sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Free Dom


Era uma vez dois jovens que viviam em um reino estrangeiro, um se chamava Freheit e o outro Eleutheria;
um era alemão e o outro era grego, porém ambos tinham um único objetivo encontrar um local chamado Libertas, cuja lenda dizia que nesse lugar, todos teriam permissão de ser o que quisessem e, o mais extraordinário, teriam o poder de ir e vir.

Naquela época, e essa estória se passa há muito tempo, ninguém podia fazer nada sem a autorização dos seus respectivos reis, daí o risco daquela ousadia, se alguém descobrisse que eles tinham partido de seus reinos em busca dessa tal Libertas, eles poderiam ser presos e ser preso nessa lenda era pior que ser executado, pois os prisioneiros eram aprisionados numa armadura de ferro que impossibilitava até mesmo o movimento do dedo mindinho. Porém, a busca valia a pena e mesmo sob o risco de perder o bem mais preciosos que eles tinham - o movimento - eles foram em frente e depois de toda uma jornada que renderia belas crônicas e contos, mas atrapalhariam a moral da estória aqui, eles chegaram em Libertas e na entrada do lugar, havia um cavaleiro guardando a porta.

- Caro cavaleiro, este é o reino onde todos podem movimentar suas cabeças na direção que bem eles queiram? - perguntou Freheit.

- Sim - respondeu o cavaleiro - Os movimento de todas as cabeças são livres nesse reino.

- É verdade que esse é o reino onde podemos mover também os nossos corpos livremente sem nenhuma restrição externa?- Perguntou Eleutheria.

- Verdadeiro - respondeu o cavaleiro.

Os dois amigos olharam um para o outro e riram aquela riso solto e sem controle que todos nós já rimos na vida quando conseguimos o que mais queríamos. Contudo, surgiram dezenas de guardas que os seguraram e colocaram em seus rostos uma máscara de ferro, e eles se viram sendo carregados dali para o castelo, aonde foram jogados ao chão, aos pés do rei de Libertas.

- Mas o que esta acontecendo? - perguntou Eleutheria - Eu pensei que essa era a terra da liberdade e estamos sendo tratados assim.

- Nem em nosso reinos, somos levados de um canto ao outro sem motivos- disse Freheit - Nem obrigados a usar essa máscara de ferro.

- Eu explico - disse o Rei de Libertas - Vocês riram! E aqui em Libertas, tratamos a liberdade muito seriamente para ser tratada como piada, quem ri dela, é condenado a usar uma máscara de ferro para não contaminar a nossa população com suas risadas. Se quiserem viver aqui terão que usar essa máscara.

- Mas estávamos rindo de felicidade por encontra o seu reino - tentou explicar Freheit.

- O riso descontrolado é perigoso! Os movimentos involuntários são selvagens e destrutíveis; se não forem devidamente controlados podem destruir a nossa cidade - disse o Rei.

Conta a lenda que os dois amigos por serem estrangeiros, tiveram permissão do reino para sair daquele reino. E eles saíram de Libertas e continuaram a buscar um outro lugar onde pudessem além de poder mover seus corpos e suas cabeças; rir compulsivamente também. Porém, contam as más-línguas que essa jornada estava desde o principio fadada ao fracasso, afinal, liberdade é como o pensamento, quanto mais tentamos definir, mas foge de lugar.

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

O acesso a centelha


Por: Ricardo Fujii

"A boa notícia é que o ponto limítrofe que marca o fim da descida e o início da subida já passou.

Agora é luz. É preciso ancorar o amor para suportar a luz.

Subiremos em velocidade inversamente proporcional ao da descida.

A descida pode ser uma viagem interna ao seu próprio interior. O acesso a centelha divina dentro de cada um de nós."

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Cultivar o bem!



Vamos cultivar o poder semeando humildade ao pisar devagarinho nas casas das verdades; saindo pela porta da frente, sem deixar inimizade, para que possamos sempre voltar, nem que seja beija-florzando pelas janelas da amizade.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

No meu tempo certo



Mãe preta, me carrega nos braços até que eu consiga caminhar com as minhas próprias pernas, mas que eu não seja poupado do trabalho que é engatinhar - ou seja - esperar o tempo certo para conseguir me levantar e descobrir o quê eu vim fazer aqui!!!

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Percebo e Vejo - O que é Clarividência?

Acordei com saudade de casa, uma falta danada da terra onde vim, terra essa de um outro tempo em que todo esse meu povo vive feliz em sintonia com as ondas de amor sem fim.

Em dias assim, qualquer coisa desperta a clarividência, pode ser um passarinho cantando ou um percevejo. 

E quando a clarividência se evidencia, a visão do mundo clareia e percebemos a tristeza dessa gente ainda pedinte de provas da existência do óbvio, e pensando sobre isso, eu choro, pois sei que a dor ainda é o Avatar favorito desse plano de existência.

Quero seguir nesse mundo de dualidade, aprender a co-existir com esse mistério do maléfico que corrói o fraco e o belo; por isso é que de vez em quando me permito ver e deixo só um pouco da vidência estelar voltar e o peito explode em nostalgia com as lembranças do Jardim do Eterno. Porém, essa vidência clara também mostra as mazelas do outro lado da balança, miséria, discórdia, desesperança e tudo mais que aqui há. E agradeço a Deus por não ver tudo claro o tempo todo, pois eu não teria corpo que pudesse agüentar. 

Sim, eu agradeço pelo que eu não vejo tanto, pois não ver tudo me permite ter foco no tanto que vejo. 

Enquanto a melancolia da visão desperta me faz notar o desequilíbrio do mundo, agradeço aos céus por esse dom de ver tudo estar adormecido boa parte do tempo. Agradeço pois sei que ainda não tenho o talento dos Grandes Mestres que vêem o mundo com tudo que nele acontece junto. 

Eu, um pequeno percevejo, sigo aprendendo e fortalecendo o meu olhar, e olhos firmes são aqueles que sabem tanto rir quanto chorar.

E esse choro é apenas um desabafo do corpo por perceber que a mente ainda briga com as emanações do espirito. Ao compreender que se estou aqui e somente aqui que preciso ver, deixo as lembranças do eterno partirem, como folhas ao vento, e daqui a pouco sei que vou voltar a ter certeza que tudo o que sinto e percebo não passa de um sonho mecânico de um percevejo. 

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

A PALAVRA


Eu vou até a doce morada em busca da letra dourada que vai revelar o segredo da palavra!!!

"Aprenda a ver Deus em todas as criaturas, de qualquer raça ou credo. Você saberá o que é o Amor Divino quando começar a sentir sua unidade com cada ser, não antes... é um exercício diário; mas, não é impossível."

- Paramahansa Yogananda -

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

A verdade não é uma mercadoria que alguém pode lhe dar


Perguntaram a Osho:

"Osho, você pode resumir os seus ensinamentos em poucas palavras, porque eu só vou ficar por aqui por um dia ou dois?"

É impossível. Em primeiro lugar, não tenho nenhum ensinamento para resumir. Não sou professor, sou uma presença. Não tenho nenhum catecismo. Não posso dar a você dez mandamentos — faça isso, não faça aquilo.

E tudo o que eu digo hoje posso contradizer amanhã — porque o meu compromisso é com o momento. Seja o que for que eu tenha dito ontem, não estou mais comprometido com isso. No momento em que eu disse, fiquei livre. Agora não me preocupo mais com isso, não vou mais olhar para isso novamente.

Tudo o que estou dizendo a você agora é verdade neste exato momento; amanhã não vou mais estar comprometido com isso. O que quer que o amanhã traga vou dizer. Seja o que for que o hoje tenha trazido estou dizendo a você agora. E se as minhas palavras forem contraditórias, quem sou eu para torná-las coerentes? Eu mesmo não faço nenhum esforço.

Meu compromisso é com o momento. Nunca estou comprometido com o passado. Sou como um rio: onde estarei amanhã ninguém sabe, nem eu mesmo. Você vai se surpreender, eu também ficarei surpreendido.

A pergunta deve ser de alguém que vem do continente que eu chamo de “Acirema” — a palavra “América” lida de trás para a frente. A América está às avessas. Tudo se tornou caótico. As pessoas estão com tanta pressa que se esqueceram de que existem algumas coisas que não se pode fazer às pressas, para as quais a paciência é uma exigência. 

Você não pode conseguir a verdade com tanta pressa. A paciência é uma condição básica para isso. Não é como café instantâneo e não vem embalada numa lata. Ela não vem pronta. A verdade não é uma mercadoria que alguém pode lhe dar. Ela cresce em você.

Isso é o que quero dizer quando afirmo que sou uma presença, não sou um professor. Se você está aqui, algo pode crescer em você. Eu digo “pode” porque depende de você. Eu estou aqui. Se você estiver pronto para me receber, algo vai começar a crescer dentro de você. É como uma criança se tornando um jovem. 

Sim, a verdade é assim. A falsa personalidade se vai e chega o ser verdadeiro. É como uma criança se tornando um jovem, um jovem se tornando um velho. Não há maneira de apressar o processo. Você não pode fazer uma criança crescer rápido em uma noite, em um dia ou dois. Vai levar tempo. E é bom que leve tempo, porque só com o tempo as coisas amadurecem.

Não, eu não posso fazer isso, não posso resumir. Não tenho nenhum ensinamento. E, mesmo se tivesse, eu não iria resumi-lo, porque quanto mais você resume algo mais ele se torna menos vivo. O amor é grande, a vida é vasta; a lei é limitada.

A lei pode ser resumida, o amor não pode ser resumido. A lei é definida, mas a vida é excessiva. Você não pode resumir a vida, não pode haver uma sinopse da vida; você pode resumir a lei. Eu sou a vida. Não há como me resumir.

E eu ainda estou vivo, de modo que tudo o que você resumir eu vou destruir amanhã.

Quando você resume, pouco a pouco as coisas se tornam absurdas.

Nunca resuma nada que está vivo. Eu ainda estou vivo. Quando eu estiver morto e tiver partido, então as pessoas vão resumir. E vou causar a elas um monte de problemas. Não será uma coisa fácil. Elas vão enlouquecer. Será impossível me colocar numa sinopse.

Sempre foi assim. Você não pode resumir Buda. Por causa das sumarizações, muitas escolas surgiram. Buda morreu, então havia uma pergunta. As pessoas queriam resumir. Durante quarenta anos o homem ensinou — manhã, tarde, noite — por quarenta anos. Ele tinha falado um bocado, ele tinha dito muitas coisas, e agora tinha partido e seus ensinamentos tinham que ser resumidos. 

A verdade não é como uma mercadoria. Quando vier até mim, se realmente quiser saber qual é a minha verdade, você tem que estar aqui. A minha verdade só pode ser expressa para você quando eu passar a conhecer a sua verdade também. Quando eu passar a conhecer você e você passar a me conhecer, nessa reunião ocorrerá o vislumbre.

A verdade não pode ser dada a você. Você terá que recebê-la e terá que se preparar para ela. Você terá que se tornar um ser em completo relaxamento. Você terá que ser capaz de me absorver e permitir que eu mergulhe profundamente no seu coração.

Foi o que aconteceu...

No Museu Nacional de Amsterdã, um casal de idosos foi ver a obra-prima de Rembrandt “A Ronda Noturna”. Depois de uma longa volta pelos muitos corredores, quando eles finalmente chegaram à famosa pintura, o porteiro ouviu o homem dizer à mulher: “Olhe, mas que bela moldura!

A moldura podia ser bonita, mas você percebe que algo está faltando nessa admiração? Algo essencial se perdeu. Não estou dizendo que a moldura não fosse bonita, ela podia ser a moldura mais bonita do mundo, mas ir ver a obra-prima de Rembrandt “A Ronda Noturna” e falar sobre a moldura é um absurdo! Mesmo ver a moldura é tolice, estupidez. A pintura não é a moldura. A moldura não tem nada a ver com a pintura.

O que estou dizendo é só uma moldura, o que eu sou é a pintura. Olhe para a obra-prima e não se incomode com a moldura.

Osho, em "O Barco Vazio : Reflexões Sobre as Histórias de Chuang Tzu"

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Repousar na Clareza Natural da Mente


"A chave – da pratica budista – reside em aprender a repousar na pura consciência dos pensamentos, sentimentos e percepções à medida que ocorrem. Na tradição budista, essa consciência é conhecida como vigilância, que por sua vez, significa repousar na clareza natural da mente.

Não se concentre sobre qualquer objeto especifico, nem tente controlar seus pensamentos. Mantendo a postura e respiração corretas, sua mente se tranqüilizara naturalmente. Quando os vários pensamentos surgirem, não tente agarrá-los ou empurrá-los; deixe-os ir livremente. O mais importante é despertar do sonho e da fixação, da sonolência e do pensamento, retornando à postura correta, momento a momento.”

Shunryu Suzuki. 

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Perseguição


Não sou esquizofrênico, senhor; mas tem algo me perseguindo. Não estou tomando nenhum remédio, mas tenho a sensação de que tudo o que estou sentindo é obra do cão, do obsessor, do mal que atrapalha a vida da gente e por isso, venho fazer essa corrente de palavras para que você, leitor, reze por mim, pois estou sofrendo ataques de todas as partes e sinto que tem algo ou alguém atrás de mim.

Só assim para explicar porque não consigo emprego, porque minha mulher me largou; porque minha empresa faliu e porque meus amigos me deixaram. Como você explica tudo isso assim de uma vez; toda essa má-sorte que reina em minha vida.

Acho que fizeram algum trabalho para mim ou deve ser karma das más ações de uma outra vida; não, só pode ser inveja, competição; alguém quer me destruir, só pode ser isso, só pode ser assim...

Não pode ser porque tenho preguiça de acordar cedo e procurar emprego, nem muito menos porque eu tratava minha esposa como uma empregada; não deve ser porque eu usei o dinheiro da empresa para pagar todos os meus gostos pessoais e me esqueci das contas ou porque eu sempre tratei os meus amigos com desprezo.

Não deve ser por isso, só pode ser uma perseguição...só pode! Não acredita em mim, não é? Eu sei o motivo! É que você também está contra mim, deve estar com eles. Querendo roubar de mim, tudo o que eu tenho.

Pois vou te dizer uma coisa, seu rato, volte para o seu buraco. Conheço a gente da sua laia, só falta conhecer a fundo gente da minha...

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

O Capacete de Deus

Chega cada coisa em nossa caixa de e-mails: de aparelhos que prometem aumentar o tamanho do pênis à pedido de ajuda vindo de princesas africanas com nomes exóticos; é tamanha a diversidade de artigos e ofertas que fico sempre surpreso com a criatividade humana. Porém, nunca esperei que alguém fosse me oferecer um tal de " Capacete de Deus".

Que Deus deva usar capacete, tenho cá minhas certezas, afinal, o Cara deve ser uma espécie de Surfista Prateado viajando no espaço cabeceando meteoros, mas daí alguém dizer que se eu comprasse esse capacete, sentiria a presença do Gadu, aquilo me ofendeu! E todas as minhas encarnações na Índia e no Egito? Não serviram para nada? Dai, um carinha vem e oferece um capacete à la Doctor Brown do filme " De Volta para o Futuro" e tudo fica assim smart phone comparado ao tijolão da Telesp.

Recusei-me. Eu disse não! Sim, banquei o ofendido. Deus para mim é jantar à  luz de velas e não Big Refeição. Desculpa, posso até ajudar a princesa africana ( passo pro Massami, o aumentador de bilau), mas não vou comprar o capacete. Nem insista, por favor!

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Esquecer para Lembrar


Conta a lenda que houve um dia em que todos acordaram sem religião (Foi um dia antes daquele que a terra parou, como Raul contou). Algum mago maluco havia apagado a idéia que todos temos de Deus e de uma hora para a outra, a religião sumiu da história.

Apagou-se da mente humana qualquer referência as parábolas da Bíblia, os versos do Alcorão, a poesia de Buda, os mistérios do Toráh e o yoga do Baghavda Gita.

Todos os templos do mundo ficaram vazios, pois ninguém mais sabia qual era a serventia daqueles prédios tão belos, mas ocos.

Com a mente vazia das religiões criadas;

Com os olhos limpos das palavras escritas;
Com os ouvidos limpos das preleções manipuladas;
Todo o meu povo sentiu que havia uma presença que nunca partiu.
Presença sagrada que mesmo sem ser nomeada está sempre presente, sempre alcançando o coração da gente, seja no barulho do dia ou no silêncio da madrugada.

E no dia em que não existia a religião, todos estavam, mais do que nunca, religados com a Força Maior que se faz mais notada quando não é apontada.

E durante 24 horas, toda a minha gente percebeu que não precisava pensar sobre, para sentir o que sempre houve; que não precisava tentar compreender para perceber o que há entre eu e você.

Contudo, algum atrevido, algum abelhudo; decidiu escrever um texto sobre o que não precisava ser descrito e o encantamento se desfez; voltou o absurdo de se nomear o que não tem nome; de rotular o que não tem forma.

E a religião voltou ao mundo vestida de palavra.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

ACHO QUE NÃO VI UM GATINHO


Ela pediu um gatinho - "Para treinar a ter filhos” - argumentou - "Bons pais começam como bons donos de bichos".

Moramos num "apertamento" no centro e ficamos o dia todo fora. Gato não é tão carente quanto cachorro, mas precisa de atenção, cuidado e tempo. Como recusar o pedido dela? Como convencê-la que não é uma boa idéia?

Entenda, eu nunca tive um bichinho de estimação, mas sem prequis um. Fui criança incompleta, sem gato para brincar, sem cachorro para correr. Nunca quis ter passarinho, sendo voador precoce, sempre fui militante do movimento "Liberte o Ninho", afinal, canto de passarinho livre é jazz, canto do preso é blues. O mais próximo que tive de um pet foi um porquinho-da-índia, nome pomposo para o preá que acabou mordendo o dedo do meu pai e foi punido com morte, fogo e prato. Vai ver meu pai achou que o preá era mesmo porquinho.

Nunca tive nem aquário, imagina iguana. O mundo animal sempre foi National Geographic para mim, com exceção de um casal de serpentes que moraram comigo em Londres e que sumiram misteriosamente - esquecidos, vai ver cobra não tem mente - não lembraram de deixar o dinheiro do aluguel e do telefone.

Contudo, sempre quis ter a amizade de um cachorrinho ou o mistério do olhar de um gato. Queria experimentar esse tal amor por esses bichanos, que dizem por aí, se não é igual, é tão intenso quando o amor que sentimos por nossos filhos. É o que dizem, nunca tive nenhum, nem outro; por isso estou indeciso, ansioso. Cedo ou não cedo?

Não é tão simples, amigos. Assim como ter um filho, criar um cãozinho ou um gato, requer comprometimento e responsabilidade. Se todos pensassem bem antes de escolher ser dono de um bicho, não teríamos tanto cachorro e gato soltos por aí, perdidos, abandonados, presos, desenganados e mortos.

Quero que ela tenha um gato ou um cachorro, mas não agora. O animalzinho, assim como o filho, terá que esperar mais um pouco.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A Primeira Estrela


Não tenho luneta, mas me considero um caçador de estrelas. Adoro procurá-las, mesmo que o céu nublado e poluído da cidade grande, muitas vezes não permita. Vibro com as novas descobertas; conto as que consigo ver sem medo da ameaça das verrugas nas pontas dos dedos e com um pouco de conhecimento de astronomia, meus olhos viajam pelas imagens das constelações com os nomes de heróis e seres da antiguidade. Tento imaginar em qual constelação, essas poucas estrelas que vejo pertence e nessa brincadeira noturna, vou dormir com a imagem de um Frank virando um Surfista Prateado, deslizando pelo espaço. Nesses devaneios, termino sentindo uma saudade de casa, da verdadeira casa, o lugar de onde eu vim e para onde retornarei, afinal somos todos feitos de poeira estelar.

Esses dias tive a oportunidade de passar três dias em Itatiaia no estado do Rio de Janeiro. O Parque e o famoso pico das Agulhas Negras dispensam explicações e é um destino obrigatório para qualquer um andarilho da terra ou das estrelas. Fui para lá para descansar por um fim de semana, e apesar de mal poder esperar pelas caminhadas, cachoeiras e pelo descanso merecido, confesso que estava ainda mais ansioso pelas estrelas. O dia ensolarado e o céu sem nuvens ,prometiam uma noite tapeada de estrelas.

A tarde passou correndo e a noite ameaçava chegar. Deitado na varanda da pousada em que estava, fiquei olhando as cores do horizonte mudarem rapidamente de azul claro para laranja e vermelho e o sol se esconder por trás das montanhas que tinham o formato de uma índia. Não pensava em nada, apenas observava o dia se misturando com a noite e de repente, surgiu a primeira estrela. Era a primeira vez em que observava o surgimento das estrelas no céu. Nunca tive tempo para isso, apenas sigo correndo para o trabalho durante o dia e voltando pra casa durante a noite. Ali, eu tinha todo o tempo do mundo, não havia pressa de chegar ou partir, apenas estar presente.

Mas estar presente não é nada fácil. Nunca estamos 100 % num momento. Não sei quanto a vocês, mas tenho um terrível problema de aproveitar totalmente o meu aqui e agora. Perco momentos maravilhosos em minhas horas livres, pensando senão estou desperdiçando o meu tempo ou se consegui fazer tudo aquilo que planejei fazer nessas “horas livres” que na teoria eu deveria usar para fazer nada. Às vezes, precisamos apenas fazer nada para curtir tudo por completo; se ao menos não estivéssemos tão preocupados em fazer algo...

Naquele momento nada mais importava para mim do que caçar as minhas estrelas. Vi a primeira, contei a segunda, fui pego de surpresa pela terceira e quando a décima apareceu, eu já estava além da terra e meus olhos viraram cometas pelo céu que apresentava o seu show estelar.

De acordo com um artigo* que eu estava lendo, o céu estrelado foi a primeira grande atividade especulativa do homem (inscrições e construções em pedra datam de até 30.000 anos atrás). Naquela época, o céu era observado com espanto, admiração e respeito, provocando profundo sentimento de idolatria, daí os nomes das constelações terem sido nomeados com seus deuses, heróis e mitos. Os astros eram divinos e o céu sagrado servia de morada aos deuses. 

Contemplando o céu em noites extremamente límpidas e sem iluminação artificial, os homens inventaram as constelações: figuras imaginárias de seres mitológicos, animais e objetos nos alinhamentos estelares. Cada povo ou tribo tinha as suas próprias constelações e, para memorizá-las criavam mitos.

Vivendo da caça, da pesca e da agricultura, precisavam conhecer detalhadamente o clima, épocas de plantio e de colheita e o céu constelado ajudava imensamente neste sentido. Além de servir como calendário, lembrando épocas do ano, explicava fenômenos naturais.

Atualmente as constelações não possuem a expressiva significação que tinham na antiguidade. São utilizadas pela Astronomia para indicar direções do Universo e facilitam o reconhecimento do céu.

Para o homem comum da cidade grande, tendo toda a informação impressa e a disposição, poucos param para observar o céu ou mesmo admirar as estrelas. O mesmo não ocorre no interior, onde o homem do campo ainda se baseia no céu para muitas coisas que faz.

Lembro que meu avô costumava confiar mais na posição do sol no céu do que em seu relógio quando o assunto era saber as horas: “ O relógio pode estar atrasado ou adiantado, o sol não!”, dizia ele quando eu era pequeno e morávamos no interior da Paraíba.

Foi nessa época que me apaixonei totalmente pelas estrelas e pelos desenhos dos deuses que os livros diziam que as estrelas formavam no céu. Foi sob o céu estrelado que comecei a contar minhas primeiras estórias e elas eram muitas vezes baseadas  em Órion o gigante guerreiro, que vivia sob nossas cabeças ou nas aventuras em que eu fingia ser Perseu e montava em Pégaso, o cavalo alado, e lutava contra o monstro marinho Cetus, para salvar minha amada Andrômeda.

Em Itatiaia, naquela noite em que caçava as estrelas, tornei a ser menino e continuaria a noite toda ali, se não tivesse um jantar a minha espera e alguém me aguardando, afinal, eu não podia perder a chance de cumprir todas as mil coisas planejadas.

Frank


*Nota do autor: parte do texto que se refere a história das constelações foi baseada no artigo "As Constelações" da autora Edna Maria Esteves da Silva. Coordenadora do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina.Maio/1999

terça-feira, fevereiro 11, 2014

A Menina e a Lua

Para Rutth

A princezinha Rutth estava doente. O rei, seu pai, promete:”Filhinha, dou o que você quiser, se ficar boa”. E a menina: respondeu “ Eu quero a lua!”.

O rei convocou os sábios da corte, matemáticos, mágicos, cavaleiros com experiência de países distantes, músicos e até feiticeiros. Masa lógica e a matemática tem limiteis; feitiçaria e fórmulas não conseguiam fazer essa mágica; mas o bobo da corte – que chamavam de palhaço e não foi consultado por ser bobo – assegurou ao rei que atenderia ao pedido da menina. Orei fingiu que ele não era bobo, e deu licença.

- Princesinha, qual é o mesmo o tamanho da lua?

- Assim, do tamanho duma medalha.

- De que é feita?

- Ela é toda de prata.

- Agora ela está muito alto no céu. Quando chegar à altura daquela arvore, eu subo lá e pego a lua para você. Durma sossegada, que ela demora a descer.

Enquanto a lua descia atrás das arvores, o palhaço vai aos tesouros do rei, escolhe uma linda medalha, branca e redondinha como a lua. Prende-a num cordão de ouro e aguarda o sol chegar.

A corte inteira quis presenciar o espetáculo. O palhaço com as mãos nas costas, olhou para a princesinha e disse:

- Querida princesinha, que acaba de acordar com um beijo do sol bem na ponta do nariz, adivinha o que eu tenho escondido aqui?

- A lua! Gritou a menina

- A lua! Respondeu o bobo

- A lua! Gritou o rei

- A lua! Todos gritaram por todo o palácio.

E o bobo da corte pendurou a lua no pescoço da menina. E a menina sarou completamente.

No dia seguinte, a menina e o bobo olhavam pela janela. E lá apareceu de novo a lua no céu. Mas o palhaço explicou:

- Veja princesinha, como Deus é bom. Roubei a lua lá de cima, e ele pôs outra no lugar.

James Thurber

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

A Magia do Papel em Branco


Época de eleição, verdade, mentira e muito papel no chão. Era moleque; não entendia quem ia ganhar, ou o que eles tinham para oferecer; mas o que não faltava era papel e para quem não tinha onde escrever, era só aproveitar o parte branca do panfleto.

Na falta de um caderno para escrever meus contos, minhas histórias, os panfletos eram perfeitos. Quanto maior o panfleto do político, mais espaço eu tinha para escrever, para desenhar, para rabiscar as idéias que formariam o homem que sou. Para a minha sorte, naquela época ninguém havia pensado em colocar a foto do político na frente e no verso do panfleto.

Sim, era um tempo difícil, mas não menos divertido. Minha mãe só tinha dinheiro para comprar os cadernos da escola, os quais ela vistoriava constantemente. Era repressão na certa quando ela percebia qualquer espaço usado para escrever algo que não fosse matéria da escola. – Para quê você escreve tanta bobagem, menino? – dizia ela. Eu não tinha resposta, só sabia que havia uma história para contar.

O problema era que eu não parava de escrever, minha cabeça estava cheia de idéias, cheia de sagas dos meus heróis, personagens que gritavam, imploravam para se tornarem vivos no movimento das letras, no desenho das palavras.

Eu vivia escrevendo em papel de saco de pão, em guardanapo roubado das lanchonetes onde nunca comi uma refeição. Para um garoto pobre com fome de papel, panfletos caindo do céu, dos caminhões e carros, era como se chocolates caíssem dos prédios em dia de São Cosme e São Damião.

Nos dias de hoje, não aguardo mais a época das eleições com tanto entusiasmo, porém, toda vez que vejo panfletos de políticos no chão e entupindo bueiros, lembro desse moleque e fico desejando que houvesse outros garotos escritores por ai, reciclando panfletos e colocando no papel sua visão de mundo, afinal um bom conto, uma história não tem o poder de mudar os rumos de um país, mas se bem narrada, pode fazer todo um povo sorrir e sonhar.

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

AURIVERSÁRIO (Crônica de Aniversário de Casamento)

São Tomé das Letras, linda noite de lua cheia. Ainda estou lá.

A brasa queimava para cá, o crepitar das faíscas a dançar para lá e em meio a junção entre a fogueira e o luar, a vi chegando, com um lindo vestido indiano, sorriso gigante no rosto, olhos a cintilar.

Seus cabelos pretos compridos se uniam com os fios negros da noite, sua pele branca era a lua prateada que vinha me iluminar. Eu ainda estou lá.

Quem era essa menina? Questionava sem parar, tentando imaginar se ela viria pra ficar ou seria como a brisa que tocava meu rosto como um beijo de amada, mas tinha hora para ir embora.

Seu nome era Auri, e ela surgiu assim, como um passe de mágica recheado de pirimpimpim, para mim, para mim. Ela era um sonho e eu não queria acordar.

Eu estava no lugar perfeito, olhando para a moça que esperei a vida inteira chegar, por isso, eu orava sem parar: "por favor, Pai dos Sonhos, não me faça despertar".

E fiquei a versar, versar; sentindo o amor feito rio corrente fluindo do meu peito na direção do seu caminhar.

Ainda estou lá, vivendo aquele momento, achando que ela vai desaparecer quando o dia raiar; mal imaginava que onze anos depois, ela seria o último sorriso que eu veria ao dormir e o primeiro ao acordar.

Quinze anos de casamento, quase duas décadas de jornada: viajamos o mundo inteiro, descobrimos outros versos na poesia das linhas das mais diversas religiões que o ser homem criou, cantamos pontos de Umbanda nas ruas de Londres, pulamos "Govinda, Gopala" nas areias do deserto do Sahaara; e pensar que tudo começou, com a falta de fé. Jamais pensei que seria possível encontrar tal mulher, então fui parar em São Tomé...

Quinze anos e cada dia é um novo conquistar, papos sem-fim que se derramam pela noite, carinho sem pressa de quem tem todo o tempo do mundo para amar. Estar com ela é salgado, é doce; é suave, como nunca achei que o amor poderia se tornar. Não precisamos brigar, para sentir aquele doce mel do reconciliar, afinal, quinze anos é tempo suficiente para ficar evidente que o amor não precisa de brigas constantes para sólido ficar.

Gostaria que todos que estão lendo essas palavras pudessem sentir um pouquinho do que sinto nesse dia tão especial e lindo; gostaria que todos pudessem experimentar um tiquinho do que é viver nadando em respeito, amizade e carinho; e como não posso cortar meu peito em pedacinhos e sair distribuindo, faço o meu milagre da multiplicação das letras, para que todos possam compartilhar comigo através das palavras, essa data tão querida que é estar ao lado da minha grande amada nessa jornada maravilhosa da vida.

Ps: E quase ia esquecendo da Princesa do " Combinado" e do Príncipe dos " Bruguelos" que vieram nos lembrar que esse moleque vagamundo e essa menina do céu cintilante ainda tem muito o que viver junto essa alegria de amar em família...


Frank Oliveira
07 de fevereiro 2009
15 anos de jornada de amor


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