domingo, janeiro 31, 2010

Turma da Mônica: Reencarnação

Cole o link abaixo no seu navegador,
e acompanhe os motivos que levaram a Magali,
da Turma da Mônica a comer sem parar: http://www.monica.com.br/comics/reencarnacao/pag1.htm

Wilson Martins morre

Escritor e crítico literário Wilson Martins morre aos 87
da Folha Online

O escritor e crítico literário paulista Wilson Martins morreu no sábado, aos 87. Radicado em Curitiba, Martins morreu em decorrência de complicações cirúrgicas, cinco dias após sofrer uma operação para extração da bexiga.

Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Graças, também na capital paranaense. O escritor não deixa filhos.

O corpo está sendo velado no cemitério Luterano, em Curitiba, até às 17h. Em seguida, será encaminhado a um crematório, conforme seu desejo registrado em cartório.

Martins nasceu em São Paulo, em 1921. Sua carreira acadêmica tem passagem por universidades norte-americanas. Ele lecionou na Universidade de Nova York durante 26 anos, até se aposentar, em 1992.

Sua obra literária inclui 12 volumes do livro "História da Inteligência Brasileira" --que lhe renderam prêmios de literatura, como o Jabuti e o Machado de Assis.

O escritor teve passagem por diversos periódicos brasileiros, como "O Globo" e "Jornal do Brasil".

Source: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u687228.shtml


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O baú do Fernando


Por Wilson Martins

O mitológico baú de Fernando Pessoa assemelha-se ao buraco das adivinhas infantis: quanto mais se tira, maior fica. Nele se acumulam os inéditos que há meio século professores e críticos, editores e comentaristas da imprensa vêm explorando em todos os sentidos da palavra, inclusive os comerciais. Agora, o espólio tomou a forma de biblioteca, composta, ao contrário, de textos publicados, mas esquecidos ou ignorados - a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.

Como recorda Arnaldo Saraiva (Fernando Pessoa. Poeta-tradutor de poetas. Os poemas traduzidos e o respectivo original. Rio: Nova Fronteira, 1999), Marco Chiaretti, editor do suplemento "Letras" da Folha de S. Paulo, publicou em 1990 cinco "traduções perdidas de Pessoa", descobertas por acaso numa Enciclopédia Internacional de Obras Célebres, impressa, segundo informava, por volta de 1911. Não era "enciclopédia", mas dicionário de literatura, coleção de 24 volumes reunindo, não excertos antológicos, mas textos completos dos "autores mais afamados dos tempos antigos, medievais e modernos", cuja história editorial foi reconstituída por Arnaldo Saraiva.

Não se sabe exatamente, escreve ele, "quem a organizou, nem quando e onde foi impressa e distribuída. As indicações editoriais, sempre as mesmas que ela contém em qualquer dos seus volumes são apenas as do editor "Sociedade Internacional" de "Lisboa Rio de Janeiro São Paulo Londres Paris", referindo redatores principais em 12 capitais e colaboradores em 16 países. Data de 1906 a edição em nossa língua, incluindo autores portugueses e brasileiros, "às vezes com numerosos textos: vejam-se sobretudo exemplos como o de Camões, com mais de 25 textos[] ou de Machado de Assis, com 11 textos. Mas o número de autores e de 'colaboradores e críticos especiais' brasileiros, que são destacados na própria folha de rosto [] José Veríssimo, Vicente de Carvalho, Artur Orlando, Reis Carvalho, Constâncio Alves, Lindolfo Collor, João Ribeiro, indica sem dúvida o público-alvo da edição []."

Tudo leva a crer, acrescenta Arnaldo Saraiva, que "ela tenha sido feita em Portugal. Eduardo Freitas da Costa escreveu em 1951 que 'a edição destinava-se a ser publicada no Brasil'. 'Publicada' neste caso quer dizer 'impressa e distribuída' ou só 'distribuída', isto é, vendida?." As coleções tornaram-se raras: Arnaldo Saraíva não encontrou nenhuma na Biblioteca Nacional de Lisboa nem nas bibliotecas públicas portuenses, havendo uma na Biblioteca Municipal de São João da Madeira. No Brasil, esclarece ele, "vimos em 1995 quatro coleções, uma das quais incompleta, à venda em livreiros de Porto Alegre e Rio de Janeiro", lembrando que Carlos Drummond de Andrade ganhou uma, como presente do pai, quando tinha 10/11 anos.

Eu mesmo sinto-me ligado por contigüidade ou osmose à coleção completa da Biblioteca Pública do Paraná (que a possui até hoje), então provisoriamente instalada em uma sala (!) do Ginásio Paranaense, quando ali estudei nos anos trinta. Aproveitando as férias e as horas vagas, sob a proteção do bibliotecário Reginaldo, explorei sistematicamente as veneráveis estantes (era ainda o tempo dos grandes armários de madeira com portas de vidro).

No que se refere a Fernando Pessoa, escreve Arnaldo Saraiva, "o que pode causar admiração é que tenha sido pedida a sua colaboração nem dúvida quando ele não tinha ainda nome literário ou quando ainda não tinha prestado provas públicas das suas capacidades poéticas." Trabalhando como correspondente em inglês nos escritórios comerciais da Baixa lisboeta, é natural que fosse conhecido, chamando a atenção do sr. Kellog, editor da Biblioteca para o português e espanhol, colega seu no distrito. Arnaldo Saraiva recuperou algumas cartas relacionadas com a colaboração. Assinadas por Warren F. Kellog [] revelam que este "preparou cuidadosamente num escritório lisboeta a edição da Biblioteca, que Pessoa era um dos seus colaboradores próximos, e até de recurso, tradutor não só do inglês mas também do castelhano, mesmo antigo, e que pelo menos algum ou alguns dos volumes foram preparados já no início de 912."

Na Biblioteca, "Pessoa só aparece explicitamente - no Îndice ou no corpo dos volumes - como tradutor de poemas", parecendo-me extrapolação de Arnaldo Saraiva imaginar que pode também ter sido de sua autoria o que se incluiu anonimamente em prosa e verso. Ele mesmo adverte que, "quando se trabalha com inéditos do espólio pessoano há que usar de alguma prudência; certamente (sic) que existem mais poemas [do que os reunidos neste volume] traduzidos por Pessoa, e certamente que nem todos os textos que parecerão traduções de Pessoa são traduções e traduções de Pessoa []."

Seja como for, "parece incrível que só em 1990 se tenha dado conta - e no Brasil - da colaboração de Pessoa numa obra até fisicamente tão relevante. Mas não menos incrível parece que só tenham sido detectados nela cinco traduções [] quando aqui e agora propomos dúzia e meia." A explicação é simples: o editor paulista confiou nas indicações do índice geral no último volume, mas, pels cartas de Kellog e pesquisas próprias, Arnaldo Saraiva desencavou, como ficou dito, numerosos outros trabalhos.

Recebemos, assim, duas lições pelo preço de uma: a primeira, é que a consulta dos índices não dispensa da leitura das obras, e a segunda, aliás previsível, é que o baú de Fernando Pessoa não tem fundo, o que, aliás, não será coisa que pudesse descontentá-lo.

Santo-daime é oficializado para uso religioso

Uma vitória contra a intolerância religiosa
O governo brasileiro oficializou ontem as regras para o uso religioso do ayahuasca, chá também conhecido como santo-daime, entre outras denominações, e utilizado principalmente em cerimônias religiosas no Norte do País. A resolução, publicada no Diário Oficial da União, veta o comércio e propagandas do composto, que só poderá ser cultivado e transportado para fins religiosos e não lucrativos.

Além disso, a norma coíbe o uso do chá com outras drogas e em eventos turísticos. Também oficializa um cadastramento facultativo das entidades que o utilizam.


Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif

O texto recomenda ainda que as entidades façam uma entrevista com aqueles que forem ingerir o chá pela primeira vez e evitem seu uso por pessoas com transtornos mentais e por usuários de outras drogas.

O texto referenda as conclusões de um grupo de trabalho multidisciplinar instituído em 2004 pelo governo para estudar o uso religioso do chá. Não havia impedimento para a aplicação do composto em cerimônias religiosas, mas faltavam orientações para evitar o uso indevido, o que o grupo publicou em 2006.

Em 1985, a bebida chegou a ser proibida no País, mas liberada dois anos depois, quando estudos demonstraram a importância de seu uso religioso. No início dos anos 90houve nova tentativa de proibir o chá, também refutada. Em 2002, mais uma vez houve denúncias de mau uso do chá, o que gerou os estudos mais recentes. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Source: http://br.noticias.yahoo.com

sábado, janeiro 30, 2010

Being Ben


Ás vezes, eu me pergunto
por que o Astral não fala
diretamente comigo.

Daí, vem a respota:
é que eu ainda preciso
!

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Cranberries e Walkmans

"But I need some dreams!!!
You know I´m such a fool for you..."

Ahhh, Rubem Alves diz que a felicidade acaba quando começa a comparação. Aquele menino tinha um walkman, eu não. Como eu queria a chance de ouvir as minhas canções favoritas, enquanto caminhava na rua, ao ir para a escola, em cima do Monte do Cristo, em algum lugar das matas do Seminário.

Eu não sabia que existia esse aparelhinho, que a gente colocava uma fita cassete dentro e tocava as nossas músicas, direto no nosso ouvido. Já havia visto algo na TV, mas achava que era coisa de americano, que nunca chegaria no Brasil; mas quando o "Galego" chegou na escola, mostrando a todos o seu novo presente, eu me dei conta que há realmente injustiça no mundo.

Eram os anos 80 e durante toda a minha adolescência, eu desejei ter condições, um dia, de poder comprar aquele tal " uóquimein".

Cajazeiras passou, e foi somente em São Paulo, lá pelas bandas de 1989, que consegui ter dinheiro para realizar o meu sonho. Comprei um walkman que pesava uma tonelada. Era dos mais baratos, mas difícil descrever a riqueza que era ouvir as minhas canções favoritas nos ônibus, nas ruas, em todo lugar que eu quizesse.

Andava com a mochila cheia de fitas cassetes, e quanto mais dinheiro ia ganhando, conseguia mudar de aparelho: alguns tinham rádio AM-FM, outros tinham gravador de voz, outros tinham até o tal "auto-reverse", e quando finalmente, eu consegi comprar o modelo com baterias recarregaveis; alguém decretou a morte das fitas cassetes e do walkman: surgia o Compact Disk.

Incrível como evoluimos rapidamente. Em pouco mais de alguns meses, os CDs invadiram as lojas, e eu não queria ficar para trás, portanto, tratei de comprar o meu primeiro CD.

- Você tem aí o CD daquela mulher que canta: " Ai nidi samidrins"?

O albúm dos Cranberries foi o primeiro CD que eu tive na vida. Pouco tempo depois, foi o primeiro CD que toquei no meu novo "walkman", com quatro pilhas que duravam uma hora. Era caro, pesado e a mochila pesava com tanta pilha, mas a pureza e a qualidade do som valia a pena o esforço.

Naquele época, lembro ter pensado: o que os caras vão inventar agora que seja melhor que o CD?

Hoje tenho toda a coleção dos Cranberries em MP3; caminho com mais de 3.000 canções no meu i-Pod; assisto seriados e shows ( incluindo o último solo da vocalista Dolores O'Riordan) na telinha do meu i-Phone que se esconde facilmente no bolso da minha camisa, e pergunto a vocês: o que eles vão inventar agora?


Ps: Cranberry é uma frutinha da família do morango, que faz muito bem para a saúde feminina.

Os irlandeses do Cranberries, que anunciaram no ano passado o retorno aos palcos, tocam pela primeira vez no Brasil. Em São Paulo, cerca de 6.000 pessoas foram assistir ao show no Credicard Hall. A banda, que já passou também pelo Rio de Janeiro (dia 28), se apresenta ainda em Belo Horizonte (31/01, Chevrolet Hall) e Porto Alegre (03/02, Pepsi On Stage)

MATANDO OBSESSORES PELA MADRUGADA

Acordo, são duas da madrugada. Estou cansado, andei matando obsessores pelas quebradas do meu inconsciente.

Estava meio que doente, com tanto assédio; agora me sinto vazio. Havia um rio de gente querendo controlar a minha vida; expulsei todos da casa; e para a minha surpresa, todos eles eram apenas formas-mentais; pseudo-eus que criei por algum motivo; e não saquei, mas durante um bom tempo, eram eles que estavam dirigindo o meu veículo.

Depois de tanta gente aqui dentro, fica até difícil lidar com o silêncio. Daí, o sono que não vem; e, essa idéia de prática, escrever dentro da madrugada, que boa parte dos obsessores que nos aterrorizam, não passam de criações mentais, que já nos foram úteis algum dia.

HAVIA UM JARDIM NO MEU QUINTAL

Nunca prestei atenção,
Mas há um jardim,
Quando abro a janela
Do meu apartamento.

Vejo lá de cima,
Árvores, passarinhos,
Borboletas
E um perfume que me lembra:
Se você não notou o que havia no seu quintal,
Imagina o que você não nota em sua vida!

UM ENCONTRO NA LIVRARIA

Estou na cafeteria da livraria do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo. Espero meus estudantes chegarem, enquanto isso, tomo um cappuccino e leio um artigo qualquer num jornal; alguém se aproxima e pergunta se pode sentar, aviso que estou esperando alguém, ele insiste, e diz que não vai demorar muito. Olho no relógio, falta uns quinze minutos para a aula, a cafeteria está cheia, portanto, acho de bom tom, não ser rude; e concordo, ele pode compartilhar comigo a mesa, mas aviso novamente: "estou esperando alguém". Ele sorri, parece compreender.

- Aconteceu muito rápido - ele diz, e eu observo que ele não está tomando café, ou suco, não carrega nada que justifique o uso da mesa, aparentemente, ele sentou ali só para conversar comigo - Eu acreditei em Deus minha vida inteira, mas diante daquela situação, percebi que a minha fé era superficial; nas profundezas da minha alma, só havia vazio em relação ao Divino. Nú, diante da face da morte, a revolta é tudo que resta aos corações que não são firmes no amor.

" Diante da força cruel da Natureza - ele continuou - a fé que me restava se fragmentou, e tudo que restou foi raiva, ira contra toda aquela previdência que permitia que toneladas de lama varresse da Terra o meu sonho de vida; e eu me senti terrivelmente sozinho, obra de um acaso cósmico, reação química inútil, fruto de um capricho da natureza que me fez homem, ao invés, de uma planta.

Quando senti a pressão da minha consciência sendo expelida para fora do corpo caído, a gritaria mental era intensa, a revolta gigantesca: havia algo além da morte, mas nada de anjos, parentes e amigos desencarnados dando boas vindas; Jesus, Santos, nada desse tipo; apenas cenas dantescas, imagens diabólicas, palavras de revolta que pesavam uma tonelada e a certeza que não havia nada relacionado a bondade, amor, ou qualquer um desses sentimentos nobres que tanto aprendemos a dar valor aqui desse lado. Diante dessa violência; eu queria retornar ao meu corpo enterrado, e achar uma maneira de voltar a viver lá dentro; ali fora, diante do limbo da minha alma, tudo doia tanto.

As lembranças vinham numa velocidade difícil de controlar, e cada uma delas, chicoteava a minha consciência com arrependimentos, lições que não foram assimiladas, mostrando as mais óbvias explicações para cada coisa que ocorreu na minha vida, incluindo estar naquele lugar, naquele momento...

Então, quando finalmente parei de lutar contra o que me era mostrado, e me entreguei ao que quer que viesse dali em diante, comecei a sentir as bordas de um novo mundo a surgir na minha frente, e diante das minhas lágrimas, agora mais calmas e caladas; um outro tempo foi chegando e comecei a perceber que esse mundo esteve sempre presente, mas eu estava olhando na direção errada.

Sem a revolta e a gritaria por uma justiça que eu não merecia, passei a perceber que eu não estava mais sozinho, ou melhor, eu nunca estive; pois sempre houve alguém do meu lado, orientando, tentando indicar as setas, o caminho a seguir, mesmo quando eu não queria ver.

Ainda sinto vontade de voltar, pois tanta coisa quero fazer, tanto ainda há por aprender, mas preciso trabalhar bastante a aceitação que não vivo mais nessa dimensão, e faz parte dessa lição, te contar sobre o que ocorreu comigo..."

- Frank, how are you, my friend? - diz o meu estudante, chegando e me pegando de surpresa. Olho novamente para ao meu lado, e não vejo mais o rapaz que estava falando anteriormente.

- I´m pretty well! Have a seat! - respondo para o meu estudante e fico imaginando se vi mesmo o rapaz, ou foi algo da minha cabeça. But you know what? Essa meditação pode ficar para depois, tenho uma aula para dar.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Morre aos 91 anos o escritor norte-americano J.D. Salinger

Morre aos 91 anos o escritor norte-americano J.D. Salinger. Autor de 'O apanhador no campo de centeio' estava em casa. Morte foi em decorrência de causas naturais, diz filho.

O escritor J.D. Salinger, autor de "O apanhador no campo de centeio", morreu nesta quarta-feira (27) aos 91 anos, confirmou ao G1 a agência literária do escritor, Harold Ober Associates.

De acordo com um comunicado enviado por e-mail pela agência, "Salinger morreu em paz" e de "causas naturais em sua casa em New Hampshire". "Apesar de ter quebrado sua bacia em maio, sua saúde estava excelente até uma recaída súbita depois do ano novo. Ele não estava com dores nem antes nem na hora de sua morte", segue a nota.

Ainda de acordo com a Harold Ober Associates e "preservando seu desejo de toda uma vida para proteger e defender sua privacidade, não haverá velório", e "a família pede respeito das pessoas por ele, sua obra e sua privacidade".

De acordo com a Associated Press citando informações do filho de Salinger, a morte foi por causas naturais. O escritor estava em sua casa em Cornish, New Hampshire, onde vivia em isolamento havia décadas.

O romance "O apanhador no campo de centeio" com seu imortal protagonista - o rebelde Holden Caulfield - foi lançado em 1951 durante o período da Guerra Fria. A história de alienação juvenil e perda da inocência foi adotada por adolescentes em todo o mundo e vende cerca de 250 mil cópias por ano. No total, já são mais de 60 milhões de exemplares em diversas línguas.

No Brasil, "O apanhador no campo de centeio", a coleção de contos "Nove histórias" (53) e o romance "Franny & Zooey" (61) são publicados pela Editora do Autor. Já "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira & Seymour, uma apresentaçao", que reúne duas histórias do autor de 63, foi editada por aqui pela L&PM, Brasiliense e Companhia das Letras.

Continuação não-autorizada
Em junho do ano passado, Salinger voltou ao noticiário após processar o escritor sueco Fredrik Colting, que escreveu "60 Years Later: Coming through the Rye" ('60 anos depois: saindo dos campos de centeio', em tradução livre), uma continuação não-autorizada dos eventos narrados no original.

Em setembro, o juiz de uma corte de apelação dos EUA classificou o livro de Colting como "um trabalho bastante medíocre", e questionou se o livro prejudicaria o famoso escritor.

Na ocasião, Marcia Paul, advogada de Salinger, disse que seu cliente recusou ofertas do produtor de Hollywood Harvey Weinstein e do diretor Steven Spielberg para escrever uma sequência. "Salinger não deseja autorizar uma sequência ou uma variação", disse ela.

O autor, como de praxe desde a década de 80, não concedeu entrevistas sobre o episódio.

"Amo escrever", disse Salinger em 1974, em uma de suas raras concessões ao jornal "The New York Times". "Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer".

Trajetória
Jerome David Salinger já tinha 32 anos de idade quando estreou em 1951, com "O Apanhador no Campo de Centeio", uma história de um adolescente rebelde e suas experiências quixotescas em Nova York, que elevou o escritor ao topo da cena literária. O romance causou polêmica pela liberdade com a qual o autor descrevia a sexualidade e a rebeldia adolescente.

Salinger não publica um trabalho literário com sua assinatura desde o conto "Hapworth 16, 1924" em junho de 1965. E não concede entrevistas desde 1980.

O autor, filho de um judeu importador de queijos kosher e de uma escocesa-irlandesa que se converteu ao judaísmo, cresceu em um apartamento da Park Avenue, em Manhattan, estudou durante três anos na Academia Militar de Valley Forge e em 1939, pouco antes de ser enviado à guerra, estudou contos na Universidade de Columbia.

Em relação a outros escritores, Salinger classificou Ernest Hemingway (1899-1961), que conheceu em Paris, e John Steinbeck (1902-1968) como de segunda categoria, mas expressou sua admiração por Herman Melville (1819-1891).

Em 1945, Salinger casou-se com uma médica francesa chamada Sylvia, de quem se divorciou e, em 1955, casou-se com Claire Douglas, união que também terminou em divórcio em 1967, quando se acentuou a reclusão do escritor em seu mundo privado e seu interesse pelo budismo zen.

Os primeiros contos de Salinger foram publicados em revistas como "Story", "Saturday Evening Post", "Esquire" e "The New Yorker" na década de 1940, e o primeiro romance "O apanhador no campo de centeio" transformou-se imediatamente em sucesso e lhe consagrou aos olhos da crítica internacional.

A fama, no entanto, provocou em Salinger a aversão à vida pública, a rejeição à entrevistas e à invasão de sua vida privada que se manteve até sua morte.

Em 1953, ele publicou uma coleção de contos "Nove Histórias"; em 1961 outro romance, "Franny & Zooey", e em 1963 uma coleção de pequenos romances "Raise high the roof beam, carpenters and Seymour: an introduction".

Durante os anos 80, o escritor esteve envolvido em uma prolongada batalha legal com o escritor Ian Hamilton que, para a publicação de uma biografia, usou material epistolar escrito por Salinger.

Uma década depois, a atenção midiática que tanto evitava voltou a pousar sobre o autor, devido à publicação de dois livros de memórias escritas por duas pessoas próximas a ele: sua ex-amante Joyce Maynard e sua filha Margaret Salinger.

Source: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1467202-7084,00-MORRE+AOS+ANOS+O+ESCRITOR+NORTEAMERICANO+JD+SALINGER.html

Um Mundo Sem Livros

Ontem a noite sonhei
Que acordava num mundo sem livros,
E como amo tanto ler
Quase fiquei maluco;

Nao havia computador,
Nem jornal, nem revista,
E para aumentar o meu temor
Esqueci como escrevia;

O mais estranho é que em tudo acreditei,
Que podia ser sonho, nem sequer desconfiei;
E como crianca tive que aprender a ler e escrever novamente,
Sem tantas condições e oportunidades como anteriormente;

Para cada palavra aprendida, um valor!
E em cada palavra lida, um orgulho!
Em aprender desta vez com amor
E a dar valor ao conhecimento expresso no mundo;

Quando acordei, mal pude acreditar,
Que nada fora real e com alivio respirei bem profundo,
Mas uma coisa esse sonho veio me re-ensinar
A ter mais prazer e brilho no olho em meus estudos;

Pois sei que nem todo mundo tem condições de comprar um livro,
E boa parte do povo nem sabe que existe internet;
E por isso que agradeço o que aprendo e o que experimento compartilho;
Tentando manter nas palavras o amor que o universo tanto nos fornece.

OS DERVIXES DO ASTRAL

Chegam girando os Dervixes do Astral. Caboclos saudando o povo desse congá com as bençãos dos Orixás.

São lindos, esses caboclos e caboclas, que chegam cantando, dançando e iluminando todo o lugar.

Trazem firmeza. Trazem certeza que há algo além do que pensamos que há.

Já habitaram em épocas remotas diversas partes desse planeta, vestindo manifestações, que embora aparentemente primitivas, fluiam grande sabedoria.

Certa vez perguntei a um caboclo o seu lugar de origem na Terra, e ele respondeu:

"Fui Asteca, fui Maia, fui Inca;
Fui Tupi, fui Guarani, fui da Sibéria;
Fui Celta, fui Egípcio, fui Indiano;
Fui primitivo, fui urbano;
Mas agora sou apenas um dançarino do astral,
Dervixe de Alá, que trabalha na Falange de Oxalá,
Pois no astral, todas as tribos são apenas uma.
Uma banda, uma família,
Tabalhando nas mais diversas vibrações espirituais
Por um único objetivo: o amor!"

Salve os caboclos de Aruanda.
Salve a linda Umbanda,
Presente para a Terra do nosso Pai Oxalá.

ENGENHO E ARTE

No engenho e na arte;
Que a magia de servir
Se faça Luz por toda parte;

Levando alegria ao Mundo dos Homens
Tão carentes de amizade;

Sejamos os Palhacinhos do Senhor;
Com narizes vermelhos de alegria
Espalhando o amor e a harmonia
Por todas as nações!

E que o cansaço nunca nos afaste
Do sorriso que nasce,
Quando presente nos damos
Apenas em servir a humanidade!

ENTRE-MUNDOS

Curta-metragem "Entre Mundos", dirigido por Carlos Eduardo Luongo e estrelado por Juliana Buso e Enilde Costa.

Sinopse: Garota e avó tem forte ligação de ternura e quando uma tragédia acontece em suas vidas, a menina passa a ter devaneios sobrenaturais até aceitar de fato o que realmente aconteceu.

Ficha Técnica:

Direção e roteiro: CARLOS EDUARDO LUONGO
Direção de fotografia: VIVIAN IKWUEME
Direção de Arte: BRUNA CAMPOS
Produção Geral: SABINA DI RISIO
Edição: SABINA DI RISIO

Elenco:

JULIANA BUSO - garota
ENILDE COSTA - Avó

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Deixei um amigo em Machu Picchu

Tenho um amigo que mora em Águas Calientes, o vilarejo aos pés das montanhas, onde está a famosa cidade perdida-achada Inca. Trocamos algumas cartas por anos, e depois do advento da internet, volta e meia, ele me envia um e-mail contando sobre os seus negócios na cidade: ele é dono de uma pousada. Ontem, na TV, vi a área onde fica a sua pousada debaixo d'água.

Tentei falar com ele, mas o telefone não funciona, internet nem pensar. Não sei se ele está bem ou se sucumbiu vítima da enchente; mas tenho orado por ele e por todas as pessoas que estão tendo a sua vida devastada por enchentes ou tragédias naturais.

Posso estar errado, mas algo está realmente ocorrendo na Natureza, talvez seja por isso, que ontem quase ocorreu uma tragédia comigo...

Depois de ver o estrago das chuvas em São Paulo; ao caminhar aqui na rua, em frente à minha casa, ví um sujeito jogando lixo no chão e dei uma bronca no sujeito; ele reagiu com agressividade, dizendo que ele pagava imposto para ter gente limpando a rua para o lixo dele. Percebi o quanto a situação estava ficando perigosa, pois a vontade que eu tinha, se tivesse tamanho e coragem, era encher a boca dele, com o lixo que se acumulava na entrada do bueiro.

Deixei pra lá!

Estava a caminho do trabalho, e sabia que para esse tipo de gente, não adianta apontar, eles um dia descobrirão por si mesmo, o que significa jogar lixo no chão. E antes, que o leitor me pergunte: "onde afinal, eu quero chegar?"

Eu respondo: há uma relação direta entre o lixo que se joga no chão e a inundação que ocorre em São Paulo. Qualquer estudo sério, apontará a porção de culpa da população nesse processo. É muito fácil culpar o governo, a prefeitura, quando não fazemos a nossa parte, que inclui apenas, não colaborar para as enchentes, entupindo os esgotos com os nossos trejetos. Quanto a Machu Picchu, não importa o lugar no mundo, estamos todos unidos, quando o assunto é sobreviver aos desastres naturais. Seja em Diadema, no Haiti ou no Peru, somos todos reféns das atitudes dos outros, por isso, reflita, sobre como você está contribuindo com o coletivo; começando com o seu lixo...

Ismália

By Alphonsus de Guimaraens


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...



Alphonsus de Guimaraens (Afonso Henriques da Costa Guimaraens), nasceu em Ouro Preto (MG), em 1870 e faleceu em Mariana (MG), em 1921. Bacharelou-se em Direito, em 1894, em sua terra natal. Desde seus tempos de estudante colaborava nos jornais “Diário Mercantil”, “Comércio de São Paulo”, “Correio Paulistano”, “O Estado de S. Paulo” e “A Gazeta”. Em 1895 tornou-se promotor de Justiça em Conceição do Serro (MG) e, a partir de 1906, Juiz em Mariana (MG), de onde pouco sairia. Seu primeiro livro de poesia, Dona Mística, (1892/1894), foi publicado em 1899, ano em que também saiu o “Setenário das Dores de Nossa Senhora. Câmara Ardente”. Em 1902 publicou “Kiriale”, sob o pseudônimo de Alphonsus de Vimaraens. Sua “Obra Completa” foi publicada em 1960. Considerado um dos grandes nomes do Simbolismo, e por vezes o mais místico dos poetas brasileiros, Alphonsus de Guimaraens tratou em seus versos de amor, morte e religiosidade. A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.

(fonte: Itaú Cultural)


Publicado no livro Pastoral aos crentes do amor e da morte: este poema, integrante da série "As Canções", foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45, uma seleção de Ítalo Moriconi.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Iemanjá - Uma Lenda Africana

A Africa era árida e seca, então Iemanjá nasceu dos deuses.

E a Iemanjá sentiu-se só e os deuses deram-lhe um filho, que ela teve pelo umbigo.

A esse filho ela chamou Rio.

E o rio cresceu e atravessou a Africa e foi ter ao mar.

Do outro lado abriu os braços, que se ramificaram; e cada ramificação foi um filho novo e cada novo filho teve um novo nome: Missouri, Mississippi, Amazonas, Rio de la Plata.

Com a primeira árvore nascida na Africa, um Imbondeiro; Iemanjá fez uma grande canoa e nela colocou todas as vozes que desciam por outros rios: o Kwanza, o Kunene, o Zambezi, o Limpopo, o Kongo, o Niger e o Nilo.

E disse: tu és o meu filho, tu és o Homem Africano.

E o Homem Africano partiu para o rio de Iemanjá cantando; e a canção era a Esperanca, o ritmo era o remo, batendo na água; e o coração era uma grande maraka repetindo:

Não te esqueças, Não te esqueças, Não te esqueças...

Don’t forget your Blackground,
Don’t forget your Blackground,
Don’t forget your Blackground!


Iemanjá(Duo Ouro Negro)

Africa was a three, very dried
And Iemanja was born from the Gods
Africa was a three, very dried
And Iemanja was born from the Gods

Behold, behold, behold
Iemanja
This is your country

Ô Iemanjá
Ô Iemanjá
Iemanjá gaga unga gaga uê

And yemanja felt alone
And the gods gave her a son
Who was born by a nature
And the son was a river
A river, river,
River of Iemanja

Ô Iemanjá
Ô Iemanjá
Iemanjá gaga unga gaga uê

Missouri, Mississipi,
Amazonas, River la Plata

Ô Iemanjá
Ô Iemanjá
Iemanjá gaga unga gaga uê



Para saber mais sobre o gruppo Duo Ouro Negro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Duo_Ouro_Negro
http://duoouronegro.blogspot.com/2007/04/nova-antena-projectos-ouro-negro.html

KIKI JOACHIN

Às vezes, o milagre não é a sobrevivência, mas a alegria!

O que a alegria pode provocar...

Como a alegria desencadeia um processo
Que ensina mais
Que mil tragédias;

Essa é a alegria da vida!!!

E o povo ainda prefere chorar...

segunda-feira, janeiro 25, 2010

CARIDADE PARA QUEM?

Há pessoas que só fazem caridade
Para dar um exemplo.

Nisso,
Eles se esquecem o próposito
Da caridade em si.

O ideal é que os famosos,
As celebridades encorporem esse papel,
Dê esses exemplos;
Pois sempre sobra
Para os anônimos
O contentamento de fazer o bem
Para o bem do outro.

domingo, janeiro 24, 2010

ESTRELA DO ORIENTE

Qual é o poder das palavras?
Será que terei em minha pena,
A magia necessária da letra encantada
Para dizer com amor
Tudo aquilo que se passa em sua alma?

Rogo as musas douradas,
Que desde o príncipio da humanidade,
Inspiram poetas a brincar com as palavras;
Que conduzam a minha escrita
Somente para dizer: sim, também amo você!

E esse amor é único
Só nosso;
Desconhece regras,
Quebra convenções,
Pois não é amor de troca
É apenas amor de querer bem,
Querer com o outro estar;

E quero com isso desejar
Que a Estrela,
Que já compartilhamos no céu de um lindo vale,
Te oriente
Te guie;

Para que você
Cada vez mais,
Siga triunfante,
Brilhante,
Expandindo esse amor que você sente
Para cada coisa que você faça;
Para cada pessoa que por ti passa;
Pois você é, para esse poeta,
Um grande amor de diversas vidas;

E te desejo,
Querida amiga;
Acima de tudo;
Muita alegria!
Muita alegria!
Afinal, alegria é a matéria prima da vida!!!

sábado, janeiro 23, 2010

QUEM MANIPULA OS OUTROS É OBSESSOR

Meu amigo disse para mim:

" Todo mundo manipula, até mesmo sem saber o que é manipulação."

Eu respondi para ele:

" Uma coisa é manipular sem intenção, por inocência; outra é manipular em plena consciência."

sexta-feira, janeiro 22, 2010

D'OXUM

A força que mora n'água
Não faz distinçao de cor.

E toda cidade é d'oxum

O QUE CIRCULA NA SUA ÓRBITA?

A galáxia gira em espiral, os planetas cada um em seu eixo, dentro de suas órbitas. A Terra em seu movimento circular, aparentemente solitária, gira por seus habitantes que não percebem, mais também estão circulando, atraindo e repelindo outros corpos, sensações e sentimentos. Muitos seguem em fluxo, sem se dar conta disso; outros sabem que é possível mudar a sua órbita, se ela não atrai aquilo que eles realmente precisam.

Eu te pergunto: o que circula na sua órbita?

Quem você está seguindo?

Quem anda te acompanhando?

O que você tem atraido para a sua vida?

E o que está repelindo?

Perguntas bem simples de responder se você já percebeu que, ao contrário dos planetas, você pode mudar o seu próprio giro e melhorar o que tem atraído para a sua órbita.

Sete Motivos

Não é só partir, tem também o recomeçar. A mente se coça, o coração pede cobertor, pois o peito está frio, quem aquecia se foi.

- Vá embora! Ou vou eu! - ela disse - Não percebe que já não há mais nada aqui dentro desse corpo, dentro dessa casa; o amor que fluia envolvendo o espaço de nóis dois, se foi faz tempo, e apenas fingíamos, enganados e inocentes, que ele ainda estava dentro.

Quem aquecia quem?

Tem calor que é bom, tem outro, que amortece, e vai matando pouco a pouco, aquilo que nos renova, floresce o nosso potencial. O que era chama sempre se apaga, não é culpa de ninguém, é apenas a natureza das coisas. Se bem, que ás vezes, há também a chama que se apaga pelo mau.

- Eu vou - ele respondeu - Vou pra longe, até que a minha falta te faça perceber que não ter a mim é pior que comigo estar. Estarei sozinho, pois não quero me enganar, fingindo que tenho você em outros corpos, em outros lábios. Você sabe, quem eu quero de fato; e não vou descansar até recuperar, para sempre, a vida que eu mereço ter.

Ela sabia que ele não desistiria fácil, mas respirou aliviada quando ele partiu.

Dias depois, ele invadiu o lugar onde ela trabalhava e deixou com ela sete motivos que fazia dele, não um homem, mais uma besta; e sabia que dali em diante, ela jamais seria esquecida e viveria agora dentro dele, para sempre, para sempre...

quinta-feira, janeiro 21, 2010

QUEM ÉS, EXU?

Escrito por Pai Norberto Peixoto
Dirigente da Choupana do Caboclo Pery
Terreiro filiado ao CECP)

Notas: O Exu que ditou esta mensagem é mais um dentre tantos que se denominam
Exu Tiriri Rei da Encruzilhada e labutam em prol da Divina Luz, nossa amada Umbanda.
Quem és, oh Elegbara!?

Que com teu falo em riste deixava estupefatos os zelosos sacerdotes do clero católico.

Só pode ser o demônio infiltrado nestas tribos primitivas que habitam o solo árido da África, gritavam os inquisidores zelosos.

Negros sem alma, que só pensam em se reproduzir, em ofertar para a fertilidade da lavoura, levem-nos para o Brasil e vendam-nos como escravos que lá aprenderão as verdades dos "céus".

Cá chegando, quem és, Exu, "orixá" amaldiçoado pela dualidade judaico-católica, que não pôde ser sincretizado com os "santos" santificados pelos papas infalíveis...

Quem és, Exu, que os homens da Terra determinam que não é santo e por isto é venerado escondido no escuro das senzalas e seus assentamentos ficam enterrados em locais secretos?

Quem és, Exu, que o vento da liberdade que aboliu a escravidão "enxotou" para as periferias da capital de antanho?

Quem és, Exu, que o inconsciente do imaginário popular vestiu com capa vermelha, tridente, pé de bode, sorridente entre labaredas, que por alguns vinténs, farofa, galo preto, charuto e cachaça, atende os pedidos dos fidalgos da zona central que vêm até o morro em busca dos milagres que os santos não conseguem realizar?

Quem és, Exu, que continua sendo "despachado" para não incomodar o culto aos "orixás"?

Exu, é entidade? Então não entra dizem os ortodoxos que preconizam a pureza das nações.
"Aqui não tem lugar para egum...espírito de morto..."

Exu, fique na tronqueira. Médiuns umbandistas pensem nos caboclos e pretos velhos, não recebem estes Exus, admoestam certos iniciados chefes de terreiro. Eles são perigosos para os iniciantes.

Sim, estes iniciantes e iniciados que pelo desdobramento natural do espírito durante o sono físico vão direto para os braços do seu
quiumba – obsessor- de fé, e saem de mãos dadas para os antros de sexo, drogas, jogatinas e outras coisitas prazeirosas do umbral mais
inferior. Noutro dia, sonolentos e cansados do festim sensório, imputam a ressaca ao temível Exu.

Oh! Quantas ilusões!!!!!!

Afinal, que és tu, Exu?

Por que sois tão controverso?

Eu mesmo vos respondo...

Iah, ah, ah, ah....

Não sou a Luz...

Pois a Luz cristalina, refulgente, só a de Zambi, Olorum, Incriado, Deus, seja lá que nome vocês dão...

Não sou a luz...Mas sou centelha que refulge. Logo sou espírito em evolução. Esta não é uma
peculiaridade nossa, só dos Exus, mas de todos os espíritos no infinito cosmo espiritual. Afirmo que não existe espírito evoluído,
como se fosse um produto acabado. Todos os espíritos, independente da forma, estão em eterna evolução, partindo do pressuposto que só existe um ser plenamente perfeito, um modelo de absoluta perfeição, o próprio Absoluto, Deus.

Assim, perante os "olhos" de Olurum, sou igual aos pretos velhos, caboclos, baianos, boiadeiros, ciganos, orientais...
As distinções preconceituosas ficam por conta de vocês.

Não sou a luz, mas tenho minha própria luminosidade, qual labareda de uma chama maior, assim como todos vós. Basta tirar as nódoas escuras do candeeiro que vos nublam o discernimento que podereis enxergá-la, lá dentro de vós, o que chameis de espírito.

Há algo que me distingue dos demais espíritos. É o fato de eu não estar na luz. Meu habitat é a escuridão. Os locais trevosos onde há sofrimento, escravidão, dominação coletiva, magismo negativo, castelos de poder alimentados pelo mediunismo na Terra que busca a satisfação imediata dos homens, doa a quem doer.

O que eu faço lá?

Eu, um Exu, entre tantos outros, levo a luz às trevas, qual cavaleiro com candeeiro em punho.

Dentro da lei universal de equilíbrio, eu abro e fecho, subo e desço, atuo na horizontal e na vertical, no leste o no oeste, atrás
e na frente, encima e embaixo, impondo sempre o equilíbrio às criaturas humanizadas neste planeta, encarnados e desencarnados aos milhões.

O Cosmo é movimento, nada está parado, nada é estático.

Eu sou movimento. Não sou as ondas do mar, mas eu as faço movimentar-se...Não sou as estrelas na abóbada celeste, mas meu movimento faz a sua luz chegar até as retinas humanas...Não sou o ar que perpassa as folhas, mas as suas moléculas e partículas atômicas são mantidas em coesão e movimentadas pela minha força....

Iah, ah, ah...

Este equilíbrio não se prende as vontades humanas e aos vossos julgamentos de pecado, certo ou errado, moral ou imoral. Eu atuo no contínuo temporal do espírito e naquilo que é necessário para a evolução, retificando o carma quando justo. Se tiverdes programado nesta encarnação serdes ricos, o será com axé de Exu. Se for o contrário, se em vida passada abusou da riqueza, explorou mão de obra, matou mineiros e estivadores de canaviais, estuprou escravas, é para o equilíbrio de vosso espírito serdes mendigo infértil. Nascerás em favela sentindo nas entranhas o efeito de retorno, com axé de vosso Exu que vos ama, assim como um elástico que é puxado esticando e depois volta à posição de repouso inicial, estarei atuando para que seja cumprida a Lei de Harmonia Universal, mesmo que "julgueis" isto uma crueldade.

Eu, Exu, vos compreendo.

Vós ainda não me compreendeis.

Eu sou livre, livre e feliz.

Vós sois preso, preso e infeliz no ciclo das reencarnações sucessivas.

Eu dou risada.

Iah, ah, ah, ah !!!!

Sabe por quê?

Porque eu sei que no dia que o Sol não mais existir, vosso planeta for mais um amontoado de rocha inerte vagando no cosmo, estaremos vivos, vivos, muito vivos, evoluindo, evoluindo, sempre evoluindo.

Assim como vim para a Terra como caravaneiro da Divina Luz há milhares de anos atrás, assim iremos todos para outro orbe quando este planeta "morrer".

Quando este dia chegar, vós estareis um pouco menos iludidos com as pueris verdades emanadas dos homens e seus frágeis julgamentos religiosos.

Eu, Exu, vou trabalhar arduamente para quando este dia chegar, vós estejais menos iludidos e quem sabe livre da prisão do escafandro de carne, assim como eu sou livre, livre, livre e feliz.

Iah, ah, ah, ah, ah
.

Dia Branco

Geraldo Azevedo


Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair

Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Comigo, comigo.

Canção de Geraldo Azevedo
Versão da banda Vermelho 27 atuando como "The Sconhecidos" no filme "A Máquina" de João Falcão.

Rabo ou Asas

De perto,
Todo ser humano
Não passa
De um animal.

De longe,
No outro,
É que todo ser humano
Demonstra
Se ainda tem rabo
Ou se já criou
Asas.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Okê Aro!!!


Homens Tapados e Mulheres Castradas

Há homens que tapam,
Há mulheres que castram,
E assim seguem, seguem
Com a sua vidinha.
Como o cão que corre atrás do próprio rabo;
Reclamam, reclamam,
Mas só atraem pra si, aquilo que mais os sintoniza.
O homem que tapa
Não deixa a sua companheira se expressar;
Tudo o que ela fala é errado,
Sente vergonha de com ela estar;
Em qualquer ocasião,
Na frente dos amigos ou em festas familiares,
Lá eles estão,
Tapando a relação com as bobagens
Que um homem inseguro
Comete com quem deveria ter
Respeito e amizade.
Sabe do potencial da sua mulher
Mas prefere vê-la em casa, lidando com prato e colher,
Do que estudando, se melhorando
Para se transformar
Em quem ela tanto
Deseja se tornar
A mulher que castra,
Não acredita no homem que está ao seu lado;
Não perde uma chance de criticá-lo,
Em rasgar os sonhos dele em pedaços.

Não querem que o seu companheiro
Fique muito à vista;
Temem perdê-lo para qualquer menina
Que enxergue nele
O que ela já enxergou um dia.

Na verdade, os homens que tapam é que são tapados;
E as mulheres que castram é que são castradas;
Pois perdem a chance de se relacionarem
E descobrirem uma outra idade,
Além do egoísmo que machuca os seus amados
Num ciclo sem fim de relacionamentos
Que só levam a um lugar:
Solidão mesmo acompanhados.


A CANÇÃO DO ETERNO SORRISO

Quero ver você ter a coragem
De seguir as suas bolinhas de sabão
E fazer da vida uma viagem
Pulando do tobogã da mente para o coração

Arriscar uma traquinagem
Se divertir de montão
Sabendo que nessa viagem
Só quem não ri é bobão


Desperte o seu palhaço
Pare com as lamentações
Viver, em si, já é um barato
Liberte a sua criança, meus amigões


Pois a alegria é o nosso destino
E o amor é a nossa missão
Seja adulto ou menino
Desperte o palhaço em seu coração

E contagie toda a sua família
Arranque o riso de seus amigos
Dance! Sorria! Sorria!
E cante a canção do eterno sorriso

Notas: a palhacinha modelo é a minha sobrinha Geovana, filha do meu irmão Billy.

A Jornada do Lótus

Em meio a lama da política, quem se arrisca ir além do que fala a corrupção e a mídia; de onde menos se espera, surgem pessoas que são a expressão da própria vida. Nome de escritor, ele trabalha como Vice-Presidente do Brasil; e te digo, nunca nos contos desse país se viu, alguém lutar tão bravamente contra a morte e com tamanha alegria. Que exemplo glorioso para quem anda queixoso; e que vitória maravilhosa para alguém com quase 80 anos de história.

Em meio aos ídolos temporários da TV e bobagens sem fim de uma programação cada vez mais pobre, ela representa as mulheres, as meninas e as senhoras, e tem a cara desse país tão forte. Descobriu um câncer e não desistiu de sorrir, pelo contrário, os olhos brilham com vida mais fluente e ela arrisca dizer: " não quero partir. Meu lugar é aqui!".

E assim, seguem essas flores de Lótus desse nosso Brasil. Em suas jornadas pela vida, abrindo as suas pétalas, mostrando o seu perfume, emergindo do pantâno de uma doença, tornando-se símbolos da luta e da coragem nesse mundo; um mundo onde cada vez mais gente anda em cardumes, chorando por qualquer coisa, erguendo as mãos para o céu, ao invés de trabalhar com elas na lavoura.

Viver é um presente, lutar pela vida é a nossa obrigação, por isso, deixo essa reflexão: pelo que você tem lutado?

terça-feira, janeiro 19, 2010

O TREM FANTASMA CARIOCA

Depois das balas perdidas, agora o trem fantasma; Soraya decidiu ir embora do Rio de Janeiro, antes que o navio do Rei Dom Sebastião chegasse em Copacabana.

Amava a Cidade Maravilhosa, mas estava cansada de morar num um lugar onde tudo poderia ocorrer.

Como qualquer moradora de cidade grande nutria um desejo quase esotérico de morar numa cidade pequena, numa casa de campo, onde ela pudesse ouvir muito rock rural; como cantava Rodrix. Como qualquer carioca que pagava os seus impostos, achava que o governo fazia muita vista grossa para o povo que morava nos morros, e não pagava luz, nem água, nem IPTU.

Já tinha sido assaltada num arrastão em Ipanema; já tinha sofrido um sequestro relâmpago na Barra da Tijuca; não mais abria as janelas do seu apartamento com medo dos fogos de mortifício que vinham da comunidade vizinha; e justamente no dia em que deixara o carro em casa, tentando provar para si mesma que poderia ir ao trabalho sem correr risco de ser assaltada no trânsito, o trem que viajara saiu da estação Ricardo de Albuquerquer sem maquinista.

Em princípio, ninguém reparou nada. Então, a velocidade aumentou, e alguém no primeiro vagão gritou: "o trem está sem maquinista!"

O pânico foi geral. Todos temiam que a qualquer momento, o trem se chocasse com outro trem ou coisa parecida.

Enquanto o trem fantasma avançava, ela orou, pedindo a todos os santos cariocas que se escapasse viva daquela experiência inusitada, deixaria o Rio para sempre. Os santos a escutaram, pois o trem parou na estação Oswaldo Cruz, logo depois.

Não houve feridos, só traumas para a vida inteira.

Horas depois, quando já estava em casa, Soraya ouviu na TV que a Supervia, empresa responsável pela linha, confirmava em parte a história dos passageiros e afirmou que o trem teve um problema operacional, às 6h15, que todo o episódio está sob apuração, mas o maquinista não havia descido em Ricardo de Albuquerque para verificar um defeito na parte elétrica. Aparentemente o funcionário da empresa que desceu do trem nessa estação e assistiu atônito o trem partir sozinho, nunca existiu. Funcionário fantasma, talvez. O que será que poderia ter ocorrido se o trem não tivesse parado quando a central de controle da Supervia, cortou a energia, pensou Soraya.

- Adeus, Rio! - disse ela, tentando esquecer o dia; e naquela mesma noite, Soraya arrumou as suas malas, comprou uma passagem de ônibus para Divinópolis em Minas Gerais, o único lugar do Brasil, onde a lei protege até mesmo as galinhas de serem carregadas de cabeça para baixo por quem as compra.

Source I: http://noticias.terra.com.br
Source II: http://g1.globo.com/bomdiabrasil

segunda-feira, janeiro 18, 2010

A Morte do Velhinho Noel

O menino deixou de acreditar no Papai Noel na Noite de Natal.

A árvore estava enfeitada, a caixa grande denunciava que o seu presente tão esperado já tinha chegado; mas o Bom Velhinho acabara de ser exterminado, e isso ocorreu, não porque o menino percebeu que o homem fantasiado de vermelho era na verdade um adulto disfarçado; na verdade, Papai Noel foi morto numa frase:

- Deixa de ser bobo, menino! Quem te comprou esse presente foi eu!

O menino pensou que o seu pai estivesse brincando ou querendo ganhar méritos indevidos. Era óbvio que o Papai Noel existia, afinal, ele estava em imagens por toda parte, todas as crianças acreditavam no Bom Velhinho, e as crianças eram maioria no mundo. Além disso, por todo o ano, ele tinha sido um bom menino, obediente, estudioso; cumprindo tudo aquilo que disseram que ele deveria fazer se quizesse receber o que havia pedido; e ele tinha sido tudinho, e mais um bucadinho, porque no fundo, ele já era um menino bonzinho.

- Você já está na idade de acabar com essas bobagens de acreditar em Papai Noel! - disse novamente a voz adulta; e o menino começou a perceber que havia algo errado. Seu pai não insistiria tanto nisso, mas não podia ser; o seu coração lhe dizia que o Velhinho Noel existia, ele podia até lembrar de já ter o visto.

- Mas, pai, eu já vi o Papai Noel!

- Você viu alguém vestido de Papai Noel, menino! É só! Agora vai tomar banho, que daqui a pouco, vamos começar a ceia de Natal.

O menino foi tomar banho, mas sentia-se estranho. Havia um vazio em seu peito, estava dando uma vontade de chorar. Mas, seu pai estava certo, ele não era mais uma criança, já tinha sete, e faria um esforço para conter as lágrimas. Conseguiu!!!

Quando o relógio gritou meia-noite e seus outros irmãos correram para os presentes na árvore, pela primeira vez, ele não ficou ansioso para abrir o seu pacote; e quando sua mãe lhe entregou o seu presente, o menino abriu, sorriu e agradeceu; mas a vontade de brincar tinha desaparecido.

Sua mãe achou que ele tinha adoecido, não suspeitava que o menino apenas tinha crescido antes do tempo devido.

domingo, janeiro 17, 2010

AJUDANDO O HAITI, MAS E OS DAQUI?

Do sofá, ele pensou no Haiti.

Nunca havia pensado em ajudar ninguém,
Não conhecia as favelas de Diadema,
Nem sabia o que ocorrera em Angra dos Reis,
Quando pensava em Paraitinga, a referência lhe faltava;
Mas aquelas imagens trágicas no Haiti com gente soterrada,
Acordou em seu peito uma vontade de oração.

Saiu da sala,
Foi ao quarto.
Obedecendo a uma intuição
Que nunca achou que tinha,
Calou a mente,
Rezou uma Ave Maria;
E sentiu que fluia
Os mais belos sentimentos
Que tinha,
E ao fazer isso,
Sentiu muita alegria.

Depois...
Foi dormir satisfeito;
Mesmo que tudo aquilo
Não passasse de um pensamento,
Ainda assim, já tinha causado um efeito;
Nele mesmo,
Nele mesmo.

Porém, em algum lugar,
Onde a luz se manifesta em vibração;
Condutores de energia
Distribuem por sintonia;
As emanações daquela singela oração;
Sem pensar se quem recebe é haitiano
Brasileiro ou africano,
A luz é inteligente;
Chega a quem precisa
Leva força a quem necessita
Não poderia ser diferente não.

A tragédia tem esse papel:
Despertar quem está dormindo da inércia;

E gente que nunca pensaria em dar ao outro a mão,
Se vê orando, emanando as mais belas orações.

É difícil o despertar da alma,
Pois nem todas as pessoas estão preparadas
Para orar por uma causa;

Feliz daquelas pessoas,
Que consegue enviar luz
Sem algum grito coletivo;
E mais feliz ainda
Daqueles que o despertar
Só acontece
Quando a tragédia bate-a-porta
Ou lhe atinge no sofá vindo da TV;

Pois não importa a causa,
O mais importante é contribuir;
O que importa se no pensamento
Está o Brasil ou o Haiti?

sexta-feira, janeiro 15, 2010

FLORES

Ah, as flores como são belas!

São pequenos chacras da natureza,
Botões em cores, criaturinhas cheias de beleza.

Alguém magoado pode dizer:
- Como se pode falar de flores num planeta tão cheio de dores?

Ao que nós, poetas inveterados, retrucamos:
- Como é que se pode falar de dores num planeta tão cheio de flores?

E isso sem falar nos amores, que apartam as dores.

Pois é, meus amigos, falamos de flores com vocês,
Esperando que vocês sejam
Bonitas flores espirituais no jardim da vida.

Que Deus lhes abençoe e os torne poetas na próxima vida.

— Cia. do Amor — A Turma dos Poetas em Flor.

A TRAGÉDIA e A FÉ

"Como você vem falar em Deus com tanta tragédia ocorrendo. Se Deus existisse, não deixaria aquela boa senhora morrer..."

Esse foi o tom de alguns e-mails que recebi sobre uma crônica-poesia que fiz, em homenagem a Dra. Zilda Arns:

http://cronicasdofrank.blogspot.com/2010/01/ode-zilda-arns.html

Eu ouso falar de espiritualidade em momentos como esse porque nessas horas, não consigo me omitir; aflora o que há em abundância em meu jardim, e não consigo sentir mágoa ou descontentamento, pois só flui compaixão de mim.

Não se fala de Deus somente em tempo de flores.

Estamos no plano da matéria; e as coisas que ocorrem, principalmente com os outros, fogem do nosso entendimento, porque ocorrem com eles, não com a gente. Cabe ao povo que não foi incluído nessas tragédias, ajudar, ou se não for possível,observar; compreender que tudo deve mesmo ter a sua razão de ser.

A espiritualidade não se anula nas sombras, pois é justamente nesse momento, que ela se torna mais necessária para que possamos sair da escuridão da falta de entendimento das coisas que ocorrem na Terra.

Durante nossa vida nessa planeta, muitas são as coisas que ocorrem que não dizem nada a nossa razão; e isso nos abala, pois a nossa mente foi criada para dar sentido as coisas, e quando retorna do mundo sem resposta, cria qualquer pensamento, explicação ou negação para satisfazer a nossa necessidade de resposta. Aceitar que muitas dessas tragédias fogem a nossa compreensão tira todo esse peso inútil de ter que entender tudo dos nossos ombros, e mais leves, podemos, ao menos, emanar luz ou qualquer outro sentimento nobre, ao invés de sujar ainda mais o pensamento coletivo da humanidade com reclamações ou exclamações desantentas, tipícas de quem deseja entender as coisas do mundo, mas nem ao menos se dá o trabalho, de compreender o que circula ao redor do seu umbigo.

O mundo é um lugar maravilhoso para se viver, sim; porém, isso não quer dizer, que as coisas sempre serão harmoniosas, e é justamente, quando as coisas ficam estranhas, quando a morte avança, carregando quem está em sua lista, que surgem pessoas brilhantes, almas caridosas que arriscam a própria vida para salvar outras. Porém, essas atitudes são de graça; a recompensa, se essas ações forem feitas mesmo sem buscar nada em troca, é o próprio bem estar da outra pessoa.

Não entendia isso, pois tinha a ilusão que se eu fizesse algo bom receberia algo melhor em troca; até que um dia percebi que esse saldo não é uma permuta. Quando realizamos algo para uma outra pessoa, não dá para exigir que o mundo nos pague de volta, e é exatamente esse conflito de " saldo injusto" que ocorre quando ficamos sabendo que alguma pessoa boa se foi numa tragédia. Isso abala as nossas estruturas, porque nos sentimos indefesos e inseguros: "se isso ocorreu com alguém tão importante para a humanidade, o que será de mim, que mal consigo tratar o meu vizinho direito?"

Curioso é perceber que nesse momento de dúvida, para muitos de nós, a fé que dizíamos ter, se esvai; e as nossas lamentações, que se espreitavam nas frechas das nossas sombras, se sobressaem e tomam conta da nossa consciência, nos empurrando para aquela afirmação de que só existiria Deus se tudo ocorre de acordo com o que pensamos ser o mundo perfeito. Muitos erguem as mãos para o céu e bradam:
" Deus, o que está ocorrendo? Esse povo já não sofreu demais?"

Ora, vamos deixar as coisas de Deus com Deus; é hora de cuidarmos das nossas coisas! Tentar compreender por que as tragédias ocorrem no mundo é um exercício interessante se soubermos primeiro por que razão provocamos certas tragédias em nossas vidas. Todo mundo já sabe que esse é um mundo da dualidade, e que os opostos não são inimigos, e sim aliados de um balanço maior, que na maioria das vezes, foge completamente ao nosso entendimento.

Se a natureza em sua grandeza transformou os seus atómos em cada um de nós, e não numa cadeira, foi para que pudessemos contribuir de alguma forma, com o Plano Maior. Ficar de braços cruzados, culpando Deus por não fazer um mundo belo e justo de acordo com o nosso juízo, é basicamente, dizer que uma cadeira faria um papel melhor que a gente. Ao menos, uma cadeira, é útil para sentar...

Cada um tem a sua crença, a sua fé, a sua certeza. Quando o mundo balança, há pessoas que se seguram em suas lamentações, porém, há outras tantas que após o desiquilíbrio natural, se aprumam e colocam-se de pé para o que der e vier. Vemos isso, ao acompanharmos as notícias dessa infeliz tragédia no Haiti; e ao percebemos os esforços do mundo todo em mandar ajuda, alimento, medicamento, ou simplesmente, luz em orações, no anonimato de suas casas.

Cada um dá o que tem de sobra na sua dispensa, já dizia o sábio Rabi; e cada um sintoniza com aquilo que mais atrai o seu olhar; nesse momento, em um presídio na cidade de Piraquara, no Paraná, ocorre mais uma rebelião com gente ferindo gente e fazendo tudo aquilo que nem um animal irracional faria com o seu semelhante; ali bem pertinho, em Curitiba, outros tantos homenageiam alguém que perdeu a vida nessa tragédia do Haiti, mas que deixou um legado de esperança, fé e amor para toda a humanidade.

Então, eu te pergunto: qual é a tua sintonia?


Frank Oliveira
15 de janeiro de 2010


Notas: enquanto escrevia essa crônica, lembrei de um hino escrito pelo amigo Gê Marques, dirigente da Escola da Rainha, que faz parte do seu hinário Reinado do Sol, e pensei em compartilhar com vocês.

Falar Em Deus


Falar em Deus todo mundo fala
Eu quero ver é tu vigorar
Emanar amor em meio à batalha
Deixar o Deus se manifestar

Falar em Amor todo mundo fala
Eu quero ver é tu liderar
O batalhão em meio à batalha
Com o coração a te comandar

Falar em Luz todo mundo fala
Eu quero ver é tu iluminar
A noite escura em meio à batalha
Para poder teu irmão guiar

quinta-feira, janeiro 14, 2010

TRAGÉDIA E FÉ

TRAGÉDIA E FÉ


"Como você vem falar em Deus com tanta tragédia ocorrendo. Se Deus existisse, não deixaria aquela boa senhora morrer..."

Esse foi o tom de alguns e-mails que recebi sobre uma crônica-poesia que fiz, em homenagem a Dra. Zilda Arns:

http://cronicasdofrank.blogspot.com/2010/01/ode-zilda-arns.html

Eu ouso falar de espiritualidade em momentos como esse porque nessas horas, não consigo me omitir; aflora o que há em abundância em meu jardim, e não consigo sentir mágoa ou descontentamento, pois só flui compaixão de mim.

Não se fala de Deus somente em tempo de flores.

Estamos no plano da matéria; e as coisas que ocorrem, principalmente com os outros, fogem do nosso entendimento, porque ocorrem com eles, não com a gente. Cabe ao povo que não foi incluído nessas tragédias, ajudar, ou se não for possível,observar; compreender que tudo deve mesmo ter a sua razão de ser.

A espiritualidade não se anula nas sombras, pois é justamente nesse momento, que ela se torna mais necessária para que possamos sair da escuridão da falta de entendimento das coisas que ocorrem na Terra.

Durante nossa vida nessa planeta, muitas são as coisas que ocorrem que não dizem nada a nossa razão; e isso nos abala, pois a nossa mente foi criada para dar sentido as coisas, e quando retorna do mundo sem resposta, cria qualquer pensamento, explicação ou negação para satisfazer a nossa necessidade de resposta. Aceitar que muitas dessas tragédias fogem a nossa compreensão tira todo esse peso inútil de ter que entender tudo dos nossos ombros, e mais leves, podemos, ao menos, emanar luz ou qualquer outro sentimento nobre, ao invés de sujar ainda mais o pensamento coletivo da humanidade com reclamações ou exclamações desantentas, tipícas de quem deseja entender as coisas do mundo, mas nem ao menos se dá o trabalho, de compreender o que circula ao redor do seu umbigo.

O mundo é um lugar maravilhoso para se viver, sim; porém, isso não quer dizer, que as coisas sempre serão harmoniosas, e é justamente, quando as coisas ficam estranhas, quando a morte avança, carregando quem está em sua lista, que surgem pessoas brilhantes, almas caridosas que arriscam a própria vida para salvar outras. Porém, essas atitudes são de graça; a recompensa, se essas ações forem feitas mesmo sem buscar nada em troca, é o próprio bem estar da outra pessoa.

Sempre tive a ilusão que se eu fizesse algo bom receberia algo melhor em troca; até um dia perceber que esse saldo não é uma permuta. Quando realizamos algo para uma outra pessoa, não dá para exigir que o mundo nos pague de volta, e é exatamente isso que ocorre quando ficamos sabendo que alguma pessoa boa se foi numa tragédia. Isso abala as nossas estruturas, porque nos sentimos indefesos e inseguros: "se isso ocorreu com alguém tão importante para a humanidade, o que será de mim, que mal consigo tratar o meu vizinho direito?"

Curioso é perceber que nesse momento de dúvida, para muitos de nós, a fé que dizíamos ter, se esvai; e as nossas lamentações, que se espreitavam nas frestas das nossas sombras, se sobressaem e tomam conta da nossa consciência, nos empurrando para aquela afirmação de que só existiria Deus se tudo ocorre de acordo com o que pensamos ser o mundo perfeito. Muitos erguem as mãos para o céu e bradam: " Deus, o que está ocorrendo? Esse povo já não sofreu demais?"

Ora, vamos deixar as coisas de Deus com Deus; é hora de cuidarmos das nossas coisas! Tentar compreender por que as tragédias ocorrem no mundo é um exercício interessante se soubermos primeiro por que razão provocamos certas tragédias em nossas vidas. Todo mundo já sabe que esse é um mundo da dualidade, e que os opostos não são inimigos, e sim aliados de um balanço maior, que na maioria das vezes, foge completamente ao nosso entendimento.

Se a natureza em sua grandeza transformou os seus atómos em cada um de nós, e não numa cadeira, foi para que pudessemos contribuir de alguma forma, com o Plano Maior. Ficar de braços cruzados, culpando Deus por não fazer um mundo belo e justo de acordo com o nosso juízo, é basicamente, dizer que uma cadeira faria um papel melhor que a gente. Ao menos, uma cadeira, é útil para sentar...

Cada um tem a sua crença, a sua fé, a sua certeza. Quando o mundo balança, há pessoas que se seguram em suas lamentações, porém, há outras tantas que após o desiquilíbrio natural, se aprumam e colocam-se de pé para o que der e vier. Vemos isso, ao acompanharmos as notícias dessa infeliz tragédia no Haiti; e ao percebermos os esforços do mundo todo em mandar ajuda, alimento, medicamento, ou simplesmente, luz em orações, no anonimato de suas casas.

Cada um dá o que tem de sobra na sua dispensa, já dizia o sábio Rabi; e cada um sintoniza com aquilo que mais atrai o seu olhar; nesse momento, em um presídio na cidade de Piraquara, no Paraná, ocorre mais uma rebelião com gente ferindo gente e fazendo tudo aquilo que nem um animal irracional faria com o seu semelhante; ali bem pertinho, em Curitiba, outros tantos homenageiam alguém que perdeu a vida nessa tragédia do Haiti, mas que deixou um legado de esperança, fé e amor para toda a humanidade.


Frank Oliveira
15 de janeiro de 2010


Notas: enquanto escrevia essa crônica, lembrei de um hino escrito pelo amigo Gê Marques, dirigente da Escola da Rainha, que faz parte do seu hinário Reinado do Sol, e pensei em compartilhar com vocês.

Falar Em Deus


Falar em Deus todo mundo fala
Eu quero ver é tu vigorar
Emanar amor em meio à batalha
Deixar o Deus se manifestar

Falar em Amor todo mundo fala
Eu quero ver é tu liderar
O batalhão em meio à batalha
Com o coração a te comandar

Falar em Luz todo mundo fala
Eu quero ver é tu iluminar
A noite escura em meio à batalha
Para poder teu irmão guiar

Teto do Universo - By Debora Sousa

O BALANÇAR DO MUNDO

Ai, minha vida, tão pequena e tão reclamada; perto das coisas do mundo, sou nada, sou nada.

E lá vou eu, por minha vida, vestido de super-homem, Highlander; vivendo como se fosse tudo tão importante; como se o mundo fizesse órbita no meu umbigo; nem ligando para os avisos do mundo: "encolhe o ego, você não é eterno!!!"

Eterna minha alma, confunde a mente, que pensa que é gente; e toma o controle do comando da nave manifestação, do leme existência. E segue reclamando, reclamando tanto que dá nó no coração, que sabe coisas que a mente não sabe não.

Quero de vez não saber mais sobre as coisas do mundo, as tragédias me apequenam; me fazem ver o absurdo que é reclamar de barriga cheia, de bolso fundo.

Por isso, vou ficando bem quietinho e observando o universo me mostrando que tudo é finito nessa estrada, menos a consciência que se move na excelência do Plano do Papai-Sabe-Tudo, que deve ter os seus motivos para balançar o mundo.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Ode a Zilda Arns

O que fazia a Dra. Zilda Arns no Haiti, Meu Deus???
Cuidando dos seus, dos meus, dos teus
Filhos do mundo;

Onde quer que ela fosse,
Lá estava o seu rosto doce,
Cuidando dos sem lares,
Cuidando dos sem carinho;

Indicada ao Prêmio Nobel,
Ela já havia ganho
O céu
Do coração de todo o seu rebanho;
Meninos, meninas
Salvos da desnutrição,
E da morte fácil
E do descaso;

O que fazia a Dra. Zilda Arns no Haiti, Meu Deus???
O que sempre fez;
Vivendo pelos outros
Vivendo para multiplicar
Os pães da solidariedade;
Para crianças e idosos
Esquecidos pela mídia
Lembrados por seus olhos.


Mais informações:
Sobre o seu trabalho: http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0095.asp
Sobre a tragédia no Haiti: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/01/13/zilda-arns-estava-no-haiti-para-uma-palestra-915516566.asp

O TETO DO UNIVERSO

Um dia eu sonhei
Que era GRANDE;

Que eu não cabia no corpo,
Que o meu tamanho
Não era medido
Pela minha altura
E sim pela minha consciência;

Eu era GIGANTE,
E ultrapassava esse plano,
Fluindo por outras dimensões;

Habitando outros corpos,
Em tantas outras manifestações;

Eu era ENORME,
Cada vez mais me ampliando,
Até me aproximar do Teto do Universo;

E quando eu achei que já era GRANDE
O bastante;
O Teto do Universo se abriu
E vi alguém muito mais GIGANTE
E ELE disse pra mim:

- Bem Vindo à Fonte!

Daí, fiquei com medo dessa luz tão IMENSA
E voltei a ser
Do tamanho
Que o espelho me vê,
Do tamanho que eu era!

Acho que sofro de Síndrome de Ignorãncia...
Ou sou apenas ainda
Uma criança!

terça-feira, janeiro 12, 2010

QUANDO CHOVE CASTIGO


O primeiro pingo cai,
O povo canta em festa
A seca se vai;

Adamastor coloca vasilhas no quintal,
Abre as portas e janelas
Lá fora é carnaval;

Crianças dançam nas poças
Até cachorro corre na chuva;
A cidade está em festa
Adamastor agradece
Ao Pai do Céu
Por ter escutado as suas preces;

A plantação vai vingar,
Os frutos vão se espalhar
Por todas as mesas;
É chuva de milagre
Com certeza;

Mas chove, chove, chove
E parece que não vai parar;
O tom da celebração
Começa a mudar de tom,
O que era alegria
Agora é se preocupar;

As casas pingam,
Os ventos arrancam os tetos;
E lá de cima, o barulho do barranco
Anuncia:
" Se alerta, bicho-gente
É risco de enchente!"

Adamastor não compreende;
Como a chuva que trazia prosperidade
Se transformou
Em veículo da catástrofe;

Ele não sabe se reza a Mãe Divina
Ou se toma alguma atitude;
Seus moleques estão na rua
Com outros tantos
Tomando banho de chuva;

Então, ele toma a decisão
E sai para a rua,
Notando que todas as pessoas
Estão em suas casas,
Ninguém mais notou
O barulho da montanha;

Ele foi o primeiro a ver a água suja;
O barranco descendo feito lava de vulcão
Carregando lama e destruição;
E avisa a todos, batendo nas portas
De cada pessoa em sua rua;
Amigos e desconhecidos:
" Corre, minha gente!
Tá caindo chuva de castigo!"

O pânico é grande, mas o povo se arruma;
Tem gente que corre,
Tem gente que nada,
Tem gente que reclama,
Tem gente que ajuda as outras;

Com muito esforço,
Boa parte das pessoas
Consegue abrigo;
Subindo para o alto da cidade
E lá de cima, vendo a rua virar rio;

Percebendo a chuva dando adeus,
E o dia voltando a clarear;
Adamastor sente vontade de chorar,
Mas não deixa nenhuma gota cair;
Se foi chuva de milagre
Ou chuva de castigo,
Isso pouco importa agora,
Ele sabe que se vida ainda há
É porque as coisas devem continuar.


















segunda-feira, janeiro 11, 2010

Se Preencher de Você Mesmo

Dedicado a Danielle Salibian


Vou ao cinema, compro pipoca, refri e chocolate. Assisto o filme, rio e choro; saio de lá emocionado; estou feliz comigo mesmo.

Passo na banca de jornal, gasto uma fortuna em revistas que sempre quis ler, mas nunca quis gastar para conhecer; vou a loja de CD, compro um albúm importado e ajudo um artista nacional a ganhar algum trocado, mesmo sabendo que faria o download do seu trabalho bem facinho na rede; deixo uns trocados com o artista mambembe que me faz rir no semáforo; estou feliz comigo mesmo.

Chego em casa, desligo o celular, ignoro o computador; ligo o som e começo a dançar mesmo sem saber me mover direito; deixo a loucura de se entregar envolver-me por inteiro; sou uno com tudo e fiel ao meu eu-interior e percebo, claramente, pela primeira vez em minha vida; estou feliz comigo mesmo.

Como a hora que quero; durmo a hora que sinto vontade; desobedeço todos os relógios e me rebelo do coletivo. É Domingo, alguém bem longe, assite o Fantástico, amaldiçando a segunda; eu medito na felicidade de estar comigo mesmo; daqui a pouco, a jornada se reinicia e estou apenas no começo!!!

domingo, janeiro 10, 2010

MÉDIUM DE TRANSFERÊNCIA

Não há muita coisa escrita sobre médium de transporte, ou de transferência, daí, minha angústia, quando descobri que eu era um.

Vejam bem, eu sempre fugi de qualquer relação com qualquer termo ligado a mediunidade. Não só isso, durante um bom tempo, eu fiz questão de esquecer que durante toda a minha vida, todos os meus familiares, de pai a avó, eram algum tipo de médium ou estavam ligados a alguma forma de incorporação.

Mesmo com um passado, mergulhado no Espiritismo e na Umbanda, jamais senti qualquer tipo de sintoma de aproximação de espíritos, pelo contrário, a mediunidade que todos diziam que eu tinha, era praticamente nula; o que me fez duvidar, se eu realmente tinha uma; até que um certo dia, notei que após visitar um casal de amigos e ter testemunhado os dois brigando; cheguei em casa, profundamente irritado, e querendo discutir com a minha esposa. Detive aquela vontade estranha; e para a minha surpresa, no dia seguinte, meus amigos me disseram que depois da minha visita, eles reataram e estavam muito bem. Eu, por outro lado, estava mal.

Muita gente poderia dizer, numa explicação bem espírita, que carreguei o obsessor, que eu percebi no casal, comigo. Eu não senti que carregava alguém nas costas ou na aura; e sim que trazia para casa, a própria sintonia que possibilitou o assédio, se houve algum.

Já tinha sentido que atraia o que as pessoas sentiam... para mim; porém, pela primeira vez, eu estava percebendo isso acontecendo.

É certo, que de uma forma ou outra, todos nós sentimos uma certa "empatia" ( ou anti) em relação ao sentimento alheio; e muitos são os casos, de pessoas que dizem se sentir mal quando encontram alguém ou vão a certos lugares; a questão comigo é um pouco mais profunda; sinto que basta sentar ao lado de alguém, que começo a captar os seus sentimentos, para o bem ou para o pior.

Há dias em que isso ocorre com mais frequência. Basta observar um pouco mais alguma pessoa, ou alguma situação, e minutos depois, estou sentindo o que a pessoa sentia.

No ínicio, era até divertido. Como escritor, não faltava inspiração para textos, crônicas, poesias; contudo, atrair essas sensações com mais frequência, começou a me prejudicar de tal forma, que eu já não sabia se era eu que sentia aqueles sentimentos ou se tinham vindo de alguma pessoa.

É claro, que transportar sentimentos nobres é algo fabuloso: casais apaixonados; pai e filho brincando num parque; um jovem conseguindo o primeiro emprego; outra jovem passando na universidade; e outros tantos momentos proporcionavam para mim, a experiência de viver isso também e poder escrever a respeito; porém foi um choque para mim quando senti a primeira vontade de brigar no trânsito, de discutir bobagens, de fazer algo muito ruim para alguém e, inclusive, de matar...

O pior é que ao sentir essas sensações, que claramente, não poderiam vir de mim ( não que eu seja bonzinho...rss); vinha também as razões pelas quais eu as sentia, os motivos para a discussão, as razões para pensar em comprar uma arma e tirar a vida de alguém.

Com o passar do tempo, comecei a perceber, em que momento, eu captava esses sentimentos. A partir daí, comecei a entender que estava ocorrendo algo comigo; que aqueles sentimentos daninhos não eram pensamentos meus e sim, vinham de outras pessoas.

Para o meu desespero, isso passou a acontecer também, em experiências fora do corpo (comecei a ter projeções da consciência, depois de estudar com o Professor Wagner Borges em seus cursos de Viagem Astral); e em meditações. Nas minhas últimas experiências, comecei a sentir aproximação de espíritos; porém, eu não os via, nem os escutava; em compensação, eles deixavam todo o lixo deles comigo.

Para quem reclamava que não via gente no astral...não tenho mais o que reclamar...nem o que agradecer.

Como não tenho nenhuma religião, nem confio em qualquer pessoa que diga que é Pai de um Santo, fui pesquisar por conta própria o assunto; e não encontrei nada sobre Médium de Transferência, achei, contudo, algo sobre Médiuns de Transporte.

De acordo com nove entre dez livros sobre incoporação mediúnica, o dito "Médium de Transporte" é aquele que possui a faculdade de, através da concentração, transportar-se a outro lugar. Em transe, sua alma se afasta do corpo e vai a lugares distantes, mas não se materializam (como ocorre com os projetores astrais), permanecendo invisível para os demais.

Lí em outro website, uma mensagem do Dr Bezerra de Menezes sobre o assunto:

" Mensagem aos médiuns de transporte.

Trago bençãos do meu Senhor e algumas palavras de esclarecimento e instrução em benefício dos médiuns de transporte.

O caminho do médium de transporte é sofrimento até que este se alinhe na ordem suprema, sem nenhuma subjetividade, servindo apenas os desígnios de Deus.

Geralmente este médium luta com a perda da sua identidade, confundindo-se muitas vezes com energias obscuras que deve aparelhar para iluminar.

O médium de transporte deverá cultivar e desenvolver em seu coração uma profunda devoção à caridade. É necessário que a caridade esteja à frente de suas ações, a ponto de, em nome dela, o médium se compromete com sua própria correção e o aprimoramento de seu aparelho segundo as leis cristãs.

O caminho deste tipo de médium é constantemente longo e cheio de provas até que ele possa estar no ponto para o trabalho. A estes irmãos recomendamos sempre uma firmeza com a Paciência.

O ponto de serviço abre ao médium de transporte a graça maior que o homem possa Ter em sua passagem sobre a terra, que é servir a Deus incondicionalmente...."

Socorro!!! Alguém conhece uma cura para isso?

Nunca pensei que quando eu crescesse me tornaria carteiro de espírito, morto ou vivo.

O que tenho feito para não ficar o dia mediunizando sentimentos dos outros; é parar de prestar atenção nas pessoas; o que não é nada fácil, uma vez que um escritor está sempre observando e seu empre fiz isso. Já é algo automático, mas agora, preciso aprender a freiar os olhos, mudar de intenção, quando a minha atenção se desviar do livro, ou do MP3 e vagamundar pelo universo alheio; para o meu próprio bem.

Tenho certeza que preciso desenvolver essa minha capacidade, mas até achar um Professor X disposto a me ensinar, sem cobrar o preço da minha fé, vou continuar a minha pesquisa até encontrar uma forma de, como disse o Dr Bezerra, aparelhar essas "energias obscuras" e continuar a ser um cronista de qualquer um desses mundos que exista por aí.
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