sexta-feira, dezembro 31, 2010

O ANO QUE VALEU UMA DÉCADA

Há anos que valem por décadas. Esses anos não são contados pelas folhas do calendário; são lembrados pelos rostos encontrados, pelos milagres não esquecidos, pelas benções que recebemos todos os dias, mas que em certas datas se tornam mais simbólicas, representando um rito de passagem, que nos torna mais confiante para arriscar não só sonhar, mas principalmente ousar realizar esses desejos, que de dezembro à janeiro, pelejamos em conquistar. 2010 foi um ano desses, muitas conquistas, muitos sonhos realizados; que não vieram fácil, mas deu alegria e prazer, de ir lá buscar...
2010 também foi um ano difícil, muitos desafios, batalhas perdidas; mas não desistimos, e ao provar desse perigo, nos demos conta que enquanto estamos vivos, precisamos evitar as zonas de conforto, pois o que parece nos apoiar, na verdade, muitas vezes, está roubando as nossas forças; daí, a magia da mudança, o significado de deixar transmutar, mudando sempre o que somos, nesse eterno alquimizar. Sim, dói mudar, dói enfrentar todos esses demônios, mas há os anjos, há sempre uma música a tocar para nos lembrar que somos Filhos do Homem e Pai nenhum há de faltar.

E não faltou amor! Seja da mãe, da companheira, de um amigo; seja até de um desconhecido; tenho certeza que você teve a sua dose de carinho, se não teve, é porque não se lembra daquela palavra gentil, da ajuda inesperada de um estranho, que na verdade era apenas um disfarçe da Grande Amizade, outro nome de Deus, talvez, o mais esquecido.

Por isso e por tanto, te digo, obrigado Amigo! Você esteve presente quando mais eu precisava, e se não estava, é que eu estive distraído, talvez olhando paro o meu próprio umbigo demais, tão demais que não te vi passar.

Dessa data que se encerra, com todo o símbolo que os homens da Terra colocam nela, não podemos deixar de agradecer a você, meu Amigo de Todas as Horas. Pedidos sempre são muitos, promessas servem apenas para serem quebradas, mas a Tua amizade, eu levo comigo, em todas as datas, quando ela se encerram e quando elas recomeçam...que venha o Novo Ciclo!

Farewell 2010;
Welcome 2011!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

GERENCIE SUA MENTE E VIVA MELHOR

Por: Nelson Tanuma

Se ao longo da sua vida você teve por hábito acumular tarefas inacabadas, juntar papelada inútil em suas gavetas, atulhar sua mesa de trabalho, com projetos que foram abandonados e guarda magoas por problemas de relacionamento interpessoal mal resolvidos, eu diria que você tem sérios problemas relacionados ao acúmulo de lixo mental.

Saiba que os compromissos não concluídos consomem nossa energia mental, a qual poderia ser usada de forma útil e produtiva através da administração correta mente, começando pela faxina mental.

Ao ignorarmos o acúmulo de pequenas pendências acabamos por ter que lidar constantemente com muitos pequenos incêndios que geram crises constantes, que nos sobrecarregam de tarefas a realizar, e que nos transformam em ansiosos crônicos, com preocupação orientada para as incertezas futuras.

Posso dizer que eu também ainda não consegui me livrar totalmente desse mal, já que estamos no final de novembro de 2010, e percebo que acumulei bastante sujeira em minha mente; sendo assim, é chegada a hora de eu por mãos-a-obra e limpar a minha mente, finalizando, imediatamente, as tarefas pendentes mais urgentes e importantes.

Todo final de ano, costumamos prometer para nós mesmos, que no próximo ano tudo será diferente, que entraremos na academia para modelar nosso corpo, que nossa alimentação será mais saudável, que seremos capazes de manter nosso controle emocional diante de clientes desagradáveis, colegas chatos, subordinados reativos e sem comprometimento, além dos chefes autoritários e prepotentes, entretanto, entra ano, sai ano, e as coisas continuam quase do mesmo jeito, percebemos que pouca coisa mudou, e o pior de tudo, é que quando não conseguimos cumprir os acordos que firmamos com nós mesmos, o estresse aparece.

A tudo que resistimos persiste. É importante que tenhamos uma idéia clara acerca de quais sejam as nossas prioridades. O momento é agora! Sejamos, pois, generosos para com o futuro dando o melhor de nos no momento presente, e tudo ficará cada vez mais fácil e melhor em nossas vidas.

Aos invés de nos preocuparmos apenas em administrar o tempo, é melhor que comecemos a gerenciar nossa mente, e ocupar nosso precioso tempo nos policiando em relação aos nossos pensamentos, palavras e ações.

As pessoas ficam esgotadas pelos seguintes motivos:

- desperdício de energia, pela falta de iniciativa em fazer as coisas acontecerem através de comportamento proativo;

- pelo excesso de tarefas inconcluidas;

- falta de organização de lembretes de assuntos pendentes;

- por deixarem de fazer um inventario completo em relação à hierarquia de relevância de seus objetivos e compromissos.

Ao me perguntar: Qual a relevância do meu trabalho para os mim e para as pessoas que me são importantes, e também para a sociedade? O que mais importa para mim? Porque eu estou neste planeta? Qual meu propósito de vida?

Eu começaria respondendo que a produtividade em meu trabalho é algo importante na medida em que consigo produzir mais com menos esforço, para assim, tornar-me um elemento útil para a sociedade.

Já, a motivação para o trabalho tende a aumentar, na medida em que aquilo que fazemos esteja alinhado com nossos valores e objetivos de vida. Tudo tende a melhorar na medida em que gostamos do que fazemos.

Parece-nos que a “vida de verdade”, esta sempre prestes a começar, e os obstáculos que aparecem a todo instante, cria em nós a ilusão de que as coisas ainda não aconteceram, que a nossa hora ainda não chegou, porque teria algo importante ainda por acontecer, por haverem tarefas que ainda não foram finalizadas, ou até por existirem dividas que não foram pagas.

Para que consigamos ter uma visão mais límpida em relação ao nosso desenvolvimento profissional e crescimento como ser humano, precisamos comecar limpando nosso quarto de bagunças, local onde quardamos as coisas que um dia fizeram parte de nossas vidas e de nossos familiares, já que as bagunça no nosso espaço físico tem reflexos em nosso mundo mental.

Precisamos criar estratégias de desenvolvimento, pois, de nada adianta você ter um planejamento estratégico de vida e trabalho magnificos, se você não consegue sequer, limpar a edícula da sua casa ou o depósito da sua empresa.

A administração saudável de sua mente abrirá espaço para a criatividade que é o fator primordial para a quebra de paradigmas paralisantes. Devemos usar nossa inteligência emocional para conseguirmos manter relações humanas harmoniosas e salutares, para termos mais tempo livre com nossa família e amigos, enfim, para podermos ter melhor qualidade de vida, com menos ansiedade e estresse.

(Nelson Tanuma que é palestrante, professor e escritor, há mais de 10 anos vem ministrando cursos e palestras pelo CIESP/FIESP, Fundação Bradesco, SEBRAE-SP, Universidade de Mogi das Cruzes, Universidade Corporativa da ACMC e organizações diversas, seus artigos são publicados periodicamente em 15 veículos de comunicacão: jornais, revistas, periódicos, portais e sites diversos)


fonte: www.nelsontanuma.com.br

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Kal-El de Jesus

Kal-El caiu do céu, feito estrela que abandonou o céu, na cidade de Belém, no Dia 25 de dezembro. Foi achado por três Reis Bombeiros Magos que lhe batizaram com um super nome: Kal-El de Jesus!

Mistério! Alguns dizem que ele veio de Kripton; outros, que foi jogado da janela do quinto andar por sua mãe inconsequente; mas todos concordam que o menino é especial, pois tendo caído do céu ou do prédio, o moleque resistiu bravamente à falta de oxigênio, e a queda; escondido dentro da sua nave: um saco plástico de lixo.

Herói, foi assim que o menino foi apelidado pelos bombeiros magos que lhe trouxeram os três presentes mais essenciais para uma criança que acabou de chegar a esse mundo: proteção, alimento e carinho.

Conta a lenda, e os jornais, que esse menino tem uma missão de nos provar que milagres acontecem, pois além de sobreviver ao desejo de execução da sua mãe herodiana; também veio trazer a mensagem que a Vida é bem mais forte que a gente imagina...


A história do menino Kal-El pode ser lido no link abaixo:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/851316-recem-nascido-e-abandonado-pela-mae-e-sobrevive-a-queda-de-2-metros-em-belem.shtml

terça-feira, dezembro 28, 2010

MR. NICOLAU

Mr.Nicolau veio me visitar; cruzou Guarulhos, atravessou São Paulo e veio parar na Vila Arapuá, nas portas de São Caetano do Sul, só para me ver! Para contar, como ele está, para ouvir como eu estou; para dizer que nunca me esqueceu, que sempre será amigo meu. Tenho certeza disso, sempre tive, conheço ele há vidas, desde a Paraíba, desde quando comecei a contar estória e a fazer a minha história.

Amigos de infância...quantos ainda vemos? Quantos ainda ligam? Feliz do homem que mantém contato com seus primeiros amigos, feliz da mulher que não os esquece; Mr. Nicolau nunca me esqueceu; sempre arruma um jeitinho de me encontrar; nunca quis me reciclar, segundo ele, ninguém é perfeito, não existe amizade perfeita, mas amigos de verdade são para sempre e eu sou o seu amigo.

Já ficamos anos sem nos ver, sem saber como e aonde o outro estava. Já passamos por fases e faces que é melhor esquecer, mas nunca deixamos de lembrar um do outro; e foi isso o que o Mr. Nicolau veio me contar, que pode passar o tempo, pode passar o espaço, pode passar "os Bones e as Houses", podemos passar até vontade, mas sempre seremos amigos um do outro, amigos do mundo, amigos de infância que podem ser amigos do presente e do futuro.

Obrigado, Mr. Nicolau, por sua amizade!!!

Mr. Nicolau na web:
http://www.atitude-rna.blogspot.com/

RITUAL DE RENASCENÇA

Por Jane Chiesse Zandonade

Em meio a festas e vestidos brancos, preparo-me em silêncio: passo-me o perfume ...predileto, tiro as sandálias, desalinho os cabelos, escolho o batom bem vermelho; retiro da gaveta a sacola já preparada e a carrego porta a fora, ombros eretos, coluna alinhada.

O vento me carrega, amigo impaciente, célere cavaleiro do invisível: vvvaaaiii...

Não ouço mais a música imposta por algum vizinho; só para ele fantasio a emoção fácil de lembranças atrozes.

Subo a ladeira e lá no alto, na praça deserta, debaixo da amendoeira que sem eira nem beira debruça-se em reverência vazia – sou rainha? princesa do óbvio? – bem ali na escuridão do mato-não-mato e terra cansada, enterro um porta-retrato.

Para saber mais sobre a autora: http://versoeprosa.ning.com/profile/JaneChiesseZandonade

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Dia da Auri

Essa manhã, preparei o pão, o cereal, as frutas e o iogurte; deixei derramar o leite, mas consegui misturar o que sobrou com o café; colocando tudo na bandeija, levei para o quarto, e ao tentar acordá-la sem a assustar; cutuquei o seu braço, mas ela moveu o pé, acertando a bandeija que eu trazia na mão e derrubando boa parte do café, e o pão que caiu no chão, como esperado, com a parte passada à manteiga pra baixo. Olhei a cena com cara de trágico; ela pediu desculpas e caiu na risada. Comédia romântica é o seu gênero, durmo com essa mulher há 13 anos, e todos dias acordo com ela desse mesmo jeito, bem humorada!

Apanho o pão, refaço o café, ela finge que volta a dormir e eu que a acordo de novo, dessa vez, com a bandeija à distância. Ela abre os olhos, faz de conta que esta surpresa; eu pergunto se ela não quer tomar o café na mesa, ela responde que não, prefere café na cama, mas pergunta: "esse pão é novo ou é o pão que derrubei no chão?"

"O que não mata, engorda", respondo, novas risadas; mas tenho cuidado, pois, ela quando ri, ri tanto que lhe falta o ar; peço que ela fique séria, afinal, ela não anda mais sozinha; daí, ela fala: "o bebê tá rindo também:)"

Acho que sim, se bom humor faz bem para a saúde, o bebê vai bem e cresce bem, afinal, se uma boa gestação depende de um ambiente repleto de amor, atenção e alegria, esse bebê, que ainda não sei se é José ou Maria, deve ter motivo de sobra para pular para este lado da vida. Sou suspeito em falar, mas acho que ele/ela escolheu bem a sua família. É o que eu digo a Auri em seu "Dia".

Meu amor faz aniversário hoje, a comemoração fica por minha conta, começando por essa crônica, onde compartilho com vocês, a graça de ter encontrado tão maravilhosa companheira, e a melhor forma de agradecer esse presente, é contando para toda a minha gente: que vale a pena rir do leite derramado, do pão derrubado e do chute na bandeija, quando se tem um companheiro/companheira que te faça melhor só por ele/ela existir.

O Encanto dos Orixás, por Leonardo Boff*

Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a umbanda, religião nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século 20, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual. O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada de Jesus.

O nome umbanda é carregado de significação. É composto de om (o som originário do universo nas tradições orientais) e de bandha (movimento incessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso País, criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que por meio dos guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os orixás, a mata virgem, o rompe-mato, o sete-flechas, a cachoeira, a Jurema e os caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteísmo, mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.

A umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.

Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York, que se deixou encantar pela religião da umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos, elaborou perspicazes reflexões que levam o título de “O Encanto dos Orixás”, desvendando-nos a riqueza espiritual da umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.

Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos. Como se dizia nos primórdios do cristianismo, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.

Talvez algum leitor estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.

lboff@leonardoboff.com

*Teólogo, professor e membro da Comissão da Carta da Terra

Minha Rosa do Jardim (Padrinho Alfredo)

Minha Virgem Mãe,
vós que me fizeste assim;
Minha Flor, minha esperança,
minha rosa do jardim!

sábado, dezembro 25, 2010

NATAL


"Viva o Divino Pai Eterno!
Viva a Rainha da Floresta!
Viva Jesus Cristo Redentor!
Viva o Patriarca São José!
Viva todos os Seres Divinos!"

quinta-feira, dezembro 23, 2010

O MEU PRESENTE DE NATAL

O meu presente de Natal chegará atrasado esse ano. Não estou triste, pois o bom velhinho que não pode vir, mandou a cegonha me entregar a mensagem que no mais tardar em Junho, desce "ou sai" pela chaminé da vida, o meu presente na forma de uma estrelinha.

Tenho que esperar, mas já posso ver que recebi o que pedi, não sou mais apenas filho, vou ser também pai. E não é todo dia que nos tornarmos pai de uma estrela; sim, meu presente é uma estrela; vejo o seu brilho pela tela do ultrasom, o seu corpo se formando, gente se tornando. Mergulhado no mar de placenta, minha estrelinha mexe as mãos, parece escrever; estica os pés, pedalando, talvez, uma bicicleta imaginária.

- Quer saber se é menina ou menino? - pergunta a médica.

- É importante? - pergunto de volta.

Varão ou Varinha de Condão, tanto faz, minha estrela já é pura magia, pois preenche o meu coração com um amor que eu não sabia ser possível sentir até então. Afeto, dos mais sinceros, flui em sua direção e me surpreendo com uma reflexão: " será que meu filho sabe que é semana de Natal aqui fora e que eu já sei que ele é o meu presente?"

Deve saber, pois acredito que ele já percebe, ou ao menos, já sente o que seus pais sentem.
Deve ser tudo muito diferente, pois do lugar aonde ele está, tudo é descoberta, tudo é renovação.

- O que você quer ganhar de Natal, bebê? - pergunto, passando a mão na barriga da minha esposa, que também realiza o seu sonho de ser Mãe dessa criança tão esperada.

- Nada, papai, nada! - ele pode estar respondendo - Já tenho o que preciso - ele conlui, sabendo que nesse momento, tudo o que ele mais precisa é receber muito amor, carinho e atenção.

De acordo com a minha crença, ele já deve ter esquecido tudo o que foi em outras dimensões, para ser recoberto pelo nosso cuidado e revestido com tudo aquilo que reservamos para ele; incluindo nisso, todas as minhas crenças; o que incluo nelas, esse sentimento de esperança e compaixão que somente o Natal provoca em nossa cultura.

E eu acredito que o Natal é isso tudo, mais um pouco, de tudo novo, talvez um novo corpo; nova vida, vida nova, uma renascida estrada repleta de tudo aquilo o que representa ser filho, ser pai e ter uma família, sim, "família" é a palavra mais bonita relacionada ao Natal. Família, eu, minha esposa, meu filho ou minha filha. A minha família!

Quero gritar: Obrigado Jesus; Grato, Noel! Não grito, mas agradeço a todos os Seres Divinos, aos meus antepassados, a todos aqueles que me permitiram estar vivo e ter essa oportunidade de perceber meu filho caindo do céu, ganhando um corpo e retornando a Terra.

O ultrasom mostra o coração da minha estrelinha e se todos vocês, amigos leitores, pudessem ver a cena, veriam um Paraíba Vagamundo Chorão, percebendo que há emoções na vida que só conseguimos sentir no momento certo. Levou-me 37 anos para ter a coragem de mergulhar no amor incondicional que só ocorre quando nos tornarmos pais.

Amor incondicional que talvez, só Cristo tenha sentido pela humanidade, ao enxergar todos nós como filhos, irmãos, crianças revestidas de carne, brilhando em espírito a esperança de um dia também sentirmos um pelo outro, por um estranho, pelo vizinho, uma fração desse amor que estou sentindo pelo meu filho.

Eu não poderia ter recebido presente mais bonito. Será que eu mereço tudo isso? - Pergunto-me - e ouço a voz da minha vó dizendo: "Sim! A gente só recebe o que merece!"

Acho que fui um bom menino...:)

Feliz Natal, meu amigos!

A MÁ TEMÁTICA DA VIDA (3)

Por Lázaro Freire

"It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by"

E novamente é Natal, lá vem as mesmas canções. Mas, enfim, dois textos depois, porque os anos ainda insistem em passar cada vez mais depressa? As explicações definitivas se fazem necessárias e urgentes. Até porque, se não notou, isto é uma trilogia.

Modernismos, esoterismos e sociologias à parte, a sensação do tempo estar se encurtando a cada ano já existia há séculos. E naquela época, tinha mais a ver com a matemática do que com mudanças vibracionais. Vamos aos números:

Quando eramos crianças, demorava muito para chegar o tal "ano que vem". Nada mais natural: Aos 7 anos de idade, só me lembrava de fatos a partir dos 4 ou 5 anos de idade. Toda minha então longa experiência de vida havia durado 3 anos. Um ano a mais significava um acréscimo de 33% bruto - e muito mais em termo de conteúdo e descoberta, já que os conhecimentos eram progressivos, como se houvesse, ainda por cima, um "fator multiplicador". Em termos de significado, um ano parecia uma vida. E era pelo menos 1/3 dela.

Com 10-12 anos, saindo do primário, descobrindo o corpo na pré-adolescência, a vida social, os livros, o mundo - e a janela do banheiro da vizinha - eram, ainda assim, apenas 5 a 7 anos de experiencia. Acrescentar 1 eram mais 20%, mas... QUE 20%!!! E que vizinha! Matérias, professor, vizinha, canetas, roupas da moda, vizinha, música, festas... Os 20% eram literalmente outros 100%. Havia um grande aproveitamento do tempo. Isto compensava o longo tempo desperdiçado no banheiro.

Mais à frente, saindo da adolescência, os anos de descobertas intensas já são significativos na bagagem de vida - e as mudanças, se ainda existem, se tornaram um padrão, e não mais uma revolução na vida infantil.

Com 20 anos de vida, 15 documentados, um ano mais representa seus 5 a 8% de acréscimo. Sem multiplicadores. É mais um ano, com seus novos rostos e responsabilidades. Ainda significativo, mas nesta fase todos começam a sentir que os anos "ficaram mais rápidos".

Com 35, já na rotina, casado ou descasado, precisando acordar todo dia, pegar transito, trabalhar, almoçar, trabalhar, pegar trânsito, comer, transar, dormir, acordar - e procurar um significado (espiritual, amoroso, lazer, etc) para o (pouco) tempo que resta, nosso ritmo de mudanças é outro. Já não nos interessamos mais pelas mesmas coisas. Nem pela mesma vizinha que, inconveniente, responde 15 anos e quilos depois ao nosso antigo chamado, definitivamente sem o mesmo sex-appeal.

E assim, até o km de estrada em que cheguei, boa parte do tempo é desperdiçado pela rotina, que nos cobra caro - em tempo que gastamos e novidades que não podemos viver - o aluguel de estarmos vivos na Terra. Tivessemos nós 10% de tempo para adquirir novas experiencias, se submetidos à rotina aproveitariamos apenas 1% deles, infelizmente.

Os novos anos diminuem em proporcionalidade, e, aos 35 de vida, 30 de lembrança, 15 de rotina, 1 ano significa apenas 1 ano - ou menos que isso. Aproveitamos menos em experiências, e mais em sabedoria. A prudência nos impede de vivermos situações indesejaveis, involutivas, que não vão dar em nada, que terminam todas da mesma forma - mas que, confesso, eram deliciosas.

O multiplicador se torna divisor. A terapia ocupacional de viver faz com que os dias se assemelhem, e já é Natal outra vez. As situações novas, para muitos, são repetições de antigas, em novos rostos e lugares. Especialmente para quem não se renovou - ou resolveu. Um ano a mais representa matematicamente menos, e precisariamos viver uma ou mais dezenas deles para ter a sensação da juventude que passou. E que não volta nesta encadernação.

Naturalmente, o tempo que aos 20 parecia passar um pouco mais rápido ("nossa, ESSE ano passou tão rápido PRA MIM") aos 30 vira uma espécie de certeza ("pra vc também esse ano foi rápido como para mim?"), e aos 40 transforma-se numa quase-filosofia (os anos estão passando mais rápido hoje em dia).

Vamos precisar de mais uma década para que a ficha caia: Os anos passam igual, mas nós estamos passando por eles de forma diferente.

Até por isso, precisamos compreender melhor "quanto tempo há no tempo", e como é importante poder extrair, de cada segundo possível, o máximo de vida, amizade, experiência e amor.

Talvez precisassemos todos cozinhar mais, para compreendermos a infinidade de coisas que pode ser feita em 3, 10 ou 20 minutos.

A dura conclusão é que os anos passam mais rápido para todos, na razão direta em que, rapidamente, passamos pelos anos. Na próxima vez que sentir que o Natal chegou muito depressa, matematicamente isso possui um só significado:

Você está ficando velho, amigo. Só isso. Mas ainda há tempo de não deixar a rotina lhe envelhecer também o coração. De se resolver, de se renovar, de recontratar o prazer de viver.

É por isso que - há tempos - procuro viver melhor e com mais tempo cada tempo que o tempo tem.

As time goes by.

Lázaro Freire

--
Lázaro Freire
lazarofreire@voadores.com.br

Fonte: http://www.voadores.com.br

quarta-feira, dezembro 22, 2010

MULHERES – SAGRADAS E AMADAS

(Centelhas Vivas da Mãe Divina)

Por Wagner Borges

Todas as mulheres são sagradas.
Porque elas são nossas irmãs!
Devem-lhe respeito o parceiro, o pai, o filho, o irmão, e todos os homens.
Porque a Mãe Divina está dentro delas.
Elas são Suas joias preciosas e veículos da Vida,
Podemos desejá-las, pois isso faz parte do jogo vital da Natureza.
Mas não podemos aviltá-las, de forma alguma.
Porque elas são nossas irmãs!
E, mesmo quando elas se esquecem de sua essência espiritual e cometem erros, ainda assim são centelhas vivas da Grande Fonte Imanente.
Podemos olhá-las e amá-las, mas conscientes de que estamos nos fundindo à Mãe Divina, por intermédio delas.
Ah, parceira, mãe, filha, prima, tia, avó, amiga... São todas elas nossas irmãs!
E todas elas são muito amadas pela Mãe Divina.
E não importa o jeito que têm ou o que fazem, pois são sempre pedacinhos vivos de um Grande Amor, que permeia a tudo.
Às vezes, elas falham (assim como nós mesmos), mas a Mãe Divina as abraça, incondicionalmente.
E elas também choram por seus parceiros, filhos, pais, irmãos e amigos...
E a Mãe Divina, em silêncio, transforma suas lágrimas em pétalas de luz.
Sim, elas são nossas irmãs!
E a luz da Grande Mãe brilha nos olhos delas.
Então, vamos respeitá-las e honrá-las!
E, assim, transformaremos a nossa arrogância e machismo em novas expressões de equilíbrio e alegria na jornada afetiva com elas.
E, juntos, honraremos a Mãe Divina.
Para a parceira, a nossa admiração e amor.
Para a mãe, a nossa gratidão.
Para a filha, o apoio incondicional.
Para as amigas, o compartilhamento da lealdade no convívio.
Para todas elas, nossas irmãs, um grande beijo no coração.

P.S.:
Ah, Mãe Divina, nós lhe agradecemos, por tudo.
E pedimos a Sua inspiração para transformarmos a nossa prepotência masculina em compreensão e luz.
Porque masculinidade não se prova por meio da violência e da opressão.
E caráter firme não é teimosia nem truculência.
Caráter é integridade! E o que integra o Ser é o Amor.
Chega de arrogância e violência contra as mulheres.
Porque elas são nossas irmãs!
Vamos deixar para trás aquela mentalidade antiga e dolorida.
E vamos escutar os nossos corações cantando uma nova jornada criativa nas relações com as mulheres de todas as condições e lugares.
Porque elas são nossas irmãs!

(Dedicado a Maria Rita Borges, minha mãe, e a Helena e Maria Luz, minhas filhas – e a minha amiga Irene Carmo Pimenta, mulher consciente e valorosa.)

- Wagner Borges – aprendendo a ser homem de verdade, com caráter e integridade.
São Paulo, 03 de dezembro de 2010.


Para saber mais sobre o IPPB e o trabalho do Professor Wagner Borges, acesse:
www.ippb.org.br

A MÁ TEMÁTICA DA VIDA (2)

Por Lázaro Freire


"And when two lovers woo
They still say, ´I love you.´
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by"


Todos notamos que, a cada ano, o tempo parece passar mais rápido. Há até explicações científico-espiritualistas para esta "aceleração crônica", mas o problema dessas teorias quânticas é que extrapolam o limite pleiadiano do bom senso, unindo o bóson de Higgs à astrolofísica ufológica para explicar a religião dos Maias - os do Egito, é claro. Chamo seus adeptos de conversores do templo. Digo, do tempo.

Vocês até conhecem o discurso. Mas quando ocorre na vida real, é ainda mais hilário:

... E eis que encontro na Paulista minha amiga esotérica bonitinha, que acha "o máximo" eu saber tanto "destes assuntos" espirituais. Nem penso em desconsiderá-la, até porque ela já pula em meu pescoço e me manda um beijo. Como ninguém sabe do amanhã (estou com 40, apesar do jeans), melhor chamá-la de "Zoraide". Afinal, ela nem me chama de tio. Quem poupa, tem.

O perfume me invade: incorreto, provavelmente nacional, mas deliciosamente juvenil. Se não consigo sequer voltar a respirar, desisto de tentar raciocinar. E então - maldita sincronicidade - "Zoraide" me diz, à queima roupa, com lindos olhos brilhando por mim:

- Láz, você é um daqueles que também notou que o tempo passou mais rápido?
- Sim, querida, até escrevi um artigo de fim de ano dizendo que estamos vivendo mais porque ...
- Não, querido! Adorei seu texto, mas você complica muito com essa mente de terceira dimensão. Há outra explicação. Láz, você sabe muito, mas precisa deixar um pouco essa sua mente, e escutar mais o coração...

Com aquela ninfeta sorrindo para mim, quem sou eu para dizer que não?

- Eu fiz um curso no mês passado. Ah, Láz, você precisa conhecer a enegia quântica! Agora sou um Mestra Espiritual.

Eu a parabenizei, embora os seios que há pouco encostavam em mim me sugerissem temas terrenos onde ela provavelmente desenvolveu maior mestria.

- Eles falaram destas pessoas como nós, que notam o tempo passando rápido!!!
- Não diga. Qual é a explicação que dão?

Perguntei sorrindo, só por perguntar. Não devia, pois meu horário de almoço também passava rápido demais. Zoraide fez expressão vaga de quem se leva a sério e, mudando a voz, foi enfática:

- Somos escolhidos de Ashrion.
- De quem?

Não devia ter perguntado, mas foi o que saiu na situação. Infelizmente, ela respondeu:

- O guardião divino. Falaram no curso. Um de seus nomes cósmicos é Jesus, mas isso apenas aqui nesta dimensão. A mudança no tempo é efeito da transição que ele comanda no planeta. Ashrion é o anjo estelar mais elevado que você pode acessar com seu mér-cabáh.
- AAAhhh

Não fosse uma rima, seria uma decepção.

Não seria tão fácil abduzí-la para uma fusão cósmica: no meio do caminho havia uma nave. Brochei, mas foi a primeira vez em que isso me ocorreu. Juro por Ashrion.

- É sério. A ativação do portal 12:34 no último dia 8 do 8 de 2008 confluiu no kin da convergência harmônica, preparando os terráqueos para 2012. A profecia maia. Você sabe, né?
- Claro!

Foi o mais prudente que pude dizer. Até porque, Zoraide é tão encantadora quanto crédula... Infelizmente, a loirinha era outras coisas também:

- Até parei de usar esses relógios no pulso, para não ficar presa no tempo quadridimensional de 24 horas e 12 meses. Me libertei do tempo: Agora só vejo as horas no celular.

Isso mudava tudo, pensei. Não sabia que era tão fácil evoluir. Difícil mesmo seria encontrar um modelo de celular com o calendário maia das 13 luas. Mas prudentemente, achei melhor não questionar.

- E o alinhamento dos planetas, você não ouviu dizer? É como dizia a canção: Quando o alinhamento do sol se opor a mercúrio, será o início da nova era.

Que mania besta essa a minha de não escutar os profetas da MPB, e ainda querer discernir. Quantas noites de "integração atemporal" devo ter perdido por esse meu defeito? Oposição Sol x Mercúrio? Mercúrio de um lado, Sol do outro? Não sou adivinho, mas se minha observadora estiver no meio disso, ela deva ser muito mais "quente" do que aparenta...

Sei que eu não devia, mas tento ponderar. Afinal, não sei se já disse, ela é bonitinha, bem mais nova, me dá bola, e - mais importante - nem me chama de tio... Viva a nova era de Paulo Coelho, em que quarentões carecas como eu se dão bem com beldades assim - desde que usem cavanhaque, vistam-se de preto e façam palestras de esoterismo.

- Errrr... Não é por nada não, Zô, mas isso aí de Mercúrio em oposição ao Sol não seria meio difícil de acontecer, astronomicamente?
- Então, Láz!!!???!!! Não disse que era um evento especial?
- ...

Prefiro não dizer nada, felizmente. Infelizmente, ela entende isso como aprovação. Seus olhos brilham, excitada - felizmente. Infelizmente, falta pouco para ela começar a babar.

Sem notar o tempo do almoço passando depressa, ela resolve tomar o meu. Assume sua função de pastora da revelação divina da "nova" era - ainda que o script seja bem antigo, atualizando apenas o nome dos personagens.

Sem alternativa, invisto, quem sabe pela possibilidade de abduzí-la em alguma madrugada próxima. Pelo menos ela não me chama de tio - termo que automaticamente me faria "dar duas": broxar e brochar, agradando Aurélio e Houaiss. Mas a versão esquisotérica de Zoraide já não me parece tão excitante quando tagarela o que aprendeu no tal curso - de "Florais Quânticos", vim a saber depois.

- Um domingo inteirinho, e com certificado!

- ...

Como Zoraide aparentemente falava de um pós-doutorado em Astro-Física Teológica, me calei. Questão de ética acadêmica.

- Esta oposição convergiu alinhada, alterou a relação maia da circunferência para 6,28 - mas apenas na sexta dimensão, a da aqui da Terra. A prova disso foram as explosões solares, todo mundo viu. Vou te mandar o email que prova.

- ...
- É por isso que o tempo passa depressa. Entendeu agora?
- ... ... ... (reafirmo)
- Por isso, você PRECISA ler as obras do Comandante Estelar Kratatron, sucessor de Metatron, que canaliza por Allan Egon.

Percebi que os nomes terminados em N andam em moda na Fraternidade Espacial. Egon, Allan, Metatron, Kryon, Hilarion, Jan Van... Ou no máximo Sheran, Germain, Metatron. Deve ser influência de alguma novela das 7, após a moda dos EL e IM.

Enquanto minha amiga fala sem parar, me lembro de uma vez que ri ao notar, em uma Copa do Mundo (que chegam cada vez mais rápido), os vários jogadores de outros países tinham nomes terminados em OV, ou OVSKI. Achei engraçado. Um coreano amigo nosso, que trabalhava na Daewoo, me fez parar de rir, ao dizer que achava muito engraçado todo nome de jogador brasileiro terminar em INHO ou SON. Anderson, Denilson, Robson, Jenilson, Kleberson. Eu torcia para a Suécia sem saber.

- Kratatron? (digo eu, já menos resistente)
- Ele é a reencarnação do patriarca ítalo-judaico Nhoque, que incorporou em Saint Britain e disse ao "canal" Allan Egon para ativar o mercabah alquímico dos eleitos. Você ouviu sobre isso, né?

- Claro, que distração a minha.

Confesso que estou trocando alguns nomes por interesses cômicos e precauções judiciais - mas, acredite, os originais não devem nada à piada.

Tobias or not Tobias, noto que minha resistência, saudavelmente, se reestabelece. Pelo menos, me consolo, ela não me chama de tio. E é linda. E aqueles olhos verdes, brilhantes como as Plêiades...

- Você interpreta sonhos, né? Preciso te contar um que tive com Ashrion... Ele me raptou me introduziu uma sonda, acho que fui chipada. É, você fala de sonhos e sincronicidades... É porque depois de 2012 seremos os Guardiões da Fiel Chama Violenta do Raio-Vac Amarelo e Azul e bla bla bla...

Evitando interpretações Freudianas, avaliei que os ET´s tiveram bom gosto. Mas devem ter devolvido a terráquea e cancelado a invasão de nosso planeta ao notar que as espécimas estudadas não paravam de falar.

Num último suspiro de discernimento, tentando recuperar minha motivação para não desistir de vez dos "contatos mais imediatos" com a tal eleita de Ashrion, dou uma explicação menos apocalíptica às sincronicidades que tanto estudo.

- Errrr... Mas e meu bom e velho Jung? Ele também falava em sincroninidades, sem precisar de ...
- É que ele também era um eleito, tio.

Lázaro Freire
lazarofreire@voadores.com.br
Fonte: www.voadores.com.br

terça-feira, dezembro 21, 2010

A Autoria dos Pontos de Umbanda

" Eu vi Mamãe Oxum na cachoeira;
Sentada à beira do rio..."


Comecei a fazer um estudo sobre os hinos recebidos e cantados nos rituais de Santo Daime, o que levou-me quase que de imediato aos pontos de Umbanda, haja vista que essas duas religiões estão cada vez mais próximas, especialmente nas capitais do Sudeste do país. Assim como nos ritos que se utilizam da bebida Ayahuasca (ou Santo Daime/Huasca, etc); na Umbanda, o ponto ( o canto) é o elo de ligação entre o mundo espiritual e o mundo material, uma espécie de chamado para que a entidade que é saudada no canto, se manifeste ( encorpore) no médium, ou seja, o canto é o principal elemento do ritual.

Para prosseguirmos, é importante dizer que esse artigo não tem a pretenção de discutir essas religiões ou seus rituais, mas apenas tratar da questão de como esses cantos são tratados pela Umbanda em relação aos seus autores.

No Santo Daime, acredita-se que o hino é recebido pelo padrinho diretamente do astral, numa espécie de psicografia musical, e esse hino passa a ser parte de um hinário que será cantado em alguma data especial da agenda anual de ritos dessa religião; não sendo aceitos hinos compostos pelos próprios adeptos. Esse hinário, geralmente, é compilado e faz parte da indumentária de trabalho do participante, assim como a farda e o maracá. Na Umbanda, porém, apesar de haver uma indumentária e o rito também conter bailado e canto, não é comum, vermos os " médiuns" com hinários ou qualquer outro livro em mãos, onde esses cantos estariam registrados.

Se no Santo Daime, há uma preocupação muito presente das "puxadoras" em cantar os hinos de acordo com o ritmo e a cadência ditada pelo padrinho, de acordo com o que foi ouvido "no astral";o mesmo não ocorre na Umbanda, onde os hinos são cantados e tocados pelos "Ogãs" de acordo com as orientações do Pai de Santo ou Dirigente da Casa.

O que observei em minha pesquisa foi o fato de que as letras desses cantos se alteram de terreiro para terreiro; ou seja, eles são puxados e cantados sem uma devida padronização, o que leva a uma alteração também no ritmo e no próprio rito que se desenvolve a partir desses cantos. Talvez seja por isso que há tempos, perdeu-se a informação da autoria desses cantos. Junto com o autor, perdeu-se também o ritmo e a letra original, uma vez que os cantos são alterados não somente em sua letra, mas também em ritmo e cadência.

" Meu pai Oxalá É o rei.
Venha me valer.
Meu pai Oxalá É o rei.
Venha me valer.
O velho Omulu Atotô, abaluaiê"


Como a Umbanda expandiu-se em terreiros de fundo de quintal, muitas vezes, na clandestinidade, devido a perseguição religiosa; nunca houve a preocupação de uma formatação das regras de seus ritos, e com isso, os centros foram seguindo com os seus trabalhos baseados na tradição oral do "como era feito antes, deve continuar sendo feito"; os pontos/hinos acabaram tornando-se propriedade desses terreiros e dos seus ritos. A grande questão é que se os hinos da Umbanda tiverem sido recebidos no astral ou transmitidos por uma força maior, como ocorre com o Santo Daime, não seria essa alteração livre prejudicial para o rito?

"Eu vi chover
Eu vi relanpejar
Mas mesmo assim o céu ficou azul
Firma o seu ponto na folha da Jurema
Oxossi é tema de maracatu"


Nas religiões que se utilizam de mantras e bhajans indianos (hinduísmo, budismo, dentre outras); os cantos são também parte fudamental do ritual. Esses cantos e sons sutis são em sânscrito, uma língua que todos acreditam ser sagrada e que só existe nos planos superiores. Muitos dos mantras utilizados, acredita-se, que tenha sido recebido pelos antigos sábios da Índia, diretamente do astral; Sendo assim, a repetição das palavras devem ocorrer de forma correta, uma vez que, de acordo com eles, cada palavra forma um som único que repercute em uma parte do nosso ser e nos liga até as dimensões sutis. Se o som não for feito da maneira correta, ele não alcançará o resultado esperado, podendo até mesmo prejudicar o ritual e os seus adeptos.

"Om bhūr bhuva svar
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah prachodayāt"


Retornando a Umbanda e aos seus pontos, acredito caber aos dirigentes, a responsabilidade de organizar esses cantos, de forma, que os registros dessa cultura não se perca em meio a tradição oral. Porém, há muitos poucos "Terreiros" preocupados com a preservação dessa herança. Alguns dirigentes alegam que não é possível saber a origem desses cantos e a sua alteração é sempre autorizada pela "Entidade da Casa", porém, essa explicação não elimina a discussão sobre como seriam esses cantos em sua forma original ou sobre quem os teria recebido; nem muito menos, nos ajuda, a preservar uma tradição tão rica, e ao mesmo tempo, tão desconhecida.

Se por um lado, a ausência da informação dos autores impossibilita um estudo mais aprofundado sobre esses cantos; por outro lado, é interessante observar como os cantos se transformaram de lugar em lugar, alterando muitas vezes, até a organização do rito ou a simbologia da religião. Em São Paulo, Rio e boa parte do Sudeste do Brasil, por exemplo, há cantos que fazem referência ao Orixá Ogum como São Jorge; já na Bahia, os terreiros de Umbanda, fazem a correspondência com Santo Antônio de Pádua ou com São Sebastião, talvez por uma grande influência do Candomblé, tão preponderante na região.

Para complementar esse artigo, cito parte de um texto da autora Daniele do site:
http://religiaoespirita.com/umbanda/o-ponto-cantado-na-umbanda

" A música é utilizada desde os tempos mais remotos, como uma forma de contato entre nós, seres humanos e a Divindade. Na própria Bíblia existem muitas passagens que nos mostram isso.

A Umbanda, religião anunciada em 15 de novembro de 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, também utiliza desse processo, principalmente através dos pontos cantados, que são verdadeiros mantras, ou ainda, preces, que dinamizam forças naturais e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências Espirituais que nos regem, em especial os Orixás, Guias e Protetores do Astral.

O ponto cantado está entre os fundamentos de mais importância para os trabalhos dentro de uma tenda de Umbanda e por isso, os curimbeiros ou ogãs devem conhecer o mínimo necessário sobre a magia musical gerada por esses cânticos, para que os mesmos sejam entoados no momento certo, uma vez que possuem vibrações e finalidades próprias para cada momento ou tipo de trabalho. Isso é importante, pois, quando entoados em hora imprópria, os pontos podem perder o sentido, ou até atrapalhar a sessão. Por exemplo: de que adianta você cantar um ponto de chamada, quando as entidades já estão preparadas para voltarem à Aruanda? Se não for por ordem de um Mentor Espiritual, esse ponto em nada auxiliará nos trabalhos realizados, ou pior ainda, poderá sim, criar um problema, provocando a incorporação de uma entidade, numa hora imprópria, principalmente num médium ainda não desenvolvido.

Os pontos cantados dividem-se em pontos de raiz, que são enviados pelos espíritos (incorporados ou através de outra manifestação mediúnica, como a inspiração). Estes não podem ser modificados, pois possuem ligações diretas com a Entidade que o passou. Já os pontos terrenos, são feitos pelas pessoas, sem intervenção espiritual e podem ser aceitos pela Espiritualidade, desde que pautados na razão, bom senso e fé de quem os compõem. Deve-se tomar cuidado com a colocação das palavras, pois termos indevidos podem abrir portas para os planos negativos do astral, além de deixar uma marca negativa para a religião.

Quanto à função, os pontos podem ser, de chegada, de partida, de vibração, de descarrego, de saudação, de louvação, de demanda, etc….

É importante saber que, sendo o ponto uma oração em forma de música, o mesmo deverá ‘cantado com o coração’…. palavras jogadas ao vento não trarão as energias necessárias que ele poderia gerar e vibrar dentro do terreiro.

Sinta o que você está entoando e deixe a energia fluir, envolvendo sua casa com as forças positivas do Astral."

A MÁ TEMÁTICA DA VIDA 1

Uma anti-mensagem de fim de ano
Por Lázaro Freire

"You must remember this
A kiss is just a kiss,
A sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by"


Notou que mais um ano se foi? E cada vez mais rápido?

Aos 10, a frase era: "Falta muito para o Natal?". Ou, talvez: "Meu aniversário NUNCA chega!".

Aos 20, o discurso mudou. Diziamos: "Não sei o que aconteceu, mas ESSE ano passou rápido PARA MIM".

Aos 30, somos uma espécie de pesquisadores: "Nossa, esse ano passou rápido para você também???"

Aos 40, já somos cientistas. A nossa "certeza" é filosófica, quase esotérica - ou "quântica", que está mais na moda: "Tenho conversado com as pessoas e notado que, indubitavelmente, os anos estão passando muito rápido de uns tempos para cá".

Aos 50, a matemática vence a teoria, e tentam recuperar anos idos - nos poucos que parecem restar.

Aos 60, os lúcidos notarão que os anos se passam, iguais - enquanto nós é que, diferentes, os deixamos passar.

Já aos 70, tanto faz: "Os melhores anos, filho, ficaram para trás".

Sei que há várias explicações, do espiritual ao psicanalítico. Nem todas coerentes, mas algumas bem divertidas. Só evito as da "nova" física quântica, por precaução: prefiro não discutir religião.

Alguns notam que a média de vida sobe. Crianças ficam adultas mais cedo, enquanto um homem de 40 - antes um tio ou avô conservador - hoje é um jovem partindo para novos amores, carreiras ou atividades. Só não usem isso contra mim: aos 40, troquei o terno pelo jeans, a informática pela psicanálise - e sempre busco um "novo" amor a cada ciclo, habitando ou não a mesma pessoa de antes.

Ter 60 anos, na minha infância, era ser um ancião. Hoje, os 60 significam alguém maduro e... ativo, se é que me entendem. Já as crianças de 10 possuem hoje uma maturidade (no bom e no mal sentido) diferente das do "meu tempo" - cruel chavão.

Só calculo a idade de meus pais quando, sabendo que um dia deixarão o planeta, lembro que chegaram aqui em 1934. Filho único, me assusto com o resultado: Como? Eles aparentavam ter 50, o que me dava a ilusão de que durariam muito, até... uns 70 !?!? Me consolo: Isso deve ocorrer aos 90.

Na nova má temática da vida, há diferenças. Mudaram os limites do tempo de meus pais. Apresento meus novos cálculos - mas, por favor, desconsidere os renais:

Adultos de 60 ainda tem 40. Adúlteros aos 20 se casaram aos 18 - ou o inverso. Separados de 22 vivem a carreira dos 30, pouco depois. Nove, fora: estes já são, vejam vocês, adolescentes de 16. E os de 12, para desespero das integrais, possuem meia dúzia a mais.

E os de 30 a 40? Na proporção em que se tornam o meio, descobrem, com razão, que as diferenças entre avos e avós é mero acento. Mas apesar de livres para derivar idade a mais ou a menos, de acordo com o puerismo atual... ainda brigam com dores no assento, após algum esporte radical!

Nem me arrisco a desejar as curvas do mulherão que passa na Paulista - temo estar sendo pedófilo sem o saber. Ou ser chamado de "tio", já que os refrigerantes se esqueceram que aos 35 temos 20 - incluindo hormônios, gosto pelo belo e por viver.

Aos 60, sobram 20, que só então sabemos ser todo o tempo do mundo. Especialmente na solidão. Já aos 20, sobram 60, mas não há tempo a perder. Tudo é agora e tudo é para sempre, inclusive o amor. O que me lembra a paradoxal maldição: quanto mais cansado durmo, mais rápido toca o despertador.

Desisto de calcular, e me entrego: Nossa faixa de aproveitamento de vida está maior, começando antes e terminando (bem) depois. A quântica que me desculpe, mas talvez apenas a importância proporcional de cada ano mude, ficando menor em relação ao todo Vivido. As time goes by.

E isso muda nossa PERCEPÇÃO dos anos que passam.
Ou de como passamos, por eles, nós!

Lázaro Freire
É Psicanalista e Professor de Filosofia, também é owner da lista Voadores, a maior lista mundial sobre Viagem Astral (Projeção da Consciência / Corpo Psíquico; Desdobramento; OBE / OOBE / EFC - Experiência Fora do Corpo), e exoterismo em geral.


Para contato com o autor: lazarofreire@voadores.com.br
Fonte: www.voadores.com.br

ALGUÉM ETERNO E O OUTRO ALGUÉM

Por Eduardo Wilkosz


Os pontos levantados nos artigos anteriores são seguintes:
(1) O Nada Absoluto nunca existiu. Se tivesse, ainda existiria hoje. Mas Outra Coisa existe. Você, por exemplo.

(2) Como o Nada Absoluto nunca existiu, houve sempre um tempo onde sempre existiu Alguma Coisa. Essa alguma coisa chamamos de Alguma Coisa Eterna. Alguma Coisa Eterna não tem começo nem fim, não tem necessidades que ela mesma não possa suprir, pode fazer qualquer coisa que seja possível ser feita e sempre será superior a qualquer coisa que criar.

(3) A Alguma Coisa Eterna não é uma máquina, controlada ou programada por qualquer força além dela mesma. Ela não criará nada desnecessariamente, pois não tem necessidades. Por essa razão, se produz Outra Coisa, precisa tomar essa decisão. Isso quer dizer que a Alguma Coisa Eterna tem vontade própria; conseqüentemente ela é pessoal. Enfim, Alguma Coisa Eterna deve ser Alguém Eterno (ou mais de um).

Continuando, o que podemos dizer sobre o Alguém Eterno, além do que já foi dito? Visto que o Alguém Eterno não tem necessidades que ele mesmo não possa suprir, pode existir sem que precise de um meio ambiente, pois existia quando não havia mais nada a não ser ele mesmo. Qualquer meio ambiente seria algo além dele e por essa razão precisaria ser criado. Mas Ele é tudo o que existe.

É muito provável que o Alguém Eterno seja transcendental; o que significa que ele pode existir fora do tempo e do espaço, pois não é limitado por nenhum deles. Ele tem existido eternamente, portanto fora do tempo. E existe sem a necessidade de um meio ambiente, portanto fora do espaço.

Sendo transcendente ao tempo e espaço, é possível que o que chamamos de Alguém Eterno seja invisível. Somente aquilo que ocupa espaço é visível. Se algo está fora do espaço, como pode ser visto? Assim, é muito provável que Alguém Eterno seja invisível e que possa viver sem a necessidade de qualquer tipo de corpo ou forma.

Para o bem do próprio argumento, vamos imaginar que Alguém Eterno decide criar Outra Coisa – ou melhor, Outro Alguém. Alguém Eterno decide criar Outro Alguém que é semelhante a ele em alguns aspectos. Como ele, o Outro Alguém terá consciência própria, que é algo necessário para se ter vontade própria. Então o Outro Alguém tem uma personalidade e tem vontade própria.

O que mais podemos dizer sobre esse Outro Alguém? Estará Outro Alguém fora do tempo? Não. Outro Alguém não terá existido eternamente. O Outro Alguém terá um começo e, portanto, será limitado pelo tempo.

Lembre-se de que tudo o que Alguém Eterno criar será inferior a ele em relação ao tempo e espaço. Isso não pode ser evitado de maneira nenhuma. Então, mesmo que Outro Alguém fosse viver eternamente no futuro, ainda assim ele teria um começo no tempo. Na verdade, sua linha de tempo cairia sobre a linha (infinita) de tempo de Alguém Eterno.

E quanto ao espaço? Será Outro Alguém limitado pelo espaço? Sim. Somente Alguém Eterno pode viver sem nenhum tipo de meio ambiente. Outro Alguém precisará de um meio ambiente para existir, mas o quê? Pense tanto sobre o espaço quanto sobre o tempo. Outro Alguém existe dentro da linha de tempo de Alguém Eterno. Da mesma forma, Outro Alguém viverá dentro da “linha de espaço” de Alguém Eterno.

O Alguém Eterno transcende ao espaço. Portanto, assim como ele está em todo lugar no tempo, estará em todo lugar no espaço. Então, quando Outro Alguém é criado, ele existirá dentro do tempo e do espaço de Alguém Eterno. Logo, Alguém Eterno é o meio ambiente no qual Outro Alguém irá existir!

Então, temos Alguém Eterno existindo ao redor de Outro Alguém. Mas há um problema: Ele não pode ver Alguém Eterno, porque Alguém Eterno transcende ao espaço e não ocupa espaço nenhum porque ele próprio é todo espaço. Pra vê-lo, alguém teria que ser capaz de ver todo o espaço e o tempo em sua totalidade. Impossível!

Então Outro Alguém não consegue detectar Alguém Eterno. Então o que Alguém Eterno deve fazer se quiser ser visto por Outro Alguém? Ele deve deixar sua posição transcendental. Algum tipo de negação da sua transcendência é essencial é possível? Sim.

Lembre-se: qualquer coisa que possa ser feita, Alguém Eterno pode fazer. Então é possível para ele se fazer visível para Outro Alguém, ou seja, deixar de ser transcendente. Mas como?

Percebemos a presença de outros no nosso mundo através da visão, do cheiro, do tato, do gosto e da audição. Se Alguém Eterno desse a capacidade para Outro Alguém ver ou ouvir, por exemplo, então Alguém Eterno poderia (1) aparecer em uma forma visível, (2) falar com Outro Alguém ou (3) fazer os dois simultaneamente. Essas seriam maneiras de deixar de ser transcendente para que Outro Alguém pudesse ter a percepção de Alguém Eterno.

Lembre-se: Outro Alguém é uma criação. Portanto, Outro Alguém é limitado pelo tempo e pelo espaço. Qualquer que seja sua natureza (do que é feito), ele será percebido no tempo e no espaço. Por essa razão, tudo o Alguém Eterno tem a fazer é assumir a mesma forma que deu a Outro Alguém. Essa é uma maneira de se fazer reconhecido.

Mas, aqui está uma pergunta: se Alguém Eterno deixar de ser transcendental para se fazer reconhecido, ainda seria o Alguém Eterno integralmente? Não! Haveria mais dele ainda não revelado. Embora pudesse divulgar muito sobre si mesmo, todo o seu conjunto – que é ele mesmo em sua transcendência – não poderia ser totalmente conhecido e compreendido por Outro Alguém.

Quem é o Alguém Eterno e quem é o o Outro Alguém?


Fonte: http://ceticismo.wordpress.com

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Quem não acredita em Papai Noel?

Por CONTARDO CALLIGARIS


"NO SÁBADO, foi o primeiro aniversário de Gabriela, filha de amigos meus. Ela estava radiante, num vestido que, pela cor vermelha, contribuía ao tema da festa: o Natal. Havia um Papai Noel no seu trenó, em tamanho natural, e a casa do Papai Noel no polo Norte, com o elfo a judante diante da porta e muita neve no teto. Havia também duas renas voadoras, que não reconheci, mas nenhuma delas era Rudolfo (que, como se sabe, tem nariz vermelho).
Concordo com a escolha dos pais de Gabriela: como primeira história na qual acreditar, a de Papai Noel é imbatível -embora ela tenha vários inimigos.

1) Há os que dizem que Papai Noel não passa de um vendedor de shopping center ou de um animador de loja de departamento, inventado para que, nesta época do ano, compremos um monte de futilidades. Penso diferente.

Vi muitas crianças ponderando e escrevendo suas cartas de Natal ou, então, esperando, na fila, para sussurrar seus sonhos no ouvido do próprio Papai Noel. O importante não era que elas conseguissem o que pediam, mas que elas manifestassem suas vontades, tivessem a coragem de querer.

No Natal, aliás, o presente é quase supérfluo. Nestes dias, não há como jantar num restaurante sem assistir à entrega das surpresas de um amigo secreto. Cada um desembrulha, finge encantamento e ergue seu presente para a foto: é um troca-troca de objetos sem uso que acabarão no fundo de uma gaveta ou serão passados adiante, quem sabe no Natal do ano que vem.

O presente pode ser qualquer coisa porque, em muitos casos, seu valor é o mesmo dos ursos de pelúcia que abraçamos no sono, ao longo da infância: ele serve como lembrança saudosa de quem nos presenteou e, ao mesmo tempo, substitui o presenteador de maneira que possamos dispensar sua presença.

Só para ilustrar a complexidade de pedidos e presentes, mais um exemplo. Francisco, aos cinco anos, num dia de novembro, quis ditar sua carta ao Papai Noel; ele não queria presente algum naquele ano, preferia que o Papai Noel pensasse nas crianças que não têm nada.

Francisco selou e mandou seu pedido, com grande contentamento dos pais, orgulhosos da generosidade do filhinho. Poucos dias mais tarde, Francisco estava sendo impossível, explosivo, levado. A mãe: "Se Papai Noel souber como você se comporta, ele não trará nada para você". Francisco, feliz e sardônico: "Eu não pedi nada neste ano".

2) Alguns se indignam porque o culto a Papai Noel, figura mágica ou pagã, desnaturaria o Natal religioso. Acho estranho: o Papai Noel encarna e celebra a esperança básica de que o mundo não nos seja hostil, que, ao menos uma vez por ano, ele possa nos querer bem. Graças ao Papai Noel paira, sobre nós todos, um olhar generoso. Será que essa esperança é muito afastada do sentido cristão do Natal?

3) A objeção mais impiedosa ao Papai Noel vem da crítica racionalista, pela qual é nocivo induzir as crianças a acreditar em coisas cuja existência é duvidosa.

Acho curioso. No fundo, acreditar ou não na existência do velhinho do polo Norte é sem relevância. Mas é crucial acreditar na possível generosidade do mundo para com a gente e com todos.

Anos atrás, passando o Natal em Gstaad, uma estação de esqui nos Alpes do Valais, na Suíça, eu e um amigo decidimos (estupidamente) atormentar o pequeno Mário, seis anos, anunciando, sem parar, a chegada iminente do Papai Noel. Mário, ao mesmo tempo, desejava essa chegada e era literalmente apavorado por sua eventualidade.

No fim, quisemos saber: do que ele tinha tanto medo? Da aparição sobrenatural do trenó voador? Do julgamento de seu comportamento passado, que seria implícito no presente recebido? Mario explicou: "Nada disso. É que, se ele vier, eu terei que ser bom".

Agora, se um jovem leitor tivesse aguentado até aqui e me perguntasse "Afinal, para você, Papai Noel existe ou não?", como responderia?

Primeiro, observaria que é bom não dar ouvidos aos que insinuam que o Papai Noel não existe. Os cínicos são sobretudo invejosos; funciona assim: por medo de que meu irmão receba mais amor do que eu, declaro que a mãe não existe e tento vender essa ideia ao meu irmão.

Logo, seguiria o exemplo de uma mãe que, diante das dúvidas do filho, disse: "Se você acredita nele, no mínimo ele existe dentro de você".

Feliz Natal a todos."

CONTARDO CALLIGARIS
Publicado na Folha de São Paulo

INACABADO

Era fácil provar a não-existência de Deus, pensou Dr. Brown, bastava assistir aos noticiários e ver tanta morte, corrupção e violência; sem contar as tantas aberrações da natureza que atestam a "Sua" obra inacabada, e sendo Deus, a própria perfeição, como poderia ter deixado tanta coisa pela metade?

Baseado nisso, Dr. Brown, criou uma fórmula matemática que provava que a equação da fé em Deus era exatamente proporcional a soma da ignorância humana em relação a sua própria natureza.

Diante de um insight tão simples e direto, a tese do Dr. Brown espalhou-e pelos quatro cantos dos ciclos intelectuais e agnósticos, sendo amplamente discutido entre céticos e religiosos. Os céticos usavam o argumento para combater a fé dos religioso; os religiosos, por outro lado usavam o mesmo argumento para defenderem a sua antítese de que era justamente o contrário, o ser humano é que era imperfeito por duvidar da existência do Criador.

Dr. Brown ganhou as capas de revistas conceituadas e foi indicado para o Nobel da Matemática, mas no dia em que deveria viajar para a Suécia e receber o seu prêmio; não saiu de casa, e depois de alguma semanas, familiares e amigos noticiaram que ele havia desapareceu completamente de cena; o que gerou uma série de boatos de que o seu desaparecimento deveria ser obra de algum fanático religioso.
Porém, no dia da premiação em Estocolmo, os apresentadores do Prêmio Nobel receberam uma mensagem do Dr. Brown, que dizia:

" Peço desculpas pela minha ausência, mas acredito que não mereço esse prêmio; uma vez que a minha fórmula tão bem aceita e aclamada por vocês todos, está ainda inacabada; e sendo assim, cheguei a conclusão que preciso finalizá-la; o que levou-me a outro insight que, se não invalida a minha tese anterior, serve apenas para provar que se a pergunta estava certa, a resposta esta ainda longe de ser alcançada; sendo assim, deixo com os senhores as sementes dessa minha mais nova reflexão: se a "Criação de Deus" aparentemente parece inacabada, talvez, só talvez, seja porque nós, seres humanos, fomos criados para conclui-la!"

Lição sueca de tolerância

Por MARIO VARGAS LLOSA*

Se um dia você for a Estocolmo, aconselho-o a visitar, além dos museus, palácios, o centro velho e as ilhas, um modesto bairro ao sul da cidade chamado Rinkeby.

A grande maioria da sua população é formada por famílias imigrantes e é uma das áreas mais pobres do país, embora a noção de pobreza na Suécia, país que atingiu o mais alto nível de vida do mundo, juntamente com a Suíça, tem pouco a ver com o significado dessa palavra para o restante do planeta.

É importante conhecer em Rinkeby a sua escola pública, instituição que é o espelho do que deveria ser a sociedade humana, o mundo todo, se prevalecesse, entre nós, mortais, a sensatez, o discernimento e o espírito prático.

Nesta escola, meninos e meninas falam 19 idiomas diferentes e veem de uma centena de países diversos. Todas essas crianças conhecem o sueco e o inglês, mas não perderam a língua materna. Isso porque a escola organizou-se de maneira que elas tenham aulas, pelo menos uma hora por semana, na língua que falam em casa e dos seus ancestrais.

O diretor da escola, Börje Ehrstrand, está convencido de que a integração dessas crianças à cultura e aos costumes da Suécia é mais fácil se, em vez de rechaçarem, elas reivindicarem e sentirem orgulho da sua origem. A filosofia dessa escola se resume numa palavra: tolerância.

De tudo o que fiz e vi em oito dias em Estocolmo, pouca coisa me deixou tão comovido como a tarde que passei em Rinkeby, para assistir a um espetáculo preparado pelos alunos. Fui acolhido por 19 meninos e meninas, cada um falando um idioma distinto, formando um verdadeiro leque de raças, tradições, religiões e culturas do mundo.

Havia adolescentes escandinavas de minissaia ao lado de garotas do Iêmen usando véu, árabes norte-africanos misturados com turcos, chilenos e chineses, roupas extravagantes e formais.

As crianças começaram a sessão cantando canções natalinas nórdicas. Em seguida começou a apresentação, que consistiu de duas partes. A primeira foi um resumo da vida e obra de Alfred Nobel (1833-1896), o químico que inventou a dinamite, foi um poderoso industrial e deixou sua fortuna para a criação dos prêmios que levam seu nome.

Depois, a representação das crianças ficou mais didática, explicando quais eram as invenções e realizações, cujos autores tinham merecido, este ano, os prêmios Nobel de medicina, Física e Química.

Foi de tirar o chapéu! Na véspera, num programa da BBC, os próprios laureados tentaram explicar para nós, leigos, sobre seus inventos, mas, que não falo apenas em meu nome - nos deixaram sem entender nada.

Na segunda parte, as crianças narraram e representaram, resumidamente, um romance meu, O Falador. A encenação das crianças foi maravilhosa, ilustrando com desenhos, música e imagens, os textos que os diversos narradores liam em idiomas diferentes. Era como se eu estivesse revivendo minhas sensações quando criei essa história.

Há 20 anos, tanto o bairro quanto a escola de Rinkeby não eram nem a sombra do que são agora. A violência reinava nessa área e fotos da época mostram que as salas de aula, os pátios e corredores da escola eram um monumento à desordem e o rendimento escolar era o mais baixo do país.

Foi nestas condições que um dos professores, Börje Ehrstrand, assumiu a direção.
As reformas que introduziu foram discutidas com os pais dos alunos que passaram a ter uma participação constante em todas as atividades escolares, incluindo as didáticas. Esses pais, juntamente com os alunos, assumiram a limpeza do local, a título de trabalho voluntário.

Os dois primeiros anos são os mais difíceis, sendo que a tarefa fundamental da escola é eliminar a desconfiança dos recém-chegados para com seus companheiros de classe que se vestem diferente, falam outra língua, adoram outro Deus.

Alguns se adaptam com facilidade; os com mais dificuldades têm cursos especiais, que são assistidos também pelos pais, assessorados por dois psicólogos. No geral, a partir do terceiro ano, a comunicação e o intercâmbio são espontâneos e pode-se falar de uma integração, porque os denominadores comuns - o idioma e a aceitação do "outro" - já fazem parte da personalidade do aluno.

A escola de Rinkeby não é notável só porque ali coexistem meninos e meninas de todo o espectro cultural, mas também porque há três anos os seus alunos figuram nos primeiros lugares do concurso nacional de matemática e pelos excelentes sucessos acadêmicos dos alunos medianos.

Como nos últimos anos a demanda aumentou, a escola cresceu e hoje uma quarta parte dos alunos vem de outros bairros e a fama da instituição transcendeu as fronteiras suecas. A Comunidade Europeia premiou a escola como a que mais sucesso teve na prevenção da delinquência.

Não é de estranhar que, ao contrário do que costuma acreditar, a escola não é mais do que um reflexo daquilo que ocorre em torno dela, e neste caso a transformação teve um efeito saudável na comunidade que a cerca, atenuando a violência, as disputas étnicas e religiosas, a criminalidade.

A Suécia não ficou imune aos preconceitos contra a imigração que, fomentados pela crise financeira e a consequente redução do emprego fez com que partidos e movimentos extremistas, anti-imigrantes e xenófobos passassem a ter uma presença que não tinham.

Pela primeira vez, um deles entrou no Parlamento sueco nas últimas eleições.
Não é um fato raro. Quando uma sociedade é vítima de alguma catástrofe, econômica ou política, surge a necessidade de um bode expiatório e é claro que os imigrantes são os principais alvos.

Não importa que todas as estatísticas mostrem que, sem a imigração, os países europeus não conseguiriam manter os altos níveis de vida que possuem e o que os trabalhadores estrangeiros dão para a economia de um país é muito superior ao que dela recebem.

Mas a verdade se fragmenta contra o que Popper chamava de espírito da tribo, o rechaçar instintivo do "outro", um repúdio primitivo que é o maior obstáculo para um país alcançar a civilização.

Por isso, o que a escola de Rinkeby conseguiu é muito importante e deveria servir de modelo para todos os países que recebem grandes contingentes de imigrantes e querem evitar os problemas decorrentes da marginalização e da discriminação contra eles. É preciso começar com as crianças.

Que elas aprendam a conviver com quem tem fala, pele, deuses e costumes diferentes e que, com esse convívio, se desprendam de tudo aquilo que dificulta ou impede a coexistência com os outros. Esta é a maneira mais segura de conseguir, mais tarde, quando já são pessoas adultas, que elas possam viver em paz nessa diversidade étnica e linguística que, gostemos ou não, será o traço primordial do mundo no qual já entramos.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*É GANHADOR DO PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA DE 2010

Fonte: O Estado de S.Paulo - 19/12/10

sexta-feira, dezembro 17, 2010

RECADO DO MENINO AZUL


O Menino Azul veio me visitar...


E ele contou no meu ouvido: " o seu filho está para chegar..."

" E ele é filho meu e de Iemanjá"

QUANDO O EMPREGO NÃO VEM...

O que havia de errado comigo? Eu tinha tudo para ser contratada: o melhor CV, grande experiência profissional, vivência internacional, inglês e espanhol, referência, carisma, boa aparência e ainda assim, mil ligações, milhares de processos para contratação e nada!

Era uma fase - eu pensava - mas quem eu queria enganar? Já estava ficando desesperada. Contas na porta, dinheiro voando pela janela, e tudo o que eu ouvia era : "paciência, a melhor chance virá na hora certa". Bah! A hora certa não é quando o dinheiro acaba. Precisava de ajuda, socorro, qualquer coisa, já!

Pensei até, Deus me morda!, arrumar um emprego de Operadora de Telemarketing, fazer um concurso público e passar o resto da minha vida, mamando nas tetas dos recursos públicos...argh! Eu era mais que essa pessoa desesperada, mas eu não tinha coragem de me olhar no espelho e me reconhecer...

Fiz! Doeu! E continuei lutando contra o que estava se apresentando e o que estava se apresentando era que eu já não poderia ser contratada; não por haver não vagas, não por falta de ofertas; eu não seria contratada, pois já era tempo de eu assumir o que eu deveria fazer para valer. Durante toda a minha vida, eu tinha arrumado a vida dos outros e esqueci de organizar a minha.

Eu tinha um sonho profissional. Em que momento deixei ele para trás, me agarrando na segurança de fazer qualquer coisa além daquilo que eu vim aqui para fazer? Será que ainda havia tempo?

Assumi o risco e tentei. Comecei de mansinho, devagarinho, quando eu ví, as coisas começaram a ocorrer e comecei a ganhar o meu dinheiro, pouquinho, mas vindo daquilo que eu amava fazer. Hoje, sou rica, não pela conta no banco, mas porque não dependo mais de procurar por trabalho, eu sou o meu próprio emprego!

SOBRE LOBOS e HOMENS

Sento ao redor da fogueira, o fogo aquece o corpo, acalma a alma;ele se aproxima e me oferece comida e bebida, me convida para cear e traz consigo o que há de melhor: pão feito do trigo mais caro, vinho da melhor safra. Ele sorri, demonstra estar feliz em me ver, sorrio de volta, é bom estar com ele, conversar, rir, compartilhar experiências, insights, visões e lendas pessoais. Porém, mais do que tudo, é bom estar com um amigo.

Conto a ele sobre o que venho descobrindo; tento pôr em palavras concretas aquilo que só poetizo a respeito. Não consigo, pareço uma criança falando sobre o mundo dos adultos com frases infantis. Ele ri e diz: "você já percebeu, que há certas coisas que só podem ser ditas pela poesia?"

Agora, sou eu que ri. Então, deixo a criança falar e conto ao meu amigo sobre a minha jornada em transformar sonho em realidade e o agradeço, afinal, tudo começou com ele, e ele finge que não compreende, mas sabe que eu lhe devo muito. Aprendi a ser grato, nem todo mundo agradece, outros muitos não sabem receber. Dizer "obrigado" não é tão importante para quem recebe, mas é essencial para quem agradece, revela humildade e respeito por ter recebido de um outro, algo que ainda vale ali dentro.

Ele me conta sobre seus pacientes, ele atende muita gente ali no deserto, uma grande leva de peregrinos perdidos tentando compreender os passos do seus caminhos; diz que é sempre difícil seguir a sua lenda, mas não consegue mais fazer outra coisa além de ser um ouvido do mundo; eu o compreendo, sou um dedo apontando, professsor de caminhos. Nossas estradas são parecidas, e buscamos a mesma coisa: conhecimento! E fazemos a mesma coisa: compartilhamos!

" É uma pena que nem todo mundo compreende que precisamos estudar, discernir, discutir e mudar" - ele diz, em seus olhos, o preço pago por ter optado em caminhar sozinho e dividir o que encontra, descobre e aprende. Mais ele não está sozinho, há outros estudantes quebrando ciclos, cortando os cordões religiosos, rompendo com seus mestres para se tornarem professores, que guiarão outros alunos, que também criarão seus próprios caminhos e com eles, também romperão. E assim, seguimos todos, por vezes, como lobos solitários, uivando para a lua a loucura de ousarmos seguir caminhos ainda não percorridos. Se formos espertos, aprenderemos com a experiência do lobo, mas não deixaremos de ser humanos, e ser humano é aprender um com o outro, por vezes, nos estranhando, mostrando os dentes, latindo e até gritando...mas nunca deixando de sermos amigos.

" A espiritualidade nos liga ao Divino, porém, alguma vezes ela nos separa dos amigos, e grandes relacionamentos ficam de lado" - penso comigo, ele lê meu pensamento, ou parece; pois de trás de seus óculos, reside o olhar de um grande irmão de caminhada que rogo a Deus nunca deixar pra trás...de novo!

Chandra Lacombe - Além do Véu



Faixa do CD "Oráculo Musical"
Para obter o CD e conhecer melhor o trabalho musical de Chandra Lacombe, acesse:
http://www.chandralacombe.com


Chandra Lacombe - NOVO AMANHÃ

"Venho trazer
um preceito e erguer
as minhas mãos
ao Te oferecer

Toma esse canto
Enxugue seu pranto
Eu não sou santo
Sou igual a você

Os vícios do ego são tantos
Mas no entanto existe um Poder
Além desses medos errantes
O Cosmos acena um novo dever

Sei que ainda anceio
Um novo amanhã
Ainda anceio
Um novo amanhã
Ainda anceio
Um novo amanhã
Mas quando não mais anceio
Eu faço amanhã"

ANIVERSÁRIO MESTRE IRINEU

Por Danilo

Há exatos 118 anos nascia em São Vicente Ferrér, no Maranhão, às vésperas do Natal de 1892, Raimundo Irineu Serra, que anos mais tarde ficaria conhecido, longe dali, como Mestre Irineu. Ele foi o fundador de uma Doutrina que cristianizou o uso da ayahuasca, essa bebida usada há milênios para acesso ao mundo espiritual.

Essa novidade, que conectou as tradições cristã e ayahuasqueira, fez mais que criar um novo formato ritual para bendizer a vinda do Cristo e seus ensinamentos: ela teve a significativa missão de trazer a ayahuasca e suas lições para o que podemos chamar genericamente de "sociedade ocidental", a sociedade culturalmente dominante.

Em 1971, Mestre fez sua passagem para o mundo espiritual, mas deixou sua Doutrina muito bem firmada, tanto que hoje ela se espalhou não só pelo Brasil como para outros países distantes cultural e geograficamente da realidade brasileira.

Tem muita referencia na internet sobre o Mestre. Eu gosto de indicar estes depoimentos
http://www.mestreirineu.org/depoimentos.htm.

E viva o Mestre Irineu!

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Mediunidade ou Esquizofrenia? Sensitivo ou Psicótico? Como diferenciar?

Por Lázaro Freire

Em http://formspring.me/LazaroFreire perguntaram:
> Olá Lázaro, eu gostaria de saber a diferença entre esquizofrenia e uma pessoa sensitiva que vê e ouve vozes
.

Esse pode ser um diagnóstico muito delicado. Se não pelo lado técnico, no mínimo devido ao respeito a crenças e sucetibilidades. O simples fato de ter que abordar a questão com alguém já demanda um embasamento e preparo profissional. No caso, transpessoal, já que uma visão por demais crédula ou cética pode levar a equívocos graves.

Médiuns todos somos, e todo "louco" também percebe coisas do dito além. Isso não importa tanto. Há mediunidade na loucura e loucura na mediunidade. Para se falar em aceitação transpessoal, é preciso outro critério. Cada caso é um caso, mas um bom parãmetro inicial é o da FUNCIONALIDADE e NORMALIDADE.

1) Como a pessoa que ouve vozes FUNCIONA socialmente? Tem o humor normal? Se relaciona bem no trabalho, família, carreira, via acadêmica, vida financeira, amigos, etc? Tem boa socialização, relacionamentos afetivos normais?

2) Como é a ESTURUTA DE LINGUAGEM e DISCURSO? Há presença de elementos delirantes? Os outros percebem o discurso dela como coerente, verossímel, logicamente estruturado? Ou é uma conversa que abre pontas que mal se fecham? Cada patologia tem uma estrutura de discurso (e, às vezes, maneira de olhar) BEEEEM característica, que ouvidos treinados profissionais conseguem captar quase que imediatamente, por nosso "olho clínico".

3) Qual a característica da mensagem das vozes? São coisas óbvias e caricaturais ou mensagens originais? Se originais, qual o grau de coerência do recado? Tem alguma característica de delírio de grandeza, de perseguição ou auto-referente? O suposto "médium" que ouve vozes é "engrandecido" por elas, ou ocupa um papel comunicante MUITO especial em relação à humanidade, incompatível com as probabilidades e bom senso?

4) A mediunidade constuma levar as pessoas a CRESCEREM, fazerem reformas íntimas, reverem suas sombras. Já os estados psicopatológicos em geral fazem a pessoa se manter onde está, e até se dissolver, largar compromissos, não conseguir manter o que fazia. Então um bom critério é o quanto a pessoa está CRESCENDO, nos parâmetros éticos, sociais, pessoais, materiais, etc, a partir do contato com sua mediunidade.

5) Esquizofrenia e demais estados psicóticos envolvem sempre DELÍRIOS e ALUCINAÇÕES. Ou seja, não basta ser vozes, são vozes fora de hora, e que às vezes levam o "médium" a modificar a realidade objetiva a partir do contato interno subjetivo. Esse é para mim o grande limite da patologia, mesmo quando vem de médiuns autênticos. O ponto em que deixa de ser uma expressão interna elevadora, em momento adequado, e deixa de ser tomada PARA SI; e passa a ser baliza para a realidade externa. Nas palavras de Freu, o princípio dos desejos começa a lutar não mais contra o ego ou o superego, mas contra a própria realidade externa, que se dissolve. As vozes interferem no mundo externo, ou mudam a vida OBJETIVA de quem as escuta. Aí é hora de intervir.

6) O mais importante é que MÉDIUNS devem SEMPRE fazer psicoterapia. Eles lidam mais com o inconsciente do que os demais, e pisam sempre nessa linha tênue entre realidade e simbologia, material e espiritual. Podem a qualquer momento ter seu senso de avaliação comprometido, e, portanto, precisam de um interlocutor externo imparcial. Se alguém chega a TER DÚVIDAS então, passou da hora de uma avaliação profissional. Então, estamos supondo que o tal médium TENHA acompanhamento psicoterapeutico capacitado. Nesse caso, podemos perguntar se, na visão de um profissional que conheça a vida dela, se o conteúdo dessas vozes É MESMO transpessoal ou se trata de uma clara representação do inconsciente, como um sonho acordado.

7) Outra questão é que um médium deveria ser intermediário. O que importa não é ouvir vozes, mas ter normalidade e credibilidade para passar o seu recado adiante. Não é "médium" o sensitivo que não se relaciona socialmente. Não era "médium" aquele que se encontrava em manicômios.

8) Se houver um diagnóstico ou suspeita de esquizofrenia / psicose, é fundamental manter o tratamento. Remédios antipsicóticos atuam apenas em delírios, na esfera cerebral. Não afetam a mediunidade ou sensibilidade de ninguém, já que estas deveriam vir de além do físico. Ao contrário, tratar a esquizofrenia, tanto em psicoterapia quanto com medicamentos, auxilia a verdadeira mediunidade, já que diminui a confusão mental interna no sensitivo, que impedia dele passar o seu recado adequadamente. Um médium fica MELHOR MÉDIUM com tratamento, e confunde as mensagens, mesmo as legítimas, enquanto está na psicose. Se um tratamento para psicose "remover a mediunidade" de alguém, não era mediunidade. Simples assim.

Há mais critérios, o diagnóstico é sutil, não dá para esgotar por aqui. Espero ter ajudado. Na dúvida, estou na clínica para orientações: http://voadores.com.br/clinica


--
Lázaro Freire
lazarofreire@voadores.com.br


Fonte: http://www.voadores.com.br/

terça-feira, dezembro 14, 2010

ESPAÇO LUMINOSO - A CASA DE SHIVA NO SER

Por Wagner Borges

Há um espaço luminoso dentro de cada Ser.
Está além da percepção dos sentidos comuns.
E a mente não consegue mensurá-lo.
A sabedoria oriental diz que o Deus Shiva* mora nesse espaço sutil.
Inclusive, alguns o localizam dentro do coração do Ser.
E outros, o situam no topo da cabeça, no lótus das mil pétalas**.
Contudo, como localizar o Princípio Eterno em alguma área do corpo?
Ah, talvez Ele esteja em todas as células...
E quem sabe como o Poder Divino opera sutilmente em cada um?
O que se sabe é que, quando alguém sintoniza sua essência, tudo muda.
Porque, junto com a Luz, está o Amor. E, ali, Shiva faz sua dança vital.
E, diante do Seu Olho Espiritual, dissipam-se as brumas da ilusão.
Sim, tudo muda quando o Ser encontra o Supremo em si mesmo.
E, então, ele sabe que o Divino também está em todos.
E isso é um encontro mesmo? Ou, na verdade, seria um reencontro?
Ah, quem realmente sabe o que, nesse vasto universo da consciência?
O que se sabe é que existe esse espaço luminoso em cada Ser.
E só Shiva sabe o momento certo de se revelar ali.
Alguns o acharão nas viagens espirituais; outros, nas ondas da meditação.
E, outros mais, pelas vias do Amor e do Perdão.
E alguns, simplesmente pelo próprio desprendimento e alegria de viver.
O que é certo é que todas as vias levarão a Shiva...
Porque Ele está onde quer que alguém sinta o seu espaço luminoso.
No topo da cabeça, no coração, ou no centro da base da coluna, tanto faz...
Pois o espaço luminoso não é físico (e, no final, tudo é energia mesmo).
E só Shiva é que sabe o caminho da Luz em cada Ser.

Om Namah Shivaya!***

- Wagner Borges - neófito espiritual voando no Vento do Supremo.
São Paulo, 19 de novembro de 2010.

- Notas:
* Shiva - na Cosmogonia hinduísta, é o aspecto da divindade que opera todas as transformações; O Senhor das energias; O Poder Divino da Transmutação; O Dançarino Divino, que, em seu movimento secreto, dilui as brumas da ilusão e faz ver o real.
** Lótus das mil pétalas - do sânscrito, sahashara - metáfora iogue para o chacra coronário, que é o centro de força situado no topo da cabeça, por onde entram as energias celestes.
*** Om Namah Shivaya - do sânscrito - é um dos mantras evocativos de Shiva e Seu Poder de Transmutação. Para melhor compreensão sobre isso, ver o texto "Shiva -O Mahadeva", postado no site do IPPB, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=4681
Obs.: Nas notas desse texto está postada uma coletânea de textos relativos à Shiva, postados antes como textos periódicos do site ao longo dos anos -
www.ippb.org.br


((()))

TRATAKA

Trataka* é o nome da prática iogue da concentração mental em um alvo específico,seja objetivo (BAHIRANGA) ou subjetivo (ANTARANGA).
Pode ser realizada fixando-se uma variedade de objetos: vela acesa, bola de cristal, um retrato, a própria imagem refletida no espelho, uma mandala, ou a ponta do próprio nariz.
Há uma prática simples de trataka: a fixação mental na chama de uma vela. Essa prática é muito antiga e até hoje ainda é executada por vários ocultistas e
iogues.

TRATAKA COM A VELA ACESA: Isole-se num ambiente fechado, para ter tranquilidade.
Sente-se numa posição confortável. Coloque uma vela acesa** na altura de seus olhos, a uma distância de uns dois metros.
Escureça o ambiente, para realçar a chama da vela. Relaxe o corpo, com a mente bem serena e os olhos fechados. Fique quieto por alguns minutos e visualize a palavra LUZ vibrando em seu chacra frontal. Abra os olhos e fixe a chama da vela, sem piscar. Olhe a chama bem concentrado, a ponto de perder a consciência de seu corpo. Não deixe sua mente dispersar, pois sua atenção deve estar completamente fixada num só ponto.
Se seus olhos cansarem ou encherem-se de lágrimas, feche-os um pouco e descanse.
Porém, mesmo de olhos fechados, continue visualizando a chama mentalmente.
Depois de alguns minutos, abra os olhos e fixe-se novamente na chama real à sua frente. Permaneça fitando-a o máximo possível, até que sua mente misture-se com a própria chama.
Nesse ponto, podem ocorrer alguns sintomas bioenergéticos ou projetivos:
pulsação do chacra frontal, ballonnement (dilatação da aura), estado vibracional, entorpecimento do corpo, e outros.

Esta prática é bem simples e inócua, porém, deve-se evitar excessos. Não execute-a usando lentes de contato.

A respeito dessa prática, diz o Dr. Hiroshi Motoyama, brilhante pesquisador japonês dos chacras*** e da acupuntura, e também praticante de Ioga:
"Os benefícios de trataka são muitos: físico, mental, psíquico e espiritual.
Fisicamente, auxilia vistas fracas e certos defeitos visuais, inclusive a miopia. Ele acalma e estabiliza a mente, e também alivia a insônia. Além disso, desenvolve um poder de concentração necessário para a prática da verdadeira meditação. Os olhos são as portas da mente; quando os olhos estão firmes, a própria mente se torna firme, e o processo do pensamento cessa automaticamente à medida que a concentração se aprofunda. Trataka é um dos métodos mais eficazes para controlar uma mente agitada, absorta em ondas de pensamentos desconexos.
Este controle é um pré-requisito para a efetiva prática espiritual."

- Wagner Borges -
(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual - Vol. II" - Editora Universalista -
1995.)

- Notas:
* Trataka - do sânscrito - fixação ocular.
** Coloque a vela acesa sobre um prato largo, para evitar risco de incêndio.
*** Hiroshi Motoyama é autor do excelente livro "Teoria dos Chacras" - lançado no Brasil pela Editora Pensamento. Inclusive, há um texto dele sobre a ativação dos chacras e as experiências fora do corpo postado no site do IPPB, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2353
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