sábado, julho 30, 2011

Logun Edé - Uma Yorubópera

Adolescente e ambíguo, masculino e feminino

By Dib Carneiro Neto

O espetáculo Logun-Edé – Uma Pequena Yorubópera traz a experiência de conviver com as diferenças

É raro ter à disposição um espetáculo – um bom espetáculo – que desvende para os leigos, sobretudo as crianças e os jovens, os mistérios do candomblé, a religião dos orixás, base da cultura africana. Pois o grupo Pé de Moleque, criado em São Paulo em 2007, nos apresenta ‘Logun-Edé – Uma Pequena Yorubópera’, uma agradável ópera mestiça, ou um afroconcerto, ou simplesmente uma ‘yorubópera’, nas três definições da própria companhia, formada por atores e cantores líricos, principalmente da raça negra.
Logun-Edé – explica o grupo – é uma das únicas divindades adolescentes do panteão africano, cultuadas no Brasil. Só isso já vale o voto de louvor e confiança ao espetáculo, que usa um raro personagem teen da cultura afro como alvo para fisgar o interesse justamente da plateia juvenil, tão pouco contemplada com espetáculos teatrais voltados para sua faixa etária e tão pouco interessada, nessa agitada época da vida, por qualquer cultura que seja diferente da sua ‘tribo’. Talvez seja a fase em que os preconceitos mais se revelam e se cristalizam. Daí a importância primeira desta peça, didática sem ser didática, informativa sem ser chata. Leve seus filhos para a experiência de conviver com as diferenças.

O personagem de Logun-Edé (bem interpretado por Carlos Alberto Júnior) é riquíssimo pelo que contém de dubiedade, de potência de vida, de vontade de entender o mundo e suas origens, de busca de afirmação. É o orixá das contradições, em que os opostos se alternam: a sensibilidade e a bravura, o feminino e o masculino, a emoção e a razão. Nada melhor do que isso para falar a linguagem dos jovens, totalmente em fase de descobertas e definições, inclusive as sexuais.

Vejam como a ‘fábula’ é rica em ambiguidades: Oxum, deusa das águas doces e cristalinas, do amor e da fertilidade das mulheres, engravida de Oxóssi, o viril orixá da caça e da alimentação. O destino do menino que nasce, Logun-Edé, é viver seis meses na água com a mãe e seis meses em terra com o pai caçador. Ele alterna esses dois lados opostos, inclusive vestindo saia quanto está com a mãe, detalhe que o espetáculo fez questão de mencionar, na cena em que o rapaz se disfarça de mulher para entrar numa festa proibida para homens. Logun-Edé cresce doce e benevolente como Oxum, forte e corajoso como Oxóssi. É por isso que muitos o consideram o deus da surpresa e do inesperado. É ou não é um tema essencialmente adolescente?

O texto de Bruno Gavranic foi todo escrito em forma de libreto de ópera, em que as canções complementam as falas dos personagens, as letras cantadas acrescentam dados à história contada. Isso é muito difícil de criar, mas o autor não faz feio. Na direção, o convidado Dagoberto Feliz, mais frequente nos espetáculos do grupo Folias, erra na mão apenas ao abrir o espetáculo, com um trecho introdutório muito longo, ou seja, estou querendo dizer que demora muito para que a peça entre na fábula em si, que é o melhor da história. Poderia ser mais curto e direto, não fosse o início demorado e desnecessário – ainda que este início contenha achados espertos, como o fato de os atores terminarem de ajeitar o cenário à vista do público, recurso de metalinguagem e até de distanciamento brechtiano, que costuma funcionar muito bem com o curioso público adolescente.

A atriz que faz Oxum, Mawusi Tulani, é linda, expressiva, com um rosto luminoso, um corpo que fala. Pena que seja a que mais desafina na hora de cantar, muito embora, diante de tantos acertos, isso fique quase irrelevante, ainda mais quando se pensa que o espetáculo não tem a menor obrigação de ser artificialmente ‘perfeito’ como os musicais da Broadway. Ao contrário. Seu frescor e sua virtude veem justamente dessa ‘imperfeição’ criativa. O surpreendente narrador loirinho, Leonardo Devitto, é ótimo. Faz um caçador engraçado, tem boa voz, presença desenvolta.

A música composta por Di Ganzá mescla a tradição dos ritmos africanos com um tratamento de arranjos eruditos, sabiamente acompanhando essa linha ‘mestiça’ de um espetáculo que é todo voltado para a aproximação entre os opostos. Grande sacada. Em cena, cinco músicos fazem um carinho adicional à peça: André Fabiano (flauta), Éder Francisco (violão), Renato Antunes (cello), João Nascimento e Juliana Silva Najú (percussão). À certa altura, Oxóssi (Claus Xavier) proclama: “Convoco minha cor para se exaltar.” É a melhor frase, a que mais expressa a vontade do Grupo Pé de Moleque de divulgar a cultura afro. Vamos prestigiar.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com

O Grupo Pé de Moleque

O Grupo Pé de Moleque apresenta seu novo trabalho em que, assim como no mito de Logun-Edé, somos levados a vivenciar como é possível a convivência e o entrelaçamento de dois mundos, sejam eles o erudito e o popular, o cantado e o falado, o teatro e a ópera, o africano e o europeu, ou ainda, o adulto e o infantil. O espetáculo pode ser denominado de diversas formas, como ópera mestiça, ópera teatral, ou simplesmente Yorubópera.

Com um elenco formado por cantores líricos e atores que cantam e contam a história do menino encantado, o espetáculo traz também uma pequena orquestra formada por violão, violoncelo, flauta transversal e percussão, em uma mescla de referências e influências que passeiam harmoniosamente entre o erudito e popular, resultando em uma alegre e inusitada sonoridade, que nos leva a atentar à riqueza das mais diferentes formas de expressão artística que estão á nossa volta. O processo do espetáculo contou ainda com a participação de colaboradores que nortearam a equipe a encontrar os melhores caminhos para contar e cantar em cena, com a voz e o corpo a história de Logun-Edé: Reginaldo Prandi, antropólogo professor da USP, autor do livro-referência Mitologia dos Orixás e Mariana de Osumaré, sacerdotisa de culto nigeriano em São Paulo conversaram com a equipe sobre as figuras dos orixás abordadas em cena e o universo mitológico do candomblé; e Wellington Campos, membro do Grupo Abaçaí de Cultura e Arte ministrou oficinas de dança dos orixás.

Grupo Pé de Moleque – O Grupo Pé de Moleque vem desde 2007, desenvolvendo um trabalho que busca o resgate e a valorização das culturas populares das mais diversas origens. O primeiro espetáculo do grupo, Coisa de Vó, de 2009, era um passeio por mitologias e contos de diversas culturas, como a européia, a indígena e, em especial, a africana. Conduzidos pela figura de Vó Tônha, os espectadores mergulhavam em mitos e contos que revelavam um pouco da diversificada formação cultural do Brasil. Agora, com Logun-Edé – Uma pequena Yorubópera, o grupo se aprofunda nas matrizes africanas, e, baseado em uma estrutura originária da Europa, nos apresenta um espetáculo rico em sua simplicidade, com convite inevitável a refletirmos sobre nós mesmos.

http://grupopedemoleque.blogspot.com

Sinopse
Essa pequena ópera, conta a história de Logun-Edé, orixá adolescente filho de dois mundos distintos que reflete em sua figura características de seus pais, enquanto busca sua identidade, transformando os padrões estabelecidos.

Logun-Edé - Uma Pequena Yorubópera
Grupo Pé de Moleque (Bruno Gavranic - Texto; Di ganzá - Composição e Direção
Musical; Felipe Candido - Figurino; Mawusi Tulani – Produção e Preparação de Elenco)
Direção Geral: Dagoberto Feliz

sexta-feira, julho 29, 2011

Mil Coisas


Ele sabia mil palavras, mas não conseguia formar uma sentença. Sabia mil coisas, mas não praticava nada. Estudava mil coisas, mas não aprendia nada. Um dia, ao se olhar no espelho, ele se deu conta que podia ter se tornado mil pessoas, mas no final, por ter tanta escolhas, não se tornou nada ... além de um fantasma.

quinta-feira, julho 28, 2011

Não se Perca


Ele caiu nas artimanhas da matéria e se perdeu nas sensações, e quando percebeu, comeu o pão que o diabo lhe deu.

Porém, quando há vontade, há sempre saída e ele acabou se recuperando, mas teve que pagar o preço de quem pôe tudo a perder em nome do prazer: teve que recomeçar, mesmo sabendo que estava prestes a alcançar o topo.

O lado bom é que agora, ele já reconhece os sinais do excesso e toda vez que ele fica perto de perder novamente o jogo, ele respira fundo, dá a volta e segue!!!

quarta-feira, julho 27, 2011

Sentinelas


Há Sentinelas por todos os lados tentando nos mostrar algo.

Os Sentinelas são anjos meio-tortos que assumem a cara de quem quer que apareça ao seu lado, para te chamar a atenção. Os Sentinelas, às vezes, surgem vestidos de amigos que nos sugam de canudinho ou de um desconhecido que nos irrita, seja qual for a forma, que eles apresentem naquele momento, o recado sempre é: acorda!

Boa parte de nós, passa a vida dormindo! Sonâmbulos, acabamos por deixar de fazer todo o trabalho que nos propusemos. Como só vivemos dormindo, os anjos celestiais não conseguem mais a comunicação conosco, e acabam por utilizar esses Anjos Tortos que eu chamo " Sentinelas" para adentrar na orbe densa do nosso ser e nos acordar da escravidão da sonolência.

Portanto, fique alerta com a ação dos Sentinelas, e vê se ACORDA!!!!

terça-feira, julho 26, 2011

O Choro da Vitória.


Ela chora no meio da madrugada, acordo zumbizando, vou ao berço, a pego nos braços, desejando que ela se acalme; quero voltar a dormir, tenho que trabalhar bem cedo, ela não para!

Pode ser fome, pode ser cólica, pode ser dengo, pode ser nada.

Penso no sono, nas terras dos sonhos e no devido descanso. Ela continua a chorar...

Daí, eu lembro do dia em que ela nasceu, há dois meses, sem conseguir respirar; ela não chorava, vai direto para o tubo de oxigênio; peço a Deus, aos Orixás, a todos os santos, ao capeta, qualquer um que possa ajudar. Daria minha vida para ver ela bem, daria tudo para ver ela chorando...


Ela chora no meio da madrugada... estou ainda zumbizando, mas sorrio; ela chora mais um pouco, dou atenção e amor, ela sorri de volta.

segunda-feira, julho 25, 2011

27 Whinehouses


Amy morreu, vira santa,
ninguém aprendeu
uma lição que deveria ser discutida:
lendas não deveriam nascer
quando morre alguém por droga ou bebida!!!

Recompensamos com fama
quem morre jovem e na lama;
e nos esquecemos de tantos outros jovens,
que lutam pela vida
e dão belos exemplos
que deveriam ganhar espaço na mídia.

Jornadas heróicas não formam exemplos...escandalos dão mais ibobe.

domingo, julho 24, 2011

Nicolau Se Casou

Robinho correndo com os gibis nas mãos;
corre, corre, corre Robinho!
Sara te espera,
e quem diria, Robinho?
Ela era aquela "ela"!

Aquela "ela" que você sempre buscou,
aquela "ela" que você sempre amou,
aquela "ela" com quem você se casou!

Robinho Nicolau se casou,
vi tudo, como quem assiste
um filme de rock and roll,
e percebi que não era exagero,
quando te ouvi falar do seu amor.

Amor à flor da pele,
feito tatoo,
cobrindo o mundo
como uma declaração:
somos felizes para sempre!

Ninguém duvida, Robinho,
se sente!!!

sexta-feira, julho 22, 2011

Tradicional ou Natural


Durante as minhas aulas ou palestras, ou mesmo quando sou convidado a falar em algum seminário ou participar de alguma discussão sobre educação, poucos compreendem porque razão, quando o assunto é ensinar inglês, eu não uso o método tradicional de " erro e correção".

Eles argumentam que se eu não corrigir o aluno imediatamente, ele vai criar vícios que tornarão a sua comunicação errada. Eu sempre respondo: " Ora, e lá existe comunicação errada"? Antes que ele atirem as pedras, eu explico: " Eu ensino comunicação! Acredito que mais vale um aluno que tem confiança para se expressar, mesmo com equívocos gramaticais, do que um aluno PHD em vocabulário e estrutura gramatical, porém completamente bloqueado."

Fujo do tradicional como o " devil" foge do livro que está na mesa. Sou praticante do método "Natural" de ensino de línguas estrangeiras: primeiro o sujeito aprende a ter confiança para se comunicar, depois aprende a se auto-corrigir, afinal, ele não terá um professor de línguas no " pocket" a vida inteira.

quinta-feira, julho 21, 2011

Meu Avô


Subi a trilha da Serra da Cantareira com o meu avô. Com mais de 80 anos, eu achei que ele não conseguiria tal esforço, mas tendo perdido a minha vó, recentemente, achei que um tanto de verde e um pouco de caminhada lhe faria bem... Fez! Meu avô parecia um garoto. Subiu todo o trecho sem reclamar e disse até que aguentava mais um pouco.

Enquanto caminhava ao seu lado, lembrei quando eu era um guri e fomos caminhar juntos até a roça que ele tinha há algumas milhas da cidade. Quando eu já estava cansado e pedia para parar, ele me disse algo que eu nunca vou esquecer:

" Meu neto, você se cansou pois você estava contando os seus passos. Ande mais com o olhar! Viver é deixar os seus olhos caminharem por você "

Ontem ví meu avô caminhar com os olhos, por isso ele virou garoto de novo e se eu deixasse, ele chegaria não apenas no Pico da Cantareira, mas às estrelas!

quarta-feira, julho 20, 2011

Amigo é Coisa...


Ter amigo é coisa séria!

Antes de sair cantando por aí, a canção do Milton, é sempre bom lembrar que amizade verdadeira é um tesouro que precisa ser guardado não só no lado esquerdo do peito, mas no direito também e principalmente no meio do peito, onde mora o respeito.

Quando respeitamos algo ou alguém, passamos da promessa da boca para fora e começamos a adentrar no terreno das responsabilidades de ter recebido da vida, alguém que podemos contar e crescer ao lado. E isso exige atenção e cuidado, por isso, antes de sair por aí, desejando: Feliz Dia dos Amigos! Se pergunte: você é um bom amigo, uma boa amiga? Qual foi a última vez em que você cruzou "o mar das coisas mais importantes para fazer" e foi visitar um amigo que você não vê há tempos?

Se as respostas forem positivas, parabéns! Você sabe o significado da verdadeira amizade! Se não... O que você esta esperando? Use hoje como desculpa e surpreenda seus " amigos" com a sua presença ... Ou quem sabe apenas um telefonema, um torpedo ou, ao menos, uma mensagem via pombo-correio.

terça-feira, julho 19, 2011

Nunca Vai Aprender



Quando comecei a dar aulas para ela, os outros professores me avisaram: "não perca o seu tempo, ela nunca vai aprender!"

É claro que quis provar que eles estavam equivocados; professor novo que eu era, herdava toda a inocência da docência de primeira viagem, mas o tempo foi me mostrando que realmente havia pessoas que simplesmente não conseguiam aprender. Talvez por alguma limitação cognitiva ou social, talvez porque, no fundo, elas não queriam mesmo.

E o tempo foi me mostrando também que havia professores que nunca conseguiriam ensinar, e estes, ironicamente, ensinavam os nossos filhos nas diversas escola publicas ou particulares do país.

Eu não queria ser um deles, mas percebi que se quisesse mesmo aprender a ensinar, primeiramente, eu teria que ensinar os outros a aprender, e não apenas esperar que os meus alunos viessem prontos.

Quando comecei a dar aulas para ela, ela não conseguia aprender, ainda não consegue, mais se ela tiver paciência, vou ensiná-lá a aprender.

segunda-feira, julho 18, 2011

Ao Vento



"Há pessoas que nasceram para ser moinhos e outras para ser cata-vento".

É muito fácil reclamar das mazelas da vida, difícil é enxergar quantas oportunidades são perdidas por não termos coragem de agarrá-las.

Não temos coragem de agarrá-las, pois estamos tão habituados a lidar com o fracasso e com a preguiça, que o mínimo esforço para mudar a nossa atitude, dá um cansaço danado.

E esse cansaço vai pouco a pouco se espalhando por todos os cantos da nossa vida de tal forma, que quando nos damos conta, viver se tornou exaustivo.

É a exaustão que constrói as paredes das nossas zonas de conforto e nos permite a segurança do " mais do mesmo". Trabalhar, se esforçar para melhorar exige sacrifícios diários e nem todo mundo está disposto a pagar esse preço.

O que é uma pena, pois quando a Prosperidade chega, ela quer ser recebida com entusiasmo e coragem para trabalhar, e ao encontrar o nosso rosto exausto e a nossa falta de vontade, a Prosperidade, essa menina linda e caprichosa, acaba decidindo ir bater em outra porta, na casa de gente disposta a não jogar as oportunidades ao vento.

sexta-feira, julho 15, 2011

ESTOU PARTINDO


- Por Rumi -

Fica, se te interessa.
Através dos jardins, através dos pomares,
Estou partindo.

Meu dia é sombrio sem sua face,
Eis porque me dirijo agora
À chama brilhante no céu.

Minha alma corre à frente e diz:
O corpo é lento demais,
Estou partindo.

Maçãs exalam no pomar de minha alma.
Seu perfume me invade
E me transporta para a colheita das maçãs.

Ventos súbitos não me desviarão;
Qual montanha de ferro,
Cada um de meus passos
Dirige-se ao amado.

Minha cabeça rompeu-se
Com a dor de sua perda;
Em busca de uma nova vida,
Cabeça erguida,
Estou partindo.

Sou fogo vivo e mais pareço betume;
Quero ser óleo límpido em tua lâmpada
E por isso parto.

Pareço imóvel como a montanha,
Mas sigo, pouco a pouco,
Em direção à pequena fresta.

Estou chegando…

(Texto extraído do livro “Poemas Místicos” – Editora Attar).

- Nota de Wagner Borges: Jalal Ud-Din Rumi foi um brilhante poeta sufi que viveu no século 13, na antiga cidade persa de Balkh, onde hoje é o Afeganistão. É considerado como um dos grandes poetas místicos da antiguidade. Seus escritos exalam aquele perfume espiritual que só o coração reconhece. Para ele, Deus não era apenas o Senhor, mas “O Amado”. Ler os seus lindos poemas cheios de amor pelo Eterno é uma honra e uma inspiração.

quinta-feira, julho 14, 2011

Papergirl


Havia três meninas entregando jornal na rua. Apesar do jornal ser gratuito, havia um gosto de disputa no ar, especialmente quando eu peguei apenas um jornal de uma das meninas e as outras duas vieram na minha direção.

- Por que você não pega também o nosso jornal? É de graça! - disse uma delas.

- Porque eu não quero! - respondi!

quarta-feira, julho 13, 2011

OS QUE NÃO SÃO MAIS NASCIDOS


Dentro do ônibus, sentado à janela, tento terminar meu livro; os olhos pesam, quero descansar, fecho os olhos, respiro fundo, mas sinto uma presença perto de mim.

Abro os olhos, não tem ninguém ao meu lado.

Fecho-os novamente, e começo a perceber a presença de novo, e com ela, pensamentos que não são meus, uma certa tristeza que não é minha. Meu sentido de " se cuida" apita, meus mudras* de proteção ficam em alerta, mas os pensamentos apenas se apresentam, não forçam passagem, a presença pede permissão e a deixo falar:

" Foi mais fácil me perder nas sensações. Cai facilmente nas armadilhas da matéria sem qualquer resistência. Quando eu vi, já era tarde demais para me libertar do vícios da carne e da mente. Do lugar onde estou, vejo tudo que se passou e o que poderá vir a ser, porém, vejo também o que poderia ter ocorrido. Vejo todos os universos que poderiam ter sido construídos por minhas mãos, as estrelas que explodiram e os planetas que não floresceram pois tive medo de me relacionar. Percebo o quanto eu poderia ter crescido e auxiliado o Poder Maior, porém, a oportunidade passou e tudo o que me resta é esse rabo entre as pernas daqueles que não são mais nascidos. Essa mensagem não é mais um texto espírita de lamentação, nem muito menos vou ladainhar em busca da sua atenção ou da sua pena, porém, eu gostaria de tentar ao menos, passar através desses escritos, a tristeza de um espírito caído, por isso, pedi a esse cronista do cotidiano, que pudesse servir de intermediário para que os meus escritos possam chegar até você... você que eu nunca ajudei, você que não amei, você que nunca dei a mão. Você que nunca tive a honra de conhecer, esse texto é para você! Pois quem sabe, se o Grande Pai permitir, eu possa, ao menos, por ele, conseguir chegar até você e realizar um pequeno trabalho, trabalho pequeno que possa ser útil a você e que por esse trabalho, minha existência tenha valido a pena, ou como diz o escritor, a crônica."

*Mudras: A gesture or position, usually of the hands, that locks and guides energy flow and reflexes to the brain.

terça-feira, julho 12, 2011

Visitas


Há dois tipos de gente que vem visitar a sua casa: quem é bem vindo e quem acha que é bem vindo.

Quem é bem vindo só aparece quando é convidado. Não gostam de incomodar, odeiam atrapalhar o final de semana dos outros. Já sentiram na pela, a inconveniência de bancar o social com quem aparece sem avisar. Sim, quem aparece sem avisar, se acha bem vindo. Acha que tem o direito de ser recebido a qualquer momento. E se por ventura, fazemos cara de poucas visitas, quem se acha bem vindo, fica magoado, e sai falando pelos cotovelos que não somos hospitaleiros, que ficamos ricos e os excluímos da nossa vida.

Minha casa é meu templo, só vem que é convidado, só vem que é bem vindo. Quem não é bem vindo, que se sinta ofendido, pois há tempos aprendi que o único “contrato social” que tenho é comigo.

segunda-feira, julho 11, 2011

Tentando Escrever Para Você...


Inspiração, assunto instigante, sento em frente ao computador, preparo as mãos, respiro fundo e antes que os primeiros dedos cheguem as teclas...ouço minha filha chorando. Corro ao quarto, seguro ela nos braços, nino aqui nino lá, ela se acalma; dorme! Volto ao computador e a inspiração foi embora.

Respiro fundo, tentando lembrar do que havia esquecido. Era algo tão claro, idéia que parecia tão concreta, que nunca seria esquecida. Tento relembrar cada passo que me levou a idéia, o que eu fazia antes, o fio que me levou até o insight... achei! Como poderia ter esquecido isso? Mãos ao teclado...ouço meu bebê chorando. Corro ao quarto, seguro ela nos braços, nino aqui nino lá, ela se acalma; dorme! Volto ao computador e a inspiração...

Tento uma vez mais, volto ao caminho da memória, me esforço...achei! O bebê chora! Corro, nino, esqueço, lembro, corro, nino, esqueço e lembro e o bebê novamente chora, não quer mais ninar, não quer mais dormir, daí, canto qualquer lullaby, ela para de chorar e fica olhando para mim, quer conversar com olhar, e diz para mim: "não volta para lá, papai, fica aqui!"

O texto pode esperar, a crônica fica para depois, o insight que me importa?

Fico ali com ela para sempre... enquanto você está lendo essas palavras, eu ainda estou lá!

sexta-feira, julho 08, 2011

Coisa da Gente - Gosto do Outro


Coisa boa, a gente quer compartilhar. Nem sempre dá, nem sempre o gosto do outro bate conosco. Fazer o quê? Nem sempre a gente bate no gosto, cada um tem o seu. Ainda bem que é assim, e que assim seja.

Esses dias contei a um amigo que adorava Cindy Lauper, coisa de infância, coisa minha; porém, comentei que gostava; e ele me respondeu com cara de mal gosto, disse que eu tinha que renovar o meu conhecimento musical. Não sei porque, aquilo me ofendeu.

Ofendeu porque ele poderia ter dito que não gostava, mas respeitava o meu gosto. Ofendeu, porque eu esperei que ele gostasse, mas ele não gostou...

Gosto é mesmo que nem ... cada um tem um!

quinta-feira, julho 07, 2011

GLADIADORES


Foi um Elfo que me falou: “ Mestre, ninguém dá valor ao que é muito fácil. Tudo que é simples, causa estranhamento nas pessoas, que esperam que algo seja sempre complicado!”

Elfo sábio, esse que mora no meu quintal. Vive me mostrando coisas que são tão óbvias, e por serem óbvias, passam mesmo despercebidas.

“ Tem que ter sangue, cabeça cortada “ – o Elfo disse – “Senão ninguém presta atenção, ninguém aprende nada.”

Será? – Questiono- depois não questiono nada. Imagino um Colisseu lotado e um gladiador ser vaiado, pois ao invés de matar o leão, decidiu fazer carinho no gatinho.

quarta-feira, julho 06, 2011

O QUE SE APRESENTA


Há coisas que controlamos, outras tantas se apresentam. Aprendi que quando algo se apresenta, precisamos prestar bastante atenção.

Ao prestarmos atenção ao que se apresenta, percebemos que certas coisas precisam ser trabalhadas, pois representam alguma seta na pista da nossa caminhada que foi mal observada.

Por isso, essas coisas surgem no momento certo, para que a nossa caminhada possa ser ajustada e para que possamos chegar aonde quer que seja o nosso destino.

Portanto, amigos, cuidado com o que se apresenta, pois é nesse momento que o lado de lá se manifesta aqui, vestido de coincidência, vestido de acaso, vestido daquilo que agora tem cara de milagre, amanhã será esquecido.

terça-feira, julho 05, 2011

Um Lugar Ao Frio


Quero um lugar ao frio,
da mesma forma que desejo
um lugar ao sol;
Assim, como quero um tanto de noite
e outro tanto de dia;
vou vivendo bem
Independentemente
da chuva ou da brisa;
De estar acompanhado
Ou estar só!

segunda-feira, julho 04, 2011

Deixar Ela Partir



Vou deixá-la ir, como tudo que veio e precisou partir.

Ela é como o vento, por isso, não posso, por mais que eu queira, segurá-la nas minhas mãos. Por isso decidi abrir a janela, e deixá-la ir.

Queria ser diferente. Gostaria de continuar com ela, presa, cantando só para mim. Porém, aprendi que as coisas não podem ser eternas assim.

Eterno é o canto do pássaro lá fora, a rosa desabrochando no mato, a brisa morna do entardecer. Morto em vida é o pássaro preso na gaiola, a flor no jarro e o vento dentro de uma garrafa vazia.

Vou deixá-la ir, assim que eu aprender como libertar o vento, como não arrancar a flor do jardim, como não aprisionar o canto do pássaro...só pra mim!

sexta-feira, julho 01, 2011

O EGO E O MEDO

- Por Swami Sivananda* -

Algumas pessoas não temem os tigres da floresta.
Algumas pessoas não têm medo dos tiros num campo de batalha.
No entanto, têm pavor da opinião pública.
O medo da opinião pública atrapalha o caminho do aspirante ao progresso espiritual.
Ele deverá ater-se aos seus próprios princípios, às suas próprias convicções, muito embora seja perseguido e muito embora esteja a ponto de ser feito em pedaços em frente à boca de um canhão. Apenas assim crescerá e compreenderá.
Todos os aspirantes sofrem desta moléstia funesta que é o medo.
O medo de todos os tipos deverá ser totalmente erradicado por Atma-Chintana**, por Vichara***, pela devoção e pelo culto da qualidade oposta: a coragem.
O positivo vence o negativo. A coragem vence a timidez e o medo.
Para que eu compreendesse completamente o segredo sutil da atuação da mente, passaram-se anos. Através do poder de imaginação, a mente causa estragos.
Medos imaginários diversos, o exagero, as histórias inventadas, as dramatizações mentais, a construção de castelos no ar, tudo isso se deve ao poder da imaginação.
Até mesmo um homem perfeito e saudável tem alguma doença imaginária ou qualquer outra devido ao poder de imaginação da mente.
Um homem pode ter um pouco de fraqueza ou Dosha (falta).
Quando ele se torna seu inimigo, você logo exagera e enfatiza a sua fraqueza e Dosha. Você até mesmo acrescenta ou conta histórias sobre muitas fraquezas mais e Doshas. Isso se deve ao poder da imaginação. Perde-se muita energia por conta dos medos imaginários.

(Texto extraído do livro "Concentração e Meditação" - Editora Pensamento).

- Notas:
* Para mais informações sobre o trabalho do Swami Sivananda, favor acessar o seguinte endereço específico do site do IPPB: http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2027&catid=79%3Apensamento&Itemid=111
** chintana: pensando, refletindo.
*** vichara: discriminação.

A IDADE DO PLANETA TERRA


O Planeta Terra tem 4 bilhões e 600 milhões de anos (+ ou -: 4.600.000.000,00).
Vamos imaginar que a Terra é uma pessoa com 46 anos, comparativamente, e fazendo uma conversão nas escalas de tempo teríamos o seguinte quadro:
• Até os 7 anos não sabemos nada da vida desta pessoa “Terra”;
• Até os 42 anos, sabemos muito pouco;
• Os dinossauros só apareceram quando a Terra já tinha 45 anos;
• Os mamíferos entraram em cena nos últimos 8 meses;
• Exatamente na metade da última semana, alguns macacos parecidos com o homem evoluíram para a situação de um homem parecido com macacos;
• 3 dias antes de completar 46 anos, a Terra sofreu a última era glacial;
• O homem moderno, nós, surgimos nas últimas 4 horas;
• Há apenas 1 hora descobrimos a agricultura e nos fixamos à terra como sedentários;
• A revolução industrial ocorreu no último minuto;
• Nos 60 segundos seguintes, conseguimos transformar um paraíso num lixo. Nos multiplicamos como uma praga, e causamos a extinção de mais de 500 espécies de animais, e devastamos o planeta à procura de combustíveis fósseis e riquezas minerais. Não medindo as conseqüências, já inviabilizamos muitas formas de vida e agora estamos afetando todo o conjunto, prejudicando a nós mesmos.
• Há apenas alguns poucos segundos, parte da humanidade começou a perceber o que estamos fazendo;


* fonte:
http://centrobufalobranco.blogspot.com/2010/10/o-planeta-terra.html
Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply