sábado, agosto 30, 2008

INCORPORANDO OS OUTROS

Coloquei a mão direita á boca, como se eu fumasse um cigarro imaginário.

Fumar é uma experiência que nunca teve apelo para mim e faz parte das coisas que eu nunca farei na vida; o que não tem nenhuma relação com os anúncios de câncer ou impotência ilustrados nos maços de cigarros; eu apenas nunca senti vontade; e daí a surpresa, quando meus olhos flagraram meu corpo imitando o gesto de um fumante que estava ao meu lado no ponto de ônibus.

Se fumar era um hábito que nada me atraia e ainda assim, inconscientemente, eu copiava, fazia; imagina que outros tantos gestos, palavras, movimentos, vícios eu já havia incorporado ao meu jeito, e nunca reparei que não me pertencia.

Até que ponto, eu sou eu? Até que ponto sou os outros?

sexta-feira, agosto 29, 2008

MÁSCARAS

Aplausos! O artista agradece a presença de todos no espetáculo. Sai o personagem, tira-se a máscara e surge finalmente o ator, mas onde o publico vê um rosto, há ainda uma outra máscara – qual será a sua verdadeira face?

Carnaval de Veneza, 2005. Auri e eu caminhamos pela Praça de São Marcos. Escrevo palavras refletidas pelo ar, ela rouba imagens com a sua câmera fotográfica. É uma festa à fantasia; um baile de mascarados, em uma Itália com orgulho de suas tradições medievais.

Espetáculos e teatro ao ar livre; nem preciso falar italiano para ser envolvido nesse show de sorrisos e movimentos que encantam e prendem a nossa atenção. Auri está fascinada, tira foto de todas as fantasias, é o seu primeiro baile de máscaras. Difícil mesmo é dizer qual delas é a mais bonita, todas são diferentes e magníficas.

Compramos as nossas fantasias e vamos para as ruas, exibir nossa outra face. Nesse momento, me dou conta que já uso uma máscara: estou fantasiado de estrangeiro, tenho máscara de latino, de brasileiro (por vezes sou indiano, por vezes também sou africano). Auri me pergunta se há algo errado com a minha fantasia, respondo que não; e quem responde é outra face, outra máscara e vou assim mergulhando profundamente em meu inconsciente, despindo-me máscara por máscara; algumas me dão arrepio, outras muito me orgulham; algumas me dão alegria, outras tantas mal reconheço; algumas foram impostas, outras eu mesmo criei; e vou prosseguindo nessa jornada que parece infinita para dentro de mim mesmo.

Feito cebola, vou retirando cada camada, até que surge a mais estranha surpresa: quando finalmente estou despido de todas as máscaras e me preparo para encarar o meu eu verdadeiro; vejo no meu próprio rosto, a face de todas as outras pessoas espalhadas por esse mundo inteiro.

SOMOS TODOS UM SÓ

quinta-feira, agosto 28, 2008

CASTRADA

Firmou contrato de aliança assinada. Jurou que o amaria até a morte, e depois do terceiro mês de casamento, o marido doce e sensível transformou-se em monstro violento e por sorte, a princesa escapou de ser eternamente calada.

Nunca saberá o que houve com o seu homem: antes, tão galante; agora, um crápula que a mantém presa à torre encarcerada.

Se não fosse pela sua família, por Deus e pela sociedade, ela buscaria a liberdade que fora entregue a tão cruel consorte.

“Talvez ainda haja uma chance de mudá-lo”, repete a princesa presa em seu calabouço, carregando as marcas no rosto de mais uma agressão mal explicada. Pobre princesa, vive agora no poço, se afogando em lágrimas; distante da vida e da felicidade, castrada.

quarta-feira, agosto 27, 2008

PRIVADOS MOMENTOS TRANSCENDENTAIS

Desesperado, vi surgir á frente a minha grande esperança de salvação: “Igreja Pentecostal Universal do Símbolo do Peixe que virou a Cruz”. Entrei no templo e fui abordado pelo segurança.

- Boa noite, irmão! – disse ele.

- Preciso de ajuda – respondi com afobação.

- Veio ao local certo, irmão, como podemos o ajudar?

- O banheiro? Onde fica o banheiro?

Era a feijoada que me levava ao calvário. Aquele restaurante em que eu tinha almoçado não parecia mesmo confiável, mas a fome e aquele cheiro de feijão com seja lá o que for que eles misturam para fazer o mais brasileiro dos pratos, havia me enfeitiçado. Agora, eu pagava o preço de tamanho desrespeito com o meu corpo, meu estômago parecia ensaio de escola de samba e estava me levando à loucura.

- Sinto muito, mas os toaletes são apenas para os fiéis – penitenciou o segurança.

- Eu sou FIEL! – respondi quase gritando, não por agressão, mas por força do Alien que eu trazia no estômago – Acredito em Deus, sei rezar o Pai Nosso, já aceitei Jesus no meu coração, agora, me diga, pelamordedeus, onde fica o banheiro?

Não acho que ele acreditou em mim, talvez porque meus trajes (calção, camiseta e boné), associavam mais a minha imagem ao Chico do Pagodinho do que o Francisco Pregador.

- Qual o nome do pastor? - ele questionou - Quando foi a última vigília? O que está escrito no Salmo 23?

O sujeito não era um segurança, ele era um inquisidor. Naquela altura do meu estado evacuatório, mesmo se eu fosse um Ministro da Fé, não conseguiria lembrar algo além que vaso sanitário, papel higiênico e descarga.

- Olha moço, eu não sou cristão, nem nunca fiz a primeira comunhão, se você tentasse me classificar, provavelmente, diria que eu sou meio pagão, mas pelo amor de Cristo, pela luz do divino, em verdade, em verdade eu te imploro e digo: ONDE É O BANHEIRO?

Nada! Nem um sinal de misericórida do cidadão!

- Olha, moço - falei com tom ameaçador- Não sou filho do prefeito, nem conheço ninguém importante, mas garanto, se eu não usar o banheiro, o negócio vai FEDER para o seu lado!

Não sei se foi a minha ameaça ou o meu tamanho, mas o segurança, um negão de dois metros e meio, apontou um corredor á direita, e atravessei a porta com toda a velocidade que consegui (devo ter batido algum recorde), chegando bem a tempo para um encontro privado e transcendental, e caro leitor, não leve a mal, mas esse texto acaba agora, pois há certas coisas que sentimos em certas situações que são inenarráveis, e por mais que eu queira, não posso compartilhar.

terça-feira, agosto 26, 2008

OLHAR DIVINO

Muitos são os caminhos, os templos, as religiões na busca do Pai Divino, da Mãe Santissíma. Seja no Brasil ou na Índia, no Egito ou na China, desde os primórdios, corajosos homens e bravas mulheres buscam as chaves do reino celeste, o olhar divino, os rastros do Criador, os passos dos mestres.

Essa busca os levaram vida após vida, no além, no entremorte, a continuar lembrando que muitas são as casas, mas todas elas nos guiam para a luz. Muitos são os portais: a música, os mantras, a cruz; as ervas, incensos, a cabala ou as velas; e seja por Krishna, Buda ou Jesus; seja por meio dos Orixás, Devas ou elementais, respeito merece cada caminho, cada casa; pois todos são partes do Pai e da Mãe, do Todo que preenche o vazio que nos conecta um ao outro.

No jardim do Grande Arquitetato do Universo, no canteiro da Belissíma Mãe Terra, há mil flores, cujo perfume nos lembra o cheiro de casa. Que cada homem ou mulher, cada um com sua flor, cada um com a sua pétala, continue trilhando esse caminho em direção ao vasto oceano do amor, afinal, somos parte de tudo; e se você chegou até aqui, não tenha dúvida: você é, eu sou, um vencedor.


Notas:
Dedicado aos meus amigos do Templo Olhar Divino, por toda a poesia e amizade presente em nossos encontros.

O CANÁRIO E O ESCRITOR

Um canarinho apareceu morto no meu quintal; não houve reclamação do corpo, o verão se fez, o dia clareou, nem houve lágrimas do bem-te-vi, muito menos do beija-flor.

Eu passei a me perguntar: Quem foi esse canarinho? Onde cantava? Que filhotes deixou? Será que deixou algum grande amor? Algum pássaro preto, voando agora desolado, sem ter ao seu lado, o belo canto do canário.

Não sei, respondi a mim mesmo, mas vendo aquela canário no chão, coberto de grama e terra, senti uma pontada aqui no coração e quis fazer uma homenagem em forma de canção, porém como não sei compor não, escrevo essas rimas em forma de prosa, desejando que essas palavras possam encantar leitores da mesma forma que o canário, ouvidos encantava.

segunda-feira, agosto 25, 2008

O BARQUINHO E O MEU EU MENINO

Vai barquinho pelo mar e trás de volta o meu eu menino. Torne-me adulto muito cedo, já não vejo milagre ao nascer do dia, fui tomado pelo medo.

Vai barquinho e trás a salvo o meu eu menino. Tornei-me rude com os outros, já não tem graça viver em harmonia, cai num poço.

Cuidado barquinho, meu eu menino tem medo do escuro e não sabe nadar. Não o ajudei a descobrir o prazer de desvendar o desconhecido, não o ensinei sobre a magia de amar.

Volta logo, barquinho, com o meu eu menino, pois só ele pode me salvar. Tenho pressa, pois a vida passa rápido e é preciso um coração de menino para um adulto voltar a amar.

Frank Adulto Procurando o Frank Menino

Imagem: http://www.atorremagica.blogspot.com/
Nesse site você encontrará ótimos textos do poeta e escritor PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA.

domingo, agosto 24, 2008

OLIMPÍADAS SÃO TODOS OS DIAS

Eu não sei dirigir. Isso mesmo, 34 anos e a direção ainda é um sonho.

Tenho um carro, até já tentei tirar carteira de motorista, mas tenho pânico da direção, pois tenho extrema dificuldade em trocar as marchas, me confundo todo com os pedais da embreagem e do freio e minha última tentativa ao volante, quase acabou em desastre.

Sou deficiente quanto o assunto é coordenação motora ( desculpem o trocadilho infame) e já perdi muitas noites e dias tentando entender, porque razão minha esposa tem extrema facilidade na direção e eu não. Ela conduz com maestria, modera a velocidade, é uma ótima motorista, ou seja, é tudo aquilo que eu quero ser, mas a verdade é que estou parado na pista, achando que nunca vou conseguir sair do lugar.

"Nunca vou conseguir" , de onde saiu isso?

Eu sou eficiente em muitas atividades e em outras tantas sou deficiente, mas essa deficiência não significa impossibilidade, pelo contrário, minha deficiência é um convite a superação.

Superar-se não é exclusividade dos atletas em busca de suas medalhas de ouro. Olimpiadas são todos os dias, para as pessoas comuns, que explodem de felicidade ao receber suas medalhas de bronze por ter superado suas pequenas gigantes limitações. Para pessoas que tentam superar suas deficiências, casa passo é uma vitória e a única coisa que não é válida nesse esporte é desistir.

Ás vezes, para atingirmos a superação em alguma área em que somos deficientes, precisamos da ajuda de quem já é mestre numa estrada, onde ainda somos alunos. Por isso conto com a minha esposa. Toda vez que a vejo dirigir, ela se torna uma seta para mim, me guiando pela faixa da esperança na busca da minha medalha tão esperada.

Eu vou aprender a dirigir, e isso é só uma questão de tempo, ritmo, esforço e coragem para continuar lutando.

sábado, agosto 23, 2008

SÍNDROME DE CAPITU

Uma pitada de ciúme adiciona sabor ao prato requentado de um longo amor. Ciúme é bom, acende velas apagadas, eleva a auto-estima, ressuscita a paixão esquecida e os votos enterrados. Se o ciúme vier em pequena dose, o amor é renovado; mas se for exagerado, paga-se o preço amargo dos corações encarcerados.

Não há amor que dure diante da ameaça da corrente. O ciúme exarcebado torna o amante, um doente; alguém desesperado em manter o que nunca foi totalmente seu; torna o amado, uma vitíma da conseguência daquilo que nunca houve, mas é realidade no olhar enciumado.

Quando nos apaixonamos, somos atraídos justamente por um diferente ser; o ciúme em demasia, nasce do desejo imaturo e inconsequente de anular o outro "eu" a favor de você.

O ciúme descontrolado é tempestade, tormenta, que inunda jardins e vales, até então repletos de amor em flor. Esse ciúme não pode ser controlado, é força indomável, transformando homens em Otelos, mulheres em Dalilas, destruindo totalmente quem está do lado.

Abençoado é o casal que tem o ciúme como aliado. Condenada é a relação pelo ciúme acorrentada.

sexta-feira, agosto 22, 2008

A MARIPOSA LIBERTADA

A mariposa entrou no banheiro, caiu no vaso e estava se afogando. Suas asas batiam desesperadas desejando que fossem barbatanas. Talvez em uma outra vida, ela renascesse peixe, nessa, estava condenada a morrer na minha privada, afinal, eu tinha mais o que fazer do que enfiar a minha mão naquela água só para salvar uma mariposa desesperada.

Mas o maldito coração, tomou de conta da razão e a retirei da tão fadada jornada. Gentilmente, a levei até a janela, me perguntando se ela teria forças para voar; ela teve e se foi pelo ar, batendo as asas, fingindo que era passarinho.

Contente, fui me inundando desse sentimento de gente orgulhosa por ter feito uma boa obra, uma pequena grande ação; contudo a imagem do espelho refletia a minha alma que dizia: você não fez mais que a sua obrigação.

quinta-feira, agosto 21, 2008

ATOR OU PERSONAGEM

Palestra baseada no tema: Potencial Produtivo

ATOR OU PERSONAGEM

Você é um ator, atriz?

Todos nós somos atores e atrizes, não somos?

Somos muitos bons e poderíamos ganhar prêmios, até o Oscar pela nossa atuação. E eu vou lhes provar que falo a verdade. Estão preparados? Hora da verdade!

Vamos lá!

Quem é você?

"João"? "Maria"?

Eu perguntei quem é você e não o nome que lhe deram, pois nem o seu nome você escolheu, talvez tenha escolhido o seu apelido ou mudado o nome de Orostáquio para Astrogildo, por causa daqueles apelidos que a gente não quer no ouvido. Mas voltando a questão: quem é você?

"José, 32 anos, casado, pai de dois filhos, católico, apostólico romano, bancário."

Pois bem, Josés e Marias, e não esqueçamos dos Joãos. Quem criou, você, José? Quem criou você, Maria? Quem criou quem você é José, ou melhor, quem você pensa que é?

Xiii, como diria Drummond: "e agora José?"

Você? Mesmo? Acho que não! Foi Deus? A sua família? A sociedade? Religião? Ambiente?

Bom, se houve criação, participação na construção de quem você se tornou, estamos falando então de um autor, ou vários. Se houve uma criação, algo planejado, podemos dizer que você não nasceu José, casado, pai de dois filhos, católico, apostólico romano, bancário. Você nasceu você, o José é só um personagem!

Confundi vocês? Desculpe, citando o Chacrinha " Não vim aqui para explicar, vim para confundir".

A pergunta é: Você é só o José ou você é mais que isso? Será que há mais de você do que o que você pensa que há? O que está escondido?

Vamos brincar de "eu acredito".

Só por agora, vamos imaginar que acreditamos que você pensa que é o que diz ser. E eu quero fazer uma analogia com a terra. Vocês já ouviram falar de um lugar chamado Via Láctea? Isso mesmo, bom, ainda lembram das aulas de geografia. Qual o tamanho dela? Algo assim né, gigante, imenso, um Saara de deserto, onde o Sol é só um grão de areia. Certo? Agora, imagina o tamanho da terra? Agora, lembre de você e imagine o seu tamanho comparado com a galáxia? Ficou pequenininho, não é?

Estamos acostumados com a ilusão de que só existe aquilo que podemos perceber com os nossos cinco sentidos ou lembrar. Se só o que você consegue ver, sentir, tocar, cheirar é esse planeta, esses cientistas devem estar malucos: afinal, a Terra é só o que existe.

Assim pensava a sua tatatataravó! Então ela um dia, ou o seu tatatataravô olhou para as estrelas á noite e depois de ter certeza que as estrelas não eram um bando de vagalumes, ele se deu conta que esse planeta não era tudo que existia, ou melhor, esse planeta era parte de algo BEM maior.

O que quero dizer, é que há MUITO mais do que o que vocês possam perceber, imaginar, mensurar, e Shakespeare já dizia: " Há muito mais coisas entre o céu e a terra, do que possa sonhar a sua vã filosofia tomando pingado e comendo pão na chapa na padaria".

Baseado nisso, vamos voltar a falar de você. Qual é mesmo o seu tamanho comparado com a nossa galáxia, (que também não passa de um grão de areia no universo). Pequeno? Agora, vamos ao paradoxo...você consegue imaginar a Via Láctea? Sim ou não? Ela cabe na sua cabeça? Caramba, você consegue não só imaginar a galáxia, como ela
também cabe dentro da sua cabeça!!!

Se cabe uma Via Láctea dentro da sua cachola, o que será que você tem mais ai dentro?

Para Jung e Freud e tantos outros estudiosos da psique humana, quem você pensa que é não passa de um grão de areia, uma pequena parte do seu inconsciente ( por favor mantenham em mente que não sou psicólogo, psiquiatra, psicanalista, nada parecido, talvez apenas meio louco, e tudo que sei desses caras vieram dos cursos de alguns
amigos e das revistas que eu leio).

Permitam-me explicar rapidamente, o que eu compreendo por ser a diferença entre consciente e inconsciente. Consciênte é olhar uma menina bonita e estar ciente de que você gostaria de sair com ela. Inconsciente é olhar a mesma menina e em questão de micro-segundos, analisar se ela será uma boa mãe para os seus filhos, baseado no tamanho do quadril dela,os cheiros que ela emite, se a química do seu corpo combina com a química do corpo dela; é avaliar se os seus amigos a acharão tão bonita quanto você pensa que ela é; afinal, você quer que todos vejam o quanto você tem bom gosto e só sai com mulheres bonitas; é observar todos os defeitos que ela tem e decidir que nesse momento isso não é importante ser ressaltado; é imaginar toda uma vida com ela, incluindo pensão e Faustão aos domingos; é pensar tudo isso, sentir tudo isso e nem sequer se dar conta que fez isso tudo.

Em outras palavras a sua consciência é uma azeitona numa salada. Mas agora vem a mágica, o que está no seu inconsciente, volta e meia, se reflete no personagem que você está vivendo. Talvez, você tenha ido perguntar o telefone do cachorrinho da menina bonita baseado em algo aparente e imediato no seu consciente, ou você acabou deixando para lá, pois algo lá dentro de você falou: sai fora, é fria!

Dentro da sua mente ( ou alma, sei lá, vai que alguém ai acredita em espíritos e associa o que carregamos na mente com o que levamos na alma) há vários outros personagens: o ciumento e o possessivo, o apaixonado e o amigo, o velho e o menino, etc, etc, etc. Centenas de personagens que fazem parte de você, te influenciam, mas mesmo sendo ingrediente da sopa que forma você,ainda assim, você é muito mais que isso.

Você é o ator, não a personagem!

Percebam: vocês poderiam ganhar tanto dinheiro quanto o Brad Pitt ou a Angelina Jolie...ou melhor, vamos ser mais brasileiros: Antônio Fagundes e Claudia Raia. Oscar para vocês!!!

Agora mudo as perguntas: Vocês têm controle sobre essas personagens, ou melhor, qual delas está em controle do seu corpo nesse momento? Será que uma delas não está no controle o tempo inteiro?

Quem eu conheço é só uma personagem, é você mesmo, ou só uma pequena parte de você que você decidiu mostrar em público?

Você é ou não é um ator desempenhando vários papéis?

Analogias com o teatro, devidamente encerradas. A verdade é que você é muito maior do que o que pensa ser, do que os personagens que você está interpretando.

Se você conseguiu chegar até aqui, vivo, alfabetizado, sadio, conseguiu fazer amigos, amores, sacou que é preciso respeitar os outros, não jogar papel de balinha no chão, nem bituca de cigarro no esgoto, se está empregado, parabéns! Mas há muito mais que isso e honestamente, se você já conseguiu alcançar tudo isso, qual a
distância te separando de alcançar todos os outros sonhos e objetivos? Qual são os seus limites?

O céu é o seu limite, voador, ou melhor, o céu do universo!

Se você consegue visualizar tudo isso, e ainda consegue ver, dentro da sua cabeça, o tamanho da terra, do sol, da Via Láctea com você incluído, tudo isso dentro da sua mente. Uau!!!!!!!Qual será mesmo o tamanho do seu potencial?

INFINITO!!!!!

quarta-feira, agosto 20, 2008

ESTRELAS FUJONAS

Encanta-me as estrelas, mesmo quando não as vejo no céu
Por isso, procuro-as pelas noites paulistas
mas seu brilho não vejo facilmente
pois elas está cobertas por um espesso véu


Porém, por mais que a poluição as esconda
E que as luzes da cidade roubem seu brilho
Volta e meia, vejo estrelas fujonas
Que se desviam das nuvens, só para estar comigo

E dançamos, elas no céu, eu na janela
Elas me contam sobre os cometas
e eu reclamo sobre as nossas mazelas

Elas não entendem o meu lamento
E respondem: " menino, tudo é parte do pai
Tanto a estrela que brilha, quanto a estrela que cai"

terça-feira, agosto 19, 2008

DIVINA NATUREZA

Deus era o tudo, a Deusa era o nada.

Deus sentiu-se só, a Deusa quis ser acompanhada, então houve a suprema união e o tudo explodiu no nada no primeiro grande orgasmo cósmico.

O micro tornou-se macro, o macro passou a existir no micro.

Deus se expandiu em som dentro da Deusa, que ficou grávida e deu a luz ao universo, a matéria. Matéria e luz que evoluiram e tornaram-se o amor e a vida.

Vida se expandindo nas mais diferentes formas. Vida habitando em todos os lugares e em todos os planos, até formar esses fantásticos seres humanos, com suas qualidades e defeitos que brincam de deuses em seus leitos, e nem sequer imaginam que ao fazer amor estão seguindo os passos do criador.

Eis o segredo da divina natureza: não há Deus sem Deusa, assim como não há vida sem amor.

"A criação e os sons"

E Deus deu o primeiro comando do som
Criou-se o mundo e todos os seres
Brahmam murmurou bem forte “Om”
E as primeiras notas o mundo teve

O Homo Sapiens ia aos poucos evoluindo
Aprendendo com toda sua destreza
Que a mata falava e o mar cantava
Que tinham sons vindos da natureza

Fascinado tentava imitar a tudo
Desde o som do grilo, ao quebrar dos galhos
Do som do vento batendo nas árvores
Ao uivar dos lobos até o canto dos canários

Percebeu que podia fazer sons com os pés
Bater palmas à ecoar pelas cavernas
Que ossos soprados viravam poesia
Quão bonito era a água batendo nas pedras

Vasculhou os mares à procura de alimento
E conchas bem grandes o mar lhe ofertou
Soprando bem forte aquele instrumento
Que kilômetros de distância de escutou

Foi assim fazendo uma simples sinfonia
Com aquilo que tinha por perto em mãos
Até notar que a natureza já tinha
Feito pra ele instrumentos com grãos

Percebeu a divindade vinda da música
O som evocativo que provinha do Maracá
Que fora encontrado quando ele buscava
Os frutos aromáticos do pé de Jacarandá

O chocalho balançado gerou nuvens no céu
E o estrondo dos trovões logo o assustou
Mas o barulho era tão belo e tão curioso
Quis o homem assim imitá-lo com o Tambor

Após a dança da chuva ter ido embora
Caídas ficavam algumas árvores na mata
Carvalhos, taquaras, embaúbas e cerejeiras
Aproveitada era a madeira esculpida em flauta

Assim se ouviam apitos e chocalhos
Tambores, flauta e também guaraxás
A música sendo ritualística e sagrada
Dando ao homem as asas pra ele voar

E voando pelo céu das notas musicais
Captou a infinita fábrica da inspiração
Trazendo do transe a perfeita melodia

Ritmada com cada batida do coração
Ofertando tudo à harmonia divina
Que rege a orquestra da criação

(Aos meus queridos amigos músicos do "Olhar Divino")

Auricèlia Oliveira

segunda-feira, agosto 18, 2008

SALVE RAINHA


Ó Rainha Mãe, não me deixa esquecer o amor que você me fez lembrar que sempre esteve em meu peito. ´

Ó Mãe das mães, que por vezes é ar, que por vezes é terra, Ó Mãe Eterna, permita que eu não me esqueça que só existe uma forma de ganhar essa guerra contra a ignorância: ter respeito para com todas as criaturas.

Que a luz que irradia do meu peito, possa refletir tanto em meus afetos, como em meus desafetos e que eu permaneça lúcido o bastante para que eu ofereça aos outros, o melhor que eu tenho a minha mesa.

Ó Mãe das mães que por vezes é árvore, que por vezes é flor, afasta-me do caminho da dor, pois embora eu saiba que todos os caminhos levam a você, interceda por mim, já não quero mais sofrer.

domingo, agosto 17, 2008

BACK TO RUSSIA

Uma carta, um e-mail da Nikita enviando lembranças da Rússia. O que haveria por lá, além da bela loira que fala português com sotaque russo?

Um novo mundo, professor, um novo mundo!

Um universo de experiências a ser descoberto por profissionais dos idiomas, das línguas, despertos o bastante para aprender a ensinar inglês para o mundo.

"Aceita pagar o preço de largar tudo?", a estrada te perguntou, não foi? E você nem precisou pensar duas vezes. Para viajantes e pessoas que vieram para ser, não ter, voar por outros ares, é se tornar um voador em busca de novas experiências, novos aprendizados, que nos faça contar a vida com outros termos, que não por anos, meses ou minutos.

Certa vez, você me disse:

" I´m here to be, not to have!"

Ser é ter, amigo professor, e ser é a posse que ninguém pode roubar, nem podemos deixar pra trás. Jamais vou esquecer essa lição, caro amigo, dear irmão.

Go and get it!!!

sábado, agosto 16, 2008

ECLIPSE LUNAR? QUANDO?

Você não viu? Não percebeu?
Onde você estava que foi esquecer?
A união do sol e da lua, meu!
O eclipse da lua acabou de acontecer.

Onde você estava
que não olhou para o cèu?
Estava você vendo TV na sala
Seus olhos estavam cobertos por um véu?

O eclipse foi visível em boa parte da terra
Os africanos o saudaram, também o fez, o Oriente Médio
Índia, Europa Oriental, alguns países da Ásia por certo
E aqui no Brasil, o eclipse deveria ter sido uma festa.

Mas faltou você observando
Faltou o seu olhar
Mas não fique ai chorando
Te encontro no próximo eclipse lunar

MITAKUYE OYASIN

Tum!, Tum! Tum! Vitor bate o tambor com carinho, com amor.

Tum! Tum! Tum! Vitor conduz a meditação da cura interior.

Vitor propaga o som, compartilha o ritmo, a música xamãnica que ele tem escutado e estudado. A melodia possui tanta beleza que não cabe dentro dele, flui para a platéia, flui para os que estão com o coração aberto e ouvidos atentos. Ele sorri, está feliz em compartilhar o "Grande Som Primeiro".

Tchá! Tchá! Tchá! Vibra o som do maracá. Vitor limpa, dissolve as barreiras na aura e no olhar. O trabalho de cura é inevitável, a música por si só, já limpa, o maracá limpa mais ainda.

Tchá! Tchá!Tchá! Vitor-índio, xamã-amigo tocando o maracá e lembrando a todos, o som do despertar.

Não é palestra, é ritual de cura. Com coragem e ternura, Vitor mostra que o xamanismo é vida real, às vezes é combate, às vezes é doçura, xamanismo é conexão, integração com o todo. É a prática do bom humor, é ritual de palmas e alegrias; é a sabedoria do velho e o entusiasmo do novo. O xamanismo é a volta ao básico que deixamos para trás em algum lugar da vida. Xamanismo é prática tanto na floresta, quanto na cidade. Xamanismo é a verdade da natureza, é festa, é energia.

Tum! Tum! Tum! Bate tambor! Tchá! Tchá! Tchá! Toca maracá!

A festa se completa com o som da flauta, com o pau d’água, com o cachimbo sagrado, com a pena falada. O Animal do poder se manifesta: o búfalo, o urso, o lobo e a águia. Tudo é festa: dança o ancião, baila o menino, celebram tanto homem quanto a mulher. No xamanismo, é inevitável a descoberta de quem você é.

Xamanismo é fazer a sua trilha, é o que você quiser cantar, escrever ou desenhar. É o livro da sua vida, numa trilha que começa todos os dias ao acordar e se relacionar com os animais, com as plantas, com o planeta e principalmente com os outros, com todos os corações, pois o xamanimo se estende por todas as nossas relações.

MITAKUYE OYASIN*


Frank Oliveira

Mitakuye Oyasin: Expressão de saudação dos índios Sioux, dos EUA, que quer dizer "Por todas as nossas relações".

Texto escrito durante a palestra realizada no IPPB, pelo amigo e xamâ Vitor Hugo em 15 de Agosto de 2008.

sexta-feira, agosto 15, 2008

NEGUINHO DO CATIMBÓ

Enquanto os moleques tinham medo de fantasma e casa mal-assombrada ( existe casa bem-assombrada?), eu morava com os espíritos: havia um centro de catimbó dentro da minha casa.

Catimbozeiro era qualquer pessoa que fazia parte de algum culto religioso africano. Na casa da minha família na Paraíba, éramos umbandistas, se bem que para todo mundo, a gente falava que éramos espíritas; coisa que eu nunca entendi muito bem, afinal, umbandista ou espírita, éramos todos, segundo o povo de Cajazeiras, catimbozeiros.

Catimbó é outro nome para macumba, feitiçaria e sinônimo da Umbanda, pelo menos na Paraíba. Espiritismo é a religião criada por Allan Kardec lá na França no século 19, que por alguma razão, ficou mais famosa aqui do que lá; e é mais bem representada aqui no Brasil, pela figura do Chico Xavier e não tão bem representada por certos livros “psicografados” pela família Gaspareto. A Umbanda é o sincretismo entre o culto aos orixás ( deuses africanos) e os santos do catolicismo; e é melhor representada pela sabedoria dos mestres e dos preto-velhos e não tão bem representada assim pelos despachos, trabalhos de amarração e outros tipos de “macumbas paraguaias”. Umbanda ou Espiritismo, havia uma coisa em comum nas duas religiões: os espirítos!

Enfim, eu tinha apenas 12 anos, mas sabia o quanto as pessoas só olhavam o lado feio e distorcido das coisas, e eu até tentava levar um pouco de esclarecimento a molecada, mas não importava o que eu fizesse ou o quanto explicasse, ainda assim, eu continuava sendo o Neguinho Catimbozeiro. Apelido, que no final das contas, não era tão mal assim, pois os moleques não mexiam comigo, morriam de medo das minhas ameaças e ações:

“ Ah, é??? Não vai devolver as bolinhas-de-gude, não?” – eu dizia – “Quero só ver, como você vai acordar amanhã, depois que eu costurar o seu nome dentro da boca do sapo essa noite.”

Tudo bem! Eu sei que as minhas ameaças e chantagens não faziam muito bem para a imagem da Umbanda, mas ser o Neguinho Catimbozeiro, era o máximo que eu consegui chegar de ser um super herói, e garanto, eu só usava meus poderes, quando tinha que lutar pelos fracos e oprimidos, e para recuperar meus gibis perdidos e centenas de bolinhas-de-gudes, que a molecada adorava roubar umas das outras.

Contudo, a ironia de ser o Neguinho Catimbozeiro, vinha do fato que eu morria de medo de espirítos também, e a minha casa era, não sei se mal ou bem, mas muito assombrada. Talvez fosse pelo efeito das imagens dos rituais de Umbanda ou porque eu tinha mesmo uma imaginação muito fértil, mas eu ouvia vozes, passos, presença de pessoas passando por baixo da rede em que eu dormia, e a própria rede balançava sozinha, sem que eu sequer me movimentasse. Toda noite era um parto para dormir e o medo era tanto, que eu não me mexia, não conseguia gritar, reagir e não foram poucas às vezes, em que ao acordar, eu pisava em certas poças, as quais até hoje, são lembradas pelo meu irmão mais velho: “o neguinho vivia mijando na rede”.

Esse tormento durou muitas noites, até o momento em que eu decidi enfrentar aqueles espíritos todos. Estava cansado de sentir medo, de molhar os pés no terror diluído que virara apelido na boca do meu irmão, e justamente por ser um herói e não um neguinho mijão; eu iria enfrentar o meu medo.

Preparei-me para a batalha, respirei fundo, engoli o medo; ou melhor, rezei para tudo o que era santo, deuses do Olimpo e criei força e coragem para enfrentá-los. Veio à noite e o silêncio, todos dormindo e eu esperando os espíritos, pronto para o combate, mas para a minha surpresa, aquela noite, a rede não balançou, barulho, só os roncos do meu avô. As vozes se calaram, as presenças se tornaram ausentes, e nem houve um sinal sequer dessa gente que se divertia me assustando. Eles não apareceram naquela noite, nem na noite seguida. Estava claro para mim que eu os tinha expulsado e a casa estava limpa. Todos sentem medo, até os espíritos de quem está vivo.

Eles fugiram com medo, nunca mais voltaram, mas não posso culpá-los; afinal, eu não era um Harry Potter, mas nenhum morto, nenhum vivo teria coragem de se meter com o Neguinho Catimbozeiro.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Carta aos ETs. Parte um.

Carta aos ETs. Parte um.

Carta aberta a todos os seres da espécie que vier a habitar este planeta num futuro longínquo ou próximo (o que acontecer antes), ou que estiverem por aqui de passagem.

Parte um.

Espero que vocês não tenham maiores dificuldades para interpretar o código de escrita utilizado no intuito de transmitir esta mensagem (chama-se português). Até porque, se não o interpretaram, não poderiam estar lendo esta frase ou mesmo a anterior, sendo ambas, portanto, de uma imbecilidade assustadora. De qualquer forma, é bom que mantenham em seus espíritos um nível de imbecilidade razoável durante a leitura destas linhas, pois a matéria em análise nesta ocasião trata justamente das preocupações cotidianas da raça humana.

Estamos no ano de dois mil e sete, contados a partir no nascimento dum cara que se chamava Jesus. Não o conheci, mas pelo que me consta, era boa gente. Anos, meses, dias e segundos são unidades de medida para uma coisa chamada tempo. Tempo, é basicamente uma mania que temos de ficar continuadamente contando os períodos da radiação correspondente à transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.

Para que os senhores possam entender eventuais distorções nas percepções deste que vos escreve, com a devida vênia, gostaria de me apresentar.

Meu nome é Marcos, mas não é raro ver alguém me chamando por alcunhas como Castor, Moicano ou Rosado, e até mesmo de outras formas quando em expressões genéricas, tais como: 'Aquele cara alí', 'Ei, você aí!' ou 'O senhor vai pagar como?'.

Sou nativo de um planeta muito peculiar, que os demais de minha espécie (homo sapiens sapiens) chamam de Terra e dividem e sub-dividem das mais bizarras formas, entre estas, ressalta-se a separação em nações, que são definidas (mediante violência ou grave ameaça) por limites territoriais. A nação cujos limites territoriais eu estou habitualmente inserido, chama-se Brasil.

O Brasil é uma nação não auto-administrada cuja atual gestão é responsabilidade, ao menos em teoria, de um senhor chamado Luís. Luís, que já passou muito tempo na chamada reserva de trabalho, está neste emprego apenas provisoriamente: seu ramo de atuação é, na realidade, a metalurgia. Assim, não convém alongar quaisquer explanações sobre Luís. Continuemos.

Dentro desta nação, existem mais divisões, que se chamam estados, que por sua vez, são divididos em municípios, que são divididos em bairros, constituídos de diferentes ruas, devidamente separadas em lotes, com seus respectivos números. Minha espécie tem uma verdadeira compulsão por criar divisões, rótulos e demarcações.

Aparentemente, esta é uma característica da nossa natureza.

Vivo num município que ostenta um nome curioso: Curitiba.

Curitiba é uma cidade grande, mas nem tanto. Tem clima ameno, mas nem tanto. Tem algumas coisas interessantes para se fazer, mas nem tantas. Ao menos, é possível encontrar aqui uma bebida muito saborosa, chamada cerveja. Espero que vocês possam conhecer um dia. A cerveja, não Curitiba.

Curitiba é um local predominantemente encoberto por nuvens cinzas, que passam quase despercebidas pela maioria da população, que desperdiça cerca de cinco sétimos do seu tempo dormindo, ou então, entocada nas escolas, empresas, apartamentos, e preferencialmente em shopings (lugares indiferentes à cor do céu), no intuito se encontrarem para então, curiosamente, não se comunicarem umas com as outras. Nos outros dois sétimos do tempo que resta, algumas vezes saem da toca, para não se comunicarem reunidas em parques públicos.

As crianças da minha espécie, que a propósito, é a predadora mais voraz do planeta, são treinadas desde pequenas para terem muito medo, pensarem o mínimo possível, e sempre se arrependerem após qualquer divertimento. Isso tudo, para que se instaure um nível mínimo de ordem no planeta. Ordem esta, aliás, muito interessante para alguns. Para os outros, que não são alguns, não.

Continua...

8/11/2007
Herr Brehm
From Recanto das Letras
http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=41766

ENTREVISTA COM UM CURIÓ

Em uma lanchonete obscura, próxima da estação Terminal Santo Amaro de ônibus, tomei um café e comi um pedaço de bolo. O local não convidava ninguém ao desjejum, mas era o único estabelecimento aberto aquela hora da manhã e como ainda faltava meia hora para a minha aula, a escolha de permanecer naquelas ruas escuras não parecia ser a mais apropriada.

O dono da lanchonete ( só havia ele por lá) serviu-me o café, que não era preto, parecia meio azul e meu pedaço de bolo, enxugando suas mãos em um avental que não via água à eons. Tomei o "café azul", orando ao Santo dos Inocentes que comem em Lugares Bizarros, que me protegesse.

Enquanto eu travava uma batalha entre a vontade de ficar e o desespero de sair correndo daquela espelunca suja, notei o canto de um curió tenor, cantando a pleno bico e pulmão, sua ópera de cativeiro.

Sua gaiola estava próxima do banheiro e ele entoava o seu canto, sem se importar com o cheiro que vinha lá de dentro e com as grades que o impediam de voar livremente. Sendo um voador, falo "passarês" fluentemente e perguntei ao curió:

- Por que canta tão maravilhosamente, Curió? Você está numa gaiola, deveria estar cantando um blues!

O Curió olhou para mim e cantou algo, que traduzo para vocês assim:

- Não tenho escolha, escritor! Preciso bem estar, mesmo em cativeiro. Queria bater asas ai fora, voando livremente e cantando com o sabiá, com o colibri e com o bem-te-vi, mas a minha realidade é bem diferente e celebro a vida como dá, contudo, não serão essas grades ou a ignorãncia desse humano que pensa que é meu dono, que mudará o meu cantar.

quarta-feira, agosto 13, 2008

REVELA-SE

REVELA-SE

- Deus, se sou merecedor da tua presença, revela-se! – pedia o devoto, dia e noite, noite e dia, e passou toda a vida, pedindo para ver o que estava o tempo todo à sua frente.

REVELA-SE II

Conta a lenda, que um dia Deus desceu a terra e revelou-se a um dos filhos de Adão.

- Meu Deus, como a sua visão é maravilhosa. – respondeu o homem - Tudo é tão lindo! Obrigado por deixar eu te ver.

Deus brincalhão e vaidoso, respondeu:

- Isso aí é só uma amostra grátis!

CRÔNICA DE ENSINAR


Quanto tempo leva para formatar o conhecimento? Quanto tempo leva para materializar a sabedoria?

O conhecimento vira sabedoria, quando sai de dentro e é compartilhado com a maioria. O conhecimento vira sabedoria, quando aprender se torna ensinar e surpreendentemente descobre-se que se aprende ainda mais assim, com o olhar do outro, com o sorriso solto, com o lápis que não para de anotar o que é falado, mostrado e ensinado.

Professar é uma tarefa para poucos. Professar requer carinho, atenção, estudar, reciclar esse mesmo estudo, centenas de livros lidos, milhares de revistas compradas, artigos relidos, muita pesquisa e mais prática ainda. Poucos alunos lembram disso, daí o perigo de um curso gratuito com tanto conteúdo. O que não custa ao bolso, ofusca os olhos, mas um professor de verdade não se preocupa com isso. Ele professa o seu saber, pelo prazer de repassar o que aprendeu; com o carinho de quem ensina um filho a caminhar e sabe que mesmo que esse filho jamais o agradeça por isso, a tarefa maior foi feita e isso por si só, já é a maior recompensa para quem faz da vida, um ato de ensinar.


TEMPO

Coisa difícil é ensinar sobre algo que só faz sentido quando é bem vivido, mas o professor ensina, verbalizando idéias que para muita gente, nem pensamento se formaria. Ele fala da mente, do consciente e do inconsciente. Cita Freud, Jung, Wilber e tantos outros, cita até Buda, Jesus ou Krishna, se for preciso, se for necessário, tudo para que a mensagem chegue ao local exato. Se houvesse tempo para explicar melhor, mas não há. Duas horas escorrem pelos ponteiros do relógio, "coincidência", pois é do tempo que ele fala agora, e em perguntas, diz:

“ Por que os dias chatos se arrastam?
Por que os dias bacanas voam?
Por que os sonhos parecem durar forever?
Por que o tempo é tão relativo?

Qual é o segredo por trás do Deja Vu?
Inconsciente ou truque da mente?
Ficou doente ou mais consciente?
Isso também ocorre com tu?”

Todos levantam as mãos e olham para o lado assustados. Não são loucos sozinhos, são loucos acompanhados.

“ O tempo foge das mãos feito água
brincando de esconde-esconde
Toda vez que tentamos capturá-lo


O tempo é esperto e sábio
Quando queremos que dure mais, ele dura menos
Quando queremos que dure menos, ele dura mais.”


Não existe forma melhor de passar uma informação que ensinar com perguntas, suscita a dúvida, faz raciocinar. Ele assim faz, e todos percebem que o tempo assim como a mente e as nossas certezas, é bem relativo.


“ A percepção do tempo pode ser relacionada ao grau de nossa consciência”, ele explica e temos a impressão que o tempo corre. Se o tempo pudesse durar mais, se pudéssemos ser como o Yogue, que está realmente acordado, enquanto estamos sonhando; mas ainda estamos dormindo, por mais que juremos que estamos acordados.



DORMINDO OU ACORDADO?


“Passamos 30% da vida dormindo e 25% desse tempo, sonhando. Será que estamos mesmo acordados?”.

Claro que estamos acordados!

Claro?

Tarde demais, o professor lançou a dúvida e começamos a nos questionar: será?

“ Estamos dormindo acordados
Ou acordados dormindo?
Estamos acordados porque houve continuidade
Dos eventos do dia
Ou estamos dormindo porque os eventos do dia
Não continuaram?”

“Não estamos dormindo porque temos uma forte sensação de estarmos acordados”- muitos respondem - mas não temos essa mesma forte sensação de realidade e que estamos acordados quando sonhamos?

“ A realidade para quando estamos dormindo
Ou continua mesmo durante o sonho, mesmo quando não estamos acordados?
E quando estamos acordado, que garantia temos que não estamos na verdade, sonhando dormindo?”

Koans à parte, quem veio para o curso, buscando respostas fáceis, se enche de perguntas. Ouve, escreve, prossegue, mas se pergunta: “Será que há um moral da história por trás dessa confusão toda de estar acordado ou dormindo?”

“Sonho ou realidade, faça o melhor com tudo isso!” – o professor não diz isso, mas é a conclusão que ele insinua.


SILÊNCIO!

“Quando dormimos, há atividade cerebral durante todo o tempo, portanto, não estamos totalmente inconscientes. Quando estamos acordados, sonhamos o tempo todo” – ele explica – “ O problema é que a mente “lúcida” faz tanto barulho, que não conseguimos lembrar disso”.

Daí a importância da meditação, ele insinua novamente, enquanto fala dos benefícios dessa prática milenar:

“ Silêncio!
Desliga a TV, escuta uma música calma
Leia um bom livro, mesmo deitado
Cala a mente, escuta a alma
Pratique perceber que acordado
Você pode ver que está sonhando dormindo.

Pare o barulho, observe os pensamentos
São ondas passando
Beta, Alfa, meditação não é ausência
Só controle, Delta, Teta, deixar passar, deixar ir. Só observar
Relaxar, acordar e perceber que você está sonhando dormindo.

Estamos sonhando o tempo todo
Observe os padrões se repetindo
Perceba o onirismo, estude os símbolos
Mas o faça baixinho
Silêncio – tudo é sincronia
A linguagem dos sonhos é arquétipo
Não existe coincidência – acalme o pessoal e observe o coletivo

O inconsciente está falando o tempo todo contigo!”


A lição foi absorvida, Professor, obrigado! Agora, só falta virar sabedoria.


Frank Oliveira
13 de Agosto de 2008
Nota: crônica escrita durante o primeiro dia do curso “Sonhos e Sincronicidade”, ministrado pelo Professor Lázaro Freire, no IPPB.
Mais informações:
http://br.groups.yahoo.com/group/voadores/message/84233

terça-feira, agosto 12, 2008

SHRADA

Não dá para mentir, ainda não tenho certeza que Deus exista ou que qualquer outra força seja a criadora de todas as criaturas, do calor do sol, do girar dos planetas e do brilho da lua. Ter certeza é silêncio, é não expressão, é brilho no olhar de quem sente, mesmo que não compreenda que o Amor está na gente, em tudo; pois o Amor está no crente, no descrente, na razão e no coração, no imenso e no miúdo.

Não dá para mentir, ainda não tenho certeza que tudo o que experimentei foi mesmo conexão com o Divino, ou se tudo não passou de um contato comigo. Ter certeza é nem mesmo se questionar se estamos vivenciando algo real ou só imaginar, e para mim, não se questionar ainda é perigoso, ainda é um caminho que leva ao fanatismo, é danoso, e afasta a gente do discernimento, por isso, apesar de jurar que estou vivendo algo espetacular, se amanhã a vida apontar que não era nada disso, começo de novo, reaprendo e ninguém tem nada a ver com isso, fé ou certeza, carrego só comigo.

Sempre fui meio São Tomé, mas minhas dúvidas não me abalam, pelo contrário, quando elas são saciadas, reafirmam a minha fé na jornada pela certeza da existência de Deus, da Deusa ou qualquer outro nome que você queira; por isso continuo a minha caminhada, desejando
ardentemente que quando a certeza se instalar no meu coração, que ela venha silenciosamente, sutilmente, e eu não precise chamar ninguém de irmão e gritar aos quatro cantos o quanto eu sou crente.

OS TRÊS IRMÃOS

Era uma vez uma vila, onde moravam três amigos, que por serem inseparáveis, eram chamados de os três irmãos.

Os meninos brincavam o dia inteiro, aprontavam das suas, em toda a região; até o dia em que dois deles adoeceram e o terceiro, ficou sozinho, sem saber como brincar mais não.

Cansado de tanto esperar seus amigos melhorarem e voltarem a brincar. O terceiro menino orou para Deus, em profunda devoção, e pediu:

- Deus, se o senhor é mesmo bom, tire a doença do corpo dos meus irmãos e passe para o meu. Sou mais forte que eles e posso me curar, por isso, lhe peço, Deus meu, ouça o pedido, desse filho seu.

Deus comovido com o pedido do menino, falou em seu ouvido:

- Compreendo o seu pedido, meu bom menino, mas não peça o alheio para você. Você julga saber o peso, mas somente eles podem carregar as suas cruzes. Acalme o coração e acredite que seus amigos ficarão bem, mais no tempo deles e não no seu. Lembre-se: nunca queira o que é dos outros, mesmo que você tenha a intenção de ajudar.

segunda-feira, agosto 11, 2008

08/08/08 - uma data ESPECIAL????

" Saudações PORTADORAS DE QUESTIONAMENTO a todos!!

Com a abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim para 08:08h, houve uma acentuação do que é considerado ser hoje uma data especial: 08/08/08. Tanto que, desta vez, a Rádio Inconfidência (aqui de Belo Horizonte/MG) me procurou para uma entrevista justamente sobre esses assuntos: hoje é uma data especial? e Por que os chineses quiseram abrir oficialmente as olimpíadas às 08:08h?? O que respondi será editado e veiculado às 12h na rádio (pra quem é daqui).

Respondi à repórter, logo no início da prosa, antes de efetivar/iniciar a entrevista, que eu tenho uma visão diferente do que é comumente veiculado, principalmente pela internet e nos meios esotérios/espiritualistas, sobre a data 08/08/08. Recebi uma enxurrada de e-mails, tanto de pessoas querendo saber o significado deste evento/data, quanto de outras que acreditam ser um momento especial. Estas crêem que estará aberto o Portal de Órion, sendo um evento cósmico e veiculando que "uma dádiva planetária inundará a humanidade de amor e paz."

Confesso que desde quando iniciei meus estudos e minha prática com a Numerologia, reflito sobre essa atitude que muitos de nós têm quanto a datas como 02/02/02, 03/03/03 ... 07/07/07 e agora 08/08/08 serem momentos propícios para aberturas de portais e de saltos quânticos que levam a humanidade a um novo estágio de consciência.

Posso estar errado, mas meu olhar junguiano considera que quando agimos assim, estamos, no fundo, projetando nossas esperanças de que a humanidade mude, "melhore", "evolua" magicamente. É como se na atmosfera em que vivemos há uma espécie de energia que "nos inunda de amor e paz." E até hoje nunca senti nada de diferente e nem vi nenhuma mudança "positiva", "pacífica", "maravilhosa", "quântica" e "evolutiva" na humanidade a partir dessas datas não...

Talvez porque eu me foco mais na necessidade de cada um, individualmente, ter de fazer um trabalho todo único e intransferível de autoconhecimento para que possamos mudar, crescer, progredir, amadurecer e sermos mais amorosos conosco, com as outras pessoas e com o planeta. Não consigo acreditar num passe de mágica quântico que vá fazer isso magicamente por nós. Evoluir, crescer, amadurecer, nos tornar mais lúcidos, compreensivos e amorosos dá trabalho, exige esforço e o enfrentamento de muitas dores, feridas, angústias e sofrimentos. Não ocorre magicamente.

Outro fator que me impede de acreditar nesses portais de evolução em datas como essas é que não vejo nada de especial em dias como 08/08/08 só porque escrevemos 08/08/08, 07/07/07, 06/06/06 (essa pode ser considerada mais nefasta, caso associemos com o tal incompreendido e "nefasto" 666 rsrs).

Eu vejo CADA DIA, cada DATA, como ESPECIAL. Se acreditasse que hoje, 08/08/08, é uma data especial e, portanto, "superior" ou "melhor" do que amanhã 09/08/08 ou ontem 07/08/08, eu teria de admitir que quem nasce no dia de hoje é especial, "melhor", "superior" a quem nasceu ontem ou nascerá amanhã, por exemplo.

E isso é de uma incongruência total. Quem tem em sua data de nascimento, por exemplo, um número do Destino encontrado pela soma dos algarismos envolvendo 08/08/08 não é mais especial de quem tem tal número a partir da soma de 09/08/08. A pessoa que nasce hoje (08/08/08) NÃO terá um MAPA NUMEROLÓGICO (ou ASTROLÓGICO) melhor, mais especial e "superior" a outra que nasceu ontem 07/08/08.

Cada DIA, cada DATA, é ESPECIAL. Porque a cada DATA, a cada DIA (e cada Mapa Numerológico ou Astrológico condizente com a mesma), há APRENDIZADOS envolvidos - de acordo com a simbologia presente em cada uma.

O dia de hoje, 08/08/08 sem dúvida marca a forte presença da simbologia do número 8. Mas isso não quer dizer que o 8 é ESPECIAL, representa algo "superior" ou "melhor" do que outra simbologia numérica. O número 8 REPRESENTA certos APRENDIZADOS com tal simbologia, assim como outro número, outro símbolo numérico.

O 8 presente no dia e no mês (porque não está presente no ano, uma vez que o 08 do ano é apenas uma abreviatura para 2008), bem como na soma de 08+08+2008 (=26; 2+6=8), mostra que o que tal NÚMERO REPRESENTA está intensificado, reforçado.

E o 8 representa questões associadas ao uso de nosso poder pessoal. Então, pra quem quer usufruir desta data considerada especial, seria interessante REFLETIR sobre como cada um de nós está assumindo e canalizando seu poder pessoal. Estamos sendo muito ditatoriais e autoritários na expressão de nosso poder pessoal, principalmente quando vamos em busca da realização de nossas ambições e da obtenção de nossa respeitabilidade social??? Ou estamos sendo muito explorados e dominados tirânicamente por outras pessoas, políticos, empresários, cônjuge, os quais abusam de sua autoridade sobre nós??? Estamos nos envolvendo em jogos destrutivos de poder, de controle, de manipulação e de dominação com as outras pessoas, principalmente aquelas que são consideradas figuras de autoridade em nossa vida??? Enfim, como estamos canalizando nosso poder pessoal para concretizar nossas metas e nossa ambição de ter sucesso/respeitabilidade e riqueza material/espiritual???

Creio que, magicamente, não haverá mudança nenhuma na humanidade nesse sentido. Acredito, sim, que - cada um de nós - refletindo sobre essas questões associadas ao número 8 (e explicitadas em questionamentos acima) é que poderemos mudar, crescer, amadurecer e sermos mais amorosos através de um uso construtivo de nosso poder pessoal. E essa conquista, obviamente, não é obtida magicamente simplesmente por vivermos no dia 08/08/08...

obs.: pelo que sei, o 8 (do 08:08h) é considerado pelos chineses como um número de "bom augúrio", de "boa sorte." Superstição? Crendice?? Não sei. Só queria perguntar para a China como ela anda expressando seu poder nacional: querendo dominar, explorar, manipular e subjugar tiranicamente seus cidadãos,os cidadãos do Tibet e outras nãções?? Ou não??

Beijos reflexivos nocês...
Yub

Yubertson Miranda - Astrólogo, Numerólogo e Tarólogo
Formado em Filosofia pela PUC/MG e Simbologista
http://www.voadores.com.br/moderadores
http://br.groups.yahoo.com/group/numerologiapitagorica
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http://www.oestupradordealmas.blogspot.com
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E, neste outro Blog, leia as reflexões sobre Astrologia, Numerologia,
Tarot, Sonhos, Sincronicidades, Mediunidade, Co-Criação e
Psicologia Analítica:
http://yub-universosimbolico.blogspot.com

CATIVO DO PRIMEIRO AMOR

Eu escrevo como quem não desiste de querer expressar o amor, pois não existe, para mim, honra maior que oferecer minhas palavras a você, caro leitor.

Sou um aprendiz de escritor e engatinho os primeiros passos como poeta, mas ainda não aprendi a rimar flor com dor, pois não consigo deixar de ver a maravilha e a perfeição de cada pétala.

Escrevo como quem tem fome, e quando você me lê, sacio a minha sede; contudo, seja você leitor, mulher ou homem , não leve tão a sério o que escrevo, pois faço poema como quem balança na rede e quem balança em rede, não tem qualquer pretenção de mudar o mundo, só oferecer palavras ao todo sobre tudo, por isso me perdoe, se não te ensinar a pescar o peixe.

Vou indo e voltando, no eterno balançar da rede da vida; vejo palavras em cada canto me pedindo para expressar o que há por tràs da minha alegria. E feito rede, vou balançando as palavras, filtrando, coando e falando a linguagem que ecoa em meu coração, pois a razão do meu sorriso é que sou cativo do Primeiro Amor*, aquele que inspira poeta, artista, músico ou escritor a expressar por meio de sonatas, canções, poemas ou crônicas, que não há criatura sem criador e nem criador sem criatura.

Pense sempre no Primeiro Amor e você sempre ficará melhor, pois Somos Todos Um Só.
Frank

*Primeiro Amor: forma carinhosa, que meu amigo e professor Wagner Borges, chama o grande Arquiteto da vida.

TRAPACEAR O DIVINO

Se o Divino está em cada pessoa. Deus brinca de ser gente no seu sorriso, no olhar da garota, no correr do menino. Por isso, é preciso ser autêntico com o Divino que há no outro, tentar enganar os outros com mentiras é o mesmo que tentar trapacear o Divino.

Você conseguirá o que deseja, desde que ponha na mesa, a verdade sobre o que almeja, e lembre-se , Deus é onisciente, porque habita no outro e também em você.

Namastê!

domingo, agosto 10, 2008

NÃO LEMBRO O ROSTO DO MEU PAI

Recentemente, alguém que admiro muito perdeu o seu pai e outro alguém que amo muito, conseguiu perdoar o pai, por tê-la ferido com uma palavra mal dita quando ela ainda era bem pequena. Palavra essa que a perseguiu a vida inteira, a fez duvidar dos seus sonhos, transformou em cinzas muitas certezas. Entre a perda do meu amigo e o perdão dessa outra pessoa querida, lembrei do meu próprio pai e fiquei triste comigo, pois já não conseguia lembrar do rosto do homem que me deu a vida.

É triste ter saudade de um pai que você nem viu partir ou que foi embora para o outro lado da vida, quando você era muito jovem. Tão triste é esquecer-se de um pai, mesmo quando ele está vivo.

No meu caso, sempre quis ter meu pai compartilhando comigo, esses momentos tão especiais da minha jornada. Queria tanto poder dizer para ele sobre a minha caminhada, sobre as minhas conquistas, sobre tudo o que vi; queria mostrar o que escrevo sobre todas as coisas que vivi; e no clímax da minha saudade, por um momento, lamento e encho os olhos de água e até maldigo a vida, por não ter me dado a chance de experimentar tal alegria; mas dura apenas um momento, pois logo lembro, que apesar de não lembrar do seu rosto, carrego sempre meu pai comigo.

Ele caminha em meus genes; em cada passo que dou, quando corro e quando respiro. Ele ouve as canções que escuto, lê os livros que leio, sentado sorridente em uma poltrona confortável dentro do meu coração.

Sou parte de quem ele foi, assim como serei parte de quem serão os meus filhos, e saber disso conforta o meu peito e afasta de vez, as minhas lamentações. Afinal, não há lágrimas que o homenageie melhor que o meu sorriso; por isso, nesse dia dos pais, eu quero expressar através desses escritos, que te amo muito, meu pai, você sempre foi, é e será, como dizia a canção: “meu pai, meu herói e meu amigo”.

sábado, agosto 09, 2008

A CONFISSÃO E O PESO DOS SEGREDOS NAS COSTAS

Qual o peso dos teus segredos? Ate onde vale a pena, carregar palavras pesadas, experiências entaladas e mentiras veladas? Para quê levar tudo isso nas costas?

Confessar-se é mais que revelar-se ao padre, é mais que jurar pela justiça, é mais do que só falar a verdade. Se confessar é tornar-se leve, quase flutuar flertando com a sinceridade, quase voar. Quanto mais livre você fica do peso das mentiras, dos segredos que exigem sua saúde, seu juízo, mas leve você fica para o seu vôo noturno e seu caminhar diário.

Encontre um par de ouvido para ser o seu confessionário. Um amigo, um terapeuta, o ser amado, o ser querido. Acredite, você não precisa mais guardar esse fardo. Deixe esse mundo cair das suas costas. Jogue logo isso fora, limpe a sujeira do seu reinado. Liberte-se!!!


Imagem: http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/03/o-mundo-nas-costas.html

sexta-feira, agosto 08, 2008

O BOIADEIRO E O VEGETARIANO

Encontrei o Zé da Vaca, quando voava pelo Mato Grosso. Quanto o assunto é viajar, ele me disse que preferia o lombo do cavalo, mas para certos trabalhos, precisava voar.

Conversa vai, conversa vem e abusei da sua confiança: perguntei como ele se sentia, ao guiar todo aquele gado, em direção ao matadouro.

Ele se ofendeu e respondeu:

- Olha, moço, você pode ser vegetariano, corintiano ou até um famoso, mas não tente me fazer sentir culpado pelo trabalho que faço com orgulho. Guiar vacas para as fazendas, é a minha profissão. Tenho orgulho de ser boiadeiro e sou muito feliz com o que eu faço. Respeitar o próximo, moço, começa respeitando o que cada um põe no prato.

quinta-feira, agosto 07, 2008

O DIA EM QUE DESCOBRI QUE ERA NEGRO

Há experiências inesquecíveis na vida: o primeiro beijo, o dia em que finalmente conseguimos andar de bicicleta, as chaves do primeiro carro, o nascimento dos filhos e entre outras experiências, a primeira vez que você sente na pele, o ferro em brasa do racismo.

Eu tinha onze anos, quando fui morar na casa da minha vó na Paraíba. Éramos de Brasília, retirantes surreais do sul para o norte, migrantes sem opção: meu pai morreu e minha mãe, voltou para o ninho, carregando quatro passarinhos. Tristeza na separação, distância e lágrimas, e todo o apelo de um drama holliwoodiano, se não fosse pela eterna graça de ser criança. Diferente do adulto que reclama e maldiz; a criança se transforma, brinca com a mudança e segue em frente em busca de um happy end.

Foi nessa época que descobri a minha cor. A novidade não foi contata pelo meu pai negro ou por minha mãe branca, e sim por meio da voz cruel dos meninos na Paraíba. Aconteceu nessas brincadeiras maldosas de escola, onde se ganha, contra a vontade, apelidos que ficarão conosco o resto da vida.

Eu era chamado, desde muito criança, de “neguinho” por meus pais, parentes e amigos, mas até então, nunca tinha associado o apelido à minha cor de pele, nem me achava diferente dos outros garotos, mas naquela manhã, nos portões da escola, eu iria ganhar um apelido humilhante: Macaco Paulista.

- Macaco! – gritava um dos meninos loirinhos, “galeguinhos”, como se diz no nordeste, um menino bem branquinho, rindo com os outros garotos, que em coro, transformaram o xingamento em hino: “Macaco Paulista! Macaco Paulista!”.

Eu não era diferente só por causa da minha cor; havia também o meu sotaque brasiliense ( uma mistura de carioquês, mineirês e goiaês), no jeito em que eu puxava o “R”, o “S” e teimava em dizer “tchí”, ao invés “ti” quando pronunciava o “T”. No mundo das crianças, elas são capazes, assim com adultos, de fazer grandes maravilhas e outras nem tanto. Ser diferente, não ser da cidade; fez com que os moleques me perseguissem e para eles, todas as pessoas que vinham do sul, só poderiam vim de São Paulo.

- Viu como esses moleques são burros – disse minha mãe, tentando me acalmar, quando cheguei em casa, chorando – Nem sabem geografia. Além disso, preconceito começa com P de pobreza mental e termina com O de otários. - O choro deu lugar a uma breve risada, minha mãe tinha esse dom, de transformar minhas lágrimas em sorrisos.

- Mãe, porque a senhora é branca e eu sou preto? – perguntei.

- Porque Deus criou a mistura de raças e não existe coisa mais linda nesse mundo que gente morena, como você, como boa parte da gente desse país. – explicou – Por essa razão, tenha orgulho da sua pele, de ser negro e branco ao mesmo tempo; afinal, você é mais do que a sua pele, você é o meu neguinho.

Coisa maravilhosa é ter uma mãe para juntar os seus cacos, quando alguém os quebra, durante a infância. Ri bastante com as suas explicações, aprendi sobre miscigenação; e segui a minha vida. Na escola, não dei mais atenção aos meninos e as suas brincadeiras; e aprendi uma das lições mais importantes de ser criança: apelido só pega, quando damos bola para ele. Não joguei a partida do preconceito e ganhei o jogo.

quarta-feira, agosto 06, 2008

EDUCADORA E EDUCANDA

Ursulina trabalha no centro de DST na região central de São Paulo. Todos os dias, ela recebe em sua sala, pessoas famintas por boas noticias, com seus exames embaixo dos braços. É ela, quem abre os envelopes, e fala sobre os resultados, nem sempre pode oferecer boas novas.

A AIDS e outras tantas doenças sexualmente transmissíveis ainda são dragões para muita gente, que mesmo com tanta informação, não conseguem prevenir ou evitar. Não importa se é mendigo ou executivo; há sempre alguém fazendo sexo sem proteção, se tornando uma vitima do prazer.

- O sexo é maravilhoso – diz Ursulina – Não entendo por que tanta gente o transforma em bicho-papão. Contudo, não cabe a mim, julgar ninguém. Tudo que alguém que acabou de descobrir que é soropositivo menos precisa é ouvir lição de moral.

Porém, Ursulina, é algo a mais que uma mensageira: além de entregar sorrisos e tragédias, ela acredita que cada conversa com quem está a sua frente é uma oportunidade de aprendizado para ambas as partes.

- Conversar é olhar nos olhos – explica ela – Não sou uma entregadora de resultados; sou uma educadora e uma educanda. Ninguém é o mesmo, depois que entra e sai dessa sala, nem eles, nem eu.

terça-feira, agosto 05, 2008

A TERRA SUSPENSA

Quando penso em ti, Terra, suspensa no nada, confesso que sinto um medo. Do que será feito essa corda que está a te segurar? E se essa corda se romper, Terra, cairá você? Cairá eu? Vai que cai todo mundo, até o João que diz que você não cai não; mas se cai até balão que foi feito para ficar no ar, como posso ficar seguro, Terra, que você vai ficar ai quietinha, girando, se segurando no nada, rodando na imensidão, sem parar? São nesses momentos que lembro da mãe.

Sim, toda vez que penso em você, aí sozinha, penso também nesse universo em constante expansão e fico tentando imaginar o tamanho do poder que criou essa explosão e só há uma conclusão: dedo de mãe.

Por a mente humana não passar de uma casca de feijão, no meio de toda essa vastidão. Por precisarmos dar nome aquilo que não pode ser nomeado, penso em você, Terra, e desconfio que você só possa ter sido criada, junto com as estrelas e o universo por uma mãe divina.

Chamo essa força de mãe, porque quando minha mãe me abraça, sinto assim um Big Bang de corações; e se a minha mãe é pequenininha e tem tanto amor por mim, imagina a mãe de todas as criaturas abraçando todas as suas criações em milhões de Big Bangs?

Coração materno é maior que mil corações, por isso acalmo o meu medo, Terra, pois se aqui na terra, sou seguro pela minha mãezinha; se há alguém te segurando, enquanto você segue girando em órbita, só pode ser essa mãe divina, mãe de todas as mães, mãe de todo os mundos

segunda-feira, agosto 04, 2008

DONA RITA E O SEGREDO DO BOLO

- Quanto custa o pedaço do bolo? – pergunto.

- Um real! – responde Dona Rita.

- Tem bolo do quê?

- Chocolate, banana...

- Tenho apenas um real trocado. A senhora pode me dar metade de cada um. Queria tanto provar os dois.

- Ai, moço! – reclamou – O senhor não está sendo justo comigo. Se eu vender duas metades, saio no prejuízo. Quem é que vai querer pagar apenas por uma metade de um bolo?

- Banana! Quero então, o pedaço do bolo de banana.

Dona Rita tem uma barraca de café e bolo, em frente ao Hospital das Clinicas, ao lado da entrada do metrô. Pelas dobras do rosto e cabelos brancos; eu diria que ela passou dos sessenta; por sua experiência e sapiência, que passou dos duzentos. Exagero? Que nada! Ouvir a Dona Rita é uma experiência única: ela fala muito, e cativa mais ainda.

Todos os dias, ela sai do Embu para as Clinicas. Por vezes, o neto a ajuda, outras vezes, é ela quem carrega o seu carrinho de bolo e café, ladeira acima. Todos parecem conhecê-la e param por lá, para comer bolo e ouvir os seus conselhos.

- Dona Rita, eu vivo doente! – reclama uma mulher, rosto magro, corpo mais fino ainda, pedindo um pedaço de bolo de mandioca. - Parece que vivo mais nesse hospital que em casa.

- Mulher, pare com essa ladainha – dá uma bronca, Dona Rita - Enquanto você achar que está doente, nunca vai sarar.

- A senhora fala isso, porque tem saúde de sobra – protesta a mulher.

- E eu lá tenho tempo de ficar doente. – diz Dona Rita – Tenho uma família para sustentar, e quando você tem Deus no coração e na mente, você tem a fonte. Tem dias que dá um cansaço, uma vontade de ficar dormindo, de dar bola para a preguiça, que é outro nome para o diabo; mas eu levanto e crio coragem para mais um dia, afinal, tenho aqui dentro, um Deus que cura tudo.

- Queria ter essa fé da senhora! – fala a mulher.

- Não precisa ter a minha, acha a sua – ri a Dona Rita, com as suas próprias palavras – Todas as doenças matam e você não veio para ficar pra sempre nesse mundo, não é? Basta nascer para morrer, mulher, essa é a realidade da vida, mas se você quiser minha opinião, eu vou te dar: cria coragem, força e repita pra si mesma: “eu sou forte e venço até a morte!”. E você vai ver o quanto você já é vitoriosa.

- Dona Rita, é esse vicio maldito que mata – justifica a mulher- E eu não consigo largar.
- Para com isso, mulher, força! Basta nascer, para se viciar em algo, mas com um pouquinho de vontade a gente larga. É a natureza humana, já crescer viciado em peito para mamar, e a natureza é sábia. Eu sei que sair do vicio é difícil, mas se você já aprendeu um dia, a largar o peito, a chupeta, a mamadeira, largar o cigarro e a bebida é só mais um passo. Seja determinada e cresça!

- A senhora é tão sábia – elogia a mulher – Espero um dia chegar a sua idade, assim tão sábia.

- Chegar nessa idade é fácil – diz Dona Rita – Difícil é ter lucidez para fazer a opção certa, e sabe qual foi a opção mais sábia da minha vida?

- Não!

- Trabalhar!

Essa é a Dona Rita, a rainha do fala tudo, das frases feitas, da experiência que vira provérbio, mandamento e assunto de crônica. Comi apenas um pedaço do bolo dos dois sabores que desejava, mas mesmo que Dona Rita tenha me ensinado que não podemos ter tudo, sai de lá com algo a mais que a barriga cheia de bolo; aprendi com ela, muito mais sobre a vida.

domingo, agosto 03, 2008

BORBOLETAS, CHUVA E OUTRAS TANTAS EM UMA TARDE EM SAMPA

CHOVE EM SAMPA

Volta a chover em Sampa, foram quase 45 dias sem um pingo d'água do céu, e a gente aqui seco na terra.

A natureza tem das suas coisas, e sábia, sabe quando chover, sabe quando fazer parar. Estranho é tanta gente sabendo que precisamos da chuva e quando finalmente ela cai, essa mesma gente reclama: "que coisa mais danosa, essa chuva cair bem no meu caminho", elas reclamam, enquanto a chuva, graças aos céus, não liga e continua caindo, limpando, lavando, levando essas lágrimas divinas que caem sob a cabeça dos homens, dos prédios, da casa, mas caem principalmente em seus corações.


EFEITO BORBOLETA

Caminho pelo conjunto nacional e acabei de me dar um dos mais belos presentes: um livro de Rubem Alves. Perguntaram-me se acredito em Deus... é um dos livros mais bonitos de se ler, que eu já deitei meus olhos um dia.

Em uma das passagens, Rubem diz:

"Todos foram para as suas casas e sonharam que as estrelas eram borboletas nas pétalas das violetas do grande jardim do universo...". Termino de ler a página 27 e suspirando, depois de um banho de tanta palavra bonita, olho para a parede do Conjunto Nacional e vejo escrito:

“ O bater de asas de uma borboleta, em nosso hemisfério, pode desencadear, uma tempestade do outro lado do mundo.” “Ou o mínimo pode fazer a diferença”

Respiro fundo e sigo com o livro na mão, batendo asas, e oro baixinho:

" Oh Deus, permita que eu continue acordado, mesmo quando eu estiver dormindo. Permita que eu continue aprendendo e sorrindo. Pois esse mundo é realmente bonito demais, quero seguir descobrindo".

Lembro do curso de Tarot de um amigo, em que ele falou, sobre uma das cartas, que não lembro qual era, mas a frase não saiu da minha cabeça:

“ Oh Deus, permita que eu esteja acordado, no momento da minha morte!”


MY SYSTER E A DESCOBERTA DELA

Chego em casa, sinto saudade da minha irmã. Gostaria de ir vê-la, mas há tanta coisa que preciso fazer em casa. Daí, decido: tudo o que preciso fazer, pode esperar...vou ver a minha irmãzinha, que esses dias compartilhou comigo, um presente também, dos mais bonitos, um poema:

A ÁRVORE NÃO DANÇOU E O BEIJA-FLOR NÃO SE MOSTROU

Por Cristina

Numa noite fria, mas com céu estrelado e os corações cheios de poesias. Fui levada por dois seres iluminados à celebração da vida!

A ansiedade era enorme, ao me deparar com uma árvore iluminada com um verde penetrante, descobri que esta mesma árvore bailava e que nessas noites o beija-flor também se mostrava. Daí por diante a ansiedade só aumentava!

Um dos seres me disse: - Foque na Luz e ilumine-se!

O outro disse: - Não tenha medo, não saia sem experimentar, insista que a luz virá!

Envolta por uma ansiedade alucinante e um sono penetrante, pedí:Deixem-me vivênciar, eu também quero participar! O sono se foi e os olhos não conseguiam sequer piscar.
Mas então,por que não via a árvore bailar?

Foi quando a árvore me disse: "Precisa me ver bailar, para em mim acreditar e respeitar? Hoje não me verá dançar,pois é em você que tem que acreditar, é a sua experiência que você deve vivênciar, mas não se esqueça que a Natureza deve sempre respeitar!"

A noite seguiu e a experiência única da celebração mágica e esplendorosa, viví como ninguém nunca viu! Entreguei-me à vida, à dança, à noite, à floresta. Tudo era lindo, e o frio que hora ou outra se fazia presente, já não incomodava,e quando percebi, em volta da fogueira já estava e sem perceber,com tanta destreza também bailava!!!

Foi quando ao cantar para o Beija-flor, a ansiedade à mim voltou e lembrei-me que também queria vê-lo, assim como ao arco-íris e as flores à brotar diante dos meus olhos. Foi quando dei-me conta de uma vez por todas que não era essa a minha experiência, não era disso que eu precisava e não era isso que fui buscar!

E mesmo achando que a noite foi maravilhosa,fiquei com a sensação que algo estava à faltar, mas não era a falta de ver e sim de sentir.

Mais tarde descobri que uma Deusa ficou sem bailar e desde então, não parei mais de dançar!!!!!!

Cristina
São Caetano do Sul 31/07/08 - 08:05
Beijossss para você e minha linda Aurizinha!!!

A DEUSA NUT E A ENCRUZILHADA

O escritor fazia um despacho á meia-noite numa encruzilhada, mas ao invés de pinga, vela e comida, ele oferecia suas mãos, sua escrita, ao divino, que também estava presente na escuridão da noite calada.

Não havia Exu, Orixá, Santo ou Shiva, só havia um trabalhador da luz, brilhando nas trevas. Doando amor, oferecendo chacra em flor, pétala por pétala se abrindo, para beneficiar a sintonia da madrugada.

Os quatro ventos o saudaram e a noite se manifestou na forma da Deusa egípcia Nut: a mãe de todos os deuses, que era também o próprio céu, a proteção da madrugada, cobrindo o mundo com o seu manto de estrelas, enquanto todos dormiam. E foi Nut que lhe embalando com o véu da noite, levou-o de volta ao seu leito, e sussurrou em seu ouvido:

“ Aceito a sua oferenda, mas que seu coração nunca pese mais do que a sua pena. Escrever é uma oferenda, por isso, caro escriba, discernimento com as letras.”

sábado, agosto 02, 2008

SILÊNCIO

Essa semana tentei trabalhar com o silêncio, mas tudo o que consegui foi gritar, fazer um dos barulhos mais terríveis que já produzi, com isso, feri ouvidos, abalei amigos por não saber respeitar que a melhor solução para certas situações é mesmo o silêncio.

Descobri com isso que é muito difícil calar a mente, silenciar o ego gritante que tenta a todo momento ser ouvido. Percebi que o silêncio é uma força bem mais forte que o som e por não ser verbalizado, produz um efeito muito melhor que mil discursos, que milhares de parábolas ou defesas desenfreadas, onde se cospe palavras e acabamos não falando nada.

Enquanto o som corre o risco de ser mal interpretado ou ser equivocadamente ouvido; o silêncio faz pensar, cultiva a dúvida, flui em correntes de reflexão, cai feito a mais fina chuva, e acalma a necessidade de uma resposta imediata a uma provocação.

O silêncio é a melhor resposta para certas perguntas e a melhor explicação para as grandes questões da vida: de onde viemos, quem somos e para onde vamos, só podem ser explicadas com o silêncio.

Sábio é o homem que escuta e só fala, como diz o escritor Rubens Alves, quando o silêncio pode ser substituído por algo maior e melhor.

O DIA EM QUE UM PAR DE BUNDAS ME ROUBOU UM TEXTO

Estava eu, em minhas letras imerso, sentindo que uma crônica estava para nascer; quando vi pelas escadas descer, uma morena vestindo um par de bundas, que me roubou a concentração.

Não me julguem pervertido ou tarado; juro que não ando por aí, caçando bundas e peitos ( sou na verdade, muito bem assessorado), mais vivendo num país de mulheres tão bonitas, fica difícil resistir ao olhar, e confesso, toda a minha atenção foi direcionada ao caminhar daquela morena de traseiro tão esbelto, firme e encantador.

Bunda, talvez não exista outro nome na língua portuguesa que nos fascine tanto. Nem chega a ser um palavrão. A gente usa a palavra com a naturalidade de quem fala tapioca, beijoca e cafuné. Fiz uma pesquisa rápida pelo "Yahoo respostas" e descobri que a palavra Bunda pode ter a origem associada a danças africanas. Outras fontes dizem que a palavra veio da língua quimbundo (kimbundu), da palavra bunda (mbunda, tubundas, elebunda?), em Angola, local onde viviam os bantos, raça negra sul-africana à qual pertenciam, entre outros, os negros escravos vindos para o Brasil. A origem pode também ter sido das ilhas de Cabo Verde de acordo com o escritor Mario Prata, que afirma categoriamente que "não existem bumbuns como os nossos, ou melhor, como as nossas. A bunda é um produto interno e bruto tipicamente brasileiro".

A desciclopédia esculacha tudo quando tenta de propósito descrever essa maravilha da natureza: " a Bunda é uma importante parte do corpo humano formada por duas bandas e um cujuntinho chamadas nádegas".

Enfim, devaneios á parte, como aquele personagem surreal e "desequilibrado" vivído pelo ator Selton Mello, no filme "O Cheiro do Ralo"; fiquei fascinado por aquele remelexo sensual; mas antes que eu pudesse dar vazão ao macho que era, e me aproximar, perguntando se ela tinha telefone, e-mail ou cachorro; desviei o meu olhar do seu traseiro de sereia e voltei meus pensamentos a crônica que escrevia; afinal, se minha mulher descobrisse que eu tinha por cinco segundos olhado para uma outra bunda, seria confusão na certa. por isso, conto com a sua descrição, leitor!


Frank

Fontes:
http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/a_bunda.htm)
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071005191034AACr58h
http://desciclo.pedia.ws/wiki/Bunda
Imagem: http://blogmetropolitano.blogspot.com/2007_10_01_archive.html

sexta-feira, agosto 01, 2008

PAFUME

Esses dias encontrei com você, Pafume. Você caiu literalmente sob a minha cabeça, presa numa foto antiga, sorrindo aquele sorriso só para mim e me chamando de “Amoorrrrrr”.

Fiquei imaginando como você deveria estar; se já casou, se vai casar. Quem diria, você já tem mais de trinta, deve ser mãe de família ou uma executiva bem sucedida. Talvez nem lembre desse Paraíba Vagamundo, que tanto te amou. Não te culpo, Pafume, já se foram quase 18 anos, desde o dia em que você me deu o mais belo presente que já recebi: meu primeiro beijo.

Não sei se eu já havia te dito, mas você foi a minha primeira experiência de amar e ser amado em retorno. Talvez seja por isso, que guardo você num lugar especial, bem aqui no peito, e nutro um carinho genuíno que me embala, feito menino, todas as vezes em que suas fotos, seu nome e sua lembrança surgem assim em minha andanças.

QUERO FICAR NO CORPO

Rodrigo me procurou. Precisava de ajuda.

- Você conhece alguma técnica de viagem astral para ficar no corpo?

Confusão total. Depois de oito anos trabalhando e escrevendo sobre experiências fora do corpo na Voadores; nunca tinha imaginado que em meio a centenas de e-mails de pessoas pedindo dicas para sair do corpo, alguém poderia pedir para ficar.

- Você poderia explicar melhor – pedi – Como assim, “ficar no corpo”?

- Sim – respondeu ele – Eu tenho desdobramentos todas às noites e às vezes, basta um cochilo no meio do dia, para minha alma escapar. – Rodrigo é espírita, pai de dois filhos e trabalha como gerente financeiro de um banco famoso brasileiro. Enviou-me um e-mail em particular, semana passada, com esse pedido que me deixou pensativo por alguns dias. Pedi que ele me ligasse e conversamos bastante. Ele me contou que vem pesquisando o assunto mais a fundo já faz algum tempo, mas boa parte dos sites, revistas, livros ensinam a sair e não a ficar – Quero viver mais aqui e não tanto por lá. Sei que preciso aterrar, mas não quero simplesmente me empanturrar de chocolate, comida pesada ou qualquer outra coisa para não cair fora; tudo o que preciso é me equilibrar.

O que poderia dizer para ele? Eu disse que ia pesquisar, afinal, o que poderia ensinar, se eu nunca tinha ao menos parado para pensar no assunto sobre esse ângulo, e equilíbrio é algo que eu ainda tento encontrar.

Foi por meio dessa conversa com o Rodrigo, que me dei conta que equilíbrio é moeda valiosa tanto para quem quer sair, quanto para quem quer ficar.


Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com/
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