domingo, agosto 02, 2009

VII. VOLTANDO

... E onde ficam os médiuns nessa caminhada?

- Os médiuns são oráculos, respondeu o Anjo..

- Oráculos? Como assim?

- Quando voltar pra Terra estude a mitologia grega.

- Então, quando eu encontrar esse amor verdadeiro, poderei voltar pra cá?

- Não! Nós iremos para lá!




O Auto da Piedade - Parte III
Sete Atos para Reencenar

VII. VOLTANDO


- Foi bom “conversar” com você – disse o Anupada...quero dizer...o Raul se despedindo.

- Sim, você jura que vai estar lá do lado, dando aquela força? – perguntei.

- Pode contar com isso!

- Como eu vou saber se você não está dizendo isso só para ser “social”. Sabe como é, tipo, eu vou lá na sua casa ou eu te ligo, mas é só papo de um dia talvez a gente se encontre.

- Eu não preciso fazer isso – disse ele sorrindo e lá vinha mais uma das suas “piadas divinas” – Não preciso fazer isso, pois eu nunca estive longe, você é que não “ligava”.

...

- Pronto pra voltar? – ele perguntou.

- Sim, pronto!- respondi nervoso. O leitor que não ria desse temor. Quem disse que a gente não sente medo também para nascer.

- Posso bater o tambor? – ele perguntou sorrindo.

- Como assim bater o tambor? Cadê o violão? Onde está a Harpa?

- Cada um tem o Anjo que merece!

- Rá, rá! Raul. Essa foi bem engraçada! Fala sério!

- Eu estou! Você é que já está projetando os desejos da Terra aqui no “entre mundos”. Se você quiser, posso ir buscar as asas lá no varal...

- Não, está tudo bem. Só esperava que aparecesse sei lá, outros anjos, tipo uma banda para se despedir, quem sabe até Jesus...tou começando a acreditar que ele nem existiu.

- Claro que ele existe, mas não está aqui.

- Onde ele está?

- Ora, na Terra!

- Péraí! Jesus já não virou Homem Quadridimensional há tempos?

- Você não conhece a lenda do Bodhisatwas?

- Não lembro! Já sei ... quando eu voltar pra Terra, devo estudar isso também.

- Sim, e também todos os livros sagrados, mas sem preconceito; lendo com os olhos das múltiplas interpretações e percebendo que os arquétipos; mitos, lendas são representações de algo que já foi perdido.

- Posso tocar o tambor?

- Claro. E eu tenho escolha?

- Na verdade tem. Posso tocar a minha harpa ou o violão e te conduzir de volta mansamente. O problema é que você vai precisar fazer algumas paradas na descida para a Terra: no Mundo Branco, no Umbral, sabe lá mais Deus onde.

Esse é o caminho natural para o sutil voltar a ser denso...

Ou eu posso tocar o tambor e te fazer cair de volta de uma vez, quem sabe, com tempo ainda de reter algo dessa nossa conversa e escrever sobre isso. Livre-arbítrio!

- Mundo Branco? Umbral? Não! Pode usar o tambor. Vai ser legal lembrar uma coisa ou duas dessa nossa conversa, mas você não poderia, ao menos, cantar uma dessas canções angelicais daqueles Cds de New Age?

- Na verdade, vou cantar alguns pontos para os Orixás.

- Os Orixás?

- Sim, eles é que te levarão de volta.

- Não me lembr...sim vou voltar e pesquisar sobre eles. Algum livro bom que você recomende?

- Na verdade não há muita coisa boa escrita sobre eles, mas você sempre poderá pesquisar e filtrar os links do Google.

- Google?

- Agora chega de perguntas, que eu preciso cantar para você descer!

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