segunda-feira, março 31, 2014

Percepção


"If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite."
William Blake

Estou abrindo os olhos e os ouvidos para não vulgarizar os tesouros que são os meus estudos numa tentativa tola, um ato estúpido, de querer agora o que só pode vir ao eu maduro.

sexta-feira, março 28, 2014

Canção de Quem Não Voltará


Na minha terra tem palmeiras
Mas onde foi parar o Sabiá?
A laranjeira já não tem mais fruta
Alguém roubou o pomar

Tenho saudade do país do futuro
Que nunca chegou para me presentear
Nem em memórias da minha infância
Há coisa boa que valha a pena lembrar

Já fui exilado por conta própria
Pensei que os pássarinhos que voavam por lá
Eram diferentes dos que voam por cá

Talvez seja culpa de São Paulo
Que nunca chegou a me encantar
Afinal, não há mesmo diferença
Entre a manga de lá e o cranberry de cá

Mas não há árvore que resista
Ao preço do plantar
Nem pássarinho que escape
Das arapucas na mata

Voltar????
Lá???
Ah tá!!!!
Nem pensar!!!

Não vou voltar!!!

Não quero mais ouvir o Sabiá
Nem sentar sob a sombra da Palmeira
Nem da Laranjeira quero os gomos provar

Não vou voltar
Não fiz tantos planos
Para apenas voltar
Não vou me deixar enganar

Qualquer lugar é meu lar
Cante o Pássaro Preto ou o Sabiá
Qualquer lugar é minha casa
Pois para ouvir a canção, tanto faz estar lá como cá.

quinta-feira, março 27, 2014

ARRUMA A BAGUNÇA


Pára!
Arrume a mesa!
Dá conta da sua bagunça
Abandona
Tudo aquilo que
Te impede de
Usar efetivamente
As suas ferramentas de trabalho
Para de dar esmolas
A sua mediocridade
Para de sentir pena
De si mesmo
Quebra o espelho do coitado
E se arruma
Put yourself together, menino!

E vença!

quarta-feira, março 26, 2014

PÉTALA POR PÉTALA


Que essa flor que desabrocha em minhas mãos
Possa virar um símbolo
Preciso;
E
Que avance pelo meu consciente,
Subconsciente
Inconsciente;
Até chegar no meu superconsciente;
E fazer desabrochar em mim

A flor do discernimento.

terça-feira, março 25, 2014

Janusz Korczak: Como amar uma criança...

A vida de Janusz Korczak é tão tocante que, ao contá-la, é necessário evitar a ênfase patética que se impõe, a fim de permanecer-se fiel àquele sobre o qual falamos.

Ele era, na mais profunda acepção do termo, um homem simples, toda afetação lhe era estranha. É certo que ele não imaginava que seu nome seria célebre, e é por isto que cada vez que o glorificamos publicamente, inaugurando um monumento em sua homenagem, eu me pergunto qual seria o seu comentário se sua boca de pedra pudesse falar.

Sua história foi recontada inúmeras vezes e continuará sendo, porque ela mostra melhor, sem dúvida, não importando o caso particular, o horror inexprimível da última guerra e a exterminação dos judeus poloneses.

Em 5 de agosto de 1942, durante a liquidação do gueto de Varsóvia, os hitleristas ordenaram o agrupamento das crianças do orfanato de Korczak e o envio das mesmas ao campo de morte de Treblinka. O ‘Velho Doutor’ reuniu duzentos pupilos, os fez colocar-se sabiamente em fileiras e, à sua frente, partiu com eles para o ‘Umschlagplatz’, no cruzamento das ruas Stawki e Dzika, onde todos foram colocados em vagões de carga e enviados para os fornos crematórios.

Esta marcha nas ruas do gueto foi vista por algumas centenas de pessoas, e a silhueta pequena de Korczak dirigindo-se para seu calvário, inconsciente de seu heroísmo, fazendo aquilo que lhe parecia evidente, excitava as imaginações. A novidade espalhou-se imediatamente, repetida de boca em boca com a força de detalhes inventados: que Korczak carregava nos braços os dois menores, coisa pouco provável, porque ele mesmo estava doente e tinha dificuldades em andar; que o ‘Jundenrat’ tinha intervindo no derradeiro momento e tinha despachado em seguida um mensageiro atrás da fila, portador de um salvo conduto somente para Korczak, que foi por ele rejeitado com desprezo; que para apaziguar as crianças ele tinha lhes dito que iam em excursão e que eles, confiantes, o seguiam sem choro e sem protesto. Mas nenhum embelezamento é necessário diante dessa verdade nua e crua; não é preciso ajuntar qualquer coisa para torná-la mais eloqüente. A antítese do espírito e das dificuldades é clara e definitiva: um homem sábio por excelência, desinteressado e bom, opondo-se aos covardes, bárbaros obtusos, que se mostravam sob seu aspecto mais satânico.

Entre os milhões de mortes anônimas, a de Korczak tem um grande significado. Nos campos e guetos, ele se tornou para muitos, uma inspiração, pois aí o que mais ajudava a sobreviver era a convicção obstinada e indestrutível que a dignidade humana poderia vencer , embora tudo parecesse provar o contrário.

A imprensa clandestina dos campos mostra bem o quanto esta derradeira caminhada sublime do Velho Doutor foi um reconforto e uma dose de ânimo para seus contemporâneos. A partir daí sua glória tem crescido e o mundo fez de Korczak um símbolo moral.

É preciso que nossa atenção à sua morte não obscureça o caráter de sua vida. Henryk Goldszmit (este era o seu verdadeiro nome – Janusz Korczak foi um pseudônimo tirado de um romance pouco conhecido de Kra Szewski) nasceu em Varsóvia há pouco mais de cem anos numa família abastada. O fato de seu pai ter sido um advogado conhecido e seu avô um médico mostra até que ponto o seu meio foi assimilado. Ele cresceu na solidão, preservado das influências do exterior, sem se dar conta de que era judeu e sem saber o que isso significava. Antes de terminar a escola ele perdeu o seu pai, atingido por uma doença mental. A miséria sucedeu a abundância. O jovem Henryk tomou sobre si, da maneira como pode, o encargo de sua mãe e irmã, e nos anos seguintes, freqüentemente passando fome, estudou medicina com enormes dificuldades. Quando, por fim, obteve seu diploma, as coisas começaram a melhorar, contribuindo também para isso sua reputação de escritor que se afirmava. Mas isto não durou muito tempo. Repentinamente um tipo de necessidade interior mudou completamente seu destino.

Com trinta e quatro anos ele abandonou o exercício da medicina para se ocupar de um orfanato, que do início ao seu fim, permaneceu associado ao seu nome. A idéia fixa de consagrar sua vida às crianças parecia possuí-lo. Ele não era um idealista ingênuo; o que o caracterizava era uma compreensão extraordinária da criança e a convicção da necessidade de lutar pelos seus direitos no mundo governado pelos adultos. Ele não tinha confiança no mundo governado pelos adultos, mas como cada verdadeiro reformador ele julgava que mesmo uma só pequena vela acesa valia mais que lamentar-se de escuridão. Sua intuição não excluía sua sensibilidade e ela está edificada sobre uma observação constante, clínica, poder-se-ia dizer, sobre um estudo minucioso dos fatos. Totalmente absorvido por sua única idéia, não havia lugar nele para tudo que os outros davam tanta importância – dinheiro, a celebridade, um lar, uma família.

Seu orfanato, construído e mantido exclusivamente graças às doações de pessoas caridosas, era destinado às crianças dos bairros pobres de Varsóvia. A obtenção de fundos para fins de caridade tinha então, como hoje, seu aspecto desagradável, que freqüentemente irrita aqueles que dela dependem. Korczak balançava a cabeça em desaprovação perante o preço do material gasto para encerar o assoalho antes de um baile de benemerência e ele se lamentava do tempo que perdia com quem vinha visitar o orfanato. Mas a força de sua personalidade fazia que os doadores considerassem uma honra o financiamento de seu trabalho.

No domínio da educação e da psicologia da criança, ele era um pensador pragmático original e, ao mesmo tempo, um pioneiro de princípios que serviam de modelos para outros. Ele se esforçava constantemente de refazer seu sistema baseado sobre a compreensão das necessidades mais profundas da criança. Sua influência se exercia tanto por sua presença direta quanto pelo que escrevia no jornal do orfanato preparado pelas crianças e destinados à elas mesmas; a leitura em comum dessa publicação era um acontecimento semanal dos mais importantes. Conta-se que ao longo de 30 anos de seu trabalho intenso, ele jamais deixou de fornecer um artigo por semana à redação. As regras do orfanato eram seguidas por um código, cujo parágrafo 1000 previa como a pena mais alta, a expulsão pura e simples. Cada criança que tinha reclamação contra outra tinha o direito de a fazer comparecer perante um tribunal composto por seus colegas. Korczak mesmo, se tivesse sido convocado, teria de se apresentar perante este tribunal e de se submeter a sua sentença.

À noite, após uma ronda em todos dormitórios, o Velho Doutor retornava ao seu quarto no sótão, a única ‘casa’ que ele teve durante toda a sua vida adulta, e lá, até tarde da noite, ele colocava ordem em suas notas e escrevia.

Ele era um escritor fecundo tanto no seu domínio profissional quanto, e antes de tudo, na sua criação para as crianças e sobre as crianças. Seus livros ilusoriamente simples nas suas formas e conteúdos, impregnados na mesma proporção de melancolia e humor, refletindo seus anseios interiores, muitas vezes satiricamente áspero em relação a sociedade, sempre cheios de emoção e compreensão, deixavam traços duráveis na memória de seus leitores jovens e velhos, destinando-se a ficar gravados na história da literatura desse gênero.

Lá pelos meados dos anos trinta Korczak envolveu-se em dois empreendimentos na Palestina. O que ele aí viu o comoveu e o refrescou espiritualmente. Sob o encorajamento de numerosos amigos e antigos discípulos ele começa então a pensar seriamente em fixar-se lá para sempre. Mas havia obstáculos. O que o atormentava sobretudo, era o medo de não encontrar um sucessor adequado para continuar seu trabalho em Varsóvia. Ou seja, o pensamento de se afastar de sua terra natal lhe era insuportável. Nas cartas que ele escrevia aos seus amigos para explicar as causas de suas hesitações ele invocava o ‘seu Vístula’ e ‘sua Varsóvia bem-amada’, das quais ele jamais se consolaria se tivesse que deixar. Além do mais, ele estava sem dinheiro e hesitava em se colocar dependente de qualquer um.

Quando os hitleristas fecharam os judeus de Varsóvia dentro do gueto, o orfanato perdeu sua casa à Rua Kruchmalna, do lado ‘ariano’, e transportou-se para locais provisórios, no interior dos muros do gueto. Naquele momento Korczak já percebia melhor que a maioria das pessoas que a máquina impiedosa os mataria a todos. Mas ele pensava em não renunciar ao seu direito de aliviar os sofrimentos. Alquebrado e doente, cada dia ele reunia as forças que lhe restavam e partia à procura de viveres e de medicamentos para as crianças. Às vezes ele não trazia nada de suas buscas obstinadas, outras vezes ele voltava somente com uma ínfima parte do necessário. Ele não temia solicitar com impertinência, de mendigar, de envergonhar as pessoas que se esquivavam de sua nobre ação. Nos dias em que ele nada encontrava ele não hesitava em dirigir-se mesmo aos piores especuladores e opressores judeus. Apesar de fome incessante cada vez mais insuportável e às doenças sempre mais freqüentes, ele cuidava para que seu orfanato funcionasse normalmente, a fim de que seus alunos pudessem sentir-se bem. Freqüentemente ele trazia dos locais mais distantes uma nova criança encontrada na rua, no fim de suas forças, para quem a bondade do Velho Doutor significava a salvação durante algum tempo ainda.

Nestas condições rigorosas levadas ao extremo e que em tempo normal é difícil de se imaginar, nós temos em Korczak, no seu trabalho cotidiano, um exemplo do que pode fazer um genuíno homem guiado pelo amor.

Sua vida é um modelo e somos tentados a ver nele, nesta silhueta franzina revestida de avental de inspetor que ele usava habitualmente, um exemplo típico de toda uma geração, uma encarnação da ‘idade da criança’. Sua grandeza, que consistia nem mais nem menos em fazer seu dever, podia ser aquela de qualquer um, e mesmo sua morte trágica foi uma coisa comum, lá onde o martírio estava na ordem do dia.

Durante o ‘Ano Korczak’, instituído pela UNESCO para celebrar o centenário de seu nascimento, os escritores, os sábios, as pessoas de boa vontade em todas as partes do mundo, procuraram enriquecer-se com o conhecimento desse homem e de suas idéias, de sua vida e de sua morte, através de livros, de artigos e simpósios.

É de se supor que graças a isto, numerosos são aqueles que tomaram conhecimento do seu nome e do que ele significa. Sem dúvida é na Polônia e em Israel que ele é mais conhecido. Mas, nesse mundo barulhento e apressado de hoje em dia, a lembrança empalidece rapidamente. A despeito de todos os esforços ela desaparece progressivamente, sob uma massa de outros negócios. Aqueles que amam Korczak e que crêem na força de seu exemplo sentiam que era necessário encontrar um modo mais concreto de imortalizar sua figura e suas idéias. Assim souberam com alegria que uma obra grandiosa seria realizada na Polônia com a aprovação e a sustentação financeira do governo: um Instituto Científico de Proteção e Educação Janusz Korczak.

Foi-lhe destinado um espaço deslumbrante de uma centena de hectares lá onde Vístula – o Vístula bem-amado de Korczak – contorna a localidade de Lomianski. O projeto já está pronto.


É um empreendimento magnífico que levará seu nome. Não uma estátua de bronze ou de mármore, mas um centro cheio de vida, para onde virão crianças de perto e de longe, onde elas crescerão, se instruirão, se divertirão juntas, próximas à natureza, numa atmosfera de compreensão e boa vontade para com todos. Os educadores e os professores aí se reunirão para aprender observar, para participar das experiências de trabalho com as crianças e os adolescentes, para aproximar-se da realização dos sonhos de Korczak, mesmo que isso seja um passo apenas para um mundo no qual as crianças possam viver felizes.

segunda-feira, março 24, 2014

Fios da Escuridão


Num sei quasi nada, só um bucadin, mi si fio. As estrela mi levaram para corrê o mundo intero e acabei voltando pra cá pra aprende a ouvi muito e falá poco, assim sendo, consigo ouvi meus cabocos e eles conta uma istória di um povo que ganho vida pelas mãos du Criadô e essa vida era consciência para aprende a lidá cum o mundo da dualidade e sê luz aqui donde nada é nem claro nem escuro.

Dai entendi, mi si fia, que eu pirdi um tempão, correndo só atrás da luz, do distino; sem compreende a origem, o começo, quando nós num era luz não, nós era tudio feito de massa escura sem movimento até qui o Criadô nos animou ( num sabe? A tal da alma/anima) e essas istórias foram esquecidas por causa diquê o povo esquiceu e o povo esquiceu porquê parô di contá...

Dai, mi si fio, sabe que tem gente que podi aprende isso e outros que num aguentam essa verdade e precisam acreditá em avatá, num é? E dispos passa a acreditá que eles mermo são avatá, até a hora que cai a ficha e eles percebe - sem ficá doidio, esse preto espera - que o trabaio é aceitá tanto a luz quanto as sombra e fazê um trabaio aqui na carni bem feito.

Qui trabaio é esse? Vixe, aí é cum cada um, né, mi si fia?


Pai Franki da Estrada

sexta-feira, março 21, 2014

RENASCER EM VOCÊ


Morre!
Morra até a última gota.
Morre!
Mais morra bastante;
Morra tanto
Que não sobre nada;

Morre!
Morreu?
Morreu mesmo?
Morreu tudo o que tinha para ser morto?

Pronto!
Agora que você morreu tudo;
O nada lhe trará um presente,
Aquilo que sempre foi evidente
Mas só com a mente calada
É que conseguimos notar;

Só com a morte do ego
É que conseguimos perceber
O astral se revelando
O beija-flor tocando
Cada um dos seus chacras
Pétala por pétala;
E te revelar
O que há
Além de você
E esse presente
Se chama:
Renascer!

quinta-feira, março 20, 2014

COMO LIDAR COM A DÚVIDA

Pergunto ao amigo poeta:

- Como você lida com a dúvida em sua caminhada espiritual?

Ele responde:

- Lido com a dúvida como lido com tudo na vida: equilíbrio. A dúvida sempre vai estar lá. Você nunca vai escapar dela, por mais certeza que tenha das coisas, aliás, a dúvida é a sua única certeza das coisas. Na dúvida...rsss...sigo o principio coletivo desse mundo. Explico:

1. Se a minha loucura é compartilhada com outras pessoas, já sei que não vou ser colocado no hospício.
2. Faz bem para mim?
3. Para não correr o risco de a minha loucura virar uma insanidade coletiva como foi o nazismo, sempre me pergunto: está fazendo o bem de outra pessoa, ou, ao menos não está prejudicando os outros?
4. Está contribuindo para melhorar a minha vida nesse mundo e com as pessoas que amo?


Se houver quatro respostas afirmativas, já sei que não estou tão perdido assim. Agora, se o que eu estou  fazendo atentar contra mim ou contra o meu próximo, não tenho dúvidas: seja o caminho que for, jogo fora!

quarta-feira, março 12, 2014

CRIANÇAS DA TRANSFERÊNCIA


Ontem, mamãe me contou que sou adotado. Não entendi muito bem tudo o que ela falou, mas compreendi que tenho duas mães, uma que não quis ficar comigo e a outra que quis.

Não amo a minha mãe que não quis ficar comigo porque não a conheço, mas minha outra mãe disse que eu deveria gostar dela, pois ela me deu por amor.

Minha mãe que me cria disse que a mãe que me deu foi a mãe que me carregou na barriga por nove meses e só me deu porque ela era bem pobrezinha e não tinha comida nem pra ela nem pra mim, por isso, ela pensou que seria melhor para mim, ir morar numa casa onde eu recebesse comida todos os dias, roupa limpa e muito amor.

- Ela não podia me dar amor? – perguntei a mãe que me criou; ela sorriu, como faz quando eu faço alguma pergunta que ela acha que é de criança, mas ela me respondeu que a mãe que me deu também me amou e por me amar, decidiu me transferir para outra família; pois temia pela minha vida e mesmo sofrendo muita dor por dar o seu filho para outra mãe, ela fez isso; e hoje eu sou filho da mãe que me criou.

Confesso que às vezes quando penso nisso, fico bem confuso, ainda mais porque eu não posso reclamar, eu tenho duas mães, e tem um monte de criança por aí, que não tem mãe alguma; como aquele menino na rua com a mão estendida; se ele tivesse mãe, a mãe dele não deixaria ele ficar na chuva pedindo comida. Acho que a mãe que me deu não queria que eu virasse esse menino; e pensando nisso, começo a gostar muito mais dela.

Perguntei para a mãe que me cria porque ela me quis e ela respondeu que a natureza não lhe deu condições de carregar uma criança por nove meses na barriga; mas o papai do céu é tão bom, que inventou as crianças de transferência: crianças especiais que nascem na barriga de outras mães que não pediram para ter filhos só para serem entregues para as mães que vão criar esses filhos como se fossem os filhos que elas haviam pedido.

Acho que é algo assim, só sei que sou uma criança diferente das outras, pois tenho duas mães. Na verdade, acho que eu tenho uma terceira mãe, mais essa não conta, pois ela é mãe de todo mundo.


******

Notas do autor: cerca de 1000 crianças são adotadas por ano no Brasil, quase metade por pais estrangeiros, vindos de uma cultura onde a adoção está livre dos preconceitos que ainda vigoram no Brasil. Esse número poderia ser maior no Brasil, se a adoção ainda não fosse cercada por mitos e todo tipo de preconceito. Para começar, a mãe que entrega o seu filho para adoção não é uma vilã. Na maioria das vezes, realmente o principal vilão é a falta de recursos para sustentar essas crianças, outras vezes, é a própria condição psicológica dessa mulher.
- See more at: http://cronicasdofrank.blogspot.com.br/2013/10/criancas-da-transferencia.html#sthash.F1CGp60b.dpuf

segunda-feira, março 10, 2014

SILENCIE A VOZ QUE TENTA DERRUBAR VOCÊ


Há muitas razões para você ter medo de tentar, muitas razões para falhar, muitas razões para desistir, muitas razões para voltar à sua concha e esperar a vida se esgotar. Aos poucos. Jogando fora um dia de cada vez.

Sim. Há muitas razões para acreditar naquela voz dentro da sua cabeça que tenta anular você, corromper seu potencial e convencê-lo de que é um desperdício tentar dar o próximo passo. Essa voz diz: ‘Para que escrever a própria história? Assista tevê, e viva a história de outros, coma mais e não se exercite, para destruir sua principal máquina de mudar seu mundo; esqueça o amor, anule-se’. Essas são as mensagens que tentam derrubar você.

Há muitas razões para desistir. Todas, absolutamente todas, falsas. Os limites estão em você, não em regras criadas por outros. Nossa sociedade é dominada pela absurda ‘lei das médias’. Se a maioria não consegue, tentam fazer com que você acredite que jamais conseguirá. Aleijadinho não acreditava na voz interior que dizia, com toda a lógica do mundo, que ‘Aleijados não podem ser escultores’. Era lógico, mas era falso. Santos Dumont não acreditou nos compatriotas que insistiam em dizer ‘Que o homem não poderia voar com um veículo mais pesado que o ar’. Era lógico, mas era falso. Há muitas coisas nas quais você acredita, com lógica, mas que são absolutamente falsas.

É fácil inventar uma razão, um motivo aparentemente lógico, para qualquer coisa. Mas sua vida pode ser muito mais do que um amontoado de desculpas lógicas. Sua vida é muito mais do que qualquer razão para desistir de um sonho. Sua vida é muito mais do que seu passado ruim, suas experiências de dor e seus medos ancestrais. Sua vida é tudo o que ainda virá. Não importam os limites do seu passado, eles não existem mais. Seu futuro pode ser tudo o que você desejar. Escolha os companheiros de viagem... e vá.

Por isso, toda vez que escutar uma voz dentro de você dizendo ‘Você não é um pintor, então pinte sem parar, de todos os modos possíveis, e aquela voz será silenciada’, como afirmou Van Gogh, um dos maiores pintores da história. Substitua a palavra ‘pintor’ por engenheiro, jornalista, arquiteto, policial, mãe, professor, motorista, cantor, ator, escritor... ou o que você desejar.  E acredite nisto: sua mente e seu corpo são obrigados a seguirem as suas decisões, suas ações e suas crenças.

Silencie a voz que tenta derrubar você!

(autor desconhecido)

sábado, março 08, 2014

As mulheres são fantásticas - Carlos Drummond de Andrade


"É próprio da mulher o sorriso que nada promete e permite tudo imaginar." (Carlos Drummond de Andrade)

A mãe e o pai estavam assistindo televisão quando a mãe disse:

- Estou cansada e já é tarde,vou me deitar !!!

Foi à cozinha fazer os sanduíches para o lanche do dia seguinte na escola, passou água nas vasilhas das pipocas, tirou a carne do freezer para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas de cereais estavam vazias, encheu o açucareiro, pôs tigelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira do café para estar pronta para ligar no dia seguinte.

Pôs ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro, pregou um botão que estava caindo. Guardou umas peças de jogos que ficaram em cima da mesa, e pôs o telefone no lugar. Regou as plantas, despejou o lixo, e pendurou uma toalha para secar. Bocejou, espreguiçou-se e foi para o quarto. Parou ainda no escritório e escreveu uma nota para a professora do filho, pôs num envelope junto com o dinheiro para pagamento de uma visita de estudo e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira. Assinou um cartão de aniversário para uma amiga, selou o envelope, e fez uma pequena lista para o supermercado, colocou ambos perto da carteira.

Nessa altura, o pai disse lá da sala:

- Pensei que você tinha ido se deitar.

- Estou a caminho - respondeu ela. Pôs água na tigela do cão e chamou o gato para dentro de casa. Certificou-se de que as portas estavam fechadas. Passou pelo quarto de cada filho, apagou a luz do corredor, pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto de roupa suja e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava estudando no quarto. Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois lavou o rosto, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha quebrada. A essa altura o pai desligou a televisão e disse:

-Vou me deitar.

E foi. Sem mais nada.

E foi. Sem mais nada.
(Carlos Drummond de Andrade)


fonte do texto:

sexta-feira, março 07, 2014

A Balada de Radha


Bati na porta ao chegar em casa
Quem a abriu? Era Auri ou Radha?
Sândalo, melodia e som de flauta
E ela dizendo: “Bem vindo, Gopala!”

Deixei de ser adulto cansado
Tornei-me um menino azul
Na mesa um belo prato preparado
Era oferenda para mim ou Vishnu?

Auri caminhava, Radha sorria
O amor em pura devoção
Estávamos no Brasil ou na Índia?
Ou era outro lugar? Sei dizer não!

Mas nesse lugar se sente
Que o amor reflete o infinito
Bebe-se o agora e o sempre
Não há lugar mais bonito

E foi assim numa noite qualquer
Que Radha transformou-me em Krishna
Pois há entre todo o homem e mulher
Um quê de Gopi, um quê de Govinda

quinta-feira, março 06, 2014

Deuses Brasileiros


Sabemos tanto dos outros deuses (gregos, egípcios e romanos) que tenho até vergonha de dizer que muitos de nós ainda desconhecem alguns desses deuses da nossa cultura.

Tupã é o autor do trovão e dos relâmpagos, sendo o criador do raio, tal onipresença celeste confere a este um poder significativo na mitologia Tupinambá.

JACI, a formosa deusa Jaci, a Lua, a Rainha da Noite que traz suavidade e encanto para a vida dos homens.

No início de todas as coisas, Tupã criou o infinito cheio de beleza e perfeição. Povoou de seres luminosos o vasto céu e as alturas celestes, onde está seu reino. Criou então, a formosa deusa Jaci, a Lua, para ser a Rainha da Noite e trazer suavidade e encanto para a vida dos homens. Mais tarde, ele mesmo sucumbe ao seu feitiço e a toma como esposa. Jaci era irmã de Iara, a deusa dos lagos serenos.

Guaraci ou Quaraci na mitologia tupi-guarani é a representação ou deidade do Sol, às vezes compreendido como aquele que dá a vida e criador de todos os seres vivos, tal qual o sol é importante nos processos biológicos. Também conhecido como Coaraci. É identificado com o deus hindu Brahma e com o egípcio Osíris.

Yorixiriamori - Esse deus deixava as mulheres encantadas com seu canto,o que despertou a inveja nos homens,que tentaram matá-lo. O deus fugiu sob a forma de um pássaro. É um personagem do mito “A Árvore Cantante”, dos Ianomâmis. Essa árvore desapareceu depois da fuga da divindade.

Anhangá - Deus do inferno e inimigo de Tupã.Pode se transformar em vários animais, e quando aparece para alguém, é sinal de má-sorte.

Ceuci - Deusa protetora das lavouras e das moradias, seu filho Jurupari, mesmo nome de um peixe brasileiro, nasceu do fruto da Cucura-purumã, árvore que simboliza o bem e o mal na mitologia Tupi-guarani.

Akuanduba - Divindade dos índios araras, tocava a sua flauta para por ordem no mundo.

Wanadi - Deus dos iecuanas,ele criou três seres para gerarem o mundo. Os dois primeiros cometeram um erro, e criaram uma criatura defeituosa,que representa os males do mundo. O terceiro concluiu o ato da criação.

Yebá Bëló - Conhecida também como “A mulher que apareceu do nada”, é uma divindade do mito de criação dos índios dessanas.Segundo eles,os seres humanos surgiram das folhas de coca(ipadu), que ela mascava.

Via @Pedro Paulo Fonseca

quarta-feira, março 05, 2014

Percepção



"If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite."
William Blake

Estou abrindo os olhos e os ouvidos para não vulgarizar os tesouros que são os meus estudos numa tentativa tola, um ato estúpido, de querer agora o que só pode vir ao eu maduro.
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