quinta-feira, julho 31, 2008

O LOUCO NA COLINA

Sou o louco do Tarot; sou o tolo da colina, equilibro-me numa flor e o precipício é a minha sina.

Não quero que você me entenda, nem procure compreender; pois há coisas que apenas sentimos, nem adianta descrever.

O sol me ilumina quando ando sob as nuvens. É a lua que me avisa, quando estou prestes a bater a cabeça no chão. Por isso, não me preocupo, se você acredita se eu vôo ou não; enquanto você duvida, eu estou em pleno ar.

Vou voando enquanto caminho e essa é razão por trás do sorriso que exibo, enquanto você chora. Não sou melhor que você, só diferente na maneira como enxergo a vida, que não passa de um rio, para mim, mas um rio que sobre para o mar. Sim, meu rio sobre e meu céu desce. Aprendi a alcançar as estrelas, e por poder fazer isso, as deixo por lá.

Não entendeu? Não se preocupe, sou apenas o bobo da corte, sentado na colina, vendo o mundo girar.

quarta-feira, julho 30, 2008

AMOR DE SENTIR, AMOR DE SE DAR

Não há amor maior que outro, só amar diferente. Nunca deixamos de amar alguém que se foi da nossa presença, mesmo quando outro alguém ocupa o posto de amor presente.

Se foi amor, ainda é chuva ardente; se foi paixão, foi cadente, há muito se apagou. Acreditar que só se ama uma vez, é limitar a experiência de amor.

Se Deus nos deu múltiplas oportunidades de experimentar tantas coisas nesse mundo, por que seria diferente com o amor de sentir e o amor de se dar?

Há mais de um amor e posso jurar: você vai amar mais de um amar.

terça-feira, julho 29, 2008

EU TENHO MEDO DA ANA HICKMAN

Não importa aonde eu vá, ela vive a me perseguir. Já tentei me esconder, mas para qualquer lugar que eu olhe, Ana Hickman vem me encontrar.

Tenho medo de ir na padaria; no supermercado não vou nunca mais; desde o dia em que a encontrei numa prateleira entre bebidas e as comidas da geladeira.

Já até briguei com a minha esposa, que me pegou em uma noite, repetindo o nome da Ana, enquanto sonhava!

Preciso de ajuda, só pode ser obsessão. Será que estou vendo coisa ou o rosto dessa moça está mesmo em todos os lugares. Juro que não sou eu, que a procuro, ela é que surge em todo lugar. Ela está nas revistas que leio, nos jornais que folheio, aparece na TV o tempo inteiro e até em anúncios do metrô, só para me assustar.

Desconfio que meu medo já virou fobia. Será que existe alguma terapia que possa me ajudar?



Imagem: http://www.missoavancine.blogspot.com/
Para quem gosta de caricaturas, o site acima é um prato cheio

segunda-feira, julho 28, 2008

O ESCRITOR E A PENA

A moça no restaurante ensaia um sorriso. O escritor, homem bobo, já pensa que é flerte; mas a verdade é que ela não quer nada comigo, nada além de uma conversa:

- O que você escreve tanto? – pergunta ela, rompendo a barreira que nos chama de estranhos.

- Escrevo sobre você! – respondo. Ela não acredita e espia as letras que desenho, tentando se achar nos meus garranchos.

- Como você pode escrever algo sobre mim, se nem sabe quem eu sou ou ao menos o meu nome? – pergunta novamente.

Gostaria de conseguir explicar, que não sou dono da pena, ela que é dona de mim; e quando toma de conta, ela é capaz de escrever coisas belas, ainda que eu nem perceba o que estou escrevendo.

- Escrevo sobre o seu sorriso – respondo – E sobre esse papo amigo entre desconhecidos. Talvez não faça o menor sentido para você e nem faz tanto para mim; mas escrever é um ato assim meio louco, onde o escritor tenta descrever o nada e acaba por letrar tudo que vê à frente. – explico e ela olha para mim, como se eu fosse um lunático - Eu te avisei, todo escritor é maluco!

- O meu nome é Lúcia! – responde ela, rindo e se despedindo, indo atender outra pessoa em outra mesa. Quanto ao escritor maluco, ele ficou brigando com a pena: “Você e essa maldita mania de escrever sobre todo mundo”.

domingo, julho 27, 2008

O PACTO

Todos os dias, eu travo uma batalha com o Senhor do Sono, quando tento meditar. Não importa o quanto alto meu OM pode ficar, pois mais areia nos olhos, ele faz questão de jogar.

A vida é uma corrida contra o tempo. Não maldigo, pago o preço das descidas e subidas, sempre tentando encontrar um caminho do meio entre ganhar o pão e viajar com a alma. Nessa eterna batalha entre a luz e a escuridão, vou tocando a minha vida na terra, sem luxo, mas sempre desejando algo melhor. Sei que há prosperidade para todos que ousam trabalhar, contudo, ao chegar em casa, depois dos grãos de cada dia, não consigo meditar, caio no sono.

Antes eu conseguia fazer a meditação dos sete chacras e até canalizar energia para a multidão. Hoje em dia, basta fechar os olhos, para acordar no dia seguinte, com aquela cara de: Dãaa!!!

Então, certa noite, depois de mil tentativas, finalmente vi o Senhor do Sono chegar. Eu fingi que não o ví, fiz de conta que ia me entregar ao reino de Morpheus, mas antes que ele jogasse sua areia pelo ar, criei coragem e falei:

- Senhor do Sono, não me leve a mal. Eu o respeito, mas preciso muito meditar. Sei que é sagrado, e é dever da alma, deixar o corpo repousar, mas preciso apenas de dez minutos para meditar e juro, depois disso, você pode me levar!

Difícil descrever a cara de surpresa do Senhor do Sono, mas talvez tenha sido pelo respeito ou pela ousadia do meu pedido, ele deixou-me trabalhar, e por dez minutos, ajustei o motor da aura, calibrei cada chacra com carinho e estacionei o veículo do corpo na cama. Só me lembro que no dia seguinte, despertei com aquela sensação maravilhosa de sono tranqüilo e viagem gostosa pré-despertar.

Na noite seguinte, renovei o pacto e desde então, tenho conseguido meditar, mas sempre com muito esforço e disciplina, para não deixar o Senhor do Sono me apagar.

Corro o risco de deixá-lo nervoso (ele parece meio pavio curto), mas tenho um compromisso com vocês e vou compartilhar: se você também tem dificuldade em permanecer acordado quando tenta meditar, faça também um pacto com o Senhor do Sono, e não vá dormir, sem antes se limpar.

quinta-feira, julho 24, 2008

BOSSA NA OCA

Nunca vi o Parque do Ibirapuera tão cheio. É feriado de meio de semana , a população de São Paulo inteira veio pra cá. Caminho com a Auri em direção a Oca, há uma exposição sobre os 50 anos da bossa nova.

Não sei muita coisa sobre esse ritmo que tanto influenciou a música nacional ( e internacional), mas estou disposto a mergulhar no novo, mesmo que para boa parte das pessoas, a bossa seja algo do passado.

O QUE É BOSSA?

Seria a bossa, só um banquinho, um violão, um cantor e alguma música sobre amor ou solidão? Que gênio foi Vinicius que não bastou poeta e quis explodir também em melodia? Pelejou até encontrar o tom certo e finalmente uniu-se ao Jobim; mas a bossa não estava completa, sem aquele toque baiano, e nada seria mais belo que um tal de João Gilberto que tinha a voz com som de mar.

“ Melhor que isso, só o silêncio
Melhor que o silêncio, só o João”
Caetano Veloso

E que batida revolucionária de violão, num canto quase falado, livre de excessos, melodia rica numa harmônica perfeita.

Como um barquinho, a bossa foi seguindo, numa tarde caindo em Itapoã, em Ipanema, em Copacabana com a voz doce da Nara, da Maysa, da Elizete Cardoso e outras tantas representantes que nem mesmo Elis Regina poderia dar conta de interpretar.

Chega de saudade, pois a bossa nunca partiu, foi ficando. Está na América do Sérgio Mendes; na aquarela de Toquinho e mesmo sem Vinicius, sem Jobim, ainda temos a chance de ouvir outros tantos Gilbertos e descobrir que a bossa ainda é nova, e não tem a menor chance de acabar.


O SOM DO SILÊNCIO

Há na exposição “Bossa na Oca”, uma sala chamada Silêncio. As pessoas fazem fila para entrar, mas não sabem o que vão encontrar.

Entro na onda, sou curioso. Quero descobrir também o que o Silêncio pode me mostrar.

Entra duas pessoas por vez. Espero ansioso e vou lendo a reação de cada rosto.

O casal a nossa frente, entra na sala e 30 segundos depois, saem de lá, com caras de desapontados.

- Pegamos essa fila toda – disse a moça – E não escutamos nada!



AMOR, SORRISO E FLOR

Coisa mais gostosa é ouvir João Gilberto. Ele tem esse som de canção pura; consegue falar tudo no cantar pouco.

“- Dá até vontade de chorar”.

Bossa é descobrir que menos é mais – preciso dizer algo mais?

O PITBULL E O MENINO DO DENTE ARRANCADO

Era uma vez um mundo invertido: as pessoas evitavam o caminho da dor e trilhavam o amor; batidas de carro, eram resolvidas com conversas amigáveis e não com discussões sangrentas; não era preciso convencer os outros sobre um particular ponto de vista, pois certeza intima não se fortalecia com a fé do outro destruída; enfim era um mundo bem diferente dessa realidade em que vivemos e foi nesse mundo que surgiu o estranho caso do menino que havia mordido um cachorro.

O cachorro era um pitibull e nesse mundo, essa raça de cachorros não tinha a cara e a agressão dos seus donos, por isso, eram cachorros dóceis, que brincavam e gostavam das crianças, como qualquer outra raça. Contudo, é da natureza de qualquer animal, seja no nosso mundo ou no mundo onde tudo é invertido, se defender contra qualquer ameaça; e o menino, se sentindo invencível, começou a provocar o cachorro, de tal forma, que o pitbull sentiu-se ameaçado e como qualquer animal, partiu para cima do menino, que reagiu, mordendo o pescoço do cachorro. A mordida foi tamanha, que um dos dentes do menino ficou agarrado na pele do animal.

O menino contou a todos, que foi o cachorro que o atacou; mas nesse mundo, todos os pontos de vistas são levado em conta, até mesmo o de um cachorro. E depois da fama de ser o primeiro menino a sobreviver em um combate com um pitbull, à verdade veio a tona: nem sempre os meninos são tão inocentes assim e nem sempre um pitbull tem a cara do seu dono.

Frank Oliveira
24 de Julho de 2008

Reportagem sobre o caso do menino e do pitbull no nosso mundo:
http://www.jornalahoraonline.com.br/cidade/integra.php?id=4328

quarta-feira, julho 23, 2008

O DOM DE VOAR

Além da prisão da carne, do mundo ilusório dos sentidos e das correntes da ignorância espiritual, o projetor alça vôo, beijando o céu noturno e brilhando junto as estrelas.

Em sua mente astral, a ambição de evoluir; mas em seu coração, a verdadeira vontade de ajudar seus outros irmãos, sonânbulos da vida, como disse certa vez sua amiga.

Nao há falsa pretensão em seus objetivos, aliás, não há desejo algum compensatório por estar ajudando, enquanto dorme, mas simplesmente a profunda vontade de ajudar, e
ser útil a evolução do universo.

Porém, se perguntarem ao projetor, o que mais lhe dá prazer em suas andanças noturnas por outros reinos, ele dirá: "além de ajudar e aprender com meus amigos
espirituais, devo confessar, meio que envergonhado, que o que mais me agrada nesse doce despertar é o maravilhoso Dom de Voar"

Quando fala dos prazeres de voar, sua aura expande em milhares de cores. Ele conta como desliza pelo ar, e de suas piruetas e da leveza das asas; narra com felicidade, como o seu corpo astral voa, usando palavras que vêm do fundo do seu coração.

- Quando retorno ao mundo das aparências, chego a sentir inveja dos pássaros, e pensar que existe seres humanos que os prendem em gaiolas para ouvir o seu cantar. Será que eles não percebem, o quanto a melodia dessas aves prisioneiras é triste por não poder mais voar?

Então o projetor percebe que é hora de voltar e antes de sentir o despertar, ainda consegue sentir ondas de amor vindo em sua direção e um mantra sendo emanado, a medida que vai despertando:

"ON NAMAH GARUDA YA"

O mantra ecoa por seus sentidos, mas o que mais lhe chama a atenção é que o canto parece vir de centenas de pássaros que acompanham o seu retornar.

Quando desperta no seu corpo, ele não consegue lembrar de tudo o que ocorreu, mas um nome não sai da sua mente: GARUDA.

Então ele se lembra que estava voando e ri como uma criança ao lembrar de uma travessura, pois ao fechar os olhos e repetir mentalmente GARUDA, ele ainda é capaz de sentir o sabor de voar sem ter asas.

terça-feira, julho 22, 2008

A ÁRVORE DANÇARINA

Era uma vez um menino que ao ficar acordado, enquanto o seu corpo dormia, viu mais que devia e assustado, percebeu, que não era só ele que se movia; a árvore que sempre chamou de amiga, dançava ao som da melodia das estrelas.

Ele quis gritar, não conseguiu; quis correr, não saiu do lugar; quis fechar os olhos, mas não parava de olhar aquela árvore que dançava sem parar.

A árvore notando o menino assustado, parou o seu bailado e aproximou-se do menino.

- Por que você está com medo? - Perguntou a árvore.

- Porque você está viva tanto quanto eu! – respondeu o menino.

- Eu pensei que você sabia que todas as árvores estavam vivas. Você sempre me tratou com tanta alegria.

- Eu sabia que vocês estavam vivas – explicou o menino – mas nunca imaginei que vocês podiam dançar e falar. É tudo muito assustador.

- O que mais te assusta? – perguntou a árvore - Uma árvore dançarina ou descobrir que não é só os seres humanos que se comunicam e celebram a vida?

Todas as coisas desse mundo estão vivas e possuem a sua razão de ser.- continuou explicando a árvore- Há diferentes formas de comunicação e expressão que vocês sequer conseguiriam conceber, e a forma humana, é apenas uma das milhares utilizadas.

Foi quando o menino notou que a rocha também dançava e a grama da relva parecia bailar e ao ouvir os bichos da noite entoarem, junto com a lua, uma nova canção, ele pediu desculpa para a árvore pela primeira impressão e perguntou se podia ao baile se juntar.

- Seja bem vindo menino! – respondeu a árvore – Só faltava você para a nossa festa do Divino.

E a noite foi palco da festa , onde humanos e todos os seres da floresta, celebravam a vida com o mais lindo bailar.

Quando o menino acordou, ele ainda cantava a canção que a árvore dançava, e ao abrir a porta e ver a árvore dançarina que agora fingia que não se movia, avançou em sua direção e a abraçou com carinho, e falou:

- Não se esqueça de me chamar para a próxima festa. – falou baixinho- Eu vou, nem que esteja dormindo.

Foi então que ele percebeu, que a árvore respondeu de volta e cochichou em seu ouvido “ você será sempre bem vindo”.

segunda-feira, julho 21, 2008

PAULISTA DESVAIRADA*

Caminho pela Paulista como quem caminha pela vida. Por vezes sou absorvido pelo que vejo, sinto, ouço ou cheiro; outras vezes, observo e é observando que eu me vejo em todas as pessoas e em mim mesmo.


O HOMEM QUE FALAVA FLORES

Ele falava ao telefone, quando cruzei com seu olhar na esquina da Paulista com a Consolação.

- Não me venha com espinhos – disse ele ao celular – Quando me ligar, fale sobre orquídeas, tulipas, até aceito ouvir sobre as violetas, mas por favor não me venha com mais ervas daninhas.


O VENDEDOR DE TAPIOCAS

- Quero a minha com coco e leite condensado! – pedi ao vendedor de tapioca que lembrava um barman acrobata em frente à Fiesp. O coco voava sob o carrinho, o leite condensado jorrava sob a massa que dançava na frigideira.

Pergunto se vou pagar extra pelo show, ele sorri e como sou freguês, ele só me cobra pela tapioca.


*Titulo baseado na obra Paulicéia Desvairada – Mário de Andrade

LOUCOS

Somos loucos, cada um a sua própria maneira.

Somos loucos quando seguimos a dança do coletivo, sem ao menos nos perguntarmos porque estamos indo e pra onde vamos.

Somos loucos, quando achamos a nossa voz e percebemos que ela destoa de todos os sons já criados, de todas as vozes já ouvidas.

Somos loucos por ousar com o novo ou insistir com o que é velho.

Quando percebemos que somos todos loucos, se esvai a mania de querer convencer os outros que eles estão no caminho torto e só a gente caminha no caminho certo.

E a loucura fica mais evidente, quando nos damos conta que estando certos ou errados, é o respeito à loucura do outro que nos torna despertos e conscientes da loucura maior: somos todos um só.

domingo, julho 20, 2008

MENOS É MAIS

O silêncio é o melhor presente que podemos oferecer ao Divino, após uma experiência transcendental.

É normal, sentirmos vontade de contar ao mundo que somos mais que animais; que dentro do nosso peito, explodem mil sóis.

É humano, querer compartilhar sensações, querer explicar insights, e desejar que o outro também tenha acesso ao novo mundo descoberto por nóis; porem, a descoberta que tanto faz bem a tua consciência, pode não ser tão bonita aos olhos alheios, pelo contrário, ao tentar convencer os outros, corremos o risco de nos tornarmos prisioneiros das palavras, pois nem sempre o que sentimos com tanto intensidade, pode ser explicado ao ser falado.

Deixe para trás a ignorância: conheça, experimente e aprenda, mas perceba que, para a consciência que tudo quer e almeja, menos é mais.

Menos é mais, tanto no saber, quanto no experimentar. Menos é mais, tanto no pensar, quanto no expressar.

Uma dose a mais, e o alimento vira veneno. Uma palavra a mais, e a poesia perde a rima.

Menos é mais, para que o encanto que em principio fascina, nunca deixe de brilhar.

A Lenda do Vagalume

Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vagalume.
Esta fugia rápido, com medo da feroz predadora e a serpente nem pensava em desistir.

Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada.....

No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse a cobra:

- Posso lhe fazer três perguntas?

Ela então respondeu.

- Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te devorar mesmo, pode perguntar....

- Pertenço a sua cadeia alimentar?

- Não.

- Eu te fiz algum mal?

- Não.

- Então, por que você quer acabar comigo?

- Porque não suporto ver você brilhar......

"Pense nisso e selecione as pessoas em quem confiar".

Domínio Popular

sexta-feira, julho 18, 2008

BOM DIA!!!

Não saiu no New York Times, nem na Folha ou no Estadão. Não ocupou destaque nas manchetes dos principais portais da internet e não virou conversa de elevador, mas um estranho foi visto essa manhã em plena Avenida Paulista, dizendo "Bom Dia!" para todos os estranhos que via saindo dos metrôs, ônibus, estacionamentos e portarias. O sujeito, aparentando trinta e poucos anos, vestido como um nativo da avenida
mais importante de São Paulo, não aparentava nenhum sinal de loucura além do fato de querer cumprimentar todos que passavam e lhes desejar um bom dia.

Os transeuntes entrevistados por nossa equipe se dividiam entre os fascinados e os irritados:

- Incrível que alguém deseje conversar com as pessoas nessa correria e desejar bom dia. Estou admirada e contagiada, vou dar bom dia para todos na firma. - disse uma das fascinadas.

- Loucura! Estou atrasado, irritado com esse trânsito maluco, e esse sujeito vem me desejar bom dia - Disse um dos irritados - Meu dia ficou ainda pior agora!

Independente da reação de quem abordava, Odlavir Oliveira, continuou sua ação por horas até ser parado por policiais que ameaçaram o atuar por distúrbio público.

Conseguimos conversar com Odlavir, após o incidente com a polícia. Ele não parecia ser um desses religiosos, até porque não entregava folhetos, não pregava mensagens e nem vendia incensos ou livros.

- Estou transbordando de amor - exlicou Odlavir, com um eterno sorriso no rosto - Vocês já sentiram seu corpo, sua mente, sua alma invadidos por um sentimento estranho e ao mesmo tempo familiar que te enche de sorrisos e amor? Eu estava no metrô, indo para o meu trabalho, como faço todos os dias e senti que todo mundo naquele vagão era parte de mim. Loucura, né? Eu sei que não faz o menor sentido, mas eu estava transbordando. Era amor demais só para mim e senti vontade de compartilhar aquilo que eu sentia com todos que encontrasse pela frente e a melhor forma que encontrei foi desejando um bom dia.

Odlavir foi afastado da Avenida Paulista, mas horas depois, surgiram outras pessoas fazendo a mesma coisa para desespero dos polícia e dos irritados de plantão. Bom humor contagia? Não sabemos a resposta, mas a Avenida Paulista teve que lidar com um "problema" diferente essa manhã.

Tenham todos um Bom Dia!

quinta-feira, julho 17, 2008

Um Anjo de Órion

Num certo domingo, um anjo lá das bandas de Órion, desceu das estrelas para me
visitar e ajudar.

Com um toque mágico, suas mãos curaram minhas dores de tal forma, que nunca mais senti dores na costas, e minha alma, até hoje, ainda sente o efeito dessa visita
tão esplendorosa.

Quem diria que tal Anjo fosse também uma curandeira, pois além do seu sorriso meigo e de seus olhos que refletiam as estrelas; suas mãos tocaram minhas dores,
como se ela tocasse notas de uma harpa em uma sinfonia de curar.

Muito devo a esse Anjo, se pudesse lhe daria um cometa, para que ela pudesse voltar para as estrelas; mas sinto que ela gosta é mesmo aqui da terra, por essa razão, ela assumiu uma forma humana tão terna, finge que é mortal e atende quando a chamamos de Lílian, mas se você olhar um pouco mais, verá as mãos de quem contribui, de quem é doadora; e enxergará mais que tudo, as asas de uma verdadeira voadora.

A LUA DEU A LUZ


Olhei pela janela e a vi resplandecente. Quis pegar pena e papel para lhe escrever uma canção, um poema, um repente; mas nada saiu, pois tudo o que você pedia, Lua, era: vem me admirar!

Fiquei assim com a boca aberta, só sentindo o seu brilhar. A Lua dando luz, e eu ali na janela, respirando o inspirar.

Será que esse brilho já chegou na Bahia, na China ou no Alaska? Não sei, só sei que parece que esse brilho é só meu e por favor, faz de conta que é assim e me deixa acreditando que a Lua essa noite deu a luz só para mim.

quinta-feira, julho 10, 2008

CARTA AOS COMEDORES DE PIZZA

Caros Comedores de Pizza

Nesse Dia da Pizza, gostaria em nome de todas as pizzas do Brasil e do mundo, solicitar gentilmente que vocês parem de associar o nosso belo nome á esse bando de “não sei que nome merecem ser chamados” que estão trabalhando com política.

Honrem a nossa classe, não digam por ai, que falcatrua acaba em pizza.

Tudo que acaba em pizza é gostoso como a portuguesa, tem cheio de marguerita, quatro-queijo ou catupuri com frango.

Conosco, até o simples é maravilhoso, não há nada mais delicioso que uma pizza de mussarela com borda recheada.

Até pizza doce inventaram; e nem ligamos que há até no mercado, pizza em formato de cone. Mas, essa relação pizza e crime, não faz bem para a nossa história e seu passado de glórias ( há indícios que a nossa origem foi na Grécia e no Egito antigo – não digam isso aos italianos)

Por isso, convido a todos a provar os nossos mil sabores, nesse dia tão maravilhoso, mas por favor, nos respeitem.

Pizza Inconformada

terça-feira, julho 08, 2008

SALVATORE CACCIOLA

Era uma vez um prédio, um homem , uma mulher e um criminoso procurado pela policia.

Ela era acessorista do Mappin. Tinha orgulho de fazer parte daquela loja que tinha a cara de São Paulo.

Não se importava em trabalhar no centro da cidade, afinal seu emprego ficava em frente ao Teatro Municipal, e a Praça Ramos era, ainda sem tantas reformas, um lugar bonito e o Viaduto do Chá tinha um certo charme. Ganhava pouco, mas pagava as suas contas com o gosto, e dizia com muito prazer: "sou acessorista do Mappin".

Um certo dia, ela foi trabalhar e encontrou todos os seus amigos na porta da loja: o Mappin seria fechado! Desespero completo, pânico total. Quem pagaria as suas contas?

- Foi o Salvatore! Foi o Cacciola!- gritaram alguns, acusaram outros. Ela nem sabia quem era esse homem que estava presente nas faixas, nos gritos de protesto. Chefe para ela, era aquele sujeito ali, com o olhar desolador, que trabalhara por 35 anos na mesma empresa e que agora orava por uma salvação, alguém que lhe dissesse: "não se preocupe, você terá seu emprego de volta". Ele era parte da história daquela loja; daquele prédio que por mais de 80 anos, empregou pessoas e serviu a sociedade.

Ela então olhou o prédio que era até então a sua segunda casa e teve certeza que nunca mais veria aquele lar aberto novamente.

O prédio era puro silêncio, só observava as pessoas lá embaixo, protestando, querendo entrar e trabalhar. De portas fechadas, só restava o seu relógio funcionando, lembrando a todos, que seu o tempo havia passado.

domingo, julho 06, 2008

CORRENDO PELADO


Eles não imaginaram que eu fosse correr pelado. Acharam que eu falava da boca para fora, que era estória para amigo ouvir. Eu disse que estava morrendo de vontade de correr pelado. O dia estava quente, estavámos no meio da mata, em contato com as árvores, a natureza se descortinava ao nosso redor e a trilha convidava: solte-se!

Quantas vezes já sentimos vontade de correr sem roupas, rasgar os preconceitos, se desfazer das nossas coisas e seguir a vontade, sem explicar nada para ninguém, sem precisar prestar contas dessas coisas loucas que amamos falar que adoraríamos fazer; mas ninguém faz!

Ninguém fazemos porque somos engolidos pela sociedade, pelos deveres, por todos esses podes e não podes, pela decência, pela moral, pelos bons costumes; e toda a espontaniedade se escoa pelo ralo da vontade e o que vemos, são sonhos quebrados e desejos perdidos.

O que seria do mundo se todos que sentissem vontade de correr pelados, o fizessem? Seria o caos? A anarquia? O fim dos tempos? Ou seria um retorno a inocência? A volta a uma época, onde o nú era permitido, liberado, natural?

Foi pensando nisso que me desfiz de minhas roupas. A camisa foi jogada para cima, a calça jogada para baixo. Quando a última das minhas vestes caiu, meus amigos se deram conta que eu tinha cumprido o que havia prometido.

Que liberdade era correr sem roupas, que maravilha ser simplesmente pelado: pelado da opinião alheia, pelado de preconceitos, pelado para o mundo que me rodeia, pelado para todas as coisas que me prendiam.

O caseiro nem viu, nem a polícia foi chamada. O mundo não acabou, nem o sitio foi fechado pela comissão das Senhoras Católicas.

Depois de saciada a vontade, voltei para onde estavam meus amigos, vesti minhas roupas e encontrei pares de olhos assustados com a minha loucura aparente.

- Quem é o próximo?

sábado, julho 05, 2008

EM BUSCA DO MASP

Lucas queria um jogo novo para o seu Play Station. Propus um desafio: eu daria para ele o que pediu, se ele conseguisse nos guiar do metrô Santa Cruz ao Masp.

Meu sobrinho tem onze anos e fazer jornadas de metrô ou ônibus não faz parte do seu cotidiano, muito menos saber onde ficava localizado esse "MASP". Contudo, fiquei supreso ao saber, que museu para ele, só havia o do Ipiranga. Ele me contou que não aprendera nada sobre essa Museu de Arte de São Paulo na escola. Decidi que já era hora do meu sobrinho saber um pouco mais sobre esse orgulho cultural paulistano e também mostrar para ele que quem tem boca, não fica perdido, nem aqui nem em Roma.

Ensinei, que não bastava perguntar para qualquer um ( que evitasse tipos estranhos, outros moleques, homens) e fosse pouco a pouco, seguindo e montando um mapa mental que começava onde ele estava e terminava onde ele queria chegar.

Lucas, é claro, aceitou o desafio, e de estação em estação, fomos seguindo. Seus olhos brilhavam quando embarcamos rumo ao Tucuruvi e descemos no Paraíso. Seus passos ensaiavam um dança de adulto em meio a toda aquela informação nova e aquele mar de nomes estranhos e direções. Por fim, ele apontou, teríamos que pegar o trem em direção a Vila Madalena. O Masp ficava na estação Trianon.

Meia hora depois, chegamos ao Masp. Demorou um pouco para o Lucas perceber que aquele prédio com estruturas e teto vermelho era o nosso destino. Segundo o menino, o edifício parecia um bicho com aquelas quatro pernas que a qualquer momento, poderiam ganhar movimento e sair caminhando pela Avenida Paulista.

Ele ouviu com atenção, quando lhe expliquei a importância daquele museu e de seu acervo de mais de 7.000 obras e no meio da explicação, ele fez uma pergunta:

- Tio, não é esse aquele museu de onde roubaram uns quadros?

Triste mundo esse que crianças aprendem mais sobre museus em noticiários que nas salas de aula.

O ENCONTRO DO URSO E DA BEIJA-FLOR

"Muitos são os motivos pelos quais dois amigos se reencontram; nunca é por acaso"
Professor Coruja


Quando o Urso encontrou a Beija-flor, nenhum do dois notou que o Grande Pássaro aprontara de novo. O Corvo silenciou, o Grilo parou com o seu cantar, o Sapo de coaxar; nenhuma ave piou, quando no meio da festa da floresta, os dois amigos se abraçaram.

Que abraço gostoso é abraço de Beija-flor; tão desconcertado o Urso ficou, que esqueceu que estava lá para acompanhar a amiga Escorpião que desejava a sua trilha reencontrar. Porém, ele não podia adivinhar, que reencontraria a sua querida amiga das flores, das terras do Norte, dos vôos sob o mar assim, sob a terra assado. Sim, o Urso também sabia voar, e eles aprenderam juntos, há muito tempo, em uma época quando o Urso e a Beija-flor, formavam com outros bichos um grupo de caminhantes que estudavam a grande montanha ságrada da Águia. Um tempo onde todos os bichos eram iguais e não havia diferenças, intrigas, desavenças e intolerância no mundo animal.

Quando o Bufálo Branco iniciou sua festa na floresta, não percebeu que o baile já havia começado, bem antes do primeiro toque no tambor; quando o amor entre amigos novamente aflorou; e pensar que nenhum bicho achou que a amizade entre o Urso e a Beija-flor fosse durar, nem mesmo eles.

Namastê!

Frank Oliveira
04 de Julho 2008

sexta-feira, julho 04, 2008

A Consultora Esotérica

Cara Consultora XXXX,

Tudo bem?

Seu nome caiu do céu com o seu e-mail e telefone, em um momento de pura confusão em que eu precisava conversar com alguém que entendesse dessas coisas da vida e do além. Como você é uma terapeuta holística, deve ser a melhor pessoa para me ajudar nessa cura que é, dos seres humanos, a mais difícil de se concretizar: o equilíbrio.

Eu caminhava aflito, até que um anjo vestido de menino, surgiu no farol com o seu contato. Estava preocupado por não conseguir organizar a minha HD mental com tanto imput sendo dowloaded da Divino net. Desculpe a utilização desses termos herméticos, palavreado vulgar de quem trabalha com computação, mas não encontrei uma forma melhor de expressar essa tempestade de idéias, que não para de cair sob a minha cabeça e como sei que toda essa informação é inútil até que ela se transforme em verdade pelo filtro do meu coração, recorro a sua ajuda, pois conforme você disse, é justamente nesses momentos difíceis que precisamos da sua orientação.

Não sei como você adivinhou, mas existe sim algo me incomodando, mas não é depressão, nem tão pouco desânimo. Estou um pouco angustiado, mas não é devido há desunião ou problemas conjugais; lhe asseguro que sou muito bem cuidado pela minha companheira e o meu amor por ela é bem correspondido, por isso obrigado, mas não preciso de amarração ou de nenhum trabalho para trazer alguém amado de volta. Tudo o que eu preciso é que a sua leitura de mãos, runas ou búzios, me mostrem o que fazer com tanta informação. Como posso usar isso tudo sabiamente na minha vida? Será que as suas cartas de tarô ou a numerologia poderam me mostrar como transformar toda essa teoria em sabedoria?

Essa é a minha angústia, pois sinto que todo esse conhecimento é um presente e como tudo que não é só da gente, preciso contribuir...

Eu compreendo que esse é um pedido difícil, mas por favor trate o meu caso com carinho, pois eu sei que com a sua ajuda, vou conseguir fazer algo útil com todos esses insights.

Aguardo a sua resposta!

Atenciosamente

Frank Oliveira
PS: Não assinei nenhum contrato, mas juro manter o seu nome, a sua consultoria e os seus serviços em segredo, conforme o seu cargo especifica.

quinta-feira, julho 03, 2008

INGRID LIBERTADA!!!!

Que sabor de céu há na liberdade, que gosto de terra possui a verdade de ir e partir quando se quiser; liberdade de ser, homem ou mulher, velho e criança, ser livre para entrar na dança, a sua dança.

Nada nesse mundo é mais valioso que a sua liberdade; nem casamento, nem religião, nem juramento, nem obrigação. Não há nada mais obrigatório que ser livre, pois é na liberdade que reside a vida, sem amarras, sem intrigas; ser livre é acima de tudo, não ter vergonha de transformar o erro em alegria.

Não existe crime maior que a liberdade roubada, nem tortura menor. Se você está preso sem a sua vontade, oro aos deuses para te libertar; mas se você está preso por aliança, sociedade, “amor” ou solidariedade; onde está a sua vontade de se liberar? Por que insiste nesse se matar? Quanto tempo lhe resta até que você perceba que está a se autoviolentar?

Respire o livre arbítrio de se libertar. Ponha os pés no chão da sua vida, não deixe os outros, as circunstâncias te levar.

Por isso salve Ingrid Betancourt, que em nome do mundo, veio nos lembrar que a liberdade é um sorriso tranqüilo e um olhar de compaixão por todas as pessoas que em nome do amor ou de um “mundo melhor” prende o outro em vão ou deixa-se prender por achar que essa é a única opção.

Frank Oliveira

quarta-feira, julho 02, 2008

TERRAS BRASILIS

- O que vim fazer aqui? – perguntei-me diversas vezes, desde que voltei ao Brasil. Depois de ter vivido por cinco anos fora do país, o retorno foi um processo doloroso, lento e cheio de arrependimento - Se eu tivesse ficado fora, não estaria tão infeliz aqui dentro – segui maldizendo, diante de uma realidade que pouco mudou, enquanto estive fora: criminalidade, caos, trânsito, corrupção, falta de oportunidades; enfim, uma lista interminável de mazelas que já existiam antes que eu partisse e nunca estiveram tão presentes.

- Preciso ir embora! Quero sair daqui! – disse a mim mesmo. Comando forte, ação sugerida e colocada em prática. Prestes a partir, cai do galho e percebi que cuspia no prato que tanto havia me alimentado.

“O Brasil também é bonitinho!” – cantou para mim um passarinho, na última manhã de domingo. Justamente quando eu já tinha certeza que voltaria para a estrada. “Todo lugar do mundo tem seus positivos e negativos. Se quiser ir, vá, e conheça outras terras, mas não use a escuridão da sua terra como desculpa para sua vontade de partir”.

O passarinho tinha razão, e embora o obscuro que nubla o nosso sol, seja às vezes mais evidente que os frutos que alimentam; em nenhum outro lugar do mundo em que estive, recebi tamanho aprendizado. Nem na Índia dos Rishis, nem na Israel dos Messias, tive acesso a tanto conhecimento; nem no Egito dos Faraós ou nas terras celtas da Inglaterra, aprendi tanto.

Sou um viajante com fome de estrada e doem as asas estar esse tempo todo pousado em uma só árvore, pois há tempos aceitei que a minha natureza é desvendar horizontes; mas tenho sido ingrato com a minha terra. Por isso, entendi o recado do passarinho e aceitar as minhas raízes faz parte do processo de ser cidadão do mundo.

Foi nesse barro que me formei, foi aqui que ganhei minha família, essa cultura e uma língua, que é dessa torre de babel, uma das mais bonitas. Percorri os quatro cantos do mundo, mas foi aqui que encontrei minha companheira e foi no Brasil, que aprendi a engatinhar na vida.

Se há tesouros que carrego na alma e que ficarão comigo o resto da vida, eles foram conquistados aqui e é necessário reconhecer que independentemente da paz ou da guerra, essa terra é abençoada. Se um dia tiver que partir, e eu me conheço, é só uma questão de tempo para bater as asas; respeitar o valor dessa terra é essencial para a minha formação como ser humano e viajante da alma.

Frank Oliveira

terça-feira, julho 01, 2008

ESTESIA*


- Por Wagner Borges -



Na vida, tudo passa. Tudo é lição.

Cada dia abre novas possibilidades, para quem olha a vida com mente arejada e coração viçoso.

Nesse mundo de vaidades fugazes, rico é quem vê o eterno transitório.

Sábio é quem vê além das aparências...

Há pessoas que andam vestidas com roupas sofisticadas, mas, ao mesmo tempo, com a vestimenta de luz** embaçada demais.

Outras consomem bebidas caras e noitadas desgastantes, e jogam a saúde e a vitalidade fora.

E há aqueles que querem viajar sob a ação de drogas pesadas,quando, na verdade, somente mergulham em estados alterados de consciência tenebrosos, tocando suas trevas interiores e abrindo brechas psíquicas para os espíritos infelizes se aproveitarem de suas energias.

O vampirismo psíquico começa no vazio existencial que as pessoas teimam em manter dentro delas mesmas. Quem não vê brilho nas coisas da vida, corre o risco de secar o coração.

Muitos dos supostos gigantes do intelecto humano, não passam de bebês nos planos do espírito.

O mundo está cheio de técnicos disso ou daquilo, mas, quem é técnico em viver com equilíbrio?

Conhecimento não é sabedoria, e perdão não é fraqueza de caráter, é grandeza de consciência.

Quem perde de vista o próprio espírito, sente um gosto amargo, que vem do vazio de dentro.

Sem a luz do coração para guiá-la, a mente se perde e fica prisioneira de suas próprias divagações...

Contudo, todo dia é chance de recomeço... E tudo é lição!

O sábio vê além das aparências. Por isso, ele agradece e caminha contente...

Ele percebe a estesia do Eterno em cada coisa transitória***.



P.S.: Quando sua aura é clarinha, a pessoa se sente em casa dentro dela mesma.

Quando o coração é generoso, tudo se transforma.

Quando a mente é arejada, a vida ganha novos brilhos.

Feliz é quem agradece o dom da vida, seja ele quem for.


(Esses escritos são dedicados ao grande poeta hindu Rabindranath Tagore****).

Paz e Luz.

São Paulo, 01 de julho de 2008.


- Notas:

* Estesia - capacidade de perceber sensações; sensibilidade;capacidade de perceber o sentimento da beleza.

** Aura - latim, aura - sopro de ar - halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.

*** Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o belo CD "Vesper - Light Into Light" - do músico americano Jeff Johnson.Trata-se de um trabalho no estilo celta, com canções bem intimistas e baseadas em preces de várias tradições. As faixas 2, 3 e 4 são belíssimas. É um CD importado - U.S.A.

**** Finalizo esses escritos com um pouquinho da inspiração de Tagore, para iluminar também outros corações por esse mundão de Deus.

"Meu Rei, houve um tempo em que eu não estava pronto para Ti.

Todavia, sem que eu pedisse,

Entraste em meu coração como um desconhecido qualquer,

E marcaste os momentos fugazes da minha vida com Teu selo de eternidade.



Hoje, quando me deparo ao acaso com esses momentos

E neles vejo a Tua marca,

Percebo que eles ficaram espalhados no pó,

Misturados com a lembrança de alegrias

E tristezas dos meus dias esquecidos.



Tu não desprezavas os meus brinquedos de criança pelo chão,

E os passos que eu ouvia em meu quarto de brincar são os mesmos que agora ecoam de estrela em estrela."



- Rabindranath Tagore - escritor indiano, nasceu em Calcutá em 1861 e desencarnou em Bengala em 1941. Depois de educação tradicional na Índia, completou a formação na Inglaterra entre os anos de 1878 e 1880. Começou sua carreira poética com volumes de versos em língua bengali. Em 1913, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Desde então, traduziu seus livros para o inglês, a fim de lhes garantir maior difusão. Em suas poesias, Tagore, oferece ao mundo uma mensagem humanitária e universalista. Seu mais famoso volume de poesias é Gitânjali (Oferenda poética). Fundou, em 1901, uma escola de filosofia em Santiniketan, que, em 1921, foi transformada em universidade.
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