terça-feira, agosto 31, 2010

RECADO DA MÃE DIVINA

Por Chandra Lacombe


Vem surgindo um novo tempo, traz glórias do Divino
Mais Puros e Atentos nos tornamos canais do Infinito

Mãe Divina eu quero ser um filho realizado
que é perante o seu poder que me entrego pra ser libertado

Como um rio que corre para o mar, correntezas carregam o medo
Confiança para atravessar as fronteiras do Eu derradeiro

Não há desculpas para se escorar, já foi dito e a hora é essa
O tempo é de se integrar, abraçando o que ainda resta

Estou morrendo para o passado e nem anseio pelo futuro
minha coroa tem brilho dourado e provo o nérctar de um Amor maduro.


Recomendo seus CDs:
http://www.chandralacombe.com
http://beijaflordelotus.multiply.com


Notas tiradas do blog: http://chandralacombe.blogspot.com

Hinário Rosário

APRESENTAÇÃO

O hinário Rosário evoca a biografia espiritual de Chandra Lacombe através de cantos canalizados que expressam sinais de seus mentores espirituais, método terapêutico e disciplinas.

Seu primeiro hino foi recebido em ..... e até 20/05/2009 se encontrava no número 103.

Além de ser cantado inteiro 3 vezes por ano em média, esse hinário é base para os outros cultos espirituais e trabalhos terapêuticos facilitados por Chandra.

As palavras aqui expressadas jamais poderão ser suficientes para representar a experiência com a força espiritual que comanda um ritual com o Rosário, porém, pode contribuir para um pouco mais de consciencia e entrega que ajudam nessa vivência.

Os mentores espirituais

Atualmente seu principal mentor espiritual é Sacha Prem Baba, a quem Chandra acompanhou de perto boa parte da dedicação e purificação antes de se entregar e viajar para Índia nos últimos 3 anos. Porém, a importância de Mestre Império Juramidam na sua caminhada, assim como na de Prem Baba, tem reverência prestada em todo seu hinário.

Como veremos,outros mentores também foram se apresentado e sendo evocados de acordo com a necessidade de sua caminhada e dos grupo que foi facilitando.

O início da sua biografia sob o guarda chuva de força e luz do mestre Império Juramidam é evocada para abertura do Rosário em seus dois primeiros hinos.

Em seguida, evoca-se o poder da profecia canalizada pelo dedicado padrinho Alex Polaris, que sinaliza a presença da linguagem do Oriente sob a inspiração da luz e força de Juramidam:

" Oxalá, Shiva Juramidam/Nessa noite vão se reunir/Para firmar a aliança/Eterna para os tempos que hão de vir... Eu saúdo os Budas e Orixás/Nos Himalaias, nos Andes, na Floresta/Se escuta um rufar de mil tambor..."

Após uma evocação das tradições xamânicas mais antigas de uso religioso do enteógeno, são evocados dois hinos transmitidos pelo canal de um dos seus principais orientadores na sua jornada, o psicólogo Janderson, hoje mestre espiritual Sachcha Prem Baba.

Entre os pontos comuns da caminhada de ambos estão os conhecimentos provenientes da Índia, como as técnicas de meditação, os mantras e os trabalhos corporais do Yoga, além da inspiração de mestres desse século como Osho e Yogananda, e por fim Hans Maharagi e a linhagem Sachcha que proporcionou as últimas purificações de Janderson para se tornar Sachcha Prem Baba.

Assim, o último hino de abertura desse culto evoca concluindo: "Chamo o oriente para comandar a sessão ..../É nosso mestre abrindo o celestial ..."

Durante sua biografia outras guianças espirituais foram se apresentando, como seres provenientes da linguagem umbandista e do cristianismo ambos já sincretizados com o entéogeno através do Mestre Império Juramidam, além de arcanjos e manifestações ligadas a Grande Fraternidade Branca da qual sua companheira Surya traz hoje ligação mais especial.

E um de seus "hits" espirituais, Cura do beija flor, aparece um elemento importante da sua cura, que em síntese inspira a abertura plena do coração. Beija flor que inspira características importantes do seu processo como a prudencia da cura envolvendo o enteógeno e ao mesmo tempo a precisão, agilidade, alegria, capacidade de voar em todas as direções e desenvolver o espírito fraternal.

Apesar da síntese estar na ligação do Oriente com a Floresta, seu eclético coração brasileiro e sua peregrinação anual de 4 meses à uma série de países e continentes, torna especialmente presente em seu hinário a evocação expressiva ao princípio ecumênico, saudando: "Diversidade imensurável/Arco íris multi cor/ É tão grande esse Rosário/ Pétalas da mesma flor"

O método

A unificação do termo Linha unificada, é sim sutilmente influenciada pela possibilidade de um amor universal além de qualquer crença religiosa, porém sua principal influencia vem do método Pathwork, que assim define a meta final e é com certeza a obra que mais influenciou sua jornada espiritual, cura e método terapêutico.

Desse método talvez possamos destacar os seguintes princípios presentes no Rosário:

1. Reconhecimento do egocentrismo como parte do Ser, a ser atenuada e transcendida
"Superar o próprio ego é a verdadeira glória"

2. Aceitação das imperfeições e construção de um estado equilibrado de certa vulnerabilidade como atenuador das projeções perfeccionistas ilusórias
"Sou imperfeito mas vou estudando/E reconheço isso humano...'

3. Crescer é compreender que o amor que a criança precisa e deseja é egocêntrico e impossível de ser recebido. O amor maduro confia que é dando que se recebe igualmente.
"Chamo aqui todos os irmãos/ Pra compreender a primeira lição/É dando que se recebe/Esse saber faz sucumbir a ilusão"

4. A aceitação dos progenitores Pai e Mãe e devoção aos verdadeiros Pai e Mãe divinos
"Quem está limpo é porque perdoou/ Os enganos de quem nos gerou/Sol e Lua, Céu e Terra /Nessa Harmonia já estou

Disciplinas práticas sugeridas

Simbolizada pelo lótus de cinco pétalas que faz alusão aos 5 elementos da alma e ao cultivo dos 5 sentidos.

1. A meditação diária: simbolizada pela pétala do fogo

"Se esse vinho bebo contrito/Preparo o pão da meditação"

2. Devoção constante: representada pela pétala da água
"Eu me despeço mas vou recordando/Estou tecendo para ofertar"

3. Auto estudo: representada pela pétala do ar
"Se consciencia/É a luz que bem nos guia/ Serenidade ... é conquista/De grande valor"

4. Expansão de consciencia: simbolizada pelo pétala do éter

"É doce a Rainha mas amargo é o Daime/Que eu bebi para recordar-me/Lembrar do propósito espiritual/Servir como mestre ser luz de cristal"

5. Ação cotidiana: simbolizada pela pétala da terra

"Ser em ação/Como na palavra/Pra seguir livre sem esquecer"

Conclusão

Até o dia 20/05/09 o hinário está no número 103, sendo os últimos hinos inspirados fortemente pelas vibrações de São Miguel e pela estrela da Nova Era.

Síntese: A Oração de São Francsico

Assim, conclui-se também o culto com esse hinário: " Sob a égide da força viva da floresta, Mestre Império Juramidam, Mestre Cristo e da estrela da Conceição, a inspiração dos Budas dourados Mahatmans Babagis e a especial guiança de Sachcha Prem Baba e da linhagem Sachcha, está encerrada mais essa sessão, meus irmãos e minhas irmãs "

Cronologia

Pelo menos no exemplo de Chandra parece que o caminho espiritual não segue uma linha reta.

- Hinos de abertura:
- Interiorização:
- Pedido de Purificação: 3, 4, 5, 6, 9, 30
- Chamadas: 11, 15,16, 19,20, 32, 36
- Cura da Mãe: 16,
- Cura do Pai:
- Cura das matrizes do eu inferior: 25,
- Celebração: 7

UMA TRILHA ROSADA... DE CORAÇÃO A CORAÇÃO!

Você pensa que é fraca, por condicionamento seu mesmo.
Mas não é isso, não. Você é mais forte do que imagina.
Porque há amor em seu coração. E há luz em seu olhar.
Você pode até tentar bloquear o que sente.
Porém, isso é impossível. Porque o amor viaja...
De coração a coração.
E o que se vê é uma trilha energética rosada no ar...
Que interliga duas almas no espaço por entre os planos.
Porque o coração não tem medo. E quem estraga tudo é a mente.
O amor jamais é violento; o ego, sim.
E perdão não tem nada a ver com religião; é lucidez e compreensão.
O amor real é uma dádiva sem igual... E que presente!
E se nasce na força do espírito, e não apenas na forma do corpo, é lindo.
Não tem idade nem é limitado pelo tamanho ou cor da carne.
Quando acontece, transforma a consciência e a vida.
O amor não vem com manual de instruções; precisa ser vivido.
Não pode ser explicado nem mensurado por outros.
É se é coisa do espírito, nada na Terra poderá eliminá-lo.
Ah, você achou que não merecia tal presente, mas não é verdade.
Porque você é mais do que pensa; e há uma trilha rosada saindo do seu coração...
E ela chegou aqui, em meu coração.
E o que pode o amor fazer, senão amar?
Ah, o amor é um presente! Então, aceite-o com alegria e honra.
E se a força do espírito está nele, não há nada igual.
Ame e encontre sua força. Porque há luz em seu olhar.
E isso não tem preço! É consciência e verdade.

Ah, tem uma trilha rosada saindo do seu coração...
(E quem ama, realmente, sabe e reconhece para onde a trilha vai...)

P.S.:
Esses escritos foram direcionados para uma moça que me escreveu, agoniada, me pedindo uma palavra amiga numa hora difícil dela. Então, escrevi essas linhas por puro impulso, seguindo o que a intuição me dizia... E aí, surgiram esses escritos, para alguém que sequer conheço pessoalmente, mas que recebeu isso como um presente na hora certa, e compreendeu algumas coisas, de coração a coração.
E agora, estou disponibilizando esses escritos em aberto para todos, pois os mesmos poderão ser úteis para outras pessoas nas mesmas condições da tal moça.
E, talvez, com a graça de Deus, essas linhas levem alguma energia legal para outros corações.
Oxalá assim seja!

Paz e Luz.

- Wagner Borges - na trilha, como sempre...
São Paulo, 28 de julho de 2010.





UMA TRILHA ROSADA... DE CORAÇÃO A CORAÇÃO! - II

Quem conhece os caminhos do mundo?
Quem sabe para onde a vida nos leva?...
Com certeza, eu não!

Mas eu percebo a viagem de um Grande Amor,
E eu sei de onde ele vem e para onde vai...
Por entre os planos, de coração a coração.
E isso é um presente.

Quem conhece os grandes mistérios do Todo?
Quem sabe dos desígnios do Supremo?
Talvez o coração saiba...

Mas, quem escuta a voz do silêncio no cerne da própria alma?
E quem se rende ao amor de peito aberto?
E quem voa nas asas do perdão e se solta do ego?...

Ah, quem conhece a si mesmo?
Além do nome e da forma... Como pura essência luminosa.
Talvez, quem olha a vida como o amor olha...

Quem consegue desfazer os nós da ilusão que prendem o coração?
Para ser feliz... E viajar numa trilha rosada.
Direto ao coração do Todo.

Ah, eu só conheço os pequenos mistérios...
E eles são muitos! Tantos quanto as estrelas no céu.
Mas, o meu coração conhece bem mais.
Porque ele se lembra do som das esferas astrais.

E ele conhece os templos e as iniciações espirituais.
Desde o alto das montanhas celtas até as pirâmides.
Desde as montanhas do Himalaia até o Rio Ganges.
Desde as montanhas da China até Stonehenge.
E por isso ele me fala da fé e da jornada espiritual com discernimento.

Dos grandes mistérios, eu nada sei!
Porque são tantos os pequenos mistérios a desvelar...
Mas eu vejo uma trilha rosada.
E ela viaja por entre os corações.

É a trilha de um Grande Amor...
E ela sempre me diz: "Vive, ama, ri, aprende, estuda, trabalha e segue..."

P.S.:
Eu vi a trilha.
Como o amor olha a vida.
E ela me levou aos pequenos mistérios.
E, ao levantar o véu de Ísis, eu vi as estrelas.
E a Mão do Ancião dos Dias sustentando a vida.
E uma luz desceu no templo iniciático do meu coração.
E eu ouvi o som das esferas astrais e o canto dos iniciados.
E o meu velho eu capitulou diante da morte de minha ignorância.
Porque a Mãe Ísis* me abraçou e me disse:
"Ama e serve. A Luz é sua madrinha. E, por onde você for, faça o bem.
Que sua senda seja justa, e que as estrelas o acompanhem em todas as jornadas.
Abrace o mundo como o amor abraça a todos.
E nos momentos de provas acerbas, ore a Mim.
Meu filho, que sua senda seja linda e próspera."
Sim, eu vi a trilha rosada.
E ela viaja por entre os corações.
E quem ama, sabe.
O Todo está em tudo!

Gratidão.
Paz e Luz.

- Wagner Borges - eterno neófito do Todo.
São Paulo, 28 de julho de 2010.

- Nota:
* Ísis - em egípcio, Auset - foi uma deusa da mitologia egípcia, cuja adoração se estendeu por todas as partes do mundo greco-romano. Foi cultuada como modelo da mãe e da esposa ideais, protetora da natureza e da magia. É a deusa da maternidade e da fertilidade. Dentro do contexto iniciático antigo, era a
madrinha dos iniciados espirituais.

segunda-feira, agosto 30, 2010

48 Horas em 1 Dia

Não consigo dormir direito, o ar seco, o cansaço; viro, reviro, não levanto, apenas ameaço; e quando o sono vem, já é hora do trem para o próximo aluno. Desejo em segredo, que ele me ligue, cancele, não o faz; pego o metrô, o mesmo horror em dose dupla, ainda não estou acordado. Algum tempo depois, chego na empresa do meu aluno, ele não aparece, espero, o celular toca, um novo recado, na mensagem que chega tarde, meu aluno diz: " Dear teacher, sorry! Perdi a hora!"

Faço as contas, entre esse tempo perdido e o próximo aluno, tenho uma hora de sono que pode ser aproveitada, volto pra casa, olho pra cama e o sono se esvai. Tento manter a calma, deito assim mesmo, mesmo se não dormir, posso fazer uma meditação, descansar a mente, de quebra, o corpo. São 8:30 da manhã; marco uma hora depois no alarme, e me entrego a respiração, um mantra qualquer que acalme a mente, que me faça descansar.

Fecho os olhos...

Quando os abro, já é noitinha. O alarme não disparou, dormi o dia inteiro.

Em pânico, vejo várias chamadas dos meus alunos no meu celular. O que houve? A pergunta sem resposta fica no ar. Ligo para eles, desculpas em português, inglês e paraibês. Eles são uns amores, compreendem que isso acontece, mas eu me culpo, e assim, vou ao computador e escrevo esse texto e outros tantos. Já que perdi as aulas, prepraro alguns relatórios, aproveito o tempo, assisto TV, ouço música, minha esposa chega, beijo de good evening e abraço de good night, me preparo para dormir com esperança de conseguir. Faço a minha prece, relaxo e sinto o sono me embalando para dormir.

Abro os olhos...

O alarme dispara. Já é dia. 9:30 da manhã.

Levanto assustado, será que perdi novamente a hora? Há alguma errada: não entendo! O celular está marcando a data de ontem. 9:31 e percebo que o dia que vivi ontem não passou da hora em que estive dormindo.

domingo, agosto 29, 2010

Mente ou coração, fé ou razão, conhecimento ou espiritualidade?

Por Lázaro Freire

"O poste é o posto da virtude, e oposto ao pote do pensar"


Quanto mais estudo e tento compartilhar, mais observo que alguns preferem condenar o conhecimento, como se este fosse o oposto do coração.

O curioso é que não se ataca aqueles que buscam conhecimentos materiais. Nem os que se aprofundam na academia sem tentar traduzir os assuntos ditos "doutos" para os comuns. Ao contrário, estes são valorizados na sociedade, inclusive na espiritual.

Já os que questionam, ou pelo menos estudam os perigosos caminhos que poderiam levar ao questionamento, ah! Estes não tem coração! E se é a mente quem faz isso, esta torna-se "inimiga de Deus". A mente "mente", dizem, sem perceber que na falta dela, "mente-se" muito mais.

Engenharia, pode. Não afeta a sabedoria, especialmente se o engenheiro for porta-voz de algum grupo ou religião. Condena-se - sem conhecer - o coração de quem estuda discernimento, ou filosofia, ou psicologia, ou espiritualidade. Ou quem ousa usar a mente em áreas dominadas pelo ditado pelos proprietários das comunicações divinas. Por mais que já tenham usado também a alma e o coração.

Ah, mas psicologia, até pode! Desde que seja aplicada no RH de uma corporação. Filosofia também pode. Desde que seja mais uma pesquisa histórica ou uma excentricidade acadêmica do que um incentivo ao pensar transformador das tradições culturais e religiosas vigentes, por mais acomodados que nela estejamos. (*)

Pode tudo, desde que conformado com o que o pensamento anterior classificava como virtude. Pode encher ou esvaziar os compartimentos que limitam o amor e a mente do outro. Vale exigir que o conhecimento do outro caiba no limite de meu pote, e nunca transborde - o que milênios de igreja fizeram muito bem.

Universal, Kardec, Vaticano, Reiki e Wicca, pode. Pode virtude, moral e evangelho. Pode pedir e obter. Pode até ser cético ou crente, desde que em torno da mesma linha vigente. Pode até sociologia, desde que isto não o torne comunista. Economistas e administradores, sejam bem vindos à casa de Deus. Que venham todos os Chicos, da Silva, de Assis ou Xavier. Pode química, biologia, medicina e MBA. Vamos fazer assim, Deus é nosso, o conhecimento é de vocês, e colaboramos juntos para que tudo fique igual. Sempre deu certo assim, desde os tempos dos reis. Vamos morrer e Renascer assim, e se eu estiver errado, que o teto desta igreja caia sobre nossas cabeças.

Pode quase tudo, até curso superior. O que não pode é mudar, o que não pode é conhecer "demais" o que "desvirtua" o Deus anterior. O problema não são os potes, o que não pode é tirar os poStes do lugar. Isso gera assédio. Isso anula o caminho de coração e samadhi do espiritualista que resolveu estudar - e, pecado, compartilhar. Isso ofende muito ao Deus de todo o universo que, triste comigo, nos envia obsessores e castigos: "dói mais em mim do que em você, filho; mas é para o seu próprio bem". Se já há luz suficiente para os potes debaixo dos postes firmes e fixos, porque este sonho de Ícaro de querer ver a luz do Sol? O poste é o posto da virtude, e oposto ao pote virtual do pensar. O poder do rei, como sabemos, emana sempre de Deus.

Bem... Mas acontece que se de fato conhecimento não é, por si só, sabedoria", tampouco há sabedoria sem ele. Opinião não é conhecimento, nem fé é experiência. Negar o coração não faz de ninguém mais conhecedor ou sábio. Negar o conhecimento não faz de alguém mais amoroso. O que é difícil é discernir sem conhecer. A certeza do outro não deveria abalar a minha fé. Estudar é confessar ignorar, permanecer é que presume já saber. Na pior das hipóteses, se o conhecimento dele um dia demonstrar que estive errado... tanto melhor! Como dizia Arthur Conan Doyle, excluindo-se todas causas impossíveis e sem lógica, o que sobra, por mais estranho que pareça, é a verdade.

Ora, a verdade não exclui o que chamo de espiritual, talvez o contrário, porque repousa em meu longo caminho de experiências íntimas e coração. Não sei porque o meu conhecimento, ou mesmo a revelação de uma verdade em comum, poderia incomodar tanto a "fé" de meu irmão. Vieram Platão, Giordano Bruno, Spinoza, Darwin, Nietzsche, Freud e Jung, e Deus e a espiritualidade não acabaram. A única coisa que se vai com a verdade e o conhecimento são apenas mitos, que nos afastam da experiência interior.

Mente e coração não são incompatíveis. Quem tem autoridade para determinar o "excesso" de mente e coração... do outro? Este confronto de fé e razão foi tema de 1000 anos de Filosofia, e é curioso vê-lo reproduzido nos meios espiritualistas do terceiro milênio. Meus colegas seminaristas se assustam no primeiro ano de filosofia quando, para se formarem padres, a igreja lhes exige justamente discernir os mitos de sua fé. Eles protestam ao saber do Jesus Histórico e dos dogmas medievais justamente em uma escola cristã. Entretanto, os padres professores lhes lembram que o discernimento sobre temas espirituais e o desenvolvimento da mente e conhecimeto jamais poderá lhes roubar a experiência íntima que tiveram. Ao contrário, Deus teria nos dado a mente e a razão para que possamos compreender o que para outro seria apenas objeto de fé. A idéia da Igreja Católica, ao desconstruir seus futuros sacerdotes, é a de que quem tem fé cega pode ser um bom cristão, mas jamais poderia ser o sacerdote que conduzirá os demais. É preciso experiência íntima, samadhi, satori, comunhão, e essa sobrevive a - e complementa - qualquer racionalização. O que na contra mão sugere que os inimigos do conhecimento no caminho espiritual nem sempre tiveram tanto ágape assim. O que não faz diferença, desde que vivam seu próprio caminho do coração e fé, e não o julgamento do caminho de seu irmão.

Entretanto, vejo muitas vezes comentários como se ter mente e conhecimento fosse negar a experiência e o coração. Como se o conhecimento do outro fosse excessivo e devesse ser freiado, se ultrapassar a fé e conhecimento de meu irmão. Como se aquele que já soubesse alguma coisa não pudesse estudar mais, a não ser que negue três vezes seu coração diante da inquisição: "se terá algo que não tenho, preciso que abra mão daquilo que tenho". Quanto comparação! Como se quem faz um curso dito "superior" (para se habilitar amanhã a disseminar melhor estes assuntos éticos e espiritualistas em escolas, artigos e clínicas) fosse obsediado - se e somente se os cursos acadêmicos tangenciarem assuntos da fé. Ora, acadêmicos não são mais nem menos obsediados do que os que tem segundo grau, ou primário, ou formação tecnológica. Como qualquer outra pessoa, suas companhias serão fruto de sua sintonia, e não de seus estudos e esforços realmente "excessivos" para alguns. A obsessão de um doutor obsediado não se deu por seu título, assim como a do assaltante não é fruto de seu alfabetismo.

Portanto, e isso é importante, que as pessoas que tem autoridade espiritual para julgar a mente e o coração dos demais chamem os estudiosos de mau-caráter, de descrentes, de discordantes ou de hereges, se assim o forem. Mas sem a hipocrisia indireta da acusação ao discernimento ou formação. Já temos muitos problemas educacionais na escola, e esquisoterismos na religião, sem essa apologia religiosa ao desconhecimento, ou ao limite de conhecimento que os autores religiosos consideram "adequados" a um espiritualista. Condenar a informação é perigoso e falacioso. Já temos relatos na voadores de igrejas e seitas que condenam abertamente os livros e estudos, exigindo que todo "conhecimento" venha de um mestre, de um sacerdote ou até mesmo de uma planta psicoativa. Nesse aspecto, é um progresso ser protestante, que pelo menos estudam a Bíblia.

Mas se a questão da obsessão evidentemente não está associada ao grau de instrução ou ao tamanho do pote do conhecimento do outro, devemos refletir no PORQUÊ desta associação entre obsessão e formação acadêmica em temas humanos ou subjetivos. Porque o equívoco de colocar a balança NESSE eixo, e não em outro? Por que o estudo incomodaria, e a quem?

Aliás, onde está a arrogância em confessar ignorância com a atitude de estudar mais, buscar outras visões, sentar em bancos de escola e dar ouvidos diariamente ao conhecimento de alguém? É difícil compreender como quem estuda menos presume que quem confessa ignorância é quem "sabe mais". Mas se o que não sabe estuda mais para ter essa compreensão, tendo vivido e amado tanto ou mais que o que o "sábio" que o condena, isso implica que a tão alegada "sabedoria" não se sustente. A não ser, é claro, que se invalide o estudo e conhecimento de meu irmão. Sócrates há muito resolveu esta questão. E morreu com cicuta, por "desvirtuar" os postes da espiritualidade mítica de seu tempo.

Enfim, são apenas reflexões. Não tenho o conhecimento, e é por isso que o busco. Deus não ama, ele É. E é da ciência desta minha incompletude que sei que tenho coração, tão infinito quanto minha mente, e criados pelo mesmo Ser. Curioso a mente ser o demônio de alguns. Não deve ser por acaso.

Parece que, como diz Sartre, o inferno são os outros. Há muito tempo os sacerdotes nos lembram que o demônio persegue de perto aqueles que estudamos ou questionamos um pouco mais.

Pelas companhias, liberdade, universalismo e qualidade do pensamento, creio que prefiro ir para o inferno do que para este céu. Não estou certo de que a supressão da mente garanta, àqueles religiosos, uma eternidade de coração. (Ei, Osho, Krishnamurti, Aurobindo, Giordano Bruno, Mestre Eckhart, Spinoza, vocês tem lugar para mais um filósofo E espiritualista aí embaixo?)

E pensando nesta milenar questão da fé "ou" razão, Pistis e Sophia, Doxa versus Episteme, fides et ratio...

... me desculpem se os ofendo, mas insisto em ter Mente E Coração!

Lázaro Freire (**)


"Quando tivermos passado além dos conhecimentos, então teremos o Conhecimento; a Razão foi o auxílio, a Razão é o entrave. Transforma tua razão em uma intuição ordenada; que tudo em ti seja luz. Este é teu alvo. Transforma teu esforço em um conhecimento igual e soberano da força da alma; que tudo em ti seja força consciente. Este é teu alvo. Transforma o animal no Pastor dos rebanhos; que tudo em ti seja Deus. Este é teu alvo."
(Trechos de Sri Aurobindo em "O Entrave")


"Dançar a noite inteira não significa dar bobeira; de manhã se alienar ou esquecer. É a busca do supremo equilíbrio, num processo inteligente sua mente clarear sem perceber.
(Oswaldo Montenegro, em "Incompatibilidade")

(*) Em artigo opinativo recente, a Revista Veja, importante porta-voz do conservadorismo neoliberal, condenou o que chamou de "besteirol" do reestabelecimento do ensino de Filosofia e Sociologia nas escolas de 2º Grau. Segundo o editorial, isso levaria "nossos filhos" a pensar e questionar demais, ao invés de se dedicarem a temas mais "práticos" e "úteis" (como talvez ler as instruções, tc no msn, subtrair o troco, apertar parafusos - e, no topo da pirâmide acrítica, programar o o computador).
Curiosamente, a Filosofia é ensinada - e até valorizada - em escolas da classe alta, onde apenas os que lêem são aprovados. A preocupação maior dos governos neoliberais (e da elite que os sustenta) é com o ensino do pensamento crítico nas escolas públicas, onde Filosofia e Sociologia encontravam-se proibidas desde... os governos militares. Foram estes que convenientemente as substituiram pelas doutrinárias "Ensino Religioso", "Educação Moral (!) e Cívica" e "OSPB - Organização (?) Social e Política do Brasil), que nos fazem gerar bem mais eletricidade para a Matrix. Amem.


(**) Texto dedicado ao meu querido amigo Dalton Roque, do "Amor Consciencial", cujas reflexões sobre mente e coração inspiraram este meu artigo. Professor de exatas E escritor do alma, engenheiro E médium, Dalton professa em pensamentos espirituosos as verdades que encontra no sentimento espiritual. Com a coragem dos que sabem que sua mente, alma e corações transbordam, sim - principalmente de amor e luz.

--
Lázaro Freire
lazarofreire@voadores.com.br

sexta-feira, agosto 27, 2010

Dia de Luiza

A professora morena se prepara, o momento chegou de renovar a alma. Ela sorri, sabe que nessa data, o mundo lhe diz: " feliz dia que você nasceu".

Uma alegria intensa lhe envolve, ela pensa no seu marido, lembra dos estudantes, das crianças, dos amigos, dos mais velhos; e sente que tudo e todos ao seu redor lhe desejam amor, sopram votos de paz, sucesso e harmonia.

Tome mais alegria, e ela acende a vela, prepara o bolo. É a festa da Luiza, ela e o universo.

" Agradeço muito!" ela repete e apaga as velas, o seu desejo acontece: ela virou crônica na vida da gente.

Imagem: minha querida amiga professora Luiza Meneghim

'Não é piada, é a realidade', diz Tiririca

'Não é piada, é a realidade', diz Tiririca sobre slogan de campanha
Por Fernando Gallo


Francisco Everaldo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, 45, provoca risos e indignação desde que a campanha eleitoral começou na TV.

Com o slogan "Vote Tiririca, pior que tá, não fica", ele vai às urnas para tentar uma vaga como deputado federal pelo Estado de São Paulo.

É a grande aposta do PR no pleito, tanto que ganhou a legenda de mais fácil memorização: 2222.

Folha - Por que você decidiu se candidatar?

Tiririca - Eu recebi o convite há um ano. Conversei com minha mãe, ela me aconselhou a entrar porque daria pra ajudar as pessoas mais necessitadas. Eu tô entrando de cabeça.

- De quem veio o convite?

- PR.

- Como foi?

- Por eu ser um cara popular, eles acreditaram muito, como eu também acredito, que tá certo, eu vou ser eleito.

- Sabe o que o PR propõe, como se situa na política?

- Cara, com sinceridade, ainda não me liguei nisso aí, não. O meu foco é nessa coisa da candidatura, e de correr atrás. E caso vindo a ser eleito, aí a gente vai ver.

- Quais são as suas principais propostas?

- Como eu sou cara que vem de baixo, e graças a Deus consegui espaço, eu tô trabalhando pelos nordestinos, pelas crianças e pelos desfavorecidos.

- Mas tem algum projeto concreto que você queira levar para a Câmara?

- De cabeça, assim, não dá pra falar. Mas como tem uma equipe trabalhando por trás, a gente tem os projetos que tão elaborados, tá tudo beleza. Eu quero ajudar muito o lance dos nordestinos.

- O que você poderia fazer pelos nordestinos?

- Acabar com a discriminação, que é muito grande. Eu sei que o lance da constituição civil, lei trabalhista... A gente tem uma porrada de coisa que... de cabeça assim é complicado pra te falar. Mas tá tudo no papel, e tá beleza. Tenho certeza de que vai dar certo.

- Quem financia a sua campanha?

- Então... o partido entrou com essa ajuda aí... e eu achei legal.

- Você tem ideia de quanto custa a campanha?

- Cara, não tá sendo barata.

- Mas você não tem ideia?

- Não tenho ideia, não.

- Na propaganda eleitoral você diz que não sabe o que faz um deputado. É verdade ou é piada?

- Como é o Tiririca, é uma piada, né, cara? 'Também não sei, mas vote em mim que eu vou dizer'. Tipo assim. Eu fiz mais na piada, mais no coisa... porque é esse lance mesmo do Tiririca.

- Mas o Francisco sabe o que faz um deputado?

- Com certeza, bicho. Entrei nessa, estudei para esse lance, conversei muito com a minha mãe. Eu sei que elabora as leis e faz vários projetos acontecer, né?

- O que você conhece sobre a atividade de deputado?

- Pra te falar a verdade, não conheço nada. Mas tando lá vou passar a conhecer.

- Até agora você não sabe nada sobre a Câmara?

- Não, nada.

- Quem são os seus assessores?

- Nós estamos com, com, com.... a Daniele.... Daniela. Ela faz parte da assessoria, junto com.... Maionese, né? Carla... É uma equipe grande pra caramba.

- Mas quem te assessora na parte legislativa?

- É pessoal do Manieri.

- Quem é o Manieri?

- É... A, a, a.... a Dani é que pode te explicar direitinho. Ela que trabalha com ele. Pode te explicar o que é.

- Por que seu slogan é 'pior que tá, não fica?

- Eu acho que pior que tá, não vai ficar. Não tem condições. Vamos ver se, com os artistas entrando, vai dar uma mudança. Se Deus quiser, pra melhor.

- Esse slogan é um deboche, uma piada?

- Não. É a realidade. Pior do que tá não fica.

- Você pretende se vestir de Tiririca na Câmara?

- Não, de maneira alguma.

- Quem é o seu espelho na política?

- Pra te falar a verdade, não tenho. Respeito muito o Lula pelo que ele fez pelo nosso país. Ele pegou o país arrasado e melhorou pra caramba.

- Fora ele...

- Quem ele indicar, eu acredito muito. Vai continuar o trabalho que ele deixou aí.

- Então você vota na Dilma.

- Com certeza. A gente vai apoiar a Dilma. Ele tá apoiando e a gente vai nessa.

- Não teme ser tratado com deboche?

- Não, cara. Não temo nada disso. Tô entrando de cabeça, de coração. Tô querendo fazer alguma coisa. Mesmo porque eu sou bem resolvido na minha profissão. Tenho um contrato de quatro anos com a Record. Tenho minha vida feita, graças a Deus. Tem gente que não aceita, mas a rejeição é muito pouca.

- Se for eleito, vai continuar na TV?

- Com certeza, é o meu trabalho. Vou conciliar os dois empregos.

- Em quem votou para deputado na última eleição?

- Pra te falar a verdade, eu nunca votei. Sempre justifiquei meu voto.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Maquiavel e a política contemporânea

Por Alexandre Gomes

Maquiavel é talvez um dos autores - como a imensa maioria dos clássicos de qualquer área - mais mal compreendidos tanto pela crítica como, principalmente, pelo senso comum. A própria significação que se dá ao termo maquiavélico revela esta incompreensão.

A principal destas imcompreensões provavelmente é a que o vincula à ação inescrupulosa e ao desejo do poder pelo Poder. Nada mais contrário a Maquiavel, ao definir que "os fins justificam os meios" - frase habitualmente utilizada fora de contexto - ele não desprezava os fins, os objetivos, mas sim os colocava em seu devido lugar: no centro de planejamento de qualquer ação política.

E quais eram os fins que Maquiavel almejava, pergunta que poucos se fazem. Em primeiro lugar ele desejava trazer para a Itália uma instituição republicana na qual a vontade do povo fosse respeitada. É bastante evidente em um texto dele - muito menos conhecido que "O Príncipe" - Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio sua vocação republicana e em certa medida democrática.

Mas mesmo nas páginas do Príncipe ele adverte ao soberano que é perigoso ser odiado pelo povo e que a um governante que não é capaz de manter-se em paz com o povo é inútil a proteção dos exércitos e fortificações. Isto se dá porque na sua compreensão de sociedade há atores múltiplos - o príncipe, os nobres, o povo - e portanto ele é capaz de perceber que sempre existirão conflitos na sociedade.

Este modelo é muito diferente dos posteriores que irão imaginar a existência de um Estado acima da sociedade - como o pensado pelo modelo liberal - ou apenas como apêndice de uma parte da sociedade - como os Marxistas. Ainda hoje parece ser um paradigma eficiente para analisar a política.

Metas realistas
Maquiavel dedica boa parte dos seus textos a avaliar que é necessário ver a política como ela é, não como ela deveria ser. Ao afirmar isto ele em momento nenhum advogou que os muitos truques - do assassinato à corrupção - analisados por ele fossem um padrão ou um ideal do que deveria ser a política - tampouco de que ela sempre haveria de ser assim. Ele apenas constatou fatos e analisou os dados presentes.

Assim a visão de Maquiavel é essencialmente estratégica: definir o objetivo, enxergar a realidade como ela é, refletir como a partir daquela realidade dada se pode chegar à situação desejada no objetivo, rever os objetivos a partir desta reflexão e, finalmente, pensar nas táticas que podem ajudar a concretizar o objetivo através de um processo gradual de metas realistas e concretas.

Além disto ele adverte de um lado para que não se perca o objetivo de vista e de outro para que nem toda tática é recomendável. A questão não é portanto linear nem são infinitas as escolhas porque algumas delas ampliam o risco admissível. Os riscos, avalia ele, às vezes devem ser corridos porque a sorte em geral favorece aos audazes, mas se deve estar conscientes deles. Mais ou menos o conceito de risco calculado da estratégia militar contemporânea.

Assim ele sabe que o Estado que ele deseja não será obtido enquanto a Itália não for unificada. Sabe que ela Não será unificada a não ser por um Príncipe forte e que este processo inevitavelmente conduzirá a guerras e violência. Sabe que esta centralização precisa se dar em torno de um nome forte porque precisará obrigatoriamente combater a aristocracia - com a qual o Estado republicano final não será possível. Daí o conteúdo até brutal em alguns momentos do Príncipe.

Síndrome de Cassandra
Curioso que Maquiavel, ao lado de dois outros grandes estrategistas - Ibn Khaldun e Karl Clausewitz - jamais tenham sido ouvidos em sua época. Maquiavel passou a vida toda tentando se fazer ouvir pelos príncipes italianos. Khaldun passou a vida fugindo de corte em corte do Magreb onde inevitavelmente caia em desgraça. Clausewitz jamais conseguiu ser levado a sério pelo Estado maior prussiano.

Tal como a personagem da mitologia grega, os três parecem ter recebido ao mesmo tempo o dom de prever o futuro e a maldição de não ser capaz de convencer ninguém das suas previsões por mais acertadas que fossem. Ainda assim Maquiavel continua hoje sendo um eficiente conselheiro, Clausewitz moldando os exércitos contemporâneos e Khaldun arrancando exclamações sobre a atualidade de seu modelo de interpretação do desenvolvimento das sociedade. Enquanto isto os contemporâneos a eles que obtiveram seus efêmeros sucessos tiveram o nome apagados da história.

Fonte: http://resenhas.sites.uol.com.br/maquiavel.html

O Analfabeto Político

Por Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.

O Analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.

Não sabe o imbecil que sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

quarta-feira, agosto 25, 2010

As Barbas do Moisés

- Você acha uma boa idéia subir o Monte Sinai à noite? Perguntava minha mulher dentro do mini-bus que nos levaria para o Deserto do Sinai, onde escalaríamos o famoso monte que Moises recebeu os dez mandamentos.

- Se Moisés que era bem velhinho conseguiu...

- Eu não acredito que ele tenha subido no escuro - ela conclui.

Nem eu acreditava, mas mesmo assim se quisessemos testemunhar o sol nascer do topo da montanha teriamos que subir o monte durante a noite. Fomos deixados nos pés da montanha sagrada junto com outros tantos viajantes . Seria quatro horas de subida até o topo e se conseguissemos encontrar um lugar em meio aos peregrinos, camelos, guias e turistas, testemunhariamos o maior espetáculo da Terra segundo os egípcios: O Amanhecer no Sinai.

- Vai valer a pena ! dizia pra mim mesmo como um mantra, à medida que via que teríamos que caminhar na escuro. Pois na pressa, nenhum menbro do grupo lembrou de trazer uma lanterna.

Sem nosso guia estariamos completamente perdidos na escuridão. E pensar que quase desistimos de contratar o moço Beduino. Eram quase meia noite e o nosso grupo de mochilas nas costas foi seguindo pelo caminho que era só subida. Não que o escuro incomodasse nosso guia que provavelemente subia e descia aquela montanha toda noite.

- Quando se tem certeza da trilha, você consegue segui-la com os olhos fechados.- dizia o homem que podia até ser convencido, mas sabia o que fazia, uma vez que não enxergavamos um palmo à frente do nariz; e com a certeza de quem sabe onde pisa, foi conduzindo a gente montanha acima.

Apesar de tanto católico, judeu e muçulmano estarem ali seguindo os passos de Moisés, a nossa peregrinação era por causa da "Aurora", princesa Linda que contam 9 entre 10 egípcios se revelava uma "rainha linda" vista do topo do monte, onde contam as lendas, Moisés teve um contato imediato de primeiro grau com Deus e recebeu a tábua dos mandamentos, grande pilar e raiz das três maiores religiões monoteistas do mundo.

Eu nunca fui muito fã do Moisés. Talvez porque tive que decorar os mandamentos numa época que mal sabia o meu nome de cor, também porque minha mente adulta o culpava por ter começado essa confusão toda no Oriente Médio e esse papo dos judeus de serem ¨o povo escolhido¨ por Deus. Porém, não deixei de pensar no homem desde que colocara os pés no Sinai, principalmente ao ver o Mar Vermelho e ter uma pré-cognição:
" O mar se abria em dois..." e eu testemunhara tudo pela telinha da TV. O filme "Os Dez Mandamentos" marcou a minha infância e nunca esqueci aquela cena do marzão se abrindo e vivia tentando entender como ele fez aquilo, na esperança de quem sabe poder repetir o truque num riacho que havia perto de casa e ficar popular no bairro. Mas à medida que fui crescendo não demorei para sacar que Moisés talvez, nem teria existido.

Curiosamente, Moisés e o Exôdo é a grande ponte de interseção das três religiões de um Deus só. Qualquer muçulmano sabe tanto quanto um judeu ou um cristão sobre o que andou fazendo e falando o profeta.

Como ja deixei bem claro, meu interesse ali era puramente natureba : a montanha e o amanhecer; mas logo percebi que era impossivel não ser contaminado com o rastro energético religioso de preces e cantigas dos fiéis. A cada parada, podiamos ver pequeninos pontos de luz movendo-se para o alto, como se centenas de vaga-lumes estivessem subindo em zique-zaque do chão em direção ao céu. E que céu.

Eu nunca tinha visto nada como aquilo, nem minha esposa tinha visto tanta estrela cadente.

- Eu vi uma! - dizia ela, sorriso de criança descobrindo o mundo - Olha outra! São tantas…

Quando vivíamos no Brasil, moravamos no centro de São Paulo , onde o céu só da passagem a algumas estrelinhas em feriados e fins de semana, quando a poluição diminui. Ali, vendo tanto estrelas eramos caipiras de cidade grande maravilhados com essas coisas “bestas” que faz a gente se sentir como moleque de novo. Lembro o quanto festejava ao abrir a janela de meu apartamento e conseguir enxergar “as três Marias” quando a noite se despia do cinza que impedia a vislumbração da sua beleza.

Em meio ao povo passando e camelos esperando por peregrinos cansados demais para subir a pé, juro que pude ver um velhinho barbudo de branco, segurando um cajado. Tentei apontar o velhinho para Auri, mas ela ainda contava estrelas caindo.

- Auri, olha o Moisés! - apontei, mas ela continuava catando estrelas.

- Esse é o céu que São Paulo teria se não fosse a poluição.

- Auri, acho que vi o Moisés - disse de novo, tentando procurar o homem com cara de Moisés, mas ele tinha sumido. Não demorou para o guia avisar a todos que precisavamos continuar, olhei pra minha esposa e juro que jamais a vi tão Linda como áquela noite em que seus olhos refetiam as estrelas caindo:

- Vamos seguir, menina que nunca viu estrelas!

Contrariada ela segurou minha mão e começamos a caminhar novamente, muito embora seus olhos ainda cintilassem com o brilho do céu.

- E pensar que algumas delas nem mais existem. – lamentou a moça.
- Existem sim, enquanto pudermos vê-las e senti-las elas sempre existirão. Elas são tão reais quanto essa mochila.

E que mochila pesada. Por que será que sempre carregamos mais do que precisamos?

Entre o peso da mochila e o topo do Monte Sinai, havia algo no ar. Havia tanta inspiração e poesia vindo que desisti de pegar meu bloco de notas e caneta, até mesmo por que seria impossível escrever no escuro. Apenas deixei vir e abri o coração para sentir, então vi o velhinho de novo.

Ele caminhava comigo, não se importando com as pessoas ou com as estrelas. Seu corpo caminhava, mas sua alma parecia estar em outro lugar.

Quem teria sido realmente aquele homem? Teria mesmo recebido os 10 mandamentos de Deus ou foi o unico meio de convencer tanta gente diferente a se unir? Teria realmente separado o Mar Vermelho? Estariam os americanos preparando uma nova versão daquele filme que assisti aos 10 anos de idade?

- Ele deve ter realmente vindo aqui! – disse a Auri - Por mais que muita coisa na Bíblia tenha sido inventada para tornar a historia mais interessante, eu acredito que toda fábula tem algum ponto de verdade. Se ele realmente existiu, ele deve ter vindo até aqui para dar um tempo. Sei lá, meditar sobre como liderar e passar informação para aquele povo que brigava por bobeira.

- Eu acho que você tá levando muito a sério essa história.- disse Auri se concentrando na caminhada. Eu continuava pensando em Moisés. Ele estava ali conosco, era impossivel não percebê-lo.

Moises deve ter subido ali para encontrar respostas. Devia estar se sentindo confuso, querendo saber se estava fazendo a coisa certa ou não. Era muita gente dependendo de seus ensinamentos e direção. O cara tinha que ter um pulso forte e um bom argumento para evitar que o povo se matasse por bobeira e parassem de bolinar na mulher do próximo.

O velhinho caminhava ao meu lado e eu podia ouvir o que o preocupava:

“ O que fazer e como orientar tanta gente? Como parar todos esses conflitos e fazê-los entender que somos uma única família? Como ser um bom guia?¨

A medida que subia, Moisés se perguntava se fez realmente a coisa certa. Não teria sido melhor continuar nos jardins dos Faraós com comida e mulher a vontade? E se aquilo tudo fosse uma ilusão da sua cabeca e seus planos não diferissem de tantos outros que so queriam dominar e ter poder sobre o que o povo pensava e acreditava? Por mais que seu coração lhe dizesse que as vozes e visões eram reais, as dúvidas continuavam a lhe atormentar a alma, mas ele sabia que todo homem que se auto-questiona e pondera sobre seus atos se afasta do caminho dos loucos por poder e se aproxima mais de se tornar um líder.

E assim, chegamos todos ao topo do Monte Sinai.

Enquanto Moisés meditava em sua fé e certezas, eu tirava a mochila e observava a multidão, Por um momento achei que alguém colocaria na entrada uma placa de lotação esgotada.

Havia tanta gente lá em cima que recordei com carinho as manhas de segunda-feira tentando pegar metro em São Paulo, mas Moisés, parecia não se importar e continuou em silêncio, até que uma melodia ecoou no ar e pareceu interpenetrar seu corpo, o enchendo de paz.

E a canção dizia:
“Essa é a Canção da Vida, Moisés. Ela ecoa pelo ar dia e noite e pode ser ouvida em qualquer lugar ou em qualquer situação. So é preciso ter coração aberto para escuta-la.”

- Você pode ouvir? Perguntou Auri
- Sim - respondi, percebendo que entre as Nikons e Panasonics de ultima geração, um grupo de japoneses evangélicos cantavam uma canção - Não sei o que eles estão cantando, mas é bem bonito.

E era!

Toda canção parece carregar uma mensagem, mesmo quando não cantada. Se conseguirmos ouvi-la de verdade, ela é capaz de transformar o que sentimos.

Uma vez quando eu era criança, minha mãe me disse, que se eu pudesse ouvir meu Anjo da Guarda , eu escutaria não sua voz, mas melodia.

Seria realmente a música um tipo de linguagem só compreendida pela alma? Seria a música que compomos uma tentativa humana de reproduzir o que os anjos transmitem nos céus de nossos corações?

Sim! A música era o mensageiro. O anjo entre Moisés e Deus. E ouvindo com o coração, ele entendeu a mensagem:

“Para tudo há ciclos
e para cada ciclo, há mudancas.
Nessas mudancas há sempre perfeição e propósito, pois ela levará o homem ao equilíbrio e ao reino de onde ele veio.
De tempos em tempos, ciclos e ciclos, se faz necessário o esclarecimento para que os homens não se percam ainda mais. E você Moisés, sabe que esse conhecimento nem sempre é facilmente ou sabiamente interpretado e assimilado, portanto as mudanças completam o trabalho que a informação não pode finalizar.
Por isso se faz necessário a dança dos opostos.

Não se preocupe em ser um bom ou mal guia. Os falsos lideres se iludem com o título de pastor, o verdadeiro líder não apenas guia e protege suas ovelhas, ele é o proprio rebanho. Ele é o pastor e as ovelhas. Ele sabe que um não existe sem o outro.
Por isso há ciclos, para que todos experimentem o mundo sob diferentes pontos de vistas. Tanto pelo olhar da ovelha quanto pelo caminhar do pastor.

Já houve a época de ser conduzido, agora é a sua epoca de conduzir.

Vá e guie seu povo e faça o melhor que puder, lembre-se apenas que o caminho do líder é solitário. Ser um guia significa que o mundo irá procurar perfeição em cada ato seu, e basta o primeiro sinal que você é tão humano quanto eles para que toda confiança se desfaça e a primeira pedra seja lançada. Mas tenha confiança no seu trabalho e em seu coração e os frutos virão através daqueles que realmente compreedam suas palavras.

Siga em paz, Moisés.¨

E conta a lenda que Moisés então viu uma grande bola de luz surgir no horizonte, e diante de tanta beleza, ele se ajoelhou e rezou ao senhor agradecendo pela oportunidade de ser um veiculo do seu amor.

- Olha o sol!!! Gritavam todos, á medida que o astro rei surgia no horizonte, iluminando as montanhas do deserto e nossas faces. Muitas pessoas rezavam, outras cantavam, e outras tantos batiam fotos, eu apenas chorava com tamanha beleza. Minha mulher olhava para mim e também estava profundamente emocionada.

Tinha valido apenas o esforço. A beleza da aurora no Sinai era tudo o que nos disseram, e ficamos ali em cima da pedra observando o sol subindo pelo céu nos convidando para um novo dia, ou melhor, para a descida.

Procurei por Moisés, mas não o ví novamente. Não sei se Deus quando virou sol deixou ao seu lado a tábua dos dez mandamentos, ou se o velhinho era um bom escultor, tudo que sei é que conheci um pouquinho de sua energia ali no Sinai.

Não sei o que ocorreu dali em diante, e o que o cara precisou fazer para manter toda aquela galera unida, mas acredito que ele fez o melhor que pôde. Nada mal para um cara que viveu a mais de dois mil anos. Acho que ali, nasceu também as tábuas da primeira constituição e as sementes da política.

Dentro do ônibus, Auri percebeu meu olha perdido nas montanhas e perguntou :

- Então, você realmente acredita que Moisés esteve por aqui ?

- Pode ser que não, Auri. Talvez o Moisés da Biblia nunca tenha existido, mas o Moisés humano, que abriu o mar da ignorância do povo judeu daquela epoca está em cada pedra nas montanhas e em cada grão de areia desse deserto. E com tanto babaca que fez história, é legal saber que pode ter existido um homem que liderou um povo através de ensinamentos de respeito e consideração ao próximo. Talvez seja essa a lição mais importante que precisamos aprender com o Sinai e com Moisés.



15 de agosto de 2002
Frank

terça-feira, agosto 24, 2010

PORQUE VOTAREI NA MARINA

Fujo do assunto eleição, não escrevo sobre política, pois sei que o tema inflama discussões, destrói amizades, separa pessoas em esquerda ou direita. Como sou mais do "meio", e caminho sempre na ponte da reconciliação, sempre evito escrever sobre o assunto, mas, o poder da pena é maior que a minha vontade e cá estou eu, ao invés de ficar com os dedos amarrados, solto-os para que façam a vontade do insight e da inspiração, daí, não tive escolha outra que não, revelar a minha opção de voto em crônica, mesmo correndo o risco de perder leitores e desapontar corações; e em voto lhes digo, que a minha opção será na pequena Marina Silva, do partido que representa, ao menos, um símbolo em que eu ainda acredito que valha a pena lutar: O Verde.

Claro, que não sendo tolo, sei que Marina não tem a menor chance nesse ringue entre partidos que dominam os senados da nossa Roma-Brasília; nem tampouco voto nela por querer defender os "underdogs", aqueles que não tem a menor chance, nada disso at all! Votarei na Marina por seus príncipios, pela sua fala, pela maneira como ela segue as suas idéias e por representar algo original nesse mundo político do mais que o mesmo.

Nada tenho contra a outra candidata que parece ser um clone fabricado por seu criador ou do outro candidato que fala, fala, mas não diz nada. Eles que continuem nessa quebra de bandeiras que representa o pensamento de boa parte da nação brasileira. Porém, há muita coisa na Marina que respeito num líder e gostaria de ver num político que me representaria em Brasília: força de vontade, sensibilidade, respeito a natureza, coragem para dizer "não" se o que for proposto contrariar o que se é pregado, honestidade e integridade.

Marina pode ser mulher e negra, mais isso pouco infere em minha decisão, acredito que para ser um líder decente, pouco difere se você é branco, homem, mulher ou amarela. O que importa é o conjunto e o que é tocado.



Não me importo por ela ser evangélica, muito embora, muito me preocupa qualquer aproximação entre política e religião, mas algo que me fez tomar essa decisão de votar na Marina, foi justamente perceber que existe um preconceito muito grande em relação a essa parcela da população que prega a fé cristã e Marina sempre deixou bem claro, que a sua opção religiosa nada influenciará em suas ações como presidente se for eleita.

Eu votarei na Marina, como já disse, mesmo sabendo que ela não vai ganhar. E esse voto, talvez, seja o voto mais consciente que darei na minha vida de eleitor, mas saibam, queridos leitores, ele representa a minha vontade e é fruto de muita meditação, justamente porque Marina possui um discurso que tem mais a ver com o que eu acredito e seja qual for a sua opção de voto, espero que continuemos amigos, afinal, discernimento e conhecimento antes de votar deveria ser lição de escola, e embora o voto da maioria pode ser, às vezes, meio donkey, principalmente se Tiriricas e Mulheres-Frutas forem eleitas, ainda acredito que o voto é a melhor arma que temos para defender os nossos direitos e colocar no poder um verdadeiro líder.

Para saber mais sobre a candidata, acesse:
http://www.minhamarina.org.br/home/home.php

Humoristas e Política

Humoristas protestam pelo direito de fazer humor na política


Fazendo piada contra a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proibir humor com candidatos em programas de rádio e TV, cerca de duas mil pessoas participaram na tarde deste domingo (22) da passeata "Humor sem Censura", na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Embora o tribunal informe que se baseia na Lei Eleitoral (9.505/1997), nunca antes a proibição havia sido aplicada, como lembraram Cláudio Manoel, Hélio de La Peña e Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, programa que sempre fez sátiras de candidatos.

Também participaram do protesto o cartunista Jaguar, Castrinho, Lúcio Mauro Filho, Nelson Freitas (Zorra Total), Maurício Menezes (Plantão de Notícias) e o cantor Léo Jaime, entre outros. Danilo Gentili, do CQC, e Sabrina Sato, do Pânico, aproveitaram para gravar cenas que devem ir ao ar nesta semana.

A iniciativa da manifestação partiu dos integrantes do Comédia em Pé, cujas apresentações, em teatros, não são atingidas pela proibição. "Protestamos mesmo não estando censurados (...) mas pode chegar, qualquer fiapo de censura é uma fagulha", filosofou Cláudio Torres Gonzaga, um dos integrantes do grupo.

Fábio Porchat, também do Comédia em Pé, leu o manifesto, afirmando que "as restrições impostas aos profissionais do humor são francamente inconstitucionais, uma forma arbitrária e espúria de censurar o seu trabalho, silenciando-os. No exercício da democracia, informar e criticar não somente é um direito, mas um dever".

Ao fim da passeata, que percorreu pouco mais de um quilômetro, do Copacabana Palace ao Leme, Porchat comentou que está havendo "uma inversão", pela qual "os humoristas são proibidos e os candidatos é que acabam fazendo palhaçada na TV no horário eleitoral". Diversos gritos de guerra foram improvisados, entre eles o de "humor sem censura, abaixo a ditadura!".

Cartunista ameaçado de processo pelo PT desenhou logomarca
A logomarca do Humor Sem Censura - um palhaço com a boca tapada por uma rolha - foi desenhada pelo cartunista Nani, ameaçado de processo pelo PT em julho, após fazer uma charge da candidata Dilma Rousseff como prostituta, comparando seu programa de governo a um "programa" conforme o gosto dos fregueses - no caso, partidos aliados, como PMDB e PDT.

Na caminhada, havia gente fantasiada tanto de Dilma "da esquina" quanto de "Serra Comedor", em alusão à piada criada no site YouTube sobre o programa eleitoral de TV em que o tucano usa seguidas vezes a palavra "como" - na forma de conjunção - para se referir a diversas pessoas que citava.

Cláudio Manoel, do Casseta e Planeta, lembrou que o grupo já estampou capas de revistas com montagens com os ex-presidentes José Sarney com cinta-liga e Fernando Collor "de bunda de fora" e que "não houve nenhuma ameaça". Embora a determinação seja do TSE, outro Casseta, Marcelo Madureira, afirmou que sua aplicação "reflete esse momento de 'hegemonia petista', em que não temos oposição".

Fonte: http://noticias.terra.com.br

segunda-feira, agosto 23, 2010

SOBRE TIRIRICAS

Em uma lanchonete na Barra Funda:

- Eu comprei o Cd dele e gostei muito - disse o Zé, servindo uma coca-cola gelada ao Seu Kleber.

- Isso é razão, Zé, para voltar nesse traste? - pergunta o Seu Kleber com a voz firme, bem articulada.

- Pelo menos eu sei em quem eu vou votar - explica Zé - A maioria desses candidatos a deputado é gente esquisita que fala coisa que não entendo.

- Zé, usa o seu discernimento e sua consciência. Perceba que esse sujeito, apenas por ser famoso, não possui condições de representar você e os seus lá em Brasília. Isso é uma grande piada, assim como é a música que esse palhaço faz.

- Você já ouvi um CD dele?

- Nunca!

- Como sabe que o CD é ruim?

- Zé, meu querido, você acha que eu me prestaria a esse papel. Olha para mim, Zé, sou eu quem estou sendo servido, não sou quem esta servindo. Fui criado ouvindo Glen Miller e Ella Fitzgerald, desde o berço até os meus primeiros passos - diz Seu Kleber com orgulho, Zé observa calado - Cresci ouvindo Cole Porter, namorei ao som de Jobin e Miles Davis e você tem a coragem de me perguntar se eu já ouvi Tiririca?

- Você votaria nesse tal de Maiôs Deivis?

- Claro que não, Zé! Miles Davis nunca se canditaria a política, ele era um artista, não participaria desse circo que virou Brasília. Você perceba, Zé, a diferença entre pessoas como eu e você: eu estudei! E se vocês, povão, tivessem um pouco de discernimento, não seguiriam feito gados, sendo manipulados pela mídia e por esses políticos de mentira. Eu tenho nojo desses "Tiriricas" e das pessoas que o escutam e querem votar nele.

- O senhor tem nojo de mim, Senhor Kleber?

- Você não, Zé! Você, ao menos, eu conheço.

Pode piorar sim, Tiririca


Por Roberto Pompeu de Toledo


Na semana passada teve início a edição 201 daquela hora da tristeza de ser brasileiro que é o horário político na televisão. Tal como se apresenta. ele não escapa de duas alternativas: a mistificação ou a indigência. Se a campanha é rica. para cargo executivo e tem bons minutos na TV. não faltarão voos sobre as cidades e os campos, as florestas, os rios, as cachoeiras e os vastos horizontes, versão atualizada dos velhos filmes de Jean Manzon e do Amaral Neto Repórter como concordarão os últimos moicanos que ainda se lembram deles. A música apoteótica cabe o papel de reforçar o entusiasmo de quem já o possui ou despertá-lo nos que ainda resistem. Capturam-se no intervalo depoimentos de populares que. numa impressionante coincidência, se mostram todos, ricos e pobres, jovens e velhos. homens e mulheres, tomados de admiração pelo candidato.

Se a campanha é govemista. desfilarão exuberantes plantações, obras públicas tocadas em ritmo febril,


fábricas funcionando a todo o vapor, povo gozando de escandinavo nível de bem-estar. Se é de caráter nacional, serão mostrados em rápida sucessão o Cristo Redentor e os arranha-céus da Avenida Paulista, uma baiana e um gaúcho em seu cavalo. Tudo isso. claro. se fez presente na semana passada no programa inaugural de Dilma Rousself, e não foi por acaso: é a campanha mais rica. nacional. govemista e com mais tempo na TV. O programa teve ainda mais: uma espetacular sequência em que a candidata, à beira do Arroio Chuí, dialoga com o presidente Lula em rondon ia, à beira do Rio Madeira.os dois em posição de aplicar "um abração no nosso povo, um abração do tamanho do Brasil", como disse Lula.


O programa de Dilma teve tudo e mais um pouco, para ilustrar a mistificação. Perdeu seu tempo quem procurou um projeto de governo, uma definição sobre tema controverso. Quanto à indigência, repete-se a conhecida parada macabra dos candidatos a deputado. os tipos suspeitos alternando-se com os sinistros. os desconhecidos com os exóticos. Tudo muito rápido, um empurrando o outro como quem enfrenta um corredor polonês, atropelando-se para dar um recado que na maior parte das vezes se resume à recitação de um nome e de um número. Pince quem for capaz um candidato que coincida com suas visões e aspirações nessa feira de desesperados.


Não é a existência em si do horário político que deve ser posta em causa. O acesso. bem ou mal igualitário. dos candidatos e dos partidos ao mais central e mais crucial dos meios de comunicação é um avança a ser preservado. O problema é o modelo vigente. Ele está longe de oferecer informação que possibilite escolhas claras e conscientes do eleitor. E o pior é que ele é o começo de tudo, no processo político.


E preciso repensá-lo, se se desejam eleições diferentes das que, ao fim e ao cabo, vão resultar nas instituições frouxas e da democracia de segunda ordem que temos hoje. Algumas regrinhas poderiam ajudar. Por exemplo, proibir, ou limitar, o uso de cenas ex temas.


Ou exigir, em um programa por semana, ou dois, ou quantos se arbitrarem, a presença ao vivo do candidato. Perde-se na espetaculosidade hollywoodiana que as campanhas ricas se acostumaram a ostentar, mas ganha-se na autenticidade. Medidas como essastenderiam a corrigir o que os programas têm de mais vazio e, com desculpa pela expressão. alienante. De quebra, diminui-se o custo igualmente hollywoodiano das campanhas políticas brasileiras.


Mas o ideal mesmo, para produzir uma mudança "radical". como diria o candidato Plínio de Arruda Sampaio, estrela inesperada da temporada, seria mudar o caráter do programa, que de "propaganda política" passaria a "informação política". A propaganda já dispõe das muitas inserções que, ao longo do dia, são obrigatoriamente veiculadas na TV e no rádio. As duas edições diárias do programa de cinquenta minutos ofereceriam entrevistas com os candidatos. reportagens e debates produzidos e mediados por entidades neutras supervisionadas pela Justiça Eleitoral. Utopia? De realização distante como o Brasil Grande do programa de Dilma? Certamente. mas quem sabe, martelando se desde já, um dia pega?


Por enquanto ficamos com Tiririca. Tiririca é um cantor, ou ator. ou humorista (?!). ou seja lá o que for, que se apresenta como candidato a deputado federal em São Paulo. Ele diz, em seu comercial: "Que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto". De bond, peruca e roupa que lembra um arlequim da roça, Tiririca termina com o slogan "Pior do que está não fica. Vote em Tiririca". Fica sim, amigo Tiririca. Já ficou.

Fonte:
Data: 23/08/2010
Veículo: VEJA
Editoria: COLUNA
Jornalista(s): Roberto Pompeu de Toledo
Assunto principal: POLITICA

domingo, agosto 22, 2010

FUTURO DE NÓS

Éramos noivos, o casamento ainda estava distante, quando fomos convidados para um casamento de uma amiga. Fomos para a igreja, assistimos a cerimônia; sem carro, pegamos carona com outro casal, que não conheciamos, mas iriam para a festa, que ficava um tanto longe dali.

Ele era moreno, baixo, magro, cabelo quase ralo, mas um bigode bem conservado; ela era de pele branca, cabelo negro e longo, tinha os olhos grandes que me lembravam as feições da minha noiva. Ele falava muito, ela completava o que ele não conseguia dizer, pareciam bem felizes e seguiram contando como estava felizes, e apesar do casamento de 30 e tantos, eles continuavam se amando como nos primeiros anos.

Inspiração para nós,futuro casados, não havia melhor.

O interessante é que eles pareciam muito comigo e com a Auri, não só na aparência, mas na maneira como eles se tratavam e agiam, até na forma como se expressavam.

Algum tempo depois, chegamos na festa, saímos do carro, e combinamos, quem sabe, dividir a mesma mesa, para continuar a nossa conversa. Eles concordaram, disseram que iriam estacionar o carro e que nos encontraríamos lá dentro. Esperamos eles voltarem da área onde estavam os carros, mas eles nada! Rodamos, falamos com os conhecidos, cumprimentamos os noivos, mas embora houvesse lugar vazio na nossa mesa, não os vímos mais. Auri procurou,eu tentei encontrar, mas o casal simplesmente desapareceu. Pensei em perguntar para alguém sobre eles, mas lembrei que esqueci de perguntar seus nomes. Como só havia uma festa de casamento naquele salão, não havia o risco deles irem ter parado na festa errada.

Bem mais tarde, enquanto nos despediamos dos amigos e seguiamos para casa, Auri disse:

- Frank, foi só a minha impressão ou aquele casal parecia com a gente?

- Ela era a sua cara, Auri...pensando bem, você é muito mais bonita - disse, fazendo graça, ela não riu, estava pensativa, meditando naquele encontro com aquele casal estranho que tanto nos era familiar.

- O pior é que nem os nomes deles sabemos - disse ela.

- Vai ver, nem é preciso - respondi - Talvez eles sejam a gente mesmo. O Frank e a Auri do futuro que vieram nos visitar e nos mostrar que estaremos juntos pelos próximos 30 anos.

- Futuro? - disse ela, levando a sério aquela minha teoria absurda. - Bem, sendo do futuro ou não, eles nos mostraram que não precisamos temer o nosso casamento e que todas essas histórias tristes de casais que se separam após os primeiros sete anos, não se aplica para todos.

- Sim, você tem razão. - concordei - Talvez eles tenham sido um sinal que estamos no caminho certo; mas se um dia, daqui há 30 anos, conhecermos um casal de noivos a caminho de uma festa de casamento, por favor, me lembra de ao menos, nos apresentar.

- Combinado! - disse ela - Pensando bem... Se isso ocorrer, é melhor mesmo não dizermos os nossos nomes. Tenho certeza que se fizermos isso, esse casal de noivos vai lembrar muito mais da mensagem que passaremos do que dos nossos nomes.

- E que mensagem será essa?

- Há vida feliz e inteligente além do casamento.

sábado, agosto 21, 2010

Velha Lenda sobre o Amor

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo...

- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos
garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure queestaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada... Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e
tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo - continuou o
feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás
apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro,
os dois esperavam com as aves dentro de um saco.

O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...

- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.

- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre sí pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.
Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo,as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho disse:

- Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro... Se
quiserem que o amor entre vocês perdure... voem juntos... mas jamais amarrados.

MIRONGA DE UMBANDA PARA PROBLEMAS AFETIVOS


Por Vó Dita -

Mironga é como chamamos o feitiço de preto-velho, a mandinga de negro em favor dos filhos que o procuram. Aqui vão algumas mirongas que essa nega "véia" tem a ensinar para resolver as dificuldades do coração. Leia tudo com muita atenção e principalmente, aplique isso no seu dia-dia. Grande é a força dessas pequenas dicas...

1 – Aprenda a viver sozinho. Caso você não consiga nem viver consigo mesmo, como poderá levar felicidade e alegria para outra pessoa? Primeiro relacione-se com seu eu interior. Depois busque alguém.

2 – Assuma a responsabilidade pelo seu relacionamento. Não é magia, inveja, ou ciúmes de terceiros que irá separar aquilo que o amor uniu.

3 – É claro que também nenhuma simpatia, reza ou trabalho irá unir ou “amarrar” aquilo que a falta de carinho desuniu.

4 – Simplificando: quem procura as coisas ocultas para resolver problemas sentimentais é imaturo. Ruim do juízo e doente do coração.

5 – Desapegue-se! Ser humano é um bicho apegado. O único problema é: o amor é um sentimento livre. Um eterno querer bem. Um carinho incondicional. Quase um sentimento de devoção. Se você “gosta” tanto de alguém, que prefere ele “morto”, do que feliz com outra pessoa, escute: Isso não é amor! É simples ilusão disfarçada...

6 – Aprenda que ninguém irá te completar. Você já é completo! Mas quando um relacionamento é calcado no mais puro amor, muito do amado vive no amante, e muito do amante para sempre viverá no amado. Quer milagre maior que esse?

7 – Melhor sozinho do que mal acompanhado! Sabedoria popular, mas o que têm de doutor e doutora que não consegue entender isso.

8 – Ponha o pé no chão e esqueça essa história de alma gêmea. Pare de enfeitar suas próprias desilusões com devaneios ditos espiritualistas. Encare a realidade de frente.

9 – A vida vai passando, com ele/a, ou sem ele/a. E a morte se aproximando...

10 – Por isso, vão viver a vida, meus filhos! Quem sabe ela não está guardando um presente para vocês? Não existe mironga maior que essa...


Ditado a Fernando Sepe, espiritualista e organizador do excelente blog Orum Ananda - http://blog.orunananda.zip.net/

sexta-feira, agosto 20, 2010

BODAS DE RESPEITO

Um casamento - fora as excessões - dura no máximo duas décadas; depois disso, a relação se arrasta numa farsa ou se destroi em acusações, traições, ou qualquer outro boicote que vise garantir ao casal aquilo que eles poderiam alcançar conversando: a liberdade.

Casais que são excessões, cuja união data mais de 20 anos, contam que o segredo do seu relacionamento é um tipo de "sharing" que ultrapassa as expectativas que temos no ínicio da relação, aquela ilusão, que com certa pessoas, a nossa vida estaria completa. Eles já compreenderam que outra pessoa nunca completará aquilo que nos falta, mas se essa pessoa tiver os mesmos objetivos e aprender os segredos da parceria, mesmo sendo diferentes e buscando coisas distintas, a união prevalecerá, levando para ambos, uma vida a dois feliz e duradoura.

Embora haja excessões, infelizmente, qualquer pesquisa séria mostra que a maioria dos casais modernos não completam suas bodas de zinco (10 anos), imagine as de porcelana (20). Sendo assim, o que há de errado conosco e o que havia de certo com as gerações passadas? OU melhor? O que havia de errado com quem foi casal antes?

Meus avós recentemente completaram sua bodas de ouro (50 anos). Um dia, perguntei a minha vó se ela poderia dar algum conselho para os jovens casais, e ela disse simplesmente:

- As mulheres precisam engolir muitos sapos, e fingir que o marido é perfeito.

Não perguntei, mas fiquei imaginando o que teria sido esses sapos? Ou foram rãs? Será que algum deles, algum dia, não se arrenpendeu de não ter arrumado outro parceiro ou ter optado por outro rio ou mar? Talvez a diferença deles para os casais jovens da minha geração seja o fato que nós não pensamos duas vezes em mudar de navio, quanto mais de barco.

Essa semana, escrevi sobre casais que brigam e voltam, num ciclo de partir e voltar, para, de certa forma, renovar a paixão perdida com o tempo e a rotina; outros tantos casais optam por casamentos abertos para manter o relacionamento, como se ao termos outros parceiros, o nosso relacionamento real pudesse melhorar. Outros tantos buscam ajuda profissional, terapia, cura espiritual, e outros meios, mas poucos casais cultivam a arte da conversa. Não me refiro a "discutir a relação" ou algo parecido que causa tanto pânico aos homens, o que menciono, é a técnica de sentar com o seu parceiro e fazer uma simples pergunta: estou fazendo você feliz?

Ter um relacionamento duradouro é muito difícil, requer uma habilidade de negociação muito maior que aquela que usamos em negócios e uma capacidade para gerenciar conflitos que nenhum recurso humano conseguiu ainda imaginar, contudo, não existe ferramenta mais apropriada que uma conversa, portanto, se as coisas estão estranhas em seu relacionameto, não deixe para amanhã, a conversa de hoje.

Quem sabe assim, conseguiremos atingir as bodas do respeito (Aqui e agora).


****//\\****






It's A Hard Life (Mercury)

I don't want my freedom
There's no reason for living with a broken heart

This is a tricky situation
I've only got myself to blame
It's just a simple fact of life
It can happen to any one

You win, you lose
It's a chance you have to take with love
Oh yeah I fell in love
But now you say it's over and I'm falling apart

Yeah yeah, it's a hard life
To be true lovers together
To love and live forever in each others hearts
It's a long hard fight
To learn to care for each other
To trust in one another right from the start
When you're in love

I try and mend the broken pieces
Ooh I try to fight back the tears
Ooh they say it's just a state of mind
But it happens to everyone

How it hurts (yeah) deep inside (oh yeah)
When your love has cut you down to size
Life is tough on your own
Now I'm waiting for something to fall from the skies
I'm waiting for love

Yes it's a hard life
Two lovers together
To love and live forever in each others hearts
It's a long hard fight
To learn to care for each other
To trust in one another right from the start
When you're in love

Yes it's a hard life
In a world that's filled with sorrow
There are people searching for love in every way
It's a long hard fight
But I'll always live for tomorrow
I'll look back at myself and say I did it for love (ooh)
Yes I did it for love - for love - oh I did it for love

It's A Hard Life (Tradução)
É UMA VIDA DIFÍCIL)


Não quero minha liberdade,
Não há motivo pra viver
Com um coração partido

É uma situação delicada,
Só tenho a mim pra responsabilizar,
É um simples fato da vida,
Pode acontecer a qualquer um

Ganhando ou perdendo
É um risco
Que se deve correr com amor.
Oh sim, eu me apaixonei,
Mas agora você diz que tudo acabou
E eu estou caindo aos pedaços

É uma vida dura
Ser juntos, amantes de verdade,
Para amar e viver pra sempre
No coração um do outro...
É uma longa e árdua luta,
Aprender a se importar um com o outro,
Confiar um no outro
Desde o começo,
Quando se está apaixonado.

Tento consertar as peças quebradas,
Tento a todo custo lutar contra as lágrimas
Dizem que é apenas invenção da mente,
Mas acontece com todo mundo

Como dói, lá no fundo,
Quando seu amor
Baixa a sua crista
A vida é difícil quando se está só:
Agora eu estou esperando alguma coisa
cair do céu - esperando amor!

Sim, é uma vida dura,
Ser juntos, dois amantes.
Para amar e viver pra sempre
No coração um do outro...
É uma longa e árdua luta,
Amar e se importar um com o outro,
Confiar um no outro
Desde o começo,
Quando se está apaixonado

Sim, é uma vida dura!
Num mundo cheio de tristezas,
Há pessoas caçando o amor
De todas as formas
É uma longa e árdua luta,
Mas hei de viver sempre para o amanhã,
Voltarei os olhos pra mim mesmo
E direi que fiz tudo por amor...
Sim, fiz tudo por amor
Por amor
Oh, eu fiz por amor

quinta-feira, agosto 19, 2010

O Segredo do Casamento

Por Stephen Kanitz


“Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento tanto tempo.

Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista no ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.

Hoje em dia o divórcio tem se tornado para muitos, inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.

O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo, no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.

De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.

Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial?

Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter sua irrestrita atenção?

Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo?

Faça de conta que você esta de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou de apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe do seu cônjuge.

Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou marido por trinta anos, com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas.

Muitas vezes não é a sua esposa que esta ficando velha e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus), são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.

Se você divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo círculo de amigos.

Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar.

Isso obviamente custa caro, e muitas uniões se esfalecem porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento..

Mas, se você se separar sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão dos filhos de uma união anterior.

Não existe essa tal estabilidade do casamento”, nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.

A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.

Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive a seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza de que seus filhos o respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças.

Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão; por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas faça-o sempre com o mesmo par!“

Quem é o seu amante?

Por Jorge Bucay - Psicólogo

“Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente, são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:

'Depressão', além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.

Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam:
'Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!' Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.

Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:
AMANTE é 'aquilo que nos apaixona', é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto....

Enfim, é 'alguém' ou 'algo' que nos faz 'namorar' a vida e nos afasta do triste destino de 'ir levando'.

E o que é 'ir levando'? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã*.

Por favor, não se contente com 'ir levando'; procure um amante, seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!

Acredite: O trágico não é morrer, afinal, a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver... Por isso, e sem mais delongas, procure um amante ...

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo Transcendental:

'PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA.'

"A mente cria, o desejo atrai e a fé realiza"

Casal ioiô

Casal ioiô luta contra "indo e vindo infinito"

GABRIELA BELÉM
Colaboração para a Folha de S.Paulo (*)


Num dia, tudo é "love is in the air". No outro, já não sabem se querem continuar juntos. Se tal novela faz parte da sua vida, bem-vindo ao clube dos relacionamentos ioiô, aqueles cujas indas e vindas parecem infinitas e os amados sofrem quando estão juntos e separados.

Mas, afinal, por que isso acontece? De acordo com nove especialistas ouvidos pela Folha, o motivo principal é um embate entre o medo da intimidade e do compromisso e o pavor de ficar só.

A baixa auto-estima coloca um pouco mais de brasa nessa fogueira, diz o psicanalista Jorge Forbes. Sem esperança de ter uma relação melhor, os casais se agarram à que tem, mesmo insatisfeitos. Os atritos provocam brigas e separações, mas eles não conseguem romper de uma vez por todas.

A imaturidade dos enamorados também leva ao junta-separa dos casais ioiô, opina o psiquiatra Marco Antônio Spinelli. Nessa arena, entram em jogo uma intolerância à frustração e uma falta de capacidade de se manter num projeto amoroso.

Questões culturais e sociais também atrapalham na hora de dizer "até que a morte nos separe". "Hoje em dia é difícil firmar um compromisso de namoro, imagine um casamento! As pessoas preferem ficar numa fase mais 'peterpânica' da vida. Existe também um mito da felicidade, no qual todo mundo precisa estar no padrão Walt Disney", afirma Spinelli.

"Sobreviventes" de uma fase ioiô, os noivos Francisco Maurício dos Santos, 29, e Viviane Margareth de Oliveira, 28, dizem não acreditar no amor ideal, típico dos contos de fadas. "Não sabemos como foi a história da Bela Adormecida depois do 'felizes para sempre', não é?", explica ela. Hoje eles se dizem superestáveis.

Mil coisas

Mas é a ausência de estabilidade da época atual um outro motivo que, na opinião de Spinelli, pode abalar as alianças amorosas. A impressão de haver milhares de possíveis relações através da internet causa uma sensação de perda. "Se você fica com um parceiro, parece estar abrindo mão de estar com outros 20. O casamento virou sinônimo de limitação das oportunidades sexuais", diz.

Do ponto de vista de cada indivíduo, embora não haja estudos específicos sobre o assunto, psiquiatras e psicólogos dizem que uma das razões que podem levar ao medo de intimidade é ter vivido em lares conturbados ou ter sofrido violência ou abandono na infância.

Causas à parte, a terapia é uma das formas receitadas para pôr fim ao indo e vindo infinito. A psicológa Dorit Wallach, coordenadora da clínica Prisma, diz que um terapeuta pode avaliar as dificuldades que se repetem. "Freud já dizia que o problema não é ter problemas, mas ter os mesmos problemas."

A supervisora de vendas Rita de Cássia Lopes, 27, tentou durante sete anos superar as diferenças com seu ex-namorado. De tanto brigarem pelos motivos de sempre, romperam a relação ioiô em outubro passado. "Tudo acabou por um acúmulo de problemas. Eram sempre os mesmos", diz.

Nessas horas, em que as crises se repetem, o ideal é tentar romper o círculo vicioso e construir algo novo, aconselha a coordenadora do grupo de gênero de psicoterapia do Hospital das Clínicas, Marisa Micheloti. A psicóloga e terapeutas sexual e de casais Margareth dos Reis indica o caminho: "Trabalhe uma sintonia na comunicação e procure um projeto de vida em comum".

(*) Gabriela Belém participou do 40º programa de treinamento da Folha, que foi patrocinado pela Philip Morris Brasil

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br
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