quarta-feira, outubro 31, 2012

Jureminha e o Halloween II

" Sou filha de mamãe guerreira; por isso não tenho medo de Jason ou de qualquer cara feia"

Jureminha e o Halloween I

" Eu sou filha do papai Paraíba Vagamundo do sertão, por isso não tenho medo de Freddy Krueger e nem de qualquer bicho papão"

sexta-feira, outubro 26, 2012

Comprar a Briga Alheia




Ele quer salvar o mundo, mas se esquece do seu próprio castelo que por falta de atenção foi construído na areia movediça que afunda quem se esquece de si e só tem olhos para a vida dos outros que é mais fácil de ser arrumada se comparada com a bagunça da sua casa que pende pra um lado e cai pro outro num movimento de descuido que vai acabar destruindo o que foi construído e trabalhado e mesmo sabendo disso, a vida alheia ainda o faz repetir o mesmo erro todo e tudo de novo. 

quinta-feira, outubro 25, 2012

Salve Jorge, mas Só Jesus Salva




Uma certa linha de evangélicos promete boicotar " Salve Jorge"- a nova novela da Globo. A campanha pelo Facebook está ganhando cada vez mais adeptos e criando muita polêmica, especialmente quando eles dizem que os fiéis de Cristo não devem dar audiência a uma novela que vai adorar um espirito do mal chamado "Ogum". Hum... Não sei o que é mais ridículo; será essa pregação anti-religiosa - a religião dos outros é do mau - ou os "espíritas" ( Umbandistas e Cadomblezistas) ofendidos com isso?

Desde o começo da nossa existência, os povos matam e exterminam um ao outro para expandir a "sua" verdade. Inquisição na idade média ou debates nas redes sociais, nos dias de hoje, que são tão destrutivos quanto o terrorismo dos fanáticos do Taliban.

Em geral, essas discussões não passam de ofensas gratuitas típicas de torcedores de time de futebol que se digladiam e se ofendem; geralmente usando as mesmas pedras que foram lançadas anteriormente. 

Quem tem segurança no que acredita, não precisa convencer ninguém da sua fé nem mudar a crença alheia. E essa discussão é tão ridícula quanto querer convencer alguém que fala espanhol a só falar português ou vice-versa. 

São as nossas diferenças que nos tornam humanos e a religião deveria ser antes de qualquer coisa; um religar-se  ("religare" no Latin) ao próximo e não a repetição da mesma ignorância religiosa que apenas prova que os seres humanos ainda precisam amadurecer e muito as mais básicas conexões mentais.  

quarta-feira, outubro 24, 2012

Sobre Pastores-Mirins, Médiuns-infantis e Deuses-Meninos




Lugar de criança é na escola e brincando nas horas vagas - mas não no Brasil ou nos países pobres e de terceiro mundo, onde a maioria da população vive com menos de um salário mínimo e o trabalho infantil é uma realidade; em alguns casos não só complementa, mas muitas vezes é a única renda familiar. Se esse problema em si só, já é um desafio para a sociedade, o que dizer das crianças que pregam em igrejas evangélicas, outras que mediunizam " entidades" nos centros espiritas ou são referenciados como " deuses" nas culturas orientais? Chocante, né? Não é, se a religião aonde a criança atua é a sua!

Recentemente foi publicado na revista Veja, um artigo assinado pela jornalista Fernanda Allegretti sobre meninos e meninas que atuam como pastores em igrejas evangélicas; retirando o tom sensacionalista da reportagem, o artigo levanta a questão do que levaria os pais a incentivarem essa prática: seria revelação divina? Ou apenas um meio de melhorar a renda doméstica? Ou pior ainda; nessas igrejas de periferia, muitas vezes em comunidades sem opções de lazer juvenil, incentivar as crianças a seguir a "carreira" de pastor seria uma forma de afastar essas crianças das drogas ou do crime. 

Porém, esse problema não ocorre apenas no meio evangélicos; na igreja católica, a figura do coroinha vem a mente quando se pensa em crianças " trabalhando" em rituais religiosos. Na India ou nos países de religião oriental, muitos são os meninos e meninas que são reverenciados como deuses. Não precisamos ir muito além das fronteiras, para constatar que tem criança por ai, em centros de Umbanda ou Cadomblé, ensaiando incorporações e no Santo Daime, o que não falta são relatos de pais irresponsáveis permitindo a bebida aos seus pequenos. 

"Deus protege e quer os pequeninos envolvidos na fé", muitos dizem e acreditam, mas neglicenciam seus papeis de guardiões dessas crianças; ignorantes o fato que uma criança não tem capacidade de compreender o que os pais acreditam. Até os 12 anos, o cérebro de uma criança funciona com uma capacidade extraordinária de aprendizado, contudo elas não conseguem compreender as coisas mais abstratas como a religião, certas formas de arte e a beleza; para isso é preciso ter experiência de vida, o quê obviamente os pequenos não tem. 

A maturidade psíquica é um processo que leva um certo tempo e quando ela é somente quando ela é aliada às experiências de vida que a religião encontra a sua função de existir em nossa sociedade e em nosso foro intimo, nos dando as ferramentas que necessitamos para lidar com assuntos como vida depois da morte, milagres, curas divinas e toda série de assuntos que nos conectam com uma crença em particular. O problema é que a grande maioria das pessoas acredita piamente que a sua crença é a única "verdade" que alguém deveria acreditar e não faz mal nenhum inserir as " suas" crianças em seus ritos. Uma coisa é a criança assistir uma missa, participar de uma pregação ou até mesmo estar presente e conhecer sobre as festas e cerimonias da religião em que seus pais estão inseridos. Porém, em muitos casos, as crianças precisam de ajuda psicológica para lidar com a religiosidade dos pais, pois somente a boa intenção paterna para introduzir os pequenos em sua fé não basta e pode até prejudicar o desenvolvimento psíquico dos seus filhos. Como explicar para um filho de um médium da Umbanda que é um espírito e não o seu pai que está falando com aquela senhora? Como um evangélico pode ensinar para o seu filho a respeitar as diferenças e as fés alheias quando o menino testemunha os pais tentando evangelizar pessoas de crenças terceiras? 

O debate é complexo, mas a solução é bem simples:  lugar de criança é na escola ou brincando nas horas livres,  religião para os pequenos não é obrigação; dever de casa e diversão é! 

segunda-feira, outubro 22, 2012

Tem Alguém Ai?

A jornada foi árdua. Quando olho para trás, é realmente um milagre não ter
desistido. Domar a mente, fazer as pazes com o meu demônio interior e finalmente ter a disciplina para trabalhar meus chacras diariamente levou-me a um estado de paz interna que me possibilitou, pela primeira vez, essa sensação.

Calmamente, respiro fundo e mergulho sem medo na imensidão que separa as
dimensões e percebo que todo o meu corpo se alinha para que minha mente possa acessar o que há por trás do véu da matéria e com força de vontade e muita concentração, vou me desviando dos devaneios e ilusões que se apresentam e percebo surgir uma luz familiar e desconhecida; familiar por ser a mesma luz que percebo brilhar em mim e desconhecida, pois ela é repleta do brilho que sempre
busquei. Esse brilho parece vir dos confins do universo e sinto que ele me
envolve e reluz em todo o meu corpo sutil. Não tenho dúvidas: estou diante da presença de Deus!

Com lágrimas nos olhos, ajoelho-me diante de tamanha força e agradeço a ela por me deixar testemunhar a sua existência e peço licença para compartilhar essa experiência quando eu retornar.

Então sinto uma leve vibração que lembra o som de uma voz; as ondas vão aumentando e percebo emocionado que estou ouvindo a voz do Criador:

" Você pode até compartilhar essa experiência" - disse a voz - " Mas não se engane comigo! Não sou Deus, eu sou apenas outro cara que assim como você, busca encontrar o Divino aqui também. A diferença é que eu moro... digamos... no andar
de cima. "



sexta-feira, outubro 19, 2012

Thank You

Dear Friends,

I would like to thank you all for every kind word you have sent to me. It certainly touched my heart. Thank you very much indeed.

Little Krishna David is getting stronger and fatter; his lungs are breathing in and out without the oxygen machine and my wife and I are counting the days to bring him home to play with his little sister.


sábado, outubro 13, 2012

O Pequeno Krishna David Contra o Golias da Prematuridade

As estórias se repetem. Talvez seja porque ainda não aprendemos a lição nela contida; talvez porque a vida seja mesmo cíclica, envolvendo a todos nós em espirais de experiências que parecem ser iguais, mas basta treinar um olhar cauteloso e atencioso para perceber que nada é totalmente semelhante. É no pensar sobre isso que me acalmo e continuo observando meu filho, Krishna David, na UTI da maternidade.

Sete meses! Krishna não agüentou esperar os nove e contraiu dois meses da sua gestação para se " auto-presentear" no Dia das Crianças.

Sete meses! David quis nascer no dia da Nossa Senhora Aparecida, Oxum indo pela vida, Oxum nadando para fora da placenta, margeando seu próprio rio.

- Lá vamos nós de novo! - eu disse, entrando na emergência do hospital. Auri reclamando de uma dor estranha que ela desconfiava ser contração.

- Espero que seja apenas um alarme falso - ela disse segurando minha mão firmemente.

Não foi!

Alarme real, dilatação, batimentos cardíacos e outros tantos vocabulários ditos pelos médicos e enfermeiras que transformariam essa crônica num roteiro de série de TV sobre medicina.

Correndo de lá e pra cá, fui reagindo e agindo, tudo ao mesmo tempo: internação, trabalho de parto, chave do quarto, assina aqui e paga ali, toma ó pai o controle remoto...

Controle remoto???

Que controle temos na vida? Se mal controlamos o que ocorre conosco; imagina a vida dos outros.

Controle remoto???

Sim, ao menos esse controle eu controlo. Daí, aperto a tecla << e retorno no tempo, tento encontrar os porquês, não acho resposta alguma. Assisto no canal 2011, tudo o que ocorreu com a Jureminha: nascida sem respirar, UTI, intubação, muita emoção e sofrimento, confia confia confia no poder e finalmente o milagre da recuperação. Aperto o botão presente e vejo o canal 2012 a minha frente, Auri tremendo, nervosa e rezando para que a estória não se repetisse.

Repetiu-se!!!! Não quero ver. Posso sair daqui? Não posso! Aperto o botão >> e estou na UTI. Não é a Jureminha com aqueles tubos ligados a uma máquina que faz clique aqui clique acolá; é seu irmãozinho.

Karma de família. Confia confia confia! Confio! Confio? Confio nada! Fico ouvindo pensamentos vadios dizendo: " que falta de sorte, Frank!" e os dando ouvido. Como da última vez... As estórias se repetem. Talvez seja porque ainda não aprendemos a lição nela contida...

... mas basta treinar um olhar cauteloso e atencioso para perceber que nada é totalmente semelhante. É no pensar sobre isso que me acalmo e continuo observando meu filho, Krishna David, na UTI da maternidade. E é em meio ao seu sono ( embalado pelas canções de ninar daquelas máquinas que tentam substituir o útero da Auri ) que eu vejo na mãozinha do bebê, um pequeno mudra; os dedos do meu filho se mexem e se entrelaçam e vejo surgir uma pequena figa. Para quem tem fé, basta um sinal; para quem duvida de tudo, basta um símbolo como esse para ter força suficiente para nos fazer confiar.

Confia? Confio!

sexta-feira, outubro 12, 2012

A Vida Continua?



Não sei muito sobre isso, só sei que existo.

Existo, pois já provei de mim fora do corpo, já acordei dentro de sonho bobo e lembro com carinho de certos esquecimentos que me são bem familiares e que suspeito são fragmentos de outros tempos que não cabem na memória do agora; sei que existi no outrora, pois mesmo sem me converter ao movimento espírita, há uma parte de mim que grita: a vida continua!

Continua, pois tudo na natureza continua. Não preciso de doutorado, nem mestrado; aposentei o guru quando o guri em mim, olhou com olhos arregalados para à natureza e viu que tudo estava interconectado e o que aparentemente morre, continua em outro formato.

Formas: não será o adulto, uma continuação do adolescente? Não será o adolescente, o prosseguir do ser criança? Não será o ancião, a forma que ocuparei dali à frente? - Que fique claro que não tenho pressa de assumir essa forma tão pouco nem tão perto, mas sei que o velho em mim será muito mais desperto e consciente das outras formas que ocupará de lá para adiante; portanto, que sigamos todos avante, forma após forma, transmitindo, evoluindo, transformando e existindo!!!!

quinta-feira, outubro 11, 2012

O Tempo




Passei toda a minha vida
Correndo contra o tempo,
Às vezes, eu tinha tempo demais,
Outras vezes, tinha de menos;
Até que um dia
Acordei sem tempo,
E vi um mundo sem passado
E sem futuro
Que acontece por dentro;
Em principio, foi difícil
Conceber um tempo
Onde tudo acontece ao mesmo tempo,
E diante dessa impossibilidade
De compreender esse momento,
Descobri que tinha que esquecer
O que eu chamava de memória
E não pensar no que traria o vento;
E diante do eterno instante
Que me entregou aquele tempo,
Compreendi finalmente
Que estava diante
Do que é meditar no presente!

quarta-feira, outubro 10, 2012

Curso, Dinheiro e Valor




Era uma vez um homem que vendia conhecimento. Tarefa árdua, num mercado de produtos caros, onde tudo tinha um custo, mas ele acreditava em seu produto, por isso atribuiu um valor ao seu estudo e concluiu que os anos de pesquisa e cursos, os custos de tantos livros comprados, revistas e jornais, que o levaram a se tornar um profissional especialista daquele assunto, mereciam ser oferecidas por um preço justo, e pôs seu conhecimento no mercado.

Foi difícil! Foi duro!

Quem comprava no mercado dizia que aquele tal de conhecimento, não valia o preço ofertado. Três moedas valiam um tomate, outras cinco um par de botões, mil compravam um carro; mas ora só, conhecimento deveria ser de graça e se recusavam a pagar por algo, que de acordo com eles, deveria ser livre de custos.

O que elas não sabiam era que o homem que vendia conhecimento até tentou trabalhar por caridade, mas tal atitude saiu muito caro, por ser livre de custo, ninguém dava ao conhecimento, o devido valor, e por acharem que tinham direito ao que recebiam, poucos se esforçavam para aprender e muitos deles, acabaram se afastando dos estudos.

Surpresa: bastou ele começar a cobrar uma moeda por lição, e quem não dava valor a educação que recebia sem pagar, passou a prestar atenção nas aulas, e o homem do conhecimento, então, compreendeu que o seu ensino tinha valor e precisava ser pago pelo aluno interessado, para que ele reconheça o esforço do professor para
aprender a ensinar.

Foi difícil, e ainda é duro vender conhecimento naquele mercado de produtos caros, onde tudo tem um custo, e não deveria ser diferente com o conhecimento, que dos produtos, é o que tem mais valor.

terça-feira, outubro 09, 2012

Construção e Desconstrução do Ego



Segundo o Dalai Lama, há dois tipos de ego:  um tipo só cuida de si mesmo para conseguir alguma vantagem para si, ignorando os direitos dos outros. O outro ego diz: “preciso ser um bom ser humano; preciso servir; preciso assumir plena responsabilidade”. 

Para chegar até aqui, você precisou construir o seu ego mais egoísta. Moldando-o e enaltecendo-o, seu ego e toda a estrutura do seu psiquê te ajudaram a evoluir e vencer a corrida da sobrevivência e garantir o seu lugar ao sol, porém não é só de pão, água e sombra que vive o homem e para continuar a sua jornada, se faz necessário compreender que sempre chega o tempo em que, como dizia Sri Aurobindo, o auxilio inicial se torna um entrave.  

Chega um tempo em que o ego como um narciso apaixonado por um reflexo distorcido, não dá espaço para o que é novo se manifestar e começa a se defender de qualquer tentativa de mudança.  Como profundo conhecedor dos mecanismos biológicos de recompensa e satisfação,  o ego se auto-alimenta com os elogios que recebe, filtrando somente aquilo que o fortalece.

Aquilo que fortaleceu o ego no começo, já não é mais suficiente para sustentar o sistema complexo que você se tornou. Esse algo a mais que tanto te tira o sossego parece ser algo fora dos domínios do ego, e diante disso, para atingir esse objetivo, uma nova consciência  vai emergindo e se espalhando pelo seu ser e te mostrando que é tempo de perceber que nem ela nem o ego é verdadeiramente você. 

Desconfio que o ego é um dragão de múltiplas cabeças e cada vez que cortamos uma delas, uma outra aparece. Cada cabeça, cada ego tem seu tempo e possui o poder de nos ajudar - os observadores - a chegar na experiência que desejamos alcançar nessa dimensão.

Cabe a você, o observador central, trabalhar para manter essa percepção consciente diante das máscaras que vão surgindo para te levar até onde você quer chegar e não se identificar somente com elas para não perder a noção entre quem é o personagem e quem está atuando. 

segunda-feira, outubro 08, 2012

Jureminha e o Pombo



Aponto o passarinho para a Jureminha, ela prefere correr atrás dos pombos. Explico sobre os cantos dos pássaros e sobre suas diversas cores, ela não dá a mínima e segue piando: pombo, pombo, pombo!

Quero mostrar para ela que os pombos são os ratos do ar, não quero que ela se interesse por esses seres que são alados, mas carregam tanta sujeira e doença em suas patas, asas e penas. Porém, Jureminha não liga para as minhas evidências e continua sorrindo e  apontando seus pombos, pombos, pombos.

Adoro passarinho, mas acho que tenho preconceito com pombo, e diante da insistência da minha filha em me mostrar que todo animal é divinal, decidi escrever esse conto. 

sexta-feira, outubro 05, 2012

Presente de livro



Recebi um Mário Quintana de uma amiga. Sorri feliz, enquanto folheava o livro. Não é todo dia que acertam; dar presentes é uma arte. 

Sou como criança; prefiro brinquedo à roupa. Esqueçam a bermuda, a camisa de marca. Quer me fazer feliz com um presente? Vou contar um segredo: adoro ler e amo música! 

Presentear cultura não é coisa de amigo secreto, é um serviço para amigo intimo. Os melhores presentes que já ganhei na vida foram canções e livros. Uma vez ganhei um Richard Bach de uma amiga carioca e tornei-me escritor; outra vez, ganhei um Elvis de uma tia e tornei-me cantor. Escritor de versos tortos e cantor de banheiro, mas ainda assim, esses dois presentes mudaram a minha vida: quando estou triste, canto. Se estou feliz, escrevo. Minha depressão vira melodia e a minha alegria vira sopa de letrinhas que alimentam amigos e leitores. Às vezes uma linha pode salvar um dia e uma melodia pode resgatar a graça da vida que fugira com a tal da Margarida. 

Uma calça se veste, mais um livro se bebe; uma blusa se cobre, mais uma música se aquece e assim segue a minha alma sem calça e sem blusa; correndo nua mas sem sede e sem frio pelas ruas da cidade e pelas curvas do rio. 

Ganhei Mário Quintana e mesmo correndo o risco de ficar descalço, rogo aos amigos; se desejarem dar-me algo, bem pertinho de casa, há um sebo cheio de livros abandonados e famintos para serem lidos. 

Até lá, me despeço voando, pois como dizia Quintana: “ Eles passarão e eu passarinho”. 


quinta-feira, outubro 04, 2012

O menino e o passarinho



Há pessoas que plantam árvores e poesias, há outras que semeiam a discórdia e derrubam a vida. Em um mundo, onde a palavra “destruição” parece ser mais forte que “ecologia”, surgem meninos e passarinhos, que contra tudo e contra todos, plantam esperança e colhem alegria.

O menino tinha ouvido a estória do passarinho que trás água no bico para salvar a floresta em chamas. Enquanto todos os bichos correm, fugidos; o passarinho faz o caminho inverso, voa na direção do perigo, e como se tivesse enlouquecido, volta diversas vezes à floresta incendiada, carregando água e jogando no fogo, tentando apagar o incêndio.

Se o passarinho ficou doido, louco também ficou o menino, quando um dia, deixou de comprar seu gibi preferido e comprou um punhado de sementes. Ele havia enfiado na cabeça, depois de ter assistido um documentário sobre as queimadas na Floresta Amazônica, que não ia permitir que o verde virasse cinza, e deixasse de existir. Feito o garoto do conto “João e o Pé de Feijão”, enquanto carregava o saco de sementes em suas mãos, ele desejou ardentemente, que aquelas sementes fossem mágicas e pudessem povoar os desertos com matas; transformar terrenos baldios em parques, reverter às queimadas, e como se saciasse a própria sede, chegou em casa, jogou sua mochila na sala e correu para plantar as sementes no seu quintal.

Seu irmão, feito os bichos fujões, observando a plantação, aproximou-se e perguntou:

- O que você está fazendo?

- Plantando árvores! - respondeu o menino.

- Para quê?

- Para salvar o mundo - explicou o menino - As árvores estão desaparecendo e depois de tudo o que elas nos deram, o mínimo que podemos fazer é replantar.

- Você é bem burro, guri! - criticou seu irmão - Acha mesmo que o seu punhado de sementes fará diferença em um mundo, onde se derrubam mil árvores por minuto?

O menino, encarnado de passarinho, olhou para o irmão e falou:

- Eu pertenço ao time que acredita que “cada um deve fazer a sua parte”. E você, a que time pertence?

quarta-feira, outubro 03, 2012

Pedinte



Eu sou um pedinte, mendigo de mim mesmo. Ando pra lá e pra cá, sem direção, com os pés descalços e segurando nas mãos três sacos de lixo, onde está escrito: orgulho, mentira e egoísmo.

Já tentei jogar fora cada um dos três sacos, mas embora o lixo seja pesado, os carrego a tanto tempo que os sinto como parte de mim e que sem eles, algo faltaria. Vai que o orgulho seja útil, o egoísmo me salve de algum perigo e a mentira...como viver sem a mentira?

Pago o preço da minha decisão de mendigar, mas a que custo? De que vale a pena, viver com os pés descalços no chão e vestindo trajes que enxergo como roupas e todos vêm como trapos?

Sem teto, falta-me o telhado da alegria e as paredes da harmonia. Sem terra, não tenho onde plantar um trabalho baseado em compaixão, nem tenho sombra, e nem colho os frutos do amor.

Já tentei parar de pedir, mas quando penso que estou curado, percebo que estou usando o disfarce do agradecimento para fazer um novo pedido.

Sou pedinte da eterna ajuda; falta-me a firmeza da prática do meu potencial; por isso mendigo sou e sigo mendigo, buscando tratamento especial dos céus, pena divina e alguma garantia de receber sem trabalhar, de colher sem plantar, de me religar sem compromisso com o crescer.

terça-feira, outubro 02, 2012

Peixes dourados




É noite serena de novembro e saio da cama com o meu barquinho astral. É madrugada de pescaria, por isso preparei os instrumentos, ajustei meu barco e saio do Porto Beta, seguindo rumo ao Mar Alfa, navegando nas ondas cerebrais.

As águas estão agitadas e o meu barco parece estar furado, mas não é água que entra, é lucidez que sai. Ergo as velas da luz que ecoam Om, Om, Om e sigo tapando os buracos da consciência que escapa. Estou aprendendo ainda a ser marinheiro da experiência e é com muita paciência que vou cobrindo furo por furo e mantendo-me desperto nesse mar da inconsciência.

Com firmeza no leme, concentro a minha atenção nas ondas á frente, ignorando o que vejo ao lado. Com o canto do olho esquerdo, vejo sereias, terras prometidas, lindas donzelas e outros tantos tesouros escondidos. Com o canto do olho direito, vejo monstros, peixes gigantes, dragões de sete cabeças e todo tipo de horror que me repulsa e atrai. Contudo, resisto a tentação de dialogar com essas seduções e sigo fortalecendo o meu barquinho que avança cada vez mais pelas ondas desse mar de ilusões, oceano com seus significados dos mais variados, e a medida que prossigo, percebo que as visões que as ondas carregam se dissolvem nas mais intensas cores, e já não estou navegando num mar bravio, barqueio por um mar colorido. Cada onda representa uma mensagem, formando um arco-íris marítimo das lições do divino. Para navegar por esse arco-íris aprendi faz pouco tempo, que é preciso usar a bússola do amor e a vara da força de vontade para trabalhar.

Pescador, ofereço como isca a boa sintonia e o mar reage, oferecendo-me peixe-dourado, peixe-firmeza, peixe-espada, peixe-harmonia e peixe-palhaço, pois pescaria divina sem alegria é totalmente sem graça. Com o barco cheio, antes que retorne ao Porto da Vigília, agradeço a Janaina, Rainha do Mar e das Ondas Mentais, por ter entrado em suas águas e não ter naufragado pescando o que parecia ser peixe, mas não passava de pneu furado. Ela sorri e canta uma melodia que diz algo assim:

“ Volte para o seu mundo, meu pescador do amor, e compartilhe esses peixes dourados do mar do arco-íris com todos que tiverem olhos para te ler e discernimento para compreender que somente com o barco da sintonia fina e sutil, os marinheiros da projeção da flor conseguirão entrar no mar do primeiro vôo com a Mãe Divina e perceber que esse mar do amor cada um carrega dentro de si”.


segunda-feira, outubro 01, 2012

Jureminha na Livraria

Um livro, dois livros, mil livros; páginas se abrindo, letras caindo e voando, palavras encantadas recheadas de alegria; corre, corre, Jureminha na Livraria, pegando o que lhe dá nas letras, curiando, descobrindo o que se revela.

Livros falantes, livros travesseiros, livros gritantes; poesia ilimitada e ilustrações que tentam dizer o que as letras insinuam. Jureminha, escolhe um livro; ela escolhe vários. Dois deles, ela arranca as páginas. Jureminha, livro não se arranca página, riscar pode!

Gostar de ler, essa será a grande herança que eu quero dar à minha filha. Não prometo nada, filha, além de que cada noite, você ouvirá uma histórinha contada, um conto cantado e você vai dormir sonhando com pilhas e pilhas de livros esperando você crescer, minha Jureminha, para serem lidos.
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