quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Slip of the Tongue

É nas brincadeiras que dizemos 
que se escondem manifestadas 
aquilo tudo que circula em nossa órbita 
e gostaríamos de dizer, 
mas não temos coragem de colocar 
na ponta da língua.

Ainda bem que a maioria das pessoas
é analfabeta de ouvido
e letrada em fala.


terça-feira, fevereiro 28, 2012

Uma Proposta Diferente de Meditação

Há uma meditação differente que ao contrário das demais que buscam sutilizar a nossa alma, essa nos aterra, nos conduz a descoberta dos segredos dessa encarnação e nos revela aquilo que nos espera.

 Essa é a meditação do se concentrar na pessoa amada.

Ao se concentrar em quem está ao nosso lado, o Cristo em nosso peito se revela e nos mostra que a nossa casa vira a árvore Bodhi que despertou o Buda em Sidarta e o nosso quintal cresce feito o Himalayas. É muito mais bonito e virtuoso fazer meditação em ashrans na Índia ou se tornar iogue no topo da Pedra do Baú.

Quero ver você ser luz no meio da escuridão do dia a dia, falar de amor quando o mundo grita ódio ao seu redor. Por isso, medite no seu dia-a-dia; mergulhe em sua vida e extraia dessa observação as reflexões mais profundas.

Faço isso todos os dias, por isso aconselho! Aconselho pois ao me ver refletido nos olhos da minha filha, percebo no fundo dos olhos dela, mais do que apenas EU refletido. Você também sentiria isso, se não estivesse procurando plantar fora, o jardim que só se abre em flor dentro.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

A Primeira Viagem da Jureminha

Carnaval, alguns dias de descanso e uma idéia relativamente simples: viajar para o Sul de Minas. As complicações: trânsito e bebê - uma combinação que nunca acaba bem.

Viajar com criança é sempre uma aventura árdua; precisamos de um planejamento logístico muito bem arquitetado, comida e bebida extra, paradas estratégicas e todas os planos B, C e Z que a situação exige. Porém, Jureminha nos mostrou que apesar de todos os temores, existe " viagem depois do primeiro filho". Nunca tinha visto bebê tão feliz e à vontade.

Fomos a São Tomé das Letras, lugar dos malucos-belezas e das cachoeiras, mas palco também do primeiro encontro do pai e da mãe dela. Há 14 anos, encontrei Auri pela primeira vez e  o resto são crônicas e a Jureminha.

Claro que nem tudo são flores: combati pernilongos, lutei contra a poeira, tomei um extremo cuidado ao levá-la até as cachoeiras e fiz tudo o que pude para dar a minha filha o máximo de conforto e segurança. Contudo, a viagem transcorreu numa tranqüilidade tremenda e percebemos, Auri e eu, que todo aquele medo bobo que uma criança pudesse nos impedir de continuar as nossas andanças por esses quatro cantos era conversa para  passarinho deixar de voar.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

No ifs, ands or butts


O inesperado vai te pegar de calças curtas. Nada de novo, tudo de simples. E quando isso ocorrer: kabum!!! Qualquer coisa pode ocorrer, até você desnacer!!!

Se você desnacer no meio da sua caminhada, não olhe para trás e nem venha assombrar os vivos; pegue suas chinelas e siga em frente, pois o que ocorre aqui em baixo também o ocorre do outro lado e se o inesperado te pega aqui, vai te pegar também no além e quem sabe você não acabe aqui desse lado de novo, reclamando que deixou o caminho pela metade lá também: veja que absurdo!!!

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

O Céu de Dante

Dante subiu aos céus e atravessou o portal celestial, sendo recebida por um coral de anjos e todos os homens santos que já pisaram na Terra; porém, havia algo estranho...

Tudo era perfeito e lindo. Os palácios dourados refletiam o ouro em seus olhos; os jardins eram perfeitos; todos sorriam com extrema hospitalidade; não havia nada que ele pudesse achar o menor defeito; mas faltava algo...

Faltava uma certa autenticidade, era como se tudo ali fosse feito para encantar, para prender pela beleza, para desviar sobre o que realmente havia. Era como se aquele céu fosse apenas uma fachada de algo obscuro que se escondia por uma bela máscara.

Aquele céu tinha cara de casa, mas não tinha a energia de lar.

E foi quando Jesus apareceu que Dante desconfiou que não tinha subido ao céu; ele tinha, na verdade, descido ao inferno e tudo aquilo ali tão belo não passava de uma prisão para o seu intelecto vaidoso que revestia de símbolos aquilo que ele não conseguia conceber. O demônio vestido de Jesus havia apenas pintado o inferno com as cores que ele queria ver no paraíso.

- Como? - perguntou incrédulo Dante ao demônio que parecia mesmo com o Jesus que Da Vinci pintara.

- A beleza está no olho, não é? O inferno não é um buraco em chamas guardado por cachorros de três cabeças, o inferno é um estado mental criado pelas imagens que você mesmo cria.

- Mas você está usando essas figuras sagradas para nos iludir. Como isso pode ser permitido por Deus? E como saberemos se estamos diante do Divino, se o inferno tem cara de céu?

Não há inimigos por aqui, eu e o Chefe somos parceiros, aliados; só sobrou para mim essa fama ruim. Eu não faço nada, apenas cedo o palco para as fantasias de quem chega. Essas imagens não são sagradas para mim; elas são projeções dos símbolos que possuem o significado que você lhes der. Porém, se você não se deixar iludir pela aparência, perceberá que é o inferno que guarda as portas do céu; é um lugar apenas de passagem, mas a maioria decide ficar por aqui por toda a eternidade. 

- Estou preso aqui?

- Preso? Que nada! Até no inferno, você tem livre arbítrio. Como sou bom anfitrião, não posso negar a hospitalidade. Contudo, se você seguir adiante, você vai descobrir que o que se apresentará não é nada daquilo que se pinta na Terra e nenhuma canção ou poesia consegue descrever. A questão é: não é mais confortável permanecer com aquilo que já conhecemos e acreditamos ser só o que há?

Diz a lenda e a literatura que Dante voltou do inferno para contar o que encontrou, mas como achou que ninguém compreenderia o que ele havia vivido, ele decidiu recontar tudo com os símbolos do coletivo da época em que ele vivia, mas se o leitor fosse alguém que lesse além das entrelinhas, perceberia o que Dante descobriu: o inferno pode ter cara de paraíso e só quem se questiona e se abre para o desconhecido consegue passar além disso.


quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Das Cinzas...

Não é fênix renascida, nem muito menos inseto qualquer que ganha asas após um tempo de incubação; 
é apenas alguém que depois da queda, levanta; 
mas que aprendeu que a queda era evitável, 
daí, se caiu, caiu porque quis; 
porém, sozinha se ergue, limpa a poeira e ressurge fortalecida, 
pronta para as novas batalhas, 
sabendo que outras quedas ocorrerão, porém, 
serão quedas construtivas 
e não apenas escorregadas baseadas 
em emoções descontroladas,
em vícios emocionais
que só entorpeciam a sua consciência
para que ela carna-velasse o resto da vida,
reduzindo o seu futuro ao samba-enredo das cinzas;
quando, às vezes, seria melhor
a marchinha que avança aos poucos,
mas diverte e ensina!

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Carnaval e Espiritualidade

Já se tornou um hábito no meio das pessoas que se dizem espiritualizadas a máxima de comparar o carnaval ao umbral ou ao inferno. São muitos os entendidos do assunto que afirmam que essa festa é a oportunidade perfeita para que assediadores, obsessores, demônios e afins façam a festa com o descuido da galera, sem contar outras tantas explicações baseadas em estatísticas, onde se explica que essa é a época em que mais ocorrem acidentes em estradas, proliferação de doença sexuais e outras dezenas de provas afirmando que o carnaval deveria ser extinto do calendário brasileiro.

Ok, já sabemos de tudo isso, mas alguém já parou para pensar que ao mesmo tempo em que existe o lado negro do carnaval , existe também um lado bom nessa festa popular; afinal posso estar errado, mas acredito que tudo na natureza ( e no mundo dos homens) resulta em equilíbrio.

Sabemos que as sombras criam vida nos salões, mas não estaria a luz também presente na alegria, na dança, na energia das pessoas que por alguns dias esquecem a dureza do dia-a-dia e vai a avenida sambar? Por todo o país um show de cores dá lugar ao cinza do suor pelo pão que nunca custou tanto. E eu aqui fico me perguntando: não seria isso um aspecto positivo de uma festa que já foi considerada pagã pelas igrejas, por justamente considerar pecado pessoas rindo, cantando e dançando, quando deveriam estar ocupadas rezando?

Antes que alguém me acuse de defensor do carnaval, queria deixar bem claro que não sou tão chegado assim a samba, pulei carnaval quando era criança, mas não dá para deixar de admirar um povo que transforma queda em passo de dança, que transforma o grito diário num canto de alegria, e nada melhor que o carnaval para representar isso.

Quando penso nesses salões em dias de carnaval, não dá para deixar de pensar que as trevas estarão por lá, assim como os ventos da obsessão e do assédio, mas tenho certeza que também por lá estarão os anjos da alegria e os amparadores do sorriso que não perdem uma oportunidade de ver gente feliz. E tudo isso pra mim não passa de puro EQULIBRIO á brasileira.

Eu não sei sambar e prefiro um bom vídeo com pipoca a ver escolas de samba na avenida, mas ainda me emociono ao pensar que talvez num morro desses qualquer, um traficante trocou o som da metralhadora por um batuque, e somente por um dia ou quem sabe dois, ele tem a oportunidade de dançar com a vida e deixar a morte que não sabe sambar esperando a festa acabar.


EVOÉ, CARNAVAL, BACO BACO, EVOÉ

Não é porque não gosto de sambar,
Não é porque não vou viajar,
Que deixarei de desejar:
Salve Baco! Salve Dionísio! Salve o Carnaval!
Mas não se esqueçam da camisinha
Se não a coisa fica mal!!!
Corra atrás do trio, do quarteto
Elétrico,
Mas cuidado com quem tá bem perto!
Não acorde com o bolso em cinzas;
Preserve a sua saúde
Contenha o excesso!
Caia na folia,
Mas não caia da cadeira
Na quinta-feira
Quando limparem a avenida
E você ainda estiver na pista!
EVOÉ!!!
Que Dionísio te leve
E te carregue,
Mas te deixe em pé!
Por isso, caro fulião, cara amiga
Se BEBER, não dirija!!!

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Estupitamina



Ela tomou Reductil para emagrecer, pois queria ficar bonita na fita, no vestido e nos olhos dos garotos, nos olhos da menina, mas o Reductil apenas reduziu sua inteligência e ela nem percebeu disso, pois notou que já conseguia ver a sua virilha; daí passou para o Plenty e engoliu o Saciette, como se mascasse chiclete e foi diminuindo a sua silhueta, e junto com o peso, foi se esvaindo também os neurônios, ou seja, quanto mais ela emagrecia, menos usava a sua cabeça.

Foi depois do Biomag e do Vazym que ela percebeu, por fim, que algo não estava bem. Comer, ela mal comia; o problema era que ela também quase no banheiro não ia e quando ia, como sofria. Por isso, ela passou para o Slenfig, pois o médico prometeu, esse retiraria a sua prisão de ventre, o que ela não sabia é que o ventre dela, o medicamento soltaria e também parte dos rins.

Ninguém sabe ao certo, o que a matou. Dizem que foi o Sibutran; outros dizem que foi o Sigran; porém, poucos compreenderam que ela morreu mesmo foi por excesso de estupitamina.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Fall



Há um momento em que percebemos que estamos caindo em tentação. A maçã fica ao nosso alcance, o gosto do se deixar levar nos faz salivar e mesmo sabendo que podemos perder o paraíso, caímos por livre e espontâneo prazer.

É bom. Tem gosto de sorvete em dia quente; de cobertor e chocolate escaldante em dia frio.

Ahhh... O durante é eterno; o se entregar se faz belo; até que a carruagem vira girimum...

O vestido dourado se transforma em fiapos; o cavalo branco não passa de um rato e um príncipe belo nada mais se torna que um qualquer banguelo; cujo encanto se desfez na maçã entalada, e o palmo do Adão, nos faz todos filhos de Eva.

Esquecer vira benção; o problema é quando já não somos mais inocentes e a consciência nos lembra o tempo todo que poderíamos ter comido a maçã e mantido o paraíso, se tivéssemos percebido que nunca houve fruto proibido, apenas o momento era inadequado para usufruir isso.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

O Mestre Castrador


Certa vez tive um mestre que sabia muito, mas quando eu quis aprender com outro mestre, ele não deixou.

Não deixou, pois dizia que ninguém mais teria a garantia da espiritualidade verdadeira que somente ele tinha e por ter muito respeito por ele; acatei e matei a minha vontade de conhecer outras estradas e outros pontos de vista e querendo ficar acordado, dormi...

Porém, o aprendiz em mim não dormia e tão logo, percebi que daquilo que ele me ensinava, nada mais saia, daí decidi sair dele e o mestre me acusou de estar passando por cima da sua autoridade, e tentei explicar, mas quanto mais eu dizia, mas eu sabia que ele nunca me deixaria partir e descobri, por fim, o quanto estive preso.

Preso na vaidade de um mestre que temia que os outros pudessem me ensinar algo que ele não sabia e eu deixasse de respeitá-lo como o único mestre que existia de fato.

Fato é que existe muitos caminhos na vida e cada um tem seu mestre. Mestre que é mestre liberta o aprendiz e aplaude a sua vontade de buscar maturidade e aprendiz de verdade percebe a mentira do mestre quando ele flerta com a vaidade, e esse aprendiz nunca se deixa prender para aprender.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

O nascimento da pirmeira palavra

Parte II

Quem tem bebê aguarda ansioso pelo momento em que eles dão os primeiros passos ou falam a primeira palavra; os olhos enchem d’água a cada mudança, batemos palmas a cada desafio que eles superam; e interpretamos de forma exagerada qualquer coisa que eles façam. Se estão tossindo, nos desesperamos pensando quepode ser pneumonia; se não engatinham, pensamos que há algo de errado com o desenvolvimento deles e se eles falam “papa” pela primeira vez, já pensamos que só pode ser “papai”. Não é, mas a gente prefere acreditar que é e fica assim.

Os bebês da idade da Jureminha geralmente são capazes de reproduzir uma série de sons. Pequenos fonemas como: ma ma, ga ga, pa pa, va va; entre outros. Esse exercício vocálico vai ajudar a estruturar as cordas vocais e todo aparelho fonador para a fala que não vai tardar a ocorrer; contudo esses sons são vazios de significado, uma vez que eles podem se referir tanto a alguma coisa externa quanto interna que o bebê esteja sentindo ou pode ser apenas uma brincadeira.

O " papa" da Jureminha só seria uma palavra como a entendemos,se ela a usasse para me chamar, se eu saísse do seu campo de visão. O que não ocorreu, uma vez que ela passou a usar " papa" em qualquer situação.

Os sons que a minha filha está começando a testar aumentam a cada dia. Já não são mais apenas pequenos fonemas, mais sinfonias de sons dos mais variados. Nada que eu possa interpretar ainda como linguagem, porém, esses dias, enquanto estávamos no parque, algo interessante ocorreu...

Estávamos, Auri e eu, assistindo um show de dança flamenca e Jureminha estava em meus braços, prestando atenção a um menino que brincava com um balão dourado. Ela não conseguia tirar os olhos do balão e começou a apontar o balão para mim e dizer: Ôhh!!!

Não dei muita atenção; o show estava muito bonito e interessante, mas Jureminha não desistiu de chamar a minha atenção e continuou: Ôhh!!! Então,olhei para ela e vi que ela apontava para o balão do menino e “Ôhh!!!” foi o som que ela encontrou para chamar a minha atenção e dizer que ela queria algo. Funcionou: comunicação!!!

A comunicação ocorre quando uma mensagem é passada e percebida de um emissor para um receptor. Minha filha conseguiu isso pela primeira vez; e ela fez isso sem precisar usar o seu choro ou qualquer outra linguagem corporal. Ela fez isso utilizando-se de um som emitido por ela com intenção de comunicar algo.

A primeira palavra da Jureminha foi “Ôhh!!!”, produzida com toda a entonação e articulação para transmitir:
a) Pai, olha para mim. Eu quero algo!
b) Pai, presta atenção! Eu quero aquele balão!
c) Pai, eu to falando...Pega o balão desse menino pra mim!

Sim, ela estava falando; usando um som para se comunicar com toda a intenção que ela queria transmitir.

Ela ganhou o balão. Não “o” balão do menino, mas se essa crônica fosseuma história em quadrinhos, ela ganharia o seu balãozinho de fala, igualzinho ao seu pai que termina de escrever isso sorrindo.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

A Lêndea do Piolho


O piolho que coça e coça e que tem cara de quem você não gosta ou problema que você não quer resolver, creio eu que esse piolho te mostra tudo aquilo que você não quer saber sobre você.


Esse piolho que coça e coça é esfinge que te grita - ou você decifra ou ele te devora - mas você não quer saber disso e comprou remédio mata-piolho para não ter que procurar as lêndeas.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Preguiça Mental



Para um médium incorporar um mestre de luz é necessário além do ritual bem dirigido e um preparo bem feito, permissões do astral para que essa entidade trabalhe com certas pessoas e possa auxiliá-las numa cura ou numa informação que elas precisem. Esse mestre de luz, para manter a sintonia com o médium se utiliza de uma série de recurso astrais e físicos que possibilitem que a comunicação continue firme e sutil durante todo o trabalho. Por isso, se faz necessário um trabalho mental muito forte tanto do médium quanto da corrente que assiste o trabalho para que pensamentos daninhos e distrações banais não causem distúrbios no ritual e atrapalhem essa comunicação.

A incorporação não é apenas a posse de um corpo por uma entidade. O médium não vai passear em Aruanda, enquanto a entidade usa o corpo dele. A incorporação é uma sintonia entre os dois. Quase uma dança, onde cada um tem o seu passo e o ritmo é o próprio trabalho. Um passo errado, a dança termina. Assim é também a sintonia entre o médium e a entidade. Sim, o médium está presente, e se não estiver incorporando a sua própria vaidade, ele estará mantendo uma coesão mental tão firme e segura, que deixará as vibrações do mestre operar sem que as distorções provocadas pela vaidade do médium tome conta.

Por isso, em cada centro de Umbanda deveria ser ensinado alguma prática meditativa afim de educar médiuns e corrente a firmar o pensamento. Infelizmente, o que mais se vê em terreiros são médiuns displicentes que não admitem que, boa parte do tempo, incorporam somente seus próprios pensamentos; e uma corrente formada por pessoas com tanta preguiça mental que não se dão ao trabalho de pensar na importância de estar diante de um mestre de luz. Se eles soubessem disso, buscariam em suas perguntas, acessar bons frutos de conhecimento que esse mestre possa trazer, ao invés, de passarem boa parte do tempo, perguntando ao mestre, as coisas mais banais e levianas que surgem em suas mentes.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

A Learner


"Conhece a ti mesmo" , disse a vidente pra ela e ela saiu da Casa da Ventania para encarnar aqui na Terra, com a missão de acender mais uma vela. Valha-nós Nossa Senhora, que lá foi pro mundo essa Nielda!

Acender mais uma vela é quando a consciência se ilumina mesmo em meio à escuridão; e ela, a learner, precisava distinguir o que era da mente e o que se passava no coração, experimentando de tudo, desde as coisas boas e outras nem tanto não, sempre comprando a briga: haja determinação!

Determinação é seu segundo nome; não é o primeiro não, pois learner veio antes; e oxente, quanta experiência, não é mole não; foram tantos os desvios, enfrentando todo tipo de coisa e gente: de Malucos à Lobisomem! De Có Sei Não!!!

Teve até lobisoma no caminho da menina, Valha-me Nossa Senhora, que por ter tanto desafio, a menina é aperriada, sempre com o humor por um fio; mas sempre muito esperta, disso não duvido, não há ninguém que ponha à prova.

Não duvido pois já vi a bichinha em ação; anda sempre com a peixeira da racionalização e te quebra no argumento, pois com ela ninguém pode; nem mesmo Lampião.

Vou acabar meu cordel torto por aqui, pois já nem sei o que posso acrescentar, o perigo num é mentir; nem muito menos aumentar; é que a minina tem um ego tão grande, que se a gente exagerar no relato, ela vai jurar que isso ocorreu de fato. E não há ninguém nesse mundo que tenha tão forte mania, ela incorpora tudo que a gente ensina e depois diz por ai que aprendeu sozinha. Que bom que ela usa tudo isso para o bem, já pensou se fosse pro mal que desgraça ela faria! Nem quero pensar, Valha-me Deus; Vixe Maria!!!


Rebeca e Paulo Henrique


Essa é uma estória de amor de subúrbio paulista, onde ele encontrou ela num churrasco de lage, e ele é Paulo Henrique e ela é Rebeca. Rebeca amava Paulo Henrique intensamente, o que começou com um churrasquinho se transformaria num pedido de casamento no dia do aniversario de Paulo Henrique. Tudo muito normal, mas com eles foi diferente.

Ela preparou uma grande surpresa para ele. Rebeca contratou um carro com auto-falante que tocasse para todos ouvir "Como eu te amo, Paulo Henrique", e que tocasse também uma canção de amor que ela escolhera e que representava tudo o que ela sentia por ele. Essa canção seria tocada, enquanto uma voz feminina leria um poema que ela mesmo escreveu e a surpresa acabaria com fogos no céu que escreveriam S2 em letras garrafais.

Assim ela contratou, assim foi! As quinze em ponto, as ruas da Vila Arapuá foram invadidas por um carro de som com a capacidade de áudio de um trio-elétrico. Dizem o povo que o som se propagou dali até a Sé, coisa que eu não duvido, tamanho foi o som que ecoou pelo bairro.

" Paulo Henrique - clamava o carro de som - Saia de casa e venha receber a sua surpresa. Paulo Henrique - Feliz Aniversário! "

Paulo meio assustado e totalmente surpreendido, abriu o portão de casa, enquanto os vizinhos se aglomeravam para ver o que estava ocorrendo.

- Você é o Paulo Henrique? - o carro de som perguntou.

- Sim! - Paulo respondeu um tanto constrangido por estar falando com um carro de som.

- Essa mensagem e essa canção é para você, nesse dia de aniversário. Rebeca quer te dizer algo e tudo o que ela sente está nessa canção:

"I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things I didn't give to you

Old friend, why are you so shy?
Ain't like you to hold back or hide from the light
I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it

I had hoped you'd see my face
And that you'd be reminded
That for me it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said:
"Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts Instead..."

A bela canção de diva britânica Adele "Someone like you" continuou tocando pelo ar, enquanto Paulo Henrique começou a chorar.

Um dos vizinhos, muito sensibilizado pela emoção do rapaz, perguntou

- É muita emoção, não é, Paulo? Essa moça ama mesmo você.

- Ama? - repetiu Paulo Henrique, substituindo as lágrimas por um olhar acólerado - Essa mulher é louca! - completou Paulo Henrique, xingando a equipe do carro de som e praticamente expulsando todos dali.

Rebeca não entendeu porque seu amado não atendeu as ligações naquele dia e nem no dia seguinte, nem nunca mais.

Os vizinhos passaram a semana toda comentando que a cólera do rapaz deveu-se pela vergonha que ele deve ter sentido por essa demonstração tão grandiloqüente de amor; outros disseram que Paulo tinha mesmo era bom gosto para continuar com uma menina tão brega; dessas que ainda mandam pregar faixas em frente a casa da pessoa amada com frases de amor.

O que ninguém sabia é que Paulo que já vinha freqüentando aulas de inglês há algum tempo e falava e entendia inglês muito bem, e ao invés de ouvir uma canção de amor eterno, ouviu na verdade:

" Eu ouvi dizer que você está estabilizado
Que você encontrou uma garota e está casado agora
Eu ouvi dizer que os seus sonhos se realizaram
Acho que ela lhe deu coisas que eu não dei

Velho amigo, por que você está tão tímido?
Não é do seu feitio se refrear ou se esconder da luz
Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar

Eu tinha esperança de que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês também
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você dizer:
"Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere"


terça-feira, fevereiro 07, 2012

Por Quem?


Você caminha por si ou por alguém? Eu te pergunto isso, pois passei a minha vida toda, enfrentando as minhas maiores batalhas para provar para outros do que eu era capaz; sendo assim, perdi cada uma delas.



Perdi cada uma delas, pois não compreendi que um guerreiro deve acreditar em suas batalhas mesmo se estiver lutando em nome de alguém ou por algo.



Durante boa parte da minha vida, lutei porque me disseram para lutar e eu não queria desapontar ninguém, mas acabei, é claro, desapontando a mim mesmo.



Desapontei a mim mesmo porque se eu tivesse lutado por mim e para me conhecer ao invés de lutar para manter uma imagem de mim, eu não seria apenas esse reflexo opaco nos olhos alheios daquilo que eles quiseram que eu me tornasse.



Eu me tornei um " ter que provar" aos outros do que sou feito. Não vou a festas porque assim quero, eu faço para mostrar o quanto sou social; não vou a igreja porque quero ter uma experiência divina, eu vou pois quero agradar minha família, minha esposa ou qualquer outro.



O quê o " qualquer outro" quer se tornou mais importante para mim do que o que eu mesmo quero. Manter o que eles pensam de mim é a única força que me faz querer atingir os meus objetivos. E desconfio que até mesmo ter escrito isso deve ter sido feito para provar a alguém que eu consigo quando tudo o que eu fiz e poderia ter tido feito deveria ser por mim e para mim... Fim!

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O Nascimento da Primeira Palavra


Parte I

- Auri, vem ver! - gritei com entusiasmo. Ela veio correndo, bem a tempo de ouvir Jureminha dizendo:

- Pa Pá!

- Well done! - respondemos os dois em uníssono. Sempre batemos palmos e repetimos " muito bem", quando a nossa filha consegue realizar algo.

- 1, 2, 3... - Auri começou a contar.

- Por que você está contando? - perguntei.

- Tentando descobrir quanto tempo você vai levar para começar a celebrar e se vangloriar que ela disse "papa" antes de " mama".

- Yuuuppiii!!! - comecei a celebrar - Você ouviu? Ela falou " papai" primeiro!

- 30 segundos! - disse ela - Bem, até onde eu sei, esse som pode ser qualquer coisa. Pode ser tanto o " papá" que ela come quanto pode ser até " papel". Lembra?

- Você está é com inveja! - falei, sem acrescentar que ela estava com razão também.

Os bebês da idade da Jureminha geralmente são capazes de reproduzir uma série de sons. Pequenos fonemas como: ma ma, ga ga, pa pa, va va; entre outros. Esse exercício vocálico vai ajudar a estruturar as cordas vocais e todo aparelho fonador para a fala que não vai tardar a ocorrer; contudo esses sons são vazios de significado, uma vez que eles podem se referir tanto a alguma coisa externa quanto interna que o bebê esteja sentindo ou pode ser apenas uma brincadeira.

O " papa" da Jureminha só seria uma palavra como a entendemos, se ela a usasse para me chamar, se eu saísse do seu campo de visão. O que não ocorreu, uma vez que ela passou a usar " papa" em qualquer situação.

Ainda teríamos que esperar mais uma semana para ouvir a primeira palavra dela e não foi " papai".

E se vocês quiserem saber qual palavra foi essa, terão que esperar uma semana também...

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

SEM COMPROMISSO


Quando ele desmarcou o encontro com aquele amigo que o esperava; ele não esperava que o seu amigo ficasse tão ofendido.

- Desculpe – ele disse – Eu não pude ir. Surgiu um outro compromisso!

- É justamente isso – respondeu o amigo – Outro compromisso. Como você pode marcar OUTRO compromisso em cima de um PRIMEIRO compromisso.

- É que eu não poderia faltar nesse compromisso de última hora, por isso desmarquei. Eu te liguei para avisar.

- A questão não é essa - disse o amigo – Ao desmarcar o seu compromisso comigo com outro compromisso, você praticamente disse para mim que você não se importa comigo ou com tudo o que eu planejei para o nosso encontro. Eu estou nervoso com você não porque eu estou ofendido, mas porque quando assumimos um compromisso com alguém e desmarcamos, na maioria das vezes, isso é uma ofensa sem tamanho a nós mesmos. Manter a nossa palavra e honrar os nossos compromissos são as virtudes mais importantes para qualquer pessoa que esteja aprendendo sobre “respeito” e não existe amizade sem respeito.

- Mas eu te respeito.

- Não! Não me respeita e nem respeita a si mesmo. Se respeitasse não pediria que eu compreendesse a sua falta de respeito para comigo, o seu amigo, e assumiria que você não considerou o compromisso comigo como sendo algo importante. Se não era importante que não tivesse marcado. Tenho certeza que isso não ocorreu somente comigo, tenho certeza que você já fez isso muitas vezes antes com outras pessoas.

-...

- Tudo o que fazemos aos outros, retorna à gente; e isso ocorre não pelas mãos do castigo ou por alguma punição divina; mais porque ao nos relacionarmos com um outro, geramos uma comunicação que vai gerar uma resposta. Se essa comunicação é negativa, na certa vai gerar uma repercussão negativa. Se você não tem compromisso com os outros, como espera que o mundo tenha compromisso com os seus desejos.

- ...

- Uma última pergunta: você, ao menos, cumpriu a sua palavra e compareceu ao outro compromisso?

- Não! Desmarcaram...

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

A Sereia da Preguiça e a Sereia do Trabalho


Marinheiro bom não é marinheiro de águas calmas, marinheiro que é bom fica bom em águas escuras e tempestuosas.

Tem marinheiro que joga flor lá no mar para Iemanjá, na esperança que caia peixe do céu, mas há marinheiro bom que vai pescar e reza para Iemanjá pedindo força e coragem para pescar mesmo quando o mar não está para ele.

Tem marinheiro que pensa que Iemanjá é a Sereia da Preguiça, àquela do canto mole que leva o sujeito para o fundo do mar do sofá, mas marinheiro bom sabe que Iemanjá é a Sereia do Trabalhar, pois quando ela canta, ela quer ver os marinheiros dela dançando, se movendo, se transformando e voltando do mar com a rede cheia de peixe, frutos do mar do seu próprio esforço.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

O preguiçoso


Um homem preguiçoso vivia com a mulher muito trabalhadeira. A casa deles era de vara, e a mulher, cansada de passar frio, teve que encher as paredes sozinha: carregou todo o barro e fez o serviço, enquanto o marido permanecia o dia todo deitado no chão, palitando os dentes e pitando seu cigarro de palha.

Tudo o que a mulher mandava fazer, ele vinha com uma desculpa para não realizar o serviço. Um dia, ela disse:

— Marido, vai ao mato caçar uma paca gorda pra nós fazer um cozido gostoso.

E o preguiçoso vinha com a desculpa:

— Ô minha veia, você quer meu mal?! Pra eu armar uma arapuca, tenho que pegar no machado, ele bate no meu pé e, aí, é desgraceira na certa! No mato tem onça. Se a onça me pega, me come. É melhor ficar por aqui.

A mulher se azoretava e dizia:

— Então, marido, levanta daí e vai botar um roçado, que a chuva já tá pra chegar!

— Mulher, a chuva que Deus dá no roçado dá no mato também. Não precisa de tanta arribação!

E a mulher, que já não aguentava mais, dizia:

Miserável, marido, como você

era melhor não ter.

Cachorro há de te latir

e cobra há de lhe morder.

Tanta preguiça,

só falta ser enterrado vivo,

e é isso que eu vou fazer!

Ele achou boa a ideia, já que não precisaria mais se levantar nem para fazer as necessidades. Então a mulher chamou uns homens para sepultar o preguiçoso. Puseram-no na rede e tocaram o cortejo. Na estrada, um compadre dele vinha montado a cavalo e, vendo a rede, perguntou:

— Meu compadre morreu e ninguém me avisou?

— Morreu não, compadre, mas prefere ser enterrado vivo a ter que levantar uma palha do chão. Esse homem não trabalha nem pro seu sustento, e eu já não aguento mais!

O compadre, então, ofertou:

— Para não enterrar meu compadre, eu ofereço um saco de feijão, outro de arroz e um cacho de banana.

O preguiçoso, ouvindo a proposta, espichou o pescoço para fora da rede e perguntou:

— Ô compadre, me responda uma coisa: esse feijão é debulhado?

— Não.

— E esse arroz e esse cacho de banana vêm com casca ou sem casca?

— Com casca!

Então, para surpresa de todos, o preguiçoso completou:

— Prossiga o enterro!

Maria Magalhães Borges,

Serra do Ramalho, Bahia.

Nota

A preguiça misturada à estupidez é tema, ainda, do último exemplar da seção (de Contos jocosos), O preguiçoso (56), no qual a indolência chega ao limite extremo. O professor Jackson da Silva Lima recolheu cinco versões do romance do preguiçoso, em Sergipe e Alagoas, nas quais constam o episódio da exortação da mulher e os argumentos de que se vale o marido para não levantar-se da cama — ou da rede. Como exemplo, reproduzo um trecho da versão recolhida em Buquim (SE), cantada por D. Josefa de Jesus:

— Marido, se alevante,

Vá matar uma sariema,

Nós come a carne toda,

Faz a bassoura das penas.

— Quem me dera isso agora,

Não é minha velha,

No braço de uma morena,

Adeus, saudade...

“O assunto-chave desse romance é bastante explorado em histórias de trancoso e contos populares, encontradiços em todas as latitudes. A figura interessante do preguiçoso tem despertado a curiosidade dos humildes, envolvendo-a em situações chistosas, sem no entanto torná-la desprezível.”( In: LIMA, Jackson da Silva. O folclore de Sergipe, I: romanceiro, p. 422.)

A nossa versão, narrada por Maria Magalhães Borges, é um híbrido do conto com o romance. Lindolfo Gomes recolheu em Minas Gerais duas versões e as incluiu no que chamou de ciclo do preguiçoso. Na primeira,João Preguiça, o personagem-título é um parvo que jamais digna-se de levantar-se da rede. Fica tão debilitado que é dado como morto. A caminho do cemitério, descobrem que o preguiçoso ainda estava vivo. Um dos irmãos, condoído, oferece um prato de arroz, ao que uma voz enfraquecida responde perguntando: “—... é com casca ou sem casca”. A resposta negativa precipita o desfecho cômico, com o pedido do parvo: “— Toca pro cemitério!”. Na história seguinte, o preguiçoso é um avarento, que, mesmo sendo rico, vive numa choupana, onde é encontrado pelos sobrinhos que o julgam morto. Um curandeiro ministra-lhe um unguento que o traz de volta à vida. Ao ver este pedir uma soma que julga exorbitante como pagamento, o avarento não tem dúvidas e pede para que o enterro prossiga. A história figura também, sob o título Pedro Preguiça, nos Contos tradicionais do Algarve, de Ataíde Oliveira, e na versão literária reelaborada por Alphonse Daudet, O figo e o preguiçoso. Encontramo-la também entre os Contos populares da Romênia, de Ion Creanga. AHistória dum preguiçoso repete os mesmos passos de nosso conto. Os habitantes duma aldeia, com medo que o preguiçoso do título contaminasse os demais com sua indolência, designam dois campônios para levá-lo à forca. A caminho do patíbulo, uma senhora, compadecida com a sorte do moleirão, se oferece para salvá-lo, levando-o a um solar, onde terá por alimento crostas de pão. Quando descobre precisará passar o molho no pão, o madraço decide-se pela morte na forca!

Nota final (por Paulo Correia)

Classificação: ATU 1951 (O arroz está cozido?)

Versões: 3 portuguesas; 3 brasileiras

Nota: Conto raro que nas Américas aparece sobretudo na zona do Caribe: Louisiana, México, República Dominicana. O seu propósito é criticar o homem como mandrião, característica normalmente atribuída às mulheres na tradição oral.

Fonte: http://contos-fabulas.blogspot.com/2011/06/o-preguicoso-conto-jocoso.html

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply