sábado, agosto 15, 2009

Dois Cavalos

Ela gosta mais das crônicas que falam do cotidiano; não gosta dos contos fantásticos e das poesias surreais que escrevo, volta e outra. Não usou exatamente essas palavras, mais eu vi em seus olhos, que essas letras "espiritualistas" são meio excêntricas demais para quem a leitura deve ser sempre uma aventura com tiquete de volta.

Expliquei que era preciso ler nas entrelinhas, ir além da dificuldade inicial das letras herméticas e compreender o impacto da leitura da surpresa, aquele tipo de literatura que modifica o pensar, faz questionar; mas ela insistiu: você escreve melhor quando fala das coisas da gente e daquilo que nos ocorre. Nem sempre estamos dispostos a embarcar nessas "viagens sobre esse mundo e sobre os outros mundos que existem além da nossa imaginação."

Eu respondi que tinha consciência que já havia um público cativo, que retornava todos os dias, famintos das Crônicas do Frank, e justamente por isso, não poderia permanecer com uma única escrita, que precisava, vez e sempre, brincar com as palavras, com os símbolos; arrancar um ? mesmo que demorasse o !

Ela disse que continuaria a ler; eu disse que seria um prazer; afinal escritor e leitor são dois cavalos correndo lado a lado nos campos da leitura e da interpretação.

Um comentário:

Tatiane disse...

É realmente incrível como você ainda me surpreeende! Um dia estarei pronta para viajar com você neste e em todos os outros mundos.....BJS!

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