quarta-feira, agosto 16, 2017

A DIFERENÇA QUE APROXIMA

Imagine aquele típico rosto nordestino, olhar cansado, pele enrugada na face, que conta mais experiências do que mil livros, chegando em casa com o alimento para a família, depois de um dia de trabalho ao sol de quarenta graus.



Enquanto a mulher prepara o jantar, ele toma um banho com a água do pote que a chuva ajudou a encher, troca de roupa e acende uma vela para a estátua de São Jorge, agradecendo por mais um dia de colheita.

Use mais uma vez a sua imaginação e troque a estátua do santo e ponha uma do Ganesha, o Deus hindu com cabeça de elefante no lugar. Troque o chapéu de palha do homem e ponha um turbante da cor que você imaginar. Troque a saia rendada e o pano na cabeça da mulher preparando a comida no forno de barro e ponha um sari colorido e pulseiras no braço. E você terá a visão típica de um indiano que vive no campo, além dos turistas, além dos gurus e loucos, além das confusões e das armas nucleares em conflitos que ele nem sabe por que razão se iniciaram.

Para ele, o que importa é o alimento da família, e todo o resto vira cenário, história em volta de fogueira que ilumina o campo onde a luz não chega.

Viajando pelo interior da Índia, cada vez mais percebo que somos realmente um só. Muda-se a fronteira, troca-se a língua, os costumes, e encontra-se o mesmo povo lutando pelas mesmas coisas que por lá tem um nome diferente.

O mesmo povo que sorri quando a chuva vem e chora quando ela se vai levando embora tudo o que eles tinham.

O mesmo povo de olhar expressivo e sorriso-pétala esperando um pingo de motivo para desabrochar numa linda risada.

O mesmo povo que com suas crenças, quer seja por santos, quer seja por deuses, vibra no peito uma paixão verdadeira pela própria existência.

Vim para a Índia encontrar o exotismo e diferença, e encontro tudo igual ao país em que nasci.

Não entendo a língua que eles falam, mas aprendi a ler olhares e traduzir sorrisos, por isso compreendo e os valorizo tanto quanto o povo da minha terra, ou o povo de outras terras, separados por fronteiras, mas unidos pelo mesmo coração que bate forte celebrando o sopro de vida que a cada dia habita em todos, quer seja no Brasil, quer seja na Índia.

SOMOS TODOS UM SÓ!

terça-feira, agosto 15, 2017

A ÁRVORE INABALADA

Uma árvore separa dois países.

Ela é apenas um ponto verde no mar dourado de areia que chamamos Saara, mas marca a fronteira entre o povo do leste e do oeste.

De um lado a conturbada Argélia, devastada por uma guerra civil e religiosa, onde mãos são cortadas para servir de mensagem ao governo, e do outro lado, a rica e fechada Líbia, onde o óleo enviado para o exterior fabrica marajás, que passam boa parte do seu tempo tentando encontrar um meio de gastar seus dólares.

A árvore ouve as notícias de guerra trazidas pelos ventos argelinos e as notícias de gastos inúteis dos ricos que os ventos da Líbia sussurram em suas folhas, mas ela continua inabalada.

Já testemunhou tanta coisa que entende que se preocupar, nada ajudará.

Ela já viu as tropas de Hitler sendo expulsas pelos aliados na Segunda Guerra Mundial, e agradeceu à Grande Força Divina por ter sido poupada e continuar apenas fazendo o seu trabalho por ali: mandar oxigênio ao mundo.

Às vezes as serpentes tentam envenená-la, tentando convencê-la que é apenas uma questão de tempo para que o deserto a cubra de areia ou sirva de fogueira para algum nômade em frias noites de inverno, e nunca ninguém notará que ela existiu. Ela escuta e permanece em silêncio, pois sabe que mesmo sendo a única árvore naquela terra ausente de verde, o seu trabalho faz toda a diferença.

Mesmo sozinha, ela continua fazendo a sua parte no auxílio à Mãe Terra em seu trabalho incansável de ainda ser palco de manifestação dos homens e animais. A sua sombra é apreciada e agradecida pelos viajantes que cruzam o deserto e param para tomar um chá e descansar da jornada.

Ela é sábia e paciente. Sabe que os ecos de guerra e o desperdício de riqueza passaram.

Suas ancestrais já lhe contaram sobre a queda de outros impérios e de tantas outras guerras travadas pelos homens em busca de riqueza e poder; esquecendo que a única coisa realmente valiosa no mundo é a própria vida, e o único poder que poderia conquistar todas as nações é o Amor.

Ela esta lá há quase um século e continuará por muito mais tempo representando a esperança de que um dia o homem transforme sua sede de morte em fome de viver.

Quem sabe nesse dia, os homens descubram que o mundo tem uma linguagem própria fácil de ser interpretada e consigam entender a mensagem que se esconde no fato de que o deserto já foi mar um dia.

Até lá, ela continua forte e convicta que está fazendo o melhor que pode, levando oxigênio tanto para quem a respeita quanto para quem tenta envenená-la, tanto para quem guerreia quanto para quem reza pela paz.

segunda-feira, agosto 07, 2017

Saúde Psíquica

Como anda a sua saúde psíquica? 


Não sabe o que é isso? Deixa eu explicar...

O que você pensa determina o que você sente. 

O que você sente determina o que você registra em sua memória.

O que você registra em sua memória determina os alicerces do que você manifesta em sua vida.

O que você manifesta em sua vida determina os alicerces da qualidade da sua vida. 

A qualidade da sua vida afeta a sua saúde física que afeta a sua saúde emocional que afeta a sua saúde mental/psíquica.

Logo, a saúde e a qualidade da sua vida depende do que você manifesta, sente, pensa... depende da sua saúde psíquica. 

A sua saúde psíquica é o grande gerente da sua vida. 

Se não está dando de conta, procura ajuda!!!

sexta-feira, agosto 04, 2017

Tempo de Areia



Houve um tempo em que nosso amor era água, com doces cantos de sereia; nossa relação, um barco que deslizava nas ondas; mas o tempo repleto de mágoas, transformou nosso amor que era mar em um deserto de areia. 

Sentindo a areia entre os meus dedos, às vezes, sinto falta da água corrente, desejo e devaneio, pois nosso barco que seguia fluindo, hoje está ancorado nessa duna de areia. 

Diante do deserto que já foi mar, me pergunto o que ainda faço aqui; não seria agora a hora perfeita pra sair daqui? Porém, o vento que fala que tudo muda, trouxe também o tempo, que veio me contar que depois de tanto intento em tentar transformar deserto de areia em água de mar, se eu prestar atenção, talvez eu veja, que nosso amor que agora é deserto de areia, tem outra cor, outro tom, e também se movimenta, pois ainda continuamos no nosso barco-relação, e esse barco se move pelas dunas de areia; empurrado pelo vento, transformado pelo tempo em outra coisa. 

Nosso barco continuar a navegar - hoje sei disso, pois ao passar tanto tempo querendo que nossa relação voltasse a ser mar, esqueci de observar que essa deserto de areia é uma outra fase de um amor que sempre se transforma e renasce; pois por não precisar ter formato, o nosso amor pode ser água, pode ser areia; e se eu não tentar controlar, nosso amor pode se transformar em qualquer outra coisa, quem sabe, pó de estrelas, que reflitam à noite nas areias do deserto, passando um filme sobre reencontros, pois não importa a forma, o cenário, as circunstâncias, o amor verdadeiro sempre encontra um meio de se manifestar além das aparências de deserto ou mar. 

quinta-feira, agosto 03, 2017

É Tudo Sobre a Gente



Por Frank Oliveira e MIchele Mocelin


É tudo sobre a gente. Se a gente se ofende e devolve na mesma moeda ainda assim é sobre a gente; se a gente é vítima e lamenta por uma vida toda, ainda é sobre a gente; se a gente sente raiva, odeia, continua ainda sendo sobre a gente. É tudo sobre a gente.

Tudo se passa em nós. Todos esses sentimentos mal resolvidos que deixam as nossas noites mal dormidas e o nossos ombros com um peso inexplicável; todas essas culpas que enrugam nossa pele com facilidade e muda o nosso olhar e começarmos a não ver graça em mais nada. Tudo se passa em nós.

Tá vendo como é tudo sobre a gente?

É muito difícil resolver uma dívida que alguém tem com a gente, se livrar de uma mágoa, se recuperar de um trauma, porém é necessário saber que tem uma vida que corre, e ela é sua, e vale muito mais do que qualquer coisa que te aconteceu. Trabalha o perdão, ignora, manda a casa do....., mas não vive com isso não, você é muito mais que isso,
porque tudo é sobre a gente!

É tudo sobre a gente. Tudo se passa em nós.

Sempre foi e sempre será sobre a gente; dai a importância de aqui e agora, não guardar todas essas mágoas. Avança!

Tudo se passa em nós e tem tanta vida te esperando além desse porto das coisas não resolvidas do jeito que você queria. Tira o barco dai! Navega!!!

Navega para além do mar de achar que tudo é culpa dos outros. Não é! Tudo é sobre a gente, sempre foi, sempre será, sempre é. Tudo se passa em nós, portanto, desata esses nós e vá viver a sua vida: viva!!!

Ficar preso no Porto da Mágoa é ser apenas uma âncora quando podemos ser mais que o barco, podemos ser o mar. Siga essa instrução - Se ama e se lembra: tudo é sobre a gente e tudo se passa em nós.




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