terça-feira, outubro 30, 2007

O Mago Alquimista

Queria ser mago, ser bruxo,
Fazer chover, dominar o medo,
Mas sabia que para ler a linguagem do mundo,
Precisaria entender primeiro a mim mesmo.

Decidi então ser um simples Alquimista,
E ví que não era tão dificil transfomar chumbo em ouro,
Mas foi o amor que me mostrou num certo dia ,
o que era realmente mais precioso.

Fui transformado de homem cinza para homem dourado,
Numa noite de total alquimia de corações em sintonia,
Sol e lua entraram em eclipse, céu e terra se uniram e formou-se o barro,
e finalmente percebi qual era a verdadeira alquimia
pois da união entre minha amada e eu, nasceu a nossa filha.

Hoje olhando minha pequena criança,
Percebo o que é realmente magia.
E amando-a na saúde e na doença,
Finalmente estou me tornando um Mago Alquimista.

Londres
21 de Dezembro de 2003
Frank

sábado, outubro 27, 2007

Paraiso na Sua Porta


Ah, se eu pudesse te mostar as maravilhas de um certo lugar, tão próximo que
muita gente não consegue enxergar.

Ah, se eu pudesse te fazer escutar as doces melodias que ecoam pelo ar, você
entenderia que as flores estão sempre a cantar, e que uma sinfonia é entoada
pelas pétalas de uma rosa ao desabroxar.

Ah, quantas coisas bonitas que fazem sorrir e chorar de alegria e gratidão a
cada despertar e as vezes passam desapercebidas na pressa em caminhar e na
ilusão de querer chegar a nenhum lugar.

Ah, e ainda dizem que paraiso você só vai encotrar depois de desencarnar,
mas o que estou aprendendo é que o paraiso está aqui mesmo, no aqui e agora
para gente experimentar.

E esse paraiso é tão fácil de adentrar, de sentir, de olhar, de cheirar;
tudo o que se precisa fazer para nele chegar é parar de procurar e perceber
que está á sua porta, nas coisas simples do dia-a-dia a te esperar.

Frank

sexta-feira, outubro 26, 2007

O Mestre da Cadeira Vazia


Certa vez pedi um mestre
Que me ensinasse as coisas da vida,
E através de um sonho, alguém quis que eu soubesse,
Que o meu grande mestre estava sentado atrás de uma
cortina.

Curioso me aproximei
Com todas as perguntas que eu tinha,
E surpreso o que encontrei,
Foi apenas uma cadeira vazia.

Quando acordei tentei entender
O que a cadeira vazia significava;
E por mais que pensasse, continuei sem saber,
Onde é que o meu mestre estava.

Então na noite seguinte sonhei novamente
Com a mesma cadeira vazia;
Mais dessa vez havia comigo mais gente,
Ao redor da cadeira do mestre que ninguém via.

E uma onda de lucidez e amor foi tocando a gente
Enquanto uma voz ia sendo ouvida;
Explicando para todos que por mais que se tente
O único mestre que vamos encontrar é a própria vida.

Por isso a cadeira estava vazia,
E embora os mais sábios e tolos tentem ocupá-la;
Cedo ou tarde, estará bem a vista,
Que seguir outros passos não encurtará a nossa jornada.


28 de Agosto de 2003
Calcutá, Índia
Frank

quinta-feira, outubro 25, 2007

As Cores de uma Canção


Veio com uma canção, de repente, sem aviso; elevando-me ao topo da montanha do meu coração, onde sou amor e boa aventurança, sem esforço e sem segunda intenção.

Era apenas uma meditação,um conversar com Deus, um desejo de sentir-me livre das
sensações e emoções pegajosas do dia-a-dia. Tentei orar, pareceu artificial, não consegui. Peguei um texto, pulei as palavras, não lia. Enfim, deixei-me levar pelas ondas sonoras de uma bela canção.

Minha mente silenciou, meu coração se abriu. Do aparelho de som, a melodia ecoou pelo quarto,como se pequenas partículas coloridas fossem criadas a cada nota tocada.

Não era preciso oração. Não era preciso palavras. A canção era a corda que precisava, para escalar o pico mais alto que o homem pode alcançar;e ao chegar, percebi com surpresa que era como se sempre estivesse lá.

Por segundos, que parecia eternidade, sabia de tudo e explodi em milhões de pedaços.

Cada pedaço, uma história. Cada história, uma experiência. Cada experiência, uma escolha, e em cada escolha, realização. Segui observando em mim mesmo, o nada e o tudo,o tudo e o nada.

Até que a música foi acabando e a contra gosto fui retornando para a "casa" que habito nesse aqui e agora.

Abri os olhos; olhei pra cama e percebi que já era hora de repousar essa casa e voar pelos ares; e quem sabe agora, não mais ouvindo, mas sendo a própria canção a ser tocada.

Framk

Nota*: Que sejamos todos fonte de inspiração para aqueles que nos cercam através de nossas ações, e não só por meio de palavras ou tentando convencer alguém do que achamos ser o certo ou o errado. Que cada ação seja uma nota musical explodindo em cores no coração de cada um que encontrarmos.
Nota**: A canção que ouvia no momento da meditação era a Rainbow Way do CD de mesmo nome do cantor Oliver Shanti.

Templo do Elefantinho

Há um templo com bandeirinhas amarelas em algum lugar da India. Desconfio que seja nas montanhas, pelas voltas que tivemos que dar, se bem que podiamos ter atravesado
o monte, mas ninguem quis se aventurar.

Já estive por lá inumeras vezes, e sempre acordo repetindo o mantra : Ganesha Saranan, Saranan Ganesha*.

O templo é dedicado a Ganesha, o Deus elefante da mitologia hindu,e estátuas do padroeiro dos escritores estão por toda parte.

Estranho que quando sonho com esse lugar, essas imagens sempre me trazem uma sensação imensa de familidariedade. A sensação de alegria e força interna,
sempre acompanha esses sonhos, seguido de muita inspiração, quer seja para escrever uma poesia ou trabalhar com arte.

Comecei a desconfiar que não era sonho, quando uma amiga contou que sonhou com o mesmo lugar e perguntou se eu lembrava disso. Respondi que sim e ela exclamou: Nossa tivemos o mesmo sonho!!!

Será que era apenas um sonho?

Esses dias, após uma prática de meditação, acabei relaxando demais e dormi. Para minha surpresa, quando despertei, estava com a minha esposa dentro desse templo.

O interessante disso tudo, é que mesmo não lembrando totalmente que algo espiritual ocorre conosco quando dormimos, tenho cada vez mais certeza que enquanto o nosso corpo descansa na cama, a nossa consciência ( alma, espírito, ou seja lá como vocês queiram chamar) continua em atividade em outro lugar.

Em tempo : por que estou contando isso ? É porque estou desconfiado que essas visitas ao templo do elefantinho tenha algo a ver com minha mão que não quer parar de escrever.

Ou será isso apenas coincidência ?

Frank


********************************

*Ganesha Saranan : Mantra de proteção do Ganesha. Pedindo refúgio espiritual dentro da energia dessa divindade hindu que não tem nada de lenda ou misticismo ( explicação: Professor Wagner Borges).

Imagem: Representação do Deus Ganesha na peça Lakshimi: A Deusa.

quarta-feira, outubro 24, 2007

O Ego e a Consciência

I
Coração partido
Estradas separadas
O ego pergunta
A Consciência cala

A lembrança do beijo
O peso do tapa
O ego se irrita
A Consciência cala



Certas palavras
São como navalhas
O ego grita
A Consciência cala

A dor é clara
Em qualquer jornada
O ego xinga
A Consciência cala


II

Quando o mundo diz não
A experiência prevalece
O ego ataca em vão
A Consciência sorri e segue

O espinho fere
Mas a beleza da flor permanece
O ego não entende e perece
A Consciência sorri e segue

Perder em vida
Dói mais que perder em morte
O ego duvida
A Consciência sorri e segue

III


Alem dos estragos das paixões que não existem mais
A jóia do peito brilha eternamente
O ego ferido vai ficando pra trás
O coração calado segue pra frente


IV

Siga em frente, consciência eterna
Mesmo que eu não entenda seus motivos
Um dia saberei que sua não-ação não é inércia
E o seu silêncio fala mais alto que meus gritos

Frank

terça-feira, outubro 23, 2007

Um Mundo sem Livros


Ontem a noite sonhei
Que acordava num mundo sem livros
E como amo tanto ler
Quase fiquei maluco

Não havia computador
Nem jornal, nem revista
E para aumentar o meu temor
Esqueci como escrevia

O mais estranho é que em tudo acreditei
Que podia ser sonho, nem sequer desconfiei
Como crianca tive que aprender a ler e escrever novamente
Sem tantas condições e oportunidades como anteriormente

Para cada palavra aprendida um valor
E em cada palavra lida um orgulho
De aprender desta vez com amor
E a dar valor ao conhecimento expresso no mundo

Quando acordei, mal pude acreditar
Que nada fora real e com alívio respirei bem profundo
Mas uma coisa esse sonho veio me ensinar:
Ter mais prazer e brilho no olho em meus estudos

Pois sei que nem todo mundo tem condições de comprar um livro
E boa parte do povo nem sabe que existe internet
E por isso que agradeço o que aprendo e o que experimento compartilho
Tentando manter nas palavras o amor que o universo tanto me fornece


Frank

quinta-feira, outubro 18, 2007

Olhar de Mãe

Esses dias, eu pesquei um olhar de mãe. Nada de novo, mães olham seus filhos o tempo todo; por vezes com orgulho, outras vezes com não tanto, mas esse é um daqueles olhares de amor puro, que tanta gente sente falta nesse mundo.

Era Domingo, dia perfeito para reunião de família, mesa farta, crianças correndo pela casa, ouvir “ vai embora não...tá cedo”, mesmo quando o galo já prepara seu cacarejo. Foi depois do almoço, quando brincava com meus sobrinhos no sofá, que percebi certo olhar, olhar que até agora tento descrever, compreender, mensurar e quanto mais tento, mas volto a um estado de não-palavras, de total graça.

Não era olhar qualquer-amor, nem amor ganha-perde, nem se reduzia ao tempo e ao espaço. Era amor fluindo boa aventurança por todos os lados. Amor corrente, fluindo naturalmente dela para mim, mesmo que eu não notasse, esse amor assim meio sem fim.

Amor de mãe para filho, atemporal, incondicional e indestrutível. Amor que flui desde sempre e eternamente foi, é e será. Amor que filho não sente pela mãe e nem pai sente pelo filho. Amor que ninguém consegue imitar.

Eu quase consegui pegar aquele olhar, guardar no bolso e distribuir para todos, mas o máximo que consegui foi sentir, e depois de tentar tanto descrever o que recebi, desculpe amigos leitores, acho que vou desistir.


Frank

terça-feira, outubro 16, 2007

Aprender Ensinando ( Dia dos Professores)

Ensinar é um desafio constante.

É ser bandeirante e abrir novos caminhos dentro da mente dos estudantes.

É ser humilde para entender que o conhecimento do assunto não o torna mestre do aprendizado.

Por vezes, os papeis se invertem, mestre vira aluno, aluno vira mestre. Outras vezes, claramente, se percebe que de tudo o que foi ensinado, nada foi assimilado, pois cada aluno tem seu próprio ritmo e nem sempre eles aprendem tão facilmente o que já virou lugar comum na geografia do Professor.

Por isso quem ensina, precisa rechear seu ensino com amor.

Amor para aprender a ler olhares. Olhar de quem nada entendeu e olhar que recita sem ter decorado, a informação recebida.

Amor para escrever mais que o ABC na lousa. Amor para ensinar o alfabeto da solidariedade.

Amor pra imprimir no coração do estudante, lições de tolerância, respeito e humildade.

Amor para perceber com satisfação que a melhor nota que um estudante pode atingir não estará presente no teste escrito ou na prova corrigida e sim no sorriso de quem agradece ao professor mais uma lição de vida aprendida.


Frank

Ps: Dedicado a todos os Professores e Mestres que continuam aprendendo com seus Alunos.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Não e Sim


Ela disse não quando eu queria ouvir sim. Disse não com toda razão, pois não havia possibilidade do sim, por mais que eu achasse que não.

Na verdade, eu achava que sim; não achava que ela fosse dizer não; quem pensa em não, quando se quer tanto um sim?

Queremos sim, pois morremos de medo de ouvir não. Não machuca, não repele e não assusta. Não queremos ser rejeitados, não queremos não ser queridos.

Queremos sim sempre, pois sim dá prazer e sim nos faz bem. Sim, Odiamos ouvir não! Contudo o não ensina, o sim vicia; o não fortalece, o sim nos enfraquece; o não nos mostra o valor do sim, o sim tem sentido de não.

Ela disse não e agora eu entendo que foi sim.


Frank

domingo, outubro 14, 2007

Uma Árvore Chamada Esperança

Em meio ao cinza do centro de São Paulo, respira o Ibirapuera. Mais que um parque, é do centro de Sampa o pulmão.

Costumava meditar em seus gramados e era lá que morava uma amiga que cedia gentilmente sua sombra para as minhas leituras e escritas, carinhosamente a apelidei de Dona Esperança.

Ela era uma árvore velha, diziam que tinha mais de 100 anos. Suas raízes se esparramavam ora embaixo, ora encima do gramado e em seus troncos estavam pichados nomes de casais e palavrões. Os moleques costumavam se pendurar em seus galhos, o que me atrapalhava às vezes, mas como Dona Esperança nunca reclamava quem era eu para dizer alguma coisa.

Li muitos livros legais sob sua sombra e foi por lá que escrevi a minha primeira declaração de amor a minha esposa.

Meditar ali era sempre um prazer e em certos dias, a gente atá batia um papo. Eu a agradecia pelo oxigênio e pela sombra e ela me agradecia por ter tempo de conversar com ela.

Cara, que tardes agradáveis passei por lá. Todo dia claro era desculpa, para arrumar um tempinho e ir até o parque.

Meditando, lendo, escrevendo ou apenas descansando, fui começando a nutrir um grande afeto por aquela velha amiga e ela o mesmo por mim.

Apos algum tempo fora dos pais e da cidade, retornei a São Paulo e ao parque pulmão, e procurei ansioso por Dona Esperança, mas só encontrei o tronco pichado e cortado no lugar onde minha amiga morou por mais de 100 anos.

Lembrei com nostalgia de nossas tardes e amizade, e lamentei sua ausência.

Consolei-me com a cena imaginaria de sua morte por um raio ou qualquer outra obra da natureza para sua partida; mas ao ver um homem jogando a lata de cerveja no lago, mesmo com o lixo a poucos metros, fez com que eu sentisse vontade de chorar e começasse a desconfiar de outras causas mais humanas para o desaparecimento de minha amiga, porém insisti com a idéia de raio na cabeça e com a fé nos homens apesar da Dona Esperança ter sumido e da lata que junta a outras tantas descansa no fundo do lago do parque.

Frank



"Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz” (Tom Jobim)

sábado, outubro 13, 2007

Próprio Amor

Chateada, ela caminhava. Olhos tristes, coração vazio de atenção. Seu amado novamente furara um buraco em seu peito e a tristeza a acompanhava a cada passo de sua jornada rumo a solidão.

Amava tanto a idéia de amar, que mesmo amando, sozinha estava. Seus amados não correspondiam ás suas expectativas; nem a eles, ela interessava. Ela preferia ficar com alguém para evitar ficar sozinha, mas sozinha sempre continuava; e se importava, dramatizava, como se adorasse viver aquela tragédia planejada; embalada com a sua própria dor, onde deveria ter um próprio amor.

Mágoas ela guardava; rendida, derrotada, lutando em manter alguém ao lado que nunca foi seu. A estima tão necessária para encontrar o príncipe que o universo lhe prometeu, sumia a cada passo seu e ela continuaria definhando, sofrendo e atuando nesse seu drama, menos grego, mais mexicano; do coitadinho ser humano, se não visse uma frase pichada no muro. A frase era para ela, não havia engano:
“Que mal fazemos a Lua e ao Sol quando os ignoramos?”

Uma frase, algumas palavras, como se fosse um furacão, a arrancaram do chão. Ela se viu e do que viu, percebeu que ela não passava de um poço de lamento e desilusão. Ela pensou, discerniu, ponderou e percebeu que não dependia de atenção para brilhar. Ela não precisava do espelho nos olhos do outro refletindo aceitação. Ela era o sol, a lua, em toda a sua dimensão e não poderia atrair alguém que viesse para ficar, se continuasse na sombra, a flertar com a escuridão.

Por fim, voltou a caminhar, dessa vez de cabeça erguida, pois compreendeu que só encontramos do amor, a jazida, quando temos estima por nossa própria vida.

Dois Pares de Asas


Voava, quando ela tocou minhas asas. Por ela esperava, mas sabia que encontros assim, não tem hora marcada. Quando a vi, ela já estava na altura das minhas asas e sua aura era do tamanho do Himalaia.

Nossos corpos no ar bailavam, como se não fossem corpos, mais nuvens coloridas, onde nossas consciências fluíam e se condensavam. Podia sentir seu toque e ela era tocada, como se minha alma a dela se juntasse, num gozo continuo, entrega eterna, por entre a noite clara.

Não via seus olhos, mas sabia que ela me olhava. Por vezes, ela era parte de mim, outras vezes, fora estava. Não era sonho, sentia tudo como sinto o agora; nem era realidade, pois mais que acordado, mil vezes lucidamente eu pensava.

Voava, eu e a minha amada, como se sempre estivéssemos por lá e a gravidade tão injusta com os homens na terra, naquele lugar, deixava homens pássaros se tornar.

Amava, juro que a amava , em corpo e alma, coração e corpo, mas nesse amor, eu era o próprio beijo, o próprio gozo. Minha amada em mim entrava, como se o próprio amor se manifestasse e quisesse saciar a minha alma, numa fusão de auras, batida conjunta de dois pares de asas.

Ainda sinto o toque da minha amada em minha aura. Não posso te provar, amigo, que voei com ela até que o sol nos trouxesse de volta, mas saiba que na hora certa, você também sentirá suas asas, pois somos todos pássaros nos braços da nossa amada.

Lakshami: A Deusa e os Voadores

Mais um encontro com a Deusa e dessa vez com meus grandes amigos voadores junto comigo.

Foi com satisfação que fiquei sabendo que a Dharma Cia de Artes iria reapresentar o espetáculo Lakshami a Deusa, no Teatro João Caetano. Tinha assistido o espetáculo em Maio passado e ainda continuava ouvindo o mantra "Sri, Sri MahaLaksmi namaha" no meu coração e mente. A imagem da dançarina e atriz Thais Graça incorporando a Deusa ainda bailava no meu coração, com a som da voz magistral da Meeta Ravindra. Como só fiquei sabendo da apresentação no último dia de espetáculo em Maio, não tive tempo de convidar meus amigos da Voadores e do IPPB, os quais eu tinha certeza que adorariam estar presente.

Parece que a Deusa atendeu minhas preces e o espetáculo começou a ser reapresentado e fui um dos primeiros a chegar na estréia, junto com minha querida amiga voadora Liege, minha irmã, primas, minha musa Auri e amigos. Logo chegou o Gustavo (Voadores BH) e uma amiga, depois o Fabio Mocci e a namorada, mais a turma do IPPB: Samuel, Felipe, Zé Luiz e meu querido amigo Vanderlei com suas respectivas companias.

Novamente, embarquei ( dessa vez junto com meus amigos) numa viagem pela India, por meio dos cantos devocionais a Lakshami, na voz maravilhosa da Meeta e na dança espetacular da Thais.

Enquanto dança, Thais consegue tocar a alma de cada um presente com os seus movimentos e passos. É de arrepiar a alma e fazer jorrar o coração de amor, sua dança da prosperidade, em que ela despeja "moedas de ouro" para seus devotos. Enquanto ela fazia isso, era como os bolsos da minha aura se enchessem de boa aventurança, coragem e força para buscar aquilo que tanto desejo para a minha vida.

No final do espetáculo, todos estavam visualmente tocados pela magia e beleza desse "ritual" ( palavras da Liege) homenagem a Deusa da prosperidade.

- Frank, foi assim da outra vez? Perguntou minha irmã.

- Não - respondi- eles surpreendem a cada espetáculo, e meu amigo Ganesha não me deixa mentir...

Frank


O espetáculo continua até o dia 28 de Outubro ( ás Sextas, Sábados e Domingos. Mais informações:
Teatro João Caetano
R. Borges Lagoa, 650 Vila Clementino.
Metrô Santa Cruz
Tel: 3515 7512

segunda-feira, outubro 08, 2007

Por quem as Árvores Balançam


Ei, larga essa preocupação e vem aqui viver e ver. Vem pisar na grama, na terra; vem pisar no chão pra valer. Vem respirar os raios de sol que carregam o sopro da vida, vem sentir o ar recheado de amor. Vem olhar o mundo que criaram para ti, vem perceber porque chamam quem te deu consciência de Criador, mas esqueça por um momento, o criador da ignorância; esqueça o criador que julga e pune peraltice de criança.

O Criador de quem falo é a inspiração por trás da pena do escritor.
É a poesia mambembe de versos tortos desse poeta; é a melodia pronta nas cordas vocais do cantor; é o criador das tintas que o artista usa na aquarela.

É o Criador que enche de perfume a flor e a faz desabrochar.
Só para você enxergar que o amor não pára de jorrar em todo lugar.

É por esse Criador que os sinos batem, os pássaros cantam, as folhas caem e as árvores balançam.

É por esse homem ou mulher, velhinho ou menino; mal-me-quer e bem-me-quer,
isso ou aquilo, que os poetas e sábios tanto falam e que tanta gente confusa
mesmo chamando-o de diferentes nomes, só o sentem na pele, na fuça, quando
se apaixonam.

Por isso vem aqui fora, vem viver um pouquinho. Larga esse problema de lado,
só por agora, vem brincar de ser menino. Menino que olha o mundo com os olhos de aprendiz e sabe que é preciso muito pouco, um sonho recheado, um sorriso bobo; uma coisinha de nada para ser feliz.

Vem cá, vem aqui; vem brincar de ver o criador nos olhos dos outros, na criança que ri; e eu te prometo, não como quem quer evangelizar, mas como quem compartilha um segredo; que seus problemas ou seja lá como você chama, o que te desanima, o que te amedronta, vai passar, só basta você olhar para o mundo e começar a enxergar.

Frank
22 de outubro de 2003

O Pingo de Gente e a Lua


O Pingo de Gente e a Lua

Pingo de gente
Sonho gigante
Alcançar a lua

Com fitinhas roubadas
Criava mil laços
Enfeitava as ruas

Queria ser grande
Cair na estrada
O mundo trotar

Dos treze, a ultima.
Menina pequena
Tinha que aceitar

Mas a menina fez moça
Da moça á mulher
Passou num piscar

Da menina descalça
Vestido de chita
Pouco há a lembrar

Virou estrela ousada
Atrevida, nunca calada
Com o olhar no infinito

Trilha sua estrada
Sabe que há jornadas
Que se faz num grito

Mas paciente aguarda
Sua chance de na lua
O pé botar

Pois suas fitinhas douradas
Virarão asas
E em breve ela voará

Lakshami: A Deusa

Quase nunca divulgo agendas de espetáculos aqui no "Crônicas do Frank", mas vocês não podem perder esse espetáculo que ocorrerá em Sampa apartir do dia 12 de Outubro.

Para todos aqueles que adoram mantras, a cultura indiana, boamúsica, arte,teatro e espiritualidade.

Tive a oportunidade de assistir a peça em Maio passado e fiquei emestado de graça.Ainda mais que a peça no final acabou com a presença e a voz da Meeta Ravindra.

Saiam de casa e preparem-se, para levar um banho cardiaco e voltarpra casa nos ares.Para quem quiser ler o que senti durante e pós espetáculo, leia abaixo:
http://cronicasdofrank.blogspot.com/2007/05/um-presente-da-deusa.html

Dica imperdivel: 12 a 28 de Outubro

LAKSHAMI A DEUSADharma Cia. de Artes. Dir.: Prem Mukti Mayi. Com Thais Graça,Patrícia Wormhoudt, Pujarin e Renata Volpato.
Espetáculo teatral comdança, música e exibição de documentário, retratando a importância da Deusa Lakshami – a Mãe Divina – na cultura indiana. 10 anos.
Teatro João Caetano. Zona Sul. Dom: 20h.
Preço: R$ 10.
Teatro João Caetano
Endereço: R. Borges Lagoa, 650 - Vl. Clementino
Telefone: 5573-3774 e 549-1744

domingo, outubro 07, 2007

A Maior Invenção do Homem

Dizem que as maiores invenções que o homem criou
Foram sem dúvida alguma a roda e o carro;
Eu concordo com a genialidade de quem as inventou,
Mas eu ainda assim votaria na invenção do Abraço.

Abraço não precisa de dinheiro,
Abraço não precisa de estrada,
Abraço não fura pneu,
Abraço não exige gasosa.

Abraço não tem patente,
Abraço ninguém sabe quem criou;
Mas se sabe que abraço é semente,
Primeiro passo para o amor.

Há abraço de todos os tipos.
Tem abraço novo a cada dia,
Há o abraço que nunca se acaba,
Há abraço que não se sabe onde começa e onde termina.

Há abraço de boa noite na cama,
Abraço de bom dia em quem ao seu lado acorda,
Abraço de longa jornada,
Abraço saudoso em quem vai embora.

Abraço cara a cara,
Abraço umbigo a umbigo,
Abraço da pessoa amada,
Abraço gostoso de amigo.

Abraço afastado de macho,
Abraço perninha levantada,
Abraço apertado e cruzado,
Abraço palminhas nas costas.

Abraço de pai orgulhoso,
Abraço vergonhoso de filho,
Abraço de mãe preocupada,
Abraço de pais adotivos.

Há abraço que se recebe e abraço que a gente doa,
Há abraços por aí, mais profundo do que qualquer verdade,
Mais o abraço maior que se pode dá a uma pessoa,
É aquele em que se abraça alguém, e se repercute em toda a humanidade.

Como disse há abraço de todos os gostos,
E todo mundo quer receber um de coração.
Agora veja se você não está de acordo,
Que o abraço foi do homem a maior invenção.

SOMOS TODOS UM SÓ ABRAÇO

16 de Novembro de 2003

Frank

sexta-feira, outubro 05, 2007

O Curupira e o Canto do Menino

O que fazia o menino quando o caçador o encontrou, senhor? Ele cantava, senhor, cantava.

O menino cantava, como se não estivesse perdido na mata por 12 dias, senhor. A família já tinha desistido, perdido a esperança. A mãe chorava noite e dia; mas depois se conformou. Ela sabia que aquilo era obra do Curupira, senhor. O Curupira, esse ser medonho dos pés tortos, vive atraindo gente pra mata e essa gente nunca volta. Como que pode? A família chorava e o menino cantava.

Ele só tinha 3 anos, senhor, moleque assim magrinho que até gavião pode pegar. Num momento ele estava brincando, no outro sumiu, senhor. Quando a mãe sentiu falta do menino, ele já devia estar dentro da mata. Essa mata, senhor, homem nenhum sobrevive muito tempo; imagina um menino por 12 dias vivendo entre onças, porcos-do-mato e cobras. Será que o Curupira se arrependeu quando ouviu o menino cantando?

O menino enfeitiçou o Curupira, senhor. Só assim, dá para explicar como esse menino ficou 12 dias na selva. O moleque falou que alguém lhe deu fruta e água. O médico disse que foi delírio, mas a gente que mora por aqui sabe de umas coisas – tem gente na floresta que não é desse mundo, senhor. Tenho até medo de falar nessas coisas, mas o menino foi achado e quando o caçador o viu, ele estava cantando. Se não fosse pelo canto, talvez ele não tivesse sido encontrado, nem sido poupado pelo Curupira.

Será que o Curupira foi um menino perdido que não sabia cantar, senhor?

Frank


Notas do autor: Conto baseado no artigo abaixo:
* Menino perdido há 12 dias é achado por caçador no AM
Caçador que encontrou o garoto contou que ele cantava uma música de ninar debaixo de uma árvore...
Saiba mais no site:
http://www.estadao.com.br/geral/not_ger60216,0.htm

** O Curupira é uma figura do folclore brasileiro. Ele é uma entidade das matas, um anão de cabelos compridos e vermelhos, cuja característica principal são os pés virados para trás. Este defeito lhe é especialmente útil para uma de suas maldades prediletas: fazer pessoas perdidas na mata seguir-lhe as pegadas que, afinal, não levam a lugar nenhum.

Saiba mais sobre o Curupira no site abaixo:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Curupira

quarta-feira, outubro 03, 2007

O CATADOR DE ESTRELAS


Amendrotado observara,
Seus pais brigando por motivo algum;
E orou a Deus pedindo duas estrelas emprestadas,
Para colocar no peito de cada um.

E tal como Mágica, difícil de ser explicada,
Seus pais se abraçaram, pedindo um ao outro perdão;
O menino sorriu e prometeu desde aquela data,
Que onde houvesse briga ele transformaria estrela em união.

Ele sabia que o mundo às vezes mergulhava no medo,
E que as pessoas brigavam para convencer as outras de
suas incertezas.
Assim ele foi tentando enviar luz desde cedo;
Trabalhando na Terra como Catador de Estrelas.
Na escola, quando os coleginhas se desentendiam,
Porque um gostava de miolo e o outro da casca do pão,
O menino fechava os olhos fingindo que anoitecia,
Para arrancar do céu estrelas e acabar com a discussão.

Havia dias em que ele pensava em desistir.
Com tanta briga no mundo, o brilho da noite poderia
acabar,
Mas percebeu que cada vez que catava uma estrela dali,
O Criador colocava outro no lugar.

Quando cresceu ele pensou em ensinar
Os outros como catar estrelas e envia-las ao mundo,
Mas quase ninguém queria aprender a compartilhar,
Porque dava trabalho e não tinha futuro.

Disseram a ele que todo Catador de Estrelas
Que já tinha na terra existido,
Tivera um vida cheia de tristezas
E fora por todos incompreendido.

Mas só de pensar no sorriso das amizades reconciliadas
E nas brigas transformadas em sorrisos,
Assumiu que mesmo se o fim da estrada não desse em nada,
Já valeria a pena transformar estrelas em riso amigo.

Dizem que até hoje ele segue pelo mundo
Transformando a sombra da dúvida em luz da certeza,
E se algum dia ao invés de brigar, você desistir de tudo,
talvez seja obra do Catador de Estrelas.

Frank
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