sábado, setembro 02, 2017

Sobre Ejaculações e Injustiça

 

 


Essa tarde quase entrei numa briga ao ouvir um grupo de homens no metro fazendo piadas em relação ao caso recente de " estupro de uma mulher num transporte público". Falei um monte e quase apanhei, mas um insight apareceu, pois percebi que muitos desses tarados surgem da conivência e graça que alguns grupos de homens possuem com esse assunto. ISSO NÃO TEM GRAÇA!!! 


Por isso, venho em público, pedir desculpas a todas as mulheres, amigas, leitoras, em nome desses homens. Desculpas por todas as sacanagens, cafajetices,  violências mentais, emocionais ou físicas; mas peço desculpas, principalmente por todas as ejaculações desses homens podres que usam o transporte público para propagar suas atitudes doentias e todos aqueles que os aplaudem. Esses homens não nos representam, caras mulheres, eles não representam sequer a raça humana. 


Peço desculpas por esse imbecil que pela enésima vez cometeu um ato bárbaro contra uma mulher num ônibus; porém, não foi a ejaculação dele que nos estuprou a todos - e sim a ejaculação da justiça que permitiu esse demônio sair livre e continuar a agir. Peço desculpas pela ejaculação coletiva dessas rodas de bate-papo que fazem desses crimes - objeto de piada!!!


Mas, não vim até aqui, dizer o óbvio; todos já estão ofendidos, revoltados e com um gosto de injustiça sem igual em seus corpos e mentes ; esse texto é só para declarar que essa horda de imbecis ( tanto os que fazem essa merda quanto os que soltam e os que fazem piadinhas com ela ) continuarão por aí, mas vocês, mulheres, não estão sozinhas. ESTAMOS COM VOCÊs! 


Essa luta é dos homens também, de todos os homens decentes - pais, filhos, amigos, irmãos, homens de bem que não podem se calar diante desses assédios diários. Todos os dias isso ocorre no Brasil; todos os dias isso se propaga. Por isso, essa discussão precisa ser diária e não motivo de piada!!!  


Somos todos um só! Pois antes de sermos homens e/ou mulheres, somos humanos e juntos podemos equilibrar um pouco essa luta bizarra. A melhor luta é a educação e isso precisa ocorrer principalmente entre os homens, nas rodas de conversa, nos bares, nas garagens -  que entre uma cerveja e o futebol, possamos, como homens, não aceitar piadinhas sobre esse assunto, e que se outro maníaco, como esse cara, estiver entre nós, que ele saiba que sua doença não será aceita, elogiada ou sustentada. Tolerância ZERO com esses tarados!!! Chega de piadas e encorajamentos, hora de sermos menos macho idiota e mais homem humano. 


Compartilhe essa mensagem com seus amigos homens, precisamos ter mais caras discutindo isso em casa, ensinando aos seus filhos e amigos que esse mundo precisa se tornar um lugar melhor, e que se um de nós cair nessa tentação de achar que vai escapar depois de um ato assim;  que toda a nação Brasileira se levante e mostre que NÃO!!!! 


Mulheres: essa luta não vai se calar, pois é de todos nós!!! 


Homens: Chega de piadas sobre isso! Tolerância Zero!!!


#toleranciazero

sexta-feira, setembro 01, 2017

AMITABHA, O PARAÍSO NO PEITO


No meio de uma meditação, ouvi uma voz interior me pedindo que visualizasse um Buda no meu coração. Como sou um péssimo visualizador, esforcei-me ao máximo para imaginar o sujeito na posição de lótus irradiando paz, mas tudo o que consegui ver foi um sorriso gigante bem no meio do meu peito.

Tentei mudar o que via, mas quanto mais tentava, mas o sorriso parecia ficar nítido. Pedi desculpa a voz, e segui mergulhado naquela imagem, e comecei a perceber que ela parecia balbuciar alguma palavra. Segui mergulhado no sorriso e comecei a ouvir um som interior:

AMITABHAYA! AMITABHAYA! *
E a voz se repetia, continuando a pronunciar aquele nome e me convidando a repeti-lo também. Comecei a repetir mentalmente "Amitabhaya", e fui tomado por uma sensação de paz e tranqüilidade tão grande, que uma hora se passou em segundos.

A cada repetição, eu mergulhava cada vez mais numa quietude e tranqüilidade impressionantes. Então, passei a ouvir aquela voz novamente:

"Como já é de seu conhecimento, céu e inferno são portáteis, pois são estados de consciência internos. Você carrega dentro de si mesmo o seu céu ou o seu inferno por toda a sua jornada na terra.

Estamos sempre tão mergulhados em nossos dramas do dia-a-dia, que vivemos no inferno do estresse e do cansaço mental, no purgatório da dúvida e do sofrimento. E às vezes, o paraíso está esperando-lhe com as portas abertas, basta apenas uma mudança de atitude para percebê-lo dentro de você mesmo.

Retorne e conte aos seus amigos, que naqueles momentos de aflição e mergulho profundo no inferno da mente humana, que eles lembrem-se de que nos seus corações também mora o paraíso. Ele se chama ´AMITABHAYA´.

Basta cantar o seu nome algumas vezes, e qualquer pessoa levantará o véu do esquecimento e descobrirá o paraíso que cada ser carrega no peito."

O meu relógio foi tocando e fui voltando, meio a contragosto. Era o meu horário de almoço e tinha que voltar ao trabalho, mas aquele mantra ficou no meu coração por todo o dia.

"OM AMITABHAYA NAMAH" para todos!

quinta-feira, agosto 31, 2017

ÁGUAS DE OUTROS RIOS




Caminhando pelas ruas de qualquer cidade brasileira, sob os olhos, chovem sinais do quanto só Jesus salva. Nas ruas do Cairo, de New Delhi ou de Bangkok, as gotas de salvação são águas de outro tipo, banhando o crente que acredita cegamente que sua fé é o único rio limpo que mergulha no Oceano do Deus de muitos nomes.
Tendo crescido sob forte influencia cristã, precisei percorrer o mundo para ver com meus próprios olhos, que, além da fronteira, o vento que soprava o nome de Jesus, por ali, grita o nome de Buda. E por mais que meus olhos se assustem com os deuses diferentes de tantas religiões e seitas, meu coração, que, como águia, vê mais adiante, notou que tão logo passamos a perceber outros quintais, o diferente se torna familiar, e o nosso rio passa a ser tão sagrado como o rio do outro, que, naquele canto, se chama Krishna.

Por isso parei de tentar convencer os outros da pureza do meu rio, troquei a fala pelas letras quando quero falar sobre algo que experimentei, pois sei que, pelo menos, a escrita abre espaço para interpretações individuais. É por isso, também, que sigo por esses quatro cantos, descobrindo e escrevendo o que sinto quando mergulho nos mares dos outros, afinal, ele pode falar B, enquanto eu falo A, mas fazemos parte do mesmo alfabeto de Babel, onde hoje sou Cristão, amanhã poderei ser Pagão, continuando a reciclar o aprendizado desses tantos rios, que um dia desembocarão no mesmo lugar.


Jerusalém, 23 de Fevereiro 2005.

quarta-feira, agosto 30, 2017

A ÚLTIMA VIAGEM XAMÂNICA



O som do tambor tocando,
O fogo crepitando, parece que canta.
O velho índio segue andando,
Para a sua última viagem xamânica.
Seus olhos contam histórias,
No rosto, as marcas da vida.
O velho índio, em cima da montanha,
Lamenta a batalha perdida.

Sua terra fora invadida,
Sua tribo, dizimada;
A pena, no chão, caída,
Revela a pedra manchada.

Ferido, mas ainda vivo,
O velho índio se arrasta;
Agradecendo ao Grande Espírito,
O que aprendeu nessa jornada.

Ele não entende por que
As coisas ocorreram assim.
Mas sorrindo sabe que
Há sempre um começo no fim.

Sussurrando sua última canção,
Ele se entrega à passagem;
Pois o caminho do coração,
Já havia lhe preparado para essa viagem.

O tambor então pára,
A floresta silencia;
O fogo rareia, apaga;
Nenhum passarinho pia.

Não há mais dor ou perigo,
Ao deixar o corpo-puma tombar.
Pois auxiliado por seus amigos extrafísicos
A alma-águia se projeta no ar.

E o tambor volta a tocar,
Pois o fogo da vida é infinito.
E os pássaros voltam a cantar,
A canção do velho índio reencontrando sua tribo.

segunda-feira, agosto 28, 2017

A SOMA

A SOMA



Quando eu fiz o catecismo, ensinaram-me que 1+1 era igual a 3.

Quando li pela primeira vez o “Livro dos Espíritos” e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec me fez ver que 1+1 na verdade era 2.
Quando comecei a estudar religiões orientais, cheguei à conclusão, via “Bhagavad Gita”, “Alcorão” e “Torah”, que 1+1 era 11.

Quando finalmente estava satisfeito com a minha resposta, a vida pediu que o coração me informasse que todas as respostas anteriores também estavam certas.

Hoje, por esses caminhos espiritualistas e universalistas, estou começando a desconfiar que para certas somas não há respostas absolutas, principalmente quando fazemos a mesma conta usando como calculadora diferentes pontos de vistas.

domingo, agosto 27, 2017

A TERRA DAS TRÊS ESFERAS

Vivemos na Terra das Três Esferas.

Moldados pelo barro em que pisamos, e que somos, vivemos pensando nas esferas mais altas ou mergulhados na lama, que, por vezes, nos afunda.

Basta um pouquinho de lucidez para que queiramos voar e viver plenamente nas esferas que ainda estão além do alcance. Porém, por não termos capacidade de nos mantermos por lá, maldizemos e olhamos com rancor as esferas em que estamos inseridos, e acabamos por perder a oportunidade ideal de conhecer as bases - o necessário alicerce -, que usaremos para alcançar as esferas mais altas. Reconhecer e aceitar que estamos ainda vivendo nas esferas mais baixas é o caminho para o equilíbrio.

Não há nada de errado com a terra em que vivemos, e os nossos flertes com a lama fazem parte do aprendizado, mas o que precisamos sempre lembrar é que temos um grande potencial de ascendência.

O Grande Arquiteto Do Universo, que criou todas as esferas, construiu uma estrada perfeita, onde não é possível alcançar a sétima sem passar pela primeira. Daí ser fundamental, jamais perdermos de vista que é preciso viver bem na terra das três esferas, para chegar ao menos na esfera do coração.

Sábio é aquele que reconhece os valores das esferas mais baixas como aprendizado fundamental da nossa longa subida para a montanha do criador. Sábio é aquele que reconhece que ainda não sabe nada; mas isso já é conhecimento essencial para se viver bem enquanto ainda estamos por aqui; e é essencial para a longa caminhada para as esferas superiores.

sexta-feira, agosto 25, 2017

A PRIMEIRA VEZ

Para alguns é uma questão de fé, para outros é uma questão de sentir.

Fui criado sob a bandeira da fé; daí foi um passo bem natural cair de cabeça na crença dos outros, nos escritos, no disse-me-disse, na opinião alheia sobre o mundo espiritual; até o dia em que neguei tudo o que aprendi, e bastou colocar o “tico e teco” (como chamo os meus dois neurônios, que só pegam no tranco) para funcionar.

Havia perguntas que a fé não respondia, que o padre não falava, que mamãe e

papai ignoravam. Havia indagações que mesmo quem encontrar as respostas não era capaz de explicar, de descrever, ou compartilhar.

Havia a verdade a ser descoberta bem pertinho, alem do véu de Isis, e eu só precisava ter a coragem de dar o primeiro passo em sua direção.

E fui em frente... Toquei as estrelas e senti que a vida pulsava até nas lavas de um vulcão.

Voei pelo céu de São Paulo sem avião, sem helicóptero, e voltei para o corpo físico para contar a história, ou pelo menos tentar explicar algo que nem eu acreditava ser possível.

Era difícil explicar, descrever, explanar, colocar em letrinhas o que havia sentido. Só sabia que tinha sido real, não fora ilusão, falta de oxigenação no cérebro, hipnose coletiva, uso de maconha ou de chás alucinógenos. Contudo, como explicar a todos o gosto do céu e como era lindo o azul do lado de lá? Bem que tentei, mas só podia realmente fazer a todos o mesmo convite que me fizeram:

“Quer saber como é, corre, voa e vai provar por si mesmo!”

Depois daquela experiência, parei de ter fé e passei a ter certeza; a mesma certeza de quem ama sua mãe, sua esposa, mas sabe que mil presentes e cartões não conseguem expressar esse amor.

Hoje, lendo tantos relatos projetivos, vejo letrinhas nervosas formularem palavras que tentam explicar o inexplicável, descrever o que é indescritível, e lembro-me de que faz cinco anos desde a primeira vez em que voei para fora do meu corpo físico, e percebo que não sou o único louco tentando expressar a sua loucura de trocar a fé pela certeza, trocar o verbo dependente "acreditar", pelo verbo experiência "sentir".


(Aniversário de 17 anos da minha primeira Projeção Astral).

quinta-feira, agosto 24, 2017

A MISTERIOSA LUZINHA AZUL NÃO-IDENTIFICADA

Era só mais um exercício energético: só uma questão de mexer um pouco com as energias, equilibrar os chacras, sentir-se bem e quem sabe, de quebra, compartilhar essa sensação com alguém.

Coloquei um CD bacana no estéreo e deixei a vela acesa iluminando parcialmente o quarto. Sentei na cama, ignorando aquela vontade enorme de "deitar, fingir que faz o exercício e dormir", que sempre bate quando faço qualquer exercício perto da hora de dormir, enquanto a música ecoava pelo quarto. Meu corpo foi relaxando e a respiração calma e normal foi levando-me além do blá, blá, blá dos pensamentos.

Nesse ritmo fui fazendo um exercício simples de banho de energia pelos chacras como se uma cachoeira dourada caísse no topo da cabeça e fosse descendo pelo corpo, banhando-me e ativando chacra por chacra.

Segui tentando sentir o exercício , mas parecia faltar algo. Estava meio seco, meio automático. E comecei a me perguntar se isso ocorrera porque eu tinha pulado a parte de elevar meus pensamentos e pensar em algo maior e bacana para embalar o exercício.

Mas que duvida mais besta, sô! Afinal o exercício em si já era uma elevação de pensamentos, energias e ações; eu não precisava fazer uma ligação "interplanetal" para Saint Germain ou Buda antes de fazer o exercício, ou tinha?

Parecia que sim! Eu não conseguia mais me concentrar nos chacras ou em coisa alguma. Daí, então, resolvi recomeçar o exercício e fazê-lo passo a passo só para ver a diferença. Voltei o CD para o começo, concentrei-me na respiração tranqüila, não-forçada e comecei a pensar que talvez, de alguma forma, aquela prática iria ajudar a humanidade, e me peguei pensando em Bábaji e outros tantos caras que amam o mundo em silêncio. Comecei a perceber uma luzinha azul surgindo e desaparecendo na minha tela mental. Continuei pensando em Jesus e na estátua dourada de Buda, mas a luzinha continuava aparecendo. Achei que era apenas a cor do chacra, pois já fazia algum tempo em que conseguia enxergar as cores de alguns chacras, mas essa luzinha era diferente: ela mudava de forma e emitia uma sensação de abraço de mãe, de carinho amigo, de cuidado de amada, sei lá, é difícil descrever, mas era como se ela falasse em forma de querer bem.

Fui tentando focar a atenção nela, mas ela fugia mais e mais. E quando acabei desistindo, ela voltou a aparecer e começou a crescer tanto, que minha tela mental se expandiu e me vi como uma formiga dentro do Maracanã, sendo que o estádio inteiro era aquela luzinha azul que emanava carinho.

Não me perguntem como, mas mergulhei nela e fiquei só sentindo aquele amor gratuito e sincero, e com essa sensação acabei apagando.

Quando abri os olhos já era de manhã, e apesar de não ter tido nenhuma lembrança de experiência fora do corpo ou coisa parecida, eu tinha acordado com um sorriso daqueles bem bobo de quem acabou de chegar de um encontro com aquela gata e vai pintar um namoro...

Enquanto eu lembrava da sensação de carinho com a luzinha azul, veio por inspiração os seguintes escritos:

"Elevar os pensamentos ou entrar em sintonia com as altas esferas espirituais antes de uma prática energética não é uma obrigação, mas apenas um convite para um trabalho em conjunto, onde você abraça o mundo recebendo e doando amor. Não se trata de forçar uma conexão com algum mestre das altas esferas, e sim se comunicar com o próprio coração pensando em alguém ou em algo que lhe faça sorrir, mesmo sem mexer os lábios.

Fazer uma prece sem tesão, repetir um mantra sem coração ou fazer um exercício frio e automático lhe leva sempre ao mesmo lugar: o banco vazio de uma praça no meio da noite. Porém tudo o que você faz com amor, eleva sua vibração a um certo ponto onde nenhuma onda negativa ou sintonia ruim alcança o seu campo de energia, ajudando-lhe a desempenhar seja qual for a sua ação, de maneira mais lúcida e equilibrada. Então você se descobre deitado na grama verdinha de um parque num belo dia de sol, tomando um banho de prana * e feliz da vida apenas por estar vivo.

quarta-feira, agosto 23, 2017

A LIÇÃO DE CHICO



Fui além do aquário e nadei com os peixinhos no mar, embriagando-me com a aquarela de cores; ver os cardumes mostrou-me que a vida continua em qualquer lugar.

A cada braçada dentro da água, mais eu observava o quanto é talentoso esse Criador das estrelas, e o quanto é tolo o homem que acredita que é dono do planeta.

Fui além da gaiola e voei com os pássaros soltos no ar. A liberdade de estar por lá, mostrou-me o quanto é triste o canto dos passarinhos em cativeiro, gritando aos seus donos sobre a saudade de voar.

A cada mergulho no ar, a cada pirueta que dava, mais fascinado eu ficava pelas aves que por mim passavam, batendo suas asas no azul infinito sem parar.

Basta um momento no meio do mar, um segundo no ar ou um instante na floresta, para perceber o quão pequenos somos em meio à vastidão e a diversidade da vida que há na Terra.

Por isso, quebrei o aquário e soltei os pássaros que haviam na gaiola; a ignorância ficou pesada demais para carregar e, no lugar, surgiu esse respeito pelos bichos, que acredito ser o que aquele sujeito chamado “Chico” tanto queria nos ensinar.

terça-feira, agosto 22, 2017

A INSTRUÇÃO

Ensina-me, Mãe-Professora, a colocar em prática o que aprendi no canto do beija-flor. Preciso de força para atingir a maturidade da minha espiritualidade, para aguentar receber em meu peito o Teu Amor. Estou farto de ser apenas uma criança, Minha Mãe, sempre em busca de brilho, caçando fenômenos e buscando provas da Tua existência nesse plano de ilusão.

Mãe, é lindo contar as estrelas cadentes, ficar só olhando os cometas contentes; mas sinto que preciso, nesse momento, de uma colher de energia com gosto de pé-no-chão, para que eu faça da espiritualidade o meu dia-a-dia.
Passei muito tempo vislumbrando, e pouco tempo de vida praticando, por isso, peço firmeza, Ó Mãe Suprema, para não deixar para depois, a atitude de ser alguém melhor hoje.
Estou muito acostumado com o show do Teu Amor, bato palmas ao perceber as luzes da minha alma, porém, falta algo; não sei como pôr em ação todas essas lições que aprendi e sei que de nada vale continuar colhendo fenômenos, se eu não souber como usar esse conhecimento na minha vida, praticando-o aqui mesmo.
Por isso, peço-te instrução, Mãe das mães, pois, pior do que alguém que não tem acesso às Tuas santas lições, é alguém que recebeu o dom de conhecer um pouco, mas fez disso diploma nas paredes do ego - livro fechado nas gavetas teóricas da mente -, e faz desse divino presente água corrente que escorre pelas mãos.

P.S.:
Ter toda a liberdade do mundo,
Para poder escolher,
Entre todas as possibilidades,
Aquela que mais me agrade!

Ah, como transformamos, facilmente,
O nosso livre-arbítrio em livre-bobagem.

Livre-arbítrio não significa fazer tudo o que eu quiser;
Livre-arbítrio é poder escolher o que melhor me convier,
Dentro daquilo que eu realmente precisar.

segunda-feira, agosto 21, 2017

A FLOR, O CRIADOR E O FOCO

A FLOR, O CRIADOR E O FOCO


De todas as possibilidades possíveis, Ele criou a flor.
Como conseguiu se concentrar?
Como conseguiu formar a flor, tendo à disposição milhares de outras idéias?
Como conseguiu dedicar tanto carinho e perfeição para a flor, e também para aquela estrela, que Ele acabou de fazer nascer?
Ele é o cara!
Porque entre a criação de uma estrela e a formação da flor, Ele ainda olha e sorri para mim.
O Rei da concentração e da criação.
Entre tudo aquilo que Ele tem para fazer, ainda arruma tempo para falar comigo.
Não diz nada e fala tudo.
Sorriso! Existe comunicação mais exata?
Se o sorriso fosse um número, seria infinito...
Queria ter escrito algo quando O vi, mas, no momento em que mais precisei, não havia caneta nem papel comigo.
Por que será que, nos momentos mais belos das nossas vidas, não carregamos com a gente uma máquina fotográfica, um gravador ou uma caneta? Piada divina!
Ele realmente é o cara!
E, quem sou eu?
De todas as possibilidades, escolhi criar quem eu sou.
Como consegui me concentrar?
Como consegui formar meu caráter, tendo à disposição milhares de outros personagens?
Da mesma forma que Deus criou a flor: Foco!
Contudo, entre trancos, vidas e barrancos - todos sabem -, é difícil manter o foco.
Impossível se concentrar. Será?
Temos todas as possibilidades de nos tornarmos quem quisermos...
Ou fazer se tornar realidade todos os sonhos possíveis.
Mas por que demoramos tanto?
Ou por que, às vezes, temos a impressão de que nunca chegaremos lá?
Falta de foco! Por isso não somos o cara!
Não dedicamos carinho aos nossos projetos. Falta amor e dedicação.
Por isso nossas vidas são imperfeitas.
Não estamos trabalhando com aquilo com que viemos aqui para fazer, pois perdemos o foco.
E se, em lugar de todo aquele tempo gasto com picuinhas, tivéssemos nos dedicado totalmente ao grande projeto das nossas vidas?
Onde estaríamos agora?
Será que já não teríamos criado a nossa flor?

sexta-feira, agosto 18, 2017

A FACE DE GHANDI

Centenas de turistas se aglomeravam para ver o lugar onde Ghandi fora assassinado. A chuva fina de agosto era cenário perfeito para que o guia explicasse com tristeza na voz, como e quando ocorreu o trágico evento que retirou do mundo esse homem.



Indianos e turistas de toda parte do mundo olhavam com atenção cada detalhe do lugar e ouviam a explicação do guia como se pudessem sentir, mesmo que por um instante, a figura de Ghandi naquele lugar.

- Essa flor nesse lugar representa esse fantástico homem que mudou a história desse país - dizia o guia - E é possível senti-lo por aqui e refletir sobre o seu trabalho no mundo.

O lugar era tão bonito, tanto quanto as palavras do guia, mas discordei calado: afinal não sentia a presença dele ali, e sim em cada criança sorrindo com os pés descalços na lama; criança com a mão segura pela mãe de sari brilhante e olhar cansado, que segue o marido, que por sua vez olha meio desconfiado para aquele rapaz que parece indiano, mas que age como estrangeiro.

Queria poder lhe explicar que nem sou indiano nem sou estrangeiro; mas fico calado, enquanto observo com o meu bloco de notas na mão o moleque sorrindo para meu rosto tão estranho e ao mesmo tempo tão conhecido.

Ghandi estava ali com ele.

Ghandi estava com ele, muito mais do que no memorial que fizeram para ele ou nas cédulas de rúpias que andam de mãos em mãos, de bolso em bolso indianos; ou nas fotos que todas as pessoas e políticos famosos tiraram ao seu lado e que são expostas no mundo inteiro como se a pessoa sorridente ao lado daquele homem franzino realmente o conhecesse a fundo e compartilhasse da mesma virtude que o fez tão querido; mas arrisco a dizer que ninguém o conhecera tanto quanto o povo sofredor, que se sentia mais gente ao vê-lo passar, porque ele os via como eles são de verdade: seus semelhantes.

Ghandi nunca morreu, e ele ainda se encontra nas ruas da Índia e do mundo, estampado no rosto do povo como esperança de que um dia o mundo seja uma única nação, sem castas e sem donos, compartilhando a única terra onde não existem fronteiras: a Terra da Compaixão.

- Frank -

quinta-feira, agosto 17, 2017

A DIFÍCIL TAREFA DE FAZER UM BUDA DAR RISADAS



As bandeirinhas coloridas contrastam com o céu azul da praça do "Buda que tudo vê". Depois de vinte minutos de caminhada do centro de Katmandu até ali, Auri (minha esposa) e eu chegamos no topo do monte, onde o famoso templo dos olhos do Buda que tudo vê observa a cidade lá embaixo, todos os peregrinos, devotos e turistas que vão até ali orar ou apenas tirar umas fotos do templo do mestre da paz.

Algumas pessoas cantam mantras perto das estátuas dos mil e um bodhisattvas (1), e eu escolhi um deles para lhe contar uma piada.

Não estou sendo sarcástico nem brincando com coisa séria, é que o olhar sereno da estátua me deu tanta paz e calma, que decidi lhe retribuir o favor e fazê-lo dar risada. Troca justa, afinal não é sempre que você chega num lugar e é envolvido por uma aura de tranqüilidade que lhe dá uma clareza mental tão intensa que você começa a lembrar-se até da data em que se casou.

Não sou budista, mas é inegável que ali sinto uma sensação tão boa que parece que posso abraçar o mundo e tocar cada coração.

O templo famoso e cartão postal do Nepal parece tocar o céu azul, e os olhos do Buda que tudo vê olham de um jeito que você precisa passar a mão no corpo para ter certeza de que não está pelado ali na praça cheia de monges, turistas e macacos.

Fiquei muito contente de poder estar ali e experimentar algo tão bom, e como não sei os rituais de agradecimento budista, escolhi um bodhisattva e tentei retribuir o que senti.

Dirigi-me a ele com alegria:

"Amigo Budinha. Não sei como lhe agradecer, e como sei que você deve estar aí há séculos sem nenhum momento de lazer, vou contar-lhe uma piada."

Então, comecei a minha jornada em busca da risada do Buda. Tentei contar a do papagaio, a da loira, a do português, e confesso envergonhado que até contei algumas piadas bem sacanas e pesadas; mas nada do Buda reagir, pelo contrário, ele permanecia ali inalterado, com aquele meio-sorriso de quem está morrendo de vontade de rir, mas fica sério, ainda mais com tanta gente passando por ali e encostando a cabeça nos seus pés e jogando arroz na sua cara.

Quando pensei em lhe contar a piada infalível do gaguinho e do pássaro graúna, pérola memorável que o meu amigo Cláudio me contou aos 10 anos, e até hoje não consigo evitar o riso ao relembrá-la, passa um grupo de monges-criancinhas que saúdam o Buda e trocam murmúrios entre si, provavelmente tentando entender o que aquele marmanjo está fazendo ali rindo sozinho das suas próprias piadas em frente do Mestre. Então, percebo o ridículo do que estou fazendo e imagino que o Bodhisattva já deve estar perdendo a paciência e explodindo em mil pedaços, sem querer mais ajudar a humanidade. Peço desculpas ao meu amigo, olho fixo em seus olhos e lhe digo:

"Obrigado, amigão, por não desistir da gente. Desculpa aí as piadas, não sou muito bom nisso. Mas não leva a mal não, mas será que posso lhe pedir um favor?"

Não houve resposta, mas depois de tanto tempo ao seu lado, senti que já éramos íntimos o suficiente para uma conversa franca, e quem sabe pedir uma ajudinha.

Disse-lhe novamente:

"Não tem como você da uma ajudinha? Não tem nenhum jeito de ir mais rápido? Quero dizer, estou meditando há anos, faço mantras todos os dias, e até agora nenhum mini-samadhinho (2); não tem por aí um expresso Nirvana? (3)"

Ele continuou imóvel, mas senti que sua fisionomia tinha mudado um pouco, o olhar sereno tinha mudado para um tipo de olhar que só posso traduzir como o olhar de quem faz forca para não dar risada. Mas não teve jeito, e a estátua era mais resistente do que eu pensava, acabei desistindo e decidi ir embora antes que aquelas nuvens que tapavam o céu azul virasse uma enxurrada na cabeça. Porém antes de ir embora, dei uma ultima olhadinha para o meu amigo, e "o Buda que tudo vê" não me deixa mentir, mas posso jurar que enquanto eu olhava para o céu o bodhisattva deu risada.

Não tenho com provar, mas aquele sorriso tinha mudado com certeza. Não era mais meio-sorriso, e sim o sorriso franco de quem deu uma boa gargalhada.

Se algum dia desses eu voltar por aqui, não vou me surpreender se no lugar do Buda do meio-sorriso encontrar o Buda da eterna risada.

SOMOS TODOS UM SÓ!

quarta-feira, agosto 16, 2017

A DIFERENÇA QUE APROXIMA

Imagine aquele típico rosto nordestino, olhar cansado, pele enrugada na face, que conta mais experiências do que mil livros, chegando em casa com o alimento para a família, depois de um dia de trabalho ao sol de quarenta graus.



Enquanto a mulher prepara o jantar, ele toma um banho com a água do pote que a chuva ajudou a encher, troca de roupa e acende uma vela para a estátua de São Jorge, agradecendo por mais um dia de colheita.

Use mais uma vez a sua imaginação e troque a estátua do santo e ponha uma do Ganesha, o Deus hindu com cabeça de elefante no lugar. Troque o chapéu de palha do homem e ponha um turbante da cor que você imaginar. Troque a saia rendada e o pano na cabeça da mulher preparando a comida no forno de barro e ponha um sari colorido e pulseiras no braço. E você terá a visão típica de um indiano que vive no campo, além dos turistas, além dos gurus e loucos, além das confusões e das armas nucleares em conflitos que ele nem sabe por que razão se iniciaram.

Para ele, o que importa é o alimento da família, e todo o resto vira cenário, história em volta de fogueira que ilumina o campo onde a luz não chega.

Viajando pelo interior da Índia, cada vez mais percebo que somos realmente um só. Muda-se a fronteira, troca-se a língua, os costumes, e encontra-se o mesmo povo lutando pelas mesmas coisas que por lá tem um nome diferente.

O mesmo povo que sorri quando a chuva vem e chora quando ela se vai levando embora tudo o que eles tinham.

O mesmo povo de olhar expressivo e sorriso-pétala esperando um pingo de motivo para desabrochar numa linda risada.

O mesmo povo que com suas crenças, quer seja por santos, quer seja por deuses, vibra no peito uma paixão verdadeira pela própria existência.

Vim para a Índia encontrar o exotismo e diferença, e encontro tudo igual ao país em que nasci.

Não entendo a língua que eles falam, mas aprendi a ler olhares e traduzir sorrisos, por isso compreendo e os valorizo tanto quanto o povo da minha terra, ou o povo de outras terras, separados por fronteiras, mas unidos pelo mesmo coração que bate forte celebrando o sopro de vida que a cada dia habita em todos, quer seja no Brasil, quer seja na Índia.

SOMOS TODOS UM SÓ!

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