terça-feira, janeiro 20, 2009

O QUE HÁ

As cores do entardecer avançam sutilmente pelo céu. O dia está indo embora, a noite vem deslizando; e eu tento observar o momento em que as cores mudam, em que o céu se transforma, mas a mudança é sutil demais para que eu consiga percebê-la, contudo ela acontece assim mesmo, independentemente da minha incapacidade de vizualizá-la ou compreendê-la.

O que há é.

O que há não é coisa da minha cabeça. Não é truque mental. Mesmo que eu duvide que o que há aconteça, tudo é, mesmo sem a minha crença.

O que há é tão sutil quanto as cores do entardecer, como a fluidez da água ou o vento tão presente, mas invisível. Tem gente que sabe disso, pois percebeu que é evidente que existe algo maior que envolve tudo o que aparenta ser. Tem gente que duvida disso, pois passou tanto tempo questionando, que a dúvida sadia passou a ser a sua pior inquisitora, não permitindo que eles possam ver algo além da sua mente perguntadora. Tem gente que pensa que sabe o que há e cria nomes, cria pontes, quando o que eles inventam vai ficando cada vez mais longe, menos parecido com o que há.

O que há sempre existiu e sempre será. O que há continuará presente nas pequenas coisas, no sutil do presente, onde a nossa mente ausente, não consegue perceber a sua manifestação.

Estamos sempre a frente ou bem atrás do que há, pois não nos permitimos aquietar a mente, acalmar a máquina corpo que só deseja seguir adiante. Se ao menos tivessemos tempo para a meditação, para trabalhar e disciplinar a nossa atenção, conseguiríamos ver a mudanças das cores do entardecer, conseguiríamos notar o milagre de cada gota d'água se unindo e fluindo pelas nossas mãos; conseguiríamos perceber a sutileza da ação divina atuando, compondo essa grande obra de arte que é pintada com todos os nossos rostos, com todos os nossos corpos, amores e dissabores; pois não existe nada além do que o que há.

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