quinta-feira, janeiro 31, 2008

Dois amores, sou Guinevere















Sou Guinevere, a noiva da flores
Folhas divididas, o inverno sou eu
sou dúvidas , sofrimento e dores
A indecisão é chama no peito meu

Como posso ter um Rei e um Guerreiro
A pertencerem ao meu coração
Duas almas, diferentes roteiros
A estória escrita sem explicação


Dois caminhos, uma única tormenta
Minh’alma sofre o peso da decisão
Sinto que esse amor me acorrenta
Um leva-me às alturas, o outro a tentação

Os olhos de um mostram-me o infinito
O sorriso do outro me traz a salvação
Um é fogo se alastrando no meu espírito
O outro é vendaval na imensidão

Um eu sei é minh’alma descrita
O outro, novidade em plena estação
Predras preciosas em minha vida
A calma dentro da própria perdição

Tenho Camelot e a toda floresta
Viver em segurança ou pela natureza
Mas a masmorra a que hoje me resta
É a força mortal a que chamo tristeza

Dois amores, dois universos
As linhas retas de um amor transcedental
Noutro caminho a miragem é meu trajeto
Nas linhas tortas do desejo carnal

O tudo e o nada tão perto a cada dia
A decisão por mim a ser julgada
O certo e o errado é a Excalibur tardia
Que cravo no peito já esgotada

Prefiro morrer a decidir meu destino
A dúvida é o medo que me descolora
Me faz perder a alegria e o sorriso
A noite de sono quando encontro a aurora

Sem Arthur morrem-se os dias coloridos
A confiança adquirida em toda uma era
Morre a música e toda poesia de Camelot
Serei folha morta em plena primavera

Sem Lancelot tudo estará perdido
Os sonhos que eram nossa fortaleza
Da alegria mais nenhum resquício
Nada terá mais sentido, nem mais beleza

Pois são a mim como o dia e a noite
O crepúsculo tal como o horizonte estrelado
O prazer do amor que fere feito açoite

A paixão enlouquecida dos enamorados
E se os fiz sofrer por obstante
Foi por tê-los por igual tanto amado

Savitri

Valéria

Há pessoas que passam por nossas vidas e ficam; outras se tornam rostos na multidão. Não por não serem importantes, mas porque na correria do dia-a-dia, não tivemos tempo suficiente para plantar, cultivar e fazer germinar uma semente de eternidade em seu coração. São pessoas que você desejaria ter conhecido e ter encurtado a distância entre alguém desconhecido e alguém que se deseja mais conhecer. Nessas curvas da vida, esses desencontros são freqüentes e as oportunidades de perder contato com essas pessoas queridas acontecem mais do que deveriam. Felizmente, isso não ocorreu com a Valéria...

Deixei um emprego e entrei em outro tão rapidamente, que mal tive tempo de me despedir do pessoal com quem trabalhava. Embora trabalhássemos em departamentos diferentes, Valéria, sempre surgia com um sorriso e um daqueles “Bom Dia” que fogem das saudações comuns e políticas das empresas.

Para quem começa a trabalhar numa nova empresa, há sempre o desafio de fazer novas amizades, não por interesse, mas para que o ambiente tão aparentemente hostil se torne confortável e amigável; principalmente num lugar onde as cobranças, os prazos, os relatórios e os problemas levam os seus níveis de stress a loucura. Em meio a luta diária contra o relógio, sempre tive vontade de parar um pouco a correria, ir até a Valéria e contar para ela o quanto o sorriso dela fazia diferença no meu dia, mas infelizmente o tempo passou e não tive tanto tempo assim de conhecê-la, mas sempre tive a sensação de que mesmo sem conversarmos muito, havia um carinho entre nós já estabelecido.

Sai da empresa como um foguete e na pressa, acabei não tendo tempo de ir até onde ela estava e dizer: “não foi um prazer te conhecer, é um prazer e continuará sendo, pois não quero perder o contato”; mas não fiz isso e perdi a oportunidade de ter conhecido uma pessoa fascinante.

Certo dia, recebi um e-mail e para a minha surpresa, era um e-mail da Valéria, que entre outras palavras disse que o nosso contato não ira se perder por essas curvas da vida. Enquanto mandava a resposta e outro e-mail ela respondia; percebi que, às vezes, um milagre ocorre; e mesmo quando perdemos a oportunidade de conhecer alguém, existe uma chance pequena, que mesmo tendo deixado essa pessoa querida para trás, ela venha até você.

Frank

terça-feira, janeiro 29, 2008

Ninho

Eu vi você sorrindo.

Sorriso de quem tem carinho; sorriso de quem não vai me deixar sozinho e agradeci a Deus por tudo o que passamos e tudo o que há por vir; pois ao seu lado, sou guerreiro, sou vassalo do amor, ó minha nobre donzela do sorriso de flor.

No seu sorriso, senti proteção e cuidado; sorriso terno de quem sabe o companheiro que está ao seu lado; sorriso de quem sabe que amor assim não pode ser desperdiçado com insegurança, ciúmes e votos impossíveis de ser realizados.

Seu sorriso reflete a liberdade que eu te dou e que você me dá; liberdade de livremente voar, sem a obrigação de voltar e é justamente por isso, pela liberdade que sinto em forma de carinho, que não importa o quão longe eu voe, sempre voltarei para o teu ninho.

Frank

Notas: Eis a santíssima trindade do amor: liberdade, respeito e carinho.

Par de Olhos

Encontrei seus olhos em meio a um oceano de rostos. Ela olhava para mim.

Olhei pra trás, achei que ela olhava algum rosto amigo, mas aquele olhar era mesmo para mim; um desconhecido; espremido com outros tantos naquele ônibus que seguia perdido, indo de lugar nenhum para qualquer lugar, mas que havia me levado para aquele par de olhos que vinha grátis com sorriso.

Já não importava se eu chegasse atrasado em meu destino, desde que eu continuasse iluminado por aquele olhar querido; que disfarçava, mas continuava a me olhar, como se quisesse fazer contato comigo e tudo o que eu precisava fazer era me aproximar e descobrir se teria em seus braços, abrigo.

Ela sentada no fundo, eu em pé lá na frente; separados por todo aquele mar de gente; tentei avançar, mas confesso, não havia como me movimentar e para o meu desespero, ela ameaçou descer imediatamente, o sinal apertou e no próximo ponto iria descer. Em pânico, avancei para aquele par de olhos, mas a multidão não queria ceder; apertei, insisti, tentei correr, não queria perder a oportunidade de conhecer aquele par de olhos, mas a porta se abriu e vi pela janela, meu par de olhos desaparecer, entre uma floresta de quarda-chuvas que tentavam da chuva se proteger. Ninguém viu, mas chovia era no meu coração, enquanto eu balbuciava aquelas palavras que nunca cheguei a dizer: “Bom dia, Par de Olhos, prazer em te conhecer”.

Frank

domingo, janeiro 27, 2008

Aniversário de São Paulo: 20 anos???

São Paulo fez 454 anos e faz 20 anos que estou na cidade.

Cheguei aqui num tapete voador nordestino chamado Contijo, entre farofa e sonhos, senti pela primeira vez o "perfume" do Tietê e ví os prédios que arranham o céu.

Enquanto Bill Medley cantava "He ain´t Heavy, He´s my Brother", fui saindo do centro da cidade e chegando na vila, atmosfera de conto de fadas e realidade nua e crua: éramos 6 em 1 quarto, num cortiço com banheiro dividido com outras 12 famílias.

Coisa linda ser jovem e sonhador. Onde minha mãe via vida dura, eu enxergava oportunidades, novidades e um mundo novo que se abria abaixo do céu púrpura paulista.

Pouco a pouco fui me soltando, conhecendo e descobrindo. Garoto de 13 anos, só tinha permissão de circular pela vila, garoto curioso, acabei pulando o muro e sem visto, avancei pelas fronteiras dos outros bairros e finalmente: o centro de São Paulo.

Caetano dizia que algo ocorria com o seu coração quando ele atravessava a Avenida Ipiranga com a Avenida São João; quando lá pisei pela primeira vez, algo ocorreu com todo o meu corpo, cinéfilo que era, descobri a cinelândia paulista (numa epóca em que os teatros não tinham sido ainda comprados por igrejas evangélicas e cinema em Shopping Center era para gente rica) e as dezenas de filmes que semanalmente entravam e saiam de cartaz - sonho de menino paraíbano que morara antes numa cidade, onde só havia um cinema, com um filme, que as vezes, ficava 2 meses em cartaz.

No centro, aprendi de tudo: a buscar emprego, a comprar gibi usado quase que novo, o mistérios dos teatros pornôs, as tribos urbanas de cuturno. Aprendi até a ser assaltado.

Das esquinas do centro, fui pouco a pouco, conseguindo meu espaço. Na escola passei do " baiano" para o garoto esforçado. Nas feiras e padaria, a descoberta de novos sabores e frutos; aliás, gostava tanto de padaria, que acabei empregado por uma; e foi semeando pão, que colhi um idioma: uma freguesa da padaria; que gostava muito do jeito que eu atendia; se tornaria a minha primeira professora particular de inglês e grande incentivadora para que eu não deixasse nunca de estudá-lo. Falando inglês, sai da Padaria, do McDonalds e voei pela Varig para as linhas da Embratel que me levaram a deixar o Brasil ( ah, se não fosse o inglês); mas acabei voltando e estou ficando, ficando e ficando...

Como todos os habitantes de Sampa, amo falar mal da cidade e falo mal querendo bem.

Paradoxo? Venha morar em Sampa e você vai descobrir que uma vez vivendo aqui, você não consegue morar mais em nenhum outro lugar no mundo.

Frank

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Beatiful

Há uma beleza que salta da alma e reflete nos olhos. Uma beleza que mostra do que somos feitos e despe a ilusão da aparência. Essa beleza é eterna e carregamos com a gente para todo o sempre. Ela está oculta no toque dos amantes, mas é sempre evidente no olhar dos amados.


Ela é nossa identidade espiritual e projeta-se para além do corpo, em direção ao espaço que nos separa um do outro, e torna belo tudo o que fazemos, e tudo o que criamos.


Essa beleza é o diamante que todos carregamos no peito; é um palácio de cristal, protegido das emoções pesadas, das paixões desencontradas e das desilusões de sempre perder alguém que nunca foi seu.


Você é Beautiful, em toda a sua grandeza, em todo o seu brilho. Não importa se você é jovem ou velho, magro ou gordo, branco ou negro.


Você é Beautiful!


Se não consegue ver isso no espelho, olhe nos olhos de quem realmente lhe ama e verá a imagem da beleza que você possui de verdade.


- São Paulo, 12 de setembro de 2007.

Pétalas de Luz

É tarde...

Olho momentaneamente pela janela de meu apartamento, enquanto ainda continuo a procura da história de Ramatis, Yogananda e Rama através do computador, e me pego questionando que não somos apenas filhos de Deus, mas também parte D’ele. Enquanto misturo dúvidas e certezas em minha mente, mais uma vez minha visão é puxada para a janela onde ao longe encontro um céu azul com partes alaranjadas seguidas de uma camada de nuvens azul índigo. Já com toda a minha atenção naquela belíssima visão do crepúsculo e deixando a minha pesquisa de lado, por um pequeno momento, passo a me perguntar por que as pessoas precisam de tantas provas para saber que Deus existe?

Olhando este céu de uma São Paulo de fim de dia, consigo sentir um pouco desse amor infinito. Apenas olhando o céu, percebo que uma atmosfera de luz e paz aos poucos vai me invadindo. Tento continuar olhando a dança das cores na minha janela, mas já não consigo e a única coisa que eu desejo nesse momento é fechar os olhos e mergulhar no infinito da minha mente, em profunda meditação, para agradecer pela infinita alegria que agora eu estou sentindo.

Enquanto o meu coração está radiante de energia envolto em uma luz rosada, os meus lábios ainda continuam sorrindo, e percebo que meus olhos começam a lembrar cachoeiras com as lágrimas que percorrem o meu rosto e sinto compaixão por todos que ainda procuram Deus em templos ou em outras pessoas, mas a minha mente não me deixa esquecer que um dia eu também já o fiz, enquanto tudo que precisava fazer era olhar para mim mesmo e para o mundo com os olhos do coração...

Se eles pudessem parar com as suas preocupações materiais e olhar para o céu num dia de calor, nem que seja por um instante, e sentir os raios de sol tocando as suas faces e lhes passando a energia perfeita para a vida, talvez eles pudessem entender ...

Se eles pudessem parar de brigar com coisas tão pequenas e observar o vento tocando seu rosto e enxugando as suas lágrimas, saberiam que são as Mãos Divinas que lhes afagam com carinho.

Se eles pudessem sair das fedidas emoções negativas, controlar os seus pensamentos egoístas e conseguissem absorver o mais sublime perfume de uma flor, perceberiam que o seu aroma é uma pequena mostra do infinito amor que interpenetra a tudo e que suas pétalas são pedacinhos Dele também...

Abro os olhos, profundamente envolvida com aquele entardecer e percebo que o crepúsculo já vai dando o seu adeus, mas vejo que um pontinho luminoso vai surgindo timidamente como se fosse um velho conhecido que vai dizendo boa noite... e percebo ser uma estrela que brilha e seu brilho é como um coração pulsante; pulsante de alegria, amor e luz.

OM MANI PADME HUM é o som que me traz novamente a realidade e que traduz o que estou vivenciando. Tanto tempo procurei por Deus como se ele fosse um senhor inacessível, quanto tempo vaguei á sua procura em lugares, onde me diziam que ele estava tão longe e que ironia descobrir que ele está tão perto
Respiro fundo, absorvendo o Prana que é o seu sopro divino, sentindo-o entrar em meus pulmões, trazendo-me uma calma tão profunda e serena.

OM NAMAH SHIVA YA é o mantra que ainda toca no velho aparelho de som e penso: quantas coisas mudaram e morreram, para que eu pudesse renascer. Quantas certezas foram quebradas e quantas ainda virarão cinza, como se o Sr Shiva fosse fazendo uma grande limpeza em minha vida com o seu tridente, e hoje não precisando de argumentos ou de sua presença física para provar a sua existência, percebo nas ilusões da Maya, o seu sorriso, lembrando que no fundo tudo parece ser uma grande brincadeira divina, e através daquele entardecer que me toca como um sorriso gostoso e espontâneo de uma criança, percebo que não há nada a pedir ou a questionar, mas apenas agradecer pelo simples fato de poder estar aqui aprendendo e sendo o caminho para um só destino que muitos chamam de evolução, mas eu prefiro chamar de luz.

Auri

O Beijo II

Imagina o gosto da trufa derretendo no céu da sua língua,
Visualiza sua sede matada com água bem gelada num calor dos trinta.
O sabor da primeira garfada quando a fome é finalmente saciada,
Naquele eterno segundo vivido, em que seu paladar é um só com o tempero dos ingredientes do seu prato favorito.

É assim que quero o teu beijo.
Matando minha fome,
Saciando minha sede,
E derretendo em minha boca o doce sabor do desejo.

Não é pecado, nem é proibido;
Só quero teu beijo, com um desejo infinito de te provar.
Você sabe, nunca fui apenas seu amigo...

Não precisa fingir, sei que você quer também um beijo roubar.
Então vem e rouba sem aviso,
Pois meu coração já é teu, e faça a gentileza de bem cuidar.

Frank

quarta-feira, janeiro 23, 2008

O Amor de Guinevere

Encontrei Guinevere chorando no campo,
Chorava aflita por causa do amor;
Não era a ausência de amor que a levava aos prantos;
Ela chorava por não saber quem era o seu Senhor

Guinevere era casada e feliz com o grande Rei Arthur
Até conhecer o valente guerreiro Lancelote
O amor veio de todas as direções; do norte, do sul
Envolvendo-a pelo leste e oeste de Camelot

Seu coração tornou-se um calabouço
Onde a escuridão da indecisão a cercava
Se ao menos o vento a resgatasse do poço
E levasse para longe um dos amores que a encantara

Como seu coração poderia bater desse jeito
Pelo rei seu esposo e pelo cavaleiro?
Dois homens, duas escolhas, dois senhores
Como cabe no peito esses dois amores?

Por isso Guinevere chorava
Por querer tanto outra pessoa
Estando tão bem casada

Por Lancelote, ela recusaria a coroa
Largaria dez reinos
Viveria pelo mundo à toa

Mas e Arthur seu esposo?
Que tanto lhe fez bem
Que por ela, deixaria o trono

Fugir com Lancelote
Só desgraça traria
Desonraria Camelot
Acabaria com muitas vidas

Se tudo ao menos fosse um feitiço
Enviado pela bruxa Morgana Le fey
Mas seu coração sabia não era isso
Ele apenas batia tanto para o cavaleiro
Quanto pro rei



Encontrei Guinevere chorando
Mas não pude, minha amiga, ajudar
Pois o amor segue diferentemente tocando
E os outros não podem opinar

Mas desde então aprendi
Que cada um tem sua experiência de amar
Certo ou errado, não cabe a ninguém decidir
Pois somente quem ama, sabe qual caminha optar


Frank

Menino Tempestade

Qual foi a última vez em que você se entregou a um bom banho de chuva quando ela te pegou no caminho de casa?

Você já experimentou sentir a energia da água que cai do céu, dançando como Gene Kelly em “Cantando na Chuva”, pisando nas poças d`água sem medo de parecer ridículo, enquanto as pessoas se espremem nas vielas para não se molhar?

Alguns têm medo de água, mas em outros o olhar brilha ao primeiro sinal de chuva.

No alto de um prédio na zona leste de São Paulo, o olhar do Menino Tempestade faísca com as nuvens cinzas se formando no céu. Raios cruzam o céu em frente da sua janela e ele pode sentir a força do relâmpago correndo em sua veia.

Ele é um filho da chuva, e pode ver mais que água caindo nas ruas da cidade.

Ao terceiro trovão, sua consciência já esta além do apartamento e vira pássaro d`água, navegando no mar torrencial da tempestade.

Mergulhado na tormenta, ele observa os raios dançando pelo céu ao som da batida do trovão. Satisfeito, ri de alegria pois pode ver que a tempestade veio para limpar a nuvem de sujeira mental que diariamente cobre o céu de São Paulo, poluindo os corações de seus habitantes.

Ele sabe que a tormenta inunda e pode até prejudicar a vida das pessoas, mas a chuva não é má, nem boa, apenas tem que cair. Ele sabe que o período de seca é bem pior para a população, por isso ele não se sente culpado por gostar tanto assim do chover.

Se as outras pessoas pudessem sentir o quanto é precioso e mágico esse fenômeno e o quanto por trás de uma simples chuva, ocorre toda uma limpeza não só física, mas energética nos céus e ruas da cidade. Não, para todas as pessoas, a chuva é só água caindo...

A tormenta vai diminuindo e o Menino Tempestade volta ao seu apartamento, mas seus olhos continuam fixos nos últimos sinais da faxina energética.

Após a chuva, o céu de Sampa esta brilhante e limpo novamente , permitindo que raios invisíveis aos olhos comuns finalizem o trabalho de lavagem geral das emoções e pensamentos que pairavam nos céus e ao redor das pessoas.

O Menino Tempestade sorri satisfeito e fica imaginando o que ocorreria se as pessoas pudessem apenas ter uma idéia do que ocorre durante a chuva. Será que elas continuariam com medo de se molhar?


Frank

Ps: Esse texto é dedicado a Luis Medeiros. Conheci Medeiros no primeiro dia do curso de Projeção Astral I no IPPB. Trocamos figurinhas, sensações dos exercícios que o Professor Wagner sugeria e quando acabou a tarde de curso, nos tornarmos amigos.

Aprendi muito com o meu amigo Medeiros, que faz aniversário hoje. Ele me ensinou que jamais podemos tirar a fé de outra pessoa, sem colocar algo melhor no lugar ( nas entrelinhas: pare de tentar convencer os outros que a sua crença/ponto de vista é o único caminho da vida) e também, contou para mim, que adorava a chuva batendo na janela e que viajava com cada pingo na limpeza dos céus da cidade. Meditando nisso, escrevi esse texto há alguns anos e estou o reenvindo ( com algumas alterações e correções), mas com o profundo desejo de homenagear esse amigo meu, nosso e que ajuda paca nos bastidores.

F

terça-feira, janeiro 22, 2008

Um Certo Lavador de Pés

Há alguns religiosos que não tiram o diabo da boca e da
mente,
Outros só lembram o sangue derramado na cruz.
Poucos tentam descrever as palavras deixadas como
sementes
De um certo Mestre chamado Jesus.

Há quem carregue o diploma de caridoso;
E ganhar pontinhos no céu todo mundo quer,
Poucos carregam no olhar aquele brilho amoroso
E a humildade de um certo Lavador de Pés.

Há os que dão esmola e comida
Como se alimentassem um bando de cães,
Poucos aproveitam e fazem disso a chance divina
De se tornarem Multiplicadores de Pães.

Há os que falam de amor como compromisso
Mas nunca demonstram esse amor em ações.
Poucos lembram ao menos de compartilhar um sorriso
Como bem fazia um certo Rabi aos corações.

Não precisamos ter a pretensão
De nos tornamos salvadores na terra,
Mas vale a pena praticamos as lições
Do grande Mestre das Sete Esferas.

Porque conhecimento parado e livro pesado
São tão sem vida como o mar morto.
Mas se colocarmos em prática o que temos estudado,
Descobriremos na sabedoria de Cristo, um verdadeiro
tesouro.



Frank
23 de março 2003

segunda-feira, janeiro 21, 2008

O Menino e o Balaio

Há tempos de fartura e tempos em que precisamos improvisar, suar a camisa e arranjarmos novas maneiras de extrair o sumo da vida. Nesses momentos em que a vida parece estar seca e que os pingos de chuva estão ausentes em nossa semeadura; ter uma imagem, uma inspiração, um ponto a seguir, nos ajuda a termos mais força e conseguir visualizar caminhos alternativos que só se fazem vistos quando há realmente coragem para ousar e trabalhar. Quando passo por esses momentos, e não foram poucas vezes, a imagem que vem a minha cabeça é a de um menino magrinho, carregando uma cesta gigante na cabeça, ganhando seu dinheirinho, enquanto carregava compras, frutas numa feira.

Conheci esse menino quando morava em Cajazeiras.

1987 foi um ano terrível para a minha família e ao mesmo tempo cheio de esperanças. Morávamos, meus irmãos e eu, com os meus avós na Paraíba, enquanto minha mãe tentava a sorte e emprego em São Paulo. Ela mal conseguia dinheiro para se sustentar em Sampa, então restava aos filhos, viverem com o que o avô plantava na lavoura.

Não é difícil viver só de milho e feijão de corda; impossível é viver sem chocolate e doce na boca. Para dar ao corpo, a doce experiência de um sorvete nas tardes à 40º graus na sombra, eu vendia e trocava gibis com meus amigos; idéia interessante, mas que me rendia apenas, de vez em quando, gibis novos e alguns centavos, que mal pagavam uma paçoca ou um copo de suco na escola. Esse menino fez algo diferente. Na primeira vez em que sua mãe lhe mandou alguns trocados, deixou o álbum de figurinhas de lado e comprou um balaio, um desses cestos de palha que se fabrica no Nordeste, e diante do espanto de todos que não entendiam o que um menino faria com um balaio, foi a feira livre da cidade e começou a oferecer seus serviços:

- Levo as suas compras em casa! – gritava o menino – Levo as suas frutas até o carro!

Lá vinha eu com as minhas revistinhas em baixo do braço, quando vi pela primeira vez, esse menino com o seu balaio. Fiquei curioso e o observei meio de canto de olho; confesso que achei que ele não ganharia nada com aquilo, afinal quem pagaria um menino para levar as compras até o carro, ainda mais numa cidade do interior nordestino? Mas para a minha surpresa, surgiu uma pessoa, duas, três e logo o menino estava correndo sem parar pelas ruas e pela feira, carregando compras e ganhando o seu dinheiro. Em principio, até nutri certa inveja, afinal esse menino se mostrava mais esperto que eu e em um dia, ganhara mais que um mês de revistinhas vendidas; mas os sentimentos daninhos se esvaíram quando ele me notou e veio em minha direção sorrindo.

- Vamos tomar um sorvete!

Idéias geniais para se fazer dinheiro surgem o tempo todo no mundo corporativo, na mídia e em negócios do mundo inteiro. Contudo, seja na Índia ou no Brasil, há meninos criativos que não se deixam abater pela pobreza e conseguem fazer o seu caminho para uma vida melhor, para um sonho realizado ou no caso desse menino, na direção de um sorvete devorado embaixo de uma árvore com o seu irmão invejoso.


Feliz Aniversário, Billy Boy!!!

Seu maninho Frank

sábado, janeiro 19, 2008

Sohw de bloa !

Repassado por um amigo, infelizmente sem autor ou crédito..

Sohw de bloa!

Super interessante. Não deixe de ler.
O nosso cérebro é doido !!!
De aorcdo com uma peqsiusa

de uma uinrvesriddae ignlsea,

não ipomtra em qaul odrem as

Lteras de uma plravaa etãso,

a úncia csioa iprotmatne é que

a piremria e útmlia Lteras etejasm

no lgaur crteo. O rseto pdoe ser

uma bçguana ttaol, que vcoê

anida pdoe ler sem pobrlmea.

Itso é poqrue nós não lmeos

cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa

cmoo um tdoo.

Sohw de bloa.


Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que
está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R
CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45
N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M
PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3
M3R3C3! P4R4BÉN5!

A Menina e a Lua


A Menina e a Lua

A princesinha estava doente. O rei, seu pai, prometeu:” Filhinha, dou o que você quiser, se ficar boa”. E a menina respondeu: “ Eu quero a lua!”.

O rei convocou os sábios da corte, matemáticos, mágicos, cavaleiros com experiência de paises distantes, músicos e até feiticeiros. A lógica e a matemática tem limiteis; feitiçaria e fórmulas não conseguiam fazer essa mágica; mas o bobo da corte – que chamavam de palhaço e não foi consultado por ser bobo – assegurou ao rei que atenderia ao pedido da menina. O rei fingiu que ele não era bobo, e deu permissão para que o palhaço continuasse.

- Princesinha, qual é o mesmo o tamanho da lua?

- Assim, do tamanho duma medalha.

- De que é feita?

- Ela é toda de prata.

- Agora ela está muito alto no céu. Quando chegar à altura daquela árvore, eu subo lá e pego a lua para você. Durma sossegada, que ela demora a descer.

Enquanto a lua descia atrás das arvores, o palhaço foi aos tesouros do rei, escolheu uma linda medalha, branca e redondinha como a lua. Prendeu-a num cordão de ouro e aguardou o sol chegar.

A corte inteira quis presenciar o espetáculo. O palhaço com as mãos nas costas, olhou para a princesinha e disse:

- Querida princesinha, que acaba de acordar com um beijo do sol bem na ponta do nariz, adivinha o que eu tenho escondido aqui?

- A lua! Gritou a menina

- A lua! Respondeu o bobo

- A lua! Gritou o rei

- A lua! Gritaram por todo o palácio.

E o bobo da corte pendurou a lua no pescoço da menina. a menina sarou completamente.

No dia seguinte, a menina e o bobo olhavam pela janela. E lá apareceu de novo a lua no céu. Mas o palhaço explicou:

- Veja princesinha, como Deus é bom. Roubei a lua lá de cima, e ele pôs outra no lugar.

James Thurber

Ps: Tradução livre do famoso conto de James Thurber. E dedico esse conto a minha amiga Rutth, a quem Deus deu a guarda de uma estrelinha que caiu do céu e se faz gente dentro dela. Parabéns Rutth e tenho certeza que você será uma ótima mãe para essa estrelinha.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Quando as Lágrimas Aliviam

Dois amigos. Desentendimento e decepção. Anos de amizade apagados pela borracha do esperar que o outro reagisse como ele agiria.

Quer chorar. Quer gritar ao mundo que quando um amigo se vai, é como
se uma estrela apagasse, deixando o caminhante sem direção, sem guia.

Quer pedir perdão. Quer confessar que estava errado, mesmo tendo tido
razão; só para recuperar a amizade. Só para recuperar o sorriso, o brilho da estrela guia.

Mas continua quieto, calado e ferido; sem reação.

Reprimindo as lágrimas que ameaçam cair.

¨Homens não choram! ¨

¨Chorar é para os fracos ! ¨

Será ?

A decepção e a mágoa que seriam lavadas e levadas embora pela correnteza do olhar se transforma em relâmpago; raios potentes que caem da nuvem cinza que cobre o coração diretamente no vale umbilical.

A barriga pesa e pede socorro. O estômago aciona o sinal de alerta e todo o sistema digestivo entra em colapso por causa de uma emoção mal trabalhada.

Segue pesado e mesmo percebendo que há algo errado, permanece centrado na dor, na ausência, nas lembranças pesadas dos julgamentos de quem tinha razão e quem estava errado, alimentando com isso a nuvem cinza que devargazinho vai cobrindo boa parte do corpo.

A dor emocional se torna dor física. O corpo implora pela ajuda do choro, de um mantra, de uma limpeza energética, de bom senso ou de qualquer outra coisa que não seja os comprimidos e auto-medicação que só pioram o problema.

Dias mais tarde, ainda carregando a dor ouve do médico que seu problema é gastrite nervosa. Tomara que não demore a compreender que isso só está ocorrendo porque ele não consegue chorar, seguir em frente e perdoar.


Frank

14 de abril 2003

segunda-feira, janeiro 14, 2008

SOMBRA E LUZ

Mergulhado nas trevas de minhas encrencas emocionais, o amor que um dia me deram, foi a única luz para me guiar até o meu verdadeiro eu.

Era bem difícil encarar o rumo que minha vida estava tomando, então culpei todos ao meu redor por ter caído no buraco que eu mesmo cavara; perdendo assim todas as pessoas que se importavam e nutriam real sentimento por
mim; mas como poderia compartilhar e entender algo que eu nem sabia que possuia ?

Fácil foi xingar e afastar todos que tentaram apontar e avisar que havia algo errado comigo; mas finalmente o auto-questionamento bateu na porta e não consegui afasta-lo, descobrindo que tinha assinado num papel em branco
o quanto tinha sido babaca e confundido teimosia com determinação.

O mais humilhante foi olhar-me no espelho da alma e perceber que o brilho no olhar dera lugar a um sujeito sem foco, apenas uma sombra do cara que eu era.

Nesse momento, começou aquela ladainha :
- Coitadinho de mim! Sou tão incompreendido.
- Não era a minha intenção, é que é tão difícil estar encarnado.

Como o auto-questionamento é neutro, só mostra os fatos, sem estimular ou passar a mão na cabeça de ninguém, tive que por conta própria, buscar a saída. E lá estava no caminho, o carinho, a consideração e o amor que tinha recebido, como se fossem pegadas luminosas me mostrando a direção. Cada pegada parecia carregar o que aprendera com cada pessoa que tinha passado pelo meu caminho.

Lembrei do que dissera minha mãe :
- Filho, Deus é tão bom que transforma qualquer situação ruim em aprendizado.

Lembrei da antiga companheira, o único relacionamento maduro que havia encontrado e troquei tudo por uma paixão passageira:
- Um dia você vai descobrir que o verdadeiro amor se renova por si próprio; não necessita de paixões passageiras ou perder a pessoa amada para descobrir o seu valor.

Vi a pegada de um grande amigo, que já não vira há algum tempo, porque fui incapaz de resolver maduramente nossas diferenças:
- Olha amigão, já fui parar nesse lugar que você tá indo. A maior ironia de optar por esse caminho, é que pisamos em todo mundo na ida, mas teremos que encontrar cada um deles na volta.

E fui seguindo, pegada a pegada, até perceber que enxergava meus próprios passos, e compreendi que a luz no final do túnel era apenas a ausência da minha própria escuridão.

Hoje, conheço um pouquinho sobre a vida e os tantos outros reinos que falava Jesus, mas tento manter o pé no chão e focar na luz, embora possa ver a sombra ao meu lado. Depois de enfrentá-la e aceite-la como parte de
mim, minha sombra passou de inimiga a aliada.

Perfeição? Nem tão cedo!
Equilibrio? Quem sabe?

Um certo amigo diria que se conseguirmos apenas nos tornar pessoas bacanas e conviver numa boa com a nossa luz e a nossa sombra, já é o bastante para uma vida, afinal passamos outras tantas tão longe disso.

Frank

domingo, janeiro 13, 2008

Despertando

Há uma luz interna, uma certeza latente
Que tal como semente, espera o momento de germinar

Há uma experiência de amor, uma companhia ausente
Que tal como dia após a noite não tardará a chegar

Há uma bondade intensa, um querer bem crescente
Que tal como mãe sorridente, olha pro filho e só quer
amar

Cada momento, um sentimento
Cada sentimento, uma experiência
Em cada experiência, se vislumbra a essência
Da centelha divina que está em você, está em mim
E não por acaso vive aqui
Desaprendendo a chorar e começando a sorrir

Pois a semente já é arvore, só precisa experimentar o crescer
O amor já é realidade em você, só precisa de outro que
te ajude a saber
E o bem se esconde além das verdades de onde começa eu e
termina você


Frank

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Pertencemos as Estrelas

Olha como eu sou livre
Olha como eu danço suavemente pelo céu
Olha como eu vôo e observa o meu sorriso
Eu sou eterno, sou criança da luz
Eu sou nascido do arco íris
E somente aqui tenho noção disso
Enquanto eu vôo, lembro quem eu sou
Ao despertar, volto a ser o outro
Mas aqui eu sei, você sabe
Nos pertencemos as estrelas

Vejo luzes cintilantes pairando sobre as arvores
A luz da lua nos ilumina
Deixe-a nos guiar essa noite
Porque nos pertencemos as estrelas

A Deusa sorri para nós
O Deus nos abençoa
Somos crianças da luz
Segure a minha mão
Eu vou te mostrar
feche os olhos e dance
Enquanto o sol não nasceu ainda
E ao retornar
Tente ao menos lembrar
Nos pertencemos as estrelas


Nota : Esse texto é uma tradução livre da musica maravilhosa e encantadora da vocalista PIA, a musica se chama ECLIPSE e pertence ao álbum MAGICAL ECLIPSE. É um
trabalho musical de alta qualidade e um verdadeiro bálsamo musical para os ouvidos de qualquer voador.

Frank
Londres 14 de agosto de 2001

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Presente de Livro

Recebi um Mário Quintana de uma amiga. Sorri feliz, enquanto folheava o livro. Não é todo dia que acertam; dar presentes é uma arte.

Sou como criança; prefiro brinquedo à roupa. Esqueçam a bermuda, a camisa de marca. Quer me fazer feliz com um presente? Vou contar um segredo: adoro ler e amo música!

Presentear cultura não é coisa de amigo secreto, é um serviço para amigo intimo. Os melhores presentes que já ganhei na vida foram canções e livros. Uma vez ganhei um Richard Bach de uma amiga carioca e tornei-me escritor; outra vez, ganhei um Elvis de uma tia e tornei-me cantor. Escritor de versos tortos e cantor de banheiro, mas ainda assim, esses dois presentes mudaram a minha vida: quando estou triste, canto. Se estou feliz, escrevo. Minha depressão vira melodia e a minha alegria vira sopa de letrinhas que alimentam amigos e leitores. Às vezes uma linha pode salvar um dia e uma melodia pode resgatar a graça da vida que fugira com a tal da Margarida.

Uma calça se veste, mais um livro se bebe; uma blusa se cobre, mais uma música se aquece e assim segue a minha alma sem calça e sem blusa; correndo nua mas sem sede e sem frio pelas ruas da cidade e pelas curvas do rio.

Ganhei Mário Quintana e mesmo correndo o risco de ficar descalço, rogo aos amigos; se desejarem dar-me algo, bem pertinho de casa, há um sebo cheio de livros abandonados e famintos para serem lidos.

Até lá, me despeço voando, pois como dizia Quintana: “ Eles passarão e eu passarinho”.

Frank

A Balada de Radha

Bati na porta ao chegar em casa
Quem a abriu? Era Auri ou Radha?
Sândalo, melodia e som de flauta
E ela dizendo: “Bem vindo, Gopala!”

Deixei de ser adulto cansado
Tornei-me um menino azul
Na mesa um belo prato preparado
Era oferenda para mim ou Vishnu?

Auri caminhava, Radha sorria
O amor em pura devoção
Estávamos no Brasil ou na Índia?
Ou era outro lugar? Sei dizer não!

Mas nesse lugar se sente
Que o amor reflete o infinito
Bebe-se o agora e o sempre
Não há lugar mais bonito

E foi assim numa noite qualquer
Que Radha transformou-me em Krishna
Pois há entre todo homem e mulher
Um quê de Gopi, um quê de Govinda

Frank

domingo, janeiro 06, 2008

Um Certo Lavador de Pés

Há alguns religiosos que não tiram o diabo da boca e da
mente,
Outros só lembram o sangue derramado na cruz.
Poucos tentam descrever as palavras deixadas como
sementes
De um certo Mestre chamado Jesus.

Há quem carregue o diploma de caridoso;
E ganhar pontinhos no céu todo mundo quer,
Poucos carregam no olhar aquele brilho amoroso
E a humildade de um certo Lavador de Pés.

Há os que dão esmola e comida
Como se alimentassem um bando de cães,
Poucos aproveitam e fazem disso a chance divina
De se tornarem Multiplicadores de Pães.

Há os que falam de amor como compromisso
Mas nunca demonstram esse amor em ações.
Poucos lembram ao menos de compartilhar um sorriso
Como bem fazia um certo Rabi aos corações.

Não precisamos ter a pretensão
De nos tornamos salvadores na terra,
Mas vale a pena praticamos as lições
Do grande Mestre das Sete Esferas.

Porque conhecimento parado e livro pesado
São tão sem vida como o mar morto.
Mas se colocarmos em prática o que temos estudado,
Descobriremos na sabedoria de Cristo, um verdadeiro
tesouro.



Frank
23 de março 2003

O Buda da Risada

Nos momentos de tristeza e aflição, respire fundo e feche os olhos. Se você não conseguir relaxar e afastar a nuvem de pensamentos que não te deixam em paz, tente visualizar a imagem de um sorriso bem no meio da sua testa. Conta a lenda que se você fizer isso com calma e confiança, a imagem desse sorriso despertará o Buda da Risada que já existe dentro de você.

Esse Buda sorridente,volta e meia, dá as caras e toma conta das coisas, transformando aquela situação mal resolvida numa risada elaborada. Ele também se faz presente quando não conseguimos parar de achar graça daquela piada mal contada ou daquele filme que todo mundo diz que é bobo, mas a gente se diverte a beça.

E você sabe que nada melhor que uma risada para a gente parar de levar tão a sério esse problema que nossa ¨cuca¨ ocupada não consegue resolver.

As pessoas que riem mais da vida são aquelas constantemente conectadas com o Buda da Risada; quanto as outras com vergonha de parecer ridícula com uma boa gargalhada; é só uma questão de tempo para elas serem infectadas pelo vírus da alegria e do bom humor; pois elas são como aquelas pessoas que demoram um certo tempo para entender a piada, mas quando finalmente ¨cai a ficha¨ percebem o motivo pelo qual todo mundo estava rindo e ridículo passa a ser não dá risada também.

E você que está lendo essa mensagem, o que está esperando ? O Buda da Risada está aí dentro de você esperando pelo seu sorriso na testa ou no coração.

Não é preciso ficar chateado ou triste para fazer esse exercício, você pode agora mesmo despertar o seu Buda da Alegria e contagiar todos a sua volta.

Você ficará surpreso em como consegue facilmente transformar o seu tempo de preocupação em tempo de dar risada.

Frank

Os: Esse texto é dedicado ao meu querido amigo Fernando Golfar. Só posso descrevê-lo como um Budtisatwa da Risada. Seu bom humor e sua alegria são contagiantes.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

A Estrelinha Terra

Era uma vez uma estrelinha que em sua busca para se tornar um planeta, precisava aprender a experimentar o amor.

Algumas estrelas diziam que experimentar esse amor era muito fácil, outras diziam que era muito difícil; e logo cedo ela descobriu que quando o assunto era amor havia diferentes opiniões a respeito.

Tão diferente quanto as opiniões, era a duração do amor para as estrelas. Cada uma dizia que seu amor era o único verdadeiro e eterno e o da outra era incompleto e passageiro; e logo cedo ela aprendeu que quando o assunto era a duração do amor não havia como ter certeza se esse amor duraria por um segundo ou por toda a eternidade.

Tão incerto quanto a duração do amor, eram as formas de experimentá-lo.

Observando outras estrelas se relacionando, ela percebeu que algumas amavam sem esperar nada em retorno, como as mamãezinhas-estrelas
por exemplo, outras queriam o maior número de relacionamentos possíveis, pois percebiam que quanto mais parceiros tinham, mais poderosas e seguras se tornavam, mesmo que deixassem um rastro de corações-estrelas-partido pra trás; e logo cedo ela compreendeu que experimentar o amor mantinha algumas estrelas presas numa ilusão de dominação e para outras esse amor era a própria liberdade.

Tão diverso quanto o amor-prisão e o amor-liberdade, a estrelinha percebeu que só observar não era o bastante para compreendê-lo e passou a experimentá-lo com outras estrelas nas mais diferentes formas, contudo, toda vez que escolhia uma forma, as estrelas ¨doutoras do assunto” a criticavam, dizendo que o amor que ela tinha escolhido era errado; não era compatível com a sua energia; era pecado ou se ela continuasse com essas escolhas iria arder em chamas no sol; e logo cedo ela percebeu que embora não fosse da conta de ninguém a sua forma de amar, todas as estrelas tinham uma opinião formada e um julgamento preparado sobre o amor das outras, mesmo aquelas que nunca tinham amado antes.

Tão fortemente quanto as outras estrelas pregavam que amar assim é certo ou amar de outra forma é errado, ela foi em frente em sua jornada pelo amor e por vários ciclos, amou estrelinhas de diferentes cores e intensidade; de diferentes idades e lugares, mesmo sob pena de ficar isolada pela sua constelação; e logo ela percebeu, dessa vez por meio da sua própria experiência, quanta ignorância existia no fato das outra estrelas não perceberem que o amor que dá brilho as estrelas não possui formato e que esse mesmo amor não escolhe que estrela tocar; apenas ama, porque a sua natureza é apenas se doar e criar brilho em todo lugar.

E tão intenso quanto esse amor que cria e ama em silêncio, a estrelinha um dia sentiu que seu peito estava tão cheio de amor que ela não conseguia mais
segurar só pra ela e explodiu , numa verdadeira supernova de compaixão por todas as outras estrelas que ainda competiam por brilho ou por amor.

O reflexo dessa explosão chegou ao coração de todas as estrelas do universo, e mesmo sem ser aproveitado ou entendido por boa parte delas, aquelas que estavam na mesma sintonia e caminho do amor, sentiram que só era
uma questão de tempo para que elas pudessem amar e serem amadas de verdade; e tão logo essa onda de amor se expandia por todo o espaço, os pedacinhos dessa estrelinha que flutuavam por todo lugar, começaram a se juntar e assim, como um milagre, a estrelinha voltou a vida.

Conta a lenda que no lugar onde havia uma estrelinha procurando por amor, agora há um planeta cheio de vida chamado Terra.

Frank

quinta-feira, janeiro 03, 2008

MORTO EM VIDA

Um dia recebi uma mensagem de uma pessoa dizendo que odiava o que eu escrevia. Estranha vontade desse leitor em declarar o seu ódio pelas minhas letras e não especificar exatamente o que ele não gostou. Mais estranho ainda foi sentir-me ferido e por alguns segundos repensar sobre a utilidade do meu trabalho.

Há tempos tento não reagir contra as críticas que recebo. Tento ficar de fora, não levar para o lado pessoal e sair da situação com um aprendizado a mais. Nem sempre consigo. Engraçado como precisamos trabalhar nossos sentimentos para que uma crítica não anule o efeito de dez elogios.

Gostaria de manter esse discernimento o tempo inteiro, mas sou apenas humano e às vezes quando recebo uma crítica que acho injusta; eu grito, falo mal, revolto-me contra o mundo, só para depois olhar-me no espelho e sacar que precisava mesmo ouvir aquilo naquele momento.

É claro que não sou tolo, nem moleque e diante de certas pancadas em forma de palavras, reajo como deve reagir qualquer pessoa que é agredida. Perdoe-me o Grande Rabi, mas ainda estou longe de “dar a outra face”. Contudo, mesmo diante de certas injustiças e batalhas não compradas, sei que preciso aprender com cada uma delas.

Como sorrio muito mais do que choro, continuarei a escrever mil mensagens dizendo o quanto estou FELIZ e o quanto é bom estar VIVO, mesmo que para muita gente essas mensagens sejam palavras de IDIOTA.

Idiota a meu ver é quem ignora o poder de construir algo e compartilhar com o mundo. Pode ser uma casa, pode ser uma palavra. Como dizia o Rabi: “Cada um dá o que tem de sobra na sua dispensa”.

Toda vez que formo uma frase que se faz um texto, sei que estou 100% naquele momento e por isso escrevo tanto. Adoro a minha vida, e mesmo com todas as imperfeições e pedras no caminho, quero viver plenamente, para não chegar aos meus “enta” e descobrir que estava MORTO em VIDA.

Termino com as palavras de um grande amigo e guru que me ensina tanto por meio das suas piadas. Foi ele que certa vez me disse: “Acorda, Frank! Será que você não vê que mesmo um chute na bunda tem o poder de te empurrar pra frente!”

Frank

quarta-feira, janeiro 02, 2008

O Jihad do Coração

Kamel respirou fundo enquanto esperava o ônibus da linha 36 que ligava o centro ao subúrbio. Ele tinha pouco mais de dois minutos para decidir se realmente concluiria o que tinha que fazer. Fora treinado por meses para efetuar aquela operação, e tudo o que ele queria era estar em casa com a sua família, porém não havia retorno e o ticket para aquela condução era só de ida.

Seu pai fora um mártir e todos esperavam que ele seguisse o mesmo caminho, e não ficou surpreso quando recebeu o convite pouco depois de seu filho nascer, pois sabia que era apenas um questão de tempo para ele ser
”convocado” para lutar a Jihad * e defender sua terra contra o povo invasor.

Uma honra para qualquer homem em sua idade, glória para o nome da sua família e garantia de riqueza divina, mas algo o impedia de ficar contente com essa chance de morrer com honra: ele acreditava que violência só gerava violência, e enquanto o seu povo continuasse pensando assim, essa guerra jamais acabaria, mas quem era Kamel para dizer isso em publico, na certa
o chamariam de covarde.

Sua mulher foi a primeira pessoa a lhe congratular quando ele anunciou que havia recebido o convite e logo toda a sua família surgiu em apoio a causa, e o peso do ato de seu pai caiu em suas costas. Como ele poderia recusar ?

Contra a vontade, Kamel, ininciou seu treinamento. Dia após dia aprendia tudo sobre explosivos e não demorou muito para que ele soubesse onde e como agiria sem levantar suspeita. Festas e homenagens foram feitas em seu nome e lhe asseguraram que sua família receberia toda ajuda financeira possível, mas enquanto todos celebravam a glória de uma geração de heróis, seu coração apertava, afinal que tipo de glória e heroísmo pode um ser humano possuir para matar outras pessoas?

Noite passada, enquanto sua mulher dormia, ele rezou a Alah, pedindo que o profeta Mohamed, que seu nome seja honrado, lhe desse um sinal do que ele deveria fazer, pois mesmo sendo criado sob forte e rígida interpretação do alcorão, ele tinha sua própria idéia sobre a Jihad; ele pensava que a única
guerra santa que um homem deveria tomar parte, era a batalha contra as nuvens negras que vez ou outra, nublam o céu do coração, impedindo que se possa perceber a felicidade nas pequenas coisas, como o sorriso do seu
filhinho ou observar sua mulher dormindo.

Não houve respostas, nem sinal, mas a decisão fora tomada ali no ponto de ônibus, enquanto o ônibus estava prestes a chegar. Ele apenas orou em silêncio para que essa fosse a decisão certa.

Um minuto depois, mais uma bomba explodiu no centro de Jerusalém; dessa vez só houve uma vitima e tinha sido o próprio homem-bomba. O ônibus 36 estava parado do outro lado da rua, atrás da faixa da policia, junto com
centenas de curiosos que se espremiam para ver os restos do azarado homem-bomba que explodira antes de entrar no ônibus. Os experts disseram que foi falha na bomba, e assim também pensaram os lideres do Movimento de Libertação Palestino, que lamentaram o fracasso da missão. Ninguém jamais saberá o que ocorreu. Apesar de muito ser dito sobre esse caso nos jornais e rodas de bate papo, as perguntas continuam pelo ar : teria sido mesmo uma falha na bomba ou apenas a decisão de um homem de
explodir a si mesmo para poupar a vida de outros ?


Frank

* Jihad não significa literalmente ¨guerra santa ¨ como muitos a descrevem para justificar sangue derramado, e sim perseverança para alcançar um bom nível moral e se melhorar a cada dia sendo um bom ser humano seguindo os preceitos do alcorão. Essa “guerra justa¨ que propõe o alcorão pode ser interpretado em diversas formas, como é feito pelo homem em qualquer outro livro sagrado que foi e ainda continua sendo usado para dominar outros povos, pregando uma religião como sendo a única e verdadeira.
Imagem: Site www.uol.com.br
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