sexta-feira, setembro 28, 2012

Espiritualidade sem religião



Conheço Jonas há anos, ele me chama de crente e eu o chamo de ateu.

Ele acompanhou toda a minha fase de "esquisoterismo": quando eu meditava em ônibus e entoava o bija mantra OM até em fila de banco. Teve paciência para não me mandar para aquele lugar, quando tentei convertê-lo a acreditar nas minhas verdades absolutas e se manteve amigo, mesmo quando eu disse que o fato dele não acreditar em Deus era obra de assédio de algum obsessor de vidas passadas.

Estranho é que por mais que eu tentasse convencê-lo das minhas descobertas espirituais ou que os Et´s realmente faziam contato o tempo todo; ele nunca tentou me convencer com as suas (des) crenças. Ele sempre diz, que para ser feliz e fazer outras pessoas felizes, não era preciso ter uma religião ou acreditar em um Deus. De fato, nunca vi alguém tão bom e tão integro quanto o Jonas. Ele está sempre disposto a ajudar os amigos e familiares; sabe dizer não, mas está sempre disposto a dar uma mão quando precisamos.

Pensando sobre isso, me dou conta que o Jonas é o cara mais espiritualizado que conheço. Mesmo sem acreditar em nada do que tanto "tenho certeza"; ele é a prova viva que o divino está presente em todos os aspectos da vida, não só naqueles que fazem parte de algum ritual religioso. Ás vezes, achamos que para estar perto de Deus, é preciso falar sobre Ele ou estar presente em um templo, ou fazer meditação ou alguma técnica antiga que te permita abrir a terceira visão. Esquecemos que estamos perto de Deus o tempo todo, ainda mais nas coisas cotidianas, das quais extraimos as melhores lições: brincar com os nossos filhos; varrer o chão de casa enquanto ouvimos música alta; andar de bicicleta no parque; trabalhar 12 horas e estar feliz por estar empregado e fazendo algo que te dá prazer e em tantas outras atividades que estão ocorrendo o tempo todo na nossa vida, mas ainda não conseguimos enxergar a sua beleza.

Esse meu amigo Ateu é um dos caras mais bem humorados que conheço e também é um grande lembrete para mim, pois todas as vezes que exagero na dose e volto de uma experiência espiritual, totalmente do lado de lá; ele me lembra que só estou aprendendo todo esse A a Z de espiritualidade para usar aqui mesmo, na terra; lugar onde Jonas já pratica toda essa teoria que ainda estou tentando assimilar.

quinta-feira, setembro 27, 2012

Palavras e ouvido




Odlavir, sujeito controlado, sempre planejava cada ação. Sabia que se tudo fosse perfeitamente organizado, alcançaria seu objetivo mais rapidamente e teria menos chance de perder essas oportunidades, que dizem as línguas fracassadas, só ocorrem uma vez na vida. 

Odiava deixar as coisas para serem finalizadas pelo acaso. Não acreditava em coincidência; cria em uma visão de mundo pragmática, onde as coisas certas acontecem somente para as pessoas definitivamente preparadas. Ele apenas se esqueceu, que suas regras se aplicavam para boa parte das "coisas" da vida, mas não para aquelas outras "coisas" que incluem o coringa do amor.

Ele se apaixonou. Maria era uma menina discreta e sincera, naquela idade nem tão nova, nem tão avançada, dos 25. Era direta, ainda fruto da meninice de quem fala o que lhe dá na telha, e ao mesmo tempo madura, sabia onde queria ir e como chegar lá. Aquela mistura de menina e mulher confundiu completamente a cabeça de Odlavir, que precisava distinguir menina de mulher e mulher de menina; talvez tenha sido essa confusão, que tocou, com o perdão da rima, o seu coração.

Não havia planos numéricos para o coração. Nenhum algarismo conseguia dar a soma da sedução correta ou a fórmula ao quadrado dos lábios de Maria; nada que ele planejava, conseguia surtir efeito. Uma amizade sincera havia surgido; aqui ou acolá um toque carinhoso e um sorriso, que ele achou que era, até um pouco convidativo; mas não havia como se enganar, embora ele não conseguisse evitar o desejo por aquela bela moça-mulher; ela apenas nutria um carinho platônico, um desejo de estar junto que não envolvia corpos embaixo de cobertores; apenas palavras e ouvido. 

Odlavir queria mais que isso e prático como ele era, na impossibilidade desse amor se concretizar, arquitetou um plano para esquecê-la; que exigia certa distância e silêncio.

Os dias em que ele não a escutava duravam meses; As horas que tinha que esperar até que pudesse vê-la duravam anos. O que mais lhe cortava o peito, era que por mais distante que ele estava ou por mais tempo que passasse sem a vê-la; Maria permanecia a mesma. Quando o via, era como se tivesse acabado de vê-lo; quando o escutava, era como se a voz do moço estivesse á tempos sendo ouvida. O que parece óbvio para o leitor, não era para o pobre homem apaixonado, enquanto Odlavir se retorcia em saudade, Maria aparentava sequer conhecer o significado da palavra, ela era totalmente estrangeira aos desejos e anseios dele. Por meio disso, foi que ele descobriu que o seu plano para distanciar-se era na verdade uma artimanha do seu coração (um terapeuta diria subconsciente) para que ela sentisse a sua falta ou ao menos demonstrasse que a sua presença lhe fazia falta.

Infelizmente, a estória de Odlavir não tem sinal feliz. Ele aprendeu da pior maneira, que nem sempre é possível calcular tudo na vida. Os números eram mágicos quando se tratavam de coisas concretas; em relação ao coração, o que conta é o abstrato e lógica alguma consegue explicar o mecanismo que leva certas pessoas a se atraírem e outras não. 

quarta-feira, setembro 26, 2012

A case of you



Estou escrevendo palavras ao vento. Chove lá fora e minha mente divaga sobre coisas que poderiam ter ocorrido, se eu tivesse tomado alguma atitude.

Sozinho, respiro pela primeira vez os ares da liberdade e me sinto estranho. Eles se foram, mas ao invès da paz, sinto um vazio. Preciso preencher com algo, por isso me dedico aos meus escritos e é quase 11 da noite, quando num programa de música New Age, ouço uma canção que mudaria minha vida.

" Just before our love got lost you said
"I am as constant as a northern star"
And I said, "Constant in the darkness
Where's that at?

Vocal feminino, arranjos maravilhosos e meu peito se enche de alegria e inspiração. Quem é essa cantora? E ela continua:

" Oh you are in my blood like holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet"

Quando dou por mim, já estou longe; numa terra distante e cheia de possibilidades. Um futuro? Talvez, mas me vejo viajando pelo mundo e há alguém do meu lado. Quase vejo o seu rosto, quase toco os seus cabelos e sinto que ela está em meu sangue como vinho sagrado.

A canção acaba e tive o que depois descobriria ser uma visão de um possível futuro. Resta apenas ter paciência, o que vi vai ocorrer, um dia ou outro, até lá...como consigo essa canção?


Frank Oliveira


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A Case of You ( Album Spirit)
Letras de Joni Mitchell / Versão Caroline Lavelle

Just before our love got lost you said
"I am as constant as a northern star"
And I said, "Constant in the darkness
Where's that at?
If you want me I'll be in the bar"
On the back of a cartoon coaster
In the blue TV screen light
I drew a map of Canada
Oh Canada
And I sketched your face on it twice
Oh you are in my blood like holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet

Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I'm frightened by the devil
And I'm drawn to those ones that ain't afraid
I remember that time that you told me, you said
"Love is touching souls"
Surely you touched mine
"Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Oh you are in my blood like holy wine
And you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet

I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
Color "Go to him, stay with him if you can
Oh but be prepared to bleed"
Oh but you are in my blood you're my holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
Still I'd be on my feet
I'd still be on my feet

Caroline Lavelle
http://www.carolinelavelle.com/

terça-feira, setembro 25, 2012

Dungeons, Dragons e Daime




Sempre fui fã de atalhos. Se havia um caminho curto, porquê insistir no mais demorado? Eric Concordava; só pedia que eu não abaixasse o escudo. Experiente em caminhos curtos, ele avisava: atalhos sempre vêm junto com pedradas. Então fomos, Eric e eu, várias vezes por esses caminhos, mas por mais perto que esses atalhos nos levassem até o portal que nos levaria para casa, mas distante éramos jogados de volta e lá ficamos nós, presos na caverna, novamente sob a sombra do dragão.

Hank aconselhava “meninos, não façam bobagem, consultem o Mestre dos Magos”, mas eu já estava cheio de depender do Mestre para tudo e decidi encontrar o caminho para casa com as minhas próprias pernas; o que gerava criticas das meninas:

- Você é pior que o Eric - diziam Sheila e Diane - Até a Uni é mais inteligente.

Então, foi numa conversa com Presto que desabafei:

- Presto, todos têm poderes especiais, menos eu. Faz uma mágica, tira do seu chapéu algo que possa me ajudar.

- Ok, Frank, Deixa eu ver... zala, zazalaska, que eu tire do chapéu, algo que ajude meu amigo Frank a sair dessa enrascada!

E o Presto tirou do seu chapéu, uma planta que ele chamou de Ayhuasca.

- Merlin me contou que essa planta vem lá das terras da tribo do Saint Daime, mas tenha cuidado, ela pode te dar o poder mágico que você espera ... ou não; como diria o sábio das terras do Nordeste.

- Sai fora, Presto, você está ficando igualzinho ao Mestre. – eu disse, segurando a planta, maravilhado com o poder que ela poderia me trazer; mas quando me preparei para usá-la, senti que era observado. Poderia ser o Mestre dos Magos, mas pelo arrepio na espinha, senti que era o Vingador que me vigiava. Se o Vingador fora atraído, isso significava que ou ele também estava interessado nos poderes da planta mágica, ou havia um Vingador dentro de mim e ele seria a primeira coisa que eu encontraria, antes de ver o portal.

Comecei a ter dúvidas sobre a planta, mas decidi continuar a experiência assim mesmo, pois eu queria ver o portal e não iria esperar outras tantas jornadas e desafios para encontrar o caminho de casa. Eu não sabia se tudo aquilo era uma jogada do Mestre dos Magos para me ensinar algo; mas notei o Bobby com o seu Tacape se aproximando e ele sentou perto de mim.

- Você sabia que eu fiquei com medo, quando recebi o Tacape. – disse ele, olhando nos meus olhos. Quis mandar o moleque ir catar comida para o unicórnio-pônei dele, mas também senti que precisava ouvi-lo e o fiz – Eu percebi que teria que ter cuidado, pois tinha nas mãos uma arma muito poderosa, e se fosse mal utilizada, eu poderia destruir não só uma montanha, mas também a mim mesmo. Foi quando entendi que precisava treinar e entender melhor o potencial do Tacape, antes de utilizá-lo. Eu sei que você não precisa ouvir conselho, ainda mais de um moleque, mas eu acho que você deveria entender melhor o que essa planta mágica pode fazer, antes de usá-la.

Quis matar o moleque. Não por causa do seu atrevimento, mas porque ele tinha razão. Eu não sabia ao certo, se ao utilizar a planta mágica, eu seria levado para o portal; ou se no lugar, eu seria levado direto para as garras de Tiamat. Era um risco e eu não estava disposto a pagar. Já bastava um imbecil na turma (nada pessoal, Eric). De uma forma ou de outra; seja qual for o caminho que a planta mágica me levasse, era melhor estar preparado.

- Obrigado, Bobby, onde está mesmo o Presto? Presto? Presto? – gritei pelo mágico do Paraguai e o encontrei lendo seus livros – Eu quero saber mais sobre a tribo do Saint Daime. É verdade que essa planta veio da Amazônia? 

segunda-feira, setembro 24, 2012

Jureminha e os Primeiros Passos

Um passo atrás do outro; trot trot lá vai Jureminha no galope do seu caminhar. Haja treino para esse caminhar, haja equilíbrio - que fascínio observar!!!
E lá vai minha filha!!! Anda, corre Jureminha; voa!

sexta-feira, setembro 21, 2012

Sombra e Luz

Mergulhado nas trevas de minhas encrencas emocionais, o amor que um dia me deram, foi a única luz para me guiar até o meu verdadeiro eu.

Era bem difícil encarar o rumo que minha vida estava tomando, então culpei todos ao meu redor por ter caído no buraco que eu mesmo cavara; perdendo assim todas as pessoas que se importavam e nutriam real sentimento por mim; mas como poderia compartilhar e entender algo que eu nem sabia que possuia ?

Fácil foi xingar e afastar todos que tentaram apontar e avisar que havia algo errado comigo; mas finalmente o auto-questionamento bateu na porta e não consegui afasta-lo, descobrindo que tinha assinado num papel em branco o quanto tinha sido babaca e confundido teimosia com determinação.

O mais humilhante foi olhar-me no espelho da alma e perceber que o brilho no olhar dera lugar a um sujeito sem foco, apenas uma sombra do cara que eu era.

Nesse momento, começou aquela ladainha :
- Coitadinho de mim! Sou tão incompreendido.
- Não era a minha intenção, é que é tão difícil estar encarnado.

Como o auto-questionamento é neutro, só mostra os fatos, sem estimular ou passar a mão na cabeça de ninguém, tive que por conta própria, buscar a saída. E lá estava no caminho, o carinho, a consideração e o amor que tinha recebido, como se fossem pegadas luminosas me mostrando a direção. Cada pegada parecia carregar o que aprendera com cada pessoa que tinha passado pelo meu caminho.

Lembrei do que dissera minha mãe :
- Filho, Deus é tão bom que transforma qualquer situação ruim em aprendizado.

Lembrei da antiga companheira, o único relacionamento maduro que havia encontrado e troquei tudo por uma paixão passageira:
- Um dia você vai descobrir que o verdadeiro amor se renova por si próprio; não necessita de paixões passageiras ou perder a pessoa amada para descobrir o seu valor.

Vi a pegada de um grande amigo, que já não vira há algum tempo, porque fui incapaz de resolver maduramente nossas diferenças:
- Olha amigão, já fui parar nesse lugar que você tá indo. A maior ironia de optar por esse caminho, é que pisamos em todo mundo na ida, mas teremos que encontrar cada um deles na volta.

E fui seguindo, pegada a pegada, até perceber que enxergava meus próprios passos, e compreendi que a luz no final do túnel era apenas a ausência da minha própria escuridão.

Hoje, conheço um pouquinho sobre a vida e os tantos outros reinos que falava Jesus, mas tento manter o pé no chão e focar na luz, embora possa ver a sombra ao meu lado. Depois de enfrentá-la e aceite-la como parte de
mim, minha sombra passou de inimiga a aliada.

Perfeição? Nem tão cedo!
Equilibrio? Quem sabe?

Um certo amigo diria que se conseguirmos apenas nos tornar pessoas bacanas e conviver numa boa com a nossa luz e a nossa sombra, já é o bastante para uma vida, afinal passamos outras tantas tão longe disso.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Quando as Lágrimas Aliviam


Dois amigos. Desentendimento e decepção. Anos de amizade apagados pela borracha do esperar que o outro reagisse como ele agiria.

Quer chorar. Quer gritar ao mundo que quando um amigo se vai, é como
 se uma estrela apagasse, deixando o caminhante sem direção, sem guia.

Quer pedir perdão. Quer confessar que estava errado, mesmo tendo tido razão; só para recuperar a amizade. Só para recuperar o sorriso, o brilho da estrela guia.

Mas continua quieto, calado e ferido; sem reação. 

Reprimindo as lágrimas que ameaçam cair. 

¨Homens não choram! ¨

¨Chorar é para os fracos ! ¨

Será ?

A decepção e a mágoa que seriam lavadas e levadas embora pela correnteza do olhar se transforma em relâmpago; raios potentes que caem da nuvem cinza que cobre o coração diretamente no vale umbilical.

A barriga pesa e pede socorro. O estômago aciona o sinal de alerta e todo o sistema digestivo entra em colapso por causa de uma emoção mal trabalhada.

Segue pesado e mesmo percebendo que há algo errado, permanece centrado na dor, na ausência, nas lembranças pesadas dos julgamentos de quem tinha razão e quem estava errado, alimentando com isso a nuvem cinza que devargazinho vai cobrindo boa parte do corpo.

A dor emocional se torna dor física. O corpo implora pela ajuda do choro, de um mantra, de uma limpeza energética, de bom senso ou de qualquer outra coisa que não seja os comprimidos e auto-medicação que só pioram o problema. 

Dias mais tarde, ainda carregando a dor ouve do médico que seu problema é gastrite nervosa. Tomara que não demore a compreender que isso só está ocorrendo porque ele não consegue chorar, seguir em frente e perdoar. 

quarta-feira, setembro 19, 2012

Trufas


Imagina o gosto da trufa derretendo no céu da sua língua,
Visualiza sua sede matada com água bem gelada num calor dos trinta.
O sabor da primeira garfada quando a fome é finalmente saciada,
Naquele eterno segundo vivido, em que seu paladar é um só com o tempero dos ingredientes do seu prato favorito.

É assim que quero o teu beijo.
Matando minha fome,
Saciando minha sede,
E derretendo em minha boca o doce sabor do desejo.

Não é pecado, nem é proibido;
Só quero teu beijo, com um desejo infinito de te provar.
Você sabe, nunca fui apenas seu amigo...

Não precisa fingir, sei que você quer também um beijo roubar.
Então vem e rouba sem aviso,
Pois meu coração já é teu, e faça a gentileza de bem cuidar.

terça-feira, setembro 18, 2012

Ninho


Eu vi você sorrindo.

Sorriso de quem tem carinho; sorriso de quem não vai me deixar sozinho e agradeci a Deus por tudo o que passamos e tudo o que há por vir; pois ao seu lado, sou guerreiro, sou vassalo do amor, ó minha nobre donzela do sorriso de flor.

No seu sorriso, senti proteção e cuidado; sorriso terno de quem sabe o companheiro que está ao seu lado; sorriso de quem sabe que amor assim não pode ser desperdiçado com insegurança, ciúmes e votos impossíveis de ser realizados.

Seu sorriso reflete a liberdade que eu te dou e que você me dá; liberdade de livremente voar, sem a obrigação de voltar e é justamente por isso, pela liberdade que sinto em forma de carinho, que não importa o quão longe eu voe, sempre voltarei para o teu ninho.

Frank

Notas: Eis a santíssima trindade do amor: liberdade, respeito e carinho.

segunda-feira, setembro 17, 2012

A Primeira Pintura da Jureminha


Não é picasso, nem Monet; não vale os números do Da Vinci, nem muito menos terá a fama imediata de um  Andy Warhol, mas é uma obra prima; para ficar para sempre emoldurada na parede da minha sala. 

Com vocês: a primeira pintura da Jureminha!
Leva um tempo até compreendermos as curvas e entender para onde as tintas querem nos levar, mas garanto se vocês olharem com os olhos de pais verão uma futura artista de si mesma. Sim, quero que minha filha cresça com as mãos sujas de tintas e limpas de expectativas. Isso não quer dizer que eu não tenha cá as minhas fantasias sobre minha filha sendo recebida por jornalistas do mundo inteiro interessados em saber a origem das suas obras de arte e ela dizendo com orgulho: “tudo começou com esse quadro!” 

O quadro do primeiro desenho, mãos de bebê correndo livremente pelos lápis de cor, giz de cera, papel em branco e os dedos segurando firme pela primeira vez a imaginação. Que pai não ficaria orgulhoso:)

sexta-feira, setembro 14, 2012

Orgasmo Quântico


Deus fez o mundo de tal forma, 
que qualquer caminho 
retorna à casa, 
seja por sexo ou por yoga...

Tem gente que complica,
tem gente que implica,
quem descomplica
Goza!

Quem goza,
abre a porta
da percepção
do além do aqui d'agora!

Quem se entrega,
quem se rende,
Penetra na carne
do próprio cerne.

E o jorro de prazer
libera mais que a água da vida,
libera também a memória
até então esquecida;

Que somos mais que matéria,
pois somos partes do Todo,
Temporariamente em forma humana
Para sempre fluindo na direção do outro!

Frank Oliveira

Espiritualidade, religião e a experiência do divino



Para prevenir a má comunicação, gostaríamos de dizer o que entendemos pelo termo "espiritualidade" e em que sentido o usaremos. O termo espiritualidade deve ser reservado para situações que abrangem experiências pessoais de certas dimensões da realidade e que dão à vida de alguém e à existência em geral uma qualidade numinosa. C. G. Jung usou a palavra "numinosa" para descrever uma experiência que parece sagrada, pura e fora do comum. A espiritualidade é algo que caracteriza o relacionamento entre a pessoa e o universo e não requer, necessariamente, uma estrutura formal, um ritual coletivo ou a meditação feita por um sacerdote.


Em contraste, a religião é uma forma de atividade grupal organizada que pode ou não tender para a verdadeira espiritualidade, dependendo do grau em que ela proporciona um contexto para a descoberta pessoal das dimensões numinosas da realidade. Enquanto na origem de todas as grandes religiões estão as revelações visionárias de seus fundadores, profetas e santos, indicando o caminho, em muitos casos, com o passar do tempo, a religião perde a ligação com o seu núcleo vital.



O termo moderno usado para a experiência direta das realidades espirituais é a palavra "transpessoal", que significa transcender o modo usual de perceber e interpretar o mundo desde uma posição de ego individual ou ego corporal. Existe uma disciplina totalmente nova, a psicologia transpessoal, especializada em experiências desse tipo, e suas implicações e descobertas advindas dos estudos transpessoais de consciência são de fundamental importância para o conceito de emergência espiritual.



Os estados envolvendo encontros pessoais com as dimensões numinosas da existência podem ser divididos em duas grandes categorias. Na primeira, estão as experiências do "imanente divino", ou percepções da inteligência divina expressando-se no mundo da realidade diária. Todo tipo de criação — pessoas, animais, plantas e objetos inanimados — parecem estar impregnados pela mesma essência cósmica e pela mesma luz divina. Uma pessoa nesse estado compreende repentinamente que tudo no universo é manifestação e expressão da mesma energia cósmica criativa e que separação e fronteiras são ilusórias.



As experiências da segunda categoria não representam uma percepção diferente do que já é conhecido, mas revelam uma valiosa série de dimensões da realidade que estão comumente escondidas da consciência humana e não são acessíveis ao estado diário de consciência. Elas podem ser atribuídas às experiências do "transcendente". Um exemplo típico seria a visão de Deus como uma fonte radiante de luz, de beleza sobrenatural, ou a sensação de fusão pessoal e de identidade com Deus, percebida desse modo. As visões de vários seres arquetípicos, como divindades, demônios, heróis lendários e guias espirituais, também pertencem a essa categoria. Outras experiências não envolvem meramente entidades sobre-humanas individuais, mas reinos mitológicos inteiros, como céus, infernos, purgatórios e vários cenários e paisagens diferentes de tudo que já foi visto na Terra.



O que nos interessa aqui são as conseqüências práticas dos encontros pessoais com as realidades espirituais. Para as pessoas que já os tiveram, a existência de um Deus imanente e transcendente não é uma questão de crença infundada, mas é um fato baseado numa experiência direta — assim como nossas atitudes acerca da realidade material da nossa vida diária são baseadas, primeiramente, nas percepções sensoriais. Por outro lado, a crença é uma opinião sobre a natureza da realidade fundamentada em uma forma específica de educação, de instrução ou de leitura da literatura religiosa (isso necessita de validação experimental).



Esses estados transpessoais podem provocar uma verdadeira influência transformadora benéfica nos seus receptores e em suas vidas. Podem aliviar várias formas de desordens emocionais e psicossomáticas, assim como dificuldades com relacionamentos interpessoais. Podem também reduzir tendências agressivas, valorizar a própria imagem, aumentar a tolerância para com os outros e elevar sua qualidade de vida. Entre os efeitos secundários positivos está, com freqüência, uma profunda sensação de conexão com outras pessoas e com a natureza. Essas mudanças nas atitudes e no comportamento são conseqüências naturais das experiências transpessoais; a pessoa as aceita e as adota voluntariamente, sem a imposição de injunções externas, preceitos, ordens ou ameaças de punição.



A espiritualidade desse tipo, baseada na revelação pessoal direta, existe tipicamente nas ramificações místicas das grandes religiões e em suas ordens monásticas, que se utilizam de meditações, cantilenas repetitivas, preces e outras práticas para induzir esses estados transpessoais da mente. Já vimos, por diversas vezes, que as experiências espontâneas durante as emergências espirituais têm um potencial semelhante, se ocorrerem em um contexto de apoio e compreensão.




* Retirado do livro: A tempestuosa busca do Ser; de Stanislav e Christina Grof

quinta-feira, setembro 13, 2012

As cores de uma canção



Veio com uma canção, de repente, sem aviso; elevando-me ao topo da montanha do meu coração, onde sou amor e boa aventurança, sem esforço e sem segunda intenção.

Era apenas uma meditação, um conversar com Deus, um desejo de sentir-me livre das sensações e emoções pegajosas do dia-a-dia. Tentei orar, pareceu artificial, não consegui. Peguei um texto, pulei as palavras, não lia. Enfim, deixei-me levar pelas ondas sonoras de uma bela canção.

Minha mente silenciou, meu coração se abriu. Do aparelho de som, a melodia ecoou pelo quarto,como se pequenas partículas coloridas fossem criadas a cada nota tocada.

Não era preciso oração. Não era preciso palavras. A canção era a corda que precisava, para escalar o pico mais alto que o homem pode alcançar;e ao chegar, percebi com surpresa que era como se sempre estivesse lá.

Por segundos, que parecia eternidade, sabia de tudo e explodi em milhões de pedaços.
Cada pedaço, uma história. Cada história, uma experiência. Cada experiência, uma escolha, e em cada escolha, realização. Segui observando em mim mesmo, o nada e o tudo,o tudo e o nada.
Até que a música foi acabando e a contra gosto fui retornando para a "casa" que habito nesse aqui e agora. 

Abri os olhos; olhei pra cama e percebi que já era hora de repousar essa casa e voar pelos ares; e quem sabe agora, não mais ouvindo, mas sendo a própria canção a ser tocada.

Frank

Nota*: Que sejamos todos fonte de inspiração para aqueles que nos cercam através de nossas ações, e não só por meio de palavras ou tentando convencer alguém do que achamos ser o certo ou o errado. Que cada ação seja uma nota musical explodindo em cores no coração de cada um que encontrarmos.

Nota**: A canção que ouvia no momento da meditação era a Rainbow Way do CD de mesmo nome do cantor Oliver Shanti.

quarta-feira, setembro 12, 2012

A pedra



Havia uma pedra no caminho*, porém, para o poeta, aquela não era simplesmente uma pedra. No meio da estrada, ela chamava os olhos, inspirava o caminhante a prestar atenção nela.


Havia centenas de pedras por ai, mas o viajante poeta nunca tinha visto pedra mais bela que aquela, era como se um brilho intenso pulsasse do seu interior e refletisse nos olhos do poeta, que não pensava em outra coisa a não ser escrever alguns versos, rabiscar algumas palavras que pudesse descrever, ainda que de forma singela, aquela pedra.


Como descrever aquela pedra de forma que todos pudessem entender o quanto ela era preciosa, mesmo que não fosse ouro, mesmo que não fosse uma pedra que fizesse os homens brigarem por ela. Sim, ela era uma pedra que inspirava coisas boas, não exigia posse, apenas que lhe fossem dirigidas palavras sinceras.


Havia uma pedra no caminho do poeta e dependendo de como ele olhasse para ela, essa pedra poderia ser um diamante ou um entrave que machucaria seus pés, suas pernas.


Como você está olhando as suas pedras?


Frank


Nota do autor: 
* "Havia uma pedra no caminho" é inspirada na frase "tinha uma pedra no meio do caminho" do poema de Carlos Drummond que se intitula: No Meio do Caminho.

terça-feira, setembro 11, 2012

LER POR PRAZER


Estudar para concursos públicos

Aprendemos a ler quando criança e ao longo da jornada em direção ao mundo adulto, alcançamos um bizarro objetivo inserido acidentalmente no método de ensino da língua portuguesa: ódio à leitura.


Parece contradição, mas chegamos à escola pequeninos, com uma fome de conhecimento gigantesca e somos obrigados a aprender a ler como adultos e quando finalmente somos adultos e já não temos o menos interesse em ler alguma coisa, somos convidados a ler um texto com um olhar infantil.


Essa situação pode parecer surreal, mas se repete em todas as partes desse país que se orgulha de reduzir a cada ano o número de analfabetos, mas exibe vergonhosamente uma estatística absurda de quase 28 % de alfabetizados funcionais (só sabem escrever o nome e ler o nome do bar ou do ônibus). Os professores (culpá-los ou não, eis a questão) mal preparados e mal direcionados, continuam com a sua missão de despertar o gosto pela leitura em seus alunos por meio do ensino da gramática, sem levar em consideração que é preciso primeiramente suscitar a arte do ler por prazer. 


No artigo “Dígrafo” do escritor Rubem Alves, o autor disserta sobre o prazer da leitura e em como ele se orgulha de escrever como e para crianças. Ele conta com espanto sobre a carta que recebeu de um leitor juvenil, onde o menino diz que sua professora “pede” a ele e aos coleguinhas de classe para encontrar no texto dígrafos e outros termos que o autor sequer consegue imaginar o significado.


“Não consigo formular uma única frase humana com dígrafo”, ele diz e defende que não é possível teorizar sobre algo que nos dá tanto prazer sob o risco de matar essa vontade.


Não há dúvida alguma que o estudo da gramática é fundamental para o entendimento da língua portuguesa, mas o que precisamos fazer como professores, é uma reflexão sobre como equilibrar esse ensino com o convite a leitura. Essa á a proposta defendida pela professora e especialista da Unicamp Ingedore Koch, que em entrevista a Luis Costa Ferreira Junior conta que devemos priorizar a construção de texto com reflexão. Para entender como os textos funcionam, segundo a professora, é necessário primeiro o uso, depois a nomenclatura.


Ela nos conta que o estudo da língua portuguesa é essencial para que as nossas crianças possam aprender a se expressar claramente no mundo (ainda mais numa era de orkuts e MSN), mas é possível abordar a gramática, sem ter um ensino gramaticóide.


Para ensinar a interpretar um texto, não existem receitas de bolos, diz a professora, mas se o professor tornar a aula instigante e estimular a produção de textos com temas que os alunos se identifiquem, conseguirá manter em seus pupilos o gosto de “ler por prazer” que havia no inicio, sem que o aluno chegue à idade adulta sendo órfão de livro.

segunda-feira, setembro 10, 2012

Dar Pipocas aos Macacos







Tentei ir ao zoológico com a Jureminha, não consegui. 

Tentei na sexta do feriado, tentei no domingo emendado; mas havia um rio de carros à nossa frente. Eu que odeio massa, ao ver aquele povo todo; olhei para a Auri que olhou para mim e demos meia volta e vou ver se algum dia volto na semana com a menina para ver dar pipocas aos macacos.


Confesso que não gosto de zoológico; tenho trauma de ver bicho em jaula - sou passarinho que não gosta de gaiola - porém, como pai, a gente se vê fazendo tudo aquilo que prometeu que nunca faria e até iria ao zoo pela minha filha, mas confesso que valeu muito mais a pena, passar a tarde no Jardim Botânico, onde os R$ 5,00 cobrados na entrada mantém o parque vazio. 

E que parque lindo. 

Para a Jureminha, mesmo sem bichinho, o passeio valeu a corrida. Qualquer passeio vale a pena para ela; são os pais que complicam, projetando nos filhos os passeios frustrados. Para os pequenos, qualquer lugar é divertido, desde que eles possam brincar com seus pais queridos e esses brincarem com eles.

quinta-feira, setembro 06, 2012

Onde foi Parar Aquele Menino?


" Há um Menino!
Há um Moleque!
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem prá me dar a mão..."
(Milton escreveu e o 14 Bis imortalizou em melodia)


Muitas são as ocasiões em que a vida do adulto que eu me tornei se transforma numa obrigação tão grande que o auto-boicote se aproxima com as belas praias do enfarte ou as 72 virgens do sumir no mundo e deixar tudo para trás. Nessas horas, procuro o guri que eu fui e ele sempre me faz ver a Poliana num mundo tão
Nesferatu.

Chamo o moleque pois sei que ele é mais forte que eu e sabe como lidar com esses eternos momentos de crises que parecem querer ficar para sempre. Ele, quando o acho, vem com esse olhar de primeira vez, enxergando a mágica que já não consigo ver e só exige um pagamento: brincar!

" Para Freud era ser senhor de si,
Para Winnicott Separar-se,
Para Lacan Simbolizar,
Para Klein,Tudo!
Para Bion, sonhar
Para Ferenczi, contar
Para Macunaíma, transar
Para mim...
Não sei o que é, mas vou brincar"
Celso Gutfreund


Dai, deixo o menino brincar; fazer piada de tudo o que é " tão sério"; correr pela casa e tirar tudo do lugar. Com isso, ele me ajuda a desconstruir esse mundo tão cheio de importâncias vazias que se espalham pela nossa agenda como se fossem vitais. Não são!

Vital é o que é necessário a vida, o que nos tira o sono é antítese disso.

Quando eu reacendo a fogueira da criança em mim no meu coração, não estou alimentando a infantilização do meu ser adulto; estou apenas lembrando a mim mesmo, que é na simplicidade, no amor e na alegria que reside o segredo de viver bem a vida.

" Bebe
 da alegria da existência,
O amor é sua resistência
Às neblinas da ilusão"

A Primeira Lição
Gê Marques - Reino do Sol


Frank Oliveira

quarta-feira, setembro 05, 2012

O Tempo de Uma Promessa



No aperto, vale tanto; na bonança, não interessa. No apuro, vale tudo; quando passa, é passado. Se na paixão, é prescrição, no amar é futuro do presente ou futuro do pretérito?

Qual o tempo de uma promessa? Qual é a validade de uma jura de amor?

Há promessas que duram uma noite; há juras que são eternas. Há promessas que são tão efêmeras quanto jura de criança; há juras que são tão plenas que não agüentam em si e viram realidade.

Há promessas que ficam presas nas palavras - e palavras são palavras, ações movem multidões - e há juras que parecem querer durar para sempre, mas se desfazem quando o quente fica frio, quando o coração se encontra com a razão e o "para sempre junto" vira " então tá então".

Então tá então, eu prometo a ti, Meu Deus, mudar de vida, parar de fumar, levantar do sofá, fazer uma doação se meu filho sarar, se Sara voltar ou se eu arrumar aquele emprego; eu juro, meu amor, que só olharei para você, só vou querer o teu carinho, carinho de mais ninguém, sou teu eu só sozinho. Eu juro,
eu prometo, dou minha palavra, Meu Deus, meu Amor!

Será? Será que a palavra agüenta o dia seguinte, o cotidiano? Será que a promessa é à prova do vulgar? O que ocorre com a promessa quando o milagre se torna lugar comum? O que ocorre com as juras de amor eterno a um quando o corpo se aquece por outro?

Que tal prometer só por hoje? Que tal jurar só por agora? Amanhã, meu bem, a Deus pertence...

Frank Oliveira

terça-feira, setembro 04, 2012

Uma Disciplina sem Disciplina



Há dois tipos de disciplina: disciplina que se aprende e disciplina que se força. Dentro das duas, cabe todas as interpretações que associamos a essa palavra tão fundamental e tão confusa ao mesmo tempo.

A maioria dos meus alunos não estuda por conta própria. Não adianta eu chorar,fazer birra e querer desistir da minha carreira; já tentei de tudo: das técnicas neurolinguisticas à rezas espiritualistas; nada parece funcionar. Cheguei a conclusão que era algo cultural até conversar com um amigo educador britânico que diz que ele possui o mesmo problema lá na Inglaterra: alunos adultos se recusam a fazer as suas lições de casa.

De acordo com ele, professor universitário com anos de experiência, a maioria dos adultos se recusam a fazer suas atividades extra-curriculares ou inventam as mais tolas desculpas, porque o professor assume o papel dos pais e se rebelar contra as " ordens" do instrutor, reforça a identidade do adulto e lhe dá o prazer de ter poder ( reencenação da adolescência) . Freud talvez seja indispensável mesmo para a educação.

Leciono uma segunda língua e devido a complexidade natural desse tipo de disciplina*, sei que os alunos não aprendem na escola a falar o segundo idioma, pois eles aprendem sim, por conta própria, seguindo as instruções ( se forem realmente necessárias - e são!)  do seu professor. Sei também que devido as milhares de propagandas de cursos relâmpagos prometendo inglês fluente, meu aluno realmente acha que eu ensinarei alguma técnica mágica que o fará acordar falando um segundo idioma, sem esforço algum. É claro que nunca conseguirá, e quando não consegue o que quer, rompe a relação e "fica de mau".  Paixão e desilusão, psicologia e pedagogia são geralmente siamesas.

Conversando com outro educador, um amigo instrutor de Kung Fu; ele me disse que precisamos ensinar o nosso aluno a ter disciplina** de qualquer jeito; ele explica que assim como uma criança, os adultos também precisam que os limites sejam impostos ( no caso do adulto, o limite da preguiça e do desleixo), pois a sua tendência é se rebelar contra qualquer coisa que os remeta a impotência da infância. Quem diria que o Kung Fu pudesse lembrar tanto Melaine Klain.

Ficam os dilemas: ter disciplina para obter a disciplina é o único caminho?
Impor disciplina à disciplina ou deixar o aluno encontrar seu rumo
eventualmente?

Um pouquinho de etimologia ajuda - a palavra disciplina vem do Latim discipulus, "aquele que aprende", do verbo discere, "aprender". De discipulus veio disciplina, "instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada". Com o tempo, se agregou gradualmente um novo significado, o de "manutenção da ordem", que é necessária para fornecer instrução, pois disciplina tem a ver com aprender algo
para obter alguma coisa.

Contudo, se há tanta divergências entre os pensadores e educadores, talvez seja porque exista diferentes tipos de alunos e obviamente, o bom educador sabe que há diferentes tipos de aprendizado.

O sonho de qualquer professor é que seu aluno possa alcançar o seu objetivo de aprendizado e qualquer educador sabe que reside no aluno, o segredo do tempo que ele vai levar para obter isso ( boa vontade, gostar do que estuda e combate a procrastinação é só os primeiros requisitos). Contudo, impor ao aluno, um regime de ordem para que ele tenha disciplina é algo bem complexo e só funcionará com
aquele tipo de aluno que aprende assim. Mesmo que o educador consiga convencer o aluno (que deixa tudo para depois) a ter esse regime, essa " disciplina" se ocorrer, vai durar por pouco tempo ( cedo ou tarde, o aluno vai " transferir" suas frustrações e traumas para o curso). A " disciplina" nesses moldes - mais Kung Fu - só funcionará para esses alunos se houver um consenso mútuo e o educador despertar nesse aluno, uma vontade genuína de buscar nessa " disciplina/ordem" uma chave a mais para a sua disciplina real ( o conhecimento).


Se isso não ocorrer, cabe ao educador, colocar em prática a primeira lição que todo professor deveria saber de cor: não somos a fonte da disciplina que ensinamos, somos uma ponte " criativa" apenas.

Frank Oliveira

segunda-feira, setembro 03, 2012

Pé de Jureminha

Minha filha está de pé; já consegue se firmar sozinha, caíram as muletas do sofá, das cadeiras, das minhas mãos. Ainda não consegue caminhar sozinha ( cada coisa a seu tempo), mas toda vez que fica em pé sozinha, Jureminha suspira com som de vitória - uma a mais das muitas que virão.

Não corra, Jureminha. Curta cada vitória, minha filha. A cada conquista sua, você saúda os nossos ancestrais e reencena a primeira palavra humana, o primeiro grito, o primeiro momento em que ficamos de pé, espinha ereta olhando o horizonte , cabeça erguida olhando o céu, para não se esquecer jamais que nosso corpo é feito da matéria terra, mas o nosso espirito deve sempre olhar as estrelas e lembrar que também é infinito.
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