sexta-feira, dezembro 28, 2012

Stan Lee


quarta-feira, dezembro 26, 2012

INICIADOR

By Peter Goblen

Cautela com quem busca discípulos
o missionário
o iniciador
todos os proselitistas
todos os que clamam ter descoberto
o caminho do céu.

Pois o som de suas palavras
é o silêncio da sua dúvida.
A alegoria da conversão
sustenta-os através da sua incerteza.

Persuadindo você, eles lutam
para persuadirem a si mesmos.

Eles precisam de você
tanto quanto dizem que você precisa deles:
há uma simetria que não mencionam
no seu sermão
ou no encontro
perto da porta secreta.

E suspeitando de cada um deles,
cuide-se também destas palavras,
pois eu, dissuadindo você, obtenho nova evidência
de que não há atalho,
não existe caminho,
nem destino.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Feliz Natal da Jureminha e do David

Caros Amigos e Learners,

No lugar de desejar Feliz Natal e um Prospero Ano Novo, deixa eu compartilhar algo que eu recebi: o meu presente de Natal veio mais cedo esse ano. 

No último Dia das Crianças, meu filho Krishna David nasceu; dois meses antes do esperado. E com ele veio uma jornada épica de lutas e pequenas vitórias que culminou em uma grande conquista: meu filho aprendeu a respirar esse mundo e eu reaprendi a viver.

Reaprender a viver, acho que esse é o melhor voto que posso desejar a vocês; não somente nessa época do ano, mas sempre. Afinal, reaprender é se lembrar de saber ser.

Que 2013 seja repleto de momentos em que possamos ensaiar essa reaprendizagem.

Esses são os meus votos e os votos da minha família a todos vocês, com quem reaprendo a ser.

Obrigado!

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A Projeção da Conjução




Noite passada quando fui fechar a janela do quarto, tomei um susto. No lugar das nuvens poluídas e do céu cinza de São Paulo, vi um mar de estrelas e notei que enxergava também todos os planetas do nosso sistema solar.

Diante da visão dos anéis de Saturno e do tamanho de Júpiter, não tive dúvidas que estava sonhando, daí desconfiado que se desse uma de esperto, eu poderia acordar daquele lindo devaneio onírico, fingi que era normal ver Marte e Urano antes de dormir e fechei a janela.

O Senhor dos Sonhos deve ter engolido a minha trapaça, pois continuei no mesmo sonho e podia jurar que se continuasse quetinho, dali a pouquinho, poderia abrir a janela novamente e enxergar, quem sabe, até o depressivo e rebaixado Plutão. Porém, quando abri a janela de novo, tudo o que vi foi o sol nascendo e acabei me contentando em saber que seja acordado ou dormindo, o sol sempre me lembrará que da mágica que é viver consciente que somos parte de algo maior que se manifesta tanto em galáxias e planetas quanto nas estrelas que brilham dentro de cada olhar que observa daqui da Terra.

Frank Oliveira

Para Ler Depois do Fim do Mundo

Se o mundo for mesmo acabar no dia 21, que livro você levaria para o outro lado?
É claro, já que estamos tratando do inverossímil, não custa nada especular
sobre qual seria uma boa leitura pôs-apocalíptica. Isso, se tivermos a sorte de
ser resgatados por uma nave estelar e pudermos ter tempo de levar cuecas limpas, a camiseta do " Curintia" e um livro para ler nas horas ociosas da viagem
espacial.

Acredito que há quem levasse a bíblia, outros levariam os gibis da Turma da
Mônica; eu, se pudesse levar um livro, creio que levaria o "O Fator Maia", do artista e escritor americano José Argüelles que começou essa zorra toda quando misturou no livro dele, seus estudos sobre o fim do calendário maia com suas próprias idéias, ligadas à astrologia e ao New Age. Afinal, se ele estiver certo sobre o fim do mundo, deve saber também o que deveríamos fazer no além dele.

A esses que estão preparados para o fim do mundo e serão resgatados, só resta
dizer: boa viagem e boa leitura!

Aos demais que não acreditam e vão ficar por aqui presos dentro de um filme americano de fim de mundo, espero que o escritor tenha viajado na maionese ou
que na pior das hipóteses, tenha mesmo um outro lado, se não houver, foi bom
compartilhar esse mundo com vocês, muito embora isso não queira dizer muita
coisa, afinal, com o mundo acabando, não teremos mais a chance de bater um papo sobre o que nos faz crer em boitatás, mulas-sem-cabeça e profecias distorcidas por escritures oportunistas.

Se isso que você leu pareceu meio irônico ou sarcástico, desculpe o tom, depois
de anos de discernimento sobre as esquisoterices virais, tornei-me um tanto
insensível a esse tipo de bobagem...quero dizer...viagem.

F. O.

O Fim das Profecias de Fim de Mundo

Por Lázaro Freire

Nesses meus quase 50 anos já enfrentei vários fins do mundo e datas marcadas para contato extraterrestre. O primeiro deles, marcado para o interior do Rio de Janeiro nos anos 70, teve até transmissão do Fantástico, semana a semana. Uma verdadeira histeria coletiva. Talvez algum leitor mais antigo estivesse por lá, esperando as naves chegarem.

Como na minha infância não havia internet, o apocalipse passou a vir de Nostradamus. Estavamos condenados, me provaram com as centúrias. E havia até data, para alguns: Outubro de 1999, quase 2000. Deus usava o sistema decimal, e gostava de números grandes e redondos.

Só mais tarde vim a descobrir que as centúrias eram uma espécie de Bíblia: Dependendo da intenção de quem as manipula, podem ser interpretadas isoladamente para justificar qualquer coisa, inclusive as contraditórias entre si: Pode ser Napoleão ou Hitler, pode ser a queda da Bastilha ou a do Corinthians. Maktub reciclável: O atentado do World Trade Center estava lá. Na mesma profecia que em 1980 "provaram" anunciar a queda do muro de Berlim. Sei.

Lembro também de uma época, nos anoso 70, em que o Fantástico mostrava uma garota que dizia ver Nossa Senhora. Fátima Reloaded, com transmissão ao vivo. Eu não sabia nada de mediunidade, mistificadores e psicopatologia - e pelo jeito, a Globo da época também não. Numa das visões, a menina garantiu, e eu menino nunca me esqueci: O mundo ia acabar numa quinta-feira. Nossa Senhora é quem disse, numa obra prima de concisão e utilidade de informação. Para muitos, a informação era vaga. Para mim, que me lembrava de Nostradamus, era precisa: Havia poucas quintas-feiras em Outubro de 1999. Que azar o meu, que havia acabado de nascer!

Li o Apocalipse (da Bíblia) de cabo a rabo, para saber de antemão tudinho que ia ocorrer. Mas esqueci de aplicar a mim mesmo, pois distraidamente me casei em uma quinta-feira, no Outubro de 1986. A separação se deu em 1999, e, tenho certeza, o Livro da Revelação de João retrata apenas parte dos horrores que passei na ocasião.

Quando pensei que ainda teria alguns anos de vida, novamente o Fantástico me advertiu, em plena década de 80: Jesus não nasceu no ano 0. Na minha visão religiosa de então (onde o mundo todo girava em torno da interpretação que o povo do deserto da Palestina fez de seus mitos de milênios atrás), isso significava que o ano 0 era antes do que eu pensava. Logo, o mundo se acabaria, segundo minhas contas, em alguma quinta do começo da década de 90. Com o que eu passava no casamento, o adiantamento seria bem vindo. Aguardei, mas foi em vão. Pelo jeito, Nostradamus também usou o calendário errado.

Quando eu já me conformava com Outubro de 1999, e aproveitava meus últimos meses de vida, veio a bomba, em todas as listas de astrologia: Em Agosto daquele mesmo ano haveria um eclipse gigantesco, e o mapa astral do momento configuraria uma dupla cruz, em signos de elementos fixos, lotada de quadraturas. Era o mapa do anticristo, disseram. A informação correu a internet. Ele estava nascendo, ou seja, era o fim do mundo. Acreditei, como não? Era um sinal no céu, justamente no ano de 1999. Mas raios, logo agora que eu me separei?

Quando eu estava quase me convertendo à Universal, aguardando o fim, alguém me mandou em anexo o mapa do tal eclipse, o tema astrológico natal do anticristo. Segundo diziam, o mais terrível mapa astral que alguém poderia ter. Achei estranhamente familiar. Quando coloquei a data, hora e local no meu software de astrologia, o traçando com símbolos e ângulos que eu estava mais acostumado, tive a suprema revelação: Era muito igual ao meu, que também tem uma dupla cruz fixa (Araxá, MG, 3/11/64, 15:30). Peraí! Eu era o anticristo? E que raio de evento astrológico único é esse que ocorre de tempos em tempos? E porque o mundo não acabou também quando eu nasci?

Na lista de astrologia que eu frequentava, já com Liege SimõesKarenina Azevedo, Prof. Wagner Borges, Paulo Coelho, Marcia Frazão, Olavo Borges, Ivan Freitas, Denise Moon Raven, Robson Papaleo e muita gente mais de sarcasmo e discernimento, resolvemos aguardar o tal eclipse de 1999 com uma festa, muito vinho e violão. Encontro de fim do mundo. Quase fomos excomungados da internet por heresia e desrespeito, pois, naquela época, as pessoas aqui na rede eram muuuuuuuuuuito mais crédulas e esquisotéricas do que hoje em dia, acredite! Primeiro fim do mundo com internet pública, em 1999 havia vigília virtual pra todo lado, mestre gnóstico-ufológico alertando, gurus das comunidades de Minas gerais e Goiás em polvorosa, e recebiamos flames por estarmos marcando diversão para aquele momento "tão importante" do planeta. Nós iriamos nos arrepender, diziam. As naves não nos resgatariam, parece que os ET´s só queriam preservar a humanidade mais triste. Pra facilitar o trabalho de Ashtar, acendemos uma fogueira na festa (não havia GPS). Mas se ele veio naquela noite do eclipse, nos ignorou. E aos ufólogos místicos também.

Mas era só uma questão de dois meses, em Outubro haveria a data de Nostradamus. Nada aconteceu. Mas aí disseram que o século não havia acabado, e que a data era 31 de Dezembro de 1999, exatamente à meia noite. Que baita sacanagem divina, em pleno revellion. Fora o trabalho de fazer um fim do mundo para cada fuso horário. Fazia sentido, se o Deus de todo o universo usar o calendário gregoriano e gostar de contas redondas. Além do mais, seria uma economia dos sinais nos céus, já que os fogos facilitariam o clima apoteótico. Mas confesso que nâo sei se o mundo acabou ou não naquela passagem de ano: eu estava bêbado.

Mais tarde, alguém de ressaca lembrou que o novo século só começaria em 1/1/2001. E a data também tinha sua aura mística, graças à ficção científica, que explica muito bem a fé dessa gente - ou falta dela. Tinhamos uma nova data apocalíptica, mas ninguém levou tão a sério dessa vez, já que outros ufólogos místicos e gurus comunitários já haviam feito várias outras previsões de contato, arrebatamento, chegada das naves e fim do mundo no período. Todas furadas.

Alguns falaram dos alinhamentos de planetas que ocorreram no começo deste milênio. Novamente, alguns mapas astrológicos. Mas depois do tal eclipse de Agosto de 1999, ninguém mais acreditava que um mapa astral seria o anúncio do fim. Precisavamos de algo com maior credibilidade, para anunciar a data e hora da chegada de Jesus e João Batista em uma nave espacial. E aí veio Jan Val Ellan e a revista Ufo, em matéria de capa. Ufa!

Quase fomos excomungados da internet pela segunda vez, ao aventarmos a possibilidade de que essas vozes que falavam dentro da cabeça do tal Profeta Rogério de Freitas - uma espécie de INRI Elias reencarnado - só falassem... dentro da cabeça dele. Espiritualistas sérios nos lembravam da possibilidade do homem estar certo. Não custava confiar. E além do mais - falácia da autoridade - a revista falou! Lembrei do Fantástico. Aí veio a notícia de que o homem era não só Elias, mas também Allan Kardec reencarnado. Um profeta nato - e em Natal, que sincronicidade - sempre incompreendido em seu tempo. Maktub, quem ousaria duvidar? Alguns percorreram o país ouvindo os ensinamentos de Ellan, que vendeu muitos livros reinterpretando o apocalipse e suas trombetas. Amém, Kardec Sheran.

No dia marcado por Ellan, marcamos um encontro voador em Belo Horizonte, lá na chopperia Stadt Jever. Vai ver o mundo já acabou, e eu novamente estava bêbado na ocasião. O fato é que naquela noite de sábado anunciada, realmente vimos hordas de lunáticos nas ruas da Av. Contorno, gritando e babando, aos milhares. Milhares! Mas não vi as naves no céu, e Ellan havia garantido que seriam visíveis a todos. Como explicar aquela multidão nas ruas, boa parte trajada de preto, e gritando mantras em coro? E os carros desordenados, piscando faróis e buzinando sem parar? E os gritos histéricos? Será que metade de Minas Gerais havia lido a UFO e aguardava o arrebatamento? Será que o chopp caseiro daquele bar alemão provocava alucinações? Quando saí do bar, já quase nascendo o dia, comprei o jornal para ver as fotos das naves, e li a manchete: "Galo, campeão da segunda divisão".

Tempos depois, como nós profetizamos, Ellan esclareceu seu equívoco. Os deuses e ET´s haviam o enganado, para que se cumprissem as profecias. Gostei: os marcianos tinham senso de humor. Jan Val Allan Kardec marcou uma outra data, essa sim certeira, poucos meses depois. Dessa vez, o mundo se acabou - pelo menos o dele, como profeta apocalíptico no sudeste do país. Bem feito, quem mandou discordar de Nostradamus?

Estudando história, vi que a mania não é nova. Os palestinos já tinham certeza do fim no ano zero, com a invasão romana. Erraram por 1960 anos, quando Israel e os EUA lhes fizeram ter saudades de Júlio César, que não os confinava numa faixa dentro de seu próprio país. Mais tarde, no ano 1000, nova histeria coletiva. E novamente o mundo não se acabou. Mas imaginem o que deve ter falado a igreja nos tempos da grande fome seguida da peste negra, em que a Europa viu sua população se reduzir drasticamente em apenas um século? Foi o fim do mundo mesmo, para o sistema feudal: Mão de obra escassa e valorizada, decretando o fim da servidão, o começo do renascimento, e mais tarde as revoluções.

Descobri, enfim, que todos sempre dão o azar de nascer no fim do mundo, seja no ano 0, 1000, 1945 ou 1999. Não é algo pessoal de Deus contra mim. Mas entender isso dói: afinal, me sinto mais importante se o mundo acabar por mim, se os "outros" estiverem irremediavelmente perdidos, se for um gigantesco equívoco fatal ousar acreditar em algo diferente de minha fé, e acho que por isso todos querem um fim customizado para a sua própria crença e geração. "Arrependei-vos, ó, pagãos! Venham para a minha crença ou morram! É o último aviso!" Quanta caridade e compreensão...

Agora, é a vez da histeria do Calendário Maia em 2012. Já a previamos no começo do milênio, há várias mensagens antigas no histórico da Voadores falando dos profetas de email que surgiriam no fim da década, com a proximidade de 2012.

Não que o calendário original não possa ser sério - já o que se fala dele numa neoreligião brasileira está mais para astrologia e esquisoterismo, que mistura runas, hexagramas, signos e cálculos que os povos antigos da América Central jamais utilizariam.

De fato, os antigos Maias e Incas tinham grande conhecimento de astronomia. De fato, vivemos uma época de transformação. De fato, o calendário deles termina em 2012. Outros, não. Mas há outras coincidências, como a mudança da era de Aquário, e o próprio milênio do calendário ocidental.

Mas este Calendário que conhecemos aqui - misturando runas e i-ching - é tão "Maia" quanto a Portela, sincretismo bem brasileiro de algum Macaco Esquisotérico Vermelho, em alguma Noite de Tormenta magnética azul. Mas, aguardem minha profecia, os tais Lunáticos Magnéticos Amarelos seus criadores estarão em breve no Fantástico e na Luciana Gimenes, na medida em que a data de 2012 se aproximar, se sentindo a própria reencarnação de Pacal Voltan. Para transformarem-se em novos e esquecidos Ellans a seguir.

Com tantos apocalipses reincidentes nos últimos 2000 anos, e tantas guerras e danos ao planeta causados pelo próprio homem, uma hora algum Edir Macedo, Ellan Kardec, Juscelino, Ergon, Argüeles, Nostradamus ou Trigueirinho vão acertar. O próprio papa Ratzinger, que não é nada bobo, já escolheu o nome de Bento XVI propositalmente para confirmar uma teoria apocalíptica de milênios atrás.

O aquecimento global pode ser uma boa ocasião. E a vocação militar e imperialista de uma China que o mundo todo faz enriquecer, também. Uma voz profético-racional me diz que ainda vamos ter muitas saudades do imperialismo norte-americano, e de quando os inimigos mundiais eram apenas os russos e alemães. Podem estar certos que no dia seguinte a qualquer catástrofe dessas, um profeta aparecerá em programa popular com uma carta falsificada registrada em cartório, em que já previa a tragédia há muito tempo atrás. E, garanto, na madrugada anterior à desgraça, havia um pastor na TV anunciando o fim. O detalhe é que em todas outras noites de minha vida, também.

Ou seja, muitos dos que sacam o Calendário Maia para explicar o fim são os mesmos que em outras épocas anunciavam a chegada das naves. Ou os mesmos que frequentavam comunidades de resgatáveis, ou que procuravam eclipses e alinhamentos nos céus, ou que faziam vigília às 02:02 de 2/2/2002, ou que estudavam as centúrias de Nostradamus. Alguns até já escutaram as palavras apocalípticas do pastor, seja o da igreja do bairro, seja a do guru da nova era. Pouco importa qual seja o calendário, qualquer data serve, desde que fale de fim dos outros e do resgate "dos bons e escolhidos", a saber, aqueles que divulgam datas apocalípticas via internet.

No fundo, estes apocalípticos não são tão espiritualistas assim, e carregam dentro de si um baita medo de morrer, que justifica tanta fé na ascenção aos céus em vida. Sua morte não pode se dar num dia qualquer, em que milhões nascem e deixam o planeta - precisam levar consigo todos os outros bilhões, uma vez que não pensam o mundo sem a presença de seu umbigo. Seu fim precisa ser o de toda a humanidade, por mando divino, e não mais um evento natural, a que todos estamos sujeitos um dia.

O bom de viver assim pensando na morte é que um dia acertam. O que não entendo é que diferença faz, quando o prédio cair, se cairam ou não todos os outros da cidade, ou mesmo os do planeta. Parece coisa de criança, "só paro de brincar se o filho da vizinha for pra casa também".

Por essas e outras, tenho certeza de que pelo menos uma dessas profecias estará certa: Em 2012 será o fim... do CALENDÁRIO Maia!!! Ele acaba nessa data, o mundo não. Já nossa presença no planeta, lamento, não há calendário ou email que possa prever.

Fim do mundo é "Maya", a do sânscrito: uma ilusão. Em 2013, continuaremos a existir, encarnados ou não, e Deus estará conosco onde estivermos. Pelo menos para aqueles que não dependem de profecias para enxergá-lo no agora e aqui.

Mas, cá entre nós, espero que estejamos na Terra mesmo, já que em 2014 temos Copa do Mundo no Brasil, e Deus - como um bom brasileiro que dizem ser - não perderá a oportunidade de ver os argentinos perdendo, na final, em pleno Maracanã.

Lázaro Freire

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Escreveu, não leu...perdeu os dentes

- Você viu os denti do Zé?

- Na verdadi, eu não vi, né muié? Caiu tudo, não?

- Da noiti pro dia. ValamiDeus! Acho que foi macumba!

- Chuta isso daqui, muié. De macumba numa quero nem prosa; se você quisé mesmo
conversá sobre os denti do Zé, vamos prosear mais com ciência e menos cum
crença, diz aí, já ouviu falá em carma?

- Carma assim de ficá mais tranquilo.

- Oxi... Não! Essi é outro "carma". to falando di palavra estrangeira, dessas
qui só dotô usa. Eu tava issis dias tentando pescá umas coisa nova no rádio e
piguei essa emissora di Sumpaulo que falava de coisa isotérica, pelo nome já
percebi que era programa cientifico; dai havia esse povo todo ligando pra essi
profissor que falô que tudo qui ocorri com nóis é Carma.

- O qui é isso?

- É o qui nos chama aqui de " escreveu num leu, o pau comeu" ou "quem faz aqui,
paga aqui", " quem cedo madruga, Deus ajuda"; essas coisa.

- Ahhh, agora entendi.

- Então, qual é o apilido do Zé?

- Bafo dionça!

- Ou seja, se o Zé iscovasse os denti...

- Os denti num tinha caído...

- Entendeu? Carma!

- Mas nós já sabemo disso. Só num tinha nomi.

- Eu sei, muié, mas na boca dos dotô é ciência!


terça-feira, dezembro 18, 2012

Caráter - Obra de luz da consciência




Wagner Borges

Para deixar o clima psíquico cair, é só se deixar levar... As pessoas adoram as coisas do mundo, que sempre passam. Idade, aparência, posses físicas... Tudo é coisa transitória. E quem pode comprar lucidez, discernimento, paz e amor real?

Um copo de bebida não mata a sede de amor e nem tira o vazio. Ter poder sobre os outros não significa ter poder sobre si mesmo. Viajar pelo mundo é bom. Mas, sem consciência, é apenas rodar no vazio. Conhecer o mundo não significa conhecer a si mesmo.

Um prêmio ou título acadêmico não garante sabedoria alguma. A atitude conta mais, porque revela o que cada um é realmente. E isso não é mensurado por valores teóricos, mas pelas opções assumidas.

As provas da vida não têm hora para chegar. Elas simplesmente acontecem. É nas horas dos reveses que se vê a têmpera e o valor real que cada um comporta.
Na maioria das vezes, a dor é o grande acelerador evolutivo das pessoas. E nem sempre ela é visível e tangível. Pode ser interna, como a dor do vazio. Muitas provas acontecem dentro do coração do homem: são provas de caráter!* Todos passam por isso, desde os homens comuns até os iniciados e mestres.

Só o Grande Arquiteto Do Universo é que sabe tudo! Só o Todo compreende o Todo. Diante das provas do caminho, o que vale é o caráter e a força do coração. E isso não se compra em lugar algum, nem é dado a ninguém. É valor de consciência. É intransferível e independe de idade, raça, sexo ou cultura. É atitude consciente.

Cada um apresenta na atitude o que já carrega dentro de si mesmo. Isso é da vida. A luz vem de dentro, o amor flui do coração, e, se o espírito sair, o corpo desaba. Logo, o que é real vem de dentro. A força para vencer as provas está nisso! Ninguém compra caráter! Nem amor, nem luz, nem paz, nem lucidez, nem equilíbrio.

Diante de um revés da vida, que valor transitório é capaz de segurar a onda? Viver nesse mundo sem o revestimento de caráter apropriado é loucura mesmo. Significa andar sobre espinhos com os pés descalços, ou viver sem sol no coração.

Encher a cara de álcool ou drogas não preenche o vazio de consciência. "Passar a perna em alguém" é o mesmo que cuspir para cima: sempre cai de volta... Deixar-se levar pelas coisas e situações sempre tem um preço: aumenta a fraqueza. Assim como se achar o máximo sempre leva a grandes derrapagens na jornada.

Às portas da morte, o que brilha é o caráter do homem, não suas posses e ilusões. O que cada um pensa e faz é o que importa. É a sua luz que vale, não os seus títulos. É na luz do coração que está a verdade de cada um. E só o Todo é que vê isso. Portanto, a tarefa mais importante de todas é conhecer a si mesmo! E, para isso, é preciso caráter. E isso não se compra. É estado de consciência.

Da mesma forma, um coração medíocre não suporta um Grande Amor. E conhecimento profundo não cabe em mentes rasas. E quem é trevoso não quer luz. Não há nenhum poder no mundo capaz de ensinar alguém a perdoar e a ser feliz. E quem poderá aplacar a dor do vazio existencial dentro do coração de outro? Mesmo com ajuda externa, o lance da cura é interno e intransferível.

A eclosão da luz de dentro só ocorre mediante esforço e vontade de melhorar. As ilusões levam aos abismos da dor e os arroubos de arrogância custam caro. Por isso, a dor chega aos homens, por dentro e por fora, para acabar com a inércia! Contudo, quando há caráter, há compreensão. E aí, a dor não gera mais revolta. Muito pelo contrário, traz lição. E isso não tem preço! É valor de consciência. E só o Todo é que sabe o que se passa dentro de cada coração.

Todos passam reveses e altos e baixos em suas vidas. Isso faz parte da jornada. Mas quem quer mais luz, que seja luz! E reforce o caráter no que é real e valoroso. Ninguém sabe a hora de sua partida deste mundo - e nem o teor de suas provas. O que se sabe é isso: cada um dá ao mundo o que tem dentro de si mesmo. E, no final das contas, o que vale, na vida ou após a morte, é a luz que cada um leva. Ah, quem quer mais luz, que se acautele, estude e trabalhe por isso...

E jamais desista, mesmo com toda pressão do materialismo do mundo dos homens. Isso não é doutrina, é caráter! É estado de consciência, não é um lugar ou templo. E de que adianta vestir uma roupa linda, se a própria aura** for uma miséria de luz?

Ah, os iniciados espirituais estavam certos: "Quem quer mais luz, que seja luz!" E o mestre Jesus sabia das coisas, e ensinou: "A cada um segundo suas obras!" E não, Ele não estava falando só sobre as obras tangíveis e visíveis dos homens. Ele também se referia àquelas obras sutis, que estão dentro do coração. Aquelas obras da paz e da luz, que só o Pai Celestial é que sabe... As obras do caráter!

P.S.:
Existe uma grande fome de amor entre os homens, que coisa alguma do mundo pode aplacar. E, com esse vazio existencial grassando, o resultado é a dor.
Por isso, o lindo e profundo sábio espiritual Paramahamsa Ramakrishna*** ensinava que, "para andar sobre os espinhos do mundo e não se ferir, é preciso estar calçado com as sandálias do discernimento espiritual".
Sim, ele estava certo. Sem a luz do espírito para guiar a jornada da vida, o mundo se torna apenas um lugar de provas e expiações. E isso é um desperdício!
Esse pode ser um mundo de lições também. E a jornada, mesmo com todos os problemas, poderá ser linda, quando houver mais luz e compreensão. E isso é dentro de cada um. Porque, quando há luz, tudo muda. E a vida ganha novas cores e brilhos.
Ah, Jesus estava certo mesmo: "De que adianta a uma pessoa ganhar o mundo, se ela perder sua alma?"

(Dedicado a todos aqueles que, mesmo sob pesadas provas, ainda assim permanecem fortes e sinceros em suas jornadas espirituais, de todos os lugares e linhas, sem jamais renegarem a força do espírito em seus corações.)
Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma; eterno neófito da Vida e do Todo, sempre tirando lição de cada coisa...
Jundiaí, 02 de janeiro de 2010.

- Notas:
Na descrição clássica, caráter é o seguinte: "termo que designa o aspecto da personalidade responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo; esta qualidade, é inerente somente à uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais."
No entanto, dentro de um contexto espiritual, como o desse texto, caráter é a força espiritual que anima o Ser e lhe dá forças para superar as provas da senda. É aquela têmpera forte que, mesmo diante de diversas pressões, jamais renega a espiritualidade; que, mesmo sob o escárnio e ceticismo doentio das pessoas em volta, mantêm a confiança espiritual num Poder Maior.
Às vezes, esse caráter é chamado em algumas linhas espirituais de "Flama Espiritual", "Luz do Coração", "Sol das Almas", "Sraddha" (do sânscrito, fé espiritual; confiança no Eterno), ou "Luz do Espírito".
** Aura - do latim, aura - sopro de ar - halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.
*** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.


segunda-feira, dezembro 17, 2012

NÉCTAR



Em todas as culturas espirituais sempre existiu a presença de uma bebida sagrada com poderes de cura, de êxtase, de iluminação e de imortalidade (nos diferentes sentidos que esta palavra pode alcançar: do corpo, da alma, dos atos).

Entre os deuses da mitologia grega esta bebida era chamada de NÉCTAR.

Curiosamente a palavra NÉCTAR vem de NEKTAR, do indo-europeu, e significa NEK - morte e TAR - vencer. Néctar é a bebida que vence a morte.

No mito judaico-cristão fomos expulsos do paraíso para que não pudéssemos provar do fruto da árvore da vida, tornando-nos iguais aos deuses, imortais, depois de ter provado do fruto da árvore do conhecimento. A tradição judaico-cristã em seu aspecto exotérico nega o poder das plantas de poder. Felizmente uma compreensão mais profunda destes ensinos nos permite perceber que plantas de poder como a Jurema ou a Acácia eram usadas na confecção do próprio tabernáculo do templo e a própria Divindade apresentou-se para Moisés através da sarça ardente de Horeb.

Na mitologia hindu temos o famoso SOMA védico, a bebida que personifica o Deus dos Deuses.

Na Umbanda temos a Jurema, árvore sagrada, objeto de culto de Maias e outros povos nativos, que possui 10 a 20 vezes mais DMT que a Chacrona ou Rainha que compõe o Daime, a Ayahuasca, o Runipan e outros tantos nomes pelos quais esta sagrada bebida é conhecida.

No Yoga este NÉCTAR pode ser produzido no próprio corpo humano através da disciplina da meditação e de outras práticas da Yoga. Este néctar na Yoga é chamado de AMRITA.

Assim podemos dizer que o Daime é o Néctar da Floresta Amazônica, uma bebida sagrada que nos permite acessar o divino em nós mesmos e nos permite compreender a imortalidade do espírito humano. Utilizando-o com sabedoria poderemos alcançar o intento de tantos buscadores espirituais: a realização da divindade em nós mesmos.

autor: F.A.
fonte: http://pistasdocaminho.blogspot.com.br/2012/11/nectar_28.html

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Vidas mais amplas




É natural sermos egoístas, querer o que queremos; e inevitavelmente somos egoístas, até que vemos uma alternativa. A função do ensinamento em um centro como este é ajudar a vermos a alternativa e nos perturbar em nosso egoísmo.

Enquanto estivermos capturados pelo primeiro ponto de vista, governados pelo desejo de se sentir bem, em êxtase ou iluminado, precisamos que nos perturbem. Precisamos ficar incomodados. Um bom centro [de darma] e um bom professor auxiliam nisso.

Não venha a este centro para se sentir melhor, não é para isso que esse lugar serve. O que quero são vidas que se tornam mais amplas, para poder cuidar de mais coisas, de mais pessoas.

Charlotte Joko Beck (EUA, 1917 ~ 2011):

fonte:
http://darma.info/trechos/2012/12/vidas-mais-amplas/

quinta-feira, dezembro 13, 2012

As Profecias Tupi





A maioria das pessoas esqueceu a língua dos Deuses, o que restou no lugar foi a língua vulgar que se perde em si mesma e se embeleza em seu eco, afastando os homens do conhecimento do principio dos tempos. 

Haverá um tempo, onde os poucos, os ousados, se calarão e perceberão que na harmonia do silêncio, a lembrança de certos símbolos emergirá e dirá uma língua esquecida que fará mover os lábios, transformando o ar em um som poderoso que evocará os Deuses de novo!

Diante dos Deuses, essas palavras de poder se transformarão em palavras formosas que saudarão essas presenças sagradas. E esse único e novo idioma  formado por palavras de poder e palavras formosas unificará os opostos e expandirá a nossa consciência de tal forma que a lembrança de quem somos permanecerá acesa e nos
lembrará, mesmo falando a língua vulgar, dos perigos das armadilhas da matéria e das falsas profecias que fazem os homens se perderem em datas que só ameaçam aqueles que já estão mergulhados no esquecimento.


Frank Oliveira

Notas: a grande profecia Tupi se resume a " Agradeça por você ser". Esse texto acima foi baseado nos textos de Kaká Jecupé.

Kaká Werá Jecupé é índio de origem tapuia, escritor e ambientalista. Segundo ele,  há uma profecia Tupi segundo a qual quando o espaço abraçar o circulo do novo tempo, Tupã renascerá no coração dos estrangeiros e os ensinamentos sagrados serão revelados. Esse conhecimento é chamado de " palavras formosas" que oferecem mais do que a narrativa do Universo de maneira poética; elas podem, como dizem os antigos, abrir caminho para quem deseja tornar-se Pajé, ou seja, aquele  que conversa com os ventos, o fogo, a terra, as águas. Mas, se elas servirem pelo menos para o homem buscar não somente a consciência do cérebro, mas também a do coração, a tarefa dos últimos Werás, mensageiros de TupãTenondé, não terá sido em vão. 


quarta-feira, dezembro 12, 2012

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Menino, quem é teu Mestre?




Queridos irmãos,

Peço licença para expor a minha forma de perceber algumas situações que aparecem na nossa caminhada, com a intenção de somar com o processo de cada um. Que possa ser recebido tão somente como uma das várias visões de mundo possíveis.

Nessa caminhada de despertar para a Verdade que toda a humanidade segue a seu modo, dizem os sufis: Mais de 70.000 véus nos encobrem d´aquele que se encontra para além da luz e da escuridão, mas não há nenhum entre ele e nós. Aqui na Terra encontramos então professores, mestres, guias, irmãos mais velhos de caminhada que podem nos orientar nesse trajeto de nos desvelar.

Pessoas que fizeram sua busca, tiveram uma realização parcial ou total da assimilação destes ensinos em si mesmos e que movidos a gratidão adotaram o servir como forma de vida, a lealdade ao Divino como sua primeira aliança e trazer benefícios a todos os seres seu primeiro compromisso.

Entretanto, como saber então quem pode ser um bom professor pra nós neste momento, como saber o que adotar e o que rejeitar? Pois, embora tudo seja perfeito tal como é, essa mesma perfeição permite que percamos décadas de uma existência humana preciosa em terras pouco férteis. Eu mesma tive essa experiência que me serviu para despertar um senso crítico mais apurado com relação a esse tema.

Neste momento da minha vida penso assim: qual a função de um professor verdadeiro? Servir à Deus, como um canal para que seus filhos despertem para a sua Verdadeira Natureza, divina. Entendo eu que a forma que ele conduzirá este processo não está limitada em nossos conceitos dualistas, moralistas, duvidosos e ilusórios de certo e errado, bom e mau, etc, etc, etc.

Na visão da dualidade, pensamos que um bom professor deve ser gentil, amoroso, acolhedor, limpinho, que ele deve nos compreender e de preferência não nos criticar. Nem nos percebemos que nessa idéia estamos mais projetando uma idéia de pai ou de um amigão, um camarada.

Se a pessoa é em algum momento grosseira, crítica ou te causa desconforto... "não deve ser um verdadeiro professor".
O autêntico professor pode ser sim um grande amigo, mas muitas vezes pode causar um efeito perturbador em nós pois ele não tem necessidade de nos agradar, e seu compromisso é com o despertar. O professor na espiritualidade sabe que está transitando no território da sobrevivência do ego das pessoas, e que esta tarefa não é fácil ou simples. Assim, a compaixão se expressará livre e criativamente, e a forma de ensinar será feita de acordo com cada um.

Há muitas histórias que ajudam a gente a nos libertar da limitação dos conceitos que projetamos, tal como a história do mestre Ma Tzu, que levou muitas pessoas à iluminação. Conta-se que certa vez o discípulo veio lhe fazer uma pergunta e ele o joga pela janela, pula depois, senta-se no seu peito e pergunta: ENTENDEU?

Yogui Bhajan em suas palestras frequentemente gritava e era extremamente sarcástico com seus alunos, ridicularizando sua mediocridade e criando neles a energia do despertar para além dos nossos apegos e ilusões.

Conta-se que o penultimo mestre sufi da ordem de Mevlevi certa vez adentrou em uma sala onde todos o esperavam para uma palestra, completamente bêbado. Estava cambaleando e meio atrapalhado enquanto a platéia lentamente se esvaziava cada vez mais. Uns poucos resistiram, e só então ele iniciou sua palestra, com ensinos de grau.

Patrul Rinpoche era conhecido pela sua maneira direta de falar e por seu desprezo pela pompa e hipocrisia. Ele alcançou a iluminação depois de literalmente apanhar de seu mestre. Ele é conhecido como “Cachorro-velho”, ou “o vagabundo iluminado”. Poucos, muito poucos o reconheciam.

O professor não serve ao nosso ego, ele serve à Deus. Quando nossa resistência se dissolve, então podemos aprender.

Que possa trazer benefícios,
Com amor,

Isabela

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Experiência Socialista



Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo. ‘

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.”

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas. ‘ Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um “A”…

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi “D”.

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”.

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano… Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

“Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

“É  impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.  O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.  Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e  quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao  começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”

Adrian Rogers, (1931-2005)

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Porque os inteligentes também são estúpidos !



Esta é mais uma história sobre como a gente se conhece pouco. E começa com uma pergunta aritmética simples: se um taco e uma bola custam um real e dez centavos, quanto custa a bola, sabendo que o taco custa um real a mais que a bola? Se você deu dez centavos como o preço da bola, você deu a resposta óbvia e errada.

Propondo este tipo de pergunta para centenas de pessoas, durante cinquenta anos, o professor e ganhador do Prêmio Nobel Daniel Kahneman demonstrou que o homem só acha que é racional, mas quando confrontado com uma situação de incerteza, ele não avalia cuidadosamente as alternativas, e sim apenas toma um atalho, que na maioria das vezes resulta em um erro.

O problema é que as pessoas tem viés de decisões, ou seja, elas tendem a pensar e agir de certa forma. E saber que tem este viés não ajuda a evitar o mesmo, disse Kahneman. Após tantos anos estudando os viés do pensamento, ele não conseguiu se livrar dos próprios.

Um dos viés pode ser demonstrado de forma simples: em um lago existe uma “ilha” de aguapés, e a cada dia esta ilha dobra. Em 48 dias, o lago é coberto completamente pelo aguapé. Quando é que o lago estava coberto pela metade? A tendência das pessoas é dividir 48 dias por dois, e dar a resposta errada, 24 dias, quando o certo é 47 dias.

O curioso é que pessoas mais inteligentes (segundo a avaliação do SAT, exame padronizado dos EUA) são mais vulneráveis a estes erros. Mais de metade dos estudantes de Harvard, Princeton e do MIT (universidades conceituadas americanas) deram respostas erradas para o teste da bola e do taco. E mais, os estudos do professor Kahneman mostram que geralmente somos mais capazes de perceber estes erros e viéses nos outros, em vez de em nós mesmos. Identificamos prontamente excesso de autoconfiança, predições extremas e a falácia do planejamento – a tendência de subestimar a duração de um projeto -, nos outros, mas somos cegos a estes mesmos problemas em relação a nós mesmos.

E fazer uma introspecção não ajuda nada. Você entra em uma ego-trip, tentando se conhecer, mas o problema é que um exame consciente não vai encontrar a raiz do problema, que é inconsciente. Você parte para uma busca do autoconhecimento, e acaba não se conhecendo.

Reflitam!
.
.
.
A propósito, a bola custa cinco centavos. Mas isto você já sabia, não sabia?

.

* caso não esteja convencido da resposta veja as explicações nos comentários do link abaixo:


http://hypescience.com/porque-os-inteligentes-tambem-sao-estupidos/

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Os Oito Versos que transformam a mente



O Os Oito Versos que transformam a Mente é de autoria de Geshe Langri Tangba e os comentários a seguir, são de S.S. o 14º Dalai Lama.

Oito Versos que Transformam a Mente (comentado)

Vou agora ler e explicar brevemente um dos mais importantes textos sobre a transformação da mente, Lojong Tsigyema (Oito Versos que Transformam a Mente). Este texto foi composto por Geshe Langri Tangba, um bodisatva bastante incomum. Eu próprio o leio todos os dias, tendo recebido a transmissão do comentário de Kyabje Trijang Rinpoche.

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

Aqui, estamos pedindo: “Possa eu ser capaz de enxergar os seres como uma jóia preciosa, já que são o objeto por conta do qual poderei alcançar a onisciência; portanto, possa eu ser capaz de prezá-los e estimá-los.”
2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

“Com todo respeito considerá-las supremas” significa não as ver como um objeto de pena, o qual olhamos de cima, mas, sim, as ver como um objeto elevado. Tomemos, por exemplo, os insetos: eles são inferiores a nós porque desconhecem as coisas certas a serem adotadas ou descartadas, ao passo que nós conhecemos essas coisas, já que percebemos a natureza destrutiva das emoções negativas. Embora seja essa a situação, podemos também enxergar os fatos de um outro ponto de vista. Apesar de termos consciência da natureza destrutiva das emoções negativas, deixamo-nos ficar sob a influência delas e, nesse sentido, somos inferiores aos insetos.
3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

Quando nos propomos uma prática desse tipo, a única coisa que constitui obstáculo são as negatividades presentes no nosso fluxo mental; já espíritos e outros que tais não representam obstáculo algum. Assim, não devemos ter uma atitude de preguiça e passividade diante do inimigo interno; antes, devemos ser alertas e ativos, contrapondo-nos às negatividades de imediato.
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

Essas linhas enfatizam a transformação dos nossos pensamentos em relação aos seres sencientes que carregam fortes negatividades. De modo geral, é mais difícil termos compaixão por pessoas afligidas pelo sofrimento e coisas assim, quando sua natureza e personalidade são muito perversas. Na verdade, essas pessoas deveriam ser vistas como objeto supremo da nossa compaixão. Nossa atitude, quando nos deparamos com gente assim, deveria ser a de quem encontrou um tesouro.
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

Falando de modo geral, sempre que os outros, injustificadamente, fazem algo de errado em relação à nossa pessoa, é lícito retaliar, dentro de uma ótica mundana. Porém, o praticante das técnicas da transformação da mente devem sempre oferecer a vitória aos outros.
6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

Normalmente, esperamos que os seres sencientes a quem muito auxiliamos retribuam a nossa bondade; é essa a nossa expectativa. Ao contrário, porém, deveríamos pensar: “Se essa pessoa me fere em vez de retribuir a minha bondade, possa eu não retaliar mas, sim, refletir sobre a bondade dela e ser capaz de vê-la como um guia especial.”
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

O verso diz: “Em suma, possa eu ser capaz de oferecer todas as qualidades boas que possuo a todos os seres sencientes,” — essa é a prática da generosidade — e ainda: “Possa eu ser capaz, em sigilo, de tomar sobre mim todos os males e sofrimentos deles, nesta vida e em vidas futuras.” Essas palavras estão ligadas ao processo da inspiração e expiração.

Até aqui, os versos trataram da prática no nível da bodhicitta convencional. As técnicas para cultivo da bodhicitta convencional não devem ser influenciadas por atitudes como: “Se eu fizer a prática do dar e receber, terei melhor saúde, e coisas assim”, pois elas denotam a influência de considerações mundanas. Nossa atitude não deve ser: “Se eu fizer uma prática assim, as pessoas vão me respeitar e me considerar um bom praticante.” Em suma, nossa prática destas técnicas não deve ser influenciada por nenhuma motivação mundana.
8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

Essas linhas falam da prática da bodhicitta última. Quando falamos dos antídotos contra as oito atitudes mundanas, existem muitos níveis. O verdadeiro antídoto capaz de suplantar a influência das atitudes mundanas é a compreensão de que os fenômenos são desprovidos de natureza intrínseca. Os fenômenos, todos eles, não possuem existência própria — eles são como ilusões. Embora apareçam aos nossos olhos como dotados de existência verdadeira, não possuem nenhuma realidade. “Ao compreender sua natureza relativa, possa eu ficar livre das cadeias do apego.”

Deveríamos ler Lojong Tsigyema todos os dias e, assim, incrementarmos nossa prática do ideal do bodisatva.

(Extraído de The Union Of Bliss And Emptiness.)

terça-feira, dezembro 04, 2012

REENCARNAR, PARA QUE?




- Por Zíbia Gasparetto

Assim como as pessoas têm muito medo de morrer porque não sabem o que irão
encontrar na outra dimensão, os espíritos que estão vivendo no astral têm
medo de reencarnar.
Esquecer o passado e mergulhar no mar encalpelado do mundo, enfrentar seus
próprios limites e os desafios de seu crescimento é assustador. Controlar as
emoções, ordenar a mente, experimentar as próprias ideias e enfrentar os
resultados requer coragem e persistência. Ficar entregue ao próprio
discernimento, tomar decisões e ser responsável pelo próprio destino,
atemoriza.
Para o espírito, reencarnar é como vestir um escafandro e mergulhar nas
profundezas do oceano. O corpo de carne tem um metabolismo lento, muito
diferente da vida astral, onde tudo é mais dinâmico e rápido. Lá, a força
do pensamento materializa rapidamente os objetivos, de acordo com a capacidade
de cada um, criando e movimentando os elementos.
Aqui, na Terra, nossos projetos levam muito mais tempo para se tornar realidade.
Para construirmos um edifício levamos muitos meses, enquanto lá eles o fazem
em algumas horas...
- Como? Há prédios no astral? - alguns vão perguntar.
Há prédios, ruas, cidades, tudo. O que chamamos de astral são os mundos das
outras dimensões do universo.
Cada um deles gravita em determinada faixa de ondas, possui um magnetismo
próprio e, para os que vivem lá, tudo é tão sólido quanto para nós é
nosso mundo.
Não os podemos ver porque nossos olhos enxergam apenas em limitada faixa de
percepção, o que não os impede de continuar existindo. A limitação é
nossa. Os micróbios existem, mas só os podemos ver se tivermos um
microscópio.
- Se eles têm medo, porque reencarnam?
Para reeducar o emocional. No astral as emoções são muito mais fortes e
profundas. A tristeza, o remorso, o arrependimento, a frustração e a mágoa
tornam-se insuportáveis e chega um momento em que, cansado de suporta-las, o
espírito aceita nascer na Terra. Para ele, o esquecimento será uma bênção.
O magnetismo lento permitirá que ele medite mais, experimente, reflita,
conheça-se melhor e amadureça.
Reencarnar na Terra é começar de novo. Todas as lembranças do passado são
guardadas no inconsciente temporariamente e, embora possam influenciar
intuitivamente o espírito reencarnado, ele estará em sintonia com o cérebro
do novo corpo, que como um filme virgem vai registrar as novas experiências.
Não é genial?
A vida, mágica e divina, vai tecer os acontecimentos, juntar pessoas, de acordo
com as necessidades daquele espírito, e criar estímulos a que ele se torne
mais consciente, e liberte-se dos antigos padrões de crença que o levaram ao
sofrimento. Se ele aproveitar, voltará ao astral mais lúcido e feliz.
A vida é um eterno agora, e nós continuaremos sendo o que fizermos de nós,
seja onde for que passemos a viver. Enfrentar nossas dificuldades desde já,
fazer nosso melhor, é construir nossa paz.

- Nota:
* Zíbia Alencastro Gasparetto (Campinas, 29 de julho de 1926) - é uma
escritora espiritualista brasileira que se notabilizou como médium, com
inúmeras obras publicadas.
De ascendência italiana, casou-se, aos vinte anos de idade, com Aldo Luiz
Gasparetto, com que teve quatro filhos, entre os quais o apresentador de
televisão Luiz Antonio Gasparetto.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Uma Disciplina sem Disciplina !




Há dois tipos de disciplina: disciplina que se aprende e disciplina que se
força. Dentro das duas, cabe todas as interpretações que associamos a essa
palavra tão fundamental e tão confusa ao mesmo tempo.

A maioria dos meus alunos não estuda por conta própria. Não adianta eu chorar,
fazer birra e querer desistir da minha carreira; já tentei de tudo: das técnicas
neurolinguisticas à rezas espiritualistas; nada parece funcionar. Cheguei a
conclusão que era algo cultural até conversar com um amigo educador britânico
que diz que ele possui o mesmo problema lá na Inglaterra: alunos adultos se
recusam a fazer as suas lições de casa.

De acordo com ele, professor universitário com anos de experiência, a maioria
dos adultos se recusam a fazer suas atividades extra-curriculares ou inventam as
mais tolas desculpas, porque o professor assume o papel dos pais e se rebelar
contra as " ordens" do instrutor, reforça a identidade do adulto e lhe dá o
prazer de ter poder ( reencenação da adolescência) . Freud talvez seja
indispensável mesmo para a educação.

Leciono uma segunda língua e devido a complexidade natural desse tipo de
disciplina*, sei que os alunos não aprendem na escola a falar o segundo idioma,
 pois eles aprendem sim, por conta própria, seguindo as instruções ( se forem
realmente necessárias - e são!)  do seu professor. Sei também que devido as
milhares de propagandas de cursos relâmpagos prometendo inglês fluente, meu
aluno realmente acha que eu ensinarei alguma técnica mágica que o fará acordar
falando um segundo idioma, sem esforço algum. É claro que nunca conseguirá, e
quando não consegue o que quer, rompe a relação e "fica de mau".  Paixão e
desilusão, psicologia e pedagogia são geralmente siamesas.

Conversando com outro educador, um amigo instrutor de Kung Fu; ele me disse que
precisamos ensinar o nosso aluno a ter disciplina** de qualquer jeito; ele
explica que assim como uma criança, os adultos também precisam que os limites
sejam impostos ( no caso do adulto, o limite da preguiça e do desleixo), pois a
sua tendência é se rebelar contra qualquer coisa que os remeta a impotência da
infância. Quem diria que o Kung Fu pudesse lembrar tanto Melaine Klain.

Ficam os dilemas: ter disciplina para obter a disciplina é o único caminho?
 Impor disciplina à disciplina ou deixar o aluno encontrar seu rumo
eventualmente?

Um pouquinho de etimologia ajuda - a palavra disciplina vem do Latim discipulus,
"aquele que aprende", do verbo discere, "aprender". De discipulus veio
disciplina, "instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada". Com o tempo, se
agregou gradualmente um novo significado, o de "manutenção da ordem", que é
necessária para fornecer instrução, pois disciplina tem a ver com aprender algo
para obter alguma coisa.

Contudo, se há tanta divergências entre os pensadores e educadores, talvez seja
porque exista diferentes tipos de alunos e obviamente, o bom educador sabe que
há diferentes tipos de aprendizado.

O sonho de qualquer professor é que seu aluno possa alcançar o seu objetivo de
aprendizado e qualquer educador sabe que reside no aluno, o segredo do tempo que
ele vai levar para obter isso ( boa vontade, gostar do que estuda e combate a
procrastinação é só os primeiros requisitos). Contudo, impor ao aluno, um regime
de ordem para que ele tenha disciplina é algo bem complexo e só funcionará com
aquele tipo de aluno que aprende assim. Mesmo que o educador consiga convencer o
aluno (que deixa tudo para depois) a ter esse regime, essa " disciplina" se
ocorrer, vai durar por pouco tempo ( cedo ou tarde, o aluno vai " transferir"
suas frustrações e traumas para o curso). A " disciplina" nesses moldes - mais
Kung Fu - só funcionará para esses alunos se houver um consenso mútuo e o
educador despertar nesse aluno, uma vontade genuína de buscar nessa "
disciplina/ordem" uma chave a mais para a sua disciplina real ( o conhecimento).


Se isso não ocorrer, cabe ao educador, colocar em prática a primeira lição que
todo professor deveria saber de cor: não somos a fonte da disciplina que
ensinamos, somos uma ponte " criativa" apenas.

Jureminha e Krishna

Jureminha acorda pela manhã e diz " bom dia" para mim, para Auri, para as suas bonecas, para os quadros da sala; diz " bom dia" para Jesus, Buda, todos os Orixás e ergue os braços em direção a vista do horizonte que aparece pela janela e diz: " Bom dia, Papai do Céu!".

Dai, o irmãozinho dela chora no quarto, ela sai correndo e eu digo:

- Diz "Bom Dia, irmão"!

E ela fala:

- Boommdddia, Krishna!





sexta-feira, novembro 30, 2012

O Tempo!




Passei toda a minha vida
Correndo contra o tempo,
Às vezes, eu tinha tempo demais,
Outras vezes, tinha de menos;
Até que um dia
Acordei sem tempo,
E vi um mundo sem passado
E sem futuro
Que acontece por dentro;
Em principio, foi difícil
Conceber um tempo
Onde tudo acontece ao mesmo tempo,
E diante dessa impossibilidade
De compreender esse momento,
Descobri que tinha que esquecer
O que eu chamava de memória
E não pensar no que traria o vento;
E diante do eterno momento
Que me entregou aquele tempo,
Compreendi finalmente
O que é meditar no presente!

quarta-feira, novembro 28, 2012

O Ego e o Dragão de Mil Cabeças !




Segundo o Dalai Lama, há dois tipos de ego:  um tipo só cuida de si mesmo para
conseguir alguma vantagem para si, ignorando os direitos dos outros. O outro ego
diz: "preciso ser um bom ser humano; preciso servir; preciso assumir plena
responsabilidade". 

Para chegar até aqui, você precisou construir o seu ego mais egoísta. Moldando-o
e enaltecendo-o, seu ego e toda a estrutura do seu psiquê te ajudaram a evoluir
e vencer a corrida da sobrevivência e garantir o seu lugar ao sol, porém não é
só de pão, água e sombra que vive o homem e para continuar a sua jornada, se faz
necessário compreender que sempre chega o tempo em que, como dizia Sri
Aurobindo, o auxilio inicial se torna um entrave.  

Chega um tempo em que o ego como um narciso apaixonado por um reflexo
distorcido, não dá espaço para o que é novo se manifestar e começa a se defender
de qualquer tentativa de mudança.  Como profundo conhecedor dos mecanismos
biológicos de recompensa e satisfação,  o ego se auto-alimenta com os elogios
que recebe, filtrando somente aquilo que o fortalece.

Aquilo que fortaleceu o ego no começo, já não é mais suficiente para sustentar o
sistema complexo que você se tornou. Esse algo a mais que tanto te tira o
sossego parece ser algo fora dos domínios do ego, e diante disso, para atingir
esse objetivo, uma nova consciência  vai emergindo e se espalhando pelo seu ser
e te mostrando que é tempo de perceber que nem ela nem o ego é verdadeiramente
você. 

Desconfio que o ego é um dragão de múltiplas cabeças e cada vez que cortamos uma
delas, uma outra aparece. Cada cabeça, cada ego tem seu tempo e possui o poder
de nos ajudar - os observadores - a chegar na experiência que desejamos alcançar
nessa dimensão.

Cabe a você, o observador central, trabalhar para manter essa percepção
consciente diante das máscaras que vão surgindo para te levar até onde você quer
chegar e não se identificar somente com elas para não perder a noção entre quem
é o personagem e quem está atuando. 

terça-feira, novembro 27, 2012

Tem Alguém Ai?




A jornada foi árdua. Quando olho para trás, é realmente um milagre não ter
desistido. Domar a mente, fazer as pazes com o meu demônio interior e finalmente
ter a disciplina para trabalhar meus chacras diariamente levou-me a um estado de
paz interna que me possibilitou, pela primeira vez, essa sensação.

Calmamente, respiro fundo e mergulho sem medo na imensidão que separa as
dimensões e percebo que todo o meu corpo se alinha para que minha mente possa
acessar o que há por trás do véu da matéria e com força de vontade e muita
concentração, vou me desviando dos devaneios e ilusões que se apresentam e
percebo surgir uma luz familiar e desconhecida; familiar por ser a mesma luz que
percebo brilhar em mim e desconhecida, pois ela é repleta do brilho que sempre
busquei. Esse brilho parece vir dos confins do universo e sinto que ele me
envolve e reluz em todo o meu corpo sutil. Não tenho dúvidas: estou diante da
presença de Deus!

Com lágrimas nos olhos, ajoelho-me diante de tamanha força e agradeço a ela por
me deixar testemunhar a sua existência e peço licença para compartilhar essa
experiência quando eu retornar.

Então sinto uma leve vibração que lembra o som de uma voz; as ondas vão
aumentando e percebo emocionado que estou ouvindo a voz do Criador:

" Você pode até compartilhar essa experiência" - disse a voz - " Mas não se
engane comigo! Não sou Deus, eu sou apenas outro cara que assim como você, busca
encontrar o Divino aqui também. A diferença é que eu moro... digamos... no andar
de cima. "

segunda-feira, novembro 26, 2012

Quem É Que Vai Acreditar?



Desconfio que o astral não quer ser revelado, se quisesse, não haveria esse
encantamento que apaga da mente a viagem noturna e vulgariza na palavra aquela
experiência tão encantada. Desconfio, e só desconfio que jamais conseguiremos
provar ao outro o Divino contato que brilha em nossos olhos e explode em certeza
no nosso coração. 

E aqui entre nós, que peleja besta é essa da gente tentar convencer o outro do
que flui dentro da nós; e parece que não aprenderemos nunca essa lição, basta
uma pequena sensação de contato com o mundo de lá, e lá vamos nós de novo,
tentar mostrar pro outro e narrar o inarrável, só para ver a nossa experiência
ser banalizada pelo crivo alheio e assistir a mágica experimentada, como água,
escapar pela palma alheia. 
Tral não quer ser revelado, disso tenho certeza, mas também acredito que
explicar o inexplicável é o que nos torna humanos. Dar nomes ao que não tem
nome; criar teorias que serão logo substituídas; insistir na teimosia de fazer
qualquer coisa, menos viver plenamente o aqui e agora.

quarta-feira, novembro 21, 2012

A Hora do Aperreio


Na hora do aperreio, quem olha os outro di cima, se põe di juelho. Para preservá
o que é seu, ateu grita " Meu Deus!", cristão vira macumbeiro e até muçulmano se
converti em judeu.

E para ninguém dizê que estou chamando Jesus de Genésio ou que fico pregando
esse tal evangelho da Nova Era; eu só quero dizê que quando o inverno toma conta
da primavera e a água bati na bunda, surge a fé sabi lá di onde e se revela uma
verdade profunda: só conhece o Seu Divino quem se assumi sê pequenininho peranti
o mistério do infinito e se põe a seu jeito, a rezá.

Daí, quando o sujeito se coloca de juelho na humilhação de suplicá por um
milagre feito, se disfaz o preconceito e reconhecemo que até quem escrevi com
erro, podi sabê de coisa que doutô em letra nenhuma sabe explicá direito.




sexta-feira, novembro 16, 2012

Rodeio ao Contrario



Levantem os chapéus para os bois e homenageiem os filhotes da égua, pois
valentes mesmo são esses bichos que precisam dividir conosco o planeta
Terra.

Como um Chiquinho de Assis; queria eu falar a língua dos animais para tentar
explicar para eles o porquê da fama dos Peões e como os rodeios são tão
populares. Mas como explicar algo inexplicável?

Como explicar a platéia lotada com tanta gente sorrindo com o que é feito
para atrair e entreter a audiência? Como será Chiquinho, que eu explico pros
bichos o que é ignorância?

Será que não há por ai um Sindicato dos Bichos, que explique para quem vai
num rodeio ou num circo, o que ocorre com os animais em nome do show, em
nome do riso?

Não, nem o sindicato, nem eu, nem o Chiquinho conseguiria convencer essa
gente o quanto os bichos são mal tratados; afinal o importante é a diversão
e é melhor ignorar, fingir não saber o que ocorre nos bastidores, no outro
lado.

“Bicho nem tem alma!” Dirão os mais espertos” O que me importa se ele leva
choque; pula tanto porque esta sofrendo ou se foi torturado?”

Ah, se eu pudesse falar a língua dos anjos ou dos homens, só pra dizer para
essa moçada:

“Amigo do rodeio, moçada que adora a farra, deixa eu te contar algo novo,
deixa eu te falar porque cada rodeio é uma roubada: a mesma vida que anima o
boi ou da força ao cavalo, é a mesma vida que corre em suas veias e no
coração dos seus amados.

Arrume uma desculpa para a carne na mesa ou pra jaqueta de couro no
guarda-roupa, mas me diga será que esses bichos não merecem um pouco mais de
respeito de quem tem alma? Será que é justo tanto sofrimento à toa?

É o seu ingresso que paga o rodeio, é o seu dinheiro que machuca o animal.
Quer dançar, se divertir e usar roupa de boiadeiro, vá para uma fazenda, um
show country, mas vê se para de aplaudir esse show onde à violência é o
prato principal.”

quinta-feira, novembro 15, 2012

Travessuras da Alma




Livre, livre pra voar novamente. Estou Livre!

Solto, flutuo pelo quarto, por todo lugar, noto minhas mãos, meu corpo; sim,
eu estou livre de novo. Sou bebe nascendo para lucidez, criança brincando de
ter consciência. Estou vivo, mesmo não estando no corpo.

Oba, a vida continua depois da morte! Uau, eles estão certos, há mesmo algo
lá fora, há vida, vida, vida por todo lugar.

Então deixa eu voar...

Deixa eu brincar de fantasma, deixa eu atravessar paredes, deixa eu olhar
minhas mãos; deixa eu voar.

Olha como o céu de sampa esta lindo, olha como para cada ponto de escuridão,
há uma luz brilhando e mostrando o caminho das asas; da vida que se estende
alem do corpo nas travessuras noturnas da alma, nas asas do espírito; que
livre voa pela noite por um instante que demora uma eternidade.

Deixa eu voar, mas deixa eu lembrar...

Deixa eu lembrar para contar a todos que nem que seja por um instante, todos
voam como pássaros; todos se saciam do doce sabor do céu, todos lembram que
fazem parte do todo.

Oh, eu não quero acordar agora. Vou achar que tudo foi fantasia, coisa de
quem lê listas; eu não quero acordar...


To voltando, to esquecendo...
Estou de volta ao corpo, mas ainda sinto o gosto das estrelas, o sabor do
céu. Estive por lá, consegui voar e lembrar.

Todos podem voar, voar, voar.

Mas se tudo tiver sido um sonho?


Que sonho lindo!

quarta-feira, novembro 14, 2012

O Passe do Bebê




Era tarde da noite, quando em meio a uma preocupação ou outra, tomei um
banho e tentei relaxar. Tarefas não terminadas no serviço, cobrança do
chefe, colegas de trabalhos invejosos e outros fantasmas faziam festa na
minha mente e tulmutuavam meu coração. Enquanto a água caia e banhava meu
corpo, pensei no quanto a vida às vezes te leva a corredores que parecem sem
saída e o quanto a gente perde tempo tentando encontrar uma solução para um
problema que não vai significar coisa alguma em alguns dias adiante. Sabia
que eram essas preocupações e o stress que isso causava que poderia fazer o
meu corpo adoecer, e pensando em controlar isso, sai do banheiro e fui pro
quarto, onde minha esposa, grávida de sete meses, repousava.

Fiquei observando-a por alguns minutos e meu coração foi se enchendo de
felicidade. Lá fora, a rotina do dia-a-dia podia estar me matando, mas em
casa, eu tinha abrigo em seus braços, sentia-me fortalecido com o seu amor e
meu horizonte se enchia de esperança com a nossa filhinha que estava prestes
a chegar nesse mundo.

Fiquei observando-a dormir por mais alguns minutos, até que ela acordou e
como se soubesse que eu não estava tão bem, disse: Estava sonhando com a
nossa filha! Ela estava preocupada com você.

- Esta tudo bem! Respondi

- Porque não diz isso a ela? Minha esposa sugeriu e eu encostei minha mão
direita em sua barriga, sentindo meu bebe flutuando por lá.

- Não se preocupe, filha. O pai esta bem! - Dizendo isso, fechei os olhos e
tentei ao mesmo tempo em que me comunicava com ela, passar através da minha
mão, tudo de bom que eu podia sentir, todas as coisas bacanas que eu podia
pensar; para que ela não se preocupasse com o pai; para que ela sentisse que
tudo estava bem; porem ao invés de sentir que passava energia para ela,
comecei a perceber que era eu que estava recebendo energia. Com os olhos
fechados, sentia que era da barriga da minha esposa que estava sendo emanada
uma energia douradinha, suave, recheada de muita paz, quietude e amor. Era o
meu bebe que estava dando um passe em mim!

Minha esposa sentiu que algo estava ocorrendo, mas eu não conseguia dizer
nada; só fiquei ali sentindo aquele carinho que não tem nome, que não se
descreve. Amor de uma filha que nem havia ainda nascido para o seu pai, que
emocionado chorava como uma criança.

Naquele momento senti o quanto estava perdendo o meu tempo com coisas
ilusórias, passageiras. Os problemas no serviço deveriam ficar por lá, e não
estarem ao meu lado no templo da minha casa, no nosso solo sagrado; onde eu
deveria ocupar os meus pensamentos com o amor da minha família.

Que sono tranqüilo tive aquela madrugada e como tudo o que sentira na noite
anterior se tornara tão pequeno ao nascer daquela manha. Antes de ir
trabalhar, beijei minha esposa, e novamente me comuniquei com a minha
amparadora: “Minha neném, obrigado por mais uma vez ajudar o papai.”


Frank
23 de Maio de 2005

Os: Dedico esse texto ao amigo Olavo Borges e a sua filhinha. Escrevi essas
linhas, enquanto lembrava de uma conversa que tivemos no Solo Sagrado, num
dos Encontros Voadores, onde ele me contou que certa vez ao tentar dar um
passe de energia a filha, foi ele que tomou o passe da menina. O carinho do
Olavo pela filha é tão contagiante que inspira a gente a seguir seus passos.
Oxalá que um dia eu seja um pai tão dedicado a meus filhos quanto ele é pela
sua familia.
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