quarta-feira, setembro 30, 2009

Uma Secretária de Presente

Dizem que uma secretária é o braço direito de qualquer executivo, diretor, presidente ou CEO de uma empresa; mas isso não passa de uma terça verdade, uma vez que para ser uma secretária efetiva é preciso ter oito braços, três cabeças e quatro pernas; afinal, na história das carreiras, nunca apareceu uma profissional que conseguisse tão bem ser clone de si mesma.

Como elas conseguem fazer isso? Como conseguem estar em dois lugares ao mesmo tempo? Organizar o ineorganizável? Ter na ponta da língua todos os compromissos, os contatos, as finanças, as datas, as pautas das inúmeras reuniões e ainda assim ter tempo para almoçar? Desconfio que as secretárias sejam gentes de outro mundo...

Só sendo gente de outro mundo para conseguir esticar o tempo e quebrar as barreiras da física; pois elas além de estarem em dois lugares ao mesmo tempo, também conseguem parar os ponteiros dos relógios para que o correio saia no horário ( e o motoboy, o sedex, o office boy), e ainda gerenciar que o café nunca se esgote da garrafa.

Ninguém comenta, mas se não fosse por elas, negócios milhonários nunca seriam fechados; acordos internacionais que garantem uma economia fluente não aconteceriam. Quer tirar a prova? Imagine um dia útil com todas as secretárias do mundo em folga. Pensou em crise mundial? Eu pensei em dar a cada uma delas um troféu!!!

Pode ser exagero da minha parte, mas já vi essas profissionais em ação e posso garantir, não minto quando afirmo que um Dia da Secretária é pouco, afinal, o que seria dos outros 364 dias sem elas?

Flores de Nanã

" São flores, Nanã;são flores
São flores, Nanã Buruquê!
São flores, Nanâ; são flores
De seu filho Obaluayê!"



Eles me disseram, Mamãe, que com a Senhora não se brinca; se mantém distância. Que o seu nome deve ser evitado; seus pontos se possível, raramente cantados; mas se os Orixás forem todos saudados; devemos te saudar também, para a senhora não ficar brava; por isso eles cantam para a Senhora sempre com muito respeito e duas doses de medo.

Eu não consigo! Mamãe, desculpe. Não aprendi a cantar com medo ou tristeza; para mim, cantar é sempre um ato de alegria; por isso não consigo tirar o sorriso do rosto quando canto para a Senhora, minha Mãe e Mãe de todos os outros seres.

O sorriso me vem ao rosto quando lembro que a Senhora vem sempre para mim tão doce, tão vovó e, certa vez, a Senhora disse que cuidava de mim, que me protegia; que eu era o seu filho e a Senhora, estrela guia minha.

Eu nem havia lido sobre a Senhora; seus primores eram para mim, um grande mistério; e nesse império de crenças que eu sempre edifiquei como base do meu estudo, nunca dediquei uma página a sua história; e mesmo assim, a Senhora veio e vem me visitar; e sempre me trata com tanto carinho.

Confesso que consultei alguns amigos, queria saber um pouco mais além daquilo que os livros não diziam; que os sites da internet não contavam e para a minha surpresa; eles nada também sabiam; o que diziam era que ninguém falava muito da Senhora, pois tinham medo de lidar com as suas forças.

Eu fiquei confuso; pois quando pensava em sua presença, eu sentia conforto, carinho; como se deitasse o meu corpo na Terra e pudesse descansar em paz, pois eu estava protegido. Na sua sintonia, o meu corpo ainda vestido comigo, se lembra que é parte da terra que forma esse planeta, do barro que reveste esse chão. E esse pensamento nada tem de triste, pelo contrário, pois sinto que em seu nome, tenho porto seguro, posso voar além da noite e do mar, com a certeza que tenho casa para voltar.

Daí, pensando nisso, fui ficando mais tranquilo, Mamãe Nanã, pois a experiência vale por mil teorias; e se quando penso em seu nome, o seu nome me trás um sorriso; posso cantar tranquilo, pois nada tenho a temer, e por isso repito com alegria: "Salubá Nanã Buroquê!"

terça-feira, setembro 29, 2009

EROS E PSIQUE

Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

A CASA MAL-ASSOMBRADA

Era uma vez uma casa mal-assombrada. As pessoas tinham medo de passar perto dela. Conta o povo que dentro dessa casa havia fantasmas que assombravam, punham medo em qualquer pessoa viva que nela entrava.

Olha você em frente a essa casa; noite de tempestade, raios e trovões e todos os motivos para você entrar nela. Você sabe que há alguma coisa errada, mesmo assim bate na porta, a porta se abre sozinha; você entra e sente que já não foi uma boa idéia; afinal, se molhar com a chuva é uma coisa, se borrar de medo é outra. Mesmo assim, você decide continuar na casa e mesmo tendo certeza que ela está abandonada; você grita: “Hello!!! Tem alguém ai?”

Não tem! Ou melhor tem, mas não é quem você imagina...as janelas e as portas são fechadas com violência; ruídos são ouvidos, gritos e vozes que parecem vir de todos os lugares; estilhaços de vidro, cachorros latindo, gatos miando; gente gritando e você corre para a porta, não consegue abrir; tenta pular pela janela; a queda não parece te garantir vida antes da morte. Encurralado, você está preso na casa que se move; encarcerado num filme de terror onde você é o único ator; e ao subir pela escada numa tentativa desenfreada e até estúpida de encontrar algum lugar para se esconder; o medo pega você; uma presença parece se aproximar. Você fecha os olhos, não consegue tapar os ouvidos e escuta: “boo!”.

Você sai correndo escada acima; não sabe onde vai parar; qualquer lugar é melhor; quem sabe debaixo da cama; quem sabe se rezar; quem sabe se você conseguir achar um telefone; daí você se lembra do seu celular; afinal, não é filme dos anos 50, mas é claro, a operadora avisa “somente chamadas de emergências”; mas aquela é uma emergência! Socorro! Help! Você grita; já sentindo que não está sozinho; aquele fantasma filho de uma qualquer coisa está novamente bem pertinho e você dessa vez tapa os ouvidos, mas não consegue fechar os olhos e vê que o fantasma tem a cara de você e se dá conta de que por todo o tempo, a casa mal-assombrada era você...

segunda-feira, setembro 28, 2009

Ouça o seu Melhor Amigo

Quando tiver que decidir,
Não dependa do outro;
Não peça resposta ao oráculo;
Tua cabeça é teu médium,
Não precisa de intermediário.

Para onde quer que você for,
Caminhe sempre no amor;
Não olhe para trás!
A escolha é para escolher,
Não brinque de possibilidade;
O que será não volta mais.

Não pare na pista;
Atravesse!
Exerça o seu livre-arbítrio;
Caminhe!
Segue, segue;
Os passos do seu caminho.

Deixa a indecisão para trás;
Quem muito escolhe, acaba escolhido;
Decida! Mostra que é capaz
De ser o seu melhor amigo.

sábado, setembro 26, 2009

CRIANÇAS DE OXALÁ

Sinto vontade, não necessidade; e vou orar. Diante do meu altar, vejo a imagem de Jesus e minha consciência sobe escadas, voa alto em direção as estrelas; e na velocidade da sintonia, ela chega ao Amor Inicial; esse mar de compaixão que o meu amigo e professor Wagner Borges chama de Primeiro Amor; um amor que toca não só o meu intelecto, mas também cada célula do corpo que visto; sorrio! Estou nesse momento na freqüência de Cristo e medito...

Medito na causa inicial; em como e o quanto precisamos de avatares, deuses em imagens e madeiras para nos conectarmos com essa energia divina criadora que não tem rosto, nem tem forma; pois tem a cara do amor.


Vejo essa imagem de Jesus na minha frente e percebo o quanto preciso dela; pois a minha consciência é gotinha dentro desse oceano que é o Grande Criador; e mesmo sendo desse tantim assim, percebo que o Criador manda o seu amor e não se esquece de mim; e eu sei que se um dia eu esquecer novamente que Ele está aqui dentro do meu peito; Ele ficará bem quietinho, pacientemente esperando o dia do meu despertar.

Se eu dormir, Oxalá que não demore muito para eu acordar...

Penso em meus irmãos de todos os credos pelo mundo, nos diversos nomes que usamos para a manifestação desse amor (Jesus, Krishna, Buda, Xangô, Jah, Jeová, etc) e de como revestimos esse amor com as imagens dos nossos avatares como se não existisse algo além.

Medito no nosso apego pela forma e nas palavras que utilizamos para construir símiles do Divino em nossas mentes; e em como isso nos aprisiona num nível infantil do entendimento da Divindade e da nossa Espiritualidade. Daí, recordo Ramakrishna em busca da Mãe Divina em todas as religiões e A encontrando em cada uma delas. O Sábio Santo sabia que a Mãe Divina estava por trás de cada uma das faces que via; e também sabia que todas elas eram faces da Grande Mãe para que todos nós, mesmo ainda crianças em entendimento da nossa origem divinal, pudessemos nos aproximar, perceber e nos sintonizarmos com o Amor Inicial.

Sentindo esse amor puro entrar pelo topo da minha cabeça e descer por todo o meu corpo, abro as mãos como se elas fossem cachoeiras e deixo que o amor que recebo, flua para o mundo inteiro. Não tenho a menor idéia se isso é apenas coisa da minha cabeça, mas alguma parte dentro de mim, sorri, só em imaginar esse amor que flui por mim, possa mesmo alcançar o peito de quem nem conheço e o fazer também sorrir.


Sentindo que chegou o momento, vou terminando a oração e abro os olhos.

- Obrigado Jesus! – digo à imagem que vejo na minha frente que provavelmente é bem diferente da fisionomia daquele Jesus que um dia pisou na Terra; mas isso pouco importa, o importante é o significado que dou a ela e no poder que lhe dou para que exerça esse link com o Amor em mim.

MEDITANDO EM VOCÊ

- Você não vai meditar? – ela pergunta, enquanto eu a abraço; respondo:

- Mas eu já estou meditando. Meditamos toda vez que focamos a nossa consciência em algo ou alguém, já dizia o sábio guru do amor, pois quando estou com você presente, minha consciência não foge para o futuro, nem se esconde no passado; ela repousa em você, no nosso amor; e meditando nisso ocorre a mágica da meditação real: quando fazemos algo bem feito, esse algo se multiplica e se interliga com tudo ao nosso redor.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Prato Cheio

Minha mãe acredita que prato cheio é sinônimo de satisfação e abundância. Ela não acredita no mastigar, prega o engolir. Ora, minha mãe não sabe, mas todos sabem que comida engolida é sinônimo de privada entupida pelo alimento que o corpo não conseguiu absorver. Não adianta explicar para a minha mãe que o prato vazio é na verdade um prato meio cheio; pois se não encho o prato, há algo errado com a comida; se não como tudo; é “desfeita” com tanta gente que passa fome no mundo.

Foi assim que minha mãe me educou com toda a sapiência herdada de uma cultura onde mais é tudo; o problema é que a vida já me ensinou que menos é mais. Pensando nisso, olho para os livros da estante que não li; condenados a eterna pena do “talvez um dia serei lido”; comprados em nome de uma causa de fome de sei lá o quê quis aprender e que até hoje não aprendi. Não sei se essa gula por conhecimento causa enburrecimento, mas sei que ando meio obeso de tanta leitura desnecessária.

Baseado nisso, fiz uma lista de livros que adoraria ler ou reler e doei os livros que estavam mortos na estante para o sebo; lugar onde livros idosos viram criança de novo nas mãos de quem deseja realmente ler, e não que tem quê. Quando o assunto é leitura; ninguém tem que ler nada; pois assim como o prato cheio de comida; mas vale a palavra degustada e devidamente digerida do que a palavra engolida para mostrar a mãe do mundo que a nossa barriga está cheia de conhecimento, mas a cabeça vazia de sabedoria.

quinta-feira, setembro 24, 2009

CHEIA DE CARNE

No principio era o verbo;

E o verbo se fez energia;

E a energia se fez matéria;

E a matéria se fez carne;

Muita carne; carne demais de existir; carne demais para revestir os ossos; carne demais para cobrir a alma.

Vocês comem, tu comes, nós comemos; eu como por todas as pessoas; por todos os verbos; por todos os gêneros e por todo o universo que gira ao meu redor; e vou ficando cada vez maior; cada vez mais não caibo em mim.

Quero parar, não dá! Como tudo o que vejo, sou Magali! Não era assim, não era assim; e agora, a cada quilo que incorporo, a cada grama a mais, aterrorizo-me com o que vejo; mas não consigo parar. Estou grávida do desejo de me revestir de tudo o que vejo; não há mais dieta que eu não conheça; já não mais adianta fechar a boca; já não caminho, rastejo; já não vivo; vegeto!

Preciso de ajuda, antes que alguém com uma agulha faça de mim caso de enfermaria, de UTI. Preciso ter força, firmeza para mudar, antes que eu me esqueça de como eu era e só lembre como sou, do outro lado, onde não há mais carne; onde não cabe matéria; mas daí será muito tarde; pois como energia, eu sou apenas verbo e verbo sozinho não faz frase.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Rosa da Cidade

No meio do trânsito, estaciono o carro. Saio, sento em um banco e observo: as pessoas estão cansadas, voltando para as suas casas, esgotadas. Nos ônibus, nos carros, nos táxis; em trens lotados, no metrô apertado; elas estão por toda parte; algumas delas vivendo como se não houvesse nada que as interligasse; como se Deus estivesse contido apenas nas missas de Domingo, só morasse na leitura do Livro e não ali do lado; sem desconfiar que o Criador está em tudo, mesmo no caos do dia-a-dia, onde nós estamos boa parte do tempo, atuando e vivendo, provando se colocaremos na vida, a teoria que circula em nossos pensamentos. Outras dessas pessoas são como rosas; olho para elas, e mesmo no concreto da corrida para o trabalho ou na loucura de voltar pra casa, há beleza em seus olhares; como se o Criador nelas co-criasse um olhar que se abre em pétalas; um olhar que rosa, rosa que olha; de onde vem a beleza dessa rosa? Da cidade!

Saindo do caos, das rochas do cansaço, essa rosa insiste em abrir caminho, em meio ao cimento, tendo o desafio de mostrar as suas pétalas, mesmo quando todo mundo espera que não seja possível ter graça no que é aparentemente feio, detestável, indesejável.

Essa rosa tem a sua cara, parece com essa gente que insiste em viver o melhor
que pode mesmo quando tudo aponta para o contrário.

Essa gente que se diverte, ri, canta, dança e também chora; mas chora somente o tempo do choro e enxuga tudo aquilo que não for lágrimas.

Essa gente que vive bem as suas fases de vacas magras, não se esconde, mostra a face, trabalha; e mesmo com a cabeça cansada encostada na janela do ônibus; um meio sorriso é visto em seus lábios; sorriso pétala de quem faz o que é preciso para viver a vida na cidade que a TV diz ser insuportável, perigosa e opressiva; e disso ninguém tem dúvida, mas aqui, nessa selva de pedra onde se correr o bicho pega e ficar parado não se come; há beleza, há gente que estuda os mistérios do Divino e que insiste em ver o belo no cinza, no concreto e ainda grita: é lindo!

Claro, seria mais fácil, muito mais fácil, fugir da cidade; ir para qualquer lugar que não aqui e agora; escapar, fugir, buscar uma rota que não trabalhar para a sua flor despertar em meio ao cinza, ao chefe que rosna, a criança que chora, ao mendigo que implora a piedade com as mãos em concha. Sim, seria mais fácil viver longe daqui, no sul de Minas ou no Himalaia, encontrando a paz na tranqüilidade, na ausência do perigo, sem a ameaça da violência ou da morte; feliz de quem pode, mais que bonito é, essa rosa da cidade, que pratica o amar "no mather what*"; gente rosa que firma o caule, aprofunda a raiz, para que o verde que há no seu peito possa florescer em galhos fortes que sustentem as suas flores nesse Jardim de Nós Todos.

terça-feira, setembro 22, 2009

LIBERTANDO-ME TE LIBERTO

Eu te liberto
Das amarras que eu coloquei
No seu coração;

Quebro as correntes
Da prisão
A qual transformei a nossa relação;

Peço desculpas
Se ficou alguma
Dúvida sobre a minha intenção;

E se te segurei até então
Foi sem querer
Mas sei que o inferno
Está cheio de boa intenção!

Por isso liberto você
E ao mesmo tempo
Liberto a mim mesmo dessa escravidão
De não conseguir te dizer não!

House - Sexta Temporada

Ontem estreou na TV americana, a sexta temporada do House. Fica difícil explicar para quem não acompanha, a razão pela qual havia uma vigília, mesmo aqui no Brasil, pela re-estréia da série do médico mais antipático e querido do mundo.

Pensando em ajudar as pessoas que não tem a menor idéia sobre essa série, postarei abaixo, algumas frases celébres do médico que estão na boca dos fãs de todo o mundo; essas frases foram retiradas do site http://www.fotolog.com.br/caely/58410115.

Frases mais célebres do House (algumas merecem ser escritas no original mesmo... em Inglês):

"Everybody lies!" (A frase-mor. Que move todo o seriado!!

"People don't change!" (Verdade também. Acredito que as pessoas não mudam!!

"Por que Deus recebe todo o crédito sempre que algo bom acontece?" (House tem uma briga acirrada com God!!!!)

"Preciso de mais Vicodin!" (House toma Vicodin o tempo inteiro. Ele sente muita dor).

"O mundo seria um lugar melhor se as pessoas nunca se sentissem culpadas."

"Melhor eu não ver você rezando! Não vou querer brigar pelos créditos dessa vez!"

"Fazendo de propósito, evitam-se os acidentes."

"Você se surpreende ao perceber o quanto pode suportar..."

"A verdade é irrelevante."

"A constante é que as pessoas mentem, a variável é o motivo."

"Todo mundo morre."

"I don’t care" (House não se importa com seus pacientes!!)

"Todos nós temos algo do qual se arrepender."

"Você pode viver com dignidade, não morrer com ela."

"Mentiras são como as crianças: apesar de inconvenientes, o futuro depende delas."

"Como disse o filósofo Jagger uma vez: 'Você não pode ter sempre aquilo que quer'."

"Não conseguimos só porque queremos."

"Superou sem enfrentar?"

"Vai confiar em mim? Eu minto sobre tudo!"

"Deus não manca!" (Quando o Foreman disse que não queria que House se sentisse como Deus.)

"Se você fala com Deus, você é religioso. Se Deus fala com você, você é psicótico"

"Nunca ameace a não ser que esteja pronto para fazer, isso te torna fraco. "

"O seu raciocínio não presta. Para a próxima, use o meu!"

"Quando se quer saber a verdade sobre alguém, essa deve ser a última pessoa a ser consultada."

segunda-feira, setembro 21, 2009

THE WAY


Dedicated to my beloved students Wanderley and Giorgia

The way
Wanderley
Look at
Giorgia
Is the way
That all men
Should always look
At their women;

With respect
With love
With friendship
With devotion


The way
Giorgia
Look at
Wanderley
Is the way
That all women
Should always look
At their men

With devotion
With friendship
With love
With respect

A DOIS PALMOS

Por Sergio Kiss
(Texto postado na lista do grupo de estudos do IPPB)

Não podemos, a pretexto de uma busca por melhor situação espiritual ou intelectual, compactuar com qualquer coisa; precisamos de bom senso, discernimento e, principalmente, saber seguir o fluxo da vida com calma, pois ela certamente nos encaminhará para o nosso destino; é só relaxar e ir "aproveitando a paisagem", aprendendo pelo caminho com as coisas, situações e pessoas comuns. No final das contas, sempre serão elas que nos ensinarão muito mais a respeito de nós mesmos.

Uma busca desenfreada e a qualquer custo, geraria inúmeros problemas e, ao contrário do que se poderia pensar, nos desviaria do caminho, criando neuroses e idéias estereotipadas, mas, jamais nos colocaria nele. Todo desejo, mesmo o de iluminação e realização espiritual, quando fora de controle, é um tipo de prisão; é escravidão, porque desejos surgem do ego. E a diferença entre ter desejos em nossas vidas, uma atuação positiva ou não, é que, ao sabermos alinhá-los com os desígnios de Deus, tomamos o caminho da Luz, e os tornamos realizações do Cristo interno, santificando o que era, na sua origem, profano.

Mas, de todos os caminhos que o homem pode trilhar, o mais difícil deles tem apenas dois palmos de distância, que vai da cabeça ao coração, pois, quando saímos das interpretações e malabarismos mentais e passamos a atuar a partir do coração, a verdadeira luz se irradia de nós, transmutando-se no exterior sob a forma de amor e caridade.

Quem, nesta vida, já não sofreu, ou sofre, devido às cobranças, implicações e peripécias de sua própria mente que, situando tudo no contexto da razão, se esquece da docilidade e paz advindas do amor?

Não ha outro inferno além deste, onde vivem encarnados e desencarnados, sem perceberem que o "Céu", ou Paraíso, está ali a apenas dois palmos de distancia.

Peruíbe, 19 de setembro de 2009.

- Nota de Wagner Borges: Sergio Kiss é nosso amigo e participante da lista interna do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB. É coordenador de um grupo espiritual na cidade de Peruíbe, no litoral paulista. Experimenta saídas do corpo desde criança e é pesquisador de temas espirituais e conscienciais.

sábado, setembro 19, 2009

WHY RUSH?

Os olhos de Débora brilham e brilham, enquanto ela sobe a trilha do conhecimento.

Faminta pelo mundo, coração transbordando de amor, ela anota tudo e cada coisa em sua agenda, em seu caderno; corre e corre, pesquisa, estuda por conta própria e pergunta: "onde vou parar?"

E isso importa, Débora?

O importante é caminhar, aprender, desvendar; discernir, saber, compreender e VER de VERdade. A idade, querida aluna, pouco importa; o que importa é a maturidade de não jogar fora aquilo que está se apresentando.

Os presentes estão chegando, mas não queira catar tudo, saiba dar o devido valor; só assim para que a porta continue aberta e também a janela.

Enquanto isso, repita o mantra: why rush?

sexta-feira, setembro 18, 2009

JERRY LEE LEWIS - THE ETERNAL MATADOR

Não! Essa crônica não é sobre o comediante; escrevo sobre o Rei do Rock and Roll. Como assim, Elvis? Chuck Berry, que nada! Os Beatles eram fãs do Mr Lewis, os Rolling Stones copiaram a sua loucura e a atitude. Antes mesmo que Jimmy Hendrix pensasse em destruir a sua guitarra; Jerry já queimava o piano.

Ouço o The Killer desde 1989. Foi nessa época que comecei a ouvir goldies e rock and roll dos anos 50, que alguns amigos disseram ter um nome meio moleque: rockabilly! Sei lá, qual era o melhor nome, mais eu simplesmente pegava fogo quando ouvia os acordes de "Great Balls of Fire". Sabia de cor os versos de "Wild One" e lia tudo o que eu podia sobre os rockers dos anos 50. É claro, que sendo o Brasil, naquela época, um país fora do mapa do show bussiness, eu jamais teria a chance de ver esses caras, que apesar de terem feito sucesso num tempo em que eu devia ainda estar encarnado em outro planeta, continuavam tocando e se apresentando pelo mundo em suas turnês. Sorte minha: eu estava errado! Em 1994, Jerry Lee veio ao Brasil.

O problema de se ter um gosto musical fora do convencional é o fato que não podemos compartilhar com quase nínguem o que gostamos, as novidades que descobrimos ou irmos com alguém querido para um show como esse quando temos a oportunidade. A minha sorte número II foi que eu tinha uma amiga em 1994 que estava aberta a novas descobertas musicais (ou estava sendo nice comigo); de qualquer forma, fomos juntos ao show, que ocorreu em algum lugar de Moema; não lembro bem onde, mas sei que havia outros tantos milhares de malucos topetudos e vestidos com jeans, camisas brancas e jaquetas de couro por lá pronto para curtir o melhor show de rock'n'roll da Terra. Eu estava em casa; Tatiane não. Sim, Tati foi comigo e foi iniciada naquele mundo de malucos apreciadores de rock antigo; porém, nunca soube ao certo se ela gostou da apresentação. Eu não!

O que eu esperava? Que o Jerry estivesse ainda com o folêgo de Breathless?

Ele tinha envelhecido e bem; cantou mal, desafinou, saiu do palco antes do tempo certo do final de show. Algumas línguas disseram que ele estava high, outras que apenas tinha bebido. Eu, por outro lado, ví um ídolo caído e é claro, quando me perguntaram o que eu achei do show; respondi de imediato: "foi louco, ensadecido, maravilhoso"; e qualquer outro adjetivo que não descrevesse o meu desapontamento.

Com o tempo, esqueci sobre isso. Fiquei com a boa memória de ter visto em carne e osso, um ídolo.

Hoje, Jerry Lee se apresenta novamente em São Paulo. Os tempos são outros, não tenho mais aquela vontade de vê-lo novamente, mesmo sabendo que o The Killer está na estrada, firme e forte, depois de um novo enfarte.

Gosto da idéia de vê-lo ativo, tocando, surgindo sempre do limbo como alguém renovado, mas confesso, lá no fundo, há um fã com medo de ser novamente desapontado.

Insight e Inblind

É insight?

Te dá prazer?
Fará algum bem ao outro ou a você?
Te dá esperança?
Faz você viver o novo como criança?

De onde vem o insight?
Não sei o segredo;
Não sei a forma;
Só sei que o insight
Se infiltra;
Pede passagem;
Incita;
Dá coceira nas idéias;
Sacode os pensamentos;
Faz dançar a nossa alma;
Faz rever os pensamentos;
Reformula e amplia a nossa visão de mundo.

O insight vem de dentro;
Como se dentro da gente
Houvesse portas, janelas;
Que abrem para outro lugar!
Será que existe
Um local que não é dentro, nem fora
Aonde o insight mora?


É inblind?

Te dá dor?
Discrimina os outros?
Limita as suas asas?
Faz você temer o novo como uma criança teme o escuro?

O inblind
É como goteira
Que perturba a nossa cabeça;
Que rouba a nossa atenção;
Que pré e que pró ocupa a ação;
Faz ranger os dentes;
Faz perder cabelos;
Faz chorar e faz temer;
Faz sofrer e faz parar.

O inblind vem de fora;
Cega, cega a nossa alma;
Como se não houvesse luz na nossa casa;
E tudo fica escuro;
Até que a coisa passa
E a gente fica com cara
De cequeira temporária
Atoa.

quinta-feira, setembro 17, 2009

QUEM SABE O TEMPO?

Estou preso no pensamento
Do que desejo;
Vivo uma vida além daqui
No retrato do porvir;
Quadro que crio quando a minha mente estica;
Se vai e fica no pensamento que cria vida;
Daí a pesco de volta; e ela retorna
Mas quando volta, volta torta;
Com saudade, sentindo falta
De uma idade
que não viveu;
Será realidade?

Se não fui eu,
Quem é que viveu o que pensei?
Não sei quem pesca esses pensamentos
E os transforma em momentos;
Quem sabe é o tempo?
Quem sabe o tempo...

quarta-feira, setembro 16, 2009

O Pescador de Pensamentos


Eu vi o pescador de pensamentos
No topo de uma cachoeira;
Ele tinha um balde cheio de sonhos disperdiçados,
Pescados da minha cabeça;

Pedi que devolvesse meus pensamentos sonhados
e não realizados;
E ele respondeu:
"Pensamento pescado, não é roubado;
Quem os perdeu, foi relaxado!"

terça-feira, setembro 15, 2009

PATRICK VIROU GHOST

Vítima de câncer, o ator americano Patrick Swayze morre aos 57 anos"Você percebe que o seu tempo está passando quando os seus ídolos começam a ir embora"; Tati pensou, quando acordou aquela manhã com a nóticia na porta, que o seu ator favorito tinha morrido.

Estava triste, gostava do Patrick, sabia das falas do "Dirty Dancing" de coração; acompanhara até os filmes sem expressão do ator nos anos 80, e chorou com o mundo inteiro e com a Demi Moore em "Ghost"; torcendo que aquele filme levantasse a carreira de Patrick; vai entender, de lá pra cá, o cara mal atuou. Nos últimos tempos, tudo o que ela sabia dele é que ele anunciara possuir aquela doença que só mata e que o matou.

"Só o corpo", convenceu-se ela, anunciando uma crença espiritualista - "pois a alma apenas entra e sai de corpos perecíveis", repetiu pra si mesma; imaginando um céu de cheio de atores representando os papéis que foram na vida.

segunda-feira, setembro 14, 2009

A linguagem do mundo

A linguagem do mundo
É um livro aberto
Cada experiência
É uma palavra
Só não enxerga
Quem esta cego

Cada palavra
É um símbolo certo
Só compreende
Quem interpreta

Ver é interpretar
Interpretar é questionar
Questionar não é duvidar
Duvidar é teimosar
Teimosar é atrasar
Atrasar é ler por ler
Ler por ler é se cegar

domingo, setembro 13, 2009

SABEDORIA DE GOLFINHO


Do balaio de gato saiu o golfinho,

Dizendo que era esperto

Para se manter longe do homem;

Mais um pouquinho burro

Por querer ficar perto!

O sonho do golfinho é ser gente!!!

Caminho das Pedras - Reflexões de uma atriz

Lançamento do Livro Caminho das Pedras
Autora: Leona Cavalli
Organizador: Livro Falante
Tipo: Música/artes - Festa de lançamento
Rede: Global
Data: quarta, 16 de setembro de 2009
Hora: 18:30 - 21:30
Localização: Livraria Cultura - Conjunto Nacional
Endereço: Av. Paulista, 2073 Térreo
Telefone: 1131704033

Descrição: Lançamento do livro Caminho das Pedras, de Leona Cavalli, com o monólogo Máscaras de Penas Penadas, de Ana Vitória Vieira Monteiro, acompanha o áudio-livro com trilha de Chico César, que fará uma apresentação ao vivo.
Em São Paulo dia 16/09 na Livraria Cultura - loja das Artes

sábado, setembro 12, 2009

PETRA

Um vento me levou para a Jordânia, como voo fácil, não tive resistência, deixei-me levar pelas terras do Oriente Mèdio, pelas dunas do deserto, cruzando as terras sagradas, até chegar no labirinto de pedra que revela a princesa da Jordânia: Petra!

Não estava sozinho quando cheguei na cidade maravilhosa esculpida em pedra, havia uma índia ao meu lado, uma cabocla vestida de árabe, perguntei: és Beduína? Ela respondeu: "sou maranhense!".

Vai entender! Se era sonho, era sonho dos mais loucos, afinal, o que estava fazendo um Paraíba Vagamundo com uma dançarina maranhense em pleno Oriente Médio, nessa terra de gente tão diferente? Minha maranhense respondeu: "estamos em casa!"

Sim, toda terra é da gente! Meu quintal é o universo. Sou filho desse continente chamado Terra, por isso voo por onde o vento me levar, descobrindo, revelando em crônicas com rimas, em rimas sem crônicas, que Todos os Lugares São Um Só!

BASTIDORES DE UMA PSICOGRAFIA

Aniceto sentiu a presença do Dr. Belarmino se aproximando. Inclinou-se levemente em direção à mesa, de forma que a sua mão esquerda cobrisse seus olhos e sobrancelhas e sustentasse a sua cabeça, e com a mão direita começou a escrever a mensagem que o famoso médico do astral queria passar aos seus leitores.

" Caros irmãos da luz

Que a luz do Mestre Jesus esteja presente em vossas vidas. Com a permissão das mais sutis ordens celestiais, venho por meio dessa mensagem, revelar que os textos do nosso irmão Aniceto são tão importantes quantos os meus. Prestem atenção aos textos que os nossos irmãos escrevem na Terra, pois eles são tão valiosos quanto estas linhas que fluem pela graça de Cristo".

Aniceto parou de escrever, levantou a cabeça e olhou para o espírito do Dr. Belarmino. O médium era clarividente, por isso via nitidamente o médico ao seu lado; (ele só baixara mesmo a cabeça para escrever, por força do hábito).

- Doutor - disse Anaceto - Não acho que seja uma boa idéia esse seu texto.

- Irmão Aniceto - respondeu o Dr. Belarmino - É chegado o momento dos meus leitores perceberem que parte do que eles pensam vir do astral, é escrito também por suas mãos.

- Mas, Doutor, o pessoal não curte muito esses textos anímicos. Se o texto não for psicografado, ele não será levado a sério. Veja bem, antes do senhor aparecer, eu tentei, sem sucesso, publicar cinco livros de poesias, dois de crônicas e oito romances; e até hoje espero a resposta das editoras, e bastou um livro do senhor para a coisa voar rapidamente, tornei-me um dos autores
espíritas mais lidos de todos os tempos. Ultrapassei até os Gasparetos!

- Meu irmão de caminhada! Esse trabalho da luz em forma de informação não é para todos; mas você nasceu com esse dom; e não precisa estar na lista dos mais vendidos para ser lido e ter as suas idéias multiplicadas. O milagre dos pães do Mestre Jesus acontece sobretudo com as letras. Se você for lido por uma pessoa, já bastará o trabalho de ter escrito algo.

- Doutor Belarmino, eu sei que o senhor por estar no astral vê tudo com mais clareza, mas o pessoal aqui na Terra ainda não esta preparado para aceitar isso. A maioria das pessoas prefere qualquer música que venha de fora, só porque é algo estrangeiro. O mesmo ocorre na literatura espírita; se não for psicografado, deve ser uma desses livros espiritualistas com teorias absurdas e malucas. Ninguém leva a sério!

- Seus irmãos de senda precisam compreender que tanto os textos anímicos quanto os psicografados são valiosos. Você também é espírito, Aniceto, por isso psicografe o seu coração e deixe a inspiração guiar as suas letras. Essa é a minha última visita, por isso, não tenha medo, os seus e os meus leitores compreenderão que o mais importante é a mensagem escrita e não o autor.

Dr. Belarmino se foi, deixando para trás um Aniceto confuso, perdido em dúvidas; será que seus leitores compreenderão que ele é também o autor daqueles ensinos maravilhosos?

Um novo livro saiu nas bancas, e para a surpresa dos leitores que faziam fila para ler o próximo livro do Dr. Belarmino, eles viram apenas na capa do livro o nome de Aniceto. Uma introdução assinada pelo famoso médico espírita conclamava a todos que lessem sem preconceito aquele livro escrito sob a pena do amor e da compaixão cristã.

Só podia ser brincadeira, diziam alguns; outros, nem se deram o trabalho de ler o livro. Fracasso total, foi o que disse o editor da Editora Nossa Casa.

Aniceto estava arrasado. Diante do abandono do público, ele percebeu que estava muito acostumado à fama, a ser lido, mesmo que tivesse que dividir o mérito com um outro espírito. Os meses se passaram e o Dr. Belarmino não voltou.

Apesar do esquecimento dos leitores, as idéias não paravam de fluir da sua cabeça e ele começou a escrever vários romances, mensagens e poesias. Nunca tinha escrito tanto. Era estranho, mas aparentemente, depois que o médico tinha ido embora, mesmo sem leitores, mesmo sem livros vendidos, a sua inspiração aumentava cada vez mais e por conta própria.

Enfim, Aniceto publicou o seu primeiro livro. Vendeu 25 cópias; o segundo, pulou para 100; o terceiro foi a 500. Para quem vendia 500 mil cópias com o Dr Belarmino, aquela tiragem era quase nada, mas Aniceto percebeu que era livre para ousar, criar e reinventar sempre o que queria. Os seus leitores começaram a aumentar e logo, Aniceto se tornou um autor conhecido fora do eixo espírita, e as suas palavras eram repetidas, multiplicadas, lidas, interpretadas,
discutidas, e em algum lugar do mundo astral, o Dr. Belarmino sorriu, contente, com o que viu; e ele podia continuar em silêncio, guiando o escritor, como sempre fez, inclusive quando Aniceto pensava que o via e que era o médico que dizia as palavras que o próprio Aniceto escrevia.

sexta-feira, setembro 11, 2009

ZAPSLAM!!! Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

Sarau, microfone aberto, palavras soltas no ar. Outro Zap, outro momento para os poetas urbanos soltarem as vozes, libertarem os versos e celebrarem esse ritual da poesia coletiva que já tomou conta das segundas quintas de cada mês em minha agenda e na rota poética desses tantos apreciadores da melodia das letras.

Porém, os saraus do Núcleo Bartolomeu são muito mais do que uma reunião de poetas anônimos, na verdade, eu estava numa festa com amigos. Muita música, filosofia, leitura de trechos de livros, poesia lida; rima feita na hora! Gente com vergonha, gente sem vergonha; e vontade de passar a noite jogando rimas, brincando com as palavras, ouvindo e curtindo cada segundo.

A palavra sarau vem do latim seranus e na maioria das vezes, é um evento cultural ou musical realizado geralmente em um lugar particular onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem artisticamente. Um sarau pode envolver dança, poesia, leitura de livros, música acústica e também outras formas de arte como pintura e teatro. Porém, a sua origem é mais antiga; as reuniãos de poesia, as festas regada à música e a arte nos levam pelos mares da história para as encenações teatrais gregas que eram dedicadas ao culto a Dionísio, o 13º deus do Olimpo. Etimologicamente, "Dionísio" significa o filho de Zeus (os romanos chamaram-no de Baco). Na época da colheita, as comunidades rurais dedicavam ao deus festivo, cinco dias de folias ungidas com muito vinho. Em certos momentos, vendo aqueles poetas trocando palavras, disputando rimas; olhei para a minha mesa, para as outras; e a impressão que eu tinha, era que estavámos nos antigos rituais dionísicos, onde a única finalidade era cultuar a arte, a cultura, a música e a expressão.
Não era apenas um sarau, estavámos numa celebração da palavra; e eu não era o único que se sentia assim, todos estavam se divertindo, contentes em participar, felizes em ouvir aquelas palavrinhas soltas no ar: Evoé Baco Evoé!!!"

IÓ, IÓ, IÓ!

Zapslam, mês que vem, eu tou de volta!!!


Foto e mais informações: http://zapslam.blogspot.com/

quinta-feira, setembro 10, 2009

Do Diário do Vagamundo Kid II


BARCOS E BUEIROS

Quando chovia,
Os cantos das calçadas das Quadras se transformavam em rios.

Cada moleque criava um barco; e competíamos,
Acompanhando os nossos barcos pelos rios,
Apostando figurinhas dos craques da seleção canarinho.

Os barcos eram feitos de caixas de fósforo vazias, e
Os adultos não entendiam aquela gritaria toda
E aqueles moleques seguindo a água sendo levada bloco abaixo
Em direção aos bueiros e esgotos.

Era uma grande diversão.
Não lembro se ganhava muita figurinha, mas meu barquinho sempre vencia as competições.

O segredo era que os meninos sempre usavam as caixas com a capa e a parte de dentro, onde fica os fósforos;
eu sempre tirava essa parte e a capa da caixa seguia como se fosse uma Ferrari pelas ruas de Cruzeironopólis.

Era realmente meu tempo de erê!!!

TEMPO DE SER ERÊ

Para onde vão esses meninos?

Para a vida, Graça! Para o mundo, Dino!

Deixe que os meninos corram pelo cerrado, que se escondam entre os arbustos, bebam água da fonte, se aventurem, vivam!

Deixe que aproveitem a infância; que sejam crianças, que brinquem com tudo e o tanto que puderem, pois o mundo adulto vem à galope e quando nos damos conta: já somos gente grande, e gente grande é chata!

Deixe que descubram os areais, que vasculhem as matas; que brinquem de pique-esconde e pique-levar-as-coisas-a-sério-não-tá-com-nada; que soltem pipas e joguem bolinhas de gude, que leiam gibis e pulem o muro da escola; que construam as suas identidades na idade certa.

Há tempo para tudo, incluindo tempo de crescer; e crescer pode ficar para amanhã, pois hoje é tempo de ser erê.

quarta-feira, setembro 09, 2009

MULHERES QUE APANHAM

Era um sábado ensolarado quando eu cruzei com um antigo amigo que já tentara me matar. Seu nome era André e a nossa amizade seguia firme e forte até que surgiu Mariana... sim, essa é uma crônica sobre um triângulo amoroso com doses de tragédia grega.

Mariana era a mulher que eu amava; a mulher que eu queria do lado; mas foi o destino que quis que ela só fosse feliz nos braços de outra pessoa; essa pessoa era o meu amigo André, sujeito que em pouco tempo eu tinha aprendido a gostar, a respeitar e a quem eu só queria o melhor, até desejar o pior: que ele não tivesse a mulher que eu queria comigo.

Ela era a minha amiga, ele meu grande chapa; O que fazer e dizer?

Não havia nada a não ser sair da frente; do caminho e foi o que fiz. Lembro ainda da noite em que André me ligou dizendo que só ficaria com Mariana se estivesse tudo bem comigo; não estava! Mas se a felicidade deles dependesse da minha dor de cotovelo, que caísse meu braço esquerdo e depois o direito, pois não há nada que se possa fazer quando a mulher dos seus sonhos quer outro e não você.

Eles ficaram juntos e se enamoraram. André continuou meu amigo; Mariana também, pois continuou a frequentar a minha casa como amiga; sem André saber, pois junto com o amor de André, ela conquistou também o ciúme dele por tudo e de todos, até do amigo que ele sabia que não poderia nada fazer além de ser um amigo dela.

O ciúme saltou das brigas verbais para a agressão física; certo dia, Mariana veio me visitar e mostrou as marcas no pescoço de uma briga com o seu amor. O que fazer e dizer?

Mamãe me ensinou que em mulher não se bate nem com uma pétala de flor.

Não sei se você sabe, amigo leitor, mas segundo as pesquisas dos Órgãos de Defesa da Mulher; por ano, mais de 2 milhões de mulheres sofrem espancamentos graves no Brasil. Fazendo uma conta meio tonta, isso representa: 175 mil mulheres agredidas por mês; 5.800 por dia; 240 por hora; 4 por minuto; ou seja, a cada 15 segundos, uma mulher é espancada no país.

Mariana era uma mulher inteligente, mas agia inocentemente quando o assunto era o seu companheiro: “vou mudá-lo” dizia ela, convicta que poderia encantar a violência com a magia do seu coração.

Enquanto conversávamos, o interfone tocou; era André; e como em uma cena clichê dessas novelas mexicanas-brasileiras de amor e traição; ela saiu, bem à tempo, dele entrar em cena; invadindo a minha casa, olhos de Hulk banhados em fúria, ciúme, raiva e com punhos prontos para o ataque.

- Onde está Mariana? – ele perguntou, procurando a imagem da sua amada nos cômodos da minha casa, sem saber que ela só estava agora na minha alma.

- Ela não está aqui! – respondi o óbvio, querendo que não fosse verdade; desejando secretamente que ele tivesse nos flagrado em uma cena ardente e eu assim, apanharia feliz, pois apesar de não ser gente de briga, luto pessoalmente por amor.

André era um Golias e eu não tinha o menor perfil de Davi, daí a vitória já era dele; mas confesso: eu tinha o desejo secreto que ele estivesse certo, que ela estivesse traindo a violência dele com o meu carinho, mas ela me rejeitara; talvez porque eu era amigo demais para que o seu corpo explodisse em erupções de reações químicas amorosas; talvez porque eu fosse para ela apenas um par de ombros e orelhas amigas.

Diante daquele homem prestes a cometer um Franquicídio, me perguntei: por que razão ele batia em Mariana? Por que a agredia?

Na estante, os livros de psicologia diziam: desvio psicológico, baixo estima, impunidade, sentimento de dominação, imaturidade, etc. Muitas eram as razões, explicações, mas nada justificava agredir uma mulher. Contudo, estava claro para mim, que se existia um motivo para eu estar vivenciando aquilo, era para que eu lembrasse da importância de tratar a todos com respeito e solidariedade; principalmente as mulheres, as crianças e os mais velhos.

Para André, contudo, só havia o impulso, as emoções mais primatas tomando conta de seus movimentos, dirigindo os seus pensamentos. Naquele ser ciumento e colérico não havia o menor sinal da presença do meu amigo.

- Vou te dizer uma coisa – disse ele, segurando o meu braço – Se eu souber que ela voltou aqui ou que você se aproximou dela; pode acreditar: eu a mato! - e soltou o meu braço, mas continuou - Se eu souber que você ligou para ela, eu vou arrebentar tanto a sua amiga que você vai perceber que estou falando sério. Se quer o bem dela, se afaste e a esqueça– disse, concluindo a sua ameaça, e depois partiu, batendo a porta.

Respirei fundo, orei aos Deuses que protegesse Mariana.

Diante das ameaças, não tive dúvida, obedeci! Tinha receio que algo ocorresse com ela; daí, ignorei os seus telefonemas; fiz de conta que eu não era mais o seu amigo; e o tempo nos afastou e foi apagando os rastros dos meus sentimentos; e algumas voltas da vida depois; eu já estava em outro estágio; com alguém do meu lado que jamais aceitaria qualquer movimento dos meus braços que não significasse carinho.

Onze anos depois, num sábado ensolarado, eu esbarrei com André. Meus olhos tentaram fugir, quis trocar de rua, evitar o encontro; mas para a minha surpresa, ele veio em minha direção. André tinha a cara do meu antigo amigo e não daquele ser ensandecido que deixara aquela última imagem na minha memória.

- Frank!!! – disse ele sorrindo – Há quanto tempo!

Elegância. Essa é a palavra para descrever como ele me tratou e como conversei com ele. Sim, ele ainda estava com Mariana e eles tinham três filhos.

- Vou encontrar-me com Mariana! Quer vir junto? Ela vai adorar te rever, depois de tanto tempo!

Agradeci o convite, disse que tinha compromisso, claro, menti! Não que eu ainda tivesse algum sentimento por ela ou mágoa por ele; bem longe disso; mais achei que não convinha; foi melhor me despedir, prometendo manter contato; mas fiquei contente em saber que Mariana estava bem e era mãe de três crianças; quem sabe ela não conseguiu mudá-lo; quem sabe ele não procurou ajuda e se tornou um novo homem. Gosto de pensar nessas possibilidades, afinal nessas histórias de ciúme e violência, quase sempre o final é infeliz.

terça-feira, setembro 08, 2009

ZAP - 10 DE SETEMBRO


AGORA TODA 2ª QUINTA -FEIRA DO MÊS!!!!!
Dia 10 de setembro (quinta-feira), no Núcleo Bartolomeu
Programação:
19h Exibição de Filme
20h o microfone estará aberto pra quem quiser falar sua poesia (texto ,prosa,etc),
21h SLAM!
Mas que raios é um "SLAM"' ???
Basicamente é uma "batalha"de poesia,um campeonato onde a palavra falada é o foco central.
Valem poemas,bem como prosa,textos-depoimento,etc...O foco além do conteúdo é a performance,como os textos são apresentados.Pra participar É só chegar e se inscrever na hora com o apresentador! Qualque rpessoa pode participar não tem pré requisito,o lance é a DIVERSIDADE!
GRATIS!!!É só chegar e mandar ver na hora!

REGRAS:
1) Um poema (ou texto) por vez, devendo ser de autoria do poeta (podem ser lidos)
2) Sem acessórios, sem figurino, sem acompanhamento musical.
3)Os poemas devem ter no máximo 3 minutos, mais dez segundos de bônus.

PRÊMIOS :LIVROS!!!!LIVROS!!!!! Esperamos vocês!
1,2,3....ZAAAAAAAAAAAAAAAAP!

Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
R. Dr. Augusto de Miranda, 786 – Pompéia tel.38039396/83435754
Próx ao Sesc Pompéia e ao hospital São Camilo

O SOFÁ, O POLVO E OS OUTROS

Há uma força oposta ao seu prosseguir que deseja o seu ficar aí; levanta, anda! Deus te fez homem, te fez mulher para ser aquilo o que você quiser, é você quem manda; e você pode ser tanta coisa além de enfeite de poltrona, imã de televisão; use o controle remoto da sua razão e mude de canal, faça a sua programação, saia da sala e olhe a janela: há um mundo inteiro lá fora a sua espera.

Não se assuste! Dê o primeiro passo, caminhe, carregue o seu cajado e desconfie de certos pensamentos que se repetem em determinados momentos, pedindo que você mantenha certos comportamentos; vozes estas que te enchem de medo, te ameaçam com o vazio da derrota, com o receio da loucura; insano é passarinho em gaiola, flor cortada, e você, ser das estrelas, desperdiçado numa vida que não vale a pena.

Sua alma é gigante, faça a sua história; não espere que a inércia entupa os vasos do seu coração com uma vida onde a única emoção é a emoção dos outros. Saia da apatia, grite, chore, faça um escândalo com tudo aquilo que desejar te transformar em mais uma rocha. O mundo está cheio de rochas, montanhas não fazem poesias.

Filtre o livro, a revista; não acredite em tudo o que você vê na TV; desconfie do que diz o outro e principalmente das vozes que se disfarçam de idéias e que em ondas de manipulação se revestem de palavras e se escondem nas suas fraquezas, se espreitam nas suas sombras, se deliciam com as suas quedas, fortalecendo as suas derrotas e alimentando o seu coitadinho da alma que tudo maldiz, tudo reclama, e chora o quanto está infeliz por ter sido esquecido pelo Divino que não escuta as suas preces vazias, recheadas de pedidos inúteis que são tudo o que você deseja e nada daquilo do que você realmente precisa. Lembre-se: há uma força apostando que você não tem forças para caminhar!

Levanta, ande! Persiga o que você quer. Negue Deus se for preciso; não se preocupe: Ele continuará a existir e te cuidar, mesmo que você diga que Ele nunca foi o seu amigo ou finja que Ele foi esquecido. Não importa o que você faça, abra a porta, saia! Corra e descubra o mundo, levante o véu do receio que você não tem direito a sua parte do queijo. Estruture o seu discernimento, para quando você cruzar novamente com o mundo espiritual, você saiba controlar seus pensamentos e alcance a certeza plena que Ele não é apenas o fim, e sim, o começo e o meio. Não se chega ao Céu, pois carregamos o paraíso no peito o tempo inteiro e nesse percurso, o que fizermos de coração pensando no bem maior de quem cruza a nossa estrada, já será um bem de bom tamanho. Nisso, reside o segredo do tesouro do fim do arco-íris: todos os caminhos acabam no bem estar dos outros.

Suprema ironia: tudo o que você fizer para seu bem, ajudará todos os outros; e se mesmo ao chegar nesse passo dessa longa caminhada, as vozes ainda insistirem na zona de conforto, no gozo dos braços do polvo que se veste de sofá; confie que maior é a sua força, mais forte é a sua vontade de mudar, de se soltar, e se alguém te disser que essas vozes são assediadores, espíritos ou demônios, pegue um espelho e veja: não há nada no inimigo que não seja o reflexo de nós mesmos.

segunda-feira, setembro 07, 2009

A MUDANÇA E OS GIBIS

Depois reclamam que virei Vagamundo.

Antes dos sete, já havíamos mudado duas vezes de casa e meu pai anunciava a terceira mudança. Minha mãe brigou, mudaríamos para uma casa menor. Eu não ligava se era maior ou menor, aos sete anos de idade, a sua casa é o mundo além da porta de casa.

Mudamos do Bloco A, da quadra 1403 para quatro quarteirões abaixo, o Bloco B da Quadra 803. Um quarto que mal cabia as nossas coisas; não era um dos dias mais felizes para a nossa família.

Mudança sempre é estressante, mas naquele ano de 1982, eu descobri uma coisa que mudaria minha vida pra sempre: o gosto pela leitura e veio num gibi que achei na casa nova. Uma edição rasgada do Herois da TV.

Eu não conseguia ler direito, mas as figuras e as poucas palavras que dominava foram me guiando pela estória. Eu estava na segunda série, já conseguia escrever meu nome, o nome do meu país, o do Presidente Figueiredo e os nomes dos meus pais; mas aprendi facilmente a escrever todos os nomes dos heróis dos gibis que começaram a surgir a partir daí.

Na Escola Classe 06 do Cruzeiro, eu era um leitor prodígio. A Tia Terezinha contava com orgulho sobre o seu aluno Francisquinho que conseguia ler qualquer nome que ela escrevia na lousa.

A minha biblioteca era as bancas de jornais, com seus milhares de gibis.

Enquanto meus irmão pediam Caloi ou Atari, tudo o que eu queria era o novo gibi dos meus heróis. Meus pais pensaram em pedir ajudar ao perceber que eu vivia calado, sozinho, encostado nas paredes do bloco lendo gibi. Meu pai até criou um campeonato de futebol para tentar me tirar os gibis, não conseguiu.

- Deixa o menino ler, Dino! – dizia a minha mãe.

- Esse menino vai acabar louco de tanto ficar lendo, Graça!

Era duro saber que filho não seria um jogador de futebol, um médico, um deputado ou militar; estava na cara e nos olhos brilhantes do moleque que ele estava mesmo condenado ao mundo das letras.

domingo, setembro 06, 2009

Deuses que Dançam

Recebi um e-mail de um leitor preocupado com a minha fé. Ele dizia que rezou muito pela minha alma pois percebeu que eu não acreditava em Deus, depois que ele leu o meu texto "os Deuses estão dormindo". Agradeci a mensagem e a consideração, e disse a ele que não havia motivo para que ele perdesse as suas noites de sono, pois eu acreditava sim; mas só em Deuses que dançam.

Porém, antes que eu enviasse a mensagem, comecei a ouvir um som de atabaque atrás de mim e ao virar-me para ver de onde vinha o som, vi os lindos Orixás chegando na minha sala, dançando e cantando, e saudando esse escritor. Saudei cada um deles, pedindo mil axés ao povo africano que nos deu tão bela herança. Vi também Nataraja em sua dança da transformação; os Celtas com os seus festivais de fertilidade onde a dança e o amor eram festejado em comunhão com os Deuses; os japoneses dançando o Kagura; os Dervixes com o seu girar de amar; as dançarinas egípcias agradecendo a colheita à beira do Nilo e outros tantos Dançarinos do Divino pedindo passagem, transformando a minha sala numa Sapucaí.

Daí, não resisti, saí da frente do computador e comecei a bailar na minha sala com os Deuses que dançam. Quem visse diria que enlouqueci; quem sentisse o que senti, perceberia, que diante dessas emanações de amor e sabedoria que vem dos confins dos multiversos, não temos nada mais a fazer além de dançar; ou escrever crônicas e poesia.

Os meus Deuses dançam! E o seu? - perguntei ao leitor no final da mensagem, mas ao invés da tecla "enviar", escolhi "cancelar". Optando por mandar a mensagem para o limbo, lugar onde os deuses sisudos que levam a fé muito a sério devem morar.

sábado, setembro 05, 2009

Do Diário do Vagamundo Kid:


OS PEIXES CAEM DO CÉU

Acabou de chover. Caminho pelas quadras do Cruzeiro com um amiguinho que já não me lembro o nome.

Vejo um peixinho morto no chão.

Seguro ele na minha mão e o moleque, olhando a cena, diz:

- Você sabia que os peixinhos caem do céu?

A BONECA QUEIMADA

Moleque se assusta fácil.

Derreti o rosto de uma das bonecas da minha irmãzinha para assustá-la.

Mas desisti!

Eu que, no final das contas, não consegui mais dormir; ainda hoje sonho com o rosto da boneca queimada.

MÃO DE FOGO

Quando tinha blecaute nos blocos do Cruzeiro, a molecada corria solta para assustar uma a outra. Testes de coragem eram fundamentais: em um deles, teríamos que enfrentar a ameaça da Mão de Fogo.

A Mão de Fogo pertencia a um fantasma que habitava na lixeira do terceiro andar. Muitos ouviam barulhos e as crianças relatavam terem sido perseguidas por uma mão incandescente pelas escadas do prédio onde morava.

Subimos no escuro.

Meu irmão, o Zé, o Roberto e outros moleques (minha memória está cansada demais para inventar outros nomes) e até o segundo andar estava tudo bem e tudo escuro; mas quando chegamos no terceiro, vimos um brilho, uma luz vindo em nossa direção e o pânico foi geral, cada um caiu em cima do outro e rolamos pelas escadas. Por sorte não nos machucamos; contudo, a luz, na verdade, era de um morador que saiu com uma vela na mão para ver o que os moleques estavam aprontando no corredor no escuro.

É claro que só eu, o Zé, o Roberto, o meu irmão e os outros moleques sabemos disso; para todos os outros meninos que nos desafiaram, aquele encontro acabou com a Mão de Fogo derrotada por nós.

Coisas de menino.

O PRIMEIRO ECLIPSE

Era o meu primeiro eclipse.

A lua esperava pacientemente a aproximação do galã, que foi chegando sorradeiramente e fazendo a dança do acasalamento. A lua aceitou o convite para a dança e o sol cobriu a lua com o seu brilho e a lua o envolveu em sua sombra.

O céu explodiu em cores mágicas e paralisou um certo neguinho que voltava da escola e nunca tinha visto cena igual.

O Cruzeiro parou; os carros estacionaram; as pessoas para o alto olhavam; até as crianças pararam de brincar e todos olharam para o céu dourado com aquela sombra mágica; e de repente, o menino se deu conta, que já não olhava para o céu, e sim para as pessoas; daí pegou um pedaço de papel, uma caneta e escreveu:

“ No dia em que o Sol casou com a Lua
Toda mundo olhou para cima
Eu olhei para as pessoas”


Foi o meu primeiro poema também.

Talvez não tenha sido exatamente isso que escrevi, mas foi algo assim.

MEU IRMÃO MAIS VELHO

Meu irmão é o Tom, eu sou o Jerry; ele corre atrás de mim com uma faca na mão; pensando bem, ele deve ser o Jason e hoje é Sexta-Feira 13; eu paro, cansado; ele ameaça me matar, só ameaça; eu peço arrego e digo:

- Tá bem! Eu conto para a Minha Mãe, que fui eu que abri a lata de leite condensado!

- Você aprendeu a correr rápido, moleque! – diz ele rindo. Sei lá, desconfio que além do ódio mortal e da competição natural, meu irmão mais velho me respeita.

EU ODEIO A MINHA IRMÃ

Desde que a minha irmã chegou, os olhos dos meus pais são todos para ela. Por isso, eu, o Chico Tampa e o Zé Tabaco, odiamos ela tanto. Quero dizer, desde que ela começou a sorrir, o Zé, o irmão mais velho virou a casaca e passou a gostar dela; o mais novo ainda não tem opinião formada, seguiu o Chico e eu fiquei com a minha guerra pessoal, até o dia em que houve aquela chuva.

Caiu o céu e a terra tremia. Faltou luz, e meus pais jogavam alguma coisa que eu não sei bem se era dominó ou baralho na cozinha; quando um relâmpago atingiu em cheio a bananeira que havia em frente do nosso bloco, bem na nossa porta; todos se assustaram, inclusive a Cristina, que começou a gritar, não por minha mãe, não pelo meu pai, ou por meus irmãos, mas pelo meu nome:

- Neguinho! Neguinho!

Corri para o berço, segurei em sua mão e ela voltou a dormir.

Talvez não tenha sido exatamente isso, mas foi algo assim.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Paiê, vamos brincar????

OLHA Ê: O CORREIO!

Muitas das coisas que havia já não há mais: grades vestem os blocos de segurança; não há mais festa junina nas quadras, não há mais moleques pulando a fogueira e se divertindo abaixo do céu do Cruzeiro estrelado.

Onde havia o campo livre que servia de quintal para a molecada que vivia nos prédios, colocaram concreto e lojas. Ocupou-se o vazio com nada.

Ando pelas ruas do Cruzeiro Novo com um olhar antigo.

Um moleque imaginário veio estar comigo e vende jornal de domingo:
“ Olha ê, o Correio!”

Estou evocando o passado, tentando buscar uma pista para o meu presente.

Certa vez, durante um ‘aperreio”, numa dessas noites escuras da alma, surtei e regressei a infância; talvez por segurança; talvez por que aqui eu me sentia completo, antes do porvir. Minha consciência veio parar nessas ruas e se escondeu nas memórias da minha infância. Agora, ando por entre as quadras, com um bloco de notas na mão e uma caneta para filmar cada sensação, para me ajudar a encontrar a razão pela qual vim pra cá durante aquela noite em que quase morri; mas temo não encontrá-la.

Revivo o que ainda lembro do surto, vejo nomes: Cobal, Tarcisio, Itambé, mas nada me ajuda a compreender o que houve; por isso vou associando o que sinto nesse momento, com as lembranças de criança.

Deixo de ser o escritor e passo a ser apenas a lembrança. Fragmentos de memórias se tornam vivos como se estivessem sendo vividos naquele instante.

Vejo a banca de doces do Seu Moisés, o velhinho que me iniciou no mundo das paçocas. A padaria que nos forneceu pães e empregos – seria o local do primeiro emprego da minha mãe, pós-divórcio. Olho pro céu e vejo a tarde caindo, meu pai indo trabalhar e os moleques todos de casa saindo, para brincar de pique-pega, pique-esconde, de brincadeiras sacanas de salada mixta e o Neguinho levantando no domingo bem cedinho e se tornando o menino que vejo querendo me vender o jornal.

“ Olha ê, o Correio!”

Quero comprar o jornal do moleque. Sorrio para o menino e lhe entrego alguns trocados, ele me dá o jornal. Pergunto se vale à pena trabalhar aos domingos quando ele poderia estar dormindo; ele responde rindo: “ se eu vender todos os jornais, compro mais três gibis”.

Onde estão os pais desse menino?

O bloco B da Quadra 803 aparece à minha frente e presencio uma das discussões entre os pais do moleque:

- Você sempre valoriza todo mundo, menos a sua família! – grita a mulher de vestido estampado e lenço amarrado à cabeça.

- Se eu não ajudá-los, quem ajudará?

- Dino, pelamordedeus, você trocou um prédio onde tínhamos uma casa de oito cômodos por um prédio onde temos que viver num quarto, banheiro e cozinha; é justo com a sua família? É justo ajudar os outros e se esquecer de quem você precisaria ajudar em primeiro lugar? Só podemos ajudar os outros quando temos condições!

- Posso trabalhar, Graça, posso conseguir tudo de novo. Tenho dois empregos, vou comprar uma casa para a gente morar e não precisaremos mais viver à custa dessas residências para porteiros.

- A questão não é essa, Dino. Quantas vezes precisaremos recomeçar porque você não teve a coragem de dizer não aos seus amigos?

- Eu sei o que é melhor para a nossa família, Graça, vai cuidar das suas coisas, pois quem ainda sustenta essa casa sou eu. Está faltando alimento na mesa? Te deixo faltar alguma coisa ou para as crianças?

- Sim, Dino, falta algo: firmeza sua como pai dessa família!

Volto a minha atenção para o menino que já vai longe. Ao fundo em algum prédio, alguém toca Raul Seixas:

“ Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Olho para as minhas mãos, o jornal desapareceu. Não há mais moleques vendendo jornais aos domingos no Cruzeiro.

Contudo, percebo de onde vem essa minha mania em sempre recomeçar a minha vida, nunca fazer um trabalho por completo e bem feito. Compreendo que herdei o comportamento do meu pai em meu jeito. Quantas vezes tentei ajudar todo mundo e esqueci de dar uma mão para a minha própria família? Quantas vezes dei mais valor ao quintal do vizinho? Quantas vezes larguei uma vaga em uma melhor posição no emprego para ajudar um amigo que nem lembro mais o nome?

Mas nem tudo é negativo, vejo muita coisa boa que faz parte do homem que me tornei naquele molequinho: vontade de trabalhar; correr atrás dos seus objetivos, dos seus sonhos; imaginar um mundo mais bacana mesmo vivendo em um tempo de brigas e ameaças de separação dos seus pais.

Voltei para o Cruzeiro no meu surto, pois é aqui que eu me sentia seguro; antes da separação dos meus pais. Voltei pra cá, pois foi aqui que organizei o meu intelecto rudimentar, construi a minha visão de mundo e foi a partir desse conjunto, que tudo mais se formou.

As grades em volta do prédio mostram pra mim que nada permanece o mesmo. O Cruzeiro já não é mais seguro como na minha infância.

Meu pai era um homem bom, mas era ingênuo demais em relação ao mundo; não sabia a diferença entre ser bom e ser bobinho. Seus amigos usaram e abusaram desse sentimento nobre que meu pai tinha em querer ajudar todo mundo e o velho pagou um preço alto demais por isso: perdeu a família e acabou sozinho.

Vejo então mais brigas e a separação; vejo minha mãe dizendo que vai partir e o meu mundo seguro ruindo; daí lembro que estamos em junho e é época de festas, deixo a lembrança da separação para outra crônica, ainda tenho uma última festa de alegria, antes de grande tristeza.

Meu pai prepara a quadra 803 para a maior quadrilha do Distrito Federal. Surgem voluntários de toda parte e vejo os rostos dos amigos esquecidos, dos parentes, dos meus irmãos bem pequeninos; vejo minha mãe nos servindo limonada; olho para o céu e vejo as nuvens que formam bonecos de neve. Os adultos prendem os bambus com cordas, formando uma grande muralha ao redor da quadra; as mulheres preparam as barracas e trazem as comidas e bebidas; os meninos colam as bandeirinhas.

- Vem cá, Neguinho! – diz meu velho. Ele não desconfia que quem está lá é seu filho adulto, vê apenas um menino – Escreve aí no seu caderninho: papai fez a maior fogueira de São João do mundo.

Obedeço meu pai e escrevo ainda mais: aquela festa junina começou em junho de 1984 e dura até hoje.

quinta-feira, setembro 03, 2009

A DESCOBERTA DA AMAZÔNIA PELOS TURCOS ENCANTADOS


A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados é um documentário que registra / recria realidades materiais e imateriais que compõem o universo místico do Tambor de Mina, a mais poderosa religião afro-indígena da Amazônia.

O Tambor de Mina é um mundo onde cabem todos os mundos. Lá estão os voduns e orixás africanos, deuses indígenas, nobres encantados - como D. Sebastião e Marques de Pombal - junto com sultões e princesas do Oriente , cuja história remonta a época das Cruzadas.

Nos aproximadamente 2.500 terreiros Mina existentes na Grande Belém as princesas turcas Mariana, Herondina e Jarina são as entidades mais cultuadas entre todas que fazem parte do Mundo da Encantaria. Esta devoção por divindades procedentes do Oriente pelo povo afro-caboclo-indígena da Amazônia é explicada pela saga metafísica do Povo da Turquia, contada/cantada pelos adeptos do Tambor de Mina nas suas festas e atos religiosos.

Segundo reza a tradição Mina, a Família Imperial Turca, desalojada da Terra Santa pela Primeira Cruzada, embarcou para a Mauritânia, em busca de refúgio, porém na altura do Estreito de Gibraltar atravessaram um Portal da Encantaria e se transportaram para uma outra dimensão do tempo e espaço, onde não existe morte , envelhecimento, dor nem ódio : a Terra da Encantaria. Quatrocentos anos depois, os turcos liderados por suas princesas reapareceriam no litoral paraense começando um trajeto por onde cruzariam com várias famílias da Encantaria desde os clãs indígenas , comandados por Velho Caboclo até os nobres encantados de D. Sebastião e mais os orixás africanos, desembarcados nas costas do Grão-Pará e Maranhão em meados dos século XVII, acompanhando os primeiros escravos negros que por aqui desembarcaram.

Como desfecho de todos esses encontros surgiu o Tambor de Mina , a religião do povo da antiga Província do Grão- Pará e Maranhão, fonte de luz e esperança ,brotada entre as florestas e igarapés.

O Tambor de Mina é uma religião marcada pela reverencia a uma sabedoria ancestral transmitida oralmente pelos sacerdotes e filhos de santo. Para a Mina, o livro sagrado é o tambor. Seus conhecimentos são transmitidas pelos cânticos que por isto mesmo se chamam doutrinas . Para o Tambor de Mina a história dos homens e deuses e a mesma história. E é esta história que o A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados vai contar.

Neste documentário, o Tambor de Mina conta sua própria história através do narrador Baba Luiz Tayendô, sacerdote do Terreiro Toy Lissá, e dos depoimentos e cantos de muitos outros pais , mães , filhos e filhas de santo. . De forma articulada com os testemunhos, a saga dos Turcos Encantados é recriada com atores não -profissionais , escolhidos entre os integrantes de diversos terreiros Mina, ,membros de comunidades quilombolas , indígenas e dos bairros pobres de Belém. . O resultado é uma sinfonia amazônica, cheia de encantamento e revelações sobre a gênese da Amazônia enquanto berço de muitos povos e muitas culturas que num ritual antropofágico se misturam ao som do Tambor de Mina.

Informações Gerais de Interesse
Desde a formulação do projeto inicial, A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados se define como um filme "onde o próprio povo da Mina bate o tambor e conta sua história". Esta definição foi aprofundada ao longo da realização do documentário. Para representar a chegada dos primeiros escravos africanos aos portos da Amazônia a locação e os atores escolhidos foram o Quilombo de São Sebastião do Arapapuzinho, no município de Abaetetuba e seus próprios moradores. A razão é bem simples: Ninguém melhor do que os filhos dos antigos escravos para retomar o fio da ancestralidade e reviver na própria carne a história coletiva de seu povo. O mesmo aconteceu com a incorporação de grandes contingentes indígenas das aldeias do povo Tembé do Alto do Rio Guamá, Rio Jeju e Santa Maria do Pará que vivenciaram neste documentário as Histórias da Mina que tem como protagonistas os primeiros habitantes do Brasil.
Ao fazer dos afro-descendentes, dos indígenas e dos adeptos do Tambor de Mina os atores principais de sua própria história , o filme A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados vai realizando , antes mesmo de sua projeção, seu papel de fortalecimento da identidade popular amazônida.

Currículo do Diretor
Luiz Arnaldo Dias Campos é graduado em Comunicação Social / Cinema pelo Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense - 1983.

Fonte: http://www.tvebrasil.com.br/doctv2/adescobertaamazonia.htm

O Cruzeiro Novo do Centro Oeste

O sol se põe entre os blocos do Cruzeiro. Tudo parece um sonho com recordações da minha infância. As cores do sol refletindo no concreto dos prédios, os passarinhos em cantoria; e eu presente em frente ao edifício onde me tornei gente; mas não é lembrança, estou adulto e ao lado da minha esposa que não compreende o meu fascínio por aquele lugar, nem poderia, ela não cresceu ali, não percebeu sua primeira visão de mundo entre aqueles blocos; Brasília para ela tem um outro significado, o Cruzeiro tem gosto de moeda, de nome de grupo de estrelas, de qualquer coisa além de berço, cidade de infância de cronista vagamundo.

Cada um com a sua Itabira, com o seu Coordisburgo; eu tenho a minha Parságada e ela se chama Cruzeiro Novo, uma pequena cidade satélite em algum lugar do avião que é Brasília.

Meu pai foi um desses “Paraíbas que se tornaram Cadangos”. Cadango é toda gente que veio construir Brasília, incluindo todos os nordestinos que ali são chamados de “Paraíba”. Meu pai na verdade já encontrou Brasília feita, mas gostava de dizer que ajudou a fazer o lugar, qualquer coisa mais interessante do que ser apenas um porteiro-zelador num daqueles tantos blocos construídos para alojar as famílias dos militares que moravam na capital do Brasil. Tenho a quem puxar quando o assunto é inventar estórias...

- Aqui é mesmo seguro? – pergunta Auri, está preocupada. Grades revestem os blocos que eram nus nos meus tempos de infância. Pichações estão no lugar dos cartazes de “Diretas Já” que proliferavam pela Brasília dos anos 80.

- Claro! – respondo, sem muita certeza. As coisas mudam, estamos viajando pelo Brasil e a segurança é uma das nossas primeiras prioridades; mas me ofendo com a pergunta e depois mais ainda com a segunda:

- Esse lugar parece uma Cohab pra mim.

Decido falar, contar pra ela sobre o que eu estava sentindo, qualquer coisa, qualquer papo, que faça ela não continuar a me lembrar que aquele lugar não é mais mágico. Eu preciso daquela magia, preciso sentir que ainda há magia por aquelas quadras; sim, o Cruzeiro não é feito de ruas e sim de Quadras com dois blocos ou mais de quatro andares cada. Os blocos parecem idênticos mais são diferenciados em Blocos do exército, da marinha e da aeronáutica; sendo os primeiros, os blocos mais pobrezinhos, sem elevadores e cuja casa do porteiro não passa de um quarto com banheiro e conzinha. Não que não se more bem num cubículo, mas não éramos um família pequena: havia minha mãe, meu pai e quatro crianças; imagine esse povo todo dentro de um quartinho. Já havíamos morado em uma casa maior, num bloco da aeronáutica uma vez, onde a casa do porteiro era gigante, tinha vários cômodos; mas um dia, meu pai chegou em casa e disse que teríamos que voltar a morar num Bloco do exército novamente; um amigo acabara de trazer sua família do nordeste e eles eram em dez; como nós éramos apenas em seis, poderíamos trocar de blocos e morar numa casa menor.


Minha mãe quase enlouqueceu com a troca; mas ao invés do surto, optou pelo divórcio; mas isso é outra estória. Espanto as más lembranças como se fossem moscas e voltei ao olhar mágico de quem voltou pra casa.

Não tive tempo de me despedir do Cruzeiro. Saí daqui muito rápido, levado pelos ventos das decisões dos adultos; e além dos toques e retoques dos últimos 20 anos; o adulto vira menino e vê o pai se despedindo, indo para o segundo emprego. Só ali, me dou conta, do quanto o meu velho trabalhava para sustentar a família.

Falo, falo, falo. Auri continua a me ouvir. Deixo ela filmando a cena, onde um adulto corre feito menino e se despede do pai que olha o filho adulto e diz: cuida da casa até eu voltar!

Eu sorrio, mal vejo o rosto do Seu Dino, o sol sombreia o seu corpo, há uma aura dourada ao seu redor; a bicicleta é de prata e reflete os raios do sol que ofuscam a minha retina.

- Volta logo! – falo e dou um longo abraço em meu velho. Não tornarei a vê-lo. Volto para o Bloco e vejo que minha mãe me olha e sorri, já sabia que o que o filho ia ser quando crescesse. Pisco pra ela, ela pisca de volta e desaparece; no lugar vejo a minha mulher sorrindo.

- Vamos viajante! – diz ela. Sim, eu vou, mas antes me deixa recriar mais um pouco as minhas memórias. Sim, são memórias inventadas, pois nunca somos imparciais com as nossas próprias lembranças. Nada no passado é exatamente igual a como se conta. Eu havia esquecido delas; por isso retornei ao Cruzeiro; voltei em busca dessas Crônicas e reencontrei o moleque que fui sendo criado, se transformando em mim.

quarta-feira, setembro 02, 2009

50.000 ACESSOS

Caros Amigos

É com muita alegria que compartilho com vocês essa notícia: meu blog chegou a 50.000 acessos.

Para um blog sem fins lucrativos é um número e tanto; e isso se deve a vocês, meus leitores e amigos, que acompanham as minhas crônicas diariamente desde 2005 e já eram meus leitores na lista Voadores antes do ínicio do blog.

Aguardem novidades no blog e o lançamento tão esperado e pedido do meu novo livro " O Catador de Estrelas".

Muito obrigado do fundo das minhas letras.

A BATALHA DO HELIÓPOLIS

Tirésias subiu na lotação com destino ao Sacomã às 6:05 da tardinha de ontem; precisava chegar a tempo no terminal para pegar o outro ônibus que o levaria até a Vila Delfos, onde participaria de um encontro de profetas sobre toda essa questão do mundo acabar de novo em 2012.

A lotação seguia seu caminho, quando Tirésias sentiu a presença do mensageiro ao seu lado.

- Mercúrio, meu querido! Que bons ventos o trazem?

- Eu já te falei, seu velho cego, que meu nome é Hermes!

- Grego ou romano; palmeirense ou corinthiano; somos todos Filhos de Zeus, meu caro mensageiro!

- Mãe Maia, dai-me paciência! - suspirou Hermes - Olha, velho! O negócio é o seguinte: um grupo de Polifemos fechou as estradas para o Heliópolis e estão devorando ônibus, lotações e cavalos. Eu te avisei que trocar a Grécia por essa terras estrangeiras era um perigo.

- Tanto faz o lugar na Terra, meu caro mensageiro, todos os lugares desse planeta são abençoados. Sim, eu já sabia que esse transporte me levaria até os ciclopes; só não sabia que eles atacariam antes da madrugada, afinal, milhares de pessoas estão voltando para casa, incluindo aqueles que prestam as devidas oferendas a Poseidon. Obrigado pelo aviso, mas preciso ver com os meus próprios olhos até onde a selvageria humana pode chegar para defender o que pensa ser justo, mesmo que para isso precisem cometer tamanha injustiça com essa pobre população que nada tem a ver com as flechas perdidas da eterna guerra entre os homens de Odisseu e os polifemos.

- Ah, velho gagá! Se não fosse pelas ordens do meu Pai, eu já teria te abandonado há tempos.

- Somos todos peças desse jogo Divino, meu caro mensageiro, a diferença é que alguns podem ver os dedos de Zeus nos movendo e ajudá-Lo com esses movimentos; e outros optam por permanecerem cegos, mesmo que consigam enxergar.

Contrariado, o mensageiro desceu da lotação sem pagar a tarifa; o que deixou o cobrador revoltado e o motorista alterado.
- Esses malditos carteiros! - reclamou o motorista - Nunca pagam a condução!

Quando finalmente, a lotação chegou à Estrada das Lágrimas; o fogo já cobria as ruas do Heliópolis. Ciclopes com o rosto coberto por panos e usando tochas e pedras, queimavam tudo que viam na frente; a população corria assustada, enquanto os homens de Odisseu se aproximavam com lanças e escudos.

Tirésias desceu do ônibus e caminhou até a Igreja de Santa Edwiges; e lá orou a Métis para lançar a terra mais prudência entre os homens de Odisseu e por fim, rogou a Atena que a ira de Hera que comandava as ações dos ciclopes acabasse em sabedoria e paz.
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