sábado, fevereiro 28, 2009

GHOSTO

O quarto ficou pequeno, transformando-se em algo mais: o que é não sei explicar, só sei que já estava lá.

Pensei que estava dormindo, belisquei-me, doeu, e o que havia não saiu do lugar.

Fiquei na cama, não tive medo, mas fiquei apenas olhando, enquanto o outro mundo parecia se descortinar, mostrando algo que eu não conhecia, mas era completamente familiar.

Notei que havia gente me olhando e ouvi alguém gritando: Ghosto!!! - era um molequinho japonês apontando para mim.

Socorro!!! Virei personagem de mangá em matinê do astral.
Terei eu me tornado um fantasma para o povo do lado de lá?

E eu que pensei que mediunidade era só TV a cabo de cá para lá.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

SARAU NA CASA DA GRAÇA

Tardezinha de Domingo na casa da minha mãe, nada de Faustão ou televisão: é o Sarau dos Orixás.

Não há rádio ligado ou gira com filhos de santo a bailar; apenas cantamos canções que falam de deuses e santos brasi-africanos. Não temos instrumentos, apenas o som das nossas vozes e o ritmar das nossas palmas; não há orquestra ou tambor, além da nossa vontade de cantar.

Somos cigarras cantantes contrastando com o barulho das TVs. Vaga-lumes dançantes com o brilho dos nossos sorrisos, tentando lembrar os pontos de cada entidade numa competição da memória, onde só perde quem não for Orixá.

Ouço a minha mãe, escuto a minha tia, Auri baila para todas Iabás e eu toco o meu maracá. Estranho, minha voz parece alcançar alguns tons que jamais ousei pensar que pudesse alcançar ao cantar.

Poderia ser mais uma tarde de domingo em nossas vidas, mas conseguimos transformá-la em algo mais, uma data especial, sem precisar de qualquer motivo para acontecer, apenas com a participação de pessoas com vontade de manifestar a arte que parece aflorar quando um ou mais se reúnem em qualquer lugar.

O SEU CORPO É UM TEMPLO, MENINA

Engorda, engorda, arrota!
Arrota, arrota, engorda!

Segue balança sempre pra cima
Segue balança sempre pra cima

Engorda, engorda, arrota!
Arrota, arrota, engorda!

A roupa de cada dia já não cabe mais
A roupa de cada dia já não cabe mais

Engorda, engorda, arrota!
Arrota, arrota, engorda!

Não consegue fechar a boca
Não consegue fechar a boca

Engorda, engorda, arrota!
Arrota, arrota, engorda!

Culpa a vida, culpa a fome
Culpa a fome, culpa a vida

Engorda, engorda, arrota!
Arrota, arrota e chega!

É sagrado o que está na mesa
Sai pra lá futura obesa

Chega de engorda, engorda
Chega de arrota, arrota

Vou comer só o que preciso
Vou comer só o que necessito

Chega de engorda, engorda
Chega de arrota, arrota

Sou humano, não sou um bicho
Sou humano, não sou um bicho

Chega de engorda, arrota
Chega, chega, chega

Chega, chega, chega
Chega...

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A Menina e a Harpa

Quando ela falou que iria para Londres para comprar uma harpa; quem ouvia não acreditou. Vai-se a Inglaterra para ver o Big Ben, para estudar inglês, para ver a Rainha Elisabeth e a troca de guardas; não se vai a Inglaterra para comprar uma harpa. Além disso com essa crise econômica, ninguém tem grana para comprar uma gaita, imagina uma harpa...

- Vou buscar um sonho - disse ela - E do que vale o dinheiro que ganhamos com o suor do ano inteiro, se não podemos comprar a realização dos nossos sonhos - e ela calou-se, pois notou no olhar do outro que a ouvia e desejava com palavras transformar a magia da sua harpa em cinzas, a ausência de sonho, os desejos enterrados no orvalho das realizações reprimidas.

Quanto tempo gastamos com as coisas que não são importantes e quanto tempo gastamos com os nossos sonhos?

No coração de todo mundo há uma menina buscando uma harpa, mas nem todos tem a coragem de ajudar esse sonho a virar realidade.

A PEDRA NÃO FICOU NO CAMINHO

Havia uma pedra em seu caminho, ela topou, se machucou, quase caiu, mas rapidamente levantou.

Xingou, xingou, fez o que todo mundo faz quando está com dor, mas ao contrário de muita gente, ela tirou a pedra do lugar e a colocou em outro local onde ninguém mais pudesse tropeçar.

Uau, que incrível observar essa terra linda onde vive essa gente boa que não deseja ao outro a mesma pedra que estava em seu caminhar.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Vigia a Língua

A língua é um órgão fascinante: auxilia a fala, ajuda o paladar; laça o amante num beijo; mas se não for bem vigiada, corre o risco de nos enforcar.

Já vi gente amarrado em palavras; já vi gente acorrentada em promessas. O que sai pela boca não pode ser novamente guardado e boa parte não é poema.

A língua afiada é pior que qualquer arma; fere não apenas o corpo, machuca profundamente a alma.

A palavra quando mal dita destrói impérios, atrai os cavaleiros da guerra, não planta, enterra.

Feliz de quem pára a intenção vândala em palavra calada; no silêncio do não dito – no observar e na cautela.

Falar todos falam; domar o cavalo selvagem do tudo querer expressar é trabalho árduo e nem todos conseguem essa proeza alcançar.

A palavra é de ouro.

O silêncio é muito mais valioso.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

SAVITRI

Fim de tarde. Enquanto muitos pulavam carnaval nos clubes da vida, eu seguia em direção a locadora para entregar os filmes que tinha assistido com a esposa no fim de semana. Nada contra a festa brasileira ou as escolas de samba desfilando na avenida, mas curtir um bom filminho com pipoca e refri, vale mais a pena, na minha opinião.

Entre o próximo passo e o papel que voava sendo levado pelo vento, vi um outdoor à minha frente: uma mulher semi-nua exibia o seu lindo corpo na capa de uma revista masculina.
Entre o pensamento "gostosa" alterando as vibrações da minha líbido e a sensação de ridículo de estar ali parado olhando a peladona; percebi um raio de sol de fim de tarde tocando a minha testa e eu comecei a sentir uma energia diferente me envolvendo, mais sutil, mas éterea.

Era uma sensação de feminilidade. Não sei explicar, mais naquele momento uma parte minha, até então esquecida em algum lugar da minha consciência foi ativada e despertou uma energia mais terna, delicada e ao mesmo tempo firme.
Eu não era mais apenas homem, mas parte também daquela energia feminina que transmitia amor e parecia estar em todo lugar.
Percebi que essa energia sempre esteve dentro de mim e senti uma vergonha enorme em ser homem e estar sendo guiado apenas pelo tesão despertado por uma imagem num outddor.

Senti o quanto a imagem da mulher era vergonhosamente explorada por nós homens e que mesmo em tempos modernos, por mais que aceitavámos a independência e igualdade da mulher, no fundo todos nós, homens, tinhamos ainda a semente machista cultural de olhar uma mulher só com os olhos do desejo e do interesse.
Passamos toda a vida sem sequer nos darmos conta do quanto a energia feminina equilibra esse mundo tão (yang) masculino.

Desde criança fui ensinado que deveríamos admirar uma mulher pelo seu traseiro e pelo tamanho dos seios, que a mulher antes de casar era apenas para transar e depois de casada nada seria a mais que a "empregada do lar"; nunca me ensinaram a perceber a beleza do feminino no brilho do olhar, na habilidade de fazer muitas coisas e ainda assim a cada coisa brilho único dar.

No fundo do meu peito, tive vergonha do ser "um homem" e da forma como a mulher era tratada no ocidente através da sexualidade, e no oriente, pela submissão. Entre a moça nua do outdoor e a muçulmana vestida da cabeça aos pés, com uma túnica preta em algum lugar do algum país que termina com "kstão", senti o quanto tratamos mal a imagem e a energia feminina em nosso mundo.

Pensei em minha mãe, na minha mulher, na minha irmã e na minha futura filha. Pensei em todas as mulheres que eu conhecia e no quanto significavam pra mim. Pensei em quantas mulheres faltei com respeito e tratei com desprezo. Senti vergonha da minha criação machista, das tantas vezes em que repeti pra mim mesmo que certos trabalhos eram coisa de mulher e indigno para um homem, senti vergonha das conversas de bar de minha juventude em que repetia aos amigos como seduzira e "comera" aquela menininha que nem me lembro mais o nome. E chorei, chorei por ser esse homem incapaz de reconhecer a energia feminina em mim.

Compreendi que a lei da reencarnação é sábia ao reencarnar o machão num corpo delicado de uma menina. E que a separação de sexo na verdade não existia, pois éramos todos luz, consciência e partes de um grande Deus que também era Deusa.

Eu não deveria ser mais um homem e sim o homem. E esse homem precisava entender que existe a diferença entre apreciar a beleza de uma mulher e desrespeitá-la.

Foi então que no fundo do meu coração, senti que havia um leve sussurrar e eu parecia ouvir baixinho no ritmo das batidas do coração um mantra: Savitri *! Savitri!

Repeti o mantra e mergulhei na face feminina de Deus.

Imagens vieram em minha cabeça e percebi que Deus em sua infinita sabedoria deixava-se manifestar mulher tanto quanto homem, para que seus filhos queridos pudessem entender que não há diferença entre sexos, pois Ele é tão Deus quanto Deusa, desde os tempos mais remotos quando o ser humano passou a compreender que havia algo além do mundo fisíco: do culto antigo Celta a Grande Mãe, nas personificações das deusas hindus Saraswatti, Lakshimi e Parvati; na compaixão de Kwan-yn na China, na sabedoria e mistério de Isis no antigo Egito; nas crenças católicas das muitas faces de Maria, na bruxaria e nos cultos ao feminino espalhado por todo o planeta. Não importava o local ou a época, sempre haveria a manifestação divina na forma feminina para provar aos homens, que o culto e a crença não deveria ser voltado apenas para a forma de homem barbudo e sisudo que tanta religião pinta.

Então ouvi uma voz:

" Não sinta vergonha de ser homem e agir da maneira que age. É assim que se deve ser, até você entender o significado da palavra respeito.

Entenda que sentir desejo é natural, mas respeitar e conter a libido desenfreada é um passo evolutivo.

A admiração por um corpo feminino é natural, mas a obsessão por sexo é doentia.

Desejar é natural, mas entender o desejo e não ser consumido por ele é um passo evolutivo.

Você é um homem, yang, sol em toda a sua intensidade e força, mas equilibrar-se com a energia terra, Yin, lua em todo o seu mistério é um passo evolutivo.

Homem e mulher se completam na mais perfeita combinação energética e espiritual, onde a soma dos dois, resulta numa única energia equilibrada e iluminada.

O perfeito equilíbrio entre essas energias é o objetivo do homem e da mulher no seu plano de existência, mas negar essa energia ou exagerá-la é desvio do seu real caminho.

Não seja moralista com as suas idéias e anseios, porém, jamais deixe que o seu ser masculino apague a lembrança que o feminino está em você como a bela que doma a fera, como a leoa que protege a cria. Um homem é muito mais homem se emocionando com os chutes do bebê na barriga da mãe do que brigando no trânsito.

Manifesto-me em você pelas suas lágrimas;

Manifesto-me em você pelo brilho em seus olhos;

Manifesto-me em você pelo sorriso;

Manifesto-me em você pela sua sensibilidade;

Manifesto-me em você pela compaixão;

Eu sou todas e não sou nenhuma. Eu sou a Maria da rua e a dondoca chique da alta sociedade. Eu sou a mãe, a amante e a filha. Sou a executiva, a dona de casa e a prostituta. Eu sou a Deusa, sou Nossa Senhora, sou Kwan-yn, sou Isis, mas no fundo sou apenas SAVITRI.

Eu vou te segurar pelas mãos toda vez que você fraquejar.

Eu vou confortar o seu coração quando sentir solidão.

Eu vou te carregar nos braços quando você cair e se machucar.

Pois eu sou a mãe, o amor e a vida "

Então, o brilho cessou, e o outdoor continuava lá, com a moça e suas sinuosas curvas, mas meus olhos se encheram d'água. Eu não sabia o que tinha ocorrido, mas sentia que havia um estranho brilho nos meus olhos e no meu coração e esse brilho se chamava SAVITRI. E por alguns segundos pude sentir essa energia que cria a vida beijar a minha face.

Uma velhinha com um carrinho de compras passa ao meu lado e resmunga com a cara de indignada pra mim: “Seu tarado!".

Eu rio.

O papel continua sendo levado pelo vento, as pessoas continuam pulando carnaval no clube, mas ali na Liberdade, aquele sujeito com as fitas de vídeo na mão, em plena terça de carnaval, descobrira que em sua essência, ele não era homem, nem mulher, mas apenas luz. Que não havia nada de errado no tesão, na sacanagem; desde que houvesse respeito por esse ser que no homem desperta ao mesmo tempo tanto desejo quanto o amor que multiplica a vida.

Definitivamente, sentir a energia da mulher com SAVITRI no olhar é neti, neti**.


Frank


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* SAVITRI: Lenda indiana sobre uma princesa que tinha um brilho no olhar tão forte que colocava medo na morte. O nome significa algo como "Força do Sol" ou brilho cintilante. Também é nome de um poema de Sri Aurobindo:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=4590

** Neti-neti : Muitos traduzem como nem isso, nem aquilo. Algo que é difícil de ser explicado, principalmente quando tentamos descrever Deus, Brahman, O TAO, e os tantos nomes que colocamos para a mesma Força de Amor que nos dá vida.

As Crônicas que cairam da Lua


Novo Cronicar
O mundo se altera quando eu escrevo; prendo o vácuo com os sons que quero ouvir, aprisiono o vazio com as palavras que desejo escrivinhar; mas não ponho na boca dos outros o que quero falar; nem exijo que eles leiam somente aquilo que eu expressar.

Não preciso mudar ninguém para que o mundo que eu vejo possa ser compartilhado com quem deseja descobrir aquilo que eu quero mostrar.

Nas minhas mãos tenho o dom de coisas belas escrever ou coisas feias fazer surgir; é tudo uma questão de escolha, no rio da intenção que flui dos meus pensamentos pelo meu olhar e vira realidade no poder da pena que dança com os dedos da minha mão nesse baile do com as letras brincar.

Há tempos optei pelo caminho do sorriso por não ter outra opção além de compartilhar alegria com o coletivo. Não o faço por medo do perigo do inferno ou pelas promessas douradas do paraíso. Optei por essa trilha, pois percebi que não existe opção mais rica que arrancar alegria de quem está do meu lado.


É o Caminho do Sorriso que com a escrita decidi trilhar.

Minhas letras são sementes da lua que faço brilhar no peito alheio. Minhas palavras são frutos do amor que são digeridos pelos olhos de tantos terceiros. Meus textos são as minhas oferendas de amizade a quem quiser olhar o mundo com o meu olhar, sem precisa mudar o seu modo de pensar.

Bem vindo leitor, a mais uma nova fase do meu cronicar...


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NÃO É O QUE É ESCRITO

Escrever sobre o que há não é descrever o que é, pois o mundo que vejo se descortinando enquanto escrevo, é um mistério que escapa da prisão da mente como água pelas mãos, como areia do deserto na ampulheta do tempo.

Escrever sobre o que há é buscar o aperfeiçoamento da habilidade de transformar o que sinto em palavras, textos que possam servir de pistas, setas, indicando o maravilhoso caminho da descoberta do que se esconde dentro de nós mesmos.

Escrever sobre o que há é compreender que há ondas de dualidade fortemente mantendo esse plano como É. Elas não deixarão que o mistério seja descoberto e qualquer tentativa minha fará esse segredo mudar de face, trocar de corpo, alterar o verso, como sempre fez com aqueles que tentaram descrever o inenarrável; mas como sou teimoso, ainda assim, arrisco alguns escritos sobre o que não pode ser dito, apenas sentido.

Sou cronista desse caminho espiritualista. Sou um escriba da busca espiritual e estarei sempre com uma caneta e um bloco de notas em branco em mãos, tentando descrever o que for experimentar e nesse momento, enquanto escrevo essas palavras, a minha percepção se abre e vejo cortinas de letras descendo pelo ar, com idéias infinitas e inspirações mil para que eu possa poetizar.

Artista da palavra, agradeço o presente e percebo que se eu fosse músico, seriam belas canções a tocar pelo ar; se eu fosse um pintor, seria uma miríade de cores que eu poderia aquarelar. Muda-se a janela, mas a visão é uma só: não estamos aqui à toa e nem tudo o que aparenta ser somente; é o que há.

Seja qual for a expressão de quem observa além do véu, o mais importante não é o que é sentido, mas aquilo que se deseja compartilhar e acreditem, não me interessa, convencer a vocês que o que senti é o que há, mas asseguro que se o que vejo, ouço, cheiro, sinto é parte da Grande Verdade do Infinito; que mundo mais bonito, que mundo mais bonito.

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EXTRA EXTRA

Foi ontem a noite...espera leitor... deixa eu me preparar...como mesmo posso te explicar? Como vou colocar em palavras?...

Vou tentar assim...

O que quero te contar é o tipo de coisa que não dá para compartilhar, pois é como aquela música que a gente ama, mas ninguém ouve; então tentamos colocar para alguém escutar e a pessoa não entende o quanto àquela canção é importante para nós e não apenas diz que odeia, mas faz a gente sentir que a canção que amamos não é tão boa assim... muito embora a canção continua sendo a mesma.

Sabe aquele momento em que tentamos descrever um instante mágico em nossas vidas e quem ouve não se empolga e nem consegue ficar tão alegre quanto a gente, na verdade ela mal entende porque para você isso é tão "divino".


Compreenda: a nossa visão no olhar do outro é sempre um reflexo distorcido. Nossas experiências quando vistas pelo julgar alheio se banaliza, ainda mais quando contadas ou escritas.

Já me disseram: “Vagamundo, guarda para você essas coisas. As pessoas não conseguirão te entender”, mas vocês sabem, o quanto eu sou teimoso: eu preciso tentar! Tenho que arrumar uma forma de expressar sem que o extra se torne ordinário. Sem que essa experiência tão mágica perca a graça. Porém, confesso: estou sujeito mesmo ao fracasso, pois esforço-me, esforço-me, e quanto mais esforço vou fazendo, mas claro vai ficando: realmente não dá, eu quero, mas não consigo, não posso expressar.

Sinto muito meu amado leitor. A minha experiência transcendental já se tornou lugar comum...

sábado, fevereiro 21, 2009

O DOCE ORGULHO DO EGO

O orgulho e o ego se aproximam sorrateiramente, de um jeito tão silencioso, que quando percebemos, já estamos atuando como Reis do Universo. Contudo, não somos reis de coisa alguma, pelo contrário, somos servos das forças que regem a natureza desse plano de existência.

Todo esse papo "new age" de co-criadores do Grande Arquiteto Divino, só serviu para trasnformamos o ego que nos ajuda a criar a nossa identidade num monstro que grita: eu sei tudo!

Esse ego do tamanho de um Godzilla e o orgulho que é baseado em conquistas vazias, aumentam a cada dia em nome das conquistas do mundo, entretanto, deixamos de lado a busca da riqueza interior e o respeito que deveríamos ter por cada um que divide esse planeta conosco.

Nada contra a busca de uma situação financeira confortável, afinal, se tem algo em que eu não acredito é em gente que faz voto de pobreza ou prega o "repúdio ao dinheiro" (talvez não haja discurso mais hipócrita baseado em dogmas tão demagogos). A questão aqui é levantar uma meditação sobre como olhamos quem acreditamos saber menos que a gente.

Eu não sei quanto a vocês, mas volta e meia, eu me surpreendo com a capacidade que tenho de achar que sei mais que os outros, quando eu deveria apenas querer saber suficiente para mim. Conhecimento nenhum nos dá o direito a cultivarmos um olhar superior aos outros. Somos todos iguais e se aprendemos uma coisa ou outra a mais, esse conhecimento deveria ser para a nossa prática e não para servir de razão para sairmos por ai, contando o quanto sábios somos, afinal, qualquer que tenha sido o nosso aprendizado; ele é limitado pelas restrições de expressão e comunicação da linguagem que usamos nesse experiência terrena.

Experiência espiritual nenhuma consegue ser descrita da forma como é sentida. Isso é um fato e desafio meus opositores que apareçam com relatos.

Descoberta cientifíca alguma é maior que os mistérios e a magia do significado da palavra RESPEITO.

Ser PHD ou Doutor em certas áreas profissionais não nos torna melhores seres humanos, nem nos dá o direito de usar a coroa do saber superior, pois, só a morte é verdade absoluta; todo o resto é conhecimento variável, sujeito a mudanças a qualquer momento.

O Ego e o Orgulho, assim como o Medo e a Dúvida, são forças emocionais que possuem a sua função na construção do indivíduo que somos, porém, mais forte que elas, deve ser a nossa vontade em dominá-las para que possamos cultivar a tolerância em relação as idéias alheias e ao ritmos de aprendizado de cada um.

Não vivemos sós nesse mundo e se há uma razão pela qual existe o outro, é para que possamos viver em harmonia e respeito com ele e com todos.

Como dirigir bem (LEIA E APRENDA!).

(Autor: Antonio Brás Constante)

Dirigir parece fácil. É basicamente conseguir fazer com que o veículo em que estamos sentados no papel de motoristas se mova para frente (ou para trás em eventuais ocasiões), sem bater em nada. Mas uma coisa a vida nos ensina: não confie em nada que pareça fácil. Caso contrário à frase “se a esmola é demais o santo desconfia” não teria o menor significado prático.

Tudo começa a se complicar quando entendemos que para sairmos do lugar com o tal veículo, devemos dominar três pedais (freio, embreagem e acelerador), com apenas “dois pés”.
Percebemos que para lidarmos com esses pedais não basta apenas pisarmos neles, mas temos de fazer isto em seqüências alternadas, coordenadas e de forma impensada, pois se pensarmos muito não dará tempo de evitar o acidente no qual estávamos justamente tentando achar um meio de impedir.

Contudo, os pedais são apenas parte da complexa cadeia de instrumentos do veículo que devemos manusear. Outro complicador é a caixa de câmbio. Temos que saber qual marcha usar em cada situação, não esquecendo nunca de utilizar os pedais de forma sincronizada com a referida marcha para que a mesma funcione.

Passamos de seres humanos a malabaristas de mãos e pés. Utilizando nossos membros em equipe na esperança de que eles saibam o que estão fazendo. Mas não é só isso. Devemos ter senso de direita e de esquerda, e para provar aos demais motoristas que possuímos este domínio, precisamos acionar o pisca-pisca na direção em que gostaríamos de virar o carro. Com um detalhe: se vamos para direita, a alavanca do pisca não vai para direita e sim para cima, e se quisermos ir para esquerda devemos move-la para baixo.

Necessitamos saber diferenciar a dita alavanca de outras que ficam espalhadas ao redor do volante, como por exemplo, a alavanca do limpador de pára-brisa. Salvo se o limpador for acionado por botões, ou outro dispositivo qualquer (Calma, se você é um aspirante a motorista não desista ainda, pois tudo tende a piorar).

Ao se pensar em pegar à estrada, manipulando três pedais com dois pés, dominando as tais alavancas, os botões e demais dispositivos do painel e sabendo os caminhos tortuosos que fazem as marchas serem engatadas, a pessoa pode então se concentrar em dirigir. Isto consiste simplesmente em ir pisando no acelerador, enquanto se olha pelo retrovisor lateral esquerdo, lateral direito, retrovisor traseiro, cuidando do marcador de velocidade, e... Meu Deus! Olha para frente!

Enfim, para que possamos ser bons motoristas, devemos ter em mente que mesmo que não sejamos alienígenas de três pernas, quatro braços, e com olhos atrás da nuca, o maior complicador para conseguirmos ir bem no trânsito não é o pedal, a alavanca, o câmbio, ou outro mecanismo qualquer do carro. A principal peça que causa problemas e que deve ser bem verificada antes de alguém assumir o volante é a sua própria cabeça. Pois é ali que reside o senso de prudência, a consciência, o respeito, a atenção e a educação entre outros tantos fatores importantíssimos para se dirigir bem. Sem isso, qualquer passeio de domingo pode transformar-se em uma tragédia, muitas vezes fatal, guiando o pretenso motorista a um caminho sem volta.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Promessas e Asas

Meu amor partiu em busca do seu tesouro e eu fiquei vendo-a partir, embarcando pelo portal que dá acesso a outros países, eu queria ir, mas essa é a Crônica da Auri.

Enquanto esperava na fila com ela, calei as minhas expectativas que um dia estivessemos nós dois a caminho da ilha e prestei atenção nela: como estava linda.

A última vez que a vi tão nervosa e tão feliz foi no dia do nosso casamento. Ela simplesmente transbordava luz, confesso que nunca a vi tão cintilante.

Estranhamente, parei de pensar em mim, no meu desejo de ir embora para a Inglaterra e mergulhei no brilho dela e comecei a sorrir...

Dez anos se passaram desde que trocamos votos de união, quando eu ofereci minhas asas a ela e ela prometeu me amar enquanto em seu peito houvesse amor para dar.

Bom saber que esse amor não se esgotou.

Bom saber que fui capaz de emprestar as minhas próprias asas para que voasse o meu amor.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

ESPELHO

A mediunidade é um espelho em que vejo refletido dois mundos que se descortinam. Em um deles, ando e respiro, no outro levo jeito pra fantasma, mas em ambos, vivo no meio.

E eu que achava que ser médium era apenas incorporar; ser médium é dar-se conta que todo o seu corpo é uma janela, de onde se enxerga de fora pra dentro e de dentro pra fora.

O que mediunizamos de lá para cá e de cá para lá?

OLHOS SONHANTES

No ônibus, olhos fixam o longe, além da janela; além dos seus planos, olhos enxergam sonhos.

Esses sonhos não possuem significado para outros olhos passageiros; esses sonhos são pura mágica para os olhos sonhadores de quem balança nos ônibus do dia-a-dia.

É no balanço dos ônibus que sonham os olhos com dias de carro...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

PEDRO MORREU, VIVA PEDRO!

Pedro morreu! Viva Pedro! Viva, viva, viva e perceba que a vida é mais do que o que você achava que existia. Entenda Pedro, que ninguém morre nunca, tudo continua mais ampliado ainda.

Não tenha medo, Pedro, o que ficou pra trás é agora cena de sonho, não volta mais, e misturado com outras tantas lembranças, você logo notará que essa passagem pela Terra perderá a intensidade que te faz agora sentir falta e chorar. Á medida que você for conhecendo, se lembrando, você compreenderá, Pedro, que o que foi vai se apagando e o que é vai se ajustando.

Viu, meu amigo, o que você está sentindo não é nada daquilo que lhe falaram, que você ouviu, que leu nos livros sagrados, tudo isso É que É de fato. Mas afinal, o que você esperava, Pedro? Que pudessemos descrever com exatidão o que É? Como é possível para um marinheiro esquecido se lembrar do que é o mar? Há uma vaga lembrança de algo que É, mas não temos idioma e nem capacidade mental para sequer conceber as coisas que SÃO além desse mundo de ilusão. Sim, tem muita gente que escreve tese, ensaios, faz palestras, publica livro, cria religião, mas quem tem bons olhos sabe ver que uma visão não passa de apenas de UMA visão. E Pedro, meu amigo, há tantos pontos de vista nessa terra que você deixou pra trás...

Terra linda, por sinal, sim, você vai sentir falta das cores, dos amores, dos mils sabores que ai, sei lá, mas acho que você não vai encontrar, mas apenas acho, amigo, certeza só tenho que nada para mim é certeza, não sigo o Caminho dos Tolos que faz parte da trilha de certos caboclos daqui que teimam em querer provar que você não está mais vivo, Pedro, imagina que pretensão achar que o mundo É somente aquilo que captamos com a nossa limitada percepção.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

REI DAS MONTANHAS

Martelando na montanha
Tem, tem, tem
Tá, tá, tá, tá
Tem Força
Tem, tem, tem
Faísca
Tem, tem, tem
Justiça
Tem, tem, tem
Relampear
Tá, tá, tá, tá

Martelando na montanha
Tem, tem, tem
Tá, tá, tá, tá
Firmeza
Tá, tá, tá, tá
Natureza
Tá, tá, tá, tá
Chuva há
Tá, tá, tá, tá
Trovoar, tem, tem, tem, tá, tá, tá, tá

É Xangô que vem bailar
Tá, tá, tá, tá
Kaô, Kaô, no congá
Tá, tá, tá, tá
É o Rei da Montanha
Tá, tá, tá, tá
Com seu martelo a firmar
Tem, tem, tem, tá, tá, tá, tá

Salve a força de Xangô
Tá, tá, tá, tá
Vem, meu Pai, nos ensinar
Tem, tem, tem
Tá, tá, tá, tá


Notas: Essa canção ficou "martelando" na minha cabeça durante dias. E para entender o que ela significa e por qual razão ela foi escrita, vai essa pequena explicação:

Não sou da Umbanda, nem do Candomblé. Não sigo nenhuma religião em particular, além dos meus estudos espirituais por todas as linhas, sem distinção. Sou um estudante, e como tal, já provei dos diversos caminhos, colhendo impressões, escritos, meditações para poder compartilhar com todos.

Sempre fui fascinado pela cultura afro-americana na manifestação do culto aos Orixás. Embora, tenha sido criado desde o berço sob a sombra ou a luz desses cultos, nunca dei a devida importância, e confesso, sempre tive certa desconfiança desses cultos, por favor, culpem a minha ignorância ou um certo preconceito.

No ano passado, esses caminhos voltaram para a minha estrada espiritual e desde então, toda vez que trabalho com esses Orixás por meio de meditação ou nos rituais que faço parte, sou recebido e os recebo com festa. Em outras palavras: que coisa mais linda é esse trabalho trazido pelos africanos e incorporado a cultura brasileira.

E foi numa dessas meditações que senti pela primeira vez a força associada ao Orixá Xangô (sentir é o verbo que mais se aproxima do que percebi). Comprrendi que esse canal ao divino chamado Xangô é uma força, se não, a força que move as outras forças, não no sentido de ser superiora, mas no sentido de somar. Ela é a força que garante que a justiça real seja feita ( não a justiça que imaginamos, segundo as nossas emoções da Terra), para que a alma do indivíduo devedor, possa firmar um compromisso definitivo com a luz e com o amor.

Xangô, a grosso modo lembra o Deus Macaco Hanuman, da epopéia indiana Ramayana, que move as montanhas para que o amor possa ser religado, reunido, reformado ou reencontrado.

É a força que move o karma, indicando o Dharma pelos frutos da ação, no movimento da matéria que a nossa manifestação na Terra faz girar.

Ser um "filho de Xangô" é assumir um compromisso com a Justiça, a lealdade, a firmeza e com a verdade. Assistir um ritual de incorporação dos caboclos da linha de Xangô é perceber que há uma legião de entidades trabalhando nos bastidores para que possamos cumprir o nosso dever nesse acontecer de cada karma.

Sendo o Deus do Trovão, Xangô lembra Thor, um dos deuses da mitologia nórdica, que em seu martelar faz com que as nuvens se choquem, produzindo uma explosão de luz e som.

Onde quer que essa força trabalhe, onde quer que essa egrégora esteja; quanto tocamos o tambor e cantamos em seu louvor, essa força percebe a nossa presença, não por meio das palavras ou gestos que emitimos em sua direção, mas por nossa sintonia, pelo nosso martelar de idéias, o nosso trovejar e relampejar de intenções. É nessa frequência que Xangô nos percebe como indivíduos e não mais como a massa, o coletivo, a boiada que precisa ser tocada, banhada, movimentada para lá e para cá nessa nossa roda terrena de Sansara.

domingo, fevereiro 15, 2009

RODA DE CAPOEIRA

A SAUDADE

" A saudade pro coração de um capoeira
É igual a uma rasteira
Faz o berimbau parar
Ou então faz tocar
Um toque de angola
Onde o capoeira chora
Mesmo sem querer chorar

E ai se vê o lamento de um guerreiro
Sem rumo e sem paradeiro
E o poeta que aparece
Ele se esquece que é forte e perigoso
Tira o lenço do pescoço e solta um verso no ar
Que diz:

Amor, por favor,
Espere um pouco
Não vai me trocar por outro
Eu vim aqui e já volto já..."

Toni Vargas


Capoeira da Dualidade

Eu vou lá, eu vou cá
É vento que sopra, vou soprar
É pra lá que eu vou já
Caio, levanto, vou dançar

É pra lá, é pra cá
Na dualidade do estar
Vivendo pra contar
Escrevo tentando demonstrar

O que há é o que há
Não importa o outro duvidar
Segue teu caminhar
Segue com Nossa Senhora

Vai com fé, vai passar
Só o que não passa vem firmar
Todo o resto é prova
É teste, é teste, vai embora

Eu vou lá, eu vou cá
É vento que sopra, vou soprar
É pra lá que eu vou já
Caio, levanto, vou dançar

É errando pra acertar
Na dualidade da escola
É Terra, é Gaya
É o nosso lar, é bendita

O que há não muda
Só o que muda é o olhar
Por isso, vem brincar
De briga nessa capoeira

sábado, fevereiro 14, 2009

Anjo do Morte

Quando o Anjo da Morte é chamado, ele não volta aos céus de mãos vazias; dai tanta gente com medo do seu toque; sem se lembrar que a sombra da morte nos acompanha todos os dias.

Perder o medo da morte é aceitar os ciclos da vida como caminho natural de todos os seres. Aceitar que morrer é algo do qual nunca conseguiremos fugir, permite que o medo do desconhecido diminua e que possamos aceitar melhor as nossas perdas, sejam elas quais forem.

Quando o Anjo da Morte vier me buscar, peço aos Deuses, que eu esteja bem acordado e o receba com festa. Não quero partir, mas se esse o destino for, ao invés de lutar contra a corrente, vou me atirar ao mar. Não entendo quem reza aos céus para morrer dormindo; será medo da morte morrida ou descobrir depois de morto que morreu de vida nunca vivida?

Tem gente que corre tanto por toda a vida tentando encontrar a felicidade perdida. Essas pessoas não percebem que quanto mais eles correm, mais morrem depressa.

Se focarmos no presente, viveremos eternamente e isso não é truque da mente, é apenas uma verdade que a cada dia fica mais evidente.

JARDIM DA AYUMBANDA

Om Mani Padme Hum (4x)

Om Mani Padme Hum
Um Buda sinto em mim
Somos todos UM (2x)
Na União que vejo aqui

A jóia vi brilhar
No meu peito a iluminar
A Rainha que mostrou (2x)
No Voar do Beija-flor

Om Mani Padme Hum
Um Buda sinto em mim
Somos todos UM (2x)
Na União que vejo aqui

Mil pétalas se abriram
Nesse Jardim da Ayumbanda
Salve Buda, Salve Krishna (2x)
Salve Jesus, Salve os Orixás

Om Mani Padme Hum
Um Buda sinto em mim
Somos todos UM (2x)
Na União que vejo aqui

Om Mani Padme Hum (4x)

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O paradoxo de nosso tempo

O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.

Temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus acadêmicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas;mais medicina, mas menos saúde.

Dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos paraler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos.

Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos.

Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluimos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos.

Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a correr contra otempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Temos mais comida, mas menos apaziguamento. Construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação.

Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade. Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável,"ficadas" de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar. É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla DEL.

Autor Desconhecido

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Flor do Oriente - Chandra Lacombe

Do Hinário - O Rosário


Eu canto aqui com meus pés no chão
Meu coração a serviço da luz
Minha mente é cálice vazio
Onde o Maná da verdade se produz

Chamo aqui todos os irmãos
Para compreenderem a primeira lição
É dando que se recebe
Esse saber faz sucumbir a ilusão

A Mãe Divina na Terra eu encontro
O Pai Eterno no brilho do sol
É contemplando a natureza
Que chegarei a ser Um como o cosmo

Eu busco ser um limpido espelho
Este saber é Cristo, é cristão
Estou me livrando dos pensamentos
Que me desviam do fluxo divinal

Agradecendo aos sábios yogues
E as falanges orientais
Vou meditando no lótus dourado
No coração não mudará jamais

terça-feira, fevereiro 10, 2009

SEM SER

Nada do que É parece com o que pensamos. Pensar não É, pois o que É não cabe no pensamento.

Quando fui, por alguns segundos, o que É, fiquei com medo de não conseguir pensar o que sentia. Pois pensar ainda não É, pensar é esforço de ser.

Quando me vi na ausência do ser, sendo parte do que É, minha consciência ao invés de ficar sendo, debateu-se em tentativas desesperadas de refragmentar o pensamento para julgar se o que eu estava vivendo era. Não foi, pois o É não cabia na mente, e a mente achou que estava doente e boicotou o mergulho da alma na Divina Viagem do que É.

A mente chamou de loucura o que não podia ser compreendido como ser, a fé chamou de dúvida, o que não encaixava nas divinas escrituras, mas o É não foi uma experiência mental nem muito menos fruto de devoção religiosa, o É não É isso, nem É aquilo, por essa razão o É.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

OH NÃO!!! CHOVEU DE NOVO

O dia escureceu, as nuvens pesadas começaram a tilintar, desce raio, sobre raio, não para de relampejar. Conto três, conto quatro: é tró, é tró, é tróvejar.

As torneiras do céu se abriram e na Terra faz chuá,chuá; outra chuva de verão, chuá, chuá, chuá, chuá: lá vai água, se foi água, pela rua a riachar.

Esqueci meu guarda-chuva, vou tomar banho de água do ar; outros tantos choram em prantos: medo de chuva; leva telha, arrasta casa, arrasta carro, arrasta vida.

Tempestade na cidade, avenida é riacho, praça pato, pato lago, peixe-rato, rato-peixe, o tubarão da doença. Ilha é mar: São Paulo não consegue represar.

A água escapa, inunda os vales, valei-me Nossa Senhora!!!

Abrem-se as cortinas, todos choram na chuva e gritam pelos Deuses, pelos santos, por São Pedro, por ajuda:

"Ai, ai, ai! Ajudai, minha Mãe, venha nos salvar!!! "

"Ó meu Deus, por que o céu está a nos castigar??? "

Deus responde, a Grande Mãe fala, lá de onde, as nossas preces foram parar:

- O que temos nós com isso? Sempre chove, sempre choverá.

É o eterno ciclo da natureza.

Se os esgotos estão entupidos, se os corrégos estão entulhados, não foi castigo divino, foi educação que faltou a quem lixo joga onde não deveria jogar.

Até a próxima chuva...

domingo, fevereiro 08, 2009

NOVO DIA

Ás vezes as coisas não saem como planejadas.

Ás vezes tudo dá errado.

Ás vezes o errado conduz ao certo.

Ás vezes o certo nada mais é do que o que podemos fazer no acordar de um novo dia.

Encontro à luz de velas, jantar dançante, com uma chuva fina batendo na janela do restaurante que fica na serra que canta. Violão e uma voz dançando no ritmo de uma melodia que fala sobre casais que se reencontram depois de uma busca nas estrelas. Romantismo maduro, relacionamento concreto. Giro o corpo dela para lá, ela gira, gira e volta para cá, e eu a beijo como se fosse a primeira vez. A cena se congela no tempo e é refletida na íris do meu olho que ameaça uma lágrima: não a liberto, ela vira uma prisioneira da minha alma, afinal homens não choram!

Estou em casa, estraquei a noite perfeita com uma oferenda de palavras erradas . Não saímos, a noite romântica aconteceu apenas num universo paralelo, do qual, a minha consciência não conseguiu manifestar-se. Ela deita ao meu lado, fica em silêncio; eu estou deitado, queria falar algo, mas tenho medo das palavras, tenho medo da expressão que pode bagunçar ainda mais a confusão criada.

Os ponteiros correm, a noite passa. Quando finalmente fecho os olhos, o dia me acorda. Ensaio alguns pensamentos idiotas, e sinto que algum lado de mim, quer curtir aquela sensação gostosa e triste de "coitadinho de mim", mas levanto-me, lavo o rosto, pego a chave e ando. Penso em como facilmente conseguimos magoar quem amamos. Penso no poder das palavras e em quantas vezes já construi coisas maravilhosas e no quanto já destrui amizades, antigos amores, afastei parentes por não conseguir impedir o dragão da palavra mal dita, em nome da minha liberdade de expressão e pensamento.

Então, em meio a essa meditação, percebo que se as palavras me levaram até essa confusão, o silêncio pode arrumar a situação se ele for expressado em ação.

Vou na feira, compro pastel e frutas. Passo na padaria, leite e pão e frios. Chego em casa, e com todo cuidado para que ela não acorde, faço a mesa, sirvo o café e a acordo com uma canção. Ela sorri, vê a mesa, vê o pão e diz que me ama; eu nada respondo não. Beijo a sua mão, a conduzo para a mesa; e sirvo a minha princesa com toda a culpa da noite passada transformada em refeição.

Ela aceita a minha oferenda e o me dá o seu perdão.

Nada melhor que um novo dia, para limpar certas manchas que não merecem ficar na história de uma perfeita união.

sábado, fevereiro 07, 2009

AURIVERSÁRIO (Crônica de Aniversário de Casamento)

São Tomé das Letras, linda noite de lua cheia. Ainda estou lá.

A brasa queimava para cá, o crepitar das faíscas a dançar para lá e em meio a junção entre a fogueira e o luar, a vi chegando, com um lindo vestido indiano, sorriso gigante no rosto, olhos a cintilar.

Seus cabelos pretos compridos se uniam com os fios negros da noite, sua pele branca era a lua prateada que vinha me iluminar. Eu ainda estou lá.

Quem era essa menina? Questionava sem parar, tentando imaginar se ela viria pra ficar ou seria como a brisa que tocava meu rosto como um beijo de amada, mas tinha hora para ir embora.

Seu nome era Auri, e ela surgiu assim, como um passe de mágica recheado de pirimpimpim, para mim, para mim. Ela era um sonho e eu não queria acordar.

Eu estava no lugar perfeito, olhando para a moça que esperei a vida inteira chegar, por isso, eu orava sem parar: "por favor, Pai dos Sonhos, não me faça despertar".

E fiquei a versar, versar; sentindo o amor feito rio corrente fluindo do meu peito na direção do seu caminhar.

Ainda estou lá, vivendo aquele momento, achando que ela vai desaparecer quando o dia raiar; mal imaginava que onze anos depois, ela seria o último sorriso que eu veria ao dormir e o primeiro ao acordar.

Dez anos de casamento, uma década de jornada: viajamos o mundo inteiro, descobrimos outros versos na poesia das linhas das mais diversas religiões que o ser homem criou, cantamos pontos de Umbanda nas ruas de Londres, pulamos "Govinda, Gopala" nas areias do deserto do Sahaara; e pensar que tudo começou, com a falta de fé. Jamais pensei que seria possível encontrar tal mulher, então fui parar em São Tomé...

Dez anos e cada dia é um novo conquistar, papos sem-fim que se derramam pela noite, carinho sem pressa de quem tem todo o tempo do mundo para amar. Estar com ela é salgado, é doce; é suave, como nunca achei que o amor poderia se tornar. Não precisamos brigar, para sentir aquele doce mel do reconciliar, afinal, dez anos é tempo suficiente para ficar evidente que o amor não precisa de brigas constantes para sólido ficar.

Gostaria que todos que estão lendo essas palavras pudessem sentir um pouquinho do que sinto nesse dia tão especial e lindo; gostaria que todos pudessem experimentar um tiquinho do que é viver nadando em respeito, amizade e carinho; e como não posso cortar meu peito em pedacinhos e sair distribuindo, faço o meu milagre da multiplicação das letras, para que todos possam compartilhar comigo através das palavras, essa data tão querida que é estar ao lado da minha grande amada nessa jornada maravilhosa da vida.


Frank Oliveira
07 de fevereiro 2009
10 anos de jornada de amor

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

PARALELO

Quanto mais presente fico, mas sinto que estou sendo vários. Explico, percebo que estou existindo nas mais diversas camadas do meu eu fragmentado.

A minha consciência como se fosse uma onda, segue para o futuro existindo, nas inúmeras ações que manifesto no pensamento; ela também se estica para o passado, revivendo os dramas que chorei e as conquistas que serviram como alicerce para o meu eu formado. Quando a chamo de volta e me faço presente, percebo que EU SOU onisciente de todas as faces do meu ser que foi e que será. Sendo presente, sou todos esses eus paralelos ao mesmo tempo e compreendo que realmente não existe futuro ao passado, pois todas as coisas acontecem no mesmo instante, mas quando no momento seguinte, a minha consciência escapa para as coisas que farei em seguida ou se arrepende das coisas que fiz no passado, perco o foco nesse eu presente e volto a ficar dando voltas nesse ciclo interminável de existir mais no pensamento do que manifestar a ação.

Quero domar esse cavalo selvagem chamado Consciência, mas não sei se tenhos forças para isso. Estou muito mal acostumado a ficar vagando, não consigo transportá-la por muito tempo para esse instante. Contudo, perceber que isso ocorre já é um passo, e embora muita gente ache que isso tudo seja loucura, vou seguir com a minha luta, um dia eu laço esse boi fujão e quem sabe assim eu passe menos tempo no que ainda não foi e no que já não é.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

MATA VIVA

Essa noite quando eu voava pela janela, notei que além dos prédios, havia uma mata que me chamava, uma mata com um verde-esmeralda que se fazia ver e sentir. Nem me vi voar para lá, quando percebi já estava na mata que parecia pulsar vida, o mato vibrava, as árvores se mexiam e as folhas falavam: "estamos vivas, estamos vivas"

Sempre soube que havia vida na mata, que pulsava vida nas plantas, nas flores; mas sempre achei que se houvesse algum tipo de consciência, era um ser rudimentar, mais primitivo que o ser dos animais irracionais, mais primitivo que o qualquer idéia que eu podesse pensar.

Estava errado! Há vida em todass coisas. Há consciência em todas as formas de vida que pulsam nesse planeta. Não são rudimentares, as consciências que vibram as flores, as árvores e a natureza em geral. Irracional somos todos nós que acreditamos que nossa inteligência é a única forma de manifestação da expressão do Divino que há nesse plano. Reduzida é a nossa capacidade de perceber essas outras tantas formas de expressões que os antigos conheciam e que nós, esquecemos no correr do tempo, de sentir e escutar.

" Estamos vivas, estamos vivas" - as folhas me falavam e foram essas as palavras que acordei balbuciando, pensando que tinha ouvido de espirítos, até me lembrar do verde da Mata Viva.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Ye Mãe Do Mar

Era uma festa a beira-mar, mil médiuns cantando os pontos mais lindos para Mamãe Yemanjá e em cada canto, o meu coração batia como se estivesse a tamboar; no rosto um rio descia, não sei se era lágrimas ou água salgada que respingava do mar:


" Luar se fez um raio prateado
Iluminando o céu e as espumas do mar

Lindo clarão a beira mar
Vejo mamãe Yemanjá

Lá vem, Lá vem, junto com suas sereias
Nos abençoar rainha Yemanjá
Dona das águas tu és mãe
Oh Janaina Odo Yá"


Não sei se a minha fé era pouca, mas não vi Mamãe chegar. Não vi Mamãe chegar em cima das ondas mais altas, nem vestida em espumas; não vi Mamãe chegar rodeada de sereias a cantar, nem seu lindo azul a brilhar, mas senti que aquele canto humano não estava a se propagar a toa no ar; senti em alguma parte de mim, que apenas sabe que sim, que Mamãe estava a nos escutar:


" Iluminai minhas profundas águas
Para eu decifrar mistérios de meu mar

Nesse meu mar de emoções
Rainha vem iluminar"


Senti uma vontade alegre de chorar, e uma vontade saudosa triste de sorrir. Senti que Mamãe estava longe, mas também estava ali. Longe, em algum lugar que a nossa mente humana limitada não conseguia chegar; mas ali tão próxima que eu podia sentir suas mãos como toque de brisa a nos abençoar:


" Yemanjá principio gerador
Amor fundamental tão puro e maternal

Yemanjá vem confortar
OH Janaina Odo Yá"


Confesso que não vi Mamãe chegar, mas sei que ela estava lá, ela estava lá, afinal, como eu poderia explicar aquela sensação de estar pleno de amar? Como eu poderia raciocionar aquilo que não cabe no pensar?

No final, deixei de duvidar, deixei tudo para lá e fui cantar, fui cantar; e até agora, estou navegando na mais doce sintonia.

Odoyá, Rainha do Mar!


Frank Oliveira
31 de janeiro 2009
Bertioga - São Paulo
Notas do autor: A canção de Yemanjá usada no texto chama-se "Odo Yá" de autoria de Léo Artese.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A CERTEZA DO NEGO

Nego sofreu, nego chorou e continuou, continuou. Enquanto apanhava no tronco, da Grande Mãe ele lembrou; e nego rezou, nego orou e a Mãe Eterna surgiu e falou:

- "Quem tem a Mãe no coração, não teme; segue firme, aguente os teus irmãos."

E nego chorou, nego chorou, pois já não tinha mais compaixão; queria gritar, se revoltar, fazer sofrer, fazer sangrar, se libertar do cativeiro. Podia morrer, podia matar, guerreiro africano, punho certeiro; antes mesmo que tivesse morrido, muitos outros seriam feridos; mas nego esperou, nego esperou e confiou, confiou na Mãe
Divina, que novamente o visitou e falou:

- "Fica firme, meu filho, flua amor, mesmo na dor, flua amor."

E nego sentiu amor, sentiu amor. Suas mãos cansadas trocaram a projeção do sangue da vingança pelo cultivo da flor da certeza que tudo está no devido lugar, mesmo o que não aparenta estar.

E nego continuou, continuou com amor, no trabalho, na servidão, mas sempre orando para a Grande Mãe na energia de cada Iobá, cantando e louvando seus orixás, até que um dia, o senhor das terras veio avisar:

- " Negro, pega teus trapos e se poê a caminhar, livre você está!"

Nego sorriu, nego chorou e com os pés descalços, nego caminhou pela terra da liberdade, sem saber para onde ir, sem saber como comer, nem onde dormir; mas manteve o amor, e se humilhou, pediu ajuda, não encontrou; não havia trabalho, ninguém lhe dava a mão, nem mesmo os seus irmãos de cor; mas nego continuou e acreditou que tudo ficaria bem, e orando aos seus Orixás, nego pediu, a Mãe escutou.

Trabalho veio, casa firmou, mulher surgiu, família criou e quando agradecia a Mãe Divina no terreiro dos Orixás, o homem branco a porta derrubou, nego apanhou, nego gritou, pois o homem branco, o culto proibiu e mandou que eles engolissem as suas certezas e fossem para o templo do homem branco e que rezassem aos santos de barro da Santa Igreja.

Nego orou, nego rezou, e discerniu, pois percebeu que a Mãe Eterna também estava naquelas imagens cujos nomes estranhos, sua língua materna mal conseguia pronunciar. E foi quando a Mãe Divina novamente apareceu e falou:

- Quem tem a flor da certeza no coração, percebe que estou em todo lugar.

E nego sorriu, nego seguiu orando para as santas de rosto branco, para os deuses dos homens brancos; pois diante da Força Maior, a repressão a sua religião era coisa menor. O irmão branco poderia brigar, proibir, denunciar, bater, gritar, fazê-lo jurar que não havia Deus algum se não o Deus que ele estava a lhe empurrar, e nego saberia, e em silêncio ficaria, pois no seu coração a sagrada lição que a Mãe Divina lhe ensinou já virara o rochedo da certeza que o Divino não tem cor, o Divino é fluente amor.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

ALTERAÇÃO E INTERAÇÃO

"Dar a outra face", que ensino mais profundo, mas de tão difícil prática. Difícil de praticar pois estamos vivendo sob as leis da dualidade que regem esse mundo e estamos também tão profundamente acostumados a reagir com a emoção, que fica quase impossível, meditarmos a ação.

Meditar a nossa ação em relação à emoção é um trabalho de Hércules, pois exige força, exige coragem e exige muita observação, afinal estamos sempre reagindo com emoção, indo e vindo, ouvindo e respondendo, recebendo e dando, apanhando e batendo, sempre com emoção.

Estamos sempre apanhando e batendo nesse combate inútil de propagar a emoção, de não aceitarmos o "não"; de querermos provar a nossa razão, e lá no fundo, fazendo tudo isso por medo de não sermos aceitos no mundo dos outros, medo de não sermos escolhidos pelo olhar do outro. Não precisa ser assim...

Não precisa ser assim no nosso mundo. Podemos cultivar uma vida baseada na harmonia, na alegria e na ausência da ação provocada pela emoção. Harmonia no bailar nesse mar das vibrações do bem e do mal que exigem, onda vai e onda vem, um lado; alegria para compreender que nem sempre bons ares carregam as ventanias; e a não-reação, como bem ensinou Gandhi, como ainda ensina o Rabi, na santa lição da outra face dar. Vivendo assim, podemos criar um novo ponto de vista, onde ao invés de reagirmos a qualquer provocação, usaremos toda a nossa ação para observar com atenção como certas palavras, certos gestos ou mesmo a ausência deles, carregados de intenção, desejam provocar alguma alteração.

Não altere a sua ação baseado em uma provocação. Observe a ação, se for preciso a sua manifestação, que ela ocorra por precisão, e não para continuar o efeito-cascata de uma maldição.

" Dar a outra face", que lição mais profunda e ao mesmo tempo tão simples, e por ser simples, tão simples quanto a água, não damos a devida atenção às sabedorias que emergem dela. Percebam como a água ao receber a luz do sol, refrata seus raios, absorvendo a força do astro maior e refletindo-a em arco-íris. Assim deveria ser a nossa reação ao mundo dos outros: corpos que interagem e não corpos que colidem.

Daí a importância da observação, e da outra lição do Rabi: "Orai e Vigiai", pois ao vigiar a nossa reação em relação à ação dos outros, podemos nesse momento, escolher outra direção; e ao dirigir a nossa ação baseada na reflexão, e não mais na emoção, poderemos escolher com que forças queremos interagir e qual força ganhará a nossa outra face, o presente do deixar passar.
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