segunda-feira, novembro 30, 2009

A MEDITAÇÃO E O BANQUETE

Cansado de lutar com os meus pensamentos, virei a mesa e os convidei para jantar.

Eles ficaram confusos, e ao invés de passearem para lá e para cá; em dúvida, aceitaram meu gesto amigo e se sentaram ao meu lado para degustar o jantar. Foi quando percebi que os pensamentos não eram inimigos, eles eram meus aliados.

Maldito professor de meditação que sem nada o que fazer, me ensinou erradamente os pensamentos eliminar. Não é preciso se livrar dos pensamentos, só é preciso deixá-los passar.

Sorri e terminei a meditação, enquanto meus pensamentos lavavam os pratos.

domingo, novembro 29, 2009

Quem é a Debóra?

A Débora fez aniversário,
Mas quem é a Debóra?
A Débora é toda aquela
Mulher incorfomada
Que quer mais da vida
Do que o que lhe foi sugerido;

Débora é toda menina que quer ser mulher
É toda mulher que ainda é menina;
Débora é estudante da vida
Religada somente com aquilo que lhe dá alegria;

Débora é iniciada
Na arte de estudar;
Sabe que para chegar lá
Precisa se dedicar;
Mostrar a cara,
Comer o pão que o
Anjo amassou;

Débora é toda mulher que precisa de amor
Mesmo que o amor seja mais importante que o amado;
Pois Débora é toda mulher que está ao nosso lado
Ajudando, cuidando, se dedicando ao nosso sonho
Até ele ser realizado.

Quem é a Débora?
É uma abelhinha
Zunindo e contruindo
A colméia da sua força de vontade!

Um Conto Tibetano

Muito me questionei, quando encarnado, do porque do sofrimento humano.

Tive uma infância comum, no oriente, em épocas remotas, onde com meus pais e irmão vivia num pequeno vilarejo entre montanhas onde hoje é o Tibet.

Por volta dos meus 6 anos, perdi meu irmão mais velho, vitimado por uma doença desconhecida.

Não posso dizer que sofri. Naquele tempo ainda não tinha a real noção do que era a morte. Sofri por ver meus pais sofrendo a cada dia. Vivenciei o envelhecimento precoce de minha mãe, que jamais sorriu desde então. Meu pai, pouco falante, se fechou ainda mais, e tornou-se uma pessoa amargurada.

Minha vida mudou não pela morte de meu irmão, mas pela transformação que a morte do meu irmão trouxe para dentro do meu lar.

Vivíamos em uma comunidade pobre, que cultivava seus alimentos para subsistência. Cresci tendo ao meu lado a dor e o sofrimento, e era comum encontrar minha mãe chorando pelos cantos de nossa casa, mesmo passados dezenas de anos. Meu pai não demonstrava sentimentos, e se fazia firme diante de nós. Mas me recordo de uma tarde, onde acabei meus afazeres e fui para as montanhas, buscando uma erva que crescia naquela época, que curava as cabras de uma doença que lhes secava o leite.

E subindo entre as pedras e rochas, na busca dessa erva curadora, pude espreitar meu pai chorando, defronte a imagem do Senhor Budha. Ele soluçava, e perguntava em tom inquiritório, do porquede ter perdido seu primogênito.

Me escondi, pois não queria que meu pai soubesse que eu estava lá. Fiquei ouvindo o lamento de meu pai, que por mais de uma hora, se revoltava diante da estátua, enraivecido.

Fechei os olhos e comecei a lembrar do meu irmão, de quando ainda éramos pequenos brincando todas as tardes e noites. Lembrava que antes de dormir, meu pai contava as grandes historias que o mestre Gautama Budha ensinou. E que naquele momento, meu pai com ele se revoltava, questionando sua sabedoria e justiça.

Acabei dormindo e não me dei conta. Quando acordei, já era noite, e estava sozinho. Meu pai certamente já havia ido embora, e agora eu não podia voltar, pois a noite era escura, a lua estava encoberta, e os escarpados perigosos para uma volta às cegas.

Resolvi então passar a noite diante da imagem do Mestre Bhuda, pedindo a ele proteção. Aproveitei para pedir desculpas pelas ofensas e questionamentos que meu pai fizera pouco antes, e tentei explicar ou justificar o motivo, talvez tentando me desculpar por ele, amenizando a situação.

De olhos fechados, passei a entoar o mantra sagrado e do meu coração, tentei amenizar a dor dos meus pais, envolvendo-os numa luz de amor.

Passados alguns instantes, em meditação, senti a presença de algo que estava por detrás de mim. Não tinha coragem de olhar, pois logo imaginei que se tratava de um animal que naquele local iria me vitimar.

Meu coração disparou, e lágrimas escorriam dos meus olhos. O pavor tomou conta do meu corpo, e imóvel, apenas pedia que o Grande Mestre pudesse me receber em seu reino. Permaneci inerte por tempo que não sei precisar ao certo. Minha mente não raciocinava, e estava petrificado.

Chegou um determinado momento que não podia mais agüentar tal situação, e resolvi encarar o que me aguardava. As nuvens se abriram, deixando a luz da lua invadir a noite. E tomado de pavor, resolvi aproveitar a luz para ver o que estava me aguardando.

Respirei fundo e me virei. Fiquei por instantes sem entender o que acontecia. Via ali, em minha frente, o Mestre Sidarta e ao seu lado meu querido irmão. Por um instante pensei que havia morrido pelo animal que supunha estar ali para me atacar. Mas logo percebi que eu estava vivo, intacto. Me prostrei aos pés do mestre, e em seguida, abracei meu querido irmão. Pude sentir um grande alívio, onde meu coração naquele instante retornava à nossa vida de criança, antes do sofrimento passar a residir em nossa casa.

Meu irmão, depois de um longo abraço, disse:

- Querido irmão, nosso amado Mestre sempre nos ensinou que abaixo da iluminação, só há dor e sofrimento. Hoje você teve provas disso. A ignorância do desconhecido te levou a ficar horas inerte, sofrendo e apavorado. E desde o inicio éramos nós que estávamos aqui. A tua ignorância te levou ao sofrimento, mesmo sabendo que um dia tudo que nesta vida nos compõe se acaba, exceto o discernimento e o amor. Da mesma forma, vejo nosso pai, que a poucas horas atrás aqui estava, mas devido ao seu coração estar cheio de sofrimento e dor, não pode nos ver como você no vê agora. Pedi ao Mestre que permitisse que eu viesse encontrar com ele, e mesmo sabendo de tudo, ele permitiu.

Assim, meu encontro com ele foi triste e em vão. Ele preferiu esquecer o caminho da iluminação, seguindo assim os passos da dor e do sofrimento. Gostaria de dizer a ele que a minha enfermidade me serviu de porta, de passagem para um plano de iluminação. E hoje, mesmo estando longe da materialidade, continuo vivo e seguindo meu caminho.

Peço que conte isso para ambos, pai e mãe. Diga-lhes que os tenho com muito carinho e amor, mas que o sofrimento que ambos carregam cada vez mais os distanciam de nós.

Lembra-te que a iluminação se consegue durante e principalmente, quando da partida, pois é nessa hora que mostramos a nós mesmos se o que acreditamos é verdadeiro, ou apenas uma crença. Diga-lhes que a iluminação se consegue com resignação e amor. A revolta nos traz for e sofrimento, e nos distancia da iluminação.

O caminho do meio é o mais prudente, sempre. E pensar que fomos desamparados, por maior que tenha sido o agente do sofrimento é a maior prova da ignorância. Dito disso, eles se foram.

Já era amanhecer, e me dei conta que precisava voltar. Cheguei em casa e meus pais ainda dormiam. Quando acordaram, resolvi contar-lhes o que vi. Meu pai não acreditou a princípio, e ficou pensativo. Minha mãe chorou muito, e disse que em seu sonho, meu irmão havia lhe dito a mesma coisa.

O tempo passou, e nossa pequena aldeia fora invadida. Fui, junto com os demais, tomado como escravo, e meus pais por serem velhos, foram mortos com os demais naquela condição.

Passei o resto de minha vida servindo àqueles que me escravizaram, sempre lembrando da lição que meu irmão me dera. Resolvi me distanciar da revolta e indignação, aceitando o que o Grande Mestre Sidarta havia me preparado.

Ao atingir idade avançada, meus algozes me libertaram, pois já não servia aos seus propósitos. Pelos meus bons préstimos, não me mataram. Resolvi, então, voltar para as montanhas. E numa noite, voltei àquele local onde havia encontrado meu irmão e o Grande Mestre. A lua era cheia e a luz permeava a tudo.

Fechei os olhos para meditar. Após algum tempo, senti a presença de algo próximo a mim. Lembrei da vez que, quando jovem, isso aconteceu. Mas desta vez, não temi. Sorri e expandi meu coração, envolvendo a tudo que ali estava. Me virei para ver o que me esperava. E ali pude ver meu irmão, minha mãe e meu pai. E percebi que era hora de novamente formarmos uma família.

Com eles, atingi a minha iluminação. E até hoje trabalhamos juntos, procurando tirar do coração do homem a revolta, o sofrimento e a dor. Somente assim é possível encontrar a luz e atingir a iluminação.

Tien Tzu
Tzun Cheng

Discípulos do grande mestre Sidarta Gautama, o Budha Iluminado.
(Presente recebido por Fernando Golfar, em 23/11/2009 - Grupo Phoenix)

QUERIDA MULHER TEMPORINA


Ah, palavra que nos falta;

Difícil arte é carpintar frases

E tentar construir torres de experiência em escrita,

mas ainda assim insisto

Em tentar ao menos transformar

o inefável em poesia!!!
****
Descubra a Mulher Temporina em:

http://mulhertemporina.blogspot.com/

sábado, novembro 28, 2009

Buda Pietá

Tenha piedade, Senhor
Pois perdi o meu amor!
Tenha piedade
Pois apesar dos meus diplomas
Da minha faculdade;
Não sei lidar com as pessoas
Por isso vivo assim à toa
Sem ninguém para amar;

Já fui de Juazeiro a Aparecida
Já rezei a Buda e a Krishna;
Até peregrinação de joelho eu prometi,
Mas desconfio, Senhor
Que antes de ter alguém
Preciso aprender o que é o amor;

Não falo do amor de novela
Nem das estórias de cavalaria;
Falo desse amor
Do nosso dia-a-dia
Coisa que a gente se esquece
Que vale a pena;
Por isso, Senhor, tráz de volta
A minha pequena
E prometo, que vou prestar mais atenção
A luz que sempre pisca em meu coração
Pois quando o assunto é se relacionar
Com alguém;
A razão vai pro além
E a gente só fica bem
Se com a gente o nosso bem está.


Texto baseado no quadro " Buda Pietá" de Fernanda Dante. Para conhecer as obras da artista, visite: http://www.fernandarodante.com/obras.htm

sexta-feira, novembro 27, 2009

PRECE DO SERTÃO

Ivan Vilela

Oi Deus, nóis tá sempre pedindo
as coisas pro Sinhô
Nóis pede dinheiro
Nóis pede trabaio
Nóis pede pra chovê, e se chove demais
nóis pede pra pará,
mó de a coieita num fartá.
Nóis pede amô. Nóis pede pra casá
Nóis pede casa pra morá
Nóis pede saúde
Nóis pede proteção
Nóis pede paiz
Nóis pede pra deslindá os nó quano
as coisas cumprica,
Mó de a vida corre mió.
Quano a coisa aperta, nóis reza pedindo
tudo que farta.
É uma pedição sem fim, e quano as coisas
dá certo, nóis vai na igreja mais perto
e no pé de algum Santo
que seja de devoção, nóis deixa uns mirreis,
e lá nos cofre da frente,
nóis coloca mais uns tostão.
Mais hoje, Meu Sinhô, bateu uma coisa
isquisita e me puis a matutá.
Nóis pede e pede.
Mas nóis nunca pergunta comé
que o sinhô tá.
Se tá triste, o tá contente.
Se percisa darguma coisa que a
gente possa ajudá.
E por esse esquecimento,
o sinhô há de adescurpá.
Ói Deus, nóis sempre pensa que o
sinhô não percisa de nada,
mais tarvêz não seja assim,
Tarvêz o sinhô percisa de mim.
Sim...
O sinhô percisa sim.
Percisa de minha bondade.
Percisa de minha alegria.
Percisa da minha caridade.
No trato c´os irmão.
Nóis semo a Sua Criação.
Nóis num pode fazê feio.
Nem fica fazeno rodeio.
Mó de desapontá o sinhô.
Nem amargá o seu sonho,
que foi seu sonho de amô,
quando essa terra todinha criô.
Ói Deus, eu prometo vô rezá de outro jeito.
Vô para com a pedição
e trocá milagre por tustão.
Tarvêz até eu perca uma graça,
mas antes eu vô vê direitinho
o que é que andei fazeno de bão.
E se nada de bão eu encontrá,
muito vou me envergonhá,
e ainda vô te pedi perdão.

Postado originalmente por Giancarlo Salvagni em seu blog:
http://kaleidoscopo.blogspot.com

Pingos de Discernimento

Ah, Senhor!
Se eu tivesse
Que pedir algo,
Eu pediria
Pingos de discernimento;

Pingos,
Pois o Senhor sabe
O quanto para mim é lento,
Compreender
Quem nem tudo
Que leio ou escuto
É ensinamento;

Pingos,
Pois quero ir devagar
Chegar bem
Bem chegar;
Por isso te peço
Pinga discernimento
Em mim
Ou pensando bem...
Nem precisa pedir, não é?

quinta-feira, novembro 26, 2009

Viveka - O Discernimento Consciencial

:: Wagner Borges ::

Se eu citar Jesus e seus ensinamentos e até pregar em seu nome, mas não respeitar a crença dos outros, tudo isso de nada adiantará.

Se eu admirar Krishna e cantar mantras e louvores ao divino, mas não tiver amor pela vida, então estarei perdido em mim mesmo.

Se eu meditar profundamente e falar dos ensinamentos dos rishis, mas não ver o divino em tudo, nada serei realmente.

Se eu seguir os ensinamentos de Buda e, até pregar em nome do iluminado, mas não praticá-los nas lides da vida cotidiana, então tudo continuará em trevas dentro do meu coração.

Se eu falar dos ensinamentos dos mestres, ou dos mentores espirituais, mas não viver com alegria e nem me apaixonar pelo Todo, com certeza terei perdido o tempo de vida e suas experiências.

Se eu falar de Shiva, mas não transformar o meu ego em servidor da luz, de que adiantará?

Se eu falar dos santos, dos boddhisattvas, dos avatares, ou mesmo dos anjos, mas ainda carregar violência em meu coração, tudo permanecerá estranho dentro de mim.
Se eu falar da luz, mas carregar maldade em meus anseios e portar as faixas escuras do ódio no coração, então andarei em trevas.

Se eu falar da Mãe Divina e de sua doçura incondicional, mas projetar as farpas do egoísmo e da maledicência sobre os outros, estarei em miséria consciencial.
E se eu estudar os temas conscienciais, mas permanecer cheio de medo diante do invisível e ainda temer as provas do caminho, então só restarão as cinzas de minha ignorância diante do meu olhar de impotência.

Mas, se, mesmo diante das dificuldades, eu assumir o comando de minha consciência e melhorar o que penso, o que sinto e o que faço, então serei eu mesmo melhorado.
E essa é a grande riqueza que alcançarei: eu mesmo melhorado!
Não é o que acredito, que faz o que eu sou. É o que eu sou, realmente, que me faz como sou.

Por todo tempo, por onde eu for, seja com quem for, que seja eu mesmo, sempre melhorado, sempre aprendendo...

Maravilha das maravilhas, eu mesmo, sempre feliz.

PS.: De que adiantam as vitórias efêmeras no mundo, se, por dentro, na casa do coração, reinam a desordem e a agitação?

De que adianta ter um corpo lindo, se a alma é pequena e cinzenta?

De que vale encher a cara de bebida, se, por dentro, tudo está ressecado e sem brilho?

De que adianta deitar com alguém na cama, se o coração não chama e o pensamento/sentimento voa para longe, para outro coração?

De que adianta ser arrogante por fora, se, por dentro, o medo de viver corrompe os melhores potenciais do ser?

De que adianta falar de amor, sem amar realmente?

De que adianta viver sem viver, só se arrastando, sem outros horizontes?

De que adianta a um homem ganhar o mundo, se ele perder sua alma?

Paz e Luz.
Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, mestre de coisa alguma e discípulo de coisa nenhuma, que sempre agradece ao Todo, por tudo.
São Paulo, 02 de maio de 2007.

* Enquanto passava esse material a limpo, lembrei-me de um texto do poeta Walt Whitman. Reproduzo o mesmo na seqüência.

CANTO A MIM MESMO
por Walt Whitman

Estão todas as verdades
À espera em todas as coisas:
Não apressam o próprio nascimento
Nem a ele se opõem;
Não carecem do fórceps do obstetra,
E para mim a menos significante
É grande como todas.
Que pode haver de maior ou menor do que um toque?

Sermões e lógicas jamais convencem;
O peso da noite cala bem mais
Fundo em minha alma.

Só o que se prova a qualquer homem ou mulher,
É o que é;
Só o que ninguém pode negar,
É o que é.

Um minuto e uma gota de mim
Tranqüilizam o meu cérebro:
Eu acredito que torrões de barro
Podem vir a ser lâmpadas e amantes;
Que um manual de manuais é a carne
De um homem ou de uma mulher;
E que num ápice ou numa flor
Está o sentimento de um pelo outro,
E hão de ramificar-se ao infinito,
A começar daí,
Até que essa lição venha a ser de todos,
E um e todos possam nos deleitar
E nós a eles.
- Texto extraído do livro Folhas das Folhas de Relva; Editora Ediouro.
Walt Whitman – 1819-1892 - grande poeta e escritor norte-americano.

Wagner Borges é pesquisador,
conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.

Visite seu Site e conheça a área de áudio e vídeo.
www.ippb.org.br

O conto de fada numa abordagem Junguiana

A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias.

Para Jung os contos de fada têm origem nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.

Pertencem ao mundo arquetípico. O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como anima, sombra, persona, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro.

Histórias representativas do inconsciente coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana.

Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o mito, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados.

São histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade, que arrebata e controla o sujeito humano, e seu poder mágico. Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, mitos e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Por isto seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos contos de países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo porque os contos de fada interessam à psicologia analítica.

Os contos de fadas, os mitos, a arte em geral, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Apesar das contingências externas, das conjunturas sócio-político-económicas, há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”.

Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.

A criança ouve a história e ela pode levá-la a uma mudança pessoal, não porque a entenda (usando, portanto, o intelecto), mas sim porque as imagens que ela contém vão diretas ao seu inconsciente, vão “trabalhar” os seus conteúdos e resolver algum problema eventual.

Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar-se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando-se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.”

Devido ao poder e à simplicidade das suas imagens, são formas de nos ajudar a despertar e operam a diversos níveis da consciência. A análise do conto propõe-nos um atalho atraente para o interior de nós mesmos, e convida-nos a efetuar um verdadeiro trabalho de auto-conhecimento e de transformação.

Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos.

No conto A Bola de Cristal, por exemplo, o príncipe parte em busca de sua princesa que espera ser libertada. Mas quando a encontra, ela parece-lhe abominável. Então ela diz: “O que vês não é o meu verdadeiro rosto. O Grande Mágico tem-me em seu poder. Por causa dele, os homens só podem ver-me sob esta forma horrível. Se quiseres contemplar a minha verdadeira aparência, vê-me no espelho. O espelho não se deixa enganar e mostrar-te-á a minha verdadeira face”. O herói olha para o espelho e vê nele o rosto, cheio de lágrimas, da moça mais bela do mundo.

O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos. Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.

Existe em cada um de nós uma princesa encantada que achamos feia e abominável: são os nossos recalques, que vivemos sob a forma de vergonha, inveja, cólera e desencorajamento, entre outros. Se aprendermos a ver esses instintos nesse espelho de verdade que são os contos, poderemos contemplar as verdadeiras belezas que habitam em nós e que choram enquanto aguardam a sua libertação.

Essas princesas só têm um herói: nós mesmos. É a nós que compete libertar o nosso reino interior e a princesa belíssima que nos espera. É a parte mais íntima do nosso ser que encontramos no espelho dos contos e que nos conduz à libertação e ao desabrochar pleno. Existe uma identidade perfeita entre nós e o conto. O conto é a nossa história. É a encenação metafórica de aspectos nossos que ignoramos, recusamos, ou que não sabemos ver tal e qual são. Se conseguirmos penetrar no espelho e reconhecer a nossa imagem, se escutarmos o conto para nele encontrarmos aspectos concretos da nossa existência, bastar-nos-á pôr em prática as suas propostas e viver a nossa vida segundo esse modelo de verdade.

Somos feitos da mesma maneira que os contos são feitos e a função dos contos é lembrar-nos isso mesmo. Se não nos lembramos, é porque estamos sob o feitiço de um Grande Mágico, que nos subjuga, seja através de condicionamentos mentais, seja através das representações falseadas da realidade.

O conto tem por fim acordar a nossa estrutura de verdade profunda, levar-nos a experimentá-la e a pô-la em movimento, a fim de que possamos harmonizá-la com o arquétipo ideal. É ele a chave de acesso a um maior auto-conhecimento.

* Marilene Tavares de Almeida pós-graduanda em literatura infantil.

Fonte: http://prejunguiano.wordpress.com/2009/11/23/o-conto-de-fada-numa-abordagem-junguiana/

Morte em sessão de Ayahuasca

Publicado no Blog Caminhos do Xamã

" Este e-mail chegou a mim e estou postando para devidos esclarecimentos sobre a morte ocorrida em um ritual com a bebida sagrada Ayahuasca."


Saudações querida irmandade

Esta carta que escrevo aos irmãos consagrantes de Ayahuaska desta casa “Estrela do Oriente” e demais trabalhos espirituais tem o intuito de informar aos nossos irmãos de caminho os últimos acontecimentos referentes à morte de um jovem dentro de uma sessão com a consagração da medicina indígena.

Estou acompanhando este acontecimento na internet aonde o fato vem sendo amplamente discutido e as informações mais imparcialmente trazidas, sem o sensacionalismo da mídia televisiva. Começo relatando os fatos divulgados na mídia:

“Policiais civis de Senador Canedo vão investigar a morte súbita do estudante de Gestão Ambiental da Pontifícia Universidade Católica de Goiás Fernando Henrique Queiroz Tavares. Ele morreu na manhã de domingo, aos 19 anos, no momento em que participava de um ritual realizado com o “propósito de promover o crescimento espiritual, o encontro com Deus e a melhoria do ser humano.”

O encontro espiritual, chamado “Ritual de Encantamento dos Sonhos”, foi promovido pela Instituição de Xamanismo Céu de Krishna, em uma chácara em Senador Canedo. Durante o evento, além de assistir à palestra, ouvir músicas e permanecer próximos a uma fogueira, os participantes, incluindo o jovem, tomaram a bebida indígena conhecida como ayahuasca ou santo daime, preparada a partir da associação do cipó jagube com o arbusto shacrona.

Fernando Henrique era portador da síndrome de Marfan, doença congênita caracterizada por membros anormalmente longos, que afeta outras estruturas do corpo, incluindo o esqueleto, olhos, pulmões, o coração e os vasos sanguíneos. A família do jovem registrou a ocorrência da morte súbita no 14º Distrito Policial (DP), em Senador Canedo, mas a princípio não associa a morte repentina à bebida servida no ritual.

A mãe dele, a administradora de empresas Neila Mara Queiroz, de 44 anos, afirmou ontem ao POPULAR que havia sido notificada por médicos da possibilidade de o filho apresentar rompimento da aorta e ter morte súbita. Ela, contudo, não quis dar mais declarações.

Apesar da aparente aceitação da família com a fatalidade, o caso será investigado pela Polícia Civil. Ontem, a ocorrência policial foi transferida do 14º DP para a Delegacia de Senador Canedo. O delegado Washington Luís da Conceição, titular do 14º DP, afiançou que as equipes não vão medir esforços para verificar o que de fato ocorreu durante o ritual.

Fernando Henrique começou a participar dos ritos espirituais em 2006. O coordenador da Instituição Xamãnica Céu da Fraternidade Universal, localizada em Goiânia, Marcelo Henrique Ribeiro Borges, diz que quando se ingressou na entidade Fernando Henrique, ainda adolescente, era dependente químico.

As reuniões, conforme disse, teriam sido benéficas ao garoto. “Ele conseguiu abandonar as drogas e tinha muita satisfação em participar dos encontros.” Nestes quase quatro anos, conforme disse, Fernando Henrique participou de ritos na capital, em outras cidades do interior e na matriz da instituição, em Pariquera Açu (SP). Em todas elas, conforme Marcelo Borges, o rapaz teria tomado a ayahauasca.

Marcelo Borges informou que o encontro espiritual no Céu de Krishna teve início às 21 horas de sábado. O evento era aberto e contou com a participação de 51 pessoas, além de 18 coordenadores.

Inicialmente foi feita uma palestra e, por volta das 2 horas de domingo, servido para cada visitante dois copos com a bebida, de 50 mililitros cada. Cerca de uma hora e meia depois, foi oferecido o terceiro cálice.

Fernando Henrique, segundo o coordenador, começou a passar mal por volta das 4h30. Ele reclamou de cansaço e fraqueza e respirava com dificuldade.

Cerca de uma hora depois, dormiu em um colchonete. Marcelo Borges disse que o jovem acordou por volta das 6h30, sem apresentar sinais. Meia hora depois, desfaleceu em seus braços. O rapaz foi levado para o pronto-socorro de Senador Canedo, onde foi constatada a morte.”

Até aqui são as informações sobre o falecimento do rapaz, a questão é mais profunda e é de extrema importância que todos os consagrantes de ayahuaska se coloquem mais a par do acontecido, já que a mídia não diferencia os trabalhos e a maneira diferente de aplicar ayahuaska em cada instituto,igreja ou templo.

Este caso aconteceu dentro de uma igreja irmã do Céu Nossa Senhora da Conceição, criada pelo Sr. Emiliano conhecido como Gideon dos Lakotas. Gideon é uma figura polemica dentro do universo ayahuaskeiro, famoso por sua jornada anti-cefluris instituição fundada por Sebastião mota de melo- o padrinho Sebastião. Basta entrar no site do Céu nossa senhora da conceição, e já damos de cara com um vídeo sobre cefluris e o uso sacramental da canabis, batizada como santa Maria pelos adeptos do santo Daime. Esta cruzada gideonica rendeu infindáveis discussões acaloradas e violentas em todo universo virtual que trata do assunto daime-vegetal-ayahuaska;

O instituto fundado por Gideon cresceu velozmente por distribuir gratuitamente mudas de chacrona e mariri, e para aqueles que se filiassem ao centro, distribuição de chá e documentos para legalizar o “ponto de luz”.

Sua base de arrecadação estão nos rituais a preços fixos e acessíveis (Gideon tem o projeto futuro de daime a R$1,00, acusando os centros de lucratividade e comercio com o chá) cursos de padrinho-madrinha, onde as pessoas interessadas em abrir uma igreja fazem um mergulho xamânico de vários dias de consagração de ayahuaska e monodieta de macaxeira sem sal, começou-se a abrir inúmeros centros espirituais ligados ao Gideon, sítios, chácaras ou mesmo apartamentos, onde as pessoas consagravam o chá buscando a cura para diversos males, principalmente com o foco voltado a usuários de substancias entorpecentes.

Enquanto as igrejas gideonicas iam sendo abertas o ataque a linha daimista - cefluris continuou ocorrendo, esta é uma guerra aberta dentro do universo oaskeiro e ambas as instituições são mal vistas pelas grandes escolas ditas oficiais que são elas UDV, Barquinha e Alto Santo (a instituição fundada por Raimundo Irineu Serra).

Cefluris -Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra, tem uma postura expansionista, com igrejas abertas, não apenas no Brasil, mas internacionalmente, possui em seu rito a consagração de “santa Maria”(maconha) o que rende criticas duras por parte das outras instituições, é acusada de turismo espiritual com ayahuaska, quando então recebem inúmeros visitantes estrangeiros no céu de mapiá a sede da instituição e cobrando taxas consideradas abusivas, foi esta linha espiritual a responsável pelo termo “céu” para as igrejas, termo que gideon faz questão de usar para suas igrejas filiadas, e foi dentro de um céu de santo daime que Gideon bebeu pela primeira vez. De fato foi por esta corrente daimista (cefluris) e seu modelo de expansão que possibilitou que mais pessoas pudessem conhecer ayahuaska sem a necessidade de se deslocar até a floresta, mas também é verdade que o Cefluris trouxe uma serie de polemicas ao mundo oaskeiro, quando também aconteceram duas mortes dentro da instituição e pelo uso ritualístico da canabis sativa.

Entre as varias acusações ligadas ao Gideon existe a morte ainda não esclarecida da própria esposa que tinha um gordo seguro de vida, e a utilização de outras substancias no preparo de seu chá, como a utilização de guano (fezes de morcego) e trombeteira (datura), o chá do instituto Gideonico tem um comportamento único, como ele mesmo costuma dizer “um coice de mula preta”, e a aplicação do chá muitas vezes excedente.

O fato que assim como o Cefluris, Gideon tem um discurso expansivo e acredita que realização espiritual é ter a casa cheia de consagrantes, não medindo esforços para tanto, recentemente recebi a informação de que circulava pelas ruas de SP um carro de som convidando para sessões de cura espiritual com chá amazônico.

Este tipo de foco no trabalho só pode resultar em sérios problemas e escândalos, uma vez que as entrevistas e anamnesi dos participantes é prejudicada e os cuidados ficam a desejar. Sou a favor da expansão da Ayahuaska, mas com responsabilidade e zelo para que possamos prosseguir neste trabalho de expansão e elevação da consciência. Agora a mídia tece comentários parciais e nossos amigos e familiares continuam recebendo a informação distorcida do que é a medicina sagrada e seus efeitos, é a manipulação em busca do ibope e do sensacionalismo.

Gostaria de ressaltar primeiro que o estudante falecido teve benefícios importantes com ayahuaska, trazendo-lhe a libertação do uso de substancias nocivas, recordar que a família não se pronunciou negativamente ou associando a morte do rapaz com ayahuaska, o rapaz vinha consagrando o daime há quatro anos sem prejuízo. Mas fica para a reflexão questões como quantidade e qualidade do chá, o anseio em oferecer uma experiência forte, intensa faz com que os “feitores” de chá acabem alterando a formulação simples de cipó+mariri em busca de um chá mais potente, doses excessivas de chás muito apurados, tudo o que contradiria um caminho espiritual serio em que devemos trabalhar o nosso apego as sensações.

O rapaz pode ter morrido decorrente a síndrome que lhe acompanhava desde a infância realmente, mas ainda existe a possibilidade de sobre-dose e a mistura que é feita na panela com outros elementos potencialmente de risco, o chá também poderia estar desequilibrado na chacrona(excesso de folha) e o trabalho pode ter sido muito longo, fatos como este maculam a imagem dos consagradores e da bebida sagrada, todos os trabalhos estão suscetíveis a este tipo de evento triste, não é a primeira vez que isto acontece, e se pensarmos bem, quantas pessoas morrem por causa da “inofensiva” cervejinha?mas isto não dá ibope, ainda mais agora que ayahuaska vai passando por reavaliação e pelo pedido de tombamento como patrimônio cultural, esperamos que possa reinar no universo oaskeiro, paz e responsabilidade, principalmente entre os que distribuem chá, assumindo a maturidade que se pede ao disponibilizar a medicina ao publico.

Este texto esta sendo enviado com o intuito de manter a todos informados sobre os acontecimentos, cientes destes pormenores que envolvem estas linhas espirituais em atrito, e para que possam responder a altura a possíveis questionamentos.

Que a Luz de Deus a todos doe compreensão e discernimento!

Vida plena!!!

Fonte: http://caminhosdoxama.blogspot.com

quarta-feira, novembro 25, 2009

AMOR DE RENOVAÇÃO


Ela toca harpa,
Eu toco tambor,
Ela canta melodias celtas,
Eu, hinos de louvor à floresta;

Somos um casal de artistas,
Eu escrevo crônica,
Ela poesia;

Você pergunta: onde foi que tu achou essa mulher?
Eu respondo: foi lendo nas letras de São Tomé!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Acordo ao som da Terra.

Novo dia vem nascendo, estou desperto, vou começar a viver de madrugada.

Os projetos são tantos, mas podem esperar; tem alguém ao meu lado que me ama tanto e merece o meu namorar. Alguns dizem que somos casados; eu respondo: namorados há 11 anos.

Queria ter algumas flores para despertar a minha amada com um banho de pétalas. Queria que a padaria estivesse aberta para despertar a minha amada com pãozinho quentinho na cama. Não tendo nem um nem outro, a desperto com um beijo. Ela sorri, dizendo bom dia e me enlaça em seus braços.

Estou perdido de amor; que bom tê-la encontrado.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Reencontrei o meu amor nas coisas do dia-a-dia.
Ela lia, eu escrevia;
Daí notei ela cantando uma melodia
E perguntei
" Que canção é essa?"
Ela respondeu: " Uma Canção de Você!"

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Minha esposa tem dessas coisas...

Ás vezes, ela me olha como se eu ainda fosse o seu namorado; daí eu digo:

- Esse olhar tá errado! Nós somos casados!

Ela responde:

- Sim, eu sei que eu deveria te amar menos, mas o nosso amor veio com defeito da fábrica: a cada dia te quero mais!

Acho que ela quer casar de novo...

terça-feira, novembro 24, 2009

SAY ANYTHING

Um dos melhores filmes da minha vida.

Inesquecível por diversas razões, a principal? Eu esqueci...rsss. Talvez, por eu ser um grande fã do ator americano John Cusack, cuja carreira sigo desde os anos 80.



A cena final com a canção " In Your Eyes" do Peter Gabriel é de matar...

Espiritualidade, Arrogância e Letras

Difícil caminho percorri para chegar até aqui.

Não foi fácil ter acesso aos estudos espiritualistas. Apesar das muitas casas que conheci, poucas ofereciam no pacote informação e discernimento; bom humor e práticas de uso da teoria espiritual no cotidiano real. Nunca estive preocupado com o céu; pois o que sempre busquei foi uma forma de aliar a espiritualidade com o meu dia-a-dia, por essa razão, precisava estudar numa casa que me possibilitasse voar, mas que me trouxesse de volta ao chão, pois é com os dois pés na terra que devemos estar sempre, com estudos ou não.

Contudo, mas difícil, foi perceber em mim, que os anos de espiritualidade, ao invés de me deixar mais flexível, estava me deixando mais rígido, mais intolerante ao comportamento de quem não conhecia o que eu sabia; e assim, a arrogância foi se instalando no meu coração e comecei a me sentir como uma espécie de "escolhido". Com uma missão especial de salvar todos os meus amados, familiares e amigos ignorantes da Grande verdade que descobri.

E para complicar ainda mais a minha cegueira e aumentar o meu egão de superiniciado, foi me dado o dom da escrita e comecei a escrever sobre espiritualidade e outros assuntos relacionados ao mundo espiritual.

Com uma farta satisfação, logo compreendi, o poder da palavra escrita. Um texto jogado na internet era uma bola de neve que poderia levar muito esclarecimento para a grande massa. Não ví aí, no começo, um veículo sadio de informação, mas entendi isso como uma ferramenta efetiva de evangelização; e é claro, de salvação das almas de milhares de desconhecidos que não tinha tido acesso aos textos ocultos, as palestras e livros que me ensinaram a ser um grande espiritualista de plantão.

Somos todos evangélicos, no sentido original da palavra, que quer dizer anjo, ou mesmo mensageiro, aquele que trás a boa nova. Se ganhamos com a evolução (ou com a criação) o dom da palavra é porque deveríamos aprender a usá-la para o nosso bem estar e do outro. Toda pessoa que escreve ou se utiliza da palavra para veiculação de idéias, precisa ter claramente em sua mente o objetivo da sua preleção e o destino das suas idéias. Se a informação trará esclarecimentos ou será apenas um correio da má notícia é fácil saber com a repercussão da mensagem enviada. Essa repercussão nos dirá se escrevemos como anjos, ou como evangélicos, no sentido perjorativo que a palavra ganhou, ao descrever seguidores de alguma religião cristã que tenta convencer a sua verdade aos outros, não importando o quanto agressivos possam parecer.

É claro, que nem todo texto precisa ser poesia, mas quando escrevemos para um público espiritualista e visamos o esclarecimento, é fundamental entendermos que há pessoas que estão nos lendo que já sabem interpretar as entrelinhas, porém, há outras ( a grande maioria) que podem ser afetadas para o bem da sua caminhada ou desvirtuadas por intenções nebulosas que colocamos por trás das nossas letras.

Lembro de meu grande amigo Luis Medeiros certa vez dizendo que "só podemos tirar a fé de alguém se colocarmos coisa melhor no lugar"; e foi depois de muita cabeçada e de uma trilha de inimizades deixada em nome da minha verdade, que aprendi a moderar a minha linguagem e freiar meus impulsos de convencer alguém das minhas verdades.

Curioso é o fato de que quanto mais prática eu faço, mais percebo que o que defendo é relativo ao momento em que vivo; há excessões, contudo. Sempre defendi o respeito (mesmo antes do começo da minha caminhada espiritual) e sempre vou defender. Respeito, no sentido de compreender a minha própria ignorância frente ao diferente, ao que não consigo compreender totalmente. Respeito, no sentido de aceitar que eu também tenho os meus preconceitos e se não consigo calá-los, tento ao menos filtrá-los para que não apareçam em meus textos. Já basta os escritores do apocalipse que há em revistas semanais, na internet e em livros best-sellers. Respeito, no sentido de garantir o direito de qualquer pessoa seguir a sua religião ou crença, da forma que for, com o ritual que lhe for mais apropriado, mesmo que envolva símbolos ou substâncias, que temos as nossas razões pessoais para ser contra.

Todos temos as nossas linhas de atuação. Alguns constroem, outros desconstroem; alguns escrevem crônicas, outros poesias; mas de uma maneira ou de outra, trabalhamos pelo coletivo através de nossos escritos, daí a importãncia de usarmos a nossa inteligência a favor da luz e evitar ao máximo cair nas armadilhas da arrogância.

Podemos aprender com todas as linhas. Quem fala mal de uma trilha ou de outra, está praticando qualquer coisa, menos a informação, o respeito e o discernimento. Podemos alertar os que estão começando agora sobre os perigos da caminhada, mas não podemos afungentá-los com argumentos baseados em certas experiências espirituais que nos foram danosas.

Quando o assunto é espiritualidade, todos nós, que já engatinhamos um pouquinho sabemos, que tudo é muito subjetivo. O que serve para um, não ajuda outro; o que guia uma massa, para outro alguém pode fazer o oposto. Isso vale para qualquer coisa na vida, relacionamento, vida profissional e deveria valer ainda mais em relação a escolha que cada um faz com a sua vida espiritual.

Estou ainda aprendendo a escrever. Posso dizer, porém, que recebemos feedbacks proporcionalmente ao que escrevemos. Há textos, que transbordam luz, outros explodem em discernimento. Porém, há coisas que escrevemos que só causam discórdia, motivos para discussões desnecessárias e deixam um rastro de arrogãncia que não condiz com quem somos de verdade.

Difícil caminho percorri para chegar até aqui e para escrever sobre isso para vocês. Espero não pecar por arrogância, e mesmo que muitas pessoas achem que escrevo texto para crianças; eu fico com a leveza, como dizia o Gonzaguinha, das respostas das crianças, pois a vida é muito bonita para eu pregar a intolerância.

EU VI UM ANJO

Não acreditava em anjo
Até que vi um por engano;
Não era para eu ver,
Só vê anjo quem nele acredita;
Eu era assim até outro dia,
Até que olhei pela fechadura
Da alma
E dei de cara com o meu Anjo da Guarda;

Eu vi um anjo!
Não acredita em mim?
Tudo bem...eu era assim;
Também não acreditava em anjo,
Até ser convencido
Pela experiência...

segunda-feira, novembro 23, 2009

A VISITA DE mahmoud ahmadinejad

Perguntaram ao Presidente do Irã
Mahmoud Ahmadinejad,
O que ele achava do filme do Lula:
"Será exibido 'sem cortes' em Teerã,
Depois do apedrejamento na praça pública da cidade
De um americano judeu gay e de uma israelita prostituta."

'É necessária uma lei que puna quem cometa ofensas homofóbicas'

By Victor R. S. Orellana - O Estado de S.Paulo
- A essência do Estado de Direito é garantir equilíbrio, meios de vida e direitos para cada cidadão. Para viver em sociedade é necessário respeitar o próximo e seus direitos. A Constituição assevera que o Estado não pode discriminar seus cidadãos. É dever do Estado impedir que supremacistas brancos inferiorizem negros e afrodescendentes. Da mesma forma, é necessária uma lei que puna quem cometa ofensas discriminatórias, sejam elas sexistas, racistas, homofóbicas, xenofóbicas. O Estado deve estar ao lado dos direitos humanos e contra posturas retrógradas de setores da sociedade que tentam sabotar um projeto de lei destinado a promover a convivência pacífica e coexistencial. Falo do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006. É cristão fazer o possível para que um gay não seja humilhado ou agredido por ser diferente. Isso é amor ao próximo, e é também dever cristão estar ao lado dos direitos humanos e da justiça social. Perguntaria aos evangélicos e indivíduos que se mobilizam contra o PLC 122 se acaso é cristão um gay ser assassinado por compartilhar a vida com alguém. Se é cristão sabotar uma lei que impede que mais atrocidades sejam cometidas contra minorias sexuais. Pode o Estado fazer prevalecer a opinião religiosa de alguns sobre toda a sociedade? Não pode.

Amo a Bíblia. Ela me ensina que Jesus se preocupava com o bem-estar do próximo. Não compreendo como pessoas podem interpretá-la longe desse princípio. A Bíblia é a favor do bem comum e coloca a dignidade do ser humano como o mais importante, porque conceitos, opiniões, doutrinas passam, mas sempre teremos nosso próximo para nos relacionar e em quem vemos a face de Deus.

Victor R. S. Orellana é teólogo e pastor da OIgoroeojoa Acalanto

Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?
Vote na enquete no site do Senado Federal:
www.senado.gov.br

sábado, novembro 21, 2009

SAUDAÇÃO AOS PRETOS VELHOS


"QUEM TE FÉ? TEM TUDO...
QUEM NÃO TEM FÉ? NÃO TEM NADA"

SAUDAÇÃO AOS PRETOS VELHOS


O Navio Negreiro que me trouxe

Veio lá da Nação de Nagô

Atravessou os Sete Mares

Na Terra Santa ele ancorou


A chibata já não me rasga o couro

Na Aruanda não tem Raça e não tem Cor

Somos todos filhos de Olorum

Sou Preto Velho da falange de Atotô


Saravá Pai Arruda, Pai Joaquim e Pai Mané!

Saravá Pai Benedito de Aruanda e também lá da Guiné

Com a Vovó Chica, Mãe Cambinda e Maria Conga!

Vem a Vovó Catarina e a Vovó Rita

Para dos Filhos de Umbanda cortar todas as mirongas

Saravá a Todos os Pretos Velhos da Aruanda


Eu sou Preto Velho

Eu sou curador

Eu sou Preto Velho

Da Lei de Nagô!

Adorei as Almas!


************************************************
Nota extraída do site "Jornal de Umbanda Sagrada" por Adriano Camargo:

*** Pretos Velhos

Identificam-se pela sua origem africana como do Congo, de Angola, de Guiné, que dizem respeito a sua linha de trabalho e campo de atuação. Marcada pela presença do Negro na Umbanda, de forma nenhuma a religião poderia deixar de homenagear suas origens afro e também a raça que permitiu que muitos espíritos semeadores da nova religião pudessem encarnar no Brasil sem chamar muita atenção.

A primeira manifestação relatada da Linha dos Pretos Velhos, é descrita na história de Pai Zélio de Moraes : no dia em que houve a manifestação do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, na casa que em seguida seria batizada de Nossa Sra. da Piedade, nesse mesmo dia houve a manifestação de Pai Antônio. O espírito do ex-escravo ali incorporado parecia sentir-se nada à vontade. Curvado, alquebrado, evitou ficar na mesa ali posta para as “-Nêgo num senta não, sinhô ... Nêgo fica aqui mermo... Isso é coisa de sinhô branco, i nêgo deve arrespeitá. Nêgo fica aqui nu toco, qui é o lugá di nêgo”.

Estava firmada ali, a presença do Preto Velho na Umbanda. E esse trejeito humilde, simples, honesto, sem pedir nada em troca, sempre em nome do Pai Criador, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa naturalidade cativa dia a dia os filhos de Umbanda e todos aqueles que procuram ajuda nos templos. E se em suas manifestações trazem plasmadas as formas de suas existências como escravos, saibam que essas falanges acolhem muitos e muitos espíritos afins com suas vibrações de Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Sabedoria e Vida, que não necessariamente foram escravos em suas existências anteriores.

A naturalidade de um Preto Velho é indescritível. É algo que sentimos, e se de coração aberto estivermos para absorve-la como benção, então durará muito em nosso íntimo. Ao ver um Preto Velho em terra, pitando seu cachimbo, sentado em seu banquinho, não tenha vergonha, ajoelhe-se e peça sua benção. Com certeza ele está ali, em seu banquinho, baixinho perto do chão, para que segurando em nossas mãos clamem ao criador bênçãos de Paz, Saúde, Harmonia, Prosperidade e Fé, muita Fé!

****//\\****


AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as... Foram sete.

Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?

E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.

A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas.

Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma

INSANE

Há uma razão para você não ver as coisas como são:
Quer ficar louco, rapa?

INSANE II
Por 15 segundos
Enlouqueci
Fiquei doidinho
Que deu dó
Daí, voltei a mim
E perguntei:
Foi pra isso que eu vim?

INSANE III
Se eu não estava em mim
Onde eu estava?
Talvez escondido por trás de um neurônio parede
Ou embaixo de uma conexão tapete
Em algum lugar perto da Pedra da Sanidade

INSANE IV
Ser louco é coisa séria
Por isso parei de flertar
Com a insanidade
Sou muito jovem
Para plantar loucura

sexta-feira, novembro 20, 2009

100 % Negro

O teste foi feito por pura brincadeira. Nem por um momento, ele acreditava naquele papo de genética que estava estampado em todos os jornais e revistas sobre negros e brancos; mas ele precisava ver pra crer e foi fazer um teste de DNA, maldita foi a hora que tomou essa decisão. Ele era "100% negro" e gritava isso com orgulho em suas músicas e na camiseta que usava em seus shows. Era afro-brasileiro, favelado, pobre, que fugira das drogas em nome da arte. Gostava de contar nos shows como escolhera o caminho da música enquanto muitos "outros manos" acabaram mortos sob a bandeira do tráfico. Tinha orgulho da sua origem, da cor da sua pele, mas aquele exame poderia colocar tudo a perder.

85% de descendência branca? Como assim? Tudo bem que sua mãe era mulata e seu avô que só conhecia de foto era um pouquinho mais claro; mas e os genes do seu pai, aquele "negão de 02 metros"? Não! Deveria ser algum engano. Alguma conspiração da elite branca para convencer o mundo sobre a supremacia européia. Deveria ser engano, como 85% de descendência branca poderia ter resultado naquela pele 100% negra que ele tinha. Não! Deveria ter alguma explicação.

Se isso fosse verdade, toda essa idéia de "raça" iria por água abaixo. Todas as idéias que ele defendia com unhas e dentes em suas músicas, passariam a soar hipocritamente falsas. Todo o conceito de raça branca, negra ou amarela seria a prova final da ignorância humana em relação ao mundo em que estão inseridos. Se isso fosse verdade, não havia mesmo diferença entre branco e preto e absolutamente todos seriam iguais.

Não poderia ser! Ele precisava rasgar o exame, precisava fingir que aquilo nunca acontecera. Aquele teste de DNA nunca ocorrera de fato. Ele continuaria 100% preto; continuaria cantando a história das comunidades pobres e negras; ele continuaria brigando pelos direitos da minoria negra que sempre foi oprimida pela sociedade. Afinal, as coisas devem permanecer como são, tudo no devido lugar; onde já se viu preto branco ou branco preto? Seu filho que estava pra nascer seria a prova da sua negritude; um atestado da sua herança africana...mas e se... não!
Era melhor nem pensar sobre isso. Seu filho nasceria pretinho que nem ele e ponto final.


Foto: Gêmeos ingleses nascidos em 2006. Layton é branco e loiro e Kaydon é moreno. A mãe, Kerry Richardson, 27 anos, é descendente de negros nigerianos e ingleses brancos

quinta-feira, novembro 19, 2009

SHOW - Chandra Lacombe acompanha GUEM, A Lenda da Percussão Mundial

O percussionista Guem, radicado na França, é um dos maiores músicos africanos vivos. Conhecido por ser um melodista da percussão africana, ele encanta por onde passa, principalmente nos grandes festivais da Europa.

Por aqui Guem ficou conhecido quando, após uma temporada de 6 meses no Brasil, gravou o disco “O Universo Ritmico de Guem”. O disco é uma referência mundial da percussão, e antes de ser relançado em CD, o vinil era considerado "artigo de colecionador".

Nascido na Argélia, descendente de nigerianos, Guem toca praticamente todos os instrumentos de percussão. Extremamente musical, o mestre se apodera muito mais das possibilidades sonoras harmônicas dos instrumentos do que das possibilidades rítmicas óbvias que os tambores oferecem.

Nessa apresentação exclusiva que ocorrerá no dia 28 de novembro em São Paulo, ele se apresentará com Chandra Lacombe; músico e cantor brasiliense; criador de técnica inédita para a kalimba - instrumento de percussão melódica de origem africana, em que toca mantras, músicas new age e sons harmonizantes.

Em artigo ao Jornal Agenda 1, Chandra explicou: "O objetivo do meu trabalho é sensibilizar e tentar atingir a área do sentimento e da percepção dos sons da música, do que meramente o escutar que envolve toda uma relação do intelecto".

Em CD, gravou com o grupo Udiyana Bandha, com o músico Carioca e com Eduardo Agni, com quem integra o Duo Dharma; além de dezenas de trabalhos solos, como o mais recente "Oráculo Musical".



Não perca esse show imperdível que ocorrerá ás 20:00 do dia 28 de novembro na Casa do Dharma: Rua Motuca, 35 - (11) 2539-6175.

Fontes:
http://conteudoexplicito.blogspot.com
Templo Beija-Flor de Lótus
http://www.chandralacombe.com

MEDITAÇÃO EM FOTOGRAFIA

SCINTILLATION
Fonte: www.vimeo.com
This is an experimental film made up of over 35,000 photographs. It combines an innovative mix of stop motion and live projection mapping techniques. Directed by chassaing.xavier@gmail.com Music by http://www.myspace.com/fedaden

SCINTILLATION from Xavier Chassaing on Vimeo.

O que é Filosofia?

Por Dora Incontri

O que é filosofia?
Perguntam todos, perplexos.
Será um monte de livros,
Com discursos desconexos?

Será um bicho difícil,
que pode nos devorar,
se não formos muito espertos,
para a resposta encontrar?

Na filosofia mesmo,
nada deve ser complexo,
podemos fazê-la fácil,
Numa lógica com nexo.

Filosofia é uma forma
de perguntar as questões,
que mais afligem o homem,
que mais nos dão comichões.

É perguntar sobre a vida
querer saber sobre a morte,
é um olhar para o universo
é um indagar sobre a sorte...

Filosofia faz parte
da vida de cada dia
porque pergunta os porquês
que a nossa razão afia.

Filósofo é qualquer um
que pára à beira da estrada
para pensar sobre as coisas
e ver que não sabe nada.

Filósofo deve ser
quem não quiser vegetar,
passando a vida sem rumo
sem um SENTIDO encontrar.

Portanto, filosofemos
buscando sabedoria
pois num bom filosofar,
teremos mais harmonia.


Notas: Texto apresentado na disciplina de "Prática de Ensino em Filosofia" do Curso de Filosofia da UniFAI.
Na ocasião deste texto, Dora Incontri era doutoranda em filosofia pela USP.


* Postado por Lázaro Freire na Voadores

Palavra Maldita é Melhor Calada

Uma palavra voa ao vento. De onde ela escapou? - Pergunto ao tempo - Quem a escreveu? Quem a falou? O que será que ela carrega em suas asas?

O Tempo, Mestre Sábio, nada diz, apenas observa, e eu entendo, e sigo o exemplo do Tempo e observo essa palavra carregando intenções que não entram na janela da minha alma. De longe, ela parecia ter asas; de perto, ela tem jeito de pedra na cara. Quem quer que a tenha soltado, não se deu conta que a reverteu com sombras, mágoas e preconceitos. Pode até ter dito com boa intenção, mas sabemos do que o inferno está cheio.

Pena para que te uso? Palavra para que te quero? Nesse mundo em que tanta gente trabalha para a Banda do Escuro, quem doma a palavra deveria lutar pela Banda do Claro. Escrever, falar em público é um poder; e como todo poder, pode corromper; podemos nos enganar e erroneamente entender que estamos no caminho das palavras benditas, por isso, quando escrevo, penso bem se não há nos meus escritos, alguma frase maldita; alguma frase que provoque em quem me lê, mais preconceitos e maldades; pois nisso, o país já possui muitos mensageiros, ainda mais numa cultura onde ninguém aprecia uma leitura.

Esses dias, fiz um pedido impossível e pedi a Deus que a grande maioria dos brasileiros aprendessem a gostar de ler; pois lendo, eles poderiam interpretar o mundo em que fazem parte; e criar uma visão individual de mundo baseada em sua realidade; mas esqueci de pedir algo mais plausível: clareza nas mãos de quem produz escritos!

Clareza não é apenas uma palavra bem formulada, frase estrategicamente bem feita; qualquer fanático pode escrever um texto com começo, meio e fim, ou com contexto e coesão. Clareza é saber que o que se escreve ou o que se fala, pode atingir milhares de pessoas, ainda mais se for texto escrito ou áudio dito na internet. Clareza é saber o poder que a sua palavra pode acumular e se ela começar a provocar um tsunami de reações negativas, a intenção de esclarecer não foi atendida, e passamos a fazer parte do time que solta palavras ao ar e diz que nada daquilo era o pretendido.

Por isso, sigo os conselhos de um escritor amigo, e sempre penso muito bem antes de postar um texto, de compartilhar uma idéia, uma crença ou um palpite. Justamente por eu não saber para onde vai uma crônica ou qual o caminho de uma poesia, é que a responsabilidade aumenta ainda mais na minha escrita.

E o destino das minhas letras?
Sim, quero o meu leitor sorrindo. Óbvio que desejo que ele se esclareça, mas se a palavra que soltei ao vento não alcançar o seu destino, peço ao Tempo, que ao menos, o que escrevi não aumente as tormentas dos preconceitos.

****//\\****

CORREIO DA MÁ NOTÍCIA


Ó Palavra encantada,
Que de tão bonita falada,
És mais linda ainda escrita;
Explica:
Quem criou o Correio da Má Notícia?

Quem foi que te alterou
E fez de ti instrumento de temor?

Eu quero saber
Para aprender
A não fazer
A mesma coisa
Nas crônicas da minha vida;

Eu não gosto de te ver
Palavra escrita
Sendo usada
Como arma da mágoa
Como pedra de discórdia

Por isso me diz agora
Quem te atirou
Feito pedra na minha janela
Ao invés de te dar asas?

Conta:
Quem não te enxerga sagrada?
Quem não sabe
Que tu és bendita;
Encantada quando falada
E interpretativa quando escrita?

2012: O Mistério Revelado

terça-feira, novembro 17, 2009

A BUSCA


Procurar fora,
Passar a vida inteira nessa busca
É um tiro no pé,
Um grilo na cuca;
Que poderia ter sido evitado
Se você tivesse ouvido
A mais básica das perguntas:
"Conhece a ti mesmo?"


A BUSCA II

Ainda ontem
Eu era apenas
Um sopro de vida;
Sem forma,
Sem expressão,
Sem poesia;

Eu apenas era
E isso se bastava;
Quis a Força Maior
Que eu virasse forma;
Que eu tivesse uma expressão;
Que eu me tornasse poesia;
E é estranho;
Pois isso em si já não me basta;
Junto com a carne
Veio uma vontade;
De me tornar algo mais;
Talvez quem eu já era
Antes de ser sopro de vida
Na Terra,
Na carne.

E querendo tornar a ser;
Desconfio
Que descobri;
Que aprender é lembrar
Que eu sou
Não apenas um sopro de vida
Mas o próprio sopro.


A BUSCA III

Nessa dimensão de expiação;
O mistério nunca será revelado.
Não por ser oculto,
Não por ser proibido,
Mas porque não temos sentidos
Para desvendar o velado;
Compreender o sentido
Da nossa existência
Na carne.

Seria como tentar explicar para uma formiga
Que ela faz parte de um universo;
Por isso de nada vale o esforço da ciência
Em transformar o Homem em apenas isso;
Pois
Dentro da gente;
Há a semente
De quem somos;
Esperando pela água do despertar,
Para nos lembrar;
Que antes de sermos
Feitos de corpo;
Éramos feitos de algo que não sei contar,
Mas o que posso dizer
É que quem já morreu sabe disso;
Pena que eles não podem voltar para
contar!

UM EXU NA PORTA DO SESC

Essa semana, postei uma crônica sobre um encontro inusitado com uma entidade espiritual, onde contei que o nome dele era "Exu da Cara Preta". A verdade é que apesar de não ser umbandista ou ter qualquer laço religioso com outras quaisquer religiões afro-brasileiras, simpatizo muito com a Umbanda e mesmo depois de ter visto o melhor e o pior que poderiam fazer em seu nome; nos últimos tempos, retornei a pesquisar sobre os Orixás na Umbanda em meus estudos espiritualistas e aproximei-me cada vez mais dessa cultura linda que os negros africanos ( sim, há também negros aborígenes, negros hindus etc) nos presentearam como herança cultural e religiosa. Apesar de adorar cada um desses lindos Orixás ( Deuses africanos, cada um com um poder, seus símbolos e uma série de significados); sempre fugi um pouco do Exu, e nas últimas semanas, o Exu vem tentando se aproximar de mim.

Tirando todo o estereótipo que você pode ler nas entrelinhas da crônica " Exu da Cara Preta"; sempre evitei estudar sobre esse Orixá, talvez por preconceito, medo, receio, sei lá o que mais; enfim, fugi, fugi e acabei dentro de um ritual de exu, um dia desses, quase sem querer. E descobri muito mais do que eu gostaria de saber.

Enfim, depois de uma "abertura de olho de vergonha na cara" que a energia do Exu me proporcionou; começei a flertar mais com essa energia do mensageiro, do guardião das portas; e apesar da seriedade e das sombras em que esse Orixá trabalha; aparentemente, sinto que há algo que preciso aprender. E foi pensando nisso, que acordei hoje, pedindo ao céus, que me mandassem um sinal, pois preciso tomar uma decisão e não posso mais ficar na encruzilhada das decisões. Daí, fiquei reparando nas coisas do mundo, esperando que o mundo falasse de volta para mim e me trouxesse a mensagem que eu pedi. Esperei, esperei; até que desisti. Daí; fui almoçar no Sesc do Carmo aqui perto de casa; e para a minha surpresa e artimanha do "acaso" uma atriz negra começou a narrar uma peça de teatro bem na porta do Sesc.

- Vocês sabem quem é o Guardião dessa porta? Não sabem? Se não sabem, vou dizer: é o EXU!!!

Fui tomado de assalto, desarmado e surpreso; sentei no chão e assisti o mundo falando comigo através daquela mulher que contava a história do Exu.

- Sim, o Exu, é um Orixá, e um dia ele vagava pela rua de Oxalá, e viu o velhinho fazendo os Seres Humanos com barro, e ficou curioso, observando o velhinho modelando cada ser vivo. E o Exu aprendeu, observando, tudo sobre como era esse tal de ser humano. E ficou lá, na casa de Oxalá, por um bom tempo, até que o vehinho lhe pediu que o ajudasse, pois não queria que nada pertubasse o seu trabalho com os seres humanos e Exu, obediente, lhe atendeu e ficou para sempre guardando e protegendo os caminhos, as portas, as encruzilhadas e fez isso tão bem, que Oxalá o presenteou com a missão de despertar os Seres Vivos quando eles estiverem caminhando por atalhos desconhecidos e perigosos. Por isso, é que toda vez que você passa por uma encruzilhada, você precisa deixar um agradinho...

Respirei fundo!

A platéia encantada aplaudia o espetáculo e eu fui me despedindo da mensagem do mundo e do Exu, e eu estava sorrindo. A lição foi assimilada!


HERANÇAS NEGRAS
Histórias de Negros Brasileiros
SESC Carmo
Dia(s) 17/11, 19/11, 24/11, 26/11
Terças e quintas, das 12h às 14h.
Antigas histórias de família, relatos míticos e casos verídicos serão narradas por uma atriz caracterizada. Com Simone Debet. Hall de entrada.
Grátis

Curtas Crônicas

TUDO É DA MENTE, SEU DEMENTE

Se tudo o que eu vi
Espiritualmente
For coisa da minha mente
Uau! Einstein I am!

****//\\****

INSPIRAÇÃO

A cabeça dói, quer vomitar idéias.
A mão treme, quer escrever insights.
A pena não toca o branco, mas um pingo de tinta cai
E explode em borro na folha.
Penso em amassar o papel
E começar de novo
Mas daí
Percebo
Que a tinta da pena
Formou
A imagem que estava em meus pensamentos

A inspiração é assim
Ás vezes se faz letras;
Ás vezes se faz canção;
Ás vezes, se faz qualquer coisa
E se faz arte no pingo de tinta
Da não-ação!

****//\\****

EPIFANIA PRIVADA

Sentado no trono
Eu estava
Quando veio a inspiração
Como o meu estômago
Ainda estava
Com a feijoada
Tive que escrever com o que tinha à mão
Compreendam:
Prefiro a mão suja
Que perder a inspiração
Junto com a descarga

Imagem: http://www.rogeriosilveira.jor.br/

Crônica Destrutiva

Queria despertar a histeria coletiva;
Soltar a faísca
Que faz de um;
Milhão,
Com essa crônica.

Queria a multidão gritando
Ensadecida;
Massa comprimida;
Bomba atômica
De gente;
Feito manada humana-bicho
Marchando por um único objetivo:
A leitura desses escritos.

Queria a loucura
Do sorriso
No rosto coletivo;
Formado por todos vocês
Que leem isto;
Será que eu consigo?

Não! Não é possível!
Preciso de algo mais forte;
Quem sabe um vestido curto;
Um decote?
Que sabe a balada de um assassino
Ou uma catástrofe?

Melhor, não!
Deve haver algo errado
Com um mundo que só gira
Com a queda da Bastilha,
Com muro derrubado;
E eu, escritor em busca da sagrada arte,
Prefiro a catarse
De um leitor de coração;
Que mil de mente!
Melhor morrer autor desconhecido
Que Anônimo Inconsciente!

Meu Ideal Seria Escrever

Por Rubem Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria --"mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele
riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena
ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.


A crônica acima foi extraída do livro "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.

segunda-feira, novembro 16, 2009

SEGUNDA-CELTA

Para começar essa semana de uma maneira diferente, decidi renomear a segunda-feira para Segunda-Celta.

- Por quê? - pergunta o leitor.

Pela diversão em fazer isso. Quem disse que você não pode reinventar as coisas feitas? Quem disse que você não pode criar novas palavras?

Por essa razão, á partir de hoje, declaro que todas as segundas serão celtas.

Lembrarei desse povo de cultura tão rica e mágica; e farei das minhas segundas, algo menos blue, algo mais próximo do yellow dourado. Assim, vou ouvir as mais bonitas canções celtas em meu MP3; vou escrever crônicas sobre magia, alegria e arte; vou pintar a segunda com todas as cores e transformar o meu escritório num círculo de pedras; fazer a minha própria stonehenge.

- Ficou louco o cronista? - dirá o meu leitor, enquanto passo a segunda feliz da vida.

EXU DA CARA PRETA

“ Eu não te mostrarei
A minha face;
Pois gosto de você
E não quero que você
Perca o seu sono”

“ Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esse menino
Que tem medo de careta”


Tem gente que enxerga anjo; eu pedi para ver o meu guardião, dei de cara com o capeta!

Por favor, não chamem o padre, nem o pastor; explico: quando o vi, ele disse que era mais feio que o demo e era por isso que eu só sentia a sua presença, pois se enxergasse o seu rosto, teria pesadelos pelo resto da minha vida.

Agradeci a gentileza; ele deu risada e continuou falando comigo; e eu me sentindo como se estivesse baixando música ilegalmente da internet – com um misto de prazer de ouvir e medo de ser pego.

- Para com essa merda de se sentir inferior aos outros – disse ele.

- É que, às vezes, eu acho que não tenho mesmo sorte na minha carreira profissional! – disse eu, tentando me explicar; e lembrando de tantos fracassos recentes em minhas tentativas de obter acesso à prosperidade brasileira.

- "Coitadinho de mim", O Caralho!!! – gritou ele, e eu levei um susto. Não estava acostumado com aqueles palavrões todos vindos de uma entidade do astral – Para com essas desculpas de merda! Você é um campeão da vida e essa terra é abençoada! Planta direito aqui, que você vai colher prosperidade e não essa babaquice recheada de reclamações e lamúrias. Trabalha, porra! Você é especialista em errar feio, vê se acerta bonito! E dê a volta por cima direito!

Definitivamente não era anjo o meu exu.

domingo, novembro 15, 2009

Dia de Chuva

Que coisa mais linda é dia de chuva!
No ponto de ônibus
Todo mundo se expreme
Aperta, aperta; suco de laranja
A chuva molha
Bueiro é rio corrente
Gente que pega ônibus
Não pega barco
Por isso quando passa a balsa
Todos querem entrar ao mesmo tempo
Menos quem quer sair
E a minha gente aperta, aperta
Se expreme
Suco de laranja
É guarda-chuva abrindo
Guarda-chuva fechando
Guarda-chuva voando
Guarda-chuva que nada guarda
O meu pinga
O dos outros briga
Oxi, vendo essa gente brigando
O motorista buzinando
Os pedestres se molhando
Eu me recordo:
Na Paraíba, num tem disso não!

A CHUVA É LINDA II

Tá bom! Tá bom!
A chuva vai parar, só para você não se molhar
!

sábado, novembro 14, 2009

Falso Despertar

Quando acordei,
Ainda lembrei do sonho que tive;
Despertei a Auri
E contei,
Ela riu;
Daí acordei
E lembrei que estava sonhando que tinha acordado;
Despertei a Auri
E contei,
Ela não riu;
Porém, mas uma vez,
Eu despertei
Lembrando do sonho que eu acordava lembrando que estava sonhando;
Não despertei a Auri,
Ela não riu,
E mais uma vez, despertei;
E lembrei
E ao invés da Auri
Estou contando para vocês;
Por favor, não riam,
Pois corro o perigo de acordar outra
vez.

NADA

Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado,
começe novamente...
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor,
não se perca...
Circunda-te de rosas,

ama, bebe e cala...

O mais é NADA..."

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, novembro 13, 2009

Dia do Jason: A sexta-feira 13 tricolor!

Roteirista da série e ator que interpretou personagem pela 1ª vez asseguram: 'Jason é são-paulino'

O personagem Jason tem embalado o São Paulo na reta final do Brasileirão. É sexta-feira 13!

Artigo escrito por Alexandre Lozetti

O São Paulo não joga nesta sexta-feira nem comemora seu aniversário, mas a data pode muito bem ser considerada o símbolo da equipe neste Brasileiro.

É sexta-feira 13! Data em que nasceu Jason Voorhees, personagem do cinema que nunca morre. Assim como o Tricolor, que já flertou com a zona de rebaixamento e, agora, depende de si para conquistar o heptacampeonato nacional.

Depende de si e conta com uma torcida reforçada. Além dos milhares de são-paulinos, o próprio Jason e seu criador vestem branco, vermelho e preto na reta final do torneio.

O LANCENET! contou a Victor Miller, roteirista do “Sexta-feira 13” original, de 1980, e Ari Lehman, ator que, aos 14 anos, interpretou o primeiro Jason da História do cinema, sobre a febre instaurada entre a torcida do São Paulo, que incorporou o temido personagem, e até o próprio clube, criador da camisa que carrega, às costas, seu nome e o número 13.

– Nada poderia me deixar mais orgulhoso – exclamou Miller ao ver fotos de tricolores mascarados, enviadas por e-mail pela reportagem.

No filme que inicia a sequência, Jason faz sua primeira vítima. Hoje, Ari Lehman se transformou em roqueiro, mas sua vida está pautada no personagem. A banda se chama First Jason (Primeiro Jason) e, entre os sucessos, estão “Jason never dies” (Jason nunca morre) e “Jason is watching” (Jason está olhando).

Fã de futebol, Lehman garante:

– Jason torce para o São Paulo!

Agora, com a bênção do criador.
Fonte: http://msn.lancenet.com.br/sao-paulo/noticias/09-11-13/652347.stm?futebol-dia-do-jason-a-sexta-feira-13-tricolor
Imagens: http://msn.lancenet.com.br/galerias/a-trajetoria-do-jason-tricolor/

SE NANCY NÃO ACORDAR GRITANDO...

Foi numa sexta-feira 13 que fui ao cinema pela primeira vez; e para assistir "A Hora do Pesadelo". Até então, a Tela Grande era um sonho de consumo de um neguinho nordestino. A verdade é que aos 12 anos de idade eu já era um cinéfilo, mas sem um centavo no bolso, por isso acompanhava com atenção quase todos os filmes que eu conseguia assistir na televisão. Se bem que em 1986, os filmes mais novos que eu via na telinha eram dos anos 70, contudo, fui pegando gosto, e pouco a pouco me apaixonando pela sétima arte e mais ainda por filmes de terror.

Sim, eu adorava levar susto. Os filmes de terror tinham um sabor diferente e bem real: mexia com os meus medo, com os sentimentos mais profundos, que eu fazia questão de deixar enterrado em algum lugar da minha alma. Durante os filmes, com os sustos e suspense, esses sentimentos vinha à superficie e era uma festa de sensações e até mesmo inspiração: contos de terror pipocavam dos meus cadernos.

Sendo assim, quando Robinho, meu melhor amigo, convidou-me para assistir o filme no cinema na quinta; eu passei a noite inteira sem dormir de tanta ansiedade. O dia seguinte durou forever, mas às 7:00 da noite em ponto, lá estavámos em frente ao cinema para assistir o filme "A Hora do Pesadelo", onde um cartaz estranho, mostrava uma mulher acordando apavorada.

Eu queria muito assistir ao filme. Carros de som percorriam a cidade anunciando:

" Se Nancy não acordar gritando...
( entrava o som de um grito de mulher bem alto)
Ela não despertará jamais...

A Hora do Pesadelo, nessa sexta, no Cine Éden"

Na cidade de Cajazeiras só havia uma cinema, o " Cine Éden" ( havia outro que pertencia aos Padres da Cathedral da cidade, mas só passava filme infantil e religioso). O Éden
era o grande programa das famílias ricas da cidade. Como no interior da Paraíba, os filmes demoravam a chegar, descobri depois que o filme do ano que a cidade anunciava nas rádios, em outdoors e em carros com caixas de som por toda a cidade, era na verdade de 1984. Outro detalhe é que, se hoje, quando eu falo de Freddy Krueger, a ficha cai em seguida; naquela epóca, ninguém sabia quem era o flamenguista mais horripilante da história; que até o Woverine morre de medo.

Voltemos ao cinema...

O Robinho não era rico e a essa altura, vocês já desconfiam que nem muito menos eu; e a razão pela qual, fomos parar no Cine Éden, na estréia do filme mais aguardado pela "elite cajazeriana"; foi o fato que um amigo do Robinho era sobrinho do lanterninha e entramos pelas portas do fundo.

Uma vez lá dentro, senti pela primeira vez as emoções de estar diante daquela tela branca enorme, sentado, aguardando o ínicio do filme e quando as primeiras cenas começaram, as meninas já gritavam de susto, enquanto, Robinho e eu, davámos risada de tudo aquilo.

No filme, um grupo de adolescentes tinham pesadelos horríveis, onde eram atacados por um homem deformado com garras de aço. Ele aparecia durante o sono e, para escapar, era preciso acordar. Os crimes vão ocorrendo seguidamente, até que se descobre que o ser misterioso é na verdade Freddy Krueger, um homem que molestou crianças na rua Elm e que foi queimado vivo pela vizinhança. Agora Krueger pode retornar para se vingar daqueles que o mataram, através do sono.

Nossas risadas deram lugar a atenção absoluta por aquele filme estranho que falava que coisas que ocorriam em nossos sonhos poderiam ter um efeito "real e mortal" em nossas vidas; e a figura daquele maníaco de unhas feitas de lâminas afiadas, nos aterrorizou até o final.

Em suma: era o melhor filme que já havíamos visto e a aquela música de pular cordas que as crianças cantavam, virou nosso tema musical pelos próximos meses.

" “One, two, Freddy's coming for you.
Three, four, better lock the door..."

Saímos pelas ruas da cidade, cantando aquela música e fazendo piadas com o pessoal que ficou mesmo assustado com o filme.

Ao chegar em casa, eu mal continha o sorriso no rosto. Tudo era felicidade pura, realização; eu finalmente tinha assistido um filme no cinema; e que filme. Quando a minha vó apagou as luzes e me desejou "boa noite"... percebi, que alguns pensamentos começaram a tomar o lugar da alegria que eu sentia. " E se os sonhos fossem mais que aquelas imagens desconexas que temos todas as noites? E se freddy realmente existisse e viesse me pegar?"



Nesta sexta-feira 13, pensei em escrever sobre a primeira vez que conheci o famoso assasino das telas: Jason Vehooves da série homônima, contudo, quando penso em sextas 13, não consigo deixar de lembrar daquele apavorante personagem da minha infância, que hoje, já virou até desenho de criança; mas que influenciou totalmente, os estudos que eu faria depois sobre sonhos e viagens fora do corpo.

Viagem fora do corpo?

Sim, eu sei, é just a dream, just a dream...
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