sexta-feira, junho 29, 2012

Adolescentar



Ontem eu vi minha juventude passar por mim, no momento em que desejei ser mais velha, estar em outro lugar, ter outro corpo ou simplesmente deixar de ser assim; como eu sou, como me tornei, como o mundo me formou.

Então percebi que estamos sempre preocupados em ir pra frente e não desfrutamos o ficar aqui, o estar presente, o viver realmente esse meu adolescentar.
Percebi que estava deixando a magia pelas minhas mãos escapar como areia da praia, como água corrente que não consigo segurar; tudo isso por minha ansiedade em não conseguir pelo amanhã esperar.
Senti que o meu aqui e agora, meu presente foi ficando assim distante, ausente; enquanto quem ainda não sou, lá do futuro, parecia me acenar.

Se já fosse eu, o amanhã, perderia a chance de experimentar cada etapa desse meu despertar.
Não ouviria a melodia da harpa que se espalha pelo ar toda vez que estou próxima de por quem vou me apaixonar.
Perderia a chance de encenar o teatro de “Pais e Filhos” em que muitos dos conflitos só ocorrem para nos aproximar.
Perderia o riso nos encontros com as minhas amigas e aquele sorriso de menina boba a cada nova descoberta que compartilhamos uma com a outra.
Perderia, sobretudo, as canções que marcarão esses belos momentos da minha vida, que o “eu do futuro” tanto gostara de cantar e recordar.

Mas, graças aos céus, voltei do espaço e cai na terra e posso ainda ser pequena, imatura e não tão esperta, mas gosto desse meu ser, desse meu estar, desse meu adolescentar; pois daqui sinto que meu horizonte é gigante e o meu potencial vai longe, além das curvas de quem eu sou e daquela que irei me tornar.

quinta-feira, junho 28, 2012

Caçadores de Baleias

A bordo de um antigo baleeiro, os caçadores rumam para o alto-mar. Olhos atentos escaneiam a água em busca do menor sinal daquela que é considerada o maior mamífero do planeta. Abaixo do leme, o comandante conduz o barco com um olho na tela do computador de bordo que filtra o mar ao nosso redor tentando identificar a aproximação da Rainha do Oceano. Porém os arpões e armas foram substituídos por câmeras fotográficas e filmadoras e os novos Caçadores não buscavam uma presa e sim a experiência de ver uma baleia.

- A primeira vez que a gente vê uma baleia, uma sensação de paz toma  conta da gente, que é difícil por em palavras - disse uma senhora ao meu lado. Ela era veterana desse tipo de turismo. Junto com o marido, um sujeito mal-humorado ao seu lado, eles já tinham visto centenas de baleias por todo o mundo. - Diante da visão de uma baleia a gente descobre o quanto somos pequeninos.

- Pequeninos e vulneráveis - disse o marido - só espero que a baleia não resolva brincar com o nosso barco. Essas águas geladas podem nos matar em minutos.

Por um momento toda a mágica de procurar por baleias deu lugar a um principio de pânico. Comecei a ponderar se realmente tinha sido uma boa idéia ir até ali. Eu não sabia nadar e se eu soubesse ainda contar, o número de salva-vidas a bordo não era compatível com o número de turistas. Morrer congelado não era exatamente o meio de transporte que eu queria utilizar para o outro lado ( como se eu pudesse escolher ).
Mas acabei chegando à conclusão que meu medo era um tanto infundável, uma vez que aquele barco fazia aquele passeio por anos.

- Eu costumava caçar baleias - disse o comandante, um sujeito franzino, com barba feita e cabelos curtos, que não lembrava nada o estereotipo do comandante de barco tipo Capitão Nemo – Minha vila costumava viver da pesca da baleia. Essa era a nossa principal fonte de renda. Quando o governo proibiu a caça, achávamos que iríamos passar por sérios problemas financeiros, até que o primeiro turista chegou e depois, eles começaram a chegar aos montes, dispostos a pagar mais para ver as baleias, do que ganhávamos com a caça dela.

Enquanto ele falava, lembrei de como o turismo pode ser bom para os lugares visitados, se bem controlado e organizado. Lembrei também que toda vez que lembrava das pessoas que caçavam baleias, os via como monstros insensíveis e nunca como gente ganhando a vida. É claro que isso não justifica em nada a matança de baleias que até os anos 80 era tão popular que virou até esporte, em que milionários tiravam fotos ao lado do corpo do animal para mostrar aos amigos como troféu, assim como provavelmente fizeram os seus tataravôs com os animais da África. A caça era tão descontrolada que uma palavra logo ficou associada a caça desses animais marinhos : Extinção.

Hoje em dias, boa parte dos países no mundo inteiro assinaram o embargo a caça à baleia, mas há países como o Japão e a Islândia, que ainda as caçam, sem contar inúmeros baleeiros que ainda cruzam o mar em busca da carne desse mamífero que tem custos astronômicos do mercado negro.Caça patrocinada por pessoas que ainda insistem no consumo de carne, óleo e todo tipo de produto extraído das baleias. Porém, vendo aqueles novos caçadores, fez com que eu sentisse esperança que a raça humana ainda não estava totalmente perdida na ignorância. É claro que eu não estava tão otimista assim que alguém naquele barco veria uma baleia tão cedo.

- Uma vez ficamos semanas tentando e nada.- disse o sujeito novamente, jogando água fria nas nossas expectativas. Preferi fingir que ele falava sobre a sua vida sexual e tentei ao máximo me afastar do casal e baixinho rezei a Iemanjá que mandasse um de seus anjos do mar vir nos saudar.

Enquanto eu filosofava sobre as gotinhas do mar que pipocavam pelo ar, olhando para baixo e se dando conta que são oceano; notei que toda a galera foi para um lado do barco e o comandante gritou: Se não for um submarino, só pode ser uma baleia!

Corri para tirar a minha foto, mas uma onda de pessoas impediam a minha visão. Quando finalmente consegui atravessar a barreira humana e ter um pedacinho da visão do mar, ouvi o comandante gritar de novo: Do outro lado!

Do outro lado, do lado em que eu estava, surgiu a Senhora do Mar. Enquanto tentava novamente atravessar a muralha de gente, me xingava por ser tão baixinho e por ter largado o meu lugarzinho. Mas lutei e mergulhei no meio daquela gente, e quando finalmente consegui passar por outro lado, só deu tempo de ver o rabinho da baleia acenando adeus. Tarde demais.

Ela não voltou à superfície novamente e eu não tinha conseguido registrar o meu momento, mas eu pude ver ao menos ela se despedindo. Não era exatamente o que eu esperava, mas ao menos eu sabia que elas ainda estavam por lá. Eu sabia que elas ainda não tinham desistido de viver no mesmo mundo que os homens.

Enquanto o barco retornava ao porto, tentei ao máximo fixar na memória a minha experiência. No fim, a senhora no barco estava certa quando disse que a primeira vez que a gente vê uma baleia sente algo indescritível. Eu que só tinha visto um pouquinho já estava tão feliz, imagina o que sentiria se a visse por inteira livre no mar.

Só espero que meus filhos possam também brincar de caçadores de baleias um dia.

quarta-feira, junho 27, 2012

A Crítica Nossa de Cada Dia




Existe uma diferença bem grande entre crítica construtiva e crítica destrutiva.

No primeiro caso, alguém com um pouco mais de experiência sugere como seu trabalho pode ser aperfeiçoado e no outro a intenção é clara: destruir mesmo.

O primeiro crítico é difícil de encontrar, mas em compensação o segundo...

Toda vez que surge alguém com uma grande idéia, inspiração ou decisão , surge junto um crítico destrutivo na jogada. Esse cara sai da inércia em que vive com o único intuito de destruir teu ato seja ele qual for, só para provar que a teoria dele é a mais correta do mundo.

Nunca produziu nada, mas é craque em ensinar a maneira certa de produção alheia. Nunca chutou uma bola de amor no gol do mundo, mas é especialista em palestrar sobre como quem tanto fala e expressa amor, nada sente.

Todos têm o direito de expressar o que sentem e pensam a respeito de um determinado assunto, mas esse tipo de crítico nada vem a acrescentar e sim apenas explodir uma boa idéia, transformando-a em cinzas, só pelo prazer de satisfazer sua vontade de Senhor Sabe Tudo.

O melhor meio de lidar com críticos assim, é continuarmos trabalhando mais e mais, e jamais desistirmos de jogar.

E lembre-se se há muitos desses críticos no seu caminho, não há o que se preocupar. Como diria um certo amigo: ¨ Ninguém marca jogador perna de pau!
¨

terça-feira, junho 26, 2012

A Dona dos Olhos Meus

 

Tinha um compromisso marcado naquele fim de semana. Um encontro que começaria no sábado à noite com um show da cantora Fortuna no Sesc Pinheiros e acabaria num domingo a dois. Estava nervoso, queria ficar e fazer bonito; afinal a moça merecia: bonita, inteligente, espirituosa e bem sexy; era o tipo de mulher que você gostaria de ter ao seu lado pelo resto da vida. Ela era mesmo sensacional, ela era a minha mulher.

Namoro a moça há oito anos (oficialmente, por sete anos, diz o anel no dedo da mão esquerda). Não brigamos muito, apenas ficamos de mal de vez em quando como qualquer casal adulto. Ela nunca quebrou os meus CDS por ciúme, nem eu nunca fui comprar cigarros na Mongólia, quando ela me convida pra ir fazer compras no Shopping. Até onde é possível somos amigos; quando a amizade começa a atrapalhar, viramos amantes.

Paris só foi Paris, porque ela estava do meu lado. São Tome das Letras só virou uma cidade mágica pra mim, porque foi lá que a conheci e ela disse sim.

Não fui tolo pra esperar que ela dizesse não e um ano depois troquei os campos da Espanha pelas ruas de Itaquera; troquei o Caminho Sagrado de Compustela, pelos olhos cintilantes da minha menina. E foi entre as estações da Zona Leste e as linhas da Zona Sul, que unimos o Norte e Oeste; envolvendo os quatro cantos numa cerimônia de amor em que o sol e a lua foram os nossos padrinhos e a mãe terra abençoou.



Como não tinha muito a oferecer, prometi minhas asas; ela aceitou e me ofereceu o céu para que pudéssemos voar juntos alem das religiões, das fronteiras, da sociedade, dos tabus e da família.

Sim, oito anos passam correndo quando a esposa ainda é namorada e mesmo depois de quase uma década, ainda me olho no espelho, antes de encontra-lá e pergunto:
- “Espelho, espelho meu, me ajude a ficar atraente para a dona dos olhos meus. Se não ela acaba fugindo com algum Ricardão metido a Romeu.”



Por vezes o espelho ajuda, outras vezes me produzo todo e finjo que estou indo para o nosso primeiro encontro, como naquela noite que foi realmente um show. Ela nem ficou com ciúmes quando banquei o tiete e fui tirar fotos com a cantora Fortuna que autografava os CDs para os fans.

Domingo foi melhor ainda, porque esquecemos do mundo e ficamos entre um vídeo e outro, namorando e trocando olhares de amor, sem compromisso com os outros, sem atender ao telefone, sem almoço com a família ou cerveja com os amigos. Só eu e a dona dos olhos meus, sem pressa de fazer algo.



Estranho como ao lado de quem amamos fazer nada é fazer tudo. Todas as outras coisas se tornam pequenas, o mundo lá fora se cala diante do som de um abraço; e as declarações são feitas pelo olhar quando esposa e esposo olham um ao outro com olhos de quem quer namorar.

Frank

segunda-feira, junho 25, 2012

Fada dos Dentes



Nasceu o primeiro dente da Jureminha. Um tanto atrasado, de acordo comigo ao comparar com outros casos de bebês que já nascem com dentinhos; na hora apropriada, de acordo com os pediatras ao discorrerem sobre as vantagens dos primeiros dentes serem mais fortes quando nascem em bebês com mais de 12 meses.

O mais curioso é a minha pressa em ver logo a minha filha com todos os dentes; acho que todos os pais são mesmo assim, só sossegam depois que contam e comparam os dedos das mãos e pés e dentes da boca com os de outra criança e relaxam, acreditando que sim, seus filhos são igualzinhos aos outros.

Porém, nenhum bebê é igual. Todos possuem seu ritmo de crescimento e aprendizado e essa é uma lição que os pais de primeira viagem só aprendem na prática por mais preparados que julgam ser, após tantos livros, palestras e documentários.

Enquanto seu pai perde o juízo com isso, Jureminha dorme tranquila aguardando a sua Fada dos Dentes voltar...


sexta-feira, junho 22, 2012

Aprender Ensinando

Ensinar é um desafio constante.

É ser bandeirante e abrir novos caminhos dentro da mente dos estudantes.

É ser humilde para entender que o conhecimento do assunto não o torna mestre do aprendizado.

Por vezes, os papeis se invertem, mestre vira aluno, aluno vira mestre. Outras vezes, claramente, se percebe que de tudo o que foi ensinado, nada foi assimilado, pois cada aluno tem seu próprio ritmo e nem sempre eles aprendem tão facilmente o que já virou lugar comum na geografia do Professor.

Por isso quem ensina, precisa rechear seu ensino com amor.

Amor pra aprender a ler olhares. Olhar de quem nada entendeu e olhar que recita sem ter decorado, a informação recebida.

Amor para escrever mais que o ABC na lousa. Amor para ensinar o alfabeto da solidariedade.

Amor pra imprimir no coração do estudante, lições de tolerância, respeito e humildade.

Amor para perceber com satisfação que a melhor nota que um estudante pode atingir não estará presente no teste escrito ou na prova corrigida e sim no sorriso de quem agradece ao professor mais uma lição de vida aprendida.

quinta-feira, junho 21, 2012

A Importância de Agradecer


Tudo nessa vida tem preço, menos amor; por isso não damos o devido valor a quem esta do nosso lado, a quem tanto nos ajuda a cruzar essa ponte da existência na terra.

Quando algo custa caro e não vem de graça, temos a tendência de supervalorizar, de exaltar e dedicar todo o nosso tempo a isso. Porém, quando algo nos é dado de bandeja, normalmente cuspimos no prato e reclamamos que o que foi nos servido não estava bem passado.

Por que somos tão ingratos?

A questão torra minha mente, atormenta meu cérebro.

 Não sei quanto a vocês, mas sou assim, aprendi a ser assim e venho tentando desesperadamente mudar esse “ser assim”.

Sei que soa clichê, mas assim como boa parte de vocês, só dou o devido valor a algo quando não o tenho mais. Vai ver Freud explica, Jung exemplifica, mas a verdade é que mil livros e milhões de teorias não vão conseguir mudar essa ingratidão. Essa mudança depende de mim, do que aprendi e do quanto estou disposto a pra frente ir.

Quero poder aproveitar melhor as oportunidades que caem como gotas de chuva na minha frente, mas percebo quanto mais oportunidades tenho, pior escolho. É quase como se eu estivesse pedindo pra Deus que as oportunidades desapareçam para que eu possa dar valor a única que me seja oferecida. A pergunta fica no ar: é preciso perder tudo o que temos, para podermos aprender seu devido valor?

 Acredito que não e esse valor independe de pagar algo em retorno, não vai me custar nada, além da cabeça do meu ego, misturado com um pouquinho de humildade e a pronúncia correta do verbo agradecer, mas agradecer de verdade.
 
Pensando nisso e profundamente inspirado por uma palestra que tive ontem, decidi treinar esse “agradecer” e queria começar agradecendo você por existir. Sim, você mesmo, leitor, que é a razão pela qual escrevo essas linhas tortas. Sim, você mesmo, meu Professor, que me ensinou a ler, a escrever, a discernir, a me projetar. Sim, você mesmo, Mãe, por me dar a vida e ter me ajudado a ser o homem que me tornei. Sim, você mesmo, minha esposa, por ter me ensinado a amar alguém alem de mim. Sim, você mesmo, meu inimigo íntimo, por brincar de ser oposto comigo e ter me ensinado muito mais que eu havia pedido. Sim, o Senhor mesmo, Meu Deus, por tudo que me tem oferecido e juro que vou parar de só pedir, assim que aprender a ser agradecido.

quarta-feira, junho 20, 2012

O Velho Eu que resulta em Mim


Ontem acordei com uma vontade grande de só por um dia deixar de ser eu.

Explico: o meu projeto exigiria uma mudança radical de pequenos hábitos que julgo terem o poder de causar um extremo mal estar a longo prazo.

Comecei trocando uma hora de sono por uma corrida matinal e provei algo que só posso descrever como LUCIDEZ absoluta. Era como se o atleta chutasse o sonâmbulo e eu pudesse finalmente perceber que no meu dia-a-dia, mesmo acordado continuo dormindo.

Depois, antes de ir trabalhar, dei um longo abraço e um beijo de namorado na esposa que me olhou com surpresa, já esperando o carinho apressado de quem já acorda atrasado.

Durante o dia, tratei de evitar ao máximo pequenas mentiras, julgamentos apressados, preconceito e toda serie de pensamentos nocivos que viram herva daninha no quintal dos outros.

Ao fim do dia ao chegar em casa, após um belo banho, jantei prestando atenção apenas ao ato de mastigar. Descobri que quando os olhos não estão na tv ou na preocupação do dia seguinte, o sabor se maximiza na comida.

Depois troquei o jornal da onze da noite pela leitura de um livro que comprara há meses e nunca tinha lido e mesmo esgotado, fiz as minhas meditações. Resultado: cai no sono tranqüilo, dormindo tão bem que resolvi repetir a experiência no dia seguinte.

Quem disse que consegui...  


Não tive o mesmo pique do dia anterior e voltei a ser o “velho eu” que resulta sempre em mim; mas não desisto, ainda terei mais uma chance amanha de mudar e aproximar mais ainda a distancia da versão cansada de mim do cara que fui ontem e que quero tanto tornar a ser.

terça-feira, junho 19, 2012

O Anjo de Quatro Patas

 


Quando a idade bateu em sua porta, trouxe junto a tristeza e o abandono.

Visitas, somente às testemunhas de Jeová aos Domingos; o telefone só tocava por telemarketing. Estar sozinho não é fácil em nenhuma fase da vida, mas na velhice era mortal. Ele precisava de companhia, mas os parentes estavam sempre ocupados para lembrar que ele existia.




Sentia pouco a pouco a vontade de viver se esvaindo. Acreditara que não sentiria nunca mais alegria até o dia em que um anjo de quatro patas surgiu em sua vida. Faminto, sujo, sarnento, ele tinha a perna ferida de tanto viralatar por ai e olhos carentes que chamaram a sua atenção e a sua vontade de ajudar.



Dizem que o amor de verdade nasce da vontade incondicional de se dedicar sem esperar nada em troca e foi assim que o amor entre ele e o anjo nasceu. O cachorro precisava de cuidados e ele queria cuidar.

Foi só uma questão de tempo para que a casa velha desse lugar a jovialidade do querer continuar. O anjo de asas caídas agora pulava que nem criança, seu rabo que estava antes perdido entre as pernas, voltou a querer o céu tocar.


O velho já não sentia mais as dores no peito, o cansaço que antes era todo dia, foi virando fim de mês e indo cada vez mais pra longe. O anjo de quatro patas havia lhe devolvido a vida e tudo o que ele tinha lhe oferecido foi um pouco de cuidado e um prato de comida.


Em pouco tempo,o velho rejuvenesceu e o cachorro trocou a rua pela amizade do homem e muito embora seus vizinhos lhe criticassem dizendo que não era certo tratar um cachorro como se fosse gente; o velho enxergava o cão como seu melhor amigo, um companheiro que Deus havia lhe enviado para lhe resgatar do esquecimento humano.




segunda-feira, junho 18, 2012

Os Olhos da Jureminha



Não dá para não usar esse clichê, mas que outra forma eu tenho para compartilhar com você que os olhos da minha filha são espelhos que refletem a mais profunda alegria. E quando eu falo alegria, falo daquela alegria perdida que tínhamos quando éramos crianças e que foi desaparecendo quando o eu-adulto entrou em cena e roubou o brilho no olhar da nossa criança, deixando no lugar qualquer coisa que prende essa alegria, que acorrenta essa gargalhada e o resultado é esse olhar opaco, sem graça de adulto que só ri com hora marcada.

Que bom é sentir que o sorriso nos olhos da minha filha trouxeram de volta essa alegria perdida e basta olhar um tantinho para ela e fico sorrindo meio bobo, sem motivo, quase um sorriso contemplativo da vida que nos faz ficar felizes apenas por estar vivo.

Daí, uma estranha limpeza ocorre: sai as preocupações, somem os traumas, acaba os jogos mentais e tudo mais que eu pensava que importava; e o que resta: um sorriso enorme que começa na boca e acaba na testa.
Hoje pela manhã, minha aluna me perguntou:

- Ser pai dá um trabalho, não é?

- Sim ! – Respondi – É um trabalho de limpeza em que eles limpam as sujeiras e bloqueios que nos tornam adultos tensos, cheios de nódulos das tristezas acumuladas. Sim, você tem razão! Dá um trabalho danado limpar isso, ainda bem que temos essas crianças para nos ajudar.

sexta-feira, junho 15, 2012

Ateu, Graças a Zeus

O Ateu quando morreu,
sumiu no nada;
já o crente
se uniu ao tudo!
Samadhi para todos:)

Não sobrou ego ateu
nem crente
para contar a estória do espírito
que sem corpo perdeu a alma
e nunca voltou para contar
no que se transformou.

O povo que ficou
Só especulou,
Só especula;
Se o que se vai
Tem algo do que era;
E essa dúvida, meus irmãos,
É o enigma da Esfinge
Que devora quem ousa perguntar (Além do dogma) : O que há por trás do véu de
Isis? - Isis, irmã de Maya, a Filha favorita de Zeus que assim como Deus,
tem o tudo e o nada que inclui e exclui o que eu acredito ser eu!


quinta-feira, junho 14, 2012

Posso Fazer Uma Marmita?




 
Tem gente que adora ser convidado para uma festa ou churrasco. Gostam, mas não pela festa em si, e sim, pela oportunidade de levar uns comes e bebes para a casa.

- Posso levar um pedacinho de bolo para a minha vó?

Sabe lá se a vó realmente existe, mas o que há é uma mania descarada brasileira de chegar nas festas de olho no que se pode levar. O costume é tão descarado, que tem até gente pedindo tapeware ou qualquer recipiente, de preferência grande, que caiba o máximo que eles possam levar.

Esses dias fui numa festa de aniversário, onde logo após cantarem "o parabéns" e cortarem o bolo, o pessoal começou a fazer fila para levar para casa sua "marmitinha". Como é que pode?

Compreendo que é preciso compartilhar e a comida de uma festa é feita mesmo para ser servida, mas essa mania de fazer uma "boquinha para a viagem" é algo que eu gostaria mesmo de nunca ver de novo na vida. Posso estar exagerando, mas aposto com qualquer um, que essa mesma pessoa que vai para as festas já pensando na marmita deve ser a mesma pessoa que quando vai para um hotel, leva para casa todos os sabonetinhos e shampoos que pode carregar, mesmo não precisando.

Infelizmente não temos como nos livrar desses "marmiteiros", só resta esperarmos que essas pessoas possam, um dia,  perceber o ridículo de seus atos e mudarem de atitude em relação a sempre querer levar vantagem nessas picuinhas que acabam as viciando em ser pedintes do "resto dos outros" ao invés de lutarem pela dignidade de ter aquilo que lhes for de real valor e esforço próprio.

quarta-feira, junho 13, 2012

O Segredo do Cubo


Você está iniciando um exercício de imaginação em seis etapas. Leia cuidadosamente as instruções e somente passe para a etapa seguinte quando você tiver elaborado sua visão de cada etapa. Se não seguir esta instrução, você perderá toda a magia do jogo. Vamos começar?

O Deserto
Imagine um deserto e pense em todos os detalhes sobre este deserto: quente ou frio, plano ou ondulado, o horizonte está próximo ou distante, etc.

O Cubo
Você ainda está no deserto, pense num cubo. Qual a posição do cubo no deserto? De que ele é feito? Qual o seu tamanho? Pense na cor, aparência e outras características do cubo.

A Escada
Pense numa escada. Como ela é? De que é feita? Qual o seu tamanho? Qual a sua posição em relação a você e ao cubo?

O Cavalo
Um cavalo aparece no deserto. Qual o seu tamanho? Qual a sua cor? O que ele está fazendo? Qual a sua posição em relação a você, ao cubo e à escada.

A Tempestade
Uma tempestade entra no seu cenário. Como ela está localizada e como ela afeta os outros elementos da sua visão?

As Flores
Agora você vê flores aparecendo no deserto. De que espécie e de que cores elas são? Qual a localização delas? Quantas flores você vê?

Agora você tem um cenário que contem um deserto, um cubo, uma escada, um cavalo, uma tempestade e flores. É uma imagem única, que somente você poderia ter criado. Vejamos seu significado.

Desvende o Segredo do Cubo
Examine o cenário que você criou. Clique no link abaixo para ver algumas interpretações sobre o significado de cada elemento de sua visão neste momento de sua vida. Como eu disse anteriormente, você pode encarar estas interpretações como simples jogo, como um exercício de criatividade ou como um exercício de autoconhecimento. A escolha é sua, divirta-se.

VEJA AQUI O RESULTADO DO TESTE:

------------------------
FONTE:



terça-feira, junho 12, 2012

Jureminha e os Sapatos

Jureminha está naquela fase em que coloca tudo na boca. Nada escapa da sua mira, especialmente meus sapatos ou as sandálias da mãe dela. Basta ver um par de tênis, lá vai ela correndo para pegar, analisar, investigar e inevitavelmente pôr na boca.

Li esses dias em um site do Instituto de Psicologia que até os dois anos de idade, o bebê passa por diferentes estágios de desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. Nos primeiros 24 meses de descobertas, as crianças brincam de esconde-esconde, num intrigante jogo em que o mundo aparece e desaparece; exercitam jogos verbais; exploram buracos e cantinhos da casa; atiram objetos ao chão para experimentar o sentimento de perda e recuperação.

Todas essas brincadeiras não surgem à toa: têm funções próprias. "O jogo do esconde-esconde representa o início de um mundo simbólico: as coisas aparecem e desaparecem", conta Leila Cury Tardivo, professora do
 Instituto de Psicologia da USP.

É também nos primeiros anos de vida que a chamada fase oral impera: a criança põe tudo na boca. Por isso os brinquedos têm de ser atóxicos, sem pontas, laváveis, leves para manusear e desprovidos de peças pequenas, capazes de provocar sufocamento. 



E toda a casa precisa ser organizada de forma que os pequenos não corram o risco de engolir algo que depois os pais venham a se arrepender de ter  deixado à mostra. 


O difícil é lembrar sempre ao chegar em casa e colocar os sapatos no seu devido lugar, isto é, longe do olhar e da boca da Jureminha. 




Source: http://www.ip.usp.br/imprensa/midia/2005/fsp30092005.html



quarta-feira, junho 06, 2012

Gente Casca de Ferida


Gente  Casca de Ferida

Onde meu povo vai, ela vem : contando o conto mais podre que lembra, narrando com detalhes os pormenores da doença. Cuidado, pessoal com essa Gente Casca de Ferida.

Ela pode ser alguém da família ; vem em forma de boa gente; uma amiga e fabrica o fuxico do espalhar o correio da má-noticia. Não consegue falar de outra coisa além da crônica da doença crônica.

Cuidado, meu povo, pois Gente Casca de Ferida é vampiro de ouvido e carente de lama; e não descansa enquanto você não estiver cutucando também a sua ferida, a dor alheia, pelo prazer de ver no outro a praga que a palavra dela semeia. 

terça-feira, junho 05, 2012

Cuspir no Prato


Cuspir no Prato

O quintal dos outros é sempre o mais bonito, esquecemos fácil o lar quenos acolheu. Cuidado, andarilho, peregrine pelos quatro caminhos, mas não cuspano prato que você comeu.

A memória guarda, mas o ego esquece, o gesto amigo, o abraço que aquece,pois estamos sempre olhando para frente querendo o futuro sem construir opresente. 

O país distante é fascinante e belo, mas nunca será tão casa quanto ofundo do nosso quintal, por isso, vá pro mundo descobrir seu rumo, viajante, mas deixe aporta e a janela aberta. pois você vai voltar...se já não estiver voltando.

segunda-feira, junho 04, 2012

Jureminha Não Quer Dormir

O berço é gaiola, Jureminha da Floresta finge que é passarinho e não quer parar de piar! É piá praqui, piá praculá!

- Vem pra cama, Jureminha, que já é hora de nanar. - Eu digo, a mãe implora.

- Num vô não! - ela diz - O mundo é só diversão, quero durmi não!

E num dorme!

Vira, revira no berço, resmunga e reclama, não tem canção de ninar que a faça sossegar. Já tentamos leitinho quente, já tentamos teatrinho de conto de fadinhas; mas nada; Jureminha elétrica, aponta para a janela, vai ver, quer voar!

Lá pelas tantas, quando já quase estou dentro do berço, dormindo no lugar dela; ela coça os olhos, faz cara de quem cansou de brincar de acordada e capota! E ela capota de um lado, eu e Auri capotamos do outro...e Jureminha se foi pro mundo dos sonhos, onde continua a aprontar sem ter papai e mamãe para lhe obrigar a dormir.

domingo, junho 03, 2012

Cuspir no Prato



O quintal dos outros é sempre o mais bonito, esquecemos fácil o lar quenos acolheu. Cuidado, andarilho, peregrine pelos quatro caminhos, mas não cuspano prato que você comeu.

A memória guarda, mas o ego esquece, o gesto amigo, o abraço que aquece,pois estamos sempre olhando para frente querendo o futuro sem construir opresente. 

O país distante é fascinante e belo, mas nunca será tão casa quanto ofundo do nosso quintal, por isso, vá pro mundo descobrir seu rumo, viajante, mas deixe aporta e a janela aberta. pois você vai voltar...se já não estiver voltando.

sexta-feira, junho 01, 2012

Carta a um Jovem Bailarino de 13 anos

By Márvio dos Anjos
Publicada originalmente no jornal Destak

Enzo Frizzo Paulino Batlarejo, 13 anos, mora em São Paulo. Como qualquer garoto de sua idade, gosta de usar computador, entrar nas redes sociais e se dedica às atividades extracurriculares que sua condição de classe média lhe permite. No caso de Enzo, o balé clássico.

Quando seu tradicional colégio católico descobriu, a vida de Enzo virou um inferno. Foi chamado de "gay" e "viado", surrado e até "proibido" de usar o banheiro masculino. Sua mãe, que era professora na instituição, procurou a coordenação. Segundo ela, ouviu que ele deveria se acostumar, porque afinal dançava balé. "Eu me sentia a escória. E eu não sou gay", disse o menino a "O Estado de S.Paulo".

A história é idêntica ao que vivi no colégio carioca em que estudava enquanto dançava clássico. Fui personagem de matérias em "O Globo" e "Jornal do Brasil" nos anos 1990 por isso, mas jornal algum registrou o que minha vida escolar virou depois que meus colegas leram na imprensa que eu calçava sapatilhas.

Como eu, Enzo descobriu que o preconceito é um revólver disparado por um cego. A torpe aversão a gays faz as pessoas repudiarem até quem pratica algo que não identificam como sendo "viril". Aos olhos do preconceituoso, nem a realidade interessa: mais interessante é o prazer em agredir o que ele quer longe de si.

Enfim, ser hétero não salvou Enzo de sofrer, como não salvou a mim. Ainda tive um professor de física que, ao me ver chorar na classe, disse-me: "Você acha que eles algum dia vão parar? Você quis fazer isso. Agora aguente." Ele e sua pedagogia medíocre pretendiam que eu desistisse. Só que ali entendi que o mundo pode ser hostil com quem quebra sua monotonia e até a Justiça que deveria defender os mais fracos se omite - no caso, a supervisão da escola. Nessas horas, é preciso perseverança para continuar. Lamentavelmente, respeito às vezes ainda se torna um esporte de contato.

São palavras confidenciais que envio a você em público, Enzo. Só deixei o balé quando percebi que não tinha talento: sem crise, sem traumas, satisfeito por ter aproveitado o que queria. Que você aproveite tudo. E lembre-se: tudo o que as pessoas disserem falará mais delas e de seus problemas do que de você. Logo, não importa.

Source:
http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,143221




Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply