quinta-feira, junho 30, 2011

Smart


Ele precisava checar os emails. Era uma necessidade, mesmo levando em consideração que ele tinha visto a sua conta dois minutos antes. Para isso servia os smart phones, garantindo a comodidade de poder estar on line o tempo inteiro e otimizar o seu trabalho.
Otimizava. O problema era que ele não desgrudava do aparelho, estava conectado em todos os lugares e ocasiões, inclusive quando atravessava aquela rua...
Quando o carro lhe acertou e ele caiu no outro lado da pista, o sangue corria pela sua testa, seus ossos estavam quebrados, mas o que mais o preocupava era aquele email que não foi respondido.

quarta-feira, junho 29, 2011

Jung: Pã está morto


:: Acid ::


Colagem seletiva dos textos de duas palestras de Carl Gustav Jung, em 1934-35, sobre o inconsciente e sua relação com a espiritualidade:

Não sou um teólogo; sou um médico e um psicólogo. Mas, como médico, tenho tido experiências com milhares de pessoas de todas as partes do mundo. Estudei cuidadosamente a psicologia delas, a qual é e deve ser o meu guia. De minha experiência com esses milhares de pacientes, convenci-me de que o problema psicológico de hoje é um problema espiritual, um problema religioso.

O homem de hoje está faminto e sedento de uma relação segura com as forças psíquicas dentro de si mesmo. Sua consciência, recuando em face das dificuldades do mundo moderno, carece de um relacionamento com condições espirituais seguras. Isso o fará neurótico, doente, assustado. A ciência disse-lhe que não existe Deus, que tudo o que existe é matéria. Isso privou a humanidade de sua floração plena, de sua sensação de bem-estar e de segurança num mundo confiável.
Na medida em que o homem moderno é compelido a voltar-se para si mesmo, tomado de dúvida e medo, ele olha para a sua própria vida psíquica, a fim de que lhe dê algo de que sua vida exterior o privou. Em virtude do atual interesse generalizado por toda a espécie de fenômenos psíquicos - um interesse como o mundo não conhecia desde a segunda metade do século XVII - não parece fora do alcance da possibilidade acreditar que estejamos no limiar de uma nova época espiritual; e que, das profundezas da própria vida psíquica do homem, nascerão novas formas espirituais.

Olhamos o mundo à nossa volta, e o que vemos? A desintegração de muitas religiões. É geralmente admitido que as igrejas não estão dominando as pessoas como outrora, especialmente as pessoas educadas, que não sentem mais serem redimidas por qualquer sistema de teologia. O mesmo se vê nas antigas religiões institucionais do Oriente: o confucionismo e o budismo. Metade dos templos de Pequim estão vazios. Em nosso mundo ocidental, milhões de pessoas não vão à igreja. Só o protestantismo se desmembrou em quatrocentas seitas religiosas.

Contraste-se esse estado de vida e pensamento com o da Idade Média. Nesses séculos, quase toda a gente ia à missa todas as manhãs. A vida toda era vivida dentro da igreja ou à sua sombra, o que se converteu numa tremenda saída de energia psíquica. Em vez disso, temos hoje uma vida intricada e complexa, cheia de dispositivos mecânicos para a existência. Uma vida coroada de automóveis, rádios e filmes. Mas nenhuma dessas coisas é um substituto para o que perdemos. A religião dá-nos uma rica aplicação para os nossos sentimentos e emoções. Propicia significado à vida. O homem, na Idade Média, vivia num mundo significativo. Sabia que Deus tinha feito o mundo com um propósito definido; tinha-o feito a ele com um propósito definido: ganhar o céu ou o inferno. Isso fazia sentido. Hoje, o mundo em que todos nós vivemos é um manicômio. Isto é o que muita gente está sentindo. Algumas pessoas procuram-me para me dizer isso. Toda aquela energia que estava na origem do rico florescimento da vida emocional do homem durante a Idade Média, e que encontrou expressão na pintura dos grandes quadros religiosos, na escultura das grandes estátuas religiosas, na construção das grandes catedrais, apagou-se na insipidez e no tédio. Não se perdeu, porque é uma lei que a energia não pode perder-se.

Então em que se converteu? Para onde foi? A resposta é que está no inconsciente do homem. Pode-se dizer que desceu para um andar inferior.
A ativação do inconsciente é um fenômeno peculiar dos nossos dias. Durante toda a Idade Média, a psicologia das pessoas era inteiramente diferente do que é hoje; elas não tinham a percepção de qualquer coisa fora da consciência. Antigamente, os homens nem mesmo sentiam que tivessem uma psicologia, como nós agora. O inconsciente era contido e mantinha-se dormente na teologia cristã. A visão de mundo resultante era universal, absolutamente uniforme - sem espaço para a dúvida. O homem tinha começado num ponto definido, com a Criação; todos sabiam tudo a respeito disso. Mas hoje, os conteúdos arquetípicos - de que antigamente as explicações da Igreja cuidavam de um modo mais ou menos satisfatório - soltaram-se de suas projeções e estão perturbando as pessoas modernas. Perguntas sobre para onde vamos e por que são feitas de todos os lados. A energia psíquica associada a esses conteúdos está sendo mais estimulada do que nunca; não podemos permanecer alheios a isso. Camadas inteiras da psique estão vindo à luz pela primeira vez. Por isso é que temos uma tão grande exuberância de "ismos". Grande parte dessa energia é canalizada para a ciência, por certo; mas a ciência é nova, sua tradição é recente e não satisfaz as necessidades arquetípicas. A atual situação psicológica não tem precedentes; do ponto de vista de toda a experiência prévia, ela é anormal.

O homem civilizado, em seus sonhos, revela a sua necessidade espiritual. Quando a ciência moderna desinfetou o céu, não encontrou Deus. Alguns cientistas dizem que a ressurreição de Jesus, o nascimento no ventre de uma virgem, os milagres - todas essas coisas que alimentaram o pensamento cristão ao longo das eras, são belas histórias, mas inverídicas. Mas eu digo: Não esqueçam o fato de que essas idéias que milhões de homens alimentaram de gerações em gerações são grandes e eternas verdades psicológicas.
Examinemos essa verdade, tal como um psicólogo a vê. Aqui temos a mente do homem, sem preconceitos, imaculada, incorrupta, pura, simbolizada por uma virgem. E essa mente virginal do homem pode dar nascimento ao próprio Deus. "O reino do céu está dentro de vós". Isto é uma grande verdade psicológica. O cristianismo é um belo sistema de psicoterapia. Cura o sofrimento da alma.

Mesmo depois que a consciência dele escutou por demasiado tempo à porta da moderna ciência materialista, o homem continuou apegado a essa verdade em seu inconsciente. Os antigos símbolos são hoje bons. Ajustam-se às nossas mentes tão bem quanto se ajustavam às mentes que os conceberam. Bem no fundo do inconsciente de cada um de nós estão todas as tentativas do Grande Ancião para expressar suas experiências espirituais.

Suponha-se que lhe peço para ficar em minha casa. Digo-lhe que ela foi bem construída, que é confortável; que a nossa vida é agradável; que você terá boa comida. Poderá nadar no lago e passear no jardim. Com essas convicções em mente, você decide vir hospedar-se e desfrutar de sua estada. Mas suponha-se que, quando o convido, lhe digo: "Esta casa não é lá muito segura. Os alicerces não são de confiança. Tivemos muitos tremores de terra nesta região e creio que eles ficaram abalados. Além disso, tivemos aqui doença. Alguém morreu recentemente de tuberculose neste quarto". Em tais condições e com essas idéias em mente, você sentiria prazer em estar nessa casa?
Aquele homem medieval de que falei tinha uma bela relação com Deus. Vivia num mundo seguro, ou que ele acreditava ser seguro. Deus olhava por todos; premiava os bons e punia os maus. Havia a igreja, onde o homem podia sempre obter perdão e graça. Tinha apenas de entrar nela para receber uma coisa e outra. Suas orações e preces eram ouvidas. Era espiritualmente amparado.

Mas o que é dito ao homem moderno? A ciência disse-lhe que não existe ninguém para cuidar dele. E, assim, ele vive cheio de medo.

Durante algum tempo, depois que renunciamos ao Deus medieval, tivemos o ouro por divindade. Mas, agora, também ele foi declarado incompetente. Confiamos em exércitos, mas ameaça de gases venenosos derrotou-os. As pessoas já falam sobre a próxima guerra. Num mundo assim é muito natural que todos fiquem neuróticos. Mesmo que a casa onde vivemos seja realmente segura, se você tiver a idéia de que não é, você sofrerá. Sua reação depende inteiramente do que você pensa.

O mais tremendo perigo que o homem tem que enfrentar é o poder de suas idéias. Nenhum poder cósmico da terra destruiu dez milhões de homens em quatro anos. Mas a psique humana fez isso (na guerra de 1914-18). E pode voltar a fazê-lo. Só tenho medo de uma coisa: os pensamentos de pessoas. Tenho meios de defesa contra as outras coisas.
Vivo aqui em minha casa, feliz com minha família. Mas suponhamos que ela adquire a ilusão de que eu sou um demônio em pessoa. Poderei ser feliz com ela, nesse caso? Poderei estar seguro? Todos nós estamos sujeitos a contaminações coletivas.

Voltem o olho da consciência para dentro, a fim de ver o que aí existe. Vejamos o que se pode fazer em pequena escala. Se eu plantei corretamente uma couve, então servi o mundo nesse exato lugar. Não sei que mais posso fazer.
Examinem os espíritos que falam em vocês. Tornem-se críticos. O homem moderno deve estar plenamente cônscio dos terríveis perigos que residem nos movimentos de massa. Escutem o que o inconsciente diz. Prestem atenção à voz desse Grande Ancião dentro de vocês, que viveu tanto tempo, viu e experimentou tanto. Tentem compreender a vontade de Deus: a extraordinariamente potente força da psique.

Eu digo: Devagar. Devagar. Com cada bem chega um mal correspondente, e a cada mal corresponde um bem. Não corram depressa demais ao encontro de um, a menos que estejam preparados para encontrar o outro.

Não estou preocupado a respeito do mundo. Estou preocupado a respeito das pessoas com quem vivo. O outro mundo está todo nos jornais. Minha família e meus vizinhos são a minha vida - a única vida que posso experimentar. O que fica para além é mitologia jornalística. Não é de imensa importância que eu faça uma carreira ou realize grandes coisas para mim mesmo. O que é importante e significativo para a minha vida é que viva o mais plenamente possível para cumprir a vontade divina dentro de mim.
Essa tarefa dá-me tanto que fazer que não tenho tempo para qualquer outra. Deixem-me sublinhar que, se todos vivêssemos desse modo, não precisaríamos de exércitos, nem de polícia, nem de diplomacia, bancos e políticos. Teríamos uma vida cheia de significação e não aquilo que temos hoje: loucura.

O que a natureza pede da macieira é que produza maçãs, da pereira que produza peras. A natureza quer que eu seja simplesmente homem. Mas um homem consciente do que sou e do que estou fazendo. Deus dirige-se à consciência no homem. É essa a verdade do nascimento e ressurreição de Cristo dentro de nós. Quanto maior é o número de pensadores que se apercebem disso, mais perto estamos do renascimento espiritual do mundo. Cristo, o Logos - que quer dizer a mente, a compreensão, o brilho que rasga a escuridão. Cristo foi uma nova verdade acerca do homem.

A latência é, provavelmente, a melhor condição para o inconsciente. Mas a vida saiu das igrejas e nunca mais voltará a elas. Os deuses não se reinstalarão em domicílios que abandonaram uma vez. A mesma coisa aconteceu antes, na época dos Césares romanos, quando o paganismo estava agonizante. De acordo com a lenda, o capitão de uma embarcação que passava entre duas ilhas gregas ouviu um grande som de lamentação e uma voz gritando: Pan ho megas tethneken, o Grande Pã está morto. Quando esse homem chegou a Roma solicitou uma audiência com o imperador, tão importante era a notícia. Originalmente, Pã era um espírito secundário da natureza, principalmente ocupado em apoquentar os pastores; mas, depois, quando os romanos se envolveram mais com a cultura grega, Pã foi confundido com to pan, que significa "o Todo". Passou então a ser o Demiurgo, o anima mundi. Assim, os numerosos deuses do paganismo foram concentrados em um Deus. Então veio a mensagem, "Pã está morto". O Grande Pã, que é Deus, está morto. Somente o homem permanece vivo. Depois, o Deus uno transformou-se em homem, e esse foi o Cristo; um homem para todos os homens. Mas agora também esse partiu, agora cada homem tem que conter Deus em si. A descida do espírito na matéria está completa.


Fonte: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=10882
Acid é uma pessoa legal e escreve o Blog (Saindo da Matrix).
"Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culto.
Não acredite em nada do que eu escrever.
Acredite em você mesmo e no seu coração."
www.saindodamatrix.com.br

terça-feira, junho 28, 2011

Mais Uma Doze


Eu vou parar, juro que vou! Só preciso de mais um pouco, só um pouquinho para eu me despedir.

É como um ultimo beijo de uma namorada que vai partir, como uma ultima olhada na vista da cidade querida que estamos visitando e precisamos dizer adeus. Só uma doze, e estarei pronto para parar.

Eu sei o que fiz, sei da dor que causo na minha família, mas compreenda, não sou caso de policia; a vontade que tenho não sai na porrada, nem com a cela quadrada, essa vontade só aumenta, e não consigo lutar contra ela sozinho.

Preciso de ajuda, mas sei que tenho que parar aos poucos, ir reduzindo e talvez, com um pouco mais de esforço, eu possa deixar de querer tanto. Quem sabe querendo só um pouquinho, todas essas técnicas e soluções me ajudem de fato, mas ainda quero muito; por isso, só mais uma experiência e paro! Juro!

Sei que você não confia mais em mim, sei que menti, roubei, que você sentirá alivio ao me ver partir; mas estou tentando e não vou desistir, portanto, só mais uma doze...

segunda-feira, junho 27, 2011

UBUNTU PRÁ VOCÊ


A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.
Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós!”

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos…

UBUNTU PARA VOCÊ!

sexta-feira, junho 24, 2011

A ÁGUIA E O PARDAL


O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza...

Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foi quando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro.

Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:

- Por que estás a me vigiar, Andala?

- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.

- E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?

- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho...

O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:

- Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te.

- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.

- Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente...

- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita!

E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:

- Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade em teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha!

(autor desconhecido)

quinta-feira, junho 23, 2011

Um Mês

O tempo é relativo!

Cada segundo, é um motivo de riso,
Cada minuto, é um ano contigo,
Cada hora, tenho certeza, te amo, minha criança,
Cada dia que passa, é um dia mais bonito,
Cada semana, é uma nova experiência;

Você que veio das estrelas, deve lembrar de coisas que eu me esqueço; mas esse amor que flui em meu peito, foi sempre seu, mesmo quando eu não sabia que ele existia dentro de mim, esperando você.

Você que se fez gente na Terra, é a minha esperança de continuar espalhando amor, arte e alegria, através de você, minha filha.

Há um mês, meu mundo era incompleto, e eu nem sabia o que faltava; agora, o mundo faz sentido, pois, encontrei em você, filhota minha, o Grande Motivo da minha existência.

Parabéns!!!

quarta-feira, junho 22, 2011

BREVE DIÁLOGO ENTRE O TEÓLOGO BRASILEIRO LEONARDO BOFF E O DALAI LAMA


Leonardo Boff explica:

"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:

- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s the best religion?)

Esperava que ele dissesse:

"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo."

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou: "A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito".É aquela que te faz melhor."

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

- "O que me faz melhor?"

Respondeu ele:

-"Aquilo que te faz mais compassivo" (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável...

Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião.

O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo...

Lembremos:

"O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos".

A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal.

Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade: "terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros".

Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha.

terça-feira, junho 21, 2011

Que Bom que Ainda Existo


Depois da noite escura da alma, que bom saber que ainda existo, que bom saber que ainda há luz na minha consciência para renovar a minha existência.

Depois do coração partido, da despedida amarga, que bom saber que ainda existo, que bom é ter forças para perceber que posso ser feliz sozinho, ou mesmo, quando o tempo chegar, que bom saber que posso amar novamente, deixando esse amor renovar minha essência.

Depois do crime cometido, da retirada forçada daquilo que trabalhei tanto para conseguir, que bom saber que ainda existo, que bom que posso trabalhar, conseguir tudo de novo, e provar que possuo algo que ninguém pode me roubar: minha capacidade de levantar, afastar o medo e continuar.

Depois do toque da morte, que bom saber que ainda existo, que bom saber que ainda continuamos, além e eterno, que valeu a pena ter existido, que bom ter tido forças para continuar a minha jornada até o fim dessa etapa, quando para muita gente, teria sido melhor nem ter existido.

segunda-feira, junho 20, 2011

Curso e Valor


Era uma vez um homem que vendia conhecimento. Tarefa árdua, num mercado de produtos caros, onde tudo tinha um custo, mas ele acreditava em seu produto, por isso atribuiu um valor ao seu estudo e concluiu que os anos de pesquisa e cursos, os custos de tantos livros comprados, revistas e jornais, que o levaram a se tornar um profissional especialista daquele assunto, mereciam ser oferecidas por um preço justo, e pôs seu conhecimento no mercado.

Foi difícil! Foi duro!

Quem comprava no mercado dizia que aquele tal de conhecimento, não valia o preço ofertado. Três moedas valiam um tomate, outras cinco um par de botões, mil compravam um carro; mas ora só, conhecimento deveria ser de graça e se recusavam a pagar por algo, que de acordo com eles, deveria ser livre de custos.

O que elas não sabiam era que o homem que vendia conhecimento até tentou trabalhar por caridade, mas tal atitude saiu muito caro, por ser livre de custo, ninguém dava ao conhecimento, o devido valor, e por acharem que tinham direito ao que recebiam, poucos se esforçavam para aprender e muitos deles, acabaram se afastando dos estudos.

Surpresa: bastou ele começar a cobrar uma moeda por lição, e quem não dava valor a educação que recebia sem pagar, passou a prestar atenção nas aulas, e o homem do conhecimento, então, compreendeu que o seu ensino tinha valor e precisava ser pago pelo aluno interessado, para que ele reconheça o esforço do professor para aprender a ensinar.

Foi difícil, e ainda é duro vender conhecimento naquele mercado de produtos caros, onde tudo tem um custo, e não deveria ser diferente com o conhecimento, que dos produtos, é o que tem mais valor.

sexta-feira, junho 17, 2011

Elfo


Encontrei uma Elfo no meu caminho.
Ela faz arte, dança, gargalha e trabalha para mim.
Esses dias, pedi que ela plantasse uma flor no meu jardim, e ela demorou, demorou, mas me entregou uma árvore.
Elfos são assim, demoram para atender o seu pedido, mas sempre entregam algo muito melhor.
A minha Elfo é meio louca, irritada, bagunçada, mas quando recebe uma missão, organiza tudo em sua própria maneira: "ordem e metódo", diz ela, e corre para o seu laboratório de fazer "elfadas".
Sei que preciso libertar esse Elfo, mas confesso, vai doer no coração, quando eu lhe der a sua roupinha e ela num pirin pin pin de Emília, sumir da minha vida...

quinta-feira, junho 16, 2011

Se a Vida É


A Vida é, não tenta ser; e por ser, é!
Se a Vida é, ela é toda parte, não se divite; nunca chega, nunca parte!
Se a Vida nunca parte, ela é sempre presente; e se algo aparenta ter partido, você deve estar vendo apenas uma parte!
Ver a Vida como apenas uma parte é natural para quem só enxerga a Vida pela metade!
Ver a Vida por completo é uma missão para toda idade e afasta a ilusão que impera, pois a vida continua sendo, além do que você enxerga.


quarta-feira, junho 15, 2011

Escolhas


Senti a raiva chegar, e quando ela se instalou, pude perceber ela querendo tomar controle dos meus pensamentos para que os meus movimentos ela dominasse. Tive a escolha de deixar ela partir, mas a deixei me envolver, daí, reagi...o resto se explica por si...

terça-feira, junho 14, 2011

Selvagem


Sim, o meu corpo anseia o teu corpo, morena, os teus lábios, os teus olhos;
Quero estar contigo, morena, cometer esse pecado!
Eu não deveria, mas há algo no teu cheiro, há algo no seu rebolado;
que me faz pensar em suor e cama, cama e suor...entâo, se você sentiu
também o meu cheiro, dà uma piscada, mexe o cabelo, sorri como se
fosse uma entrada...

Não, isso é pecado, morena! Afasta de mim o seu cheiro, afasta de mim
o seu cálice. Não posso passar vontade, mas preciso me controlar, não
deixar o seu rebolado tomar conta de mim.
Preciso evitar a sua piscada, não quero sair, mas preciso evitar as
suas entradas, pelo menos, até eu descobrir porque meu corpo me faz
agir assim, selvagem...

segunda-feira, junho 13, 2011

Antônio e Valentino


"Dias dos Namorados é qualquer dia", pensei e sabia que havia outros tantos pensando isso comigo, afinal, essas datas não passam de empreitadas da mídia vendendo o seu peixe, empurrando flores goela a baixo; então nada mais sensato que a escolha que fiz. Pedi desculpa a Auri e disse que ia trabalhar no domingo.

Ela não reclamou, sabe que o quanto o trabalho era importante para mim e as coisas terminavam assim, até que encontrei Antônio no ônibus.
Negão, falante, alto e magro; ele falava ao celular sem parar e parecia contrariado: " você pede, depois não cuida; agora vem reclamar para mim que tudo foi para as cucuias. Se vira, meu!"

E ele desligava o telefone e comentava comigo o que ele pensava, como se eu o conhecesse.

- Pode, primo? - dizia - Esses Manés vivem pedindo as coisas e quando finalmente conseguem, não sabem manter. Bando de nóias!

Daí, o telefone tocava de novo...
" Sim, é o Antônio! Hum... Hãn...olha, meu amigo, eu recebo esses pedidos todo dia. É claro que eu vou cumprir o combinado, mas você vai fazer a sua parte? Sei!"

E lá ia o Antônio de novo, quebrando o pau com o sujeito que, provavelmente, estava pedindo ajuda a ele.

- Num te falei, primo! - Ele comentava comigo - Esse povo nasceu mesmo para viver só.

Comecei a desconfiar que Antônio deveria ter um emprego meio diferente quando o telefone tocou e ele ralhou com outra pessoa sobre algo bem inusitado:
" Que história é essa, Valentino? Que papo mais tolo. Amanhã é Dia dos Namorados e pronto, e é para você ficar com a sua namorada sim! Humm... Hãnnn...mais para de repetir essa ladainha que é data de mídia, Valentino! Mídia ou não, você tem namorada, primo! Vai cuidar da menina, meu! Deu um trabalhão para juntar vocês dois e agora você vem com esse papo de gente de amor que já passou?"

Quando Antônio desligou o telefone, eu já devia estar longe, de telefone na mão, dizendo a minha esposa:
" Honey, amanhã é Dia de Ficar e Trabalhar Só com Você!"

sexta-feira, junho 10, 2011

NENHUM HOMEM É UMA ILHA


A natureza pode ser uma grande mestra, gritando alto em seu silêncio de sabedoria, na complexidade de seu conjunto de coisas tão simples, como deveria ser na empresa.

por: Rubens Fava


O grande filósofo Teilhard de Chardin criou uma célebre frase; “no men is an island”, ou seja, “nenhum homem é uma ilha”. Isto significa que o homem não consegue viver isoladamente e precisa um dos outros para a sua sobrevivência.

A natureza nos ensina que esta é uma lei que vale para todos. As plantas, por exemplo, precisam da ajuda de alguns animais para poder dispersar seu pólen ou suas sementes para assegurar a sobrevivência da espécie.

Para conquistar esta parceria muitas delas precisam atrair a atenção dos seus polinizadores ou dispersores, ou em uma linguagem mais administrativa, de seus parceiros.

Para isso normalmente atuam, primeiro atraindo a atenção desses colaboradores em potencial e depois oferecendo o néctar que recompense o serviço prestado por estes parceiros.

Esta atração não é tarefa fácil, pois mesmo na natureza a competição é grande, muitas plantas também usam estratégias diferenciadas, tais como a utilização de cores fortes que se sobressaem ao verde das florestas, ou ainda utilizam uma outra estratégia bastante eficiente que é o cheiro.

Se observarmos, iremos concluir que o problema é que estes mesmos artifícios também são utilizados por inúmeras outras plantas, senão, pela maioria delas. Neste caso, a questão é; “como conseguir destaque neste ambiente tão competitivo?”

Talvez a resposta esteja na qualidade do néctar e principalmente na maneira como ele é oferecido ao parceiro em potencial.

Se tivesse que dar um conselho a uma plantinha, poderíamos orientá-la de que deve adicionar um pouquinho mais de açúcar a seu néctar para que ele tenha um sabor agradável, com isso cria a fidelidade de seu parceiro que voltará sempre.

É bom lembrá-la de que a localização é muito importante, pois se estiver em um local muito exposta ao sol isto fará com que a evaporização da água torne seu néctar muito doce o que certamente não agradaria seu parceiro, por outro lado, se estiver em um local muito fechado, impedirá a entrada de água da chuva, neste caso o efeito seria o contrário, seu néctar poderia se diluir de forma excessiva e tornar menos doce.

Outro cuidado é não deixar seu néctar muito exposto, uma vez que com a facilidade em obtê-lo, seu possível parceiro se beneficiará dele sem oferecer, em contrapartida, o serviço de transporte de seu pólen e ai sua sobrevivência ficará comprometida.

A estratégia, então, é deixar seu néctar na parte mais profunda da flor, onde obrigatoriamente ele terá que tocar no pólen para chegar até o produto de seu interesse que é o néctar.

Teilhard de Chardin está certo não há nenhuma possibilidade de sobrevivência se não houver parceria.

No mundo dos negócios não é diferente. Vivemos hoje numa sociedade cuja evolução tecnológica da era pós-industrial representa a transformação da riqueza física, baseada na terra e nos bens de produção, em ativos intangíveis.

Neste sentido, ganhou significado patrimonial não só a marca, mas também os domínios, os bancos de dados, os softwares, as tecnologias, as licenças e outros.

Neste cenário, uma série de mudanças comportamentais e de postura ocorreu.

O ambiente de negócios se transformou, principalmente com a inversão da cadeia de produção, com um modelo de logística reversa, sem estoques, com terceirização de pessoas, processos e até operações.

O marketing passou a olhar de fato para o cliente, criando interfaces de contatos, seja ele qual for; e.mail, comércio eletrônico, home page, etc.

Hoje as empresas precisam da ajuda do cliente para poder divulgar sua marca ou sua imagem, pois ambas constituem a alma da empresa e asseguram a sua sobrevivência.

Muitas precisam atrair a atenção de seus clientes, criando o que podemos denominar de “clientes apóstolos”, ou seja, aqueles clientes formadores de opinião, que assim como as plantas, precisam atrair a atenção e depois oferecer algum benefício, algum néctar, que recompense a preferência deste por seu produto, seu serviço ou sua marca.

Como na natureza, no mundo dos negócios esta também não é uma tarefa fácil. A competição é enorme e a maioria das estratégias utilizadas para atrair o cliente em geral, são similares entre todas as empresas. Neste caso a questão é a mesma feita anteriormente em relação à natureza; “como conseguir destaque neste ambiente tão competitivo?”

A resposta também não é diferente, talvez esteja na qualidade do produto (néctar) e principalmente na forma como ele será oferecido.

Para começar o produto e/ou serviço deve atender ao máximo possível as necessidades do cliente para que ele volte sempre, uma vez que sabemos que o cliente não compra produto, compra benefício.

Por outro lado, a localização também é importante, pois ela possibilita o adequado posicionamento do produto no mercado e conseqüentemente o valor percebido do cliente, ou até para impedir que o cliente forme uma imagem que leve em consideração apenas o produto, diluindo o valor dos serviços adicionais, desvalorizando assim o valor do produto.

Enfim, a natureza pode ser uma grande mestra, gritando alto em seu silêncio de sabedoria, na complexidade de seu conjunto de coisas tão simples, como deveria ser na empresa.

Ela espalha suas lições em cada folha, em cada árvore, na água, no mar, no colorido das flores, dos animais e dos pássaros.

Nos ensina que a sobrevivência das espécies passa pela cooperação de uma com as outras.

São ensinamentos que sem uma percepção apurada não se consegue captar.

Assim como na natureza, nos negócios também é necessário procurar enxergar o que não está visível somente assim a empresa poderá sobreviver neste ambiente complexo e competitivo.

quinta-feira, junho 09, 2011

Arrependimento e Remorso


Não sei em que momento, dei voz e ação aos meus impulsos mais inferiores e perdi a noção dos valores, pelos quais, fui criado. Porém, eu sei que sempre busquei um caminho mais rápido para alcançar o estrelato da posse daquilo que torna a vida muito mais confortável e acabei fazendo o que fiz e aqui estou encarcerado.

Nenhum psicólogo talvez consiga traçar as razões que me trouxeram para esse caminho, afinal, não comi do pão amassado pelo diabo, pelo contrário, sempre tive tudo, atenção e carinho.
Não sou obra da desigualdade social, e para ser sincero, nem eu sei bem o que houve comigo, tudo o que eu sei é que uma coisa leva a outra, e passei do furto ao roubo, em um piscar de notas e hoje, nesse mundo sem janelas e sem portas, comecei a pensar que talvez tivesse sido melhor se eu tivesse optado pelo caminho do trabalho.

Sim, estou provando das lições do remorso; remorso este que não vem das lembranças do que tirei das pessoas, nem daquelas, cuja a vida ceifei ( elas reagiram. Eram elas ou eu); essa consciência ardida vem quando eu lembro da minha mãe que mesmo sabendo que o seu filhinho querido virou um bandido, ainda assim, me ama e me quer bem e esta sempre comigo. Por causa dela, penso em deixar essa vida, mais só penso, pois sei, que embora agora eu queira mudar, só sinto isso por estar preso e por não querer ver minha mãe chorando.

Eu sei, caro leitor, que você esperava ler uma crônica sobre redenção, porém, saiba amigo que assim que eu sair daqui, bastará a primeira oportunidade para eu voltar a fazer o que faz a gente que é igual a mim.

quarta-feira, junho 08, 2011

VOCÊ PODE DIZER ALGO SOBRE DEUS?


Há uma história sobre Buda, onde uma manhã um homem perguntou a ele: "Existe um Deus?"

Buda olhou para o homem, olhou dentro e seus olhos e disse: "Sim, existe um Deus."

Neste mesmo dia, à tarde, outro homem perguntou: "O que você acha de Deus? Existe um Deus?"

Novamente ele olhou para o homem e para dentro de seus olhos disse: "Não, não existe nenhum Deus."

Ananda, que estava com ele nas duas ocasiões, ficou muito confuso, mas ele sempre era muito cuidadoso para não interferir em nada. Ele tinha o seu tempo quando todo mundo partia à noite e Buda estava indo dormir; se ele tinha que perguntar alguma coisa, ele poderia perguntar neste momento. Mas, à noite, enquanto o sol estava se pondo, um terceiro homem veio com quase a mesma questão, formulada diferentemente. Ele disse: "Você pode dizer algo sobre Deus?"

Ananda estava agora escutando muito concentradamente o que Buda diria. Ele deu duas respostas absolutamente contraditórias no mesmo dia e agora uma terceira oportunidade surgiu - e não existe uma terceira resposta. Mas Buda deu uma terceira resposta. Ele não falou, ele fechou os seus olhos. Era uma linda noite. Os pássaros tinham se acomodado em suas árvores - Buda estava em baixo de uma mangueira - o sol se pôs, uma brisa fresca estava começando a soprar. O homem, vendo Buda sentando com os olhos fechados, pensou que talvez esta é a resposta, assim ele também se sentou com os olhos fechados.

Uma hora se passou, o homem abriu os olhos, tocou os pés de Buda e disse: "Obrigado pela resposta." E foi embora.

Ananda não podia acreditar, porque Buda não falou uma simples palavra. E quando o homem foi embora, perfeitamente satisfeito e contente, Ananda perguntou a Buda: "Isto é demais! Você poderia pensar em mim - você me deixa louco. Eu estou à beira de um colapso nervoso. Para um homem você diz que existe Deus, para outro homem você diz que não existe Deus e para um terceiro você não responde. E este estranho seguidor diz que ele recebeu a resposta e, grato, ainda toca os seus pés! O que está acontecendo?"

Buda disse: "Ananda, a primeira coisa que você tem que se lembrar é que estas perguntas não eram as suas, e aquelas respostas não foram dadas para você. Por que você deveria se preocupar com elas? Elas não são da sua conta, mas algo entre mim e aquelas três pessoas".

Ananda disse: "Isto é verdade, estas não eram minhas perguntas e as respostas não foram dadas para mim. Mas o que eu posso fazer? Eu tenho ouvidos e escuto e eu escutei e vi e agora todo o meu ser está confuso - o que é certo?"

Buda disse: "Você pensa na vida em termos absolutos, é esse o seu problema. A vida é relativa. Para o primeiro homem a resposta foi sim e era relativa a ele, estava relacionada com as implicações de sua questão, de seu ser, de sua vida. O homem a quem eu disse sim era um ateu; ele não acredita em Deus e não quero dar suporte a seu ateísmo estúpido; ele fica a proclamar que Deus não existe. Mesmo se um pequeno espaço for deixado inexplorado... talvez Deus exista naquele espaço. Só quando você investigou toda a existência pode dizer com absoluta certeza que Deus não existe. Isso é possível somente no final, e aquele homem estava simplesmente acreditando que Deus não existe, mas não tinha experiência existencial de que Deus não existe. Precisei estilhaçá-lo, precisei trazê-lo de volta à terra, precisei bater duro em sua cabeça. Meu sim foi relativo àquela pessoa, a toda a sua personalidade. Sua pergunta não era apenas palavras. A mesma palavra vinda de outra pessoa poderia ter recebido uma outra resposta.

E foi isso que aconteceu quando respondi "não" ao outro homem. Ele era um idiota tal qual o primeiro, mas no pólo oposto. Ele queria o meu apoio - ele já acreditava em Deus. Ele veio com a resposta pronta, apenas para solicitar o meu apoio de modo que ele pudesse ir e dizer: ‘Eu estou certo, o próprio Buda pensa assim’. Eu tinha que dizer não para ele, apenas para perturbar a sua crença, porque crença não é sabedoria.

E o terceiro homem veio sem crenças. Ele não me perguntou se Deus existe. Não, ele veio com o coração aberto, sem a mente, sem crenças, sem ideologias. Ele era realmente uma pessoa sã e inteligente. Ele me pediu: 'Você pode dizer algo sobre Deus?'

Pude perceber que aquele homem não tinha crença dessa ou daquela natureza; ele é inocente. Com uma pessoa tão inocente, a linguagem não tem sentido. Não posso dizer sim nem não; apenas o silêncio é a resposta. Então fechei os olhos e permaneci em silêncio.

E minha impressão sobre o homem provou ser correta. Ele fechou os olhos também. Ele entendeu minha resposta: fique em silêncio, vá para dentro. Ele então recebeu a resposta de que Deus não é uma teoria, uma crença que você deve estar contra ou a favor. Foi por isso que ele agradeceu pela resposta.

Deus não é uma coisa muito distante de você; ou você é uma mente ou você é um deus. Em silêncio e consciência a mente desaparece e revela a sua divindade para você. Apesar de eu não ter falado nada para ele, ele recebeu a resposta e recebeu-a da maneira correta."

terça-feira, junho 07, 2011

Babel II


Bebendo o Grall do cálice sagrado, subi aos céus, e acessei a dimensão atemporal, de onde, quem chega, percebe tudo o que fazemos aqui, por um outro ângulo, e desse ângulo, tudo faz sentido até a imperfeição da falta de sentido.

Estando lá, respirei fundo e segui indo, observando os tesouros da criação e do amor sendo revelados, ficando ao meu dispor; daí pensei em anotar tudo para não esquecer e esqueci o que deveria anotar...perdi as referências, as verdades se tornaram mentiras; fui aprisionado pelo temor e pela dúvidas; flertei com a loucura e todo o tesouro foi se transformando em pó, cinzas: Babel, encanto do Babel...

No final, restou-me apenas essas letras pequeninas e atrapalhadas de uma crônica mal feita que tinha o objetivo de descrever uma jornada épica que não cabe em palavras.

segunda-feira, junho 06, 2011

Malícia II


Se a energia da malícia contida na sua língua
pudesse ser usada para fazer poesia,
seus versos seriam dos versos,
os mais belos;
e não esse rio de fofoca
que desenboca
no ouvido do outro que compartilha contigo
os daninhos de falar mal de alguém
que nem esta presente para se defender do delito.

Cuidado com a malícia,
amiga nossa, inimiga íntima
de quem deseja se curar
dos danos gerados por vidas de disamor.

Uma palavra venenosa em relação ao outro
pode provocar incêndios,
destruir reinos,
E soterrar os jardins que você vem criando.
Contenha o demônio que mora na palavra maldita...

sexta-feira, junho 03, 2011

A Estrela do Amanhecer


Não é preciso ser mago para ver, nem rei para ser um peregrino da Estrela do Amanhecer; basta ter vontade de confiar que há algo além das aparências e a luz da estrela que se apresenta pode ser algo além do que aparenta.

Se você tiver coragem de acreditar, mesmo com tanta gente querendo lhe provar que o que você sente não existe, você ganhará a certeza que algo está nascendo, surgindo; pois a Estrela do Amanhecer que te guiará das trevas à luz, há muito já brilha dentro do seu peito, na forma de Jesus.

Sim, o que buscamos fora, há tempos já reside dentro, mas foi preciso procurar e aprender a ver o céu de outra maneira, para que você percebesse que a verdade que se fez pela cruz e é recontada e revivida a cada fim do ano, é apenas uma seta te indicando que se você persistir na jornada, acabará chegando na manjedoura do Cristo que nasce todos os dias no seu coração.

Viva Jesus Cristo Redentor!
Viva Maria, a nossa Mãe!
Viva o Patriarca São José!

quinta-feira, junho 02, 2011

Você é capaz de abrir mão do controle?

por Patricia Gebrim

Outro dia assisti um vídeo sobre uma interessante prática dos monges budistas tibetanos. Sobre uma superfície plana, os monges chegam a passar um mês criando as mais maravilhosas mandalas, com a ajuda de finos tubos de metal por onde a areia é depositada.
Essa “areia” é também feita por eles. Pedras brancas são moídas e depois tingidas com guache opaco, produzindo os tons fortes necessários para criar o impacto que as mandalas causam em quem as vê.

Mas o que me chamou a atenção e inspirou este artigo é o fato de que, após todo esse trabalho minucioso e exaustivo, os monges destroem a mandala, usando o vento ou mesmo varrendo a areia, que é considerada abençoada e usada para beneficiar as terras ou rios onde é jogada.

A destruição das mandalas é um ato ritualístico que representa a impermanência da vida. Tudo passa. Não há como impedir que isso aconteça. Percebo que os orientais são muito mais preparados do que nós, ocidentais, para lidar com essa verdade.

Por volta de 1700 um famoso químico francês chamado Antoine Lavoisier criou a célebre frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Isso nos leva a pensar que, ao menos racionalmente, deveríamos já saber que é impossível reter a vida em nossas mãos.

Apesar disso, continuamos teimosamente lutando contra a essência da vida. Ao invés de fluirmos com a vida, leves, serenos, confiantes de que o momento presente é o que temos de mais precioso; tentamos aprisionar a vida como fazíamos quando éramos crianças e prendíamos as pobres borboletas em potes de vidro até que terminassem mortas, para nossa tristeza e decepção.

- Quantas borboletas teremos de matar para aprender que a vida precisa de liberdade para continuar a existir?

Temos essa tendência de criar apego a tudo o que nos toca. Não nos basta fluir pela vida, temos que possuí-la. Não nos basta observar, extasiados, o lindo voo da borboleta azul que surge inesperadamente em nosso caminho, temos que prendê-la com um alfinete em um quadro para que seja nossa para sempre.

- Quando aprenderemos o quanto perdemos com isso?

O mesmo se passa nos relacionamentos. Um dia conhecemos alguém que nos parece brilhante, colorido, uma pessoa cheia de vida que nos encanta. Em um primeiro momento mal podemos crer que algo tão belo tenha cruzado nosso caminho. E então, aos poucos, desperta dentro de nós o “monstro assassino de borboletas” e passamos a querer garantias. E passamos a querer controlar, possuir e aprisionar.

A verdade é que ainda não aprendemos a amar. Ainda sabemos muito pouco sobre esse amor que liberta, que permite, que respeita, que se recusa a ter asas de borboleta esmagadas nas palmas de suas mãos.

A vida tem sua própria pulsação. A vida tem uma sabedoria maior que guia cada pequeno evento. Acreditem, nem mesmo uma folha de árvore se desprende do galho que a acolhia sem que essa sabedoria maior esteja por trás da rajada de vento que a libertou. Se soubéssemos disso confiaríamos mais, abriríamos as mãos, nos soltaríamos e nos permitiríamos ser levados, sem apegos, sem tanto medo, sem precisar aprisionar os ponteiros do relógio, como se isso fosse capaz de fazer o tempo parar.

Até mesmo a ciência já sabe disso. No início dos anos 60 a ciência do caos começou a estudar essa questão. Estudando sistemas complexos, a Teoria do Caos aponta para o fato de que muitas vezes a ordem surge, de maneira espontânea, dentro de estados aparentemente caóticos.

Ou seja, não importa o quanto a vida nos pareça desorganizada, incontrolável e, algumas vezes assustadora, existe uma ordem implícita escondida em suas entranhas, prestes a surgir, a nos encantar, nos acolher, nos elevar às alturas onde voam as mais belas borboletas.

Claro que tais voos são reservados aos corajosos.

A única forma que temos de ter uma vida controlada é torná-la restrita e medíocre.

Uma vez li, em algum lugar uma frase que tento reproduzir e deixo como reflexão final para este artigo:

“Quanto mais tentamos controlar a vida, menos vida temos para controlar”.

Fonte http://www2.uol.com.br/vyaestelar

quarta-feira, junho 01, 2011

Quando trair faz bem.


Uma fábula moral, mas ao contrário

Por IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA.

O celular tocou por volta das oito da noite. Quando vi quem era, soube do que se tratava mesmo antes de atender. “Eu estou jantando com você, tá?”, disse uma voz de mulher. Eu concordei sem fazer perguntas. Foi a única vez que uma amiga, não um amigo, ligou para pedir um álibi. Ela iria sair com um sujeito, era casada e, caso precisasse mentir em casa, queria usar meu nome. Não precisou.

Eu vinha acompanhando o caso há semanas.

A amiga estava às voltas com um sujeito que mexia com os sentimentos dela. Eles haviam se conhecido durante uma viagem de avião e estabeleceram nos meses seguintes uma relação de enorme intimidade. Conversavam por telefone várias vezes ao dia, almoçavam pelo menos uma vez por semana e trocavam emails, dezenas de emails, cheios de desejo sublimado. A cumplicidade só não incluía sexo.

No momento em que eu soube da história, a amiga já estava a ponto de ligar para ele, que também era casado, nas noites de sábado e domingo. O convívio com o marido estava se tornando difícil. Ela pensava no outro, desejava o outro, sentia falta do outro. Veio desabafar comigo, perguntou o que eu achava. Nós nos conhecíamos desde antes do casamento dela e eu sabia da sinceridade e da intensidade dos seus sentimentos. Aquela mulher não iria conviver com ambiguidades por muito tempo.

Para mim, a questão era óbvia: o desejo pelo outro estava arruinando o casamento dela. Ela disse que se sentia parte de uma relação sólida e feliz até conhecer o cara do avião. Agora já não tinha mais certeza. Àquela altura, me pareceu que havia três possibilidades.

A primeira era virar as costas para o desejo, cortar relações com o cara que o provocava, ater-se ao casamento e viver com as consequências emocionais dessa decisão, que não me pareciam promissoras. Pensei nisso como a solução heróica. A outra possibilidade era contar ao marido o que estava acontecendo e correr o risco óbvio de que ele, magoado, saísse de casa para não mais voltar. Era o sincericídio. A terceira, claro, era transar com o sujeito e descobrir o que vinha depois.

Na época me pareceu – e eu disse isso a ela – que a solução menos danosa era a terceira. Se toda aquela comoção fosse apenas luxúria, se todo aquele romance fosse só uma projeção do desejo, ela perceberia depois de transar. Sexo (ao menos para os homens) ajuda a dar dimensão real a sentimentos que, de outra forma, crescem até se tornarem fantasias asfixiantes. Era o que estava acontecendo com a minha amiga.

Havia também a possibilidade de que ela sentisse, depois de transar, que queria mesmo o tal sujeito – e, nesse caso, seria covardia fugir do sentimento, não? Em assuntos de tal gravidade, antes de ser leal a qualquer outra pessoa convém ser verdadeiro consigo mesmo, eu acho.

Enfim, ela e eu falamos algumas vezes sobre o impasse, mas a situação não parecia se resolver com palavras ou resoluções. Por isso eu entendi imediatamente quando o telefone tocou. Ela havia decidido correr o risco.

Essa história tem alguns anos, mas eu ainda consigo ver as sobrancelhas grossas da amiga, seu sorriso constrangido com a situação. Ela não era especialmente bonita, mas chamava a atenção em qualquer ambiente pela sensualidade e pela alegria. Tinha tido desde muito jovem uma vida afetiva e sexual intensa. Casara-se aos 30 e dizia estar pronta para o compromisso. Mas, cinco anos depois, no momento em que ela e o marido discutiam a possibilidade de ter filhos, apareceu o tal sujeito. Alto, falante e sedutor, segundo ela me disse, parecia o oposto do parceiro dela, que era reservado e irônico. Seria natural que ela achasse o contraste excitante, mas deixar-ser envolver daquele jeito... Enfim, nada mais fácil do que julgar os sentimentos dos outros.

Por uma semana depois daquele telefonema de cúmplice, minha amiga sumiu. Quando ligou de novo, era outra pessoa. Me chamou para almoçar e contou quase tudo.

Fiquei sabendo que a noite de infidelidade fora “boa”. Ela fizera reserva num hotel no centro da cidade e convocara o fulano. Quando ele chegou, havia no quarto champagne gelada e uma mulher nervosa, mas determinada. Sem me contar detalhes, disse que o sexo fora como ela imaginara. Melhor, até. Mas, cinco minutos depois, quando ela voltou do banheiro, ficou claro: a mágica tinha evaporado junto com o tesão. Resolvida a curiosidade física, ela sentiu que não tinha mais nada a fazer ali. Não estava apaixonada coisíssima nenhuma. Teve vergonha da própria nudez e da nudez do outro. Sentiu urgência de voltar para casa. Foi tomada por um medo terrível, quase pânico, de que o marido descobrisse. Só conseguia pensar – na verdade, ela me disse, tinha vontade de gritar – o quanto gostava do marido.

Se a vida fosse um filme americano ou uma parábola bíblica, sua transgressão teria sido punida com um flagrante ou um acidente terrível, que tornaria explícita a natureza abominável do seu ato – e a punição inevitável dos céus. Mas a vida foi melhor do que isso.

Ela voltou para casa apreensiva, mas sentia-se melhor do que antes. Deixara para trás uma dúvida capaz de envenenar seu casamento e seu espírito. Estava mais segura dos seus sentimentos. Nos dias seguintes, o sexo com o marido melhorou sem que ele entendesse por quê. O casal voltou a discutir a possibilidade de ter filhos. Isso aconteceu faz alguns anos e eu paro de contar por aqui.

Na semana passada eu tinha dito que a traição, às vezes, pode fazer bem. Neste caso, fez. Se a minha amiga descobrisse que amava o outro sujeito, teria sido bom também. A verdade é importante. Mais importante, em algumas situações, do que as regras que nós inventamos há milênios para nos proteger da dor e da solidão.

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)
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