sábado, maio 30, 2009

50 BILHÕES DE GALÁXIAS E EU

Por Affonso Romano de Sant´anna


Dizem-nos que os astrônomos descobriram que em vez de dez bilhões, existem 50 bilhões de galáxias. E isto dito como se eu tivesse alguma noção da grandeza anterior, daqueles dez bilhões. Começo a revirar papéis e a memória para saber onde é que foi que li algo sobre quantas estrelas existem numa galáxia. Não encontro. Descubro que elas viajam por aí a uma velocidade de 300 quilômetros por segundo.

Também fico sabendo que para atravessar uma galáxia, umazinha que seja, são necessários mil anos-luz. Se um ano-luz tem nove trilhões de quilômetros quadrados, é só botar no papel e calcular; no papel, porque nenhuma máquina de calcular é suficiente. Isto feito vamos calcular então quanto tempo seria necessário para atravessar essas 50 bilhões de galáxias?

E se dentro de dois anos descobrirem que existem 200 bilhões de galáxias?

Em 1989, portanto, apenas ontem, noticiaram que havia por aí afora apenas uma simples muralha de galáxias - claro que não consegui entender isto. E até 1920 havia quem acreditasse que a Via Láctea era o centro do Universo.

Mas, para nosso espanto recente, Andrei Sakarov em 1988 falava que era possível pensar que existem outros universos.

Por isto, lhe digo: eu estou preparado para tudo. Para ler, por exemplo, numa manhã dessas, que uma equipe de astronautas acabou dando de cara com Deus.

Para isto não precisavam ir tão longe. Bastava olhar os insetos em nosso gramado ou a dança dos genes ou das bactérias no interior do nosso organismo, mesmo do mais ordinário criminoso, para que o que estava no infinitamente grande, num jogo de espelhos, se refletisse no infinitamente pequeno, como já intuíam os filósofos de antanho.

Gostaria muito de estar vivo no dia em que desembarcássemos em outro planeta e ali descobríssemos seres inteligentes, se possível, mais inteligentes que nós. Imagino-os, em entrevistas interestelares, explicando coisas comezinhas que até então não entendíamos, como essa história de que a gente tem alma, ou o que é afinal a eternidade, ou o tempo, essa coisa que existe e não existe.

No entanto, não gostaria e até lamentaria muitíssimo se, ao contrário, desembarcando em outro planeta, descobrissem comunidades mais primitivas que nós. Já se sabe no que ia dar: Iríamos tratá-los como índios kraian-a-kores e ficaríamos com a síndrome dos irmãos Villas-Boas vendo-os serem destruídos e conspurcados por nossa cultura; e, em breve, esses seres de outro mundo estariam tomando nossas bebidas e usando jeans. E infelizes.

O que me impressiona é que a descoberta de mais de 40 bilhões de galáxias não alterou em nada nosso cotidiano. Jogam-nos na cara uma notícia dessas, a ouvimos displicentemente, como se houvéssemos escutado que "a safra de soja este ano bateu novo recorde" ou "ontem choveu muito". Escutamos a notícia e ficamos metafísicos, no máximo, por dez segundos. E logo 50 bilhões de galáxias com seus cinco quatrilhões de estrelas foram obnubiladas pelo preço da abóbora a dez centavos ou do frango a 99 centavos.

O certo, no entanto, era a Organização das Nações Unidas (ONU) ter decretado um feriado universal para a gente passar a noite inteira, na praia ou nas sacadas, nas montanhas ou nos terraços, pensando nessa informação. Preferia que o pessoal que fica apitando na praia para avisar aos fumantes de maconha que a polícia vem aí, que eles apitassem por essas galáxias, 50 bilhões de vezes.

No dia seguinte à informação sobre a descoberta de tantos mundos, no trabalho, no entanto, não vi ninguém comentar o feito. Um gol de Túlio*, provoca mais estremecimento. E o drama de uma só estrela como Vera Fischer move-nos mais que 50 bilhões de galáxias.

Na favela ao lado, pensei que estavam comemorando a descoberta. Achei estranho o horário para a celebração: uma e meia da manhã. É quando se vê talvez melhor o céu. Mas não era celebração. Balas luminosas, como minúsculos cometas, saíam do morro na direção dos policiais e iam se perder em outras órbitas. Em uma guerra, e não era nas estrelas.

Que ministro interrompeu a reunião para ponderar sobre as 50 bilhões de galáxias?

Quem na bolsa de valores aquilatou isto?

Que chofer de táxi conversou com a madame sobre esse assombro?

Que burocrata deixou de carimbar documentos que fosse, para mostrar seu pasmo?

No entanto, o céu ficou maior. Bem maior. Deram-nos de presente um enigma interminável. Minhas interrogações se ampliaram 50 bilhões de vezes.

Por isto, agora sou um homem diferente na galáxia de meus mínimos interesses. Além de algumas lembranças incrustadas em meus sentidos e além de meia dúzia de intenções na vida, agora transporto 50 bilhões de galáxias nos olhos.

Aliás, nem precisava tanto. Bastavam essas duas velas consumindo-se na própria luz sobre essa mesa de jantar no terraço onde recordo o que amei e a quem amo.

A noite, dentro e fora de mim, tornou-se interminavelmente luminosa.



- Crônica extraída do Jornal “O Globo” – edição de 30 de janeiro de 1996.



Notas:



Nota de Wagner Borges:

Affonso Romano de Sant´anna é um dos maiores escritores e poetas do país.



Nota do texto:

Túlio Maravilha: Artilheiro do Botafogo entre os anos de 1994-1997. Foi campeão brasileiro pelo time em 1995 e campeão carioca em 1996.

PASSEIO PELA FLORESTA


Vinha pela floresta quando ouvi um som ecoando entre as árvores:

PENETRA SURDAMENTE NAS PALAVRAS
PENETRA SURDAMENTE NAS PALAVRAS
PENETRA SURDAMENTE NAS PALAVRAS
PENETRA SURDAMENTE NAS PALAVRAS
PENETRA SURDAMENTE NAS PALAVRAS


Caminhei um pouco mais e ví, aos pés de uma árvore, um pergaminho, onde havia manuscrito um poema:


CORRESPONDÊNCIAS

A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam filtrar não raro insólitos enredos;
O homem o cruza em meio a um bosque de segredos
Que ali o espreitam com seus olhos familiares.

Como ecos longos que à distância se matizam
Numa vertiginosa e lúgubre unidade,
Tão vasta quanto a noite e quanto a claridade,
Os sons, as cores e os perfumes se harmonizam.

Há aromas frescos como a carne dos infantes,
Doces como o oboé, verdes como a campina,
E outros, já dissolutos, ricos e triunfantes,

Com a fluidez daquilo que jamais termina,
Como o almíscar, o incenso e as resinas do Oriente,
Que a glória exaltam dos sentidos e da mente.

Charles Baudelaire

E u não sabia se estava em corpo, ou mente, ou em aventura de espírito, mas decidi não pensar muito sobre isso e mergulhei na caminhada por entre a mata, quando encontrei um Mago das Palavras que tinha quatro caras e quatro nomes; ele se chamava, ao mesmo tempo, Fernando, Ricardo, Álvaro e Alberto. Eis a conversa que eu ouvi:

Ricardo:
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Álvaro:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Fernando:
Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo
Não compreendo, compreender nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei?”



ALBERTO:
Sou guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Sinto todo o meu corpo deitado no realidade
Sei a verdade e sou feliz.


Continua...

sexta-feira, maio 29, 2009

PREECHENDO O VAZIO

“Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.”
Wislawa Szymborska


Era uma vez um espaço vazio
que vivia feliz em sua imcompletitude
até que eu fui lá e o preenchi.


Matei o coitado!
Mas o que eu podia fazer?


Alguns compõem,
outros pintam,
outros arquitetam,
eu completo espaços vazios com letras.

O TAMBOR FALA

O tambor quer falar:

- Tum Tum
Tá tum

Não sei falar tamborês, mas arrisco e respondo:

- Tá tá
Tum tum Tá
Tum tum

O tambor se cala, me observa e torna a falar:

- Tá Tum Tá
Tá tá
Tum


Eu finalmente respondo:

- Tá tá tum
Tá tum tum tá
Tum tum tum

Beleza! Estou falando mais uma língua...

quinta-feira, maio 28, 2009

COM PENA DO PALHAÇO


O palhaço invadiu o ônibus para vender canetas coloridas,
dizendo ele,
que se elas fossem compradas,
toda a renda seria revestida para as crianças
que seriam ajudadas pelo teatro
que ele representava.

Eu não sabia se ria
ou chorava
com aquela piada,
por isso lhe ofereci apenas a minha pena
e algumas letras trocadas
nessa crônica.

PISCA-PISCA

"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.

A gente nasce, isto é, começa a piscar.

Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.

Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.

É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. [...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia.


Pisca e mama;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim pisca pela última vez e morre.


- E depois que morre? - perguntou o Visconde.


- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é? "


(Monteiro Lobato- Memórias da Emília)

NEI ZIGMA: RECITAL DAS 13 LUAS

Dono de uma das vozes mais lindas da música popular brasileira e da nossa espiritualidade; ouvir Nei Zigma é uma experiência única e inesquecível.

Por isso convido a todos os amigos para conhecer o trabalho desse maravilhoso interprete.


quarta-feira, maio 27, 2009

ROER O REMORSO


O Remorso Rói a Roupa da Rainha e do Rei de Roma.

Em Roma, Não Faça Como os Romanos: Roa o Remorso!


Todos Roem Remorsos Como se Fossem Ratos Correndo Para Qualquer Lado.

Ainda Mais em Roma, Onde Remoer Dá Um Prazer...


Remoer Dá Prazer Até Virar Adoecer.

Pois a Roupa Começa a se Desfazer de Tanto Remorso Roído.


Roupa Desfeita Por Remorso Roído é Rua Sem Retorno

E Só Há Uma Saída: Voltar a Roma e Começar Tudo de Novo

Por Isso, Esqueça o Remorso e Prossiga Rumando Para Além do Retorno


Assumir a Culpa Só Serve Para Não Roermos Mais a Roupa Alheia

Mas o Roer do Remorso Só Serve Para Ficarmos Sem Roupa


E Em Roma, Não é Uma Boa Idéia: Andar Por Aí Pelado !

FAMILIAR

Coisa gostosa é familiar, com a família estar, familiar.

Perceber que os deuses nos emprestaram estrelinhas que se vestem de gente para a gente ficar contente.

É pena que eles não estarão do nosso lado para sempre, pois estrelinhas na Terra, estão sempre de passagem, mas quem disse que um café em família, um almoço familiar, um churrasco com sobrinhos a correr, irmãos a beber e mamãe a cozinhar, não é o perfeito lugar para se iluminar?

Mamãe que adora cozinhar, quase vira super-nova, ao servir essa meninada. Maninha que adora conosco estar, observa com uma nostalgia esse familiar, como se isso fosse um milagre e não essas coisas do dia-a-dia. A molecada só quer brincar, correr, se sujar e não deveriam fazer outra coisa mesmo. Os "brothers" e "cunhados" na sala, assistindo futebol e gritando, xingando, comemorando - e eu escrevendo essas notas - só observando esse familiar.

É familiando que somos seres dessa terra - que pena que tanta gente tem medo de familiar...

terça-feira, maio 26, 2009

X- CALANGO

Essa noite sonhei que comia um sanduiche de calango.

Não passei da primeira mordida,

pois lembrei,
mesmo em sonhos,
que estou brincando de ser vegetariano e também,
porque sou solidário com as minhas origens
e
por isso não como conterrâneos.

VERDADE OU MENTIRA?


Uma mentira bem contada
De tão repetida
Acaba virando verdade coletiva

Uma experiência distorcida
De tão bem contada
Vira na boca do povo verdade acreditada

Por isso desconfie da palavra falada
E ainda mais da palavra escrita

segunda-feira, maio 25, 2009

NAMASTÊ


Diante do Mar da Devoção,
A Mãe Divina pediu para eu mergulhar,
Eu disse não.

Ela sorriu pacientemente,
Já sabia da minha decisão.

Eu arrisquei uma explicação,
Disse que precisava da minha dúvida,
Que se mergulhasse,
Permaneceria apenas num caminho
E como estudante espiritual,
Precisava estar sempre aberto a novas trilhas.

Ela sorriu de novo
E deixou que eu seguisse minha opção.

Tentei convencê-la ainda mais
E disse que era espiritualista,
E a graça do caminho era seguir caminhando.
Ela ficou em silêncio,
Só ouvindo o meu "espiritualizando".
Quem eu queria enganar?
A Mãe Divina
Ou a mim mesmo?

Voltei ao mundo com o troféu da minha escolha
Em permanecer na segurança da ilusão,
Mas perdi a grande oportunidade,
Na presença da Mãe Divina,
De alcançar a libertação.

Não permiti que o Buda em mim surgisse, vai que o Sidarta estivesse errado.
Não permiti que o Cristo em mim surgisse, vai que o Jesus fosse crucificado.
Não permiti que o Krishna em mim surgisse, vai que o Gopala estivesse harikrishnado.
Não permiti que a Mãe Celestial em mim surgisse, vai que a Santa Rainha fosse meu ego inflado.

Confundi minha livre-escolha com o meu medo de estar errado.
Confundi meu livre arbítrio com a minha dúvida em me entregar com devoção.
Confundi minha liberdade com a insegurança do nunca escolhar um lado.
Confundi meu direito de acreditar ou não com a negação.

Estive diante da zona da fronteira
E ao invés de passar para o outro lado
Mais uma vez escolhi o conforto
da zona da indecisão
E dei o já caminhado passo para trás

Muitos gostariam de estar no meu lugar, só pelo direito de acreditar.
Muitos alcançam a luz com menos do que eu senti.
Muitos só precisam de uma pitada de luz para atravessar.
Mas muitos, como eu, estão viciados em setas seguir.

E diante do destino do que há por vir;
Usam a dúvida como muleta para não avançar,
E perdem a oportunidade perfeita de se graduarem
Como peregrinos da luz e descobrir
Que há muito mais a seguir...

Muitos confundem a verdade com a vaidade de sempre certo estar.
Muitos repetem para si mesmo o quanto estão firmes em seu caminhar,
Mas morrem de medo de admitir que podem estar errados
E perdem a oportunidade perfeita de descobrir
Que ao optar pelo caminho do UM
Estarão escolhando TODOS os caminhos.

Pois a mágica do Divino
É se entregar,
E ver em qualquer caminho
UM SÓ caminhar.

Se espiritualizar não é ficar sempre se espiritualizando.
Se espiritualizar é entregar-se sem medo aos muitos caminhos para o Divino.
Com a clareza que todos os caminhos são um só caminho.
E com a certeza que é se entregando que descobrimos que não precisavámos mesmo dos "ismos";

E é somente com devoção
Que compreenderemos a beleza desses caminhos,
Pois a devoção exige o caminhar com o coração
E para percorrermos esses passos
Precisamos nos livrar do preconceito e do medo
Que antes eram aliados
E agora são entraves
Dentro da nossa razão


Afinal, é somente com devoção que podemos aprender
A respeitar cada vez mais o caminho que o outro vê.
E só aí, podermos dizer
Com entendimento e compreensão:
NAMASTÊ!

domingo, maio 24, 2009

SER AMAR

A única razão pela qual estamos aqui é para Ser Humano.

E não somos Seres Humanos até aprendermos a Amar.


Veja: você só se torna Ser Humano ao Amar.


E é Amando que começamos a outra jornada que é sermos Seres Divinos.

E não somos Seres Divinos até aprendermos a Amar.


Veja: você só se torna Ser Divino ao Amar.

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Sementes de Sabedoria de Chandra Lacombe

sábado, maio 23, 2009

UMA MANSÃO NORDESTINA

Para quem morava num quarto com cozinha e banheiro em Brasília, a casa dos meus avós, era uma mansão. Havia uma árvore em frente da casa e uma calçada. A casa tinha telhas e porta e janela de madeira.

Ao entrarmos, percebi uma sala ampla, com duas cadeiras de balanço que conversavam entre si; um jogo de sofás bem confortável, coberto por um pano verde, uma estante repleta de discos de vinil, uma radiola e uma televisão preto e branco. Na parede, imagens pintadas dos meus avós e de todos os meus tios e ganchos para rede. Duas outras portas, davam acesso ao resto da casa, uma delas era para o quarto dos meus avós, e a outra abria um corredor que nos levava a sala de jantar, com uma mesa para seis pessoas, e um silo gigante, onde descobri depois, havia quilos e quilos de arroz. Á direita havia o quarto da minha tia Mazinha e à esquerda, começava a cozinha, com forno a lenha, panelas penduradas na parede e potes com água, ao lado do ármario antigo, repleto de louças e copos, havia uma porta para o quintal, onde conheci um pequeno espaço, que minha mãe disse ser o banheiro e um buraco no chão, que seria o nosso vaso sanitário. Em frente ao buraco, um tanque cheio d’água que usariamos para tomar banho.

- Não pode desperdiçar água – minha vó foi logo me avisando, provavelmente percebendo que eu já estava a um passo de tirar a roupa e pular naquela piscina – Para tomar banho, você usa a cuia e enche somente um balde d’água.

Cuia..humm, depois eu descobriria o que era aquilo...estava com muita fome, e para a minha alegria, o almoço estava pronto.

Na mesa, minha vó nos serviu feijão de corda, farinha e cuscuz de milho. Não era muito fresco não, mas eu não gostava de nada que vinha do milho, nem era fã de farinha e feijão de corda? Humpft! Eu simplesmente odiava esse prato; pois já tentara comer em Brasília antes; e com certeza, esse feijão e o meu paladar eram inimigos.

- Tem outra opção? – perguntei. Todos riram. Só fui entender a piada, quando no dia seguinte, repetimos a mesma refeição e novamente no outro dia, e de novo no outro dia.

A aventura em Cajazeiras estava apenas começando...

sexta-feira, maio 22, 2009

Mestre Zé

Lá vai o Zé voando em cima de uma baleia alada para além do Mar da Terra, rumo ao astral.

Segue Zé,
Segue Rodrix!

Obrigado pelas canções, obrigado pelas lições!


Mestre Zé,

Salve! Salve!

O Zé morreu?


Que nada!


Viva o Zé!!!

****)


Mestre Jonas (Zé Rodrix)


Dentro da baleia mora mestre Jonas
Desde que completou a maioridade
a baleia é sua casa, sua cidade
dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho

e ele diz que se chama Jonas
e ele diz que é um santo homem
e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria
e ele diz que está comprometido
e ele diz que assinou papel
que vai mante-lo preso na baleia até o fim da vida
até o fim da vida

dentro da baleia a vida é tão mais fácil
nada incomoda o silêncio e a paz de jonas
quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora
a baleia é mais segura que um grande navio

e ele diz que se chama Jonas
e ele diz que é um santo homem
e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria
e ele diz que está comprometido
e ele diz que assinou papel
que vai mante-lo preso na baleia até o fim da vida
até o fim da vida
até subir pro céu




PARAIBÊS: MINHA PRIMEIRA LÍNGUA ESTRANGEIRA

- Olhem! Estamos chegando! – avisou minha mãe, vendo algo pela janela. Todos pareciam ver a mesma coisa – É Cajazeiras!

Eu só via uma estátua de um homem de branco com os braços abertos. Como não estavámos indo para o Rio de Janeiro, só podia ser uma imitação da estátua do Cristo Redentor.

- A nossa estátua é bem mais linda que a dos cariocas – dizia um homem sentado do outro lado do corredor, lendo a minha mente - o que ele se esquecia de dizer era que já havíamos passado por, pelo menos, umas 15 estátuas parecidas ao longo da jornada. Aparentemente, todas as cidades nordestinas precisavam ter um morro com uma estátua de Cristo e uma praça com uma casinha, onde mantinham preso, um Padim Ciço.

- Tudo nosso é muito mais bonito! – confirmou a sua esposa, sentada ao seu lado.
Certo!

Não havia nada em Cajazeiras que lembrasse a Cidade Maravilhosa, além daquela imitação do Cristo e o sol escaldante. A praia mais perto ficava a quase 800 kilometros, as mulheres usavam pano na cabeça e vestido estampado com florzinhas, e as pessoas falavam um outro idioma.

Imaginem a minha surpresa, quando chegamos na rodoviária, e fomos recebidos por meu avô, minha tia e meus irmãos falando uma outra língua. Eu não compreendia nada do que eles falavam.

- Nehim, a qanto empoo! – dizia meu avô.

- Oxente! Ommmo o cê creeceuuu! – dizia minha tia.

Eu não entendia nada, olhava para a minha mãe, ela não me ajudava. Até meus irmãos já falavam aquela língua e aparentemente tinham esquecido como falar português.

Porém, coisa mágica é morar em terra estrangeira, quanto mais tempo eu escutava aquele novo idioma, mas fácil ia ficando para compreender; e dois dias depois, eu já estava falando paraibês fluentemente.

Com certeza, eu tinha nascido com um dom para as línguas e para as letras.


Imagem: http://www.peter_rogerhq.blogger.com.br/2008_06_01_archive.html

quinta-feira, maio 21, 2009

NORTHEAST LAND: O Nascimento de um Vagamundo

Não conto minhas lembranças em datas, conto minhas memórias em canções.

Acredite: o homem quando criou a música, jamais imaginou que faria também uma máquina do tempo. Nem preciso ver fotografias, filmagens ou as fofocas da minha tia; para recordar os melhores momentos da minha vida, basta apenas ouvir certas canções...

Esses dias, estava eu, mexendo em meus baús musicais, quando uma canção pulou do estéreo:

“Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz”

Era " O Caminhoneiro" do Roberto Carlos e automaticamente fui jogado de volta no tempo, ao sabor do vento e das lembranças.

A canção prosseguiu:

“Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela”

E fui lembrando,catando memórias e recordando...

Eu tinha quase onze anos, minha mãe estava ao meu lado, junto com a minha irmã Cristina, que era um tantim de tamanho. Éramos todos formiguinhas cruzando o Rio São Francisco numa folha, entre a Bahia e Pernambuco, a balsa carregava o nosso ônibus com destino a Cajazeiras, na Paraíba, onde moravam meus avós e já estavam morando meus outros dois irmãos, Zé Tabaco e Chico Tampa, ou melhor, Rivanildo e Dairton.

“ Eu sei, tô correndo ao encontro dela...” cantava Roberto e o vento ia soprando o barco. Poderíamos ter ido pela ponte, de acordo com o homem que conversa com a minha mãe, mas a ponte que ligava Juazeiro, na Bahia, à Petrolina em Juazeiro, já em Pernambuco, estava bloqueada a dias, por causa de uma greve, que nos obrigou a tomar a balsa. Tanto melhor, depois de dois dias dentro do ônibus da empresa “lata de sardinha”, sentir a brisa do rio, era um banho de frescor, naquele calor nordestino de meio dia.

Olhando o Velho Chico, percebi coisas que eu nunca tinha visto em Brasília: um barco de pescadores indo e vindo, aves voando e mergulhando no rio, peixes que pulavam nos acenando e Luiz Gonzaga, surgindo ao meu lado, com a sua sanfona, óculos escuros e a sanfona, cantando:

“Na margem do São Francisco nasceu a beleza
E a natureza ela conservou
Jesus abençoou com a sua mão divina
Pra não morrer de saudade vou voltar pra Petrolina
Do outro lado do rio tem uma cidade
E na minha mocidade eu visitava todo dia
Atravessava a ponte mas, que alegria!
Chegava em Juazeiro, Juazeiro da Bahia

Ainda me lembro que nos tempos de criança, esquisita era a carranca e o apito do trem, mas, achava lindo quando a ponte levantava e o vapor passava num gostoso vai e vem

Petrolina, Juazeiro, Juazeiro, Petrolina
Todas as duas eu acho uma coisa linda
Eu gosto de Juazeiro, e adoro Petrolina “

Ao som do Gonzagão e da canção Juazeiro-Petrolina fomos cruzando o nordeste, de barco, de ônibus, gostaria de poder dizer avião ou hélicoptero; mas preciso ser realista com você, meu caro leitor, eu viajava mesmo num ônibus capenga, com gente fumando, comendo farofa com frango, ouvindo música alta, arrotando nos corredores; gente que falava alto, que dizia que nunca mais voltaria para o sul do país, “aquilo lá é terra de gente, terra mesmo boa é a nossa”, diziam eles, e de repente, paravam a ladainha para reclamar: “que fedô é esse?”.

Era apenas o banheiro do ônibus, com uma fragrância que permaneceu a viagem inteira, perfumando o nosso ar.

Eu estava chegando as Terras do Norte - The Northeast Land - e minha vida mudaria para sempre.

quarta-feira, maio 20, 2009

Lágrimas e Sorrisos

Eu vinha a toa na rua,
Quando ví uma moça chorar.

Pensei em parar e lhe oferecer

Um poema que lhe arrancasse um sorriso
Ou ao menos lhe enxugasse as lágrimas,
Mas segui o meu caminho
E o poema ficou calado na minha alma.

Não que me faltasse coragem,

Não que me faltasse papel e caneta;
É que eu aprendi a respeitar as lágrimas alheias
E não sair por ai enxugando toda tristeza que vejo;

Pois sei que ás vezes o silêncio vale mais a pena,

E as lágrimas, muitas vezes, valem mais que um milhão de poemas.

terça-feira, maio 19, 2009

AINDA SOU FILHO

Hoje de manhã, acordei dormindo.

Queria ficar na cama, voltar a ser criança que não precisa trabalhar para pagar contas.

O despertador não deixou; nem o sol, nem o passarinho que piou, piou, piou e até que entendi, acordei com essa batalha perdida.

Levantei zumbi e segui me arrastando até o banheiro e ao molhar o meu rosto, eu a vi.

Ela estava no espelho olhando de volta para mim: a minha primeira ruga.

Não lembro da primeira espinha, nem do primeiro pêlo do bigode, mas com certeza, não vou esquecer dessa intrusa, gritando para mim, no silêncio da inevitável ação do tempo:

"Tua alma pode ser imortal, mas o teu corpo é fruto do passar tudo nesse mundo. "

Oh Meu Deus, tô ficando velho, e ainda sou filho...

BANG BANG

Um menino no metrô brincava com uma arma de brinquedo.

- Pou! Pou! Bang! Bang! - ele gritava ao apontar sua arma para o idoso que lia, para a moça com um bebê no colo, para o deficiente que sorria, para os adolescentes que se beijavam.

A mãe sorria observando o filho, e eu fiquei ali pensando com os meus botões: brinquedo inocente ou futuro vislumbrado.

segunda-feira, maio 18, 2009

LETRAS DE SEGUNDA-FEIRA

PORTAIS

Por trás de cada ato, por trás de cada passo, abrem-se portais para o astral que
vibram ondas que são sintonizadas por suas ações.

Por trás de cada ato, por trás de cada passo, abrem-se portais ampliando o seu
pensamento, multiplicando a sua força. Quer você acredite ou não, que isso seja
real ou coisa inventada.

Cada portal tem uma chave e quem abre a porta de cada um deles é a sua intenção.

Por isso cuidado com a maneira que você pisa nessa terra, com os caminhos que
você está abrindo na mata do livre ir.

Tudo lhe é permitido, desde que você não altere a vida de quem nada tem a ver
com os seus issos ou aquilos.


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PINTARTISTA

Os dedos do Divino Artista pintam as ruas por onde andamos,
Colorem as nossas avenidas,
Todo o tempo,
Todos os dias

E essa minha gente,
Nem está vendo,
Nem está vendo.

Vai ver, o cego sou eu

Vai ver
É esquizofrenia.


////\\\\

VAI IDADE

O orgulho e a vaidade
Já derrubaram impérios,
Criaram guerras
E
Destruiram castelos.

O que você pensa que elas farão com o seu ego?

domingo, maio 17, 2009

A LUZ DE CADA UM....

"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora.

Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e
Fabuloso?

Na realidade, quem é você para não ser?

Você é filho do Universo.

Se fazer pequeno não ajuda o mundo.

Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros
quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.

Não está apenas em um de nós: está em todos nós.

E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às
outras pessoas permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, libera
os outros."


Autor: dizem que é do Nelson Mandela, dizem que é do Anônimo, esse autor tão famoso na internet; mas quando o assunto são as palavras de luz, o que vale é a mensagem.

A Certeza

A certeza que me falta, eu hei de encontrar
Eu sei que ela deve estar em algum lugar
Em algum canto escondido dentro da minha alma

Sei que vou encontrar, a certeza que me falta
Eu hei de encontrar;
Deve estar em algum lugar
esperando eu achar

Por isso estou abrindo janelas e portas
Vou deixando o sol entrar

Quero a minha casa bem limpa
E tudo aquilo que não for ponte
Eu hei de limpar

Pois não quero o meu templo
com teias de aranha e parede de vento
Quero as paredes da minha casa
Firmes e seguras

Feitas de amanhã repleto de agora
E de presente vestido de hoje
Para que minha alma revele todos os cantos
Pois sei que como se fosse encanto
Uma hora dessas,
Eu hei de ter certeza do que eu sempre soube

sábado, maio 16, 2009

MEDO DA LUZ

Por quanto tempo você consegue aguentar a Luz?

Será que a Luz é muita cor em seu arco-íris?

Por que toda vez que a Luz te pega você se esconde?

Por que você tem tanto medo de ser devorado pela Luz?


Vai ver é mais fácil ser comido, dia-a-dia, pelas suas sombras.

Vai ver é mais confortável esconder-se no quarto escuro?


Mas por que você tem tanto medo assim da Luz?

Só há uma explicação: você não se acha merecedor.


O problema é que se ficar a Luz te pega e se correr a Luz te come!!!

sexta-feira, maio 15, 2009

BURRINHOS DO SENHOR

Somos muito burrinhos*, não?
Fazemos de Deus papai noel.

Pedimos, pedimos;
Rogamos, rogamos.

Trabalhar que é bom, só na segunda, né?

Somos meio burrinhos!
Se realmente merecemos alguma coisa
E se Deus é onisciente;
Ele não deveria nos dar esse pedido
antes mesmo do pedido da gente?

É que somos mesmo muito burrinhos, não?

Frank Oliveira
13 de maio de 2009
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

* Texto baseado nas palavras do amigo e poeta Hugo Luis.

NÃO SE ACOSTUME COM O AMOR

Não se acostume com o amor
Pois
Quem se acostuma com o amor
Esquece o seu valor
O valor!

Cuidado com a beleza
A beleza!
Pois a beleza entorpece os sentidos
E não faz sentido
Separar o que vemos
Em feio ou bonito

Não se acostume com quem está ao seu lado
Quem está ao seu seu lado!
Quem se acostuma com quem está do lado
Esquece que requer trabalho
Manter
Alguém do lado

Cuidado com o seu caminho
Para o Divino!
Se esse caminho te faz conventer o seu amigo
Desconfie do caminho
Ninguém tenta convencer os outros
Quando
Está caminhando para o Divino

quinta-feira, maio 14, 2009

A CHAVE DO SOL

É circo, é arte, é música, teatro da melhor qualidade.

É tambor, é xamã, é irmão, é irmã, quanto amor, quanta amizade.

Estou em casa, a Mãe Divina jogou a chave, posso abrir a Porta do Sol, não estou mais só.

Porta central, portinhas, é conhecimento, é saber saindo pelas frestas, pela janelinha, por toda parte.

É Vitória para toda essa gente que busca se conhecer.

É a Rainha revelando que todos nós somos criancinhas.

É o Rei se apresentando e mostrando que somos todos infinitos.

É risada para toda essa gente que não tem medo de ousar, de estudar e ver.

É em casa estar, sob o disco solar e cantar para a lua.

É festa do divino, é vaga-lume, é beija-flor voando e mostrando, que delícia é com essa minha gente estar.

É capoeira ao redor da fogueira, é dançar, é cantar até que o sol clareie e mesmo assim não querer ir embora.

Andei, percorri os quatro cantos e subi a serra, só para ver que a grande festa sagrada estava na minha terra.

Somos todos um só, sou brasileiro, sou Filho do Sol.

quarta-feira, maio 13, 2009

A CERTEZA DO NEGO

Nego sofreu, nego chorou e continuou, continuou. Enquanto apanhava no tronco, da Grande Mãe ele lembrou; e nego rezou, nego orou e a Mãe Eterna surgiu e falou:

- "Quem tem a Mãe no coração, não teme; segue firme, aguente os teus irmãos."

E nego chorou, nego chorou, pois já não tinha mais compaixão; queria gritar, se revoltar, fazer sofrer, fazer sangrar, se libertar do cativeiro. Podia morrer, podia matar, guerreiro africano, punho certeiro; antes mesmo que tivesse morrido, muitos outros seriam feridos; mas nego esperou, nego esperou e confiou, confiou na Mãe
Divina, que novamente o visitou e falou:

- "Fica firme, meu filho, flua amor, mesmo na dor, flua amor."

E nego sentiu amor, sentiu amor. Suas mãos cansadas trocaram a projeção do sangue da vingança pelo cultivo da flor da certeza que tudo está no devido lugar, mesmo o que não aparenta estar.

E nego continuou, continuou com amor, no trabalho, na servidão, mas sempre orando para a Grande Mãe na energia de cada Iobá, cantando e louvando seus orixás, até que um dia, o senhor das terras veio avisar:

- " Negro, pega teus trapos e se poê a caminhar, livre você está!"

Nego sorriu, nego chorou e com os pés descalços, nego caminhou pela terra da liberdade, sem saber para onde ir, sem saber como comer, nem onde dormir; mas manteve o amor, e se humilhou, pediu ajuda, não encontrou; não havia trabalho, ninguém lhe dava a mão, nem mesmo os seus irmãos de cor; mas nego continuou e acreditou que tudo ficaria bem, e orando aos seus Orixás, nego pediu, a Mãe escutou.

Trabalho veio, casa firmou, mulher surgiu, família criou e quando agradecia a Mãe Divina no terreiro dos Orixás, o homem branco a porta derrubou, nego apanhou, nego gritou, pois o homem branco, o culto proibiu e mandou que eles engolissem as suas certezas e fossem para o templo do homem branco e que rezassem aos santos de barro da Santa Igreja.

Nego orou, nego rezou, e discerniu, pois percebeu que a Mãe Eterna também estava naquelas imagens cujos nomes estranhos, sua língua materna mal conseguia pronunciar. E foi quando a Mãe Divina novamente apareceu e falou:

- Quem tem a flor da certeza no coração, percebe que estou em todo lugar.

E nego sorriu, nego seguiu orando para as santas de rosto branco, para os deuses dos homens brancos; pois diante da Força Maior, a repressão a sua religião era coisa menor. O irmão branco poderia brigar, proibir, denunciar, bater, gritar, fazê-lo jurar que não havia Deus algum se não o Deus que ele estava a lhe empurrar, e nego saberia, e em silêncio ficaria, pois no seu coração a sagrada lição que a Mãe Divina lhe ensinou já virara o rochedo da certeza que o Divino não tem cor, o Divino é fluente amor.

terça-feira, maio 12, 2009

DIA INTERNACIONAL DA ALINE

Alegria, alegria, Caetano já dizia, e olha que ele nem conhecia a Aline, se conhecesse diria: felicidade! Felicidade!

Aline não tem idade. Dizem por aí, que está na casa dos vinte, desconfio que ela já tem um milhão de anos, se não tem, com certeza tem um milhão de amigos, só assim, para explicar o que se sente quando com Aline estamos, nem que seja por alguns minutos: caraca, estar perto da Aline é como viajar pelo mundo. E ninguém que eu conheço entende mais de viajar que esse humilde Vagamundo, por isso afirmo, a Aline não é gente, essa menina é um mundo a parte.

Um mundo belo e encantado, onde as leis da tristeza e da depressão não possuem efeito, pois Aline é só alto astral; baixo mesmo, só o seu vocabulário, que não para de repetir: "Ronaldo! Ronaldo!". Afinal, o que esperar de uma corintiana? Ninguém é mesmo perfeito!

Mas hoje vou dar um desconto, pois é o Dia Internacional da Aline; e como não tenho um conto, presenteio a minha amiga com essa crônica.

Feliz Dia que Você Nasceu, amada minha!

segunda-feira, maio 11, 2009

BRANQUINHO

Que história contaria?

Eu não lembrava de nenhuma, a molecada começou a achar que eu não sabia. Cláudio acalmou a todos, dizendo que eu precisava de um tempinho para encenar o que iria contar. Mentira! Ele me conhecia e sabia que eu estava nervoso, tinha saído de Cajazeiras e ido ao Uiraúna, para revê-lo, mas o que eu não sabia era que a minha fama de contador de histórias corria pelas calçadas, e Claudio tinha reunido aquele povo todo para me ouvir contar:

“Era uma vez..

Sim, era uma vez um Neguinho que morou na Paraíba e fez muitos amigos. Foram muitas as pessoas que cruzaram pela vida dele, mas nenhuma delas tinha a graça e maturidade desse moleque chamado Cláudio.

Os dois compartilharam uma grande amizade, mesmo morando em cidades diferentes. Bastava chegar o tempo das férias, para o Neguinho ouvir a voz do amigo no quintal do vizinho, era o Cláudio, que viera passar as férias novamente com a sua avó, a Dona Nininha.

Apesar das brigas das famílias, (o que esperar de vizinho?) os dois sempre permaneceram amigos, até o dia em que o neguinho viu que o amigo usava um relógio branquinho.

Ele sempre quisera um relógio como aquele, mas como era criança carente até de comida, sua família não podia bancar um desejo desses, e o relógio ficou só na lembrança, até aquele último dia no Uiraúna, onde ao se despedir de Cláudio, Neguinho notou que o seu amigo deixara o relógio branquinho em cima da estante.

Foi preciso um instante, para a ocasião fazer do Neguinho um... menino com um relógio branquinho.

Anos depois, os meninos cresceram e ao invés de cidades, estados os separavam. Porém, o Neguinho, agora adulto, nunca havia esquecido do que fez, e que nunca havia pedido desculpas ao amigo. Vai ver ele nem lembrava mais daquilo, mas a vida, sempre sábia, fez com que neguinho, por meio de umas dessas coincidências que não ocorrem por acaso, ouvisse a voz novamente do seu amigo.

- Neguinho ladrão, cadê meu branquinho? – era o Cláudio, seu amigo de infância, agora vivendo em São Paulo.

As nossas famílias tinham sido unidas pelos laços de casamento dos seus tios. Cláudio era agora uma espécie de primo do Neguinho; e o que era melhor, apesar de crescido, ainda tinha no olhar, a alma daquele mesmo menino brincalhão que protegia o amigo e com ele compartilhava histórias e alegrias.

- Claudio, desculpa! Eu era moleque – ele disse, desculpando-se - e você sabe, eu queria tanto aquele relógio.

- Esquece, Neguinho! Eu também te roubei um monte de gibis! – disse Claudio gargalhando. – E você não sabe o quanto aquelas revistinhas foram muito mais valiosas que aquele relógio barato.

- Seu filho de uma ...

- Olha!!! Não xinga a Dona Lêo, que eu sei onde mora a Dona Graça.

E os dois caíram na risada.

- Meu nome agora é Frank – disse o Neguinho crescido, para deboche do amigo que começou a dar risada.

- Que Frank que nada. Você sempre será o “meu” Neguinho!

E assim, entre piadas e coisas sérias, há mais de 25 anos, os dois mantêm uma amizade sólida, compartilhando as suas vidas, as suas tristezas e felicidades. São até padrinhos um do outro de casamento. E só não viveram felizes para sempre, porque a estória de ambos ainda continua, com muita aventura e drama, e é claro humor:

- Rapaz, é verdade mesmo aquele lance que a Eliana te trocou por um jumento?”

domingo, maio 10, 2009

ROSAS EM PALAVRAS

Mãe de todas as idades,
Mãe que cuida do filho
Que sempre terá a mesma idade

Que idade o filho tem?
A idade que tem o amor da sua mãe.

Mãe de sempre,
Você eternamente será minha mãe
Pois uma vez mãe
Mãe será pra sempre.

Dizem que hoje é o seu dia, minha mãe
Eu digo hoje é qualquer dia
Pois qualquer dia
É dia da mãe.

Mas se insiste a mídia
Se insiste o homem das flores
Deixa eu te dar algumas rosas, mãe
Rosas em palavras.

Porque palavras é tudo
É tudo que eu tenho pra te dar,
E que ironia, minha mãe
Foi você que me ensinou a falar.

Então, deixa eu transformar
Essas palavras em versos
Para que tu saiba, minha mãe
Você, pra mim, é o meu universo.

sábado, maio 09, 2009

Gourmet de Livros

Não basta ler um livro,

É preciso degustá-lo.

O rapaz do ônibus era um gourmet das letras ou um tarado?

Pois para cada frase que lia, seus olhos suspiravam de prazer.

E

Só se consegue um olhar de gozo assim quando estamos comendo ou fazendo amor.

Que livro era aquele com o qual ele se alimentava e ao mesmo tempo fazia amor?

Santa Arrogância

Foi o Junkie Food do Habibs

Ou

Foi algo que eu fiz?

Não sei,

Mas fiquei 24 horas de cama,

Sofrendo com dores, chorando e dizendo:

Ninguém me ama!



Que lição para o meu ego:

Por um dia,

Uma bactéria, menor que a ponta da minha unha,

Fez carnaval com a minha carne.

sexta-feira, maio 08, 2009

Vampiros

Enquanto ela comia, discorria língua a fora, goela a dentro, sobre a vida de Fulano e os fazeres de Sicrano.

Fulano this, Sicrano that, energia circulando com alimento mundo a dentro; Fulanos cá, Sicranos acolá, energia enviada pelo ar, por sintonia, mundo a fora.

E eu aqui me pergunto:

Que assuntos ponho na mesa?

Que papo me alimenta?

Que assunto engulo?

O que fico julgando ser certo ou errado?


A vida do outro não é proteína.

O que ele faz ou desfaz não é carboidrato

Cuidado com o que da mente é liberado, com o que da língua sai.

A prática é unânime: vampiro não se alimenta só de sangue.

CANIBALISMO ASTRAL

Preso numa cela sem parede, numa jaula sem grades, a alma grita: corpo reage!!!

O corpo é surdo, passivo, espera sempre a mão da mente, condutora, para que algo ocorra.

A mente covarde, não é movida pela coragem e sim pela força de sobrevivência que analiza as vozes da alma e compara com as vontades do corpo e por vezes, boicota os sonhos que lhe parecem loucos demais e que aparentemente podem por em riscos a segurança da zona de conforto que garante a sobrevivência, a comida na mesa, a água na boca, mas que não trás a tona essas idéias loucas que transformam o mundo e alteram a vida de todas as outras pessoas.

Em meio a esse alvoroço entre alma, mente, corpo e o todo que faz parte do meu veicúlo de manifestação nesse plano, ainda percebo que há outro eu, observador e ao mesmo tempo todo poderoso, que se não me engano é um canibal que vai acabar consumindo a alma, mente e corpo e depois de tudo isso, sei que vou acabar descobrindo que eu, no final, não sou isso, nem sou aquilo.

quinta-feira, maio 07, 2009

DE TANTO LER...TORNEI-ME...

De tanto ler as idéias dos outros,
tornei-me estúpido das minhas.

Sempre acreditei nas certezas alheias,
até o dia em que descobri
ao trilhar o caminho da prática
que não existe uma resposta certa
para cada pergunta.

Quem fala muito,
muito pode estar errado.

Prolixidade não é
doutorado.

Currículo universitário não é
mestrado.

O seu ponto de vista não é
garantia que devo aceitar a sua verdade
como minha.

As suas pistas
São apenas setas
Não são o caminho

Na dúvida
amigo,
é melhor acreditar na pergunta.

quarta-feira, maio 06, 2009

COMO ENXUGAR AS SUAS LÁGRIMA?

Vinha á toa na rua,
Quando ví uma moça chorando.

Pensei em parar e
Lhe oferecer um poema
Que lhe arrancase um sorriso,
Que lhe enxugasse as lágrimas,
Mas segui o meu caminho e
O poema ficou calado em minha alma.

Não que me faltasse coragem,
Não que me faltasse caneta,
Mas aprendi a respeitar o choro alheio e
Não sair por aí enxugando toda tristeza que vejo,
Afinal, o silêncio comunica mais que a fala, e
Ás vezes,
Lágrimas que parecem ser choro de tristeza
Podem até ser uma limpeza
Que antecipará a alegria.

terça-feira, maio 05, 2009

O HOMEM DO RELÓGIO DE 300 REAIS

O que o mundo quer lhe dizer quando você encontra em lugares diferentes o mesmo homem vendendo um relógio que vale trezentos reais por cinquenta?

Ele não tinha cara de vendedor ambulante ou assaltante; era um homem em seus cinquenta; de terno, gravata, cabelo bem penteado, elegantemente vestido, que na primeira vez, sentou ao meu lado no ônibus e perguntou:

- Quanto você acha que custa esse relógio?

Eu não entendo nada de relógio, há tempos vejo o tempo dos homens no relógio do meu celular. Olhei pra ele com cara de estudante de letras sendo perguntado sobre fisíca quântica.

- 300 reais, meu amigo - disse ele - mas por você eu faço por cinquenta.

Quando as pessoas precisam desesperadamente de dinheiro, vendem casas, vendem jóias de família, carros por sonho de valsas, o corpo como mercadoria; ele não parecia precisar de dinheiro, nem ser louco, só queria vender o relógio de 300 por 50. Por cautela, tirei a minha carteira do bolso perto dele, agradeci a oferta e desci no próximo ponto.

Esqueci que ele existiu em meu caminho, até que ele surgiu de novo em minha trilha quando eu ia a Paulista, e no meio da avenida surge novamente esse homem com a mesma oferta:

- Quanto você acha que custa esse relógio?

Sim, tudo pode ser apenas uma coincidência, se não tivesse ocorrido um terceiro e um quarto encontro.

Não sei quanto a você, mas esse relógio está me apontando alguma coisa além das horas...

segunda-feira, maio 04, 2009

CORREIO DA MÁ NOTÍCIA

Senti essa tarde uma nostalgia tão estranha: senti falta de falar mal da vida alheia.

Que saudade que deu daquelas conversas à mesa, onde tecíamos, meus amigos e eu, comentários maldosos sobre as falhas dos outros.

Senti falta da sensação gostosa de me sentir bem com a desgraça do meu povo; da alegria em comentar as últimas fofocas, colocar com os velhos conhecidos a conversa em dia, tendo como assunto o que não é da minha conta.

Era tão boa a epóca em que eu desconhecia o significado da palavra "respeito" e da minha boca saia a esmo ladainhas em relação a terceiros.

Como a minha vida era boa quando eu não sabia que a vida dos outros é um reflexo do que pratico na minha.

Tarde demais, não dá para voltar atrás, não consigo participar mais do correio da má notícia.

domingo, maio 03, 2009

RAPIDINHAS













A SUA VOLTA


Se está tudo errado a sua volta, dê a volta!


****************************

É CLARO


O que ficou claro foi que escuro estava até eu iluminar.

**************************

OBALUÊ

Balanço e sacudo no ritmo de Obaluê;
O que cai é o que não precisei pagar para ver.

SABEDORIA DO TAMBOR


O homem do tambor tocou,

Tocou,

Tocou,

Até que parou,

Olhou para mim

E falou:

- Nada pode mais que o Tudo!

sábado, maio 02, 2009

CORRE NANINHA

- Corre, Naninha! Corre menina - disse a Mãe apresssando a filha - Olha o carro! Olha o carro!

Que mundo mais surreal. Eu vi uma mãe pedindo para a filha pequena correr não do carro, mas para o carro.

Naninha correu, pés descalços, nariz remelento, camisa preta e um vidrinho de sabão de fazer espuma numa mão e na outra, um rodinho, e ela dizia "moço me dá um trocadinho, moço me dá um trocadinho".

Naninha aparenta ter uns cinco aninhos, tudo nela é diminuitivo, menos o seu sorriso, que é graúdo feito o carro do moço invisível do vidro preto e blindado.

Seu irmão Tiago, é menor ainda e observa no colo da mãe, tudo. Tem cara de aprendiz, tem jeito que vai repetir direitinho os passos de Naninha. Menino bonito que ainda não sabe mais está preso ao destino de ter que cuidar dos negócios da família, assim que aprender a andar e repetir: moço, moça, me dá um trocadinho.

sexta-feira, maio 01, 2009

Festival das Cores da Índia‏

Amigos,

No próximo domingo, 03 de Maio, ocorrerá em Guarulhos, um festival de cultura, arte, espiritualidade, dança indiana, a partir das 16:00
no Templo Espiritual Olhar Divino.

Uma ótima festa para celebrar a cultura e a espiritualidade de um povo tão próspero.

Haverá alimentação tipica de Índia, intervenção teatral com Grupo DHARMA, palestras com autoridade Hindú, danças, cantos e mantras... Vamos celebrar as cores da vida e a união dos povos!

O Templo Espiritual Olhar Divino fica na rua Ana Barcelos 93, Ponte Grande (Guarulhos), próximo a C& C Dutra.

Entrada: R$ 6,00.

PARE O MUNDO E RENOVE O SEU AMOR

Quando algo não estiver bem com o seu amor, pare o mundo, congele o tempo, paralize o espaço e olhe dentro dos olhos do seu amado E renove seus votos!

Palavras tem poder, gestos manifestam os pensamentos e tornam válidas as promessas que somente olhares podem fazer.

Saia com o seu amor, corram até o cinema, dividam um saco de pipocas, e um refrigerante de dois litros com dois canudos, assistam um filme bem bobo, que te faça chorar de rir.

Troque bilhetes com recadinhos picantes, vá até algum restaurante com mesas dançantes, namore como vocês namoravam antes.

Vá ao teatro, ao circo, ao motel barato.

Faça piquenique no parque, não pense no trabalho na segunda, deixe o Domingo com letra Maiúscula durar para sempre por uma tarde.

O sagrado do amor maduro é brincar de novo de outrora - amor maduro é noite dormida com sono de aurora - por isso quando algo não estiver em dia com o seu amor, faça o sol brilhar, apague as nuvens do "que foi dito sem querer dizer" e recomeçe o novo.

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