava tanto estar; por isso te escrevo essas linhas; não pra te ensinar, mas para que eu mesmo possa ler e lembrar que é melhor experimentar o seguir do que se preocupar em chegar.

quarta-feira, julho 04, 2012

Bitucas





Ela deu uma última tragada.

Uma multidão subia pela escada do ônibus, enquanto ela tragava toda a nicotina que podia, como se aquele cigarro fosse o último da sua vida; em seguida, jogou a bituca longe e sumiu dentro do ônibus, em meio uma cortina de fumaça que seu pulmão exalara.

Não sei o que houve com a moça, nem se aquela foi a sua última tragada; mas sei que fim levou a sua bituca de cigarro. Aquela mesma tarde, na mesma rua onde a vi entrar no ônibus, assisti pela TV, esgotos entupidos transformarem rua em rio; gente em peixe.

Culpam São Pedro, culpam o prefeito; mal desconfiam que o verdadeiro culpado foram os donos das bitucas, das latinhas, dos papéis de bala, dos jornais usados e das sacolas de plástico descartáveis que voam pela janela e entopem boeiros e fazem cair as lágrimas dos olhos de quem perdeu tudo, em mais uma enchente de verão na cidade grande.

terça-feira, julho 03, 2012

A Dona de uma Gaiola sem Grades


Era uma gaiola sem grades com dois passarinhos.

Suas asas não estavam cortadas e eles nem tão pouco pareciam ser domesticados. Não sou um especialista em aves, mas podia jurar que eles tinham a cor do céu e cantavam com sotaque de liberdade, pois seu canto não lembrava nada aquele velho cantar de cativeiro.

A Dona da gaiola não era necessariamente a dona do casal de passarinhos e sim uma amiga que servia comida e água e em troca os pássaros retribuíam com canto.




Jamais tinha visto gaiola assim.

Já tinha visto cativeiros com grades douradas e gaiolas de madeira nobre com poleiro de marfim. Já tinha visto cativeiros gigantes que “abrigavam” centenas de passarinhos e gaiolas tão pequenas que o passarinho mal conseguia pular de um canto pro outro. Mas nunca havia visto gaiola com grades de vento, onde os pássaros tinham o direito de ficar ou partir; de ir e vir.

- Voa tudo por aqui – disse Dona Joana – Canarinho, Sabiá, Pardal e de vez em quando tem até beija-flor. É uma benção, não é?

Sim, era uma benção, mas vinha da terra, do lugar onde vivem os homens que prendem animais em jaulas, pássaros em gaiolas e uns aos outros com o laço do egoísmo, sob a desculpa do “prender para cuidar”.


- Eu gosto muito de passarinho e ao perceber que muitos deles passavam aqui pelo quintal, pedi ao meu marido que fizesse essa gaiola sem grades – explicava Dona Joana, que morava até numa rua com nome de passarinho – Coincidência, não é?


Coincidência?

Não, Dona Joana! Truque divino, para mostrar para a senhora e para esse peregrino que quem gosta de passarinho, não curte canto de presídio; pois canto livre de passarinho é muito mais bonito; não aceita algemas, grades, chantagens ou possessão; afinal, nada nem ninguém nos pertence e se tem algo que aprendi nessa estrada e que onde há coração há respeito, empatia e consideração. E isso não se aplica apenas para seres humanos, mas para todos os seres vivos que dividem esse planeta com a gente.


- A senhora nunca teve passarinho PRESO em gaiola? – perguntei, querendo saber o que não devia; querendo tentar ver alguma rachadura naquele jarro perfeito que era a Dona da Gaiola sem grades.


- Claro que já tive passarinho preso em gaiola. – explicou – Nasci e me criei no interior; atirando pedra em passarinho, armando arapuca e dormindo sob um teto cheio de gaiolas com todo tipo de pássaro que a gente pegava no mato. A sorte dos passarinhos era que minha pontaria era terrível; o mesmo não podia ser dito sobre a pontaria do meu irmão que usava estilingue como ninguém. Um dia consegui acertar um passarinho. Era a primeira vez que eu acertava algo com o meu estilingue, mal podia acreditar na minha sorte; porém o bichinho morreu com o impacto da pedra e o seu corpinho ali no chão mexeu comigo.



Meu irmão pulava e ria, enquanto eu ajoelhada no chão, olhava o passarinho morto que até segundos atrás voava recheado com vida. Uma coisa é matar os bichos por necessidade, como fazem os índios; outra bem diferente é matar por maldade, sob a bandeira da ignorância e da imaturidade.


Naquele momento nasceu meu respeito pelos bichos e minha incapacidade de vê-los presos em cativeiro. Afinal, lugar de pássaro é no céu, assim como o de peixe é no rio. Para mim, mais vale dois passarinhos no céu, que um preso nas mãos.




Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply