sexta-feira, abril 29, 2011

SEM RIMAS



As rosas são vermelhas,
O céu azul;
Alguns poemas rimam,
Esse não!

quinta-feira, abril 28, 2011

Oportunidade




Quando a gente se coloca a disposição,
A intuição
E a intenção de fazer algo com ela,
Se manifesta;
Daí você desperta
E percebe que perdeu muito tempo,
Sem fazer direito aquilo
Que você sempre soube fazer...

quarta-feira, abril 27, 2011

CONTÁGIO


Se há um contágio do que não presta; se padrões destrutivos são reproduzidos por toda a Terra, nas ondas da internet ou nas conversas; gostaria de propor um outro tipo de contágio... quero que você pegue alegria! Atchim, espirre assim!!!

Sim, quero que você se contagie de alegria; e que essa alegria, ao invés de te fazer adoecer ou querer o que é do outro, ela possa ter efeito inverso, e te faça se sentir um biscoito premiado dentro da caixa de surpresas do universo, pois você o é!

Entre todas as maravilhas que Deus podia ter criado, entre a girafa e o planeta XRT44, o Criador decidiu, em algum momento, te fazer você para estar aqui ao nosso lado. Ou você acha que você simplesmente surgiu assim, todo inteiro e perfeitinho do nada?

Mais que nada, sai dessa tristeza que vou te contar, que se em algum momento, você foi contagiado com a fé que não há ALGO MAIOR que eu e você, saiba que você estava rendondamente errado. Tenha certeza de que há ALGO MAIOR que a gente, e o que há de MAIOR é a alegria usada para fazer você do jeitinho que você foi feito, e se você procurar, buscar aí dentro de você, ainda conseguirá encontrar essa alegria usada, no tempo quando você foi feito; e se der uma mexidinha nela, vai perceber que ela vai virar um pózinho mágico que vai voar e te fazer espi...espi...espi...espirraAAAAr:

SORRISO!!!!!!

terça-feira, abril 26, 2011

PRESENTE


Na primeira vez que visitei São Tomé das Letras, conheci pessoas incríveis e outros tantos que até hoje, minha mente quer que eu os esqueça; porém, apesar das estranhezas e encontros surreais, fiz amizade com essa moça carioca, de nome Ana, que no final das nossas caminhadas e conversas, agradeceu-me pela companhia e disse querer me dar um presente, o qual, eu jamais esqueceria. Apesar de naquele momento, pensamentos primitivos terem passado pela minha cabeça ( Ana era bonita, eu solteiro, São Tomé nos envolvia etc); ela deu-me algo que jamais vou esquecer:

- Há presentes que duram para sempre, por essa razão, eles são chamados presentes - disse ela - Esses presentes não são coisas materiais ou algo que possa ser comprado num shopping ou mercado. São coisas que entram em nossas vidas e as modificam para melhor. Eu quero te dar um autor: Richard Bach!

- Richard o quê? - respondi com outra pergunta, sem saber o que ela estava tentando dizer.

- Bach, se pronuncia "Bá", como se fala lá nas terras gaúchas. O nome do livro é "Fernão Capelo Gaivota" - disse ela com um sorriso - Quando você voltar para São Paulo, procure o autor ou o livro e você terá o seu presente.

Muitas crônicas poderiam ser escritas como me frustei com o que ela me "deu" ou como, tempos depois, finalmente compreendi o "presente" e como a obra do Mr. Bach me influenciou para que eu estivesse, hoje aqui, escrevendo os meus devaneios para vocês, caros leitores; contudo, essa crônica é sobre presentes que são dados, que fogem completamente daquilo que é esperado em um aniversário ou em algum momento especial da sua vida.

Esses presentes, a qual me refiro e que Ana me ensinou naquele dia, é algo que carregamos para sempre, e se torna todo dia PRESENTE em nosso mundo e carregamos conosco onde quer que formos.

Pode ser a indicação de um livro ou de um autor; pode ser uma canção ou a recomendação de um músico; pode ser algo que ganhamos que foi feito á mãos ou que foi comprado, com cuidado e carinho, pois esse algo representa o que somos em essência para essa pessoa; ou pode ser apenas a sua presença em um momento especial para mim, para outro, para um pessoa com quem você tem uma relação especial e que se satisfaz completamente, em apenas estar diante de você, compartilhando contigo, algum momento, alguma data, uma festa, uma café ou um cinema, um instante que vale a pena ter você PRESENTE.

Compreendeu agora o PRESENTE da Ana?

segunda-feira, abril 25, 2011

Sobre Nomes e Joaninhas

Queríamos chamá-la de Vitória; outro nome se apresentou: Jurema!

Tentamos montar o seu quarto com imagens de indiazinhas, floresta e árvores; outro símbolo se apresentou: o quarto do bebê encheu-se de joaninhas!

Nossa filha ainda nem nasceu e já mostra a sua personalidade, os seus gostos e que, não importa o quanto tentarmos, não conseguiremos que ela seja uma miniatura das nossas expectativas ou dos nossos anseios: filhos são universos em si mesmos!

Porém, minha esposa duvidou, eu tive minhas perguntas; e decidimos colocar à prova nossa teoria que o mundo a nossa volta mostra o tempo todo sinais da "Terra que É além do tempo"; lugar esse, onde nossa filha ainda está, de certa forma, emergida. Fomos para a natureza, para o interior, e se tudo realmente fosse como imaginávamos, a nossa Jureminha mandaria suas joaninhas.

Encontramos uma cachoeira, mata verde e esperamos o dia todo e nada. Voltamos para casa. Eu com as minhas teorias que o mundo é sempre uma representação das coisas que queremos ver como símbolos; Auri em seu silêncio não dizia nada.

A noite chegou, o sono pesou e antes que fossemos para o quarto dormir, Auri começou a gritar: FRANK! FRANK!

Saí correndo de onde eu estava, imagens de contrações e bebês nascendo inundaram a minha mente, mas ao invés de encontrar minha esposa gemendo ou algo parecido, encontrei-a rindo:

- Fran, olha! - dizia ela, apontando o dedo para o sofá, onde vi uma joaninha, vestida de vermelho e preto; escalando as almofadas.

Não precisávamos dizer mais nada. Jureminha dizia por si só...

domingo, abril 24, 2011

Sai Baba: O Mestre da Cadeira Vazia

Morre Sai Baba, o santo hindu, o mestre polêmico das massas, ou seja qual for a definição, Sai Baba foi ( e é), sem dúvida, um homem especial que deixou um trabalho maravilhoso de caridade.

Muito pode ser dito sobre Sai Baba. Uma rápida pesquisa no google e qualquer leitor poderá ter acesso a tudo o que foi escrito positivamente ou negativamente sobre ele.

Conheci, em minhas caminhadas pelo mundo, muitos devotos desse santo hindú, e outros tantos buscadores, que como eu, eram estudantes da espiritualidade em geral e que acabaram encotrando em seus estudos, esse guru indiano, um dos mais famosos e influentes líderes religiosos do país. Considerado por seus fiéis a verdadeira encarnação de Deus, os ensinamentos de Baba, arrebanharam milhões de seguidores em todo o mundo, incluindo importantes líderes políticos, magnatas, artistas e esportistas.

Entre os espiritualistas, havia uma crença que se sonhassemos com o Sai Baba, esse sonho poderia ser considerado um chamado, para que fossemos até a Índia, para ser o seu devoto.

Acabei indo a Índia, mesmo sem nunca ter sonhado com o homem, porém, enquanto viajava por lá, sonhei com ele, ou mais ou menos...


*****


O Mestre da Cadeira Vazia

Certa vez pedi um mestre
Que me ensinasse as coisas da vida,
E através de um sonho, alguém quis que eu soubesse,
Que o meu grande mestre estava sentado atrás de uma
cortina.

Curioso me aproximei
Com todas as perguntas que eu tinha,
E surpreso o que encontrei,
Foi apenas uma cadeira vazia.

Quando acordei tentei entender
O que a cadeira vazia significava;
E por mais que pensasse, continuei sem saber,
Onde é que o meu mestre estava.

Então na noite seguinte sonhei novamente
Com a mesma cadeira vazia;
Mais dessa vez havia comigo mais gente,
Ao redor da cadeira do mestre que ninguém via.

E uma onda de lucidez e amor foi tocando a gente
Enquanto uma voz ia sendo ouvida;
Explicando para todos que por mais que se tente
O único mestre que vamos encontrar é a própria vida.

Por isso a cadeira estava vazia,
E embora os mais sábios e tolos tentem ocupá-la;
Cedo ou tarde, estará bem a vista,
Que seguir outros passos não encurtará a nossa jornada.


28 de Agosto de 2003
Calcutá, Índia
Frank


*********
Quando acordei do sonho, escrevi esses versos acima, mas o interessante disso tudo, é que minha esposa, que viajava comigo, também teve o mesmo sonho.

Compreendi que a mensagem fora dada pelo próprio Sai Baba, sem mostrar o seu rosto. Porém, senti por todo o tempo e até quando acordei, uma intuição que acabara de ter uma experiência com ele, e que nem todo mundo precisava ser devoto dele, para receber os seus ensinamentos.

Durante aquela viagem, minha esposa e eu, decidimos que não precisávamos ir até Puttaparthi, onde ficava o seu templo, uma vez, que já havíamos recebido a sua graça.

Seguimos a nossa viagem e Sai Baba sempre continuou a ser, um símbolo muito importante da nossa espiritualidade.

E fica aqui, essa crônica e homenagem, a esse homem e a seus ensinamentos, que vão continuar a ser propagados por toda a humanidade.


((()))

Para saber mais sobre a morte/passagem do Sai Baba, leia abaixo:
http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/04/24/morre-aos-84-anos-o-guru-indiano-sathya-sai-baba.jhtm

sexta-feira, abril 22, 2011

JESUS, A AURORA DE UMA NOVA ESPERANÇA

Uma aurora dessas dois mil anos atrás...

No silêncio do deserto, ele viu os primeiros raios de sol. A aurora o saudava com as mais belas cores que uma manhã poderia oferecer.


Ele sorriu e mesmo tendo estado em profunda concentração por toda a madrugada, não parecia cansado, aparentava apenas preocupação.

Havia um trabalho a ser feito. O momento chegara.

A beleza do amanhecer fora pouco a pouco substituída por uma grande nuvem cinzenta que cobrira rapidamente todo o céu. O ar começava a ficar cada vez mais denso. Ele podia sentir todo o ódio emanado pelo mundo.

Como veneno, se ele não trabalhasse rápido, a humanidade sentiria os efeitos nefastos de seus próprios atos, o que seria fatal para muitos.

Com toda a energia que o seu corpo físico poderia trabalhar, ele respirou profundamente e ergueu as mãos para o céu em direção as nuvens e com movimentos circulares começou a absorver a energia maligna.

Absorveu cada pensamento de ódio, morte, terror, dor e qualquer outro que era emanado naquele momento em todas as partes do mundo e juntava-se àquela gigantesca egrégora.*

Então, o Rabi começou a suar sangue e chorou pela humanidade. E tal qual uma árvore que absorve o gás carbônico e produz oxigênio para o homem na presença da luz, ele começou a transformar cada energia absorvida e de seu peito uma luz esmeralda foi emanada, tão intensa e tão brilhante que poderia cegar qualquer pessoa que estivesse ali por perto.

Essa luz cruzou o planeta com uma velocidade impressionante, tocando cada ser vivo que estava ali encarnado.

Por alguns segundos, não houve mais dor ou medo na terra. E todos os seres humanos sentiram uma estranha sensação, porém familiar, de que todos faziam parte de um único Ser e a ilusão de separação dissolveu-se por alguns momentos, pois só o que havia no coração de cada um era o Amor.

Exausto, porém sorridente, o Rabi sentou-se e descansou.

Um pássaro pousou suavemente em seu ombro para em seguida partir; tão rápido quanto a paz e o amor que os seres humanos sentiam naquele momento.

Ele sabia que a sensação de Unicidade seria esquecida tal qual um sonho bom que se lembra ao acordar, mas que se esquece rapidamente ao longo do dia.

Não importava, pois o trabalho fora concluído. Não poderia ser feito de seu verdadeiro lar, era preciso um corpo físico para lidar com energias tão densas e transformá-las em Amor.

Parte da sua grande missão estava concluída, não importava o fato de que suas palavras seriam mal interpretadas por séculos. O mais importante era poder ajudar milhares de partes dele, perdidas e iludidas, que ainda levariam milênios para se darem conta do presente maravilhoso que é estar vivo e principalmente tendo livre arbítrio para co-criar e preservar e não apenas destruir.

Há muitas outras coisas que podem ser faladas sobre esse Cara maravilhoso, mas milhares de mensagens ainda seriam poucas para descrever os passos luminosos que ele deixou.

SOMOS TODOS UM SÓ!

- FRANK -**
Londres, 03 de agosto de 2001.

/*


* Egrégora: Atmosfera psíquica coletiva; Campo espiritual resultante dos pensamentos, emoções e energias de um grupo.

ALGUMA COISA


Uma aluna me contou:
- Teacher, obrigado pelo que aprendi!
Perguntei:
- O que você aprendeu, menina?
Ela respondeu:
Alguma coisa! Se não; não estaria feliz; e se estou feliz é porque aprendi alguma coisa!


quinta-feira, abril 21, 2011

ALGUNS QUE CONHEÇO QUE A VIDA FEZ MUDAR DE OPINIÃO

Relato de experiências REAIS de Lázaro Freire

...

Moro em São Paulo na região do Bosque da Saúde e Alto do Ipiranga. Com a proximidade da favela de Heliópolis, a maior do país; e com alguns pontos de tráfico no meio do bairro, há uma relativa violência por ali, com a qual nós, moradores - espiritualistas ou não - somos obrigados a conviver.

Ainda vou ao segundo endereço em que morei na região, para treinar na academia de um grande amigo, meio quarteirão distante de onde morei. E nessas visitas, faço compras no supermercado do Severino, amigo que viu meu filho crescer.

Pois é, o Severino sempre foi defensor da família, ainda que tendo uma arma para enfrentar qualquer emergência. Nordestino gente boa, trabalhou muito para montar o seu estabelecimento - e, coitado, já foi assaltado tantas vezes, com comércio assim na rua...Um batalhador, mantendo preços competitivos (e lucros baixos) em seu mercadinho, apesar das grandes redes. Em sua ótica, as armas lhe dariam segurança, né? Não se pode colocar a vida da família em risco.

Pois é, o Severino, pernambucano de princípios, TINHA uma filha, que morreu prematuramente. Bom, morreu não, já que sabemos que espírito não nasce nem morre... Mas a saudade dela aqui é bem real, mesmo assim.

O duro é saber que quem matou sua filha não foi um dos tais assaltantes. Podiamos dizer que ela foi morta pela "violência", mas a bala que a atngiu não era tão "abstrata" ou conceitual assim. Talvez alivie a consciência imaginar que por "culpa" do assaltante ele tinha a arma, mas isso não muda a realidade: nenhum assaltante atirou em ninguém ali, e a filha dele morreu, com a arma do próprio pai. E nem havia assalto em curso...

Pois é, uma amiguinha encontrou o revólver. Crianças sempre encontram essas coisas, né? Assaltantes, também. Curiosas... Ninguém sabe como direito, e pouco interessa agora, mas, sabe-se lá como, encontraram, mexeram, deixaram cair, algum acidente, disparou, gatilho, explodiu algo... SEI LÁ! O que importa agora? A única coisa que importa é a criança com o tiro no rosto.

Engraçado, ele mudou de opinião em relação ao porte de armas.

...

Eu me mudei dali, mas continuei na mesma região. E no meio do caminho entre minha casa atual e a do Severino, há uma avenida arborizada, próxima à Tancredo Neves. Moro perto dali, até hoje. E um vizinho meu, morava também.

Há uns anos atrás, meu um vizinho vinha de carro por esta avenida. Acompanhado. Sua namorada também era a favor de andar armado, soube depois. É preciso ter segurança nessa São Paulo perigosa, todos dizem por aí...

Naquele dia, duas motos os seguiram. Uma de cada lado, armados, como é comum em alguns assaltos da região. Ele não conseguiu fugir, não seria seguro. Sempre atuam de surpresa, nunca dá tempo de encontrar a arma ou acelerar. O assaltante está preparado, o assaltado - salvo paranóia - apenas leva sua vida, normal.

Pois é, pegaram meu vizinho nos quebra-molas. Ele teve que parar, estava no alcance de possiveis tiros. Como ocorre em qualquer assalto, afinal, nenhum ladrão vai dar ordem de assalto do outro lada da rua, e começar uma troca de tiros entrincheirado como em filmes de farwest. Logo, foi um assalto normal, como tantos outros, em que já
se percebe a situação "de assalto", como o próprio nome já diz.

Os ladrões queriam dinheiro, essas coisas, infelizmente já nos acostumamos, e não raro, temos mais preparo psicológico do que eles. Talvez até levassem mesmo o carro, o seguro pagaria.

Mas antes, os ladrões, alterados, perguntaram se ele tinha arma. Pergunta de praxe, mas amedrontado, ele negou. Sabe-se lá porquê, estranharam a reação, resolveram vasculhar. E encontraram a arma! Porque não deixaram a moto e levaram o carro de vez?

Antes de matá-lo a sangue frio, ali mesmo no local, os ladrões explicaram para sua acompanhante que era pra ela dizer que aquilo era uma "lição". É o que acontece com quem anda armado... "Aê, mano? Qué issaqui, tá mi tirano, maluco? Qué matá nóis, palhaço? Vai morrê, filudapulta. Qué matá nóis, filadapulta? Perdeu! Perdeu! Vai morrê!". Aquele português crássico.

Pois é, parece que os ladrões consideravam o simples fato de ENCONTRAR uma arma como uma defesa prévia. Para os ladrões, ou pelo menos para AQUELES ladrões, quem tem arma no carro não a carrega para bater pregos. Está na guerra.

Mesmo drogados e alterados, eles parecem ter mais coerência lógica do que quem esquece que, na prática, não terá tempo de usar. No raciocínio do marginal, eles entendem que a vítima não tem arma pra matar pombos. Logo, consideram (com toda razão, a meu ver) aquelas armas como potencialmente apontada para eles.

Se você não tem arma nessa hora, é só um assalto, e você não é do tipo de reagir. Se tem, é porque daria um tiro no assaltante, se tivesse oportunidade, e "ganharia". Certos eles, não? Como só não morreram porque você não teve oportunidade, pode ser que eles tenham, e a coisa deixa de ser um simples assalto para se tornar vida e morte dele. Então, se eles pegarem, no seu porta-luvas ou na sua cabeceira, "mano", você "perdeu".

(Bem, deve ser melhor do que ver a filha morrer ensanguentada pela própria arma que você comprou)

No velório, a namorada da vítima, que certamente mudou seu "voto", implorava para as pessoas se desarmarem... Segundo ela, no momento não adianta, e geralmente pode ser muito pior. Não precisava custar uma vida para concluir.

...

Mas às vezes, a lição vem na nossa própria pele - ou quase.

Um cara que tento conhecer bem desde o dia que em nasci teve seu carro assaltado duas vezes na porta de casa, na perigosa rua onde moro. Ponto de contravenções, melhor não explicar publicamente, embora todos na região conheçam - a começar pelos policiais.

Em todos dois assaltos que sofri ali, mãoS armadaS, no plural. Sempre ao fechar a garagem para sair. E ali do lado de minha casa, há um boteco. Sempre cumprimento as pessoas lá.

Na última vez, eram em três, os ladrões. Subindo a rua em um Corsinha roubado, sem gasolina. Viram meu carro, potente, fácil, atravessado na rua, enquanto eu descia para fechar o portão. Com meu carro, 100 cavalos a mais, teriam melhor fuga. Me abordaram, e fizeram a troca, deixando o Corsa ligado, bem ali.

Eu estava no momento errado no lugar errado. Bendita hora que escolhi para ir a locadora, 1 minuto antes ou depois, a história seria outra, e o Corsa teria passado direto ali. Fico pensando, quando se morre em situações assim, em como o destino pode ser ironicamente detalhista... Ou karmicamente preciso, talvez.

Mas nesta segunda vez, era noitinha, e havia muita gente no tal bar. Um dos frequentadores do boteco, conhecido meu, não gostou nem um pouco de ver o "Seu Lázo", o "músico", com armas na cabeça. Seu Lazo, aquele "doutor gente boa" sendo assaltado. O sangue do frequentador do bar subiu. Três revólveres na cabeça daquele "cara de terno que fala com nóis tudo", o "músico que deu um CD da banda dele pra gente", o "cara que mora aqui e é dos bacana, mais é humilde".

Pois bem, o tal sujeito que cumprimento sempre anda armado. Mas justo naquela hora, estava sem sua "máquina". Não teve tempo de reagir. Foi tudo muito rápido, me levaram o carro, o seguro pagou - aliás, naquele momento de minha vida, foi até bom para mim.

Mas o sujeito do bar veio quase chorando, me pedir desculpas, por não ter conseguido reagir a tempo: "Pô, doutor, eu tava sem minha máquina, eu procurei, eu ia tê istorado os miolo daqueles filadaputa, cumé qui faiz isso com uma pessoa bacana quinem o sinhô"...

Peguei um dinheiro pro ônibus emprestado com alguns "comerciantes" da minha rua (os quais tambem cumprimento), dei uma dura em alguns deles (e fiquei pensando... Com três 38 na minha cabeça, ao mesmo tempo - ou sei lá que calibre - qual seria a chance de eu sair vivo da troca de tiros na rua, SE naquele momento, o "amigo" do boteco estivesse com seu revolver na cintura, como SEMPRE costumava estar?

Na sua ótica, ele deve andar armado. Afinal, gosta de beber e jogar sinuca num bar perto de um ponto conhecido, onde pode haver assalto. É verdade que em outros tempos, já houve mortes ali. Gente que anda armada atirando em gente que anda armada. Ele acha que precisa defender as pessoas, e a si mesmo... Mas por "azar meu", ele não conseguiu me "defender" quando precisei.

Pois é, se eu tivesse a tal "sorte", não estaria aqui relatando. Mas tendo o azar, a justiça se fez. Recebi meu seguro, tirei OUTRAS lições que a vida me trouxe daquele assalto e "perdas" do período de reconstrução, refiz minha vida com o dinheiro do carro, e, mais importante, o mecânico humilde, dono do Corsa roubado deixado por
milagre em minha porta, pode reaver seu único bem, que não tinha seguro. Bendito "azar", o nosso!

Meu amigo não reviu sua posição. Mas eu, se um dia houvesse pensado em andar armado, teria mudado meu voto ali.

...

Fico pensando, também, em meu pai. Certamente, se eu tivesse ido naquele assalto, meu velho - que sempre foi a favor das armas, e me ensinou a atirar (muito bem) com rifle desde criancinha - teria mudado de voto.

Mas até hoje sem sentir na familia, ele certamente não votará por entregar suas belas espingardas de cano duplo e rifles semi-automaticos que mantém em casa. Aliás, nem precisaria entregar, já que é direito adquirido. Mas ele prefere manter a Boito 12 cano duplo e o rifle semi-automático ali no quarto de sua casa, em Minas Gerais.

Afinal, vai que aparece um urso selvagem no subúrbio de Belo Horizonte, né?

...

E ao falar de Belo Horizonte e armas, é impossível não lembrar um dos episódios que mais marcou o começo de minha juventude. E de um grande amigo que eu tinha. Ou melhor, que eu tenho, já que os grandes laços não se prendem a tempo e lugar.

Mineirão, o tio de meu GRANDE amigo "Chiquinho" também era a favor da defesa da família e da propriedade. Na verdade, o nome de meu GRANDE amigo era Antonio de Paula... Nada de Francisco!

Pois bem, no primeiro dia de aula no COLTEC UFMG (não vou contar o ano para não confessar minha idade :-), os veteranos acharam que ele tinha cara de Chiquinho. E o chamaram de Chiquinho no trote, e o apelido pegou por anos. Mas também, devo confessar, ele tinha BAITA cara de Chiquinho mesmo! Passamos a chamá-lo de Chiquinho também...

E o "Chico" era um cara bom... Mas tantos questionamentos do mundo... Bipolar, hoje, estudando psicanálise transpessoal, eu sei. Naquela época, não sabiamos ler os gritos em suas atitudes e oscilações. Grandes ações humanitárias, grandes vazios. Grande "espiritualidade" de um lado, muita leitura de filosofia - e depois, muita depressão,também.

Numa dessas viradas, largou tudo, mudou-se para o interior, buscando sentido. Passou a viver num orfanato de padres, cuidando de crianças. Doou o fim de sua vida para ajudar o próximo. E para todos que ajudou, certamente deu o sentido que buscava.

O tio do Chiquinho, em Belo Horizonte, era um chefe de família consciente, zeloso, um mineiro de tradição. Com sua arma no apartamento urbano, vai que um dia é necessário? E de vez em quando o Chiquinho, um dos "protegidos" da família, ia em sua casa. Não era mais criança como a filha do Severino, sabia bem como usar, e pra que uma arma de matar serve.

Chico ajudou muito os outros. Mas não conseguiu se ajudar tanto quanto ajudou aos demais. Filósofos de campus, nunca entendemos direito que ele precisava urgentemente de um pouquinho só de TODA A LUZ que ele sempre doou e distribuiu com todos amigos que encontrou...

Numa dessas depressões, Chico veio a BH. Procurou um a um, todos nós. Fez questão de jogar mais uma partida de xadrez comigo, e quando eu me distraia, mudava as peças de lugar. Divertidissimo! Cantou, brincou, fez palhaçadas... Todo mundo matou saudades. E ele se foi, para o "interior", nos deixando com mais. "Putz, que cara!". "Vida
monástica em Cel Fabriciano"? "Pô, cara, venha mais a BH, saudades dos nossos papos de filósofos marxistas resolvendo todos os problemas do mundo enquanto tomavam COCA-COLA, ouviam Pink Floyd e jogavam xadrez na cantina do Coltec-UFMG"!!! "Apareça, Chico, a turma fica muito incompleta sem você..."

E ele se foi. Mas mas no dia seguinte, excepcionalmente, vimos outra vez o Chiquinho. No cemitério.

Ele voltou para o hotel, tudo já prémeditado, e a arma do tio voltou com ele. A arma de defesa da família. E assim, a arma cumpriu sua única função de existir neste universo: dar um tiro, ferir pessoas. Já que o tio, assim como o Severino, nunca teve oportunidade de trocar balas com ladrão algum... De algum modo o pensamento criado, a energia da intenção do revólver precisava encontrar uma razao de
existencia... Não criamos sempre o que imaginamos?

Sei lá, agora tanto faz. O que marcou é que o Chico foi voar, sabe-se lá por quais umbrais. E nosso primeiro contato com a morte se deu de um modo muito violento e incompreensível. Difícil consolar, não é como uma pessoa adulta compreender que sua vó teve seu tempo e partiu.

E o Chico voou, e fez falta. Tomara que tudo que fez de bom tenha contado a seu favor, de algum modo. Talvez seja auto consolo meu, mas penso que um cara como ele não se matou, e sim foi assassinado pelas diferenças da vida. Pelo aperto que as injustiças faziam no seu coração. Aliado talvez a psicopatologias não tratadas. Imagino que casos assim tenham um desconto do "lado de lá", senão tudo está muito
errado...

O fato marcou muito aquela época de minha vida. E perdi as contas de quantas vezes concluí que o tio não precisava ter lhe dado a oportunidade, tão facilitada assim.

Demorei a conseguir chorar. Veio uma frieza grande. E eu corri pro violão, num lamento, e apesar da manhã não ter nascido "Azul" (nome de uma música minha, anterior a do Djavan), foi muito bom poder tocar um instrumento. Saiu uma bela canção, RAZÃO, no estilo Osvaldo Montenegro que influenciava a minha linha melódica de então. Não era o que eu pensava, mas era o que eu "canalizava" de todo o pacote do
momento...

A melodia era belíssima, uma das mais lindas que escrevi, com agudos brilhantes e tristes. Tive que parar de tocá-la em shows, pois as pessoas choravam sem parar:

Se eu não tivesse
mais porque cantar
Seria sol sem manhã
Futuro sem amanhã
Seria sonhar com o céu
e só encontrar
o chãããão!!!
Na falta de ilusão, pra que coração???

Sol sem manhã, noite sem luar
Vida sem razão de ser
Morrer para renascer
Pois sempre haverá uma noite
Antes do sol
bri...lhar!!!
Choro com o pé no chão,
Chico quis voar...

Muito linda, especialmente a melodia que não tenho como colocar aqui. Sem poder cantá-la, devido à reação emocional dos amigos na platéia, transformamos em instrumental, na época. Colocavamos partes desta mais bela melodia que escrevi (obrigado, sombra junguiana!) nos arranjos de flauta/violoncelo/bandolim de todas nossas outras músicas, incidentalmente, em homenagem ao vôo noturno do amigo... A
vocalista, agudíssima, fazia vocaliza~]oes... E sempre ganhamos todos os prêmios de melhor arranjo de festivais.

Disseram para o tio que talvez ele, Chiquinho, pularia de prédio, se jogaria da ponte. Nós, quase crianças, dissemos ao adulto que a culpa não era da arma dele, etc...

Mas sei lá, o tio nunca se convenceu, sabe? Afinal, o Chico sabia da arma ali, e ele lhe deu de presente a ocasião. A partir de então, o tio passou a ser contra a posse de armas.

...

O tempo passou, minhas músicas mudaram de tema, a espiritualidade - que não combina com a defesa das armas - entrou de forma definitiva de minha vida, me dando outra compreensão da cocriação da realidade que nos cerca.

Essas armas, como a do Chiquinho e a do Severino, foram compradas, hoje eu sei, PLASMANDO uma imagem de alguém da familia levando um tiro. Ainda que por defesa, é isso que se constroi magicamente no astral - ou sabe-se lá onde - quando compramos um instruimento de matar. Bem, nosso inconsciente / "subconsciente" (sic) tem um poder infinito de realizar nossas criações mentais. Se o ladrão não coopera vindo dar um tirinho, as vezes, como mostram esses casos, o Deus que somos, penso hoje, acaba arrumando uma outra forma de nossas criações mentais se materializarem... Nem que seja na carne das pessoas a quem queremos bem.

Lázaro Freire

(que fica se pergunta como podem haver "espiritualistas" a favor das armas, mas, ainda assim, prefere VIVER e extrair suas lições da própria vida, sem julgar. Mas que, por acreditar que Gandhi, Buda, Cristo e tantos outros não são teorias longe de nós, prefere deixar as armas apenas para os policiais Arjuna que a tem como dharma, e, consciente do que a vida É, votar SIM !!!)

Esta mensagem pode ser distribuida livremente, desde que citando a fonte: Lázaro Freire in "VOADORES" (http://groups.yahoo.com/group/voadores)

quarta-feira, abril 20, 2011

MUITA AREIA


Ele reclamou que não conseguia perceber as coisas do céu.
Orou, rezou, implorou e pediu e se frustrou, pois muito se preparou e nada viu!
Nada?
Cegueira pura!
Ele se esqueceu, mas já viu, percebeu, as coisas do céu.
Mas foram tantas as coisas que lhe foram mostradas, que ele, diante da luz, pediu as trevas, dizendo que era demais e ele podia enlouquecer; daí, pediu para esquecer, e agora reclama que não pode ver...

terça-feira, abril 19, 2011

A Piada do Buda



Você sabe a Piada do Buda?
Não?
Vou te contar!
A Piada do Buda é que o Buda silencioso;
do nada, começa a sorrir
e o motivo do sorriso,
Só agora eu compreendi.

segunda-feira, abril 18, 2011

QUANDO...



Quando a estrela paira à frente do coração...
O lótus das mil pétalas* brilha como nunca.

Quando a rosa brota no centro da estrela...
Desabrocham suas doze pétalas**.

Quando os iniciados espirituais se comunicam silenciosamente...
A Luz resplandece nos chacras***.

Quando a canção dos astros fala do Supremo...
Os iniciados se curvam diante do Grande Hierofante.

Quando se abrem os portais das excelsas esferas espirituais...
A rosa dentro da estrela freme de amor.

Quando é dia de iniciação espiritual...
Os iniciados sentem o abraço secreto do Todo****.

Quando se ergue o véu da Mãe Isis...
O que se vê é a Luz do Eterno.

Quando o olho espiritual desce do Alto...
A estrela brilha mais ainda.

Quando os devas***** descem nas colunas de Luz...
Os iniciados oram pelo Bem de todos.

Quando se vê o olhar de Jesus, por entre os planos...
O coração dos iniciados freme de Amor.

Quando o coração da estrela é a rosa...
A mente se dilui - e não se sabe mais o que é pensamento.

Quando se vê o Rabi****** secretamente orando pelo Bem de todos...
E o coração falando ao coração, não há mais nada a dizer.

P.S.: ah, quando é dia de iniciação, é só o silêncio que orienta.
É só o amor que nos leva...
Enquanto a rosa ri dentro da estrela...
E o coração dos iniciados exulta e faz o Céu brilhar como nunca.
Enquanto o Amor viaja pelo ar...
E nós percebemos como somos pequenos diante do infinito.
Enquanto o abraço secreto de Jesus vai abençoando a todos...
E quebrando as correntes do mal e da discórdia.
E nós apenas fazemos como os iniciados lá do Céu:
Vibramos junto com eles pelo Bem de todos.
Enquanto a rosa ri dentro da estrela...

(Dedicado aos estudantes espirituais que trilham a senda da Luz e que, mesmo sob o escárnio do mundo, jamais renegam a sua espiritualidade).

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
São Paulo, 06 de abril de 2011.

- Notas:
* Lótus das mil pétalas – metáfora iogue para o chacra coronário, situado no topo da cabeça. Em sânscrito, ele é chamado de “Sahashara”.
** Nas práticas iogues, esotericamente se diz que o chacra cardíaco tem doze pétalas. Para mais detalhes sobre isso, favor ver o texto “Do Coração à Consciência”, postado no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17&catid=31:periodicos&Itemid=57
*** Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
**** O Todo - expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Grande Hierofante, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
Quando se afirma que o Todo é o Grande Hierofante, é no sentido de que Ele é o Supremo iniciador de todos os seres, pois está em tudo!
Obs.: Hierofante - dentro do contexto das iniciações esotéricas da antiguidade, era o mestre que testava os neófitos (calouros) nas provas iniciáticas.
***** Devas – do sânscrito – divindades; seres celestes; anjos.
****** Rabi – mestre.
Obs.: esses escritos foram feitos enquanto eu dirigia uma prática com a turma de 120 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB. A mesma consistia na visualização de uma grande estrela prânica pairando em frente. E, dentro dela, o desabrochar de uma rosa (e, jorrando do centro da mesma - sobre a pessoa -, uma cachoeira de luz). Ao mesmo tempo, eu via, pela clarividência, um grande trabalho de assistência espiritual rolando no extrafísico. E as coisas que vi, eu não tenho como descrever facilmente. E o Amor que senti, é sem palavras.
A visualização da estrela prânica é uma prática iogue ancestral.
(Para mais detalhes sobre isso, favor ver no site do IPPB – www.ippb.org.br -, o texto "A Canção das Estrelas-Bebês", no seguinte endereço específico: http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2322).
E a visualização da rosa é uma prática esotérica clássica – praticada por vários grupos ocultistas -, e não tenho como expor mais detalhes sobre isso aqui.
De toda forma, deixo na sequência dois textos antigos que apresentam fortes correspondências com esses escritos de hoje e que, lidos em conjunto, poderão enriquecer a compreensão das ideias aqui expostas. Seguem-se os mesmos logo abaixo.

sexta-feira, abril 15, 2011

IRMÃ DE LUZ

Quando eu lhe pedi, e ela não conseguiu fazer;
eu disse que ia assumir,
ela pediu para eu esperar para ver;
esperei e vi,
ela conseguiu me fazer crer
que tudo que ela assume,
ela assume até o fim,
e mesmo que todos duvidem,
ela faz ser e valer.

Difícil descrever o que aprendi com isso,
mas fácil é dizer
que ela tem força e garra
para ser muito mais do que vemos,
muito mais do que ela deixa ver;
basta ver
como seus filhos foram criados por ela
para não apenas “homens” ser,
mas serem indivíduos que crescem bonitos,
conscientes do mundo que temos que viver.

Por essa razão,
quando a vi abrir a porta da arte,
não duvidei que a sua criatividade a levaria
até os mais altos pilares;
e toda vez que vejo as obras que ela produz,
me dá orgulho no peito, de ter
o direito de chamá-la de irmã de luz.

Jay Jay MCCO! Jay Jay quem quer que você seja!
Que Ganesha te proteja
E continue te mostrando
Que você tem talento
Para ser tudo o que você almeja!!!

RELUZ


Se o Pai Eterno é o que me acontece; e a Mãe Divina é a roupa da vida que eu visto; então é isso! Sou filho! Sou filho!

Se sou filho, por que tenho tanto medo?

Eu tenho medo porque desconheço que o amor que busco fora do meu peito tem origem em mim mesmo.

Estou aprendendo a me compor dentro da luz, meu brilho é pouco, mas reluz!!!

quinta-feira, abril 14, 2011

PEGADAS CRÔNICAS



(()))

ALÉM
Ninguém sabe ao certo
O que acontece no além,
Mas desconfio que
Uma coisa é certa:
Precisamos viver bem!!!

((()))
O GRITO

Não é mais um sussurro;
Não é mais um chamado;
É um grito!
Abre os olhos e os ouvidos...

quarta-feira, abril 13, 2011

A viagem do beijo

por IVAN ÂNGELO



Gosto da ideia de que o beijo se espalhou pelo mundo na rota do cristianismo. A partir de costumes dos antigos judeus, gregos e romanos, costumes que se encontraram, se intercambiaram e se difundiram no Mediterrâneo, o beijo foi ganhando lentamente a Europa, a Ásia Menor, os mundos novos conquistados.


Os bárbaros europeus do leste e do norte, os aborígines do Atlântico Sul, do Índico e do Pacífico, os nativos das três Américas, os africanos — nenhum desses povos tinha o hábito do beijo, fosse como cumprimento social, fosse como gesto amoroso. A novidade espalhou-se por onde se espalharam a cultura mediterrânea e o cristianismo.


Ainda hoje há povos sem beijo: nossos índios do mato fechado (não os aculturados), os lepchas do Himalaia, pigmeus das ilhas ao sul da Índia, vietnamitas, somalianos, tribos de bantos da África Central, povos asiáticos nos escondidos do mundo — mas, aonde chegaram os costumes dos povos cristianizados, chegou o beijo.


Em diversas regiões do globo, havia agrados ligeiramente parecidos com o beijo, como cheiradinhas pelo rosto e esfregadinhas de nariz, não o boca a boca; lentamente, ele foi conquistando territórios cada vez mais longínquos.


No Japão, raros beijos em gravuras do século XIX mostram que os amantes mais escolados se beijavam entre quatro paredes de bambu, mas não havia o costume, e me garantem que os japoneses só ganharam uma palavra única para designar o beijo (kissu, que veio do inglês kiss) após a II Guerra Mundial e a ocupação americana. Nessa longa viagem pelo tempo e pela geografia, o beijo amoroso nunca teve, como agora, tanta liberdade e visibilidade. As artes e os meios visuais funcionaram como propaganda.


Não se busca mais o escondidinho próprio para o beijo, como eram o portão pouco iluminado das casas, a varanda, o carro, os bancos mais discretos da pracinha, o escurinho do cinema — porque os portões se tornaram grades de fortalezas, não há varandas senão para churrasco, carro parado em rua deserta é um perigo, praças foram tomadas por mendigos, cinema é para pipoca.


Não há lugares próprios justamente porque todo lugar se tornou próprio, e nada parece mais próprio hoje em dia do que as estações de bairro do metrô paulistano, ao anoitecer. Beija-se aí mais do que nos parques, acreditem. E não é que alguém esteja partindo, adeus, adeus, meu amor. Nada disso. É beijo bem beijado, de encontro marcado. As ruas tornaram-se perigosas; namorar ali é mais seguro.


Beijo é linguagem. Emite sinais diferentes em cada situação: amizade, respeito, submissão, interesse, compromisso, amor, licença para avançar, paixão, entrega, volúpia. Ultimamente, por estimular no organismo a produção de substâncias que provocam sensações agradáveis, o beijo entre os muito jovens tornou-se um fim em si mesmo. Basta beijar bastante, nem é preciso ir em frente.


Por que dizem que a mulher se lembra do primeiro beijo e o homem mal se lembra do último? Essa me vai parecendo uma ideia ultrapassada. É certo que ele era mais banal para os homens, porque as mulheres relacionavam os beijos ao amor e os homens os relacionavam à oportunidade. Em consequência, conseguiam beijar mais do que elas.


Eles inventaram o beijo roubado para atropelar a relutância romântica delas. Leis modernas transformaram em crime de assédio o beijo roubado, que enfeitou poemas, canções e folhetins de séculos passados. Na verdade, ele veio perdendo prestígio porque, também para elas, beijar se tornou uma questão de oportunidade. O beijo se libertou do amor.


Não me entendam mal. O beijo se libertou do amor, mas o amor não se liberta do beijo.

Fonte: Revista Veja SP

segunda-feira, abril 11, 2011


O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DE UMA MENSAGEM
Era uma vez um Escritor e uma Mensagem.

A vida da Mensagem começara com uma inspiração e a intenção do escritor de responder a uma pergunta de alguém bem confuso diante de uma situação que ele mesmo já passara e experimentara antes. Ele não era o Senhor das Respostas e nem dono da verdade, mas apenas um cara normal, como um desses que você esbarra nas ruas e nunca mais vê na frente; cheios de altos e baixos, apenas tentando ser um sujeito legal e sempre que possível contribuindo para uma certa lista de bate papo na Internet que discutia sobre essas coisas da vida e do outro lado.

Preocupado em ajudar seu colega confuso, sentiu inspiração de lhe dizer algumas palavras, e assim escreveu alguns pensamentos num pedaço de papel.
Ainda do barro, a Mensagem começava a ganhar vida, à medida que alguns pontos aqui e vírgulas ali davam sinais de seu surgimento. Nascida no papel e depois cuidada e transformada em texto digitado na Internet, a Mensagem começara sua jornada pelo mundo do conhecimento.

Seu destino inicial era servir de resposta para alguém muito ocupado e um tanto preguiçoso de ler o próximo e-mail, e por um momento, pareceu que ela ficaria ali perdida e sem finalidade, num mundo de números, letras e imagens, até que ela sentiu que começara a ser resposta para outros que nem sequer tiveram tempo para formular suas perguntas.

Ela começara, pouco a pouco, a descobrir que sua missão de vida não era ser resposta absoluta sobre dúvidas humanas e sim, apenas levar alegria e coragem a quem quer que a lesse.

E que satisfação, ver tristeza virar alegria, lágrimas virarem sorrisos, nas faces de cada um que a recebia. Seu criador, o escritor, jamais imaginaria onde ela estaria naquele momento, até que um certo dia, surgiu em sua tela uma outra mensagem de alguém que ele não conhecia, e a mensagem carregava as seguintes palavras:

"Caro escritor,

Você não me conhece, mas queria muito agradecer a sua inspiração. Acabei de ler a sua mensagem e estou muito feliz.

Recentemente, perdi alguém muito próximo e querido, e no auge da dor, mergulhei na bebida e no desespero; até que sua mensagem me foi enviada e nem preciso dizer que parecia que ela tinha sido escrita pra mim e eram as palavras certas que eu precisava ouvir para sair do buraco que caí.

Talvez para você tenha sido apenas uma mensagem, mas para mim foi o resgate para a Vida.

Com carinho, Leitor."

O Escritor tinha água nos olhos e um sorriso largo na face, à medida que acabava de ler a mensagem. E esta, vinha de muito longe e de uma pessoa que ele jamais imaginou que receberia aquelas palavras, as quais quase nem se lembrava de tê-las escrito. Porém, ele percebeu o quanto era importante gastar um pouquinho do seu tempo e escrever sobre o que se passava em sua alma. Talvez as palavras que ele escreveu não servissem exatamente para quem ele estava enviando, mas com certeza, cedo ou tarde, cairia nas mãos de quem precisaria recebê-la.

E enquanto pegava seu bloco de notas e caneta e se preparava para criar novamente, sua mensagem ia seguindo de computador em computador, mãos em mãos, impressa, lida, discutida e sendo multiplicada para todos aqueles carentes de informação e conhecimento.

sexta-feira, abril 08, 2011

WELLINGTON, OU A ÂNSIA DE EXPLICÁ-LO

por, Marvio dos Anjos.

Coluna do Destak para sexta, 8 de abril

Filho adotivo de dita esquizofrênica. Fanático religioso, berram alguns, com certo prazer. Suposta vítima de bullying, chutam. Barbudo, terrorista simpático ao islamismo, classificam. “Animal” é a posição oficial. Assassino premeditado é o óbvio. “Ele é portador do vírus HIV, está na carta!” Ninguém lê isso na tal carta, mas repete. Vai que uma dessas explica.

Nos próximos dias, o cadáver de Wellington Menezes de Oliveira será esquadrinhado, dissecado, exumado e examinado pelo nosso desespero na busca da compreensão do mal. Queremos saber o que ele apresentaria como razões – como se houvesse alguma que pudéssemos aceitar – para efetuar de 30 a cem disparos contra crianças na escola onde um dia estudou.

A minha impressão é de que sempre perderemos o foco em chutes e análises apressadas. Assim como não se cria um Wellington da noite para o dia, não se explica um Wellington menos de 24 horas depois de sermos apresentados a um. Fora que boa parte das “explicações” revela menos dele e mais dos nossos preconceitos – cultura pop com ares de psicologia forense também cola, a gente gosta de séries policiais.

Já perdêramos esse foco antes, quando o nosso olhar oprimido-rancoroso notava tragédias em escolas americanas com certo desdém – tudo era fruto da paranoia da América. “A descontração nos salva, a cultura armamentista deles se volta contra eles mesmos.” Tudo problema deles. Ver a chacina escolar ocorrer – não numa high school do Meio-Oeste americano, mas na zona oeste carioca – é mais complicado. Essa paranoia não era nossa. E agora, como fica?

É mais fácil aceitarmos, primeiramente, que Wellington jamais fará sentido. Assim começaremos a compreendê-lo.

Seja lá quais forem, os gatilhos que o transformaram no mais novo monstro nacional normalmente não têm efeito igual na esmagadora maioria das vítimas de traumas, mágoas, rancores e transtornos mentais.

O certo é que uma escola pública não pode permitir que qualquer ex-aluno entre em suas dependências a fim de dar “palestras”, sem referências de quem ele é hoje ou o que faz. Todos os criminosos, um dia, foram crianças; sorriam, brincavam e pareciam encarnar o bem.

quinta-feira, abril 07, 2011

O que é ser um palhaço.


Poema recitado pelo Palhaço Picolino


"Eu quero explicar a vocês
O que é ser um palhaço
O que é ser o que eu sou
E fazer isso o que eu faço

Ser palhaço é saber distribuir
Alegria e bom humor
E com esforço contentar
O público espectador

Muita gente diz “Palhaço”
Quando quer xingar alguém
E esse nome pronunciam
Com escárnio e desdém

E ao ouvir esta palavra
Outros sentem até pavor
Como se palhaço fosse
Criatura inferior

Mas de uma coisa fiquem certos
Para ser um bom palhaço
É preciso alma forte
E também nervos de aço

E além de tudo é preciso
ter um grande coração
para sentir isso o que eu sinto
grande amor à profissão

O Palhaço também tem
Suas noites de vigília
Pois lá na sua barraca
Ele tem a sua família

Palhaço, meus amigos,
Não é nenhum repelente
Palhaço não é bicho
Palhaço também é gente

Falo isso em meu nome
E em nome de outros palhaços
Que muitas vezes trabalham
Com a alma em pedaços

Ser palhaço
É saber disfarçar a própria dor
É saber sempre esconder
Que também é sofredor

Porque se o palhaço está sofrendo
Ninguém deve perceber
Pois o Palhaço nem tem
O direito de sofrer"

quarta-feira, abril 06, 2011

IA



Ainda teimo a teimosia,
Ainda peito a peitoria,
Ainda enfrento a enfrentoria,
E ainda brinco com palavras
Porque tenho a ousadia
De brincar de poesia!

terça-feira, abril 05, 2011

O Amor e a Torneira




Descobri que o nosso amor não nasceu para se tornar, apenas foi uma lição que me ensinou tudo aquilo que não quero numa relação.
Se doeu em você; doeu muito mais em mim; por isso, ainda sofro, mas vejo as coisas assim: ficar chorando é deixar a torneira aberta, e ao invés de água, sou eu desperdiçando...

segunda-feira, abril 04, 2011

EXPRES É


Não ensino idiomas; convido todos a provar de uma experiência, um outro ponto de vista; onde o frente vira verso, e o verso se torna um jeito de dizer a mesma coisa de um jeito diferente e perceber que a expres são tem muitas caras, senão seria expres é!
)))))))))

sexta-feira, abril 01, 2011

O MAIOR ESPETÁCULO DA VIDA


Os mais extraordinários espíritos passam por esse planeta no silêncio dos seus atos.

A história da maioria dessas pessoas não são contadas em evangelhos nem exaltadas em poemas ou cantigas de ninar.

São como cometas que cruzam os nossos céus todas as noites, e a gente pensa que é estrela cadente ou que foi uma luzinha de avião que passou.
São, acima de tudo, atores talentosos de um enredo universal, em que se espalham por todo o planeta, inseridos em tarefas cotidianas, em rostos humildes, e ninguém desconfia quem eles são de verdade, apenas sentem uma paz intensa quando eles estão do lado.

De peça em peça, cada um inserido em seus papéis, eles vivem dramas como os nossos, sofrem como sofremos, e se desesperam como nos desesperamos, mas lá no fundo eles estão cientes que tudo não passa de uma brincadeira de encenar, onde os atores precisam encarnar o personagem com veracidade e viver intensamente suas experiências, afinal, apesar da peça ser passageira, a experiência é eterna.

Para esses espíritos que reconhecem quem realmente somos, chamar o outro de irmão não tem conotação religiosa alguma, e sim certeza de que todos nós fazemos parte da mesma família de atores saltimbancos, num grande espetáculo.

Esses espíritos sabem que o amor e dedicação que recebem do Grande Diretor é tão imenso, que, naturalmente esse amor transborda de seus peitos em ondas douradas no silêncio do auxílio a todos, profissionais ou amadores, sem julgamento ou pensamento de esperar algo em troca.

Escondidos atrás de seus papéis e máscaras, essas almas boas amam em silêncio, transformando a ignorância que emanamos para o ar em gotas de compaixão e discernimento, que caem sob nossas próprias cabeças, e quem não tiver medo de se molhar, vai acabar entendendo que tudo tem sua razão de ser, e esse roteiro, que, por vezes, nos faz chorar e sofrer, pode-se transformar numa grande aventura no próximo ato, e não precisamos esperar a cortina
abaixar para cair na risada e na alegria de quem fez o melhor que pôde com o papel que desempenhou.

Esses atores mais velhos não nos roubam a cena, pelo contrário, eles cedem o lugar para que a gente possa estrelar, e viram coadjuvantes do nosso crescimento, muitas vezes em papéis que parecem pequenos, mas são essenciais para a trama que estamos a desempenhar.

Se algum dia você esbarrar nesses palcos da vida com um desses talentosos atores encenando o papel de um Luiz, Maria, Jesus, Zé ou Buda, repare que eles escolheram papéis que justamente lembram a quem assiste, ou a quem está do lado, que todos nós temos um grande potencial para nos tornamos estrelas, e que eles por livre e espontâneo amor pela arte e por quem atua, continuam a trabalhar nos bastidores do maior espetáculo da vida: a experiência!


Londres, 26 de Março de 2004.
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