terça-feira, junho 30, 2009

Caminhos de São Paulo: Leste - Part II


PERÓLAS DO ANÔNIMO


Chego ao albergue e leio no livro dos peregrinos:

“ Aquilo que todo mundo busca é o desejo inteiro que nasce com a gente e manteremos conosco até o dia que morrermos

Anônimo“

Esse autor anônimo é mais famoso que o Paulo Coelho.

************************************

NA CAMA


Deitado na cama do albergue, pergunto-me se essa caminhada vale mesmo a pena. Qual o sentido de peregrinar?

Durante alguns momentos do dia, faz sentido; em outros tanto faz, mas caminhar é mesmo assim.

Sigo algumas setas, obedeço as informações do mapa, mas desconfio que não é em Santiago que vou parar.

*************************************

COMPROMISSO


Dá vontade de desistir, correr daqui, esconder-me embaixo do cobertor da segurança de não correr riscos – qualquer lugar em que eu não sinta frio, desconforto, só fique quietinho.

Dá vontade de burlar as regras – “ dar um jeitinho” – chegar mais rápido, ir voando, mas permaneço caminhando, insistindo, procurando, mesmo sem ter certeza, sento à mesa e vou participando dessa odisséia maravilhosa que é estar procurando pelo Divino que vai acabar de volta em mim.

Subo a ladeira da Penha, canto mantra, rezo uma novena e de repente dá vontade de cantar um sambinha do Cartola:

" Vem,
Tudo é belo por onde eu passei
E será onde eu passar.
Vem, ao meu lado eu sei, vais sorrir, vais cantar.
Não me convence essa tua tristeza,

Vem, há um Deus, há uma natureza.
Vem, caminhar para além de todo o mal.
Vem, é a meta final da estrada universal.
Vem, vem, dar-me a paz e ter paz, junto de mim.
Vem, fica comigo assim, até o fim! "

Então, já dentro da igreja, um rapaz me pede silêncio. Deve ser sacrilègio cantar um sambinha clássico enquanto todos estão rezando. Desculpe, Deus, eu achei que essa canção do querido Cartola fosse uma espécie de oração.

segunda-feira, junho 29, 2009

Caminhos de São Paulo: Leste


SEGUNDO DIA DE CAMINHADA

Caminhos de São Paulo
Leste: Igreja da Penha

Caminho pela Radial Leste.

Os ônibus passam e os passageiros tiram fotos no celular daquela caminhante freak. Não ligo, sigo a minha estrada em direção a Penha, penso no destino, o caos não perturba a minha meditação ativa.

Passo a passo, vou provando a mim mesmo, que conseguimos manter a espiritualidade mesmo em meio ao mundo barulhento e violento da cidade grande.

O sol extrai suor da minha testa e ofusca a minha visão, ponho meus óculos escuros e acelero a caminhada, quero mudar de lado da pista, do outro lado, a sombra é mais amiga. Paro no semáforo, expero a minha chance de atravessar a rua; um carro da polícia para ao meu lado e uma policial vem em minha direção.

Será ilegal peregrinar em São Paulo?

Ela segura o meu braço e diz:

- Senhor, deixa eu ajudá-lo a atravessar a rua.

Há dias que tenho a impressão que sou aleijadinho e outros que sou ceguinho.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
40 MIL GUERREIROS E UM PARAÍBA PEREGRINO


Caminho pelo bosque de Ronscesvalles e sou recebido por carvalhos, pinheiros e outras árvores anciãs que parecem estar ali apenas para me saudar. Não estão, é claro, mas estão ao mesmo tempo. Por isso caminho, sem pressa.

Saboreio aquela manhã que foi feita só pra mim. Sou egoísta em minhas fantasias, mas compartilho com vocês porque fico me sentindo culpado por viver tantas coisas bonitas. Compreendam, todo artista (o que não é o meu caso e é ao mesmo tempo) adora se contradizer...

As placas que avisto estão em espanhol e também em basco, língua desse povo guerreiro cuja língua e cultura é única em toda Europa. Lembro do ETA e de tantas organizações que partiram da luta pacifíca para a luta bomba e penso nas ávores desse bosque que continuam nos dando oxigênio e sombra, pois não se dão conta que pertencem a esse povo ou outro. Coisa medonha é ser humano e lutar por algo que nunca vamos ter por completo.

"We don't own the land, the land owns us"

Um dia o homem aprenderá, até lá, continuará a brincar de brigar por tudo o que não lhe pertence; e esse bosque, onde eu caminho, já foi palco de tantas batalhas sangrentas em nome da terra, em nome de Deus, em nome do amor. Uma estátua do famoso herói francês Roldán e uma placa me contam que naquele local onde eu piso, morreram mais de 40 mil guerreiros na célebre batalha de Ronscesvalles.

Reflito: pra quê?

Vai ver eles tinham os seus motivos mesmo. Na verdade pensei nisso, pois quando se anda num bosque completamente sozinho e nos deparamos com histórias de massacres, basta uma fézinha no álém para a gente pensar: e se os fantasmas desses 40 guerreiros ainda estiverem nessa floresta?

Daí rezo ao Senhor do Medo:

"Ó Senhor do Medo que nos leva aos devaneios;
Livrai-me dos boicotes da minha mente
Tudo o que eu quero é caminhar"

Mas é tarde demais, o medo já virou pânico e vejo os guerreiros pulando das árvores e me cercando. Apontando toda série de armas, eles não me deixam passar e entre eles, surge alguém que parece ser o líder e que fala algo comigo; não compreendo nem francês moderno quanto mais arcaico; mas sei que é o próprio Roldán.

Tento dizer que sou da paz, tenho cara, mas não sou mouro; ele não parece compreender e avança em cima de mim com uma lança.

Daí lembro das palavras mágicas do Reino das Terras de Vera Cruz:

- Brazil. Samba. Pelé.

- Brrazir? – Roldán repete e confirma – Sam bá? Pé Lé?

- Oui!

- Ça va bien!

E Roldán me deixa passar. Nada como a velha diplomacia brasileira para abrir fronteiras até mesmo entre as almas penadas. Definitivamente somos respeitados no futebol além do mar e da Terra.

Sigo meu caminho, cruzo a carretera e vejo uma placa que diz:

“ Aqui se reza
Una Salve
Nossa Sra. De Ronscelvalles”

Se é assim, eu rezo.

“ Nossa Senhora que mora nesses bosques, guie as almas desses 40 guerreiros para longe dos meus pensamentos e temores e de volta para a história”

Então me dou conta, não estou rezando em espanhol e se a Nossa Senhora de Ronscelvalles não souber português? Por isso acabo rezando uma Salve Nossa Senhora da Penha. As Nossas Senhoras que se entendam...

sábado, junho 27, 2009

HOMEM DO BRASIL NO CENTRO CULTURAL VERGUEIRO


Acabei de assisti o show " O CAMINHO NATURAL DAS COISAS" da banda Homem do Brasil, que mistura música pop brasileira e instrumentos indígenas, como tambores e flautas.

Recebi um convite para o show do meu amigo Samuel, profundo conhecedor de música e cultura xamanismo, mas procurei não pesquisar nada sobre o grupo, pois me pareceu uma boa idéia, conhecer o trabalho na base da surpresa; e eu estava certo.

O espetáculo foi uma grande experiência sonora com letras que falam de sentimentos como auto-estima, otimismo, amor incondicional, amizade e natureza. A apresentação foi interativa, com público de todas as idades tocando instrumentos de percussão com a banda além da dança de roda que aconteceu no fim do espetáculo.

O ponto alto do show foi a participação de uma “orquestra” de didjeridoo’s (instrumento dos índios aborígenes australianos), e a “Dança do Leão” tradição da cultura chinesa.

Saí do espetáculo não só muito feliz, mas com muita vontade de conhecer o trabalho do grupo e descobri que (já desconfiava pelo público no show) há uma legião de fãs e uma carreira sólida com 5 álbuns, apresentações em teatros, festivais, palcos das maiores casas de shows das principais cidades do país e estão recentemente concorrendo como melhor banda de garagem no quadro de mesmo nome no Programa do Faustão.

*******************************
WEBSITE

O site é de uma beleza e criatividade surpreendente:

http://www2.uol.com.br/homemdobrasil/index2.shtml

Diretamente do site:

"Homem do Brasil é uma banda inspirada na grande rede miscigenada que é o povo brasileiro, que reflete uma forte alegria de viver e uma criatividade original. Essa energia do rito da alegria é uma identidade carismática que traduz e retrata a banda Homem do Brasil."

Ouvir

Para ouvir o novo é preciso estar com a mente e coração abertos aos sentimentos e emoções.

O som marca momentos diferentes da nossa vida, distrai nosso lado racional e reverbera direto no nosso peito.

A audição é o sentido que conecta diretamente uma alma à outra.

Ouça o que a nossa alma tem para dizer para sua.

Agir

Amor é tudo aquilo que constrói.

E para construir precisamos colocar a mão na massa, sentir na pele e na alma o prazer de realizar uma ação concreta.

Até para experimentar os prazeres da vida é necessário mexer-se, descobrir o novo e compartilhar.

A diferença está em agir ao invés de apenas reagir às mesmices e insatisfações do dia a dia.


********************************
BLOG

Algo que chamou muita a minha atenção é que eles oferecem todos os seus Cds para download no esquema das bandas que conhecem o que produzem: ouça e pague o quanto você quiser.

Blog da Banda Homem do Brasil
http://www.bloghomemdobrasil.blogspot.com/

sexta-feira, junho 26, 2009

Selo Ambiental 2009 Guarulhos

Selo Ambiental 2009 Guarulhos
e o Templo Olhar Divino

Estivemos presentes no último dia 24 de junho em Guarulhos para a nova edição do Selo Ambiental na Câmara Municipal de Guarulhos. A premiação destina-se em valorizar o trabalho dos que defendem e preservam o meio ambiente, e conscientizar os demais sobre os cuidados a serem tomados para a preservação da biodiversidade que ainda existe na cidade de Guarulhos.

A vereadora Luiza Cordeiro tem organizado o evento desde o seu início e o resultado do seu trabalho pôde ser visto neste ano, com as galerias lotadas, foram reconhecidos cerca de 65 projetos em diversas categorias, todas voltadas para o meio ambiente.

Houve a apresentação do Grupo de Percussão do Ponto de Cultura Chico Mendes, do Grupo Viola e Paz, do Grupo de Dança do CICA - Centro Integrado da Criança e do Adolescente, o desfile de roupas feitas com materiais recicláveis da artista plástica Consuelo Matroni.



Foram feitas muitas homenagens à pessoas de Guarulhos que dedicam parte de seu tempo para melhorarem e preservarem o espaço onde vivem. Entre elas, esteve presente no evento Tiago Barreto e Nilce Barreto para receber o Selo Ambiental da Camara Municipal de Guarulhos, representando o Templo Espiritual Olhar Divino, na categoria " Cantos e Danças para a Mãe Universal".

Recebeu também o selo, a musicista e representante do Templo
Olhar Divino, Claudia Luz que faz parte do projeto: "Soma - Soldado do Meio Ambiente. "

Finalizando o evento, o público vivenciou a dança indígena “Mãe Universal” com os integrantes da Congregação do Templo Espiritual "Olhar Divino" . Outro show a parte foi a execução dos hinos. Paula Eduarda, a menor cantora lírica do Brasil, de acordo com o Guiness Book, interpretou o Hino Nacional. O Hino à Guarulhos foi cantado em capela por todas as autoridades e pelo público presente. Fazendo parte da decoração, tinha uma escultura que foi idealizada pela artista plástica Consuello Matroni e confeccionada p
elos adolescentes do Ponto de Cultura Chico Mendes e Eco Oficina. A idéia é que não bastam duas mãos para cuidar do planeta, mas que várias mãos são necessárias para defendê-lo, protegê-lo e assim manter a sua sustentabilidade.


Notas do Autor
Fonte das informações:
http://www.camaraguarulhos.sp.gov.br/

http://www.luizacordeiro.com.br/visu_central.php?id=165
Fotos: Frank Oliveira e Site de Fotos da Vereadora:




Farewell, Moonwalker!

Os blocos do Cruzeiro Novo ficaram em silêncio há 25 anos. Todos estavam dentro de casa, de seus quartos, de suas salas para assistir o novo clipe do Michael Jackson: Thriller.

O interesse era geral, até meu pai que só gostava de forró e não ouvia nenhuma música internacional, parou para assistir aquele video-clipe que parecia um filme de terror. Acompanhamos aquela música dançada por aquele monte de zumbis até o susto final, onde Vicent Price, um ator famoso pelos seus filmes de horror, dava a gargalhada que assustaria os meninos por muitas noites ainda por vir. Em outras palavras, levar susto era um barato, ao som do Michael era melhor ainda.

Mais horripilante ainda foi a moda que começava. Em toda festa que íamos, lá estavam os meninos imitando os passos dos zumbis e cantando Thriller de cor e passeado. Eu não sabia, mas estava vivendo uma época que entraria para a história da música pop.

Eram os Anos 80 e tudo parecia mesmo intenso e ao mesmo tempo inocente.

Em meio a essa onda de homenagens, odes ao Michael Jackson, eu não poderia deixar de lhe prestar uma homenagem, uma vez que cresci ouvindo seus albúns e ficava mesmo triste, toda vez que um escândalo manchava os passos desse Moonwalker.

Inegável é o fato que esse eterno menino era mesmo talentoso e que pagou um preço alto pela fama e por ter se tornado uma celebridade. Porém, inesquecível para mim também é a lembrança que parte do escritor que me tornei se deve ao legado musical que ouvi, deixado por grandes artistas, de Elvis ao Caminhante da Lua que deve estar nesse momento dançando nas estrelas.

quinta-feira, junho 25, 2009

Caminhos de São Paulo - Parte III



OLHOS DO PAVÃO


Sentado na floresta, vejo um pavão. Ele abre o seu leque e mostra as suas penas cheias de cores e olhos – eu compreendo a mensagem e fecho os olhos, e uso “ o outro olhar”.

Essa floresta é apenas um cenário – eu poderia estar caminhando para Santiago ou no Afeganistão e ainda assim veria o pavão.

Misteriosos são os olhos da alma que veem além da visão do corpo.

Será que sou eu que enxergo os olhos do pavão ou são os olhos do pavão que me enxergam?

"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""
FONTE DOS DESEJOS


Descendo a ladeira da floresta de Ronscesvalles; dou adeus a montanha que me acolheu e paro a caminhada para encher o meu cantil numa fonte d´àgua. Surpreso, percebo que a fonte também é um poço dos desejos e ao invés de moedinhas, há garrafinhas com pedidos de papel dentro delas.

Penso na fé daquele povo que teve esse trabalho todo de escrever o que desejavam num papelzinho, e depois de enrolados, colocarem dentro de uma garrafa e do bolso ou mochila para chegar nesse ponto da caminhada e jogar a garrafa mágica dentro da fonte encantada.

Quais eram os seus sonhos? O que pediram? Saúde? Universidade gratuita para os filhos? Um aumento? Será que algum deles apenas fez um agradecimento?

Deixo a fonte de lado e sigo meu caminho. Já consigo enxergar a torre da igreja de Nossa Senhora de Ronscesvalles lá embaixo. Paro alguns instantes para comer algumas uvas pastas e um peregrino evangélico passa por mim e pergunta se caminho por Jesus.

- Eu caminho por mim mesmo – respondi e parece que a resposta irritou o homem, que foi embora sem falar comigo.

O Caminho tem dessas coisas.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
FREGUÊS


Aparentemente, eu teria que chegar a Frequesia por letra própria, portanto, parei de ficar irritado com as pessoas que não queriam me dar informações e prometi, não saio mais de casa apenas com mapa de cabeça.

Fui caminhando e cantando e seguindo uma canção que tocava na minha cabeça:

"Perguntei a todo mundo
Por onde vai o caminho
E ninguém me respondeu
Vou viajando sozinho

Deus na frente, Deus na paz
Nas alturas onde Ele está
Vou viajando com Deus
Um dia eu tenho que chegar

Jesus Cristo vai comigo
Vai na minha companhia
Para um dia eu entrar
Dentro da soberania

Todo mundo quer ser grande
Me deixaram eu ficar só
Vou viajando com Deus
Estou com a força maior"

Olhei para o lado e ví esse senhor negro, bem alto, de cajado e com um chapéu na cabeça; ele também estava vestido de peregrino. Eu já não estava sozinho e fui seguindo o homem que parecia estar indo para o mesmo lugar que eu.

Sorri quando ví as placas, tinha chegado na Freguesia. Subimos uma ladeira bem íngreme, e com muito esforço, pois àquela altura, eu já estava exausto, cheguei ao topo da colina e fui percebendo o formato da igreja, e lá de cima, podia ver toda a cidade.

Os meus olhos se encheram d'àgua, mas eu não estava chorando, é que passou um carro a toda velocidade por uma poça e lama nos olhos de peregrino é refresco, né? Mas não importava, eu tinha chegado; daí olhei para o lado para agradecer ao senhor por ter me guiado, e percebi que fica difícil mesmo saber o que se passa fora ou dentro da sua cabeça.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
QUEBRANDO AS REGRAS


Uma das coisas mais lindas de ser um rebelde de si mesmo e poder quebrar todas as suas regras.

Depois de ter caminhado por todo o dia, quando atravessava a Avenida São João rumo a Santa Cecília, um metrô parou na minha frente; e ficou evidente, que era o Universo querendo me dar uma mãozinha, ou melhor, uma caroninha.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
O ALEIJADINHO


Na Espanha eu passaria desapercebido, no metrô de Sampa, todos olhavam esquisito para aquele sujeito de chapéu e cajado na mão, em pé, naquele trem lotado.

Uma moça muito bonita, porém, olhava para mim de forma diferente. Vai ver se apaquerava comigo, e eu de certa forma, sentia um quê de constrangimento e vaidade; se mesmo sujinho e suado, a moça me paquerava, isso significava que eu ainda valia alguma coisa no mercado livre da caça humana. Foi então, que ela vencendo a timidez, levantou-se de seu banco e disse para mim:

- Moço, por favor, sente-se. O banco é do senhor.

Só ai entendi que ela estava sentada num banco para deficientes.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
HOSPEDARIA


Quando cheguei ao albergue, ao invés do Curia, veio ao meu encontro, uma moça muito bonita de olhos cintilantes e me deu as boas vindas, com pão, vinho e uma sopa deliciosa.

- Bem vindo, peregrino! – disse ela e eu percebi, que todos os dias quando chegamos na hospedaria da nossa casa e encontramos alguém que amamos, estamos definitivamente percorrendo o Caminho do Amor.

Fazer os Caminhos de São Paulo, tem dessas coisas, você chega no albergue e se sente em casa.

quarta-feira, junho 24, 2009

Caminhos de São Paulo: Parte II


LONGE

Na minha cabeça, seria bem fácil chegar na Frequesia vindo do Tietê a pé, e cometi o primeiro e o segundo pecado mortal de um homem peregrino: aceitei o fato que estava perdido e pedi informação.

Parei numa banca de jornal. A dona, uma mulher com cara de poucos fregueses, me respondeu bom dia como se eu estivesse a xingando, mas arrisquei a pergunta assim mesmo:

- A senhora poderia me informar como chego até a Igreja Matriz da Freguesia do Só?

- Fica longe! – respondeu a mulher – Fica muito longe.

- Obrigado! – respondi de volta, e segui meu caminho, sem saber onde ficava a igreja, mas sabendo que ficava bem longe.

“”””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””

A PÉ

Paro numa padaria e peço um café, o moço me serve a bebida num copinho de pinga (queria matar o português que inventou esse negócio de servir cafézinhos e pingados em copinho de vidro e não em xícaras, será que o cara não compreender que café quente e copo de vidro queimam dedos?).

Há um senhor lendo o jornal ao meu lado, meio sem jeito, arrisco a pergunta:

- Fica muito longe a Igreja da Matriz da Nossa Senhora do Ó, senhor?

- Uns 10 minutos de carro.

- É que não estou de carro...

- Então, fica uns 25 de ônibus.

- É que estou a pé.

- O ponto de ônibus é logo ali.

- É que quero chegar lá a pé.

- Por quê? Ficou louco? Ninguém vai a lugar nenhum a pé!

“”””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””


O LOUCO DE SAMPA

Sim, eu decidi fazer aquela caminhada aqui em Sampa. Louco? Loucura nada, já dizia o Jorge lá do Rio, o Vercílio:

“ O mundo inteiro está guardado em mim”

Eu concordo com ele, o segredo do aprendiz é caminhar dentro de si. Eu já tinha percorrido o mundo inteiro atrás do Divino, por que não tentar fazê-lo nos caminhos que começavam no batente da minha porta?

O que havia de tão especial assim nos templos lá de fora, que eu não poderia encontrar também aqui em Sampa?

Afinal, o que fui fazer na Espanha?

Buscava a mágica que vai ver ouvi alguém contar que encontrou no Caminho de Santiago, nos Himalaias da Índia, nos templos da China. Não era eu que buscava, mas uma parte da minha mente, que imitava os passos de alguém que disse ter tido insights, samadhis ou disse ter se encontrado nesses lugares.

Sentado ao pé de uma árvore no Bosque dos Pirineus, pensava sobre o que diabos eu estava fazendo tão longe de casa, quando senti os raios do sol invadindo o teto de folhas e tocando a minha testa, achei que era a Luz Divina anunciando um encontro transcendental, mas era apenas mesmo a luz do dia, e ela vinha me dizer:

" É lógico que não precisava ter vindo até a Espanha para caminhar e encontrar respostas, meu! Um lugar é apenas um lugar, o que o torna especial é a importância que damos a ele, ou o merchadising da novela das oito."

É, raio do sol, tenho que concordar com a sua lógica: Paris é linda, mas boa parte da sua fama veio das letras dos poetas; o mesmo vale para outros tantos cantos do mundo que são "sagrados" e que foram eternizados nos mais diversos contos, livros, novelas, aventuras imaginadas ou trilhadas, onde lemos sobre o arquétipo do herói que larga tudo e parte numa jornada em busca do amor, de um tesouro ou da Grande Verdade do Universo. E o que ele encontra? Uma ponte para nos influenciar a fazer a mesma coisa.

O que seria do Caminho de Santiago se o Paulo Coelho não tivesse decidido que seria por lá o cenário da sua aventura à Castenada? Não me venham falar dos Celtas e dos livros de história; os espanhóis já assumiram que o Caminho estava OUT, até o Paulinho que não é Lebre, ter escrito a sua Erva do Diabo por lá e tornado a peregrinação na Espanha IN.

Mesmo sabendo de tudo isso, lá no Caminho estava eu, o que mostra o quanto reproduzimos em nosso consciente os mitos implatados pelos outros no fundo do quintal das nossas mentes...

Ok, uns colocam chapéu de cowboy e vão espetar bois em Barretos; eu arrumei um cajado e fui rezar na Espanha...acho que ainda estou ganhando...pensando bem, deu uma fome...humm...onde fica mesmo o restaurante?

"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""

O PASSARINHO E O RECADO

Ainda sentindo o calor agradável e os insights dos raios do sol, agradeço ao Deus dos Viajantes por eu poder estar ali naquele lugar encantado. Olho para o lado e noto um passarinho pousado num galho; e ele canta bem alto, talvez para me expulsar do seu território, mas como sou escritor viajadão, faço a interpretação de acordo com o que eu quero que seja e percebo que a canção diz algo assim:

“ Viajante, viajante
Nem era preciso partir
Mas já que está aqui
Caminhe aqui, caminhe ali

Viajante, viajante
Nem era preciso vir aqui
Para sentir
Mas já que está aqui
Voe aqui, voe ali

Viajante, viajante
Um lugar é apenas um lugar
Quem faz o lugar
É o nosso olhar”

Sim, passarinho, eu compreendi o seu " pi pi pi". Sim, eu vim até aqui para contar a minha gente que não era preciso sair do seu lugar para voar; mas você sabe como são os humanos, passarinho, precisamos partir para dar valor ao lugar que estavámos.

- E onde você pensa que está? - pergunta o passarinho e me dou conta que não estou em floresta coisa alguma, estou encostado numa árvore, às margens da Marginal Tietê; e eu não sei se ainda estou viajando, mas enxergo uma capivara me olhando. Fecho os olhos e abro de novo, sem acreditar no que vejo; e a capivara some.

Mal-educada, se foi antes que eu tivesse a chance de lhe perguntar: onde fica essa bendita Igreja do Ó??? Volta, Sra Capivara, estou com fome, mas sou um péssimo caçador e além disso, posso ser louco de peregrinar em Sampa, mas não tão doido para mergulhar no Tietê atrás de você.

terça-feira, junho 23, 2009

Caminho de São Paulo: Norte

Eram seis da matina quando cheguei ao marco zero, em frente a Catedral da Sé para iniciar a minha peregrinação. Respirei fundo, coloquei o chapéu na cabeça, arrumei bem a mochila nas costas, segurei meu cajado bem firme e comecei a minha caminhada sagrada nas ruas de São Paulo. A idéia era provar para mim mesmo que eu conseguiria, ao caminhar em Sampa, atingir o mesmo êxtase místico que senti ao fazer o Caminho de Santiago; que conseguiria encontrar anjos e demônios com
as suas respectivas lições nos cantos e recantos da cidade grande; que manteria a devida meditação, mesmo ao som do caos da metrópole, que falaria com Deus apesar do trânsito maluco das rodovias, com carros buzinando, guardas apitando e motos voando sob a cabeça dos pedestres; e completaria o meu destino: terminar a
caminhada na Catedral da Sé, dali a quatro dias, com muitas crônicas para contar.

Ok, confesso que em príncipio, assim como vocês, achei tudo um tanto ridículo, mas decidi fazer assim mesmo. Sou um Vagamundo maluco, leiam se quiser...

Tracei a caminhada de quatro dias em quatro rotas:
Norte: Catedral da Sé – Igreja Nossa Senhora do Ó – Minha Casa
Leste: Minha Casa – Igreja da Penha – Minha Casa
Sul: Minha Casa – Igreja de Santa Edwiges – Minha Casa
Oeste: Minha Casa – Igreja Nossa Senhora da Lapa – Catedral da Sé

Escolhi essas igrejas, muito mais por serem alvos facilmente identificáveis do que por interesse religioso. Respeito todas as religiões, mas essa caminhada não era uma peregrinação cristã, ou coisa parecida, poderia ter escolhido uma mesquita, um templo hindú ou uma sinagoga, teria dado no mesmo, mas essas igrejas demarcavam as devidas regiões de São Paulo que eu havia decidido peregrinar; e sendo assim, comecei a caminhar em direção a Zona Norte de Sampa,
sob o olhar curioso das pessoas que não compreendiam quem era aquele peregrino no centro da cidade.

Foi com esse sentimento, meio místico e meio mico, que parti da Sé em direção a Igreja Nossa Senhora do Ó. Só existia uma regra, eu teria que caminhar tanto para ir quanto para voltar para a minha casa e sempre com as vestimentas de um peregrino.

Achei que seria moleza, mas não é fácil caminhar pelas calçadas de Sampa, definitivamente, a cidade grande não é um bom lugar para caminhadas. Fiquei imaginando que se já era difícil para um vidente, pense no que sente um deficiente visual percorrendo aquelas ruas cheias de buracos, mas segui, entre trancos e tropeços, em direção a Luz, e mesmo sabendo que o melhor trajeto seria seguir pela Avenida São João, Barra Funda e depois Ponte da Freguesia, decidi fazer um trajeto meio L, percorrendo a Avenida do Estado, Voluntários da Pátria, cruzando a ponte do Tietê e só aí, seguir o restante da perna para a Frequesia. Sim, um trajeto tão insensato quanto aquela peregrinação, mas a lógica era captar toda a vibração do povo que circulava pela Zona Norte e vinha em direção ao centro. Fazendo o caminho contrário, eu poderia sentir melhor a energia dessa gente que todos os dias madruga em direção aos quatro cantos da cidade.

Enquanto caminhava, lembranças do meu primeiro dia de peregrinação na Espanha veio ao meu encontro, e metade de mim caminhava em Sampa, a outra metade andava pelos Pirineus. O Bosque de Ronscesvalles me assustava um pouco, eu tinha receio de assalto, de alguma agressão ou ataque. Chame de síndrome de quem vive em cidade grande, mas um certo pânico comecou a me torturar; daí rezei um Pai Nosso, repeti seis vezes o Gayatri Mantra e pedi a Maomé, abençoado seja o Profeta, que pedisse proteção a Alá por aquele peregrino de bigode. Enfim, o
medo passou e avancei pela mata, passo a passo, iniciando oficialmente o meu primeiro dia de caminhada; e quando finalmente senti que estava em paz com os meus passos, com as árvores a minha volta; com o meu corpo e com a minha alma, recebi uma mexiricada na cabeça.

- Vai trabalhar, seu vagabundo!!! - gritou o agressor.

Limpei meu cabelo, a mexerica tinha explodido em centenas de gomos e caído sobre a minha mochila e manchando a minha jaqueta; olhei para a direção de onde a fruta voadora veio e ví o ônibus, e dentro dele, na janela, o sujeito rindo e me apontando. Eu estava de volta a Sampa e era alvo daquela brincadeira sem a menor graça.

O que leva alguém a cometer tamanha violência gratuita? O que levou esse sujeito a tomar a decisão de arremessar uma mexerica de dentro do ônibus em uma pessoa caminhando na rua?

O que eu tinha que aprender com aquilo?

Como deveria reagir sendo o alvo de uma mexerica arremessada? Qual era o sentido de tudo aquilo?

Então, respirei bem fundo; repeti om, om, om e daí com toda a força que eu tinha, fiz aquilo que meu coração mandava e gritei: " Joga a mãe, seu Filho da Pu%#!"

segunda-feira, junho 22, 2009

FESTA DO SOL - REINO DO SOL

video

FORRÓ COM AMOR


Danço forró com a Auri, mas não sei bailar, por isso deixo o ritmo me levar, paro de contar os passos e conduzo a minha dama ao som da banda.

Minha esposa está linda, está completa, presente, perfeita. Rodopia com encanto, a cada giro, vou me apaixonando mais e mais por ela.

“ Eu vejo o céu nascer atrás das montes
Eu vejo um lindo dia amanhecer
Nos reino da Rainha da Floresta
Percebo o meu Deus resplandecer”

Encosto o meu corpo no dela. É xote, é arrasta-pé; não quero estar em nenhum outro lugar no mundo que não seja ao lado dessa mulher que escolhi para ser a minha companheira faz dez anos.

É forro com carinho, forró com firmeza, forró com maturidade de estar bem só, mas muito melhor com alguém do lado. É o Forró do Amor!

“ Eu vejo a passarada toda em festa
O bem-te-vi, o beija-flor, o rouxinol”
No mundo inteiro o poder se manifesta
Vão preparando nosso Reinado do Sol”

Encosto meu rosto no dela; fecho os olhos e eles me mostram o mundo que pulsa dentro da gente. Vejo miríades de estrelas, planetas sendo criados, luzes das mais maravilhosas, a vida, essa gema preciosa fluindo, criando, transformando e abro os olhos e tudo o que vi está nos olhos dela.

Soltem os fogos, pulem a fogueira. É tempo de Festa Junina, é tempo de casamento caipira e hoje vou “renová us votu cum minha muié”.

“ Sejam os homens, as mulheres, as crianças
Que neste dia vêm louvar a Criação
Como os seres em antigas madrugadas
Que já louvaram em volta ao fogo, São João”

Giramos pelo salão, rodopiamos – somos o primeiro casal dervixe que conheço – balançamos pra cima, pra baixo, pros lados; é a Festa do Divino, é a nossa festa. Logo, percebemos que não estamos mais sozinhos, surge outros tantos casais dervixes para nos fazerem companhia.

Por mim, eu ficaria no salão até amanhã, mas depois que ela grita: “ai, oia meu pé, marido!”. Eu me dou conta que ela merece um descanso depois de tanta pisada desse forrozeiro de meia-tigela.


Notas do Autor: A Canção se chama "Em Volta do Fogo", de Alexandre Magnarelli, e faz parte do hinário do Reino do Sol.

DIGA NÃO A QUEM GRITA

"Não tema minha donzela

Eles são muitos

Mas não sabem voar..."

O Pavão Misterioso
Edinardo - Anos 70


Não tema minha donzela;

Quem grita, não fala

Quem não fala, logo não pensa

Quem não pensa, logo dá pena


Dá pena, pois com tanta coisa bonita

O sol, a lua, a estrela, a vida

Tem gente que grita

Tem gente que briga


E tem gente que briga

E tem gente que grita

Pois há alguém que revida passiva

Há alguém que continua escutando


E quem escuta quem grita

Precisa compreender que existe

Vida além da vida que se tem ao lado

De quem grita

domingo, junho 21, 2009

HERÓI SINCERO


A multidão batia palmas, aclamava, gritava :
Herói!
Herói!

Ele não era herói de nada, mas se a multidão assim falava,
palavra do povo é língua sagrada.

- Você ajudou aquela moça! – disse uma senhora - É mesmo um herói!

- Dona, sou nada! - Ele disse sinceramente.

- Claro que é – insistiu a senhora – você se jogou na frente do carro para empurrar aquela moça que seria atropelada. Você é um verdadeiro herói.

- Sou nada, Dona – ele tornou a dizer – Só fiz isso porque a menina era bonita. Se fosse feia, ou se fosse um cara, eu teria ignorado e passado direto.

sábado, junho 20, 2009

PRE CONCE ITO


Ela disse que não gostava do meu bigode;

Eu queria lhe mandar ao inferno,


Mas ignorei o meu desejo

De lhe dizer:

Também não gosto

Desse seu traseiro gordo!


Engoli!
Uns falam

Independentemente

Do bom gosto

E dos sentimentos dos outros


Outros se calam

E escrevem:


Cada um com o seu

Pre

Conce

Ito!

LOSER

Ninguém nunca quer ouvir a voz do perdedor.

A opinião do último a chegar nunca é tão importante, pois aparentemente não parece revelar nada relevante que possa interessar o olhar da minha gente.

Ontem eu fui o último colocado num concurso de poesia, daí gritei: o importante é participar!

Mentira!

Eu queria mesmo era ganhar, porém se tivesse ganhado, não teria motivo para escrever essa crônica sobre perdedores e não há muita coisa escrita por aí, sobre essa gente que mesmo diante da humilhação do último lugar, não desiste de poetizar, mesmo que seja sobre a sua própria derrota.

PERDIDOS E ACHADOS


Quero achar a minha letra para que ela tenha o som que quando você leia, perceba o tom da minha experiência.

Quero achar a minha palavra para que ela seja música nos seus ouvidos e que te repita a minha busca, mesmo não sendo a sua.

Quero achar a minha frase para que ela tenha aquilo que te faz buscar por toda parte esse algo que você quer tanto ler e é alheia a sua vontade.

Quero escrever o meu texto para que ele transmita com pouco para todo o meu povo, o meu olhar do mundo seu.
Imagem: Pablo Amaringo

sexta-feira, junho 19, 2009

DO LUGAR DE ONDE EU VENHO TEM SEMPRE MÚSICA NO AR


O som já está tocando eternamente no espaço,
tudo o que precisamos fazer é sentir e
canalizar a melodia que se ouve por lá.

Se os anjos existem,
eles falam música.

A música invadiu a minha vida
de tal forma,
que eu já não sei como apertar
a tecla stop.

SOMOS ESTRELAS



Talvez, só talvez

Sejamos estrelas!

Lembranças

Do que já fomos

Um dia

Talvez, só talvez.

CHÃO QUE PISA

Ela é tão bonita,

tudo nela atrai,

fascina;

chama atenção a onde vai,

encanta os homens e

até as mulheres;

mas quem a conhece bem de perto,

já sabe:

ela não vale o chão que pisa

quinta-feira, junho 18, 2009

Cantiga de Malazarte

Por Murilo Mendes


Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,

ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.

Não desprezo nada que tenha visto,

Todas as coisas se gravam para sempre na minha cachola.

Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,

Destelho as casas penduradas na terra,

Tiro o cheiro dos corpos das meninas sonhando.


Desloco as consciências,

A rua estala com os meus passos,

E ando nos quatro cantos da vida.


Consolo o herói vagabundo, glorifico soldado vencido,

Não posso amar ninguém porque sou o amor,

Tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos

E a pedir desculpas ao mendigo.


Sou o espírito que assiste à Criação

E que bole em todas as almas que encontra.


Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo,

Nada me fixa nos caminhos do mundo.


A. PERTENCE


- Para onde é que você está indo, menino?

- Não sei não, estou perdido!

- Mas você aparenta tanto saber quem é e pra onde vai.

- Como dizia aquela velha brega canção: “Aparências nada mais”

quarta-feira, junho 17, 2009

Degredados Filhos de Eva - Foz do Iguaçu

video



VAGA-LUMES (Ana Vitória)


A alegria é a nossa companhia

E o amor é a nossa proteção

Mil vaga-lumes iluminam o caminho

Com tantas luzes que não há escuridão


Canto amor, canto alegria

Exalando perfumes no ar

Brilham estrelas, brilham vaga-lumes

Vejo estrelas no fundo do mar


Acompanhado destas luzes tão pequenas

Que iluminam apenas os meus pés

Olho e vejo os vaga-lumes

Fazendo sua parte com o que Deus lhe deu

OLHA EU AQUI!!!


E ra uma festa com centenas de milhares de pessoas, muita gente, gente demais daconta. E onde tem tanta gente, aparece sempre gente que quer vender o peixe, arrumar uma minininha nova, ficar famoso, deixar a marca; afinal, dentro de cada um de nós tem sempre um médico, um louco e uma celebridade querendo aparecer.

Foi isso que ocorreu com o Ali Baba, que depois de ter sido roubado pelas
quarenta ladras, as Amazonas do Cerrado, precisava assim se sentir querido, se
sentir prestado atenção, ou em outras palavras, o menino estava mesmo carente e precisava de colinho.

E pensando nisso, ele pegou um megafone, subiu em cima do telhado, donde via
toda aquela gente e gritou: "olha eu aqui!!!"

Ninguém prestou atenção.

Ele parou, observou e novamente tentando, gritou:

- Gente, eu tô aqui!

Nadica dinada.

Ele então, partiu para a única forma de chamar atenção que funciona em mega
eventos:

- Vocês são todos idiotas!

A festa parou e todos os presentes olharam na direção de Ali, que tinha
conseguido o que queria: atenção.

- Babacas mesmo! Onde já se viu não me notarem. Eu entrei aqui para ser visto e ninguém me vê; entrei aqui para ser ouvido e ninguém me escuta - que raios de festa é essa que não me deixam participar?

Silêncio.

- E aí, não vão dizer nada?

Silêncio.

- Quer saber, eu vou embora!

Silêncio.

- Tô indo embora, ein gente?

Nenhuma palavra.

- Última chance, ein...

Silêncio.

- ...

E a festa continuou, com todos conversando, fazendo amizades, conhecendo,
aprendendo, compartilhando, se divertindo.

- Quem era aquele cara gritando mesmo? - perguntou um dos presentes.

- Sei lá! - respondeu um outro - Volta e meia, aparece alguém assim por aqui,
com tanta coisa para compartilhar conosco, mas insistindo em gritar, ao invés de
chegar devagarinho, ir se enturmando, sentindo o ambiente. O pior é que o
sujeito sai falando mal da festa, sem ter feito o menor esforço em contribuir e
participar dela.

ACONTECE COM TU?

Com você também acontece?

Todo mundo falando sobre o que você está pensando e a coisa vai assim coincidiando, caso a caso, por acaso, quando viu já virou fato na TV o que anda acontecendo com você; palavras gigantes no jornal do que você disse ao telefone.

Dizem que os nossos olhos só vêem aquilo que nos interessa, mas será que isso se aplica a essa festa de sincronicidade em todos os cantos da cidade, onde o mundo só fala de você: daí, você se impressiona, mas aparece um Mané, que não tem mais nada o que fazer do que cuidar do que não é da sua conta e te diz: “pirou foi? Of course, o mundo não gira ao seu redor!”

E você bobinho, você tolinha, acredita e deixa de ler a linguagem do mundo se revelando, te contando, gritando para você que todas as coisas que você percebe foram feitas mesmo para você.

terça-feira, junho 16, 2009

DIALÓGOS ENTRE X E Y

TENHO MEDO DE DEUS


- Eu temo bastante a Deus - disse X.

- Não se teme a quem se ama! - respondeu Y.

NÃO ACREDITO EM ESPÍRITOS


- Você acredita em espíritos? - perguntou X.

- Acho que sim – Respondeu Y - Até acho que nós também somos espíritos.

- Eu ein! Só se for você.

sexta-feira, junho 12, 2009

Dia da Minha Namorada


Olha a fadinha cantando na mata; e me lembro: ah, ela é a minha menina. Minha namorada esposa, feliz por estar viajando, conhecendo, compreendendo e compondo a sua música que se chama vida.

Hoje, nesse dia da namorada minha, comemoramos diferentemente esse 12 de junho; trocamos os votos por olhares silenciosos, o jantar à luz de velas por um passeio na floresta.

Ela não precisa dizer que me ama, nem eu a ela; por isso mesmo, tudo o que precisa ser dito é sentido e não queremos nada a mais para o outro que a felicidade plena.

Minha fadinha está em casa: tomando banho na cachoeira, caçando com fotos as borboletas, capturando com a sua câmara os passarinhos; eu, Pássaro Preto sabido, fico bem quietinho, sou livre, mas gosto mesmo é de ficar presinho no ninho do seu coração.

Expansão do Universo


por Marcelo Gleiser

"Não existe um lado de fora, o que ocorre é que mais espaço vai sendo criado"
Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Harmonia do Mundo".

Artigo publicado na "Folha de SP":

"Pelas minhas contas, essa é a coluna número 600. Acho que a ocasião merece ser celebrada. Como são vocês, meus leitores, que mantêm a coluna viva, resolvi escrever sobre um tema que, com frequência, recebo pedidos para abordar de novo: a expansão do Universo.

Dentre as perguntas mais comuns, aqui vão duas das mais populares: se o Universo está em expansão, o que existe do "lado de fora"? Mais Universo? A outra: se o Universo está em expansão, onde fica o centro? Somos nós o centro de tudo? (Deixo outras perguntas para futuras colunas.)

Para começar, o que significa dizer que o Universo está em expansão? Quando ouvimos isso, a imagem que imediatamente vem à mente é a de uma bomba explodindo: do centro da explosão, pedaços de matéria voam em todas as direções.

Essa imagem intuitiva - sem dúvida inspirada pelo nome "Big Bang", dado ao evento que marca a origem do Universo - não tem nada a ver com a expansão cósmica! E causa muita confusão. Quando uma bomba explode, os pedaços voam pelo espaço, se distanciando uns dos outros cada vez mais. O espaço, palco onde ocorreu a explosão (e todos os outros fenômenos naturais), permanece fixo.

Com o Universo, a situação é completamente diferente. O espaço não é mais rígido. É ele que estica com a expansão, como se fosse uma tira elástica. Imagine, então, uma tira elástica bem larga, onde você distribui uma porção de moedas, que são as galáxias.

Esse é o nosso modelo do Universo, em duas dimensões. (A banda elástica tem duas direções, norte-sul e leste-oeste. O espaço em que vivemos tem três, as duas e uma para cima e para baixo. Mas é mais fácil visualizar as coisas só em duas dimensões.) No Universo-elástico, a expansão do espaço equivale ao estiramento da tira elástica. E o que ocorre?

As moedas (galáxias) são carregadas pela expansão da tira elástica. Elas não "voam" como pedaços de dinamite, mas pegam carona no espaço que vai estirando cada vez mais. À medida que isso ocorre, as galáxias vão se distanciando. A expansão do universo é uma expansão do espaço.

O que nos leva à primeira pergunta. O que existe do "lado de fora"? A resposta é talvez surpreendente: não existe um lado de fora; mais espaço vai sendo criado à medida que a expansão vai ocorrendo. Vamos imaginar que nossa tira elástica é um balão de aniversário, uma esfera. No nosso Universo reduzido a duas dimensões, vivemos na superfície desse balão, em uma das moedas-galáxia, como amebas bidimensionais.

No balão, todos os pontos são equivalentes. O que vemos durante a expansão? Em 1929, Edwin Hubble (cujo nome foi dado ao nosso querido telescópio)mostrou que as galáxias se afastam umas das outras com velocidades que crescem com a distância.

Voltando ao balão, cada galáxia verá a mesma coisa, as outras galáxias se afastando. O balão vai esticando e crescendo, as galáxias vão se afastando e mais espaço vai aparecendo entre elas. Nesse Universo-balão, não existe um "lado de fora"; só existe o balão.

Isso é difícil de visualizar porque sempre insistimos de ver o balão de longe, "de cima", de uma terceira dimensão. Para digerir isso, temos que imaginar que vivemos na superfície do balão, como amebas bidimensionais. Nada de pular pra cima!

Podemos agora responder à segunda pergunta: no balão, todos os pontos são equivalentes; a população de amebas de cada galáxia verá as outras se afastando dela e se achará o centro de tudo. A expansão do Universo não tem um centro; é a mais plena democracia geométrica, onde nenhum ponto é mais importante do que os outros." (Folha de SP, 7/6)

TERRENO BALDIO


O que há escondido, enterrado no fundo da minha alma?

Será um elo perdido?

Ou um lago em calma?

Quais trabalhos ficaram inacabados?


Terei coragem de acender a lamparina e vasculhar o que está embaixo das teias desse quarto abandonado?

O que está coberto pelo tempo?

O que está escondido pelos traumas?

Terei coragem de limpar o terreno baldio que fica a beira daquele esgoto, onde jogo os dejetos das milhares de experiências que não dou a devida importância, mas que ficam,
e alteram
e modificam?

Por quanto tempo o meu corpo vai ficar bem, se a minha mente esconde a imagem das formas pensamentos que orbitam em minha aura?

Será melhor ignorar?

Melhor não...

Quer saber?

Mehor saber!

Melhor criar coragem para limpar.

Melhor aceitar que quanto mais alto voo, mas perceberei os lixos deixados no terreno baldio da minha alma.

segunda-feira, junho 08, 2009

DORMINDO COM UM SONHO


Quando queremos algo muito, muito, muito.
Quando desejamos aprender alguma coisa, coisa, coisa, coisa.
É preciso passar o dia inteiro com isso na cabeça,
É preciso ter o que quer como seu maior objetivo nesse mundo.

É preciso dormir com o seu sonho
E acordar com vontade de fazer
É preciso comer esse sonho
E digerir o quero mesmo fazer

Não é fácil aprender algo novo
Depois de gente GRANDE
A gente se boicota
Tem preguiça
Se esquiva
Tenta fugir

Mas seja inglês, ou dança havaíana
Seja tocar tambor ou harpa

Se você desejar tanto, tanto, tanto
Aprender
Você só conseguirá uma coisa:
Aprender!


Foto: Luís Villaça
Travessores Letras & Luzes
www.travessores.blogspot.com

PEDINTES DO SENHOR II


Ok, você saiu dos padrões materialistas, começou a estudar esses assuntos que desconfiam que há algo além dessa vida, começou a dizer que é espiritualista a quem te pergunta "qual é a tua religião?". E agora procura uma tal de cura para os danos que você fez ao seu corpo por anos de neglicência vivendo na escuridão...cuidado, nem tudo que parece cura, cura.

Quem disse mesmo que você vivia na escuridão?

Quem disse que os anos que você passou dedicado ao mundo em que vivia foram tão assim egoístas?

Você constituiu família? Alimentou quem pedia? Plantou uma árvore? Pensou duas vezes e não disse aquelas palavras a quem você amava e que se transformariam em violência psiquíca?

Se houve um sim para ao menos uma das perguntas acima, parabéns! Você já era espiritualista, ou se não quiser o termo, já flertava com a luz e só por isso, o seu trabalho de cura já tinha começado.

Quem nos cura não é a Mãe Divina: somos nós mesmos!

Quem realiza os nossos milagres é a nossa força de vontade!

São as nossas mãos que transformam barracões em casas, sementes em árvores, bebês em seres humanos decentes. São as nossas pernas que nos levarão de volta ao estado de graça daqueles que vivem em profunda plenitude de ser e estar nesse mundo. É na nossa cabeça que esse mundo acontece, portanto é lá, que se esconde a raíz dos nossos problemas. É lá na mente, que precisamos fazer um estudo profundo para encontrar as raízes que nos causaram algum mal estar, algum mal ser, algum mal querer. É no pensamento que nasceu a sintonia que trouxe o assédio; o boicote que antes circulava apenas na mente e no espírito e agora, virou nódulo no corpo.

No hospital, os médicos tratam os efeitos, nunca a causa. Nos consultórios, eles se esquecem de nos perguntar o que estavamos fazendo, pensando e querendo antes de nos sentirmos mal das pernas, doente da aura, com os chacras inflamados.

Vamos combater as causas, minha gente, ao invés de pedir curas, milagres, favores, operações espirituais que nos curem magicamente daquilo que não queremos trabalhar dentro da gente.

Chega de passividade. Ser espiritualista ou ter qualquer vínculo sadio com a espiritualidade é tomar as rédeas da nossa vontade e retomar o controle das nossas vidas. Se é para ficar esperando que algo ocorra alheio a nossa coragem, que caia algo magicamente do céu, seria melhor voltar a acreditar que só o pastor fala com o Senhor, que a hóstia limpará todas as bobagens que pensamos, que temos que aguardar o Cristo Salvador retornar para finalmente acordar para as tranqueiras que carregamos e fazemos da vida.

Chega, né!

Espiritualista não é só uma pessoa que faz gira de macumba, acende incenso, canta mantras, reza terços ou faz oferendas a Grande Mãe, ou bate o tambor para o Grande Avô. Espiritualista é quem vive bem a sua vida, sem deixar de lembrar que também vive do lado de lá.

Vamos usar a lógica, o discernimento, começando com o nosso próprio pensamento.

Vamos louvar ao Senhor, a Rainha, mas vamos pegar no pesado, né minha gente? Mãos ao trabalho, que começa ao levantarmos e não se encerra ao deitarmos cansados no leito da nossa preguiça.

Chega de ser Pedinte do Senhor, chega de se iludir e acreditar que virá de fora a cura que só dentro começa.

Quer se curar, então começe a mudar...

Uivando para a lua



por Luiz Felipe Pondé

Artigo da Folha de S. Paulo, 02/062009

Não sou contra a religião. Ser religioso não implica ser menos inteligente, informado ou ético. Tem muita gente "inteligente" que comete erros ridículos como esse. Nem todo religioso uiva para a Lua. Tampouco os religiosos detêm o monopólio do apetite por matar seus semelhantes. Religiosos ou não, gostamos de matar e odiar. O século 20 destruiu qualquer ilusão quanto à doçura ou autocrítica dos ateus ou dos que creem na "história" ou na ciência.

Mas de fato há riscos específicos na crença religiosa, ainda mais em tempos de indústria cultural. Caro leitor, caso queira buscar uma religião, evite aquelas que têm menos de mil anos. Em matéria de religião, quanto mais velha, melhor. Outra coisa: se passou pela Califórnia, a chance de a religião ficar boba aumenta muito.

Mas existem umas "novas" religiões por aí, que Deus me perdoe. Pegue o exemplo do tal neopaganismo da deusa-mãe. Pessoas de boa-fé simpáticas aos paganismos antigos devem tomar cuidado com a literatura barata que é comum nessa área. Procurem trabalhos de historiadores da Antiguidade e da Idade Média reconhecidos, e não livros de auto-ajuda espiritual escritos por picaretas quânticos. Infelizmente, muitos dos neopagãos soam como adolescentes mal-informados e de idade um pouco passadinha.

O termo "paganismo" aqui normalmente quer dizer religião celta, mas às vezes pode ser uma salada mista com a Isis egípcia e o Odin escandinavo. Percebe-se que a atitude é basicamente a mesma de quem escolhe uma calça jeans, um CD ou uma praia "cabeça". Na falta de informação arqueológica significativa sobre essas religiões "celtas" (fato que os neopagãos desconhecem), filmes ruins e literatura barata entram no lugar, compondo o imaginário "histórico" acerca do
passado celta, que é sempre visto como harmonioso e sábio como se houvesse algum passado harmonioso e sábio em nossa história.

Um dos exemplos da visão adolescente nesse caso é achar que o cristianismo destruiu uma religião (das bruxas celtas) que vivia em paz com o mundo. Não existe religião na história que não tenha tido seu quinhão de sordidez, mas "crianças" não entendem isso. Segundo algumas fontes romanas (não cristãs), há suspeita de que alguns dos cultos "celtas" praticavam sacrifícios humanos, o que para os romanos era um pouco fora dos limites. Os romanos eram conhecidos por sua tolerância religiosa (Roma não foi um desfile de Neros), se eles destruíram alguns desses cultos, é porque coisa boa não era.

O imaginário adolescente é claro: o cristianismo, este perverso, patriarcal, destruiu uma sociedade onde homens e mulheres viviam em comunhão sem opressão. Para eles, queimaram-se milhares de mulheres e homens inteligentíssimos na Idade Média. A verdade é que provavelmente a maior parte dessas infelizes vítimas era gente boba mesmo. Pergunta: como seria o mundo se o paganismo tivesse vencido?

Responderiam os "adoradores da deusa": viveríamos num mundo sem classes, sem machismo, sem ódio, sem guerras, mas, ainda assim, rico, com antibióticos, internet, sexo aos montes, aviões e baladas.

As bobagens também aparecem no uso absurdo de referências advindas de sistemas religiosos que ainda existem. Por exemplo, alguns neopagãos afirmam que a cabala (mística judaica medieval) foi uma criação egípcia pré-era cristã! A tal "árvore da cabala", onde aparecem os atributos de Deus, é uma das coisas que mais sofrem com o besteirol neopagão. A culpa do mau uso da cabala é, em parte, infelizmente, de alguns "cabalistas" judeus atuais que a vendem como receita barata de conseguir dinheiro, amor e sexo. Jung também vira bobagem nas mãos dos
neopagãos: tudo é "arquétipo" a serviço de qualquer ideia besta que você tenha.

O neopaganismo é em grande parte invenção de caras ingleses esquisitos e suas namoradas mal-amadas do século 20 mesmo. Junte-se a isso um pouco de física quântica (aquela que, segundo alguns "entendidos", faz acontecer tudo o que você quiser contanto que se diga a palavra mágica "energia!"), a mania incontrolável de falar sobre si mesma, uma pitada de feminismo místico, e você será uma neobruxa.

Tenho um critério para levar religiosos a sério: se usar a palavra "energia" e disser que posso fazer tudo o que eu quiser porque tudo o que preciso saber está em meu inconsciente, pulo fora. O próximo passo dele será uivar para a Lua.

NA LINHA DO HORIZONTE


"É, eu vou pro ar

No azul mais lindo

Eu vou morar.

Eu quero um lugar

Que não tenha dono

Qualquer lugar.



Eu quero encontrar a rosa dos ventos e me guiar.

Eu quero virar pássaro de prata e só voar.

É, aqui onde estou

Essa é minha estrada por onde eu vou.

E, quando eu cansar,

Na linha do horizonte eu vou pousar.

Na, na, na, na...

Na, na, na, na..."


Notas:
“Na Linha do Horizonte” é um sucesso da banda brasileira Azymuth, no ano de 1975.

domingo, junho 07, 2009

ENSAIO SOBRE A MUDEZ

Um dia, curiosamente, o mundo acordou mudo.

Foi um espanto: ninguém conseguia articular um som sequer, estavam todos doentes de silêncio.

Depois do pranto e de tanta gente pulando das pontes por não conseguir falar; todo mundo que restou, e foram poucos, começou a notar que a comunicação não era só feita de palavras faladas; não que eles não soubessem disso antes, toda a minha gente sabia; é que eles estavam tão acostumados a escutar somente o que eles diziam, que nem reparavam que o outro também tinha boca.

E em mundo onde ninguém podia expressar uma sílaba, o ouvido passou a ser o órgão mais comunicativo, os olhos ganharam fama de falantes e o mundo real começou a surgir, pois a minha gente não conseguia mais mentir: juras não podiam ser feitas, a tagarelice não era mais conversa corrente.

No mundo do silêncio, não havia espaço para a hipocrisia, ninguém mais morria pela boca ou ficava aprisionada pelo que dizia; e assim o meu povo descobria que era possível conversar sem nada falar e que o olhar comunicava mais que a língua.

Como isso foi possível?

Não sei, mas me conte você: se o mundo amanhecesse sem fala, você conseguiria ficar todo um dia só escutando? Ou se jogaria da ponte por não conseguir calar a boca?

sábado, junho 06, 2009

Cogito Ergo Sum

" O leão é feito de carneiro assimilado." - Paul Valéry

E stive lendo “As Meditações” de Descartes e tive uma pequena expansão do meu pensamento. Não foi um samadhi, nem foi a incorporação de um Anjo; não foi o efeito do Daime, nem foi a expansão do coração provocada por uma meditação. Foi apenas um entendimento que provocou um olhar sob todas as coisas que há.

L eio filosofia, como também leio poesia, como leio o Baghavita Gita, as pérolas da Bíblia e sim, acho que tudo o que foi escrito pelo homem é farinha do mesmo Saco de Farofa do Divino, sou Paraíba Vagamundo, me permitam o uso dos meus "símbolos"; mas percebam não sou filósofo, assim como não sou religioso e por ser nada, posso dizer tudo.

P or ser nada, posso soltar as minhas palavras pelo ar, sem receio que algum leitor desatento, possa achar que está diante da Grande Verdade, pois Grande Verdade não há.

N ão é mentira, pois se essa reflexão veio a mim, alguma verdade há, e por isso vou continuar a contar:

L ia Descartes e fui tomado por um entendimento que levou-me a sintonizar uma energia de plenitude tão grande que torci o olhar e com os olhos vendo além desse mundo, notei que escondido nas dobras das coisas, no intervalo do tempo, tendo a cara de Tudo, flui uma Força misteriosa, que mantém esse Tudo coeso, o nosso coração aceso e estabelece uma relação entre o um e o outro; e não deu outra, vi você em mim; eu em você, como Um único ser que brinca de ser várias pessoas.

U m êxtase muito grande foi tomando conta do meu ser, e quando eu percebi, já era toda coisa, parte de um Todo, que é claro, poderia ser coisa da minha cabeça; e era; mas justamente por ser, não deixa de ser verdadeiro. E quando me notei em você, vi esses elos que nos unem; como agora quando eu sou letras em seus olhos, e você é leitura em mim. E esse elo era Ele, Ela, ou Eleá ou Elaê brincando de se esconder em mim e em você.

F ui tomado por esse olhar, que bem poderia ser uma loucura; e mesmo que fosse, e era, ainda assim tem a sua lógica, um sentido, pois se tornou uma direção que me levou a esse olhar coletivo sobre todas as coisas que penso que há e achei muito mais do que pensei encontrar.

P erceba que essa visão é apenas a minha visão, uma subjetiva percepção de tudo que está ao nosso redor, mas mesmo assim, ela não deixa de ser importante para você compreender que embora todos nós tenhamos uma diferente percepção das coisas, Uma Só Força nos envolve, e segue nos levando por entre as vidas, para muito além da morte, guiado pelo amor, pela magia do bem estar, do bem fazer e do bem espalhar.

F az parte da nossa natureza procurar essa Força, tentar nomear, compreender, estudar, pois se temos essa curiosidade de saber porque somos e estamos; é que essa coçeira, esse desconforto, esse alvoroço, essa vontade de procurar foi colocada lá, antes mesmo de nascermos por essa mesma Força que não quer outra coisa além da nossa curiosidade despertada, nossa busca saciada e nosso destino preenchido. Se estamos vivos e em busca Dela, é porque não poderíamos fazer mesmo algo além disso. Somos programados para buscar, estudar; e só aí, encontrar.

E ainda assim duvidar, pois se essa busca por essa Força fosse uma busca insensata, burra, seguiríamos como carneirinhos, qualquer pastor com flauta encantada; qualquer brilhar, e nem tudo que brilha é estrela, assim como nem tudo que cai é chuva.

F az parte da nossa natureza duvidar, para elucidar, para não deixarmos buracos no roteiro, para que façamos essa busca direito; pois tudo que deixamos para trás, sem a devida atenção, sem o devido estudo, sem o devido cuidado, volta para nos assombrar e assombração nada mais é do que as nossas Sombras em Ação.

E ssa Força nos deu a lógica para essa busca, para que não caiamos em qualquer arapuca na busca por respostas.

E ssa Força nos deu inteligência, para que sigamos com diligência, sem pressa de tentarmos aprEEnder um conhecimento que é preciso maturidade para REter.

E ssa Força nos deu a Fé para que possamos acreditar na mágica, porque nessa busca, volta e meia, nos deparamos com o absurdo, com o que foge ao entendimento da consciência, com o surreal; e muitas vezes, como não conseguimos compreender o paradoxal, chamamos essas vezes de coincidência.

E ssa força nos deu um centro de discernimento, para que possamos entrar no furacão da espiritualidade e não acreditarmos em qualquer vento, em qualquer voz, em qualquer visão que tente pensar, dizer algo por nós.

E ssa força nos dará a certeza quando por nosso próprio mérito trilharmos o caminho que sempre deixamos os outros trilharem pela gente: o caminho da Sua descoberta que é um caminho solitário, individual e subjetivo. No entanto, as recompensas dessa descoberta são totalmente para o coletivo, não por nossa vontade de salvar o mundo, mas porque quando fazemos algo direito, bem e perfeito, esse algo se torna tão brilhante que vira seta dourada, poço de diamantes para todas as pessoas que ainda não conseguem trilhar esse caminho sozinho.

P or isso essa Força se esconde, pois seja lá onde ela esteja, Ela quer ser encontrada com o nosso esforço e não com o pão, o vinho e o queijo cortadinho na mesa por outra pessoa.

Q uando as palavras de Descartes atingiram meus olhos, e entraram em meus pensamentos, subitamente, uma enxurrada de idéias desceu em direção ao meu coração e eu pude perceber que a coisa mais linda que há é a busca espiritual recheada com consciência, questionamento sadio, vontade de saber sem se importar com a conseqüência; e muito amor no peito, para saber que seja lá o que a nossa percepção nos mostre, o que quer que deva ser feito, nada vai alterar o amor pela nossa família, o trabalho que temos que fazer, as coisas reais dessa vida, as contas que precisam ser pagas, o saborear a comida bem feita, o cheiro do cafezinho com pão com manteiga; pois se estou aqui e agora com vocês, é porque eu preciso estar aqui e agora com vocês.

R eceio que esse olhar torto que eu dei, esse fluxo de pensamento expandido, onde senti que somos mais do que aparentamos, não vou com letras conseguir reproduzir, nem te ensinar; pois quando o assunto é o Divino, tudo é subjetivo e multisentido, mas ainda assim, por mais que eu nunca mais torne a desse modo olhar, a ver novamente esse brilho, a experiência ocorreu e se aconteceu, veio por algum motivo, alguma razão, talvez para que eu escrevesse esse texto que aparentemente não diz nada de novo, mas ainda assim pode ser que te faça olhar torto e você veja nas dobras das coisas, nas curvas do tempo, nos cantos do mundo, a mesma coisa que eu: os outros.


* Cogito ergo sum: Descartes

sexta-feira, junho 05, 2009

PAÇOCAS AMOR

MOMENTOS DE MERCHADISING

Como amo aquela Paçoca Amor.

Ela tem gosto de infância,
Tem gosto de voltar a ser criança,
Ela existe desde o tempo que eu sou.

Adoro comer essa paçoca depois do almoço,
Amo a maneira como o amendoim derrete na boca,
Hum...
Não há no muito coisa mais boa...
Quero dizer,
Talvez sexo com amor seja melhor.

BARALIZADO

A barata tem um poder magnífico!

Basta ela chegar perto da gente e cheirar o nosso medo, para que ela solte um raio paralisante!

Olha a barata!

Onde?

Não posso falar: estou ba ra li za do!

quinta-feira, junho 04, 2009

LETRINHAS


“Ninguém é uma coisa só” Anônimo


“Literatura é o silêncio carregado de significado” – Roland Barhes


"É preciso ouvir as desafinações do mundo” – Rubem Alves


“ Nós não temos a verdade, nós só podemos dar palpites” – Karl Popper

Quando só enxergamos a beleza do mundo, fechamos os olhos para o que consideramos ser feio, que é um outro nome para aquilo que ainda não entendemos que é belo.

O que nos faz olhar para a lua e admirá-la?
É a fome de desconfiar que há algo mais!

HIPOHOMEM


Um dia
A alma de um hipopótamo
Reencarnou
Num ser humano

E ao perceber tanto engano
O Hipohomem lamentou:

- Vida boa era a vida da selva. Eu não tentava ser, apenas era.

quarta-feira, junho 03, 2009

DEUS ESTA VIVO E É CAMELÔ EM SAMPA

Sei lá o que me deu, ao invés de caminhar nos passos dos outros, decidi criar um caminho meu; e resolvi encontrar o Divino nas trilhas de Sampa.

Não pode ser, você vai dizer. É, eu sei que ninguém encontra Deus nas ruas de São Paulo, talvez encontre nos Himalaias da Índia, quizas no El Camino de Santiago, or perhaps in Stoneheage; mas nunca por aqui, afinal, não há livro falando sobre buscas espirituais na Praça da Sé, nem iluminações no Largo São Francisco; se alguém atingiu o Nirvana comendo pastel numa feira ficou mineirinho; e foi pensando nisso; e percebendo o quanto muita gente não tem grana para bancar uma peregrinação em Roma, que inventei um novo nicho espiritual: Os Caminhos de São Paulo.

"Incomodada Ficava Sua Avó Sem Saber Onde o Divino Achar, Com Vocês:
Os Caminhos de São Paulo."

Essa trilha consiste basicamente na possiblidade de encontrar o Divino partindo das ruas do centro em direção aos quatro cantos da cidade, tendo como destino uma igreja famosa (não sou cristão, mas botei igrejas como destino pois fica muita mais fácil de lembrar, e convenhamos, ninguém consegue mesmo lembrar do nome ou da localização de nenhuma mesquita, templo hindu ou sinagoga famosa), e além disso, a idéia do caminho é caminhar.

Daí, decidi percorrer essas rotas para demarcar o território, e é claro, não sou nada bobo, registrar rapidamente o "divinecopyright ©", antes que alguém tome a dianteira; sou crente escaldado; já roubaram o meu "Somos Todos Um" antes, e não ficaria nadinha surpreso, se amanhã aparecesse alguém com um programa na Rádio Mundial oferecendo-se como guia para o caminho que eu inventei.

Então fui para 25 de Março em busca dos ítens para a minha peregrinação: bota, capa-de-chuva, mochila, etc - e critiquem o quanto quiserem - não há lugar melhor e que se adapte mais ao orçamento de um Paraíba vivendo em Sampa que a 25. Lá chegando, descobri que não apenas fecharam a Galeria Pagé, onde eu comprava meus artigos originais de áudio e video, como encimentaram a entrada - quem o fez deve ter as suas razões. Sem o meu shopping center favorito, fui parar nas ruas, de camelô em camelô, testando tênis, fazendo test-drivers nas mochilas e em uma das barracas, encontrei Deusdete, popularmente conhecido como Deus entre os amigos e clientes mais fidelizados.


- Pode me chamar de Deus mesmo! - disse ele - O pessoal diz que eu opero milagres.

- Como assim? - perguntei - Você cura os doentes ou coisa parecida?

- Coisa parecida! - Ele respondeu - Consigo o remédio que você quiser pela metade do preço e não é do Paraguai, é produto legítimo. O cliente chega aqui doente e já sai curado.

Não quis saber os detalhes do milagre, mas ele continuou:

- Tem gente que anda essa 25 de Março inteira procurando por algo e não encontra, mas basta vir a mim e ele acha na hora.

E depois dizem por aí que Deus não existe...

terça-feira, junho 02, 2009

PASSEIO PELA FLORESTA III


E nadei como se soubesse, mergulhei como se não tivesse medo e despenquei da cachoeira, rumo ao mar e fui sendo carregado por sereias que repetiam um único som:


oxummmmm, oxummmmm, oxummmm.

E fui sendo levado para o mar, e quando a água doce encontrou a salgada, vi a Deusa se manifestando em palavras:

“ Bem vindo, peregrino das letras!”

Era Yemanjá
Notei o som do vento assobiando em meu ouvido:

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

E vi a forma do vento, era de um poeta de muitos dentes e óculos, com um olhar apaixonado que ainda disse:

Estou voltando para Passárgada
Passa por lá, peregrino,
Quando quiser tomar um cafezinho
E conversar

Prometi que iria, mas voltei a minha atenção a Deusa, que pacientemente, parecia ter sempre estado por lá a me esperar.

Era a Rainha.

A Grande Mãe Divina, bem a minha frente

E ela era tão real que eu nunca mais duvidaria que ela poderia existir.

E eu não era o único, havia outros tantos peregrinos, um deles, parecia um xamã, seu nome era Léo e ele cantava assim:


“Luar se fez um raio prateado
Iluminando o céu e as espumas do mar

Lindo clarão a beira mar
Vejo mamãe Yemanjá

Lá vem, Lá vem, junto com suas sereias
Nos abençoar rainha Yemanjá
Dona das águas tu és mãe
Oh Janaina Odo Yá"

Iluminai minhas profundas águas
Para eu decifrar mistérios de meu mar

Nesse meu mar de emoções
Rainha vem iluminar"

Muitos eram os peregrinos que vinham prestar homenagens a Rainha do Mar.
Havia um grupo que se chamava Filhos do Sol e eles cantavam assim:

Lua branca e formosa
da Terra és dona
Senhora das marés
Senhora das colheitas e dos animais
Lua prateada dos mistérios
Me responda

Senhora dona das ondas cerebrais
Dona da transcendência
Da transferência
A minha existência
Peço-vos, Senhora

Ilumina, ilumina

Pérola sensível, coroada de estrelas
Senhora das três passagens
Que multidões domina

Ilumina, ilumina


No outro lado, havia um outro xamã e músico que tocava um instrumento bem pequenininho que produzia um som maravilhoso de ninar. Seu nome era Chandra e ele disse para mim que tinha um recado para me dar:

Recado da Mãe Divina

Vem surgindo um novo tempo
Traz glórias do Divino
Mais puros e atentos
Nos tornamos escadas do Infinito

Mãe Divina eu quero ser
Um filho realizado
E é perante o seu poder
Que me entrego para ser libertado

Como um rio que corre para o mar
Correntezas carregam o medo
Confiança para atravessar
A fronteira do eu derradeiro

Não há desculpas para se escorar
Já foi dito a hora é essa
O tempo é de se entregar
Abraçando o que ainda resta

Estou morrendo para o passado
E nem anseio pelo futuro
Minha coroa tem brilho dourado
Provo o néctar do amor maduro

“Esse é o recado, amigo peregrino – disse ele – ouça com o coração e seja um ser humano, pois só somos realmente humanos quando amamos e é amando que somos seres divinos.”

Agradeci pelo recado e depois que me despedi do Chandra e da Divina Mãe; uma gaivota veio me chamar:

- Hora de voltar a usar essas velhas asas!

Aceitei o convite e fui voar.

Era meu velho amigo Fernão.

- Fernão Capelo Gaivota, há quanto tempo!!! – eu disse vendo meu amigo voando e me olhando.

- Pássaro Preto! Senti sua falta também!

- Pode me chamar pelo meu nome! – eu disse.

- Certo, Frank! E você pelo meu.

- Como vai, Richard?

- Vou bem! Só um pouco preocupado com você.

- Mas nunca estive tão bem!

- Esse é o problema! Se lembra do amigo Rubem Alves: “Ostra Feliz não faz pérola.”
Você finalmente encontrou o caminho para o UM, mas está meio perdido, por isso vim voar com você.

- Mas estou bem, reallyyyy!!!!

- Claro que está! Mas deixa eu te dizer algo:

“ Tudo o que você aprendeu
Pode estar errado!”

Ainda assim, vale a pena voar, deixar o mistério te surpreender. Abraçar o amor, mesmo que não dure para sempre e ai é que está a piada do seu amigo Borges, tudo tem graça, até a disgraça. Tudo é mudança e o Grande Pássaro e a Grande Ave, sabem muito bem o que fazem, e compreenda: não tente compreender, apenas observe, ria e escreva. Como diz a xamã Ana Vitória:

Silencie a MENTE
Que é ENTE que MENTE
Receba, as Santas Lições
NÃO queira A-PRENDER
Mas Re-TER, para SER
Olha, Frank, a lição do Vaga-lume:

A alegria é a nossa companhia
O amor é a nossa proteção
Mil vaga-lumes iluminam o caminho
Com tantas luzes que não há escuridão...

...Acompanhado destas luzes tão pequenas
Que iluminam apenas os meus pés
Olho e vejo os vaga-lumes
Fazendo a sua parte
com o que Deus lhes deu

Tudo é mudança, meu amigo, e se acostume com isso, pois

Aqueles que não amam a mudança não são, verdadeiramente, visitantes da Terra.

- Obrigado, Richard! – respondi, e pousamos no alto de uma montanha.

- Quanto às letras? Relaxa!!!

Para ser um escritor, meu amigo, é ser como o vinho. Quanto mais bem cuidado, maturado, guardado, mas chances dos seus escritos se tornarem os melhores vinhos desse mercado mundo.

“ Quem não vê bem uma palavra
Não vê bem uma alma”

- Isso é seu?

- Não, É do Pessoa.

- Bacana, não vou esquecer!

- Claro que vai, mas ao menos se lembre: “Seja Realista: peça o impossível!!!”

- Isso é seu?

- Não. É daquele autor: o Anônimo!
Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply