segunda-feira, outubro 31, 2011

Tocou o Meu Nariz




Toque de Midas, meu nariz virou ouro, Jureminha tocou o meu rosto.

As mãos descoordenadas começam a ganhar força, o pulso fica firme, os dedos mais agarrantes que nunca, quer segurar tudo que vê, descobriu que esses seres que cuidam dela possuem um rosto. Inicio de carinho, dedos suaves tocando a ponta do meu nariz.

É muito interessante observar Vitória percebendo o mundo ao seu redor e que suas mãos podem segurar essas coisas estranhas de formato colorido que nós chamamos de brinquedo ou tocar esse povo que fala com ela com uma língua engraçada.

Difícil é compreender o que se passa na cabecinha dela. De acordo com os cientistas, a maioria dos bebês só se dão conta que são separados do resto do mundo aos 2 ou 3 anos, até lá, eles dizem, o mundo e os pais junto com todas as demais coisas fazem parte do corpo deles. Todos Um Só com Eles: o sonho do místico, o destino das religiões, o tesouro do samadhi dos yogues, a luz do Espírito Santo, tudo isso já presente no bebê sem esforço algum, sem peregrinação nenhuma - Depois dizem por aí, que esses anjinhos já nascem com pecado, pecado é acreditar nisso.

Quanto mais observo minha filha, mas percebo que os adultos tem muito o que aprender com os bebês, principalmente sobre os motivos que os fazem felizes e despertam os seus sorrisos. Eles não precisam de um milhão de dólares nem de uma casa nos Jardins, basta apenas acordar e ver a imagem daquele povo gigante se aproximando para que eles sorriam e se houver amor nessas imagens em movimentos, o bebê vai querer erguer os braços e trazer para junto do seu toque o rosto que ele enxerga, só para ter certeza que aquilo que já faz parte dele pode ser sentido também pelos seus dedos. Os bebês sabem o segredo do toque, por isso, tudo em suas mãos viram ouro.

Meu nariz virou ouro, meu coração diamante, pois aprendi com minha filha, que ela nunca estará distante de mim, pois ela é parte de quem eu sou, e quando eu esquecer disso, basta aproximar o meu rosto do dela, para que ela possa transformar minha dúvida em ouro através do toque do amor de novo.

sábado, outubro 29, 2011

HOMENS-LIVROS

O Universo é uma imensa livraria.

A Terra é apenas uma de suas estantes.

Somos os livros colocados nela.

Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.

Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas, histórias de terror ou romances profundos.

Também é assim com as pessoas: há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance profundo ou rasteiro.

Somos homens-livros lendo uns aos outros.

Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.

A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto.

O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.

Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria.

Depende do que estamos buscando na estante.

Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.

Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso.

Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.

Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes.

Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.

Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.

E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo, pois somos homens-livros forever!

A capa amassa e as folhas podem rasgar. Mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal.

O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais a frente, em uma próxima existência ou além...

Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre ou em qualquer outra estante por aí...

PS: Há homens-livros de várias capas e cores, mas Deus é o editor de todos eles.

(Este texto é dedicado aqueles homens-livros que sabem ler nas entrelinhas do brilho dos olhos e na luz de um sorriso a graça da vida em todas as dimensões).

Paz e luz!

- Wagner D. Borges -
São Paulo, 26 de maio de 1999; às 04:12h

sexta-feira, outubro 28, 2011

Rápida



A vida passa rápido, às vezes não dá tempo de fazer nada. Quando vimos, já passou. Quando vemos, já fomos. E cadê o tal do amor?

Quem falou que para cada panela há uma tampa, é um pilantra da propaganda enganosa amorosa. Quem disse que todo mundo tem um tampa de laranja não sabe o que é passar a vida inteira chupando bagaço. Sim, olho para trás e amor, só em novela do canal quatro.

Já fiquei para titia, e desconfio que ficarei para velhinha que anda com cachorro babão, que tem gato gordo na janela, que vai para feira agarrada no braço de outra velhinha de cabelo azul.

Acho que escolhi demais. Acho que não deve haver mesmo esse tal de príncipe, mas a essa altura qualquer sapo serve. Alguém conhece algum Cururú que não seja gay ou casado com uma amiga?

Vou tentar a internet, quem sabe não acabo convertendo esses cafajestes que só querem transa sem compromisso a ficar mais tempo comigo? Alguém conhece um bom site?

Quer saber? Vou esconder o menino Jesus do Santo Antônio de novo, vou fazer macumba em encruzilhada, vou ligar para a cigana "vidente" que diz que faz amarração em sete dias, vou fazer qualquer coisa, mas preciso provar para mim mesmo, que posso ser amada, nem que eu tenha que comprar esse amor. Quanto custa um homem inteligente que acorde de bom humor?

Só não quero que a vida passe assim tão rápida e eu fique sem experimentar um pé de saia que, ao menos, me vista de carinho...

Ass: Donzela dos Vinte e Poucos

quinta-feira, outubro 27, 2011

Guardiões


Quem entra no escuro e leva luz? Quem entra na lama e faz surgir a flor?

Guardião das Sete Ruas, Guardiã da Encruzilhada, Guardiões de Muitos Nomes, que trabalham na calada da madrugada.

Não precisa ter medo, basta respeito por quem trabalha, respeito por quem protege as nossas portas e quem guarda as nossas entradas.

Tem um guardião na porta da minha alma, cuidado quando for entrando, peça permissão ou dê meia volta!

quarta-feira, outubro 26, 2011

Vi meu cérebro morrendo

Entrevista Veja - Por Vanessa Vieira

"A neurocientista americana que sofreu um
derrame e observou em detalhes a deterioração
de sua mente relata a experiência e mostra como
ajudar as vítimas desse mal"


Na manhã de 10 de dezembro de 1996, aos 37 anos, a neurocientista americana Jill Bolte Taylor, da Universidade Indiana, acordou com uma dor aguda na cabeça. Com seus conhecimentos, logo deduziu que estava sendo vítima de um derrame cerebral. Durante quatro horas, a cientista viu seu cérebro deteriorar-se enquanto tentava pedir ajuda. Nesse período, pôde observar por dentro, como protagonista, aquilo que havia estudado durante toda a vida – o funcionamento das regiões do cérebro e o que acontecia quando cada uma delas parava de trabalhar. Hoje, depois de uma incansável batalha pela cura, ela recuperou completamente suas funções físicas e mentais, sem nenhuma seqüela. A experiência lhe rendeu um livro, A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro, que vendeu 500 000 cópias nos Estados Unidos e foi lançado há pouco no Brasil. Jill deu a seguinte entrevista a VEJA.


Como a senhora percebeu que estava sofrendo um derrame cerebral?
Acordei com uma dor aguda na cabeça, bem atrás do olho esquerdo. Depois, percebi que minha coordenação muscular estava prejudicada. Quando entrei no chuveiro e abri a torneira, ouvi um estrondo, mas era só a água caindo. Juntando os três sintomas, e baseada na minha experiência como neurocientista, percebi que poderia estar sofrendo um derrame. No fim daquela manhã, já não conseguia andar, falar, ler, escrever ou lembrar informações básicas da minha vida, como quem era minha mãe, nem sequer o que a palavra mãe significava.

O que estava acontecendo em seu cérebro naquele momento?
O hemisfério esquerdo foi afetado. Ele é o lado racional, responsável pelo processamento das informações em forma de linguagem. Usa as palavras para classificar cada elemento do mundo ao nosso redor. Como essa parte se alterou, eu não era capaz de falar nem entender o que as outras pessoas diziam. O hemisfério esquerdo também abriga as células responsáveis por percebermos os limites de nosso corpo. Com o derrame, aos poucos o hemisfério direito do cérebro, que entende o mundo pelo lado emocional, começou a prevalecer. Na ausência do julgamento racional do hemisfério esquerdo, minha mente alternava momentos de consciência com outros de euforia, uma sensação de haver alcançado uma espécie de nirvana.

Em seu livro, a senhora descreve que, nas primeiras horas após o derrame, os sons, cheiros e luzes se tornaram torturantes. Qual é a explicação para isso?
Meu cérebro já não era capaz de processar os estímulos corretamente. Em condições normais, eles são transmitidos por diferentes grupos de células, que os filtram e refinam. Quando meu cérebro foi lesionado, o sangue se espalhou entre os neurônios e interrompeu a filtragem. Como conseqüência, os estímulos não podiam ser percebidos normalmente, o que tornou o contato com o mundo exterior uma experiência de completo caos e dor. Respirar fazia com que minhas costelas ardessem, e a luz que penetrava nos meus olhos parecia queimá-los.


"Os médicos não são treinados para lidar adequadamente com os pacientes de derrame, sobretudo quando o hemisfério esquerdo é afetado e o doente não consegue falar ou comunicar o que está pensando"

O fato de entender o que estava ocorrendo em seu cérebro contribuiu para acalmá-la ou a deixou ainda mais preocupada?
No primeiro momento, fiquei aflita e pensei: "Meu Deus, isto é um derrame!". No instante seguinte, surpreendi-me pensando que a situação era muito interessante. É estranho, mas fiquei animada quando me dei conta de que aquilo tudo que eu estava experimentando tinha uma base fisiológica e uma explicação. Pensava: "Quantos cientistas têm a oportunidade de estudar as funções do cérebro e sua deterioração de dentro para fora?". De fato, como neurocientista, durante o derrame aprendi tanto sobre o funcionamento do cérebro quanto havia aprendido em todos os meus anos de estudos. Naquele momento, a porção egoísta abrigada no hemisfério esquerdo do meu cérebro ainda acreditava que eu não morreria e que só ficaria longe de minhas atividades normais durante uma semana. Depois, fui me dando conta de que poderia morrer. Mas, à medida que era inundada pelo sentimento de libertação trazido pelo lado direito do cérebro, vivia momentos de paz. Neles, não havia medo da morte.

Como a senhora consegue se lembrar de detalhes do processo de deterioração de seu cérebro?
Em primeiro lugar, porque em nenhum momento fiquei inconsciente. Perdi o hemisfério esquerdo, que pensa em forma de linguagem, mas o hemisfério direito, que pensa em forma de imagens, guardou uma espécie de videoteipe da manhã do derrame. Então, o que tive de fazer durante a recuperação foi repassar esse vídeo com o auxílio de um profissional, que me ajudou a adicionar as frases correspondentes para descrever o que acontecia, tais como: "Eu me levantei, eu senti, eu vi". Foi como rever o videoteipe acrescentando a trilha sonora.

Que habilidades do dia-a-dia foram comprometidas pelo derrame?
Como muitas vítimas de derrame, eu conseguia escrever, mas não era capaz de ler. Isso acontece porque o circuito da escrita em nosso cérebro é separado do circuito da leitura. Eu só conseguia digitar mensagens básicas no computador. A escrita manual envolve o controle motor do hemisfério oposto à mão com que você escreve. Como sou destra, era meu hemisfério esquerdo que coordenava essa tarefa, que se tornou quase impossível. Mas, ao digitar, usam-se as duas mãos e recorre-se aos dois lados do cérebro. Digitar, portanto, era mais fácil. Minha habilidade matemática também se perdeu.

Como isso aconteceu?
Perdi os neurônios responsáveis por compreender os números. Deixei de entender qualquer coisa relacionada a dinheiro. Para mim, 25 não era nem maior nem diferente de 10. Sentia-me incapaz de julgar se os preços eram justos. Levou anos até que meu cérebro conseguisse entender o que era o algarismo 1. E, se você não consegue entender o que é 1, também não conseguirá entender o que significa 1 + 1. Só quatro anos após o derrame minha mente se recuperou o suficiente para entender o conceito de 1 e fiquei pronta para reaprender adição, subtração, multiplicação e divisão. Depois de entender o que era um número, treinei minha habilidade matemática com a ajuda de videogames e programas que estimulam essa área. Também demorei um ano para aprender a arrumar a louça no escorredor. Parece simples, mas as tarefas de organização demandam a capacidade de calcular.

Sua visão foi comprometida?
Eu não processava a visão de forma convencional. Perdi a habilidade para definir os limites entre os objetos. Todos eles se fundiam, formando uma imagem maior, como num quadro impressionista. Se uma pessoa ficasse parada junto à porta, eu não conseguia percebê-la, a menos que ela se movesse.

Por que nem todas as vítimas de derrame relatam as mesmas experiências ou distorções sensoriais pelas quais a senhora passou?
A diferença está no grau de conhecimento sobre biologia e neurologia que eu tenho em relação à maior parte dos pacientes. Talvez eles passem pela mesma experiência, mas a descrevem de forma diferente ou têm uma compreensão mais limitada do que lhes está acontecendo.


"É falso que o cérebro só se recupera nos seis meses posteriores ao acidente vascular. A estimulação pode fazer com que muitos neurônios, adormecidos para se proteger do trauma, voltem a funcionar depois desse prazo"

Como a senhora conseguiu se recuperar sem nenhuma seqüela?
Graças à minha experiência como neurocientista, soube como estimular meu cérebro da maneira correta para que parte dos neurônios recuperasse suas antigas conexões. Além disso, eu tinha um mapa muito claro das áreas que precisavam ser tratadas prioritariamente.

Como os médicos devem lidar com os pacientes vítimas de derrame?
Os médicos não são treinados para lidar adequadamente com esses pacientes, sobretudo quando o hemisfério esquerdo é afetado e o doente não pode falar nem comunicar o que está pensando. Durante minha recuperação, um médico que tentava avaliar meu raciocínio me perguntou quem era o presidente dos Estados Unidos. Primeiro, tive de vasculhar todos os meus arquivos mentais que me explicassem o que era um presidente. Depois, todos os arquivos relativos aos Estados Unidos. Mas o que ele queria saber não dizia respeito ao conceito de presidente ou de Estados Unidos, mas a um personagem específico, Bill Clinton, que estava armazenado numa pasta completamente diferente. O médico teria sido mais eficiente se tivesse me perguntado quem era Bill Clinton, uma resposta que eu certamente encontraria ao revirar meu arquivo mental sobre esse personagem. Os médicos precisam entender como o cérebro de um sobrevivente de derrame funciona, em vez de tentar avaliá-lo segundo seus próprios critérios.

O que sua experiência ensina aos médicos?
Que a afirmação de que seis meses é o prazo máximo para uma vítima de derrame recuperar determinada habilidade está totalmente errada. Os seis primeiros meses são os melhores, mas vi meu cérebro se recuperar durante oito anos. Já ouvi pacientes dizer, quinze anos depois do derrame, que estavam readquirindo movimentos. Além do mais, já se sabe que, após o derrame, algumas células cerebrais que sofreram o trauma interrompem suas conexões com outras células e ficam num estado de dormência, mas não estão mortas. As células que morrem são aquelas que entram em contato direto com o sangue do derrame. Os grupos de células que ficam adormecidas isolam-se para se proteger. Com o tempo, conforme aumentamos a estimulação, eles podem crescer, conectar-se à rede e voltar a funcionar. Isso sem falar na capacidade de adaptação das células cerebrais. Quando as células responsáveis por uma tarefa não podem mais realizá-la, passam a contar com a colaboração de outros grupos de células, desenvolvendo novas habilidades e compensando aquela que foi perdida. Quando se perde um dos sentidos, os outros tendem a ficar mais aguçados.

Que avanços a medicina fez recentemente no estudo dos acidentes vasculares cerebrais?
Nos últimos dez anos, houve duas grandes contribuições científicas à crença na capacidade de recuperação constante do cérebro. A primeira vem do conceito de neuroplasticidade, em que o cérebro altera suas conexões conforme o tipo de estímulo. Antes, pensava-se que a estrutura do cérebro era definida na primeira infância, e não mudava. A segunda vem da descoberta de que novos neurônios crescem em locais estratégicos. Um exemplo: um alcoólatra de longa data pára de beber. Depois de três meses, novos neurônios começam a crescer no hipocampo, a parte do cérebro responsável por armazenar memórias recentes. Assim, ele terá um grande estímulo à aprendizagem. Até dez anos atrás, tínhamos como certo que não se formavam novos neurônios.

Que conselhos a senhora daria a um familiar ou amigo de vítima de derrame?
Primeiro, entenda que o sobrevivente de derrame não se tornou um incapaz. Ele apenas está doente. Segundo, esteja certo de que o paciente está tentando fazer as tarefas propostas, apenas não no nível de habilidade nem no tempo de quem as propõe. Portanto, não avalie sua capacidade cognitiva pela velocidade com que ele responde. Fale com ele diretamente em vez de falar sobre ele com os outros, como se ele não estivesse ali. Incentive-o a aprender constantemente, mesmo que leve vinte anos. Ao propor um desafio ou tarefa, fragmente todas as ações em pequenos passos e esclareça ao paciente qual é o próximo, para que ele possa saber que objetivo está perseguindo. Formule questões de múltipla escolha em vez de perguntas cujas respostas sejam sim ou não. Elas estimulam o cérebro a trabalhar. E dê-lhe tempo para procurar a resposta em vez de completar suas frases. Comemore todos os pequenos avanços na recuperação, porque eles são a inspiração para conquistas maiores. Sobretudo, ame-o pelo que ele é hoje.

Fonte: Revista Veja
http://veja.abril.com.br/031208/entrevista.shtml

terça-feira, outubro 25, 2011

SOBRE GENTE E CÃES


Numa pista qualquer de uma rodovia, um cachorro é atropelado. Noutra via qualquer de uma outra cidade, uma menina é atropelada. Acidentes corriqueiros de cidade grande, reações diferentes. Quem é humano e quem é cão?

Num beco sem nome, corre uma criança, bebê de dois anos, sabe lá para onde, sabe lá o que está procurando. Yue Yue é o seu nome, China é onde nasceu, chinês é o motorista que a atropela, ser humano é o que ele deveria ter sido, seres humanos não eram os seres que a viram sofrendo e não a socorreram:



Numa rodovia sem nome, corre um cachorro, tentando atravessar para o outro lado. Talvez, Rex corresse por um osso, talvez por uma cadelinha, talvez para apenas continuar a sua vida, mas um carro o acerta, outro quase passa por cima, e lá fica deitado o cachorrinho, esperando a morte chegar em algum anjo-pneu libertador. Quem chega é outro cachorro, lutando contra o seu instinto de sobrevivência, lutando contra o rio de carros, agarrando seu "amiguinhos" com as patas e o levando para a segurança do outro lado:



Rex sobreviveu. Yue Yue...

segunda-feira, outubro 24, 2011

Cachoerismo

"São João, São João dos carneirinhos
Você é tão bonzinho
Fale com São José
Fale com São José
Peça pra ele me ajudar
Peça pro meu milho dá
Vinte espiga em cada pé"

Batizamos minha filha, aos pés da Cachoeira dos Pretos, entre Minas e São Paulo, com quatro gerações presente: bisavô-padrinho, avós, mãe e Pai, madrinhas e sobrinhos.


Apresentação: "olha aqui mundo meu, minha filha nascida".


Presente: só gente querida, amada que adora minha filha.

Não teve churrasco, nem teve padre, nem pastor, mas havia Nosso Senhor, Nossa Senhora, água benta jorrando do rio de Piracicaba, água benta colhida pelas avós, Graça e Mara, que ecoando os antigos, cantavam:

" São João,
Peça a São José,
Peça pra milho dá
Vinte espiga em cada pé"


Tradição e família, a avó Mara explicou que sua bisavó costumava cantar essa canção para as filhas dormirem.

Ancestralidade, meu avô, padrinho da Vitória, benzendo a minha filha e pedindo a todos os presentes para rezar.

Religiões, madrinha Umbandista, madrinha Evangélica. Avó cantando para Oxum, Avó cantando um Salmo 23 em palmas.

União. Minha filha juntando o injuntável: macumbeiros e crentes, todos na mesma corrente, em puro amor à minha Jureminha.

Melhor não poderia...

Ver a água da Mãe das Cachoeiras percorrer a cabecinha da minha bebê, vendo as duas madrinhas, irmãs-amigas, e toda aquela gente, tão querida, participando de tão familiar ritual.

União!

Acabamos todos numa mesa de madeira, compartilhando uma grande refeição, enquanto em meio ao sono profundo, minha filha dormia os sonos dos justos, depois de ser devidamente introduzida ao mundo, como manda a tradição, como manda a família, e como pedi a Deus que seria o "batismo" dos meus filhos e foi, o batismo da minha Jureminha.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Não!


Diz "não!", meu! Fala logo que não quer, cara! Respeita o meu direito de te ouvir dizer não.

Não finge que vai pensar, se não quer mais, diga então!

Em que momento, aprendemos que poderíamos substituir "não" por " vou pensar".

Coisa mais ridícula é gente que te procura pedindo alguma coisa e quando muda de opinião, não assume o seu não!

quinta-feira, outubro 20, 2011

É Rei!


"Eles vem beirando o rio,
Eles vem beirando o mar (bis)
Saravá os pretos velhos de aruanda.
Eles vem beirando o rio,
Saravá os pretos velhos de aruanda.
Eles vem beirando o mar!"


O cheiro de cachimbo...

Estou trabalhando numa empresa alemã essa manhã. Subo a escada e sinto que não subo a escada sozinho. O cheiro do fumo aumenta. Distraído, quase derrubo o velhinho que faz a limpeza do escritório.

- Desculpa, moço! - ele diz.

- Quem se desculpa sou eu - respondo, notando que o homem é bem velhinho, preto como a noite, sorrio com o acaso, mas logo esqueço, o trabalho começa; o trabalho termina, volto a mesma escada, já não sinto mais aquele cheiro de carimbo. Deve ter sido coisa da minha cabeça. Foi!

Saio para a rua, olho uma mensagem nova no celular, me distraio e ouço alguém gritando: " olha o carro, moço!"

Olho, dou um passo para trás, quase sou atropelado, o carro se vai, olho para agradecer quem me avisou e vejo o velhinho faxineiro me olhando.

- Obrigado! - agradeço e pergunto - Qual o nome do senhor?

- Joaquim - ele diz.

E eu não digo mais nada!!!


" Pai Joaquim é rei!
Pai Joaquim é rei!
Pai Joaquim é rei de Angola
Pai Joaquim é de Angola real!..."

quarta-feira, outubro 19, 2011

CASA DE HÓSPEDES


By Rumi


O “ser humano” é uma casa de hóspedes.
Cada manhã é uma nova visita.

Uma alegria, uma depressão, uma maldade,
um momento de consciência momentânea aparece
como uma visita inesperada.

Dá-lhes as boas vindas e entretém-os a todos!
Mesmo que seja uma multidão de mágoas,
que violentamente tomam a tua casa vazia de mobília,
mesmo assim, trata honradamente cada hóspede.
Ele pode estar a limpar-te
para que possas receber uma nova alegria.

O pensamento obscuro, a vergonha, a malícia,
recebe-os à porta rindo,
e convida-os para entrarem.

Sê grato por quem quer que entre,
porque cada um foi enviado,
como um guia do além.

terça-feira, outubro 18, 2011

VARRER O CHÃO


Sinto que sou mais que eu, sou todos. Os véus se dissolvem, se esvai a tristeza, todas as emoções humanas perderam o sentido. Sou luz, sou sombra, sou uma miríade de tantas coias. Presente, passado, futuro, já não existem e percebo que sempre soube disso, sou Buda, sou Krishna, sou você, sou Cristo, todos em um, um em todos, SOMOS TODOS UM SÓ!

Retorno! A mini-expansão acaba. Respiro! E agora, guru?

Sentado no chão da minha casa, ouço meu bebê chorando, as contas estão chegando, o alarme tocou, tenho que trabalhar! E a expansão da consciência, e o mini-samadhi? Precisa ficar para mais tarde, preciso varrer o chão. A vida espiritual era mais fácil no tempo em que eu vivia no Himalaia.

Depois da iluminação, o que ocorre? Depois que temos uma grande experiência espiritual, como voltar ao mundo real? Como aterrar?

Varrendo o chão.

Estranho!

Tantos livros ensinando os caminhos para a iluminação, mas quase nenhum deles conta o que ocorre depois.

Que pena! Afinal, para nós, pobres peregrinos urbanos, tão fundamental quanto subir aos ceús, é saber descer e continuar por aqui, a trabalhar, a viver!!!!

Os livros espiritas e ocultistas sempre acabam com o céu se abrindo e o mundo espiritual recebendo o escolhido, como num final de novela esotérica, porém, quanto mais vivo, mas desconfio que o final deveria ser o peregrino carregando um cajado em uma mão e na outra, o seu filho, continuando sua caminhada sagrada com uma vida profissional decente e as contas pagas.

segunda-feira, outubro 17, 2011

VIROSE


A escolinha ligou:

- Não se assusta, papai, mas sua filha está com febre.

Como assim "não se assusta?". Tarde demais! Largo a aula na metade, atravesso os sete mares, subo picos, atravesso florestas e dois ônibus depois, estou na porta da escolinha, abaforado e perguntando "cadê a minha filha?"

Lá vem Jureminha sorrindo. Nem doente, ela deixa de sorrir, melhor assim, mas corro para casa; minha mulher chega, os dois pré-ocupados, a neném parece bem, brinca, não chora, mais a febre não passa, 37, 38 e alguma coisa, só não pode chegar nos 39, diz todo mundo, fala a revista, informou o Google.

Levar ou não para o hospital?

Auri e eu discutimos. Ela quer levar, eu peço que ela espere, pois tenho medo de hospital, tanta história de bebê que chega no hospital com uma coisa e sai com duas. Ligamos para o pediatra, ele nos tranquiliza, deve ser virose.

Ahhhh...a tal da virose! Que nada mais é do que uma gripe forte, dá em tudo que é bebê, e faz com que muitos pais passem horas esperando atendimento no hospital, só para ouvir do médico " volta para casa e dê ao neném muito liquído e descanso". Esse conselho já dava a minha avó.

Cuidar de bebê é isso, nos convencemos, daí a Jureminha solta um grito, olhamos assustados, mais é mais um dos seus barulhos pré-sorriso.

Olho para a Auri, ela olha para mim e sorrimos um para o outro também; e seguimos assim, cuidando e nos pré-ocupando com a nossa filha agora e pelo resto das nossas vidas, amém!!!

sábado, outubro 15, 2011

Professor

By Auricélia


Ser, simplesmente ser
Ensinar nas asas da criatividade
Servir com seu dom munido de atividade
Professorar todo seu saber

Ah quem dera fossem os professores
Artistas de seus paraísos
Tão longe e perto de seus juízos
Fazer de todos alunos doutores

Quem dera pudessem os alunos
Aprender valorizando o ensino
Sendo plenos como pupilos
E donos de seus próprios mundos

Feliz dia dos Professores “Nosso Lindo”! (Auri e Jureminha)

Tia Terezinha

Tia Terezinha me ensinou a escrever, dizia ela - vai Chiquinho! Encobre a letra de vagariinho, sem pressa, escrever é para toda a vida.

Estou escrevendo, Tia!
Devagar, mas para toda a vida. Obrigado por me ajudar nas curvas do B, do A e do BA.

Tia Terezinha me ensinou a ler, dizia ela - vai Chiquinho! Lendo com carinho, sem pressa de acabar, ler é enxergar a própria vida.

Estou lendo, Tia!
Não consigo parar, acho que quanto mais leio, mas vejo a vida. Obrigado por me fazer enxergar nas letrinhas, o mistério da nossa existência.

Ps: também virei Professor, Tia. Acho que querer desenvolver o potencial dos outros, pega!!!

sexta-feira, outubro 14, 2011

BOICOTANDO O BOICOTE


Deixa eu te dar uma dica,
Sim, essa dica é para você!
Que boicota tudo aquilo
Que deseja construir,

Na próxima vez
que você se auto-boicotar
Tente enganar seu mecanismo
de boicote
e boicote o seu boicote,

Quem sabe assim,
Você avance na vida
e pare de perder
tanta oportunidade
de crescer!!!

quinta-feira, outubro 13, 2011

Mãe Tutu


"Eu andava perambulando,
sem ter nada p’ra comer
Fui pedir as Santas Almas
Para vir me socorrer
Foi as Almas que me ajudou
Foi as almas que me ajudou"



Lá vinha a velhinha, pequena e curvada;
Ninguém falava com ela, ninguém falava com ela,
Mas ela benzia a rua,
Benzia rato e ladrão,
Cavalheiro e donzela,
Benzia de tudo
E seguia calada.

Lá vinha eu,
Sem alimento de mente
Sem comida de alma,
Faminto de coisa boa
Sedento de calma,
para ver a luz
na minha caminhada!

E vi essa velhinha,
Preta como a noite,
E logo eu soube,
Ela era vovó,
Era também titia,
mas o povo a conhecia
como Mãe d'eu e de tu
E lá foi Mãe Tutu
Mãe d'eu e de tu
Benzendo eu, a rua
Curando tudo!!!

"Eu andava perambulando,
sem ter nada p’ra comer
Fui pedir as Santas Almas
Para vir me socorrer
Foi as Almas que me ajudou
Foi as almas que me ajudou"

terça-feira, outubro 11, 2011

O Que Ocorreu Com a Minha Vida?


Depois de tudo o que vi, de todos os livros que li, das experiências que tive, das revelações que descobri; isso é o que resta de mim, uma sombra de todos os sonhos que não vivi.

Sempre acreditei que tinha uma missão, por isso, estudei tanto as religiões, viajei o mundo, escrevi até alguns livros, mas hoje, mal consigo pagar as minhas contas; o mundo me aperta, e não sou laranja, já não consigo produzir sumo, e o tempo vai passando e tento, agarrá-lo com o ralo da minha esperança que talvez algo mude, mas nada muda... se ao menos eu pudesse voltar a ser criança.

Sim, se eu pudesse voltar a ser criança, faria tudo de novo, mais tentaria me afastar das crenças alheias, e assim que idade eu tivesse para dizer não, se vontade eu tivesse, e só se vontade tivesse, eu estudaria tudo aquilo que estudei, mais não levaria tão a sério essa necessidade inútil de ser iluminado, afinal, se estou na Terra é porque tenho que trabalhar um bocado aqui, construir uma vida decente agora, para que eu possa continuar, do céu crente, mas com as contas pagas e com um rumo mais definido, para que ao menos, eu chegasse aos 64 menos ferido e mais realizado por ter vivido de fato.

Talvez saber toda essa espiritualidade possa me ajudar no céu, porém, aqui na Terra, infelizmente, não consegui tornar cotidiano toda essa teoria, e nisso, acho que perdi a chance de aprender a grande lição da espiritualidade que nos ensina tudo o que aprendemos sobre o Divino não serve para nada se não conseguirmos, na prática, ter uma vida melhor.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Lullaby


" Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are,
Up above the world so high,
Like a diamond in the sky."


Ainda se canta para bebê dormir?

Uma amiga minha, que vai se tornar mãe, me pediu dicas musicais, disse ela que deseja fazer uma seleção de canções de ninar para o seu bebê. Eu perguntei se não seria melhor ela cantar para o neném, ela respondeu que, com a voz de taquara rachada que ela tem, provavelmente o bebê se assustaria.

Piada à parte, de acordo com uma pesquisa feita pela revista "Crescer", as mães já não cantam mais canções de ninar para os seus filhos, nem os pais contam histórias mais. Falta de tempo, é a desculpa, o que é uma pena que essa tradição esteja sendo perdida, afinal, as canções e histórias de ninar são uma forma de manter, mesmo nesse mundo de correria, uma conexão do pai ou da mãe com a criança que, infelizmente, já não ocorre mais.

Não sabemos ao certo quando e onde surgiu a primeira cantiga de ninar, sabemos que o poeta romano Pérsio, no primeiro século da era em que vivemos, já falava de sua existência. Os acalantos ou cantigas de ninar, conhecidos em Portugal como canções de berço ou de embalar são cantados pelas mães do mundo todo para adormecer seus filhos. Nomes das cantigas de ninar em outros países: Estados Unidos e Inglaterra (lullaby); Suécia (lula); Dinamarca (lulle); Holanda (lullen); Polônia (kalebka); França (berceuse); Itália (cantilena ou nane); Alemanha (wiegezang); Bulgária (iulkova piesen); Rússia (kolybethnaia piecnh); Japão (komoriuta); Chile (rurrupatas); Espanha (cancion de cuña); Romênia (cantec de legan).

Tento, desde que me tornei pai, manter sempre música tocando no quarto da Jureminha, mas não perco ,por nada desse mundo, a chance de ninar ela para dormir com as canções mais malucas que consigo lembrar, desde que tenham o tom calmo e suave que possa ajudar o bebê a dormir.

No começo, fiquei em dúvida do que cantar, depois as canções foram aparecendo. Nada da "Cuca vem pegar" ou "Samba Lêlê Tá doente", arrisco mesmo um "Love me Tender" do Elvis ou um "Let it Be" dos beatles.

A verdade é que não é o que você canta que conta e sim, o tom da sua voz e o calor dos seus braços que embala esses lindos seres para o mundo dos sonhos. E ver o seu bebê caindo no sono com o som da sua melodia faz que a gente perceba que essa tradição merece ser preservada por toda a eternidade.

E você, que é pai ou mãe, que canção de ninar você canta?


Fonte de pesquisa:
http://www.lendorelendogabi.com

sexta-feira, outubro 07, 2011

Desenvolvimento


O desenvolvimento começa
com um compromisso com a verdade
e com a coragem de continuar
com os pés no chão,
palavras filtradas pelo coração
e cabeça aberta
para reconhecer que o nosso poder
começa
quando reconhecemos
o poder do outro
E é nesse envolvimento
que ocorre o seu
Desenvolvimento!!!

quinta-feira, outubro 06, 2011

Vergonha de ser Umbandista


Não sou Umbandista, não gosto de "ismo", nem toco em nenhuma banda, mas tenho um grande orgulho da Umbanda e de tudo o que aprendi e ainda aprendo com os Orixás e com os Mestres de Aruanda, por isso, se em alguma discussão sobre religião, ouço alguém falando mal da Umbanda, essa pessoa vai ouvir; afinal, todas as religiões merecem respeito e de intolerante, já basta a nossa ignorância em relação ao diferente, porém, é interessante que isso não ocorre com muitos dos seguidores dessa religião afro-brasileira, a maioria nega de pé junto que já pisou em um terreiro, ou seja, o preconceito começa com os próprios praticantes da religião.

Uma coisa é ouvir o preconceito vindo dos evangelistas de plantão que adoram falar mal de qualquer religião que não seja a "cristã" deles, porém, perceber esse medo bobo de assumir o que faz vindo dos seguidores dessa religião tão linda, sempre me deixou muito curioso.

Certo dia, estava conversando com alguns amigos, um deles, umbandista de pai e de avô, e a discussão começou a girar ao redor da palavra "macumba" e acabaram, naturalmente, associando com a Umbanda, e lá fui eu, explicar que as coisas não eram bem assim, como os nomes e significados foram distorcidos, e defendi aqui e ali, tudo o que aprendi com a Umbanda, esperando que esse meu amigo, entrasse na discussão e falasse sobre a sua experiência, mas ele permaneceu em silêncio durante toda a discussão.

Quando o pessoal foi embora, olhei para ele e falei:

- E aí, o que ocorreu?

Ele olhou para mim e falou:

- Nada! Eu só não gosto de falar para as pessoas o que eu faço ou no que eu acredito. Eles não tem nada a ver com isso.

- Você tem razão - respondi - Afinal, não precisamos ficar por aí, levantando a bandeira de nada, mas acredito que precisamos nos manifestar quando vemos pessoas falando besteira sobre algo que conhecemos bem. E não consigo ficar calado quando ouço as pessoas pregando algo contra a religião alheia.

- Não me leve a mal, Frank! - disse ele - Mas não quero que as pessoas me chamem de macumbeiro. Por isso, quando elas me perguntam que religião é a minha, sempre falo que sou católico, ou se o pessoal for mais cabeça, que eu sou espírita.

- Mas você vive dentro de um terreiro de Umbanda!

- Eu sei, mas não tenho coragem, nem força para assumir algo que sei que vou sofrer preconceito...é mais fácil apenas dizer o que eles querem ouvir.

Não disse nada, mais é por esse e por outros que a Umbanda continua sofrendo todo esse preconceito e continua sendo considerada uma outra seita, dessas de fundo de quintal, que só existem para fazer o mal. E a diferença entre seita e religião, queridos leitores, é o preconceito que cada uma carrega.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Conhecem essa história?


- Por Lázaro Freire -

OBS. Favor ver as referências de rodapé somente depois de ler o texto inteiro.

Havia um mestre que, dizem, teria sido gerado por uma virgem. Nascido de Descendentes dos reis legítimos (1), em um período em que seu país encontrava-se na mão de usurpadores, nem um pouco ligados às tradições religiosas ou ao bem do povo.

O nome pelo qual passou a ser conhecido no Ocidente, embora na verdade falado em outra língua, lembra a sonoridade do conceito grego de Christhos, ou os radicais presentes no "Espírito Crístico".

Várias profecias indicavam que este menino poderia vir a ser o Rei.

Alguns achavam que isso se daria no sentido religioso. Mas outros, no sentido político (2).

As pessoas esperavam d´Ele um salvador. Afinal, esta seria uma encarnação (3) do segundo aspecto (4) de Deus, que é um só (5), mas se divide em três pessoas (6).

Diz a história que o rei usurpador, de família ilegítima, mandou MATAR todos os primogênitos, forçando os pais do menino salvador a fugir com ele.

Foi criado de forma aparentemente humilde, mas dava mostras de sua sabedoria. Deixava escapar também traços de erudição que indicavam educação primorosa (talvez patrocinada pelos que apoiavam a família real, que tentava voltar ao trono).

Após uma infância pouco documentada, deu algumas mostras de seu poder na adolescência.

Após mais algum tempo, em idade adulta jovem, revelou-se como presença divina. Sua presença coincide com uma época de grandes conflitos. Durante esta fase de ocupação de suas terras e tentativas de revolução, faz questão de deixar claro que precisamos separar o que é de Deus, notando que o impermanente não é deste mundo.

Quebra paradigmas, ensina morais estranhas, faz questão de que cada um cumpra o que é seu papel. Ensina, literalmente, que ELE é o CAMINHO até o Pai (7). Que é necessário fazer os trabalhos, mas que podemos ofertar a Ele (8). Unirmo-nos a ele, que é Caminho, que é Verdade. Não porque ele seja egóico, mas porque ele está ligado com o Criador.

Com o seu exemplo de amor, e o sacrifício que simboliza sua encarnação, nos ensina que é difícil, para nós, nos ligarmos com o intangível; mas que já dá para nos ligarmos com um salvador conhecido. Como ele é ligado a Deus, ligando-nos a ele pegamos "carona"...

Acaba sendo morto ainda jovem, de forma trágica (9), pouco depois de sua revelação como Presença Divina.

Não escreve nada, mas alguns registram parte da sua vida, especialmente as próximas da morte, onde despeja toda a sua sabedoria. Os trechos registrados são pequenos (10), mas capazes de mudar por milênios a nossa noção religiosa de causa e conseqüência, trazendo nova luz sobre a natureza do espírito e sua sobrevivência ao corpo.

Os poucos capítulos sobre sua vida em presença divina são inseridos como parte das escrituras sagradas de seu país, e são traduzidos para praticamente todas as línguas do mundo (11).

O novo livro, com o relato da vida do Deus Vivo, é mais popular e citado, individualmente, do que a própria obra religiosa maior que o contém.

Antes de morrer, deixa claro que irá voltar, no futuro (12). Fazem religião em Seu Nome, mas Ele mesmo nunca foi adepto destes preceitos religiosos, até porque nunca fundou religião alguma, nunca foi moralista, nunca foi de trocar sabedoria por rituais e não podia freqüentar o que só fizeram depois Dele...

Conhecem esta história?

Esta é a história de Krishna, que viveu em 3000 A.C., na Índia.

Somos Todos Um Só!

São Paulo, 13 de maio de 2004.

(Há um respeito e um "respeito". O professor de biologia não pode deixar de ensinar a evolução das espécies apenas porque um crente fundamentalista sentiria sua fé desrespeitada. Ora, que ele ensine Adão e Eva na sua igreja, mas deixe o professor em paz. O professor de biologia não vai atrapalhar a igreja. Mas o crente, se puder, vai tentar mudar o programa de ensino das escolas.)

Notas: 1. Bharata, a descendência que se fundia com a própria Índia, e que dava caráter de etnia e identidade cultural. A própria Índia era chamada de Maha-Bharata, ou Grande Bharata: a GRANDE família.
2. A separação entre estado e religião é recente. Na história, a lei de Deus era a justiça humana. O sacerdote era o juiz. O rei, César, Papa ou Faraó era sempre (no mínimo) representante de Deus. Vide reis judaicos (David,Salomão), Aiatolás do Irã, presidentes fundamentalistas árabes, etc. Texto sagrado é o código civil e penal, pois o poder é sempre exercido em nome de Deus. Logo, esperar um rei religioso era esperar um líder político também.
3. Avatar: Emissário celeste; Canal da divindade.
4. Vishnu: equivalente ao Filho para os cristãos, à Ísis para os egípcios, ou ao Fixo para os astrólogos. Amor, conservação e manutenção do que foi criado.
5. Brahman, com N, o Deus não personificado, a soma de todos os deuses e criaturas. O Supremo, o Tao, o Todo, O Grande Arquiteto Do Universo.
6. Brahman se divide em três aspectos (tal manifestação fenomênica é conhecida com o nome de Trimurti): Brahma (O Criador), Vishnu Narayana (O Mantenedor), e Shiva Nataraja (O Transformador). O segundo aspecto reencarna de tempos em tempos, para trazer a luz celeste entre os homens.
7. Deus.
8. Ensinamentos do Baghavad Gita, onde Krishna fala sempre em "ofertar A
Mim", "Eu Sou o Caminho", "Faz em Meu Nome".
9. Krishna morre flechado, após ensinar sobre Carma e Dharma a Arjuna, um arqueiro.
10. As lições estão registradas no Baghavad Gita.
11. O Bhagavad Gita é um dos livros que compõe o épico sagrado MAHA-BHARATA.
12. Krishna foi a oitava encarnação de Vishnu. Rama teria sido a sétima. Há controvérsias quanto a nona encarnaçao (Buda, Jesus, Chaytania ou Paramahamsa Ramakrishna). Espera-se uma décima encarnação, conhecida esotericamente como Kalki, muito embora algumas correntes tenham seus fortes indícios para achar que já tenha vindo, e outros prefiram achar que Kalki será uma onda, e não mais uma "pessoa".

--
*Lázaro Freire
http://www.voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=4&id=91
*

terça-feira, outubro 04, 2011

São Francisco de Assis e o lobo de Gúbio.


Quando São Francisco morava na cidade Gubbio, apareceu na comarca um grande lobo, terrível e feroz não só devorava os animais mas também atacava os homens ao ponto de que estavam todos aterrorizados, porque varias vezes o lobo chegava bem próximo da cidade. São Francisco movido pela compaixão desta gene quis sair e enfrentar lobo, mas os moradores da cidade não quiseram deixar e tentaram dissuadi-lo.

Mas São Francisco caminhou resolutamente para onde estava o lobo e na vista de muitas pessoas aconteceu o seguinte: O lobo avançou em direção de São Francisco com a boca aberta e Francisco fez o sinal da cruz o chamou e disse ao lobo: "Vem aqui irmão lobo, eu te mando da parte do Nosso Criador Jesus Cristo que não cause dado a ninguém e a nada .Coisa admirável. Apenas isto e o terrível lobo fechou a boca e se aproximou mansamente e deitou aos pés de São Francisco.

São Francisco então disse : "Irmão lobo, tu estas fazendo muitos danos e medo neste povoado maltratando e matando criaturas de Deus sem a permissão Dele. Você não está contente em matar outros animais e bestas e ainda tem o atrevimento de dar morte e causar danos ao homem , imagem de seu Deus .Por tudo isto está merecendo a forca de ladrão e homicida malvado. Quero irmão lobo fazer as pazes com você e o povo dessa cidade, assim pare de perseguir os homens e seus animais .Com estas palavras o lobo baixou a cabeça e São Francisco disse "vou fazer que o povo desta cidade te dê o necessita de modo que não passe fome, mas não faça nenhum mal nem ao homem nem a outro animal.Me prometes? O lobo inclinando a cabeça diz entender claramente o que dizia São Francisco e este estão disse; " venha comigo ".

O lobo levantou a pata dianteira e colocou-a na mão de São Francisco e daquela data em seguida o lobo ia de porta em porta e todos o tratavam como a um cachorro de estimação e davam a ele comida e abrigo. E o lobo não causou nenhum mal a esta gente.

Viveu mansamente e morreu de velho nesta cidade como lembrança do milagre de São Francisco.

AUTOR DESCONHECIDO

O Bebê e a Missa


É dia de missa, trabalho espiritual, gira, culto, sei lá como você chama o seu local de celebração do Divino, mas geralmente é domingo, roupa pronta e bíblia, torá, alcorão ou hinário na mão e o bebê chora...

A mãe acalenta, o pai espera; o carro ligado na garagem, a mãe diz espera, o pai diz é bobagem; mas samba bebê tá doente, tá com a cabeça agitada, e a hora do culto se aproxima, a gira está quase começando, o povo já lotando a igreja, o templo já tá lotado, porém, a mãe diz: a bebê não tá bem, vamos ficar!

Como assim? E a reunião espiritual? O que Deus vai dizer? Como vamos ficar sem ir para a mesquita rezar? Precisamos ir! - grita o pai - Precisamos cuidar da nossa família sempre em primeiro lugar - pensa a mãe e sem saber ( ou sabendo) que já está fazendo o seu trabalho espiritual, já está orando, rezando, se conectando, re li gando-se com Deus, com o Tao, com o Tudo, com o Criador.

Religiões há muitas,
família só uma!

segunda-feira, outubro 03, 2011

O SORRISO DA JUREMINHA


Coisa mais linda, singela e sincero é o sorriso de uma criança.

Adoro sorriso de bebê, mas é claro, confesso, que nenhum nenén tem sorriso mais lindo que o da minha filha, que desconfio, veio com defeito da fábrica, pois ela sorri o tempo inteiro.

Sorri quando acorda, sorri até quando está chorando.

É meio da noite, ela se vira no berço e acorda; começa a chorar e corro para a ver e quando ela me vê, abre um sorriso do tamanho da Terra. Aí, o cansaço vai embora, o sono se fragmenta em uma sensação de que há muito mais no universo do que sonha a nossa vã e "sã" aparência.

Ver minha filha sorrindo, é sem exagero, um mini-samadhi, expansão da consciência, em que percebo que na natureza do sorriso de uma criança reside todo o segredo do universo e talvez, a única forma de lembrar em vida que não somos daqui, somos de outro lugar, onde todos se comunicam sorrindo:)
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