segunda-feira, setembro 30, 2013

Qual o Segredo da Secretária?

Além do sorriso, da voz suave e do jeito delicado, esconde-se um segredo tão bem guardado, que não há sete chaves que revele de onde vem essa energia em fazer tanta coisa na correria, e ainda manter a calma, a alegria, o profissionalismo e a graça. Como eu gostaria de saber o que se passa na alma das Secretárias.

Se eu soubesse o segredo, ao menos, eu daria à elas, o que é de direito: respeito! Pois elas não são assistentes, nem auxiliares; serviços administrativos não são nem um terço da metade das coisas que elas fazem, portanto, se eu soubesse descrever a importância das suas atividades, ao menos, eu teria argumento, base, para enviar aos quatro cantos com a ajuda do vento, essa mensagem: cuidem de suas Secretárias. Elas são vitais para os seus negócios. Sem elas, o escritório é água parada.

Uma empresa moderna e com uma visão de sucesso é a empresa que reconhece a importância das suas Secretárias nesse processo; que percebe que elas não são pagas apenas para servir café, atender telefonema ou fazer pauta; a Secretária é aquela profissional que o executivo, o CEO ou o presidente sabe, nesse momento, esta cuidando do alicerce da empresa, desde a agenda da semana até o material da mesa; alguém que tem consciência plena da sua importância para uma organização; que a sua função é uma ferramenta fudamental para as tomadas de decisão que uma empresa precisa tomar; alguém cuja organização distrava nós, desmancha barreiras, limpa o caminho para que todos os funcionários possam cumprir a missão e os objetivos que foram propostos e serão cobrados.

Embora as atividades e a função possam variar de empresa à empresa, nunca soube de uma compania que alcançou o sucesso que pretendia, sem a colaboração de uma Secretária.

E se ninguém fala sobre isso, nem escreve, se deve ao tal segredo da Secretária, que além de ser a profissional-faz-tudo, ainda consegue, em meio a tantos rostos e vozes, ser eficente, mas sempre discreta.

sexta-feira, setembro 27, 2013

A VERDADE SOBRE O CASAMENTO

Perguntaram hoje para mim, no horário do almoço, como consegui ficar tanto tempo casado. É uma pergunta bem comum nas rodas de amigos, quando conto que estou casado a quase oito anos. Estranho como essa pergunta vem acompanhada de um certo preconceito ou mesmo indignação, afinal, como eu ouso estar a tanto tempo casado, num mundo de casamentos relâmpagos e divórcios trovões. Sempre respondo com bom humor, dizendo que o meu casamento é eterno porque não vai durar pra sempre. Eles se assustam, mas é difícil mesmo explicar que casamento não tem obrigação de durar... 

Um casamento não é feito de sociedade, de papel passado ou de alianças. Um casamento não é feito de promessas hipócritas de fidelidade eterna ou de lealdade prisão. Um casamento não é uma fuga da casa dos pais ou da casa do medo de passar a vida inteira sozinho. Um casamento não é uma união fútil em nome da religião, do “bucho” não esperado ou do interesse. Quem é casado de verdade, não precisa de anel, seus corações fazem a ponte para o sempre, ligando-os em nome da manifestação do amor.
 

Casamento é uma parceria, um contrato espiritual entre duas pessoas, que independe de sexo, raça, crença e aparência. Contrato espiritual, pois o laço que une um casal não pode ser descrito por idioma algum, só expresso pela linguagem dos corpos, pela expressão no olhar, pela comunicação entre ouvidos quando se troca sussurros de amor. Contrato que nenhum padre, pastor ou guru possa sacramentar, pois o amor por si só é sagrado, dado incondicionalmente no encontro do olhar, na amizade profunda que não mais satisfeita em abraçar, quer estar dentro, fora, num eterno se encontrar e compartilhar.

Qual o segredo para que um casamento dure mais que um dia, um mês, um ano? Não há segredos, pois pessoas casadas de verdade estão tatuadas de liberdade. São almas livres que sabem que nada dura para sempre e ainda, cada segundo ao lado um do outro é eterno; pois se vive o presente, sem perder tempo com amanhã. Liberdade nascida do respeito, da amizade e da consideração que ambos carregam e permeiam na sua união. Liberdade de compreender que os dois possuem visto para o país do “Voltar a Ficar Sozinho”, se for esse o destino que um deles optar. Liberdade para compreender que se é tempo de partir, pior seria ficar por pena, lealdade ou em nome da história do casal.
 

O casamento não é perfeito, pois nada nesse mundo está livre da “dualidade”. Há momentos bons e outros momentos não tão bons assim. Há arranca rabo, há brigas infantis em que se fica de mal e de bem no cair de um amanhecer. Há quebra pratos, arranha Cds e há também greve de carinho, de sexo e de sorriso; mas o casal sabe que embora isso ocorra vez ou outra, estar junto é bom demais para brigar ou para se viciar em jogos de gato e rato. Desentendimento ocorre, desrespeito é intolerável.
 

Casamento não permite possessão, ciúme doentio, nem tampouco libertinagem, pois liberdade exige respeito, consideração pelo parceiro (a), e acima de tudo, respeito por si próprio, pois somente dando o devido valor a si mesmo, conseguimos valorizar algo tão precioso como a união entre duas pessoas.
 

Casamento deriva da palavra casa e isso nada tem a ver com teto, tijolo e garagem. Quando encontramos alguém que valha a pena dividir a nossa casa ( corpo, mente e espírito) encontramos um lar; lar que carregamos conosco onde quer que formos.

Por fim, esses casamentos (e são raros) sustentam-se por tanto tempo, pois há uma preocupação constante em renovar-se; em surpreender quem acha que já viu e sabe todos os truques; em arrumar-se; embelezar-se, pois cada dia ao lado de quem se ama é uma festa, uma celebração em que precisamos vestir a melhor roupa, arrumar a casa e não se esquecer nunca de reconquistar e namorar...

quinta-feira, setembro 26, 2013

COMEÇO, MEIO E FIM…


Ele se parecia comigo, uma versão mais velha e sábia. Alguém que eu poderia vir a ser, por isso o mundo arranjou aquele encontro. Ele tinha uma história para contar e eu, uma lição para ouvir.

- Perdi a mulher que amava para a vida, mas essa é uma história de amor com final feliz. – disse ele, tomando seu café.

- Como pode ser uma história com final feliz se vocês não estão mais juntos? – Perguntei.

- Por ter conseguido aceitar que ela precisava ir...
 

Quando ela foi embora, alguma coisa quebrou dentro de mim – poderia dizer que foi o meu coração – mas descobri que o que quebrou foi um jarro de vidro repleto de apego. Sim, o apego é um jarro que vai se enchendo à medida que nos apaixonamos.
 

Quanto mais apaixonados estamos, mais cheio fica o jarro e a cada briga, cada ameaça de separação, o corpo aciona o alarme, mandando os nervos carregarem a mensagem: perigo!
 

Perigo porque quando o jarro se quebra, estilhaços de apego envenenam o sangue da razão, deixando o castelo aberto para a invasão do exército das emoções que aterrorizam o pobre apaixonado com ameaças de solidão.
 

Acontece que a solidão só assusta quem tem medo de ficar sozinho. Oxalá, todos vivessem bem sozinho, assim na ocasião de uma separação, não haveria tanta amargura, tanta briga, tanto apego e sim apenas um bye bye, so long, well well. Não haveria um buraco tão profundo e escuro esperando quem foi deixado. Eu nunca soube viver sozinho e paguei o preço.

Quando ela disse adeus, caí nesse buraco e percebi que perdi o controle das lágrimas. Tomei um banho de choro e essa chuva não lavou minha alma, porque era água do jarro que quebrara e quem chora por apego, chora por si mesmo e não pela pessoa amada.
 

O amor deixa ir, o apego exige ficar.
 
O amor é oculto, o apego é presente.
O amor não espera retorno, o apego é carente.
O amor é ouvir, o apego é falar.
O amor é respirar, o apego é sufocar.
O amor é atemporal, o apego faz aniversário.
O amor deixa ser, o apego é estar.
O amor é aprender, o apego é só querer ensinar.

Foi isso que aprendi, pois quando ela me deixou, liberou a força do meu amor que estava sufocado no peito, tentando respirar. Esse amor agora exige que eu continue a viver, vivem bem comigo mesmo. Esse amor é o amor por si próprio que todos deveriam sentir. Coisa que nunca fiz, mas já está na hora de aprender e começar. Por isso te disse que essa história tem final feliz. Quem não aprende a viver sozinho, passa toda a vida apegado a idéia de ter alguém para nunca estar só.

quarta-feira, setembro 25, 2013

Feijão com Arroz


Ela não me viu partir. Deixei sinais, pistas propositadas, como um criminoso que deseja ser pego, deixei as minhas digitais emocionais em seu corpo; nos abraços eternos, nos olhares de adeus, mas ela não percebeu, até quando era tarde demais.

Tarde demais é quando o amor respira pela ultima vez; é quando o relacionamento acaba de morrer; é quando chegamos a um ponto de não retorno; é quando o que foi, não tornará a ser.

O amor desse ponto em diante vira uma lembrança, um prato favorito que se tornou feijão com arroz. A solidão já não assusta, pois percebemos que já estávamos sozinhos, mesmo acompanhados.

Então cai a máscara, as cortinas se abrem e percebemos que o show vai continuar. O amor que parecia só ocorrer uma vez na vida revela sua múltipla face e percebemos aliviados: voltaremos a amar.

Ela não me viu partir, mas não a perdi, ela que me perdeu.


Seus olhos ainda brilham no meu coração, mas não mais como um sol único no meu céu e sim como estrela distante numa imensidão com outras tantas.

terça-feira, setembro 24, 2013

CAIÇARA

Olhando de cima, Trindade possui as curvas do meu amor. Suas praias claras lembram a sua pele; suas montanhas verdes lembram o seu coração esmeralda de bondade infinita; as rochas lembram a sua força e chegar até Trindade lembra o esforço que tive para encontrá-la, pois parecia que jamais a encontraria. Foram muitas subidas e descidas nessas voltas da vida até encontrar seus olhos cintilantes no escuro da noite da solidão e seu toque foi como as águas do mar de Trindade batendo contra a rocha do meu peito, quebrando todas as muralhas e abrindo uma trilha que a levou direto ao meu coração.

Por vezes, estar ao seu lado é como flutuar nas águas do Cachadaço; outras vezes é como o mar bravio da Praia do Meio. Que Deus me livre e perdoe, se eu estiver exagerando, mas embora haja milhares de praias no mundo, assim como Trindade, meu amor é único e especial.

Raul estava errado quando dizia que todas as maçãs são iguais; pois estar com meu amor é deixar-se cativar; assim como a Trindade dos viajantes mais atentos, que se deixam encantar.

Faz 10 anos que a conheci, assim como faz 10 anos que coloquei meus pés nas praias de Trindade pela primeira vez, e mesmo que amanhã eu venha a banhar-me em outras águas, nunca esquecerei essa terra desse povo caiçara valente e dedicado; assim como não esquecerei meu amor, essa caiçara do céu cintilante, que a cada ano sempre surge com algo novo para me enfeitiçar e ensinar.

segunda-feira, setembro 23, 2013

Professar


Quando o sábado chegou, no lugar das nuvens, o céu estava repleto de traços e linhas. Era claro! O Grande Artista estava pintando o mundo, quando foi surpreendido pelo dia.

Olhando para o céu, estava Odlavir, que poderia estar dormindo, mas feito passarinho, saiu bem cedo do seu ninho. Ninguém gosta de trabalhar no fim-de-semana, mas naquela manhã fria, ele não desejava estar em qualquer outro lugar, além do banco daquele ônibus que rumava para Osasco. A aula começava às 8h e ele tinha aulas para dar.

Não há nada melhor no mundo que fazer o que se gosta. Alguns pintam o mundo, outros ensinam. Ser professor pode não pagar as contas, mas quem dá aulas não quer fazer outra coisa.

Assim como ninguém presta atenção aos pincéis do Grande Artista recriando o mundo todos os dias, ser professor é trabalhar nos bastidores para o desenvolvimento das pessoas. Às vezes, eles são surpreendidos pelas contas; outras vezes pelos alunos preguiçosos demais para pensar; mas quando percebem que plantaram uma sementinha de discernimento na mente entorpecida; ou que o gosto pelo pensar está prestes a germinar, eles se dão conta do quanto o seu trabalho é importante e, seja em qualquer dia, ou em qualquer lugar; eles não desistem do que devem e fazem por prazer, afinal quem ensina segue adiante coma sua sina: há todo um mundo para ajudar a despertar e não há hora alguma para reclamar.


Maio de 2008

sexta-feira, setembro 20, 2013

SILÊNCIO!

(Escritos inspirados em palestras do Lázaro Freire www.voadores.com.br/lazaro)

“Quando dormimos, há atividade cerebral durante todo o tempo, portanto, não estamos totalmente inconscientes. Quando estamos acordados, sonhamos o tempo todo” – ele explica – “ O problema é que a mente “lúcida” faz tanto barulho, que não conseguimos lembrar disso”.

Daí a importância da meditação, ele insinua novamente, enquanto fala dos benefícios dessa prática milenar:

“ Silêncio!

Desliga a TV, escuta uma música calma

Leia um bom livro, mesmo deitado

Cala a mente, escuta a alma

Pratique perceber que acordado

Você pode ver que está sonhando dormindo.

Pare o barulho, observe os pensamentos

São ondas passando

Beta, Alfa, meditação não é ausência

Só controle, Delta, Teta, deixar passar, deixar ir. Só observar

Relaxar, acordar e perceber que você está sonhando dormindo.

Estamos sonhando o tempo todo

Observe os padrões se repetindo

Perceba o onirismo, estude os símbolos

Mas o faça baixinho

Silêncio – tudo é sincronia

A linguagem dos sonhos é arquétipo

Não existe coincidência – acalme o pessoal e observe o coletivo

O inconsciente está falando o tempo todo contigo!”


A lição foi absorvida, Professor, obrigado! Agora, só falta virar sabedoria.


quinta-feira, setembro 19, 2013

De Ameba e Anjos


A ameba é feliz, mas não sabe disso. Do que vale ser feliz e não ter consciência disso? Evoluímos de uma ameba, mas algumas pessoas ainda pensam como amebas. Como ensinar pensadores-de-ameba a se darem conta que eles podem pensar além-ameba. Não podemos ensinar. A vida ensina.

Quando a vida ensina um pensador-de-ameba a pensar humanamente razoável, o atrito é grande e como eles não são de barro, eles choram e agridem e reagem e começa, pouco a pouco, uma certa engrenagem dentro do cérebro desse pensador-de-ameba, onde pontes são erguidas e conexões feitas e o amembense começa a se desamembializar, podendo dentro em breve, chegar naquele momento " Aha!" em que o insight acontece e se fala:

 " Eureka! Posso, enfim, parar de fazer merda!!!!" 


É o fim da ameba e o começo do anjo. 

segunda-feira, setembro 16, 2013

Dormindo ou Acordado?

(Escritos inspirados em palestras do Lázaro Freire www.voadores.com.br/lazaro)

Passamos 30% da vida dormindo e 25% desse tempo, sonhando. Será que estamos mesmo acordados?”.

Claro que estamos acordados!

Claro?

Tarde demais, o professor lançou a dúvida e começamos a nos questionar: será?

“ Estamos dormindo acordados

Ou acordados dormindo?

Estamos acordados porque houve continuidade

Dos eventos do dia

Ou estamos dormindo porque os eventos do dia

Não continuaram?”

“Não estamos dormindo porque temos uma forte sensação de estarmos acordados”- muitos respondem - mas não temos essa mesma forte sensação de realidade e que estamos acordados quando sonhamos?

“ A realidade para quando estamos dormindo

Ou continua mesmo durante o sonho, mesmo quando não estamos acordados?

E quando estamos acordado, que garantia temos que não estamos na verdade, sonhando dormindo?”

Koans à parte, quem veio para o curso, buscando respostas fáceis, se enche de perguntas. Ouve, escreve, prossegue, mas se pergunta: “Será que há um moral da história por trás dessa confusão toda de estar acordado ou dormindo?”


“Sonho ou realidade, faça o melhor com tudo isso!” – o professor não diz isso, mas é a conclusão que ele insinua.



sexta-feira, setembro 13, 2013

TEMPO

(Escritos inspirados em palestras do Lázaro Freire www.voadores.com.br/lazaro)



Coisa difícil é ensinar sobre algo que só faz sentido quando é bem vivido, mas o professor ensina, verbalizando idéias que para muita gente, nem pensamento se formaria. Ele fala da mente, do consciente e do inconsciente. Cita Freud, Jung, Wilber e tantos outros, cita até Buda, Jesus ou Krishna, se for preciso, se for necessário, tudo para que a mensagem chegue ao local exato. Se houvesse tempo para explicar melhor, mas não há. Duas horas escorrem pelos ponteiros do relógio, "coincidência", pois é do tempo que ele fala agora, e em perguntas, diz:

“ Por que os dias chatos se arrastam?
Por que os dias bacanas voam?
Por que os sonhos parecem durar forever?
Por que o tempo é tão relativo?
Qual é o segredo por trás do Deja Vu?
Inconsciente ou truque da mente?
Ficou doente ou mais consciente?
Isso também ocorre com tu?”

Todos levantam as mãos e olham para o lado assustados. Não são loucos sozinhos, são loucos acompanhados.

“ O tempo foge das mãos feito água
brincando de esconde-esconde
Toda vez que tentamos capturá-lo
O tempo é esperto e sábio
Quando queremos que dure mais, ele dura menos
Quando queremos que dure menos, ele dura mais.”

Não existe forma melhor de passar uma informação que ensinar com perguntas, suscita a dúvida, faz raciocinar. Ele assim faz, e todos percebem que o tempo assim como a mente e as nossas certezas, é bem relativo.


“A percepção do tempo pode ser relacionada ao grau de nossa consciência”, ele explica e temos a impressão que o tempo corre. Se o tempo pudesse durar mais, se pudéssemos ser como o Yogue, que está realmente acordado, enquanto estamos sonhando; mas ainda estamos dormindo, por mais que juremos que estamos acordados.


quinta-feira, setembro 12, 2013

CRÔNICAS DE ENSINAR


(Escritos inspirados em palestras do Lázaro Freire www.voadores.com.br/lazaro)



Quanto tempo leva para formatar o conhecimento? Quanto tempo leva para materializar a sabedoria?

O conhecimento vira sabedoria, quando sai de dentro e é compartilhado com a maioria. O conhecimento vira sabedoria, quando aprender se torna ensinar e surpreendentemente descobre-se que se aprende ainda mais assim, com o olhar do outro, com o sorriso solto, com o lápis que não para de anotar o que é falado, mostrado e ensinado.

Professar é uma tarefa para poucos. Professar requer carinho, atenção, estudar, reciclar esse mesmo estudo, centenas de livros lidos, milhares de revistas compradas, artigos relidos, muita pesquisa e mais prática ainda. Poucos alunos lembram disso, daí o perigo de um curso gratuito com tanto conteúdo. O que não custa ao bolso, ofusca os olhos, mas um professor de verdade não se preocupa com isso. Ele professa o seu saber, pelo prazer de repassar o que aprendeu; com o carinho de quem ensina um filho a caminhar e sabe que mesmo que esse filho jamais o agradeça por isso, a tarefa maior foi feita e isso por si só, já é a maior recompensa para quem faz da vida, um ato de ensinar.


quarta-feira, setembro 11, 2013

Pepita


O nu é lindo. Não tem coisa mais linda que mulher pelada e toda vez que vejo uma nova capa da Vip ou da Playboy, minha mente divaga e me vejo lembrando de Pepita, a primeira mulher que vi nua na minha vida.

Já havia visto centenas de estrelas globais e atrizes de Hollywood sem roupa nas revistas playboy do meu pai, mas nunca tinha visto uma mulher nua de verdade. Morava no sertão da Paraíba, terra escaldante, chão seco e calor no ar. Chuveiro era coisa de rico, tomávamos banho mesmo de cuia, de bacia que buscava á água do tanque e expulsava o suor, a poeira, a sujeira no vai e vem da água a refrescar.

Pepita era a tia do meu melhor amigo, o Carlos. Ele morava em outro bairro e sempre vinha visitar a vò que era a nossa vizinha. Minha casa tinha um quintal grande e um muro que servia de fronteira entre minha casa e a casa da avó do Carlos. Como a Vó dele não queria mais que ele tivesse amizade comigo (encrencas de vizinhos); inventamos um código secreto, coisa de criança; imitávamos o som de um galo, se o outro cacarejasse de volta do outro lado do muro, era sinal que não havia adultos por perto e podíamos sair para brincar.

Aquela tarde, sabia que Carlos estava pra chegar e fui ao muro chamá-lo, mas não houve resposta para o meu cacarejar. Fiquei ali no quintal um pouco mais, esperando ouvir meu amigo, mas tudo o que comecei a escutar foi a voz de Pepita e o som de alguém tomando banho. Nunca fui de bisbilhotar e sempre foi um menino respeitador, como deve ser todo garoto que acabara de fazer a primeira comunhão, mas Pepita era uma jóia rara e devo confessar que ela se tornara a primeira musa na galeria de corpos que aprendi a apreciar.


Como disse, eu esperava por ele, não tinha a menor idéia que iria encontrá-la, mas a vontade de vê-la era incontrolável. Silenciosamente, coloquei dois tijolos para servir de base para que eu pudesse olhar por cima do muro e cuidadosamente fui erguendo o pescoço como se fosse um avestruz e á medida que o muro ia descendo e meus olhos subindo, vi Pepita a banhar-se.

Alguém consegue descrever a sensação de ver o primeiro eclipse? Do gosto da primeira barra de chocolate ou da primeira vez que se tira um 10 sem estudar? Por mais que eu tente, jamais vou conseguir descrever Pepita e a maneira como ela tomava banho no muro, retirando a bacia cheia de água do tanque e derramando sobre o seu corpo.

Meus olhos curiosos, meus dedos imaginários percorriam seu corpo junto com cada gota que deslizava e refrescava a sua pele, suavizando o calor. Como descrever a maneira como á água descia pelo seu corpo, como riacho por entre seus picos, refletindo os raios do sol que tornava seu monte de Vênus dourado. Meu corpo de garoto parecia querer explodir em combustão; sentia vontade de tocar-me, de saciar aquela vontade, aquele desejo; mas ao mesmo tempo queria ficar parado, concentra-me no “ver mais”, aprendiz de voyeur, na tentativa de prolongar aquele momento para toda a eternidade.


Mas na vida tudo é equilíbrio. Sol e lua, bem e mau. Diante da figura daquele ser celestial, havia a figura endiabrada do meu amigo que surgiu do nada, cacarejando no meu ouvido: Cocoricococó!

Pepita soltou um grito e eu quase cai de onde estava, enquanto o desgraçado não parava de rir. Olhei uma última vez para o lugar onde ela estava e só restava a bacia meio cheia, meio vazia e os raios de sol que procuravam como eu, as curvas e a pele de Pepita.

- Pô tá vendo a minha tia pelada! – dizia em tom de sacanagem e rindo sem parar.

- Cala a boca – ordenei sem sucesso. Havia deixado a porta aberta e como não havia ninguém em casa além de mim, o babaca entrara e me pegara espiando a sua tia.

- Que gosto, meu. Minha Tia é um canhão! – ele dizia ainda caçoando, rindo quase sem fôlego entre uma e outra palavra.

Canhão? Não. Ela era dourada, um peixe dourado em um rio cheio de piabas. Talvez jamais visse Pepita nas capas de revistas ou sendo coroada Miss, mas ela era a minha primeira mulher nua e carregaria sua imagem comigo pelo resto da minha vida.

terça-feira, setembro 10, 2013

Roçar dos Dedos


BY Even

Ela lembrou que era mar no leve tocar de Riobaldo. Recordou que era mulher, antes de ser a mãe de dois filhos; que era fêmea, antes de esposa num casamento platônico regado a sexo por obrigação matrimonial.

Foi apenas um roçar de dedos, mas o toque durou o bastante para ascender em seu corpo sensações que ela não mais ousava permitir sentir; o bastante para ela se sentir viva e para provocar uma revoada de borboletas em seus estômago, mas também o bastante para ela se sentir culpada.

Mas como poderia ser errado, sentir-se inteira, sentir-se plena. Era assim que Riobaldo a fazia se sentir. As vezes, seu contentamento era tanto, que ela temia que o marido pudesse descobrir sobre o "toque". Por vezes, pensou em conversar com alguém, pedir um conselho, desabafar, ter apenas uma outra opinião, um confidente, mas suas amigas a condenaria, sua irmã contaria para a sua mãe que a lembraria que para uma mulher casada antes do D de desejo, vem o A de Adultério.

Mas não havia traição. Ela amava o marido, não largaria a familia por um caso com Riobaldo que também era bem casado; mas como negar, como explicar o desejo que a consumia. Se um toque  despertou todas aquelas sensações, imagina o Tsunami que seria um abraço; a explosão do Vesúvio em sua cidade, se Riobaldo a beijasse.

Era pecado, ela dizia a si mesma.

Riobaldo era um sonho, mas apenas um sonho; um sorvete negado em dia de resfriado; um pedaço de bolo de chocolate proibido pelo regime moral imposto pela sociedade e pelo inabalável sacramento do matrimônio.

Riobaldo era a Paris que ela nunca visitaria; o cruzeiro partindo sem ela, pelo mar azul grego da tragédia do desejo reprimido, do prazer negado.

Ela jamais ousou um novo toque; ele resistiu bravamente e não a procurou. Nada mais aconteceu além da troca de olhares entre dois mundos que queriam unificação, mas estavam separados por um muro de encontros sociais. Nada mais foi ousado e a alma borbulhante dos dois nunca amantes foi pouco a pouco voltando ao marasmo do dia a dia.

Foi assim que ela e Riobaldo descobriram como muitas vezes, optamos pela morte da alma por medo dos riscos da vida.

segunda-feira, setembro 09, 2013

Adeus Beduíno


By Even

Está chovendo no deserto
Gotas da água caem sem parar
Poderia ser um milagre por certo
Se não fosse essa chuva,
um sinal que ela não vai mais voltar

Ela se foi para sempre, o vento me disse essa tarde
Soprando em meu ouvido sua triste canção
Como um Ramses que perdeu sua Nefertari
Perdi minha poetiza para a imensidão

Queria evitar que ela sofresse
Por isso não permiti que ela morasse em minha tenda
Se eu soubesse que seu destino era esse
Teria ficado com ela e nossa história seria uma lenda

A lenda do poeta beduíno de vida ordinária
E da mulher ocidental de belas pernas
Ele largou a vida solitária
Ela, a segurança da vida moderna

Viveram juntos dos oásis ás dunas
Amando-se ternamente
Ela nua fazendo inveja para a lua
Ele dentro dela continuamente

Ajudaram outras pessoas perdidas
Levaram mercadorias aos vilarejos pobres
Não queriam mais nada da vida
A não ser compartilharem uma vida simples, mas nobre

Porém, essas cenas de dias de glória
que se desenrolam no meu olhar
Poderiam ter sido a nossa história
Se eu não a tivesse afastado do meu habitat

Ela era meiga de amor, rica em encantos
Era a mulher mais bonita que da terra emergiu
Rosto perfeito, lábios e sorriso que atraiam a tantos
Tinha os seios mais lindos que já existiu

Poetiza, suas palavras traziam contento
Seu toque era música que me arrancava o gozar
Por ela, construiria estátuas, templos
Que podesse mostrar as pessoas como era a amar

Que saudade da sua linda e deliciosa rosa
E de como ela bebia meu vinho
Éramos Um, mas agora ela é lembrança de outrora
Nunca mais terei o seu carinho

A tempestade continua a cair, não vai embora
A fogueira se apagou, as brasas pararam de crepitar
Nuvens pesadas nublam meu coração, mas como Beduíno não chora
Essas  gotas de água só podem ser chuva e nunca o meu lacrimejar

quinta-feira, setembro 05, 2013

A Filha de Parvati e o Deus da Morte



By: Even

Linda menina, recuperei a visão
Desde que vi o seu olhar
Brilho intenso da cor da imensidão
Que até a morte poderia enganar

Queria possuir a pena dos sábios Valmiki e Vyasa
Para poder descrever o que vi em sonhos
Mas como colocar em palavras
Tamanha beleza e encantos

Nos meus sonhos, caminhávamos na floresta
E você a mim se entregava
Fizemos amor entre ás arvores, sem pressa
E você, com calma, seu fruto me dava

Dentro de você, minha alma lançou-se ao longe
Vi a formação e a expansão do universo
MiríadeS de estrelas ao meu alcance
ao possuir o teu corpo tão belo

Seus cabelos eram como o rio Ganges
Fluindo do céu para a terra
Parecia que eu já tinha estado com você antes
E você sempre esteve a minha espera

Seus olhos eram tão cintilantes
Que pareciam refletir milhares de estrelas
Tua pele, ouro brilhante
Teus seios, os picos que o Himalaia tanto deseja

Então, algo ocorreu e percebi o perigo
O coração apertou e me senti muito mal
Era claro, a morte marcara encontro comigo
Não era mais um sonho, era tudo real

Mas quando Yama chegou
Ele se assustou
Pois o seu brilho era tão intenso
Que o Deus da morte afugentou

Sim, o brilho do seu olhar
Era intenso e forte
Mas foram as chamas do seu amar
Que afastaram a morte

Ao acordar, percebi que estava apaixonado
Sei que minha mente pode não estar mais sã
Mas, Filha de Parvati, se você existir, quero muito estar ao seu lado
Basta gritar o meu nome : Satyavan

quarta-feira, setembro 04, 2013

Vôo Beduíno


By Even

A fogueira foi se apagando
Mas a noite ainda estava iluminada
As milhões de estrelas no céu
Lembrava o brilho dos olhos da minha amada

Solitário, olhei para o meu camelo ao lado
Calado, só ouvia os lamentos desse pobre Beduíno
Que chorava o amor eternamente calado
Da linda moça levada pelo destino

Coberta por um manto da terra ao céu
Quando a vi, me apaixonei por seu olhar
Olhar sedutor que ultrapassava o véu
Forte o bastante para me alcançar

Aproximei-me de sua caravana
E descobri que ela era prometida
Mas quando o amor bate, não engana
Eu sabia que ela era a mulher da minha vida

Ela também sentiu o toque do destino
Pois permitiu a minha aproximação
Coberta pelos tecidos mais finos
Quis o meu toque, estendeu a mão

Ao tocá-la, voamos para o alto
De mãos dadas, só vestíamos asas
E voamos lado a lado
Por esses ares dessa terra tão amada

Lá em cima, nas montanhas, bem no topo
Nos descobrimos totalmente
Eu li sua pele, ela escreveu no meu corpo
A mensagem do amor ardente


Nua, ela era ainda mais linda
Sem receio, ela me tinha
Entregando-se, ela ia e vinha
Fora e dentro, embaixo e em cima

E quando finalmente viramos um
O sol nasceu, uma estrela explodiu
Entramos um no peito do outro
Tão dentro como nunca se viu

E sai pelo seu olhar
Vendo-a pouco a pouco se distanciar
Levada pela caravana que ia se afastando
E eu fiquei pra trás, esperando, querendo, amando

Fiquei sabendo que ela era prometida
De um rico comerciante
E que jamais a veria de novo em minha vida
Além daquele breve instante

Agora sentado, vendo esse fogo crepitar
Sou envolvido pela noite clara
Noite, onde tudo me faz lembrar
Os olhos e o toque da minha amada

terça-feira, setembro 03, 2013

A Lua Ardente

By Even

Lua minha
Que desceu dos céu
Se fez menina

Minha ninfa, sereia
Com teu sorriso
que me desnorteia

Lua, que tanto me seduz
Vem ser o meu sol
Vem me trazer a luz

Quero te agora
Vem sente meu corpo
Vem pra dentro de mim sem demora

Se faça mulher e me toque
com ardor e paixão
Venha correndo, venha a galope

Te quero, Lua, de todas as formas
cheia, crescente
Minguante e nova

Vem ser eclipse do meu todo
Vem girar em minha órbita
Vem pra dentro do meu corpo

Sei que São Jorge é possessivo
E eu juro que te devolvo
Mas antes fica comigo

Nem que seja por uma noite
Nem que seja por um hora
vem, Lua, não vá embora
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