quarta-feira, novembro 28, 2007

E Se Tudo O Que Tenho Certeza Fosse Mentira...


Denise não entendia porque João tinha tanta certeza e confiança nesse tal mundo espiritual. Ele não entendia como alguém tão sensato e inteligente como seu amigo poderia acreditar nessas bobagens místicas que pipocavam por aí.

- João, vamos lá. Você realmente acredita nessas bobagens que você lê tanto? Esse negócio todo de espirtualidade para mim é pura piração.

- Eu já te falei, que eu não acredito, Denise, eu tenho certeza!

- Tá bom! Mas e se você descobrisse que tudo o que você acredita, quero dizer, tem certeza... é uma furada? Sei lá, e se os cientistas finalmente descobrissem que Deus não existe coisa alguma e todas essas religiões,mestres e gurus são uns alienados pregando ilusão coletiva, como você reagiria?

- Eu não sei por que você vive tentando me convencer das suas incertezas. Minha fé é individual, por isso não posso e nem quero te convencer de nada que sinto; mas se eu descobrisse que tudo o que aprendi e experimentei foi pura imaginação, crença ou sugestão mental, eu continuaria tentando ser uma pessoa melhor a cada dia e tratando os outros como eu gostaria de ser tratado. Nunca acreditei em Deus em troca de um lugarzinho no céu e mesmo se descobrisse que não há nada depois da morte, não diminuiria em nada a minha vontade de crescer e aprender. Mesmo se Deus não existisse, é inégavel que o fato de estarmos aqui vivos é um grande milagre da vida, e por isso, somente por isso, já temos motivos suficiente para seguirmos em frente com um sorriso no rosto constantemente.

Frank

Um Encontro Baiano

Romance moderno começa em paquera virtual com possível encontro real. Encontro que já começa com reticências, com cuidados. Afinal, ele pode ser um psicopata; ela pode ser esquisita; e foi assim, mesmo que com medo, que o anjo encontrou a lua na terra de todos os santos. Lua e anjo não eram seus nomes de verdade, mas apelidos de sala de bate papo e era a primeira que se viam. Trocaram e-mails de amor, toques de MSN e carinhos de orkut e quando dava um ligava para o outro – os séculos mudaram a comunicação, mas o interurbano ainda continua caro – e assim eles foram se conhecendo e combinando aquele encontro que ocorreria um ano depois do primeiro encontro naquela sala de bate papo, onde ele brigava com um velho e ela o convenceu que conversar com ela era mais interessante. “Bendito velho” - repetia ele - “ o cupido que nos uniu.”

Ele ouvia Gilberto Gil, quando ela chegou bem baiana. Ela buscava romance, ele buscava mágica. Quando finalmente se viram, um segundo tornou-se eternidade, ora dava vontade de fugir, ora dava vontade de transformar aquele “nunca te vi e sempre te amei” num abraço apertado.

A poesia se fez presente e o anjo virou sol incandescente e a lua ficou sedenta de versos de poeta. O amor se consumiu num total eclipse de corpos terrestres que uniram suas almas astrais. Ele era o que ela esperava, ela era o que ele buscava. Os Orixás abençoaram e o Olodum tocou em todas as esquinas de Salvador o ritmo dos encontros furtivos no Pelorinho; dos beijos roubados à coração roubado na Cidade Baixa.

Dois dias duraram para sempre e eles formaram um laço que nem Caetano ousa explicar e andando descalços, que nem Bethânia, pelas areias da praia de Itapuã, ele prometeu voltar. Ela quis acreditar, ele acreditava que verdade dizia, afinal, depois daquele fim de semana, haveria sempre um motivo para ele voltar à Bahia.


Frank Oliveira

sexta-feira, novembro 23, 2007

Cuba Livre


Meu amigo Hernandez mora em Caracas. Conheci o Venezuelano, quando vivia em Londres; trabalhávamos no mesmo restaurante, eu atendia as mesas, ele servia no bar. Falávamos fluentemente portunhol um com o outro, mas quando o assunto fluía para política, eu sempre me esquiva, chavista ao extremo, Hernandez realçava a Nova Venezuela governada por “El Comandante” e em como a população era feliz e que a mídia distorcia os fatos e etc, etc, etc. Quer perder um amigo, basta falar de política, futebol ou religião; quer ser seu amigo para sempre, compartilhe sonhos; e o assunto preponderante em nossas conversas era o meu sonho de voltar ao Brasil e me tornar Professor, e o dele de abrir um bar e servir Cuba Livre na costa caribenha. Bolibar seria o nome do bar batizado em homenagem ao grande herói latino americano, Simon Bolívar.

Porém, sonho custa caro e ele trabalhava noite e dia para conseguir juntar cada centavo que pudesse e realizar seu “Venezuelan Dream”. Não reclamava, sempre tinha um sorriso no rosto e repetia seu mantra: “ dando duro agora, para depois dar mole” – a única frase que consegui ensinar em português para ele. Frase que tinha ouvido de uma outra amiga e ele aprendeu, depois de umas caipirinhas.

Voltei ao Brasil e ele á Venezuela em 2005. Alguns e-mails e meses depois, descobri que meu amigo realizara seu sonho: abrira seu Bolibar na costa Venezuelana, em frente ao mar do Caribe. Eu, infelizmente, deixava a carreira de Professor, para voltar ao mercado empresarial, trabalhando com Marketing e Vendas para pagar as contas que lecionando não conseguia.

O contato foi diminuindo e cada um seguiu com suas vidas.

Na semana passada, percebi seu e-mail na minha caixa postal. Para o meu espanto, ele enviara o e-mail da Inglaterra. Pensei: “será que meu amigo abriu uma filial do seu Bolibar em Brighton, na costa inglesa?”

Nada parecido. Ele contou que a sua filha tinha sido presa na última manifestação estudantil contra o Governo de Hugo Chaves, que houve em Caracas. Como retaliação, a licença de Hernandez foi caçada e seu bar fechado pela policia. Ele termina o e-mail com a frase: voltei para a Inglaterra, infelizmente, para ficar.

Queria responder seu e-mail com a seguinte frase: “os nossos sonhos, governo nenhum consegue derrubar” . Daí, me lembrei, prometemos um para o outro, nunca falarmos de política.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Dia de Todas as Consciências

Sou pardo, moreninho para a minha esposa e negro para o sistema de cotas que me garante uma grande vantagem: pulo na frente para ser aprovado, se eu resolver fazer vestibular em Brasília ou qualquer outra cidade onde eu seria julgado pela cor da minha pele. Eis o grande dilema; conseguir um diploma por ser negro ou uma formação por mérito?

Sou pardo, mas estou mais para pardal; sou negro, mas estou mais para traidor do movimento afro-brasileiro quando grito aos quatro cantos: não enxerguem a cor da minha pele, percebam as cores da minha alma.

“Não sou alienado”, respondo aos negros que são mais racistas que muitos brancos; conheço a cor do preconceito, já a vi refletida em portas fechadas, em olhares tortos e em oportunidades de emprego; mas das coisas maravilhosas de se morar no Brasil ( e acreditem há muitas), há essa junção do branco e do preto; do amarelo e do índio; essa miscigenação que transformou esse pais em um paradoxo onde branco é preto e muito preto é branco. Fui pobre, hoje sou rico em possibilidade, pois não acredito em deficientes por cor. O homem que me tornei, surgiu quando questionei ao invés de acreditar sem me perguntar; quando cantei ao invés de reclamar; e pensei ao invés de concordar com tudo que leio ou ouço e por isso, pergunto-me na calada da noite que antecede o dia da Consciência Negra: celebraremos nesse dia a importância de grandes homens e mulheres? Ou apenas o fato deles terem sido ou serem negros?

Vou levar pedrada, mas acredito que Machado de Assis, Castro Alves, Cartola e outros tantos autores e artistas negros não devem ser lembrados por serem autores negros e sim por sua obra que brilha em todas as cores; O ministro e juiz do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, não surgiu e virou destaque nacional apenas por ser negro; ele ganhou o destaque na mídia por sua honestidade, que virou virtude rara em um mundo onde todos querem ganhar vantagem em cima dos outros.

Se adoramos celebrar e criar feriados, que surja o Dia de Todas as Consciências, onde todos os brasileiros saiam as ruas para festejar a união dos povos, independentemente da sua cor ou crença. Vamos celebrar a miscigenação das consciências, tão presente nesse país e tão ausente na mente dos brancos e pretos de todos os cantos, que só enxergam o aparente que vêem no espelho.

Sou algo a mais que ser negro; ele tem algo a mais que sua pele branca; ela é mais que seus olhos puxados; eles são muito mais que índios. Enxergue diferença na cor do outro e você estará segregando sua própria consciência; perceba que todos nós somos iguais e você estará livre da escravidão do preconceito que ainda aguarda a lei áurea do discernimento.

Frank “ Neguinho” Oliveira

Foto 1: Na familia Oliveira, a irmã é negra, o irmão é branco, a sobrinha é ruiva, o outro irmão é negro e a mãe é branca. O outro irmão japonês e o Pai Negro estão ausentes.

Foto 2: Na familia Oliveira, a Vó é India.

A Conversa: Semente da Paz

Quando dois amigos sentam para conversar, depois que as suas diferenças os ameaçaram com uma separação, surge a prova que ainda há esperança para a humanidade.

Quando eles maduramente discutem suas diferenças e pensam em conjunto como trabalhá-las para que elas não os afastem um do outro; o sol brilha mais forte no frio do hemisfério norte, a lua dá cambalhota na retina dos amantes, as estrelas cintilam harmonia na escuridão da guerra. Israel se comunica com a Palestina. Os políticos brasileiros acham uma jazida de vergonha na cara e se dão conta que com o dinheiro do povo, não há “jeitinho” e nem conveniências.

Quando esses amigos se entendem, percebem que a amizade é mais importante que os pequenos defeitos que todos temos, mas no outro adoramos apontar por brilhar mais. Nesse momento, a fome de amor na África fica mais branda e o terrorista árabe compreende que a única Jihad que vale a pena é explodir o próprio ego.

Quando dois amigos rompem à barreira do orgulho e corajosamente terminam essa conversa num grande abraço; eles abraçam o mundo e fortalecem as raízes da paz que começa quando reconhecemos no outro, nós mesmos.

Frank

sexta-feira, novembro 16, 2007

Segunda Vez


Tamiris ficou grávida pela segunda vez.

“Na primeira foi descuido, agora foi o quê?”, cochicham na rua que ela mora. A mãe está inconformada – “A minha menina só tem 18 anos” – chora pelos quatro cantos. Lamentando pela menina que mal acabou o 2º grau e trocou o cursinho universitário pelo supletivo maternal.

Tamiris chorou dia e noite, noite e dia; o pequeno Gabriel de dois anos, não entendia porque a mãe estava tão triste e triste ficava.

Todo mundo apontava o dedo, toda a família reclamava, comentava e julgava.

Esses dias o celular tocou, Tamiris pensou duas vezes antes de atender, tudo que menos precisava era outro amigo chorão, outro parente discriminando; mas era a sua irmã que morava além do mar:

“Oi maninha – disse a irmã – liguei para te parabenizar e dizer que você pode contar comigo para o que você precisar.”

Os parentes se revoltaram – “Não é hora de parabéns, é hora de enfiar juízo nessa menina” – diziam pelos cantos. A irmã, anos luz de discernimento e lucidez, sabia que cada um de nós tem a sua história pessoal e não precisamos de ninguém tornando ainda mais pesada a cruz que carregamos.

Tamiris está mais calma e já contou a Gabriel que em breve, ele ganhará um irmãozinho. A mãe ainda chora pelos cantos, mesmo sabendo que em um mundo onde há mais clinica de aborto do que padaria, é necessário ter muita coragem para ser mãe antes do tempo que os outros julgam ser o mais correto.


Frank

terça-feira, novembro 13, 2007

Mágica


Andava meio confuso, distraído e incomodado, Faltava algo, um tempero, como se a vida estivesse sem sabor. Não sabia o que era, só me sentia inconformado, sentia que perdera algo que por ter sempre estado comigo, quando se foi, não notei a principio sua falta, mas agora claramente, estava ausente em tudo a minha volta.

Queria esse algo de volta, mas como procurar alguma coisa que eu nem sabia mais o que era? Achei que estava ficava louco, afinal tudo estava no devido lugar: casa, emprego, mulher, contas pagas, saúde intacta – então o que faltava???

Pensei em buscar terapia, cura holística, qualquer ajuda que me fizesse enxergar meu mundo como sempre o havia visto. Foi então, que Vitor iluminou minha escuridão e percebi alarmado: Faltava mágica!!!

Não era mágica de circo, era mágica nas coisas, mágica que torna cada dia especial. Eu estava vivendo sem horizonte algum, sem achar graça em nada, sem ter tempo de paquerar a lua que aparecia na minha janela, só para me namorar. Estava perdendo o interesse nas coisas simples que emocionam, estava transformando o milagre da vida em lugar comum.

Acordava, trabalhava, estudava, comia, dormia e no dia seguinte repetia tudo de novo, sem ter rumo, sem achar mágica em nada. Tinha virado um zumbi, como tantos outros que você encontra no elevador ou no caminho para o trabalho que nem responde quando ouve bom dia e te solta um “não enche!” na sua cara. Eu era como eles, indo e vindo num dia-a-dia sem sentido com completa ausência de riso. Pior é que nem notei que virara zumbi; tinha cérebro, mas alguém comera meu coração.

Se não fosse pelo Vitor...mas afinal quem é Vitor?

Vitor é o meu sobrinho de 9 anos. Viajamos juntos para São Tomé das Letras com uma caravana: minha esposa, mãe, irmã e meus outros dois sobrinhos Lucas e Guilherme. Estávamos na praça da igreja em São Tomé, esperando os outros para ir embora, quando lhe perguntei:

- Vitor, qual foi o melhor momento da viagem?
- Foram todos os momentos – ele respondeu – todos os momentos são mágicos!

Foi ai que me dei conta, perdera a minha criança interior que via mágica em tudo. Estava chovendo no meu coração e eu não estava deixando raio de sol algum bater na chuva e criar um arco-íris no meu sorriso.

Desde essa conversa, tenho trabalhado incansavelmente para resgatar minha criança interior, que está presa nos escombros da ilusão diária que mata aos poucos a nossa capacidade de rir e sonhar. Tenho quase 40 anos ( na verdade 33, faço 40 um dia), mas isso não quer dizer que no processo de envelhecer, eu precise deixar o menino que sempre fui nas sombras. Não sei quanto a vocês, mas preciso dessa mágica na minha vida e vou fazer o melhor que puder para recuperá-la e mantê-la sempre presente, mesmo que para isso, eu seja considerado um louco que se recusou, em nome da mágica da vida, a se adultar.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Tonho e o Trem para as Estrelas

Tonho foi embora, como se despede qualquer outro homem que pega o trem para as estrelas no silêncio do subúrbio, no anonimato dos comuns.

Não foi herói, apenas um homem admirável que viveu bem seus 50 anos de vida. Formiguinha, ele viveu como eu e você, sem flashes, sem sair na Caras, apenas com dignidade e coragem de ser honesto num mundo cada vez mais corruptível.

Conheci o Antônio (todos o chamavam de "Tonho") em 1988, junto com a cidade de São Paulo; junto com o novo mundo que surgia no retrovisor dos meus 13 anos. Ele era o namorado da minha mãe, mulher corajosa, que se arriscava no amor, três anos depois que meu pai tomara o mesmo trem. Ele foi chegando com jeito e cuidado, sabia que pior que enfrentar pai armado; é ter que encarar quatro filhos saudosos de pai que partiu sem se despedir. Teve sucesso, mesmo sendo o único ser da terra que me chamava de Rivado ( meu odiado segundo nome – quem afinal criou o segundo nome?), tornou-se um amigo, nunca padrasto e foi ficando e construindo uma presença em nossas vidas.

Uma década depois, minha mãe e ele decidiram tomar rotas diferentes, mas ele continuou por um tempo em festas e aniversários, churrascos e batizados, até que foi sumindo e sua presença foi ficando cada vez mais rara. Tempos depois, descobrimos a verdade: ele lutava desesperadamente contra a Diabete.

A batalha estava sendo covarde e dolorosa. Lentamente e de forma impiedosa, a doença lhe tirou a visão, as pernas e a vontade de viver, até que por fim, lhe tirou o corpo.

Antes do seu embarque, minha mãe foi se despedir, com a minha irmã e meu tio. Meu irmão não quis ir, preferia guardar a imagem do Antônio sadio e feliz, não queria vê-lo moribundo e doente. Foi criticado; eu achei coerente. Cada um lida de um jeito quando está perdendo alguém que se ama.

Eu ainda aceno “goodbye”, pois apesar do seu embarque para as estrelas, ele continua no meu peito; lugar ideal para aqueles que estarão momentaneamente ausentes desse mundo e dos nossos olhos, mas que merecem mais do que pétalas murchas de lágrimas, disfarçadas de flores eternas em enterro.


Frank

Notas: A Diabete é uma doença crônica, caracterizada por uma disfunção no pâncreas. Existem vários tipos de diabete, mas os mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2. Para saber mais detalhes, o site abaixo define bem a doença e as formas para combatê-la:
http://www.anad.org.br/html/dia_que_ediabetes.htm

quinta-feira, novembro 08, 2007

Meninos da Sé

A Praça da Sé – que adorável cartão postal, repleto de futuro perdido!

Todos os dias, cruzo a Sé no centro de São Paulo. Não o faço por diversão, se pudesse a evitaria.

Moro próximo da Praça do Carmo, a Sé separa minha casa do ponto de ônibus que me leva diariamente ao trabalho nas terras distantes de Santo Amaro. Já tentei ir pela Praça João Mendes; até já tentei ir pelo Pátio do Anchieta, mas a pressa e o relógio atrasado exigem que eu cruze a praça imunda de pobreza e não importa quantos cálculos mentais eu vá fazendo ou as ocupações que eu vá pré-pensando, sempre dou de cara com o descaso humano e vejo centenas de homens do futuro em cada criança descalça cheirando cola nos cantos ou tomando banho nas fontes públicas.

Não gosto de ver criança sem esperança de futuro, por isso evito a Praça da Sé sempre que posso e quando não consigo, atravesso-a como um fantasma; sem deixar rastros de olhar, nem pegadas de atenção e felizmente, ao contrário dos meninos da Sé, estou sempre de passagem, tenho para onde ir, e sigo ignorando, como todos os outros estão fazendo.

Frank Oliveira

domingo, novembro 04, 2007

Non, Je Ne Regrette Rien


Não lamento o suor secado no vento, o que tenho feito abaixo do sol; o que escondi na sombra da noite adentro, as companhias por medo de fica só.

Não me arrependo dos erros disfarçados de acertos, do fracasso por medo; por ter muitas vezes duvidado de Deus, dos outros e de mim mesmo.

Não lamento pelos amigos perdidos, se foram embora, eles é que me perderam; nem me arrependo dos inimigos adquiridos, se surgiram agora, talvez seja porque nunca os tenha percebido.

Não lamento, nem me arrependo; mas nunca vou me perdoar se por medo de perder, deixar de amar, de correr, de me arriscar. A vida flui e quero seguir correnteza à frente, never backward, always forward, em direção ao tempo que nunca foi, nem nunca será, pois para sempre é; presente divino para todo homem, mulher que ousar viver sem se lamentar, nem se arrepender.

Frank

Notas: Texto escrito logo após ter assistido o fantástico filme Piaf - Um Hino ao Amor, que narra a trajetória da cantora francesa Edith Piaf com a sua vida conturbada, recheada de perdas e de glórias. Um filme edificante e inspirador.
Non, Je Ne Regrette Rien é uma das mais belas canções que Piaf gravou em sua carreira.
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