segunda-feira, abril 30, 2012

Eles Escutam Tudo

Eles não ouvem, escutam tudo.

Aprendem com tudo o que é dito, repetem tudo o que fizemos, por isso, todos os pais deveriam ter cuidado com o que dizem na frente dos pequenos, com o que fazem quando eles estão presentes.

Observando a Jureminha  aprendendo a se expressar, sempre me surpreendo com a maneira que ela olha com atenção o que dizemos; mesmo não conseguindo ainda imitar a maioria dos sons, ela compreende muita coisa e mesmo os bebês não tendo lá uma grande memória para acontecimentos mais complexos; eles guardam palavras, frases e sensações: são capazes de sentir empatia e são capazes também de sentir medo.

Tente imaginar o que eles devem sentir quando vem os pais discutindo ou brigando...

Por isso, tento construir para a minha filha um ambiente que infelizmente não tive e acredito que muitos dos meus amigos nunca teve.

É uma pena que muitos pais não se deem conta que o milagre não foi só no nascimento, a celebração deveria estar ocorrendo por toda a infância.

sexta-feira, abril 27, 2012

Joana e o Pé de Cana

"Era uma vez uma menina chamada Joana que plantou um pé de cana com sementes mágicas..."


Ela queria saber sobre os mundos além do ego, procurou ler, compreender até onde ia seu apego e por fim, pediu ajuda a um mestre que lhe ofereceu a possibilidade de começar uma jornada, plantar uma árvore usando as sementes da disciplina, da devoção, do conhecimento e do amor. Quatro sementinhas que se bem plantadas, percorridas, experimentadas poderiam levá-la a grande descoberta: quem ela era!

" Joana, admirada, viu suas sementes se transformarem num pé de cana gigante. Com certas entradas que pareciam degraus que a convidavam a ir para o alto - e para cima, Joana foi, degrau por degrau..."

Para descobrir quem ela era, muitos eram os desafios, degraus, perigos. O medo logo se tornou seu primeiro inimigo, a vaidade o segundo, o prazer perdido o terceiro, mas a menina era valente e continuou descobrindo sobre si mesma.

" A cada passo acima, Joana se admirava; e nessa contemplação, faltou-lhe a atenção e logo surgiu a primeira queda..."

Diante de tanta privação, a menina logo caiu em tentação e mergulhou novamente na matéria, foi expulsa do paraíso, ouviu que guerreira ela não era; e quando tudo dizia para ela desistir, ela ergueu a cabeça e disse: vou seguir!

" E Joana levantou-se e começou a subir novamente. Dessa vez com mais concentração, pois aprendera que cair tinha um preço. E ao chegar no topo do Pé de Cana, viu para a sua surpresa, a Casa dos Gigantes..."

Seguindo, a menina percebeu as finas camadas do véu que cobria o real da ilusão e presenciou a aproximação das entidades que sempre lhe guardaram. Viu Iemanjá e Jesus abraçados e percebeu que nos Caminhos para o Divino, muitos são os símbolos, eternas são as lições. Dai, ao atravessar o véu, o céu lhe revelou seus mistérios...

" Joana viu, de uma certa distância, os gigantes e a visão a fascinou, mas assim que um deles se aproximou demais e começou a gritar : Ma! Tu! Ri! Da! De! - a menina se assustou - E aqueles gritos a fizeram correr e tentar descer o Pé de Cana, o mais rápido que podia, porém, mesmo lá embaixo, ela ainda ouvia os gritos: Ma! Tu! Ri! Da! De!"

Acessar os mistérios não é tarefa para qualquer um. E ela percebeu que ainda precisava se fortalecer para se tornar uma iniciada de verdade. Com isso, sem perceber, fugiu novamente da responsabilidade; justificando que ainda não estava preparada para assumir o caminho do mago, o iniciado que navega entre os sentidos sem se entregar totalmente a nenhum deles.

" Tendo descido, já lá embaixo; Joana pegou um machado e cortou o Pé de Cana. Afinal, ela não queria que os gigantes descessem e voltou a viver feliz para sempre - the end!"

A menina agradeceu ao professor tudo o que aprendeu e seguiu sua vida, voltando a fazer as coisas que sempre fazia e com isso, cortando a cada dia, o laço que havia construído com os seus guias e mestres no além do véu. Poderia ter escolhido prosseguir no caminho com equilíbrio, mas era melhor deixar essa jornada para mais adiante e voltar a ter uma vida normal como a de qualquer vivente - O Fim! - ou não...

quinta-feira, abril 26, 2012

Shallow

Há pessoas vazias que são repletas de teoria e ocas de experiência. Pessoas que andam com pressa e não percebem que caminhar fortalece a direção e correr é se afastar do presente - que deveria ser o melhor lugar para se estar agora!

Queremos o amanhã porque é natural ter um objetivo, um goal, um destino; mas sabem, os peregrinos, que hoje guarda todas as lições que precisamos
para encher o nosso peito com a única riqueza que levaremos desse sonho para a realidade do além da matéria: a experiência da atenção suprema.

Atenção suprema é um constante estar atento para que se evite as bobagens que fazemos quando estamos com pressa, como por exemplo, andar mais do que as nossas pernas

quarta-feira, abril 25, 2012

SOBRE DEUSES, PÁSSAROS E GAIOLAS

”Eu não tenho religião. Não vou a igrejas, não participo de rituais, não acredito nos seus dogmas. Preciso não ter religião para amar a Deus sem medo, com alegria e, principalmente, sem nada pedir.

Não tenho religião porque não concordo com as coisas que elas dizem de Deus. Deus é um Grande Mistério. Está além das palavras.Diante do Grande Mistério a gente emudece. Fica em silêncio. Discordo a partir do pronome “ele”.

Deus “ele”, masculino? Onde foi que aprenderam sobre o sexo de Deus? Deus tem sexo? Se tem sexo, por que não ela, Deus mulher? Como a mulher do Cântico dos Cânticos?

A Igreja Católica não conhece a mulher. Conhece apenas a “mãe” que foi mãe sem ter sido mulher. Deus: por que não uma flor, a mais perfumada? Por que não um mar sem fim onde a vida navega?

Místicos ouviram dizer que Deus é uma criança que nos convida a brincar… Mas pode ser também que Deus seja música, como pensaram os místicos pitagóricos.
Ter uma religião é falar as palavras sagradas daquela religião e acreditar nelas. As religiões se distinguem e se separam: pelas diferenças das palavras que usam para se referir ao sagrado. Se elas nada falassem, se houvesse apenas o silêncio diante do Grande Mistério, a Babel das religiões não existiria. Diante do Grande Mistério apenas uma palavra é permitida, a palavra poética, porque a poesia não o diz mas apenas aponta para ele.

O Grande Mistério está além das palavras. Se tenho uma religião ela se chama poesia. Por isso, amo a Cecília Meireles, sacerdotisa profana, que quando queria se referir a Deus falava sobre um mar sem fim, misterioso e selvagem.

Quem em silêncio contempla o mar sem fim ouve vozes em meio ao barulho das ondas. Também Fernando Pessoa sabia disso. Mas, prestando bem atenção, é possível ver, a voar sobre o mar sem fim, um pequeno pássaro que canta: “Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve. E a cascata aérea de sua garganta: mais leve. E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve…

” Os poetas escrevem em transe: não sabem sobre que estão escrevendo.
Faz muitos anos, escrevi um livro para minha filha. Ela tinha 4 anos.
Eu iria fazer uma demorada viagem pelo exterior e ela ficou com medo de que eu morresse e não voltasse. Apareceu-me, então, uma estória, A menina e o pássaro encantado.
Resumida, era assim: Era uma vez uma menina que amava um pássaro encantado que sempre a visitava e lhe contava estórias, o pássaro a fazia imensamente feliz.
Mas sempre chegava um momento quando o pássaro dizia: “Tenho de ir”.

A menina chorava porque amava o pássaro e não queria que ele partisse.
“Menina”, disse-lhe o pássaro, “aprenda o que vou lhe ensinar: eu só sou encantado por causa da ausência. É na ausência que a saudade vive. E a saudade é um perfume que torna encantados a todos os que o sentem. Quem tem saudades está amando. Tenho de partir para que a saudade exista e para que eu continue a amá-la, e você continue a me amar…”

E partia.

A menina, sofrendo a dor da saudade, maquinou um plano: quando o pássaro voltou e lhe contou estórias e foi dormir, ela o prendeu numa gaiola de prata dizendo:

“Agora ele será meu para sempre”. Mas não foi isso que aconteceu. O pássaro, sem poder voar, perdeu as cores, perdeu o brilho, perdeu a alegria, não mais tinha estórias para contar.

E o amor acabou.

Levou tempo para que a menina percebesse que ela não amava aquele pássaro engaiolado. O pássaro que ela amava era o pássaro que voava livre e voltava quando queria. E ela soltou o pássaro que voou para longe.

A estória termina na ausência do pássaro e a menina se enfeitando para a sua volta. Minha intenção, ao escrever esta estória, era simples: consolar a minha filha. Mas quando foi publicada ganhou um sentido que não estava nas minhas intenções: começou a ser usada em terapia, com casais possuídos pela ilusão de que, engaiolado, o amor seria posse eterna…

Desde então passei a presentear noivos com uma gaiola da qual eu arrancava a porta. Mas, passado algum tempo, uma pessoa me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” “Sobre Deus?”, eu perguntei sem entender. “Sim”, ela me respondeu. “O Pássaro Encantado não é Deus? E as gaiolas não são as religiões nas quais os homens tentam aprisioná-lo?”

Aprendi, então, da minha própria estória, algo que não sabia: Deus como um Pássaro Encantado que me conta estórias. Amo o Pássaro. Odeio as gaiolas. O Pássaro Encantado: não pousa em galhos para cantar. Não é possível fotografá-lo. Canta enquanto voa. Dele, o que temos é apenas a sua leve sombra voante e a cascata aérea de sua garganta…

Quando ouço o seu canto, ele já passou. Só é possível vê-lo em seu vôo, por trás. Vai-se o Pássaro. Fica a memória do seu canto. Um pássaro voando é um pássaro livre. Não serve para nada. Impossível manipulá-lo, usá-lo, controlá-lo. Pássaro inútil. E esse é, precisamente, o seu segredo: a sua inutilidade: ele está além das maquinações dos homens. Sua única dádiva é o seu canto. Só faz um milagre, um único milagre: quando, chorando, lhe peço “Passa de mim esse cálice”, ele canta e o seu canto transforma a minha tristeza em beleza. Por isso eu nada lhe peço. Sei que ele não atende a pedidos. O seu canto me basta: ao ouvi-lo transformo-me em pássaro. E vôo com ele… Mas aí vêm os homens com as suas arapucas e gaiolas chamadas religiões. E cada uma delas diz haver conseguido prender o Pássaro Encantado em gaiolas de palavras, de pedra, de ritos e magia. E cada uma delas afirma que o seu pássaro engaiolado é o único Pássaro Encantado verdadeiro…

Por que prenderam o Pássaro? Porque o seu canto não lhes bastava. Não lhes bastava a beleza. Na verdade, não o amavam. O que os homens desejam não é a beleza de Deus. O que eles desejam é manipular o seu poder. O que eles querem é o milagre. O canto do pássaro poderia lhes dar asas para voar. Mas não é isso que querem. O que desejam é o poder do pássaro para continuar a rastejar: Deus, transformado em ferramenta. Ferramenta é um objeto que se usa para se atingir um fim desejado. Assim são os martelos, as tesouras, as panelas… O que as religiões desejam é transformar Deus em uma ferramenta a mais. A mais poderosa de todas. A ferramenta que realiza os desejos. Como o gênio da garrafa. Pois não é isso que é o milagre, a realização de um desejo por meio da manipulação do sagrado? Só é canonizada santa uma pessoa que realizou milagres: o milagre é o atestado do seu poder para manipular o divino.

E é assim que as religiões se multiplicam, porque os desejos dos homens não têm fim, e os seus santuários se enchem de santos de todos os tipos, os santos milagreiros são nossos despachantes espirituais, todos eles a serviço dos nossos desejos, atenderão nossos desejos a preço módico, se rezarmos a reza certa e prometermos publicar o milagre em jornal, e pela televisão se anunciam fórmulas, sessões de descarrego, águas bentas milagrosas, exorcismo de demônios, os DJs de cada religião têm uma música na fala que lhes é própria…

Assim, a poesia do canto do Pássaro Encantado se transforma em manipulação do pássaro engaiolado. E não percebem que aquele pássaro que têm dentro de suas gaiolas não é o Pássaro Encantado, que não se deixa engaiolar, porque é como o vento, e voa como quer, e tem uma única dádiva a oferecer aos homens: a beleza do seu canto. À transformação da poesia em manipulação milagreira ? Os profetas deram o nome de idolatria.

Assim, a poesia do canto do Pássaro Encantado se transforma em manipulação do pássaro engaiolado. E não percebem que aquele pássaro que têm dentro de suas gaiolas não é o Pássaro Encantado, que não se deixa engaiolar, porque é como o vento, e voa como quer, quando quer, e tem uma única dádiva a oferecer aos homens: a beleza de seu canto.

Por Rubem Alves
http://www.rubemalves.com.br/

terça-feira, abril 24, 2012

Se Não é Morte, É Parto*



“A morte é uma destruidora dos sentidos.**”


A mente humana é especialista em dar sentido a tudo, até aquilo que não faz sentido. Porém, se não fosse por essa capacidade, talvez a sociedade, como a conhecemos, jamais tivesse existido.

Dar sentido a tudo é primordialmente humano. É o que nos diferencia dos animais e ao mesmo tempo é o que nos ajudou a ser o topo da cadeia alimentar do mundo. Contudo, isso também é o que nos limita e nos aprisiona, pois ao darmos sentido a algo, tentamos nomear, prender na forma algo que, muitas vezes, é inarrável, indizível; daí a infelicidade do povo ao lidar com coisas que não fazem o menor sentido – como a morte, a grande destruidora dos sentidos – que varre do mapa qualquer bússola que norteava o nosso mapa de estrutura da vida; e diante do não-sentido, a mente desesperada se agarra a qualquer luto – o preto, a fé, o lúdico, o choro ou o eu mudo – para dar sentido, para nos ajudar a continuar.  

Continuar é preciso, mas trabalhar a morte – tão natural e tão temida – em nossas vidas e em nossa psique é um dever de todo ser vivo consciente; e que compreende que se não há nada o que fazer com a morte, precisamos ao menos, aceitá-la como companheira inseparável da nossa jornada.

Por isso, meu amigo espiritualista, na hora de acalentar quem perdeu alguém para além do véu da morte, afaste da orelha alheia suas teorias, pois palavra nenhuma, nem muito menos a fé alheia, consegue acalentar o coração de quem busca um alento que afaste a dor – para quem perde alguém, um abraço e o seu silêncio ajuda muito mais que mil frases bem escritas e qualquer versão de vida após a morte que exista – o silêncio, meu amigo e meu irmão, nos ajuda a afastar a ilusão de dar a morte um sentido e trazer à vida a lição do tempo.


Notas do Autor

* O título do texto é uma referência a uma estrofe da canção-hino de Chandra Lacombe: O Parto da Verdade.

* * Esse texto é inspirado nas palavras de Gê Marques, durante a vivência " Kuai de Ogun", que ocorreu no Reino do Sol no último fim de semana.

segunda-feira, abril 23, 2012

A Mirra e a Birra

Jureminha começou os seus ataques de birra.

Demorou, falei - Auri concordou.

Filha da Senhora da Ventania, minha filha nunca foi um bebê muito calminho; desde o momento em que ela nasceu até agora, ela sempre demonstrou que...well... Vamos ter problemas se tentarmos segurá-la.

Tudo bem! Pais impõem limites, controle só a vida.

A birra, de acordo com as mil revistas e livros que li, é uma espécie de comunicação; assim como o choro, a birra é uma tentativa de afirmação de identidade do bebê - um ensaio para o ego que precisa lutar para conseguir o que quer; daí, nada mais natural que os pais serem os primeiros adversários - os grandes inimigos - cujo pequeno herói trava sua batalha do " mamãe, eu quero!".

Como enfrentar a birra? Atuando! Sim, fingindo que temos algum controle sobre ela e firmemente deixando claro e ensinando que há limites que precisam ser respeitados.

Se essa lição for bem aprendida, Jureminha vai crescer lutando por seus objetivos, mas compreendendo que nem sempre ganhará o que quer; dai quem sabe ela aprenda desde jovem a filtrar da birra, aquilo que ela realmente precisa, afinal lidar com os amargos da trilha é uma lição que devemos aprender para extrair o perfume da vida.

sexta-feira, abril 20, 2012

Move On

Continua!

Não pare a caminhada só porque o mar fechou, o mapa sumiu e o guia te perdeu - a caminhada começa com um passo, mas para terminar a jornada é preciso o compasso da sua vontade que não depende de professor nem de livro - assuma a independência que vem com a certeza que mesmo se você desistir, ninguém tem nada a ver com isso.

Mas continua - A trilha sempre foi sua, não deixe que o julgamento do outro seja seu " Tranca-Rua".

Faça como a águia - troque suas penas por asas novas; dói arrancar pena por pena, mas o que cresce no lugar terá a resistência de te fazer voar mais alto e te trazer pro chão com segurança.

Continua seu voo, não espere pela aceitação dos tolos nem pela aprovação de quem você respeita. Se o mestre sumiu, seja seu próprio professor. Assuma que ao aprender a ler as cartas da sua vida jogadas na mesa, você assumiu o risco de ir para frente e só voltar para trás para ajudar quem não consegue te alcançar.

Move on e se tudo parecer perdido e vazio, mergulhe a cabeça no mar da Grande Mãe e enquanto gritar: Odoya, Yemanja - perceba que nunca é tarde para mudar e é sempre cedo querer decidir as coisas quando o caminho está apenas no meio.

Continua e aprenda que você nunca mais estará sozinha de novo, pois mesmo que você ande pelo vale das sombras, Ele estará ao seu lado, pois o Senhor é o único e verdadeiro Pastor que nunca deixa ovelha nenhuma para trás.

quinta-feira, abril 19, 2012

TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO (Composição de Jorge Benjor)

Curumim chama cunhata que eu vou contar
Cunhata chama curumim que eu vou contar
Curumimmm, Cunhataaaa
Cunhataaaaa, Curumimmm
Antes que os homens aqui pisassem nas ricas e férteis
terras brasilis
Que eram povoadas e amadas por milhões de índios
Reais donos felizes da terra do pau Brasil
Pois todo dia e toda hora era dia de indio
Mas agora eles tem so um dia
Um dia dezenove de abril
Amantes da pureza e da natureza
Eles são de verdade incapazes
De maltratarem as fêmeas
Ou de poluir o rio, o céu e o mar
Protegendo o equilibrio ecológico
Da terra, fauna e flora pois na sua história
O índio é exemplo mais puro
Mais perfeito, mais belo
Junto da harmonia, da fraternidade
E da alegria, da alegria de viver
Da alegria de amar
Mas no entanto agora
O seu canto de guerra
É um choro de uma raça inocente
Que já foi muito contente
Pois antigamente
Todo dia era dia de índio

quarta-feira, abril 18, 2012

Meio-dia em Paris

Todos os textos e crônicas que podiam ser escritas sobre Paris já foram publicados, lidos e mastigados; daí, coisa mais sem graça ler a experiência de mais uma outra pessoa sobre a capital francesa. Porém, se você ainda continua lendo até aqui, deve ser porque há algo sobre Paris que você ainda não sabe e quer conhecer através de mim.

Bem, se é assim, nada mais resta a mim a não ser satisfazer o seu desejo e lhe contar que eu amo Paris, mais não vejo graça nos parisienses, com exceção dos gatos. Sim, os felinos em Paris são bem diferentes.

Gato é um bicho bem curioso. É o único bicho de estimação que não age como tal. Andando pela casa com aquelas pegadas arrogantes, os gatos já deixam bem claro quem é que manda. Na rua então, esses bichanos se acham reis ou rainhas - agora imaginem os gatos parisienses.

O gato parisiense é um bicho de hábitos diurnos. Basta passar por uma delicatessen para ver os bichanos bolando um plano para roubar os queijos e baquetes. Em pleno meio-dia, se os turistas não estivessem apontando suas câmeras para a Torre Eifell e para o Arco, eles veriam o triunfo desses bichos, flutuando sobre os telhados parisienses com um charme e elegância que nenhum francês consegue imitar.

Sim, tenho certeza que não existe por ai nenhuma crônica sobre Paris que fale sobre os gatos. Entail, da próxima vez que você for a Paris, preste atenção nos telhados e você terá uma interessante surpresa.

terça-feira, abril 17, 2012

Vulgar

"Om bhūr bhuvah svah
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah pracodayāt"

Gayatri Mantra


O que era sagrado virou vulgar, perdeu-se a magia no popularizar. Todos podem trilhar um caminho espiritual, mas nem todos conseguem caminhar.

Algo ficou perdido no caminho: a vontade - o fascínio. A Cruz virou um pedaço de pau; as duas velas acesas na sexta, apenas enfeite de castiçal; a imagem do Buda é peça decorativa.

Vai-se ao templo como se vai a padaria - o milagre do pão multiplicado é desperdício no prato.

Ninguém disse que seria fácil, mas estudar os caminhos do Divino não é coisa de criança que emburrada se embrutece e na primeira oportunidade larga o brinquedo novo que encontrou.

Haja compaixão por essas almas tolas - haja amor!!!

Na jornada, o peregrino enfrenta as piores mazelas: a falta de disciplina - a preguiça - a fraqueza; se houver mesmo vontade, o peregrino avançará nas provas com maturidade; evitando cair no perigo de ver tudo o que ele havia descoberto, descobrido, revelado - se desfazer como castelos de areia, jóias perdidas no mal dito e no vulgarizado.

Vulgar é comum, é todos - é nenhum respeitar. Vulgar é não honrar seus compromissos na caminhada de acordar. Gente sem honra e compromisso fica mesmo pelo caminho...

Hoje em dia, diz-se que não há mais " iniciados" - a informação está aí, na rede para qualquer peixe ver; daí a perda do valor - pois não há mais gosto, nem sabor e com isso, o amor vira uma espécie de torpor.

Sem interpretação, qualquer anjo vira cão, personagem de novela-desastre que começa com o boca-a-boca aonde toda essa gente doida confunde mudança de vibração com fim do mundo - gente que não passa de neófitos de televisão tentando ver a revelação em filme de hollywood.

Não sou a favor do esotérico ou do oculto, mas defendo "o respeito a Tradição", pois a informação sozinha não é aprendizado - viva o professor! Respeite seu tutor.

Afinal, qualquer um faz qualquer coisa em nome de Deus, criando-se a besta do lugar-comum, que desencanta o mantra e faz os versos rimarem ao contrário, no show bizarro onde ao invés de aprendermos com os passos dos iniciados, assistimos vegetados ao espetáculo dos três macacos do querer conhecer, mas sem saber ouvir, ver, nem tão pouco compartilhar.

" We meditate on the glory of the Creator...May He enlighten our Intellect."


segunda-feira, abril 16, 2012

Ode a Cristina by Jureminha

" Pai,

Adoro minha tia-madrinha. Acho que o senhor escolheu bem, pois ela é engraçada e sempre dou muitas risadas com ela. Todas as madrinhas deveriam ser divertidas e criativas.

Minha tia-madrinha tem cheiro de criatividade. Perto dos olhos dela, todas as coisas tomam as mais interessantes formas e cores. As pessoas também.

A tia-madrinha é artista. A gente reconhece um artista de longe, papai, pois essas pessoas estão sempre querendo manter o presente bem perto pelo olhar delas. Você já viu a tia-madrinha sem uma máquina fotográfica? Ela não quer deixar a beleza escapar, por isso tira foto, emoldura, muda e transforma as coisas todas.

Eu gosto da casa dela porque tudo lá é colorido e cheio de arte. As paredes são cobertas com CDs que viraram mandalas; enfeites que já foram qualquer coisa que se joga fora, agora é coisa que se admira e se quer presentear. Isso é ecologia!

Acho que ninguém recicla as coisas tão bonitamente quanto a minha tia-madrinha. Se ela fosse uma professora, acho que ela transformaria todos os alunos em peças de arte também.

Acho que ela deveria ensinar as pessoas a artificar o mundo. Quando eu crescer, quero aprender com ela a fazer um mundo mais bonito e colorido porque acho que eu já estou transformando as coisas também...afinal, bebê não quebra as coisas, só transforma."

Jureminha

sexta-feira, abril 13, 2012

Pagar o Preço

Havia nela uma vontade real de crescer, mas um medo mortal de perder as regalias que ganhou com as ferramentas da imaturidade; imaturidade que constrói muros de ilusões feitos de desejos satisfeitos e pequenas conquistas temporárias que nunca a levaram a nada.

Nada! Esse é o troféu da infância prolongada das legiões de jovens adultos que se recusam a crescer e ver que precisam abrir mão, fechar pernas, manter a boca fechada e abrir os ouvidos para as instruções que eles mesmos foram buscar. A maioria desses jovens que buscam melhorar a sua compreensão de mundo, se perde no caminho; desiste da jornada a meio passo da chegada, pois o preço vai ficando cada vez mais caro e eles simplesmente se recusam a deixar pelo caminho as armaduras da vaidade e da falsa maturidade; e passam a se agarrar a essas vontades como se elas fossem realmente fortalezas e não as fraquezas que as fazem fracassar diante dos seus sonhos.

Sonho! Ainda bem que há outros aprendizes que, mesmo ainda juvenis de idade, possuem o esforço adulto que o transformará em próprio agente da sua mudança, afastando de vez aquela criança imatura que eles usavam como desculpa para não crescer.

Crescer! Esse é o destino de quem entendeu que a disciplina é apenas um estudo que precisamos empreender para nos tornar verdadeiros discípulos do Mundo da Matéria. Cresce quem abraça a disciplina como quem abre uma janela e vê lá fora a paisagem de um Ser Melhor.

quinta-feira, abril 12, 2012

Black Saia




" Conhece-te pois; não pretendas esquadrinhar a Deus. O verdadeiro estudo do
homem é o homem."
Alexander Pope



Esses dias, sofri um apagão. Foi durante uma meditação em que consegui mergulhar, ir, tão profundamente para dentro de mim que vi meus milhares de neurônios constelando em meu cérebro; assisti as reações químicas como supernovas no espaço de mim mesmo e percebi cada informação nova que entra a esmo, penetrando surdamente por algum sentido como se fosse uma brisa soprando fortemente em dia de calor e sendo emanada como onda para os confins do meu self. Essa mesma onda voltava decodificada e alterada por minha percepção inconsciente que caia feito estrela cadente pelo céu da minha boca em palavras ou em imagem vista pelas minhas deusas egípcias oculares.

Quanto mais fascinante ficava, mas coragem eu sentia em ir me aprofundando e lá além dos lobos cortados, em algum lugar, O vi! Ele estava escondido e devidamente guardado, era ele, O Ego, me espreitando.

Ah, que chance!!!

Percebi que poderia eliminá-lo com a força da minha vontade e olha que facilidade, depois de passar a minha vida inteira tentando controlá-lo, eu poderia exterminá-lo e ser consciência cósmica plena sem os vícios egóicos que, segundo as escrituras sagradas, envenenam a alma.

Foi então que tudo ficou black e ouvi um " Saia!". Apagão geral!

Acordei horas depois, exausto demais para uma nova tentativa. Até tentei novamente, num espaço de alguns dias, mas como se fosse um encantamento, esqueci o caminho, apagou-se os meios.

Ruminando sobre isso, cheguei a conclusão que devo ter um fire-wall me protegendo de mim mesmo.

Percebi que toda essa busca do " Conheça-te" é necessária ao homem, porém sem freios, ela pode atrapalhar muito mais a gente que mil doenças e mil e um obsessores.

Conhecer-se é saber respeitar o que está escondido e aceitar a nossa limitação em relação a certos mecanismos que existem por um motivo funcional. Mexer em certos sistemas internos pode ser daninho para a nossa existência.

Auto conhecimento é uma viagem maravilhosa, mas não precisa custar a nossa
sanidade.

quarta-feira, abril 11, 2012

A Floresta dos Porquês

" Eu daria qualquer coisa
para não vê-la assim"


Diante da dor alheia, a pergunta que fica no ar é o que poderíamos fazer para ajudar, porém, só sabe do que passa quem por essa dor caminha; e para quem está de fora só resta estar do lado e não fugir para a floresta dos " porquês" ou para a inutilidade do " eu daria qualquer coisa", pois qualquer coisa não daríamos... Pense a respeito!

Estar do lado é nos armarmos com todas as ferramentas necessárias para nos fortalecer, pois quando testemunhamos alguém que amamos adoecer, todas as rezas e pedidos de cura só servem mesmo para manter a nossa fé que a cura não tardará a chegar, contudo o Pai Eterno em sua sagrada sabedoria é quem vai decidir por quanto tempo a dor vai continuar e quando enfim, a dor acabará.

Acabar há de acontecer, pois para todas as coisas há sua lição e seu tempo para ocorrer.

Há o tempo em que precisamos buscar a medicina do homem e há o tempo em que clamamos pela medicina Divina; porém há o tempo em que remediamos a nossa angústia em relação a dor do outro, recebendo doses de paciência.

Com paciência, fica mais claro o nosso papel nessa trama e percebemos sem a cegueira da ansiedade que podemos ajudar de verdade quem tem dor a sair da lama da impotência, buscando aliados, gente que de fato, pode nos orientar a auxiliar os nossos amados; por isso, na escuridão da queda alheia, se estivermos em pé e firmes, conseguiremos ser o alicerce pelo qual essas pessoas caídas se levantarão e é nesse momento, que o Cristo se fará presente, não apenas em nosso coração, mas principalmente na nossa ação de permanecer ao lado, seja na doença seja na felicidade do amor realizado.

Realizar o amor incondicional por quem está doente é acima de tudo, limpar as lágrimas do nosso desespero fluente e perceber no reflexo do outro, que ao invés de nos sentirmos mal por estarmos bem perante ao infortúnio alheio, precisamos agradecer ao Pai do Céu por estarmos saudáveis, pois só ajuda quem já está ajudado.

Se compreendermos que a nossa visão ajuda quem não enxerga a ver, perceberemos que essa dor alheia terá revelado a sua verdadeira função: a compreensão que ela só ocorreu no outro para que pudéssemos perceber se na hora da dor alheia, ficamos ao lado, lutando para achar uma solução real baseada em fatos ou fugimos para a floresta dos porquês, para nadar na ilusão do quê poderia ser feito; ora, agora é hora de fazer!

terça-feira, abril 10, 2012

Malu e o Cão


Depois de muito tempo procurando,
encontrei finalmente a conexão que estava faltando,
e em profunda meditação fui percebendo
que tudo tinha sentido e todos nós estávamos conectados e conectando
forças sutis que de outra dimensão pareciam estar nos guiando;
contudo, antes de escrever um livro com isso narrando
ou fundar uma religião com os pilares do que estou sentindo,
vou buscar um médico para descobrir se tudo isso que estou experienciando
não passa de um neurônio malucão me enganando.


segunda-feira, abril 09, 2012

Barrados no Ritual



Fomos, Auri e eu e a Jureminha, para um ritual de Páscoa.

A ideia era que pudéssemos começar a levar minha filha para os lugares onde fazemos os nossos estudos espiritualistas. Como geralmente passamos o dia inteiro fora, trabalho espiritual mesmo é conseguir arrumar sempre alguém que cuide dela para gente; além disso, justamente por não termos uma religião, queríamos que ela crescesse já conhecendo como os pais dela estudam essas temas espirituais.

Desde que eu e Auri começamos a estudar todas as religiões e escolas do Divino, sonhávamos com a possibilidade de educarmos os nossos filhos com o mesmo ecletismo que temos em relação a isso, daí, nada mais natural querer levar a Jureminha com a gente.

Como era um Ritual de Páscoa naquela escola, imaginamos que teria muitas crianças, mas para a nossa surpresa, Jureminha era a única criança no lugar. Até aí tudo bem, ninguém parecia mesmo se importar com aquele erezinho brincando e gritando pelo templo. Até que lá pelo meio do Ritual, quando Jureminha começou a apresentar um chorinho de cansaço, típico de bebê que tem sono e quer dormir; fomos convidados discretamente a sair do salão.

Auri compreendeu; eu não! Auri disse, com toda razão, que uma criança chorando realmente prejudica qualquer ritual, show e exibição; ter que sair de algum lugar para não atrapalhar os outros é um preço a se pagar quando se tem bebês; contudo, não foi assim que eu aceitei a expulsão.

- Acalma o seu coração, Frank! - Auri disse - Eles tem o direito de pedir que a gente saia.

- Não aceito, Auri! - falei - Sim, eu sou pai babão e orgulhoso de ter meu bebê sempre ao meu lado e não, não vou aceitar qualquer exclusão apenas porque o bebê começou a chorar ou reclamar. Compreendo que há alguns ritos onde crianças não são aceitas, mas os rituais espirituais que estudamos são aqueles que precisam trabalhar sempre com a inclusão e qualquer lugar sem criança não tem a menor diversão, nem ligação real e alegre com as forças divinais.

- Acabou de reclamar? - Perguntou Auri.

- Sim! - falei com cara emburrada!

- É simples! - Ela disse - Da próxima vez, antes de irmos ao local, a gente liga e pergunta se crianças são bem vindas; se forem, a gente conhece o local e participa; se não forem, a gente só vai se a gente quiser ir. Além disso, o importante é estarmos juntos, não é? Na inclusão e na expulsão, família unida!

Olhei para ela e para a Jureminha e sorri. E foi nesse momento que percebi que eu tinha recebido um insight de Páscoa: eu tinha uma religião sim e ela é a minha família.

((()))



Ps: Atendendo aos pedidos que recebi por e-mail, voltarei a postar as crônicas com a Jureminha toda segunda-feira nesse espaço. Obrigado a todos que acompanham e espero que vocês possam também aprender com a minha filha, as lições que venho aprendendo.

sexta-feira, abril 06, 2012

Feliz Páscoa

quinta-feira, abril 05, 2012

Como diria Blavatsky ...

By Jorge Vercillo



Não sei olhar pra mim sem ser no espelho
Talvez por que não queira descobrir de onde vim, quem sou
Mas ao me deparar contigo, eu lembro de um tempo...

De um tempo em que os humanos não escravizavam os animais
De um tempo em que entendíamos que somos seres imortais!
Do outro lado da galáxia era você o meu mentor.
Brincando, assim me preparava pro ouro e para dor
Dessa missão que eu mesmo escolhi

E antes de eu "descer" me avisou:
- Você não vai saber por que está ali
- Você não vai saber lidar com seu poder
- Nem mesmo vai lembrar quem é, nem de onde vem
Mas hoje, de algo em seu olhar eu me encontrei

Você me faz lembrar que somos deuses
Caídos na terceira dimensão,

E porque não dizer que temos tempo
Pra tudo...
Pra tudo...
Pra tudo.

quarta-feira, abril 04, 2012

SILENCIE A VOZ QUE TENTA DERRUBAR VOCÊ


Há muitas razões para você ter medo de tentar, muitas razões para falhar, muitas razões para desistir, muitas razões para voltar à sua concha e esperar a vida se esgotar. Aos poucos. Jogando fora um dia de cada vez.
Sim. Há muitas razões para acreditar naquela voz dentro da sua cabeça que tenta anular você, corromper seu potencial e convencê-lo de que é um desperdício tentar dar o próximo passo. Essa voz diz: ‘Para que escrever a própria história? Assista tevê, e viva a história de outros, coma mais e não se exercite, para destruir sua principal máquina de mudar seu mundo; esqueça o amor, anule-se’. Essas são as mensagens que tentam derrubar você.

Há muitas razões para desistir. Todas, absolutamente todas, falsas. Os limites estão em você, não em regras criadas por outros. Nossa sociedade é dominada pela absurda ‘lei das médias’. Se a maioria não consegue, tentam fazer com que você acredite que jamais conseguirá. Aleijadinho não acreditava na voz interior que dizia, com toda a lógica do mundo, que ‘Aleijados não podem ser escultores’. Era lógico, mas era falso. Santos Dumont não acreditou nos compatriotas que insistiam em dizer ‘Que o homem não poderia voar com um veículo mais pesado que o ar’. Era lógico, mas era falso. Há muitas coisas nas quais você acredita, com lógica, mas que são absolutamente falsas.

É fácil inventar uma razão, um motivo aparentemente lógico, para qualquer coisa. Mas sua vida pode ser muito mais do que um amontoado de desculpas lógicas. Sua vida é muito mais do que qualquer razão para desistir de um sonho. Sua vida é muito mais do que seu passado ruim, suas experiências de dor e seus medos ancestrais. Sua vida é tudo o que ainda virá. Não importam os limites do seu passado, eles não existem mais. Seu futuro pode ser tudo o que você desejar. Escolha os companheiros de viagem... e vá.

Por isso, toda vez que escutar uma voz dentro de você dizendo ‘Você não é um pintor, então pinte sem parar, de todos os modos possíveis, e aquela voz será silenciada’, como afirmou Van Gogh, um dos maiores pintores da história. Substitua a palavra ‘pintor’ por engenheiro, jornalista, arquiteto, policial, mãe, professor, motorista, cantor, ator, escritor... ou o que você desejar. E acredite nisto: sua mente e seu corpo são obrigados a seguirem as suas decisões, suas ações e suas crenças.

Silencie a voz que tenta derrubar você!

(autor desconhecido)

terça-feira, abril 03, 2012

O Que Sobra?

O Começo do Mundo

Fui lá no fundo, mergulhei no fundo do mundo; onde eu deveria acabar e encontrei você. Estranho! Nunca achei que outro alguém morasse em mim, tamanho mergulho me fez ver que quando eu acabo começa você.

Não sei se era o fim de mim ou o começo do mundo, só sei que ao me ver em você, fiquei tranquilo, quase mudo, percebendo-me em paz e sentindo algo mais, a mais, uma ligação por demais óbvia, quase familiar, de que somos de fato ligados, e mesmo não conseguindo provar, está no ar a verdade dos místicos - SOMOS UM - somado, daí, eu com medo e em tal fuga, tive que voltar correndo para ser mim.

Sendo mim apenas, separo o que se junta; revisto com roupas e medos, opiniões e preconceitos, pódo a muda, não a deixo crescer, por que isso faria? Qualquer coisa que ameace a minha soberania, deve ser combatida, lutada, guerriada, ferida! Afinal, tudo só faz mesmo sentido se for inebriado de eu, e só em mim TUDO bastaria; deveria, porém, não basta e continuo nessa busca desenfreada por repetir sentir você em mim.

Ainda bem que sei o caminho e basta um tantinho de ficar quietinho para eu novamente sentir que quando a mente silencia, sopra no espaço uma linda sinfonia que vem lá sei lá de onde e fala da gente - DOIS - e para que a meditação não acabe nesse instante, aceito o que é, sem me preocupar em ser e quando faço isso: SURPRESA!!! Estou novamente cheio de você - UM - transbordando em letras que escapam pelos dedos e apesar de saber que nunca vou escrever direito o que você provoca em mim, escrevo assim mesmo, pois tenho um anseio que há certos olhos que nos leem e sabem que além da mente, as minhas letras apenas ecoam o que neles também gorjeia.

segunda-feira, abril 02, 2012

Jureminha Se Despedindo

Todo dia pela manhã, Jureminha se despede. Early bird, ela acorda mais cedo que o meu despertador. Fica falando com seus amiguinhos imaginários até que eu ou a Auri abra a porta do seu quarto para ela nos dar "bom dia" sorrindo. Seu sorriso-bom-dia vale mais que mil arco-íris:)



Daí, ela levanta e já quer brincar.

- Sua Serelepe! - apelida Auri, tentando dar nome a peraltice. Eu, se pudesse, ficaria toda a manhã brincando com ela; não posso! Tenho que trabalhar, preciso pagar as fraldas. Ela entende, pois não chora ao me ver saindo, o contrário, quando ela se dá conta que vou abrir a porta, ela grita de alegria; talvez porque imagine que vai sair comigo, ou, talvez apenas porque esse é o momento do dia em que ela levanta o braço direito e balançando a mão, diz : papai, vai, mas volte!

Por quase um ano, escrevi as peripécias da Jureminha nesse espaço. Hoje, ela também se despede de vocês, caros leitores. Prometo que ela vai mandar notícias, mas ela cresce mais rápido que as minhas crônicas; por isso, por enquanto, Jureminha se despede também. Se ela pudesse dizer algo, diria: " Eu vou, mas volto!"
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