terça-feira, setembro 30, 2008

FUNDÃO

Dentro da minha cabeça, há uma sala de aula, onde aprendo o ABC de viver; dentro dessa sala, há a turma do fundão, que não para de falar, desconstruir e interromper; dentro da turma do fundão, há meninos e meninas que ainda estão aprendendo a ser e nesse processo, têm duas bocas e meio ouvido.

Difícil lidar com a turma do fundão, ás vezes, os deixo falar, outras vezes, grito por consideração ao meu estudo; quando reajo com insulto, eles respondem com mais barulho; quando os ignoro; eles querem ainda mais chamar a atenção; ontem descobri a solução: a turma do fundão é necessária para treinar a minha concentração. Ela é a pedra no caminho de Drummond, o aviso, que tudo é equilíbrio na vida; pois não há vitórias sem prejuízo; não há ter sem ausência de; não há alegria sem o "blues" da guitarra do meu eu verdadeiro,sendo assim, finalmente compreendo e aceito a turma do fundão como parte de mim mesmo.

Imagem: http://portalsaofrancisco.com.br/alfa/clipping/imagens/barulho.jpg

segunda-feira, setembro 29, 2008

O ESPECIALISTA EM TE DIZER O QUE FAZER

Que incrontrolável e doce desejo de te dizer o que fazer. Não dá para evitar, mas é para te ajudar. Sim, eu não te daria conselhos, se não houvesse no meu peito, a mais nobre intenção de te auxiliar.

Aqui do meu ponto de vista, vejo o seu ponto alheio tão fraco, você já tomou cuidado? Você deveria se cuidar menino; se eu fosse você, já teria feito esse algo, que você tanto teme em fazer. Se funcionou comigo, funcionará também para você.

Olha essa moça que você está saindo, não me parece coisa boa; sei lá, sinto aqui essa vontade louca de avisar, pois não quero ver você caindo, sofrendo por coração partido; e você sabe, entendo bem de mulher e quem avisa amigo é.

Veja bem, não tenho nada a ver com a sua vida, nem quero bancar o enxerido, mas você não tem noção da pista, por isso te aviso do perigo; muito cuidado com esse novo caminho por onde você anda dirigindo; me parece que essa estrada não vai a nenhum lugar. É perda de tempo, ouça menino; sou muito bom em guiar.

Ouça meu parecer, sou especialista na ciência do saber o que é melhor para você; tenho muita experiência nisso e ajudar os outros é parte da minha vida.

Vida?

Como assim, a minha vida?

Cuidar da minha vida?

Que vida?



sábado, setembro 27, 2008

CAÇADORES DE DOCES

Que saudade do meu tempo de infância, onde caia doce do céu, tinha tanto doce, tanto pão de mel; e tanta comelança, que os bombons duravam o ano inteiro, até o próximo dia de São Cosme e São Damião. Era doce o dia inteiro.

Coisa boa era ser criança, brincando na eterna dança dos Erês, sem se preocupar em ser, apenas estar feliz. Era felicidade pura viver assim, erámos moleques Ibejis, correndo pelas ruas da cidade, caçando doces; quanta travessura fiz.

As ruas do Novo Cruzeiro na já Velha Brasília; ficavam em festa, enquanto as crianças, corriam pelas ruas com as sacolas abertas, enquanto os doces caiam da janela. Será que isso realmente aconteceu ou é apenas um sonho meu?

Não é sonho não, mas se for, tem gosto de chocolate; doce de amendoin, pé-de-moleque, maria-mole e balinha maluquinha...e você? Com o que sonha, a sua criança?

Frank Menino

Hoje é dia de Ibeji, de São Cosme e São Damião, salve todas as crianças, salve todos os Erês!

PORTAL PARA O ASTRAL

Hoje á meia-noite, ponha seu melhor pijama, ajeite o seu travesseiro na cama e prepare-se para a abertura do grande Portal do Astral, mas não olhe para baixo, nem procure lá atrás; muito menos procure lá em cima. Tome atento, moça! Presta atenção, rapaz! Para achar esse Portal, é preciso olhar pra dentro, pro Portal Interior, a porta de todas as portas, a Jóia Suprema do Amor!

É a Jornada da Alma, que levará seus olhos para o pico do Himalaia. Olhe para dentro e venha com a gente, venha dançar no meio das pedras de Stonehenge, nesse círculo de compaixão, onde bate o seu coração. Atravesse os sete portais, vá além da aura, viaje para dentro, no intervalo do crepúsculo e da aurora; é ai dentro que tudo acontece e não lá fora.

Ai dentro, é o verdadeiro Portal do Astral, essa terra do nunca, onde ontem não existe e fiado só amanhã. Onde se vê com outros olhos e se toca com outras mãos.

Venha para a casa, onde você sempre esteve, mesmo quando achou que a tinha perdido e vivia a procurar; venha voar, mas é para dentro, menino birrento, pára de olhar pra fora, é dentro, é dentro...já falei... voe pra dentro!!!


27 de Setembro 2008
Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

MEU AVÔ

Ontem, conversei por horas com o meu avô. Não falamos sobre as teorias de Freud e Jung, nem discutimos os Upanishadis; não falamos sobre os grandes mistérios do mundo, nem discutimos sobre as verdades "absolutas" das nossas diferentes idades.

Foi conversa banal, dessas conversas que a gente joga fora; papo fiado normal com quem amamos; e o interessante dessas relações que tecemos na vida não é o que aprendemos ou ensinamos com elas, e sim, o prazer autêntico de apenas estar com essas pessoas queridas e jogar peteca de amor em forma de conversa.

FAMÍLIA

Coisa mais linda é a família; coisa mais triste é não saber ter.

Ter família é alegria, fingir não ter é perder um pouco da Graça da vida.

Ter família é ser filho de nome esquisito, Cipriano ou Dairton; ter nome parecido como Rivaldo ou Rivanildo, só para depois virar Billy ou Frank. Não ter família é ter nome comum, é nem compreender o sobrenome, pois família é tradição, é Di novo nascer a cada dia.

Com a família, herdamos tantas caras, por vezes, não sabemos se é Cristina ou se é Claudia; mas ter família é mais que herdar nomes, sobrenomes, festas de aniversários. Ter família é saber que é um por todos e todos por um.

sexta-feira, setembro 26, 2008

CAFÉ COM ANCHIETA

Pátio do colégio, vejo o índio catequizado de arco e flecha me observando. Confesso, que sempre tive preconceito e ainda tenho minhas ressalvas em relação a palavra de Jesus sendo enfiada maracá a dentro nos índios, mas essa tarde, sou turista velho nas ruas do centro de Sampa, e finalmente entro no museu do pátio do colégio do famoso jesuíta, lugar onde a cidade foi fundada. Uma outra confissão se faz necessária: fui atraído para o lugar, pois havia lido em alguma revista, que lá dentro, havia uma cafeteria; e como qualquer bom cronista ( ou aprendiz), não existe coisa melhor lugar para escrever, do que um bom ambiente, regado a café e croissant.

A cafeteria era realmente divina. Ficava em um lugar verde, com árvores e pássaros soltos, em que você, por alguns momentos, esquecia que estava na selva de pedra, metrópole gigantesca que já foi um dia uma pequena vila chamada São Paulo de Piratininga. Porém, acabei sendo atraído pelo mistério do museu. O que haveria escondido atrás daquelas paredes? São Paulo era a minha cidade, nada mais justo do que descobrir um pouco da sua origem no próprio lugar onde foi fundada.

Em meio às inúmeras estátuas de Cristo crucificado, símbolos religiosos, imagens dos Jesuítas e dos vestígios do que foi a construção original ( o prédio atual é uma reconstrução), encontrei em uma das salas, na pinacoteca, o famoso quadro de Portinari, onde podemos ver um jovem Anchieta, escrevendo uma oração nas areias de uma praia, sendo observado por dois índios. O quadro é belíssimo, e é de uma poesia mágica, que nos leva além do tempo, e observamos junto com os índios, os versos do padre na areia em homenagem à Virgem Maria. Estou lá com os índios, mas eles não falam comigo; nem o padre, que segue viagem, e deixa os versos sendo levados pelas ondas. Esforço-me para ler os escritos, que dizem os estudiosos, era mais ou menos assim:

“ Diabo
Se lá na batalha do mar
me pisastes,
quando as onze mil juntastes,
que fizestes em Deus crer,
não há agora assim de ser.
Se, então, de mim triunfastes,
hoje vos hei de vencer.”

Contudo, eu vi mesmo outros versos, nada de ameaças ao diabo ou referências às onze mil virgens; eu li na areia da praia, palavras que saldavam Yemanjá, o anjo azul que toma conta do mar, que protegeria a passagem entre Portugal e Brasil, e traria a salvo, todas as mulheres que povoariam essa terra. Sim, Anchieta saldava e fazia um Ode a Yemanja e antes que eu seja enviado para o tribunal da Santa Inquisição, por tamanha audácia, leia os versos abaixo:

“Anjo

Pois agora essa mulher
traz consigo estas mulheres,
que nesta terra hão de ser
as que lhe alcançam poder
para vencer teus poderes.”

Mudei minha opinião sobre o Padre Anchieta, ao final das contas, o Padre não era apenas um catequizador de índio, mas o primeiro brasileiro a se utilizar do sincretismo.

Se vocês não viram nada disso, nesses escritos, parabéns, vocês descobriram que religião é sempre um assunto particular, onde a gente dá a cara ao santo que quiser dar.

JARDIM DAS ROSAS ARRANCADAS

Ainda ontem era um botão, fechada para o mundo, virgem de orvalho; até que a amada natureza tocou com amor a sua raiz, e subiu pelo caule, uma vontade incontrolável de desabrochar os braços; e o broto virou rosa, emitindo um suave perfume em cada pétala.

Que linda rosa, os raios de sol encontraram naquela manhã de primavera; as abelhas faziam fila para coletar a matéria prima para o seu mel; o beija-flor, logo se apaixonou por aquela rosa menina tão bonita; que desabrochou mulher, e bateu mil asas de amor por obra tão divina, de pétalas pequeninas, exibindo somente bem-me-quer.

Mas o dia fez-se noite, e a rosa sentiu que a sua conexão com a terra foi cortada. Ela gritou desesperada, enquanto as suas pétalas se debatiam, mas nada podiam fazer, pois a planta não mais a segurava, e sim, as mãos gigantes de um humano ser.

As abelhas zumbiram desconsoladas, o beija-flor bateu asas deprimidas, e o ser homem desapareceu entre as ruas da vida...

... mas embora a rosa tenha sido levada; o caule quebrado, pouco a pouco, está se recuperando, e no Jardim das Rosas Arrancadas, nascerá mais um broto, que em breve se tornará uma nova rosa, que é das flores, o mais lindo encanto.




Imagem:


http://rodrigocatelani.blogspot.com/2008/07/rosa-e-o-broto.html

quinta-feira, setembro 25, 2008

ESCOLA DA VIDA

By Wagner Borges

Prezado amigo leitor,

- Aproveite bem o concurso das horas e das oportunidades.

- Você é um aluno da sala Terra no educandário do Universo.

- O seu corpo é o uniforme, a sua vida é mais uma série a ser aprendida e a experiência é sua preceptora.

- Você poderá fazer uma boa vida letiva ou levar bomba no fim da mesma.

- Tudo o que você apresentar em sala de aula será levado em consideração nos exames gerais.

- Seus pensamentos, sentimentos e ações serão avaliados no contexto geral de uma
turma.

- E você, só você, poderá determinar se quer ser um bom aluno ou alguém que quebra a carteira, rasga o caderno e inferniza a aula dos outros alunos.

- Os diretores da escola são muito bons, mas não são bobos.


Imagem: http://arteagostinho.blogs.sapo.pt/arquivo/Escola.gif

O TEMPO DA RAINHA

Minha mãe é caprichosa, não usa o relógio que o mundo segue, ela possui seu próprio tempo.

Ás vezes, ela chega em minutos, outras vezes, demora por horas; e quando justamente, achamos que ela vai entrar pela porta, eis que ela surge pela janela ou já está dentro de casa, bem acomodada no quintal.

Alguns dizem que ela é excêntrica, outros dizem que ela é tão surreal, que só pode ser coisa mesmo da nossa cabeça; mas Mamãe é misteriosa, e não é besta; pois mesmo quando vai embora sem dizer nada, ela deixa na alma, os vestígios da sua presença.

quarta-feira, setembro 24, 2008

EM FAMÍLIA

Seus olhos piscavam; enquanto as lágrimas transbordavam e fluiam corrente pelo leito do seu rosto. Tinha dificuldade para respirar, pois mãos gigantes vedavam a sua boca e impediam o reconhecimento do grito.

Doía-lhe tudo e muito, e era uma dor que lhe invadia a alma; mas a alma pediu ajuda a mente, que em socorro, transportaram a menina para longe daquela presença tão familiar e cruel. Feito passarinho, ela voou por um lugar bem alto, lá no céu, longe daquele quarto cativeiro, onde o seu corpo estava aprisionado.

O vôo pareceu durar uma eternidade, até que ela foi sendo conduzida de volta, atraída pela voz da sua mãe, que encontrou a filha desacordada:

- Filha! Filha! Você está bem?

Não estava! O seu corpo mais uma vez fora violado, e nada ela poderia dizer, mesmo com tudo que precisava contar, pois os olhos inquisitores do seu agressor a ameaçavam, e suas feridas ficariam novamente ocultas dos olhos e explícitas na alma.

Nota do autor:
Todos os dias centenas de crianças sofrem abuso sexual dentro de suas próprias casas e famílias. Ajude a denunciar esse crime tão cruel. Discando apenas o número 100 qualquer pessoa pode denunciar casos de exploração sexual infanto-juvenil no país. A ligação é gratuita. O serviço funciona desde 2003 todos os dias da semana, das 8 às 22 horas, inclusive nos feriados. Não é preciso se identificar.

Mais informações: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/Subsecretaria/campanhas/disque100/campanhafolder_view/

A CHAVE

Bati na porta do céu e a Mãe Divina não veio atender; e me deixou esperando por um longo tempo. Fiz mantras, orações, súplicas e cantos, mas nada dela aparecer. Angústiado, gritei:

- Mãe, joga a chave!

Ela então respondeu lá de cima:

- A porta estava aberta o tempo inteiro, menino; você não precisa usar a chave para entrar.

terça-feira, setembro 23, 2008

A ARTE SAGRADA DE LAVAR LOUÇA SUJA

Era a minha vez de lavar a louça, mas havia uma sujeira no prato que eu não conseguia tirar. Um resto de algo que virou crosta e água corrente nenhuma conseguia remover. Tentei a esponja com sabão, usei a palha de aço e ainda assim, o prato continuava sujo.

Nervoso, quis até quebrar o prato; mas a minha esposa, com a sua sábia experiência, observando a minha luta, aproximou-se da pia da cozinha e comentou:

- Certas sujeiras não saem tão fácil. É preciso deixá-las de molho para que a água do discernimento, no tempo certo, as remova.


QUAL É O SEU VERSO?

Se todos nós fossemos poetas, qual seria o seu verso?

Seriam rimas de angústia e amarguras? Ou seriam palavras de amor de se dar e receber?

Se a sua vida fosse uma poesia a ser lida, a entoação seria suave ou agressiva? Seria feita de prosa saborosa e divertida? Ou seria prosa corrida e dramatizada?

Ah, que bom é brincar de "E Se", pois é claro que a vida não é poesia e ninguém leria os nossos versos, mesmo que a nossa vida fosse poesia; mas e se...

segunda-feira, setembro 22, 2008

PRIMAVERA

Chegou a minha prima, lá vem ela, lá vem ela. Trazendo flores, trazendo vida. Viva a Primavera! Viva a Primavera!

A Primavera é uma prima muito bonita, nada contra a beleza do Primo Inverno, do esquentado primo Verão e do cai, cai folhinhas, o nosso primo velhinho Outono; mas a Prima Vera é linda demais, e tem tanta beleza que faz florescer todas as rosas, desabrochar todas as flores.

Por isso, amigos, girtem todos comigo: Viva a Primavera! Viva Primavera!

O NOME DO GATO

O nome do gato era Félix.

Na verdade, o gato não se chamava Félix; ele era chamado de Félix.

Félix foi o nome que deram ao gato; o gato não era Félix, ele era apenas um gato.

Então, enfim, perguntei ao gato:

- Gato, qual é o seu verdadeiro nome?

O gato respondeu:

- Miaauuuu!!!

domingo, setembro 21, 2008

O "PUM" DA ECONOMIA

Um furacão atingiu a terra do Tio Sam semana passada; desastre que nada teve a ver com os outros fenômenos naturais que todo ano devastam boa parte do Caribe e da Flórida. Esse furacão financeiro que passou por lá e se multiplicou em outros tantos tornados por todo o mundo, quase levou a economia mundial a um novo "crash", semelhante ao que houve nos anos 20, do século passado.

Só pode haver algo errado com a globalização. Se cada "pum" americano reflete no mundo todo, até mesmo gerando "catinga" no Brasil; quando é que finalmente o nosso povo vai trocar o arroz com feijão por caviar, o ovo por salmão e a rapadura por chocolate gateau?

Imagem: http://paulomourateresina.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

MOHAMMED E AS SUAS 86 MULHERES

As ruas de Minna, foram invadidas por uma só familia. O prefeito da cidade mandou chamar a Polícia; a Polícia não conseguiu impedir que as 86 mulheres gritassem em protesto:

- Soltem nosso marido! Soltem nosso marido!

Isso mesmo, "nosso marido".

Caros leitores, não se rendam a tentação de corrigir meu singular pelo plural em suas cabeças; pois a Polícia tinha prendido O marido delas, Mohammed Bello Abubakar, ex-professor e pregador muçulmano, de 84 anos.

- Soltem Abubakar! - gritavam elas - Ele é um ótimo pai e marido!

Sim, Mohammed é pai de 170 filhos que também estavam nas ruas, insistindo no grito para que soltassem seu pai.

- Soltem nosso pai! Soltem nosso pai!

Alguns advogados ainda tentaram defender o caso, mas era mesmo difícil conseguir convencer os gurdiões da Sharia, a lei islâmica, que o Senhor Abubakar não poderia ser feliz com apenas 4 esposas, como permite a lei.

Enquanto o mundo enfrentava a pior crise financeira da história do capitalismo, a pequena cidade nigeriana enfrentava esse dilema: "se punirmos o velhinho overpolígamo, quem vai sutentar esse povo todo?"


Imagens e mais informações:
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL716361-5602,00-NIGERIANO+QUE+TEM+MULHERES+DIZ+NAO+SIGAM+MEU+EXEMPLO.html

sábado, setembro 20, 2008

VER A DOR

Pneu furado, que azar! Azar que nada; nessa pista recheada de buraco, furar o pneu é inevitável, mas azar era ocorrer justo naquela hora. Alta madrugada, rua deserta, encrenca certa. Fora deixar a sua namorada em casa e levado por uma decisão errada de cortar caminho por aquela estrada, não lembrou que dependendo do horário, nem mesmo os moradores do bairro se atreviam a ir além das suas portas.

Cadê o macaco? Abre porta-malas, fecha portas, desarrocha as porcas, esforço dobrado, no escuro e sob o medo de ser assaltado; não levariam o carro, mas São Murphy que o protegesse, pois carregava algum dinheiro na carteira e sem ele, a vida ficaria bem difícil. Se ao menos houvesse um poste com a luz acesa e a pista não tivesse tanto buraco. Cadê os políticos e as suas promessas cumpridas de tapadores de buraco? Onde está a segurança? Nenhum carro de policia passava.

Ele tinha fé em Deus e sabia que o Senhor não deixaria que nada de mal lhe ocorresse.

- Com Deus eu entro, com Deus eu saio, em armadilhas eu não caio! - repetia ele, orando com esse mantra, mas talvez Deus estivesse ocupado fazendo outra coisa mais importante, pois não o escutou. Alguém se aproximava...

- Precisa de ajuda, dotô?

Ele não viu o rosto, só escutou a voz rouca de quem o assaltou. Cano de revólver encostado nas costas, enquanto suas mãos seguravam o pneu furado. Não só o Senhor o havia decpcionado, como estava mesmo de brincadeira com ele, pois alguns minutos depois uma viatura policial se aproximou...

- Precisa de ajuda, dotô?

- Ajuda? AJUDA? - disse ele irritado - Acabei de ser assaltado. Onde vocês estavam a cinco segundos atrás?

- Olha o tom de voz, dotô! - disse o policial com tom ameaçador - Desacato dá cana. Abaixa o tom de voz e fica calmo. Se você quer um culpado pela falta de segurança nesse bairro, escreve para o vereador que o senhor votou, manda um e-mail para o subprefeito; e tenta descobrir o que eles fizeram com o dinheiro que economizaram quando reduziram as viaturas da região. Vai ver eles usaram a grana para tapar outros buracos.

sexta-feira, setembro 19, 2008

CAMPEANDO DRUMMOND

Tinha uma pedra no caminho do poeta gauche. Insatisfeito ele olhava a pedra, ao mesmo tempo em que o caminho se dissolvia em versos a serem escritos; mas não bastava escrevê-los de qualquer forma, era preciso encontrar a justa prosa; a palavra certa, o meio perfeito que fizesse os fins necessários para os versos que dançavam e se multiplicavam no brejo da sua alma.

Poesia, para ele, era a eterna procura das letras; era o dobrar-se do eu sobre si mesmo, era ser fazendeiro do ar e domar o boi-tempo; afinal, escrever se aprende escrevendo, e compartilhar esses escritos é uma responsabilidade, que somente poucos podem carregar. Escrever para o mundo era a reflexão que o envolvia dia e noite, pois ele sabia que a sua poesia poderia ser a chave para envolver o leitor nessa jornada além do aparente, uma jornada na mágica estrada da arte do versar. Era a chave que dissolveria o mistério das palavras, revelaria o segredo perfeito que a pedra tanto exigia que ele desvenda-se. Pedra... sempre havia a pedra, pedra esfinge que ameaçava devorá-lo, caso ele não expressasse os enigmas do seu mundo interior ao leitor carente de arte.

Perdido em si mesmo, o poeta oferecia alguma poesia, mas para olhos profundos, sempre havia algo mais, por certo, uma lição das coisas, que se escondia em meio a uma expansão lírica, uma aparente complexidade, que por vezes parecia um entrave, mas se o leitor soubesse usar bem a chave cedida pelo poeta mineiro, o chiste seria atingido e a brincadeira das palavras causaria o assombro necessário que torna a poesia, o mais perfeito veículo da catarse.

Libertar-se, era o desejo do poeta, ir além das palavras; mas a pedra continuava teimando em aparecer em toda parte, por toda a sua vida, e em toda a sua arte. Pedra maldita! Maldita? Que nada; pedra bem dita, afinal a pedra acabou sendo a chave para a mais autêntica poesia que refletia o sentimento do mundo e o universo lírico do poeta gauche.

Farewell, poeta!

BALADA CARIOCA

Uma
Lágrima
Salgada
Caiu
do
Corcovado
!

Era do olho de Cristo
Que ela se soltava
Uma gota triste
Caindo na noite calada
...

Uma lágrima
Que lamentava por
Mais uma vida perdida
Ceifada do amor
por uma bala encontrada
.

CONVERSANDO SOBRE A NOITE ESCURA DA ALMA

By Wagner Borges

(Resposta a um e-mail com a seguinte pergunta: "Por que algumas pessoas abandonam os estudos espirituais e até mesmos se voltam contra a Luz?")


Ah, meu amigo, é difícil explicar porque o ser humano se complica tanto.

Às vezes, são as pessoas mais próximas que complicam as coisas.

Ninguém espera ser agredido por alguém querido.

E, quem espera que alguém da Luz beije as trevas e se degrade espiritualmente?

O coração espiritual é um oásis interno. É a morada do Ser.

No entanto, seja por orgulho ou teimosia, muitos transformam o oásis em deserto.

Em lugar de flores, surgem escorpiões e serpentes, típicos de ambientes áridos.

E, com eles, o risco de picadas e acidentes diversos. Fora a sede e a insolação...

O mais incrível é que as pessoas fazem isso e nem se tocam dos danos.

Parece que o orgulho tolda o raciocínio claro e distorce as percepções.

E as emoções ficam estranhas, pois, no calor do deserto, o melhor do Ser resseca.

A isso os antigos iniciados chamavam de "noite escura da alma".

É um dos momentos mais perigosos da encarnação - com provas, físicas e psíquicas.

Sem um farol espiritual aceso pelo discernimento, muitos sucumbem na jornada.

E, os que mais se enrolam nisso são os próprios estudantes espirituais.

Conhecem os perigos, mas se deixam levar pela inércia e pelo ego.

Quando vêem, estão enredados nas malhas escuras de sicários extrafísicos*.

A queda espiritual é grande, quanto maior é a arrogância e a cegueira consciencial.

Por isso, o sábio Jesus ensinou: "Orai e vigiai, para não cairdes em tentação!"

Ou, melhor dizendo, para não transformar o próprio jardim em deserto.

Para não trocar as flores pelas criaturas peçonhentas das trevas.

Para não ser vencido pelo ego e nem perder a luz na jornada.

Para ter a sabedoria de recuperar a si mesmo das garras do orgulho.

Para erguer os pensamentos ao Alto, com humildade, e saber se abrir ao Céu.

Para não trocar a espiritualidade pelas picadas de seres asquerosos.

Portanto, não se espante! Mesmo os melhores erram e podem se complicar.

Muitos chutam a Luz e acasalam com as trevas, pagando preço caríssimo.

Nos meios espiritualistas, imagine quantas vezes eu já vi esse filme em minha vida...

E, na maioria das vezes, a queda não é por falta de aviso ou de estudo.

Então, se cuide, para que tal perda de luz não ocorra também com você.

Não julgue nada, mas fique esperto. Não se diminua por bobeira e siga em frente...

Não falte às reuniões espirituais e nem se esqueça de baixar a bola do seu ego.

Jamais se esqueça do Alto! Não dê mole. Conserve seu oásis. Ligue-se ao Céu.

Leia mais sobre temas espirituais. Ore. Medite. Seja responsável com o que sabe.

Não se acovarde diante do materialismo e do modismo alienante. Fique firme.

Encha sua aura** de paz. Sinta-se bem dentro da Luz. E agradeça ao Alto, por tudo.

É isso. Transforme o seu rosto em sol e os seus olhos em estrelas.
Luz em tudo!

E, da próxima vez, envie suas perguntas para o e-mail de Jesus.

Ele é quem conhece bem os corações e o que está neles, em espírito e verdade***.


Paz e Luz.


- Wagner Borges - seu colega de evolução; mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

São Paulo, 19 de setembro de 2008.

- Nota:

* Sicários extrafísicos - obsessores espirituais; assediadores extrafísicos; verdugos astrais; seres trevosos do astral inferior.

** Aura - do latim, aura - sopro de ar - halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa,sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.

*** Para enriquecer esses escritos, deixo na seqüência uma pequena seleção dos
ensinamentos do mestre Aivanhov.


"Certo, a prática espiritual é difícil, mas se torna ainda mais difícil pelo fato de que aqueles que decidem se dedicar a isso não sabe se colocar na atitude interior mais conveniente. Estão ali, impacientes, tensos com o pensamento ligado na quantidade de outras coisas a serem feitas, e não as conseguem deixar de lado. No inconsciente, no subconsciente, existe algo que os bloqueia e os impede de obterem resultados.

Obviamente, a vida de hoje, com o seu ritmo acelerado e as várias obrigações que ela impõe, não favorece as atividades espirituais, as quais requerem que se saiba livrar das preocupações cotidianas e encontrar outro ritmo mais harmonioso. Mas aquele que, por meia-hora ou por uma hora, habitua-se a atender certas condições de paz interior, não só conseguirá a se ligar ao mundo da luz, mas depois poderá assumir todas as suas obrigações profissionais e familiares com maior facilidade. Cada coisa deve ser feita no lugar apropriado e no tempo devido."

* * *

"Como não sabem como se proteger, os seres humanos permitem que dentro de si instalem-se desordens físicas e psíquicas de todo tipo. Os médicos que os curam, e que não sabem mais do que os doentes nesse campo, limitam-se a prescrever remédios. Nunca dizem aos doentes: 'Fechem a porta para as entidades trevosas, e vivam uma vida mais pura para que atraiam apenas entidades celestes'.

Vocês dirão: 'Entidades? Mas o que isso tem a ver com a doença?'

Vocês leram os Evangelhos? Logo depois de ter curado um doente, Jesus lhe dizia:
'Vá e não peque mais'.

Os erros e as transgressões atraem os maus espíritos, e são um atrativo, um alimento para eles. Uma vez que esses espíritos se introduzem no homem, causam danos que produzem desordens físicas e psíquicas. Eis a realidade que os médicos deveriam considerar."


* * *

"A vigilância é uma qualidade sobre a qual nunca se coloca muita atenção. Sim, estar vigilante, manter o pensamento desperto para poder discernir os perigos e evitá-los. Se alguém não é vígil, não olha, ou melhor, olha sem ver: é evidente que qualquer um ou qualquer coisa pode pegá-lo de surpresa!

É preciso manter os olhos abertos para sempre poder perceber o que acontece. Mas, compreendam-me bem, não é exatamente dos seus olhos físicos que estou falando, e nem do que ocorre externamente a vocês. Vocês não estão tão expostos aos perigos externos. É dentro de vocês que devem observar para sentirem as correntes, os estados de consciência, os sentimentos e os pensamentos que os atravessam.

Vocês só poderão adquirir a inteligência da sua vida interior e trabalhar para a sua libertação se tiverem os olhos abertos."

* * *

"Nem a verdadeira vida, nem a verdadeira morte são as do corpo físico. Por isso, os Iniciados dizem que só o amor nos traz a vida e triunfa sobre a morte. Se querem estar vivos, amem! Mas quando os seres humanos compreenderão o que é realmente o amor?

Esperam-no, falam dele, dizem que é a coisa mais preciosa, que o colocam acima de tudo, mas os resultados desse amor não são grande coisa. Ao invés de trazer a vida, traz a morte, pois eles o concebem de maneira muito limitada.

Fala-se de um remédio 'radical', para dizer que ele ataca as causas profundas da doença. Pois bem, pode-se dizer que o amor também é uma força radical, pois toca a natureza profunda do ser para transformar tudo nele. É o amor que lhes abre todas as portas, e lhes revela o sentido e a beleza do Universo, mas, sobretudo, é ele que lhes dá a certeza de serem imortais."

* * *

"O céu estrelado é uma das maiores maravilhas da Natureza. Mas existem vários modos de olhar as estrelas. Vocês podem pegar um mapa do céu e um livro de astronomia que mostre em detalhes tudo o que se conhece sobre os astros e planetas; isso será útil para a sua compreensão do Universo, mas o que trará para a sua alma e para o seu espírito? E, sobretudo, que diferença em relação às experiências que podem fazer contemplando o céu estrelado, sem outra preocupação a não ser fundir-se nessa imensidão!

A paz que, pouco a pouco, sentem invadi-los, os eleva, e não se têm outro desejo a não ser o de sair da terra, deixando-se transportar muito longe no espaço para entrar em relação com as entidades espirituais das quais os astros são a manifestação física.

Nessas regiões, onde se encontram projetados, sentem que nada é mais importante do que unirem-se ao Espírito Cósmico, e deixar que Ele penetre em vocês para poderem alcançar a verdadeira compreensão das coisas, uma compreensão que impregna todas as suas células."

- Omraam Mikhaël Aïvanhov -

- Nota de Wagner Borges: Omraam Mikael Aivanhov (1900-1986): mestre espiritualista búlgaro, que morou a maior parte de sua vida na França, onde fundou a Fraternidade Branca Universal - www.fbu.org (não confundir com a Fraternidade Branca do Himalaia, dos mestres, que se situa em planos sutis). É um dos mentores espirituais dos trabalhos do IPPB.

Mais informações sobre o seu trabalho podem ser conseguidas em nosso site - www.ippb.org.br - Basta entrar na seção de busca por palavras do site e clicar o seu nome. Daí surgirão diversos textos dele postados em várias seções do site, e aí é só mergulhar em seus escritos e se fartar de ler textos excelentes e cheios de sabedoria espiritual e humana.


Imagem: Quadros (1995-1998) de KENNETH B. MILLER

quinta-feira, setembro 18, 2008

MENINO PARTEIRO

Não brincava de médico, o menino parteiro. Moleque de olhos arregalados diante da mãe dando luz a vida. Gritar por ajuda? Chamar o vizinho? Dá tempo? Dá nada, dá vida!

O menino virou doutor, fez o parto da própria mãe. O menino que queria ser policial virou moleque parteiro! Ironia da vida? Piada divina?

Que nada! Para ser herói não há idade. Longa vida a Robert, rei de todos os Robertos do mundo!



Nota do autor: menino faz o parto da própria mãe:
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/09/15/menino_de_8_anos_ajuda_mae_dar_luz_na_zona_leste-548222919.asp

BIG RIDER - UM SURFISTA HERÓI

Lá se vai o Big Rider pelos tubos do universo, dropando ondas por toda a galáxia, surfando nas cristas dos cometas.

Menino do mar, amarradão, levou uma vaca do mundo nas águas do Guarujá. Duelou com as ondas gigantes, doou a própria vida para salvar outros tantos.

Surfista salva-vidas. Para quem se afogava, ele era um anjo do mar, guiado pelo azul de Yemanjá. Feito peixe-gente, ele foi salvando um, salvando dois, três e por fim, um quarto, antes que levasse um caldo da vida.

Amarradão, esse Tube Rider, agora surfa em diferentes partes do universo, arrebentando em onda de amor, para toda a eternidade.


Nota do autor:
Dedicado a "Toni da Feirinha", grande surfista e herói, que se foi desse plano, para as ondas do universo; e antes de partir, salvou quatro pessoas do afogamento no último dia 14 de Setembro:

quarta-feira, setembro 17, 2008

O PODER DO RISO

Ninguém piscava, olhos brilhantes o observavam; todos interessados no que diria o palhaço.

- Quem são vocês? - perguntava o palhaço que fazia pensar pelo riso.

Quem disse que as pessoas só aprendem pela dor, não conhece nada da arte de ser ator da risada. Dor para quê? Se tiver que chorar que seja choro de riso; gargalhada com tanto Ha Ha que faz chorar.

Eram quase onze da noite, o último trem para Jaçanã estava para partir; mas ninguém conseguia levantar; estavam todos em choque pelo inesperado; eles estavam esperando algo sério, sisudo, complexo, e eis que surge o palhaço.

O palhaço do chapéu amarelo e do nariz vermelho que ninguém iria esquecer de lembrar.

- Quem é você? - perguntou a moça, tentando descobrir a verdadeira identidade do palhaço.
- Eu sou todos e sou nenhum - disse ele - mas nesse momento estou brincando de ser parte de você!


Somos Todos Um Só

terça-feira, setembro 16, 2008

ABC DO DIVINO

Há momentos em que o aprendizado machuca; é quando a informação transborda, não se segura, e tentamos aprender mais do que nossa mente comporta. Por isso cautela, estudante espiritualista, cautela!

O estudo é delicado, o aprendizado muito fino; por isso cuidado ao aprender o ABC do Divino; pois nem tudo pode ser absorvido.

Santa herança foi esquecer ao nascer, a mente do outro mundo; no esquecimento surge a esperança de uma nova visão de tudo; mais sensata e mais bela, que a de outrora. Por isso, ao invés das vidas passadas, que tal descobrir mais sobre o seu momento agora?

O VAGAMUNDO E O VIRA-LATAS

O cachorro vagabundo me olha, buscando no meu rosto um possível dono.

Desculpe, amigo cachorro que vira latas, eu sou um vagamundo, não sou dono de nada, nem do corpo que eu uso.

segunda-feira, setembro 15, 2008

VOCÊ É BURACO NEGRO OU LUZ?

Estar perto de certa gente é como ser estrela brilhante perto de um buraco negro. O nosso brilho é drenado, sugado pouco a pouco, e quando menos se espera: êpa, cadê o brilho da estrela?

Essa gente é poço sem fundo. Não sente prazer em estar com o outro ou nesse mundo, só quer sugar, negativar, e segue pela vida energeticamente parasitando tudo.

Não sou ração de buraco negro choramingão; nem sou alpiste de buraco negro triste, por isso saio sempre de perto desses buracos negros sugamundos. Não vou perder o meu chão tentando ser bom; o bem com eles não funciona, é perda de tempo encher com amor um buraco negro sem fundo.

Vão dizer: coitadinho do buraquinho negro. É vítima da injustiça ordem da gálaxia. Um pé-no-chão do universo. Tá com pena? Fica com ele só para você.

Não tenho pena de buraco negro energético vestindo de gente e sempre que vejo um deles, minha estrela cai e vira cometa e foge em disparada, feito o cão da cruz.

Eu quero é mais, eu quero é ter ao meu lado gente luz.


Imagem:www.evanog.com/.../2007/10/buraco_negro.gif

domingo, setembro 14, 2008

RELATIVO

Nesse mundo tudo é relativo.

Quem brinca de amigo, bem pode ser meu inimigo, e quem parece ser inimigo pode ser um grande amigo escondido.

A tragédia que tanto aparentemente faz mal a um indivíduo, pode ser bom para o coletivo. Há coisas que ocorrem no meu mundo e refletem no infinito e outras coisas que ocorrem nas estrelas e repercutem no meu umbigo.

No espetáculo da vida, por vezes o coletivo precisa de circo e o indivíduo de brincar de gladiador no Coliseu. Mas se você não precisa mais enxergar a graça da vida no erro meu, parabéns, você é um aliado do sorriso e já compreendeu que por tudo ser relativo, o bem e o mal são dois lados da moeda que forma o Pai.


Imagem: http://eduardoalmeida.files.wordpress.com/2008/05/relativo.jpg

sábado, setembro 13, 2008

CADA UM NO SEU QUADRADO

Você no seu, eu no meu, cada um no seu quadrado. Você pode me dar a mão, e eu te dar um abraço, mas sou eu no meu, você no seu, cada um no seu quadrado.

Não invada o meu espaço para me proteger e nem deixe que eu o faça. Você não sou eu, eu não sou você. Não ultrapasse o seu quadrado...

sexta-feira, setembro 12, 2008

UM CONVITE

Permita que eu te dê um belo presente, que você sinta essas palavras como se lembrasse de um esquecimento. Vem comigo nesse encantamento por mais uma viagem da alma, no barco das palavras.

Vem leitor, vem voador; deixa eu te guiar com amor, ao principio do universo escondido num grão de areia; vem comigo por essa deserta imensidão. Cante comigo essa antiga canção, abra as portas do seu coração, deixa eu te lembrar da composição
que você escreveu em outra dimensão.

Você se lembra?

Faz tanto tempo que te vi, ensaiando o seu canto junto com o colibri. Foi tão bom te conhecer, que bem que senti, quando te vi por lá e agora posso te ajudar a lembrar da sua canção. Não lembrou ainda não?

Respire fundo!

Caia comigo no espaço do seu coração onde cabem mil galáxias e sóis explodem em sensações. Ali, está a chave da canção composta, esperando apenas a sua melodia. Melodia de viver bem essa vida!

Venha!

Você é mais do que bem vindo, seja bem vinda. Viaje comigo como irmão, como amigo. Venha, minha amante, minha amiga. Que bom ter você sorrindo refletido no espelho dos meus olhos; como é bom segurar a sua mão e sentir que não estou só, que você não está só, ninguém está só, não sou só, todo mundo é um só, somos todos um só, um só, só um coração.

Tum, tum! Tum, tum! Tum, tum!

Sinta o que estou escrevendo, seja o que você está lendo.

Tum, tum! Tum, tum! Tum, tum!

Eu estou ai dentro, do seu coração batendo. Você é um comigo, um quando vai me lendo; um quando eu vou escrevendo, escrevendo letras só para você.

Eu estou no seu coração, você está no meu, por meio de uma teia que ninguém pode ver, nem eu me atrevo a descrever, pois essa é a própria teia do vida, os traços tortos do desenho perfeito Divino que conectam eu a você.

Pode sentir?

Respira!

Inspire e solte! Inspire e solte!

Insssssspiiiireeeeee!!!!

Sooolllllttteeeeeeeee!!!

Seja rio, desemboque comigo nesse infinito, nesse eterno mar. Inspire e solte, inspire e solte; seja rio, seja mar, amar, seja gota d’água caindo, fluindo, indo e vindo, comigo por esse rio, que vira cachoeira, e segue fluindo, fluindo, fluindo pelas beiras, pelo meio, bebendo do seio da mãe terra até ela virar a mãe mar.


Viva!

Sinta como é lindo estar vivo. Que prazer ser você, que prazer que você é parte de mim. Você é parte de mim, ao me ler. Eu sou parte de você, ao entrar em você, pelos seus olhos, por sua retina, até virar idéia na sua cabeça, nas palavras impressas em cima da mesa ou sabedoria no seu coração.

Ah que prazer, ter você para me ler.

Ah que prazer, escrever para você.

Que prazer que eu sou eu e você é você, e ainda assim somos parte um do outro. Que prazer voar além da mente que não cala e ver na calada da alma que sou parte de você e você é parte de mim.

Lembrou?

Sim! Bem vindo a mim!

Não?

Não tem nada demais, seja apenas você, seja você. Nada mais, apenas você. Pois sendo você, você será, mesmo que não saiba, parte de algo mais.



Nota do autor: a primeira imagem é parte do trabalho maravilhoso do artista Alexandre Segregio, que retrata com uma mágica incrível, a nossa natureza linda. Para conhecer melhor o trabalho do artista, visite seu site:
http://www.alexandresegregio.art.br/

CORA E BANDEIRA

O cântico da terra - Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.


A ARTE

A arte é uma fada que transmuta
E transforma o mau destino.
Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta.
Cada sentido é um dom divino.

Manuel Bandeira

ANDARILHO DAS ESTRELAS

Tenho costume de andar pelas estrelas. Por mim, eu ficava por lá, pescando cometas que ricocheteiam pela Via Láctea, com a minha rede de observar e escrivinhar; mas o dever me chama e quando abro os olhos, estou de volta na cama, com uma prepotente certeza que é lá que é o meu lugar.

Não é!

Sou andarilho das estrelas, essa é a minha certeza. "Realidade" nenhuma há de negar.

quinta-feira, setembro 11, 2008

QUEM QUER VIVER PARA SEMPRE?

Quem quer viver para sempre, canta Freddie. Quem quer ser um Highlander, como no filme dos anos 80, guerreando para sempre contra a própria infelicidade?

Eu quero ser imortal, mas imortal somente por hoje. Quero viver meu presente eternamente, quero estar aqui e agora para sempre. Sem perder tempo no passado, sem gastar tempo com o futuro.

Não quero viver separado, quero estar conjunto, contigo, comigo, com nós. Não quero viver a hora que o ponteiro ainda não apontou, nem quero envolvimento com as horas do ponteiro passado.

Quero ser Highlander desse momento eterno; quero viver para sempre nesse aqui e agora. Não quero voltar ao futuro, nem avançar no passado; quero viver o eterno momento do abraço do ser amado, do pôr-do-dol que nunca desaparece no horizonte, pois brilha presente no peito.

Quero estar somente onde eu devo estar e não onde eu deveria ter chegado ou por onde fui.




O meu destino é onde estou pisando.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Ora (direis) ouvir estrelas!


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...


E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac

FEITICEIRA

Que coisa linda era aquela menina que entrava na sala. Cabelos longos e negros balançando ao vento, movimento sereno em slow motion, como se parasse o tempo e ela flutuasse pelo ar. Pele branca, quase morena; olhos brilhantes, lábios sussurrando: “Bom dia!”

- Quem é essa menina? – pergunto ao meu amigo Cláudio, que parecia ter sido encantado também por aquela menina fada – Cláudio???

- Cala a boca, Neguinho! – disse ele – Deus, de onde ela saiu?

A menina fada veio ao nosso encontro. Corpo em sintonia com os raios de sol que refletiam-se dourado em seu rosto. Vestido de chita balançando para cá, balançando para lá – quem seria aquele anjo?

- Sua vó está? – ela perguntou para mim.

- A minha vó? – perguntou Cláudio. Ele morava durante o período de férias com a sua vó, que era vizinha dos meus avós, mas como estávamos na minha calçada e ela parecia me conhecer, só podia ser a mãe da minha mãe.

- A MINHA vó está! – respondi, ganhando a batalha – Dona Geralda, certo?

- Isso mesmo – ela respondeu como se cantasse e sorriu. Naquele momento a noite se fez dia e vi estrelas cadentes saindo do céu do sorriso dela em minha direção. Ela havia cativado a minha alma de 12 anos.

- Vou chamá-la – eu disse – Você, quem é? – perguntei – quero dizer, quem devo anunciar?

- Helena, sou filha do Zelder.

O brilho das estrelas se apagou, uma névoa londrina começou a cobrir as ruas do sertão. Ela era filha do bruxo, do professor das artes ocultas, era filha do pai de santo, do Zelder.

- Feiticeira – resmungou Cláudio.

- O quê – perguntou ela.

- Ca...ca...Cajazeiras? - caquejou Cláudio - Você é aqui de Cajazeiras?

- Sim, eu moro longe, mas sou daqui mesmo.

Cláudio estava certo, ela era a Feiticeira, e acabara de encantar dois meninos. Só poderia ser magia, pois eu já não conseguia lembrar quem eu deveria chamar.

- Sua vó – disse ela – pode chamar a sua vó?

Foi a primeira vez que eu vi a Feiticeira e eu sabia que não seria a última...

MÃEDASTRA

Nem todo mordomo gosta de filme hollywoodiano e é culpado do último crime da novela das oito. Clichê é não aceitar outro final para a estória além disso.

Nem todo filho adotivo vai crescer e virar bandido; não alimente o mito que prega contra a adoção. Os pais adotivos não perderão o seu filho, depois de criado, se ele for tratado com respeito e carinho.

Nem toda madastra é mãe da Cinderela, é má; a maioria é segunda mãe, é amar, é mãedastra.

Generalizar é enxergar com o olhar do coletivo e se esquecer que cada individuo possui o seu ponto de vista. Duvide de tudo que é verdade absoluta.

Cuidado com a generalização, burrice é enxergar o mundo de maneira tão caricaturada.

terça-feira, setembro 09, 2008

O DESTINO DE TODAS AS ESTRADAS

Faz algum tempo que descobri que encontrar o Divino é não procurar; pois é na essência do apenas ser, que o Todo no homem está.

Passei muito tempo buscando, tentando encontrar; ocupado, olhei para todos os cantos e nem vi Deus passar.

Passei a aurora e o crepúsculo, procurando compreender o tempo e o espaço; fiquei muito tempo lá fora no escuro, quando aqui dentro tudo estava tão claro.

Como pode caber tanto espaço dentro da gente? Vejo o Himalaia, oceanos, milhares de pessoas e ainda há espaço de sobra para caber a Via Láctea. Qual será mesmo o tamanho da alma?

Ironia do criador ou ignorância humana? Criamos caminhos, peregrinações, jornadas. Escrevemos Bíblias, Torás, Alcorões, testamentos, Mahabarata; e esquecemos de lembrar a nós mesmos que é dentro, o destino de todas as estradas.

segunda-feira, setembro 08, 2008

ESPETÁCULO DE TODOS NÓS

Senhores e Senhoras, chegou a hora do espetáculo! Ladys and Gentlemen; preparem seus lenços, assistam os atos, surpreendam-se com esse lindo show da mais pura mágica, música e arte. Bem vindos ao maior espetáculo da terra: com vocês, o show da sua vida!

Alegria, alegria, crianças. Não existe presente mais bonito que a sua vida; até mesmo a tristeza é linda, pois ela é relativa. Tudo passa, só fica o que armazenamos na alma, por isso anima o seu corpo, celebra a magia: baila!

Siga bailando nesse espetáculo de personagens, meu caro ator. Ponha engrenagem, não pare na pista, dê passagem ao amor. Foque na luz que brilha nos olhos do público e os faça voar. Se optar pelo drama, chore somente o que for preciso chorar; se optar pelo riso, ria somente o que lhe tiver graça, desrespeito com quem não conhece é um tanto ridículo. Afinal, todos merecem ser respeitados, tanto o público de pé, quanto quem está sentado.

Seja em que peça que for, siga atuando, mas não se esqueça do Grande Diretor. Improvise o seu livre arbítrio, mas mantenha amor, mantenha amor.

Amor em cada lágrima, em cada sorriso, em cada risada.

A sua vida é um espetáculo mágico, mas sempre tenha cuidado com quem está do seu lado; pois em cada rosto, em cada pessoa, em cada olhar de quem te assiste, habita um ser divino que te dirige e a quem você em atos na terra, copia, co-cria, multiplica, tanto na antiga quanto na nova era.

DONA DA MINHA ALMA

Eu a vi novamente em sonhos; e me senti tão completo, que jurava que estava desperto e senti novamente aquela sensação familiar de ser totalmente amado.

Era um sonho que continuava de outro, uma estória dividida em diversos capítulos, uma obra de arte; em que eu não via o seu rosto, seu sorriso; mas ela estava por toda parte, me preenchendo por completo.

Percebi que procurei seu retrato no rosto de cada mulher que eu havia encontrado. Tentei encontrar seu amor em cada relacionamento do meu passado, mas nada se assemelhava a ela, que parecia ser a Dona da minha Alma.

Foi quando senti que ia acordando, e desesperado, pedi ao menos que ela dissesse o seu nome para que eu o jamais esquecesse, e percebi que uma imagem foi se formando e a Dona da minha Alma foi se tornando a imagem do meu próprio ser:

"Eu não estou em outra mulher, não adianta tentar me procurar, pois você não pode me ver. Meu nome é Anima*, eu sempre fui, sou e serei parte de você".


Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

Nota do autor: * O arquétipo da anima, constitui o lado feminino no homem, e o arquétipo do animus constitui o lado masculino na psique da mulher. Ambos os sexos possuem aspectos do sexo oposto, não só biologicamente, através dos hormônios e genes, como também, psicologicamente através de sentimentos e atitudes.

O homem traz consigo, como herança, a imagem de mulher. Não a imagem de uma ou de outra mulher especificamente, mas sim uma imagem arquetípica, ou seja, formada ao longo da existência humana e sedimentada através das experiências masculinas com o sexo oposto.

Cada mulher, por sua vez, desenvolveu seu arquétipo de animus através das experiências com o homem durante toda a evolução da humanidade.

Para saber mais:
Curso: Sonhos e Sincronidades - Lázaro Freire
www.voadores.com.br/lazaro
http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Jung%20e%20a%
20psicologia%20analitica.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung

sábado, setembro 06, 2008

MANUEL

Quando a morte chegou, o encontrou sereno. Não tinha nada nas mãos, na mente só carregava lembranças. Preparou-se para partir, como se vai ao encontro de uma pessoa amada. Estava tudo no lugar, os livros na estante, as louças lavadas, vestia uma bonita camisa de cetim, uma calça bege folgada, tinha aparado a barba, já não usava mais bigode.

Preparou-se para o último baile da vida com a mesmo disposição que tinha ao despertar de cada dia. Embora o corpo estivesse cansado, sendo jardineiro, ele sabia que outros tantos canteiros o aguardavam além do que ele podia ver, e tinha tanto a agradecer, que não ousava sequer pedir mais tempo, afinal, vivera com intensidade cada momento da sua vida e havia recebido tanta coisa, mesmo sem ter pedido. Suprema poesia, era assim que descrevia a sua vida nesse planeta Água. Da Terra, sentiria muita saudade do beija-flor, do vaga-lume, e das flores que cuidava, que tanto o lembravam do Criador.

No seu jardim, girassóis e orquídeas, ausência completa de erva daninha.

Havia tanto ainda por fazer, ainda havia espaço para o cultivo das margaridas, dos lírios, mas o desapego era preciso, para cruzar bem essa ponte rumo ao Divino.

Os amados iriam chorar, os amigos se calariam por um tempo, até que as flores desabrochassem novamente; pois a vida segue pelos raios da aurora, depois da noite escura da partida de alguém querido.

sexta-feira, setembro 05, 2008

DE ONDE SAI TANTA VIDA?

Olho a vida jorrando, fluindo em bicho. É tanta vida surgindo, de que fonte vai saindo? Se há fonte, haverá limite? Não pode ter limite, pois muitos são os bichos; e bicho também é gente, e ser gente é infinito.

Você já olhou para as faces desse povo? Já se perguntou de onde vem tanta gente? De onde vêm tantos rostos e como todos são diferentes?

Oh, Mar de gente, em que ninguém tem a cara da gente!

Oh, Oceano de bichos, onde há bicho de todo tipo!

Gente que não parece com a gente, pois não pensamos igualmente, e até gêmeos é bicho diferente.

Bicho que permanece bicho, bicho que vai mudando, evoluindo, e se tornando outro bicho.

Mas não me interessa os bichos, nem me importa os homens; o que busco é o segredo dessa fonte; compreender não apenas como a água jorra dessa fonte, mas a própria fluente fonte... mas eu sei!

Sim, eu sei, que não é possível compreender essa fonte, pois a minha mente é formiga, a fonte é elefante.

Sim, eu sei, que não é possível entender essa fonte, minha mente é anã, a fonte é gigante.

Paradoxo sem fim, é buscar compreender algo que não pode ser entendido, e ainda assim continuar fazendo isso.

Sim, eu sei, o homem tem fome de céu, mesmo não tendo asas; quer descortinar o véu, tem fogo na calda, e fome de voar, mesmo com os pés no chão.

Vai ver é coisa da evolução, que deve ter os seus planos, de ver um dia, o homem virando outro bicho, um bicho chamado anjo.

quinta-feira, setembro 04, 2008

O CAMINHO DAS LETRAS

Fui possuído por Fernando Pessoa, troco São Paulo por Lisboa, em busca de um meio de compreender os seus escritos.

Para ler Pessoa é preciso, ir além dos olhos do corpo e enxergar com o olhar do espírito, vendo o que há por trás do véu, mesmo que a visão nos jogue num abismo.

Fernando Pessoa dizia que o abismo é a imagem que melhor representa o infinito, o Nada, onde o tudo está inserido. Por não ter o abismo, curvas, cabe tudo, todos e ainda tem espaço de sobra. O Nada, descoberto por Pessoa, não é negativo, pelo contrário, representa o outro lado do ser, o não-manifestado, que permite que todas as manifestações ocorram. O Nada nunca é fim, é sempre começo. Por sermos nada, por não termos limites é que podemos ser todas as coisas. Compreender o nada é perceber que o potencial do homem é o infinito.

E esse infinito é a grande charada da vida, pois o mistério do homem é que há alguma coisa que não pode ser explicada, um espaço que é tudo, justamente por ser nada.

Se Buda ensinava o caminho do meio, Krishna o caminho da melodia e Jesus, o caminho da luz; Pessoa, mesmo não sendo mestre das multidões, era o senhor das palavras e nos deixou como legado, um caminho de letras, que são pistas que revelam passo a passo, a sua jornada pelo inefável traduzido em português. Jornada essa que embora seja inenarrável, foi por ele, tão bem escrita que o leitor ao menos compreende que as chaves para entender é justamente nada saber.

quarta-feira, setembro 03, 2008

PÉ DO OUVIDO

Quem nunca apanhou dos pais quando era criança? - pergunta a moça. Os que têm mais de trinta, turma a qual faço parte, levantam as mãos em uníssomo. Alguns outros, os da casa dos vinte e poucos, preferem falar disso ás terças e quintas no divã do terapeuta.

A palestra era sobre “a violência na infância” e a palestrante se preparava para mexer no vespeiro, pois muitos dos que estavam ali, eram pais e utilizavam à política das palmadas, vez ou outra, em seus filhos. Eu ainda sou música do Ira, e sendo apenas filho, rezo ao Deus que envia os bebês pelas cegonhas, que se um dia eu tivesse um guri, nunca precisasse usar a força para ensinar. Pois apesar dos trinta e poucos, ainda ontem eu era menino e meu pai não era muito fã das palavras, preferia resolver tudo no grito e nas pancadas.

Fui criado á moda antiga, o que em lares formados por casais sem tanto acesso a educação e aos livros, era sinônimo de um valor ( o dos pais) e duas medidas ( não e eu já falei que não), princípios da pequena ditadura que é o lar de uma família mediana, quando somos pequenos. Como cada criança tem o sangue meio rebelde e é meio Che Chevara, minhas pequenas revoluções sempre acabavam em surras.

Palmadas, chineladas voadoras, puxadas de orelha, cinturadas na bunda, eram tantas as armas de tortura, que eu chorava antes mesmo de levar a “peia”, a sova, a pisa e outros tantos nomes que fazia parte do dicionário de um filho de nordestino. Meu pai não tinha o menor remorso e dizia com orgulho aos amigos: “ moleque danado tem que levar pancada no pé do ouvido para ficar adulto sério”.

Por Favor, não pensem nada de errado do meu velho. Ele era um homem bom, só usava um meio tradicional e violento demais para educar seus filhos. Eu também não era flor que se cheirasse, pelo contrário, estava mais para urtiga, pois era ruim de dar dó, dó das pessoas que eram vítimas das minhas travessuras. Claro, que nada justifica as palmadas educacionais que eu levava, mas talvez porque meu pai não tinha acesso a livros do tipo “ dez principais maneiras de educar o seu filho e transformá-lo em um jogador de sucesso” ou outros manuais de criar moleque danado; digamos que minhas rebeliões eliminavam a já curta paciência do meu velho e as minhas aventuras, que eram inúmeras, sempre acabam na chinelada.

Contudo, aprendi várias coisas como meu pai, e a principal delas ( a que ele nunca praticou comigo) é que a educação de uma criança se faz com palavras e não com pancadas. Apesar disso, cresci para me tornar um homem e espero me tornar um pai, sem continuar essa tradição meio burra de achar que certas coisas se resolvem mesmo com violência, ainda que numa "inocente" chinelada.

terça-feira, setembro 02, 2008

CARTA DE UM LADRÃO DE GALINHAS

Caros Juizes do STF

Desculpem a ausência do “excelentíssimo”, mas não me sinto muito confortável com esses termos, que para mim são puxa-saquismos. Sou um homem simples, de palavras diretas, condenado a três anos de cadeia por ter roubado galinhas e alguns sacos de arroz da fazenda de uma cidadão de grande fortuna, um deputado aqui das bandas do Mato Grosso.

Escrevo essa carta, pois não tenho dinheiro para advogados e depois de dez meses encarcerado, ainda aguardo a visita do defensor público e tenho uma pequena esperança que alguém leia minha História e a faça chegar até as suas justas mãos. Escrevi de propósito “história” com H e com maiúscula, pois a minha estória é a própria História do povo que vive ao relento e por não ter oportunidade de ganhar honestamente seu alimento, furta e colhe vento para não ver suas crianças chorando e passando fome.

Eu sou um ladrão, não por profissão, mas por ocasião. Sou peixe pequeno e justamente por não ser um tubarão, fui pego e sem julgamento, fui condenado, e aguardo calado, a minha liberdade. Sei que sou culpado, sim roubei aquilo do que sou acusado e oro ao Senhor dos Perdões por minha absolvição. Só Deus pode me perdoar em relação a meus pecados, mas os Senhores podem me dar à chance de voltar às ruas e tentar pagar com trabalho os meus atos. Só não concordo em pedir desculpas ao Deputado que jurou que olharia por nós, eleitores, na eleição passada. Cada um faz o que pode e desculpem-me se eu não conseguir pedir perdão a esse nobre cidadão que, de acordo com o que vi na televisão aqui da prisão, está sendo acusado de usar o dinheiro do povo na sua fazenda e outras tantas propriedades aqui na região. Posso estar errado, Senhores Juizes, mas isso, aqui na minha terra é crime maior que roubar galinha ou grãos de feijão.

Termino essa carta, Senhores Juizes, evocando a sabedoria do povo e dos provérbios populares como minha única prova de inocência, pois essas palavras é tudo o que tenho de argumento, e nem preciso ser Juiz de direito para saber que “ladrão que rouba ladrão, merece mesmo é absolvição”.

segunda-feira, setembro 01, 2008

SÍNDROME DE AMOR

Olho o menino inquieto, ele tem síndrome de amor. Quer conversar com todos, me manda beijos, é um encanto em flor. O sorriso é do tamanho do mundo, ressaltando os seus olhos arredondados. Seus braços se mexem rapidamente como se estivesse catando estrelas cadentes e colocando no bolso; como se estivesse pintando algum quadro que não pudéssemos ver, com seu pincel invisível.

A jornada de ônibus é uma festa para ele, enquanto todos reclamam do tráfego. O menino parece estar cantando alguma melodia que só existe em sua cabeça, uma canção que se quem tem preconceito ouvisse, saberia que é preciso compaixão, olhar para o que é diferente com respeito e amor no coração.
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