quarta-feira, abril 30, 2008

ONDE ESTÁ MEU POEMA?

Esses dias tive um insight. Momentos de revelação que duram a eternidade de alguns segundos. Era a verdade do universo, a resposta para todas as nossas dúvidas existenciais e por não ser um orador, nem tão pouco, músico; transformei o que senti em versos, imagens em frases, sensações em poesia e criei o poema mais lindo que já tinha escrito e seria o escrito perfeito, se houvesse papel e caneta por perto, não havia.

Corri para casa. Não estava longe e quando lá cheguei. Cadê o poema? O poema sumiu!

Como se encontra um poema? Como se encontra versos desaparecidos? Deveria eu procurar os achados e perdidos?

Voltei para a rua dos insights, cruzei a esquina da lembrança e vasculhei todo o bairro da memória e nada do poema. Não era justo! Finalmente, escrevera, de todos os poemas, o mais bonito e o havia perdido.

Quis pegar um vôo para Paris, quem sabe o Siena que inpirou tantos escritores pudesse me ajudar, mas como não daria tempo de voltar até Segunda de manhã, para o serviço, a "falta de tempo" fez com eu optasse por outro caminho, bem mais de acordo com a minha conta bancária: fui de ônibus para o Rio.

Todos os grandes poetas moraram na cidade maravilhosa; quem sabe eu não acharia meus versos nas curvas de Ipanema ou soprado pela brisa de Leblon.

Caminhei, pedi inspiração ao Redentor, tomei café com Pão de Acúcar e já cansado, sentei ao lado de Carlos Drummond em Copacabana e angustiado, perguntei ao poeta: " Carlos, cadê o meu poema?"

E eu que não esperava resposta, quase cai do banco.

- A sua volta, aprendiz de poeta. - disse Drummond - A sua volta.

terça-feira, abril 29, 2008

LAKSHAMI - A DEUSA


Olá pessoal!!!

Para quem está em São Paulo e não assistiu, ou quiser rever, será apresentada por curta temporada o espetáculo LAKSHAMI - A DEUSA.


A apresentação ocorrerá no Teatro Augusta ( Rua Augusta 943) no dia 07 e 08 de Maio ás 20:30.


Para quem quer ter uma idéia do que vai assistir:




LAKSHAMI - A DEUSA é um espetáculo teatral ritualístico com dança, música e projeção de vídeo-documentário que retrata a importância da Deusa Lakshami na cultura indiana.Uma ponte entre o conhecimento oriental e ocidental, unindo princípios da dança indiana com a dança contemporânea ocidental; sons étnicos do oriente e materialização da divindade presente na vida cotidiana dos indianos a partir de olhares de artistas ocidentais.



A Deusa Lakshmi, também conhecida como Shri, é personificada não somente como a Deusa da Fortuna, mas também como a incorporação do amor, da graça e do encanto. Ela é adorada como uma deusa que garante tanto a prosperidade quanto a liberação do ciclo da vida e da morte.

A característica mais chamativa em Lakshmi é sua associação persistente com o lótus. O significado do lótus em relação à Shri Lakshmi se refere à pureza e ao poder espiritual. Com as raízes na lama e desabrochando acima da água, completamente livre da lama, o lótus representa a autoridade e perfeição espiritual. Além disso, o ato de sentar-se no lótus é um motivo comum nas iconografias Budista e Hindu. Os deuses e deusas, os Buddhas e Bodhisattvas, geralmente sentam-se ou estão de pé sobre um lótus, o que sugere sua autoridade espiritual.

Para ter uma idéia do que senti da segunda vez que vi o espetáculo, acesse:


Com certeza, estarei por lá de novo!!!
Frank

O BANCO SOLITÁRIO

Havia um banco vazio no metrô lotado. Não estava sujo, nem quebrado; nem era banco para deficientes ou havia alguém não-praticante de banho sentado ao lado. Era um banco solitário, aguardando ansioso ser utilizado.

- Pode sentar! - disse um rapaz em frente ao banco, estava louco para sentar, mas a moça ao lado era bonita demais para ele cometer essa indelicadeza.

- Obrigada! - agradeceu a moça - Desço na próxima estação.

O flerte no ar foi substituído por uma mulher carregando quatro sacolas querendo sentar-se, mas ela foi impedida por um aviso:

- Ei, dona! Deixa a idosa sentar. - disse um homem próximo da porta.

- Idosa é a sua mãe! - respondeu a velhinha para o homem que queria ajudá-la - Ainda tenho idade para ficar em pé. Não preciso ir sentada.

- Pode sentar, senhora. - disse a mulher das sacolas.

- Não me trate como inválida. - retrucou a velhinha.

- Estou apenas tentando ser gentil, senhora!

- Vai ser gentil com o diabo. Não preciso de gentileza de ninguém.

Uma pequena confusão se formou no vagão. Empurra-empurra, xinga-xinga e o banco continuava desocupado. De repente uma luz no fim do túneo, abriram-se as portas na estação Ana Rosa e entrou uma mulher grávida. Todos deram espaço para ela passar, sentar no banco e acabar com aquela confusão.

- Pode sentar, moça! - disse a velhinha que não queria ser idosa - Para quando é o bebê?

Para surpresa de todos, a moça desatou a chorar.

- Eu estou fazendo regime, ok? - disse entre lágrimas.

Um silêncio constragendor reinou no vagão, enquanto a mulher grávida, ou melhor, a moça acima do peso descera com vergonha na próxima estação.

Paraíso, Vergueiro, São Joaquim e Liberdade. As pessoas foram descendo, outros bancos ficando vazios. Fiquei com pena do banco solitário; já deve ser difícil trabalhar como assento de metrô, agora ser motivo de tanta briga, picuinha e conflito é algo que não deveria estar em seu currículo.

Se ao menos, eu pudesse falar a sua língua, eu diria ao banco, que nós, seres humanos, somos assim mesmo, brigamos por qualquer coisa e fazemos guerra por coisa nenhuma. Seguimos nesses conflitos inúteis que tentam em vão, preencher um certo espaço vazio, que poderia ser preenchido com algo mais produtivo.

Mas o banco já deve estar acostumado com isso. Percebi isso, quando desci na Sé e vi centenas de pessoas entrando pela outra porta, quase pisoteando umas as outras para sentar nos bancos vazios. O banco deve estar rindo ao ver esses adultos, agindo como meninos, brincando a eterna brincadeira do banquinho, onde quem chega primeiro senta e quem fica por último, permanece a viagem inteira desejando que o banquinho fique vazio. O prêmio dessa brincadeira é percebermos que depois de tanta briga para sentar num banquinho, daqui a pouco, ninguém nem vai lembrar mais disso.

Frank Oliveira

segunda-feira, abril 28, 2008

VIRADA CULTURAL 2008

Jurei que mesmo se tivesse doente, não perderia a virada cultural. Palavra tem poder e para meu desespero, na Sexta, uma dia antes do evento, uma gripe elefante me derrubou e experimentei uma das piores febres que já senti. Tudo o que eu precisava era ficar deitado, de molho, curtindo o carinho do meu vírus que fazia a festa no meu corpo. Fácil para ele, se eu desistisse e me entregasse, o que ele não contava era que mesmo com febre, consegui persuadir a minha enfermeira amada e fui assistir a Cesaria Evora.

A Virada Cultural é um evento que ocorre anualmente em São Paulo, com 24 horas ininterruptas de música, dança, teatro, literatura, artes plásticas e cinema. Inspirada em evento similar europeu, a Virada tem atraido milhares de pessoas para o centro da cidade ( e outros tantos locais em São Paulo) e levado cultura para o povo. Só esse ano, a prefeitura da cidade prometeu mais de 800 atrações como Jorge Ben, Zé Ramalho, Patu Fu, Paulinho da Viola, entre outros.

Surreal! Imagina caminhar pela rua Aurora e ir parar em Cabo Verde. Foi assim que eu me senti, quando sai do centro velho e decadente, para ouvir a voz maravilhosa da diva africana. Também conhecida como a diva dos pés descalços, Cesaria é a cantora cabo-verdiana de maior reconhecimento internacional de toda história da musica popular. O gênero musical com o qual ela é majoritariamente relacionada é a "morna", por isso também recebe o apelido de "Rainha da morna" (mesmo tendo sido bastante sucedida com diversos outros gêneros musicais). A morna é um género musical e de dança de Cabo Verde. Tradicionalmente tocada com instrumentos acústicos, a morna reflete a realidade insular do povo de Cabo Verde, o romantismo intoxicante dos seus trovadores e o amor à terra (ter de partir e querer ficar).

A cantora animou o público e chegou a fazer três bis, terminando o show com a música 'Carnaval'. Com 67 anos, ela fez um show de cerca de 1h15.

Sai do show da Cesaria e segui caminhando pelo centro de sampa e observando as cores. As pessoas iam e vinham, cantavam, se interessavam por qual evento cultural iriam assistir em seguida. Ninguém falava da Isabella, do terremoto, dos seus problemas. O único assunto era música, arte e cultura.

Os shows rolaram pela noite. Recitais de poesias eram feitos nos principais bares e teatros da Praça Praça Roosevelt, aulas de dança nos becos da Avenida Ipiranga, meninas cantando mpb, meninos cantando samba, homens virando meninos, meninas virando mulher.

Queria ficar mais tempo, mas a febre foi me vencendo e minha enfermeira companheira, levou-me para um hospital ali perto. Eu havia feito a minha parte para vencer a gripe e a febre com cultura; agora era hora de dar o braço a torcer e tomar na veia, a solução mais lógica. O vírus venceu essa última batalha, mas no final das contas, eu venci a guerra.

Frank
Fontes:

quarta-feira, abril 23, 2008

CHEIRO DE BABY


Ontem falei com minha amiga e maninha Janaína ao telefone. Ela acabou de receber das estrelas, mais uma estrelinha na terra, a Gabriela. Eu estava louco para ligar e dar os parabéns, mas achei melhor esperar passar aquela onda das milhares de visitas que aparecem na casa das recém-mamães logo depois do parto. Nunca fui pai, mas minha irmã teve três filhos e meus dois irmãos também ja brincaram de maternidade, por isso, sei o quanto essa fase pós-parto é essencial para o descanso de ambos, mãe e baby.

Contudo, eu queria ouvir minha amiga e queria dar meus parabéns. Sua voz era profunda emoção, já não era mais a minha amiga de outrora, tinha baixado amor incondicional em seu coração.

Falamos muito no pouco tempo que tivemos. Não quis abusar, mas queria ouvir ela falando por horas. É sempre bom ouvir alguém contando sobre esse amor, que dos amores, é o único que dura para sempre.

Foi quando ela disse:

- Frank, o cheirinho dela. Que coisa mais maravilhosa é sentir o cheirinho do meu bebê. E eu que pensei que já tinha sido feliz antes...

Como falei, amor incondicional, people, só amor de mãe!!!

Frank Oliveira

terça-feira, abril 22, 2008

TREMORES EM OSASCO

- A terra está se mexendo!!! - gritou a mulher no ônibus.

E eu que pensei que era a avenida esburacada...

Meus caminhos sempre me levam a Osasco. De um jeito ou de outro, desde que voltei ao país em 2005, acabo parando nessa cidade. Entrevistas de emprego, aulas de inglês, amigos que poderiam morar em qualquer outro canto da cidade, mas insistiram em morar em Osasco. Posso dizer que conheço a cidade como a palma da minha mão, pois já a cruzei de norte ao sul, leste a oeste. E apesar de todos os nativos dizerem que não há nada de especial na cidade, sempre me surpreendo com ela, quando a visito. Essa tarde, por exemplo, sem querer, dei de cara com um arco-íris.

- Terremoto!!! - gritou o homem. O motorista nem ligou e continuou dirigindo ônibus. Impossível ser terremoto, estamos no Brasil, não há tornado, nem furacão, terremoto só quando recebo as contas no fim do mês.

Saio da estação de trem de Osasco e vejo esse arco-íris. Nunca vi um tão completo e tão bonito. As cores estão tão nítidas que consigo distinguir o azul, o amarelo, o verde... Um céu mais que perfeito. E meus amigos dizem que não tem nada em Osasco.

Hipnotizado por tamanha beleza, não entendo porque as pessoas caminham com tanta pressa. Ninguém olha para o céu. Seria eu, o único louco, a parar a corrida do dia-a-dia para apreciar uma maravilha da natureza.

- Moça, olha o arco-íris – digo para uma mulher que vai passando.
- E eu com isso? – ela responde.

A tarde dá lugar a uma noite agradabilíssima e uma lua quase cheia ameaça dominar o céu, se não fossem as nuvens. Lua tímida, prefere ficar coberta de nuvens e não se mostrar nua para esse poeta mambembe de versos tortos.

Entro no ônibus e ligo o walk-man, ouço Sam Cooke, um dos maiores cantores da música soul americana e como o ônibus está cheio, permaneço em pé, ouvindo as canções, enquanto o ônibus vai descendo a Corifreu com a Avenida Vital Brasil.

Foi nesse momento que senti a primeira sacodida, seguida do grito da mulher:

- A terra está se mexendo!!!

Quer saber, vou voltar sempre para Osasco...


Frank Oliveira

Notas do autor:
O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) registrou um tremor de terra de 5,2 graus na escala Richter com epicentro a 270 km a sudeste da cidade de São Paulo, por volta das 21h de hoje.
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2768683-EI8139,00-UnB+tremor+de+graus+e+registrado+em+Sao+Paulo.html

quinta-feira, abril 17, 2008

PINTORES DE LETRAS

"Multipliquei-me, para me sentir,

Para me sentir, precisei sentir tudo.

Transbordei, não fiz senão extravasar-me,

despi-me, entreguei-me,

E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente."

(Poesias de Álvaro de Campos)


Cesário e Pessoa estão na minha cabeça, enquanto subo a Avenida Liberdade em São Paulo. Os poetas portugueses andam nas ruas de sampa comigo e também na minha maneira de escrever e ver o mundo.

Como Cesário, vejo o cheiro podre das ruas e escuto as letras das manchetes de jornais. Toco as notas das canções que sai do meu mp3 e volto as montanhas de Extrema em Minas, o último lugar verde que me lembro e onde mora uma amiga, que cansada da cidade, mudou-se para lá. Confesso, sou urbano. Gosto da visão do barulho urbano. Gosto de captar o inacabado da personalidade da cidade, gosto de observar, ver e perceber o que se esconde na realidade. Vivo o conflito CIDADE X CAMPO, verde contra concreto e tento me achar, perdido na cidade grande.

Vejo as mulheres de vida mais fácil das ruas da Liberdade e lembro do Cesário praquejando contra as mulheres da cidade, mas também percebo que cada uma embra a Montanha da Sacerdotiza em Extrema: verdes na vida, maduras em experiências.

Tudo em dualidade!!! Fico com a metafísica de Pessoa ou Álváro de Campos.

Sigo minha caminhada e vou pintando poesia e poetizando em cores, mas os versos se perdem na ausência do papel e da caneta, já mal me lembro, e por mais bem que eu quero a minha memória, ando desconfiado de certos neurônios.

Mas campo ou cidade, haverá sempre, desculpem a rima, dualidade. Pois já dizia outro poeta, Augusto dos Anjos: "A mão que afaga é a mesma que apedreja...". Campo, cidade, mesma terra. Não há como fugir, bem é fazer o melhor que podermos, quer seja aqui, acolá, ou onde quer que venhamos a caminhar. Ou se reinventar como fez Pessoa, como fazia Cesário, Augusto e outros tantos pintores de letras.

Frank Oliveira

terça-feira, abril 15, 2008

CANÇÃO PARA MARIA CLAUDIA


Chovia na noite em que ela nasceu. Eu estava lá e não é todo dia que você vê uma estrela nascer. Na verdade, nada vi, apenas ouvi os pingos de chuva caindo na folha e formando lagos de orvalho em cada uma e em cada folha vi uma face; uma criança, uma menina, uma mulher, uma esposa, uma filha, uma mãe, uma irmã e uma amiga.

Foi ai que a canção começou...

A chuva cantava no céu
Os pingos dançavam no chão
Eu sorria, enquanto escutava aquela canção

"Você hoje ganhou
mas do que sonhou
Ela trará muita alegria
pois além de irmã, será também sua melhor amiga


Será alguém bem especial
Para três meninos nessa vida
Toda vez que você da chuva, vir um sinal
lembre-se desse dia"

Eu lembro...hoje é 15 de Abril e faz 28 anos que eu tenho essa mulher menina em minha vida.

Foi assim que veio ao mundo a Maria Claudia Cristina no reino dos Oliveiras. Ganhou de cada irmão um dos seus nomes e de cada filho uma razão para brilhar como fazia no céu, antes de vir para a terra nos visitar.


Frank Oliveira

segunda-feira, abril 14, 2008

SEMPRE OLHE O LADO BRILHANTE DA VIDA

Em dias onde tudo parece estar dar errado, vale a pena enrugar os lábios e assobiar, e cantar: Olhe sempre para o lado brilhante da vida!!!

Para quem nunca ouviu e quiser descobrir uma das canções mais engraçadas e bonitas já compostas, abaixo um presente para vocês ( segue o link do video no youtube, amigos católicos e protestantes, por favor evitem assistir ou se o fizerem, compreendam a mensagem e não o que aparentemente parece ser uma gozação), diretamente do filme A Vida de Bryan ( do Monthy Python):

SEMPRE OLHE O LADO BRILHANTE DA VIDA

Algumas coisas na vida são ruins
Elas podem deixá-lo realmente louco
Outras coisas só o fazem xingar
Quando você está mastigando a cartilagem da vida
Não resmungue, dê um assobio
E isto ajudará as coisas mudarem para melhor
E...

...sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)
Sempre olhe pelo lado claro da vida
(assobio)

Se a vida parece podre
Existe algo que você esqueceu
E isto é rir e sorrir e dançar e cantar
Quando você está se sentindo no lixo
Não seja bobo, amigo
Só enrugue seus lábios e assobie - esta é a solução

E...sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)

Por a vida ser absurda
E a morte a palavra final
Você deve sempre encarar a cortina com uma saudação
Esqueça sobre seu pecado - dê à platéia um sorriso
Aproveite - é a sua última chance mesmo

Então sempre olhe pelo lado brilhante da morte
Antes de soltar seu último suspiro
A vida é uma pedaço de merda
Quando você olha para ela
A vida é uma risada e a morte é uma piada, isto é
Verdade
Você verá, isto tudo é um show
Continue sorrindo enquanto você vai
Só se lembre que a última risada está em você

E sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)
Sempre olhe pelo lado certo da vida
(assobio)

Vamos lá, caras, animem-se

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

As piores coisas acontecem no mar, você sabe

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

Eu digo - o que você tem a perder?
Você sabe, você veio do nada
- você está voltando para o nada
O que você perdeu? nada!

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...


Always Look on the Bright Side of Life (from Monty Python)

words and music by Eric Idle

Some things in life are bad
They can really make you mad
Other things just make you swear and curse.
When you're chewing on life's gristle
Don't grumble, give a whistle
And this'll help things turn out for the best...
And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...
If life seems jolly rotten
There's something you've forgotten
And that's to laugh and smile and dance and sing.
When you're feeling in the dumps
Don't be silly chumps
Just purse your lips and whistle - that's the thing.
And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...
For life is quite absurd
And death's the final word
You must always face the curtain with a bow.
Forget about your sin - give the audience a grin
Enjoy it - it's your last chance anyhow.
So always look on the bright side of death
Just before you draw your terminal breath
Life's a piece of shit
When you look at it
Life's a laugh and death's a joke, it's true.
You'll see it's all a show
Keep 'em laughing as you go
Just remember that the last laugh is on you.
And always look on the bright side of life...
Always look on the right side of life...
(Come on guys, cheer up!)
Always look on the bright side of life...
Always look on the bright side of life...
(Worse things happen at sea, you know.)
Always look on the bright side of life...
(I mean - what have you got to lose?)
(You know, you come from nothing - you're going back to nothing.
What have you lost? Nothing!)
Always look on the right side of life...

Background: This song is from Life of Brian and later from The Meaning of Life both by Monty Python. From what I heard, they were filming the last scene of Life of Brian and were all bored and hot sitting up on their crucifixes. So Eric Idle started singing a little ditty. Everyone (but Eric) liked it so much that they decided to use it. It has sine become one of our most popular songs as well.

Veja a cena do filme abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=Gcg99BtxRbw&feature=related

domingo, abril 13, 2008

O Beijo II

Em homenagem ao Dia Internacional do Beijo

O BEIJO II

Imagina o gosto da trufa derretendo no céu da sua língua,
Visualiza sua sede matada com água bem gelada num calor dos trinta.
O sabor da primeira garfada quando a fome é finalmente saciada,
Naquele eterno segundo vivido, em que seu paladar é um só com o tempero dos ingredientes do seu prato favorito.

É assim que quero o teu beijo.
Matando minha fome,
Saciando minha sede,
E derretendo em minha boca o doce sabor do desejo.

Não é pecado, nem é proibido;
Só quero teu beijo, com um desejo infinito de te provar.
Você sabe, nunca fui apenas seu amigo...

Não precisa fingir, sei que você quer também um beijo roubar.
Então vem e rouba sem aviso,
Pois meu coração já é teu, e faça a gentileza de bem cuidar.

Frank

sábado, abril 12, 2008

MAWACA

Domingo passado, fui com a minha esposa assistir a um belo espetáculo musical no auditório do Ibirapuera. Já paquerava com o som dessas meninas a muito tempo, mas confesso , assistir o show do MAWACA ao vivo, é uma experiência singular.

Apresentando o espetáculo INQUILINOS DO MUNDO, esse grupo musical brasileirissímo mostrou um pouco da sonoridade dos povos nômades, migrantes, pessoas desse mundo todo que vão de um lado para outro, como os ciganos, os judeus e os curdos, e dos povos de origem africana e latino-americana. Como sou um grande Paraíba Vagamundo, o assunto cantado e interpretado pelo MAWACA foi como ouvir uma canção familiar. Amo a estrada e ouvir essas canções no Domingo passado, foi mais um chamado para voltar a caminhar.

O MAWACA é um grupo que pesquisa e recria a música das mais diversificadas etnias do globo buscando conexões com a música brasileira. O resultado é o melhor que há em World Music.

Infelizmente ou felizmente, o som do MAWACA não tem o apelo pop que daria as meninas o reconhecimento da mídia e a estrutura adequada para que o seu som chegue aos confins desse país, tão carente de cultura. O que é uma pena, pois somos todos, de certa forma, inquilinos desse planeta e em tempos, onde brasileiros são expulsos de países e barrados sem critério algum em aeroportos internacionais; o som das meninas, prova que pelo menos através da música, SOMOS MESMOS UM SÓ e não existe fronteiras.

Frank Oliveira

Notas do autor:
Site do Mawaca
www.mawaca.com.br
Fontes e fotos para a crônica:
www.entrecantos.com/mawacaquem.htm
www.auditorioibirapuera.com.br

UMA FLOR PARA UMA MENINA BELA

Mais um crime horrível, tragédia sem explicação. Não preciso ler jornais, nem preciso ouvir o rádio; os detalhes estão por todos os lados. A velha conversa sobre o tempo no elevador entre estranhos, dá lugar a um grotesco diálogo:

- Crime bárbaro, não? – diz a outra.

- Nem fala. Acho que foi o pai! – acusa o outro.

A sociedade está chocada, dizem as manchetes arremessadas. Ninguém lê outro assunto, ninguém ouve mais nada.

Alguém me tire daqui! Não quero sentir esse gosto mórbido que sacia a todos. Não há dúvida: precisamos da desgraça alheia.

O leite derramado do outro, transforma o nosso leite estragado em iogurte: nunca tivemos tanta sorte, nossa vida medíocre nunca pareceu tão maravilhosa.

- Foi o pedreiro! – diz o outro.

- Deve ter sido a madrasta! – acusa a outra.

A vida vira novela. Se ao menos as fofocas dessem lugar a orações, vibrações de amor iluminando a escuridão dos comentários daninhos; mas que nada! Luz não dá ibope.

Como se estivesse numa estação lotada do metrô, sou empurrado pela massa; mas não por muito tempo. Paro e vejo a multidão seguindo ensandecida, trocando o teatro da compaixão e da solidariedade por uma arena de sangue, num show macabro, onde a estória triste de uma linda menina a transforma numa celebridade e os detalhes da sua morte, cenas de Big Brother.

Deixo aqui uma flor para a menina bela. Que papai do céu esteja cantando para ela canções de ninar. E você, vai continuar com a massa ou depositar também a sua flor?

Frank Oliveira

terça-feira, abril 08, 2008

ACHO QUE VI UM GATINHO

Ela pediu um gatinho - "Para treinar a ter filhos” - argumentou - "Bons pais começam como bons donos de bichos".

Moramos num "apertamento" no centro e ficamos o dia todo fora. Gato não é tão carente quanto cachorro, mas precisa de atenção, cuidado e tempo. Como recusar o pedido dela? Como convencê-la que não é uma boa idéia?

Entenda, eu nunca tive um bichinho de estimação, mas sempre quis um. Fui criança incompleta, sem gato para brincar, sem cachorro para correr. Nunca quis ter passarinho, sendo voador precoce, sempre fui militante do movimento "Liberte o Ninho", afinal, canto de passarinho livre é jazz, canto do preso é blues. O mais próximo que tive de um pet foi um porquinho-da-índia, nome pomposo para o preá que acabou mordendo o dedo do meu pai e foi punido com morte, fogo e prato. Vai ver meu pai achou que o preá era mesmo porquinho.

Nunca tive nem aquário, imagina iguana. O mundo animal sempre foi National Geographic para mim, com exceção de um casal de serpentes que moraram comigo em Londres e que sumiram misteriosamente - esquecidos, vai ver cobra não tem mente - não lembraram de deixar o dinheiro do aluguel e do telefone.

Contudo, sempre quis ter a amizade de um cachorrinho ou o mistério do olhar de um gato. Queria experimentar esse tal amor por esses bichanos, que dizem por aí, se não é igual, é tão intenso quando o amor que sentimos por nossos filhos. É o que dizem, nunca tive nenhum, nem outro; por isso estou indeciso, ansioso. Cedo ou não cedo?

Não é tão simples, amigos. Assim como ter um filho, criar um cãozinho ou um gato, requer comprometimento e responsabilidade. Se todos pensassem bem antes de escolher ser dono de um bicho, não teríamos tanto cachorro e gato soltos por aí, perdidos, abandonados, presos, desenganados e mortos.

Quero que ela tenha o gato ou o cachorro, mas não agora. O animalzinho,assim como o filho, terá que esperar mais um pouco.

PROÍBIDA

Ela têm um olhar...hum...olhar vai e vem, quero bem, vai pra lá e vem pra cá. Admiração, um quê de paixão, um quê de fã; fascinação; que bebo copiosamente, glute, glute, ahhh oxente!!!

Satisfaz, faz bem, quero mais, quero vem.

Mesmo sendo proíbida, abro a janela, sinto a brisa e ela vem e vem e vem no meu pensamento, que saudade.


Nunca a beijei, mas sinto seu vinho em meus lábios, tenho sede, sou saciado, mas ainda sinto vontade. Ó tormento! Ó maldade!



Se ao menos pudesse tê-la por um dia, corpo a corpo, grude e grude, seria tanta alegria que eu explodiria, chuá, chuá, não me segure - ahh que bom seria.



Não é! E fico por aqui, se Deus quiser, mas se ela vier... eu vou mulher!!! Eu vou mulher!!!

LIXO


De dentro do saco plástico na rua

Saiu o mendigo

Não era o lixo que criava vida

Era a vida criada no lixo

domingo, abril 06, 2008

MINAS: GOSTO DE MAR

Minas tem gosto de pão de queijo, cafezinho preto e Drummond de Andrade. Não há nada mais saboroso que sentir o queijo derretendo no céu da boca, enquanto os versos do poeta se derramam pelo seu coração.

Todos os caminhos me levam as Minas Gerais. Nunca fui a Itabira, nem procuro a Parságada de Manoel Bandeira em cidades mineiras, mas sou completamente apaixonado por essa terra verde de gente hospitaleira. Já a atravessei de Norte ao Sul e seja em São Tomé das Letras ou em Governador Valadares; o ar carrega versos, o pulmão respira poesia. Vai ver, porque fica lá, a nascente do rio de tantos poetas, ou talvez seja a sua natureza exuberante; mas há arte por todos os lados, até nas conversas com esse povo tão amistoso.

- Onde fica a Rua dos Inconfidentes? – pergunto a um senhor em uma Praça de Extrema.

- Logo ali! – ele responde e volta a cantar os passarinhos.

Em Minas, a distancia é medida diferentemente. “Logo Ali” pode ser na próxima esquina ou á quatro quilômetros. Não adianta insistir, ó Paulista de agenda planejada, em Minas, você precisa explorar e descobrir.

- O senhor pode me dá mais alguma referência? – insisto.

- Nossa Senhora, moço. É fácim! – ele responde – Só uma caminhadinha, anda só mais um bucadim.

Sim, por isso, Minas é poesia. Caminhar um “bucadim” é um convite para se perder entre as igrejas e as casas coloniais. Não há nada mais gostoso que, se você estiver em Mariana ou Ouro Preto, esbarrar num Aleijadinho ou acabar de frente a uma cachoeira.

- Nosso horizonte é belo, seu moço! – diz outro senhor em Tiradentes – É só olhar para frente, que o senhor vai se encontrar.

E encontrei, entre Juiz de Fora e Itajubá, o doce de leite mais saboroso que já provei na vida e a comida, que entre todas desse grande Brasil, é a minha preferida.

- Nossa comida tem gosto de mar – diz uma senhora naquele restaurante dentro de uma vistosa casa colonial.

- Mas vocês não possuem praias – respondo ingenuamente.

- Eu não disse mar, moço, eu disse amar, gosto de amar.

Ah Minas, não vejo a hora de voltar.

Frank Oliveira

sexta-feira, abril 04, 2008

POR ONDE ANDARÁ JOSÉ ALLAN?

Por onde andará Allan Maciel de Castro? Terá virado evangélico? Será que ele é aquele emo que acabei de ver no busão? Procuro Allan Gooseman, alguém o viu por essas terras paulistas ou pelas serras cajazeirenses? Allan é a prova de orkut, de google; o seu perfil desapareceu no anonimato, tornou-se uma lenda – um Elvis que ainda vive em algum lugar dessa terra de graças.

Allan se vestia como um metaleiro, mesmo sendo fã de música clássica. Sempre trajava uniforme preto, cabelos longos amarrado por elástico. Sofria com estrabismo, por isso sempre mantinha o olhar cabisbaixo; o que dava ás moças certo ar de mistério e aos amigos, a certeza absoluta da sua timidez. Timidez típica dos gênios. Ele seria um Einstein dos números, se a fortuna do seu pai tivesse sobrevivido aos planos cruzados do Sarney. Seria um Machado de Assis, se tivesse freqüentado as melhores universidades de letras – mas lhe restou ser gênio dos desenhos. Dois rabiscos e Allan desenhava meu rosto, mas dois rabiscos e eu estava em cima de um prédio, brincando de herói. Ele fazia isso, me transformava em herói com um pouquinho de tinta e papel branco.

Se eu era o que escrevia roteiros e argumentos; ele desenhava tudo para os gibis que nunca lançamos. Éramos jovens e tínhamos planos de ficarmos ricos com histórias em quadrinhos. Foi nessa época que nasceu o Frank Oliveira escritor e o Allan Gooseman desenhista (Gooseman em homenagem a um herói de um desenho que passava na TV e só nós assistíamos: Galaxy Rangers).

O ano era 1987, e quando acordei era 1997 e eu via José Allan pela última vez. Eu tinha acabado de voltar da Europa e tomavamos um chope juntos. Falamos das nossas vidas e eu disse que precisava ir. Ele disse que ia ficar, mas acabou partindo e para onde, tento descobrir a dez anos.

Deveríamos ter trocado telefone, e-mails (se bem que em 1997, não havia ainda internet, assim, tão para todo mundo), número de RG ou qualquer outra informação que pudéssemos usar para nos encontrarmos no futuro. Bom, o resto vocês já sabem: onde andará Allan, o desenhista?

Se alguém souber do seu paradeiro, por favor, sabem onde me encontrar.

Frank Oliveira

Notas: Para fãs dos Galaxy Rangers:
www.infantv.com.br/galaxy.htm

quinta-feira, abril 03, 2008

SINCRETISMO


- Ou o senhor é uma coisa ou outra.

- Não posso ser todas?

- Não! É preciso manter uma linha. Ou o senhor come a hóstia ou toma chá.

- Eu não ganharia mais em sabedoria e tolerância, se ouvisse o pastor e o pai de santo?

- Não! O senhor por um acaso, conhece algum flamenguista tricolor ou um corintiano palmeirense? Não, senhor. Precisamos ser firmes com o que acreditamos, ainda mais com o sagrado. Não se brinca com o sagrado.

- É que gosto do Pai Nosso e de cantar Hare Krishna...

- Sacrilégio! Se o senhor tivesse mesmo uma fé, já teria escolhido um lado. Não pode ficar assim na ponte, não senhor. Não pode misturar.

- É que eu pensava que tudo que é misturado é mais bonito. Olha essa cor morena, tão brasileira e tão bonita. Fruto da mistura.

- Essa mistura pode. Mistura em religião não pode não.

- Mas o catolicismo não nasceu da mistura do Judaísmo e das lições de Cristo?

- Sim, mas é diferente.

- Sim, isso mesmo, diferentes credos originando um outro. Olha o islamismo, eles até reconhecem Cristo e Abraão.

- Por isso não pode misturar, senhor. Daqui a pouco o senhor vai dizer que tem mais muçulmano no mundo que cristão.

- E tem mesmo, além de hindus, budistas, umbandistas, e uma série de “istas”, até aqueles que se dizem espiritualistas e pregam o sincretismo, a união de todas as religiões, como se fosse uma só.

- Espiritismo é outra coisa.

- Eu disse espiritualismo.

- A mesma coisa. Não dá para falar aleluia e axé ao mesmo tempo, senhor. Uma coisa ou outra.

- Vou seguir o seu conselho. Chega de mistura. Vai que eu perco o juízo com tanta religião. Já pensou se eu chamo por Cristo e me aparece o Buda.

- Isso mesmo, eu sabia que o senhor tinha juízo.

- Mas ouvir Rock e Samba pode?


Frank Oliveira


Nota do autor: Segue abaixo, samba do Martinho da Vila, que complementa o texto acima. O que seria do meu gosto musical, se eu só gostasse de Rock e não aproveitasse o melhor que há no samba.
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Sincretismo Religioso
Letra de Martinho da Vila

Saravá, rapaziada! - Saravá !
Axé pra mulherada brasileira! - Axé!
Êta, povo brasileiro! Miscigenado,
Ecumênico e religiosamente sincretizado
Ave, ó, ecumenismo! Ave!
Então vamos fazer uma saudação ecumênica
Vamos? Vamos!
Aleluia - aleluia!
Shalom - shalom!
Al Salam Alaikum! - Alaikum Al Salam!
Mucuiu nu Zambi - Mucuiu!
Ê, ô, todos os povos são filhos do senhor!
Deus está em todo lugar. Nas mãos que criam, nas bocas que cantam, nos corpos que dançam, nas relações amorosas, no lazer sadio, no trabalho honesto.
Onde está Deus? - Em todo lugar!
Olorum, Jeová, Oxalá, Alah, N`Zambi. . . Jesus!
E o espírito Santo? É Deus!
Salve sincretismo religioso! - Salve!
Quem é Omulu, gente? - São Lázaro!
Iansã? - Santa Bárbara!
Ogum? - São Jorge!
Xangô? - São Jerônimo!
Oxossi? - São Sebastião!
Aioká, Inaê, Kianda - Iemanjá!
Viva a no Nossa Senhora Aparecida! - Padroeira do Brasil!
Iemanjá, Iemanjá, Iemanjá, Iemanjá
São Cosme, Damião, Doum, Crispim, Crispiniano, Radiema. . .
É tudo Erê - Ibeijada
Salve as crianças! - Salve!
Axé pra todo mundo, axé
Muito axé, muito axé
Muito axé, pra todo mundo axé
Muito axé, muito axé
Muito axé, pra todo mundo axé
Energia, Saravá, Aleluia, Shalom,
Amandla, caninambo! - Banzai!
Na fé de Zambi - Na paz do senhor, Amém!

ESQUECER PARA LEMBRAR



Largo 13 de Maio, Santo Amaro. Tomo um café com leite num copo de pinga (não compreendo porque eles insistem em não usar xícaras) em uma das lanchonetes mais imundas que já entrei em São Paulo, e ainda assim, ela me parece linda. Não estou bem, ainda vejo beleza em tudo.

Tomo o café e seguro a pena, mas meus olhos se perdem nas pessoas caminhando pela avenida. Centenas de rostos, livros abertos contando estórias, letras saindo do olhar; quase consigo entrar em seus universos, escrever sobre suas vidas, mas o General Prudência grita ao meu lado: RECUAR!!!

- Esse conto é sobre você! – ele ordena – É sobre ir, voltar e contar que essa jornada é possível sem mistificar, sem se perder, sem criar ídolos de barro, por isso é hora de ATERRAR!!!

Aterrar. Sim, tenho feito isso: estou varrendo o chão, mesmo com os olhos ainda refletindo as estrelas; estou olhando peitos e bundas, mesmo depois de ter visto a Deusa sorrindo no rosto de cada mulher. Estou de volta, mesmo sabendo que será difícil continuar cometendo as mesmas bobagens.

Já havia sentido o tudo por segundos, mas dessa vez olhei por um tempo a mais. Suficiente para perceber que estamos todos mesmo interconectados e que o sábio Ranakrishna tinha mesmo razão: “qualquer caminho leva ao mesmo lugar”.

A dificuldade é enxergar tanta beleza e saber que mesmo sem querer, vou sujar a tela alheia com a lama que ainda carrego. Se ao menos eu continuasse enxergando essa beleza em tudo, mas é muito areia para a minha caçamba, não vou conseguir carregar.

- Como posso voltar ao mundo, depois de ter visto o que vi?

- Da mesma forma que você entrou – responde a Dona Sabedoria – Esquecendo! Você tem idéia como seria a vida se todos lembrassem de TODAS as suas viagens noturnas ou daquelas experiências que ocorrem num espaço entre dois segundos? Tudo no seu tempo, com equílibrio e discernimento.

Como diria Drummond: É preciso esquecer para lembrar! Sim, esquecer é aterrar e aterrar é equilibrar.

terça-feira, abril 01, 2008

Incansável

Como uma pessoa tão verdadeira foi nascer no dia da mentira? Ironia da vida, só assim para explicar. O fato é que conheci poucas pessoas na vida tão honestas e tão verdadeiras. Norma Thuha é uma delas.

Essa mulher não tem vergonha de dizer a idade, não o faço aqui, por ser cavalheiro e também por saber que se tivesse de arriscar um número, eu diria: vinte e poucos de aparência e cento e muitos de conhecimento e sabedoria.

Hoje é o dia do aniversário dessa minha amiga, alguém que eu conheço há pouco tempo, mas já aprendi muito a admirar. Não só eu, mas também uma legião de milhares de fãs que trabalharam com ela como colegas, como supervisionados, como gerenciados e principalmente a equipe principal da sua vida: seu marido e seus dois filhotes.

Seria essa apenas uma mensagem de parabéns, se a Norma não fosse uma dessas pessoas que deixam pegadas em nossos corações. Inquieta, ela corre, briga, discute, batalha por cada um dos seus projetos. Possui uma energia que muita moça de vinte e tantos, ainda precisa achar. Ela conhece o seu potencial e sabe o que quer. Talvez, seja fruto de sua experiência; eu afirmo que não. Norma é uma incansável por natureza, onde você e eu, provavelmente desistiríamos por cansaço ou preguiça de ousar mais, ela continuaria cavando, até encontrar o seu tesouro.

É difícil não encontrá-la sem a sua companheira de jornada, Rosângela. A dupla dinâmica não é Batman e Robin, mas voam juntas e são as irmãs que a vida uniu e o universo enlaçou. Conheci as duas ao mesmo tempo e sempre tive dificuldade em saber onde começava uma e terminava a outra. Talvez seja esse, o espírito por trás de uma parceria, e isso fica muito mais claro quando percebemos que após desenvolver e instruir tantas pessoas pelo Brasil todo, elas colocam na prática aquilo que ensinam: trabalho coletivo é foco no resultado, sem estrelismo. Se o trabalho for bem feito, não vai aparecer o esforço de um e sim o envolvimento de todos.

Essa e outras tantas lições aprendi com as duas. E eu nunca teria tido essa experiência, se a Norma não tivesse olhado nos meus olhos durante uma entrevista para um emprego na empresa delas e perguntando: Você está disposto a colocar o coração nesse projeto? Foi ai que ela me ganhou, foi nesse momento que eu percebi, nesse sistema corporativo, onde o lucro está sempre em primeiro plano; há empresas sérias, profissionais dedicados e seres humanos que realmente se importam com os outros.

O tempo passou e acabei voando para outra oportunidade, mas deixei para trás duas grandes amigas e carrego comigo a história dessa dupla perfeita e hoje é, acredite em mim, o dia que uma delas veio ao mundo. Tudo o que tenho para dizer é: Caracas, God!!! Você acertou mesmo na mão quando criou a Dona Thuha.

LUZ NA COZINHA

Estava escrevendo um texto. Um pedaço de verso qualquer numa folha branca, que a inspiração já tinha preenchida inteira, mas eu ainda riscava as primeiras palavras. Sentado na sala, com as minhas costas para a cozinha, comecei a notar que a folha branca ia ficando cada vez mais branca, enquanto eu me concentrava nas letras e bastava eu tirar a atenção das palavras e notar o enbranquecimento da folha, para tudo voltar ao normal.

- Preciso procurar um oculista! – pensei e voltei ao texto, mas o fenômeno continuava e o que me deixava mais surpreso e que a cozinha tem uma janela pequena e é tão escura que mesmo de dia, preciso ligar a luz da lâmpada para preparar algo.

Tentei ignorar, mas a folha foi ficando cada vez mais branca como se refletisse uma luz que vinha por trás de mim. Olhei com o canto do olho, respirando fundo, e notei que já não havia cozinha atrás de mim, existia um espaço em aberto com uma iluminação intensa. Era como se esse lugar e a cozinha da minha casa, ocupasse o mesmo espaço. Não notei presenças, nem som, cheiro ou qualquer outra coisa do que a luz incidindo sobre mim e me mostrando que há realmente outros planos submergidos um dentro do outro, que na falta de uma definição melhor, eu usarei as palavras do meu amigo Lázaro: “ esses planos são como camadas de cebola”.

Nesse dia vi uma das camadas e vou evitar ir ao oculista, se já enxergo isso com a vista ruim, imagina se eu colocar um par de óculos e enxergar melhor.

Frank

Os: Dedicado ao meu amigo Alex Voador que teve uma experiência semelhante com luzes na cozinha. Definitivamente, vou passar mais tempo na cozinha. Minha mulher vai adorar a idéia.
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