segunda-feira, maio 31, 2010

SE VOCÊ SOUBESSE

Ah, sister
Se você soubesse
A alegria que eu senti
E sinto
Ao te ver produzir
Criar
Estudar
Crescer e
Mostrar do que você é feita;
Se você soubesse
Litle sister,
Que torço a cada segundo
Para que você se liberte
Do cativeiro
E possa voar
No que de mais bonito você tem
Sua vontade de aprender
E co-criar é infinita
Oh , sister! Oh, sister!
Nunca desista de você!

+++++++++++++++++++++++

Ramon Gomes de La Serna:
Tartarugas: sapatos do tempo

Ao ouvir a noticia, o sofá desmaiou

A arquitetura árabe é o agigantamento do olhar da fechadura

Cada vez que nos perdemos nesse livro, saímos com uma descoberta

domingo, maio 30, 2010

Odê a Mãe Oxum

By Auricelia Oliveira

Mamãe Oxum, abre tuas vestes sobre mim
deixa respingar o brilho de tuas cores
Deixa penetrar o perfume de tuas flores
Mamãe Oxum, despeja tudo no meu Orí

Que meus caminhos sejam os rumos da Mãe
Que em cada ato eu lembre da perfeição
Que em cada segundo eu respire a inspiração
Sem esquecer das mãos de minha Oxum

Ah Oxum, canto meus cantos, minha energia
Banhada pelo sol reluzente de Pai Oxalá
Minha Mãe me deixe como a estrela que brilha
Ensina no meu entender o teu doce amar

Oh Oxum, Mãe da Prosperidade
A ti eu rogo, obedeço e reverencio
Tu és o orvalho da madrugada
A luz no meu peito ensolarada
O doce cantar do pássaro no ninho

Oh Oxum, Mãe das águas claras
Tua alegria muito me ilumina
Santa Clara, Mãe Iemanjá, Mãe de Misericordia
Toca-me o ventre, semente da vida

Que Oxum se manifeste em minhas mãos
Que a Deusa próspera abençoe o meu viver
Oh Mãe das cachoeiras reluzentes
Mostra-me Mãe como eu devo vencer

Que as suas pétalas de amor infinito
Permeie tudo e a todos ao meu redor
Sempre enaltecendo tua gloriosa presença
Oxum, senhora das filhas, mães e avós

Amada Mãe que sempre me acalanta
Oxum Mãe, Oxum Mulher
Dá-me um pouco Mãe dos teus encantos
Tuas mágicas, tua beleza, um punhadinho do que és

Oh Mãe abençoada no coração amada
Oxum de águas doces e belos lírios
Mergulha esta tua filha nas tuas cores
Deixa-me Mãe eu portar teus Erês, beija-flores
No ventre onde abrigarei um belo ninho.

sábado, maio 29, 2010

Lua Mãe

Por Diógenes Mira

Estamos reunidos aqui hoje, assim como fizeram muitos de nossos ancestrais, sob o olhar prateado da Grande Lua, cheia e plenamente iluminada. Gostaríamos de trazer à reflexão as múltiplas simbologias que a Lua guarda em si.

Nossos ancestrais se orientavam pelos astros, e a Lua invariavelmente é correlata ao grande astro rei, o Sol. As duas características mais marcantes da grande Avó são: a ausência de luz própria, que acaba por fazer da Lua um grande espelho a refletir a Luz do astro rei. A outra é sua jornada, que revela transformações na forma como nós a vemos, chamadas de fases da Lua.

Simboliza a Lua o principio feminino assim como o ritmo e a renovação, a transformação e o crescimento. Ela representa o eterno retorno: a vemos crescer e se desenvolver, decrescer e desaparecer, voltando a reaparecer em seu contínuo ciclo. É considerada o astro que rege os movimentos e os ritmos da vida, controladora dos elementos, água, chuva, vegetação, fertilidade assim por diante.

A lua representa o “morto”, ela desaparece do céu durante três dias em cada mês, para então ressuscitar no firmamento, crescendo em majestosa luminescência. Por representar esta passagem da vida à morte e da morte à vida, a lua está ligada a inúmeras deidades que são ao mesmo tempo fecundas e fúnebres.

Por não possuir luz própria, sendo o espelho do Sol, a Lua é considerada como símbolo do conhecimento indireto, ou seja, o conhecimento por reflexo, a memória, o estudo racional, teórico, por tal motivo associada à coruja.

Em tradições hinduístas, no entanto, ela representa a mente do sábio, que reflete a luz maior do Sol espiritual nascido do contato direto com a realidade divina.

Em relação ao Sol que traz o fogo e o calor, ela é a água e o frio, o norte e o inverno simbólicos opostos ao sul e ao verão. Assim ela é a mãe de todas as mães, entre os xamãs é chamada de grande Avó, fonte de fecundidade, ligada às águas primordiais, à mater. Recordamos a figura mitológica de Maria coroada de estrelas e pisando a lua.

Ela é a taça que contém o néctar da imortalidade, por isso também é chamada de soma. Os chineses vêem na superfície da Lua a lebre que está a moer os ingredientes que dão origem ao sumo da vida longa, e este elixir se derrama como o orvalho noturno. No extremo oposto vê-se na superfície da lua São Jorge em sua peleja contra o dragão, batalha revelada pela luz do Sol indicando a vitória da santidade, da verdade.

A força da imaginação dos primitivos revelou diferentes imagens nas manchas da Lua: lebre, urso, raposa, cachorro, lobo. Algumas tradições observaram uma face desenhada na Lua, e numa tradição inca, as manchas seriam feitas de poeira que o Sol teria lançado contra a Lua por ciúmes, para obscurecê-la por julgá-la mais brilhante do que ele próprio.

No hinduísmo a esfera da lua é a via dos ancestrais (priti-yana), e veremos uma lua crescente na cabeça de Shiva, o grande transformador. Os ancestrais tântricos foram relacionados a um antigo ritual lunar.

Entre os astecas a Lua é ligada a divindades da embriaguez, por causa dos bêbados que adormecem e nada recordam ao outro dia, da mesma maneira que ela ao transitar por suas fases não deixa rastros; e também por estar associada aos banquetes das colheitas, onde aconteciam às grandes celebrações de fertilidade.

Todas as civilizações agrárias realizaram rituais de fertilidade, em geral sociedades ligadas ao culto da Deusa. Não é de se estranhar que em sociedades patriarcais a Lua venha ter um significado absolutamente oposto.

É também a padroeira da tecelagem, e o animal associado a esta sua face simbólica é a aranha. É a Lua a tecelã da vida. Desenvolveu-se seu culto, ora como uma divindade feminina dissociada do Sol, ora como o Deus das mulheres, sendo o Sol o Deus dos homens. Também como esposa do Sol e parindo as estrelas; ela já se configurou como a esposa incestuosa do seu irmão o Sol, e este mito está ainda presente, por exemplo, entre os incas, que transitaram entre todas estas representações do satélite lunar.

A Lua é considerada patrona dos partos, o que trouxe a lenda de que os partos acontecem em sua maioria nas luas cheia e nova. Esta suposição, no entanto, foi estudada em pesquisas e por fim desmistificada.

É importante salientar que não é unanime a associação da Lua com uma deidade feminina, em muitos povos ela é representada como um Deus masculino. Este é o caso dos índios Gês aqui no Brasil e da mesma forma entre o mundo semítico árabe: a Lua é de sexo masculino e o Sol feminino, já que para estes povos nômades, a noite é que é ativa, ou seja, apropriada para caravanas e viagens. Porém, esta representação masculina da lua é presente em povos não nômades também.

O povo judeu é representado pela Lua, e seu calendário é lunar, justamente por sua característica nômade. Adão foi expulso e vagueou, Caim matou Abel e saiu perambulando pelo mundo, Moisés e o povo saem do Egito em situação nômade, Abraão recebe a ordem de Deus para abandonar sua casa e país, a divina família refugia-se em Belém e posteriormente no Egito.

Psicologicamente a Lua representa o principio passivo, mas fecundo: é o subconsciente e, em sua fase obscura, o inconsciente, o reinado dos sonhos, da imaginação, o psiquismo, a sensibilidade, a fantasia, ou seja, tudo aquilo que é mutante, transitório e também influenciável. Não é por acaso que, quando alguém apresenta estas características de forma exacerbada, é dito que “vive no mundo da Lua”.

Os budistas acreditam que Buda teria meditado 28 dias debaixo da figueira, ou seja, um mês lunar completo, atingindo o Nirvana numa lua cheia de maio (wesak).

Podemos entender estas transições da lua em sua jornada de autoconhecimento até o desfecho final como as variadas encarnações até a manifestação máxima da luminosidade interna, penso que não apenas em muitas vidas, mas nas muitas vidas presentes numa única vida, as mutações que acompanham o devoto. A lua cheia é a face voltada completamente para o Sol, é a personalidade devotada ao espírito, à verdade, a luz.

A personalidade é considerada lunar e transitória, o Sol do espírito, por outro lado, não sofre alterações, permanente em seu fulgor.

Esta simbologia não faz da Lua simbólica, menor, é antes a casa dos mistérios, a tenda dos místicos, o farol dos peregrinos noturnos. É ela quem clareia as matas e bosques escuros quando cheia, é a sensibilidade do Ser, entregue ao perfumado e silencioso jardim secreto de sua alma feminina, o jardim das flores noturnas, do encantamento das músicas de amor e prazer, do voltar-se para si.

É a embriaguez dos sentidos, do instinto e o transe da alma vagabunda, da alma boemia, da alma sonhadora, da alma aventureira, da alma apaixonada vagueando em busca do amado.

O arcano 17 do Tarô é a Estrela, representada por uma mulher jovem e nua. Ela é a condutora, a guia, aquela que norteia, que orienta, que revela o caminho. A Lua é o arcano 18, representado pela imagem da lua que puxa para si gotas saídas da terra, o que me remete diretamente à subida da energia telúrica em nós, Kundalini. Algumas imagens apresentam logo abaixo da lua dois cães, um avermelhado e outro azul, ou um negro e outro branco e atrás deles duas torres, o que também me remete a Ida e Pingala, os canais sutis por onde sobem as águas sexuais. Atrás das torres um bosque, a natureza: é a travessia da sombria floresta interna. Abaixo de tudo um tanque com as águas primordiais e um caranguejo, aquele que anda para trás, que se volta para a ancestralidade, para o caminho dos antigos, dos iluminados. A Lua é aquela que reflete a luz, iluminando o caminho até a máxima realização do espírito o Sol, o arcano 19. Este arcano é representado pelo Sol iluminado no alto e agora as gotas que subiam na lua, estão descendo como uma chuva dourada, banhando duas crianças gêmeas. Algumas cartas apresentam um casal adolescente, representando a união perfeita dos aspectos racionais e emocionais. São os filhos da luz celebrando as bodas dos pensamentos e sentimentos, da união perfeita do princípio masculino e feminino.

É uma trajetória marcada pela transformação, pelo rompimento, lembrando que o arcano 16 é a torre fulminada: algo precisa ser destruído para que se possa nascer o novo. A Lua cheia é a plenitude, o poder de realização, o fim de projeto idealizado, o cumprimento da jornada. A Lua cheia é celebrada em variadas tradições espirituais e sua revelação máxima é o símbolo da luz manifesta. Durante o ano são três importantes festivais de Lua cheia:

- Festival da Páscoa (Recebe a luz): Lua Cheia de Áries
- Festival do Wesak (Assimila a Luz): Lua Cheia de Touro
- Festival da Humanidade (Distribui a Luz): Lua Cheia de Gêmeos

Tantas informações a mais foram lamentavelmente deixadas de lado neste pequeno comentário sobre a Lua. A grande Avó tem inumeráveis simbolismos com significados contraditórios dentro de uma mesma cultura. Encerramos aqui trazendo a importância de se encontrar a lua cheia de nossa disponibilidade interna para nos fazer inteiros, voltados completamente para nosso Sol central, para nosso verdadeiro Ser.

Conscientes das mutações internas pelas quais passamos, mas nunca esquecendo que por mais sombria que seja à noite em que nos encontremos, é a mesma obscuridade que revela o brilho dos astros noturnos, e que ao fim de uma longa jornada, a estrela matutina, a estrela da manhã, anunciará o despontar de uma nova aurora, de um novo renascimento.

Que possamos acolher com carinho e zelo as mutações da personalidade sabendo que o Sol do EU SOU em nós é imutável irradiação de Amor! O Sol nasce para todos, e ninguém pode impedi-lo de nascer.

Que as bênçãos de Todos os Budas orvalhem a terra e os que nela vivem!

Que todos os seres sejam felizes!

Vida Plena!

Vajrananda (Diógenes Mira)
Revisão: Mohiní (Adriana Valverde)

Fragmentos II

Me tira de casa
Pôe eu na rua
Deixa eu viver
Na minha
Você na sua

))))

Não há uma palavra
Um gesto humano
Mesmo distraído
Que não tenha significação

Merleau Ponty


))))

“ Quando eu morrer
Quero ficar...”

Lira Paulistana
Mário de Andrade

))))

Meu maior problema é
Que descobri
Qual é o meu maior problema:
Eu mesmo fiz a lavagem cerebral em mim;
Não pertenço a nenhum lugar!

))))

Ao optar pela linguagem do silêncio
Ganhei a discussão

))))

Meus sonhos estão ficando cada vez mais ousados!
Tô com medo...

))))

Mãe,
Faz logo o sol nascer!

))))

Olha a mesa dele!
Que desorganização!
Com o cargo dele, pelo menos a arrumação da mesa deveria ser uma obrigação!
A vida é mesmo injusta...
Se eu fosse o dono dessa empresa...
Minha mesa?
Como assim, “olha a minha mesa!”?
Olha a sua!!!

))))

OLHA EU AQUI!!!!
OLHA EU AQUI!!!!
OLHA EU AQUI!!!!
Ah, que gosto bom é a atenção!!!

))))

Papai, o senhor tem orgulho de mim?

))))

Uni, duni, o quê?
Não posso ter os dois?

))))

- Parabéns!!! Você conseguiu o que você queria!
- Posso voltar depois e pegar!
- Mas você estava tão ansioso...
- É que depois que a gente consegue, perde a graça!

))))

Era uma vez 4 pessoas
Que eram amigos de Cristo
Mas somente um deles via Jesus de verdade
Quem era ele?
Um dos três religiosos que só falavam Dele
Ou o outro que não tinha a menor idéia de quem era Cristo

))))

Qual é o som do fechar dos seus olhos?
E o que você vê?
Um buraco negro te levando sabe lá pra onde?
Ou estrelas brilhando ao longe?

sexta-feira, maio 28, 2010

De cara feia para o mundo e com sorriso para Deus?

Por Maurício Santini

Um adesivo chamou minha atenção ao sair da casa. "De cara feia para o mundo, mas com o sorriso para Deus". Como pode um dromedário fazer uma frase dessa e ainda colar no carro? Como você pode ficar com cara feia para o mundo e sorrir para Deus, se somos a própria extensão Dele?

Cara feia para o mundo é cara feia para Deus! Apesar de Deus não se incomodar nenhum pouco com a cara que a gente faz, não adianta nada a gente se revoltar tanto com as pessoas, mesmo porquê cada um defende o seu quinhão. Para o peão de boiadeiro, o berrante é uma peça valiosa, para nós é um corno que berra. Cada um tem seu valor.

Eu venho aqui e meto o pau mesmo nas coisas que eu acho que são de mau gosto e péssima influência, mas também é uma visão peculiar, minha. No entanto, tenho direito de externá-la.

Sou favorável à fé! A Fé é necessária e esperançosa! Mas, como diz o Beto Guedes, "a fé cega é faca amolada". Qualquer que seja a filosofia, se taparmos os nossos olhos apenas com o seu direcionamento, uma cegueira estúpida e embotada vai se instalar em nossos olhos e, por mais que sejamos crentes, o bom senso se afasta de nós.

O adesivo deveria dizer "De cara boa para o mundo e melhor ainda para Deus".


Notas: para ler mais textos do autor, acesse:
http://mauricinico.blogspot.com


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Pensamento à toa

Ando pela rua dos pensamentos,
Embora meu destino seja claro,
Nem percebo que sou levado
Por uma idéia
Para um objetivo equivocado.

Só depois da queda
E que presto conta
Que mais uma vez
Deixei-me ser levado
Por um pensamento à toa
Será que isso só ocorre comigo
Ou acontece com qualquer pessoa?

Lost – Tentando Entender

Por Ricardo Longo

Muita gente acabou de ver Lost e ficou cheio de dúvidas, acabei de ler um texto publicado como comentário no Legendado e “surrupiei” para colocar aqui e dividir com vcs. Cada um tem interpretado de alguma maneira, mas esse texto foi um dos melhores que eu lí até agora, óbvio que não responde tudo, mas ajuda a clarear muita coisa… O responsável pelo texto chama-se Ricardo Longo.

Essa é minha tentativa de dar uma interpretação sobre cada uma das grandes questões de Lost.
IMPORTANTE: Tudo aqui é MINHA interpretação da série. E ao que consta, fiquei muito feliz que uma de minhas séries preferidas me deu um fim críptico, misterioso e aberto a interpretações (exatamente como a série sempre foi). Tinha muito medo de não gostar do final; achava que estragariam tudo com algo mais focado nos mistérios inexplicáveis da realidade peculiar da série do que na melhor coisa dela: os personagens. Tive uma grata surpresa.

Assim que Jack fechou os olhos pela última vez, fiquei meio pasmo – muitas dúvidas, tudo muito rápido, muita informação pra digerir de vez. Mas as questões continuaram girando na minha cabeça, as conexões (muitas vezes óbvias, é verdade) continuaram sendo feitas.
No fim das contas, a verdade é que eu considero um fim perfeito para a obra prima que é Lost. Na minha opinião, claro – como todas as respostas a seguir.

• O que é a ilha?
A ilha é onde fica a “luz”. Então a pergunta é: o que é a “luz”? Isso é fácil, respondido na própria série: é a fonte de toda a vida. Segundo Jacob, tem um pouco da luz dentro de cada pessoa – isso, na minha interpretação, é uma alegoria para o que se convencionou chamar de “alma”. Sendo a localização da luz, a ilha tem propriedades bem peculiares, que incluem características de cura, ressureição, imortalidade, distorção do eixo espaço/tempo etc, além dela ser um “hub” de energia eletromagnética. Claro, essa fonte de vida não pode ser deixada à toa, sem um guardião. O que nos leva à próxima pergunta…

• Quem são Jacob e o “Homem de Preto”?
Irmãos, ambos nasceram humanos, mas foram “adotados” por uma personagem sem nome, chamada apenas de “Mãe”. A “Mãe” era a divindade guardiã da luz. Antes dela, provavelmente existiram inúmeros outros guardiões, sempre passando adiante a função de proteger a ilha quando sua hora chegava. Essa é uma discussão bem ampla, e tentar adivinhar quem foi o guardião original é o mesmo que discutir quem criou o universo. A Mãe adotou Jacob e seu irmão para achar um “sucessor”, quando a hora dela se licenciar de sua função finalmente chegasse. Circunstâncias mostradas no episódio “Across the Sea” levaram a Jacob ser o escolhido, herdando a função da mãe e se tornando efetivamente uma divindade. O “Homem de Preto”, ao ser preterido, se tornou uma espécie de “sub-divindade”, com poderes sobrehumanos e imortalidade (ambos dados a ele pela própria Mãe), mas sem o papel de “árbitro” dado a Jacob. Quem quer simplificar, pode dizer que Jacob ocupou a função do que se convencionou chamar de “Deus”. Note-se que essa versão de “Deus” não significa bondade absoluta ou mesmo onipotência. O próprio episódio “Across the Sea” nos mostrou que essa noção maniqueísta de “bem e mal” não se aplica a Lost. Da mesma maneira, Jacob não parece ser onipotente. Ele tem o poder de arquitetar diversas coisas (como a queda do avião, por exemplo), mas não parece ter capacidade de mudar todos os detalhes (existiam pessoas no avião que não precisavam necessariamente estar na ilha).

• Por que o “Homem de Preto” não podia deixar a ilha?
O “Homem de Preto” optou pelo livre arbítrio, renegando a função preparada pra ele pela Mãe e escolhendo conhecer o mundo além-mar. Porém, sua mãe havia feito dele o seu candidato preferido a ocupar a função de guardião, e por isso não permitiu sua saída da ilha (mais uma vez, uma demonstração de um Deus imperfeito). Uma vez que Jacob herdou o posto de guardião, ele teve atitudes que fizeram seu irmão morrer (vejam, por exemplo, os corpos do Homem de Preto e da Mãe, que viraram o “Adão e Eva” mencionado por Locke). Porém, uma parte dele sobreviveu – o rancor e o sentimento de vingança que ele sentia no momento de sua morte. Assim, nasceu a “fumaça negra”, é uma a personificação dos sentimentos ruins. Sendo originária do “Homem de Preto”, ela mantinha o desejo de deixar a ilha. Porém, são óbvias as implicações de se ter uma personificação dos sentimentos ruins andando livremente pela Terra. Para ele sair da ilha, a “luz” teria que ser destruída, o que provavelmente destruiria a vida e a realidade como a conhecemos.
• Por que o avião caiu na ilha?
Essa também foi respondida com todas as palavras na série. Jacob, como “árbitro”, os trouxe até a ilha para escolher entre eles o seu sucessor. O próprio Jacob explicou, no penúltimo episódio (”What They Died For”) a razão por ter escolhido aquelas pessoas específicas – todas elas eram solitárias de alguma maneira, como ele próprio, e precisavam de um sentido maior em suas vidas.

• O que eram os números?
Jacob tinha uma lista com os nomes de todos os seus possíveis sucessores. Porém, conhecendo o erro da Mãe em escolher ela própria um sucessor, Jacob escolheu deixar o livre arbítrio atuar. Vários nomes foram sendo riscados da lista ao longo do tempo, porque o próprio livre arbítrio dos donos desses nomes os levavam a outros caminhos. Os seis números eram os números atribuídos aos seis últimos candidatos na lista de Jacob – Jack, Sawyer, Kate, Locke, Hurley e “Kwon” (não se sabe se era Jin ou Sun). Alguns desses foram riscados depois – Locke porque morreu; Kate porque virou mãe, e assim deixou de ser uma pessoa solitária. Porém, como o próprio Jacob esclareceu, bastava Kate escolher por livre arbítrio ocupar a função para que ela fosse novamente uma candidata. A lista era um “guia”, e não um livro de regras propriamente dito.

• O que era a “realidade paralela”?
Mais um tópico explicado com todas as letras na série. resposta curta: é o purgatório. Resposta longa: basicamente, é algo que aconteceu muitos anos no futuro, quando todos já estavam mortos. É uma realidade criada coletivamente pelas mentes de todos que estavam na igreja, para que eles pudessem se reencontrar e seguir em frente. No universo da série, só se consegue “seguir em frente” e deixar o “purgatório” juntamente com as pessoas que estiveram presentes nos momentos mais importantes de sua vida. No caso dos que estavam na “igreja”, esse momento era o que aconteceu, muitos anos antes, na ilha. Juntos, puderam seguir em frente. importante notar também que é por isso que personagens randômicos dos 6 anos de série subitamente apareciam na realidade paralela. Eram personagens que tinham a ver com todas as mentes que criaram aquela realidade.

• Então, por que Michael, Ana Lucía e outros não estavam presentes? E porque Ben não entrou na igreja?
Todos esses personagens não seguiram em frente pelo mesmo motivo: ainda tinham assuntos pendentes. Todos cometeram atos cruéis em vida, e ainda não tinham conseguido a redenção por esses atos. Resumindo, eles ainda têm tempo a pagar no “purgatório”. Como disse Desmond, “ainda não estavam prontos”.

• E Daniel Faraday, porque não entrou na Igreja? E Miles? Charlotte?
Porque esses personagens não fizeram parte da maioria dos momentos que levaram aquelas pessoas a estarem juntas na igreja. Eles provavelmente tinham outra “igreja” pra ir, se encontrar (inclusive com Lapidus, talvez), “lembrar e seguir em frente”.

• Por que Desmond conseguia viajar no tempo?
Desmond tinha uma caracteristica peculiar: ele era resistente à energia eletromagnética. No universo da série, esse tipo de energia é o que controla o eixo temporal. Por ser aparentemente um bolso de energia eletromagnética (daí a sua resistência à mesma), Desmond conseguia ter espasmos de viagem no tempo. Porém, como ele mesmo disse inúmeras vezes, “o que está feito, está feito”, o que significa que ele não pode alterar nada no eixo temporal. Isso inclusive ocasionou o melhor episódio da série pra mim, “The Constant”.

• O que isso tem a ver com a capacidade de Desmond em descer até a “luz”?
A resistência à energia eletromagnética fez de Desmond uma peça-chave nos planos dos dois irmãos, porque só alguém com esse tipo de resistência poderia descer até a luz sem ser morto. O “Homem de Preto” precisava de Desmond para descer até a luz e apagá-la pra sempre. Jacob precisava dele para apagá-la por um momento, para que o Homem de Preto perdesse sua imortalidade e pudesse ser finalmente morto (no caso, por Kate e Jack). Feito isso, Jacob precisava de alguém para se sacrificar, voltando até a luz apagada para reacendê-la. Esse mártir veio a ser Jack.

• Por que Desmond conseguia ver a “realidade paralela”?
Isso é nada mais do que algo que Desmond fez a série inteira: ele tinha visões do futuro. Porém, ele não entendia exatamente o que era aquela outra realidade e, como os telespectadores, acreditava se tratar de uma realidade paralela, para onde ele podia levar todos ali. Ironicamente, Desmond achava que, descendo até a “luz”, ele acharia o caminho até essa outra realidade. Ele realmente achou, mas não da maneira que esperava.

- E o filho do Jack da realidade paralela?
O filho de Jack, pra mim, simboliza um desejo que ele nunca pôde realizar. E olha só quem era a mãe: Juliet. Que também nunca pode realizar esse desejo. E que teve um pequeno início de relação com Jack, que também jamais pôde florescer. Coincidência?

• E Walt? CADÊ WALT?
Sinceramente, nunca entendi essa obsessão com esse personagem. Ele era um pirralho paranormal, que foi à ilha com seu pai, mas saiu muito antes de todos os outros, nunca participou dos eventos verdadeiramente grandes na ilha, e teve uma vida inteira pela frente, com seus próprios grandes momentos. Jamais foi de grande importância para a mitologia da série. O que, exatamente, resta de mistério com relação a ele?

• Tá, e o que a realidade paralela tem a ver com a ilha?
Parece que tudo o que aconteceu na ilha em seis anos de série, no fim das contas, não serviu pra nada.?Essa é mais uma questão que eu não entendo. As pessoas, por alguma razão, se sentiram lesadas pelo fato de que a realidade paralela acontecia, na verdade, em um futuro muito distante. A sua única ligação direta com a ilha era a memória dos seus participantes. Isso, pra mim, é ter TUDO a ver com a ilha. A ilha é o centro da vida de todas as pessoas que estavam dentro da igreja. Tudo o que aconteceu na ilha, em seis anos de série, serviu para que aqueles personagens tivessem participado de eventos cataclísmicos juntos, desvendando mistérios sobre a própria natureza de tudo que existe. Esse elo fortíssimo entre os personagens é o que levou a cena final, onde todos têm que se reencontrar. Se não fosse o que aconteceu na ilha, a “realidade paralela” jamais precisaria acontecer.

• OK, mas eu esperava que as realidades fossem se intercalar de alguma maneira (tirando Desmond, que sempre pôde ver o futuro mesmo).
Justamente. Eu também. E foi isso que me deixou boquiaberto ao perceber que não era bem assim. Um plot twist. Os roteiristas levam você por um caminho, para no fim jogar uma revelação que muda tudo. Um dos utensílios mais comuns na arte de se contar uma história. Nada de novo aqui.

• Pelo menos o final poderia não ter sido tão feliz.?Última cena: Jack, vendo o avião se salvar com seus amigos (e o seu amor), fechando os ollhos e finalmente morrendo. Nós, telespectadores, sabendo que ele não vai poder ter uma vida ao lado de Kate, que só vai reencontrar todo mundo ali em muitos, muitos anos. Rapaz, se isso é final feliz, eu não sei o que é fim triste.

***
Percebam que tudo o que eu escrevi aqui tem uma ligação muito nítida: os personagens. A ilha, os mistérios, a origem da vida – tudo isso sempre foi um pano de fundo fantástico para o real ponto forte da série, que é a história pessoal de cada um ali, e como elas se intercalam.

Foi muito gratificante descobrir a resposta pra cada mistério. Porém, mais gratificante foi ver como Jack, originalmente um mártir covarde, fraco e adepto da ciência, se manteve um mártir, mas se tornou corajoso, forte e deu pelo menos um pouco de crédito à fé. Ou como Locke, mesmo com todas as mudanças na sua vida, sempre foi enganado e subestimado em toda a sua vida, até mesmo quando ele imaginava ser realmente especial. Ou como Charlie, originalmente o rockstar presunçoso e cheio de si, demonstrou ser uma pessoa de coração bom e morreu pra salvar a mulher que amava. Ou Richard Alpert, aparentemente um imortal frio e calculista, foi revelado como um sobrevivente de história tristíssima. Não vou nem entrar no mérito das inúmeras redenções de Sayid, ex-torturador do exército iraquiano, ao longo da série.

E o que dizer de meu personagem preferido, Desmond Hume? Pra mim, a verdadeira epopéia que ele sofreu para conseguir estar ao lado de Penny, amor de sua vida, é muito mais significativa e importante do que qualquer explicação que pudessem dar sobre sua resistência ao eletromagnetismo, suas viagens no tempo, e qualquer outro detalhe que tenha a ver com os grandes mistérios da série.
Desenvolvimento dos personagens > explicação detalhada de mistérios sobrenaturais.

Isso é o que eu acho. Fico feliz que Calton e Damon pensaram, aparentemente, da mesma maneira, e conseguiram dessa maneira me dar uma série que provavelmente é a melhor que eu já vi

E como tudo em Lost é aberto a interpretação… qualquer um, claro, tem todo o direito de discordar.

Ricardo Longo.


Fonte: http://www.letsvamos.com/letsblogar/2010/05/26/lost-tentando-entender/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+LetsBlogar+%28let%27s+blogar%29&utm_content=Google+Feedfetcher

quinta-feira, maio 27, 2010

Menininho lendo um gibi
num ônibus
e rindo a beça,
olha pro meu lado
e diz:
"nossa, tio,
como é bom saber ler!!!"

GOTINHAS DE LUZ NO OCEANO DA EXISTÊNCIA*

(Escutando a Música da Vida com os Golfinhos e as Baleias)

Por Wagner Borges


Fazemos parte do Oceano da Existência.
Somos gotinhas de luz ao sabor das ondas do Todo**.
Podemos viajar na superfície e olhar a vastidão celeste.
E também podemos mergulhar nas profundezas abissais de nós mesmos.
E a superfície e as profundezas são partes do mesmo Oceano Vital.

Somos levados pelas ondas da Vida a diversos praias e portos.
Então, beijamos as areias e honramos a terra.
E depois, voltamos ao Grande Oceano, no fluxo e refluxo de suas marés...
Repletos de experiências e lições.

Somos gotinhas de luz no Oceano do Eterno.
E, dentro de nós, habita uma música universal.
A canção do Espírito Supremo nos move. E então seguimos...
Porque somos gotinhas de luz beijando as praias do infinito.
E fazemos parte do Imenso Concerto da Vida Universal.

Estamos no Oceano d’Ele, o Todo!
Os golfinhos brincam por Ele.
E o canto das baleias também é para Ele.
E, assim, nós também cantamos para Ele...
Principalmente quando amamos e brincamos em suas águas.

Somos gotinhas de luz e irmãos dos golfinhos e das baleias.
E a eles nos juntamos, curando a nós mesmos, com a música.
Na superfície ou nas profundezas, é o mesmo Oceano Vital.
E nós estamos n’Ele. E Ele em nós.

P.S.:
Somos gotinhas de luz, sim.
E escutamos a música da Existência em nossos corações.
E dizemos alegres:
“Obrigado, Vida.
Obrigado, Música.
Obrigado, Oceano.
Sim, Obrigado, Senhor!”

(Dedicado ao meu amigo Aurio Corrá – e também à sua família -, e à Thalita e Mi.)

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
São Paulo, 16 de abril de 2010.

- Notas:
* Esses escritos foram feitos durante um concerto de música new age realizado por Aurio Corrá no salão do IPPB. Enquanto ele tocava, eu viajava em celestes vibrações. Então, escrevi essas linhas de improviso, sob o comando do meu coração.
** O Todo - O Todo - expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.

Para saber mais sobre o IPPB e as palestras do Professor Wagner Borges, acesse:
http://www.ippb.org.br/

quarta-feira, maio 26, 2010

'The End' o Final de Lost

Comentários e texto de David Garcia

Não há certeza maior na vida que sua finitude. Sejam lá quais forem os caminhos que trilhemos ao longo dessa fascinante e misteriosa jornada, são os erros e aprendizados que ajudam a dizer quem somos. Mais que isso, são os relacionamentos que construímos nessa caminhada, que ninguém consegue fazer sozinho (como pontua Christian Shephard em momento chave desse episódio), que servem como testemunho irrefutável do que fizemos e do impacto que provocamos nas vidas uns dos outros.

Ao longo desses seis anos, uma série de tv nos mostrou a história de pessoas que perdidas em suas jornadas, descobriram numa ilha remota e cheia de mistérios particulares, não o fim, mas o meio para que se encontrassem. Em Jack, Locke, Hurley, Sawyer, Kate e cia, nos vimos refletidos em suas falibilidades, tragédias e conquistas. A ilha? ‘Só’ um lugar de propriedades singulares capaz de catalisar a reunião daqueles que buscavam uma redenção que sequer admitiam procurar. Lost foi uma série sobre pessoas, mas sobretudo para pessoas. Gente como você e eu, que questiona o sentido da vida e que se emocionou com a resposta da principal pergunta levantada ao longo desse período (uma que sequer havíamos considerado no meio de tantas, diga-se): a vida como conhecemos, tão refém de nossa fragilidade física de fato acaba aqui, mas será que isso significa mesmo um fim?

O desfecho de Lost, obra que despertou em todos nós paixões variadas e distintas, veio acompanhado de um gosto agridoce. Se por um lado o ‘The End’ significou a conclusão elaborada, envolvente e emocionante da trajetória daquele grupo de pessoas que enfim pôde se encontrar num plano que não obedece as regras do espaço e do tempo, por outro significou a despedida definitiva de amigos com quem tanto aprendemos ao longo desse período e que agora só poderemos revisitar nas lembranças afetivas de vários momentos marcantes.

Nos traumas e conflitos de cada um daqueles personagens, tivemos a oportunidade de confrontar nossos temores, nossas dúvidas e principalmente nossas certezas. E mesmo que não soubessem disso, Jack e cia nunca estiveram sozinhos naquela ilha. Se torcíamos, vibrávamos e nos emocionávamos com eles e por eles, era porque enquanto espectadores, também ficamos presos em meio a situações que não se encerravam na luta por sobrevivência ou em disputas de razão x fé, destino x livre arbítrio ou bem x mal.

Nos encontros daquela realidade paralela (ela sim o próprio purgatório), os choques de consciência plena que vieram acompanhados pela paz há tanto procurada, só foram possíveis quando cada uma daquelas pessoas enxergou através do amor, os relacionamentos que construiram ou reconstruiram na ilha. Afinal, foi lá que Jin e Sun se reencontraram enquanto casal; que James ‘Sawyer’ Ford viu em Juliet (e ela nele, claro) o porto seguro que sequer sabia existir; que John Locke encontrou num milagre a auto-estima e o amor próprio há tanto perdidos, e que Jack Shephard descobriu no amor de Kate (sim, ela escolheu por ele no fim das contas) e no entendimento de que era preciso dar a própria vida para que outros tivessem uma chance, o caminho de um recomeço espiritual pleno e harmonioso.
O que ‘The End’ evidencia para nós em seu desfecho é que as dores, os sacrifícios e as mortes que aqueles personagens experimentaram na ilha ao longo dessa trajetória nunca foram em vão. O que eles viveram e sentiram foi uma passagem, um estágio de aprendizado cujas lições só seriam efetivamente compreendidas em sua plenitude num outro plano. Um no qual reconciliações ganham forma quando uma vítima perdoa seu assassino, permitindo-se seguir em frente na certeza de ter encontrado o verdadeiro sentido de ser especial e onde a palavra redenção se explica não pela chance de consertar algo, mas sim pela possibilidade de poder lembrar para seguir em frente.


Todo espetáculo tem que terminar, mas é duro ter de se despedir de artistas tão queridos e ver a cortina se fechar num último adeus sem direito a bis. Obrigado Lost por esses seis maravilhosos anos de diversão, entretenimento inteligente e sobretudo pelos muitos momentos de emoção e reflexão. A beleza de seus personagens, sua música, suas ideias e sobretudo de sua companhia me fará muita falta e será para sempre sentida, porém jamais esquecida.


I just don't want to let it go


Publicado em:
http://dudewearelost.blogspot.com/2010/05/comentarios-de-end-o-series-finale-de.html

(((())))))

Lost é, sem querer, a criação mais genial da TV
Série mudou o jeito de ver televisão


Luiz Pimentel, do R7.Texto: ..


O último episódio de Lost foi ao ar no Brasil nesta terça (25).
. E terminou a criação televisiva mais genial de todos os tempos. Veja que não coloco a qualidade do descer das cortinas (assunto mais discutido no mundo nos últimos dias) na equação. Lost é hors concours em genialidade na TV e ponto. Por caminhos tortos (como mostraram as últimas duas temporadas) ou por roteiro muito bem sustentado (primeira à quarta temporada).

Porque mudou a maneira como as pessoas se relacionam com os meios de comunicação, porque fez com que o público se tornasse cúmplice de um enredo que colocava urso polar em ilha tropical, fumaça negra contra luz do centro da Terra e viagens no tempo. E porque amarrou tudo isso com uma história (ia colocar lição, mas evitei a pieguice a tempo) de vida sob disfarce de trajetória do herói – enredo conhecido desde que o mundo zerou o cronômetro do tempo há 2010 anos.

Proposital tudo isso?

Certamente não.

Pois o criador, J.J. Abrams, deixou mais furos do que um texto na web conseguiria pontuar.

Não explicou o que eram a sequência de números da escotilha, a luz, a fumaça negra, o português que algumas pessoas falaram ao final de um ano, os Outros, o urso polar, por que três negros não estavam na Igreja no final (Walter, Michael e Ecko. Ops.), o impedimento magnético de Desmond e a ilha em si. Nem precisei me esforçar pra lembrar desses. Se (re)visse as seis temporadas novamente agora, o número alcançaria os quatro dígitos.

Só que Abrams conseguiu minimizar a importância de todos esses buracos com uma estratégia simples, mas sempre eficiente – transformou o plástico em orgânico, a ficção científica em herói. Pele vestida por Jack, que não por acaso ficou com a mocinha (Kate) no final. E só ele morreu.

Sim. Na linha cronológica onde as respostas devem estar (na que é conhecida pelo mundo real, onde nós vivemos, e não nas 17 realidades paralelas de Lost), apenas Jack morreu. Para expurgar os pecados dos imperfeitos que lhe foram mais caros desde a cena um do seriado, quando o avião da Oceanic cai na ilha.

O lugar comum é resumir que o final de Lost é a morte de todos.

Não é bem isso. Ou melhor: não é nada disso.

Como diz o pai de Jack em uma das cenas finais: “todos morrem. Uns mais cedo, outros mais tarde”. E Jack enxerga o avião consertado à base de fita adesiva (pode ser mais tosca que essa a tapadura do buraco?) deixando a ilha enquanto dá o último suspiro.

A realidade paralela da última temporada é seu (Jack) purgatório. E J.J. Abrams ignora completamente o que assistimos até o final da quarta temporada, quando dava uma solução e levantava outros dois mistérios com a promessa de que tudo se amarraria ao final.

..No caminho de todas essas transformações e mudanças de curso, conseguiu colocar palavras como spoiler e torrent em domínio popular.

Gostaria de saber qual foi a audiência mundial total (TV + web) do último episódio da série. Pois Lost obrigou um curso prático de safadeza na web a milhares (milhões?) de pessoas. Eu inclusive. Simplesmente o tempo/espaço, como prega o enredo, precisou ser ignorado – e não dava pra esperar por semanas a transmissão de um episódio que fora veiculado nos EUA. E tome torrent, legenda compatível, player para assistir.

Dizem que o episódio final teve 13,5 milhões de telespectadores em média a acompanharem ao vivo nos EUA. Quantos assistiram nas horas seguintes? A resposta deve vir na sequência da série. Pois executivos de Hollywood não permitem final com mitologia aberta à toa. Ali tudo é considerado. Previously.


http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/lost-e-sem-querer-a-criacao-mais-genial-da-tv-20100525.html

Fragmentos

Pergunto ao Oficial da Luz:
Como suportar a luz?
Ele responde
Ficando na luz!
Não entendi até agora...
Devo estar no escuro!

))))

Liberdade na fala
Liberdade na crença
Liberdade na cama
Prendam a proibidança

)))))

Será que em qualquer universo
Continuo sendo eu mesmo
Ou lá vive um alter-ego?

((((

Talvez essa realidade não passe apenas de um lapso de matéria da luz que se faz multi-forme; sendo assim...tenho mesmo que pagar condomínio?

))))

Fechei os olhos
Vi uma janela
Além dela,
Memórias da Vida Eterna
Então;
Abri os olhos
Prefiro bater na porta
Da amnésia!

))))

Há horas em que dói a cabeça
Pensar sobre isso.
Dá até vontade de duvidar,
Deixar pra lá,
Inventar uma desculpa besta
Para não mais estudar
Sobre o Divino;
Daí, eu me lembro
Que é muito tarde pra desistir;
Não dá mais tempo,
Esse caminho já faz
Parte de mim!

))))

O CAMINHO DE SWAM: EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
MARCEL PROUST


Durante muito tempo, costumava deitar-me cedo. Ás vezes, mal apagava a vela, meus olhos se fechavam tão depressa que eu nem tinha tempo de pensar: adormeça!

A recordação de certa imagem é senão saudade de um certo instante; e as casas, os caminhos, as avenidas, são fugitivos, infelizmente, como o amor.

))))
NATÁLIA CORREA
Oh, subalimentados do sonho; a poesia é para comer

terça-feira, maio 25, 2010

AO SOM DOS TAMBORES

" Da bituca à enxente, basta um ignorante"
Frank Oliveira

" Cada sonho é um testamento de que o Paraíso ainda não chegou"
Rubem Alves

" Não Somos Deuses
Não importa o que lhe disseram, o guru e a literatura new age, não somos deuses, meu amigo, pelo menos não ainda!"
Frank Oliveira

" Livro é meditação, internet é pensamento"
Frank Oliveira

" Em oposição à liberdade da palavra poética, o protentanismo inaugurou um programa hermenêutico que tem por objetivo preencher espaços vazios, onde a voz do Estranha pode ser ouvido."
Rubem Alves

“ A redução do sentido a uma único sentido”
Rubem Alves

"Uma vez, preenchido o trabalho, uma vez preenchidos todos os vazios com o conhecimento, descobrimos que a Palavra perdeu seu poder de ressuscitar os mortos.
Cada individuo deveria ler as escrituras da mesma forma como se lê um poema, na solidão, sem vozes intermediarias de interpretação."
Rubem Alves

"Poesia: palavra grávida com sentidos imprevisíveis. Um poema não deveria significar, mas ser."
Rubem Alves

" Temos que ficar atentos para reinventar os nossos reinados"
Loraine Schurch

RAIMUNDA

Nem mesmo a beleza de mil prostitutas
Equivalem-se ao charme da minha Raimunda.

Mil navios seriam lançados em guerra por sua honra;
Por ela, eu abandonaria os Beatles,
Seria o Sid dos Sex Pistols,
Pois quase morro de over doses de amor
Com a minha Raimunda.

Pela minha Raimunda,
Eu largaria o paraíso,
Engoliria mil caroços de frutos proibidos;

Pela minha Raimunda,
Eu tatuaria o seu nome
Em minha perna,
Mandaria o esquadrão da fumaça
Escrever o seu nome no céu
Para que todo mundo na terra
Soubesse: eu amo a Raimunda!

Yes, eu amo a minha Raimunda!
Feia? Nunca!
Feio é o seu olhar,
Feia é a sua visão de beleza!
Sim, ela é cheia por natureza,
Um país de possibilidades infinitas,
Uma colônia a ser explorada,
Terra virgem nunca antes cobiçada,
Pois quem vê a sua cara,
Não vê a abundância de uma mulher
Que não tem vergonha de ser como ela é.

Amo a minha Raimunda,
Como o Da Vinci pintou a sua Monaliza,
Afinal,
Minha Raimunda pode
Até não ser uma Afrodite de Botticelli,
Mas não há quem negue
Que basta ela virar as costas
Para fazer businar todos os caminhôes;

Haja emoção!
Por isso escrevo esse poema
Canto mil canções!

Sim, por Raimunda,
Eu escreveria mil sonetos
Pois a minha Raimunda
É a minha "garota de Ipanema",
Sempre tão cheia de graça;

Agora, com licença,
Que eu vou comprar uma toalha...

segunda-feira, maio 24, 2010

Aqui Eu Declaro

Aqui eu declaro;
Mas não posso afirmar
Que passei toda a vida
Tentando encontrar
Algo
Que já estava dentro
De mim
E não é reposta
De pergunta nenhuma
Nem teoria que se possa explicar
Mas apenas um acreditar
Que muda o olhar
E Faz vibrar diferente
O pensamento
E o coração.
E nessa vibração
Passamos a enxergar as coisas
Que sempre estiveram
A um palmo do nariz;
E a gente se pergunta: por que antes não vi?
E a resposta vem pronta:
porque tinha que cobrir para descobrir;
velar para revelar
esconder para achar
O que sempre aqui esteve
E sempre estará
E aqui está...


))))))((((((((

Eu te amo tanto
Que te encontrarei
Em qualquer dimensão
Que a sua consciência
Ousar se manifestar;
Te amo tanto
Que vou te encontrar
Em qualquer vida que você encarnar,
Só pelo prazer de contigo estar;
Amo tanto
Que um dia compreenderei
Que te amar de verdade
É te libertar;

)))))))(((((((((

domingo, maio 23, 2010

NÃO SE LAMENTE...

(O Espírito é Gaivota de Luz)

Não se lamente...
O que passou, passou.
O importante é a lição que fica.
O que vale é o Amor!

Porque, dentro do coração, o tempo não existe.
E o que se vê é uma Luz... E Ela é imperecível.
Porque é a essência espiritual, que não nasce nem morre...
Só entra e sai dos corpos perecíveis.

Sim, a consciência espiritual é imortal.
Que arma do mundo transitório poderia ferir o espírito?
Não, o fogo não pode queimá-lo, e nem a água pode molhá-lo.
O corpo pode cair e se desfazer no seio da terra...
Mas a entidade espiritual é pura Luz e é eterna.
Por isso, não se lamente...

Nenhuma tumba pode conter o Ser real, que é do Céu.
Se o corpo desce de volta à terra, o espírito ascende às estrelas.
O seu lugar não é embaixo de sete palmos de terra.
Nada disso. O seu lugar é lá em cima, no zimbório celeste.

Não se lamente...
Porque a vida segue... Como sempre.
Encontros e desencontros acontecem.
Chegadas e partidas também.
E tudo isso faz parte do jogo de viver.
O espírito jamais perece, só entra e sai dos corpos...
E segue em frente... Sempre aprendendo.

Ah, chega de choro e de dor!
Limpe o seu coração do luto e resgate sua Luz.
O que passou, passou.
Não há dia de finados para a consciência imperecível.
Todo dia é chance de recomeço, para aprender e crescer.

Na Terra, ou no Astral, não se lamente...
Porque a Vida é infinita, e viver é mais do que imaginamos.
Os cinco sentidos do corpo não conseguem captar outros planos.
A medida do universo não é a medida dos sentidos do homem.
E viver não se resume a apenas comer, beber, dormir e copular.
Não, viver é muito mais. Também é pensar, amar, rir e crescer.
E, quando o coração do homem é tocado pelo Alto, torna-se um sol.
Então, ele sente a presença de um Grande Amor em tudo.

Não se lamente...
Porque o que se sente na Luz do coração é algo grandioso...
É o mesmo Amor que viaja no coração de cada Ser.
É a mesma Luz que está em todos os planos de manifestação.
E, quem sente esse Amor, sabe que há vida em tudo.
Não, não há dia de finados para quem sente a vida pulsando...
Mas certamente haverá um fim para a dor de uma perda.

Ah, não se lamente...
Porque as estrelas brilham lá em cima...
E elas nada têm a ver com luto e túmulos cinzentos.
Como falar de visitar os mortos, se nada morre?
Que sentimento estranho é esse, que faz o homem olhar para baixo?
Que o faz olhar para a tumba, e não para o Céu?
Que só fala de sete palmos abaixo, dentro da terra escura?
E que não percebe que há outros planos de manifestação, algures?...
Sim, planos que não são percebidos com os olhos físicos, mas só na Luz do coração.

Não se lamente...
Olhe para o Céu, pois tem festa lá em cima também.
E é festa cheia de vida, onde os espíritos dançam na Luz.
Eles não morreram. São imperecíveis, naturalmente.
Já existiam antes do corpo ser formado, e continuam existindo além...

Ah, eles não nascem nem morrem.
Só entram e saem... E seguem sempre vivos.
Então, não se lamente... Não se lamente... Não se lamente...

P.S.:
Ninguém morre.
O espírito é gaivota de luz.
Voa além da linha do horizonte...
Segue as correntes energéticas sutis.
Sim, sempre vivo.
Como deve ser.
Na Luz.

(Dedicado ao nosso amigo Marcos Gonçalves, da Sociedade Espírita Ramatís, que recentemente foi morar “do lado de lá”, e agora anda vestido de luz por entre as estrelas, conversando e rindo com seus pares espirituais.)

Paz e Luz.

- Wagner Borges – pequena folha espiritualista viajando ao sabor do Vento do Espírito Supremo...
Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2009.

- Nota:
* Sob forte emoção, li esses escritos para os 400 participantes do VIII Seminário Ramatís, realizado no auditório da SER - Sociedade Espírita Ramatís – www.ramatis.org.br -, no Rio de Janeiro. Nem precisa dizer dos sentimentos que transbordam do coração numa hora dessas. E só quem faz algo assim é que sabe o que se passa dentro de si mesmo.
O lance começou enquanto eu aguardava o horário de minha palestra. Bem ali, no saguão de entrada do lugar, surgiu um dos espíritos amparadores da Sociedade Ramatís. E ele me pediu que eu escrevesse algo sobre a imortalidade da consciência, especialmente para o evento em curso. Então, fiz esses escritos ali mesmo, de improviso. E depois, bem no início de minha palestra, li o mesmo para o público presente.
Posteriormente, enquanto eu passava esses escritos a limpo, fui novamente tomado de forte emoção. Senti a mesma atmosfera espiritual que me levou à consecução desse texto. E eu sei bem da responsabilidade de escrever algo assim. Como também sei que não sou causa de nada, mas apenas um servidor da Luz. Sei bem do meu pequeno papel no imenso concerto da Vida Universal. E só o Alto é que sabe o que me move a falar sobre os temas espirituais e a assumir claramente a condição de espiritualista consciente, sem jamais escamotear ou negar aquilo que percebo em outros níveis de consciência.
Aproveito a oportunidade para agradecer aos meus amigos da Sociedade Espírita Ramatís, que sempre me recebem muito bem. Fico honrado por participar anualmente dos seminários realizados na casa. E também agradeço aos mentores espirituais do lugar, que sempre me passam toques conscienciais bem legais.
Obs.: Finalizando esses escritos, deixo na sequência dois textos inspirados de Sry Aurobindo, cheio daquela sabedoria perene que um dia iluminou os rishis (sábios) das terras quentes do Ganges e deu vida aos Upanishads.
Acho que o Marcos, lá em cima, gostará de ler isso. E, talvez, até procure o sábio Aurobindo para um papo. E, então, eles conversarão sobre essas coisas do espírito, de coração a coração, como deve ser. E, quem sabe, uma luz rosa, cheia de amor, flua do Alto sobre eles e, depois, para os corações dos familiares do Marcos, e também para todos os trabalhadores da Sociedade Espírita Ramatís...
Oxalá isso aconteça, e essas luzes do Alto iluminem o coração da nossa amiga Cléia Gonçalves, mãe do Marcos e presidente da Sociedade Espírita Ramatís.
Bom, vamos aos textos do inspirado Sry Aurobindo.

````````````

É ISTO O FIM?

- Por Sry Aurobindo -

É isto o fim de tudo o que fomos,
E tudo o que fizemos ou sonhamos?
Um nome não lembrado e uma forma desfeita.
É isto o fim?

Um corpo apodrecendo sob a laje de pedra
Ou transformado em cinza pelo fogo.
Uma mente dissolvida, perdidos seus esquecidos pensamentos.
É isto o fim?

Nossas poucas horas que foram e não mais são,
Nossas paixões outrora tão elevadas,
Sendo zombadas pela terra tranqüila e a calma luz do sol.
É isto o fim?

Nossos anseios de elevação humana em direção a Deus
Passando para outros corações
Iludidos enquanto o mundo sorri para a morte e o inferno.
É isto o fim?

Caída está a harpa, ela jaz despedaçada e muda;
Está morto o invisível tocador?
Por que a árvore tombou onde o pássaro cantava,
Deve o canto também emudecer?

Aquele que na mente planejou e desejou e pensou,
Trabalhou para reformar o destino da Terra,
Aquele que no coração amou e suspirou e esperou,
Também chega ele ao fim?

O imortal no mortal é seu Nome;
Aqui uma divindade artista
Em formas mais divinas, sempre se remodela,
Sem vontade de cessar.

Até que tudo seja feito, para o que as estrelas foram criadas,
Até que o coração descubra Deus
E a alma se conheça. E mesmo então
Não há nenhum fim.

(Texto extraído do maravilhoso livro "Sabedoria de Sri Aurobindo" - Editora Shakti).


´´´´´´´´´´
A SABEDORIA DE SRY AUROBINDO

- Por Sry Aurobindo* -

...Levanta teus olhos em direção ao Sol.
Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.
Observa, à noite, as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda.
Olha lá Órion, com sua espada e cinto brilhando, como brilhou aos antepassados Arianos a dez mil anos atrás, no começo da era Ariana; Sírius no seu esplendor, e Lyra percorrendo bilhões de milhas no oceano do espaço.
Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece e, contudo, são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo.
Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e, então, lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.
Observa que, além de Lyra, Ele está, e, no longínquo Espaço, onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.
E, então, volta à Terra e considera quem é este Ele.
Ele está bem perto de ti.
Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão. Imaginas tu que é Deus quem está passando?
Há uma criança rindo e correndo ao sol. Podes tu ouvi-Lo nesse riso?
Não, Ele está ainda mais próximo de ti. Ele está em ti, Ele é tu mesmo.
És tu que ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etéreo.
És tu que colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.
Olha para cima, oh filho do Yoga antigo, e não sejas mais medroso e céptico; não temas, não duvides, não lamentes, porque, em teu aparente corpo, está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.

(Texto extraído do maravilhoso livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti.)

- Nota:
* Sry Aurobindo - Aurobindo Ghose - Índia, 1872-1950 - foi um dos maiores mestres da Índia. O seu trabalho tornou-se conhecido como “O Yoga Integral”, porque, como ele dizia, “Toda vida é Yoga!” - Para mais detalhes sobre os seus escritos inspirados, ver o excelente livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti, e o site da Casa Aurobindo no Brasil: http://br.geocities.com/casa_sri_aurobindo/

Para ler mais textos do Professor Wagner Borges e saber mais sobre o IPPB, acesse:
www.ippb.org.br

sábado, maio 22, 2010

A hora e a vez de Zé Brasileiro

Enfim, chegou a hora e a vez de Zé Brasileiro. O Brasil vai bem, o comércio vai bem, a Copa do Mundo vem aí e, quem diria, também as Olimpíadas. O curioso é que este Zé Brasileiro, à semelhança do seu congênere Carioca, criou-se no exterior. Mas, ao contrário do Carioca imaginado pelas distorções coloniais dos criadores da Disneylândia, o nosso Zé forjou-se pelo suor e pelo sangue do trabalho migrante. "Zé Brasileiro, à semelhança do seu congênere Carioca, criou-se no exterior"
(foto: Reprodução)

Enquanto o Zé Carioca do imaginário hollywoodiano constituía-se no eterno malandro, avesso a qualquer trampo, o Zé Brasileiro da nossa realidade nunca recusou trabalho, por mais pesado, sujo e perigoso que fosse. Ele forjou-se no trabalho e pelo trabalho.

Zé Brasileiro tinha medo de retornar. Sua terra parecia-lhe muito distante, esquecida pela mídia internacional. Só lembrada pelo futebol, carnaval e violências.

De repente, seu país começou a ficar mais próximo. Pela TV. A mídia internacional lembrou-se que o Brasil é imenso território de recursos: petróleo, minérios, álcool, soja, boi gordo, frango, café. Além de duzentos milhões de brasileiros com alta disposição ao consumo. O Brasil transformou-se, no noticiário internacional, em um grande mercado. O país dos investimentos.

E Zé Brasileiro que não pensava no retorno, começou a avaliar se o estresse do trabalho pesado, sujo e perigoso compensava o poder de consumo que adquirira no exterior. Mas não se animava a dar uma direção ao próprio destino. Uma crise globalizada foi necessária para que tomasse o rumo de casa.

Contudo, ao chegar ao seu país, Zé Brasileiro depara-se com o seu congênere nacional forjado na própria terra. Assustado, não consegue ver nesse outro seu próprio semblante. Esperava ser Alguém. Foi transformado em Zé Ninguém das linhas de produção. Esperava, no seu retorno, também ser reconhecido como Alguém. Mas, ele mesmo não se reconhece nesse novo país que é a sua pátria.

Zé Brasileiro não consegue mais se aceitar como Zé Brasileiro. Daí, também não pode aceitar o Zé do Brasil que encontra pelas ruas de sua cidade. Fica escandalizado quando que o seu congênere nacional joga copos de plásticos nas ruas. Indigna-se quando o vê atravessando as ruas fora das passagens destinadas aos pedestres. Sente-se ofendido pelo ar de indiferença dos vendedores de lojas, dos shoppings ou das ruas.

Zé, então, começa a se isolar. Mas o isolamento só lhe aumenta a angústia do não reconhecimento. Fica agitado. Ou fica paralisado. Seus familiares também são tomados pela angústia desse isolamento. Angústia gerando angústia, o ambiente torna-se insuportável.

O que você vai fazer? Vai ficar? Vai trabalhar? Vai estudar? Para onde vai? Zé não sabe responder. Gostaria de ficar ali, quietinho, sem ser incomodado. Mas o incômodo maior vem de dentro. De suas próprias angústias.

Zé começa a pensar que teria sido melhor não ter voltado. Começa a pensar novamente em voltar. Paradoxalmente, voltar para fora. Do seu país. Zé passa a ficar sempre voltando. Sua trajetória é repleta de voltas. Tenta sempre voltar sem perceber os riscos do retorno ao inanimado.



Sobre o autor:
Taeco Toma Carignato é psicóloga psicanalista e jornalista. Doutora em psicologia social (PUC-SP) e pós-doutora em psicologia clínica (USP), é pesquisadora do Laboratório Psicanálise e Sociedade (USP) e do Núcleo de Pesquisa: Violência e Sujeito (PUC-SP).
Fale com Taeco Toma Carignato: taecotoma@terra.com.br

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4173327-EI14363,00-A+hora+e+a+vez+de+Ze+Brasileiro.html

sexta-feira, maio 21, 2010

LOST FINALE



Devo Partir ou Ficar?

A chance é agora de realizar o meu grande sonho de morar fora, viver além, lá longe, abroad, onde as coisas são diferentes, onde mora a outra gente que diz "por favor", onde poderei estudar, melhorar, experienciar o que há de mais moderno, o que há de mais interessante; porém, por mais que eu queira ir, por mais que eu deseje partir, tudo ao meu redor, me pede para eu ficar. Tudo me diz que não é a hora certa de ir, que preciso esperar, aguardar, sentir o momento correto de partir e realizar o que está esperando por mim. Porém, eu quero ir...mas o que fazer?

Devo partir ou ficar?

O mal não é ter escolha nenhuma, o pior é ter opção demais. Sou agradecido, pois sei, que muita gente nem chega a ter a oportunidade de escolher, e eu sei, que se eu ficar ou se eu partir, vou ficar bem - vou me virar, vou me adaptar, vou me arranjar - mas parte do processo de escolha é perceber quando tomamos alguma escolha baseada num impulso ou se fomos guiados por um desejo profundo de mudarmos a nossa vida para melhor.

Seja qual for a escolha que eu tenho que tomar, eu sei que tenho seguir em frente. Se eu for - sei que tenho que esquecer as coisas daqui, pelo menos, por um tempo - se eu ficar, deverá ocorrer o mesmo que ocorreria por lá, e mais ainda: vou precisar conter o meu maldizer, o meu mal-estar em aqui ficar para não contaminar quem comigo está, com as minhas lamentações, meu arrenpedimento por ter escolhido ficar.

A vida se arruma - as coisas tendem a melhorar - tanto se eu partir ou se eu ficar, o que eu não posso fazer, sob o risco de perder todas as coisas que eu conquistei aqui - meu relacionamento, minha família, meus amigos, minhas coisas, todos os meus bens-querer - é ficar na ponte da indecisão.

Devo partir ou ficar?

A única resposta possível para essa pergunta é: eu não posso na ponte ficar! Afinal, se eu não escolher, a vida acabará escolhendo por mim...


*******

INDECISÕES


Um dia você está aqui, mas quer estar lá.
Outro dia você está lá, mas quer estar aqui.
E lá vai você perdido pela vida,
Sem saber o que quer nem pra onde ir.

Um dia você está sozinho, mas quer encontrar o Amor.
Outro dia você O encontrou, mas quer voltar a ficar sozinho.
E lá vai você seguindo com o coração vazio,
Sem saber porque não recebe de ninguém o seu merecido carinho.

Um dia você está desempregado, e quer logo trabalhar.
Outro dia você está trabalhando, mas não pára de reclamar.
E lá vai você sem dinheiro uma vez mais,
Sem saber por que nenhuma empresa quer lhe empregar.

Um dia você acusa seus pais, tentando achar um culpado.
Outro dia culpa Deus, por não ser afortunado.
E lá vai você desperdiçando outra oportunidade
De ter uma vida produtiva, com alegria e aprendizado.

Um dia, em plena vida, você acha que tudo desaparecerá quando morrer.
Outro dia, além da morte, descobre que a vida teima em continuar,
E seus problemas ainda estão com você.
E lá vai você esperando uma nova chance de reencarnar e estar na Terra novamente.

Será que dessa vez você vai viver seu Presente ou vai
Apenas seguir desejando uma situação diferente?

Somos Todos UM SÓ!

- Frank -
Londres, 27 de outubro de 2002.

quinta-feira, maio 20, 2010

Sou Umbandista, Sou Cristã, Sou Hinduísta, ou Xamã?

Por Auricélia Oliveira

Mais que coisa mais difícil é explicar o que sou,
Isso, sem querer ser uma coisa ou outra;
Mais que coisa mais difícil é responder quanto à religião
Às, vezes por pura preguiça, digo apenas que sou espiritualista
Dificil mesmo é fazer entender que não sou isto ou aquilo,
Que tenho um Buda de madeira em casa e a ele reverencio
Sem ser Budista, é claro
Que tenho um elefante lindo e colorido "Ganesha" em minha parede
Sem ser Hinduísta, é claro
Que tenho minha Mãe Iemanjá retratada numa boneca que fiz
Sem ser Umbandista, é claro
Que tenho um Cristo me sorrindo num quadro à minha porta
Sem ser Cristã, ou católica é claro
Que tenho meus maracás, penas, penachos
Sem ser Xamã, é claro
Que tenho meus símbolos judaicos
Sem, ser judia é claro
Que tomo da sagrada Ayahuasca,
Sem ser daimista, é claro
Mais que coisa estranha essa, de termos que nos retratar
Retratar para a sociedade, me retratar pra minha família...
Mais que coisa mais chata é ter que escrever num ficha de emprego qual é a minha religião...mas o que isso interessa? Será que a minha condição religiosa vai me fazer mais ou menos preguiçosa, inteligente, capaz? Ser macumbeira, cristã, hinduísta ou xamã faz alguma diferença no mundo capitalista?
Ás vezes é mais fácil dizer o que querem ouvir...por isso já estou expert nisso...
Nos empregos digo que sou católica, pra familia (ah estes já conhecem a metamorfose que sou e já não estranham mais, dizem apenas que sou porra louca..rsrsrs),

Não seria tão mais fácil cada ser entender o que o outro é sem ter que taxá-lo de algo o qual ele tem particulas dessa plenitude...
Tá bom vou dizer a verdade...adoro mesmo um tambor...sons de orixás no congá...tá bom vou dizer a verdade...adoro mesmo o som de mantras ecoando no ar e me levando a estágios alterados de conciência, tá bom vou dizer a verdade...gosto mesmo é de tomar Daime e ir falar com Deus sem intermediários (aliás ouví-lo)...rsrsrsr, tá bom o que gosto mesmo é de me conectar com os Mestres Ascencionados e trabalhar com as chamas divinas...
Poxa, se cada ser soubesse o quanto ganha sendo multi-cultural, multi-espiritual...beber da fonte do que há de melhor de cada uma dessas lindas culturas e lógico, expurgar os montes de porcaria que também há dentro de cada uma, afinal discernimento sempre.
Deixo aqui um pedacinho de uma música recebida quando em um desses momentos, me senti parte do todo sem ao menos ter que novamente me decifrar sobre algo que está em eterna metamorfose, sem pertencer, pois se necessário pertencer, prefiro pertencer a luz infinita que criou a tudo ou o Todo, acho que fica mais abrangente...rsrsr ou então o próximo passo pra me sair dessas saias justas é responder perguntando: Oras, acaso existe outra religião senão o Amor???

"Todas as Linhas"

Vou aprendendo com o meu Divino Pai
Que lá no ceu tem milhares de estrelinhas
E se eu vejo tantas delas lá piscando
Por que eu tenho que dizer que apenas uma brilha?

Vou seguindo meu caminho com amor
Recebendo os ensinos de diversas linhas
Se tenho o Pai e a Mãe para me guiar
Eu sei que não vou me perder em nenhuma trilha

Se tenho um mudrá aprendido na vivencia
E se eu posso cantar para Nanã
Ao mesmo tempo que vejo um Cristo me olhando
Aprendo a amar a Terra com um guia Xamã

E quanto mais subo as asas desse mundo
Mais sinto que o Tudo faz parte do mesmo
Compartilhando e aprendendo com as linhas
Mais estrelas divinas eu lá percebo

Compartilhando e aprendendo com as linhas
Com respeito e amor nesse portal eu chego
Compartilhando e aprendendo com as linhas
Com o Olhar Divino pro Divino eu me atento

UMBANDA PORQUE NÃO TE RESPEITAM

A Umbanda foi fundamentada em 1908, pelo médium Zelio de Morais, que contava com apenas dezessete anos.

Na época em que Allan Kardec já havia fundamentado o espiritismo, através de suas espetaculares obras, como por exemplo o Livro dos Médiuns, o Livro dos Espíritos e sua maior obra o Evangelho segundo o Espiritismo, entre outras tantas, existia uma grande falha, tinha acesso às reuniões apenas a elite privilegiada.

Foi então que um espírito, trabalhador incansável da seara do Senhor, recebeu a missão de levar a luz para as classes menos privilegiadas, sua missão seria fundamentar uma religião espírita, cujas raízes viriam da distante África, seria o culto aos Orixás Naturais, já realizado pelos escravos agora libertos.

Só que deveria seguir as mesmas Leis de Amor que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou fundamentadas em seu evangelho.

Engana-se quem acha que Jesus Cristo nada tem a ver com a Umbanda, pois sendo ELE nosso regente planetário, nada em nosso planeta se estabelece, sem a sua autorização e benção.

O espírito escolhido, comandaria as falanges dos caboclos das Sete Encruzilhadas, sendo este o nome que usaria, escolheu um médium que ainda nem ao menos sabia que era, e foi numa mesa kardecista que comunicou a sua missão.

A Umbanda por ele fundada nada tem a ver com a grande maioria dos centros umbandistas atuais. Uma religião só tem razão de ser se antes de mais nada praticar a evolução espiritual de seus adeptos. Infelizmente não é isso o que acontece, vemos uma fila imensa de pedidos materiais ou amorosos, quando não é procurada por aqueles que querem vingança para seus desafetos.

Pobres coitados os médiuns que se prestam a este papel seus verdadeiros guias se afastam e espíritos trevosos passam a incorporar usando nomes falsos muitas vezes até o nome dos guias que se afastaram.

Quantas dívidas irão amargar estes médiuns, cegos só veem as vantagens materiais que irão obter de seus seguidores, seguindo seu tortuoso caminho espalham sementes malignas por todos os lados, enlameando o nome da Umbanda.

Graças a Deus, existem espalhados pelo nosso Brasil, vários templos sérios, contudo perto do número imenso de templos desvirtuados eles são muito poucos, difícil é propagar uma Umbanda de Amor, difícil explicar que suas Leis são as mesmas que Jesus Cristo deixou.

Difícil mas não impossível, falta a união entre estes templos sérios, seguidores da verdadeira Lei, não importa a distância, nos dias de hoje os meios de comunicação estão bastante adiantados.

Irmãos que são verdadeiros Umbandistas, que sentem o Amor Universal dentro de si, não esmoreçam, não se entreguem, unam-se, não existe o melhor ou o mais forte, pois a verdadeira força depende sempre do Amor e da Fé de cada um.

Façam com que aquele caboclo das Sete Encruzilhadas, tenha orgulho de vocês, que Jesus Cristo e Pai Oxalá os abençoem, vocês não estão sozinhos nesta luta.

Texto ditado por Aspargos, defensor das Leis de Cristo.

02-07-09

Postado por Luconi e Edson Luiz Tavares.
Fonte: http://espiritismoeumbanda.blogspot.com

FIRE WALKS WITH ME

"Where we´re are from, the birds sing a pretty song
and there´s always music in the air"






Scenes from Twin Peaks and Blue Velvet

PAREDES LAVADAS

Sonho já nasce estranho, mas há aqueles que vão além e parecem usar o absurdo para contar algo que não conseguimos decifrar em principio, mas vai aos poucos se revelando, no onirismo do dia-a-dia. Era um sonho bem consciente, onde eu sabia que estava dormindo e que a minha consciência se encontrava presente em algum outro canto da minha alma, e nesse sonho, meio que por intuição, eu abria uma torneira, de onde, uma mangueira saia e eu começava a lavar as paredes daquela casa, e quanto mais lavava, mais sujeira saia, e na sujeira, eu via palavras escritas, escutava frases faladas; e à medida, que as paredes eu lavava, tudo escorria para um ralo com som de descarga. Daí, quando finalmente, limpei todas as paredes, alguma voz que vinha de dentro de mim, falou:
- Essa limpeza é diária!
Quando acordei, fiquei pensando na natureza daquela limpeza e lá pelas quintas da noite, antes de dormir de novo, que me dei conta, que eu não conseguia dormir, pois muito havia o que pensar, e lembrei-me da voz do meu sonho e da mangueira, e meio que achando tudo aquilo um tanto esquisito, comecei a imaginar que limpava as paredes da minha mente, retirando todas aquelas palavras que não eram mais importantes que o meu descanso.

Todo dia é uma luta; casa hora, uma batalha; isso porque a gente somente nota o que está fora, imagina se a gente soubesse as batalhas que ocorrem dentro das dobras da nossa consciência.

É bem estranho
Quando finalmente
Conseguimos ver
Que a vida é um sonho
E por mais que se tente
Não mais perceber
A natureza se abre
Daí, você sabe,
Que nada é novo
Tudo é de novo
O que mudou
Foi o olhar
Que já não mais anda...
Onde ele está?
Voou!
Segura o que é teu
O bolso furado disse para mim: guarda o que é teu!
Não deixa fugir!
Você reclama que nada é seu
Mas deixa escapar
Bem fácil assim
Tudo o que recebeu!
Remenda o teu bolso
Tapa o buraco
Prosperidade evapora
Basta um par de mãos furadas
E cabeça oca!
Eu vou colocar em letras o que vi,
Eu vou contar
Só para ver o lápis fugir
E a palavra faltar
Essa é a minha peleja com o segredo:
Aprender a compreender
Que mesmo que eu queira
Jamais conseguirei revelar
Em crônica ou poesia
O que não se pode contar

quarta-feira, maio 19, 2010

AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS

Por Sogyal Rinpoche -

1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.

(Texto extraído de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" – Sogyal Rinpoche – Editora Talento/Palas Athena).



****//\\****

DEUS TOLERA O MAL?

- Por J. J. Benitez -

Reza a lenda que os habitantes daquele mundo, cansados de suportar tantas calamidades, decidiram celebrar uma assembléia geral. E, ao chamarem os líderes, acudiram seres de todas as raças e rincões daquele remoto lugar.
Todos se sentiam muito mal. As chuvas inundavam seus campos e aniquilavam seus habitantes. O fogo arrasava suas cidades e seus bosques. As enfermidades dizimavam a população e os inimigos caiam sobre as pessoas, semeando a morte e a destruição.
E aqueles seres, profundamente crentes, lamentavam-se nestes termos:
- Por que Deus tolera o mal? Que utilidade podem trazer-lhe tantas catástrofes e desatinos?
Ao fim de árduos debates, aquela assembléia resolveu interpelar Deus por causa da presumida injustiça.
Uma comissão de príncipes e ministros das igrejas dirigiu-se então à chamada Montanha Sagrada, onde Deus era visto com frequência.
O resto do povo, enfileirado e a uma prudente distância, seguiu seus sacerdotes .
Ao chegarem ao pico, os sumos sacerdotes viram, com efeito, a imensa figura, quase infinita, do seu Deus. E, de joelhos, formularam essas perguntas:
- Ó poderoso Deus! Dize-nos: por que consentes em tantos males? Por que envias a chuva que inunda nossas terras? Por que permites a escravidão? Por que nos atiras nas mãos de nossos inimigos?
E aquele poderoso ser parou de entoar sua flauta, dirigiu seu olhar para a longa fila de formigas, fez um sinal de desaprovação com a cabeça e comentou com suas ovelhas:
- Por que Deus tolera tanta injustiça? ... Por que nos envia a chuva e o granizo? Por que exige que trabalhemos de sol a sol, enquanto que essas só têm de estender a mão para recolher o grão?

(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – do jornalista, pesquisador e escritor espanhol J. J. Benitez – Editora Mercuryo.)

terça-feira, maio 18, 2010

Cobradora Meia-Catraca

- Esse ônibus passa na Praça Meia-Tigela? – perguntei a cobradora.

- Não sei ! – ela respondeu, com um olhar no celular e outro longe de mim.

Usar transporte público tem dessas coisas, às vezes, não temos certeza se tal linha passa naquele lugar que precisamos estar e só nos resta, perguntar aos funcionários do coletivo, se conseguiremos chegar ao nosso destino.

- A senhora é nova nessa linha?

- Por que o senhor não se informa sobre o seu destino, antes de entrar no ônibus?

Se informar como? Não há nos pontos de ônibus, um itinerário, os fiscais informam pelo cotovelo e que escolha temos, além de confiarmos que os funcionários que trabalham no coletivo saibam, ao menos, a rota que fazem.

- Este ônibus passa nessa Praça, moço – disse uma senhora, querendo ajudar – O senhor desce no terceiro ponto!

Será que é pedir demais que os funcionários dos nossos coletivos saibam ao menos por onde passam todos os dias e ajudem passageiros desorientados? Ou os motoristas são apenas pagos para dirigir e os cobradores para ficar olhando as catracas rodarem e supervisionar as máquinas automáticas validadoras do meu passe que já foi pago?

Realidade x Ilusão

" Há algum tempo, havia um homem chamado Dârana, ele era um homem sábio e um dia foi agraciado a realizar um desejo, pediu então ao deus Shiva para conhecer maya, e este disse que o seguisse, quando eles chegaram em um vilarejo Shiva disse que queria um pouco de água, e Dârana foi buscar.

Quando bateu à porta de uma casa encontrou uma mulher linda, imediatamente esqueceu o que foi fazer ali, entrou e conheceu os pais da moça, logo casou-se com ela, teve três filhos, e após doze anos regeu a fazendo da familia.

Então, um dia, uma enchente acabou com a fazenda, inundou e matou todo o gado, Dârana tentou fugir com os filhos, mas eles morreram afogados, sua mulher tb e ele diante da tragédia de sua vida se pôs a chorar...

Logo ouviu a voz de Shiva a dizer-lhe:

Cadê meu copo de água, meu filho? "

(Trecho extraído do livro: "Imagens e símbolos" de Mircea Eliade).


Notas:
Maya (do sânscrito माया, māyā) é um termo filosófico que tem vários significados, mas em geral se refere ao conceito da ilusão que constituiria a verdadeira natureza do universo objetivo. Maya deriva da contração de ma, que significa "não", e ya, que significa "aquilo".

O conceito foi criado pelo filósofo hindiano Adi Shankara no século IX e foi absorvido pelas religiões e filosofias do oriente. Dali foi importado para o ocidente no século XIX, tornando-se parte da língua corrente entre os devotos das religiões orientais e círculos esotéricos. Dentro dessas linhas de pensamento, maya se torna o principal obstáculo para o desapego das seduções do mundo sensorial, para a superação dos enganos criados pelo dualismo e para a conquista da verdadeira iluminação.

Fonte: Wikipédia

segunda-feira, maio 17, 2010

APRENDER DORMINDO

Foi um sonho
Que eu tive essa noite
Que me contou
Que eu continuo aprendendo
Mesmo quando eu penso
Que estou apenas dormindo;
Pode ser coisa do inconsciente,
Pode ser coisa do astral,
Tanto faz,
O que importa é a lição que traz;
Mas o que mais me fascina
É compreender
Que as lições não param
De ser ensinadas
Mesmo quando eu fecho os olhos;
E mesmo que eu não lembre a letra da canção
A melodia se faz som nos lábios
Durante o dia
Na intuição do corpo,
E na instrução da alma;
Vai ver: os insights que temos
São revisões
Das lições do sono
Que na pressa de acordar
Esquecemos!

domingo, maio 16, 2010

O Chamado Mítico

Sementes de Aquárius – Autor: Mário Diniz

Faz um tempo, um grande concílio foi convocado e um chamado mítico foi emitido aos inumeráveis Seres de Luz: os Meninos do Sol, os Anjos Alados, os Mensageiros do Sol, os Guerreiros do Arco-Íris e outros seres luminosos de muitos sistemas estelares. Num momento da reunião o Amor das Galáxias Giratórias – o Grande Espírito – entrou enchendo de graça com sua luz celestial e com as seguintes palavras:

ESTÃO CONVIDADOS A ENCARNAR EM UM MUNDO, ONDE UMA GRANDE TRASNFORMAÇÃO TOMARÁ LUGAR. Vocês, que responderem a este Chamado, irão a um lugar planetário, onde as ilusões do temor e da separação são fortes mestres. Chamo aqueles com o Dom e Talento necessários para que lá atuem como meus emissários, para elevar e transformar as freqüências do Planeta Terra, simplesmente incorporando e ancorando a presença do amor! Nesse mito vocês serão os criadores de uma nova realidade, a realidade da OITAVA DOURADA. Em outras viagens cada um de vocês comprovaram ser um navegante intuitivo capaz de despertar suas conciências e alinhar seu coração ao impulso do AMOR PURO e do SERVIÇO COMPASSIVO. Como mensageiros do sol e portadores da tocha, vocês demonstraram que manterão a luz no alto, e assim, os convido a encarnar massivamente entre as tribos da Terra para ajudar a GAIA e todos os seus filhos na sua transformação. Esta é a parte do plano em que vocês serão velados pelo esquecimento. Contudo lembrem-se, por enquanto, de que o sentimento da inocência infantil e da confiança chegarão a ser os acionadores harmônicos neste ciclo de começo para a Terra. Encarnarão estratégica e seguidamente em algumas áreas vibracionais mais densas do planeta. Para alguns, esta ilusão de separação do amor poderá criar sentimentos de desolação, falta de apoio e alienação, mas reconhecendo SUA HUMANIDADE, SEU AMOR TRANSFORMARÁ AS PROFUNDEZAS DA DUALIDADE E SUA LUZ ANIMARÁ A MUITOS. Sua participação neste desafio é puramente voluntária, porém esta mudança transformadora sobre a Terra é extraordinária e precisa. Se vocês chegarem a aceitar esta missão, terão a oportunidade de catalisar e sintetizar tudo o que alacaçaram durante muitas encarnações, recebendo um extraordinário oferecimento de um SALTO QUÂNTICO e de suas conciências. É importante para vocês escolherem como dançar com a Terra Gaia e seus filhos, enquanto ela completa sua cerimônia de luz. “

De tal modo falou o Criador à Luz da Galáxias Giratórias. E foi assim que os seres luminosos, que formaram as inúmeras alianças, federações e conselhos dos fiéis das estrelas, escolheram encarnar no Planeta Terra para ajudar neste crucial envento ” O DESPERTAR DO SONO PLANETÁRIO”. Foi elaborado um processo de proteção do plano, para despertar a esses seres da ilusão, da separação e do véu do esquecimento, que é tão comum sobre a Terra. Os seres luminosos que viajaram para ajudar GAIA concordaram em AVIVAR uns aos outros a lembrança. Assim, essas sementes estelares deixaram códigos de várias formas, como sons, cores, luzes, imagens, palavras e símbolos, uma ressonância vibracional, que os ajudaria a recordar seu compromisso com a Luz. Ficou estabelecido que essas chaves codificadas apareceriam em todas as partes “na arte, na música vibracionária, em olhares penetrantes, em conversações e sentimentos, ”tudo criando um profundo desejo de despertar e chegar a ser ENCARNAÇÃO DO AMOR.

” Assim vocês os Filhos do Sol, estão agora sendo banhados com a água da recordação, preparados como guerreiros do Arco-Íris, para completar a promessa do novo e antigo mito, simplesmente assegurando a presença do AMOR NA TERRA. Sua escolha amorosa descansará no manto dos deuses, enviando ondas de cura e de amor, pelo corpo receptivo de GAIA. E enquanto despertam neste tempo, seus dons despertarão e habitarão a outros, utilizando as ferramentas do Riso, do Canto, da Dança, da Alegria, do Gozo, da Confiança e do Amor. Vocês estarão criando uma profunda onda de transformação, que transmutará as limitações do antigo mito da dualidade e da separação, realizando o Milagre da Paz e da unidade sobre a Terra. Utilize os seus dons em benefício de GAIA. Numa supernova de conciência, GAIA e seus filhos ascenderão em vestimentas de luz, formando um LUMINOSO CORPO DE LUZ E DE AMOR, para renascer em direção as estrelas.

O CHAMADO MÍTICO FOI EMITIDO. O grande desafio começou.

DESPERTEM GUERREIROS DO ARCO-ÍRIS, MENSAGEIROS DO SOL, SERES LUMINOSOS DAS ALIANÇAS GALÁCTICAS, FEDERAÇÕES E CONCÍLIOS.

Antigos caminhantes do céu graduados novamente neste momento, permaneçam na beleza e no poder de GAIA. Deixem de lado a desconfiança,vocês são os Filhos Divinos do Sol, vão para onde seus corações o levem, afim de compartilhar seus Grandes Dons.

ENTREGUEM-SE À MÁGIA NA TERRA.

LEMBREM-SE DE QUE DANÇAMOS E CANTAMOS AQUI POR UM ÚNICO CORAÇÃO!
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