sexta-feira, janeiro 30, 2009

O SONHO DE EVA

Eva acordou um dia no paraíso, com tudo lá junto, contido; e viu que havia algo novo no Jardim do Éden, uma árvore havia surgido; e essa árvore tinha um fruto vermelho tão lindo e chamativo; que ao notar fruto tão bonito, sentiu no seu corpo surgindo; algo que ela nunca tinha sentido: fome.

Eva, então, tomado por um impulso, não esperou por Adão; correu para a árvore e arrancou o fruto vermelho, mordendo-o com tanto gosto, sentindo os pedaços da fruta, formando sulco em sua boca, ao mesmo tempo, que uma sensação de satisfação foi percorrendo todo o seu corpo, fazendo-a fechar os olhos; e ao abrir, Eva estava em outro lugar...

Vestida em trajes formais pela Avenida Paulista, Marie entrou no prédio onde trabalha; com o celular tocando sem parar. Enquanto dá ordens a sua secretária, responde mais um email em seu blackberry.

Marie chega no andar em que trabalha e entra na sala de reunião, onde outros executivos a esperam. Ela é uma diretora de uma multinacional e é responsável diretamente por centenas de pessoas que trabalham para a sua empresa. Também é mãe de duas crianças, esposa, filha querida, e ao mesmo tempo uma mulher bem sucedida, admirada e querida, odiada e invejada.

Por vezes, Marie, toma certas atitudes que ela não se orgulha; para exercer a sua autoridade; outras vezes, parece uma menina, com saudade de uma família, de uma terra que ela sente ser parte dela, porém não se recorda quando esteve por lá, mas basta fechar os olhos e ela se imagina num jardim encantador, com árvores, plantas, um jardim cheio de flores, onde ela não precisa mais ser a executiva, nem tão pouco a mãe e a mulher que todos esperam dedicação por toda a vida. Ás vezes, ela sente, mesmo sem ser religiosa, que de certa forma, é Eva, a mulher primeira, o ser feminino original em manifestação, então, respira fundo e ela volta a ser a mulher que todos esperam que ela seja.

- Eva, que piada! - pensa ela - Que lenda mais tola. Preciso mesmo de férias.

E pensando nas férias, onde poderá enfim, fugir da cidade grande para algum paraíso; ela fecha os olhos uma vez e quando abre; ela é Eva.

Que sonho mais estranho, pensou Eva, enquanto guardava o último pedaço daquela fruta deliciosa para compartilhar com Adão. Eva havia sentido, pela primeira vez, o doce sabor da fruta da ilusão e enquanto corria para dizer a Adão, o que havia sentido, uma serpente que estava escondida naquela árvore de frutas vermelhas, foi deslizando suavemente pelos galhos e em seus olhos havia refletido um mundo que existia além daquele jardim que para o primeiro casal deixaria de ser a única realidade.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

BELA POR SER

A lua não precisa do olhar do poeta para ser bela.

A flor não precisa das mãos do jardineiro para se sentir linda.

Mulher, você não precisa das palavras de um homem para se sentir bonita.

Ao se vestir, ao se cuidar; faça por você e não por quem não enxerga.

Ao sorrir, ao olho brilhar, encante por viver, não por quem a olhar.

A mulher é de todos as criaturas divinas, uma das mais fascinantes e encantadoras; o homem que não consegue perceber o brilho da mulher que está do seu lado, não merece a forma dela, no seu olho refletir.

Mulher, seja bela por si.

Bela por si.

Bela por ser.

Bela por você.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

MUITA LUZ PARA POUCO VAGA-LUME

Era tudo muito lindo para esse pobre Vagamundo, muita luz para esse pobre Vagalume carregar. Daí, sai correndo e perdi o grande espetáculo da floresta.

Eu vagava por essas matas do Rei Oxossi, quando escutei o Beija-flor me chamar. Agradeci o convite, mas disse que deveria estar em outro lugar, ele deu risada e disse:

- Nós sempre estamos onde deveríamos estar, outro lugar não existe, só existe esse lugar.

Senti que ele tinha razão e decidi ficar por lá mesmo e participar da festa, mas uma vontade que não era minha de estar em outro lugar parecia ser mais forte que eu, tentei lutar, não queria em outro lugar ir, não queria estar em outro lugar que não lá, mas fui sendo levado assim mesmo, tão rápido que a mente foi e o corpo ficou, mas no meio da fuga, o Beija-flor me chamou e para trazer a minha mente de volta, arremessou em minha direção milhares de pétalas de rosas, que de tão bonitas me feria, que de tão brilhantes me cegava.

O corpo chorou. Chorou lágrimas de quem se arrepende ao desperdiçar com a mente, o que o presente nos entrega com flores e luzes oferecidas. O corpo chorou, pois com a mente ausente, ele não tinha forças para dançar e celebrar a festa da floresta, nem o canto do Beija-flor. O corpo chorou, pois é só com a união da mente e do corpo, que o espiríto consegue voar pelo ceú do coração Divino e voltar com presentes tão lindos que se manifestam em textos maravilhosos que esse Vagamundo distribui por ai, como os vagalumes distribuem luzes cintilantes aos caminhantes na mata escura.

Envergonhado por desperdiçar a minha atenção em outras coisas que não aquela festa tão divina, pedi desculpas ao Beija-flor que novamente me falou:

- Não há o que se desculpar, só o que aprender. Quando aceitar novamente participar da festa na floresta não venha com a mente ausente, não desperdice o seu presente, ficando em outro lugar. Ou aqui ou lá!

terça-feira, janeiro 27, 2009

FORMA FARINHA

Eram duas da matina, quando notei que estava fora do corpo. Só podia estar, enxergava tudo claro, mesmo sabendo que lá fora tudo estava escuro. Antes que eu pensasse em voar, fugir, correr, pular cambalhota, entrar no apartamento da Juliana Paes ou qualquer outra coisa dessas que a gente faz quando se dá conta que está lúcido no astral, notei que havia alguém no quarto comigo, além da minha esposa dormindo e aquele mosquito vampiro sugando o meu sangue, se aproveitando que eu estava ali fora. Maldito, se eu volto pro corpo a tempo, eu te mato, seu inseto...hã...hum... Voltando a presença, que é o que interessa aqui ( esqueçam a imagem da minha esposa dormindo, por favor!!!), abri minhas para-defesas e tentei sentir se a vibração daquela entidade era boa ou se era algo que demandaria as técnicas milenares de auto-defesa astral que aprendi em milhares de livros espirítas. Porém, antes que eu pudesse pôr em prática esse conhecimento Zibiano, percebi que estava diante do meu Amparador.

Era o cara que eu tentara ver a minha vida de neófito astral inteira. O sujeito que quebrara meu galho centenas de vezes, que torcia por mim nos bastidores, que me levara tantas vezes para os cursos nas diversas universidades dos mundos celestiais, o cara que me amparava.

- E ai, seu Amparador, cumé que vai? - falei, pelo menos, é o que acho. Fora do corpo, a gente se comunica meio mentalmente, meio cantando, é tudo menos fala, enfim, vai ficar esse verbo mesmo.

Silêncio. Olhar sério, postura rigída. Meu Amparador, era o cara. Grandão, com uma roupa de hindu, cara de chinês, cor de negrão, escudo e lança de guerreiro, enfim, o cara era uma amálgama de tudo aquilo que eu havia imaginado que ele seria.

- Caramba, que honra te ver - falei, pelo menos, é o que acho. Fora do corpo, a gente se comuni...ora,vc entendeu!!!

Quietude era tudo que ele fazia. Na certa, ele não queria acordar a minha esposa. Sujeito educado, firme, tudo aquilo que um dia eu queria ser.

- Eu sei que você vai continuar em silêncio, eu compreendo. Falar para quê? O importante é a mensagem do olhar, certo? - falei, pelo menos, é o que a...enfim, agradeci a presença dele e estendi a minha para-mão para me despedir, mas ao tocar no Amparador, minha mão atravessou o seu corpo. Ele era muito sutil, só podia ser isso ou não? Era não, notei que parte dele se quebrou. Circulei o homem, meio desconfiado, toquei ele de novo, e outra parte dele se desfez, e daí em diante, o homem começou a se quebrar como se fosse feito de farinha ( desculpem a minha analogia nordestina, vocês queriam o quê? Sou da Paraíba). Continuei enfiando a mão no homem ( gente, por favor, orai e vigiai esses pensamentos!!!) e ele foi virando farelo, até desaparecer por completo.

O susto foi tão grande que voltei para dentro do corpo, ainda há tempo de matar o mosquito e acordar a minha esposa, com o barulho do tapa que esmagou aquele vampiro em mil pedacos, miserável, teve o que merecia, morreu, seu mosquito desgraçado...hã...hum...quero dizer, limpei os vestígios do inseto do meu braço e pedi desculpa a minha esposa por tê-la acordado e fiquei olhando para o escuro que também era teto e meditando: "caraca, preciso ter cuidado com o que crio com os meus pensamentos ou na pior das hipóteses, parar de comer farinha, antes de dormir."


Frank Oliveira
Um Paraíba Vagastral

segunda-feira, janeiro 26, 2009

O NOME DO BEBÊ

Nas tribos indígenas, o bebê só ganha seu nome ao nascer. Os índios sabem que é somente no nascimento que a criança deve receber o nome pelo qual será chamada a vida inteira. Todo o resto é projeção dos pais em cima de um ser que ainda nem nasceu.

Como se não bastasse todas as expectativas que esse novo ser humano ganhará: “terá que ser advogado, vai casar, será bem sucedido, seguirá o caminho do pai, etc”; a criança já nasce com um nome escolhido, cujo significado (muitas vezes totalmente ignorado pelos pais), terá que ser carregado por esse novo ser por toda a sua existência.

“Quero que seja menino, quero que seja menina”, “ quero que venha assim ou que venha assado”; e da-lhe projeções, da-lhe expectativas e da-lhe mais peso; esse novo ser humano, cansado de todo o esforço para nascer, ainda terá que lidar com as ansiedades dos pais, quando o seu pós-parto deveria ser um processo suave, de adaptação a um novo plano de existência.

O nome que ganhamos de nossos pais deveria ser uma benção, escolhido de acordo com o momento em que viemos para esse mundo, baseado em real sentimento, mas o que recebemos é o nome que os nossos pais ouviram na novela, copiaram de um filme, criaram baseados em uma ordem caótica de continuarmos a tradição dos filhos com nomes de santos, ou de uma letra do alfabeto.

Nome é coisa séria, pois a palavra tem poder e manifesta nesse mundo, o que criamos no plano dos pensamentos. Cabe aos novos pais, muita cautela e amor, para que a criança que está prestes a nascer, não se torne mais uma vítima da nossa vontade de nomear o mundo, segundo o evangelho da nossa ignorância.

domingo, janeiro 25, 2009

A Índia é Aqui (Caminhos de São Paulo)

Swamis, templos, mantras, sáris;
Não precisa ir lá
A Índia é aqui

Peregrinações, setas douradas;
Igrejas, celtas, caminhadas sutis
O Caminho de Santiago é aqui

Judeus, Muçulmanos, Cristãos;
O Torá, a Bíblia e o Alcorão
Jerusalém em cada esquina daqui

Buda explodindo em Satva;
Mil pedaços espalhados por Sampa
O Nirvana da compaixão do Parelheiros ao Pari

Xamãs paulistanos e pagés paulistas;
Ao som do tambor, cantos para Gaya
No meio do Parque do Ibirapuera, eu ouvi

Iniciações do Egito no Ipiranga;
Fisíca quântica com espiritualidade na Guilhermina,
Os conhecimentos que eram ocultos são revelados aqui

Encontro de projetores astrais na Frei Caneca;
Sonhos e Psicanálise nas teias da net,
Não há no mundo, mais Voadores que aqui

Nos cantos de Umbanda e de Candomblé,
Os Orixás e os caboclos de Aruanda
E a Mãe África em mil axés eu ví

Filósofos, professores, atores
Nos jardins de Agora da Santa Cruz
Provocam a catárse que fazem o conhecimento fluir

Não preciso ir para longe para sentir;
Pois a inspiração flui da Sé ao Tucurivi,
Nas crônicas maravilhosas que escrevo aqui



Imagem: http://www.panoramio.com/photo/103324

sábado, janeiro 24, 2009

PIA

Quando a chuva divina caiu
Tirou a rolha da minha cabeça
Que feito uma pia
Foi se enchendo de amor

O rio da compaixão foi descendo
de porta em porta,
Fazendo brilhar a minha casa
Tocando os sinos do meu templo

Era muito amor para o meu caminhão
Até pensei em dizer que não queria não
Então lembrei, que eu era um canal
E fui conduzindo esse presente Divinal

Para toda pessoa que eu conseguia lembrar
Até para aquelas que eu jurava não ligar
E quando achei que já tinha acabado
A chuva voltou a cair cada vez mais

Depois desse contato com o Divino
Fico aqui pensando: se já recebo tudo isso
E sou tão pequenininho
Imagina quanta luz carregavam os Avatares do Amor?

sexta-feira, janeiro 23, 2009

As Infinitas Linhas de Quem Tece

Tantas linhas, tantas opiniões. Quem tem razão? Quem tem razão?

Fala irmão, conta amigo: qual é o caminho? Castañeda tinha mesmo razão? Há coração? Há coração?

Tece o seu comentário, formule a sua voz. Opina, amigo. Opina, irmão.

Dada a opinião, observa: a palavra transcende o falante, vai criando ramificações, corrente, avança e transforma toda a gente que escuta, que lê, que é carente de experiência, que preenche o espaço vazio da prática com a teoria dos outros, com outras opiniões.

Contudo, essa é uma discussão, um bate papo, e eu opino, amigo; eu opino, irmão; mas essa é apenas a minha opinião. Acredita não, vá atrás da sua realização. Realiza a tua ação!!!

Não há verdade única, irmão, se não a experiência, a manifestação da sua consciência em relação ao que é sentido, observado e vivido.

Compreenda, leia as minhas palavras e perceba, elas são apenas palavras, amigo, não se vivencia o Divino no discurso, não se experimenta o Divino nisso ou aquilo; tudo que não for sentido, é apenas achismo.

E taí a graça do Grande Criador, quanto mais lúcido você fica do Grande Amor, mas você percebe que é praticando que se faz o caminho. Esqueça os templos do Himalaya, os rituais dos tantos "ismos", esqueça o oposto te dizendo: não é isso!!!

E seja lúcido!!!

Pratique o aqui e agora, transcenda o vício de convencer e ser convencido. Aprenda com cada opinião, mas não deixe as palavras alheias virarem ação no seu coração. Compreenda, não precisamos mais seguir em bandos quando o assunto é ligação, religação, religião, união com tudo aquilo que podemos ser.

Tantas linhas, tantas opiniões. Quem tem razão? Quem tem razão?

A iluminação tem nome? Ou o silêncio é a melhor expressão da sensação que palavra Babel alguma consegue afirmar?

Discernimento, amigo. Lucidez, irmão.

LÚCIDO DEPOIS DE TUDO

Nunca estive tão lúcido.

Percebo os pensamentos em formação, as intenções virando ações, as manifestações dos meus sonhos em meus atos, preenchidos por uma extrema observação de certos entraves que me boicotaram a vida inteira. Entraves que estavam disfarçados que inibiam a força da minha vontade; entraves que me faziam caminhar em circulos, cachorro vadio correndo atrás do próprio rabo.

Nunca estive tão lúcido.

Noto os pequenos buracos no tempo, nas viagens do pensamento que faço para o que não vivi e para o que já senti; e vou trazendo de volta os fios de consciência que se destacaram e já consigo estar presente boa parte do meu agora. O meu agora preenchido com o meu olhar desperto descortina a arte da vida; onde sinto a música pulsando e a poesia implorando aos meus olhos e ouvidos: faça fluir a arte que sente, manifesta de dentro para fora.

Nunca estive tão lúcido.

A dúvida que me atacava, a verdade dos outros, a opinião alheia foi passando aos poucos, á medida que o meu Eu-Lúcido avança. Não estou mais tentando, ando, ando ser. Finalmente sou. Apenas sou e deixo as letras expressarem a alegria que não para de jorrar pelo meu sorriso e o amor que nunca esteve tão evidente em meus olhos.

Nunca estive tão lúcido.

Foi-se o eu-confuso. No lugar, não está alguém melhor ou superior, pois ser é o que me interessa, e não julgar se o que me transformei foi a metamoforse certa. Estou sendo uma outra face que sempre achei ser lenda. Estou sendo uma outra máscara dos mil e um rostos que habitam esse teatro de minha alma.

E no final de tudo isso, estou sendo a vida, e ser a vida é celebrar com alegria todas as linhas que nos religam a percepção divina; e ser a vida é respeitar que no mundo há milhares de doutrinas, religiões, pontos de vistas e todas elas nos levarão até o mesmo lugar: onde já estamos.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

PESCADOR DE PALAVRAS

Hãn, hãn, hum ... eu vou tentar falar sobre o amor...

Hum...vou descrever o que senti...

...

..

.

O ... ocupa o espaço das palavras vazias, das frases ocas que tentam em vão preencher o espaço da expressão correta. O ... ocupa o vazio deixado por nossa linguagem tão limitada para descrever o que senti quando percebi que não estamos sós nessa jornada; que existe mesmo uma força maior preenchendo o espaço ao nosso redor e fluindo por todo o nosso corpo de fora para dentro e dentro para fora.

Acreditem! Passo boa parte do meu tempo, sentado a beira desse rio corrente da inspiração, em busca da expressão ideal. Pescador de palavras, vivo em busca de um texto que possa descrever essa grande aventura espiritual que é sentir o Grande Arquiteto do Universo, desenhando o mundo.

Achar a justa frase tornaria mais fácil te explicar como podemos voar sem asas; o quanto o Criador com todo o seu infinito e paciente amor é tudo aquilo que já foi sentido e nada do tanto que já foi falado, escrito, lido, cuspido, mentido e jurado.

Se ao menos eu pudesse encontrar algo para por no lugar do ...

A DÚVIDA DA FLOR

Cadê o Beija-flor que estava aqui? Nem o vi partir, será que estava mesmo aqui? Será que um dia aqui voou? Será que algum dia sequer existiu um Beija-flor?

Cadê o Beija-flor? Cadê o Beija-flor?

Ah, voltou.

Que susto! Cheguei a duvidar que não tivesse sido, que fosse apenas um sonho.

Eu duvidei, eu duvidei, meu Beija-flor, duvidei que você fosse real, como é real o meu amor.

Eu duvidei, eu duvidei, meu Beija-flor, como todos que amam duvidam, como duvidou até o Redentor.

Então você voltou e eu percebi o quanto duvidei a toa. É que fiquei sem você; é que não senti a sua presença, como se a sombra do mundo lhe tivesse prendido, como se o seu vôo tivesse sido apenas algo imaginado e não beijo de fato. É que cresci duvidando se um dia eu teria pétalas tão bonitas que pudesse atrair você. É que eu cresci, vendo outras tantas flores conseguindo te ter, que quando você veio para mim, achei que não fosse tão real assim.

Ai, você voltou.

Que susto! Cheguei a duvidar que não mais voltaria, por dúvida minha, por dúvida minha, mas você voltou.

Obrigado, meu Beija-flor.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

BASTIDORES

Em algum lugar dentro de mim, existe um palco onde a minha vida é uma peça teatral apresentada pelo meu alter-ego ator. Por trás desse palco, ainda há os bastidores, onde técnicos e diretores, que não querem mostrar o rosto, instruem e iluminam cada ato, com o devido respeito ao meu livre-arbítrio, a minha improvisação.

Nesses bastidores, aprendi como a nossa vida é vista por quem está de fora. Percebi o quanto é vasto o palco por onde é descortinada a nossa estória. Mais vasto ainda são os bastidores, onde seres de luz, se escondem na sombra do amparar.

Ironia Divina: eu que pensava que o mundo astral era fora...

O Vazio e o Espaço Preenchido

Estou em uma das praias de São Paulo. Vejo carros cruzando as avenidas deixando um rastro de som; as pessoas falam alto; os bares atraem clientes com os mais variados ritmos; procuro,tento, mas não consigo ouvir o mar.

A praia está lotada, no lugar da areia, os guarda-sóis. Todos os espaços estão preenchidos, não insisto, vou em busca do vazio, estou precisando de uma dose disso, do silêncio, da quietude, do descanso merecido.

Por um momento, penso que estou ficando mesmo velho: tenho tolerância zero para o barulho; evito nadar no mar de pessoas das ruas de São Paulo ou qualquer outro lugar; mas a questão não é idade e sim seleção. Tenho selecionado melhor os lugares que me dão prazer, as pessoas com quem converso e aprendo; tenho filtrado melhor o que absorvo dos outros, do mundo.

Sou observador, adoro estar entre a nossa gente, ouvindo as suas estórias, aprendendo com a vida de cada um; mas ao me tornar mais seletivo, percebi que eu era meio que um "João vai com os outros". Nesse processo coletivo que é viver nesse mundo, muitas foram as vezes, em que estive ocupando todos os espaços vazios da minha praia com guarda-sóis, quarda-tranqueiras, guarda-coisas que não valem mais nada. Na minha jukebox tocava canções melosas que atraiam emoções estranhas e já experenciadas, na rádio da minha alma, tocava músicas distorcidas e eu as tocava no volume mais alto; na tentativa de expulsar o silêncio, me livrar do vazio, combater a quietude; sem perceber que é no espaço entre duas palavras, no vazio entre dois sons, que eu estou pleno.

EU SOU no espaço vazio entre o que penso e faço. EU SOU na quietude da alma que tudo vê e tudo sabe.

terça-feira, janeiro 20, 2009

O QUE HÁ

As cores do entardecer avançam sutilmente pelo céu. O dia está indo embora, a noite vem deslizando; e eu tento observar o momento em que as cores mudam, em que o céu se transforma, mas a mudança é sutil demais para que eu consiga percebê-la, contudo ela acontece assim mesmo, independentemente da minha incapacidade de vizualizá-la ou compreendê-la.

O que há é.

O que há não é coisa da minha cabeça. Não é truque mental. Mesmo que eu duvide que o que há aconteça, tudo é, mesmo sem a minha crença.

O que há é tão sutil quanto as cores do entardecer, como a fluidez da água ou o vento tão presente, mas invisível. Tem gente que sabe disso, pois percebeu que é evidente que existe algo maior que envolve tudo o que aparenta ser. Tem gente que duvida disso, pois passou tanto tempo questionando, que a dúvida sadia passou a ser a sua pior inquisitora, não permitindo que eles possam ver algo além da sua mente perguntadora. Tem gente que pensa que sabe o que há e cria nomes, cria pontes, quando o que eles inventam vai ficando cada vez mais longe, menos parecido com o que há.

O que há sempre existiu e sempre será. O que há continuará presente nas pequenas coisas, no sutil do presente, onde a nossa mente ausente, não consegue perceber a sua manifestação.

Estamos sempre a frente ou bem atrás do que há, pois não nos permitimos aquietar a mente, acalmar a máquina corpo que só deseja seguir adiante. Se ao menos tivessemos tempo para a meditação, para trabalhar e disciplinar a nossa atenção, conseguiríamos ver a mudanças das cores do entardecer, conseguiríamos notar o milagre de cada gota d'água se unindo e fluindo pelas nossas mãos; conseguiríamos perceber a sutileza da ação divina atuando, compondo essa grande obra de arte que é pintada com todos os nossos rostos, com todos os nossos corpos, amores e dissabores; pois não existe nada além do que o que há.

BOI TEMPO

Segura Peão, esse Cavalo Pré-ocupação que corre a frente dos bois; monta esse cavalo com as esporas do presente, Peão, se não tu cai e se arrebenta no chão.

Lança esse laço da tua vontade na hora certa, Peão, o Boi Futuro ainda não está pronto para ser laçado, perceba que você fica preso nesse rodeio do tempo, Peão, toda vez que tenta laçar o que ainda não chegou.

Fica firme, Peão, e concentre a sua ação aonde estão a tua atenção. Não desperdice o seu pensamento e força, Peão, na divagação.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

BLUE MONDAY

De repente, segunda-feira de novo.

Milhares de corpos andando, enquanto seus espirítos ficaram em casa na cama dormindo.

Milhares de vozes reclamando que gostariam que fosse sexta-feira de novo, só para voltar seus corpos para as suas camas.

A semana passará e a nossa consciência estará perdida entre o que passou e o que começará. Mais uma semana será perdida, só para variar...

Interessante o caminho da nossa consciência. Ganhamos o mundo de presente e ao invés de estarmos aqui conscientes, estamos o tempo todo ausentes.

sábado, janeiro 17, 2009

O DOCE ORGULHO DO EGO

O orgulho e o ego se aproximam sorrateiramente, de um jeito tão silencioso, que quando percebemos, já estamos atuando como Reis do Universo. Contudo, não somos reis de coisa alguma, pelo contrário, somos servos das forças que regem a natureza desse plano de existência.

Todo esse papo "new age" de co-criadores do Grande Arquiteto Divino, só serviu para transformamos o ego que nos ajuda a criar a nossa identidade num monstro que grita: "eu sei tudo!"

Esse ego do tamanho de um Godzilla e o orgulho que é baseado em conquistas vazias, aumentam a cada dia em nome das conquistas do mundo, entretanto, deixamos de lado a busca da riqueza interior e o respeito que deveríamos ter por cada um que divide esse planeta conosco.

Nada contra a busca de uma situação financeira confortável, afinal, se tem algo em que eu não acredito é em gente que faz voto de pobreza ou prega o "repúdio ao dinheiro" (talvez não haja discurso mais hipócrita baseado em dogmas tão demagogos). A questão aqui é levantar uma meditação sobre como olhamos quem acreditamos saber menos que a gente.

Eu não sei quanto a vocês, mas volta e meia, eu me surpreendo com a capacidade que tenho de achar que sei mais que os outros, quando eu deveria apenas querer saber suficiente para mim. Conhecimento nenhum nos dá o direito a cultivarmos um olhar superior aos outros. Somos todos iguais e se aprendemos uma coisa ou outra a mais, esse conhecimento deveria ser para a nossa prática e não para servir de razão para sairmos por ai, contando o quanto sábios somos, afinal, qualquer que tenha sido o nosso aprendizado; ele é limitado pelas restrições de expressão e comunicação da linguagem que usamos nesse experiência terrena.

Experiência espiritual nenhuma consegue ser descrita da forma como é sentida. Isso é um fato e desafio meus opositores que apareçam com relatos.

Descoberta cientifíca alguma é maior que os mistérios e a magia do significado da palavra RESPEITO.

Ser PHD ou Doutor em certas áreas profissionais não nos torna melhores seres humanos, nem nos dá o direito de usar a coroa do saber superior, pois, só a morte é verdade absoluta; todo o resto é conhecimento variável, sujeito a mudanças a qualquer momento.

O Ego e o Orgulho, assim como o Medo e a Dúvida, são forças emocionais que possuem a sua função na construção do indivíduo que somos, porém, mais forte que elas, deve ser a nossa vontade em dominá-las para que possamos cultivar a tolerância em relação as idéias alheias e ao ritmo de aprendizado de cada um.

Não vivemos sós nesse mundo e se há uma razão pela qual existe o outro, é para que possamos viver em harmonia e respeito com ele e com todos.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Manifeste a sua Ação

Peça prosperidade, mas manifeste a sua ação. Pedir todo mundo sabe, mas poucos tem o poder de fazê-la surgir do chão.

Peça saúde, mas manifeste a sua ação. Cultivar doenças todo mundo sabe, mas poucos conseguem mudar a causa do mal que no corpo surge.

Peça luz, mas manifeste a sua ação. Se esquecer da própria luz todo mundo esquece, poucos conseguem extrair a luz da sua escuridão.

Flechas de Luz

Flechas de luz iluminam o céu da Selva de Pedra. Ao som do tambor e do maracá, os bichos urbanos escutam o bradar do Rei da Floresta.

É Ewa correndo por nossas ruas. É Oxossi iluminando cada bairro. É o Rei das Flores baixando em cada terreiro com seu exército de caboclos guerreiros.

Saravá, meu Pai Oxossi! Namastê, meu Rei das Flores! Não tenha pena, nem tenha dó, fleche meu peito com a luz da compaixão para que eu veja o brilho de cada Orixá refletido no olhar de cada irmão.

Saravá, meu Pai Oxossi! Ishalá, meu Rei das Matas! Sou bicho da cidade, mas trago a vontade na alma, de ser UM com todos que eu cruzar em minha estrada; pois trago o verde da mata no peito e a vontade de amar em cada chacra.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Um Pensamento

Poça vermelha na pista, cabeça aberta no chão, corpo caído de um homem, cujo último pensamento foi:

- Se tudo não tivesse sido!

Não foi, o vermelho voltou a cabeça que se fechou, cabeça de um homem que levantou e voou, junto a milhares de cacos de vidro, de volta ao carro, em que o cinto segurou o motorista, pois nunca houve a batida no caminhão, e o carro retornou pela estrada, como se estivesse em ré, voltando ao restaurante de beira de estrada, onde o homem do balcão nunca abriu aquelas garrafas de cerveja para o homem que diante da tentação de só tomar "uma geladinha para matar o calor", não morreu, pois antes mesmo que pensasse em pedir a bebida que o mataria, um único pensamento lhe devolveu a razão:

- Não!

O CORPO DE YEMANJÁ

Se Yemanjá tivesse um corpo, ela teria a beleza de Oxum. Os seus cabelos seriam pretos e tão longos que desceriam para a Terra em forma de cachoeira. Os seus olhos seriam de um azul tão profundo que refletiriam o mais límpido rio.

Se Yemanjá tivesse um corpo, ela teria os braços de Yansâ, para lançar relâmpagos de luz como se fossem flechas para trovejar o vento do amor.

Se Yemanjá tivesse um corpo; ela teria os pés de Nanâ; para pisar com firmeza e sabedoria; para ser vó, mãe e ao mesmo tempo, neta e filha.

Se Yemanjá tivesse um corpo, ela teria os olhos de todos nós, para mostrar que sempre está conosco e que no fundo SOMOS TODOS UM SÓ.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Valores

As coisas do mundo tem os valores que queremos dar a elas. O que é importante para mim, pode não ser para você.

- E dai? - você, leitor, se pergunta, afinal já ouviu isso tantas vezes. Eu sei! Isso tudo é conhecimento comum, etc; mas se todos sabem disso, por que quase ninguém pratica? Quero dizer, por que passamos boa parte da vida, tentando converter os outros a passar para o lado da nossa verdade?

Que satisfação medonha é essa que temos em apagar a fé alheia com as nossas "certezas". Se ao menos colocassemos no lugar coisa valiosa, mas só deixamos tranqueiras. Sim, tudo o que acreditamos não passa de bobagem nossa, pois se estivessemos mesmo diante da Grande Verdade do Universo; você acha que teríamos a coragem de contar aos outros? Essas grandes verdades não pertencem ao campo da linguagem. Desculpem-me os linguístas, mas nem tudo o que sentimos, conseguimos transformar em comunicação, em expressão. Há coisas que ocorrem dentro da gente, que não dá para compartilhar, apenas sentir e refletir na sensação, e não nas palavras que acaba empobrecendo a experiência.

Tente explicar aquele sonho maravilhoso que você teve ontem à noite para alguém e perceba como a pessoa não terá a menor idéia do que você está falando, por mais que você tente expressar, cantar, poetizar, mimicar, gritar. Assim, são as Grandes Verdades, as experiências com o Divino, as expansões da consciência e tudo aquilo que tem realmente essência. Todo o resto é literalmente papo furado, conversa para Testemunha do Jáh evangelizar.

Tentar convencer os outros do nosso ponto de vista, das nossas crênças, das nossas verdades é deixar de ser estrela e virar buraco negro, sugando todo o brilho do outro para a sua volta.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Valei-me, Notre Damme


Enquanto todos olham para fora

Meu olhar curioso olha para dentro

E o que ele vê?

Valei-me, Nossa Senhora!!!!

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Conto de Gente

Se as fadas contassem estórias, se os seres ocultos revelassem seus segredos; toda a minha gente saberia do que esse mundo é feito; e diante da Grande Revelação do Divino, ao invés de lágrimas e do arrempedimento do pecador diante do tal "último julgamento", haveria uma porçao de gente contente, uma comunhão da alegria, com todo o meu povo rindo a toa ao descobrir e repetir: Ah, então era isso!

Sim, era isso! E aquilo e tudo mais que estava tão na cara que parecia distante, tão próximo que a gente vivia morrendo de saudade.

"Se ao menos eu soubesse" dirão os arrependidos, ainda achando que sofrerão os piores castigos, nem desconfiando que estão diante da Deusa da Compaixão.

Que sensação de ironia ficaria pelo ar, com todos comentando a Piada Divina desse meu povo passar a vida inteira procurando fora o que sempre esteve dentro, comentando a judieira dessa minha gente ter passado a vida inteira acreditando que o amor dependia do outro, quando o amor sempre foi água jorrando correntemente do peito, independente do reflexo alheio no espelho.

Se as fadas contassem seus casos, se os seres ocultos revelassem seus segredos; saberíamos estórias que Sherezade nenhuma conseguiria imaginar. Essas mil e uma estórias não acabariam com 'Fim" ou começariam com "Era uma vez", pois compreenderíamos que não fomos ou seremos, apenas somos eternamente, no presente, reflexos de tudo aquilo que desejamos ser.

Forças do Mal

Quantas guerras são travadas nos campos de batalha da nossa própria alma? Plantamos e colhemos demônios. Damos a eles caras, damos a eles nomes; por medo de olhar no espelho e ver o reflexo do nosso próprio rosto.

Quantos diabos foram culpados pelos nossos pecados? Quantos "espíritos do mal" foram acusados injustamente por nossos crimes cometidos?

Pobre Diabo que leva a culpa por cada tapa que damos, por cada ato barbáro que é cuspido de nossos pensamentos para o plano da ação. Sempre presente, ele age na terra impunamente por puro deleite da nossa danação. Só pode ser mais forte que Deus, só assim para explicar o porquê de seus atos ficarem sem punição.

Pobre Deus que não deve mesmo existir, afinal só responde com silêncio quando gritamos para o alto as nossas perguntas indevidas. Indiferente, ele está sempre ausente nos momentos em que deveria estar mais presente para limpar as nossas sujeiras. Só pode mesmo ser invenção do homem, pois se Ele fosse tão forte mesmo não permitiria tantos atos de horrores cometidos no mundo pelo homem.

Bobagem, quanta bobagem. Quantas desculpas para darmos explicações aos nossos erros.

Quanta bobagem passa pelo rio dessa nossa mente mortal que se acredita importante o bastante para ser atacado e coagido pelas forças do mal. Tolinhos todos nós somos ao imaginar que existe luz sem sombra, bem sem mal, mesmo tendo sempre tantas provas que a dualidade é uma lei permanente desse mundo em que nos manifestamos. As forças do mal, com seus agentes e trabalhadores, operam nesse plano em conjunto com as forças do bem; e é a união dessa dualidade que faz esse mundo girar.

Cabe a cada um de nós fazer a opção de que lado quer estar e o lado que nos vemos atuando não é influência alheia a nossa vontade: conduzimos o que queremos por sintonia!

Se fazemos o mal ou semeamos o terror, mesmo sabendo que temos pontencial para fazer o oposto, é uma decisão exclusivamente nossa. Apontar agentes externos é ignorar o balanço do nosso próprio rabo.

Podemos dar o nome que for as nossas sombras: obessessor, assediador, capeta, inimigo; muitos são os nomes que queremos dar as forças que nos consomem por nossa incapacidade de ter disciplina e controlar os nossos impulsos mais sombrios. Se optarmos pelo Caminho do Guerreiro e aceitarmos que o nosso maior combate ocorre dentro de nós mesmos, poderemos enfim compreender e aceitar os nossos defeitos, imperfeições e assumir que fazemos nós mesmos as nossas escolhas, pelo caminho do bem ou do mal, em direção para a evolução de um novo ser.

sábado, janeiro 10, 2009

Perdendo o Gosto

Tudo começa bem de mansinho; no beijo que perde o gosto, no toque antes ardente que parece agora incesto.

Os olhos que queríamos tão presentes, já não queremos mais perto. O travesseiro de orelhas tão querido, agora já não nos aquece mais.

Nada de mais aconteceu. Não houve traição, nem briga ou despejo. O seu coração está apenas cantando a canção do " amor que se vai".

Muitas canções falam de corações partidos, muitos poemas cantam os amores nunca vividos. Essa crônica é sobre o quente que ficou frio; sobre o amor que um dia foi e agora é nada mais.

Mas o que fazer quando isso acontece? Uns permanecem na proa dos infelizes mais ainda juntos, outros abandonam o navio ao primeiro sinal de um novo barco. Seja qual for a sua decisão, lembre que amar é inevitável e se é inevitável amar, não perca o seu tempo sendo infeliz com quem não te faz mais sorrir, com um relacionamento que não te faça cantar todos os dias a melodia da renovação do caminho do amor.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Na Vontade

Jonas saiu da baleia. Perguntaram:

- O que você sentiu?

Ele respondeu:

- Nem isso, nem aquilo!

Ninguém entendeu.


Natanael caiu do céu

Perguntaram:

- O que você viu?

Ele respondeu:

- Nem uma coisa, nem outra!

Ninguém compreendeu.

Assim, são os caminhos para o Divino: nada do que você ouviu dizer, coisa alguma do que você ouviu contar.

O caminho é feito ao caminhar, já dizia o peregrino.

O sabor é feito ao provar.

Quem interpreta o Divino pelo que leu ou ouviu, nada conhece, nada sabe, e fica apenas na vontade.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A FACE ESCONDIDA

São tantas as faces da Deusa, que ás vezes, a gente se esquece que ela está em todo lugar, e com dúvida, pergunta:

- É você mesmo, minha Mãe, disfarçada de Natureza?

Ela responde com os pios dos pássaros, com o movimento das folhas, com o som da água do rio e com o silêncio da terra.

Quando Minha Mãe se expressa, tudo diz e nada fala - e o significado da mensagem depende do que você consegue interpretar.

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, janeiro 07, 2009

OBSERVAI

Orai e vigiai seus pensamentos, alguns pensamentos são como chuva fina e constante que faz mais estrago que tempestade.

Mil pensamentos passam pelo rio corrente do seu pensar, mas olhai e cuidai daqueles que querem alterar comportamentos, provocar ações; alguns desses pensamentos se apresentam como agentes do bom senso, mas só querem mesmo é abalar.

Sua cabeça é uma casa de janelas abertas onde nem sempre o sino do seu coração é tocado pelos visitantes; e visitante que chega entrando sem avisar sempre causa dano; por isso para evitar engano, observai com cuidado o seu pensar.

terça-feira, janeiro 06, 2009

A Árvore Dançarina II

A árvore dançarina encontrou o menino voador novamente. O menino era só brilho no olhar, a árvore somente bailar. Os dois juntos com todos os seres da floresta festejavam mais uma Festa do Divino ao som das canções do Beija-flor.

A árvore seguia explicando ao menino que todas as imagens que ele via eram símbolos que precisavam ser decifrados pelo olhar observador de um escritor; o menino seguia entendendo que ao mesmo tempo que bailava, aprendia as sagradas lições do Amor que Não Tem Nome, mas que desce da fonte celestial do Grande Criador.

A canção do Beija-flor dizia: "Tudo é amor! Tudo é amor! Tudo é amor"

E o menino compreendia que a árvore dançarina era apenas outra face do Divino que descia das alturas para brincar com alegria.

Quando finalmente o sol raiou, o menino acordou na sua cama, ainda cantando as melodias que o lembravam que não era preciso fazer esforço para recordar daquilo que já fazia parte do seu ser, mas quando desejasse celebrar, bastava fechar os olhos, pois a árvore e o Beija-flor estariam sempre a lhe esperar.

sábado, janeiro 03, 2009

Jardim Namastê

Pobre Ana, diante de um terreno onde ela poderia plantar um jardim de orquídeas, tulipas e margaridas; deixou crescer o mato da discórdia, da mágoa e do ressentimento.

Pobre Ana, que leu todos os livros sobre adubo e como transformar sementes em crisântemos e lírios; nem viu a erva daninha da inimizade tomando de conta, crescendo pelas beiradas, cobrindo a cerca e o muro. Agora, diante do matagal da sua alma, ela não tem mais forças para recomeçar o seu cultivo e só pensa em conseguir um jardim novo.

Capina, Aninha, capina. Respeita o jardim dos seus amores, faz florar as rosas das amizades ainda não perdidas. Afasta os mosquitos que picam o ego, os insetos que rodam, rodam e rodam o seu orgulho. Venha conhecer a linha do beija-flor e do vaga-lume . Deixa as lagartas se soltarem das suas carapaças e borboletarem no seu quintal.

Não seja pobre, Ana, seja sol! Gira, gira, gira-sol, linda Ana, enriqueça sua vida no tempo bom, no tempo chuva; case o espanhol com a viúva, o sol com a lua; e coloque em prática, Ana, tudo aquilo que você leu nos livros e ouviu ser dito.

Seu jardim pode florescer, Ana, basta aceitar que é preciso ter compaixão e é por isso mesmo que não há o que perdoar o que você viu sombrear em seus amigos. A alquimia, Aninha, é a arte de transformar o chumbo que recobre certos atos no ouro da renovação. Mais vale um abraço, Ana, que mil tapas.

Por isso, poli, poli, areja, areja e você verá que no Jardim Namastê das amizades eternas, todos os seres são divinos e iguais, e por de trás de cada tombo amigo, a amizade que caiu, se levanta mais bonita e mais forte, florescendo o terreno do nosso coração.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Contando Estrelas

- Tio, o que é aquilo?

- É uma estrela, menino, uma estrela.

Que judieira, meu sobrinho nunca tinha visto uma estrela. Triste sina dos nascentes da cidade grande, crescer sem ouvir pio de passarinho livre, sem pular no rio. Que tristeza é ser filhote da mata urbana, sem correr o risco de roubar manga no pé, de pescar bota no açude, de varrer os olhos embaixo de um tapete de estrelas.

Por vezes, diante do cinza de Sampa, deixo a imaginação correr solta e vejo botos no Rio Pinheiros; vejo parques verdes em cada canto da feia Santo Amaro; vejo tucanos no lugar de pombos no centro e uma avenida de estrelas sob a paulista, com uma lua cantante que entoa serenata pelas ruas vazias da madrugada; daí o som de uma buzina estridente me acorda; alguém gritando "pega ladrão", me assusta e me encosto num canto, dando passagem a multidão que tem pressa e não tem tempo para contar estrelas.
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